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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 3a EDIÇÃO/2023 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 5 2. CONTROLE DE LEGALIDADE E CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 5 3. CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE 6 4. SISTEMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NO DIREITO COMPARADO 6 4.1. QUAIS OS CRITÉRIOS EXISTENTES NO MUNDO? 7 4.1.1. NATUREZA DO ÓRGÃO 7 4.1.2. MOMENTO DO EXERCÍCIO 8 5. SISTEMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NO DIREITO BRASILEIRO 8 5.1. CONTROLE POLÍTICO 8 5.2. CONTROLE JUDICIAL 10 6. ELEMENTOS ESSENCIAIS AO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 10 6.1. ELEMENTO CONCEITUAL (“BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE”) 10 6.2. ELEMENTO TEMPORAL 11 7. CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 11 7.1 QUANTO AO MOMENTO EM QUE DEVERÁ OCORRER O CONTROLE 11 7.1.1. CONTROLE PREVENTIVO (OU A PRIORI) 11 7.1.2. CONTROLE REPRESSIVO 13 7.1.2.1. EXCEÇÕES 13 7.2. QUANTO AO ÓRGÃO 13 7.2.1. CONTROLE POLÍTICO 13 7.2.2. CONTROLE JURISDICIONAL 13 7.2.3. CONTROLE MISTO 14 7.3. QUANTO AO MODO 14 7.3.1. CONTROLE DIFUSO-CONCRETO 14 7.3.2. CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO 14 8. ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE 15 8.1 QUANTO À EXTENSÃO 15 8.1.1. TOTAL 15 8.1.2. PARCIAL 15 8.2. QUANTO AO MOMENTO 15 8.2.1. ORIGINÁRIA 15 8.2.2. SUPERVENIENTE 15 8.3. QUANTO AO PRISMA DE APURAÇÃO 17 8.3.1. DIRETA (OU ANTECEDENTE) 17 8.3.2. INDIRETA (REFLEXA, POR VIA OBLÍQUA OU POR ATO INTERPOSTO) 17 8.4. QUANTO AO TIPO DE CONDUTA DO PODER PÚBLICO 17 8.4.1. AÇÃO 17 8.4.2. OMISSÃO 18 8.4.2.1 ESPÉCIES 18 8.5. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL (NOMODINÂMICA OU EXTRÍNSECA) 19 8.5.1 SUBESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL 19 8.6. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL (NOMOESTÁTICA, DE CONTEÚDO MATERIAL, SUBSTANCIAL, DOUTRINÁRIA OU INTRÍNSECA) 19 8.7. INCONSTITUCIONALIDADE EM RAZÃO DA OFENSA AO DECORO PARLAMENTAR (OU FINALÍSTICA) 20 1 8.8. INCONSTITUCIONALIDADE “CHAPADA”, “ENLOUQUECIDA”, “DESVAIRADA” (ADI 3.232) 21 9. FORMAS DE CONTROLE REPRESSIVO JURISDICIONAL 22 9.1. CONTROLE DIFUSO (OU ABERTO, MODELO AMERICANO, INCIDENTAL, INDIRETO, PELA VIA DA DEFESA OU EXCEÇÃO, INCIDENTER TANTUM) 22 9.2. CONTROLE CONCENTRADO (OU FECHADO, MODELO AUSTRÍACO ou EUROPEU-CONTINENTAL, DIRETO, PELA VIA DA AÇÃO) 22 10. FORMAS DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE 23 10.1. QUANTO AO ASPECTO SUBJETIVO 23 10.2. QUANTO AO ASPECTO OBJETIVO 24 10.3 QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL 25 10.3.1 MODULAÇÃO DOS EFEITOS 25 10.4. QUANTO À EXTENSÃO DOS EFEITOS 27 10.4.1 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO X PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO CONFORME 27 10.4.2. LIMITES À APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INTERPRETAÇÃO CONFORME 28 10.5 PONTOS IMPORTANTES 28 11. LEI “AINDA CONSTITUCIONAL”, OU “INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA”, OU “DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM TRÂNSITO PARA A INCONSTITUCIONALIDADE” 29 12. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM PRONÚNCIA DA NULIDADE (OU SEM EFEITO ABLATIVO) 29 13. INCONSTITUCIONALIDADE CIRCUNSTANCIAL 30 14. PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO “ATALHAMENTO CONSTITUCIONAL” OU DO “DESVIO DO PODER CONSTITUINTE” 30 15. CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE 30 15.1 PRONUNCIAMENTO EM ABSTRATO ACERCA DA VALIDADE DA NORMA 30 15.2. MOMENTO A PARTIR DO QUAL A DECISÃO SE TORNA OBRIGATÓRIA 31 15.3. TEORIA DA INCONSTITUCIONALIDADE POR “ARRASTAMENTO” OU “ATRAÇÃO”, OU “INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENTE DE PRECEITOS NÃO IMPUGNADOS”, OU INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENCIAL, OU INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENTE OU DERIVADA, OU “INCONSTITUCIONALIDADE POR REVERBERAÇÃO NORMATIVA”, OU INCONSTITUCIONALIDADE SECUNDÁRIA 31 15.3.1. INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO HORIZONTAL 32 15.3.2. INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO VERTICAL 32 15.4. PRINCÍPIO DA PARCELARIDADE 32 15.5. DESCABIMENTO DO CONTROLE ABSTRATO POR VIA DAS AÇÕES DIRETAS 32 16. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - ADI 33 16.1. LEGITIMAÇÃO 33 16.1.1. LEGITIMIDADE PASSIVA 33 16.1.2. LEGITIMIDADE ATIVA 34 16.2. OBJETO 35 16.3. PROCEDIMENTO - LEI 9.868/99 41 16.3.1. PETIÇÃO INICIAL - ART. 3º, LEI 9.868/99 41 16.3.2. AMICUS CURIAE - ART. 7º, § 2º, LEI 9.868/99 42 16.3.3. MEDIDA CAUTELAR 45 16.3.4. EFEITOS - art. 11, Lei 9.868/99 47 16.3.5. DECISÃO FINAL 48 16.3.6. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA E EFEITOS OBJETIVOS DA DECISÃO 50 16.3.7. LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA E EFEITOS SUBJETIVOS DA DECISÃO 52 2 16.3.8. EFEITOS TEMPORAIS 55 16.4. COISA JULGADA “INCONSTITUCIONAL”. S. 343/STF. RESCISÓRIA (ART. 966, V, CPC/2015) 56 17. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE - ADC 57 17.1. LEGITIMIDADE ATIVA 58 17.2. OBJETO 58 17.3. PETIÇÃO INICIAL 59 17.3. MEDIDA CAUTELAR 59 17.4. DECISÃO DEFINITIVA 60 18. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL - ADPF 60 18.1. LEGITIMIDADE ATIVA 60 18.2. ESPÉCIES 61 18.2.1. ARGUIÇÃO AUTÔNOMA - art. 1º, caput, Lei 9.882/99 61 18.2.1. ARGUIÇÃO INCIDENTAL (por equiparação ou equivalência) - art. 1º, parágrafo único, I c/c art. 6º, § 1º, Lei 9.882/99 61 18.3. PONTOS IMPORTANTES 61 18.4. PRESSUPOSTOS DE CABIMENTO 65 18.4.1. DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 65 18.4.2. INEXISTÊNCIA DE OUTRO MEIO IDÔNEO (SUBSIDIARIEDADE) - art. 4º, Lei 9.882/99 66 18.4.3. PRESSUPOSTO ESPECÍFICO DA ARGUIÇÃO FUNDAMENTAL 66 18.5. OBJETO - art. 1º, Lei 9.882/99 66 18.6 ATOS DO PODER PÚBLICO E DETERMINADOS ATOS PRIVADOS EQUIPARADOS AOS PRATICADOS POR AUTORIDADES PÚBLICAS 67 18.7. MEDIDA CAUTELAR - art. 5º, Lei 9.882/99 68 19. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO - ADO 69 19.1. INTRODUÇÃO 69 19.2. ESPÉCIES DE OMISSÃO 70 19.3. OBJETO 71 19.3.1. Se o sujeito passivo na ação for um dos Poderes 71 19.3.2. Se a omissão for imputável a um órgão administrativo 71 19.4. MEDIDA CAUTELAR 72 19.5. MANDADO DE INJUNÇÃO X ADI POR OMISSÃO 72 20. CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO NO ÂMBITO ESTADUAL 74 20.1. COMPETÊNCIA 74 20.2. LEGITIMIDADE ATIVA 74 20.3. PARÂMETRO 75 20.4. RECURSO CONTRA A DECISÃO DO TJ 77 20.5. SIMULTANEIDADE DE AÇÕES DIRETAS DE INCONSTITUCIONALIDADE (SIMULTANEUS PROCESSUS) 78 21. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO MUNICIPAL 80 22. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE 81 22.1. LEGITIMIDADE ATIVA 81 22.2. COMPETÊNCIA 81 22.3. CISÃO FUNCIONAL DE COMPETÊNCIA 82 22.4. EXCEÇÕES À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO 83 22.5. CONTROLE DIFUSO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA 84 22.6. OBJETO 84 22.7. EFEITOS 85 3 22.8. A TEORIA DA ABSTRATIVIZAÇÃO (OBJETIVAÇÃO, VERTICALIZAÇÃO OU CONCENTRAÇÃO) DO CONTROLE DIFUSO 87 4 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Controle de Constitucionalidade é um mecanismo previsto na Constituição Federal, que tem como intuito, verificar a compatibilidade de atos infraconstitucionais com a CF. Pressupostos necessários para o Controle de Constitucionalidade: ● Existência de uma Constituição Rígida; ● Princípio da Supremacia Formal da Constituição; Para o exercício do Controle de Constitucionalidade são necessárias normas-parâmetro (ou bloco de constitucionalidade), ou seja, normas materialmente constitucionais que servem de parâmetro para confronto de aferição de constitucionalidade das demais normas que integram o Ordenamento Jurídico. NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO SÃO CONSIDERADAS NORMAS-PARÂMETRO ● As normas previstas na CF; ● As Emendas Constitucionais; ● Princípios implícitos; ● Os tratados internacionais de direitos humanos aprovados com força de Emenda Constitucional de acordo com o art. 5º § 3º, CF. 2. CONTROLE DE LEGALIDADE E CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE1 1. CONTROLE DE LEGALIDADE: é imanente ao Direito Administrativo, pois é destinada a aferição da validade de norma infralegal em face da Legislação. 2. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: é inerente ao Direito Constitucional, sendo dirigido ao deferimento da validade de norma infraconstitucional em face da Constituição. Trata-se de uma atividade por meio da qual o sujeito controlador verifica se existe ou não compatibilidade formal e material entre o objeto, o ato normativo (espécies do Art. 59 da CF), e o objeto paradigma, a Constituição. Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de: I - (EC) emendas à Constituição; II – (LC) leis complementares;“arrastamento” ou “atração”. Nesse sentido: 4. A inexistência de dependência normativa inviabiliza eventual declaração de inconstitucionalidade por arrastamento dos dispositivos não impugnados. Precedente: ADI 2.895, Rel. Min. Carlos Velloso, Plenário, DJ de 20/5/2005. 5. A declaração de inconstitucionalidade por arrastamento ou atração não se presta a suprir carências no exercício do direito de ação. Precedentes: ADI 4.647, Rel. Min. Dias Toffoli, Plenário, DJe de 21/6/2018; ADI 2.213-MC, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJ de 23/4/2004; ADI 1.775, Rel. Min. Maurício Corrêa, Plenário, DJ de 18/5/2001. (STF, ADI 5922 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 27Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020, pág. 243 31 14/02/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-049 DIVULG 06-03-2020 PUBLIC 09-03-2020) Essa técnica da declaração de inconstitucionalidade por arrastamento pode ser aplicada tanto em processos distintos como em um mesmo processo, situação que vem sendo verificada com mais frequência na jurisprudência do STF. Ou seja, já na própria decisão, a Corte define quais normas são atingidas, e no dispositivo, por “arrastamento”, também reconhece a invalidade das normas que estão “contaminadas”, mesmo na hipótese de não haver pedido expresso na petição inicial. Trata-se, sem dúvida, de exceção à regra de que o juiz deve ater-se aos limites da lide fixados na exordial (princípio da adstrição), especialmente em razão da correlação, conexão ou interdependência dos dispositivos legais e do caráter político do controle de constitucionalidade realizado pelo STF. 15.3.1. INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO HORIZONTAL São as hipóteses de inconstitucionalidade parcial geradoras da inconstitucionalidade total, isto é, quando dentro do mesmo sistema normativo existe relação de dependência entre elas, seja lógica (ex: alínea que não sobrevive sem o restante do corpo do artigo) ou teleológica (a inconstitucionalidade muda o sentido ou a finalidade da norma que restar no ordenamento). 15.3.2. INCONSTITUCIONALIDADE POR ARRASTAMENTO VERTICAL A declaração de inconstitucionalidade incide, por consequência, em norma ligada hierarquicamente à norma objeto do pedido inicial. Exemplo, inconstitucionalidade de uma lei que conduz à inconstitucionalidade do decreto que a regulamenta. 15.4. PRINCÍPIO DA PARCELARIDADE28 O STF pode julgar parcialmente procedente o pedido de declaração de inconstitucionalidade, expurgando do texto legal apenas uma palavra ou expressão, diferentemente do que ocorre com o veto presidencial. Trata-se de interpretação conforme com redução de texto, verificada, por exemplo, na ADI 1.227, suspendendo a eficácia da expressão “desacato”, do art. 7º, § 2º, do Estatuto dos Advogados. 15.5. DESCABIMENTO DO CONTROLE ABSTRATO POR VIA DAS AÇÕES DIRETAS29 Para fiscalização preventiva (projetos legislativos e propostas de EC). Para atacar atos normativos já revogados ou com eficácia suspensa ou já exaurida. Exceções: casos em que: ◾ A revogação do ato atacado, ocorrida no curso do processo, seja considerada fraude processual; ◾ A petição inicial tenha sido emendada, antes da apreciação do requerimento de liminar, com a finalidade de incluir no objeto da ação a lei revogadora que reproduzirá as normas impugnadas, desde que a revogação tenha ocorrido na pendência do processo; 29Bernardes e Ferreira (p. 499), via dizerodireito 28Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020, pág. 271 32 ◾ A ação já haja sido julgada antes da notícia da revogação da norma impugnada; e ◾ A norma impugnada tiver sido reproduzida em texto posterior de ato normativo equivalente. Para controlar antinomias que envolvam o critério cronológico. 16. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - ADI A ação direta de inconstitucionalidade (ADI) é uma ação típica do do controle concentrado, tem como finalidade a defesa da ordem jurídica, através da apreciação da constitucionalidade, de lei ou ato normativo (federal ou estadual) em face das regras e princípios da CF. É possível o ajuizamento de ADI nos âmbitos estadual e federal de maneira simultânea? (“simultaneus processus”) Sim. Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de justiça local e outra perante o STF, o julgamento da primeira – estadual – somente prejudica o da segunda – do STF – se preenchidas duas condições cumulativas: ● Se a decisão do Tribunal de Justiça for pela procedência da ação e ● Se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da Constituição do Estado sem correspondência na Constituição Federal. Caso o parâmetro do controle de constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal, subsiste a jurisdição do STF para o controle abstrato de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI 3659/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/12/2018 (Info 927) .30 16.1. LEGITIMAÇÃO 16.1.1. LEGITIMIDADE PASSIVA Órgãos ou autoridades responsáveis pela lei ou ato normativo objeto da ação, aos quais caberá prestar informações ao relator. A defesa propriamente dita caberá ao AGU, independentemente de sua natureza federal ou estadual. ⚠ ATENÇÃO O STF, na ADI 4667, pontuou que “A teor do disposto no artigo 103, § 3º, da Carta Federal, no processo objetivo em que o Supremo aprecia a inconstitucionalidade de norma legal ou ato normativo, o Advogado-Geral da União atua como curador, cabendo-lhe defender o ato ou texto impugnado, sendo imprópria a emissão de entendimento sobre a procedência da pecha”. 30CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI estadual julgada primeiro. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 33 16.1.2. LEGITIMIDADE ATIVA LEGITIMADOS ATIVOS UNIVERSAIS ESPECIAIS Podem propor a ADI e a ADC independentemente da existência de pertinência temática São aqueles dos quais se exige pertinência temática como requisito implícito de legitimação I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou a Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou o Governador do Distrito Federal; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 1. NEUTROS OU UNIVERSAIS a) PR: independe de sua participação direta no processo de elaboração, seja com iniciativa ou sanção. b) Mesa do CN: não pode propor ADI. c) PGR: possui juízo discricionário. d) Partidos políticos: a aferição da legitimidade deve ser feita no momento da propositura da ação. 2. INTERESSADOS OU ESPECIAIS a) Mesa da AL: necessitam de pertinência temática, que vem a ser o vínculo objetivo entre a norma impugnada e a competência da casa legislativa ou do Estado do qual é ela o órgão representativo. b) Governador: situação análoga à da Mesa da AL, sendo possível ajuizar ação tendo por objeto lei ou ato normativo originários de seu Estado, da União ou mesmo de outros Estados da Federação, se interferirem ilegitimamente em competências ou interesses juridicamente protegidos do seu Estado. ⚠ ATENÇÃO Governador de Estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do recebimento de denúncia por crime comum — não tem legitimidade ativa para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade. STF. Plenário. ADI 6728 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/4/2021 (Info 1015). c) Entidades de classe de âmbito nacional d) Confederação sindical ⚠ ATENÇÃO PARAQUE AS CONFEDERAÇÕES SINDICAIS E AS ENTIDADES DE CLASSE POSSAM PROPOR ADI E ADC, 34 O STF EXIGE O CUMPRIMENTO DOS SEGUINTES REQUISITOS: ▸ A caracterização como entidade de classe ou sindical, decorrente da representação de categoria empresarial ou profissional; ▸ A abrangência ampla desse vínculo de representação, exigindo-se que a entidade represente toda a respectiva categoria, e não apenas fração dela; ▸ O caráter nacional da representatividade, aferida pela demonstração da presença da entidade em pelo menos 9 estados brasileiros; e ▸ A pertinência temática entre as finalidades institucionais da entidade e o objeto da impugnação. STF. Plenário. ADI 6465 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 19/10/2020 (Info 995).31 16.2. OBJETO Lei ou ato normativo federal ou estadual, desde que editados após a promulgação da CF/88. A palavra lei compreende todas as espécies normativas do art. 59, CF. CF - Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de: I - emendas à Constituição; II - leis complementares; III - leis ordinárias; IV - leis delegadas; V - medidas provisórias; VI - decretos legislativos; VII - resoluções. ⚠ ATENÇÃO As leis municipais não podem ser impugnadas por ADI perante o Supremo Tribunal Federal. Vale lembrar que o Distrito Federal possui natureza híbrida, ou seja, possui competência estadual e municipal. Sendo assim, as leis distritais poderão ser impugnadas em ADI perante o STF? Leis Distritais editadas no desempenho da competência estadual poderão ser impugnadas em ADI perante o STF. Leis Distritais editadas no desempenho da competência municipal NÃO poderão ser impugnadas em ADI perante o STF. 📌 OBSERVAÇÕES32 ◾ Lei delegada: em tese, sujeita-se a duplo controle jurisdicional de constitucionalidade: sobre a resolução do CN que veicula a delegação, bem como sobre a lei delegada propriamente dita, elaborada pelo PR. Além disso, pode ser submetida a controle político, nos termos do art. 49, V, CF. 32LENZA (2020). 31CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Entidade de classe que representa apenas parte da categoria profissional (e não a sua totalidade), não pode ajuizar ADI/ADC. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 36 administrativa de TJ que estende gratificação a todos os servidores do Judiciário estadual (STF, ADI 3.202, Info 734). O STF admite o uso das ações do controle concentrado de constitucionalidade para o exame de atos normativos infralegais, nos casos em que a tese de inconstitucionalidade articulada pelo autor propõe o cotejo da norma impugnada diretamente com o texto constitucional. STF. Plenário. ADI 3481/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/3/2021 (Info 1008)35 ⚠ ATENÇÃO No caso de atos normativos secundários (decretos regulamentares, portarias, resoluções), duas hipóteses são possíveis: - Ato administrativo em desconformidade com a lei que lhe cabia regulamentar: ilegalidade. - A própria lei está em desconformidade com a CF: ela é que deverá ser impugnada. Nesse contexto, por estarem subordinados à lei, via de regra, não se submetem a controle de constitucionalidade em sede de ADI, pois os referidos atos serão ilegais e não inconstitucionais (“crise de legalidade”). Como se vê, o objeto não seria ato normativo primário, com fundamento de validade diretamente na Constituição, mas ato secundário, com base na lei, não se admitindo, portanto, controle de inconstitucionalidade por via indireta, reflexa ou oblíqua. Um Decreto pode ser considerado ato normativo para os fins do art. 102, I, da CF/88? Um decreto pode ser objeto de ADI? 36 Decreto que apenas regulamenta uma lei: NÃO. Não cabe ADI contra decreto meramente regulamentar de lei. Isso porque, neste caso, esse decreto terá natureza de ato secundário. Nesse sentido: (...) Vocacionada ao controle da constitucionalidade das leis e atos normativos, a ação direta de inconstitucionalidade não constitui meio idôneo para impugnar a validade de ato regulamentar e secundário em face de legislação infraconstitucional. (...) STF. Plenário. ADI 4127 AgR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 16/10/2014. Decreto autônomo: SIM. Cabe ADI contra decreto autônomo. O decreto autônomo possui “coeficiente mínimo de normatividade, generalidade e abstração”, ou seja, ele retira seu fundamento de validade diretamente da Constituição Federal, não regulamentando nenhuma lei. Ele possui caráter essencialmente abstratoe primário. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado para o controle de decreto regulamentar de lei estadual. Seria possível a propositura de ADI se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI. STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905). ◾ Tratados internacionais: eventual declaração de inconstitucionalidade recairá sobre os decretos de aprovação ou promulgação, impossibilitando que o tratado ou convenção, os quais são atos de natureza 36CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não cabe ADI contra decreto regulamentar de lei estadual. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 35CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É cabível ADI contra Resolução de Conselho Profissional que não tratou de mero exercício de competência regulamentar, mas expressou conteúdo normativo que lidou diretamente com direitos e garantias tutelados pela Constituição. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 37 internacional, produzam efeitos válidos internamente. É admissível para todos os tratados, sejam eles equiparados à CF, à lei ordinária ou de caráter supralegal. ◾ Lei anterior à CF em vigor: serão revogadas, não cabendo controle abstrato. ◾ Ato normativo já revogado ou de eficácia exaurida: não cabe ADI, na medida em que não se deve considerar, para efeito do contraste que lhe é inerente, a existência de paradigma revestido de valor meramente histórico. ⚠ ATENÇÃO O STF (ADPF 77 MC), em razão de não caber a ADI e nem mesmo a ADC, tendo em vista o princípio da subsidiariedade (art. 4º, § 1º, Lei 9.882/99), tem admitido o cabimento da ADPF contra ato normativo revogado ou com a sua eficácia exaurida. ◾ Lei revogada ou que tenha perdido a sua vigência após a propositura da ADI: perda superveniente do interesse processual, pois a medida deixou de ser útil e necessária. (ADI 2049). EXCEÇÕES ● ADI 3.232: fraude processual; ● ADI 3.306: fraude processual; ● ADI 951 ED: comunicação tardia de revogação da lei objeto da ADI (após o STF ter julgado o mérito da ação, reconhecendo a inconstitucionalidade da lei); ● ADI 4.426: singularidades do caso; ● ADI 2.501: inexistência de alteração substancial da norma; ● ADI 2.418: inexistência de alteração substancial da norma. ◾ Alteração do parâmetro constitucional invocado: prevalece o entendimento no STF no sentido de que, havendo alteração no parâmetro constitucional invocado (no caso, por emenda constitucional), e já proposta a ADI, esta deve ser julgada prejudicada em razão da perda superveniente de seu objeto (já que a emenda constitucional, segundo entendimento da Corte, revoga a lei infraconstitucional em sentido contrário e que era o objeto da ADI). ⚠ ATENÇÃO Analisando a situação do caso concreto e modificando o seu entendimento, o STF (ADI 2.158 e ADI 2.189) não admitiu o pedido de prejudicialidade, passando à análise da constitucionalidade de lei à luz da regra constitucional que à época vigorava. Por não admitir o fenômeno da constitucionalidade superveniente, a referida lei, que nasceu inconstitucional, deve ser nulificada perante a regra da Constituição que vigorava à época de sua edição (princípio da contemporaneidade). 