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Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 1 PLANO DE TRATAMENTO Organizar e guiar todas as etapas do tratamento, garantindo um procedimento eficaz, previsível e seguro, além de minimizar riscos e complicações. • Diagnóstico preciso: Avaliação clínica e radiográfica para determinar a necessidade do tratamento. • Definição da abordagem: Escolha da técnica mais adequada (manual, mecanizada ou híbrida). • Planejamento das etapas: Acesso coronário, instrumentação, irrigação, medicação intracanal e obturação. • Previsão de dificuldades: Consideração de curvaturas radiculares, calcificações ou reabsorções. • Orientação sobre prognóstico: Expectativa de sucesso ou necessidade de reavaliação futura. • Registro documentado: Auxilia na comunicação com o paciente e em aspectos legais do atendimento. INSTRUMENTAIS • Sonda exploradora nº 5; • Sonda nº 5 modificada; • Sonda de Odous (HEIN); • Brocas esféricas: 1011, 1012, 1013, 1014, 1015; • Endo Z ou diamantada 3082; • Lápis grafite 0.7 mm. DENTES ANTERIORES INCISIVOS E CANINOS: • Ponto de eleição 2 mm acima do cíngulo. • Direção de trepanação Seguir o longo eixo do dente. • Forma de contorno Será alcançada após a remoção do teto da câmara coronária. • Forma de conveniência Desgastes compensatórios necessários para melhorar visualização das entradas do conduto. • Refinamento do preparo Brocas endo Z ou 3082. • Localização das entradas dos condutores com sonda nº 5 modificada (HEIN) Deve penetrar livre nas entradas dos condutos. • Verificar a presença de teto Com sonda exploradora. DENTES POSTERIORES PRÉ-MOLARES: • Ponto de eleição 1º e 2º Pré-molares superiores e 2º Pré- molares inferiores: porção central do sulco principal. 1º Pré-molar inferior: fossa mesial da superfície oclusal. • Direção de trepanação 1º e 2º Pré-molar superior: inclinar levemente em direção a raiz palatina, até atingir a câmara pulpar. A remoção de teto estende-se da região palatina até a região vestibular, em busca do canal vestibular, tendo cuidado de NÃO Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 2 DESGASTAR desnecessariamente a cresta marginal. Primeiro Pré-molar inferior: Paralela ao longo eixo do dente e após INCLINA LEVEMENTE EM DIREÇÃO DISTAL, até alcançar a câmara pulpar. Segundo Pré-molar inferior: Paralelo ao longo eixo do dente, INCLINA LEVEMENTE EM DIREÇÃO A FACE LINGUAL, até alcançar a câmara pulpar. • Forma de contorno Primeiro Pré-molar superior: Ovoide ou elipsoide com maior diâmetro no sentido vestíbulo-palatino. Primeiro Pré-molar inferior: Ovoide ou circular. Segundo Pré-molar superior: Ovoide ou circular se houver apenas um canal ou ovoide/elipsoide se apresentar dois canais. Segundo Pré-molar inferior: Ovoide. • Forma de conveniência Brocas endo Z ou 3082. • Localização das entradas dos condutos com sonda nº 5 modificada (HEIN) Deve penetrar livre nas entradas dos condutos. MOLARES: • Ponto de eleição Molares superiores e inferiores: Fossa central. • Direção de trepanação Molares superiores: Inclina ligeiramente para o canal mais amplo, o palatino. A remoção do teto deve ser feita após ter encontrado o canal palatino. A broca é direcionada para região disto vestibular em busca do canal DISTOVESTIBULAR para remoção do teto. Molares inferiores: Inclina ligeiramente em direção a embocadura do canal distal até a remoção de todo o teto. • Desgaste compensatório e forma de conveniência Refinar todas as paredes axiais do preparo e remover a convexidade da parede mesial. • Forma de contorno Molares superiores: Triangular ou trapezoidal, com base em voltada para vestibular. Molares inferiores: Triangular ou trapezoidal, com base maior para mesial. • Refinamento do prepara Brocas endo Z ou 3082. • Localização das entradas dos condutos com sonda nº 5 modificada Deve penetrar livre nas entradas dos condutos. PROTOCOLO Determinar o CAD (Comprimento Aparente do Dente) e o CP (Comprimento Provisório de Trabalho). • CAD: comprimento do dente medido na radiografia. Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 3 • CP: CAD – 4 mm. Mede-se, com o auxílio do negatoscópio, lupa e régua milimetrada transparente, o espaço entre a ponta do instrumento e o vértice radiográfico. A medida teremos um valor X. Com a medida X (neste caso for igual a 3 mm) iremos acrescentar (somar) ao valor determinado pelo CRI ou CI, totalizando desta forma o valor do Comprimento Real do Dente ou Comprimento do Dente (CRD/CD = CRI/CI + X). Necessário a radiografia para confirmação do CRT ou CT (técnica da Bissetriz Excêntrica). PREPARO BIOMECÂNICO DOS CANAIS RADICULARES Consiste na limpeza e modelagem do sistema de canais para permitir uma obturação hermética. Esse processo envolve a instrumentação, irrigação e desinfecção, removendo tecidos necróticos e contaminantes. PREPARO 1. Cirurgia de acesso até chegar no vazio Verificar na radiografia inicial. 