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Direito Financeiro e Direito Tributário I Professor João Paulo Fanucchi de Almeida Melo[footnoteRef:1] [1: Advogado tributarista, sócio fundador da Almeida Melo Sociedade de Advogados. Professor da Pós-Graduação e Graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), como Adjunto I. Doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Direito Público pela PUC Minas. Pós-Graduado em Direito Tributário pela Faculdade de Direito Milton Campos. Membro da Comissão de Direito Tributário da OAB NACIONAL. Diretor da Associação Brasileira de Direito Tributário (ABRADT). Presidente da Câmara Jurídica e da Câmara de Assuntos Tributários da FEDERAMINAS. Conselheiro do Conselho de Assuntos Jurídicos da AC Minas. Membro da Comissão Especial de Defesa da Cidadania Tributária do OAB FEDERAL (2015/2018). Conselheiro Seccional da OAB/MG (2016/2018 e 2019/2021). Presidente da Comissão de D. Tributario da OAB/MG. (2013/2015 e 2019/2021). Procurador Tributário da OAB/MG (2016/2019). Conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Tributários (CART) de Belo Horizonte nos anos de 2014/2017. Membro da Comissão de Revisão e Simplificação da Legislação Tributária do Estado de Minas Gerais (2014/2018). Professor convidado da FUNDEP e foi examinador de dezenas de banca de concursos públicos. Lattes: Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/6366829630594841 ] (academico@almeidamelo.adv.br) 01. ATIVIDADE FINANCEIRA DO ESTADO E AS FUNÇÕES DOS TRIBUTOS. · Qual a importância dos tributos? · Dever fundamental de pagar tributo? · Fiscalidade · Extrafiscalidade. Vide ADI 2301 (IPVA para bons motoristas) · (Re)distribuição 02. DIREITO FINANCEIRO E DIREITO TRIBUTÁRIO E A SUA (NÃO)RELAÇÃO COM OUTROS SEGMENTOS DO DIREITO. · Direito Constitucional · Direito Civil (Vide art. 110 do CTN) · Direito Administrativo. · Direito Empresarial · Direito do Trabalho Súmula Vinculante 53 — A competência da Justiça do Trabalho prevista no artigo 114, inciso VIII, da Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela homologados. · Direito Internacional · Direito Penal · Direito Processual Civil · Direito Financeiro Autonomia no Direito Tributário? Sem Autonomia Com Autonomia * Receita Pública = Direito Tributário (tributos, Direito Patrimonial (receita originária) e D. do crédito público (títulos e empréstimos) * Despesa Pública = Direito da Dívida Pública (pgto. de obrigações) e Direito das prestações financeiras * Direito Orçamentário * Art. 24 da CRFB + art. 145 a 162 (STN) e 163 e ss. (Finanças Públicas) * Leis infraconstitucionais distintas. * DT = contribuinte x Estado; DF = não há participação direta popular/particular. Estrutura nas faculdades 3. RECEITA PÚBLICA 3.1. Ideia central · receita é a entrada que integra ao patrimônio púbico sem quaisquer reservas, condições ou correspondência de passivo, vem acrescer o seu vulto como elemento positivo e novo. A receita publica originárias – decorrentes do patrimônio do estado .EX : alugueis, empresas de sociedade mista · Diferença para ingresso ou entrada (Ex: depósitos ou empréstimos) 3.2. Classificações 3.2.1. Ordinárias x extraordinárias (Ex: doações ou imposto extraordinário) 3.2.2. Derivadas x Originárias x transferidas · Exemplos de Derivadas: tributos e multas; · Originárias a) Ingressos patrimoniais – exploração do patrimônio público/bens dominais do Estado (ilhas, imóveis etc). Principais formas são preço público e compensações financeiras (art. 20, § 1º da CRFB) b) Ingressos comerciais – atuação do Estado na atividade econômica, exercendo sua função atípica. Exs: Monopólios e loterias. c) Transferências constitucionais. Por ex: IPVA, IR etc. 04. CONCEITO DE TRIBUTO · No texto constitucional? · Art. 3 do CTN: “tributo é toda prestação pecuniária (i) compulsória (ii), em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito (iii), instituído em lei (iv) e cobrada mediante atividade plenamente vinculada (v).” 03. ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS 3.1. Introdução · Quantas espécies? Entendimento do STF no RE 146.733-9 · Quadro resumo para referência: As espécies tributárias Impostos 1.Ordinários (145,I, 153, 155 e 156) 2.Residuais (art. 154, I) 3.Extraordinários de guerra (154,II) Taxas 1.Poder de polícia 2.Serviços públicos específicos e divisíveis Contribuições de melhoria Empréstimos compulsórios 1.Extraordinários guerra ou calamidade pública (art. 148, I) 2.Investimento (art. 148, II) Contribuições especiais 1.Sociais 1.1. Gerais (art. 149 primeira parte §§ 2º A 4§). 1.2. Seguridade social 1.2.1. Ordinária: art. 149 primeira parte e §§ 2º a 4º e 195 de I a IV da CRFB. 1.2.2. Residuais: art. 149 primeira parte e 195 § 4º. 1.2.3. Previdência do funcionalimo público: 149, § 1º da CRFB. 2. Intervenção domínio econômico (art. 149 segunda parte e §§ 2º a 4º e art. 177). 3. Interesse das categorias profissionais ou econômicos (art. 149 terceira parte). 