38 ◾ Divergência entre a ementa da lei e o seu conteúdo: não caracteriza situação de controle de constitucionalidade, na medida em que a simples divergência entre a ementa da lei e o seu conteúdo não seria suficiente para configurar afronta à Constituição. ◾ Respostas emitidas pelo Tribunal Superior Eleitoral: o STF entendeu não configurar objeto de ADI as respostas emitidas pelo TSE às consultas que lhe forem endereçadas, na medida em que os referidos atos não possuem eficácia vinculativa aos demais órgãos do Poder Judiciário. ◾ Leis e atos de efeitos concretos: não cabe ADI para o STF. ⚠ ATENÇÃO O STF modificou seu posicionamento, ao fazer a distinção de ato de efeito concreto editado pelo Poder Público sob a forma de lei do ato de efeito concreto não editado sob a forma de lei. Portanto, mesmo que de efeito concreto, se o ato do Poder Público for materializado por lei (ou medida provisória, no caso da que abre créditos extraordinários), poderá ser objeto do controle abstrato. ◾ Lei municipal em face da CF: não cabe ADI para o STF. É possível ADI contra ato normativo municipal em face da respectiva lei orgânica? Não. NÃO SE ADMITE CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS MUNICIPAIS EM FACE DA LEI ORGÂNICA RESPECTIVA. Com efeito, não é possível extrair, da literalidade do art. 125, § 2°, da Constituição Federal, o cabimento de controle concentrado de constitucionalidade de leis ou atos normativos municipais contra a lei orgânica respectiva. ADI 5548/PE, relator Min. Ricardo Lewadowski, julgamento virtual finalizado em 16.8.2021 ◾ DF no exercício de sua competência legislativa municipal: não cabe ADI para o STF. Quanto ao tema: SÚMULA 642 - STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal. A Lei do DF só pode ser objeto de ADI quando tratar de assunto de competência estadual. Agora se a mesma lei utilizar de suas duas competências, o STF somente conhecerá do pedido de julgamento da inconstitucionalidade no que tange à competência estadual, alegando incompetência na parte municipal. Isso porque, somente o TJ do DF pode julgar ADI contra lei de conteúdo municipal em face da Lei orgânica do DF.37 ◾ DF no exercício de sua competência legislativa estadual: cabe ADI para o STF. 37https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/1989387/uma-lei-do-distrito-federal-poderia-ser-objeto-de-adi-daniel-leao-de-almeida 39 ◾ PEC ou PL: não cabe, pois o direito brasileiro não prevê hipóteses de controle jurisdicional preventivo de constitucionalidade. ⚠ ATENÇÃO Para o STF (ADI 466), lei já publicada, mas que ainda não esteja em vigor, ou seja, que se encontre no período de vacatio legis, pode ser objeto de ADI.38 ◾ Deliberações administrativas dos órgãos judiciários: segundo o STF (ADI 3202), podem ser objeto de controle de constitucionalidade, quando tiverem conteúdo normativo, com generalidade e abstração. salvo as convenções coletivas de trabalho (ADI 681). ◾ Súmula: não cabe ADI por não ter caráter normativo. ◾ ADI versus políticas públicas e a teoria da “reserva do possível” (ADPF 45): há de se verificar, no caso concreto, a “razoabilidade da pretensão” e a “disponibilidade financeira” do Estado para a implementação da política pública via controle do STF. Assim, a violação aos direitos mínimos tem de ser evidente e arbitrária. Para o STF, é possível o controle jurisdicional de políticas públicas, desde que presentes 3 requisitos ● A natureza constitucional da política pública reclamada. ● A existência de correlação entre ela e os direitos fundamentais. ● A prova de que há omissão ou prestação deficiente pela Administração Pública, inexistindo justificativa razoável para tal comportamento. Exemplo: o Poder Judiciário poderá determinar que Estado garanta acessibilidade para portadores de necessidades especiais em prédio público (STF, RE 440.028, Info 726). ◾ Leis temporárias, após o período da sua vigência: não podem ser objeto de ADI, porque não há ameaça à supremacia da Constituição nas leis de eficácia exaurida, assim como as leis revogadas, rejeitadas e prejudicadas. ◾ Resolução do TSE: segundo o STF (ADI 5.104 MC, Info 747), pode ser objeto de ADI se, a pretexto de regulamentar dispositivos legais, assumir caráter autônomo e inovador. ◾ Regimento Interno de Assembleia Legislativa: segundo o STF (ADI 4.587, Info 747), pode ser objeto de ADI, desde que possua caráter normativo e autônomo. ◾ Resolução de TJ: Cabe ADI (ADI5310) 38LENZA (2020). Pág. 229 40 É cabível nova ADI por inconstitucionalidade material contra ato normativo já reconhecido formalmente constitucional pelo STF? Sim. Segundo o STF (ADI 5.081, Info 787), o fato de ter declarado a validade formal de uma norma não interfere nem impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional. Se em uma primeira ADI o STF não discutiu a inconstitucionalidade material da Lei “X” (nem disse que ela era constitucional nem inconstitucional do ponto de vista material), nada impede que uma segunda ação seja proposta questionando, agora, a inconstitucionalidade material da lei e nada impede que o STF decida declará-la inconstitucional sob o aspecto material. O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não interfere nem impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional. STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). É possível o aditamento da petição inicial da ADI para a inclusão de novos dispositivos legais?39 Não. Segundo o STF (ADI 4541), não é admitido o aditamento à inicial da ação direta de inconstitucionalidade após o recebimento das informações dos requeridos e das manifestações do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República. 16.3. PROCEDIMENTO - LEI 9.868/99 16.3.1. PETIÇÃO INICIAL - ART. 3º, LEI 9.868/99 ◾ STF não está adstrito aos fundamentos invocados pelo autor (princípio da causa petendi aberta), não sendo possível admitir alegação genérica de inconstitucionalidade sem qualquer demonstração razoável. O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos fundamentos jurídicos invocados pelo autor. Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi) é aberta. Isso significa que todo e qualquer dispositivo da Constituição Federal ou do restante do bloco de constitucionalidade poderá ser utilizado pelo STF como fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo inconstitucional. STF. Plenário ADI 3796/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/3/2017 (Info 856). ◾ Havendo 2 ou mais ações com identidade total de objeto, deverão ser APENSADAS para julgamento e processamento conjunto. ◾ Autoridades e entidades previstas no art. 103, I a VII, CF, possuem capacidade processual plena, decorrente da própria norma constitucional, o que lhes garante capacidade postulatória. ◾ Partido político com representação no CN, confederações sindicais e entidades de classe: segundo o STF (ADI 4.430, Info 762), se a petição inicial for assinada por advogado, deverá ser acompanhada de procuração com poderes especiais e que indique, de forma específica, os atos normativos que serão objeto da 39CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível o aditamento da petição inicial da ADI para a inclusão de novos dispositivos legais?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 41 ação. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Defensor Público - DPE-PI (Ano: 2022, CESPE/CEBRASPE) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “e”: À luz do sistema brasileiro de controle de constitucionalidade e da jurisprudência do STF, assinale a opção correta. a. As hipóteses legais de impedimento e suspeição se aplicam, indistintamente, aos processos objetivo e subjetivo de fiscalização de constitucionalidade. b. O amicus curiae admitido em arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) tem legitimidade para, no andamento do processo, pleitear a concessão de medida cautelar. c. No julgamento de recurso extraordinário repetitivo com repercussão geral reconhecida, o quórum exigido para modulação dos efeitos da decisão é de dois terços dos membros, independentemente de ter havido ou não a declaração de inconstitucionalidade da lei ou do ato impugnado. d. O aditamento à petição inicial de ação direta de inconstitucionalidade (ADI), com pedido de ampliação do objeto da ação, é possível, desde que se proceda a nova requisição de manifestações da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República. e. O regular processamento de ação direta de inconstitucionalidade (ADI) depende da apresentação de procuração com poderes específicos pelo advogado signatário da petição inicial, não bastando procuração genérica sem a indicação da lei ou do ato que se pretende impugnar. ⚠ ATENÇÃO Segundo Lenza, o STF decidiu que a perda de representação do partido político no Congresso Nacional, após o ajuizamento da ADI, não descaracteriza a legitimidade ativa para o prosseguimento na ação. Dessa forma, “... a aferição da legitimidade deve ser feita no momento da propositura da ação...” (ADI 2.159 AgR/DF) ◾ Da decisão do relator que indefere liminarmente a petição inepta, não fundamentada ou manifestamente improcedente caberá AGRAVO. ⚠ ATENÇÃO A jurisprudência do STF considera manifestamente improcedente a ADI que versar sobre norma cuja constitucionalidade já tenha sido expressamente declarada pelo Plenário da Corte, mesmo que em RE (tendência de objetivação do RE). 16.3.2. AMICUS CURIAE - ART. 7º, § 2º, LEI 9.868/99 É alguém que, mesmo sem ser parte, é chamado ou se oferece para intervir em processo relevante, em razão de sua representatividade, com o objetivo de apresentar ao Tribunal a sua opinião sobre o debate que está sendo travado nos autos, fazendo com que a discussão seja amplificada e o órgão julgador possa ter mais elementos para decidir de forma legítima. 42 Poderá ser admitido, por despacho irrecorrível, tendo em vista a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes. A participação não constitui direito subjetivo, ficando a critério do relator. Contudo, uma vez admitida, inclui direito à sustentação oral (admitida no STF, mas não no STJ). A finalidade do amicus curiae é de pluralizar o debate constitucional, tornando-o mais democrático. Assim, trata-se de fator de legitimação social das decisões do STF. A LEI ESTABELECE 2 REQUISITOS PARA A INTERVENÇÃO DO AMICUS CURIAE a) Requisito objetivo: relevância da matéria. b) Requisito subjetivo: representatividade do postulante. Qual a natureza jurídica do amicus curiae? O amicus curiae é uma forma de intervenção anômala de terceiros. Pessoa natural (pessoa física) pode ser amicus curiae? 40 O art. 138 do CPC afirma que SIM. Mas, segundo o entendimento que prevalece no STF, o art. 138 do CPC/2015 não se aplica para ações de controle concentrado de constitucionalidade. Assim, o STF entende que, no caso de ação direta de inconstitucionalidade, não se admite o ingresso de pessoa natural como amicus curiae. A pessoa física não tem representatividade adequada para intervir na qualidade de amigo da Corte em ação direta. STF. Plenário. ADI 3396 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/8/2020 (Info 985). ⚠ ATENÇÃO A despeito do julgado acima, vale mencionar que o Min. Roberto Barroso, em decisão monocrática proferida no dia 17/06/2021, admitiu o ingresso do Senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid-19, como amicus curiae na ADI 6855, proposta pelo Presidente da República contra medidas administrativas restritivas instituídas por Governadores de Estado, em razão da pandemia do novo coronavírus. Limite máximo para a intervenção41 Regra: Não poderá intervir se o processo já foi liberado pelo Relator para que seja incluído na pauta de julgamentos. STF. Plenário. ADI 5104 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 21/5/2014 (Info 747). Exceção: STF admite algumas exceções se ficar demonstrado que: a) existe grande relevância no caso; b) ou que a manifestação do requerente poderá trazer notória contribuição para o julgamento da causa. Em tais situações é possível admitir o ingresso do amicus curiae mesmo após a inclusão do processo em pauta. STF. Decisão monocrática. RE 647827, Rel. Min. Gilmar Mendes,julgado em 27/10/2016. 41CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Limite máximo para a intervenção. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 40CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Pessoa física não pode ser amicus curiae em ação de controle concentrado de constitucionalidade. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 43 Ilegitimidade do amicus curiae para pleitear medida cautelar42 O amicus curiae não tem legitimidade para propor ação direta; logo, também não possui legitimidade para pleitear medida cautelar. STF. Plenário. ADPF 347 TPI-Ref/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 18/3/2020 (Info 970). Cabe recurso contra a decisão do Relator que ADMITE o ingresso do amicus curiae?40 NÃO. O art. 138 do CPC/2015. Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a RELEVÂNCIA DA MATÉRIA, a ESPECIFICIDADE DO TEMA OBJETO DA DEMANDA ou a REPERCUSSÃO SOCIAL DA CONTROVÉRSIA, poderá, por DECISÃO IRRECORRÍVEL, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 dias de sua intimação. § 1o A intervenção de que trata o caput NÃO IMPLICA alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3o. § 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae. § 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR). Cabe recurso contra a decisão do Relator que INADMITE o ingresso do amicus curiae em processo objetivo?40 SIM. O Min. Celso de Melo, na ADI 3396, afirmou que “o Plenário do Supremo Tribunal Federal entende cabível o recurso de agravo quando interposto contra decisão do Relator que não admite a intervenção formal de terceiro, como “amicus curiae”, no processo de controle normativo abstrato”.43 ⚠ ATENÇÃO Em processo subjetivo, NÃO CABE RECURSO da decisão que INADMITE, conforme decidiu o STF no RE 602584 (Info 920) 1. Cabe ao amicus oferecer sua opinião sobre a causa, sobretudo nas questões técnico-jurídicas de maior complexidade. Assim, a tradução literal para “amigo da corte”, ainda que possa ser insuficiente para expressar o papel que desempenha, bem sintetiza a razão de ser eminentemente colaborativa do instituto. 2. O instituto do amicus curiae, historicamente, caracterizava-se pela presunção de neutralidade de sua manifestação, tanto na experiência romano-germânica, quanto na tradição anglo-saxônica. 3. Aos amici cabia apresentar elementos de fato e de direito que, por qualquer razão, escapassem do conhecimento dos juízes, assegurando a paridade de armas entre as partes, atuando de forma presumidamente imparcial. 4. A experiência norte-americana demonstra que os amici curiae ao longo do tempo perderam sua presumida imparcialidade (SORENSON, Nancy Bage, The Ethical Implications of Amicus Briefs, 30 St. Mary's L.J. 1225-1226. 1999). 5. A Suprema Corte americana alterou sua Rule 37 com o fito de clarificar quais os aspectos aptos a 43https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=754087655 42CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Ilegitimidade do amicus curiae para pleitear medida cautelar. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 44 justificar a atuação da figura, independentemente de seus eventuais interesses: “1. A manifestação de amicus curiae que chame a atenção do Tribunal para uma questão relevante que ainda não tenha sido comunicada pelas partes pode ser de grande ajuda para o Tribunal. A manifestação de amicus curiae que não sirva a este propósito sobrecarrega o Tribunal, e sua juntada não é recomendável. A manifestação de amicus curiae pode ser apresentada apenas por um advogado admitido a praticar perante este Tribunal, conforme previsto na regra 5.” (Rules of The Supreme Court of The United States. Part VII. Rule 37. Brief for an Amicus Curiae) 6. A doutrina do tema reconhece que há uma multiplicidade de interesses a orientar a atuação do colaborador da Corte, o que não macula a ratio essendi da participação. O eventual interesse individual não pode ser o fundamento a justificar seu ingresso; não se confundindo com o interesse tipicamente subjetivado das partes, nem com o interesse institucional, de viés colaborativo e democrático, que constitui o amicus como um representante da sociedade. (SCARPINELLA BUENO, Cássio. Amicus Curiae no Processo Civil brasileiro: um terceiro enigmático. 2012. p. 121-122). 7. O amicus curiae presta sua potencial contribuição com a jurisdição, mas não se submete à sucumbência – nem genérica, nem específica - apta a ensejar o interesse de recorrer da decisão que, apreciando o pedido de ingresso, não vislumbra aptidão contributiva suficiente para a participação no caso concreto. A manifestação do amicus não pode ser imposta à Corte, como um inimigo da Corte. 8. O ingresso do amicus curiae, a par do enquadramento nos pressupostos legais estabelecidos Código de Processo Civil – notadamente que a causa seja relevante, o tema bastante específico ou tenha sido reconhecida a repercussão geral –, pode eventualmente ser obstado em nome do bom funcionamento da jurisdição, conforme o crivo do relator, mercê não apenas de o destinatário da colaboração do amicus curiae ser a Corte, mas também das balizas impostas pelas normas processuais, dentre as quais a de conduzir o processo com eficiência e celeridade, consoante a análise do binômio necessidade-representatividade. 9. O legislador expressamente restringiu a recorribilidade do amicus curiae às hipóteses de oposição de embargos de declaração e da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas, conforme explicita o artigo 138 do CPC/15, ponderados os riscos e custos processuais. 10. É que o amicus curiae não se agrega à relação processual, por isso não exsurge para ele uma expectativa de resultado ou mesmo uma lesividade jurídica a ensejar a recorribilidade da denegação de seu ingresso. O status de amicus encerra-se no momento em que se esgota – ou se afere inexistir – sua potencialidade de contribuição ou sugestão (COVEY, Frank. Amicus Curiae: Friend of The Court. 9 DePaul Law Review, nº 30. 1959, p. 30). 11. A irrecorribilidade da decisão do Relator que denega o ingresso de terceiro na condição de amicus curiae em processo subjetivo impede a cognoscibilidade do recurso sub examine, máxime porque a possibilidade de impugnação de decisão negativa em controle subjetivo encontra óbice (i) na própria ratio essendi da participação do colaborador da Corte; e (ii) na vontade democrática exposta na legislação processual que disciplina a matéria. 12. Agravo regimental não conhecido. (STF, RE 602584 AgR, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 17/10/2018, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-065 DIVULG 19-03-2020 PUBLIC 20-03-2020) Amicus curiae possui legitimidade para interpor recursos em sede de controle abstrato de constitucionalidade? NÃO. A jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL consolidou-se no sentido de que amicus curiae não possui legitimidade para interpor recursos em sede de controle abstrato de constitucionalidade. (STF, ADI 6917 ED, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-088 DIVULG 06-05-2022 PUBLIC 09-05-2022) 16.3.3. MEDIDA CAUTELAR Prevista expressamente no art. 102, I, "p", CF, trata-se de providência de caráter excepcional, à vista da 45 presunção de validade dos atos estatais, inclusive osnormativos. O indeferimento do pedido cautelar não significa a confirmação da constitucionalidade da lei com efeito vinculante. Não cabe pedido de reconsideração da decisão que defere a liminar suspendendo o ato impugnado. Contudo, cabe reiteração do pedido, no caso de indeferimento, desde que ocorram fatos supervenientes que possam justificar o reexame. Conforme art. 10 c/c art. 22, Lei 9.868/99, via de regra, a medida cautelar será concedida por decisão da maioria absoluta dos membros do Tribunal, em sessão do Plenário que conte com a presença de pelo menos 8 Ministros. Contudo, no período de recesso, o pedido cautelar será apreciado pelo Presidente do STF, ad referendum do Plenário, conforme art. 13, VIII, RI STF. REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DA MEDIDA CAUTELAR a) Plausibilidade jurídica da tese exposta (fumus boni juris). b) Possibilidade de prejuízo do retardamento da decisão postulada (periculum in mora). c) Irreparabilidade ou insuportabilidade dos danos emergentes dos próprios atos impugnados. d) Necessidade de garantir a ulterior eficácia da decisão. ⚠ ATENÇÃO Com fundamento no art. 11, § 1º da Lei nº 9.868/1999, os efeitos da medida cautelar, em regra, será “ex nunc”. Art. 11. (...) § 1º A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Promotor de Justiça Substituto - MPE-SP (Ano: 2022, MPE-SP) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “e”: Considere as afirmações a seguir. I. O princípio da interpretação conforme a Constituição serve como mecanismo de controle de constitucionalidade, permitindo que o intérprete, sobretudo, o Tribunal Constitucional, preserve a validade de uma lei que, em uma primeira leitura, pareceria inconstitucional. II. Embora seja admitido o amicus curiae nas ações de controle concentrado de constitucionalidade, inexiste direito subjetivo à intervenção, cabendo ao relator do processo decidir pela admissibilidade, ou não, podendo, inclusive, considerar a racionalidade e a economia processual. III. A concessão de medida cautelar na ação direta de inconstitucionalidade determina automática repristinação da legislação anterior, caso existente, operando efeitos ex tunc. IV. Cabe medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade por omissão, em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, mediante manifestação dos órgãos e autoridades responsáveis pela omissão 46 inconstitucional, sendo-lhes facultada sustentação oral no julgamento do pedido de medida cautelar. V. As leis e atos normativos gozam de presunção iuris tantum de constitucionalidade, cabendo àquele que alega a inconstitucionalidade o ônus da prova. Estão corretas: a. todas as assertivas. b. apenas II, III, e V. c. apenas I e V. d. apenas II, III, IV e V. e. apenas I, II, IV e V. 16.3.4. EFEITOS - art. 11, Lei 9.868/99 A concessão da medida cautelar será VINCULANTE, terá eficácia contra todos (ERGA OMNES) e efeito EX NUNC, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa (ex tunc), bem como deve importar na suspensão de qualquer processo em andamento perante o STF, até a decisão final na ação direta. Assim, a concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente (efeito repristinatório tácito), salvo expressa manifestação em sentido contrário. ⚠ ATENÇÃO ◾ EFEITO REPRISTINATÓRIO/ REPRISTINAÇÃO OBLÍQUA OU INDIRETA: É a reentrada em vigor de norma aparentemente revogada, ocorrendo quando uma norma que a revogou é declarada inconstitucional. Segundo o STF: “A declaração de inconstitucionalidade "in abstracto", considerado o efeito repristinatório que lhe é inerente (RTJ 120/64 - RTJ 194/504-505 - ADI 2.867/ES, v.g.), importa em restauração das normas estatais revogadas pelo diploma objeto do processo de controle normativo abstrato. É que a lei declarada inconstitucional, por incidir em absoluta desvalia jurídica (RTJ 146/461-462), não pode gerar quaisquer efeitos no plano do direito, nem mesmo o de provocar a própria revogação dos diplomas normativos anteriores. Lei inconstitucional, porque inválida (RTJ 102/671), sequer possui eficácia derrogatória. A decisão do Supremo Tribunal Federal que declara, em sede de fiscalização abstrata, a inconstitucionalidade de determinado diploma normativo tem o condão de provocar a repristinação dos atos estatais anteriores que foram revogados pela lei proclamada inconstitucional. (...) STF. Plenário. ADI 3148”.44 2. A declaração de inconstitucionalidade em abstrato de normas legais, diante do efeito repristinatório que lhe é inerente, importa a restauração dos preceitos normativos revogados pela lei declarada inconstitucional, de modo que o autor deve impugnar toda a cadeia normativa pertinente. 3. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal exige a impugnação da cadeia de normas revogadoras e revogadas até o advento da Constituição de 1988, porquanto o controle abstrato de constitucionalidade abrange tão somente o direito pós-constitucional. Nada obstante, esta Corte admite o cabimento de ação direta de inconstitucionalidade nos casos em que o autor, por precaução, inclui, em seu pedido, também a declaração de revogação de normas anteriores à vigência do novo parâmetro constitucional. (STF, ADI 4711, Relator(a): 44CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Declaração de inconstitucionalidade de lei sem a produção de efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo conteúdo. