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1 
 
Sumário 
1. Direito do Consumidor ........................................................................................................................................1 
1.2. Conceito e Finalidade do Direito do Consumidor................................................................................3 
1.3. Elementos que Configuram a Relação de Consumo ...........................................................................5 
1.4. Princípios Fundamentais ....................................................................................................................................7 
1.5. Direitos Básicos Do Consumidor....................................................................................................................9 
1.6. Regras de Oferta e Propaganda ...................................................................................................................17 
1.7. Práticas Abusivas..................................................................................................................................................21 
1.8. Cláusulas Abusivas ..............................................................................................................................................25 
2. DAS REGRAS DE RESPONSABILIDADE CIVIL .....................................................................................27 
2.1 Conceito de Responsabilidade Civil ...........................................................................................................27 
2.2 Requisitos ...................................................................................................................................................................29 
2.3 Dano Material e moral ........................................................................................................................................32 
3. CONTRATOS BANCÁRIOS E AS POSSIBILIDADES DE CONFIGURAÇÃO DE FRAUDE 35 
3.1 Do Serviço Essencial de Contrato Bancário...........................................................................................35 
3.2 Das Regras Regulatórias....................................................................................................................................35 
3.3 Fraudes e o Entendimento Jurisprudencial...........................................................................................35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Direito do Consumidor 
 
1.1. A história do Direito do Consumidor no Brasil 
O presente trabalho inicia com uma análise da origem e evolução do direito do 
consumidor no Brasil e no contexto mundial, proporcionando uma compreensão mais 
ampla do Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei 8.078/1990. 
2 
 
Mesmo antes da promulgação da lei mencionada, a relação de consumo já 
existia e era regulamentada, ainda que de maneira informal. No período do Brasil 
Colônia e durante o Império, por exemplo, havia normas que protegiam o comprador, 
mesmo sem um código específico que regulava formalmente essas relações de 
mercado. 
Cabe mencionar Silva Neto (2013, p.4) que leciona que: 
 
Também no Código Civil de 1916 encontra-se regulação das transações de 
mercado, como no caso das disposições sobre oferta ao público. 
Destaque também para a Lei sobre Responsabilidade Civil no Transporte 
Ferroviário, de 1912, e para a Lei de Usura, de 1933. A Lei 2.681, de 1912 
(conhecida como Lei da Responsabilidade Civil do Transportador) trouxe 
como principal inovação o embrião da responsabilidade objetiva14 hoje 
adotada pelo Código de Defesa do Consumidor. 
 
Em seguida, foi elaborada a Lei de Usura, prevista no Decreto 22.626 de 1933, 
onde em seu 1º art. dizia que “É vedado, e será punido nos termos desta lei, estipular 
em quaisquer contratos taxas de juros superiores ao dobro legal”. 
Após a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, Lei 4.596/1964, o 
entendimento jurisprudencial foi para não aplicação da Lei de Usura as relações com 
instituições financeiras, como antes era adotado pelo Supremo Tribunal Federal. 
Em 1962 a União teve autorização para intervir na economia e assegurar a 
distribuição de mercadorias e serviços essenciais, pela Lei Delegada nº 4, que foi 
alterada anos depois pelo Decreto Lei 422 de 1969, quando a Superintendência 
Nacional de Abastecimento (SUNAB) pôde fixar preços de taxas, anuidades e 
ingressos, que era competência também do Conselho Interministerial de Preços. 
Porém, a partir de 1960 o mercado de consumo começa a ser tratado com mais 
seriedade e tem mais destaque, pois a Emenda Constitucional nº 1 de 1969 trouxe o 
consumo de forma diversa do mercado e acrescentou a previsão da União legislar 
sobre o consumo no art. 8º, inciso XVII, alínea “d”. 
Orlando Celso da Silva Neto (2013, p. 8), defende que: 
 
A lei 7.347, de 24.07.1985, que disciplina a ação civil pública por danos 
causados ao meio ambiente, consumidor, a bens e direitos de valor artístico, 
estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências, trouxe, 
talvez pela primeira vez, a preocupação com o consumidor, ao incluí-lo 
expressamente entre os sujeitos (ou objetos) a serem protegidos por ação 
civil pública. 
 
Comentado [KM1]: SILVA NETO, Orlando Celso da. 
Comentários ao código de defesa do consumidor. Rio 
de Janeiro: Forense, 2013. 
3 
 
Por meio do Decreto 91.469 de 1985, foi criado o Conselho Nacional de Defesa 
do Consumidor (CNDC) e solicitada a elaboração do anteprojeto do Código de Defesa 
do Consumidor (CDC), desenvolvido por Ada Pellegrini Grinover, Antônio Herman de 
Vasconcellos e Benjamin, Daniel Roberto Fink, José Geraldo Brito Filomeno, Kazuo 
Watanabe, Nelson Nery Júnior e Zelmo Denari. 
O anteprojeto mencionado resultou no PL nº 1.955 de 1989, que, após várias 
alterações, deu origem ao atual Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei 
8.078 de 1990. 
Orlando Celso da Silva Neto (2013, p. 9) menciona que: 
 
Há certa discordância sobre a “paternidade” do Código. Como curiosidade 
histórica, vários políticos se arvoraram na qualidade de autores do Código de 
Defesa do Consumidor, o que, de certo modo é justif icado, uma vez que, 
como bem explicam Ada Pellegrini Grivoner e Antônio Herman de 
Vaconcellos e Banjamin, foram pelo menos seis os projetos baseados total 
ou parcialmente nos trabalhos realizados pela comissão apontada pelo 
CNDC. 
 
1.2. Conceito e Finalidade do Direito do Consumidor 
Atualmente, o Direito do Consumidor é um ramo independente e especializado 
do direito, criado para proteger a parte mais vulnerável nas relações de consumo. 
Como diriam os autores Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves 
(2024, p.3) “O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor, conhecido e denominado 
pelas iniciais CDC, foi instituído pela Lei 8.078/1990, constituindo uma típica norma 
de proteção de vulneráveis.”. 
Na mesma esteira, diz Rizzatto Nunes (2024, p.9) “Os princípios constitucionais 
dão estrutura e coesão ao edifício jurídico. Assim, devem ser estritamente obedecidos, 
sob pena de todo o ordenamento jurídico se corromper.”. 
Assim, como é sabido, no Estado Democrático de Direito, a Constituição é a Lei 
máxima e todas as outras são submetidas a ela, e com o CDC não seria diferente, 
dessa forma, é possível ver alguns princípios do código elencados na Constituição 
Federal, como, por exemplo, no art. 5º, inciso XXXII, ou no art. 24, inciso VIII, art. 170, 
inciso V, vejamos: 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; 
Comentado [KM2]: Manual de direito do consumidor: 
direito material e processual, volume único / Flávio 
Tartuce, Daniel Amorim Assumpção Neves.prova de culpa do agente 
para que seja obrigado a reparar o dano. Ela é de todo prescindível, porque a 
responsabilidade se funda no risco. 
Enquanto a responsabilidade subjetiva exige a presença de culpa, configurada 
por dolo ou negligência, imprudência ou imperícia. Assim preceitua Carlos Roberto 
Gonçalves (2024, p. 15): 
 
Diz-se, pois, ser “subjetiva” a responsabilidade quando se esteia na ideia de 
culpa. A prova da culpa do agente passa a ser pressuposto necessário do 
29 
 
dano indenizável. Dentro desta concepção, a responsabilidade do causador 
do dano somente se conf igura se agiu com dolo ou culpa. 
 
Assim, como dito anteriormente, todo dano é passível de reparação, sendo ele 
dotado de culpa ou não. 
Importante também conceituar o significado de indenizar, que como dito por 
Carlos Roberto Gonçalves (2024, p. 508) “Indenizar significa reparar o dano causado 
à vítima, integralmente. Se possível, restaurando o statu quo ante, isto é, devolvendo-
a ao estado em que se encontrava antes da ocorrência do ato ilícito.”. 
Assim, sobre a indenização referente ao dano moral, que se trata de algo mais 
subjetivo e não tão quantificativo, o autor diz que: 
 
Todavia, como na maioria dos casos se torna impossível tal desiderato, 
busca-se uma compensação em forma de pagamento de uma indenização 
monetária. Deste modo, sendo impossível devolver a vida à vítima de um 
crime de homicídio, a lei procura remediar a situação, impondo ao homicida 
a obrigação de pagar uma pensão mensal às pessoas a quem o defunto 
sustentava, além das despesas de tratamento da vítima, seu funeral e luto da 
família. 
 
Dessa forma, fica claro assim o dever de indenizar, independente de qual bem 
tenha sido prejudicado, falando assim de patrimônio físico ou da dignidade da pessoa 
humana, que embora não seja quantificado ou tão tangível quanto o outro ainda é 
passível de indenização para assim, tentar fazer que a vítima se sinta ao menos 
reparada. 
2.2 Requisitos 
Para a configuração da responsabilidade civil, a doutrina e a jurisprudência 
exigem a presença de alguns requisitos fundamentais, sendo: a conduta ilícita, o dano 
e o nexo de causalidade. 
 
2.2.1 Da Conduta Ilícita 
A conduta ilícita é classificada como um comportamento voluntário, por ação 
ou omissão, que viola um direito ou infringe uma obrigação jurídica. Assim diz Sergio 
Cavalieri Filho (2023, p. 19): 
 
O ato ilícito indica apenas a ilicitude do ato, a conduta humana antijurídica, 
contrária ao Direito, sem qualquer referência ao elemento subjetivo ou 
psicológico. Tal como o ato lícito, é também uma manifestação de vontade, 
uma conduta humana voluntária, só que contrária à ordem jurídica. 
30 
 
 
Assim, temos nos arts. 186 e 187 do CC, a definição do que é o ato ilícito, 
vejamos: 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito. 
 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, 
excede manifestamente os limites impostos pelo seu f im econômico ou social, 
pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
 
Dessa forma, cabe explicar que a ação ou omissão são quando uma pessoa 
age prevendo ou não os resultados da sua ação ou mesmo de sua omissão, como diz 
Renan Lotufo (2016, p. 574) “O ato ilícito pode ser fruto de uma conduta ativa ou 
passiva do ser humano, podendo a pessoa ter agido tendo ciência dos resultados do 
referido ato, assumindo-os de qualquer forma.”. 
Seguindo, negligência e imprudência se referem ao não atendimento das 
expectativas da sociedade diante ao caso, assim explica Renan Lotufo (2016, p. 574): 
 
Negligência ou imprudência, que caracterizam a culpa, porque não desejado 
o resultado danoso, ou violador de direito, a outrem, mas o comportamento 
da parte não atende aos deveres de conduta das pessoas em sociedade, que 
são os de diligência e prudência. 
 
Cabe ressaltar que, só compõe ato ilícito quando há dano ao outro, assim 
leciona ainda o autor Renan Lotufo (2016, p. 574): 
 
Porém, não é qualquer ilícito que causa dano a outrem ou viola direito alheio. 
Quando o direito é violado e causa dano, em razão do ilícito, é que temos 
uma relação entre o comportamento do causador e o dano da vítima. Este é 
o nexo de causalidade. 
 
