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Sistema genital: embriologia e desenvolvimento Apresentação O desenvolvimento envolve a divisão e a diferenciação de células, resultando na formação de diversos tipos celulares e na reorganização desses tipos celulares para produzir ou modificar estruturas anatômicas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a embriologia e o desenvolvimento humano. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar os estágios pré-embrionário, embrionário e fetal, apontando suas respectivas características. • Identificar os eventos que ocorrem da fertilização até a nidação.• Explicar os eventos ocorridos nas três primeiras semanas de desenvolvimento e nos três trimestres de gestação. • Desafio No ser humano, a fecundação do óvulo ocorre na tuba uterina pelo espermatozoide. Por volta do quinto dia após a fecundação, o embrião se encontra na fase de blástula e já está implantado no útero. A partir da nidação, inicia-se a formação da placenta e, daí em diante, segue o processo de desenvolvimento e crescimento embrionário. As etapas desse processo são obrigatoriamente sequenciais, sendo que cada uma delas tem nomenclatura e eventos específicos. Diante do exposto, observe as cinco imagens enumeradas de forma aleatória. Com base na imagem, responda: 1) Qual é a numeração correta seguindo a ordem dos eventos? 2) O que representa cada uma das imagens? Descreva de formaresumida. Infográfico A fecundação se dá quando o espermatozoide se une ao óvulo e forma o zigoto. Essa formação ocorre no interior das trompas e o óvulo fecundado, em seguida, se encaminha na direção do útero, onde se implanta e, a partir daí, se dá o processo de desenvolvimento do embrião. Veja, no Infográfico, um esquema da gastrulação até o desenvolvimento do embrião. Conteúdo do livro A embriologia é responsável pelo estudo do desenvolvimento humano, desde a fertilização, ou fecundação, a formação do zigoto (célula-ovo), a nidação e a gastrulação, bem como a constituição dos órgãos, ossos, tecidos e as outras partes do corpo, durante uma gestação. Nesse período, que compreende em torno de 38 a 40 semanas de gestação, uma série de eventos complexos ocorrem no corpo da mulher para que o desenvolvimento seja possível. Portanto, conhecer cada estágio do desenvolvimento e suas principais características é fundamental para os profissionais da área da saúde. No capítulo Sistema genital: embriologia e desenvolvimento , base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os estágios do desenvolvimento, suas principais características e o que os diferenciam, e vai compreender como ocorre o processo de nidação e de gastrulação, bem como o que ocorre ao longo das semanas de desenvolvimento gestacional. Boa leitura. ANATOMIA GERAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Diferenciar os estágios pré-embrionário, embrionário e fetal e suas res- pectivas características. > Identificar os eventos que ocorrem desde a fertilização até a nidação. > Explicar os eventos que ocorrem a partir das três primeiras semanas de desenvolvimento e nos três trimestres de gestação. Introdução Após a fertilização entre os gametas feminino e o masculino, inicia-se uma série de eventos que vão marcar o desenvolvimento humano. Há três estágios: pré-embrionário, embrionário e fetal. Essa divisão ocorre com base nas prin- cipais características de cada estágio e nos permite compreender melhor esse complexo processo, desde a fertilização do oócito secundário pelo esperma- tozoide até o feto estar capacitado para a sobrevivência no mundo externo. Neste capítulo, você vai conhecer todos os estágios do desenvolvimento humano e as principais diferenças entre cada um deles. Vai, também, estu- dar os eventos que ocorrem durante os processos de nidação e gastrulação, bem como durante todo o período gestacional. Sistema genital: embriologia e desenvolvimento Fabiana Martins Dias de Andrade Estágios do desenvolvimento humano O desenvolvimento humano é marcado por três