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Finanças Corporativas Prof. Anderson Gonçalves 14/02/2025 Análise Financeira e Demonstrações Contábeis A análise financeira é uma ferramenta que nos auxilia na avaliação da empresa. A contabilidade é a linguagem dos negócios e as demonstrações contábeis são os canais de comunicação que nos fornecem dados e informações para diagnosticarmos o desempenho e a saúde financeira da empresa (SILVA, 2018, p.3). Resumidamente, podemos dizer que a análise financeira de uma empresa consiste num exame minucioso dos dados financeiros disponíveis sobre a empresa, bem como das condições endógenas e exógenas que afetam a empresa (SILVA, 2018, p.5). Fundamentação Legal das Demonstrações Contábeis Em 2007 iniciou-se uma nova fase de revolução contábil, com a Lei nº 11.638/07, seguida da Lei no 11.941/09. Estes diplomas legais modificaram a Lei nº 6.404/76 e tiveram a finalidade de levar as regras contábeis brasileiras a convergirem para padrões internacionais. Essas leis marcaram o processo de convergência da Contabilidade brasileira aos padrões internacionais, com o intuito de facilitar as transações comerciais e econômicas com outros países. Diversos pronunciamentos contábeis têm sido emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), . Demonstrações Contábeis A Lei nº11.638/07 determinou a obrigatoriedade de as empresas de grande porte elaborarem demonstrações contábeis semelhantes às sociedades por ações, ainda que não estejam constituídas como sociedades por ações. Considerou como empresas de grande porte, aquelas com ativo total superior a R$ 240.000.000 e vendas brutas superiores a R$ 300.000.000 (Silva, 2018, p.37). Atenção Em nossa disciplina, não há a pretensão do ensinamento da contabilidade ou do aprofundamento em procedimentos ou questões de natureza contábil, mas visa o uso da informação contábil já elaborada, ou seja, objetiva auxiliar na leitura das demonstrações contábeis. Finanças e Governança A análise financeira precisa ter um enfoque holístico, abrangendo a estratégia da empresa, suas decisões de investimento e de financiamento e suas operações. As empresas têm objetivos importantes, como a busca de retorno para os acionistas, a manutenção de um bom ambiente de trabalho e a preservação do interesse dos funcionários, além de sua responsabilidade com os objetivos e políticas nacionais, entre outros (Silva, 2018, p.4). Questões gerais sobre o negócio... •O que faz a empresa? •Quem são os proprietários, quem tem o poder de mando? •Quem são os administradores? •Que padrão de tecnologia apresenta? •Quais os planos de investimento e suas fontes de financiamento? •A empresa é lucrativa e próspera? •É sólida ou corre o risco de quebrar em pouco tempo? • Qual seu grau de endividamento e a qualidade de sua dívida? • Que tipo de público consome seus produtos? •Quem são seus principais concorrentes? •A empresa é tão forte quanto seus concorrentes? •Qual a tendência da empresa à potencialidade de geração de valor? 3 DIMENSÕES DAS FUNÇÕES FINANCEIRAS Tesouraria Operações Estratégica Administração do capital de giro Investimento Financiamento Dividendos Administração da Tesouraria (essa função está ligada ao dia a dia do financeiro) Gerir o caixa (pagamentos e recebimentos); Descontar duplicatas nos bancos; Obter empréstimos de curto prazo; Fazer aplicações financeiras das sobras temporárias de recursos. Administração das Operações (compreende os demais itens - contas do circulante) Duplicatas a receber: cujo montante de recursos que absorve é função do volume de vendas e dos prazos concedidos aos clientes para pagamento. Estoques: que decorrem da expectativa de vendas da empresa e de sua política de estocagem. (just in time, lote econômico e outras metodologias de administração de materiais). Contas a pagar a fornecedores: que também decorrem do volume de compras e da expectativa de vendas da empresa. Esse grupo de contas está estritamente relacionado às atividades operacionais da empresa, havendo variáveis externas que interferem de forma significativa em seus comportamentos. São exemplos o comportamento do mercado (oferta e demanda) e os índices de inflação, entre outros fatores. Dimensão Estratégica (decisões estratégicas de investimento, financiamento e dividendos) As decisões