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Atendimento ao politraumatizado Prof. Francisco Baima Introdução O trauma constitui a primeira causa de morte na população entre 5 e 38 anos. É a terceira causa geral de morte Fases do tratamento: pré-hospitalar e hospitalar Fase pré-hospitalar Introdução Devem ser considerados 4 aspectos: 1- Resgate 2- Triagem 3- Estabilização 4- Transporte Resgate A equipe de resgate deve compor um veículo adequado em relação a localização, distância e circunstâncias do acidente e o equipamento necessário O pessoal deve estar treinado para reconhecer as situações e suas características: número de pessoas afetadas, gravidade, risco eventual de complicações e quantidade de mortes Cada vez que há algum óbito, deve presumir-se que o acidente representou um evento de grande vulto e deve ser considerado que pode haver outros feridos graves Resgate Nessa fase, deve-se prestar atendimento às emergências vitais para controlar dor e hemorragia: 1- Manter uma via aérea desobstruída 2- Cobrir com curativos ou compressas as feridas torácicas penetrantes 3- impedir, mediante compressão manual e com curativo compressivo, as hemorragias externas extensas 4- Alinhar e imobilizar de forma provisória fraturas ou luxações instáveis Triagem (American College of Surgeons) De acordo com as características de suas lesões, o traumatizado deve ser enviado, se possível imediatamente, ao hospital que realizará atendimento definitivo, pela via mais rápida. Se os recursos para atender no serviço de urgência, ou para transportar os traumatizados do local do acidente, forem inferiores às necessidades, deve ser feita a triagem Triagem (American College of Surgeons) Primeiro – politraumatizados graves com lesões recuperáveis Segundo – trauma moderado a severo Terceiro – trauma leve Quarto – estado agônico e os mortos Nessa hierarquização são consideradas as variáveis fisiológicas, anatômicas e um algoritmo para realizar a estratificação Triagem – variáveis fisiológicas Mostram a gravidade global do paciente e estão relacionadas com a mortalidade 1- Escala de Glasgow 29 Triagem – variáveis anatômicas A presença de uma ou mais dessas lesões mostram uma elevada taxa de mortalidade 1- Lesão penetrante nas seguintes áreas: tórax, abdome, cabeça, pescoço, axilas e virilhas 2- Duas ou mais fraturas próximas de ossos de extremidades grandes 3- Fratura de pelve (instável) 4- TCE com comprometimento da consciência e/ou sinais de lateralização 5- Fratura exposta ou com afundamento de crânio Triagem – variáveis anatômicas 6- Amputações traumáticas na mão e/ou tornozelo 7- Deformação, dilaceramento ou grave lesão das extremidades 8- Combinações de queimaduras em 15% da superfície corporal e aquelas associadas a lesão na face e via aérea 9- Evidência de grave impacto em acidente de trânsito ou queda de altura maior que três metros 10- Acidente com lançamento do ocupante para fora do veículo Triagem – variáveis anatômicas 11- Atropelamento de pedestre a velocidade maior que 32km/h 12- Acidente em motocicleta a velocidade maior que 30km/h 13- Idades extremas 14- Enfermidades cardiovasculares e respiratórias prévias conhecidas Triagem - algoritmo Estabilização Os pacientes devem ser oxigenados e os acessos venosos estabelecidos Obtenção de via aérea permeável Imobilização de coluna cervical Fechamento de feridas torácicas (com gaze) Controle de hemorragias externas (com gaze em compressão) Imobilizações (talas) Estabilização OBS: todos os antecedentes sobre o acidente, fornecidos muitas vezes por familiares e testemunhas, o tratamento administrado e as mudanças que ocorreram na evolução do traumatizado devem ficar registrados numa folha de registro para ser entregue ao médico no hospital Transporte O acidentado deve estar permanentemente atendido e vigiado e nunca deve ficar sozinho A contaminação grosseira de algumas feridas pode ser eliminada, cobrindo-se com curativos estéreis ou outros curativos limpos Se, durante a viagem, o paciente apresentar deterioração hemodinâmica significativa e a distância ou tempo de transporte forem muito prolongados, deve ser considerada a conveniência de inserir um ou dois acessos venosos com um cateter calibre 14 ou 16 e iniciar