2.2.2 Do Dano 
O dano, por sua vez, é a lesão a um bem jurídico protegido, podendo ser 
patrimonial ou extrapatrimonial. Assim, leciona Flávio Tartuce (2023, p. 330) “A 
palavra “dano”, que decorre do latino damnum, tem muitas acepções, significando, em 
suma, a presença de um prejuízo real, um mal, um detrimento, uma perda a alguém.”. 
Nessa premissa, o autor Carlos Roberto Gonçalves (2024, p. 507) diz: 
 
Enquanto o conceito clássico de dano é o de que constitui ele uma 
“diminuição do patrimônio”, alguns autores o def inem como a diminuição ou 
Comentado [KM23]: Código Civil comentado : parte 
geral (arts. 1o a 232), volume 1 / Renan Lotufo. – 3. ed. 
– São Paulo : Saraiva, 2016. 
Comentado [KM24]: Responsabilidade civil / Carlos 
Roberto Gonçalves. – 23. ed. – São Paulo : SaraivaJur, 
2024. 
31 
 
subtração de um “bem jurídico”, para abranger não só o patrimônio, mas a 
honra, a saúde, a vida, suscetíveis de proteção. 
 
Para haver o dever de indenizar, o dano precisa ser certo, ou seja, concreto e 
efetivo, não podendo ser apenas hipotético, dessa forma, ainda afirma o autor citado 
acima “para que haja pagamento de uma indenização, além da prova de dolo ou de 
culpa na conduta do agente, é necessário, em regra, comprovar o dano material ou 
imaterial suportado por alguém.”. 
Ainda, é importante mencionar que o dano pode ser classificado como material, 
quando atinge o patrimônio da vítima, seria algo mais tangível, palpável, de fácil 
restituição ou valoração, como diz Carlos Roberto Gonçalves (2024, p. 507) “em 
sentido estrito, dano é, para nós, a lesão do patrimônio; e patrimônio é o conjunto das 
relações jurídicas de uma pessoa, apreciáveis em dinheiro.” 
Também pode ser classificado como moral, quando atinge a personalidade, 
como honra, imagem, integridade psíquica, dignidade da pessoa humana, como algo 
mais subjetivo, o dano moral vem como uma indenização para um direito mais 
subjetivo, visto que se refere ao indivíduo. 
No mesmo pensamento, conceitua Sergio Cavalieri Filho (2023, p. 105): 
 
Assim, à luz da Constituição vigente podemos conceituar o dano moral por 
dois aspectos distintos: em sentido estrito e em sentido amplo. Em sentido 
estrito dano moral é violação do direito à dignidade. E foi justamente por 
considerar a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da 
imagem corolário do direito à dignidade que a Constituição inseriu em seu art. 
5º, incisos V e X, a plena reparação do dano moral. Este é, pois, o novo 
enfoque constitucional pelo qual deve ser examinado o dano moral: Qualquer 
agressão à dignidade pessoal constitui dano moral e é por isso indenizável. 
 
Dessa forma, abordaremos melhor os dois danos mais adiante. 
 
 
2.2.3 Nexo de causalidade 
Nesse requisito temos a relação de causa e efeito, sendo parte importante na 
constatação da responsabilidade civil, voltando ao art. 186 do CC, é preciso que pela 
ação ou omissão do agente tenha se dado o prejuízo, para assim, haver a 
responsabilização e posteriormente a indenização. 
Assim Maria Helena Diniz conceitua a causalidade, citada por Flávio Tartuce 
(2023, p. 265): 
32 
 
 
1. Filosof ia do direito. a) Relação entre uma causa e um efeito; b) qualidade 
de produzir efeito; c) princípio em razão do qual os efeitos se ligam às causas. 
2. Direito Civil e Direito Penal. Um dos elementos indispensáveis para a 
conf iguração do ilícito ou do delito, pois as responsabilidades civil e penal não 
poderão existir sem a relação ou o nexo de causalidade entre o dano ou 
resultado e o comportamento do agente. Deveras, considera-secausa a ação 
ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. 
 
Ainda, nas palavras de Sergio Cavalieri Filho, citado também por Flávio 
Tartuce (2023, p. 265), o nexo de causalidade é “uma relação necessária entre o fato 
incriminado e o prejuízo. É necessário que se torne absolutamente certo que, sem 
esse fato, o prejuízo não poderia ter lugar”. 
Por fim, novamente nas palavras de Maria Helena Diniz, citada por Flávio 
Tartuce (2023, p. 266): 
 
tal nexo representa, portanto, uma relação necessária entre o evento danoso 
e a ação que o produziu, de tal sorte que esta é considerada como causa. 
Todavia, não será necessário que o dano resulte apenas imediatamente do 
fato que o produziu. Bastará que se verif ique que o dano não ocorreria se o 
fato não tivesse acontecido. Este poderá não ser a causa imediata, mas, se 
for condição para a produção do dano, o agente responderá por 
consequência. 
 
Além disso, como dito anteriormente por Renan Lutufo, não é qualquer ato 
ilícito que causa o dano ou a responsabilização. Podendo, assim, haver o rompimento 
do nexo causal, por culpa exclusiva da vítima, por exemplo, fato de terceiro, ou caso 
fortuito e força maior, que poderiam eximir o agente da obrigação de indenizar. Assim, 
ainda o autor Flávio Tartuce (2023, p. 267) esclarece que: 
 
a responsabilidade civil, mesmo objetiva, não pode existir sem a relação de 
causalidade entre o dano e a conduta do agente. Se houver dano sem que a 
sua causa esteja relacionada com o comportamento do suposto ofensor, 
inexiste a relação de causalidade, não havendo a obrigação de indenizar. 
 
2.3 Dano Material e moral 
Como brevemente explicado no tópico anterior, temos que o dano material é 
mais facilmente visualizado, pela forma que atinge a vítima, pois se trata de um 
prejuízo financeiro, na maior parte das vezes, afetando diretamente o patrimônio, 
contrário ao dano moral, por se tratar de dano a dignidade, por exemplo. Referente a 
isso, leciona Carlos Roberto Gonçalves que: 
 
33 
 
Material é o dano que afeta somente o patrimônio do ofendido. Moral é o que 
só ofende o devedor como ser humano, não lhe atingindo o patrimônio. A 
expressão “dano moral” deve ser reservada exclusivamente para designar a 
lesão que não produz qualquer efeito patrimonial. Se há consequências de 
ordem patrimonial, ainda que mediante repercussão, o dano deixa de ser 
extrapatrimonial. 
 
Assim, o dano material ainda se subdivide em duas categorias, primeiramente o 
dano emergente, que se trata de perdas efetivas, um prejuízo direto, como por 
exemplo, o valor gasto em conserto do carro que foi batido por culpa de um terceiro, 
como leciona Flávio Tartuce (2023, p. 95) “O dano emergente, também chamado 
positivo, este, sim, importa efetiva e imediata diminuição no patrimônio da vítima em 
razão do ato ilícito.”. 
Seguindo o mesmo exemplo e linha de pensamento, temos o autor Carlos 
Roberto Gonçalves (2024, p. 634) que diz: 
 
Dano emergente é o efetivo prejuízo, a diminuição patrimonial sofrida pela 
vítima. É, por exemplo, o que o dono do veículo danif icado por outrem 
desembolsa para consertá-lo. Representa, pois, a diferença entre o 
patrimônio que a vítima tinha antes do ato ilícito e o que passou a ter depois. 
 
Importante mencionar também o pensamento do autor Flávio Tartuce (2023, p. 
95) que diz que: 
 
A mensuração do dano emergente, como se verá, não enseja maiores 
dif iculdades. Via de regra, importará no desfalque sofrido pelo patrimônio da 
vítima. Pelo princípio da diferença, será a diferença entre a situação 
patrimonial atual provocada pelo fato ilícito e a situação em que a vítima se 
encontraria, se não fosse esse fato. 
 
Podendo ser subdividido também em lucro cessante, referente ao que a vítima 
deixou de lucrar por causa do dano causado, como por exemplo, se a vítima do 
acidente é motorista de aplicativo e não pode trabalhar com seu carro, por causa do 
acidente, deixando de auferir renda diretamente pelo prejuízo que teve em 
decorrência da batida. 
Nas palavras de Flávio Tartuce (2023, p. 95) “o lucro cessante abrange os 
prejuízos referentes ao patrimônio futuro do lesado, bem que ainda não lhe pertencia.” 
Ainda o mesmo autor leciona que: 
 
Consiste, portanto, o lucro cessante na perda do ganho esperável, na 
f rustração da expectativa de lucro, na diminuição potencial do patrimônio da 
34 
 
vítima. Pode decorrer não só da paralisação da atividade lucrativa ou 
produtiva da vítima, como, por exemplo, a cessação dos rendimentos que 
alguém já vinha obtendo da sua prof issão, como, também, da f rustração 
daquilo que era razoavelmente esperado. 
 
Na mesma linha de pensamento diz Carlos Roberto Gonçalves (2024, p. 634) 
“Lucro cessante é a frustração da expectativa de lucro. É a perda de um ganho 
esperado” 
Dito isso, nos cabe conceituar também o dano moral, que segundo Savatier, 
citado por Cavalieri Filho (2023, p. 105) “dano moral é qualquer sofrimento que não é 
causado por uma perda pecuniária. Para os que preferem um conceito positivo, dano 
moral é dor, vexame, sofrimento, desconforto, humilhação – enfim, dor da alma.”. 
Assim, temos que o dano moral é caracterizado por um abalo aos direitos de 
personalidade, sendo a honra, imagem e dignidade, dessa forma, diante uma situação 
que cause humilhação ou constrangimento, fere diretamente esse direito, sendo 
necessário uma amenização a esse sofrimento, e como nesse caso não é possível 
que a vítima volte ao estado quo ante, se faz necessário uma indenização pecuniária. 
Com o mesmo propósito, temos o que diz o autor Flávio Tartuce (2023, p. 364) 
“para a sua reparação não se requer a determinação de um preço para a dor ou o 
sofrimento, mas sim um meio para atenuar, em parte, as consequências do prejuízo 
imaterial”. 
Assim, continua dizendo o autor que “não há no dano moral uma finalidade de 
acréscimo patrimonial para a vítima, mas sim de compensação pelos males e lesões 
suportados.” 
Dessa forma, fica bem claro e estabelecido as diferenças e situações em que 
cada dano se encaixa, mas cabe dizer que embora cada um tenha seu sentido e 
especificação, os dois podem ser usados concomitantemente, ou seja, um pode 
completar o outro, seja lucro cessante e dano emergente, ou dano material e material. 
Nas palavras de Sergio Cavalieri Filho (2023, p. 108): 
 