de investimento referem-se às aplicações de recursos em ativos, bem como aos retornos esperados e aos riscos oferecidos por esses ativos. As decisões de financiamento referem-se à forma de como financiar os ativos, isto é, decorrem da estrutura de capitais que a empresa quer manter. As decisões relacionadas ao pagamento de dividendos aos acionistas estarão vinculadas às oportunidades de investimentos, à estrutura de capitais e ao modo que a direção da empresa julga adequado e atrativo para distribuição de resultados aos possuidores de suas ações. Apresentação das principais demonstrações contábeis Sociedades Anônimas de Capita Aberto Conforme visto no Capítulo 3, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e seus componentes, na conformidade com a Lei nº 6.404/76, modificada pela Lei nº 11.638/2007, define como demonstrações contábeis obrigatórias: • Relatório da administração; • Balanço patrimonial; • Demonstração do resultado do exercício; • Demonstração do resultado abrangente; • Demonstração das mutações do patrimônio líquido; • Demonstração dos fluxos de caixa; • Demonstração do valor adicionado; • Notas explicativas; • Parecer do Conselho Fiscal; e • Relatório dos auditores independentes. Relatório da administração O Relatório da Administração também denominado de Mensagem aos Acionistas. ➢prestação de contas dos administradores aos acionistas ➢fornecer uma análise prospectiva ➢histórico da empresa ➢principais estratégias de crescimento ➢planos futuros ➢políticas de recursos humanos ➢investimentos em pesquisa e desenvolvimento STAKEHOLDERS E GOVERNANÇA Objetivos do nosso estudo sobre o BP I. Dar subsídios para compreender o balanço patrimonial, abrangendo o ativo, o passivo e o patrimônio líquido. II. Descrever o detalhamento do ativo em seus grupos (ativo circulante e ativo não circulante). III. Descrever o detalhamento do passivo em seus grupos (passivo circulante e passivo não circulante). IV. Comentar as contas que integram os diversos grupos do ativo, do passivo e do patrimônio líquido. Por que conhecer o BP? A leitura do balanço patrimonial permite a compreensão da situação patrimonial da empresa a partir da identificação dos seus bens e direitos e também de suas obrigações. Uma boa análise das demonstrações contábeis requer um adequado conhecimento do que representa cada um dos grupos e as respectivas contas que compõem as peças contábeis que serão analisadas. Regimes de Competência e de Caixa Conforme os princípios contábeis, as demonstrações financeiras são preparadas pelo regime de competência. No regime de competência, se reconhece as receitas no momento da venda, independentemente de terem sido recebidas ou não; bem como as despesas, quando elas são realizadas. O administrador financeiro utiliza o regime de caixa — que reconhece tanto as receitas quanto as despesas — somente no que se refere a entradas e saídas efetivas. O administrador financeiro deve ir além das demonstrações contábeis para identificar problemas existentes ou futuros no fluxo de caixa. A composição do BP • Ativos são todos os bens econômicos de propriedade da empresa (bens e direitos), que prometem gerar benefícios econômicos de caixa futuros. • Passivos são compostos de dívidas, obrigações, riscos (provisão para garantias, por exemplo) e contingências (estas são fatos geradores já ocorridos, como atuações fiscais, trabalhistas, ações judiciais e outros litígios em discussão). • O Patrimônio Líquido representa a parte da empresa que pertence aos seus proprietários, sendooriginário essencialmente dos investimentos feitos pelos sócios e dos lucros gerados pelas atividades e retidos na empresa. Ativos Um ativo é um recurso (bem ou direito) com capacidade ou potencial para gerar benefícios econômicos futuros para a empresa. O benefício é a capacidade para gerar entradas futuras de caixa ou a capacidade para reduzir saídas futuras. As contas do ativo estão dispostas segundo uma suposta ordem de liquidez. Dinheiro em caixa Estoque de Mercadorias Aeronave - imobilizado N ív e l d e L iq u id e z Circulante e Não Circulante Ativo Circulante Ativo Não Circulante Passivo Circulante Passivo Não Circulante + PL Exigível ou Realizável no curto prazo (até 12 meses) Investimentos ou Capital de Longo Prazo (mais de 12 meses) Ativo Circulante O ativo