4. Iluminação pública municipal e distrital (art. 149-A). · Denominação prevista na legislação positiva: irrelevância. Vide RE 363.266 - 3 05.2. Impostos · Financiamento difuso. · Concepção de solidariedade · Recai sobre a capacidade contributiva · Tributa-se as relações de riqueza. · Princípio da não afetação: (art. 167, IV e parágrafo 4 da CRFB[footnoteRef:2]) [2: “É permitida a vinculação das receitas a que se referem os arts. 155, 156, 156-A, 157, 158 e as alíneas "a", "b", "d", "e" e "f" do inciso I e o inciso II do caput do art. 159 desta Constituição para pagamento de débitos com a União e para prestar-lhe garantia ou contragarantia.”] · Vinculação de receita? Vide ADI 4102 e ADI 553/RJ, julgado em 13.6.2018. · Fato gerador ligado ao contribuinte. · Algumas classificações: direto x indireto; monofásico x plurifásico. · Quais impostos estão na CRFB? 05.3. Taxas 05.3.1. Base normativa Constitucional – art. 145 CTN – arts. 77 a 80 “taxas, (i) em razão do exercício do poder de polícia ou (ii) pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição” (...) “As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.” Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios (repete a CRFB), no âmbito de suas respectivas atribuições (não tem correspondência constitucional), têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. (repete a CRFB) Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas.” (ampliação comparando com o texto constitucional) 05.3.2. Considerações gerais · Justiça comutativa. · Respectivas atribuições do ente federado tributante. · Não pode ter a mesma base de cálculo dos impostos (integral identidade). Vide Súmula Vinculante n. 29 e art. 77 do CTN.[footnoteRef:3] [3: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 5.480 RELATOR: MIN. ALEXANDRE DE MORAES EMENTA: CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E AMBIENTAL. LEI 7.182/2015 DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. TAXA DE CONTROLE, MONITORAMENTO E FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL (TFPG) EXIGIDA SOBRE ATIVIDADES DA INDÚSTRIA DE PETRÓLEO E GÁS. LEI COMPLEMENTAR 140/2011. NATUREZA SUPLEMENTAR, SUPLETIVA OU EMERGENCIAL DA FISCALIZAÇÃO NÃO EXCLUI PODER DE TAXAR DOS ESTADOSMEMBROS. VALOR DA TAXA. DESPROPORCIONALIDADE. PROCEDÊNCIA. (...) O caráter subsidiário, supletivo ou emergencial das medidas de fiscalização pelos órgãos ambientais estaduais nas atividades da indústria petrolífera realizadas em águas marinhas não impede a instituição de taxas pelo exercício do poder de polícia, nem induz bitributação, sendo possível a sua compensação com taxas cobradasno âmbito federal (art. 17-P da Lei 6.938/1981). 4. A base de cálculo indicada pelo art. 4º da Lei 7.182/2015 – barril de petróleo extraído ou unidade equivalente de gás a ser recolhida – não guarda congruência com os custos das atividades de fiscalização exercidas pelo órgão ambiental estadual, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA/RJ). Desproporcionalidade reconhecida. Nesse sentido: ADI 6211-MC, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 4/12/2019, acórdão pendente de publicação; e ADI 5374-MC, Rel. Min. ROBERTO BARROSO, decisão monocrática, DJe de 17/12/2018. 5. Ação direta julgada procedente.] · Equivalência razoável entre o custo estatal e o valor a ser pago a título de taxa. Vide Rep. Incons. 1077/84. · Destinação dos recursos: divergência doutrinária. Vide ADI 2040 (taxa judiciária). · Divisibilidade (art. 79 CTN): divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos seus usuários. · Específicos (art. 79 CTN): quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de utilidade, ou de necessidades públicas. · Aplicação do princípio da capacidade contributiva? · Literalidade do art. 145, § 1º da CRFB. · STF: vide ADI: 4531. · STF, RE 232.393/SP: no caso da Taxa de Coleta – tamanho do imóvel. · Questões inerentes ao exercício da cidadania. 05.3.3. Taxa em razão do exercício do poder de polícia. Art. 78 CTN. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. · E quando não há fiscalização efetiva, mas somente potencial? · TJMG: basta o aparato estatal. · STF: basta o aparato estatal. Justifica a cobrança, até mesmo para que haja a manutenção. Vide.: RE 425.485 (Taxa de Localização e Funcionamento). · STF - dois casos isolados: (i) RE 588.322/RO (Min. Gilmar Mendes) de 2010 = sustentou a necessidade de regularidade da fiscalização, que precisa ser efetiva. O órgão administrativo é um dos elementos para inferir o poder de polícia; (ii) RE 555.254/SP (Min. Toffoli) = segue a mesma linha. 05.3.4. Súmulas e precedentes destacados. Súmulas Vinculantes Súmulas STF Súmulas do STJ Diversos Súmula Vinculante 12: A COBRANÇA DE TAXA DE MATRÍCULA NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS VIOLA O DISPOSTO NO ART. 206, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Súmula 667 STF: “VIOLA A GARANTIA CONSTITUCIONAL DE ACESSO À JURISDIÇÃO A TAXA JUDICIÁRIA CALCULADA SEM LIMITE SOBRE O VALOR DA CAUSA.” Súmula 80 : A TAXA DE MELHORAMENTO DOS PORTOS NÃO SE INCLUI NA BASE DE CALCULO DO ICMS. Taxa de expediente (vide RE 789.218-MG – Dias Toffoli) TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. RATIFICAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA. TAXA DE EXPEDIENTE. FATO GERADOR. EMISSÃO DE GUIA PARA PAGAMENTO DE TRIBUTO. AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS EXIGIDOS PELO ART. 145, II, CF/88. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. A emissão de guia de recolhimento de tributos é de interesse exclusivo da Administração, sendo mero instrumento de arrecadação, não envolvendo a prestação de um serviço público ao contribuinte. (...) ser inconstitucional a instituição e a cobrança de taxas por emissão ou remessa de carnês/guias de recolhimento de tributos. Precedente do Plenário da Corte: Rp nº 903, Rel. Min. Thompson Flores, DJ de 28/6/74. 