Tornou-se indiscutível a cumulabilidade do dano moral com o material, o que 
acabou por ser reconhecido pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, tão 
logo criado, ao formular uma de suas primeiras súmulas – Súmula 37 – que 
diz: “São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral, 
oriundos do mesmo fato.” 
35 
 
3. CONTRATOS BANCÁRIOS E AS POSSIBILIDADES DE CONFIGURAÇÃO DE 
FRAUDE 
3.1 Do Serviço Essencial de Contrato Bancário 
3.2 Das Regras Regulatórias 
3.3 Fraudes e o Entendimento Jurisprudencial 
 
Bruno Miragem – responsabilidade civil fala sobre responsabilidade dos bancos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.1 até 1.3 
https://jus.com.br/artigos/85232/trinta-anos-do-codigo-de-protecao-e-defesa-do-consumidor#_f tn1 
CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011. 
SILVA NETO, Orlando Celso da. Comentários ao código de defesa do consumidor. Rio de Janeiro: 
Forense, 2013. 
BENJAMIN, A. H. V.; MARQUES, C. L.; BESSA, L. R. Manual de direito do consumidor. 4. ed. rev., 
atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012. 
BESSA. L.R.; MOURA. W. J. F. Manual do direito do consumidor. 3. ed. Brasília: SDE/DPDC, 2010. 
176 p. 
MARQUES, Claudia Lima; BENJAMIN, Antonio Herman V.; BESSA, Leonardo Roscoe. Manual de 
Direito do Consumidor. 3. ed. São Paulo: RT, 2010. p. 105. 
1.7.1 
https://jus.com.br/artigos/85232/trinta-anos-do-codigo-de-protecao-e-defesa-do-consumidor#_ftn1
36 
 
NUNES, Rizzatto. Curso de direito do consumidor. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 514. 
1.8 
MARQUES,Cláudia Lima. Contratos no código de defesa do consumidor. 3.ed. São Paulo: Ed. RT, 
1998. p.403. 
 
TJDFT. A inversão do ônus da prova se opera de forma automática no microssistema do CDC?. 
2021. Disponível em . Acesso em 06 nov, 2024 
 
 
Livros na integra 
RIZZATTO NUNES, curso de direito do consumidor, 2024, SaraivaJur, São Paulo 
 
Manual de direito do consumidor: direito material e processual, volume único / Flávio Tartuce, Daniel 
Amorim Assumpção Neves. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Método, 2024. 
 
Programa de direito do consumidor / Sergio Cavalieri Filho. – 6. ed. – Barueri [SP]: Atlas, 2022. 
 
Direito do consumidor: contratos, responsabilidade civil e defesa do consumidor em juízo / Paulo R. 
Roque A. Khouri. – 7. ed. – São Paulo: Atlas, 2021.- 13. ed., 
rev., atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Método, 2024. 
Comentado [KM3]: Curso de direito do consumidor / 
Rizzatto Nunes. - 15. ed. - São Paulo : SaraivaJur, 
2024. 
4 
 
 
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar 
concorrentemente sobre: 
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e 
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; 
 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e 
na livre iniciativa, tem por f im assegurar a todos existência digna, conforme 
os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: 
V - defesa do consumidor; 
 
Sergio Cavalieri Filho (2011, p.8) diz que, “a finalidade do Direito do Consumidor 
é justamente eliminar essa injusta desigualdade entre o fornecedor e o consumidor, 
restabelecendo o equilíbrio entre as partes nas relações de consumo”. 
Segundo Henry Ford, citado por Cavalieri Filho (2011, p.8), “o consumidor é o 
elo mais fraco da economia; e nenhuma corrente pode ser mais forte do que seu elo 
mais fraco”. 
Ainda, segundo o voto do Ministro Cezar Peluso, Presidente do Supremo 
Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 351. 750, citado por Cavalieri Filho 
(2011, p.11): 
 
A defesa do consumidor, além de objeto de norma constitucional, é direito 
fundamental (art. 5, XXXII), de modo que não se pode ser restringida por 
regra subalterna, nem sequer por Emenda Constitucional, enquanto inserta 
em cláusula pétrea (art. 60, § 4º, inc. IV). 
 
Além de ser um direito fundamental, conforme Cavalhieri Filho (2022, p. 27) “A 
defesa do consumidor, além de direito fundamental do consumidor, é também 
princípio geral de toda a atividade econômica”, continua ainda o autor: 
 
Incluída no art. 170, V, da Constituição, entre os princípios da ordem 
econômica, aplica-se a todo o capítulo da atividade econômica; é um princípio 
que se irradia para a relação de serviço público, mormente quando prestado 
de forma empresarial. 
 
De acordo com Cláudia de Lima Marques, citada por Cavalieri Filho (2011, p. 
16), “o Código do Consumidor, embora não discipline nenhum contrato 
especificamente, aplica-se a todos os tipos de contratos que geram relação de 
consumo”. 
Sobretudo, o Código de Defesa do Consumidor vem para equilibrar a 
vulnerabilidade do consumidor frente ao fornecedor, pois é ele o elo mais fraco nessa 
relação jurídica, principalmente em poder econômico. 
Comentado [KM4]: CAVALIERI FILHO, Sergio. 
Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2011. 
5 
 
Nesse mesmo pensamento, o jurista Bruno Miragem (2014, p.43) afirma que: 
 
o direito do consumidor, e a premissa da qual este parte, de desigualdade 
fática entre consumidor e fornecedor, impõe então que em matéria de 
responsabilidade civil decorrente das relações de consumo, adote-se o 
critério da responsabilidade objetiva, independente da demonstração de 
culpa. A f inalidade é contemplar situações nas quais, em face da 
vulnerabilidade do consumidor e da ausência de conhecimento sobre a 
atividade de fornecimento de produtos e serviços, o fornecedor, expert em 
sua atividade prof issional habitual, e que dá causa ao risco em razão da 
atividade econômica que desenvolve, responda pelos danos que dela sejam 
decorrentes. 
 
1.3. Elementos que Configuram a Relação de Consumo 
Segundo Benjamin, Marques e Bessa (2012, p.53): 
 
A defesa do consumidor, como sujeito-vítima, como sujeito-contratante, como 
agente econômico nos momentos pré e pós-contratual, como pessoa cujos 
dados estão contidos em um banco de dados de comerciantes ou de crédito, 
a defesa do consumidor na relação de consumo, quanto à sua qualidade-
adequação, quanto à sua qualidade-segurança, quanto à quantidade 
prometida, proteção através da sanção administrativa e penal daqueles que 
abusam ou violam os direitos deste consumidor – é esta a linha básica que 
use matérias tão diversas, no CDC, sejam normas de direito privado (arts. 1º 
a 54), sejam normas administrativas, penais, processuais e as disposições 
f inais sobre direito intertemporal (arts. 55 a 119). 
 
Conforme o art. 2º, do CDC (Lei 8.078/90), “consumidor é toda pessoa física ou 
jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Parágrafo 
único. Equipara-se o consumidor a coletividade de pessoas, ainda que 
indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo”. 
A respeito da definição do conceito de consumidor, bem como a descrição da 
corrente maximalista e finalista, Bessa e Moura (2010, p. 41), explicam que: 
 
Há aqueles que interpretam essa expressão permitindo que o simples ato de 
retirar o produto ou serviço do mercado (destinatário fático) já caracteriza uma 
proteção da lei de consumo, pouco importando a destinação que será dada 
ao mesmo (chamamos de maximalistas). De outro lado, há parte da doutrina 
que não entende correta a aplicação da lei de consumo quando a aquisição 
de produtos ou serviços for feita por pessoa física ou jurídica que emprega os 
mesmos para dar-lhes novas f inalidades econômicas (chamamos de 
f inalistas). 
 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.079/90), especificamente em seu art. 
3º, estabelece o conceito de fornecedor, produto e serviço: 
 
Comentado [KM5]: MIRAGEM, Bruno. Curso de direito 
do consumidor. 5. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2014. 
Comentado [KM6]: BENJAMIN, A. H. V.; MARQUES, 
C. L.; BESSA, L. R. Manual de direito do consumidor. 4. 
ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos 
Tribunais, 2012. 
Comentado [KM7]: BESSA. L.R.; MOURA. W. J. F. 
Manual do direito do consumidor. 3. ed. Brasília: 
SDE/DPDC, 2010. 
6 
 
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa f ísica ou jurídica, pública ou privada, 
nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que 
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, 
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de 
produtos ou prestação de serviços. 
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, 
mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, f inanceira, de 
crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. 
 
Nesse sentido, Cavalieri Filho (2011, p. 73), esclarece que “todos os 
intermediários (intervenientes, transformadores, distribuidores) e, ainda, o 
comerciante – desde que façam disso as suas atividades principais ou profissões, 
serão tratados pela lei como fornecedores”. 
Importante lembrar que: 
 
Não caracterizam relação de consumo as relações jurídicas estabelecidas 
entre não prof issionais, causal e eventualmente, o que, nada obstante, não 
os desonera dos deveres de lealdade, probidade e boa-fé, visando ao 
equilíbrio substancial e econômico do contrato, que deve cumprir a sua 
função social. (CAVALIERI FILHO, 2011, p. 73). 
 
Para Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, p.77) “o que 
interessa mesmo na caracterização do fornecedor ou prestador é o fato de ele 
desenvolver uma atividade, que vem a ser a soma de atos coordenados para uma 
finalidade específica,” 
Ainda nessa esteira, surgiu, também, a ideia do fornecedor equiparado, o que 
segundo Claudia Lima Marques (2007, p.104) é: 
 
A f igura do fornecedor equiparado, aquele que não é fornecedor do contrato 
principal de consumo, mas é intermediário, antigo terceiro, ou estipulante, 
hoje é o ‘dono’ da relação conexa (e principal) de consumo, por deter uma 
posição de poder na relação outra com o consumidor. É realmente uma 
interessante teoria, que será muito usada no futuro, ampliando – e com justiça 
– o campo de aplicação do CDC. 
 