circulante engloba, além das disponibilidades, créditos, estoques e despesas antecipadas realizáveis no exercício social subsequente, o que o caracteriza como de realização em até um ano. CONTAS • Disponibilidades (Caixa) • Aplicações financeiras • Clientes (–) Duplicatas descontadas • Outros créditos (–) Prov. para crédito de liquidação duvidosa • Estoques • Despesas antecipadas 1. Disponibilidades Conforme o próprio nome sugere, as disponibilidades são compostas por recursos financeiros possuídos pela empresa que podem ser utilizados imediatamente, sem restrições. A expressão disponibilidade tem sido substituída por caixa e equivalentes de caixa. 1.1. Caixa e Bancos ➢ A conta caixa compreende o numerário (dinheiro) existente na empresa na data do encerramento do balanço. ➢ A rubrica com a denominação de Bancos conta movimento compreende os saldos bancários da empresa em conta-corrente, na data do balanço, disponíveis para saque, para aplicação financeira ou outro uso que a empresa pretenda. 1.2. Aplicações de Liquidez Imediata ➢ As aplicações de liquidez imediata são aquelas que facilmente são convertidas em dinheiro e, desse modo, são consideradas como disponibilidades. As chamadas aplicações em open market, over night e fundos que possibilitem resgate imediato são exemplos. O saldo dessa conta deve corresponder ao valor das aplicações feitas pela empresa, mais os acréscimos relativos à atualização monetária e aos ganhos incorridos até a data do balanço. Disponibilidades e Aplicações Financeiras ➢Critério de Avaliação – A legislação contábil atual prevê que as aplicações financeiras não mantidas até o seu vencimento, representadas basicamente por títulos de renda fixa e de renda variável, devem ser avaliadas e registradas pelo seu valor justo (Fair Value) ou seu equivalente valor de mercado. ➢O Pronunciamento Técnico CPC 12 (Ajuste a Valor Presente), em seu item 21, manda trazer a valor presente os valores a pagar e também os valores a receber decorrentes de operações de longo prazo ou mesmo de curto prazo quando houver efeito relevante. Fair Value O valor justo representa o valor que um ativo pode ser negociado livremente em determinada data, supondo que os agentes tenham acesso a todas as informações disponíveis, possuam suficiente conhecimento do negócio em avaliação, negociem sem conflitos de interesses e favorecimentos. 2. Direitos realizáveis Os “Direitos realizáveis no exercício social subsequente” compreendem bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro num prazo inferior a 360 dias ou ao ciclo operacional da empresa. 2.1. Contas a receber de clientes Contas a receber de clientes também aparecem nos balanços patrimoniais com a denominação de duplicatas a receber ou de recebíveis de clientes. Essas contas representam os valores a receber de clientes, decorrentes dos produtos, mercadorias ou serviços vendidos pela empresa e ainda não recebidos. O valor dessas contas é função do volume de vendas a prazo e do prazo concedido pela empresa aos seus clientes. 2.2. Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa (PECLD) A conta de ‘perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa’ (anteriormente chamadas de ‘provisão para devedores duvidosos’ – PDD) é uma conta redutora de duplicatas a receber e deve representar a expectativa da empresa de perda com créditos de seus clientes. 2.3. Estoques Nas empresas comerciais, os estoques são representados, basicamente, pelas mercadorias adquiridas para venda. Nas empresas industriais, temos, normalmente, três tipos de estoques: ➢ Matéria-prima e componentes a serem utilizados na produção dos bens que são fabricados pela empresa. ➢ Produtos em processo, que compreendem as matérias-primas que estão na linha de produção, a mão de obra direta apropriada até o estágio em que se encontre o processo, mais os custos indiretos de fabricação já rateados e atribuído. ➢ Produtos acabados, que correspondem às unidades produzidas e ainda não faturadas, isto é, não vendidas. Estoques não vinculados diretamente com o produto comercializado pela empresa ➢ Almoxarifados: independente da atividade da empresa, a mesma pode ter almoxarifados com materiais de escritório, produtos de limpeza, alimentos e outros produtos de uso, isto é, não destinados à venda; tais produtos apresentam semelhança com despesas antecipadas, porém, por serem materiais, isto é, por terem existência física, não podem ser classificados na categoria de despesas antecipadas. ➢ Adiantamento a fornecedores: muitas empresas e autores classificam esse item como parte integrante dos estoques; para fins de análise, é melhor que apareça separadamente. ➢ Peças para reposição de equipamentos: esse item deve ser classificado no ativo imobilizado, em rubrica própria. 