soro Transporte Se o paciente apresentar vômitos, deve ser girado em bloco para evitar aspiração Atenção para estabilização intermediária Se o paciente sofrer um agravamento, ou a distância e tempo necessários para o transporte ao hospital definitivo forem muito longos, então pode ser necessária uma escala num hospital periférico. Essa escala tem como objetivos: 1- Assegurar a manutenção de uma via aérea permeável e sua oxigenação 2- Colocar ou ajustar o colar cervical 3- Inserir dois acessos venosos periféricos e iniciar o soro 4- Alinhar, movimentar, imobilizar provisoriamente lesões ósteo-articulares severamente deformadas nas extremidades 5- Efetuar algum procedimento que supere as capacidades do pessoal do resgate (drenagem pleural, por exemplo) Resumo FASE PRÉ-HOSPITALAR - Acesso ao Socorro - Avaliação da Cena - Avaliação da Vitima - Transporte adequado - Regulação - S-A-M-P-L-A Anamnese: Nome e idade; Queixa principal; • S: verificação dos Sinais vitais e Sintomas: • Respiração (frequência, ritmo e amplitude); • Pulso (frequência, ritmo e amplitude); • Pressão arterial; • Pele (temperatura, cor, turgor e umidade). • A: história de alergias; • M: medicamentos em uso e/ou tratamentos em curso; • P: passado médico – problemas de saúde ou doença prévia; • L: horário da última ingestão de líquidos ou alimentos; e • A: ambiente do evento. Fase hospitalar Conceitos gerais - Mortes Imediatas (em aproximadamente 50% dos casos): Acontecem no local do acidente ou imediatamente depois devido a dilacerações das seguintes áreas: Cérebro Tronco encefálico Medula espinal Coração Grandes vasos Conceitos gerais - morte Precoces (em aproximadamente 30% dos casos) Entre 3h e 4h depois do acidente. São consideradas mortes passíveis de tratamento. As causas podem ser: Grandes hemorragias intracranianas Lesões torácicas e/ou abdominais graves Conceitos gerais - mortes Tardias (ocorrem dias ou semanas depois do trauma) São causadas, em 80% dos casos, por sepse e/ou falência múltipla de órgãos Triagem em fase hospitalar Quando o número de pacientes e a gravidade de suas lesões não excedem as capacidades da instituição receptora – os lesionados com comprometimento vital e aqueles com traumas múltiplos são tratados em primeiro lugar. Quando o número de pacientes exceder as capacidades – são priorizados os pacientes com maiores possibilidades de sobrevida e que requeiram o menor gasto em equipes, insumos, tempo e pessoal Atendimento do politraumatizado (ATLS) Avaliação inicial: Deve ser rápido, preciso e eficiente, avaliando as funções vitais Não deve demorar mais de dois minutos Objetiva identificar lesões que tragam risco de vida e/ou às extremidades do paciente, caso não sejam tratadas imediatamente Atendimento do politraumatizado (ATLS) Avaliação inicial: Um medico experiente, em poucos segundos, pode classificar um paciente em algum dos seguintes estados: 1- Morto ou em vias de falecer 2- Em choque com comprometimento das funções vitais (via aérea) 3- Estável ou instável Atendimento do politraumatizado (ATLS) Ressuscitação Realizada simultaneamente com avaliação inicial Para organizar a metodologia, recorre-se ao ABCDE A – via aérea permeável B – respiração C – circulação e controle de hemorragias D – avaliação neurológica inicial E – exposição com o paciente completamente nu A – via aérea permeável com controle da coluna cervical Realizada a intubação naso ou orotraqueal quando existe comprometimento respiratório evidente, mas presumidamente fratura de coluna cervical em todo paciente inconsciente com trauma craniano e/ou facial severo até que se prove o contrário. RX lateral da coluna cervical para avaliar C1 a C7. Enquanto isso, a coluna cervical deve ser mantida alinhada,imobilizada no colar cervical e evitar hiperextensão. A imobilização pode ser mantida até estudo de imagem mais adequado A – via aérea permeável com controle da coluna cervical Diante do fracasso em assegurar a via aérea (nasal ou oral) em aproximadamente 60 segundos, e no caso de não existir possibilidade de ventilar com máscara, deve ser considerada uma cricotireoidostomia. A traqueostomia deve ser o procedimento de escolha e efetuado em sala de cirurgia. B - respiração Corresponde aos traumatismos