estágios, denominados pré- -embrionário, embrionário e fetal. Agrupam-se nesses estágios as principais semelhanças e diferenças morfológicas que ocorrem depois de o esperma- tozoide fertilizar o oócito, até o nascimento. A Figura 1 apresenta o momento da fertilização do oócito, as subsequentes divisões celulares e a formação do blastocisto. Após a formação do blastocisto ocorrem processos que permitem a ni- dação, ou implantação. Na sequência, temos a gastrulação, que dá origem a camadas germinativas que formarão a estrutura do embrião. Por fim, no estágio fetal, o feto adquire condições para sobreviver externamente. Figura 1. Desenvolvimento humano, da fertilização até a fase fetal. Fonte: Adaptada de brgfx/Freepik.com. Oócito fertilizado Estágio de 2 células Estágio de 4 células Estágio de 8 células Estágio de 16 células Blastocisto Feto (5 semanas) Feto (10 semanas) Feto (20 semanas)Feto (40 semanas) Sistema genital: embriologia e desenvolvimento2 A seguir, vamos estudar com mais detalhes cada um dos estágios de desenvolvimento humano, mostrando suas principais diferenças e o período em que ocorrem. Estágio pré-embrionário O estágio pré-embrionário ocorre entre a primeira semana e a metade da terceira semana de desenvolvimento. Nele ocorrem a divisão dos blastômeros (clivagem), a formação do blastocisto e a formação dos discos embrionários: bilaminar/bidérmico e trilaminar/tridérmico (NAZARI; MÜLLER, 2011). Confira na Figura 2 a estrutura do embrião no final do período pré-embrio- nário, com as principais camadas formadas no processo de diferenciação do blastocisto. Nesse processo ocorre a diferenciação do trofoblasto em duas camadas: o citotrofoblasto, que é a camada interna, e o sinciciotrofoblasto, que é a camada externa de células. Ocorrem, também, a implantação do blastocisto no endométrio e a formação da cavidade amniótica e do disco embrionário. Na sequência, o saco coriônico é desenvolvido. Essas estruturas serão responsáveis pela forma e pela estrutura do embrião. Figura 2. Estrutura do embrião no final do período pré-embrionário. Fonte: Adaptada de Fascija/Shutterstock.com. Sinciciotrofoblasto Cavidade amniótica Saco coriônico Citotrofoblasto Mesoderma somático extraembrionário Mesoderma esplâncnico extraembrionário Cório Cavidade coriônica Âmnio Sistema genital: embriologia e desenvolvimento 3 Estágio embrionário O período embrionário ocorre entre o final da terceira semana e a oitava semana de desenvolvimento e é quando ocorrem a aquisição de forma (morfogênese) e a formação dos órgãos (organogênese). É nessa fase que o indivíduo adquire o aspecto humano e passa a ser denominado embrião (NAZARI; MÜLLER, 2011). Estágio fetal O período fetal é caracterizado por crescimento, aumento de peso e maturação dos órgãos, o que confere ao feto condições de sobrevivência no meio extrau- terino. Esse período ocorre entre a nona e a 38ª semana de desenvolvimento (NAZARI; MÜLLER, 2011). Na Figura 3 estão representados os estágios de desenvolvimento embrio- nário e fetal humano. Após o processo de clivagem, em que há várias divisões mitóticas repetidas do zigoto, ocorre um rápido aumento no número de células e a formação do blastocisto. Com cerca de quatro semanas, temos os processos que dão origem à forma e à estrutura do embrião. Com 10 semanas de gestação, já temos o estágio fetal, com o crescimento, o desenvolvimento e a maturação dos órgãos (Figura 3). Figura 3. Desenvolvimento embrionário e fetal humano. Fonte: Adaptada de BlueRingMedia/Shutterstock.com. Oócito fertilizado Feto – 4 semanas Feto – 10 semanas Feto – 16 semanas Feto – 20 semanas Estágio de 2 células Estágio de 4 células Estágio de 8 células Estágio de 16 células Blastocisto Sistema genital: embriologia e desenvolvimento4 O Quadro 1 mostra um resumo das principais características de cada estágio do desenvolvimento. Quadro 1.Resumo das principais características dos estágios pré-embrio- nário, embrionário e fetal Estágio pré- embrionário Estágio embrionário Estágio fetal Da 1ª