2.4. Adiantamento a fornecedores São classificados como adiantamento a fornecedores apenas os adiantamentos para suprimento de matéria-prima, produtos, mercadorias e serviços que irão integrar a atividade operacional da empresa. Portanto, eventuais adiantamentos a fornecedores de equipamentos deverão ser classificados no ativo imobilizado. 2.5. Aplicações de liquidez não imediata Os exemplos mais comuns são as aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Recibos de Depósitos Bancários (RDBs) e Letras de Câmbio. Essas aplicações são classificadas no ativo circulante se o vencimento for durante o exercício social subsequente à data de encerramento do balanço; caso contrário, isto é, se tiverem prazos de vencimento superiores a um ano, serão classificadas no realizável a longo prazo. 2.6. Outros valores a receber Se eventualmente qualquer rubrica com denominação genérica tiver valor que possa representar, por exemplo, 10% ou mais do próprio ativo circulante, é necessário que o analista busque explicação sobre a mesma (adiantamentos a empregados? impostos a recuperar?). 2.7. Despesas do exercício seguinte ➢ Prêmio de seguros. ➢ Aluguéis pagos antecipadamente. ➢Assinaturas de periódicos. ➢Comissões e prêmios pagos antecipadamente. ➢Taxas associativas. Ativo Não Circulante Ativo não circulante é um bem ou direito de uma empresa destinado ao uso ou investimento a longo prazo, não sendo convertido em dinheiro dentro do ano corrente. CONTAS • Ativo Realizável a Longo Prazo • Investimentos • Imobilizado • Intangível 2. Ativo Não Circulante 2.1. Realizável a LP “os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (art. 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia.”(inciso II do art. 179 da Lei nº 6.404/76). 2.1. Realizável a LP ➢ Valores a receber decorrentes de venda de ativo permanente. ➢ Depósitos judiciais, que são valores depositados pela empresa em face de pendências judiciais, ficando nesse grupo até que haja decisão da justiça. ➢ Depósitos compulsórios de caráter diverso. ➢ Impostosa recuperar, quando a expectativa em relação ao tempo de recuperação for maior que um ano, em relação à data do balanço. ➢ Despesas antecipadas que se converterão em despesas após o exercício seguinte à data do balanço 2.2. Investimentos Conforme o art. 179 (III), da Lei nº 6.404/76, são classificados em investimentos: “as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza não classificados no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa”. Há, portanto, dois grandes grupos: (a) as participações permanentes, e (b) os direitos não classificáveis no ativo circulante. a1) Investimentos em coligadas e controladas São participações que a empresa mantém no capital de outras sociedades. A natureza de permanente é definida pela intenção da investidora em manter tal participação. Portanto, se a empresa adquire ações em Bolsa de Valores, com a intenção de negociá- las no curto prazo, não poderá classificar tais ações como investimentos; deverá classificá- las no ativo circulante. Coligadas: sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. 20% ou mais do capital votante da investida, sem chegar a controlá-la Controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou por intermédio de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e poder para eleger a maioria dos administradores. O CPC 18 em seu item 7 “A existência de influência significativa por investidor geralmente é evidenciada por uma ou mais das seguintes formas: (a) representação no conselho de administração ou na diretoria da investida; (b) participação nos processos de elaboração de políticas, inclusive em decisões sobre dividendos e outras distribuições; (c) operações materiais entre o investidor e a investida; (d) intercâmbio de diretores ou gerentes; ou (e) fornecimento de informação técnica