que ocorrem anatomicamente por debaixo da laringe. Consiste em avaliar os seguintes itens: 1- Excursão respiratória torácica e fluxo aéreo 2- Estabilidade da parede torácica ou mobilidade paradoxal 3- Frequência respiratória 4- Ausculta pulmonar B - respiração A posição da traqueia deve ser palpada para determinar a presença de enfisema subcutâneo. A presença de algum dos seguintes sintomas indica necessidade de efetuar ventilação assistida: 1- Estridor 2- Cianose 3- Ansiedade 4- Retração intercostal 5- Uso de musculatura respiratória acessória 6- Taquipneia maior que 30 por minuto 7- Bradipneia menor que 12 por minuto que assinale esgotamento respiratório próximo B - respiração O pneumotórax pode ser uma complicação importante Pneumotórax hipertensivo – requer drenagem imediata (aspirar com agulha). Em caso de obter ar, deve ser instalado um tubo pleural Pneumotórax aberto – deve ser fechado depois da instalação de um tubo pleural B - respiração A ventilação e oxigenação adequada necessitam do fornecimento de ar e da administração do volume e da concentração necessária de oxigênio (10 a 12 litros por minuto, alcançando concentração de 85% ou mais) Por isso, deve ser necessário um tipo de máscara que proporcione uma concentração conhecida de oxigênio ou uma máscara de recirculação B - respiração Oxímetro de pulso para monitorização Uma via aérea permeável e uma ventilação adequada, com concentração de oxigênio administrado em quantidade suficiente, deveriam manifestar-se em medições de oximetria com valores acima 90% C – circulação e controle de hemorragias O estado circulatório é estabelecido pelos seguintes parâmetros: 1- Pulso 2- Pressão arterial 3- Temperatura da pele 4- Sudorese 5- Estado das veias do pescoço 6- Eletrocardiograma C – circulação e controle de hemorragias Os elementos de observação clínica que podem contribuir com informação significativa e rápida em relação a situação hemodinâmica: 1- Nível de consciência 2- Cor da pele 3- Aspecto da pele 4- Pulso C – circulação e controle de hemorragias A repercussão da hipovolemia sobre os níveis de pressão arterial é mais tardia e se manifesta ao se esgotar os mecanismos de compensação, nos quais o organismo recorre a fim de assegurar a perfusão aos órgãos mais vitais (coração, cérebro e rins). C – circulação e controle de hemorragias Diante do sangramento, deve-se tomar as seguintes medidas: Identificar e controlar as hemorragias Considerar a compressão direta sobre o vaso em sangramento ou a ferida até poder efetuar o tratamento definitivo Torniquetes somente em amputações traumáticas Evitar hemostasia às cegas (dano vascular e neurológico) C – circulação e controle de hemorragias A hipovolemia é a maior causa de choque. Portanto, devem ser buscadas hemorragias ocultas no tórax, abdome e pelve (retroperitônio). O TCE, por si só, não causa choque. C – circulação e controle de hemorragias Se as veias do pescoço estão distendidas, devem ser descartados os seguintes estados clínicos: Pneumotórax hipertensivo Tamponamento cardíaco Infarto do miocárdio Embolia C – circulação e controle de hemorragias Quando há hipovolemia presente, devemos ter um acesso venoso, se possível com dois cateteres periféricos grossos (14 ou 16). O soro deve ser agressivo e com solução salina balanceada (Ringer Lactato ou SF 0,9%). Devem ser administrados entre dois a três litros entre dez e vinte segundos, quando há comprometimento hemodinâmico. Logo, devemos prosseguir com sangue caso a instabilidade hemodinâmica persista C – circulação e controle de hemorragias Lembre-se que o volume de sangue estimado como perda requer três a quatro vezes o volume em cristalóides para compensá-lo. Por exemplo, 500ml de sangue perdido são compensados por 1500ml a 2000ml de solução salina. O ideal é manter o hematócrito entre 30%-35%, as quais as condições desejáveis de viscosidade e níveis adequados para transporte de oxigênio. C – circulação e controle de hemorragias ECO-FAST: capaz de fornecer informação rápida para a detecção de sangramento oculto. C – circulação e controle de hemorragias Mensagem final: Deve-se enfatizar o controle adequado e precoce da origem do sangramento, mais do que a reposição de volume, a qual poderia favorecer