3. Recurso extraordinário do qual se conhece, mas ao qual, no mérito, se nega provimento Súmula Vinculante n 29: É CONSTITUCIONAL A ADOÇÃO, NO CÁLCULO DO VALOR DE TAXA, DE UM OU MAIS ELEMENTOS DA BASE DE CÁLCULO PRÓPRIA DE DETERMINADO IMPOSTO, DESDE QUE NÃO HAJA INTEGRAL IDENTIDADE ENTRE UMA BASE E OUTRA Súmula 670 STF: “O SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA NÃO PODE SER REMUNERADO MEDIANTE TAXA.” STF, AgRg no RE 743.686 – A ART é taxa e, por isso mesmo, precisa observar ao princípio da legalidade Súmula Vinculante 19 STF: “A TAXA COBRADA EXCLUSIVAMENTE EM RAZÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS DE COLETA, REMOÇÃO E TRATAMENTO OU DESTINAÇÃO DE LIXO OU RESÍDUOS PROVENIENTES DE IMÓVEIS, NÃO VIOLA O ARTIGO 145, II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.” SÚMULA Nº 551: É INCONSTITUCIONAL A TAXA DE URBANIZAÇÃO DA LEI 2320, DE 20/12/1961, INSTITUÍDA PELO MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE, PORQUE SEU FATO GERADOR É O MESMO DA TRANSMISSÃO IMOBILIÁRIA. Súmula 124: A TAXA DE MELHORAMENTO DOS PORTOS TEM BASE DE CALCULO DIVERSA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, SENDO LEGITIMA A SUA COBRANÇA SOBRE A IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS DE PAISES SIGNATARIOS DO GATT, DA ALALC OU ALADI., SÚMULA Nº 595: É INCONSTITUCIONAL A TAXA MUNICIPAL DE CONSERVAÇÃO DE ESTRADAS DE RODAGEM CUJA BASE DE CÁLCULO SEJA IDÊNTICA À DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. SÚMULA Nº 665: É CONSTITUCIONAL A TAXA DE FISCALIZAÇÃO DOS MERCADOS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS INSTITUÍDA PELA LEI 7940/1989. SÚMULA Nº 348: É CONSTITUCIONAL A CRIAÇÃO DE TAXA DE CONSTRUÇÃO, CONSERVAÇÃO E MELHORAMENTO DE ESTRADAS. SÚMULA Nº 126: É INCONSTITUCIONAL A CHAMADA TAXA DE AGUARDENTE, DO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. SÚMULA Nº 129: NA CONFORMIDADE DA LEGISLAÇÃO LOCAL, É LEGÍTIMA A COBRANÇA DE TAXA DE CALÇAMENTO. SÚMULA Nº 138: É INCONSTITUCIONAL A TAXA CONTRA FOGO, DO ESTADO DE MINAS GERAIS, INCIDENTE SOBRE PRÊMIO DE SEGURO CONTRA FOGO. 05.4. Contribuições de melhoria 05.4.1. Histórico no mundo · Valorização imobiliária decorrente de obra pública. · Perspectiva inglesa: fiscal · Perspectiva alemã: finalístico 05.4.2. Histórico no Brasil · Surgiu em 1905, com a denominação de “taxas de calçamentos”. · Na CR de 1934, art. 124: “provada a valorização do imóvel por motivo de obras públicas, a administração que as tiver efetuado poderá cobrar dos beneficiados contribuição de melhoria”. · CR de 1946: Art. 30, I e no parágrafo único: obra + valorização + dois limites (individual e total). · EC 18/65 · O CTN, em 1966, com base na referida EC, positivou a partir do art. 80 os requisitos. 05.4.3. Após a CRFB/1988 · Não traz limites. Prevê exclusivamente as obras públicas: “contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas”. 05.4.4. CTN “Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios (competência tributária concorrente), no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada (limitador máximo global – caráter finalístico) e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.” Art. 82. A lei relativa à contribuição de melhoria observará os seguintes requisitos mínimos: I - publicação prévia dos seguintes elementos: a) memorial descritivo do projeto; b) orçamento do custo da obra; c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição; d) delimitação da zona beneficiada; e) determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas; II - fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação pelos interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; III - regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial. § 1º A contribuição relativa a cada imóvel será determinada pelo rateio da parcela do custo da obra a que se refere a alínea c, do inciso I, pelos imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização. (limite individual) § 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivocálculo. · Melhoria é condição. · Limites global e individual. · Momento da publicação do edital: art. 82 do CTN, o edital deveria ser publicado antes. Isso porque: orçamento, memorial descritivo etc. No entanto, STF (RE 107.500-7/PR, Min. Octávio Gallotti), o edital pode ser publicado mesmo após a obra encerrada. · Fato gerador. · Competência. · Sujeitos ativo e passivo. · Aspecto quantitativo: modelos alemão x inglês x misto. · Ônus da prova da valorização: Vide STJ, AgRg no RESP 406.324-PR. · Procedimento (DL 195/67) = plano de rateio + área + custo etc. (edital) 05.5. Empréstimos Compulsórios · Competência tributária ativa. · Restituibilidade · Finalidade (calamidade pública, guerra externa ou sua iminência, investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional). · Excepcional. · Fato gerador não está delineado na CRFB. · Não há que se falar em vedação à bitributação ou bis idem. · Instituição por lei complementar (formalidade do processo legislativo), conforme caput do art. 148 CRFB. 05.6. Contribuições especiais · Ações voltadas a grupos e que possuem finalidades específicas. · Referibilidade; exceto nas contribuições sociais da seguridade social. · Atender as finalidades constitucionalmente previstas. · Não pode ocorrer desvio do produto, somente se EC autorizar. Vide ADI 2925/DF. · As 4 subespécies: (i) sociais, (ii) intervenção no domínio econômico, (iii) interesse de categorias de profissionais ou econômicas e (iv) iluminação pública – “(...) para o custeio, a expansão e a melhoria do serviço de iluminação pública e de sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos” · Tema 696 STF: `É constitucional a aplicação dos recursos arrecadados por meio de contribuição para o custeio da iluminação pública na expansão e aprimoramento da rede.