essencial.” a2) Outras participações Em outras participações, são classificadas as participações em outras empresas, quando não há coligação nem controle. Além das participações permanentes em outras sociedades, a Lei nº 6.404/76 inclui, em investimentos, “os direitos de qualquer natureza não classificados no ativo circulante [nem no realizável a LP], e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa”. b) Direitos não classificados no ativo circulante b2) Propriedades para investimentos, incluindo imóveis que a empresa possua e os mantenha alugados. Adicionalmente, a empresa proprietária dos imóveis desenvolve suas atividades específicas e contratuais. b1) Bens não destinados à venda e que também não são utilizados na manutenção da atividade da empresa. Como exemplo, podemos citar as obras de arte, nas empresas que não tenham como objetivo sua comercialização. 2.3. Imobilizado O imobilizado é representado por bens tangíveis, que tenham as seguintes características: • sua utilização nas atividades da empresa; • não estejam destinados à venda; • vida útil superior a um ano; • relevância do valor. Imobilizado O ativo, para ser classificado como Imobilizado, deve apresentar algumas características básicas: • possuir duração bastante longa, quase permanente; • não se destinar à venda; • ser utilizado nas operações dos negócios da empresa. Exemplos: edificações da fábrica, veículos em uma empresa do setor de transportes, máquinas e equipamentos utilizados no processo fabril, móveis e utensílios, direitos de exploração de jazidas e outros recursos naturais etc. Perdas de Valor dos Ativos Tangíveis A maior parte dos ativos imobilizados sofre desgastes, que representam um custo para a empresa. Conforme a que bens se refiram, essas baixas recebem nomes diferentes: depreciações, amortizações e exaustões, mas significam uma só coisa. Representam partes do valor de aquisição consideradas perdidas (consumidas) e que, portanto, se transformaram em custos e despesas. Classificações • Depreciação: edificações, máquinas, equipamentos, instalações etc. • Amortização: direitos autorais, patentes etc. • Exaustão: reservas minerais, reservas florestais etc. • Imobilizados não sujeitos a depreciação: obras de arte e terrenos. Lei no 6.404/76, em seu art. 183, Depreciação (tangíveis): quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência. Amortização (intangíveis): quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado. Exaustão (recursos para exploração): quando corresponder à perda do valor decorrente de sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Legislação atual para fins de BP Atualmente, a contabilidade nos leva à busca de resposta para alguns pontos, como: ➢ Qual a vida útil da máquina? ➢ Por quanto tempo a empresa vai (ou pretende) permanecer com esta máquina? ➢ Qual o valor residual ao final da vida útil ou do período que a empresa pretende permanecer com a máquina? ➢ Como será o processo de desvalorização da máquina ao longo de seu uso? Por sua vez, a legislação fiscal define as regras para depreciação, baseadas em taxas determinadas pela Secretaria da Receita Federal. Essas regras têm validade para fins tributários. Como exemplo, podemos citar: Há, evidentemente, diversas outras taxas de depreciações, para diversos outros tipos de ativos imobilizados, as quais constam do Regulamento do Imposto de Renda. Cabe ressaltar que as taxas estabelecidas pela Receita Federal são taxas máximas. Impairment Test (teste de recuperabilidade) • A Lei no 11.638/07 prevê que a companhia avalie periodicamente a recuperação dos ativos classificados no Imobilizado e no Intangível. O objetivo principal da contabilidade é evitar que um elemento esteja registrado por um valor acima de seu valor de venda. Caso o ativo revele um valor de recuperação inferior ao contabilizado, a empresa deve reconhecer imediatamente esta perda (desvalorização). • A análise da recuperação desses ativos imobilizados e intangíveis permite também que seja ajustado o cálculo de vida útil estimada, conforme usado na determinação da depreciação, amortização e exaustão. Impairment, em inglês, significa “prejuízo”, “dano”, “perda”, “diminuição”. Na realidade, o “Teste de Impairment” visa identificar a perda com o ativo. 