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 47 ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-185 DIVULG 15-09-2021 PUBLIC 16-09-2021) O Efeito repristinatório não revigora a vigência de normas pré-constitucionais. Nesse sentido: 1. O efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade não revigora a vigência de normas pré-constitucionais, não havendo óbice ao conhecimento de ação direta que se limita a impugnar parte de cadeia normativa editada após a CF/88, conforme precedente firmado na ADI 3.660 (Rel. Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, DJe de 8/5/2008). (STF, ADI 3111, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 30/06/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-174 DIVULG 07-08-2017 PUBLIC 08-08-2017) ◾ EFEITO REPRISTINATÓRIO INDESEJADO: Trata-se da impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade da norma impugnada em controle abstrato quando a norma por ela revogada padece do mesmo vício de inconstitucionalidade e não foi objeto da ação direta. Ou seja, temos uma Lei “A” que foi revogada por uma Lei “B” inconstitucional. Ao reconhecer essa inconstitucionalidade da Lei “B”, temos, em regra, o efeito repristinatório para voltar a aplicar a Lei “A”, já que a Lei “B” foi declarada inconstitucional. Ocorre que a Lei " A" também padece do mesmo vício de inconstitucionalidade. Logo, nesse caro teríamos um efeito repristinatório indesejado, porque não se concebe o retorno em vigor da Lei "A", por também ser inconstitucional.45 Segundo Marcelo Novelino, “quando a lei revogada também for eivada do vício de inconstitucionalidade, faz-se necessária a formulação de pedidos sucessivos de declaração de inconstitucionalidade, tanto do diploma ab-rogatório quanto das normas por ele revogadas. Caso a norma anterior não seja impugnada, a ADI não será conhecida." (Manual de Direito Constitucional. 9ª ed., São Paulo: Método, 2014, p. 476).46 ⚠ ATENÇÃO O STF, na ADI 3239, decidiu que: “Não obsta a cognição da ação direta a falta de impugnação de ato jurídico revogado pela norma tida como inconstitucional, supostamente padecente do mesmo vício, que se teria por repristinada. Cabe à Corte, ao delimitar a eficácia da sua decisão, se o caso, excluir dos efeitos da decisão declaratória eventual efeito repristinatórioquando constatada incompatibilidade com a ordem constitucional”. Portanto, mesmo que o autor da ADI não impugne também o ato normativo anterior revogado, o STF poderá, na decisão, afirmar que não haverá efeito repristinatório.47 16.3.5. DECISÃO FINAL A declaração de inconstitucionalidade exige a manifestação de 6 Ministros, configurando a MAIORIA 47CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Declaração de inconstitucionalidade de lei sem a produção de efeito repristinatório em relação às leis anteriores de mesmo conteúdo. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 45https://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/37897/o-efeito-repristinatorio-indesejado-e-a-evolucao-da-jurisprudencia-do-supremo-tribunal- federal 48 ABSOLUTA do Tribunal. Tal decisão é irrecorrível, ressalvada a interposição de embargos de declaração, não podendo ser objeto de ação rescisória. ⚠ ATENÇÃO O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo Governador. A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo art. 103 da CF/88) e não do Estado-membro. STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018.48 CF - Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. A decisão na ação direta tem EFEITO EX TUNC, salvo expressa deliberação em sentido contrário. Tem, também, eficácia contra todos (ERGA OMNES) e EFEITO VINCULANTE em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, conforme art. 102, § 3º, CF, introduzido pela EC 45/04. CF - ART. 102 § 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de 2/3 de seus membros. De modo geral, o STF entende que a decisão passa a valer a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJE, sendo desnecessário aguardar o trânsito em julgado, exceto nos casos excepcionais a serem examinados pelo Presidente do Tribunal, de maneira a garantir a eficácia da decisão. 48CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 49 🚩 NÃO CONFUNDA DECISÃO CAUTELAR DECISÃO DEFINITIVA Erga omnes (art. 21, Lei nº 9.868/99). Erga omnes (art. 28, parágrafo único, Lei nº 9.868/99 e art. 102, § 2º, CF). Vinculante (art. 21, Lei nº 9.868/99). Vinculante (art. 28, parágrafo único, Lei nº 9.868/99 e art. 102, § 2º, CF) Ex nunc (suspende, a partir da decisão, todos os processos que estejam tramitando sobre o assunto) Ex tunc Lei nº 9.868/99 - Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. Lei nº 9.868/99 - Art. 28. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. CF - Art. 102 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ⚠ ATENÇÃO A decisão do STF que declara a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de preceito normativo não produz a automática reforma ou rescisão das decisões proferidas em outros processos anteriores que tenham adotado entendimento diferente do que posteriormente decidiu o Supremo. Para que haja essa reforma ou rescisão, será indispensável a interposição do recurso próprio ou, se for o caso, a propositura da ação rescisória própria, nos termos do art. art. 966, V do CPC 2015, observado o prazo decadencial de 2 anos art. 975 do CPC 2015). Segundo afirmou o STF, não se pode confundir a eficácia normativa de uma sentença que declara a inconstitucionalidade (que retira do plano jurídico a norma com efeito “ex tunc”) com a eficácia executiva, ou seja, o efeito vinculante dessa decisão. STF. Plenário. RE 730462/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 28/5/2015 (repercussão geral) (Info 787). 16.3.6. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA E EFEITOS OBJETIVOS DA DECISÃO ◾ Eficácia preclusiva da coisa julgada: não será possível o ajuizamento de outra ação direta para 50 obter nova manifestação do Tribunal acerca da (in)constitucionalidade do mesmo dispositivo. ⚠ ATENÇÃO Se em uma primeira ADI o STF não discutiu a inconstitucionalidade material da Lei “X” (nem disse que ela era constitucional nem inconstitucional do ponto de vista material), nada impede que uma segunda ação seja proposta questionando, agora, a inconstitucionalidade material da lei e nada impede que o STF decida declará-la inconstitucional sob o aspecto material. O fato de o STF ter declarado a validade formal de uma norma não interfere nem impede que ele reconheça posteriormente que ela é materialmente inconstitucional. STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). ◾ Eficácia vinculativa da coisa julgada: juízes e tribunais, ao decidir a questão a eles submetida, não poderão desconsiderar, como premissa necessária, que a lei objeto da decisão do STF é inconstitucional, sob pena de ofensa à coisa julgada. ◾ Efeito da improcedência do pedido: não há, pois nada se passará com o ato impugnado, que continuará existente, válido e eficaz. ⚠ ATENÇÃO As decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em ADI e ADC produzem eficácia contra todos e efeito vinculante. Tais efeitos não vinculam, contudo, o próprio STF. Assim, se o STF decidiu, em uma ADI ou ADC que determinada lei é CONSTITUCIONAL a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que esta mesma lei é INCONSTITUCIONAL por conta de mudanças no cenário jurídico, político, econômico ou social do país. Esta mudança de entendimento do STF sobre a constitucionalidade de uma norma pode ser decidida durante o julgamento de uma reclamação constitucional. Segundo o Min. Gilmar Mendes é no juízo hermenêutico típico da reclamação(no “balançarde olhos” entre objeto e parâmetro da reclamação que surgirá com maior nitidez a oportunidade para evolução interpretativa no controle de constitucionalidade. STF. Plenário. Rcl 4374/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, 18/4/2013 (Info 702). ◾ Efeito da procedência do pedido: o Tribunal estará declarando que a norma é nula de pleno direito, via de regra. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Delegado de Polícia Civil - PC-PB (Ano: 2022, CESP/CABRASPE) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “e”: Se, em ação direta de inconstitucionalidade proposta perante o Supremo Tribunal Federal, for alegada a inconstitucionalidade de certa lei federal, a. A decisão definitiva de mérito vinculará o Poder Legislativo. b. O Poder Legislativo ficará impossibilitado de revogar a lei questionada. c. O Poder Legislativo ficará impossibilitado de reeditar o diploma julgado inconstitucional. d. A decisão definitiva de mérito vinculará parcialmente o Poder Judiciário. 51 e. A decisão definitiva de mérito vinculará todos os níveis da administração pública. ⚠ ATENÇÃO Exceção: declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade. Estando situada no plano de validade da norma, a lei ou ato normativo nulo não deverá mais produzir efeitos, passando ao plano da eficácia, que deverá ser paralisada. Por fim, sendo a vigência a soma da existência e da eficácia de uma norma, é possível afirmar que a lei declarada inconstitucional já não está mais vigente. ◾ Repercussão sobre a legislação que havia sido afetada pela lei reconhecida como inválida: o princípio da supremacia da Constituição impõe que a situação jurídica volte ao status quo ante. Assim, a declaração de inconstitucionalidade de uma lei restaura a vigência da legislação previamente existente por ela afetada. Ressalte-se que tal entendimento pode ser excepcionado, caso o Tribunal manifeste-se expressamente em sentido contrário. 16.3.7. LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA E EFEITOS SUBJETIVOS DA DECISÃO49 Pelo fato de os órgãos e pessoas constantes do art. 103, CF atuarem com legitimação extraordinária, por força do fenômeno da substituição processual, os efeitos da decisão serão de caráter geral, e não apenas entre as partes do processo, como é a regra. ⚠ ATENÇÃO Nada impede que o Legislativo volte a editar norma de conteúdo igual ou análogo ao que foi rejeitado, incorrendo em inconstitucionalidade da mesma natureza. Nesta hipótese, não caberá reclamação perante o STF, pois o legislador não está vinculado à motivação do julgamento sobre a validade do diploma legal precedente, mas sim o ajuizamento de nova ação direta. Será necessária a propositura de uma nova ADI para que o STF examine essa nova lei e a declare inconstitucional. Vale ressaltar que o STF pode até mesmo mudar de opinião no julgamento desta segunda ação. No que tange ao efeito vinculante (art. 102, § 2º, CF), cumpre ressaltar que este obriga à adoção da tese jurídica firmada pelo Tribunal Superior, sempre que a ela esteja logicamente subordinada a decisão da causa, bem como não impede que o órgão prolator da decisão possa reapreciar a matéria. ⚠ ATENÇÃO ◾ O STF não subtrai ex ante a faculdade de correção legislativa pelo constituinte reformador ou legislador ordinário. Em outras palavras, o STF não proíbe que o Poder Legislativo edite leis ou emendas constitucionais em sentido contrário ao que a Corte já decidiu. O legislador pode, por emenda constitucional ou lei ordinária, superar a jurisprudência. Trata-se de uma reação legislativa à decisão da Corte Constitucional com o objetivo de reversão jurisprudencial. ◾ No caso de REVERSÃO JURISPRUDENCIAL (REAÇÃO LEGISLATIVA) PROPOSTA POR MEIO DE EMENDA CONSTITUCIONAL, a invalidação somente ocorrerá nas restritas hipóteses de violação aos 49CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Superação legislativa da jurisprudência (reação legislativa). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 52 limites previstos no art. 60, e seus §§, da CF/88. Art. 60. (LIMITAÇÕES FORMAIS) A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: I - de 1/3, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; II - do Presidente da República; III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela MAIORIA RELATIVA de seus membros. § 1º (LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS) A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. § 2º (LIMITAÇÕES FORMAIS) A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos respectivos membros. § 3º (LIMITAÇÕES FORMAIS) A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. § 4º (LIMITAÇÕES MATERIAIS) Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir (cláusula pétreas): I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto, universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. § 5º (LIMITAÇÕES FORMAIS) A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada NÃO PODE ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. ◾ No caso de REVERSÃO JURISPRUDENCIAL PROPOSTA POR LEI ORDINÁRIA, a lei que frontalmente colidir com a jurisprudência do STF nasce com presunção relativa de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao legislador o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente se afigura legítima. A novel legislação que frontalmente colida com a jurisprudência (leis in your face) se submete a um controle de constitucionalidade mais rigoroso. Para ser considerada válida, o Congresso Nacional deverá comprovar que as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais se fundou a decisão do STF no passado não mais subsistem. O Poder Legislativo promoverá verdadeira hipótese de mutação constitucional pela via legislativa. Vale ressaltar, no entanto, que excetuadas as situações de ofensa evidente ao texto constitucional, o STF deve adotar comportamento de autorrestrição e de maior deferência às opções políticas do legislador. 1. O hodierno marco teórico dos diálogos constitucionais repudia a adoção de concepções juriscêntricas no campo da hermenêutica constitucional, na medida em que preconiza, descritiva e normativamente, a inexistência de instituição detentora do monopólio do sentido e do alcance das disposições magnas, além de atrair a gramática constitucional para outros fóruns de discussão, que não as Cortes. 2. O princípio fundamental da separação de poderes, enquanto cânone constitucional interpretativo, reclama a pluralização dos intérpretes da Constituição, mediante a atuação coordenada entre os poderes estatais – Legislativo, Executivo e Judiciário – e os diversos segmentos da sociedade civil organizada, em um processo contínuo, ininterrupto e republicano, em que cada um destes players contribua, com suas capacidades específicas, no embate dialógico, no afã de avançar os rumos da empreitada constitucional e no aperfeiçoamento das instituições democráticas, sem se arvorarem como intérpretes únicos e exclusivos da Carta da República. 3. O 53 desenho institucional erigido pelo constituinte de 1988, mercê de outorgar à Suprema Corte a tarefa da guarda precípua da Lei Fundamental, não erigiu um sistema de supremacia judicial em sentido material (ou definitiva), de maneira que seus pronunciamentos judiciais devem ser compreendidos como última palavra provisória, vinculando formalmente as partes do processo e finalizando uma rodada deliberativa acerca da temática, sem, em consequência, fossilizar o conteúdo constitucional. 4. Os efeitos vinculantes, ínsitos às decisões proferidas em sede de fiscalização abstrata de constitucionalidade,não atingem o Poder Legislativo, ex vi do art. 102, § 2º, e art. 103-A, ambos da Carta da República. 5. Consectariamente, a reversão legislativa da jurisprudência da Corte se revela legítima em linha de princípio, seja pela atuação do constituinte reformador (i.e., promulgação de emendas constitucionais), seja por inovação do legislador infraconstitucional (i.e., edição de leis ordinárias e complementares), circunstância que demanda providências distintas por parte deste Supremo Tribunal Federal. 5.1. A emenda constitucional corretiva da jurisprudência modifica formalmente o texto magno, bem como o fundamento de validade último da legislação ordinária, razão pela qual a sua invalidação deve ocorrer nas hipóteses de descumprimento do art. 60 da CRFB/88 (i.e., limites formais, circunstanciais, temporais e materiais), encampando, neste particular, exegese estrita das cláusulas superconstitucionais. 5.2. A legislação infraconstitucional que colida frontalmente com a jurisprudência (leis in your face) nasce com presunção iuris tantum de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao legislador ordinário o ônus de demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente faz-se necessária, ou, ainda, comprovar, lançando mão de novos argumentos, que as premissas fáticas e axiológicas sobre as quais se fundou o posicionamento jurisprudencial não mais subsistem, em exemplo acadêmico de mutação constitucional pela via legislativa. Nesse caso, a novel legislação se submete a um escrutínio de constitucionalidade mais rigoroso, nomeadamente quando o precedente superado amparar-se em cláusulas pétreas. 6. O dever de fundamentação das decisões judicial, inserto no art. 93 IX, da Constituição, impõe que o Supremo Tribunal Federal enfrente novamente a questão de fundo anteriormente equacionada sempre que o legislador lançar mão de novos fundamentos. (STF, ADI 5105, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 01/10/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-049 DIVULG 15-03-2016 PUBLIC 16-03-2016) Exemplo de "reação legislativa" É inconstitucional lei estadual que regulamenta a atividade da “vaquejada”. STF. Plenário. ADI 4983/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 06/10/2016 (Info 842). EC 96/2017 Após a ADI 4983/CE, o Congresso Nacional decidiu alterar a própria Constituição, nela inserindo, o art. 225, § 7º, com a redação de que são permitidas práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais. CF - Art. 225, § 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais envolvidos. A EC 96/2017 é um exemplo do que a doutrina constitucionalista denomina de “efeito backlash”. 54 O que é Efeito Backlash?50 Consiste em uma reação conservadora de parcela da sociedade ou das forças políticas (em geral, do parlamento) diante de uma decisão liberal do Poder Judiciário em um tema polêmico. George Marmelstein resume a lógica do efeito backlash ao ativismo judicial: “(1) Em uma matéria que divide a opinião pública, o Judiciário profere uma decisão liberal, assumindo uma posição de vanguarda na defesa dos direitos fundamentais. (2) Como a consciência social ainda não está bem consolidada, a decisão judicial é bombardeada com discursos conservadores inflamados, recheados de falácias com forte apelo emocional. (3) A crítica massiva e politicamente orquestrada à decisão judicial acarreta uma mudança na opinião pública, capaz de influenciar as escolhas eleitorais de grande parcela da população. (4) Com isso, os candidatos que aderem ao discurso conservador costumam conquistar maior espaço político, sendo, muitas vezes, campeões de votos. (5) Ao vencer as eleições e assumir o controle do poder político, o grupo conservador consegue aprovar leis e outras medidas que correspondam à sua visão de mundo. (6) Como o poder político também influencia a composição do Judiciário, já que os membros dos órgãos de cúpula são indicados politicamente, abre-se um espaço para mudança de entendimento dentro do próprio poder judicial. (7) Ao fim e ao cabo, pode haver um retrocesso jurídico capaz de criar uma situação normativa ainda pior do que a que havia antes da decisão judicial, prejudicando os grupos que, supostamente, seriam beneficiados com aquela decisão. ”51 NOVIDADE LEGISLATIVA52 A Lei nº 13.873/2019 alterou a Lei nº 13.364/2016, para incluir o laço, bem como as respectivas expressões artísticas e esportivas, como manifestação cultural nacional, elevar essas atividades à condição de bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro e dispor sobre as modalidades esportivas equestres tradicionais e sobre a proteção ao bem-estar animal. A LEI Nº 13.873/2019 TEVE 2 OBJETIVOS ● Incluir as atividades de laço na Lei nº 13.364/2016; ● Reforçar que o Rodeio, a Vaquejada e o Laço são manifestações culturais nacionais e suas atividades são bens de natureza imaterial integrantes do patrimônio cultural brasileiro. 16.3.8. EFEITOS TEMPORAIS Os efeitos da decisão que declara o vício de inconstitucionalidade da norma retroagem ao momento de seu ingresso no mundo jurídico, ou seja, são EX TUNC. ◾ MODULAÇÃO DOS EFEITOS (declaração de inconstitucionalidade sem a pronúncia de 52 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional a prática da vaquejada. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 05/05/2022 51Disponível em: https://direitosfundamentais.net/2015/09/05/efeito-backlash-da-jurisdicao-constitucional-reacoes-politicas-a-atuacao-judicial/ 50CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional a prática da vaquejada. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 55 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/dba1cdfcf6359389d170caadb3223ad2 nulidade) - art. 27, Lei 9.868/99 Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de 2/3 de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado (modulação dos efeitos da decisão) Segundo Lenza, ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria qualificada de 2/3 de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Ou seja, diante de tais requisitos, o STF poderá dar efeito ex nunc ou outro momento a ser fixado pelos Ministros do STF, podendo a modulação ser em algum momento do passado, no momento do julgamento, ou para o futuro (efeito prospectivo).53 REQUISITOS PARA MODULAÇÃO DE EFEITOS REQUISITO FORMAL Quórum qualificado de 2/3 REQUISITO MATERIAL Razões de segurança pública ou de excepcional interesse social ◾ MOMENTO-LIMITE DA MODULAÇÃO DOS EFEITOS : proclamação do resultado final.54 Depois da proclamação do resultado final o julgamento deve ser considerado concluído e encerrado e, por isso, mostra-se inviável a sua reabertura para discutir novamente a modulação dos efeitos da decisão proferida. A análise da ação direta de inconstitucionalidade é realizada de maneira bifásica: a) primeiro o Plenário decide se a lei é constitucional ou não; e b) em seguida, se a lei for declaradainconstitucional, discute-se a possibilidade de modulação dos efeitos. Uma vez encerrado o julgamento e proclamado o resultado, inclusive com a votação sobre a modulação(que não foi alcançada), não há como reabrir o caso, ficando preclusa a possibilidade de reabertura para deliberação sobre a modulação dos efeitos. STF Plenário. ADI 2949 QO/MG, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 8/4/2015 (Info 780). 16.4. COISA JULGADA “INCONSTITUCIONAL”. S. 343/STF. RESCISÓRIA (ART. 966, V, CPC/2015)55 Sentença proferida com base no entendimento vigente do STF e que, após o trânsito em julgado, houve mudança de posição. Cabe rescisória? 55LENZA (2020) e CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Sentença proferida com base no entendimento vigente do STF e que, após o trânsito em julgado, houve mudança de posição. Cabe rescisória?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 53LENZA (2020). Pag. 270 56 Se a sentença foi proferida com base na jurisprudência do STF vigente à época e, posteriormente, esse entendimento foi alterado, não se pode dizer que essa decisão impugnada tenha violado literal disposição de lei para fins da ação rescisória prevista no art. 485, V, do CPC/1973. Desse modo, não cabe ação rescisória em face de acórdão que, à época de sua prolação, estava em conformidade com a jurisprudência predominante do STF. STF. Plenário. AR 2422/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018 (Info 921). Igual entendimento está sedimentando na Súmula 343-STF: Não cabe ação rescisória por ofensa a literal dispositivo de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. Alteração posterior de jurisprudência pelo STF não legitima o pedido rescisório Em consonância com o instituto da prospective overruling, a mudança jurisprudencial deve ter eficácia ex nunc, porque, do contrário, surpreende quem obedecia à jurisprudência daquele momento. Ao lado do prestígio do precedente, há o prestígio da segurança jurídica, princípio segundo o qual a jurisprudência não pode causar surpresa ao jurisdicionado a partir de modificação do panorama jurídico. Prospective overruling É uma técnica segundo a qual “os tribunais, ao mudarem suas regras jurisprudenciais, podem, por razões de segurança jurídica (boa-fé e confiança legítima), aplicar a nova orientação apenas para os casos futuros” (OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende de. Curso de Direito Administrativo. 