´ 05.7. Figuras que não se confundem com tributos: preços públicos e receitas patrimoniais · Preços públicos x taxas x tarifa. Vide Súmula 545 do STF: Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária, em relação à lei que as instituiu. Taxa Tarifa Tributo, compulsório, lei, sem autonomia de vontade do particular, pode ser serviço público potencial, princípios do direito tributário, pode ser potencial, pessoa jurídica de direito público. Não é tributo, facultativo o uso, existe autonomia de vontade, observa princípios direito administrativo, contrato administrativo, efetivo serviço prestado, pessoa jurídica de privado pode prestar os serviços. · Pedágio. Vide ADI 800 = preço público. · Receitas Patrimoniais. 6. LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR 6.1. Introdução · Balizamentos para princípios, competências e imunidades. · Limitações apenas na Constituição? · ADI 939, STF[footnoteRef:4]: rol exemplificativo no art. 150 da CRFB. [4: STJ (RESP 1.355.390-MA), no caso de cobrança tributária indevida por parte do fisco através de execução fiscal, restando configurado o abalo moral, pode-se sustentar pelo ressarcimento de danos morais.] · Elevação do STN democraticamente ao texto constitucional positivo. Uma opção. 6.2. Os princípios tributários Distinção entre princípios e regras 6.2.1. Justiça Fiscal/tributária · Vide art. 145, § 3º da CRFB, após EC 132,23, que passou a prever expressamente a justiça tributária. · Vide art. 145, § 4º da CRFB, após EC 132,23, as alterações tributárias buscarão atenuar os efeitos regressivos. 6.2.1.1. Igualdade tributária · Não aos privilégios: a título de ilustração, o art. 203 da CF/46 previa que nenhum imposto gravaria “os direitos do autor, nem a remuneração de professores e jornalistas”. · Súmula 93 do STF: “NÃO ESTÁ ISENTA DO IMPOSTO DE RENDA A ATIVIDADE PROFISSIONAL DO ARQUITETO.” · Tributo não cheira: “pecunia non olet”. Art. 118 do CTN. · Qual medida de comparação? · E na tributação extrafiscal? 6.2.1.2. Capacidade contributiva e vedação ao confisco · “O Estado tributário não pode retirar aquilo que o Estado Social está obrigado a entregar.” · Mínimo existencial e vedação ao confisco. · Qual parâmetro de vedação ao confisco? No caso da Constituição de 1934, o art. 185 previa que o imposto não poderia ser elevado além de 20% do seu valor. A Constituição de 1946, no seu art. 19, V, § 6º, impôs que o imposto de exportação não poderia ultrapassar a importância de 10% ad valorem. · A vedação ao confisco tem sido adotada pelo STF para fins de limitação das multas tributárias. Atualmente, a multa de ofício seria até 100%, ao passo que a multa de mora seria entre 20% e 30% (há divergência em precedentes mais antigos). 6.2.1.3. Uniformidade · Historicamente, até 1890 o regime imperial impôs “tarifas especiais” nas Províncias do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. O fundamento para imposição deste “tratamento especial” estaria amparado no combate ao contrabando nas fronteiras. Esta distorção foi revogada no Governo Provisório por meio do Decreto n. 196/1890. · Exceção no art. 151, I do CTN, em atenção ao disposto no art. 3º, III da CRFB. · Vide Zona Franca de Manaus, art. 40 ADCT. · Os incentivos regionais observarão, sempre que possível, critérios de sustentabilidade ambientar e redução das emissões de carbono – art. 43, § 4º da CRFB, após EC 132,23. 6.2.2. Segurança jurídica em matéria tributária 6.2.2.1. Legalidade tributária · O art. 5º, II, 37, caput, e 150, I, todos da CRFB. · MP pode tratar de matéria tributária, sendo certo que a sua validade dependerá da conversão em lei, sujeitando-se, ainda e em regra, às anterioridades do exercício financeiro e nonagesimal, conforme previsão do art. 62, §2º da CRFB. · Impossível MP para matéria reservada à LC. art. 62, § 2º, III da CRFB. · O conteúdo constitucional da legalidade tributária advém do entrecruzamento dos artigos 150, I, 153, §1º, 177, §4º e 155, § 4º, IV, todos da Constituição. · A denominada tipicidade ou taxatividade: art. 97 do CTN · Súmula n. 160: “É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária.” · Legalidade ortodoxa (Alberto Xavier) x flexível (Ricardo Lobo Torres). Tema 829, o RE 838.284-SC, caso Projetec Construções LTDA x Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA/SC). 6.2.2.2. Irretroatividade tributária · Art. 150, III, “a” da CRFB. · A irretroatividade tributária não tem vez em duas hipóteses, nos termos do art. 106 do CTN: (1) quando se trata de norma interpretativa e (2) com a perspectiva de beneficiar o contribuinte, isto é, aplicação de lei posterior que afaste ou reduza multa/sanção à fato/ato praticado anteriormente à sua vigência. 