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POR QUE PUNIMOS? Teorias absolutas da pena ou teorias retributivas da pena A finalidade da pena é a retribuição ao agente que comete um mal com outro mal. A retribuição da violência justa pelo cometimento de uma violência injusta (crime) pelo agente que infringi a norma penal. Trata-se de uma consequência lógica do ordenamento jurídico àquele que comete um crime e viola direitos protegidos pela legislação. A finalidade da teoria retributiva da pena (ou teoria absoluta da pena) tende a ser de satisfazer a sociedade por caracterizar uma espécie de “compensação” por parte do infrator condenado. TEORIAS RELATIVAS DA PENA: Se fundamentam no caráter preventivo da pena, sem se ater ao caráter retributivo do fato criminoso praticado como fazem as teorias absolutas. Trata-se de uma prevenção ao crime, onde a função da punição do transgressor. PREVENÇÃO GERAL NEGATIVA: Tal função da pena se dirige à sociedade que, a partir da imposição de penas, através da criação de tipos penais e da aplicação da lei penal ao caso concreto. A partir da ação do Estado, que cria leis penais e as aplica no processo criminal, toda a sociedade se sentiria intimada, desempenhando um papel de contra estimulo geral. PREVENÇÃO ESPECIAL POSITIVA: Nesta modalidade, o que se prende é a reafirmação do modelo de normatividade penal do Estado e de relegitimação do Direito Penal como instrumento de controle social fundamental na sociedade. PREVENÇÃO ESPECIAL NEGATIVA: Aqui, a finalidade que se pretende com a pena criminal é dirigida à pessoa que cometeu o delito. O sujeito será punido pela prática de um crime para que o mesmo não venha a cometer o ilícito novamente, ou seja, não se torne reincidente. É um contra estímulo especial no sentido de o indivíduo compreenda com a aplicação da pena que não pode mais infringir a lei penal. PREVENÇÃO ESPECIAL POSITIVA: Também dirigida à pessoa que comete o delito, a diferença da Prevenção Especial Positiva se volta para a reabilitação do condenado por meio da ideia de ressocialização. Aqui entram as teorias “RE”: Ressocialização, reinserção, reabilitação. ⑧ & ⑧ O O TEORIA MISTA DA PENA O TEORIA UNIFICADORA DA PENA: A teoria Unificadora da pena objetiva unificar, ou seja, reunir, num conceito único os principais aspectos da teoria absoluta da pena ou teoria retributiva da pena, e da teoria relativa da pena, fazendo com que a sanção tenha um resultado mais positivo para a sociedade, para o agente transgressor da norma penal e também para o Direito Penal. Com a unificação das teorias absoluta/retributiva e a teoria relativa da pena, esta teoria é, realmente, um misto entre a teoria, é o fato de que, aqui, a pena tem a finalidade de retribuir proporcionalmente o mal causado pela prática do delito, bem como de prevenir a prática de novos delitos e promover a ressocialização do agente. TEORIA AGNÓSTICA DA PENA: Trata-se de uma teoria desenvolvida pelo jurista argentina Eugênio Raúl Zaffaroni, um expoente no Direito Penal contemporâneo. A teoria agnóstica compreende que a partir da constatação do funcionamento real do sistema de justiça criminal, ou seja, das funções latentes, a pena criminal apenas cumpriria a função de exercício de sofrimento. A pena não tem finalidade de prevenir, tampouco reprimir o crime. Além disso, nenhuma das funções “RE” da pena se mostra factível o campo da realidade. Dessa forma, a pena apenas degenera as pessoas que vierem a transgredir a norma penal e a ela forem submetidos, todas as outras teorias da pena oferecem ao seu modo funções positivas à pena, mesmo que estas só tenham o efeito de legitimação da pena e do próprio direito penal, sem qualquer compromisso coma realidade empiricamente demonstrável dos sistemas penais latino americanos. A seletividade dos sistemas penais da periferia do mundo demonstra a função de reafirmação das desigualdades sociais por meio da utilização da punição como forma de manutenção da estruturas sociais, políticas e econômicas. Na prática não é possível afirmar de forma categórica a efetividade de nenhuma das funções das teorias a pena. Tampouco o fim de ressocialização dos apenados pode ser alcançado, nos atuais moldes das demais teorias da pena. De acordo com a teorias agnóstica da pena, parte-se do pressuposto de que a pena seria, na realidade, um ato de poder político com fundamentos similares, juridicamente falando, à guerra declarada, de modo a refutar as funções de mera retribuição a prevenção. O D PRINCÍPIOS do Direito Penal INTERVENÇÃO PENAL ESTATAL: Processo de criminalização primária: Poder Legislativo Processo de criminalização secundária: Poder Judiciário Execução criminal: Poder Executivo DIREITO PENAL E CONSTITUIÇÃO: Supremacia do texto constitucional: concepções formal e material. Positivação de valores fundamentais: tríplice dimensão (fundamentadora, orientadora e crítica). Vinculação penal negativa e positiva; Constituição como paradigma de legitimidade do Direito Penal. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: Constituição Federal de 1988 Art. 5º, inciso XXXIX / Art. 1º CP: “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” Sua expressão constitucional aparece na origem do constitucionalismo: Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. No âmbito penal, foi precisado por FEUERBACH na fórmula latina: “Nullum crimen sine lege, nula poena sine lege, nullum crimen sine poena legale” FINALIDADE DO PRINCÍPIO (iluminismo): Proteção dos direitos e liberdades do indivíduo contra abusos do Estado. Assim, o princípio não se aplica a qualquer matéria penal, mas apenas aos casos de criminalização ou agravamento da responsabilidade do agente, sob pena de funcionar contra sua própria teleologia. ANÁLISE DE EFEITOS EM 5 PLANOS DISTINTOS 1.Reserva legal (exigência de lei formal em sentido estrito); 2.Taxatividade; 3.Proibição de analogia in malam partem; 4.Proibição de retroatividade da lei penal (regra geral) GARANTIAS ADVINDAS DO PRINCÍPIO: Garantia criminal; Garantia penal; Garantia jurisdicional; Garantia de execução. Sob o ponto de vista FORMAL, significa que a única fonte produtora de lei penal no sistema brasileiro são os órgãos constitucionalmente habilitados e a única lei penal é a lei formal por eles emanada, conforme ao procedimento estabelecido pela própria Constituição. Por isso, o Poder Executivo, os juízes e a Administração não podem produzir leis penais. & Da mesma forma, costumes, doutrina e jurisprudência NÃO podem ser fontes de proibições penais, embora possam constituir fontes de interpretação penal. OUTROS REQUISITOS → Lex praevia (irretroatividade da lei penal); Lex stricta (taxatividade) → primeira dificuldade: tipos penais abertos. PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE: Pode uma lei penal limitar-se a estabelecer uma cominação, deixando que o comportamento proibido seja determinado por outra lei? ↓ LEI PENAL EM BRANCO (BINDING) “Nulla poena sine culpa” (Nenhuma punição sem culpa) CF, art. 5º, XLV - responsabilidade penal subjetiva. Impossibilidade de punir a personalidade (Direito Penal do fato) Impossibilidade de atribuir um delito a alguém por meio da simples constatação da relação causal. Individualização da responsabilidade penal (responsabilidade pessoal). IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL: Regra geral → Art. 5º, XL da CF/88 - “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu” Exceção na última parte “salvo para beneficiar o réu” -Lex Mitior Retroatividade da lei penal posterior mais benéfica Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único-A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE: Decorre da função do Direito Penal - proteção subsidiária de interesses sociais fundamentais - e do princípio da intervenção penalmínima. Lei Federal n. 11.343/06: Art. 28. “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: […]” PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DAS PENAS: Demanda do Iluminismo; Fundamento: dignidade humana; Processo de humanização: penas corporais; pena capital; substituição da pena privativa de liberdade; e progressão no seu cumprimento. Art. 5º, inciso XLVII da CF/88- não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; ⑨ O ① d) de banimento; e) cruéis; Art. 5º, inciso XLIX da CF- é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; Art. 5º, inciso L da CF/88 - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação […] PRINCÍPIO DA RESSOCIALIZAÇÃO: Fundamento: dignidade humana. Sentido de “ressocializar” Indivíduo jamais pode ser tratado como objeto da ação repressora do Estado, e sim como sujeito. PRINCÍPIO DA FUNDAMENTAÇÃO PENAL: A sentença penal que condenar alguém e impulser uma pena criminal deve ser fundamentada pelo direito. Art.93, inciso IX da Constituição Federal de 1988 “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO PENAL: Art. 5º, inciso XLVI da CF/88: XLVI -a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE DA PENA: A pena não passará da pessoa do condenado Art. 5º inciso XLV da CF/88: “Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido” PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DO BIS IN IDEM: Non bis in idem Não pode haver dupla valoração jurídica do mesmo elemento; Não pode haver a condenação por mais de uma oportunidade pelo mesmo fato; O princípio do non bis in idem constitui um limite ao Estado, evitando a múltipla valoração do mesmo fato com idêntico fundamento jurídico. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA: Art. 5º, LVII da CF: LVII -ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória FUNDAMENTO LEGAL (CP) Art. 32 - As penas são: I - privativas de liberdade; II -restritivas de direitos; III - de multa. Art. 5º, inciso XLVI da CF/88: XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação o restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE LIMITES DAS PENAS Após a vigência da Lei nº 13.964, de 24/12/2019: Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. *parágrafo 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. Antes da vigência da Lei citada acima: Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos. DISTINÇÃO Reclusão: admite o regime inicial fechado. Detenção: não admite o regime inicial fechado. Prisão simples: não admite o regime fechado em hipótese alguma. RECLUSÃO A pena de reclusão é aplicada a condenações mais severas, o regime de cumprimento pode ser fechado, semiaberto ou aberto, e normalmente é cumprida em estabelecimentos de segurança máxima ou média. DETENÇÃO A detenção é aplicada para condenação mais leves e não admite que o inicio do cumprimento seja no regime fechado. Em regra a detenção é cumprida no regime semiaberto, em estabelecimentos menos rigorosos como colônias agrícolas, industriais ou similares, ou no regime aberto, nas casas de albergado ou estabelecimento adequados.PRISÃO SIMPLES A prisão simples é prevista na lei de contravenções penais como pena para condutas descritas como contravenções, que são infrações penais de menor lesividade. O cumprimento ocorre sem vigor penitenciário em estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime aberto ou semiaberto. Somente são admitidos os regimes aberto e semiaberto, para a prisão simples. Art. 33, *parágrafo 1º CP *parágrafo 1º - Considera-se: a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima ou média; b) regime semiaberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar; c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado. & SISTEMA PROGRESSIVO DE CUMPRIMENTO DE PENA Art. 33, *parágrafo 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado; b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semiaberto; c) o condenado não reincidente, cuja pena seja inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto. Art. 33, *parágrafo 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste código. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS Art. 43. As penas restritivas de direitos são: I - prestação pecuniária; II - perda de bens e valores; III -limitação de fim de semana; IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; V - interdição temporária de direitos. REGRA DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II - o réu não for reincidente em crime doloso; III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. *parágrafo 2º - Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por ma restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas d direitos. *parágrafo 3º -Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. Súmula 269 do STJ - É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais. *parágrafo 4º - A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorre o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo dapena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitando o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. *parágrafo 5º - Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por ouro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz. LIMITES → entre 1 salário mínimo e 360 salários mínimos. Em casa de aceitação do beneficiário, é possível converter a prestação pecuniária em outra natureza. DEDUÇÃO → o valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade (Art. 46, caput). LOCAIS → entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença o autorização do poder público; III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo; IV - proibição de frequentar determinados lugares; V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exames públicos. LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por5 horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado; Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas. PENA DE MULTA Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, n mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 vezes esse salário. *parágrafo 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juíz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 vezes esse salário. Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 dias depois de transitada em julgado a sentença. A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juíz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais. COMINAÇÃO DAS PENAS Art. 53 - As penas privativas de liberdade têm seus limites estabelecidos na sanção correspondente a cada tipo legal de crime Art. 54 - As penas restritivas de direitos são aplicáveis, independentemente de cominação na parte especial, em substituição à pena privativa de liberdade, fixada em quantidade inferior a 1 ano, ou nos crimes culposos. As penas restritivas de direitos referidas terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvando o disposto no *parágrafo 4º do art. 46. Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-se para todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função, sempre que houver violação dos deveres que lhes são inerentes. DOSIMETRIA DA PENA SISTEMA TRIFÁSICO: Art. 68 do CP - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua. FIXAÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE - SISTEMA DE DOSIMETRIA DA PENA Conforme artigo 68 adotamos o sistema trifásico. 1.Cálculo da pena base - denominado por circunstâncias judiciais - artigo 59, CP; 2.Cálculo das agravantes e atenuantes genéricas - arts. 61 a 66, CP; 3.Cálculo das causas de aumento e causas de diminuição - previstas na parte geral e especial. 1ª fase - cálculo das circunstâncias judiciais - artigo 59 Culpabilidade - elementos da culpabilidade (imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa) Antecedentes Conduta social Personalidade do agente Motivos Circunstâncias do crime Consequências do crime Comportamento da vítima APÓS O CÁLCULO DA PRIMEIRA FASE, TEMOS A PENA BASE [ - - S - S I S & REINCIDÊNCIA x ANTECEDENTES Reincidência: conforme artigo 63, CP - considera-se para os efeitos da reincidência quando o agente comete novo CRIME após o trânsito em julgado de sentença CONDENATÓRIA transitada em julgado anterior a prática da infração (reincidência específica quando trata-se do mesmo crime). A reincidência é circunstância agravante, analisada pelo Magistrado na segunda fase da aplicação da pena, nos termos do artigo 61 do CP. Porém agente deixa de ter os efeitos da reincidência obedecido lapso temporal de cinco anos, previsto no art. 64 do CP. Art. 64, CP - PRESCRIÇÃO DA REINCIDÊNCIA “Maus antecedentes” é tudo o que remanesce da reincidência. Ou seja, decorrido o prazo de cinco anos, do cumprimento da pena deixa o indivíduo de ser considerado reincidente, mas carregará ele em sua folha de ANTECEDENTES o gravame de maus antecedentes. Esse instituto é considerado circunstância judicial, a ser analisada pelo Magistrado na primeira fase da dosimetria da pena, nos termos do artigo 59, CP. SÚMULAS - 636 STJ E 444 STJ. De acordo com o Art.63 CP: CRIME + CRIME = REINCIDÊNCIA CONTRAVENÇÃO + CRIME = NÃO TEM REINCIDÊNCIA Art. 7º DEC.LEI 3688 - Contravenções: CRIME + CONTRAVENÇÃO = REINCIDÊNCIA CONTRAVENÇÃO + CONTRAVENÇÃO = REINCIDÊNCIA Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES INOMINADAS Obs: as agravantes possuem um rol taxativo, não podendo o julgador criar outras espécies, enquanto as atenuantes são regidas por um rol aberto, ou seja, exemplificativo, permitindo a ampliação pelo magistrado. Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes,a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência. 2ª fase - a jurisprudência alega que a atenuante da menoridade relativa e a senilidade tem o mesmo e devem valer mais do que as demais circunstâncias subjetivas. Merece nota que as agravantes e as atenuantes não estão quantificadas (sempre DEVEM TER mais ou menos o MESMO VALOR aproximando na mesma proporção da primeira fase m 1/6) CAUSAS DE AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO DA PENA - elas sempre aparecem em forma de fração. Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua. & EXEMPLOS: 1.Arrependimento posterior - Art. 16 2.Concurso de crimes - formal perfeito e crime continuado - Arts. 70 e 71. Roubo Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à possibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. … *parágrafo 2ºA A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): I- se a violênciaou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; II- se há destruição ourompimento de obstáculo mediante o emprego de de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. *parágrafo 3º Se da violência resulta: I- lesão corporal grave,a. Pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa; II- morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. CIRCUNSTÂNCIAS E ELEMENTARES DO TIPO O tipo penal, além dos seus elementos essenciais, sem os quais a figura típica não se completa, pode ser integrado por outras circunstâncias acidentais que, embora não alterem a sua constituição ou existência, influem na dosagem final da pena. Circunstâncias, na verdade, são dados, fatos, elementos ou peculiaridades que apenas circundam o fato principal. Não integram a figura típica, podendo, contudo, contribuir para aumentar ou diminuir a sua gravidade. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS: Não se pode esquecer que os moduladores do art. 59 do CP, todos, constituem apenas uma diretriz, traçam um roteiro, fixam critérios de orientação, indicam o caminho a ser seguido na adequação da pena ao fato e ao delinquente. Os elementos constantes no art. 59 são denominados circunstâncias judiciais, porque a lei não os define e deixa a cargo do julgador a função de identificá-los no bojo dos autos e mensurá-los concretamente. Não são efetivas “circunstâncias do crime”, mas critérios limitadores da discricionariedade judicial, que indicam o procedimento a ser adotado na tarefa individualizadora da pena-base. Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, os antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: I- as penas aplicáveis dentre as cominadas; II- a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; III- o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; IV- a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. CULPABILIDADE A culpabilidade, aqui, funciona como elemento de determinação ou de mediação da pena. Nessa acepção, a culpabilidade funciona não como fundamento da pena, mas como limite desta, impedindo que a pena seja imposta além da medida prevista pela própria ideia de culpabilidade, aliada, é claro, a outros critérios, como importância do bem jurídico, fins preventivos etc. PROBLEMA: constitui rematado equívoco, freqüentemente cometido no quotidiano forense, quando, na dosagem da pena, afirma-se que “o agente agiu com culpabilidade, pois tinha a consciência da ilicitude do que fazia” Essa acepção de culpabilidade funciona como fundamento da pena, isto é, como característica negativa da conduta proibida, e já deve ter sido objeto de análise juntamente com a tipicidade e a antijuricidade, concluindo-se pela condenação. Presume-se que esse juízo tenha sido positivo, caso contrário nem se teria chegado à condenação, onde a culpabilidade tem função limitadora da pena, e não fundamentadora. JUÍZO DE REPROVABILIDADE DO COMPORTAMENTO DO AGENTE: Na verdade, impõe-se que se examine no tocante ao requisito da culpabilidade do art. 59 a maior ou menor censuralidade do comportamento do agente, a maior ou menor reprovabilidade da conduta praticada, não se esquecendo, porém, a realidade em que ocorreu, especialmente a maior ou menor exigibilidade de outra conduta. O dolo que agora se encontra no tipo penal, pode e deve ser aqui considerado para avaliar o grau de censurabilidade da ação tida como típica e antijurídica: quanto mais intenso for o dolo, maior será a censura; quanto menor a sua intensidade, menor será a censura. ANTECEDENTES Por antecedentes devem-se entender os fatos anteriores praticados pelo réu, que podem ser bons ou maus. São maus antecedentes aqueles fatos que merecem a reprovação da autoridade pública e que representam expressão de sua incompatibilidade para com os imperativos ético- jurídicos. Admitir certos atos ou fatos como antecedentes negativos significa uma “condenação” ou simplesmente uma violação ao princípio constitucional de “presunção de inocência”, como alguns doutrinadores e parte da jurisprudência têm entendido, e, principalmente, consagra resquícios do condenável direito penal de autor. De há muito a melhor doutrina sustenta o entendimento de que “inquéritos instaurados e processos criminais em andamento”, “absolvições por insuficiência de provas”, “prescrições abstratas, retroativas e intercorrentes” não podem ser considerados como “maus antecedentes” porque violaria a presunção de inocência. As infrações criminais praticadas pelo réu durante sua menoridade também não podem ser admitidas como maus antecedentes. PERSONALIDADE Representa resquício de um direito penal autoritário, típico de odioso “direito penal de autor”, segundo o qual o sujeito é julgado pelo o que ele é e não pelo que fez, sendo, por isso, absolutamente incompatível com o direito penal da culpabilidade, que é um direito penal do fato, próprio dos Estados Democráticos de Direito, como é o caso brasileiro. É absolutamente inaplicável, portanto, o exame da personalidade para prejudicar ou corroborar a agravação da pena de alguém, beirando, inclusive, a inconstitucionalidade a sua aplicação. A personalidade não pode ser considerada para desvalorar a conduta do sentenciado e majorar sua punição. CONDUTA SOCIAL Deve-se analisar o conjunto do comportamento do agente em seu meio social, na família, na sociedade, na empresa, na associação de bairro e etc. Embora sem antecedentes criminais, um indivíduo, mesmo portador de antecedentes criminais, possa ser autor de atos beneméritos, ou de grande relevância social ou moral. No entanto, nem sempre os autos oferecem elementos para