 Assim, há jurisprudência equiparando o órgão que mantém o cadastro à 
instituição financeira em relação de consumo, vejamos: 
 
“Indenização. Fornecedor. Contrataçãode empréstimo e f inanciamento. 
Fraude. Negligência. Injusta negativação. Dano moral. Montante 
Comentado [KM8]: CAVALIERI FILHO, Sergio. 
Programa de direito do consumidor. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2011. 
Comentado [KM9]: MARQUES, Claudia Lima. 
Aplicação do código de defesa do consumidor: análise 
crítica da relação de consumo. Brasília: Brasília 
Jurídica, 2007 
https://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:rede.virtual.bibliotecas:livro:2007;000772944
https://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:rede.virtual.bibliotecas:livro:2007;000772944
7 
 
indenizatório. Razoabilidade e proporcionalidade. Prequestionamento. Age 
negligentemente o fornecedor, equiparado à instituição f inanceira, que não 
prova ter tomado todos os cuidados necessários, a f im de evitar as possíveis 
f raudes cometidas por terceiro na contratação de empréstimos e 
f inanciamentos. (...)” (TJMG – Apelação cível 1.0024.08.958371-0/0021, Belo 
Horizonte – Nona Câmara Cível – Rel. Des. José Antônio Braga – j. 
03.11.2009 – DJEMG 23.11.2009).” (ATUALIZAR JURIS) 
 
Conforme citado por Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, 
p. 79): 
 
Na mesma linha, o Tribunal do Paraná aplicou o conceito de fornecedor 
equiparado para o agente f inanceiro, responsável pelo empréstimo visando à 
aquisição do bem de consumo. Do negócio decorreu a inscrição indevida do 
consumidor no cadastro de inadimplentes, o que gerou a responsabilização 
solidária dos dois envolvidos na contratação. Nos termos da ementa: 
“Aplicação do CDC. Fornecedor equiparado. Inversão do ônus da prova. 
Fatos aduzidos na inicial não refutados pela ré. Apelação (2). Agente 
f inanceiro. Integrante da cadeia de fornecedores do produto. Mútuo coligado 
à compra e venda. Responsabilização solidária pelos danos decorrentes da 
relação jurídica comerciante consumidor. Inscrição indevida nos órgãos de 
restrição ao crédito. Dano moral in re ipsa. Prescindibilidade da comprovação 
do dano. Cobrança abusiva. Inversão do ônus da prova. Fatos adesivo. 
Autora. Majoração dos danos morais. Pedido não acolhido. 
Responsabilização autônoma da terceira ré que aumenta o valor a ser 
recebido pela autora. Termo inicial dos juros de mora. Responsabilidade 
contratual. Juros contados da citação. Devolução do sofá. Impossibilidade. 
Vedação ao enriquecimento sem causa. Parcelas quitadas não foram objeto 
do pedido inicial. Apelação Cível 1 e Recurso adesivo conhecidos e 
parcialmente providos. Apelação Cível 2 conhecida e não provida” (TJPR – 
Apelação Cível 1284659-8, Londrina – Oitava Câmara Cível – Rel. Des. 
Guilherme Freire de Barros Teixeira – DJPR 24.02.2015, p. 335). 
 
1.4. Princípios Fundamentais 
O Código de defesa do Consumidor é fundamentado em princípios necessários 
para a proteção do consumidor, que como dito anteriormente, é considerada a parte 
mais vulnerável na relação de consumo, assim, para nortear essa relação são 
8 
 
elencados alguns princípios tanto na Lei nº 8.078/1990, quanto na Constituição 
Federal de 1988. 
Assim leciona o autor Paulo R. Roque A. Khouri (2021, p. 25): 
Seguindo uma tendência mundial, a Constituição brasileira de 1988, pela 
primeira vez, incorporou aos princípios da ordem econômica, no seu art. 170, 
“a defesa do consumidor”. O constituinte não se limitou a tratar a defesa do 
consumidor como princípio de ordem econômica. Fez mais: a incluiu entre os 
direitos fundamentais, no art. 5º, XXXII, ao determinar que o “Estado 
promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”. 
 
Primeiramente, é de suma importância mencionar o princípio da vulnerabilidade, 
pois como citado acima e em todo o decorrer do capítulo, é o princípio mais relevante 
do código, visto que é ele que assegura o consumidor como o elo mais fraco da 
relação consumerista. 
Assim diz Sergio Cavalieri (2022, p. 75) “Logo, o princípio da vulnerabilidade, 
expresso no art. 4º, I, do CDC, é também um princípio estruturante do seu sistema, 
na verdade o elemento informador da Política Nacional de Relações de Consumo.” 
Nesse mesmo pensamento, diz João Batista de Almeida, citado por Sergio 
Cavalieri (2022, p. 75) “essa é a espinha dorsal da proteção do consumidor, sobre o 
que se assenta toda a filosofia do movimento.”. 
Logo após, surge o princípio da boa-fé objetiva, que embora seja intuitivo, pois 
todas as relações devem ser pautadas na honestidade e transparência, também se 
faz preciso ser assegurado, para que não restem lacunas e brechas e garantam que 
os contratos sejam pautados na confiança entre as partes. 
Com esse mesmo sentido, Paulo R. Roque A. Khouri (2021, p. 73) diz: 
 
A boa-fé como princípio vai trazer sempre consigo padrões de honestidade, 
lealdade e transparência. São esses padrões que se exigem nas relações 
obrigacionais de consumo, independentemente da existência de cláusula 
expressa nesse sentido. 
 
Não obstante, mencionam os autores Flávio Tartuce e Daniel Amorim 
Assumpção Neves (2024, p.36): 
 
Dessa forma, por esse princípio, exige-se no contrato de consumo o máximo 
de respeito e colaboração entre as partes, devendo aquele que atua com má-
9 
 
fé ser penalizado por uma interpretação a contrario sensu, ou por sanções 
que estão previstas na própria lei consumerista, como a decretação da 
nulidade do negócio ou a imputação da responsabilidade civil objetiva 
 
Posteriormente, temos o princípio da transparência, que, se liga diretamente ao 
princípio da informação, pois ambos exigem que os produtos e serviços sejam dotados 
de informação, sendo elas claras e relevantes, informando sobre preço, qualidade, 
características, riscos e outros pontos importantes. Assim diz Rizzatto Nunes (2024, 
648): 
 
Concomitantemente ao dever de informar, aparece no CDC o princípio da 
transparência, traduzido na obrigação de o fornecedor dar ao consumidor a 
oportunidade de conhecer o conteúdo do contrato previamente, ou seja, antes 
de assumir qualquer obrigação. 
 
Ainda em referência aos princípios norteadores, temos o princípio da equidade, 
que garante o equilíbrio das relações de consumo e impõe limites aos fornecedores 
quando se refere a onerosidade, por exemplo. 
“Modernamente a equidade repousa sobre a ideia fundamental da igualdade 
real, de justa proporção; indica o sentimento de justiça fundado no equilíbrio, na 
equanimidade, na serenidade, na imparcialidade, na retidão.”, assim leciona o autor 
Sergio Cavalieri Filho (2022, p. 83). 
Assim temos princípios fundamentais previstos no CDC, agindo como uma base 
de proteção ao consumidor, além de orientar, e como dito, nortear a relação 
consumerista. 
1.5. Direitos Básicos Do Consumidor 
O Direito do Consumidor é uma área essencial no cenário atual, pois reflete a 
necessidade de proteção dos interesses daqueles que se encontram em uma posição 
de vulnerabilidade nas relações de consumo, que são os consumidores. 
Com o surgimento do Código de Defesa do Consumidor em 1990, o Brasil 
consolidou uma legislação abrangente buscando garantir igualdade de direitos entre 
consumidores e fornecedores. Como diria Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de Andrade 
Nery (2003, p.141), são: 
 
Comentado [KM10]: NERY JR., Nelson; NERY, Rosa 
Maria de Andrade. Código Civil anotado. 2. ed. São 
Paulo: RT, 2003. 
10 
 
“regras de conduta que norteiam o juiz na interpretação da norma, do ato ou 
negócio jurídico. Os princípios gerais de direito não se encontram positivados 
no sistema normativo. São regras estáticas que carecem de concreção. Têm 
como função principal auxiliar o juiz no preenchimento das lacunas”. 
 
Assim, esse capítulo aborda os direitos básicos do consumidor, conforme a 
definição do artigo 6º do CDC, discutindo sua relevância para a proteção e a promoção 
da cidadania. 
Os direitos básicos do consumidor são encarados como um conjunto de 
garantias fundamentais que visam proteger as relações de consumo e ainda equilibrar 
a justiça e o mercado, levando em consideração quevisa proteger o coletivo que são 
os entes com menos poder, assim diz Rizzatto Nunes (2024, p.77): 
 
“Assim, consigne-se que, para interpretar adequadamente o CDC, é preciso 
ter em mente que as relações jurídicas estabelecidas são atreladas ao 
sistema de produção massif icado, o que faz com que se deva privilegiar o 
coletivo e o difuso, bem como que se leve em consideração que as relações 
jurídicas são f ixadas de antemão e unilateralmente por uma das partes — o 
fornecedor —, vinculando de uma só vez milhares de consumidores. Há um 
claro rompimento com o direito privado tradicional.” 
 
Importante ressaltar que o conceito de hipossuficiência não fala apenas sobre 
condições financeiras, mas também sobre conhecimento técnico, por exemplo, assim 
como leciona Claudia Lima Marques, Antonio Herman V. Benjamin e Bruno Miragem, 
citados por Rizzatto Nunes (2024, p.33): 
 
O conceito de hipossuf iciência vai além do sentido literal das expressões 
pobre ou sem recursos, aplicáveis nos casos de concessão dos benef ícios da 
justiça gratuita, no campo processual. O conceito de hipossuf iciência 
consumerista é mais amplo, devendo ser apreciado pelo aplicador do direito 
caso a caso, no sentido de reconhecer a disparidade técnica ou 
informacional, diante de uma situação de desconhecimento, conforme 
reconhece a melhor doutrina e jurisprudência. 
 
Diante isso, vemos os motivos pelos quais é devida a inversão do ônus da prova, 
e porque é debatida e aceita, como em inúmeras decisões do Superior Tribunal de 
Justiça. in verbis: 
 
Direito Processual Civil. Recurso especial. Ação de indenização por danos 
morais e materiais. Ocorrência de saques indevidos de numerário depositado 
em conta poupança. Inversão do ônus da prova. Art. 6º, VIII, do CDC. 
Possibilidade. Hipossuficiência técnica reconhecida. O art. 6º, VIII, do 
CDC, com vistas a garantir o pleno exercício do direito de defesa do 
consumidor, estabelece que a inversão do ônus da prova será deferida 
quando a alegação por ele apresentada seja verossímil, ou quando 
11 
 
constatada a sua hipossuficiência. Na hipótese, reconhecida a 
hipossuf iciência técnica do consumidor, em ação que versa sobre a 
realização de saques não autorizados em contas bancárias, mostra-se 
imperiosa a inversão do ônus probatório. Diante da necessidade de permitir 
ao recorrido a produção de eventuais provas capazes de ilidir a pretensão 
indenizatória do consumidor, deverão ser remetidos os autos à instância 
inicial, a f im de que oportunamente seja prolatada uma nova sentença. 
Recurso especial provido para determinar a inversão do ônus da prova na 
espécie” (STJ – REsp 915.599/SP – Terceira Turma – Rel. Min. Nancy 
Andrighi – j. 21.08.2008 – DJe 05.09.2008). 
 
Além disso, também se mostra importante mencionar que no direito do 
consumidor é primordialmente assegurado a transparência, segurança e qualidade 
dos produtos e serviços oferecidos, segundo o próprio código. 
No mesmo pensamento, ensina a Ministra Eliana Calmon, citada por Claudia 
Lima Marques, Antonio Herman V. Benjamin e Bruno Miragem (2010, p. 30): “O 
Código de Defesa do Consumidor é diploma legislativo que já se amolda aos novos 
postulados, inscritos como princípios éticos, tais como a boa-fé, lealdade, cooperação, 
equilíbrio e harmonia das relações”. 
 