semana à metade da 3ª semana de desenvolvimento Do final da 3ª semana à 8ª semana de desenvolvimento Da 9ª à 38ª semana de desenvolvimento Clivagem (divisão dos blastômeros) Morfogênese (aquisição de forma) Crescimento Formação de blastócito Organogênese (formação de órgãos) Aumento de peso Formação de discos embrionários Passa a ser chamado de embrião Maturação dos órgãos Da fertilização à nidação A fertilização, ou fecundação, é uma sequência de eventos coordenados que proporcionam a fusão entre o espermatozoide e o oócito secundário, dando origem a uma nova célula, o zigoto, ou célula-ovo (SADLER, 2021). O zigoto é considerado uma célula totipotente, pois contém todas as informações citoplasmáticas e nucleares capazes de se diferenciar em todos os tecidos que formam o corpo humano (NAZARI; MÜLLER, 2011). Fertilização Para que a fertilização ocorra, é necessária uma série de etapas que objetivam a preparação do corpo humano. A primeira consiste na presença dos gametas masculinos, por meio da inseminação, e dos femininos, pela ovulação no terço distal da tuba uterina. Além disso, é necessário que os gametas estejam em condições de viabilidade (SADLER, 2021). Sistema genital: embriologia e desenvolvimento 5 Na sequência, os espermatozoides inseminados precisam ser capacitados para fecundar o oócito secundário, o que permitirá a interação com o oócito e a reação acrossômica. Nessa etapa, há a passagem dos espermatozoides pela corona radiata, a penetração da zona pelúcida que envolve o oócito secundário e, por último, a fusão entre as membranas plasmáticas do espermatozoide e do oócito secundário (NAZARI; MÜLLER, 2011; SADLER, 2021). Os principais resultados do processo de fertilização incluem (Figura 4): � estimulação do oócito secundário para completar a segunda divisão meiótica, produzindo o segundo corpo polar; � reparação da quantidade diploide de cromossomos, ou seja, nova combinação cromossômica de ambos os pais no zigoto; � determinação do sexo cromossômico do novo indivíduo; � ativação metabólica do oócito, dando início ao processo de clivagem. Figura 4. Fertilização, ou fecundação, do oócito. Fonte: Adaptada de Alila Medical Media/Shutterstock.com. Reação acrossômica Fusão do oócito com o espermatozoide na membrana plasmática Núcleo do espermatozoide Acrossomo Membrana vitelínica Espaço perivitelínico Zona pelúcida Grânulos corticais Corona radiata Pró-núcleo feminino Conteúdo dos grânulos corticais Sistema genital: embriologia e desenvolvimento6 Clivagem do zigoto A clivagem consiste em sucessivas divisões mitóticas do zigoto, o que resulta na formação dos blastômeros. Primeiro, a célula se divide, dando origem a dois blastômeros. Depois, a cada 24 horas, aproximadamente, ocorre uma nova divisão dessas células. No quinto dia de desenvolvimento, forma-se a mórula, que se caracteriza pela presença de 12 a 32 blastômeros (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; NAZARI; MÜLLER, 2011). Durante a clivagem, os blastômeros permanecem envoltos pela zona pelú- cida e migram pela tuba uterina em direção ao útero (NAZARI; MÜLLER, 2011). A Figura 5 mostra as fases do desenvolvimento do zigoto por meio da clivagem. Figura 5. Clivagem. Fonte: Adaptada de udaix/Shutterstock.com. Trofoblasto Cavidade fluida Massa celular interna Clivagem Zigoto Blastocisto Mórula Estágio de 2 células Estágio de 4 células Dia 1 Dia 5 Dia 3 Dia 2 Mitose Mitose Mitose Estágio de 8 células Formação do blastócito e nidação Após cerca de quatro dias da fertilização, a mórula alcança o útero e origina a cavidade blastocística. Nesse estágio, o fluído da cavidade blastocística aumenta e, consequente, os blastômeros dividem-se em duas camadas (MO- ORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022): Sistema genital: embriologia e desenvolvimento 7 � embrioblasto: grupo de blastômeros responsável pela formação do embrião; � trofoblasto: delgada camada celular externa que formará a parte em- brionária da placenta e a interação com as células endometriais. Após