2.4. Intangível O intangível representa bens imateriais (incorpóreos), como marcas, patentes, direitos autorais etc. Estes bens estão sujeitos à amortização, por perda de valor, e também ao Impairment Test. 2.4. Intangível Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 04, “Ativo intangível é um ativo não monetário identificável sem substância física”. Ainda segundo o referido CPC, o ativo intangível deve satisfazer as condições de ser identificável, controlável e capaz de gerar benefícios econômicos futuros. Para que o ativo intangível seja identificável, deve ser separável e possível de ser vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado, ao mesmo tempo em que deve resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais. Ativos Intangíveis ➢Marcas e Patentes – Compreende os gastos necessários para registro das marcas e invenções próprias. Abriga também os pagamentos efetuados a terceiros por contratos de uso de marcas, patentes ou processos de fabricação. ➢Licenças e Franquias – Compreendem o pagamento a terceiros por contratos de licenças ou de franquias. ➢ Pesquisa e desenvolvimento – Os gastos com pesquisa devem ser classificados como despesas do período em que as mesmas ocorrerem.Na fase de desenvolvimento, os gastos podem ser considerados como ativos intangíveis se atenderem a um conjunto de condições, que assegurem sua viabilidade técnica, possibilidade de uso ou de venda e identificação da forma como o mesmo irá gerar benefícios econômicos, por exemplo. ➢ Outros itens, como fórmulas, modelos, softwares e direitos autorais, podem incorporar o ativo intangível. Passivo Exigível (curto e longo prazos) • Tanto o circulante quanto o exigível a longo prazo são compostos de dívidas, obrigações, riscos (provisão para garantias, por exemplo) e contingências (estas são fatos geradores já ocorridos, como atuações fiscais, trabalhistas, ações judiciais e outros litígios em discussão); só há diferenciação em função do prazo e prevalecem os comentários quanto ao ativo circulante. • Os passivos sujeitos a indexação por índices de preços, moeda estrangeira e outras formas contratadas de pós-definição devem estar totalmente atualizados na data do balanço; os juros proporcionais também devem ser registrados. • À medida que os empréstimos tomados a longo prazo passam a ser vencíveis no exercício social subsequente, são transferidos para o passivo circulante. • As obrigações da empresa vencíveis após o final do exercício social seguinte à data de encerramento do Balanço Patrimonial são classificadas no Passivo Exigível de Longo Prazo. 3. Passivo Exigível Um passivo decorre de uma empresa ter recebido de um provedor (fornecedor), bens, mercadorias, serviços ou recursos financeiros, comprometendo-se, em troca, a pagar o respectivo valor. Os passivos representam, portanto, os direitos dos credores sobre o ativo da empresa em decorrência dos suprimentos que tenham efetuado. 3.1. Fornecedores A conta de fornecedores representa as compras a prazo efetuadas pela empresa. Tais compras compreendem as mercadorias, as matérias- primas, os componentes utilizados na produção e outros materiais de consumo. Os fornecedores podem ser nacionais ou estrangeiros (que devem ser destacados, se relevantes). Pode ainda ocorrer de empresas coligadas ou controladas também aparecerem como fornecedoras. 3.2. Salários e Encargos Sociais Normalmente, os salários relativos a cada mês são pagos no início do mês seguinte, devendo ser contabilizados como despesa do período e como obrigação (dívida) junto a seus funcionários, devido ao regime de competência contábil. Como decorrência de legislação brasileira, há uma série de encargos sociais como FGTS e INSS decorrentes da folha de pagamento, que deverão ser recolhidos no mês seguinte ao de sua competência. A cada mês de trabalho, o empregado adquire direito a uma fração de férias e de 13º salário, constituindo, dessa forma, obrigação a ser contabilizada pela empresa. 3.3. Impostos e Taxas ICMS a recolher; IPI a recolher; ISS a recolher; PIS a recolher: o PIS (Programa de Integração Social) é um tributo federal destinado à formação de um fundo para os trabalhadores; IRRF a recolher; Cofins: a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) é um tributo federal instituído para financiar a seguridade social. Cabe destacar que os “impostos e taxas a recolher” compreendem três grupos principais, ou seja, (i) aqueles que têm como base de cálculo o faturamento da empresa, (ii) aqueles que decorrem de retenções na fonte, e (iii) aqueles que decorrem do lucro. 