1.5.1. Direitos Fundamentais: 
Se faz necessário notar a similaridade e complementação de um código ao 
analisar juntamente com outro, como o Código de Defesa do Consumidor e o Código 
Civil, que por vezes protegem os mesmos princípios e se complementam 
subsidiariamente, tendo como objetivo proteger também a parte hipossuficiente das 
relações, mantendo a boa-fé e a responsabilidade acima de tudo. 
 Assim afirmam Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, p.26): 
 
Por outra via, o Código Civil de 2002, além de proteger o aderente contratual 
como parte mais f raca da relação (arts. 423 e 424), consagra muitos preceitos 
já previstos na lei protetiva, tais como a vedação do abuso de direito e da 
onerosidade excessiva, a valorização da boa-fé objetiva e da tutela da 
conf iança, a responsabilidade objetiva fundada no risco, a proibição do 
enriquecimento sem causa, entre outros. 
 
Juntamente a esse pensamento, o Min. Luiz Edson Fachin, citado por Flávio 
Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, p. 27) menciona que “de acordo 
com essa realidade, a compreensão dos princípios do CDC significa também, 
indiretamente, a percepção dos regramentos básicos do Código Civil de 2002.” 
Assim, afirma ainda Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, 
p.27) que, na verdade: 
Comentado [KM11]: MARQUES, Claudia Lima; 
BENJAMIN, Antonio Herman V.; MIRAGEM, Bruno. 
Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 3. 
ed. São Paulo: RT, 2010 
Comentado [KM12]: MARQUES, Claudia Lima; 
BENJAMIN, Antonio Herman V.; MIRAGEM, Bruno. 
Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 3. 
ed. São Paulo: RT, 2010. p. 30. 
12 
 
 
“os princípios não são aplicados apenas em casos de lacunas da lei, de forma 
meramente subsidiária, mas também de forma imediata, para corrigir normas 
injustas em determinadas situações. Em muitas concreções envolvendo 
entes privados – inclusive fornecedores e consumidores –, os princípios têm 
incidência imediata”. 
 
O Código de Defesa do Consumidor é fundamentado em princípios que buscam 
equilibrar as relações entre consumidores e fornecedores, com a premissa de que o 
consumidor é um agente vulnerável ao mercado de consumo, assim explica Rizzatto 
Nunes (2024, p.652) “o fato é que todas as normas instituídas no CDC têm como 
princípio e meta a proteção e a defesa do consumidor”. 
Nessa mesma premissa, seguindo a necessidade do princípio da 
hipossuficiência, afirma Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, 
p.30), que foi necessária a elaboração de uma lei que protegesse os consumidores, 
“diante da vulnerabilidade patente dos consumidores, surgiu a necessidade de 
elaboração de uma lei protetiva própria, caso da nossa Lei 8.078/1990”. 
Entre os princípios fundamentais estão a transparência, boa-fé, equidade e 
segurança jurídica, que mediam as garantias legais estabelecidas no CDC. 
Vejamos o art. 6º do CDC: 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por 
práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou 
nocivos; 
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e 
serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas 
contratações; 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, 
com especif icação correta de quantidade, características, composição, 
qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que 
apresentem; 
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais 
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou 
impostas no fornecimento de produtos e serviços; 
V - a modif icação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações 
desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as 
tornem excessivamente onerosas; 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, 
individuais, coletivos e difusos; 
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção 
ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou 
difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos 
necessitados; 
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do 
ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for 
verossímil a alegação ou quando for ele hipossuf iciente, segundo as regras 
ordinárias de experiências; 
13 
 
IX - (Vetado); 
X - a adequada e ef icaz prestação dos serviços públicos em geral. 
XI - a garantia de práticas de crédito responsável, de educaçãof inanceira e 
de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, preservado 
o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, por meio da revisão e 
da repactuação da dívida, entre outras medidas; 
XII - a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na 
repactuação de dívidas e na concessão de crédito; 
XIII - a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de medida, 
tal como por quilo, por litro, por metro ou por outra unidade, conforme o caso. 
Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo 
deve ser acessível à pessoa com def iciência, observado o disposto em 
regulamento. 
 
Diante o rol de direitos básicos, é importante citar Claudia Lima Marques, Antonio 
Herman V. Benjamin e Bruno Miragem (2010, p.120): 
 
A vulnerabilidade não é, pois, o fundamento das regras de proteção do sujeito 
mais f raco, é apenas a ‘explicação’ destas regras ou da atuação do legislador 
(Fiechter-Boulvar, Rapport, p. 324), é a técnica para as aplicar bem, é a noção 
instrumental que guia e ilumina a aplicação destas normas protetivas e 
reequilibradoras, à procura do fundamento da igualdade e da justiça 
equitativa”. 4 
 
 
1.5.2. Direitos Básicos do Consumidor: 
Conforme dito e demonstrado anteriormente, o artigo 6º do CDC elenca um 
conjunto de direitos básicos que todo consumidor deve possuir nas relações 
consumeristas. Sendo direitos essenciais para garantir a dignidade, saúde e 
segurança do consumidor. 
Primeiramente, o direito à proteção da vida, dignidade da pessoa humana, saúde 
e segurança, sendo um dos pilares da legislação consumerista, o que é possível 
extrair do CDC e, também o que leciona o doutrinador Rizzato Nunes (2024, p.128, 
onde diz que “Proteção à vida, saúde e segurança são direitos que nascem atrelados 
ao princípio maior da dignidade, uma vez que, como dissemos, a dignidade da pessoa 
humana pressupõe um piso vital mínimo”. 
Produtos e serviços expostos em mercados para consumo não podem oferecer 
riscos à integridade física e psicológica dos consumidores, caso contrário, é 
assegurado pelo código e por jurisprudência que o fornecedor pode ser 
responsabilizado civilmente, e o consumidor tem direito à indenização. 
Além disso, o consumidor tem direito a ser devidamente informado e educado 
sobre o uso adequado de produtos e serviços. O acesso à informação deve ser claro 
Comentado [KM13]: MARQUES, Claudia Lima; 
BENJAMIN, Antonio Herman V.; MIRAGEM, Bruno. 
Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 3. 
ed. São Paulo: RT, 2010. p. 120. 
14 
 
e objetivo, permitindo que o consumidor tome uma decisão consciente, assim diz 
Rizzatto Nunes (2024, p.137): 
 
“Trata-se de um dever exigido mesmo antes do início de qualquer relação. A 
informação passou a ser componente necessário do produto e do serviço, 
que não podem ser oferecidos no mercado sem ela. 
O princípio da transparência, como vimos, está já previsto no caput do art. 4º, 
e traduz a obrigação de o fornecedor dar ao consumidor a oportunidade de 
tomar conhecimento do conteúdo do contrato que está sendo apresentado.” 
 
Assim, em relação ao direito a informação, os autores Flávio Tartuce e Daniel 
Amorim Assumpção Neves (2024, p.40) dizem que “a informação, no âmbito jurídico, 
tem dupla face: o dever de informar e o direito de ser informado, sendo o primeiro 
relacionado com quem oferece o seu produto ou serviço ao mercado, e o segundo, 
com o consumidor vulnerável.”, assim como é possível extrair do inciso III, do art. 6º 
do CDC. 
Não obstante, a transparência nas relações de consumo é garantida pelo direito 
à informação de forma clara e adequada. Produtos e serviços devem ser descritos de 
forma precisa, indicando características, composição, preço, riscos e prazo de 
validade, pois segundo Rizzatto Nunes (2024, p.130): 
 
“O princípio da transparência, expresso no caput do art. 4º do CDC, se traduz 
na obrigação do fornecedor de dar ao consumidor a oportunidade de 
conhecer os produtos e serviços que são oferecidos e, também, gerará no 
contrato a obrigação de propiciar-lhe o conhecimento prévio de seu 
conteúdo.” 
 
Olhando, por outro lado, vemos que a publicidade e o marketing são atualmente 
de grande importância no mercado de consumo, se observado que hoje estamos na 
era da internet, de acordo com Mucelin, citado por Claudia Lima Marques (2024, p.7) 
que, no caso do IBGE, o STF lembrou que “estar online é condição para a completa 
fruição da vida em sociedade e para gozo de direitos fundamentais.”. 
Assim a publicidade exerce um papel fundamental nas decisões de compra visto 
alcançar um enorme público, e por isso o CDC garante ao consumidor o direito de ser 
protegido contra propagandas enganosas e abusivas. 
Segundo Rizzatto Nunes (2024, p.141 e 142) “o abuso do direito se caracteriza 
pelo uso irregular e desviante do direito em seu exercício, por parte do titular.”, além 
disso, o doutrinador afirma que a proibição é absoluta e tem o poder de anular 
cláusulas contratuais, vejamos: 
Comentado [KM14]: ATZ, Ana Paula et al.; 
BENJAMIN, Antonio Herman de Vasconcellos e; 
MARQUES, Claudia Lima (coord.). Comércio 
eletrônico e proteção digital do consumidor: o PL 
3.514/2015 e os desafios na atualização do CDC. 
Indaiatuba, SP: Foco, 2024. E-book. Disponível em: 
https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 07 nov. 
2024. 
15 
 
 
E o exemplo mais atual disso são as normas do CDC que proíbem o abuso e 
nulif icam as cláusulas contratuais abusivas, como veremos. 
Assim, a proibição das práticas abusivas é absoluta, e o contexto normativo 
da lei consumerista apresenta rol exemplif icativo delas nos arts. 39, 40, 41, 
42, etc. 
 
 Propagandas que induzam ao erro ou que não reflitam a realidade do produto 
ou serviço ofertado são ilegais e configuram infração ao direito do consumidor. 
Os autores Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, p.31), 
afirmam ainda que a publicidade está também ligada a vulnerabilidade por seduzirem 
os consumidores, “publicidade e os demais meios de oferecimento do produto ou 
serviço estão relacionados a essa vulnerabilidade, eis que deixam o consumidor à 
mercê das vantagens sedutoras expostas pelos veículos de comunicação e 
informação.”. 
No mesmo sentido leciona Carlos Alberto Bittar (2011, p.50): 
 
Alto poder de que desfruta a publicidade na sociedade atual em razão da 
expansão de seu mais importante veículo, a televisão (que impõe gostos, 
hábitos e costumes a todos), indistintamente, encontra no Código normas de 
equilíbrio necessárias e com medidas de defesa do consumidor suscetíveis 
de, em caso de violação, restaurar sua posição ou sancionar comportamentos 
lesivos. 
 