seis dias da fertilização, o blastocisto adere ao epitélio do endométrio. Nesse estágio, o trofoblasto começa a se proliferar em direção ao endométrio, e inicia-se uma série de processos de diferenciação, dando origem a outras duas camadas, que serão responsáveis pela invasão por entre as células do endométrio (NAZARI; MÜLLER, 2011; SADLER, 2021): � citotrofoblasto: camada interna de células; � sinciciotrofoblasto: camada externa que consiste em uma massa pro- toplasmática multinucleada formada por fusão de células. O citotrofoblasto e o sinciciotrofoblasto continuam a se diferenciar durante a nidação, ou implantação (GARCIA; GARCÍA FERNÁNDEZ, 2012). Nesse estágio, ocorre a formação do mesoderma extraembrionário pelo trofoblasto, que é um conjunto de células frouxamente arranjadas. Há, também, a produção do hormônio gonadotrofina coriônica (HCG), responsável pela manutenção do corpo-lúteo nos primeiros meses gestacionais, sendo parâmetro laboratorial indicador de gravidez (NAZARI; MÜLLER, 2011). O sinciciotrofoblasto se estende para o endométrio e invade o seu tecido conjuntivo. Assim, ao final da primeira semana, o blastocisto está superfi- cialmente implantado. A nidação se dá na porção superior do útero. O local mais comum é a parede posterior, pois essa região está muito próxima da tuba uterina, por onde a mórula chega ao útero e onde se forma o blastocisto. Contudo, a nidação pode ocorrer em sítios ectópicos, ou seja, em locais não usuais, como outras regiões do próprio útero, na tuba uterina, na parede externa do ovário ou dos intestinos, gerando, na maioria das ocorrências, uma gravidez inviável, com frequente ocorrência de abortos (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; NAZARI; MÜLLER, 2011). A Figura 6 detalha a fertilização, com a fusão entre o espermatozoide e o oócito secundário, que resulta na formação do zigoto e nos estágios subse- quentes até a nidação do óvulo fecundado. Sistema genital: embriologia e desenvolvimento8 Figura 6. Fertilização do oócito secundário pelo espermatozoide até a nidação, ou implantação. Fonte: Adaptada de VectorMine/Shutterstock.com. Dia 2 Dia 3 Dia 5 Dia 6 Dia 2 Dia 1 Dia 1 Ovulação Oócito Fertilização Óvulo Espermatozoide Corpos polares Núcleo do espermatozoide Núcleo do óvulo Zigoto Primeira segmentação Mórula (Estágio de 16–32 células ) Blastocisto Cavidade do blastocisto Implantação Estágio de 8 células Estágio de 4 células Embrioblasto (Células-tronco) Trofoblasto (massa celular externa) Nos casos de infertilidade feminina ou masculina, existe a possibili- dade de realizar a fertilização in vitro (FIV), com a inserção do oócito e a transferência de zigotos em divisão ou, até mesmo, de um blastocisto no útero. Pode ser utilizada também uma técnica de injeção intracitoplasmática de espermatozoide, que envolve a implantação de um espermatozoide diretamente no oócito maduro. Essas técnicas possibilitam que casais com infertilidade tenham uma gestação. Sistema genital: embriologia e desenvolvimento 9 Gastrulação A partir da terceira semana de gestação, um evento importante é a gastru- lação. Nesse processo, formam-se três camadas germinativas por meio da diferenciação que ocorre no epiblasto: ectoderma, mesoderma e endoderma no embrião. É o início do desenvolvimento da forma e da estrutura de vários órgãos e partes do corpo (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; SADLER, 2021). Uma característica que marca esse início é a formação da linha primitiva, um espessamento de células do epiblasto, que surge na porção caudal e cresce até a metade do disco embrionário. Na sequência, essa estrutura se alonga, o que leva à formação do nó embrionário. A linha primitiva possibilita o reconhecimento do eixo cefalocaudal do futuro embrião, das extremida-des cefálica e caudal, das superfícies dorsal e ventral e dos lados direito e esquerdo (NAZARI; MÜLLER, 2011). Após o aparecimento da linha primitiva, as células deixam sua superfície profunda e formam o mesoderma. O mesoderma é uma