2. Desgaste compensatório da cavidade de acesso Brocas Endo Z ou 3082. 3. Colocar o dique de borracha Isolamento absoluto. 4. Saneamento de toda a câmara pulpar Clorexidina gel 2% - broca de baixa rotação. Irrigar e aspirar com soro fisiológico. 5. Exploração dos canais radiculares usando limas manuais C-Pilot número #10 e #15. Canal inundado com Clorexidina gel 2%. 6. Alcançar o Comprimento Aparente do Dente (CAD – 4 mm) Usando limas manuais C-Pilot número #10 e #15, até que ela fique folgada (NUNCA com o canal seco, SEMPRE com Clorexidina gel 2% e soro fisiológico). 7. Pré-alargamento Utilizando as limas Prodesign M com movimento rotacional no sentido horário (com a ponta dos dedos) no comprimento do CAD – 4 mm. A lima de escolha vai depender do grupo de dentes (passo a passo no final). Quando estiver fazendo o movimento o canal deve estar inundado com Clorexidina gel 2%. Ao terminar: irrigar e aspirar com soro fisiológico. 8. Estabelecimento da odontometria radiográfica ou utilizando localizador foraminal eletrônico Usar limas manuais C-Pilot #10 ou #15. 9. Instrumentação ao final do 1/3 médio e apical A cada três movimentos, irrigar bastante e limpar a lima (chegar no comprimento Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 4 de trabalho, trocar a lima, não insistir após a chegada no CT com a mesma lima). Quando estiver realizando o movimento, o canal deve estar inundado com Clorexidina gel 2%. Ao terminar: Irrigar e aspirar com soro fisiológico. 10. Instrumentação e modelamento apical Três limas superiores a lima foraminal inicial (primeira lima que se ajustou no forame). Quando estiver realizando o movimento, o canal deve estar inundado com Clorexidina gel 2%. Ao terminar: Irrigar e aspirar com soro fisiológico. 11. Limpeza final Agitação com Clorexidina gel 2%. Ao terminar: Irrigar e aspirar com soro fisiológico. 12. EDTA Agitação. Ao terminar: Irrigar e aspirar com soro fisiológico. 13. Secagem Secar todo o canal adequadamente para obturação. INTRUMENTAÇÃO DE DENTES ANTERIORES Frequentemente apresentam canais radiculares amplos, o que exige uma instrumentação cuidadosa para evitar fragilização da estrutura dentinária e risco de fratura radicular. DENTES ANTERIORES Instrumentação de Dentes Anteriores (Canais Amplos) – Exceto Incisivos Inferiores – ProDesign M Manual: 1. Exploração Inicial Utiliza-se C Pilot #10 e/ou #15 para explorar a trajetória do canal. 2. Pré-Alargamento do Terço Coronário Uso do Orifice Shaper 15.08 ou limas manuais Easy Shaper nas calibrações 25.05 → 30.05 → 35.05 → 40.05 (até encontrar resistência no CAD – 4 mm). 3. Odontometria Determinação do Comprimento Real do Dente (CRD) com C Pilot #10 e/ou #15 ou com a lima tipo Kque ficar justa, respeitando o diâmetro do canal. 4. Instrumentação Principal (CRT: CRD + 1 mm) Uso progressivo das limas manuais Easy Shaper nas calibrações: 25.05 → 33.05 → 35.05 → 40.05 → 50.00 (e seguir conforme necessário). 5. Patência Apical Utiliza-se C Pilot #10 e/ou #15 no CRD + 1 mm. 6. Ampliação Foraminal (CRD + 1 mm) Amplia-se o forame com limas manuais Easy Shaper nas calibrações: 35.05 → 40.05 → 50.03 → 60.03 (aumentando, se necessário). Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 5 INTRUMENTAÇÃO DE DENTES POSTERIORES E INCISIVOS Exige uma abordagem cuidadosa para preservar a estrutura dentinária, evitar fragilização e garantir uma conformação adequada para a obturação. DENTES POSTERIORES E INCISIVOS Instrumentação de Dentes Posteriores e Incisivos (Canais Amplos) – ProDesign M Manual: 1. Exploração Inicial C Pilot #10 e/ou #15 para avaliação e exploração da trajetória do canal. 2. Pré-Alargamento do Terço Coronário Orifice Shaper 15.08 ou Limas manuais Easy Shaper: 25.05 → 30.05 → 35.05 → 40.05 (até encontrar resistência no CAD – 4 mm). 3. Odontometria Determinação do Comprimento Real do Dente (CRD) com C Pilot #10 e/ou #15 ou lima tipo K que ficar justa no canal (depende do). 4. Instrumentação Principal (CRT: CRD + 1 mm) Uso progressivo de limas manuais Easy Shaper: 20.05 → 25.05 → 30.05 → 40.05 (e seguir conforme necessário). 