Olhando pelo ponto de vista jurídico, o CDC prevê a facilidade ao acesso do 
consumidor à justiça, possibilitando rapidez e eficácia em demandas mais simples, 
como é o exemplo do juizado especial, que oferece uma via mais acessível e rápida 
aos consumidores. Como defende Rizzatto Nunes (2024, p.146): 
 
A proteção de acesso aos órgãos administrativos e judiciais para prevenção 
e garantia de seus direitos enquanto consumidores é ampla, o que implica 
abono e isenção de taxas e custas, nomeação de procuradores para defendê-
los, atendimento preferencial etc. (Conforme regra do inciso VII do art. 6º.). 
 
Além disso, o Direito à Reparação de Danos, para proteger a garantia de 
ressarcimento ao consumidor, em caso de prejuízos materiais ou morais, referente a 
produtos ou serviços defeituosos e práticas abusivas dos fornecedores, sendo 
passível de indenização, com danos e reembolso. 
16 
 
Como leciona o doutrinador Rizzatto Nunes (2024, p.145) “De todo modo, 
havendo dano material representado por perdas emergentes ou relativas a lucros 
cessantes, ou dano moral, sua reparação tem de ser integral.”. 
Assim, com o crescimento das tecnologias e o avanço de transações online, 
novos desafios têm surgido em relaçãoà proteção do consumidor, se tornando crucial 
o fortalecimento dos direitos do consumidor, assim como leciona a autora Claudia 
Lima Marques (2024, p.7): 
 
“O aumento de golpes e f raudes pela internet no Brasil realizados por meio 
de vazamentos de dados pessoais praticados por criminosos que realizam 
transações f inanceiras, empréstimos e f inanciamentos f raudulentos, 
lesionando inúmeros consumidores e afetando o mercado de crédito. A 
(in)segurança dos sites e dos canais de relacionamento também impactam 
na atuação de cibercriminosos.” 
 
Para garantir uma experiência segura, um exemplo de atendimento a essa 
necessidade é a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) que é atual e visa 
exatamente a segurança dos consumidores de vários serviços. 
Nesse pensamento, afirmam os autores Flávio Tartuce e Daniel Amorim 
Assumpção Neves (2024, p.270) “objetiva-se proteger os direitos fundamentais de 
liberdade e de privacidade, bem como o livre desenvolvimento da personalidade (art. 
1º).”, além de todas as outras fontes que visam assegurar o consumidor. 
Dessa forma, os direitos fundamentais dos consumidores, conforme 
estabelecidos no CDC, são parte integrante de uma base mais justa e protecionista 
sobre a qual a sociedade baseia suas relações de consumo na transparência, 
segurança e consideração, assim leciona o autor Rizzatto Nunes (2024, p.78): 
 
A Lei n. 8.078 é norma de ordem pública e de interesse social, geral e 
principiológica, o que signif ica dizer que é prevalente sobre todas as demais 
normas especiais anteriores que com ela colidirem. As normas gerais 
principiológicas, pelos motivos que apresentamos no início deste trabalho ao 
demonstrar o valor superior dos princípios, têm prevalência sobre as normas 
gerais e especiais anteriores”. 
 
Através da transferência desses direitos, o consumidor é habilitado a agir em seu 
melhor interesse, ao passo que os fornecedores são incentivados a disponibilizar seus 
17 
 
itens e serviços de maneira solidária e ética, sendo obrigados a obedecer aos 
princípios do CDC. 
Portanto, dado que o empoderamento da cidadania ao abrigo dos direitos dos 
consumidores é vital para o estímulo de uma economia de mercado saudável e 
sustentável, conforme pode se retirar de julgados do STJ: 
 
“O direito consumerista pode ser utilizado como norma principiológica mesmo 
que inexista relação de consumo entre as partes litigantes porque as 
disposições do CDC veiculam cláusulas criadas para proteger o consumidor 
de práticas abusivas e desleais do fornecedor de serviços, inclusive as que 
proíbem a propaganda enganosa” (STJ – REsp 1.552.550/SP – Terceira 
Turma – Rel. Min. Moura Ribeiro – j. 1º.03.2016 – DJe 22.04.2016) 
 
Na mesma linha de pensamento, opinam Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de 
Andrade Nery (2003, p. 906) “as leis especiais setorizadas (v.g., seguros, bancos, 
calçados, transportes, serviços, automóveis, alimentos etc.) devem disciplinar suas 
respectivas matérias em consonância e em obediência aos princípios fundamentais 
do CDC”. 
1.6. Regras de Oferta e Propaganda 
Primordialmente, Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de Andrade Nery (2003, p. 932) 
conceituam oferta da seguinte forma: 
 
“Conceito de oferta. Denomina-se oferta qualquer informação ou publicidade 
sobre preços e condições de produtos ou serviços, suf icientemente precisa, 
veiculada por qualquer forma. Pode haver oferta por anúncio ou informação 
em vitrine, gôndola de supermercados, jornais, revistas, rádio, televisão, 
cinema, Internet, videotexto, fax, telex, catálogo, mala-direta, telemarketing, 
outdoors, cardápios de restaurantes, lista de preços, guias de compras, 
prospectos, folhetos, panf letos etc.” 
 
Porém, esclarece Antonio Herman Benjamin (2010, p. 229) que há diferença 
entre publicidade e propaganda, não podendo ser confundidos, pois: 
 
“A publicidade tem um objetivo comercial, enquanto a propaganda visa a um 
f im ideológico, religioso, filosófico, político, econômico ou social. Fora isso, a 
publicidade, além de paga, identif ica seu patrocinador, o que nem sempre 
ocorre com a propaganda”. 
 
A publicidade não é um fenômeno recente, surgindo no século XV com a 
divulgação de livros religiosos e evoluindo com o capitalismo. Inicialmente feita pelo 
rádio, passado à televisão e, atualmente, se espalha por diversas mídias, 
Comentado [KM15]: NERY JR., Nelson; NERY, Rosa 
Maria de Andrade. Código Civil Anotado. 2. ed. São 
Paulo: RT, 2003. p. 906. 
Comentado [KM16]: NERY JR., Nelson; NERY, Rosa 
Maria de Andrade. Código Civil Anotado. 2. ed. São 
Paulo: RT, 2003. p. 932. 
Comentado [KM17]: BENJAMIN, Antonio Herman. V.; 
MARQUES, Claudia Lima; BESSA, Leonardo Roscoe. 
Manual de Direito do Consumidor. 3. ed. São Paulo: 
RT, 2010. p. 229. 
18 
 
especialmente pela internet, alcançando-nos facilmente na palma da mão, nunca foi 
tão fácil ter acesso a propagandas, sendo elas de todos os tipos. 
Nas palavras de Benjamin (1994, p. 28): 
 
A publicidade é onipresente; está em todos os lugares: nos veículos de 
comunicação social – rádio, televisão, imprensa e cinema –, nas vias públicas 
(através de outdoors), nos esportes, no teatro, etc. Modernamente, aonde for 
o homem, encontrará ele a publicidade, dela não podendo fugir ou esconder-
se. 
 
Para o mundo atual, a propaganda passou a ser vital sob o ponto de vista 
econômico, social, cultural e jurídico. Tendo em vista esse fenômeno gigantesco, 
nasceram regulações jurídicas, como o CDC, para que o consumidor não fosse 
lesado, pois segundo Rizzatto Nunes (2024, p. 282) “A oferta e a publicidade, 
enquanto elemento de apresentação do produto, podem ser geradoras do dano.”. 
Assim, sabemos que as propagandas são responsáveis por levar as ofertas até 
os consumidores, onde quer que eles estejam, assim, no entendimento de Paulo Luiz 
Netto Lôbo (2001, p. 72): 
 
“a oferta, seja ela individual ou ao público, classifica-se como negócio jurídico 
unilateral, para cuja existência e ef icácia vinculante basta a única 
manifestação de vontade do ofertante ou proponente. Produz, portanto, 
efeitos jurídicos próprios, antes da aceitação e de sua consumação no 
contrato.” 
 
A oferta corresponde à proposta do negócio jurídico, produzindo seus efeitos 
antes mesmo de ser aceita, e assim, para evitarmos que o consumidor fique em 
desvantagem na relação, ou seja, enganado por propagandas falsas, o CDC assegura 
a relação e a responsabilidade do fornecedor em relação a produtos oferecidos, 
vejamos o art. 30, CDC: 
 
Art. 30. Toda informação ou publicidade, suf icientemente precisa, veiculada 
por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e 
serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a f izer veicular 
ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. 
 
Nesse sentido, afirma Rizzatto Nunes (2024, p. 283): 
 
Outro aspecto de relevo a ser destacado é o relativo à informação. Já o 
dissemos, informação é elemento inerente ao produto (e ao serviço). Dessa 
maneira, o consumidor pode sofrer dano por defeito não necessariamente do 
Comentado [KM18]: LOBO, Paulo Luiz Netto. A 
informação como direito fundamental do consumidor. 
Revista de Direito do Consumidor, São Paulo, nº 37, p. 
59-76, jan./ mar. 2001. 
19 
 
produto, mas da informação inadequada ou insuf iciente que o acompanhe ou, 
ainda, pela falta da informação. 
 
Assim, quem se utiliza da informação ou publicidade é também obrigado a 
cumprir o enunciado, sendo suficientemente explicativa, transparentes e verdadeiras, 
para assim evitar práticas enganosas que induzam o consumidor a cometer um erro, 
como propagandas enganosas ou abusivas, pois devem seguir o que foi dito 
anteriormente, que está descrito no CDC, assim afirma Rizzatto Nunes (2024, p. 69): 
 
A publicidade como meio de aproximação do produto e do serviço ao 
consumidor tem guarida constitucional, ingressando como princípio capaz de 
orientar aconduta do publicitário no que diz respeito aos limites da 
possibilidade de utilização desse instrumento. 
É que todos os demais princípios constitucionais, em especial os aqui 
retratados anteriormente, devem ser respeitados, além, é claro, dos próprios 
limites impostos pelo princípio da publicidade da Carta Magna. 
 
Dessa forma, a relação entre oferta e demanda é um dos princípios fundamentais 
da economia de mercado, enquanto a oferta se refere à quantidade de bens e serviços 
que os fornecedores estão dispostos a fornecer e os valores, enquanto a demanda é 
sobre a quantidade que os consumidores estão dispostos a adquirir, pois como diz 
Flávio Tartuce (2024, p. 40): 
 
“O mundo contemporâneo é caracterizado pela enorme velocidade e volume 
crescente de informações, armas de sedução utilizadas pelos fornecedores e 
prestadores para atraírem os consumidores à aquisição de produtos e 
serviços. O tópico sobre o tema no CDC (arts. 30 a 38) serve para proteger o 
vulnerável negocial, exposto a tais artif ícios de atração.” 
 
Dessa forma, no que se refere ao Direito do Consumidor, tais normas 
econômicas são regidas por um complexo jurídico específico, visando à manutenção 
de um equilíbrio nas relações entre prestadores de serviço e consumidores, 
protegendo a parte hipossuficiente. 
 