2ª ed., São Paulo: Método, 2014, p. 103). O CPC/2015 trouxe previsão expressa da possibilidade da modulação dos efeitos da superação (prospective overruling): CPC - Art. 927 (...) § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. 17. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE - ADC A ação declaratória de constitucionalidade (ADC) foi introduzida no texto constitucional no dia 17 de março de 1993, por força da EC nº 3 e está disciplinada na Lei nº 9.868/1999. A ADC, exercida com exclusividade pelo STF, converte a presunção relativa de constitucionalidade da norma em uma presunção absoluta de constitucionalidade. ⚠ ATENÇÃO É possível que uma lei, dias após ser editada, já seja objeto de ADC? É possível preencher o requisito da “controvérsia judicial relevante” com poucos dias de vigência do ato normativo?56 Sim. Mesmo a lei ou ato normativo possuindo pouco tempo de vigência, já é possível preencher o requisito da controvérsia judicial relevante se houver decisões julgando essa lei ou ato normativo 56CAVALCANTE, Márcio André Lopes. ADC e controvérsia judicial relevantee. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 57 inconstitucional. O requisito relativo à existência de controvérsia judicial relevante é qualitativo e não quantitativo. Não é necessário que haja muitas decisões em sentido contrário à lei. Mesmo havendo ainda poucas decisões julgando inconstitucional a lei já pode ser possível o ajuizamento da ADC se o ato normativo impugnado for uma emenda constitucional (expressão mais elevada da vontade do parlamento brasileiro) ou mesmo em se tratando de lei se a matéria nela versada for relevante e houver risco de decisões contrárias à sua constitucionalidade se multiplicarem. STF. Plenário. ADI 5316 MC/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/5/2015 (Info 786). 17.1. LEGITIMIDADE ATIVA Os legitimados para a propositura da ADC são idênticos aos legitimados para a propositura da ADI e estão presentes na Constituição Federal, art. 103. CF - Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 17.2. OBJETO O objeto da ADC está previsto no art. 102, I, “a”, CF. Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; OBJETO DA ADI OBJETO DA ADC Lei ou ato normativo federal ou estadual. Lei ou ato normativo federal. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Defensor Público/DPE-RS (Ano: 2022, CESPE/CEBRASPE) foi 58 considerada errada a assertiva que dizia: “Em razão das consequências econômicas da pandemia de COVID-19, determinado estado-membro promulgou lei ordinária com o seguinte teor: “Ficam as instituições de ensino da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e superior da rede privada do Estado obrigadas a conceder diferimento em suas mensalidades em percentual mínimo de 30% (trinta por cento), enquanto durarem as medidas temporárias para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da pandemia de COVID-19”. A partir dessa premissa, julgue o item que se segue, considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e as disposições da Constituição da República sobre a matéria. Em se tratando de discussão envolvendo a compatibilidade da legislação estadual com a Constituição Federal, compete ao STF apreciar a questão, por meio de ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de constitucionalidade.” 17.3. PETIÇÃO INICIAL Art. 14. A petição inicial indicará: I - o dispositivo da lei ou do ato normativo questionado e os fundamentos jurídicos do pedido; II - o pedido, com suas especificações; III - a existência de CONTROVÉRSIA JUDICIAL RELEVANTE sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória. Parágrafo único. A petição inicial, acompanhada de instrumento de procuração, quando subscrita por advogado, será apresentada em 2 vias, devendo conter cópias do ato normativo questionado e dos documentos necessários para comprovar a procedência do pedido de declaração de constitucionalidade. O STF não está adstrito aos fundamentos invocados pelo autor (princípio da causa petendi aberta), não sendo possível admitir alegação genérica de constitucionalidadeIII – (LO) leis ordinárias; IV – (LD) leis delegadas; V – (MP) medidas provisórias; VI – (DL) decretos legislativos; VII – (R) resoluções. 1https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-constitucional/efeitos-do-controle-de-constitucionalidade-e-sua-importancia-para-garantir-a-seguranca- juridica/#:~:text=Como%20se%20depreende%20desses%20dois,o%20segundo%20%C3%A9%20imanente%20ao 5 Parágrafo único. LC disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. 3. CONTROLE DE CONVENCIONALIDADE2 É a verificação da compatibilidade das leis e atos normativos com os tratados internacionais com força supralegal. A Emenda Constitucional no 45/04, que acrescentou o § 3o ao art. 5o da Constituição, trouxe a possibilidade de os tratados internacionais de direitos humanos serem aprovados com um quorum qualificado, a fim de passarem (desde que ratificados e em vigor no plano internacional) de um status materialmente constitucional para a condição (formal) de tratados “equivalentes às emendas constitucionais”. Tal acréscimo constitucional trouxe ao direito brasileiro um novo tipo de controle à produção normativa doméstica, até então desconhecido: o controle de convencionalidade das leis. Com isso, as leis internas estariam sujeitas a um DUPLO PROCESSO DE COMPATIBILIZAÇÃO VERTICAL, devendo obedecer aos comandos previstos na Carta Constitucional, bem como aos previstos em tratados internacionais de direitos humanos regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro. 4. SISTEMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NO DIREITO COMPARADO A ideia de controle de constitucionalidade existe desde Aristóteles, em 420 a.C., passando pela Idade Média. Nesse contexto, cumpre ressaltar que não existe uma data precisa para a criação do controle de constitucionalidade. Contudo, pode-se afirmar que o controle difuso foi sistematizado nos Estados Unidos em 1803, com a decisão Marbury X Madison, ao passo que o controle concentrado foi sistematizado na Áustria, em 1920, por Hans Kelsen, na Constituição daquele país. 2https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/46/181/ril_v46_n181_p113.pdf 6 SISTEMA AUSTRÍACO (KELSEN) SISTEMA NORTE-AMERICANO (MARSHALL)3 decisão tem eficácia constitutiva (caráter constitutivo-negativo) decisão tem eficácia declaratória de situação preexistente por regra, o vício de inconstitucionalidade é aferido no plano da eficácia por regra, o vício de inconstitucionalidade é aferido no plano da validade por regra, decisão que reconhece a inconstitucionalidade produz efeitos ex nunc (prospectivos) por regra, decisão que declara a inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc (retroativos) a lei inconstitucional é ato anulável (a anulabilidade pode aparecer em vários graus) a lei inconstitucional é ato nulo (null and void), ineficaz (nulidade ab origine), írrito e, portanto, desprovido de força vinculativa lei provisoriamente válida, produzindo efeitos até a sua anulação invalidação ab initio dos atos praticados com base na lei inconstitucional, atingindo-a no berço o reconhecimento da ineficácia da lei produz efeitos a partir da decisão ou para o futuro (ex nunc ou pro futuro), sendo erga omnes, preservando-se, assim, os efeitos produzidos até então pela lei a lei, por ter nascido morta (natimorta), nunca chegou a produzir efeitos (não chegou a “viver”), ou seja, apesar de existir, não entrou no plano da eficácia 4.1. QUAIS OS CRITÉRIOS EXISTENTES NO MUNDO? Há dois critérios básicos, quais sejam: 4.1.1. NATUREZA DO ÓRGÃO a. CONTROLE POLÍTICO: efetivado por um órgão não pertencente ao poder judiciário. Exemplo: modelo francês estabelecido na Constituição de 1958 e que fixou um Conselho Constitucional, composto de 9 Conselheiros escolhidos pelo Presidente da República e pelo Parlamento, tendo como membros natos os ex-Presidentes da República. b. CONTROLE JUDICIAL: Efetuado por órgão pertencente ao poder judiciário. Como exemplo, temos 3 Tabela retirada do livro LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 26º Ed, pg. 469. São Paulo: SaraivaJur, 2022. 7 os Estados Unidos. 4.1.2. MOMENTO DO EXERCÍCIO a. CONTROLE PREVENTIVO: É o controle efetuado sobre o AINDA PROJETO DE LEI OU PROPOSTA. Antes da norma adquirir vigência. b. CONTROLE REPRESSIVO: É o efetuado após a norma legal adquirir vigência. Não se dá sobre projeto/proposta, mas sim sobre LEI ou EMENDA. 5. SISTEMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NO DIREITO BRASILEIRO No Brasil, temos todos os controles apresentados, com base em duas regras: Em regra, o controle político é preventivo Em regra, o controle judicial é repressivo 5.1. CONTROLE POLÍTICO O controle político, como já mencionado, é o controle realizado por órgão que não integra o Poder Judiciário. No Brasil, pode-se falar em controle político no art. 66, §1º, CF/88 que dispõe: Art. 66. § 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional (VETO JURÍDICO) ou contrário ao interesse público (VETO POLÍTICO), veta-lo-á total ou parcialmente, no prazo de 15 dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de 48 horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. O artigo citado (art. 66, §1º, CF) traz expressamente a hipótese de um VETO JURÍDICO, sua fundamentação é uma suposta inconstitucionalidade do projeto recebido pelo Presidente da República. ⚠ ATENÇÃO Em regra, o controle político é PREVENTIVO. Exceção: o controle político é REPRESSIVO na hipótese do art. 49, V da CF. Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - SUSTAR OS ATOS NORMATIVOS do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar (1ª parte) ou dos limites de delegação legislativa (2ª parte); A Constituição Federal estabelece limites, que sendo exorbitados pelo Executivo, faz com que o Legislativo atue para impedir a inconstitucionalidade. 8 ◾ DECRETO (art. 84, IV, parte final): envolve o decreto expedido pelo Presidente da República para a fiel execução da lei. Quando o decreto exorbita o poder regulamentar será sustado pelo Congresso Nacional, mantendo-se o que não ultrapassar os limites do poder regulamentar. CF - Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - Sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como EXPEDIR DECRETOS E REGULAMENTOS PARA SUA FIEL EXECUÇÃO; ◾ LEI DELEGADA (art. 68): Lembre-se que o Presidente legisla em dois casos: Medida Provisória e Lei Delegada. A primeira é altamente informal, enquanto a lei delegada é altamente formal (obtendo delegação legislativa). Se não obtiver delegação legislativa para tratar de determinada matéria, será possível ao poder legislativo sustar o que exorbite a delegação. Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. ⚠ ATENÇÃO Alguns doutrinadores apontam o art. 62 (Medidas Provisórias) como controle político repressivo. Todavia, Guilherme Peña assevera que esse exemplo não deve ser citado, pois nem sempre o controle da MP é de constitucionalidade (na verdade, na maioria é unicamente um controle político). Inclusive, uma das correntes sobre a natureza jurídica da Medida Provisória é a de que MP é projeto de lei que tem força cautelar de Lei (SAULO RAMOS). Para essa posição, o exemplo da MP não configura um controle repressivo. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Defensor(a) Público(a) de Entrância Inicial - DPE-CE (Ano: 2022, FCC) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “e”: A convocação de Ministro de Estado ou de quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República, pela Câmara dos Deputado ou pelo Senado, bem como por qualquer de suas comissões, para prestar, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência, sem justificação adequada, constitui hipótese de controle legislativo em sua modalidade a. informativa.sem qualquer demonstração razoável. ⚠ ATENÇÃO É possível, em uma mesma ação, cumular pedido típico de ADI com pedido típico de ADC? 57 Sim. É possível a cumulação de pedidos típicos de ADI e ADC em uma única demanda de controle concentrado. A cumulação de ações, neste caso, além de ser possível, é recomendável para a promoção dos fins a que destinado o processo objetivo de fiscalização abstrata de constitucionalidade, destinado à defesa em tese, da harmonia do sistema constitucional. A cumulação objetiva permite o enfrentamento judicial coerente, célere e eficiente de questões minimamente relacionadas entre si. Rejeitar a possibilidade de cumulação de ações, além de carecer de fundamento expresso na Lei nº 9.868/1999, traria como consequência apenas o fato de que o autor iria propor novamente a demanda com pedido e fundamentação idênticos, ação que seria distribuída por prevenção. STF. Plenário ADI 5316, julgado em 21/5/2015 (Info 786). 17.3. MEDIDA CAUTELAR 57CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Cumulação de ADI com ADCC. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 59 A medida cautelar, prevista no artigo 21 da Lei nº 9.868/99, prevê a suspensão do julgamento de processos envolvendo a aplicação da norma impugnada e determina que, concedida a liminar, o julgamento da ação deverá se dar em ATÉ 180 DIAS, sob pena de perda de eficácia da medida. Contudo, o STF já admitiu a prorrogação desse prazo. Deferida a medida cautelar, os juízes não poderão, em controle difuso, declarar a inconstitucionalidade da lei, pois a ação em trâmite deve ser suspensa. A concessão da medida irradia seus efeitos apenas para o Poder Judiciário. Contudo, o STF entende possível a atribuição de efeito vinculante e erga omnes em sede de liminar na ADC, tendo em vista o poder geral de cautela da Corte (ADC 4).58 Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de 10 dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia. 17.4. DECISÃO DEFINITIVA A decisão produz: ● Eficácia erga omnes ● Efeito vinculante e retroativo (ex tunc) ● É admissível a modulação dos efeitos temporais. 18. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL - ADPF A ADPF foi instituída na Constituição atual por meio da Emenda Constitucional nº 3/1993. Sua previsão constitucional está no art. 102 § 1º e suas características e particularidades estão disciplinadas na Lei nº 9.882/99. 18.1. LEGITIMIDADE ATIVA O art. 2º, I da Lei nº 9.882/99, menciona que podem propor argüição de descumprimento de preceito fundamental os legitimados para a ação direta de inconstitucionalidade. Em outras palavras, os legitimados para a propositura da ADPF, são os mesmos legitimados da ADI e da ADC, expressos no art. 103 da Constituição Federal. Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; 58Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado. 2020, P. 285 60 III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. 18.2. ESPÉCIES 18.2.1. ARGUIÇÃO AUTÔNOMA - art. 1º, caput, Lei 9.882/99 Além do pressuposto geral de inexistência de qualquer outro meio capaz de sanar a lesividade (caráter de subsidiariedade) exige-se: ameaça ou violação a preceito fundamental + ato estatal ou equiparável capaz de provocá-la. ARGUIÇÃO AUTÔNOMA PARÂMETRO DE CONTROLE É MAIS RESTRITO OBJETO DE CONTROLE É MAIS AMPLO Não é qualquer norma constitucional, mas apenas preceito fundamental. Não se limita aos atos normativos e estende-se aos três níveis de poder. Pode ser preventiva ou repressiva, buscando evitar ou reparar lesão a preceito fundamental. 18.2.1. ARGUIÇÃO INCIDENTAL (por equiparação ou equivalência) - art. 1º, parágrafo único, I c/c art. 6º, § 1º, Lei 9.882/99 A ADPF incidental será possível quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual, municipal (e por consequência o distrital, acrescente-se), incluídos os anteriores à Constituição. Nessa hipótese, deverá ser demonstrada a divergência jurisdicional (comprovação da controvérsia judicial) relevante na aplicação do ato normativo, violador do preceito fundamental. Com isso, vê-se que a arguição incidental, além de se restringir a ato normativo, pressupõe a demonstração de controvérsia judicial relevante, o que faz crer a existência de uma demanda concreta, tanto é que o art. 6º, § 2º, Lei 9.882/99 autoriza ao relator, se entender necessário, ouvir as partes nos processos que ensejaram a arguição. 18.3. PONTOS IMPORTANTES É possível, em tese, que seja proposta ADPF contra decisão judicial?59 SIM. Segundo o STF (ADPF 127, decisão monocrática), conforme o art. 1º, Lei 9.882/99, a ADPF será 59CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não cabimento de ADPF contra decisão judicial transitada em julgado. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 19/08/2021 61 proposta perante o STF, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. Quando a lei fala em "ato do poder público", abrange não apenas leis ou atos normativos, mas também outros atos do poder público, como uma decisão judicial. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Promotor de Justiça Substituto - MPE-SC (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada correta a assertiva que dizia: “A arguição de descumprimento de preceito fundamental pode ter por objeto decisões judiciais.” É possível que seja proposta ADPF contra decisão judicial mesmo que já tenha havido trânsito em julgado?56 NÃO. Segundo o STF (ADPF 81 MC, decisão monocrática, Info 810), não cabe ADPF contra decisão judicial transitada em julgado. Este instituto de controle concentrado de constitucionalidade não tem como função desconstituir a coisa julgada. É cabível o ajuizamento de ADPF contra interpretação judicial de que possa resultar lesão a preceito fundamental? SIM. Entendimento do STF na ADPF 484/AP. É possível que seja proposta ADPF contra súmula (comum ou vinculante)?56 SIM. É possível o ajuizamento de ADPF contra súmula de jurisprudência, quando o enunciado tiver preceito geral e abstrato. STF. Plenário. ADPF 501-AgR, Rel. para acórdão Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 14/09/2020. A ADPF pode ter como objeto as omissões do Poder Público?60 SIM. ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer totais ou parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em geral do poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 25/3/2021 (Info 1011). É possível de conhecimento da ADPF mesmo que a lei atacada tenha sido revogada antes do julgamento?61 SIM. A revogaçãoda Lei atacada na ADPF por outra lei local não retira o interesse de agir no feito. Isso porque persiste a utilidade da prestação jurisdicional com o intuito de estabelecer, com caráter erga omnes e vinculante, o regime aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da norma 61CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Possibilidade de conhecimento da ADPF mesmo que a lei atacada tenha sido revogada antes do julgamento, se persistir a utilidade em se proferir decisão com caráter erga omnes e vinculante. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 60CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Cabe ADPF quando se alega que está havendo uma omissão por parte do poder público. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 62 impugnada, bem como no que diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. A ADPF não carece de interesse de agir em razão da revogação da norma objeto de controle, máxime ante a necessidade de fixar o regime aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da lei, bem como no que diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. Trata-se da solução mais consentânea com o princípio da eficiência processual e o imperativo aproveitamento dos atos já praticados de maneira socialmente proveitosa. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8 e 9/5/2019 (Info 939). 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Delegado de Polícia - Edital nº 01 - PC-AM (Ano: 2022, FGV) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “D”: O Procurador-Geral do Município Alfa reuniu-se com o Prefeito Municipal e o Presidente da Câmara Municipal, para informar que determinada entidade de classe de âmbito nacional ingressara com arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), na qual sustenta a inconstitucionalidade da Lei municipal nº XX/1987, em razão da afronta a princípios fundamentais da Constituição da República, almejando que isto seja declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao responder às perguntas formuladas, o Procurador-Geral do Município informou corretamente que a. A ADPF não seria conhecida, pois a entidade que a ajuizou não tem legitimidade para fazê-lo. b. A Lei municipal nº XX não poderia ser submetida, nas circunstâncias indicadas, ao controle concentrado de constitucionalidade perante o STF. c. A procedência do pedido somente produzirá efeitos em relação às situações concretas descritas na ADPF, não afetando a vigência da Lei municipal nº XX. d. Ainda que o pedido seja julgado procedente, com a declaração de inconstitucionalidade da Lei municipal nº XX, o Poder Legislativo pode aprovar outra lei de idêntico teor. e. A procedência do pedido obstará que o Poder Executivo pratique atos administrativos com base na lei impugnada e que o Poder Legislativo edite outra lei com o mesmo teor. É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF)?62 SIM. É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta solução por meio de autocomposição. Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das teses jurídicas defendidas pelas partes no processo. O STF irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem dentro do âmbito da disponibilidade das partes. A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior efetividade à prestação jurisdicional. STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892). 62CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível celebrar acordo em ADPF. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 63 ADPF e ADI são sempre fungíveis entre si? Não. A fungibilidade não será possível quando a parte autora incorrer em erro grosseiro. É o caso, por exemplo, de uma ADPF proposta contra uma Lei editada em 2013, ou seja, quando manifestamente seria cabível a ADI por se tratar de norma posterior à CF/88. STF. Plenário. ADPF 314 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/12/2014 (Info 771).63 Contudo, vale ressaltar que, em regra, a ADPF e a ADI são fungíveis entre si. Assim, o STF reconhece ser possível a conversão da ADPF em ADI quando imprópria a primeira. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Promotor de Justiça Substituto - MPE-SC (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada correta a assertiva que dizia: “Ação direta de inconstitucionalidade cujo objeto seja a discussão acerca da recepção, pela CF, de determinada lei ou ato normativo pode ser admitida como arguição de descumprimento de preceito fundamental, uma vez preenchidos seus respectivos requisitos, com base na fungibilidade.” É possível ADPF para impugnar normas secundárias? A ADPF é, via de regra, meio inidôneo para processar questões controvertidas derivadas de normas secundárias e de caráter tipicamente regulamentar. STF. Plenário. ADPF 210 AgR, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 06/06/2013.64 É possível que seja proposta ADPF visando discutir decisões tomadas em recurso extraordinário com repercussão geral? NÃO. 3. Ainda, já estabelecido por esta Suprema Corte ser incabível arguição de descumprimento de preceito fundamental que busca rediscutir decisões tomadas em recurso extraordinário com repercussão geral, ou que tenha pretenso efeito rescisório. A ADPF não se presta a rever ou rescindir, mesmo que em parte e colateral ou indiretamente, a decisão tomada em recurso extraordinário – no caso, a decisão homologatória do acordo. (STF, ADPF 939, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-088 DIVULG 06-05-2022 PUBLIC 09-05-2022) ADPF e subsidiariedade 1. Na ADPF 33, definiu-se interpretação jurídica do requisito da subsidiariedade, o óbice processual consistente em pressuposto negativo de admissibilidade, previsto no art. 4º, § 1º, da Lei nº 9.882/1999, no sentido de que a cláusula de subsidiariedade impõe a inexistência de outro meio tão eficaz e definitivo quanto a ADPF para sanar a lesividade, em regra, no universo do sistema concentrado de jurisdição 64CAVALCANTE, Márcio André Lopes. ADPF não pode ser usada para impugnar normas secundárias. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 63CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Fungibilidade entre ADPF e ADI. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 64 constitucional. 2. A subsidiariedade foi objeto de desenvolvimento interpretativo por este Supremo Tribunal Federal, em visão holística dos meios disponíveis para sanar, de modo adequado, a lesividade arguida. Assim, por exemplo, no sentido do não atendimento do requisito se (i) houver solução da controvérsia em sede de repercussão geral; (ii) pretender-se utilizar a ação direta como sucedâneo recursal; ou (iii) a lesão puder ser sanada em sede de recurso extraordinário em tramitação, mesmo que inexistente outra ação direta cabível na hipótese. (STF, ADPF 939, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 02/05/2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-088 DIVULG 06-05-2022 PUBLIC 09-05-2022) 18.4. PRESSUPOSTOS DE CABIMENTO 18.4.1. DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL Segundo André Ramos Tavares: "Os preceitos fundamentais realmente diferenciam-se dos demais preceitos constitucionais por sua importância, o que se dá em virtudeda imediatidade dos valores que encampam e da relevância desses mesmos valores para o desenvolvimento ulterior de todo o direito. Os preceitos fundamentais de uma Constituição cumprem exatamente o papel de lhe conferir identidade própria. Albergam, em seu conjunto, a alma da Constituição"65 Quais são os chamados “preceitos fundamentais”?66 Não existe um dispositivo da Constituição ou uma lei que defina quais seriam esses preceitos fundamentais. Diante disso, entende-se que cabe ao STF, no caso concreto, dizer se aquele dispositivo invocado pelo autor pode ou não ser enquadrado como preceito fundamental. EXEMPLOS DE PRECEITO FUNDAMENTAL Na ADPF 405 MC/RJ, a Min. Rosa Weber afirmou que poderiam ser considerados preceitos fundamentais ⤷ A separação e independência entre os Poderes; ⤷ O princípio da igualdade; ⤷ O princípio federativo; ⤷ A garantia de continuidade dos serviços públicos; ⤷ Os princípios e regras do sistema orçamentário (art. 167, VI e X, da CF/88) ⤷ O regime de repartição de receitas tributárias (arts. 34, V e 158, III e IV; 159, §§ 3º e 4º; e 160 da CF/88); ⤷ A garantia de pagamentos devidos pela Fazenda Pública em ordem cronológica de apresentação de precatórios (art. 100 da CF/88). Dentre os preceitos fundamentais, não se inclui apenas aqueles dispositivos expressos, mas também as prescrições implícitas, desde que consideradas fundamentais. 66https://www.buscadordizerodireito.com.br/dodpedia/detalhes/1700002963a49da13542e0726b7bb758?palavra-chave=preceito+fundamental&criterio- pesquisa=e 65TAVARES, André Ramos. Tratado da arguição de preceito fundamental. São Paulo: Editora Saraiva, 2001. p. 53. 65 18.4.2. INEXISTÊNCIA DE OUTRO MEIO IDÔNEO (SUBSIDIARIEDADE) - art. 4º, Lei 9.882/99 Inadmissível propositura de ADPF sempre que cabível outro processo objetivo (ADI, ADO e ADC) ou mesmo ações individuais ou recursos. Assim, tal linha de pensamento rejeita a ADPF sempre que seja possível enfrentar o ato por via de MS, ação popular, reclamação ou recursos ordinários e extraordinários, pelo menos antes que eles sejam esgotados. O princípio/regra da subsidiariedade deve ser entendido como a "inexistência de outro meio eficaz de sanar a lesão, compreendido no contexto da ordem constitucional global, como aquele apto a solver a controvérsia constitucional relevante de forma ampla, geral e imediata. A existência de processos ordinários e recursos extraordinários não pode excluir, a priori, a utilização da ADPF, em virtude da feição marcadamente objetiva dessa ação" (ADPF 33). Trata-se, portanto, de “pressuposto negativo de admissibilidade”, atuando a “cláusula da subsidiariedade” como “causa obstativa” para o ajuizamento da ADPF no STF (ADPF 314 AgR). 18.4.3. PRESSUPOSTO ESPECÍFICO DA ARGUIÇÃO FUNDAMENTAL Relevância da controvérsia judicial sobre lei ou ato normativo. Segundo Luís Roberto Barroso, será relevante a controvérsia quando o seu deslinde tiver uma repercussão geral, que transcenda o interesse das partes do litígio, seja pela gravidade ou fundamentalidade da tese em discussão, por seu alcance político, econômico, social ou ético. Ou seja, haverá de estar envolvida situação que afete o ordenamento constitucional de maneira objetiva. 18.5. OBJETO - art. 1º, Lei 9.882/99 Evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, podendo, assim, ter caráter preventivo ou repressivo. No caso da arguição incidental, além da tutela do preceito fundamental, visa-se também a proteção da segurança jurídica, da ordem social ou a reparação da injustiça dramática, mediante demonstração de relevância da controvérsia constitucional. Ademais, a lesão pode resultar de qualquer ato administrativo, inclusive decretos regulamentares. Segundo Luís Roberto Barroso, o pedido não versará acerca da providência material em última análise desejada, mas terá por conteúdo a fixação das condições e do modo de interpretação e aplicação do preceito fundamental (art. 10, Lei 9.882/99). 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Defensor Público - DPE-SE (Ano: 2022, CESPE/CEBRASPE) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “b”: À luz da Lei n.º 9.882/1999 e da jurisprudência do STF, assinale opção correta acerca da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). 66 a. A ADPF é o meio adequado para fazer o controle de constitucionalidade de lei estadual posterior à CF de 1988. b. A ADPF é cabível quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei municipal anterior à CF de 1988. c. A ADPF tem natureza jurídica de norma constitucional de caráter autoaplicável. d. Admite-se a utilização da ADPF em face de atos estatais ainda não aperfeiçoados. e. Poderá o relator conceder a liminar na ADPF, sendo desnecessário submetê-la a referendo do Tribunal Pleno. Nesse sentido, para prova para o cargo de Juiz de Direito Substituto - TJ-MG (Ano: 2022, FGV) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “A”: Em relação ao controle de constitucionalidade, analise as afirmativas a seguir. I. A arguição de descumprimento de preceito fundamental será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, em se tratando de controle de constitucionalidade de lei municipal em face da Constituição Federal. II. A arguição de descumprimento de preceito fundamental é cabível em caso de lei vigente anterior à Constituição Federal em relação à qual se pretende o controle. III. Dentre os legitimados a propor a arguição de descumprimento de preceito fundamental está o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. IV. A decisão que julgar procedente ou improcedente a ação de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível, mas cabível ação rescisória. Está correto o que se afirma em a. I, II e III, somente. b. I e II, somente. c. I, II, III e IV. d. II e IV, somente. 18.6 ATOS DO PODER PÚBLICO E DETERMINADOS ATOS PRIVADOS EQUIPARADOS AOS PRATICADOS POR AUTORIDADES PÚBLICAS ◾ Atos normativos Compreende os atos dotados de generalidade, abstração e obrigatoriedade, destinados a reger a vida social, estando abrangidos, para fins de ADPF, todos os atos infraconstitucionais. ◾ Direito federal, estadual ou municipal Relativamente aos atos municipais, o STF já pacificou entendimento de que não cabe ADI ou ADC de lei municipal em face da CF. Assim, se a norma municipal envolver lesão ou ameaça a preceito fundamental e houver controvérsia constitucional quanto à sua aplicação, caberá o controle concentrado do STF, mediante ADPF. ◾ Atos administrativos Segundo Luís Roberto Barroso, é cabível em face de atos administrativos de alcance mais amplo e até de repercussão geral, como editais de licitação, contratos administrativos, concursos públicos e decisões de 67 tribunais de contas. Assim, é possível supor que, em determinadas situações de descumprimento de preceito fundamental e de relevância do fundamento da controvérsia constitucional que venha a se instalar, é possível superar a regra da subsidiariedade e admitir a ADPF. ◾ Atos jurisdicionais Como regra, será necessário esgotar os meios de impugnação sem sucesso para superar o óbice do art. 4º, § 1º, Lei 9.882/99 quanto à inexistência de outro meio para sanar a lesividade. Todavia, em casos gravíssimos de error in judicando ou error in procedendo, com ameaça a lesão ou a preceito constitucional e havendo relevância na controvérsia constitucional, não sendo possível produzir o resultado constitucionalmente adequado pelos mecanismos do processo subjetivo, será possível cogitar do cabimento de ADPF. SEGUNDO GILMAR MENDES (ADPF 395), SERIAM DUAS AS POSSIBILIDADES Lesão a preceito decorrente de mera interpretação judicial. Contrariedade à Constituição decorrente de decisão judicial sem base legal (ou fundada em uma falsa base legal). 18.7. MEDIDA CAUTELAR - art. 5º, Lei 9.882/99 A medida cautelar é possível na ADPF, desde que por decisão da maioria absoluta dos membros do Tribunal. Pode ser deferida diretamente pelorelator, em caso de extrema urgência, perigo de lesão grave ou de recesso, ad referendum do plenário. Antes de apreciar a medida, o relator poderá ouvir os órgãos responsáveis pelo ato impugnado, bem como o AGU ou o PGR, no prazo comum de 5 dias. ⚠ ATENÇÃO Conforme art. 5º, § 3º, Lei 9.882/99, a liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada. Art. 5o O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar na argüição de descumprimento de preceito fundamental. § 3o A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada. 68 📌 OBSERVAÇÃO MEDIDA CAUTELAR REPRESENTAÇÃO INTERVENTIVA A liminar poderá consistir na determinação de que se suspenda o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais ou administrativas ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da representação interventiva. ADI A medida cautelar, dotada de EFICÁCIA CONTRA TODOS, será concedida com EFEITO EX NUNC, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa. A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente (EFEITO REPRISTINATÓRIO), salvo expressa manifestação em sentido contrário. ADO A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo Tribunal. ADC O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. ADPF A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa julgada. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Promotor de Justiça Substituto/MPE-SC (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada errada a assertiva que dizia: “No caso de ação direta de inconstitucionalidade, é possível medida cautelar para suspender o julgamento de processos que envolvam a aplicação do ato normativo objeto de impugnação até decisão definitiva, hipótese inexistente no âmbito de ação declaratória de constitucionalidade.” 19. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO - ADO 19.1. INTRODUÇÃO67 A ação direta de inconstitucionalidade por omissão é uma novidade da Constituição Federal de 1988. Tem como finalidade combater a “síndrome de inefetividade das normas constitucionais”, ou seja busca tornar 67LENZA (2020). pags. 291-299 69 efetiva norma constitucional destituída de efetividade, as normas constitucionais de eficácia limitada. Trata-se de processo objetivo de guarda do ordenamento constitucional, afetado pela alegada lacuna normativa ou pela existência de um ato normativo reputado insatisfatório ou insuficiente. O que se busca é tornar efetiva norma constitucional destituída de efetividade, ou seja, somente as normas constitucionais de eficácia limitada. O tratamento constitucional da inconstitucionalidade por omissão refere-se às omissões de cunho normativo, imputáveis tanto ao Legislativo, na edição de normas primárias, quanto ao Executivo, quando lhe toque expedir atos secundários de caráter geral. Ex: regulamentos, instruções ou resoluções. Os legitimados para a propositura da ADO estão dispostos na Lei 9.868/99, em seu art. 12-A: Art. 12-A. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Juiz Substituto - TJ-RS (Ano: 2022, FAURGS) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “D”: Sobre jurisdição constitucional, assinale a afirmativa correta. a. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade, dentre outros, o Presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados, a Mesa da Assembleia Legislativa, o Governador de Estado ou o Prefeito de Município. b. Não cabe recurso da decisão do relator que indefere liminarmente petição inicial de ação direta de inconstitucionalidade. c. A Lei Federal nº 9.868/1999 prevê, expressamente, a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos das declarações de constitucionalidade e de inconstitucionalidade, bem como decidir que elas só tenham eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. d. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade por omissão os legitimados à propositura da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade. e. O pedido de medida cautelar na ação direta de inconstitucionalidade por omissão inconstitucional é vedado pela Lei Federal nº 9.868/1999. ⚠ ATENÇÃO ◾ Em tese, é possível conceber uma omissão normativa do Judiciário, nas hipóteses em que a Constituição lhe confira competência dessa natureza. Ex: regimento interno dos tribunais (art. 96, I, “a”, CF). ◾ “Impossibilidade jurídica do pedido de conversão do mandado de injunção em ação direta de inconstitucionalidade por omissão” (MI 395-QO, Rel. Min. Moreira Alves, DJ de 11.09.1992). 19.2. ESPÉCIES DE OMISSÃO 1. TOTAL OU ABSOLUTA O legislador, convocado pelo constituinte a agir, simplesmente não edita lei alguma. 70 2. OMISSÃO PARCIAL PROPRIAMENTE DITA A norma existe, mas não satisfaz plenamente o mandamento constitucional, por insuficiência ou deficiência de seu texto. Ex: a lei que institui o salário mínimo em patamar incapaz de atender aos parâmetros impostos pelo art. 7º, IV, CF. 3. OMISSÃO PARCIAL RELATIVA Quando um ato normativo outorgar a alguma categoria de pessoas determinado benefício, com exclusão de outra ou outras categorias que deveriam ter sido contempladas, em violação ao princípio da isonomia, em conformidade com a Súmula Vinculante nº 37. SV 37, STF: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. 19.3. OBJETO 19.3.1. Se o sujeito passivo na ação for um dos Poderes O pedido limita-se a que lhe seja dada ciência da ocorrência da omissão inconstitucional, para a adoção das providências necessárias. 19.3.2. Se a omissão for imputável a um órgão administrativo A decisão terá caráter de uma verdadeira ordem, cabendo a ele adotar as providências necessárias no prazo de trinta dias, sob pena de responsabilização. É possível o controle judicial de omissão em matéria de políticas públicas? SIM. O controle judicial de omissão em matéria de políticas públicas é possível – e, mais que isso, imperativo – diante de quadros de eternização ilícita das etapas de implementação dos planos constitucionais ou, ainda, em face de violação sistêmica dos direitos fundamentais, uma vez que o princípio da separação dos Poderes não pode ser interpretado como mecanismo impeditivo da eficácia das normas constitucionais, sob pena de transformar os programas da Carta Maior em meraspromessas. Precedente: ADPF 347 MC, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 9/9/2015, DJe 19/2/2016 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Delegado de Polícia - Edital nº 01 - PC-AM (Ano: 2022, FGV) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “e”: O Partido Político XX solicitou que sua assessoria analisasse a possibilidade de ser ajuizada ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO), em razão da não edição de lei, pelo Estado Beta, para a regulamentação de norma da Constituição da República de 1988. 71 A assessoria respondeu corretamente que a ADO a. pode ser utilizada, mas apenas se a norma da Constituição da República, a ser regulamentada, tiver eficácia contida. b. pode ser ajuizada, mas apenas se a União já tiver se desincumbido da edição de normas gerais sobre a temática. c. somente pode ser ajuizada em razão da omissão de autoridades da União, não sendo cabível na hipótese em tela. d. somente pode ser utilizada, na hipótese em tela, caso a União tenha delegado, por meio de lei complementar, o exercício da competência legislativa. e. pode ser utilizada, desde que se esteja perante descumprimento de um comando para legislar, não perante pura opção normativa de disciplinar, ou não, certa temática. 19.4. MEDIDA CAUTELAR Existe a possibilidade de medida cautelar nos casos de excepcional urgência e relevância da matéria. A medida poderá consistir na determinação de que seja suspensa a aplicação da lei ou do ato normativo questionado, no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo tribunal (art. 12-F, § 1º, Lei 9.882/99). Essa última previsão, de conteúdo aberto, parece abrir caminho para eventuais decisões de conteúdo aditivo, não apenas em sede de liminar, mas também nos provimentos finais. A concessão da medida, mediante decisão da maioria absoluta dos membros do tribunal, deverá ser realizada após a audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão se pronunciar em cinco dias (art. 12-F, Lei 9.882/99). 19.5. MANDADO DE INJUNÇÃO X ADI POR OMISSÃO68 MANDADO DE INJUNÇÃO ADI POR OMISSÃO Natureza e finalidade Trata-se de processo no qual é discutido um direito subjetivo. A finalidade é viabilizar o exercício de um direito. Há, portanto, controle concreto de constitucionalidade. Natureza e finalidade. A finalidade é declarar que há uma omissão, já que não existe determinada medida necessária para tornar efetiva uma norma constitucional.Estamos diante, portanto, de processo objetivo, em que há controle abstrato de constitucionalidade. Cabimento Cabível quando faltar norma regulamentadora de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Cabimento Cabível quando faltar norma regulamentadora relacionada com qualquer norma constitucional de eficácia limitada. 68https://www.dizerodireito.com.br/2016/06/primeiros-comentarios-lei-1330020 16-lei.html 72 Legitimados ativos MI individual: pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas. MI coletivo: estão previstos no art. 12 da Lei nº 13.300/2016. Legitimados ativos Os legitimados da ADI por omissão estão descritos no art. 103 da CF/88. Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. Competência A competência para julgar a ação dependerá da autoridade que figura no polo passivo e que possui atribuição para editar a norma. Competência Quando relacionada com a norma da CF/88: STF. Quando relacionada com a norma da CE: TJ. Efeitos da decisão Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Obs: será dispensada a determinação a que se refere o inciso I quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. Efeitos da decisão Declarada a inconstitucionalidade por omissão, o Judiciário dará ciência ao Poder competente para que este adote as providências necessárias. Se for órgão administrativo, este terá um prazo de 30 dias para adotar a medida necessária. Se for o Poder Legislativo, não há prazo. 73 20. CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO NO ÂMBITO ESTADUAL De acordo com o art. 125, § 2.º, da Constituição Federal compete aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual. Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. (...) § 2º Cabe aos Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, vedada a atribuição da legitimação para agir a um único órgão. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Defensor Público Substituto - DPE-TO (Ano: 2022, CESPE/CEBRASPE) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “C”: Considere que tenha sido ajuizada, em tribunal de justiça local, uma ação direta de inconstitucionalidade contra lei ou ato normativo editado por município, tendo como parâmetro de controle dispositivo da Constituição Federal de 1988 (CF). Nesse caso, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), o controle abstrato de constitucionalidade a. deve ser exercido originariamente pelo STF, considerando-se que o parâmetro de controle são normas insertas na CF. b. não é cabível, pois o ato normativo municipal deve ser questionado no âmbito do controle difuso. c. pode ser exercido pelo tribunal de justiça, caso o parâmetro de controle invocado na ação seja norma de reprodução obrigatória na Constituição estadual. d. não deve ser admitido pelo tribunal de justiça, ainda que se trate de norma de reprodução obrigatória na Constituição estadual. e. pode ser exercido originariamente pelo STF, desde que se trate de norma de reprodução obrigatória. 20.1. COMPETÊNCIA O controle concentrado no âmbito estadual é competência, somente, do Tribunal de Justiça local. 20.2. LEGITIMIDADE ATIVA A CF/88 não estabeleceu a legitimidade ativa para a propositura das ações de controle concentrado-abstrato no âmbito estadual, tendo vedado apenas a atribuição da legitimidade de agir a um único órgão, conforme expresso no art. 125, § 2º, CF. As Constituições Estaduais podem adotar o MODELO DE INTROVERSÃO, atribuindo a legitimidade ativa apenas aos órgãos dos poderes públicos, ou o MODELO DE EXTROVERSÃO, atribuindo-a também a entidades de caráter privado, tais como associações, entidades de classe e partidos políticos, como fez a CF/88. ⚠ ATENÇÃO 74 Não deve ser admitida a possibilidade de atribuir a legitimidade da propositura da representação de inconstitucionalidade aos cidadãos (“ação popular”), seja porque o dispositivo constitucional se refere a órgãos, seja pelo risco à efetividade do controle concentrado causada pela possibilidadede uma inflação de processos. A Constituição estadual é quem definirá quais são as pessoas que têm legitimidade para propor a ação. A CF/88 proíbe que seja apenas um legitimado. A Constituição estadual poderá instituir outros legitimados que não encontram correspondência no art. 103 da CF/88. Ex.: Deputado Estadual poderá ser um dos legitimados mesmo não estando contemplado no art. 103 da CF/88. STF. Plenário. RE 261677, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 06/04/2006. 69 20.3. PARÂMETRO O único parâmetro para o controle concentrado-abstrato no âmbito estadual são os dispositivos da Constituição do respectivo Estado, não sendo possível estender o parâmetro à Constituição da República, nem à lei orgânica municipal. Não há restrição quanto à natureza do dispositivo invocado, sendo admitidas como parâmetro quaisquer normas da Constituição Estadual, inclusive normas de observância obrigatória, normas de mera repetição e até mesmo normas remissivas. ⚠ ATENÇÃO Normas sobre processo legislativo são de repetição obrigatória. “1. É constitucional o exercício pelos Tribunais de Justiça do controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais em face da Constituição da República, quando se tratar de normas de reprodução obrigatória pelos Estados-membros. 2. As normas constitucionais de reprodução obrigatória, por possuírem validade nacional, integram a ordem jurídica dos Estados-membros ainda quando omissas em suas Constituições estaduais, inexistindo qualquer discricionariedade em sua incorporação pelo ordenamento local.” 