Prévia do material em texto
TRIBUTOS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS O Direito Tributário é um ramo do Direito Público. A União, Estado ou Munícipios são os sujeitos ativos e o contribuinte é o sujeito passivo. O conceito de tributo e fato gerador está instituído no art. 3° do CTN Tributo é toda prestação pecuniária compulsória. Ou seja, o contribuinte não tem a opção de não realizar o pagamento, ele é obrigatório. O fato gerador é o acontecimento previsto em Lei que da origem a obrigação tributária. Os tributos são classificados em diferentes espécies, como: impostos, taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. Os contribuintes podem ser diretos ou indiretos. Ex: imposto de renda retido na fonte do trabalhador é direto, mas quem realizar o recolhimento é a empresa, logo a empresa, passa a ser o sujeito passivo responsável. No sistema tributário nacional existem alguns princípios que servem para proteger o contribuinte de eventuais abusos de poder por parte do Estado. Entre eles existem alguns princípios interessantes: principio da legalidade, anterioridade, capacidade contributiva, vedação ao fisco, isonomia e segurança jurídica. Esses princípios encontram-se no art. 150 e subsequentes da Constituição Federal. · Princípio da Legalidade Tributária: esse princípio estabelece que nenhum tributo pode ser criado ou majorado, se não for baseado em uma LEI. Ou seja, não se pode mudar alíquota, aumentar os tributos através de atos administrativos, portarias ou decretos. Só é válido se estiver instituído em Lei. Salvo algumas exceções. Esse princípio está previsto no art. 150, Inciso I da Constituição Federal. O art. 97 da CTN reforça o entendimento de que somente Lei pode alterar ou criar tributos. No entanto, algumas exceções são permitidas. São elas: imposto sobre importação (II), imposto sobre exportação (IE), imposto sobre produtos industrializados (IPI) e impostos sobre operações financeiras (IOF) e impostos que afetam o CIDE. Todavia, esses tributos tem por finalidade serem regulatórios e não arrecadatórios. · Princípio da anterioridade: este princípio está presente no Art. 150, Inciso III alíneas “a” e “b” da Constituição Federal. Ele é necessário para evitar a majoração ou criação de tributo de maneira abrupta e repentina trazendo segurança jurídica para os contribuintes. Este princípio é denominado de anterioridade anual ou de anterioridade de exercício. Ele estabelece que os entes ativos (União, Estados, Municípios e Distrito federal) não podem exigir tributos no mesmo exercício financeiro ou no mesmo ano em que a Lei que estabelece o tributo foi criada, o mesmo vale para a majoração desses tributos. Em síntese isso quer dizer que se a foi criada no ano 1 esse tributo só pode ser cobrado no ano 2. No entanto, esse princípio só é valido se a LEI criar ou aumentar o tributo, caso a LEI seja para diminuir, extinguir ou apenas realizar mera atualização monetária sobre o tributo sem acréscimo ou ônus para o sujeito passivo (contribuinte) ela passará a valer imediatamente. Existem duas modalidades de anterioridade. A primeira é a que vimos mais acima e a segunda é a anterioridade nonagesimal ou noventena. Ela diz que o tributo só pode ser cobrado 90 dias após a promulgação da LEI que instituiu. Essa regra encontra-se no art. 195 parágrafo 6° da Constituição Federal. Se a LEI instituiu o tributo em março ele passará a valer em junho do mesmo ano. No entanto, nem todos os tributos estão sujeitos a anterioridade. A Constituição Federal prevê algumas exceções necessárias para a celeridade da arrecadação e flexibilidade. Impostos como imposto sobre importações, imposto sobre exportações, imposto sobre produtos industrializados, imposto sobre operações financeiras e CIDE Combustíveis não estão sujeitos ao princípio da anterioridade. Mudanças na base de cálculo do IPTU e do IPVA também não estão sujeitos a observância deste princípio. · Princípio da capacidade contributiva: este princípio está descrito no art. 145, parágrafo 1° da Constituição Federal. Ele estabelece que sempre que possível os impostos assumam caráter pessoal e sejam ajustados conforme a capacidade econômica do contribuinte. A premissa é que cada contribuinte deve colaborar com o financiamento do Estado de acordo com a sua capacidade econômico-financeira. Indivíduos com maior riqueza devem contribuir de maneira mais elevada e indivíduos de menor riqueza contribuíam menos financeiramente, garantindo equidade. Por esta razão muitos tributos aplicam alíquotas progressivas. Exemplo, IPTU, IPVA e Imposto de Renda. Ressalta-se que deve ser mantido os limites da proporcionalidade constitucional. · Princípio da vedação ao confisco: este princípio está estabelecido no art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Esse princípio é utilizado para que os entes ativos não tornem os tributos atos punitivos e confiscatórios, o que vai de encontro com o princípio da legalidade em que diz que os tributos não podem ter caráter ilícito. A natureza do tributo deve ser de finalidade arrecadatória e não punitiva. Embora a legislação não seja muito clara no que diz respeito a “confisco” já se tem entendimento consolidado pelo STF em que o tributo não possa ter carga tributária elevada que torne impraticável a atividade econômica, que dificulte e subsistência do contribuinte ou que retire grande parte do seu patrimônio. Em resumo o princípio da vedação ao confisco garante limites em que a tributação possa chegar para que não sufoque de maneira desenfreada o contribuinte. Garantindo que os tributos tenham finalidade de financiar a atividade do Estado dentro dos limites econômicos do contribuinte. · Princípio da Isonomia tributária: também conhecido como princípio da igualdade tributária, este princípio está estabelecido no Art. 150, Inciso II da Constituição Federal. Este princípio atua para que os entes ativos não tratem de maneira desiguais contribuintes que estejam em situações equivalentes, assim evitando decisões arbitrárias ou favoráveis para um lado de interesse. Ressalta-se que este princípio não visa tratar todos iguais, mas sim adotar regras em que todos os iguais sejam tratados de forma igual e os desiguais de forma desigual. Em resumo este princípio garante que todos sejam tratados de maneira igual dentro de uma mesma situação, sem distinção de renda. Ou seja, pessoas com a mesma faixa de renda devem ser tratadas de maneira igual. · Princípio da segurança jurídica: este princípio está distribuído entre os artigos da constituição federal e consagra o direito e a proteção aos contribuintes. Este princípio busca trazer previsibilidade, estabilidade e confiança na relação entre estado e contribuinte. Um exemplo disso é a vedação da retroatividade em que diz que um tributo não pode ser cobrado retroativo a sua data de criação e está previsto no art. 150, inciso III, alínea “a” da Constituição Federal. Em resumo este princípio funciona como alicerce para todos os outros princípios garantindo segurança, transparência e estabilidade ao sistema tributário.