1.6.1. A Demanda e a Proteção ao Consumidor 
A demanda se refere as necessidades e desejo de compra dos consumidores, 
tendo influência direta sobre a estruturação das ofertas pelos fornecedores. Porém, 
conforme estabelece o CDC, a demanda não pode ser manipulada para prejudicar o 
consumidor, principalmente no que diz respeito as práticas abusivas, como, por 
20 
 
exemplo, o aumento arbitrário de preços sem justificativa de mercado ou crises reais 
de oferta. Para Almeida (1993, p. 86): 
 
“o consumidor é induzido a consumir, bombardeado pela publicidade massiva 
que o cerca em todos os lugares e momentos de seu dia-a-dia. Como 
autômato, responde a esses estímulos, sem discernir corretamente. Age pela 
emoção, embotado em seu juízo crítico.” 
 
Assim, o CDC, em seu art. 39, lista práticas consideradas abusivas, como 
aumento do preço de produtos e serviços sem justa causa, protegendo os 
consumidores de aumentos excessivos de preço, especialmente em situações de alta 
demanda, garantido que o fornecedor não se aproveite da vulnerabilidade do 
consumidor. 
(Listar artigo?) 
 
1.6.2. A Influência da Publicidade nas Regras de Oferta e Demanda 
A publicidade e o marketing são de grande importância na interação entre oferta 
e demanda, podendo provocar o aumento artificial da demanda de determinados 
produtos e serviços, influenciando o comportamento do consumidor, interferindo 
diretamente no desejo de compra, como visto anteriormente e reafirmado por vários 
autores diferentes. 
O CDC limita essa atividade nos artigos 36 e 38, estabelecendo as condições 
para as informações publicitárias, para que sejam verdadeiras, vedando assim 
propagandas enganosas e que os consumidores sejam levados a erro em relação às 
características de um produto, preço e afins. In verbis: 
 
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil 
e imediatamente, a identif ique como tal. 
Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, 
manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os 
dados fáticos, técnicos e científ icos que dão sustentação à mensagem. 
 
Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou 
comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. 
 
Dessa forma, se mostra extremamente importante que seja feito o controle de 
publicidade, para que o CDC cumpra sua função e proteja os consumidores de 
campanhas que prometem benefícios irreais, impondo que a oferta e a publicidade 
Comentado [KM19]: ALMEIDA, João Batista de. A 
proteção jurídica do consumidor. São Paulo: Saraiva, 
1993. 
21 
 
sejam condizentes com os produtos ou serviços, sob pena de sanções previstas no 
código. 
Assim, as regras de oferta e demanda, segundo o Direito do Consumidor, vão 
além da interação econômica, sendo moduladas por normas e princípios que 
equilibram as relações de consumo para proteger o consumidor de práticas que 
distorcem o mercado a favor dos fornecedores. 
Nesse sentido, o Código de Defesa do Consumidor, tem um papel fundamental 
garantindo que em um ambiente de livre mercado os direitos do consumidor sejam 
protegidos, principalmente quando se refere à transparência nas ofertas e à limitação 
de práticas abusivas que afetem a demanda de forma desleal. 
 
1.7. Práticas Abusivas 
Sobre as práticas abusivas nas palavras de Paulo R. Roque A. Khouri o CDC 
(2021, p.135) “só poderia atingir o seu objetivo de proteger o vulnerável da relação 
contratual, se estabelecesse leis cogentes, de ordem pública, que reduzissem o 
campo da autonomia da vontade na celebração dos contratos.”. 
Assim, diante desse pensamento, pode se observar que no art. 39 e seguintes 
do Código de Defesa do Consumidor, são elencadas algumas práticas que se 
encaixam como abusivas, vejamos: 
 
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras 
práticas abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994) 
I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de 
outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos; 
II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida 
de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos 
e costumes; 
III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer 
produto, ou fornecer qualquer serviço; 
IV - prevalecer-se da f raqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista 
sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus 
produtos ou serviços; 
V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; 
VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização 
expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores 
entre as partes; 
VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo 
consumidor no exercício de seus direitos; 
VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em 
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos of iciais competentes ou, 
se normas específ icas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas 
Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de 
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro); 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8884.htm#art39
22 
 
IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem 
se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos 
de intermediação regulados em leis especiais; 
X - elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços. 
XI - Dispositivo incluído pela MPV nº 1.890-67, de 22.10.1999, transformado 
em inciso XIII, quando da conversão na Lei nº 9.870, de 23.11.1999 
XII - deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar 
a f ixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério. 
XIII - aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente 
estabelecido. 
XIV - permitir o ingresso em estabelecimentos comerciais ou de serviços de 
um número maior de consumidores que o f ixado pela autoridade 
administrativa como máximo. 
Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues 
ao consumidor, na hipótese prevista no inciso III, equiparam-se às amostras 
grátis, inexistindo obrigação de pagamento. 
 
Embora haja rol taxativo, não se deve ser ignorada qualquer outra prática fora 
deste que atinja o consumidor, por ser o ente vulnerável da relação de consumo, como 
dito anteriormente 
Nesse mesmo pensamento, segue Sergio Cavalieri Filho (2022, p. 139) onde diz 
que “a expressão práticas abusivas é,evidentemente, genérica e, portanto, assim 
deve ser interpretada, para que nada lhe escape. Deve, pois, ser considerado abusivo 
tudo o que afronte a principiologia e a finalidade do sistema protetivo do consumidor”. 
Dessa forma, não é preciso que o consumidor se sinta lesado, para que seja 
considerado uma prática abusiva. Vejamos o que diz Sergio Cavalieri Filho (2022, p. 
139): 
Não há necessidade de que o consumidor seja efetivamente lesado ou, até, 
que se sinta lesado, como, por exemplo, o recebimento de cartão de crédito 
(não solicitado) em casa. Ainda que o consumidor desejasse ter um cartão de 
crédito e tenha gostado da iniciativa da administradora, mesmo assim, a 
prática é de ser considerada abusiva. 
 
1.7.1. Das Práticas Abusivas nas Relações de Consumo 
Entre o rol taxativo, uma das práticas mais conhecidas e identificadas é a venda 
casada, que se dá quando o consumidor é obrigado a adquirir dois produtos ou 
serviços juntos, mesmo que ele só tenha a intenção de adquirir um, assim, a compra 
do item necessário está condicionada a compra de outro item, como, por exemplo, um 
empréstimo financeiro condicionado à contratação de um seguro. 
Conforme Paulo R. Roque A. Khouri (2021, p. 107): 
 
O fundamento da proteção aqui é a liberdade de escolha do consumidor. A 
prática da “venda casada”, se nenhum problema se apresenta nas relações 
entre comerciante B2B ou entre particulares, nas relações de consumo, se 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1890-67.htm#art9
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9870.htm#art39xiii
23 
 
mostra patológica exatamente por conta da vulnerabilidade do consumidor, 
motivo pelo qual se efetiva a proteção referida. 
 
Porém, é importante ressaltar que pode haver operações vinculadas que não se 
encaixarão como venda casada, como diz Rizzatto Nunes (2024, p. 567): 
 
“É preciso, no entanto, entender que a operação casada pressupõe a 
existência de produtos e serviços que são usualmente vendidos separados. 
O lojista não é obrigado a vender apenas a calça do terno. Da mesma 
maneira, o chamado ‘pacote’ de viagem oferecido por operadoras e agências 
de viagem não está proibido. Nem fazer a oferta ‘compre este e ganhe 
aquele’. O que não pode fazer é impor a aquisição conjunta, ainda que o 
preço global seja mais barato que a aquisição individual, o que é comum nos 
‘pacotes’ de viagem. Assim, se o consumidor quiser adquirir apenas um dos 
itens, poderá fazê-lo pelo preço normal” 
 
Em seguida temos a recusa de atendimento, que como o próprio conceito já diz, 
se dá pela recusa de prestar o serviço ou o atendimento, sendo por preconceito, 
divergências pessoais, como religião ou política. 
Segundo Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, p. 467), “a 
previsão engloba a negação de venda por parte dos fornecedores ou prestadores, 
levando-se em conta as suas disponibilidades e os costumes gerais.” 
Dito isso, o fornecedor não pode se recusar a vender sem que tenha uma 
justificativa válida, devendo realizar a venda a quem se disponha a comprar. 
Na sequência, temos o dever de oferecer orçamento prévio, ligado diretamente 
ao conceito do art. 40 do mesmo código, onde deixa claro que antes de iniciar um 
serviço deve ser apresentado um orçamento ao consumidor que deve conter 
informações sobre execução, entrega e valores, além de ter validade de 10 dias (OAB 
Alagoas, 2023). 
Contudo, essa obrigação não é plena, pois em casos emergenciais o prestador 
do serviço ou produto pode ficar impossibilitado, vejamos o que diz Sergio Cavalieri 
Filho (2022, p. 196) sobre o assunto: 
 
“a obrigação de fornecer orçamento prévio não é absoluta tendo em vista a 
ocorrência de situações de urgência que a impossibilitam. Assim, por 
exemplo, a prestação de serviço médico-hospitalar de emergência a paciente 
que, em razão de um mal súbito, um acidente, um enfarte etc. procura o 
médico ou hospital. Tais situações emergenciais impossibilitam não só o 
orçamento, mas até mesmo a prestação das informações necessárias para a 
obtenção do consentimento informado. O que poderá ser questionado 
posteriormente é o valor cobrado pelos serviços, inadmissível venha o 
fornecedor prevalecer da situação emergencial.” 
 
24 
 
Posteriormente, temos a proteção a excepcional vulnerabilidade, onde o inciso 
IV do art. 39, CDC diz claramente que o fornecedor não pode se aproveitar da 
vulnerabilidade do consumidor, seja etária, técnica ou social para forçar ou induzir o 
consumidor a erro, fazendo assim que adquira o produto ou contrate um serviço 
desnecessário. Visto que, segundo Rizzatto Nunes (2024, p. 573): 
 
A característica mais marcante do consumidor, como vimos, é a de que no 
mercado de consumo ele representa o elo f raco da relação, especialmente 
pelo fato de que não tem acesso às informações que compõem o processo 
produtivo, que gera os produtos e os serviços. 
 
Segundo o mesmo autor (2024, p. 573): 
 
No que se refere às situações concretas que a norma entende quali­f icadoras 
da abusividade, são evidentemente exemplif icativas. A idade é importante, 
quer se trate de criança ou de idoso; a saúde pode colocar o consumidor em 
desvantagem exagerada, na medida em que, por estar precisando de ajuda, 
dele se pode abusar. É conhecida a prática abusiva dos hospitais que exigem 
toda sorte de garantias da família do doente que está para ser internado. Da 
mesma maneira, o consumidor analfabeto ou sem um mínimo de 
conhecimento de transações e negócios pode ser vítima dos maus 
fornecedores. 
 