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Juiz de Direito Substituto - TJ-AP (Ano: 2022, FGV) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “A”: O Tribunal de Justiça do Estado Alfa foi instado a realizar o controle concentrado de constitucionalidade de três normas do Município Beta: (1) a primeira norma tratava do processo legislativo no âmbito da Câmara Municipal, temática sobre a qual a Constituição do Estado Alfa não versava; (2) a segunda dispunha sobre temática que a Constituição do Estado Alfa disciplinava de modo literalmente idêntico à Constituição da República de 1988; e (3) a terceira, sobre temática somente prevista na Constituição do Estado Alfa, não na Constituição da República de 1988. O Tribunal de Justiça do Estado Alfa, preenchidos os demais requisitos exigidos: a. deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3; b. não deve realizar o controle das normas descritas em 1, 2 e 3; c. apenas deve realizar o controle das normas descritas em 2 e 3; 69CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Legitimados da ADI estadual são estabelecidos pela Constituição estadual. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 75 d. apenas deve realizar o controle da norma descrita em 1; e. apenas deve realizar o controle da norma descrita em 3. ⚠ ATENÇÃO Quando o TJ julga uma ADI contra lei estadual ou municipal, ele poderá declará-la inconstitucional sob o argumento de que viola um dispositivo da Constituição Federal?70 Em regra, não. O parâmetro da ADI proposta perante o TJ é a Constituição Estadual (e não a Constituição Federal). Assim, em regra, na ADI estadual, o TJ irá analisar se a lei ou ato normativo atacado viola ou não a Constituição Estadual. Este é o parâmetro da ação. O TJ não pode examinar se o ato impugnado ofende a Constituição Federal. O STF, em reiteradas oportunidades, já decidiu sobre o tema: Não cabe a tribunais de justiça estaduais exercer o controle de constitucionalidade de leis e demais atos normativos municipais em face da Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 347, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em 20/09/2006. Exceção: Os Tribunais de Justiça, ao julgarem a representação de inconstitucionalidade proposta contra lei municipal, poderão declará-la inconstitucional utilizando como parâmetro dispositivos da Constituição Federal, desde que eles sejam normas de reprodução obrigatória pelos Estados. Segundo o Ministro Luís Roberto Barroso, as normas de reprodução obrigatória são: "as disposições da Carta da República que, por pré-ordenarem diretamente a organização dos Estados-membros do Distrito Federal e/ou dos Municípios, ingressam automaticamente nas ordens jurídicas parciais editadas por esses entes federativos. Essa entrada pode ocorrer, seja pela repetição textual do texto federal, seja pelo silêncio dos constituintes locais – afinal, se sua absorção é compulsória, não há qualquer discricionariedade na sua incorporação pelo ordenamento local." (Rcl 17954 AgR/PR). Para Marcelo Novelino, “As normas de observância obrigatória são diferenciadas em três espécies. Os princípios constitucionais sensíveis representam a essência da organização constitucional da federação brasileira e estabelecem limites à autonomia organizatória dos Estados-membros (CF, art. 34, VII). Os princípios constitucionais extensíveis consagram normas organizatórias para a União que se estendem aos Estados, por previsão constitucional expressa (CF, arts. 28 e 75) ou implícita (CF, art. 58, § 3.°; arts. 59 e ss.). Os princípios constitucionais estabelecidos restringem a capacidade organizatória dos Estados federados por meio de limitações expressas (CF, art. 37) ou implícitas (CF, art. 21)." (NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. Salvador: Juspdodivm, 2015, p. 82). Criação de outras ações de controle concentrado-abstrato no âmbito estadual71 Possível o estabelecimento de ADC nas Constituições dos Estados, pois a ADI e a ADC possuem caráter ambivalente/dúplice. Possível a criação de ADO nas Cartas Estaduais, pois isso teria fundamento no princípio da simetria. Há divergência quanto ao cabimento de ADPF: 71https://jus.com.br/artigos/88576/controle-concentrado-abstrato-de-constitucionalidade-nos-estados-membros 70CAVALCANTE, Márcio André Lopes. TJ pode julgar ADI contra lei municipal tendo como parâmetro norma da Constituição Federal?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 19/08/2021 76 1a Corrente - Cabível: invoca o princípio da simetria e também a autonomia que os Estados-membros teriam para criar um mecanismo para defender seus próprios preceitos fundamentais em face das peculiaridades locais; 2a Corrente - Não cabível: a Constituição Federal atribuiu competência apenas ao Supremo Tribunal Federal para julgar a ADPF e também que não há o mesmo fundamento da ambivalência usado para justificar a ADC no âmbito estadual. ⚠ ATENÇÃO Para Marcelo Novelino, a ADPF no âmbito estadual é inadmissível pelos seguintes motivos: ● Competência atribuída exclusivamente ao STF pela Constituição. ● Caráter subsidiário da ação, o que reduziria consideravelmente as hipóteses de cabimento da ADPF perante o STF. ● Pouca utilidade de uma ação desta espécie, em razão da amplitude do objeto da ADPF na esfera federal, a qual abrange, inclusive, leis e atos normativos municipais, diversamente da ADI. ● Incompetência dos Estados para legislar sobre direito processual, salvo quando autorizados por lei complementar. 20.4. RECURSO CONTRA A DECISÃO DO TJ72 Em regra, contra a decisão do TJ que julga a representação de inconstitucionalidade não cabe recurso, salvo eventuais embargos de declaração. Exceção: da decisão do TJ caberá recurso extraordinário ao STF se a norma da Constituição Estadual que foi apontada como violada (parâmetro) for uma norma de reprodução obrigatória (aquela que é prevista na CF/88 e que também deve ser repetida na CE). Essa decisão do STF, mesmo tendo sido proferida em RE, teria eficácia erga omnes. Importante deixar claro que se a norma parâmetro da ADI estadual (norma da CE tida como violada) for de reprodução obrigatória, caberá RE contra a decisão do TJ ainda que a lei atacada (objeto da ADI estadual) seja uma lei municipal.🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Promotor de Justiça Substituto - Concurso XXXVI - MPE-RJ (Ano: 2022, MPE-RJ) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “c”: Considere a hipótese de o Ministério Público ter ajuizado uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Tribunal de Justiça (TJ) em face de uma lei municipal que criou gratificação para o Prefeito fora do regime de subsídio, sobre o fundamento de que essa lei contraria norma da Constituição do Estado. Se o pedido da ação for julgado improcedente, declarando a lei constitucional, dessa decisão do TJ Alternativas a. não caberá recurso, tendo em vista que o TJ, nessa hipótese, é o guardião máximo do controle de 72CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Possibilidade de o Ministro do STF, monocraticamente, negar provimento ao RE interposto contra o acórdão do TJ que decidiu que a lei estadual é inconstitucional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . 78 Lei/ato federal ou estadual Lei/ato federal ou estadual Lei/ato federal Lesão a preceito fundamental. Pode ter por objeto lei municipal e lei anterior à Constituição. Legitimados: I - o Presidente da República; II - a Mesa do Senado Federal; III - a Mesa da Câmara dos Deputados; IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou a Mesa da Câmara Legislativa do Distrito Federal; V - o Governador de Estado ou o Governador do Distrito Federal; VI - o Procurador-Geral da República; VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. A petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator. Cabe agravo da decisão que indeferir. Na PI da ADC, deve indicar a existência de controvérsia judicial relevante sobre a aplicação da disposição objeto da ação. PI indeferida quando não for caso de ADPF, inepta. Cabe agravo em 5 dias. O Relator pode solicitar informações que devem ser prestadas no prazo de 30 dias. O Relator pode solicitar informações que devem ser prestadas no prazo de 30 dias. O Relator pode solicitar informações que devem ser prestadas no prazo de 10 dias. O MP, quando não tiver proposto, terá vista do processo por 5 dias. Serão ouvidos AGU e PGR tendo 15 dias para se manifestarem. AGU defenderá o ato/texto impugnado Relator pode solicitar manifestação da AGU (15 dias). PGR terá vista por 15 dias. PGR deve pronunciar-se em 15 dias. Medida cautelar: maioria absoluta, após manifestação do órgão que emanou a lei/ato (5 dias). Em caso de excepcional urgência, pode dispensar manifestação do órgão. Se julgar indispensável, ouvirá AGU e PGR em 3 dias. Medida cautelar: maioria absoluta, após manifestação do órgão que emanou a lei/ato (5 dias). A medida pode consistir na suspensão da aplicação da lei/ato bem com suspensão dos processos judiciais e Medida cautelar: maioria absoluta. Consiste na determinação de que juízes/tribunais suspendam o julgamento do processo que envolvam aplicação da lei/ato objeto da ação. Concedida a medida, o Tribunal deve proceder ao Limiar pode ser concedida por decisão de maioria absoluta. Em caso de extrema urgência ou recesso, pode ser concedida pelo relator ad referendum do Pleno (maioria absoluta). Relator pode ouvir AGU ou PGR em 5 dias. 79 A medida terá efeito ex nunc e eficácia contra todos, tornado aplicável legislação anterior. procedimentos adm. Se julgar indispensável, ouvirá PGR em 3 dias. julgamento da ação no prazo de 180 dias, sob pena de perder sua eficácia. Não se suspendem as ações transitadas em julgado. Se a omissão for imputável a órgão da Administração Pública as providências deverão ser tomadas em 30 dias. Não admite intervenção de terceiros. A decisão somente poderá ser tomada se presentes na sessão pelo menos 8 Ministros, tendo que se manifestar pelo 6 favoravelmente. Decisão somente poderá ser tomada se presentes na sessão pelo menos 2/3 dos Ministros. Decisão irrecorrível, salvo ED em 5 dias. Não cabe rescisória. Decisão irrecorrível e não cabe rescisória. Modulação temporal dos efeitos da decisão: por voto de 2/3 dos membros, tendo em vista razões de segurança jurídica e excepcional interesse social. Admitem amicus curiae 21. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO MUNICIPAL Segundo André Ramos Tavares: “No silêncio legislativo a respeito do controle de incompatibilidade entre leis orgânicas municipais e normas inferiores, não pode subsistir outra conclusão senão a de que, devido à imperatividade de eliminar do ordenamento jurídico positivo antinomias e outros vícios que venham lhe tolher a coerência, é necessário que seja permitido aos órgãos do Judiciário conhecer tais normas incompatíveis e impedir que produzam efeitos sobre relações jurídicas legalmente constituídas. Não há no sistema jurídico pátrio, no entanto, forma de proceder a esse efeito senão POR MEIO DO CONTROLE DIFUSO, caso a caso”74 O STF, na ADI 1268-AgR, pontuou que não existe controle concentrado de lei ou ato normativo municipal contra a Constituição Federal perante os Tribunais de Justiça e que “a Constituição Federal somente admite o controle, em abstrato, de lei ou ato normativo municipalem face da Constituição Estadual, junto ao Tribunal de Justiça do Estado (C.F., art. 125, § 2º).” Ademais, o STF já consignou que o controle concentrado de lei municipal contra a Lei Orgânica do 74TAVARES, André Ramos.. Curso de Direito Constitucional. 2. ed., São Paulo: Saraiva, 2003, p. 34, grifei. 80 mesmo Município não deve ser admitido por ausência de previsão constitucional. In verbis: “Recurso Extraordinário. 2. Controle concentrado de constitucionalidade de lei municipal em face da Lei Orgânica do Município. Inexistência de previsão constitucional. 3. Recurso não conhecido.” (RE 175.087/SP, Rel. Min. Néri da Silveira) 22. CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE O controle difuso de constitucionalidade surgiu nos Estados Unidos da América (EUA). De acordo com os ensinamentos do controle difuso, qualquer componente do Poder Judiciário poderá reconhecer a inconstitucionalidade de um ato normativo, em face de um caso concreto. 22.1. LEGITIMIDADE ATIVA No controle difuso de constitucionalidade as partes do processo, os eventuais terceiros admitidos como intervenientes no processo, o representante do Ministério Público que atue como fiscal da lei, poderão provocar o órgão jurisdicional para que declare a inconstitucionalidade da norma no caso concreto. 22.2. COMPETÊNCIA Qualquer órgão jurisdicional, juiz ou tribunal, poderá examinar a constitucionalidade da lei e declará-la inconstitucional, tendo como finalidade, o afastamento da lei no caso concreto. Cláusula de reserva de plenário, full bench, full court ou julgamento em banc - art. 97, CF O Tribunal ou seu respectivo Órgão Especial (art. 93, XI, CF) só pode reconhecer a inconstitucionalidade por maioria absoluta de seus membros. Assim, órgão fracionário ou fracionado (Câmara, Turma ou Sessão) não pode reconhecer a inconstitucionalidade, mas pode reconhecer a constitucionalidade. O CPC/15 trouxe disposição expressa quanto ao incidente de arguição de inconstitucionalidade, senão vejamos: DO INCIDENTE DE ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Art. 948. Arguida, EM CONTROLE DIFUSO, a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público, o relator, após ouvir o Ministério Público e as partes, submeterá a questão à turma ou à câmara à qual competir o conhecimento do processo. Art. 949. Se a arguição for: I - rejeitada, prosseguirá o julgamento; II - acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde houver. Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais NÃO SUBMETERÃO ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando JÁ HOUVER PRONUNCIAMENTO DESTES OU DO PLENÁRIO DO STF sobre a questão. 81 Art. 950. Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento. § 1o As pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado poderão manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade se assim o requererem, observados os prazos e as condições previstos no regimento interno do tribunal. § 2o A parte legitimada à propositura das ações previstas no art. 103 da Constituição Federal poderá manifestar-se, por escrito, sobre a questão constitucional objeto de apreciação, no prazo previsto pelo regimento interno, sendo-lhe assegurado o direito de apresentar memoriais ou de requerer a juntada de documentos. § 3o Considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, o relator poderá admitir, por despacho irrecorrível, a manifestação de outros órgãos ou entidades. É possível afirmar que a regra do art. 97, CF (Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.) destaca-se como verdadeira condição de eficácia jurídica da própria declaração de inconstitucionalidade dos atos do Poder Público. Quanto ao tema: Súmula Vinculante 10, STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Essa exigência da cláusula de reserva de plenário tem como objetivo conferir maior segurança jurídica para as decisões dos Tribunais, evitando que, dentro de um mesmo Tribunal, existam posições divergentes acerca da constitucionalidade de um dispositivo, gerando instabilidade e incerteza. ⚠ ATENÇÃO O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da eficácia do preceito, implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e, consequentemente, ao Enunciado 10 da Súmula Vinculante. STF. 1 Turma. RE 635088-DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 04/02/2020 (Info 965). 22.3. CISÃO FUNCIONAL DE COMPETÊNCIA75 No controle difuso-concreto, o pronunciamento do plenário ou do órgão especial irá se restringir à análise da inconstitucionalidade da lei em tese (antecedente), sendo o julgamento do caso concreto feito pelo órgão fracionário (consequente), o qual estará vinculado àquele pronunciamento. Quando ocorrerá a cisão funcional horizontal de competência?76 Ocorrerá no controle difuso de constitucionalidade quando o exame da constitucionalidade ou inconstitucionalidade da norma for submetido a órgão de igual hierarquia ao qual decidirá o pleito 76https://classe.ebeji.com.br/uploads/website/demonstracoes/201305___GEAGU_Subjetiva_Ata_13022013pdf.pdf 75 https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/2599313/no-tocante-ao-controle-difuso-de-constitucionalidade-o-que-se-entende-pela-cisao-funcional-de-competen cia-denise-cristina-mantovani-cera 82 principal. Quando ocorrerá a cisão funcional vertical de competência?72 Ocorrerá quando a questão constitucional for examinada de forma cindida do mérito da causa, de forma incidental, mas por órgão hierarquicamente superior ao qual examinará o pedido principal. O que são decisões subjetivamente complexas? São aquelas nas quais o julgamento das questões que integram a lide compete a mais de um órgão. Nas palavras de Fredie Didier jr., Paula Braga e Rafael de Oliveira : “São subjetivamente complexas as decisões77 para cuja formação devem concorrer, necessariamente, as vontades de mais de um órgão jurisdicional” O melhor exemplo é o julgamento do incidente de inconstitucionalidade no controle difuso. O órgão plenário ou especial julgará a constitucionalidade da lei contestada, e a câmara aplicará a decisão ao caso concreto. 22.4. EXCEÇÕES À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO78 ◾ Não se aplica se o órgão fracionário declarar a constitucionalidade da norma ◾ Não se aplica se a lei ou ato normativo for anterior ao texto da Constituição Federal: O órgão fracionário de um Tribunal poderá decidir que uma lei não foi recepcionada pela CF/88, não se exigindo uma decisão do plenário ou do órgão especial. ◾ Não se aplica se o órgão fracionário faz apenas uma interpretação conforme. ◾ Não se aplica para juízos singulares (STF. 1ª Turma. HC 69.921) ◾ Não se aplica para Turmas Recursais (Colégios Recursais) - STF. 2ª Turma. ARE 792562 AgR, ◾ Decisão proferida em sede de liminar: o STF (Rcl 10.864-AgR) tem precedentes no sentido do que o art. 97, CF não se aplica às decisões cautelares, mas somente às decisões definitivas de mérito dos Tribunais. ◾ Turmas do STF: de acordo com o STF (RE 361.829 ED), as Turmas daquele Tribunal podem reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei, independentemente da submissão da questão ao Plenário. Assim, a elas não se aplica o art. 97, CF. A cláusula de reserva de plenário se aplica para o STF quando ele realize o controle difuso de constitucionalidade? Não. O STF exerce, por excelência, o controle difuso de constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, tendo os seus colegiados fracionários competência regimental para fazê-lo sem ofensa ao art. 97 da Constituição Federal.STF. 2ª Turma. RE 361829 ED, Min. Rel. Ellen Gracie, julgado em 02/03/2010. Hipóteses em que o órgão fracionário poderá decretar a inconstitucionalidade sem necessidade de remessa dos autos ao Plenário (ou órgão especial): 78CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Viola a cláusula de reserva de plenário e a SV 10 a decisão de órgão fracionário do Tribunal que permite que empresa comercialize produtos em desacordo com as regras previstas em Decreto federal, sob o argumento de que este ato normativo violaria o princípio da livre concorrência. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 77Curso de Direito Processual Civil, vol. 2, 2017, p. 447 83 ◾ Quando o Plenário (ou órgão especial) do Tribunal que estiver decidindo já tiver se manifestado pela inconstitucionalidade da norma; ◾ Quando o Plenário do STF já tiver decidido que a norma em análise é inconstitucional. 22.5. CONTROLE DIFUSO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA A inconstitucionalidade será analisada pelo juiz de primeira instância de modo incidental (incidenter tantum), tratando-se de uma questão prejudicial. A análise da inconstitucionalidade no controle difuso não faz coisa julgada. Nesse sentido: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. § 1o O disposto no caput APLICA-SE À RESOLUÇÃO DE QUESTÃO PREJUDICIAL, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, NÃO SE APLICANDO NO CASO DE REVELIA; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. § 2o A hipótese do § 1o não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial. Vê-se, portanto, que a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso não pode ser dada no dispositivo da sentença, mas apenas na fundamentação, já que só poderá ser a causa de pedir, jamais o pedido. CONTROLE DIFUSO CONTROLE CONCENTRADO (ADI) Declaração de inconstitucionalidade de modo incidental (incidenter tantum). Declaração de inconstitucionalidade de modo principal (principaliter tantum). A análise da inconstitucionalidade está na causa de pedir. A análise da inconstitucionalidade está no pedido. A análise da inconstitucionalidade ocorre no caso concreto. A análise da inconstitucionalidade ocorre em tese (impessoalidade, generalidade e abstração). 22.6. OBJETO Lei (abrange qualquer das espécies normativas do art. 59, CF) ou ato normativo federal, estadual ou municipal. CF - Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de: I - emendas à Constituição; II - leis complementares; III - leis ordinárias; 84 IV - leis delegadas; V - medidas provisórias; VI - decretos legislativos; VII - resoluções. 22.7. EFEITOS O reconhecimento da inconstitucionalidade NÃO É O PEDIDO, MAS CAUSA DE PEDIR. Assim, o reconhecimento da inconstitucionalidade é incidental, não se encontrando na parte dispositiva da decisão judicial, mas sim na fundamentação daquela. Portanto, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso gera EFEITOS INTERPARTES (limite subjetivo da coisa julgada) e EX TUNC (desde a edição da lei ou ato normativo). Participação do Senado Federal no controle difuso - art. 52, X, CF79 Se o Plenário do STF decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em controle incidental, essa decisão terá os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e vinculante. Houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida Casa Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886). CONTROLE CONCENTRADO CONTROLE DIFUSO (CONTROLE INCIDENTAL) Realizado pelo STF, em regra*, de forma abstrata, nas hipóteses em que lei ou ato normativo violar a CF/88. Realizado por qualquer juiz ou Tribunal (inclusive o STF), em um caso concreto. Produz, como regra, os seguintes efeitos: • Ex tunc • Erga omnes • Vinculante Produz, como regra, os seguintes efeitos: • Ex tunc • Inter partes • Não vinculante Qual é a eficácia da decisão do STF que declara, incidentalmente, a inconstitucionalidade de uma lei? CONCEPÇÃO TRADICIONAL CONCEPÇÃO MODERNA (ATUAL) Eficácia inter partes Efeitos não vinculantes Eficácia erga omnes Efeitos vinculantes Pode-se dizer que o STF passou a adotar a teoria da abstrativização do controle difuso? 79CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Efeito vinculante de declaração incidental de inconstitucionalidade. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:DA ABSTRATIVIZAÇÃO (OBJETIVAÇÃO, VERTICALIZAÇÃO OU CONCENTRAÇÃO) DO CONTROLE DIFUSO Gilmar Mendes, inspirado pela regra do stare decisis norte-americano, sustenta a transcendência, com caráter vinculante, de decisão sobre a inconstitucionalidade da lei, mesmo em sede de controle difuso. Para o referido autor, a fórmula relativa à suspensão da execução da lei pelo Senado Federal há de ter simples efeito de publicidade. Tal tese encontra fundamento em duas premissas: ◾ Força normativa da Constituição: como o STF é o guardião da Constituição, cabendo a ele dar a última palavra sobre como a CF deve ser interpretada, suas decisões devem sempre ter efeitos erga omnes. ◾ Sistema do stare decisis: é um sistema de vinculação de precedentes, de modo que os precedentes dos tribunais superiores vinculam os órgãos inferiores a ele por meio do binding effect, vinculando tanto verticalmente quanto horizontalmente. Assim, os tribunais devem dar o devido peso ao precedente judicial. Para Pedro Lenza, o princípio da supremacia da Constituição e a sua aplicação uniforme a todos os destinatários, bem como a dimensão política das decisões do STF também são argumentos que justificam tal posicionamento. Pode-se dizer que o STF passou a adotar a teoria da transcendência dos motivos determinantes? NÃO. Segundo a teoria da transcendência dos motivos determinantes, além do dispositivo, os motivos determinantes (ratio decidendi) da decisão também seriam vinculantes. O STF chega mais próximo à teoria da transcendência dos motivos determinantes, mas não se pode afirmar categoricamente que esta passou a ser adotada pelo Tribunal. Penso que não seja uma posição segura para se adotar em provas, considerando que não houve afirmação expressa nesse sentido. 