4. Passivo Não Circulante As obrigações de longo prazo são caracterizadas por terem seus vencimentos após o término do exercício seguinte, isto é, num prazo superior a um ano. Anteriormente às mudanças contábeis introduzidas pela Lei nº 11.638/07 e pela Lei no 11.941/09, o passivo não circulante era denominado de exigível a longo prazo. 5. Patrimônio Líquido O patrimônio líquido representa, no balanço patrimonial, a parte da empresa que pertence aos seus proprietários. Corresponde à diferença entre o ativo total e as dívidas. Calçado Pé Quente Indústria e Comércio S.A. Vamos utilizar um caso fictício para apresentar as demonstrações contábeis com alguns conceitos básicos que facilitem a leitura das mesmas. Os valores apresentados nas demonstrações estão em milhares de reais (R$). By: Chat GPT Calçados Pé Quente Faremos referência à empresa como Calçado Pé Quente (ideia de coisa que dá sorte). By: Chat GPT Aviso: este slide contém ironia Balanço Patrimonial (BP) Note que o balanço patrimonial da Calçado Pé Quente é publicado de forma comparativa, ou seja, os dois últimos anos (evolução dos números da empresa). Note também que foram publicados os números relativos ao consolidado, que compreende os dados da controladora e das demais empresas de seu grupo, que atendam às condições legais para consolidação. Continua... Continua... Continua... Continua... Balanço Patrimonial - 2014 Em que medida os dados do Balanço patrimonial são informativos para a análise financeira? Você sabe a diferença entre dado, informação, conhecimento e inteligência? O Pensador (francês: Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin. Retrata um homem em meditação soberba, lutando com uma poderosa força interna. https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_francesa https://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_Rodin https://pt.wikipedia.org/wiki/Medita%C3%A7%C3%A3o matéria-prima da Inteligência Dado Informação Conhecimento Inteligência TRATAMENTO E ANÁLISE 1 SIGNIFICADO E ANÁLISE 2 DECISÃO Os profissionais Dado Informação Conhecimento Inteligência Analistas, Engenheiros, Programadores, Cientistas, Estatísticos, Matemáticos, Etc. (de dados) Gerência, Consultoria, Especialistas, Diretoria, Etc. Gestores, Diretores, Conselho Administrativo, Presidência, Sócios, etc. Análise Financeira Só teremos condições de conhecer a situação econômico-financeira de uma empresa por meio dos três pontos fundamentais de análise: • Liquidez (Situação Financeira); • Rentabilidade (Situação Econômica); e • Endividamento (Estrutura de Capital). Analogia Ainda me lembro das explicações de minha professora de ciências, há dezenas de anos, no ensino fundamental, quando explicava o funcionamento da “máquina humana”, ressaltando os três aparelhos do corpo humano: o respiratório (pulmão recebendo oxigênio); o digestivo (o estômago recebendo alimentos); e o circulatório (o sangue, bombeado pelo coração, levando oxigênio e alimento a todas as células do corpo). Assim são os três pilares principais nas decisões empresariais (tripé decisorial): a situação financeira (que corresponde à capacidade de pagamento da empresa, o fôlego, os pulmões); a estrutura de capital, o dinheiro dos proprietários ou de outros financiadores (que equivale à entrada de recursos na empresa, ou seja, ao aparelho digestivo); e a posição econômica (relativa ao lucro, à rentabilidade, à vida da empresa, ou seja, ao sangue, pois nele está a vida) (MARION, 2019, p 1). Análise de indicadores • Análise Horizontal e Vertical do BP • Indicadores de Liquidez • Indicadores de Endividamento Alguns fatores devem ser observados: • não considerar qualquer indicador isoladamente (associar os índices entre si); • apreciar o indicador em uma série de anos, pelo menos três; • comparar os índices encontrados com índices-padrão, ou seja, índices das empresas concorrentes (mesmo ramo de atividade). Análise Vertical • Quando fazemos a divisão de uma grandeza por outra, nossos olhos leem no sentido vertical, daí chamarmos de Análise Vertical, considerando dados de um mesmo período (ou de um mesmo