camada frouxa de tecido conjuntivo embrionário, conhecido como mesênquima, responsável pela formação dos tecidos de suporte do embrião. Outra estrutura que se desenvolve na linha primitiva é o sulco primitivo estreito, que termina em uma pequena depressão no nódulo primitivo, chamada de fosseta primitiva (GARCIA; GARCÍA FERNÁNDEZ, 2012; MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022). Algumas células mesenquimais migram pela região cranial, do nó e da fosseta primitiva, formando um cordão celular na região mediana, conhecido como notocorda. A notocorda é fundamental na formação inicial do sistema nervoso, definindo o eixo do embrião e proporcionando alguma rigidez, além de servir como base para o desenvolvimento axial do esqueleto, como os ossos da cabeça e da coluna vertebral. Indica o futuro local dos corpos vertebrais (NAZARI; MÜLLER, 2011). Ao final do período pré-embrionário, o conjunto formado por ectoderma, mesoderma, endoderma e notocorda constitui o disco trilaminar, ou tridérmico, responsável por separar a vesícula vitelínica da vesícula amniótica (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; NAZARI; MÜLLER, 2011). Observe a Figura 7. Sistema genital: embriologia e desenvolvimento10 Figura 7. Gastrulação. Fonte: Adaptada de Jo Sam Re/Shutterstock.com. Blástula Gastrulação Gástrula Camada externa da célula Camada externa da célula Nova camada interna da célula Blastocele Blastocele Blastóporo Invaginação Arquêntero Durante o período embrionário, as camadas germinativas diferenciam-se para formar os sistemas orgânicos. Em decorrência dos dobramentos do corpo, o ectoderma superficial é responsável por envolver externamente todo o embrião, originando a epiderme e os anexos epidérmicos. O ectoderma neural forma o sistema nervoso central. O endoderma, por sua vez, forma o intestino primitivo, que dá origem aos sistemas digestório e respiratório (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; NAZARI; MÜLLER, 2011). O mesoderma se diferencia em quatro camadas (NAZARI; MÜLLER, 2011): � paraxial: forma a musculatura esquelética do tronco e dos ossos; � intermediária: forma o aparelho reprodutor; � lateral somático: origina a musculatura esquelética e os ossos dos membros, bem como os vasos sanguíneos; � lateral esplâncnico: responsável pela formação do sistema cardiovas- cular e do sistema locomotor. Crescimento e desenvolvimento fetal Durante o período entre a nona semana de gestação e o nascimento, ocorrem os eventos do período fetal. Um destaque desse período é o rápido crescimento corporal, até a 20ª semana, em virtude das necessidades de espaço para o adequado posicionamento dos órgãos que estão em fase de crescimento e maturação. Há, também, ganho de peso corporal, de modo mais expressivo entre a 21ª e a 25ª semanas e após a 30ª semana de desenvolvimento. Além disso, esse período é caracterizado pela maturação dos sistemas orgânicos, que conferem condições de sobrevivência após o nascimento (SADLER, 2021). Sistema genital: embriologia e desenvolvimento 11 Por volta da 24ª semana, os pulmões iniciam a produção de um surfactante, substância responsável por viabilizar a respiração pulmonar. Em torno da 29ª semana, o sistema nervoso começa a apresentar condições de controlar os movimentos respiratórios e a temperatura corporal, necessários à sobrevi- vência pós-natal (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; SADLER, 2021). As principais características do desenvolvimento fetal conforme as se- manas gestacionais estão apresentadas no Quadro 2. Quadro 2. Características principais de desenvolvimento fetal conforme as semanas de gestação Semanas Características principais 9ª a 12ª � A cabeça constitui a metade do corpo do feto. � A face é ampla, os olhos estão bem separados, e as pálpebras, fechadas. � Os membros inferiores são mais curtos do que os superiores. � Até a 10ª semana, são observadas alças intestinais no interior do cordão umbilical (situação normal do desenvolvimento denominada herniação umbilical). � O fígado é o principal produtor de células sanguíneas e, ao final da 12ª semana, o baço também assume essa função. � A placenta está estruturada e é funcional. 