Embora seja de clara visão todas as práticas elencadas, e que de certa forma 
beneficiam o consumidor, se faz necessário ainda que seja também encaixado no rol 
a proibição de repassar informação depreciativa referente a ato praticado pelo 
consumidor no exercício de seus direitos, como mostra o inciso VIII, art. 39, do CDC. 
Sendo assim, segundo Flávio Tartuce e Daniel Amorim Assumpção Neves, 
(2024, p. 480) são vedadas “as chamadas listas internas de maus consumidores ou 
listas negras, em relação a consumidores que buscam exercer os direitos que a lei 
lhes faculta.”, para não serem compartilhados entre as empresas os nomes dos 
consumidores que recorrem ao judiciário para proteger seus direitos. 
Importante mencionar, anteriormente, no art. 35, do CDC, se fala sobre o não 
cumprimento da oferta, que consiste em enganar o consumidor, seja quanto a 
qualidade do produto ou serviço, segundo Rizzatto Nunes (2024, p. 456): 
 
“O sentido da regra, então, é o de que não pode haver recusa. Isto é, o que 
a lei pretende de forma imediata é proibir que o fornecedor se recuse a 
cumprir a oferta, apresentação e/ou publicidade. E sua proibição é 
decorrência lógica do estabelecido no art. 30.” 
 
25 
 
Ainda sobre oferta, diz Rizzatto Nunes, citado por Cavalieri Filho (2022, p. 193) 
“uma vez feita a oferta, todos os elementos que a compõem, desde já, integram o 
contrato a ser celebrado, mesmo que, quando de sua assinatura, o fornecedor omita 
algum ou alguns dos elementos que dele constavam”. Sendo assim considerada 
também uma prática abusiva. 
 
1.8. Cláusulas Abusivas 
O artigo 51 apresenta uma lista de cláusulas abusivas que são nulas de pleno 
direito. Esse rol tem caráter exemplificativo, e não taxativo, ou seja, além das cláusulas 
expressamente descritas nesse dispositivo, outras também podem ser consideradas 
abusivas. 
Assim, “a identificação de tais cláusulas ficará a cargo da jurisprudência, que 
poderá reconhecer abusividades não previstas expressamente em lei” como afirma 
Claudia Lima Marques (1998, p. 409). 
Nesse mesmo pensamento, o autor Sergio Cavalieri Filho (2022, p. 227) se 
refere ao rol como “lista-guia porque se presta a servir de guia para que o juiz possa 
identificar as cláusulas abusivas no caso concreto. Funciona como uma relação de 
tipos abertos, aos quais devem ser comparadas as cláusulas suspeitas de abusivas.”. 
Porexemplo, cláusulas que desrespeitem princípios essenciais das relações de 
consumo, como a proteção do consumidor em sua situação de vulnerabilidade, 
limitem direitos ou deveres, ou imponham encargos excessivos ao consumidor. 
Ainda sobre o art. 51, diz Cristiano Heineck Schmitt, citado por Flávio Tartuce e 
Daniel Amorim Assumpção Neves (2024, p. 336) que: 
 
Todas essas situações exprimem contrariedade à boa-fé, mas o legislador 
preferiu ser meticuloso, explicitando cada uma delas, as quais servem de 
auxílio ao juiz, sem limitar a sua atividade, uma vez que esse rol é apenas 
exemplif icativo. A não adequação do caso concreto ao rol do art. 51 do CDC 
não impedirá a atividade meticulosa do magistrado na análise das cláusulas 
do instrumento, a f im de comprovar a abusividade ou não de uma ou de todas 
elas 
 
No rol, destacam-se alguns incisos, como, por exemplo, os incisos I e II do artigo 
referenciado, que caracterizam a abusividade em situações que retiram a opção de 
reembolso do valor pago. 
Já o inciso III, nas palavras do autor citado anteriormente: 
 
Comentado [KM20]: MARQUES, Cláudia Lima. 
Contratos no código de defesa do consumidor. 3.ed. 
São Paulo: Ed. RT, 1998. 
26 
 
“Proíbe a transferência da responsabilidade a terceiros. Qualquer relação que 
o fornecedor tenha com terceiro é problema dele. Não pode ele, mediante 
cláusula contratual, transferir no todo ou em parte sua responsabilidade pelos 
produtos ou serviços vendidos para terceiros.” 
 
O inciso IV, se mostra intuitivo e até redundante, visto que diante dos princípios 
já mencionados, o consumidor é reconhecido como parte vulnerável da relação, 
motivo pelo qual o próprio CDC busca equilibrar essa dinâmica e proteger o 
consumidor de relações desvantajosas, além de falar também sobre a boa–fé objetiva. 
 Sobre o princípio da boa-fé, afirma Rizzatto Nunes (2024, p. 718) “vimos que o 
princípio da boa-fé, apesar de estar inserido no rol das cláusulas abusivas do art. 51, 
é verdadeira cláusula geral a ser observada em todos os contratos de consumo”. 
Conforme o art. 6º, inciso VIII, do CDC, está prevista a facilitação da defesa dos 
direitos do consumidor, assegurada também pelo inciso VI, o que torna aplicável a 
inversão do ônus da prova. 
Sobre o inciso X, afirma Rizzatto Nunes (2024, p. 723) que: 
 
O inciso X é mais um daqueles que a lei se viu obrigada a inserir, como 
corolário dos abusos sempre praticados contra o consumidor no País. 
Leia-se-o: é nula a cláusula contratual que permita “ao fornecedor, direta ou 
indiretamente, variação do preço de maneira unilateral”. 
 
 
Na mesma esteira do inciso IV, vem o inciso XIII, onde não devia ser necessária 
sua redação, mas que se faz preciso, diante os abusos praticados contra o 
consumidor, assim diz Rizzatto Nunes (2023, p. 726): 
 
Claro que é bom estar prevista a hipótese do inciso XIII. Mas, ainda que não 
estivesse, a cláusula não seria válida por violar o princípio da boa-fé e do 
equilíbrio contratual (art. 4º, III), o princípio da equivalência contratual (art. 6º, 
II), assim como a cláusula geral da boa-fé (inciso IV do art. 51) etc. 
 
Não suficiente, o inciso XV, declara como nula toda e qualquer cláusula que 
esteja em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor, reiterando assim a 
norma exposta também no inciso I do § 1º, do mesmo artigo, “a norma do inciso I do 
§ 1º tem, também, relação com a regra do inciso XV do art. 51.”, assim afirma Rizzatto 
Nunes (2024, p. 715). 
Diante do exposto, é importante destacar que, conforme o §2º, do art. 51, do 
CDC, a nulidade de uma cláusula abusiva não invalida automaticamente o contrato 
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em sua totalidade, exceto nos casos em que essa nulidade acarrete ônus excessivo 
para o consumidor. 
Em resumo, as cláusulas abusivas rompem o equilíbrio e a boa-fé nas relações 
contratuais de consumo, onde o consumidor é vulnerável. O Código de Defesa do 
Consumidor declara essas cláusulas nulas para protegê-lo de condições 
desproporcionais, garantindo segurança jurídica. A transparência reforça essa 
proteção ao coibir práticas abusivas que prejudicam a dignidade e a equidade. 
 
CAPÍTULO 2 
2. DAS REGRAS DE RESPONSABILIDADE CIVIL 
2.1 Conceito de Responsabilidade Civil 
A responsabilidade civil é a área do direito que estabelece os fundamentos e 
requisitos para a instauração da responsabilização e para a reposição dos danos 
causados a terceiros. 
Assim, em relação a responsabilidade civil, diz o autor Sérgio Cavalieri Filho 
(2023, p.11) que “não se trata de simples conselho, advertência ou recomendação, 
mas de uma ordem ou comando dirigido à inteligência e à vontade dos indivíduos, de 
sorte que impor deveres jurídicos importa criar obrigações.”. 
Como podemos ver, a responsabilidade civil é dividida em dois conceitos, sendo 
eles o ato ilícito, definido no art. 186 do Código Civil, e o abuso do direito, elencado 
no art. 187 do mesmo código. Como leciona o autor Flávio Tartuce (2023, p. 69): 
 
A responsabilidade civil, no Código Civil de 2002, está estribada em dois 
conceitos estruturais, tratados em sua Parte Geral, quais sejam o ato ilícito 
(art. 186) e o abuso de direito (art. 187). De acordo com o ali exposto, ambas 
as categorias têm incidência não somente na responsabilidade contratual, 
mas também na extracontratual. 
 
Nessa mesma premissa, conceitua o autor Sérgio Cavalieri Filho (2023, p. 11) 
“A violação de um dever jurídico configura o ilícito, que, quase sempre, acarreta dano 
para outrem, gerando um novo dever jurídico, qual seja, o de reparar o dano.”. 
Assim, é pacífico entre os autores, jurisprudência e entendimento popular que 
aquele que comete ato ilícito tem o dever de indenizar, nesse pensamento o autor 
citado acima exemplifica: 
 
Comentado [KM21]: Programa de responsabilidade 
civil / Sergio Cavalieri Filho. – 16. ed. – Barueri [SP]: 
Atlas, 2023. 
Comentado [KM22]: Responsabilidade civil / Flávio 
Tartuce. – 5. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2023. 
28 
 
A título de exemplo, lembramos que todos têm o dever de respeitar a 
integridade f ísica e moral do ser humano. Tem-se, aí, um dever jurídico 
originário, correspondente a um direito absoluto. Para aquele que descumprir 
esse dever surgirá um outro dever jurídico: o da reparação do dano. 
 
Fazendo uma simples análise do termo “responsabilidade civil” podemos retirar 
de cada palavra seus exatos sentidos, que facilmente explica e dá sentido, assim, 
como bem sabemos, “responsabilidade” significa obrigação de responder por atos ou 
ações, sendo exatamente o que se exprime se olhado sob o ponto de vista jurídico. 
Nesse mesmo ponto de vista, afirma Cavalieri Filho (2023, p. 12): 
 
A essência da responsabilidade está ligada à noção de desvio de conduta, 
ou seja, foi ela engendrada para alcançar as condutas praticadas de forma 
contrária ao direito e danosas a outrem. Designa o dever que alguém tem de 
reparar o prejuízo decorrente da violação de um outro dever jurídico. Em 
apertada síntese, responsabilidade civil é um dever jurídico sucessivo 
que surge para recompor o dano decorrente da violação de um dever 
jurídico originário. 
 
 
Dessa forma, é imprescindível dizer que qualquer ato que viole o direito do outro 
e cause prejuízo, tem o dever de ressarcir e reparar o dano causado, pois configura 
como responsabilidade civil. 
Ainda cabe dizer, que a reponsabilidade civil pode ser divida em outras duas 
modalidades, sendo a responsabilidade objetiva e subjetiva. 
A primeira não necessita a comprovação de culpa, sendo aplicada em situações 
expostas na lei, bastando que o ato ilícito e o dano sejam comprovados, como diz 
Carlos Roberto Gonçalves (p. 15) “Nos casos de responsabilidade objetiva, não se 
exige prova de culpa do agente para que seja obrigado a reparar o dano. Ela é de 
todo prescindível, porque a responsabilidade se funda no risco.”. 
Nos casos de responsabilidade objetiva, não se exige

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