analisar a conduta social do réu; nessa hipótese, a presunção milita em seu favor. MOTIVOS DETERMINANTES: Os motivos constituem a fonte propulsora da vontade criminosa. Não há crime gratuito ou sem motivo. A rigor, os motivos do crime constituem um plexo de situações psíquicas que impulsionam o agir contra lege, e podem representar tanto a causa como a finalidade do agir criminoso. Para a dosagem da pena é fundamental considerar a natureza e qualidade dos motivos que levaram o indivíduo à prática do crime, que podem dividir-se, basicamente, em duas categorias: imorais ou antissociais e morais e sociais. CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME: As circunstâncias referidas no art. 59 não se confundem com as circunstâncias legais relacionadas expressamente no texto codificado (arts. 61, 62, 65 e 66 do CP), mas defluem do próprio fato delituoso, tais como forma e natureza da ação delituosa, os tipos de meios utilizados, objeto, tempo, lugar, forma de execução e outras semelhantes. Não se pode ignorar que determinadas circunstâncias qualificam ou privilegiam o crime ou, de alguma forma, são valoradas em outros dispositivos, ou até mesmo como elementares do crime. Nessas hipóteses, não devem ser avaliadas neste momento, para evitar a dupla valoração CONSEQUÊNCIAS DO CRIME: Não se confundem com a consequência natural tipificadora do ilícito praticado. É um grande equívoco afirmar - no crime de homicídio, por exemplo - que as consequências foram graves porque a vítima morreu. Ora, a morte da vítima é resultado natural, sem o qual não haveria o homicídio. Agora, podem ser consideradas graves as consequências porque a vítima, arrimo de família, deixou ao desamparo quatro filhos menores, cuja mãe não possui qualificação profissional, por exemplo. Importa, é verdade, analisar a maior ou menor danosidade decorrente da ação delituosa praticada ou o maior ou menor alarma social provocado, isto é, a maior ou menor irradiação de resultados transcendentes do próprio fato típico. COMPORTAMENTO DA VÍTIMA: Estudos de vitimologia demonstram que, as vítimas contribuem decisivamente na consecução do crime. Esses comportamentossão verdadeiros fatores criminógenos, embora não justifiquem o crime, nem insentem o réu de pena, podem minorar a censurabilidade do comportamento delituoso. - X A rigor, especialmente nos crimes contra a administração pública, de resto, na maioria dos crimes, o comportamento da vítima constitui um indiferente penal, sem peso algum na dosimetria penal. DOSIMETRIA DA PENA E AGRAVANTES A dosimetria da pena é o processo pelo qual o juiz determina a pena a ser aplicada ao réu, observando critérios estabelecidos no CP. As circunstâncias agravantes e atenuantes influenciam essa decisão. CIRCUNSTÂNCIAS LEGAIS: as circunstâncias agravantes e atenuantes são expressamente previstas na lei: → Agravantes - Arts. 61e 62 do CP. → Atenuantes - Arts. 65 e 66 do CP. É essencial verificar se essas circunstâncias não constituem elementares do crime, qualificadoras ou causas de aumento ou diminuição de pena. EXERCÍCIO DE DOSIMETRIA: a dosimetria deve ser realizada observando a seguinte ordem 1. Verificar se há alguma circunstância qualificadora do crime. 2. Analisar se há causas especiais de aumento ou diminuição (específicas ou genéricas). 3. Identificar a incidência de circunstâncias agravantes ou atenuantes. 4. Considerar as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. O Código Penal não fixa um percentual específico de aumento ou diminuição para agravantes e atenuantes, deixando essa decisão ao critério do juiz. Entretanto, esse aumento ou diminuição não deve ultrapassar 1/6 da pena. ROL TAXATIVO DO CP: o Código Penal estabelece um rol taxativo de circunstâncias agravantes e atenuantes nos artigos 61 a 66, oque significa que não há possibilidade de aplicação de outras além das previstas expressamente na lei, salvo se for reconhecida alguma circunstância relevante pelo juiz com base no art. 66 do CP. CONCURSO DE AGRAVANTES E ATENUANTES: o Art. 67 do CP estabelece que a pena deve se aproximar do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes, priorizando aquelas ligadas aos motivos do crime, à personalidade do agente e à reincidência. A jurisprudência considera a menoridade um fator mais relevante que a reincidência. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES (ART. 61, CP): A pena será agravada se o crime for cometido: Com reincidência; Por motivo fútil ou torpe: Motivo torpe - conduta motivada por razões desprezíveis, como vingança mesquinha ou ódio. Motivo fútil - razão desproporcional para o crime, como uma discussão banal. Para facilitar ou ocultar outro crime; Com traição, emboscada ou dissimulação; Com meios insidiosos ou cruéis - exemplo: veneno, fogo, explosivo, tortura; Contra familiares próximos ou pessoas vulneráveis (idosos, crianças, grávidas, enfermos); Com abuso de autoridade, poder ou confiança; Em situações de calamidade pública ou embriaguez preordenada. ·- - MEIOS E MODOS AGRAVANTES: Meios agravantes - envolvem os instrumentos utilizados para a prática do crime (ex. Veneno, fogo, explosivos, tortura); Modos agravantes - dizem respeito à forma como o crime foi cometido (ex. Traição, emboscada, dissimulação). AGRAVANTES NO CONCURSO DE PESSOAS (ART. 62, CP): A pena será agravada para o agente que: Organiza ou dirige a execução do crime; Coage ou induz alguém à prática criminosa; Instiga ou determina que alguém cometa crime, especialmente se for uma pessoa sob sua autoridade; Participa do crime mediante paga ou promessa de recompensa. REINCIDÊNCIA (ARTS. 63 E 64, CP) - A reincidência ocorre quando o agente comete um novo crime após condenação definitiva anterior. Contudo, a condenação anterior perde efeito se passarem mais de cinco anos desde o cumprimento da pena. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES (ART. 65, CP): São circunstâncias que sempre atenuam a pena: O réu ser menor de 21 anos na data do fato ou maior de 70 anos na sentença; O desconhecimento da lei; Ter cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; → Valor social: quando o crime é praticado para atender a uma necessidade coletiva ou de interesse público. → Valor moral: quando a motivação está ligada a um ideal ou sentimento ético subjetivo. Ter reparado o dano antes do julgamento; Ter cometido o crime sob coação resistível ou violenta emoção; Ter confessado espontaneamente; Ter cometido o crime sob influência de multidão em tumulto, sem provocar a situação. OUTRAS ATENUANTES (ART. 66, CP): O juiz pode considerar outras circunstâncias relevantes, como a Justiça Restaurativa, quando há acordo entre réu e vítima com condições especiais sobre os fatos. CONFISSÃO E SUA RELEVÂNCIA: A confissão pode ser: → Judicial (espontânea ou provocada no processo penal); → Extrajudicial (realizada no inquérito ou por meio de prova); → Qualificada (quando o réu admite o crime, mas alega excludente de ilicitude ou culpabilidade). Segundo a Súmula 545 do STJ, a confissão pode garantir a atenuante do art. 65, III, “d”, CP, se for utilizada para fundamentar a condenação. RESUMO: Atenuantes, são fatores que diminuem a culpabilidade do acusado e, consequentemente, a sua pena; são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do réu; Agravantes, são circunstâncias que aumentam a culpabilidade do acusado e a gravidade do crime; são fatores que podem resultar em uma pena mais severa. · CRITÉRIOS PARA O CÁLULO DAS PENAS: A pena é calculada conforme os critérios do art. 68 do CP, em três fases 1. Pena Base (art. 59) → com base nas circunstâncias judiciais; 2. Pena provisória → com incidência das agravantes e atenuantes; 3. Pena definitiva → com aplicação de causas de aumento (majorantes) ou diminuição (minorantes). PENA BASE E PENA MÍNIMA: A pena-base é fixada a partir do mínimo legal, com base nas circunstâncias judiciais do art. 59 do CP. O juiz só pode se afastar do mínimo legal com motivação concreta e idônea. Pena mínima, a doutrina e jurisprudência amplamente majoritárias entendem que se deve partir da pena mínima. Se todas as circunstâncias judiciais forem favoráveis, a pena- base deve ser fixada no mínimo legal. Essa pena-base é aumentada se houver circunstâncias judiciais desfavoráveis ao acusado e serem valoradas na sentença. CIRCUNSTÂNCIA PREPONDERANTE: Nos termos do art. 67 do CP, as circunstâncias ligadas aos motivos do crime, à personalidade do agente e à reincidência são consideradas preponderantes em relação às demais. O art. 59 não cria hierarquia entre as circunstâncias judiciais. PESO DE CADA CIRCUNSTÂNCIA NA PENA-BASE: Valor deve ser proporcional! Cada circunstância judicial pode majorar ou minorar a pena-base em até 1/8 de diferença entre a pena mínima e a pena máxima. CÁLCULO DA PENA-BASE (exemplo imaginário com Fração de 1/8): Se a pena varia de 1 a 5 anos (diferença de 4 anos), cada circunstância negativa pode majorar até 6 meses (1/8 de 4 anos). Exemplo: Corrupção Passiva Pena: 2 a 12 anos → diferença de 10 anos →1/8 = 1 ano e 3 meses por circunstância negativa. Exemplo: Furto Pena: 1 a 4 anos → diferença de 3 anos → 1/8 = 4 meses e meio por circunstância negativa. CÁLCULO DA PENA PROVISÓRIA - AGRAVANTES E ATENUANTES: Na segunda fase, aplicam-se as agravantes e atenuantes. Usa-se com referência 1/6 da pena, sem ultrapassar limite mínimo (súmula 231/STJ). CONCURSO DE AGRAVANTES E ATENUANTES - CIRCUNSTÂNCIAS PREPONDERANTES: No concurso entre agravantes e atenuantes, prevalecem as circunstancias preponderantes (art. 67, CP): reincidência, personalidade