13ª a 16ª � Há um rápido crescimento fetal. � Os movimentos dos membros passam a ser mais coordenados. Ainda não são percebidos pela mãe, mas são visíveis ao ultrassom. � Ocorre intensa ossificação do esqueleto. � Os olhos passam a apresentar movimentos lentos. � A genitália externa pode ser reconhecida (masculina ou feminina) entre a 12ª e 14ª semana de desenvolvimento. 17ª a 20ª � O ritmo do crescimento diminui. � Os membros inferiores estão mais longos, e a mãe reconhece os primeiros movimentos fetais. � A pele está coberta pelo verniz caseoso, um material gorduroso produzido pelas glândulas sebáceas do feto, que protege a pele fetal do longo período de exposição ao líquido amniótico. � O corpo do feto está totalmente coberto por pelos muito delicados, o lanugo, que ajuda a manter o verniz caseoso preso à pele. � Observa-se a presença de sobrancelhas e de cabelos. � Se for menina, o útero está formado. Se for menino, tem início a descida dos testículos para a bolsa escrotal. � Inicia a produção de gordura parda, que servirá como fonte de calor para o futuro bebê. (Continua) Sistema genital: embriologia e desenvolvimento12 Semanas Características principais 21ª a 25ª � Ocorre um substancial aumento de peso. � O feto apresenta dimensões mais proporcionais. � Os olhos passam a apresentar movimentos rápidos. � A pele do feto está enrugada e rosada. � Formam-se as unhas das mãos. � As células dos alvéolos pulmonares iniciam a produção de surfactante, uma substância que permitirá a respiração. 26ª a 29ª � Os pulmões começam a ter condições de realizar trocas gasosas. � O sistema nervoso torna-se capaz de controlar movimentos respiratórios e a temperatura corporal. � A medula óssea torna-se a principal produtora de células sanguíneas. � Ocorre a abertura das pálpebras. � A pele fica lisa, pelo acúmulo de gordura subcutânea. � Formam-se as unhas dos pés. � Neste período, os nascimentos prematuros exigem cuidados intensivos e especializados. 30ª a 34ª � Os membros estão mais proporcionais e com aspecto roliço. � O tecido adiposo constitui 8% do peso corporal. � O feto apresenta reflexos pupilares. � A partir da 32ª semana, o feto apresenta condições próprias de sobrevivência. 35ª a 38ª � As circunferências cefálica e abdominal são praticamente iguais. � Ocorre uma diminuição no ritmo de crescimento. � O feto acumula cerca de 14 gramas de gordura por dia. Fonte: Adaptado de Nazari e Müller (2011). Após esse período de desenvolvimento, o feto encontra-se capacitado para a sobrevivência externa. A data provável do parto costuma ser por volta da 38ª semana após a fecundação, ou seja, em torno de 280 dias ou 40 semanas. Contudo, cerca de um décimo dos bebês nasce de uma a duas semanas após a data provável do parto (MOORE; PERSAUD; TORCHIA, 2022; NAZARI; MÜLLER, 2011; SADLER, 2021). Neste capítulo, estudamos os estágios do desenvolvimento humano e suas principais características. Vimos que o período pré-embrionário vai da primeira semana à metade da terceira semana; o embrionário ocorre entre o final da terceira semana e a oitava, período em que ocorrem a aquisição de forma e a formação dos órgãos; e, por fim, o estágio fetal, entre a nona (Continuação) Sistema genital: embriologia e desenvolvimento 13 e a 38ª semana, quando há crescimento, aumento de peso e maturação dos órgãos. Além disso, apresentamos as características do desenvolvimento do feto nos três trimestres de gestação. Esse conhecimento possibilita aos profissionais de saúde uma melhor compreensão da gestação, alémde apoiar na identificação de possíveis anomalias e doenças genéticas, diminuindo os riscos gestacionais. Referências GARCIA, S. M. L.; GARCÍA FERNÁNDEZ, C. Embriologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2012. MOORE, K. L.; PERSAUD, T. V. N.; TORCHIA, M. G. Embriologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. NAZARI, E. M.; MÜLLER, Y. M. R. Embriologia