6.2.2.3. Anterioridades ao exercício financeiro e nonagesimal (não surpresa) · Art. 150, III, “b” da CRFB. · Até a EC n. 42/03. · Quadro ilustrativo: Exceções à anterioridade do exercício financeiro Exceções à anterioridade nonagesimal Exceções às anterioridades (cobrança imediata) IPI IR II Cide Combustível IPVA - apenas base de cálculo IE ICMS Combustível IPTU - apenas base de cálculo IOF Contribuição para seguridade social Empréstimo compulsório para investimento público Imposto Extraordinário - guerra ou iminência Empréstimo Compulsório - calamidade pública e guerra externa ou sua iminência · Vermelho: apenas para fins de redução e restabelecimento, e não majoração tributária. · Verde: divergência na doutrina.[footnoteRef:5] [5: A divergência na doutrina decorre da interpretação do art. 148 da CRFB. O Empréstimo Compulsório, por natureza, poderá ser utilizado quando empiricamente se estiver vivenciando situação atípica. A urgência e necessidade são características desta espécie tributária. No que se refere à hipótese do art. 148, I da CRFB, Empréstimo Compulsório “para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência”, o art. 150, § 1º da CRFB é claro e taxativoao prever regra de exceção para as duas anterioridades, ou seja, a cobrança pode ser imediata. Por outro lado, no que se refere ao art. 148, II da CRFB, “no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional”, a própria disposição legal foi expressa ao determinar observância à anterioridade exercício financeiro. Por ter sido o Constituinte taxativo ao determinar observância específica à anterioridade do exercício financeiro, nada dispondo sobre a anterioridade nonagesimal e considerando a natureza de celeridade e urgência do Empréstimo Compulsório, estaria presente uma exceção implícita? Em outros termos, ao ter sido determinada apenas observância à anterioridade do exercício financeiro, teria sido excepcionada, para o caso do art. 148, II, o dever de respeitar à anterioridade nonagesimal?] Agora, um quadro ilustrativo: · A irretroatividade tributária não tem vez em duas hipóteses, nos termos do art. 106 do CTN. · O art. 62, §2º da CRFB impõe, como regra, que a instituição ou majoração de tributos por Medida Provisória “só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.” · Norma que altera a data da do recolhimento de tributo sem qualquer modificação do aspecto quantitativo não configura majoração ou criação de tributo, razão pela qual não se sujeita às anterioridades. Assim, foi editada a Súmula Vinculante n. 50 do STF.[footnoteRef:6] É a mesma redação da Súmula 669 STF. [6: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.”] · Norma que revoga benefício fiscal, gerando, assim, aumento, ainda que indireto de tributação, deve observar ao princípio da autoridade. Assim decidiu o STF no AgRg. no RE 564.225, caso Estado do Rio Grande do Sul x Dr Empresa de Distribuição e Receptação de TV LTDA. · O art. 152, § 1ºda Constituição do Estado de Minas Gerais[footnoteRef:7]. [7: “Art. 152 § 1º – Não será admitida, no período de noventa dias que antecede o término da sessão legislativa, a apresentação de projeto de lei que tenha por objeto a instituição ou a majoração de tributo estadual.”] · Súmula 66 STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento, mas antes do início do respectivo exercício financeiro.” · Súmula 67 STF: “É inconstitucional a cobrança do tributo que houver sido criado ou aumentado no mesmo exercício financeiro.” 6.2.2.4. Especificidade · Art. 150, § 6º da CRFB, a especificidade impõe que benefícios legais sejam concedidos por lei formal e material específica. 6.2.3. Transparência tributária (art. 150, § 5º e Vide art. 145, § 3º da CRFB, após EC 132,23) · Vide Lei 12.741. 6.2.4. Liberdade de tráfego (art. 150, V da CRFB) · Ministro MARCO AURÉLIO MELLO, RE 413.782-8/SC, caso Varig SA x Estado de Santa Catarina: “recorra a fazenda pública aos meios adequados à liquidação dos débitos que os contribuintes tenham, abandonando a prática de fazer justiça pelas próprias mãos.”[footnoteRef:8] [8: BRASIL. Supremo Tribunal Federal (Tribunal Pleno).Recurso Extraordinário n° 413.782/SC. Recorrente: Varig SA. Recorrido: Estado de Santa Catarina. Relator: Marco Aurélio. Brasília, DF, 17 de março de 2005.] · O tema tem grande aceitação no STF, tanto que súmulas foram editadas: 70,[footnoteRef:9] 323,[footnoteRef:10] e 547.[footnoteRef:11] [9: “Súmula 70. É inadmissível a interdição do estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo.”] [10: “Súmula 323. É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para cobrança de tributos.”] [11: “Súmula 547. Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais.”] · Vide RE 550.769, caso American Virginia Indústria Comércio Importação e Exportação de Tabacos LTDA x União Federal e outros, sob a relatoria de JOAQUIM BARBOSA. 6.2.5. Princípios da simplicidade, cooperação e defesa do meio ambiente. Vide art. 145, § 3º da CRFB, após EC 132,23. 6.3. Competência 07.3.1. Considerações iniciais · Na Constituição, como deve ser vista? · Não confundir com capacidade! · Bitributação x bis in idem 07.3.2. Classificação · (1) Privativa, (2) concorrente, (3) residual, (4) extraordinária, (5) cumulativa – DF, inclusive para o IBS; e (6) compartilhada – IBS. 07.3.3. Características · (1) rígida, (2) indelegável e intransferível, (3) facultativa, e (4) inalterável. 