um maior sangramento ao interferir com os mecanismos de compensação aos quais recorre o organismo para tentar controla-lo. D- avaliação neurológica inicial O estado neurológico é estabelecido mediante um rápido exame no qual são pesquisados os seguintes parâmetros: 1- Nível de consciência (alerta, resposta à voz e à dor, ou sem resposta) 2- Tamanho e reação pupilar 3- Movimentos das extremidades, espontâneos ou provocados 4- Sinais de lateralização 5- Registro de possível nível de lesão medular D- avaliação neurológica inicial – escala de coma de Glasgow D- avaliação neurológica inicial – classificação do TCE D- avaliação neurológica inicial Imediatamente depois, é importante reconhecer e tratar a lesão do encéfalo (hiperventilação e manitol, se necessário), uma vez excluídos os outros possíveis fatores que a possam estar provocando (hipoglicemia, álcool, narcóticos ou outras drogas). E- exposição Permite um exame adequado e completo pelo lado anterior e posterior, mobilizando o paciente em bloco. Uma vez feito isso, o paciente deverá ser coberto com mantas com objetivo de evitar hipotermia. Os líquidos intravenosos que serão administrados deverão ser previamente aquecidos Complementos a avaliação inicial e ressucitação Oximetria de pulso Eletrocardiograma Colocação de sonda vesical de demora, exceto em lesão de uretra posterior Estabilização de fraturas fechadas de grandes ossos para impedir uma hemorragia maior Sondagem nasogástrica – utilizada para investigar sangramento, vazão gástrica e evitar aspiração pulmonar RX: cervical perfil, tórax AP e bacia AP Tratamento definitivo Exames de imagem Cirurgia UTI Resumo - Revisão S X A B C D E S X A B C D E Segurança Controle de Hemorragias Abertura de Vias Aéreas Ventilação e Respiração Circulação Exame Neurológico Exposição Avaliação Regra dos 03 “S” – Safety, Scene e Situation PASSOS: Qual é a situação? Para onde a situação pode evoluir? Como controlar a situação? Lembrar dos EPIs S Avaliação Curativos compressivos para controle de grandes hemorragias S X Avaliação Iniciar com inspeção das vias S S Avaliação Para Vítimas Clínicas (Sem possíveis lesões no pescoço) S S Manobra de chin lift Avaliação Para Vítimas de Trauma (com possíveis lesões no pescoço) S S Manobra de Jaw thrust Avaliação Com as manobras de abertura de vias aéreas em execução Avaliar Frequência respiratória Inspeção de Movimentos Torácicos Sinais de Cianose Desvio de linha de Traqueia Uso de musculatura acessória S B Idade (anos) FR/minuto Menores de 1 ano 30 a 40 IRPM De 1-2 anos 25 a 30 IRPM De 2-8 anos 20 a 25 IRPM De 8-12 anos 18 a 20 IRPM EM Adultos 16 a 20 IRPM ATLS – Avaliação Avaliar sinais de choque Controle de hemorragias Internas Tempo de Enchimento capilar Normal até 02 segundos S C De 0 a 2 anos – entre 120 e 140 bpm; Entre 8 e 17 anos – entre 80 e 100 bpm; Adulto sedentário – entre 70 e 80 bpm; Adultos praticantes de atividades físicas e idosos – entre 50 a 60 bpm. ATLS – Avaliação Análise de nível de consciência Tamanho e Reatividade de Pupilas Sinais de lesão grave no cérebro Sinais de lesão medular Lembrar da escala de Glasgow S D Avaliação A VITIMA ALERTA, RESPONSIVACONSCIENTE V VITIMA RESPONSIVAL APENAS A ESTIMOS VERBAIS Algum tipo de comprometimento neurológico D VITIMA SÓ RESPONDE QUANDO REALIZADO ESTIMULO DOLORO Paciente GRAVE N VITIMA NÃO RESPONDE Pupilar (atualização 2018): (2) Ambas as pupilas não reagem ao estímulo de luz. (1) Uma pupila não reage ao estímulo de luz. (0) Nenhuma pupila fica sem reação ao estímulo de luz. Analisar de forma mais criteriosa as lesões Procurar sinais de traumas, deformidades, escoriações Procurar manchas na pele, edema, palidez novamente Controle de hipotermia Preservar o pudor da vitima S E Avaliação Avaliação Secundária Avaliação Secundária Avaliação Secundária Obrigado image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.png image6.jpeg image7.png image8.png image9.png image10.jpeg image11.png image12.jpeg image13.png image14.jpeg image15.jpeg image16.png image17.jpeg image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.jpeg image28.png image29.gif image30.png image31.png image32.png image33.gif image34.png image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png