ano). Estrutura de uma tabela de frequência Tabela 1: Título: o quê (natureza do fato estudado)? Como (variáveis)? Onde? Quando? Variável n % Categoria 1 30 50 Categoria 2 10 17 Categoria 3 20 33 Total 60 100 Coluna indicadora Cabeçalho Frequência relativa Frequência/distribuição absoluta CorpoFonte: XXXXX Exemplo hipotético (nome da empresa variável categórica ordinal) Tabela 1: Faturamento da indústria têxtil no Brasil (em milhões de R$) - Ano 2022 Variável n % Empresa 1 2,1 12,4 Empresa 2 0,5 2,9 Empresa 3 3,8 22,4 Empresa 4 2,2 12,9 Empresa 5 1,8 10,6 Empresa 6 1,1 6,5 Empresa 7 2,3 13,5 Outras 3,2 18,8 Total 17 100 Fonte: Elaboração própria Preencha as linhas pontilhadas a seguir, fazendo uma análise vertical, considerando o total do ativo igual a 100%. Análise Horizontal • Quando comparamos os indicadores de vários períodos (vários semestres, anos...), analisamos a tendência dos índices. Nesse caso, chamamos de Análise Horizontal, pois nossos olhos leem no sentido horizontal. Atividade 1: com base nos conhecimentos adquiridos nesta aula, faça uma análise vertical e horizontal do seguinte demonstração contábil (BP). agoncalves@anchieta.br Muito obrigado. Slide 1: Finanças Corporativas Slide 2: Análise Financeira e Demonstrações Contábeis Slide 3: Fundamentação Legal das Demonstrações Contábeis Slide 4: Demonstrações Contábeis Slide 5: Atenção Slide 6: Finanças e Governança Slide 7: Questões gerais sobre o negócio... Slide 8: 3 DIMENSÕES DAS FUNÇÕES FINANCEIRAS Slide 9: Administração da Tesouraria (essa função está ligada ao dia a dia do financeiro) Slide 10: Administração das Operações (compreende os demais itens - contas do circulante) Slide 11: Dimensão Estratégica (decisões estratégicas de investimento, financiamento e dividendos) Slide 12 Slide 13: Sociedades Anônimas de Capita Aberto Slide 14: Relatório da administração Slide 15: Objetivos do nosso estudo sobre o BP Slide 16: Por que conhecer o BP? Slide 17: Regimes de Competência e de Caixa Slide 18: A composição do BP Slide 19: Ativos Slide 20: Circulante e Não Circulante Slide 21: Ativo Circulante Slide 22: 1. Disponibilidades Slide 23: 1.1. Caixa e Bancos Slide 24: 1.2. Aplicações de Liquidez Imediata Slide 25: Disponibilidades e Aplicações Financeiras Slide 26: Fair Value Slide 27: 2. Direitos realizáveis Slide 28: 2.1. Contas a receber de clientes Slide 29: 2.2. Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa (PECLD) Slide 30: 2.3. Estoques Slide 31: Estoques não vinculados diretamente com o produto comercializado pela empresa Slide 32: 2.4. Adiantamento a fornecedores Slide 33: 2.5. Aplicações de liquidez não imediata Slide 34: 2.6. Outros valores a receber Slide 35: 2.7. Despesas do exercício seguinte Slide 36: Ativo Não Circulante Slide 37: 2. Ativo Não Circulante Slide 38: 2.1. Realizável a LP Slide 39: 2.1. Realizável a LP Slide 40: 2.2. Investimentos Slide 41: a1) Investimentos em coligadas e controladas Slide 42: O CPC 18 em seu item 7 Slide 43: a2) Outras participações Slide 44 Slide 45: 2.3. Imobilizado Slide 46: Imobilizado Slide 47: Perdas de Valor dos Ativos Tangíveis Slide 48: Lei no 6.404/76, em seu art. 183, Slide 49: Legislação atual para fins de BP Slide 50 Slide 51: Impairment Test (teste de recuperabilidade) Slide 52: 2.4. Intangível Slide 53: 2.4. Intangível Slide 54: Ativos Intangíveis Slide 55: Passivo Exigível (curto e longo prazos) Slide 56: 3. Passivo Exigível Slide 57: 3.1. Fornecedores Slide 58: 3.2. Salários e Encargos Sociais Slide 59: 3.3. Impostos e Taxas Slide 60: 4. Passivo Não Circulante Slide 61: 5. Patrimônio Líquido Slide 62: Calçado Pé Quente Indústria e Comércio S.A. Slide 63: Calçados Pé Quente Slide 64: Balanço Patrimonial (BP) Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69 Slide 70 Slide 71: Balanço Patrimonial - 2014 Slide 72 Slide 73: matéria-prima da Inteligência Slide 74: Os profissionais Slide 75: Análise Financeira Slide 76: Analogia Slide 77 Slide 78: Análise de indicadores Slide 79: Análise Vertical Slide 80: Estrutura de uma tabela de frequência Slide 81: Exemplo hipotético (nome da empresa variável categórica ordinal) Slide 82: Preencha as linhas pontilhadas a seguir, fazendo uma análise vertical, considerando o total do ativo igual a 100%. Slide 83: Análise Horizontal Slide 84 Slide 85 Slide 86