humana. Florianópolis: UFSC, 2011. SADLER, T. W. Langman, embriologia médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. Leitura recomendada CUNNINGHAM, F. G. et al. Obstetrícia de Williams. Porto Alegre: AMGH, 2021. Sistema genital: embriologia e desenvolvimento14 Dica do professor Na espécie humana, o desenvolvimento envolve a divisão e a diferenciação de células, resultando na formação de diversos tipos celulares, e a reorganização desses tipos celulares para produzir ou modificar estruturas anatômicas. O desenvolvimento embrionário vai da implantação até o nascimento. Na Dica do Professor de hoje, você vai aprender um pouco mais sobre esses processos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/7f4027501cf6ebd4b153e1b58f5b9d86 Exercícios 1) Assinale a alternativa correta sobre o desenvolvimento embrionário. A) O sinciciotrofoblasto contém células-tronco responsáveis pela produção de todas as células e tipos celulares do corpo. B) O processo de fusão dos pró-núcleos masculino e feminino é chamado de ativação do oócito. C) A clivagem começa com a fixação do blastocisto ao endométrio e continua conforme o blastocisto adentra na parede uterina. D) O blastocisto já está formado no segundo dia após a fertilização. E) No segundo trimestre, as proporções corporais mudam; ao término desse trimestre, distingue-se claramente a aparência humana do feto. 2) Durante a gastrulação, células em áreas específicas do epiblasto movimentam-se para o centro do disco germinativo bilaminar, em direção a uma linha conhecida como: A) cavidade amniótica. B) vilosidade primária. C) saco vitelino. D) linha primitiva. E) ectoderma. 3) O âmnio se expande intensamente, preenchendo a cavidade do útero. O feto está conectado à placenta por um cordão umbilical alongado, que contém uma porção da alantoide, vasos sanguíneos e os remanescentes do ducto vitelino. Essa descrição corresponde a qual semana de desenvolvimento? A) Quarta. B) Segunda. C) Primeira. D) Terceira. E) Décima. 4) A placenta não continua a crescer indefinidamente. Diferenças regionais na organização placentária começam a se desenvolver à medida que a expansão placentária forma um abaulamento proeminente na superfície endometrial. A camada relativamente fina de endométrio que recobre o embrião e o separa da cavidade do útero é denominada: A) ducto vitelino. B) decídua basal. C) decídua parietal. D) cordão umbilical. E) decídua capsular. 5) Durante este mês, são formados os músculos do períneo e os tratos do sistema nervoso central: A) Primeiro mês. B) Quinto mês. C) Segundo mês. D) Quarto mês. E) Sexto mês. Na prática A espinha bífida é caracterizada por um conjunto de malformações congênitas que ocorrem nas quatro primeiras semanas de gestação. Esse quadro é caracterizado pela falha no desenvolvimento da coluna vertebral pela formação incompleta da medula espinal e das estruturas que a protegem. Neste Na Prática, você vai conhecer o caso de Alessandra, uma jovem que está tentando engravidar. Veja como sua médica explica sobre a prevenção da espinha bífida. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7e2b6f18-654d-4d9b-8c88-3f4815f7cf0c/2f2380c9-f609-44e7-bc0e-b72ad07efa27.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Factos sobre a gravidez | National Geographic Portugal Descubra a ciência da gravidez desde a concepção, passando pelos três trimestres até o parto. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. TimeLapse | Desenvolvimento embrionário (POR) Acesse o vídeo, que motra o desenvolvimento embrionário ao estágio de blastocisto nas primeiras 100 horas. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Um jeito divertido de entender a fecundação A liberação do esperma no ato sexual é apenas o início da árdua jornada do espermatozoide para encontrar o óvulo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/elx7oQ5ezE0 https://www.youtube.com/embed/-BXdPXRLoC8 https://www.youtube.com/embed/mhmcTP_rz2M