87b. financeira. c. investigativa. d. de fidelidade pública. e. política. Nesse sentido, para prova para o cargo de Procurador - TC-DF (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada correta a assertiva que dizia: 9 “O controle exercido pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania das casas legislativas é meramente político e preventivo, visto que a legislação aprovada poderá, posteriormente, ser objeto de demanda judicial de caráter constitucional.” 5.2. CONTROLE JUDICIAL Nascido nos Estados Unidos da América, o controle judicial, como o próprio nome sugere, é realizado pelo Poder Judiciário. Ou seja, é a competência dos juízes e tribunais do Poder Judiciário para declarar a inconstitucionalidade das leis nos casos concretos que são submetidos à sua apreciação, como previsto no art. 102, I, a da CF: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de LEI ou ATO NORMATIVO federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; ⚠ ATENÇÃO Na ADI ou na ADC, o objeto é a lei ou o ato normativo, ou seja, a norma já vigente, sendo assim em regra, trata-se de um controle REPRESSIVO. Exceção: o controle judicial é PREVENTIVO no mandado de segurança impetrado por membro do Congresso Nacional. 6. ELEMENTOS ESSENCIAIS AO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE4 6.1. ELEMENTO CONCEITUAL (“BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE”) Consiste na determinação da própria ideia de Constituição e na definição das premissas jurídicas, políticas e ideológicas que lhe dão consistência. A ideia é identificar o que deve ser entendido como parâmetro de constitucionalidade. Trata-se de nítido processo de aferição da compatibilidade vertical das normas inferiores em relação ao que foi considerado como “modelo constitucional” (vínculo de ordem jurídica, tendo em vista o princípio da supremacia da Constituição —paradigma de confronto). Predominava no Brasil uma posição restritiva em relação ao conceito de “bloco de constitucionalidade”, no qual os parâmetros seriam somente as normas e princípios expressos da Constituição escrita e positivada. Tal tendência estava fundada na ideia de supremacia formal, apoiada no conceito de rigidez constitucional e na consequente obediência aos princípios e preceitos decorrentes da Constituição (“bloco de constitucionalidade em sentido estrito”). Contudo, a EC 45/04 ampliou o “bloco de constitucionalidade”, na medida em que se passou a ter um novo parâmetro (norma formal e materialmente constitucional), qual seja, nos termos do art. 5º, § 3º, CF, os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas 4Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.pág. 241 10 constitucionais. ART. 5º, § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais – 2C, 2T, 3/5. ⚠ ATENÇÃO Na ADI 595-ES, que teve como relator o Min. Celso De Mello, foi mencionado o professor J.J. Gomes Canotilho, que expõem sobre o parâmetro do controle de constitucionalidade incluindo também os princípios não escritos na Constituição. "Todos os atos normativos devem estar em conformidade com a Constituição (art. 3.º/3). Significa isto que os actos legislativos e restantes actos normativos devem estar subordinados, formal, procedimental e substancialmente, ao parâmetro constitucional. (...) (1) o parâmetro constitucional equivale à constituição escrita ou leis com valor constitucional formal, e daí que a conformidade dos actos normativos só possa ser aferida, sob o ponto de vista da sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade, segundo as normas e princípios escritos da constituição (ou de outras leis formalmente constitucionais); (2) o parâmetro constitucional é a ordem constitucional global, e, por isso, o juízo de legitimidade constitucional dos actos normativos deve fazer-se não apenas segundo as normas e princípios escritos das leis constitucionais, mas também tendo em conta princípios não escritos integrantes da ordem constitucional global." 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Delegado de Polícia Federal (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada correta a assertiva que dizia: “Conforme o conceito de bloco de constitucionalidade, há normas constitucionais não expressamente incluídas no texto da CF que podem servir como paradigma para o exercício de controle de constitucionalidade.” 6.2. ELEMENTO TEMPORAL É imprescindível constatar se o padrão de confronto, alegadamente desrespeitado, ainda vige, pois, sem a sua concomitante existência, descaracteriza-se o fator de contemporaneidade, necessário à verificação desse requisito. 7. CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 7.1 QUANTO AO MOMENTO EM QUE DEVERÁ OCORRER O CONTROLE 7.1.1. CONTROLE PREVENTIVO (OU A PRIORI) É uma espécie de controle que tem por finalidade evitar que um projeto de lei inconstitucional adentre no sistema jurídico. Esse controle é realizado durante a tramitação do projeto de lei ou proposta de emenda constitucional. 11 Momentos em que é exercido: a) No Poder Legislativo: realizado na Comissão de Constituição e Justiça. É possível recurso ao Plenário quando o projeto de lei for rejeitado na CCJ (art. 58, CF). É realizado também quando da rejeição do veto do Presidente da República, pois se envolver fundamento constitucional será uma forma de controle, hipótese em que a posição do Poder Legislativo estará prevalecendo sobre o entendimento do Executivo. b) No Poder Executivo: realizado pelo Chefe do Poder Executivo, por meio de sanção ou veto jurídico. c) No Poder Judiciário: em regra, parlamentar tem o direito público subjetivo de questionar a regularidade do devido processo legislativo constitucional (impetração de mandado de segurança). Nesse sentido, cabe ao Poder Judiciário apenas verificar se foi garantido um procedimento em total conformidade com a CF, não lhe cabendo a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis, vedando-se a interpretação de normas regimentais. ⚠ ATENÇÃO A jurisprudência do STF consolidou-se no sentido de negar legitimidade ativa ad causam a terceiros não parlamentares, ainda que invoquem sua potencial condição de destinatário da futura lei ou emenda, pois somente o parlamentar tem direito líquido e certo à observância do processo legislativo. É possível que o STF, ao julgar MS impetrado por parlamentar, exerça controle de constitucionalidade de projeto que tramita no Congresso Nacional e o declare inconstitucional, determinando seu arquivamento? Em regra, não. Existem, contudo, duas exceções nas quais o STF pode determinar o arquivamento da propositura: a) proposta de emenda constitucional que viole cláusula pétrea; b) proposta de emenda constitucional ou projeto de lei cuja tramitação esteja ocorrendo com violação às regras constitucionais sobre o processo legislativo. STF. Plenário. MS 32033/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, 20/6/2013 (Info 711) .5 Partidos políticos também podem impetrar mandado de segurança questionando projeto em tramitação e que seja, em tese, inconstitucional?6 NÃO. Segundo o STF (MS 24.642), somente o parlamentar tem legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de leis e emendas constitucionais que não se compatibilizam com o processo legislativo constitucional. O que acontece se houver perda superveniente do mandatoparlamentar? Segundo Pedro Lenza, parece ter razão o Min. Celso de Mello ao afirmar que a perda superveniente de titularidade do mandato legislativo desqualifica a legitimação ativa do congressista, impondo-se a extinção do mandado de segurança (STF, MS 27.971). 6CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Mandado de segurança contra projeto de lei supostamente inconstitucional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 5CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Mandado de segurança contra projeto de lei supostamente inconstitucional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 12 7.1.2. CONTROLE REPRESSIVO Ao contrário do controle preventivo que não incide sobre uma lei já pronta, mas sim sobre um projeto de lei, o controle repressivo atua sobre uma lei ou emenda constitucional já existente. A finalidade do controle repressivo é retirar do ordenamento jurídico normas que violam o texto constitucional. Em regra, é realizado pelo Poder Judiciário (realizado por um órgão jurisdicional), contudo, o controle de constitucionalidade posterior ou repressivo pode ser feito também pelo Legislativo. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Delegado de Polícia Federal (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada errada a assertiva que dizia: “É vedado ao Poder Legislativo efetuar o controle de constitucionalidade repressivo de normas em abstrato.” 7.1.2.1. EXCEÇÕES 1. É competência exclusiva do Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa (art. 49, V, CF). 2. Análise dos requisitos de relevância e urgência, realizada pelo Congresso Nacional, quando da edição de medida provisória (art. 62, CF). 3. O Chefe do Poder Executivo pode realizar o controle de constitucionalidade pela negativa de cumprimento de lei considerada por ele inconstitucional. CNMP e CNJ podem realizar controle de constitucionalidade? Não. O STF (MS 27.744, Info 781; MS 32.582-MC, Info 744) entendeu que não é possível que o CNMP e o CNJ realizem controle de constitucionalidade, sob o fundamento de que tais órgãos exercem atos de caráter administrativo. O Conselho Nacional de Justiça, embora seja órgão do Poder Judiciário, nos termos do art. 103-B, § 4º, II, da Constituição Federal, possui, tão somente, atribuições de natureza administrativa e, nesse sentido, não lhe é permitido apreciar a constitucionalidade dos atos administrativos, mas somente sua legalidade. STF. Plenário. MS 28872 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/02/2011. 7 7.2. QUANTO AO ÓRGÃO 7.2.1. CONTROLE POLÍTICO Realizado por órgão que não pertence ao Judiciário. 7.2.2. CONTROLE JURISDICIONAL Realizados por órgão pertencentes ao judiciário, juízes ou tribunais. 7CAVALCANTE, Márcio André Lopes. CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 13 7.2.3. CONTROLE MISTO Neste as Constituições sujeitam cercos atos ao controle político (realizado por órgãos estranhos ao Poder Judiciário) e outros ao controle jurídico (realizado por órgãos componentes do Poder Judiciário). ⚠ ATENÇÃO O STF, em entendimento sumulado, entendia que o TCU poderia deixar de aplicar o ato por considerá-lo inconstitucional, bem como sustar outros atos praticados com base em leis vulneradoras da CF, sempre de forma incidental, era denominado controle administrativo. A Súmula 347 do STF tratava do assunto: O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público. Em recente decisão, o STF passou a entender que “Não cabe ao Tribunal de Contas, que não tem função jurisdicional, exercer o controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos nos processos sob sua análise” (STF. Plenário. MS 35410, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 12/04/2021. 7.3. QUANTO AO MODO 7.3.1. CONTROLE DIFUSO-CONCRETO Segundo esse sistema, que teve sua origem no Caso Marbury vs Madison, qualquer juiz ou tribunal pode declarar a inconstitucionalidade de uma lei, pois conforme esse sistema o controle de constitucionalidade é algo intrínseco à própria jurisdição. A decisão será inter pars, ou seja, só produzirá efeito para o caso concreto e para as pessoas nele envolvidas. 7.3.2. CONTROLE CONCENTRADO-ABSTRATO Esse modelo de controle surgiu na Constituição Austríaca no ano de 1920. Segundo esse modelo de controle, apenas um tribunal específico pode fazer o controle de constitucionalidade. O controle concentrado-abstrato não analisa o caso concreto, analisa a lei em si, numa decisão que será erga omnes, ou seja, uma decisão que valerá para todos e que por sua vez terá efeito vinculante. CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE QUANTO AO ÓRGÃO Controle político Controle jurisdicional QUANTO AO MOMENTO Preventivo Repressivo 14 QUANTO AO MODO Controle difuso-concreto Controle concentrado-abstrato 8. ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE 8.1 QUANTO À EXTENSÃO 8.1.1. TOTAL A inconstitucionalidade pode atingir todo o ato normativo, ou seja, quando toda a norma contraria o texto constitucional. Em geral, a inconstitucionalidade total da lei decorre de inconstitucionalidade formal. 8.1.2. PARCIAL Incide sobre uma palavra ou expressão, desde que não altere o restante do sentido, em expressão do PRINCÍPIO DA PARCELARIDADE. ⚠ ATENÇÃO Segundo Pedro Lenza, em sua obra a respeito de Direito Constitucional, o princípio da parcelaridade é aplicável no âmbito do controle concentrado. Isso significa que a Corte Constitucional, ao julgar parcialmente procedente o pedido de declaração de inconstitucionalidade, pode expurgar do texto legal apenas uma palavra ou expressão, diferente com o que ocorre no caso do veto presidencial, conforme o art. 66, parágrafo segundo da CF/88. “O Presidente da República, ao vetar determinado projeto de lei (controle de constitucionalidade prévio ou preventivo, realizado pelo Executivo), poderá fazê-lo integralmente (veto de todo o projeto de lei) ou parcialmente; nesta última hipótese, porém, o veto só poderá ser de texto integral de artigo, parágrafo, inciso ou alínea (art. 66, § 2.º, da CF).”8 8.2. QUANTO AO MOMENTO 8.2.1. ORIGINÁRIA O ato desde a sua origem já é inconstitucional (o objeto surge após o parâmetro). 8.2.2. SUPERVENIENTE O objeto, que originariamente era constitucional, torna-se inconstitucional em razão da superveniente mudança de parâmetro. ⚠ ATENÇÃO 8Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.pág. 271 15 Segundo Lenza, em regra, não se pode admitir nem o fenômeno da constitucionalidade superveniente, nem o da inconstitucionalidade superveniente .9 a. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE: é o fenômeno pelo qual uma lei ou ato normativo que tenha “nascido” com algum vício de inconstitucionalidade, seja formal ou material, e se constitucionaliza. Esse fenômeno é inadmitido na medida em que o vício congênito não se convalida. Ou seja, se a lei é inconstitucional, trata-se de ato nulo (null and void) e, assim, por regra, não pode ser “corrigido”, pois o vício de inconstitucionalidade não se convalida, é um vício insanável, “incurável”. b. INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE: fenômeno pelo qual uma lei ou ato normativo que “nasceu” “perfeita”, sem nenhum tipo de vício de inconstitucionalidade, vem a se tornar inconstitucional. Em regra, esse fenômeno não é observado. Lenza expõe exemplos, na visão da jurisprudência do STF, que afastam essa possibilidade em razão da caracterização de outros institutos específicos e próprios: ● Lei editada antes do advento da novaConstituição (fenômeno da recepção): se a lei foi editada antes do advento de uma nova Constituição, duas situações surgem: ou a lei é compatível e será recepcionada, ou a lei é incompatível e, então, nesse caso, será revogada por não recepção. Não se pode falar em inconstitucionalidade superveniente nesse caso, pois não haverá preenchimento da regra da contemporaneidade. ● Lei editada já na vigência da nova Constituição e superveniência de emenda constitucional futura que altere o fundamento de constitucionalidade da lei: o STF entende que, se a lei foi editada já na vigência da nova Constituição sem nenhum tipo de vício, eventual emenda constitucional que mude o parâmetro de controle pode deixar de assegurar validade à referida norma, e, assim, a nova emenda constitucional revogaria a lei em sentido contrário. Não se trata, portanto, do fenômeno de inconstitucionalidade superveniente. EXCEÇÕES À REGRA DA IMPOSSIBILIDADE DE INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE a) MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL: a redação do dispositivo da Constituição não é alterada, mas o seu sentido interpretativo muda, surgindo, então, uma nova norma jurídica. As mutações constitucionais, portanto, exteriorizam o caráter dinâmico e de prospecção das normas jurídicas, por meio de processos informais. A lei, então, que nasceu constitucional, tornar-se-ia inconstitucional em razão da mudança no sentido interpretativo do parâmetro de constitucionalidade. Exemplo: união estável entre pessoas do mesmo sexo. b) MUDANÇA NO SUBSTRATO FÁTICO DA NORMA: não se tem uma alteração no parâmetro da Constituição, mas nos novos aspectos de fato que surgem e que não eram claros no momento da primeira interpretação. Exemplo trazido por Pedro Lenza: amianto - em um primeiro momento, o STF pronunciou-se no sentido de se declarar a constitucionalidade da lei federal que admitia o uso controlado de uma das 9Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.pág. 188-190 16 modalidades do amianto (asbesto branco). Em momento seguinte, em razão da mudança no substrato fático da norma, referida disposição se tornou inconstitucional, passando a norma por um processo de inconstitucionalização. 8.3. QUANTO AO PRISMA DE APURAÇÃO10 8.3.1. DIRETA (OU ANTECEDENTE) Ocorre quando o ato viola diretamente a Constituição, ou seja, quando se tem o confronto direto de uma norma infraconstitucional e a Constituição. ⚠ ATENÇÃO ADI só será admitida quando a inconstitucionalidade for direta. 8.3.2. INDIRETA (REFLEXA, POR VIA OBLÍQUA OU POR ATO INTERPOSTO) Ocorre quando a norma infraconstitucional não viola diretamente o texto constitucional. Neste caso, o objeto é ato normativo secundário. Configura-se uma ilegalidade previamente à inconstitucionalidade. Um exemplo clássico de inconstitucionalidade indireta, quando um decreto regulamentar, expedido para a fiel execução da lei, extrapola os limites desta. ⚠ ATENÇÃO A jurisprudência não admite controle de constitucionalidade de atos normativos secundários (inaptos a criar direito novo), de que são espécies, além do regulamento, as resoluções, as instruções normativas e portarias, dentre outros (STF, AgReg na ADI 6117 DF). Contudo, excepcionalmente é possível que o STF controle a constitucionalidade de decreto regulamentador, quando este ultrapassar o poder de regulamentar, em razão do art. 49, V, CF, que possibilita que o Congresso Nacional também exerça esse controle. CF - Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...) V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; 8.4. QUANTO AO TIPO DE CONDUTA DO PODER PÚBLICO 8.4.1. AÇÃO Pressupõe uma conduta positiva, comissiva, do legislador que não se compatibiliza com os princípios e normas constitucionalmente consagrados. 10https://jus.com.br/artigos/64556/teoria-do-controle-de-constitucionalidade-topicos-teoricos-e-praticos 17 8.4.2. OMISSÃO Decorre de uma lacuna inconstitucional, ou seja, uma conduta omissiva, um não fazer, descumprindo a obrigação constitucional de legislar na regulamentação de normas constitucionais de eficácia limitada. ⚠ ATENÇÃO Em relação às normas programáticas, em regra não será possível falar em omissão inconstitucional, exceto se a inércia inviabilizar providências ou prestações correspondentes ao mínimo existencial. São dois os remédios jurídicos concebidos pela CF para enfrentar o problema: mandado de injunção e ação direta de inconstitucionalidade por omissão. 8.4.2.1 ESPÉCIES 1. OMISSÃO TOTAL (OU ABSOLUTA) Quando o legislador, tendo o dever jurídico de atuar, abstenha-se inteiramente de fazê-lo, deixando um vazio normativo no tema. Possibilidades de atuação judicial a) Reconhecer a auto-aplicabilidade da norma constitucional e fazê-la incidir diretamente: em regra, dá-se prazo ao órgão para que supra a lacuna. b) Declarar a existência da omissão, constituindo em mora o órgão omisso: declaração de inconstitucionalidade sem pronúncia de nulidade. c) Criar a norma para o caso concreto. 2. OMISSÃO PARCIAL RELATIVA A lei exclui do seu âmbito de incidência determinada categoria que nele deveria estar abrigada, privando-a de um benefício e violando o princípio da isonomia. Possibilidades de atuação judicial a) Declaração de inconstitucionalidade por ação da lei que fere a isonomia. b) Declaração de inconstitucionalidade por omissão parcial da lei, dando-se ciência ao órgão legislador para tomar as providências necessárias. c) Extensão do benefício à categoria excluída: o Poder Judiciário, mesmo se deparando com uma situação de desigualdade, não pode “corrigir” essa disparidade porque não tem “função legislativa”, não lhe sendo possível suprir a ausência da lei que é indispensável no caso. Nesse sentido: Súmula Vinculante 37: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. Exceções à SV 37: ações judiciais que questionam a Resolução nº 133/2011, que reconhece a simetria constitucional entre as carreiras da Magistratura e do MP como decorrência da aplicação direta do dispositivo 18 constitucional (art. 129, § 4º, da CF/88. O Plenário do STF ainda irá apreciar essas discussões. 3. OMISSÃO PARCIAL PROPRIAMENTE DITA O legislador atua sem afetar o princípio da isonomia, mas de modo insuficiente ou deficiente relativamente à obrigação que lhe era imposta. 8.5. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL (NOMODINÂMICA OU EXTRÍNSECA) A inconstitucionalidade formal, também denominada de nomodinâmica ou extrínseca, é verificada quando a lei ou o ato normativo infraconstitucional possuir algum vício no seu processo de formação, ou seja, possui um vício em sua forma. 8.5.1 SUBESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL 1. FORMAL SUBJETIVA: Quando há vício de iniciativa. Ressalta-se que o vício de iniciativa não é sanado pela sanção do Presidente da República. 2. FORMAL OBJETIVA (RITUAL OU PROCESSUAL): Violação do devido processo legislativo em seu conteúdo objetivo. 3. POR VIOLAÇÃO A PRESSUPOSTOS OBJETIVOS DO ATO NORMATIVO : Pedro Lenza lembra que a11 violação ou falta dos pressupostos, requisitos externos e anteriores ao procedimento legislativo, também gera inconstitucionalidade. Ex: verificação dos requisitos de relevância e urgência quando da edição de MP, observância dos requisitos do art. 18, § 4º, CF, para a criação de Município. 4. FORMAL ORGÂNICA: Quando a falha está na competência legislativa para elaboração do ato. Ex: lei federal (elaborada pelo Congresso Nacional) não pode dispor sobre tempo de permanência em fila de banco, uma vez que se trata de competência municipal (elaborada pela Câmara Municipal). 8.6. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL (NOMOESTÁTICA, DE CONTEÚDO MATERIAL, SUBSTANCIAL, DOUTRINÁRIA OU INTRÍNSECA) A inconstitucionalidade material, também denominada de nomoestática, de conteúdomaterial, substancial, doutrinária ou intrínseca, ocorre quando o conteúdo da lei viola o texto constitucional. Assim sendo, o seu processo legislativo, ao contrário do que acontece na inconstitucionalidade formal, pode ter sido fielmente obedecido, porém a matéria tratada é incompatível com a Constituição. Como exemplo, podemos citar o Princípio da Individualização da Pena que impede que o Legislador estabeleça em abstrato a progressão de regime. A Lei de Crimes Hediondos vedava a progressão de regime em abstrato, nesse caso foi declarada inconstitucional segundo o STF que decidiu no Habeas Corpus 82959.12 12https://jus.com.br/artigos/64570/teoria-do-controle-de-constitucionalidade-topicos-teoricos-e-praticos 11Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.pág. 194 19 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Defensor Público/DPE-RS (Ano: 2022, CESPE/CEBRASPE) foi considerada correta a assertiva que dizia: “Em razão das consequências econômicas da pandemia de COVID-19, determinado estado-membro promulgou lei ordinária com o seguinte teor: “Ficam as instituições de ensino da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e superior da rede privada do Estado obrigadas a conceder diferimento em suas mensalidades em percentual mínimo de 30% (trinta por cento), enquanto durarem as medidas temporárias para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da pandemia de COVID-19”. A partir dessa premissa, julgue o item que se segue, considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e as disposições da Constituição da República sobre a matéria. A lei impugnada padece de inconstitucionalidade material ao estabelecer descontos lineares a todos os consumidores dos serviços educacionais, impedindo que as partes disponham livremente sobre outras formas de repactuação dos contratos e contrariando o princípio constitucional da livre iniciativa.” O gabarito da questão está fundamentado no Informativo 1038 do STF: São inconstitucionais as interpretações judiciais que, unicamente fundamentadas na eclosão da pandemia de Covid-19 e no respectivo efeito de transposição de aulas presenciais para ambientes virtuais, determinam às instituições privadas de ensino superior a concessão de descontos lineares nas contraprestações dos contratos educacionais, sem considerar as peculiaridades dos efeitos da crise pandêmica em ambas as partes contratuais envolvidas na lide. Tese fixada pelo STF: É inconstitucional decisão judicial que, sem considerar as circunstâncias fáticas efetivamente demonstradas, deixa de sopesar os reais efeitos da pandemia em ambas as partes contratuais, e determina a concessão de descontos lineares em mensalidades de cursos prestados por instituições de ensino superior. STF. Plenário. ADPF 706/DF e ADPF 713/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 17 e 18/11/2021 (Info 1038). 