07.3.3. Interpretação das competências tributárias · Vide EC 132/23, no art. 156-A, para. 8 da CRFB: “§ 8º Para fins do disposto neste artigo, a lei complementar de que trata o caput poderá estabelecer o conceito de operações com serviços, seu conteúdo e alcance, admitida essa definição para qualquer operação que não seja classificada como operação com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos.” 6.4. Imunidades tributárias 6.4.1. Considerações iniciais · Fundamentos · Previsão expressa e implícita no texto constitucional · Regra de delimitação de competência tributária constitucional · Não confundir: não competência, não-incidência, isenção, alíquota zero e redução da base de cálculo · Não se limita apenas aos impostos! Imunidades tributárias recíprocas compreendem 11 para taxas e 4 para contribuições. · objetivo de efetivar juridicamente vontade política que passa a ser direito positivo, se levado ao texto constitucional, sem qualquer lógica ou amparo sistêmico. · Caráter declaratório: A decisão que reconhece a imunidade tributária possui natureza declaratória e produz efeitos retroativos ao momento em que preenchidos os requisitos legais para a concessão do benefício.[footnoteRef:12] [12: Julgados: AgInt no REsp 1596529/PR, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 18/08/2016; AgInt no REsp 1600065/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/08/2016, DJe 12/08/2016; REsp 1517801/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 25/09/2015; AgRg no AREsp 194981/RJ, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/06/2015, DJe 01/07/2015; AgRg no AREsp 29514/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/03/2012, DJe 09/04/2012. (VIDE INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA N. 265)] 6.4.2. Imunidades genéricas 6.4.2.1. Recíproca · Pacto federativo + ausência de capacidade contributiva · Cláusula pétrea: ADI 939 · Não se limita aos impostos sobre renda, patrimônio e serviços: RE 196.415-PR: IOF. RE 203.755-9: ICMS. · Não pode beneficiar particulares. Vide ADI 3089-2, caso Associação dos Notários e Registradores do Brasil (ANOREG-BR) x Presidente da República. · Autarquias e fundações x Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. Vide: RE 407.099-5, caso ECT x Município de São Borja/RS e a Ação Cível Originária – ACO 959/RN, caso ECT x Estado do Rio Grande do Norte. Vide RE 253.472, julgado em 2005, caso Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp) x Município de Santos. O AgRg no ARE 763.000, caso Município de Vitória x Companhia Espírito Santense de Saneamento – CESAN · Imunidade tributária · Tema 385 STF “A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, a, da Constituição não se estende a empresa privada arrendatária de imóvel público, quando seja ela exploradora de atividade econômica com fins lucrativos. Nessa hipótese é constitucional a cobrança do IPTU pelo Município.” Tema 437 STF: “Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de direito público cedido a pessoa jurídica de direito privado, devedora do tributo.” · Imóvel locado para iniciativa privada: caso Petrobrás. Afastamento. Reclamação n. 60.726: “decidiu que o IPTU não incide sobre as áreas de infraestrutura do aeroporto, apenas sobre imóveis utilizados por empresa para a exploração de atividade visando o lucro. (...) a imunidade não pode ser aplicadaa todos os segmentos do aeroporto e acolheu recurso contra sua decisão, mas somente em parte. Segundo Barroso, embora haja atividades vinculadas diretamente de infraestrutura, também existem atividades acessórias, de forma que imóveis alheios ao serviço público devem ser excluídos da imunidade.”[footnoteRef:13] [13: https://www.jota.info/stf/do-supremo/stf-incide-iptu-sobre-imoveis-usados-por-empresas-que-visam-lucro-em-aeroporto-04102023] 6.4.2.2. Imunidade tributária de impostos sobre renda, patrimônio e serviços de templos de qualquer culto, partidos políticos, inclusive fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos previstos em lei. · Prestígio a valores constitucionais · Norma de eficácia contida e aplicação imediata · Requisitos constitucionais: (1) ausência de caráter lucrativo e (2) vinculação às finalidades das entidades. · Art. 150 e 195 da CRFB. · Atender disposto no art. 14 CTN. LC 187/21. · Vide art. 155, VII da CRFB: “não incidirá sobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar” · Tema 32 do STF. · Não se limita apenas à previsão constitucional, tendo aplicação ampliativa. Vide Tema 336 do STF: “As entidades religiosas podem se caracterizar como instituições de assistência social a fim de se beneficiarem da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, ‘c’, da Constituição, que abrangerá não só os impostos sobre o seu patrimônio, renda e serviços, mas também os impostos sobre a importação de bens a serem utilizados na consecução de seus objetivos estatutários.”[footnoteRef:14] [14: “As organizações assistenciais religiosas podem ser abrangidas pela imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/1988 (1). Essas entidades desempenham um papel extremamente relevante, não sendo raras as que possuem um componente social que, para além de colaborar com o Estado, muitas vezes substituem a ação estatal na assistência aos necessitados. Nesse sentido, as ações assistenciais exercidas por entidades religiosas são plenamente compatíveis com o modelo constitucional brasileiro de assistência social. Além disso, a Corte vem conferindo amplitude à norma constitucional imunizante (2), de modo a abranger todos os impostos que de alguma forma possam desfalcar o patrimônio, prejudicar as atividades ou reduzir as rendas da entidade imune, ainda que estejam apenas indiretamente relacionados com as suas finalidades essenciais. A condição é que os recursos obtidos sejam vertidos ao implemento de tais fins. Havendo correspondência entre o recurso obtido e a aplicação nas finalidades essenciais, restará configurado o liame exigido pelo texto constitucional. Dessa forma, o alcance da imunidade é determinado pela destinação dos recursos auferidos pela entidade, e não pela origem ou natureza da renda. Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, apreciando o Tema 336 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e deu-lhe provimento. (1) CF, art. 150. “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI - instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;” (2) Precedentes: RE 237.718; RE 611.510 (Tema 328 RG); Enunciado 52 da Súmula Vinculante. RE 630790/SP, relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 18.3.2022 (sexta-feira), às 23:59” ] · Foi editada a Emenda Constitucional n. 116, que fez positivar expressamente que o IPTU: “(...) não incide sobre templos de qualquer culto, ainda que as entidades abrangidas pela imunidade de que trata a alínea "b" do inciso VI do caput do art. 150 desta Constituição sejam apenas locatárias do bem imóvel.” Portanto, os templos de qualquer culto farão jus à imunidade tributária mesmo no caso de imóveis locados por eles. · Súmula 724 do STF: “AINDA QUANDO ALUGADO A TERCEIROS, PERMANECE IMUNE AO IPTU O IMÓVEL PERTENCENTE A QUALQUER DAS ENTIDADES REFERIDAS PELO ART. 150, VI, "C", DA CONSTITUIÇÃO, DESDE QUE O VALOR DOS ALUGUÉIS SEJA APLICADO NAS ATIVIDADES ESSENCIAIS DE TAIS ENTIDADES.” · Súmula vinculante n. 52: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.” 6.4.3. Livros jornais periódicos e o papel destinado à sua impressão · Fim à censura. Liberdade de imprensa. Estímulo ao conhecimento. · Imunidade tributária objetiva. · Conteúdo? · Extensão: lista telefônica, álbum de figurinhas, apostila, mapas geográficos, jogos estratégicos de cartas. · Livro eletrônico. · Insumos. 6.4.4. Imunidade tributária para fonogramas e videofonogramas musicais produzidas ou interpretadas por brasileiros · RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.244.302/SP - 06/09/2024: “a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea 'e' da Constituição Federal não se aplica às importações de suportes materiais produzidos fora do Brasil, mesmo que contenham obras musicais de artistas brasileiros.”[footnoteRef:15] [15: “A controvérsia envolvia uma empresa de mídia digital que buscava estender a imunidade tributária a discos de vinil produzidos na Argentina com obras de artistas brasileiros. A Procuradoria-Geral da República e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo já haviam se manifestado contra a ampliação da imunidade para produtos importados. A decisão do STF seguiu o entendimento de que a Emenda Constitucional nº 75/2013 visa proteger a indústria musical nacional, fortalecer o mercado interno e combater a pirataria, e não se aplica a produtos fabricados fora do país, conforme a tese fixada: "A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea 'e', da Constituição Federal não se aplica às importações de suportes materiais produzidos fora do Brasil, ainda que contenham obra musical de artista brasileiro." (http://www.decisoes.com.br/v29/index.php?fuseaction=home.mostra_justificativa&id_decisao=100277950 ) ] 6.4.5. Imunidades específicas 8. Obrigação tributária 8.1. Previsão legal Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 8.2. Características/anotações/destaques · Direito civil x direito tributário · Sujeitos da relação · OTP = obrigação de dar ou pagar · OTA = obrigação de fazer ou não fazer (p.ex: impedir que se transporte mercadorias sem notas, conforme RICMS) · Necessidade de observância pelas pessoas jurídicas isentas e imunes no que se refere às OTAs. Vide art. 14 CTN, por ex. · Multa tributária: (des)necessidade de previsão em lei formal e material. Vide art. 97, V do CTN. 9. Fato Gerador 9.1. Previsão legal Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável,impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. 9.2. Anotações/apontamentos · A conceituação de fato gerador 9.3. Classificações · No que se refere à pessoa · No que tange ao momento 9.4. Aspectos da norma jurídica tributária H -------------------------------- C AM AQ AT AP AE 10. Norma geral antielisiva 10.1. Elisão Fiscal 10.2. Evasão Fiscal 10.3. Elusão fiscal ou planejamento abusivo 10.4. Disposição legal “ Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.” 10.5. Ausência de lei federal: MP 66/2002 · A MP previa, entre os arts. 13 e 19, os procedimentos para norma geral anti-elisão. · Ausência de propósito negocial e abuso de forma. · A desconsideração, no caso de dissimulação, tinha procedimento próprio, inclusive dando oportunidade para pagamento com juros e multa de mora. 10.6. Normatização no âmbito do Estado de Minas Gerais · Lei 6763/75, art. 205-A 10.7. Lançamento/autuações com fulcro no art. 149, VII do CTN · Hipóteses de dolo, fraude (ligados à evasão) ou simulação. · Conceito de simulação importado do D. Civil: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. § 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.” MISABEL DERZI: Simulação: “intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz Clóvis, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” Dissimulação – “(...)oculta o que é; (...) a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma situação existente; (...) dissimulação sobre a existência de situação real.” 10.8. O propósito negocial · Até os anos 90: prevalecia entendimento de que se as formalidades documentais e legais fossem observadas e sem nenhuma ocultação, não haveria que se falar em simulação. · Após anos 90, propósito negocial. · Em que pese decisões diversas/oscilações, deve-se ter em mente o seguinte: que, induzido pelo viés norte-americano, a teoria do propósito negocial se sustenta em três pilares: a) teste de permanência – duradoura; b) teste de vantagem societária – a reorganização societária deve dar alguma vantagem além da economia de tributos; c) teste da economia fiscal – não serão consideradas reorganizações se apresentarem exclusiva ou fundamental a finalidade de reduzir tributos. 10.9. Alguns casos exemplificativos 11. Lançamento tributário 11.1. Introdução · Ultratividade do fato gerador, conforme art. 144, § 1º. · Natureza. · Art. 139 + 142 CTN. 11.2. Lançamento de ofício · Requisitos. · Notificação pessoal. A notificação por edital é excepcional. · Possibilidade de revisão do lançamento tributário nas hipóteses elencadas pelo art. 149 do CTN. · O que seria erro de fato x erro de direito? Vide ratio decidendi do RESP 1.130.545/2009 (Min. Fux) · A revisão de lançamento tributário: A revisão do lançamento tributário pode ser exercida nas hipóteses do art. 149 do CTN, desde que observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário.[footnoteRef:16] [16: Julgados: AgRg no REsp 1405517/AL, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2015, DJe 20/10/2015; AgRg nos EDcl no AREsp 610880/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe 13/03/2015; REsp 1130545/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011 (recurso repetitivo – Tema 387); REsp 939812/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/02/2008, DJe 10/03/2008; REsp 533082/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2007, DJ 18/09/2007.] · Motivação do lançamento tributário: é possível a revisão? 11.3. Lançamento por declaração (art. 147 CTN) 11.4. Lançamento por homologação · Súmula 436/STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Vide, ainda, o Tema 96 do STJ. · Súmula 446 STJ – “Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa.” 11.5. Lançamento por arbitramento · Súmula 431/STJ: “É ilegal a cobrança de ICMS com base no valor da mercadoria submetido ao regime de pauta fiscal.” 12. Denúncia Espontânea Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. · Parcelamento ? Vide RESP 1102577). · Possibilidade de afastar todas as multas? (inclusive a de mora). Vide RESP 774.058-PR · Retorno à espontaneidade segundo CARF. Art. 7 do Decreto PTA Federal. · Denúncia espontânea no Estado de Minas Gerais. · Vale destaque: Vide art. 47 da Lei 9430-96 : A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. ___ Prescrição intercorrente tributária e prazo de um ano de suspensão da execução fiscal - RE 636.562/SC (Tema 390 RG) ODS: 16 Tese fixada: “É constitucional o art. 40 da Lei 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal – LEF), tendo natureza processual o prazo de um ano de suspensão da execução fiscal. Após o decurso desse prazo, inicia-se automaticamente a contagem do prazo prescricional tributário de cinco anos.” Resumo: É constitucional — por não afrontar a exigência de lei complementar para tratar da matéria (CF/1988, art. 146, III, “b”) — o art. 40 da LEF (1) — lei ordinária nacional — quanto à prescrição intercorrente tributária e ao prazo de um ano de suspensão da execução fiscal. Contudo, o § 4º do aludido dispositivo deve ser lido de modo que, após o decurso do prazo de um ano de suspensão da execução fiscal, a contagem do prazo de prescrição de cinco anos seja iniciada automaticamente. A competência privativada União para legislar sobre direito processual (CF/1988, art. 22, I), assim como a norma do art. 146, III, b, da CF/1988 (2), garantem a uniformidade do tratamento da matéria em âmbito nacional e, consequentemente, a preservação da isonomia entre os sujeitos passivos nas execuções fiscais em todo o País. Nesse contexto, inexiste vício de inconstitucionalidade formal, pois o dispositivo impugnado, embora positivado mediante lei ordinária, não extrapola a norma constitucional a que atende. Ao estabelecer o termo inicial para a prescrição intercorrente, ele apenas prevê um marco processual para a contagem do prazo, sem que deixe de observar o prazo de cinco anos, estabelecido na Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Em outras palavras, o legislador ordinário se limitou a transpor o modelo estabelecido no art. 174 do CTN (3), adaptando-o às particularidades da prescrição observada no curso de uma execução fiscal. No entanto, impedir o início automático da contagem do prazo da prescrição intercorrente — após o término da suspensão — pode acarretar a eternização das execuções fiscais, em contrariedade aos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal, bem como à exigência da razoável duração do processo, o que justifica a necessidade de se conferir interpretação conforme a Constituição ao § 4º do art. 40 da LEF. Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, ao apreciar o Tema 390 da repercussão geral, negou provimento ao recurso extraordinário. image1.jpeg image2.png