5. Patência Apical Utiliza-se C Pilot #10 e/ou #15 no CRD + 1 mm. 6. Ampliação Foraminal (CRD + 1 mm) Uso de limas manuais tipo K Flexofiler nas calibrações: 30.02 → 35.02 → 40.02 (aumentando, se necessário). OBTURAÇÃO A obturação do canal radicular tem como principal objetivo vedar hermeticamente o sistema de canais do dente após a remoção do tecido pulpar infeccionado ou necrosado, prevenindo a reinfecção e garantindo o sucesso do tratamento endodôntico. PARA QUE SERVE A OBTURAÇÃO? ✓ Evita reinfecção – Impede a entrada de bactérias no canal tratado. ✓ Garante o selamento do canal radicular – Previne infiltrações. ✓ Promove a cicatrização periapical – Favorece a regeneração do tecido ósseo ao redor da raiz. ✓ Mantém a integridade da estrutura dentária – Prepara o dente para a restauração final. ✓ Evita dor e complicações futuras – Reduz risco de abscessos e novas infecções. Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 6 TÉCNICA DE CONE ÚNICO É simples, eficiente e rápida. Envolve o uso de um único cone de guta- percha para selar o canal radicular, oferecendo vantagens como: ✓ Simplicidade e rapidez no procedimento. ✓ Menos risco de erros e complicações. ✓ Redução de desconforto para o paciente. ✓ Boa vedação do canal, prevenindo reinfecções. ✓ Menos manipulação de materiais, tornando o processo mais eficiente. Não é recomendada para canais com curvaturas acentuadas ou formas irregulares. 1. Seleção do Cone de Guta-Percha Observar o taper da lima de modelagem utilizada: CONE DE GUTA F FM M TAPER DO CONE .02 .04 .06 2. Desinfecção do Cone de Guta- Percha Aplicação de gel de Clorexidina 2% nos cones selecionados. Tempo de ação: 1 a 2 minutos. Etapa obrigatória! 3. Calibração do Cone de Guta-Percha O cone deve ser calibrado de acordo com o TIP da última lima usada na ampliação foraminal. Realizar calibração no -2 mm do CRD. Exemplo: Se a última lima foi #40, calibrar o cone no #50. TOALETE DO CONDUTO Antes da obturação, é fundamental remover o smear layer para garantir melhor adesão do cimento. • Feito com EDTA 17%, e pode seguir uma das opções abaixo: A) Inundar o conduto com EDTA 17% durante a prova do cone. B) Inundar o conduto com EDTA 17% e agitar por 20 segundos → repetir 2 vezes renovando o EDTA. Em seguida, inundar com Clorexidina gel 2% e realizar a prova do cone. 4. Cone Desinfetado e Calibrado Realizar a prova do cone no canal. 5. Cone de Guta Percha DEVE apresentar travamento adequado. 6. Radiografia da Prova do Cone Realizar radiografia com o cone inserido para verificação do ajuste. 7. Lavagem Abundante e Secagem do Conduto Irrigar com soro fisiológico. Secar o conduto com cones de papel absorvente. Calibrar o cone de papel absorvente conforme o diâmetro final do forame (usar régua calibradora – cone Microtipped). 8. Espatulação do Cimento Selecionado Milca Campos Mateó – ENDODONTIA 7 Sealer 26 ou AH Plus. Mistura feita em placa de vidro estéril com espátula nº 24. 9. Inserção do Cone de Guta-Percha Após a desinfecção e secagem, introduzir o cone com cimento no canal, realizando movimentos de vai e vem para melhor adaptação às paredes. 10. Primeiro corte Feito com instrumento aquecido com condensador de Paiva ou Lucas. 11. Compressão com condensador frio 10 a 15 segundos com Paiva, Lucas ou Schilder. Cuidado ao remover o condensador para evitar deslocamento da guta! 12. Segundo corte Realizar outro corte e nova compressão por 10 segundos. O cone de guta deve ficar 2 a 3 mm abaixo da embocadura do conduto para permitir aplicação do Cotosol. 13. Vedação da Embocadura do Conduto Aplicação de Cotosol nos dentes que receberão restauração direta. 14. Limpeza de todo cimento da câmara pulpar Com esponja estéril, escovinhas MKlife ou ultrassom com Clorexidina gel 2%. 15. Restauração Temporária Inserção de Ionômero de Vidro. 16. Dentes com Grande Destruição Blindagem com pino de fibra de vidro para reforço coronário. 17. Radiografia Final Após remoção do isolamento absoluto, verificar a adaptação da obturação e finalizar o caso. CONSIDERAÇÕES FINAIS ✓ Escolher corretamente o cone de acordo com o taper da última lima. ✓ Remover smear layer para melhor adesão do cimento. ✓ Prova do cone e radiografia obrigatórias para confirmar a adaptação. ✓ Manter técnica asséptica rigorosa em todas as etapas. ✓ Evitar extrusão de cimento para minimizar complicações pós- operatórias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COELHO, Flávia Mara. Plano de tratamento, preparo biomecânico dos canais radiculares e obturação. Aula ministrada no curso de Odontologia, Faculdade UNIBRAS de Juazeiro/BA, 2022.