8.7. INCONSTITUCIONALIDADE EM RAZÃO DA OFENSA AO DECORO PARLAMENTAR (OU FINALÍSTICA) Segundo o art. 55, § 1º, CF, é incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas. Art. 55 § 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas. Pedro Lenza (2022, p. 496) lança a ideia de inconstitucionalidade por vício de decoro parlamentar com base no art. 55, §1º, da Constituição Federal, ao defender a possibilidade de reconhecimento desta espécie de inconstitucionalidade. Para o autor, trata-se de inconstitucionalidade já que a corrupção dos parlamentares, 20 uma vez condenados pela Justiça, macula a essência do voto e o conceito de representatividade popular.13 O que é vício de decoro parlamentar? 14 Segundo entendimento de Pedro Lenza, o vício de decoro parlamentar é uma das espécies de vício de inconstitucionalidade, ao lado da formal e da material. Consubstancia-se quando, na votação de determinada matéria, ocorre a situação descrita no art. 55, parágrafo primeiro, da CF/88. Assim, por exemplo, quando se comprova que no processo legislativo de uma emenda constitucional ocorreu a compra de votos (mensalão), deveria tal lei ser tida por inconstitucional pelo vício no decoro. 3. O vício que corrompe a vontade do parlamentar ofende o devido processo legislativo contrariando o princípio democrático e a moralidade administrativa. 4. Quebra do decoro parlamentar pela conduta ilegítima de malversação do uso da prerrogativa do voto pelo parlamentar configura crise de representação. 5. No caso, o número alegado de “votos comprados” não se comprova suficiente para comprometer o resultado das votações ocorridas na aprovação da emenda constitucional n. 41//2003. Respeitado o rígido quórum exigido pela Constituição da República. Precedentes. Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. (STF, ADI 4889, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-279 DIVULG 24-11-2020 PUBLIC 25-11-2020) 8.8. INCONSTITUCIONALIDADE “CHAPADA”, “ENLOUQUECIDA”, “DESVAIRADA” (ADI 3.232) Expressão inicialmente utilizada pelo Min. Sepúlveda Pertence, é empregada para caracterizar uma inconstitucionalidade mais do que evidente, clara, escancarada, flagrante, não restando qualquer dúvida sobre o vício, seja formal, seja material.15 I. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): "instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei": delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir daí, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2º (salvo a alínea f) e 3º, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2º, f; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a 15Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.pág. 252 14Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.pág. 195 13https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-constitucional/controle-judicial-de-constitucionalidade-por-vicio-de-decoro-parlamentar-o-caso-mensal ao/ 21 inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1º do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida - como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestadosou à compreensão ou não das instituições beneficentes de clientelas restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532/97 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta. (STF, ADI 1802 MC, Relator(a): SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 27/08/1998, DJ 13-02-2004 PP-00010 EMENT VOL-02139-01 PP-00064) 9. FORMAS DE CONTROLE REPRESSIVO JURISDICIONAL 9.1. CONTROLE DIFUSO (OU ABERTO, MODELO AMERICANO, INCIDENTAL, INDIRETO, PELA VIA DA DEFESA OU EXCEÇÃO, INCIDENTER TANTUM) Conhecido por ser o sistema americano de controle, o controle difuso possibilita o reconhecimento da inconstitucionalidade por qualquer componente do Poder Judiciário, ou seja, os juízes de primeiro grau e os diversos tribunais do País, todos têm aptidão para decidir, no âmbito de sua competência, sobre a constitucionalidade das leis no controle difuso. 9.2. CONTROLE CONCENTRADO (OU FECHADO, MODELO AUSTRÍACO ou EUROPEU-CONTINENTAL, DIRETO, PELA VIA DA AÇÃO) O controle concentrado de constitucionalidade, é assim denominado por concentrar em um único tribunal a competência para o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. PODE SER VERIFICADO EM 5 SITUAÇÕES ● ADI - Ação Direta de Inconstitucionalidade (art. 102, I, “a”, CF) ● ADC - Ação Declaratória de Constitucionalidade (art. 102, I, “a”, CF) ● ADPF - Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (art. 102, § 1.º, CF) ● ADO - Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (art. 103, § 2.º, CF) ● ADI Interventiva (art. 36, III, c/c art. 34, VII, CF) O que é a teoria da divisibilidade das leis no âmbito do controle de constitucionalidade?16 Referido princípio possibilita ao STF julgar e declarar inconstitucional apenas parte do texto legal que estiver em conflito com o texto constitucional, mantendo em vigor a parcela que com ela for compatível, desde que autônoma em relação à parte declarada inconstitucional. 16https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/362132/no-que-consiste-o-principio-da-parcelaridade-no-ambito-do-controle-concentrado-de-constitucionalidade- denise-cistina-mantovani-cera 22 10. FORMAS DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE 10.1. QUANTO AO ASPECTO SUBJETIVO O aspecto subjetivo diz respeito aos sujeitos atingidos pela declaração de inconstitucionalidade. CONTROLE CONCRETO CONTROLE ABSTRATO Efeito inter pars. Efeito erga omnes e vinculante. É aplicável à ADI, ADC, ADPF. O que é efeito inter pars? Diz-se que o efeito é inter pars quando a decisão é apenas para o caso concreto, ou seja, a decisão não vale para todos. O que é efeito erga omnes? É o efeito que atinge todos, tanto os particulares quanto o Poder Público. O efeito não fica limitado às pessoas de um grupo específico. O que é o efeito vinculante? Atinge todo o Poder Judiciário, salvo o Plenário do STF; todo o Poder Executivo, incluindo o Chefe do Executivo e a Administração Pública Direta e Indireta, em todas as esferas de governo. Segundo Márcio Cavalcante, “essa decisão não vincula, contudo, o Plenário do STF. Assim, se o STF decidiu, em controle abstrato, que determinada lei é constitucional, a Corte poderá, mais tarde, mudar seu entendimento e decidir que esta mesma lei é inconstitucional por conta de mudanças no cenário jurídico, político, econômico ou social do país. Isso se justifica a fim de evitar a "fossilização da Constituição".17 ⚠ ATENÇÃO ◾ Os órgãos fracionários (relator ou turmas) do STF ficam vinculados e não podem ir de encontro à decisão do Pleno do STF. ◾ Não é o Poder Legislativo em si que não fica vinculado, mas sim a função legiferante, sob pena de fossilização da Constituição. Assim, quando atuando em função administrativa (ex: nomeação de funcionários) também estará vinculado. ◾ O Chefe do Poder Executivo só fica vinculado quanto à função administrativa. 17https://www.dizerodireito.com.br/2015/10/superacao-legislativa-da-jurisprudencia.html 23 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Auditor Fiscal de Finanças e Controle de Arrecadação da Fazenda Estadual/SEFAZ-AL (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada errada a assertiva que dizia: “Acerca das decisões do Supremo Tribunal Federal com efeitos vinculantes e temas correlatos, julgue o item a seguir. O efeito vinculante e a eficácia contra todos submetem os órgãos do Poder Legislativo, que, a partir da publicação do acórdão, ficam impedidos de editar novas produções legislativas de matérias retratadas na lei anteriormente declarada inconstitucional.” 10.2. QUANTO AO ASPECTO OBJETIVO O aspecto objetivo é relativo à extensão dos efeitos. Quais as partes da decisão produzem eficácia erga omnes e efeito vinculante?18 1ª corrente: TEORIA RESTRITIVA Somente o dispositivo da decisão produz efeito vinculante. Os motivos invocados na decisão (fundamentação) não são vinculantes. 2ª corrente: TEORIA EXTENSIVA Além do dispositivo, os motivos determinantes (ratio decidendi) da decisão também são vinculantes. Admite-se a transcendência dos motivos que embasaram a decisão. O STF NÃO ADMITE A “TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES”. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Delegado de Polícia Federal (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada errada a assertiva que dizia: “Para o efeito do conhecimento da reclamação constitucional, o STF admite o uso da teoria da transcendência dos motivos determinantes das ações julgadas em sede de controle concentrado.” Segundo a TEORIA RESTRITIVA, adotada pelo STF, somente o dispositivo da decisão produz efeito vinculante. Os motivos invocados na decisão (fundamentação) não são vinculantes. A reclamação no STF é uma ação na qual se alega que determinada decisão ou ato: • usurpou competência do STF; ou • desrespeitou decisão proferida pelo STF. Não cabe reclamação sob o argumento de que a decisão impugnada violou os motivos (fundamentos) expostos no acórdão do STF, ainda que este tenha caráter vinculante. Isso porque apenas o dispositivo do 18CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O STF não admite a teoria da transcendência dos motivos determinantes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 24 acórdão é que é vinculante. Assim, diz-se que a jurisprudência do STF é firme quanto ao não cabimento de reclamação fundada na transcendência dos motivos determinantes do acórdão com efeito vinculante. STF. Plenário. Rcl 8168/SC, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 19/11/2015 (Info 808). STF. 2ª Turma. Rcl 22012/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 12/9/2017 (Info 887). TEORIA DA TRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES (EFEITOS IRRADIANTES OU TRANSBORDANTES?) Segundo a teoria dos efeitos irradiantes da decisão, além do dispositivo, os motivos determinantes (ratio decidendi) da decisão também são vinculantes. Para tanto, há de se observar a distinção entre ratio decidendi e obter dictum.19 ▸ Obter dictum (“coisa dita de passagem”): são comentários laterais, que não influem na decisão, sendo perfeitamente dispensáveis. Portanto, aceita a “teoria do transbordamento”, não se falaria em irradiação de obter dictum, com efeito vinculante, para fora do processo. ▸ Ratio decidendi (ou holding, no direito norte-americano): é a fundamentação essencial que ensejou aquele determinado resultado da ação. Nessa hipótese, aceita a “teoria dos efeitos irradiantes”, a “razão da decisão” passaria a vincular outros julgamentos. Tal fenômeno reflete uma preocupação doutrinária em assegurar a força normativa da Constituição, cuja preservação integral exige o reconhecimento de que a eficácia vinculante atinge também os próprios fundamentos determinantes da decisão proferida pela Corte Suprema, especialmentequando consubstanciar uma declaração de inconstitucionalidade em sede de controle abstrato. 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Auditor Fiscal de Finanças e Controle de Arrecadação da Fazenda Estadual/SEFAZ-AL (Ano: 2021, CESPE/CEBRASPE) foi considerada errada a assertiva que dizia: “Acerca das decisões do Supremo Tribunal Federal com efeitos vinculantes e temas correlatos, julgue o item a seguir. Nas hipóteses de declaração de inconstitucionalidade em controle difuso de modelos legais idênticos, o efeito vinculante deve limitar-se à parte dispositiva da decisão, sendo irrelevantes os seus próprios efeitos determinantes.” 10.3 QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL Tanto no controle concentrado como no difuso, pelo fato de que a natureza da lei inconstitucional é de ato nulo, a regra é de que a decisão de inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc. 10.3.1 MODULAÇÃO DOS EFEITOS Excepcionalmente, admite-se uma modulação temporal dos efeitos da decisão, podendo o STF estabelecer um momento para o qual a inconstitucionalidade começa a valer, mesmo que se trate de um 19Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020, pág. 242 25 momento futuro. Tal modulação, que tem regulamentação específica no controle concentrado (art. 27, Lei 9.868/99), aplicável também no controle difuso por analogia, deve atender a dois requisitos: a) Quórum qualificado de 2/3. b) Deve atender a questões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. ⚠ ATENÇÃO Segundo o STF (ADI 2949 QO, Info 780) , depois da proclamação do resultado final, o julgamento deve20 ser considerado concluído e encerrado e, por isso, mostra-se inviável, em face da preclusão, a sua reabertura para discutir novamente a modulação dos efeitos da decisão proferida. “Depois da proclamação do resultado final, o julgamento deve ser considerado concluído e encerrado e, por isso, mostra-se inviável a sua reabertura para discutir novamente a modulação dos efeitos da decisão proferida. A análise da ação direta de inconstitucionalidade é realizada de maneira bifásica: a) primeiro, o Plenário decide se a lei é constitucional ou não; e b) em seguida, se a lei foi declarada inconstitucional, discute-se a possibilidade de modulação dos efeitos. Uma vez encerrado o julgamento e proclamado o resultado, inclusive com a votação sobre a modulação (que não foi alcançada), não há como reabrir o caso, ficando preclusa a possibilidade de reabertura para deliberação sobre a modulação dos efeitos”. STF. Plenário ADI 2949 QO/MG, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 8/4/2015 (Info 780). 📌 OBSERVAÇÃO O STJ, no REsp 1.904.374, pontuou que “da excepcionalidade da modulação decorre a necessidade de que o intérprete seja restritivo, a fim de evitar inadequado acréscimo de conteúdo sobre aquilo que o intérprete autêntico pretendeu proteger e salvaguardar.” No julgamento, A relatora, ministra Nancy Andrighi, explicou que a lei incompatível com o texto constitucional padece do vício de nulidade e, como regra, a declaração da sua inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc (retroativos). Contudo, ela lembrou que, excepcionalmente – por razões como a proteção à boa-fé, tutela da confiança e previsibilidade –, pode ser conferida eficácia prospectiva (efeito ex nunc) às decisões que declaram a inconstitucionalidade de lei. "As interpretações subsequentes da modulação de efeitos devem ser restritivas, a fim de que não haja inadequado acréscimo de conteúdo exatamente sobre aquilo que o intérprete autêntico pretendeu, em caráter excepcional, proteger e salvaguardar", ressaltou.21 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Juiz Substituto - TJ-RS (Ano: 2022, FAURGS) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “D”: O Supremo Tribunal Federal vem proferindo decisões relevantes acerca de temas como mutação constitucional 21https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/17082021-Inconstitucionalidade-da-distincao-de-regimes-sucessorios-alcanca-decis ao-anterior-que-prejudicou-companheira.aspx 20CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Momento-limite da modulação dos efeitos. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponívelem:executiva ou instrumental (eficácia vinculante). Em caso de descumprimento dessa eficácia executiva ou instrumental a parte prejudicada poderá ajuizar no STF uma reclamação (art. 102, I, “l” da CF/88). 3. EFICÁCIA NORMATIVA (EFEITOS EX TUNC) A Eficácia normativa (declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade) opera de forma “ex tunc” (retroativa). 4. EFICÁCIA EXECUTIVA (EFEITOS EX NUNC) A eficácia executiva (efeito vinculante) produz efeitos “ex nunc”. Assim, o termo inicial da eficácia executiva é o dia de publicação do acórdão do STF no Diário 22CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O simples fato de o STF ter declarado a inconstitucionalidade de uma lei não faz com que ocorra automaticamente a desconstituição da sentença transitada em julgado anterior que tenha aplicado este ato normativo. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 28 Oficial (art. 28 da Lei 9.868/1999). 🚨JÁ CAIU Nesse sentido, para prova para o cargo de Procurador do Estado (Ano: 2022, CESPE/CABRASPE) foi considerado o gabarito da questão a assertiva prevista na letra “C”: A ação direta de constitucionalidade é ação de controle de constitucionalidade a. abstrato que pode ser ajuizada perante o STF contra ato normativo estadual. b. difuso que pode ser ajuizada perante o STF contra ato normativo federal. c. concentrado cuja decisão definitiva de mérito perante o STF produz eficácia ex tunc, erga omnes e vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. d. incidental que pode ser ajuizada perante o STF pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. e. abstrato que pode ser ajuizada perante o STF por governador de estado, admitindo-se intervenção de terceiros no processo. 11. LEI “AINDA CONSTITUCIONAL”, OU “INCONSTITUCIONALIDADE PROGRESSIVA”, OU “DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA EM TRÂNSITO PARA A INCONSTITUCIONALIDADE”23 Trata-se da hipótese em que uma lei, em virtude das circunstâncias de fato, pode vir a ser inconstitucional, não o sendo, porém, enquanto essas circunstâncias de fato não se apresentarem com a intensidade necessária para que se tornem inconstitucionais. Exemplos: ▸ Prazo em dobro para recurso no Processo Penal às Defensorias Públicas: a norma será constitucional ao menos até que a organização da Defensoria, nos Estados, alcance o nível de organização do respectivo Ministério Público, que é a parte adversa, como órgão de acusação, no processo da ação penal pública. ▸ O art. 68, CPP, o qual trata da propositura de ação civil ex delicto pelo MP, é uma lei ainda constitucional e que está em trânsito, progressivamente, para a “inconstitucionalidade”, à medida que as Defensorias Públicas forem sendo, efetiva e eficazmente, instaladas. 12. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM PRONÚNCIA DA NULIDADE (OU SEM EFEITO ABLATIVO) A Corte Suprema reconhece que a norma é inconstitucional, mas a mantém no ordenamento jurídico até que nova lei seja editada em sua substituição. Isto é, a eficácia da lei fica suspensa até que o legislador manifeste-se sobre a situação inconstitucional.24 24https://jus.com.br/artigos/31062/apontamentos-sobre-a-tecnica-da-declaracao-de-inconstitucionalidade-sem-pronuncia-De-nulidade-no-julgamento-d as-normas-sobre-numeros-de-deputados-no-stf#:~:text=(3)%20Declara%C3%A7%C3%A3o%20de%20inconstitucionalidade%20sem,seja%20editada%20 em%20sua%20substitui%C3%A7%C3%A3o. 23 Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020, pág. 244 29 Ex: município putativo (ADI 2.240). 13. INCONSTITUCIONALIDADE CIRCUNSTANCIAL25 Ocorre quando um enunciado normativo, em regra, válido, ao ser aplicado em determinadas circunstâncias, produz uma norma inconstitucional. Em outras palavras, a inconstitucionalidade circunstancial se dá quando determinada norma, embora seja válida, quando confrontada com uma situação específica, torna-se inconstitucional em decorrência do seu contexto particular. 14. PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO “ATALHAMENTO CONSTITUCIONAL” OU DO “DESVIO DO PODER CONSTITUINTE”26 Segundo Pedro Lenza, a finalidade do princípio é “vedar qualquer mecanismo a ensejar o ‘atalhamento constitucional’, vale dizer, qualquer artifício que busque abrandar, suavizar, abreviar, dificultar ou impedir a ampla produção de efeitos dos princípios constitucionais”. Esse princípio, de origem alemã, foi aplicado no caso em que, visando burlar o princípio da anualidade, previsto no art. 16, CF, foi editada a EC 52/06 com efeitos retroativos, afirmando que esta teria aplicação nas eleições ocorridas em 2002. Nesse caso, haveria desvio de poder ou finalidade pela utilização de meio aparentemente legal com o objetivo de atingir fim ilícito. Percebe-se, portanto, que o princípio veda qualquer artifício que busque abrandar, suavizar, abreviar, dificultar ou impedir a ampla produção de efeitos dos princípios constitucionais, como, no caso, do princípio da anualidade do processo eleitoral. 15. CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE 15.1 PRONUNCIAMENTO EM ABSTRATO ACERCA DA VALIDADE DA NORMA O controle concentrado foi introduzido no Direito brasileiro no ano de 1965 através da EC 16/1965 (emenda à Constituição de 1946). Trata-se de exercício ATÍPICO de jurisdição, pois não há litígio ou partes (existem apenas sob o aspecto formal), nem um caso concreto que deve ser solucionado mediante a aplicação da lei pelo julgador. É um processo objetivo, destinado à proteção do próprio ordenamento. O controle concentrado é de competência originária do STF quando visa à aferição de leis em face da Constituição Federal. No âmbito estadual o TJ será competente quando o confronto for entre as leis locais e a Constituição do Estado. 26Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020, pág. 252 25Lenza, Pedro. Direito Constitucional esquematizado / Pedro Lenza. – Coleção esquematizado® / coordenador Pedro Lenza – 24. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020, pág. 248 30 ⚠ ATENÇÃO O controle concentrado em face da CF é exercido exclusivamente perante o STF por meio das seguintes ações: ● ADI - Ação Direta De Inconstitucionalidade ● ADO - Ação Direta De Inconstitucionalidade Por Omissão ● ADC - Ação Declaratória De Constitucionalidade ● ADPF - Arguição De Descumprimento De Preceito Fundamental QUESTÕES PRINCIPAIS a) Cumpre ao tribunal manifestar-se especificamente acerca da validade de uma lei e sobre sua permanência ou não no sistema, diferindo do controle por via incidental, no qual a discussão da constitucionalidade é questão prejudicial. b) Cabe ao autor indicar os atos infraconstitucionais que considera incompatíveis com a CF e as normas constitucionais em face das quais estão sendo questionados, com as respectivas razões. 15.2. MOMENTO A PARTIR DO QUAL A DECISÃO SE TORNA OBRIGATÓRIA A decisão, seja definitiva ou cautelar, torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DOU ou DJU, não sendo necessário aguardar o trânsito em julgado. 15.3. TEORIA DA INCONSTITUCIONALIDADE POR “ARRASTAMENTO” OU “ATRAÇÃO”, OU “INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENTE DE PRECEITOS NÃO IMPUGNADOS”, OU INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENCIAL, OU INCONSTITUCIONALIDADE CONSEQUENTE OU DERIVADA, OU “INCONSTITUCIONALIDADE POR REVERBERAÇÃO NORMATIVA”, OU INCONSTITUCIONALIDADE SECUNDÁRIA27 Pela referida teoria, se em determinado processo de controle concentrado de constitucionalidade for julgada inconstitucional a norma principal, em futuro processo, outra norma dependente daquela que foi declarada inconstitucional em processo anterior, tendo em vista a relação de instrumentalidade que entre elas existe, também estará eivada pelo vício de inconstitucionalidade “consequente”, por