do agente e motivos do crime. * PENA DEFINITIVA - MAJORANTES E MINORANTES: Na terceira fase, aplicam-se as causas de aumento ou diminuição previstas no tipo penal (ex.: concurso de agentes, violência doméstica, etc.). Aqui sim já é possível a pena ultrapassar o valor mínimo ou máximo estipulado no preceito secundário da norma. Podem ter previsão na Parte Geral do CP (ex.: a tentativa, prevista no art. 14, inciso II, que poderá diminuir a pena de um a dois terços) ou na Parte Especial (ex.: no crime de aborto a pena será aplicada em dobro se ocorrer morte d gestante- art. 127)e mesmo na legislação esparsa. Não se permite nesta fase, a aplicação do critério de compensação, devendo incidir nessa fase sucessivamente, todas as causas de aumento ou diminuição previstas na parte especial ou em leis especiais, nos termos do parágrafo único do art. 68. CONCURSO DE MAJORANTES E MINORANTES (art. 68, parágrafo único, CP): Aplica-se primeiro a causa mais gravosa, depois as demais. O juiz pode atribuir frações distintas conforme a intensidade de cada causa. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA: Com a pena definitiva, aplicam-se as regras do Art 33 do CP c/c Art. 59. Súmula 269 - é admissível a adoção prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais. Súmula 440 - fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito. É fixado com base no art. 33 do CP: quantidade de pena, natureza do crime, circunstâncias judiciais e reincidência. ANÁLISE DA POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE: Aplicam-se as regras do Art. 33 c/c Art. 44 do CC. Conforme art. 44 do CP, a pena pode ser substituída por restritiva de direitos se: O réu não for reincidente em crime doloso; O crime não envolver violência ou grave ameaça; As circunstâncias judiciais forem favoráveis. CONCURSO DE CRIMES: → Concurso material (art. 69, CP): penas somadas. → Concurso formal (art. 70, CP): uma única pena, aumentada. → Crime continuado (art. 71, CP):pena de um só crime, aumentada. CONCURSO DE QUALIFICADORAS: Uma qualificadora qualifica o crime; as demais podem ser usadas como agravantes ou circunstâncias judiciais. Constatada a presença de mais de uma circunstância que possa qualificar o delito, deve o julgador utilizar como qualificadora aquela circunstância não prevista como agravante, deixando para utilizar a circunstância qualificadora também prevista como agravante na segunda fase de dosimetria da pena, quando da definição da pena provisória. : DOSIMETRIA PENA DE MULTA: → Limites: no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 dias-multa (Art 49 do CP) → Quantidade: entre 10 e 360 dias-multa. → Valor mínimo dias-multa: 1/30 do salário mínimo vigente ao tempo do fato → Valor de hoje: 1320/30 = R$44 (mínimo = R$ 440 ou 10 dias-multa) 2 fases: 1ª - situação econômica do réu (mínimo 1/30 - máximo 5/30) - art. 60, caput. 2ª - estabelecimento do critério objetivo de cálculo e calculo dos dias-multa (art. 49) SÚMULAS APLICÁVEIS À DOSIMETRIA: Súmula 231/STJ → atenuante não reduz pena abaixo do mínimo legal. Súmula 241/STJ → condenação com pena extinta vale como maus antecedentes. Súmula 444/STJ → inquérito a ação penal em curso não configuram maus antecedentes. Súmula 718/STF → a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime severo do que o permitido segundo a pena aplicada. Súmula 719/STF → a imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir exige motivação idônea. Súmula 269/STF → é admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judicias. Súmula 440/STF → fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do delito. CONCURSO DE CRIMES Haverá concurso de crimes quando uma pessoa, mediante uma ou mais condutas, cometer duas ou mais infrações penais que estejam ligadas entre si. “O concurso pode ocorrer entre crimes de qualquer espécie, comissivos ou omissivos, dolosos ou culposos, consumados ou tentados, simples ou qualificados e ainda entre crimes e contravenções. Logicamente a pena a ser aplicada a quem pratica mais de um crime não pode ser a mesma pena aplicável a quem comete um único crime. Por isso,foram previstos critérios especiais de aplicação de pena às diferentes espécies de concursos de crimes.” - Cezar Roberto Bittencourt Sempre que houver um concurso de crimes o agente responderá por todos eles, conforme penal, não se confundindo esta hipótese com as situações relacionadas ao princípio da consunção, nas quais, “embora as condutas se amoldem em mais de um tipo penal, o agente só responde por um delito, ficando os demais absorvidos, que por se tratar de crime-meio, que por ser considerado post factum impunível.” O código penal prevê três modalidades de concurso de crimes: Concurso material; Concurso formal; Concurso continuado. SISTEMAS DE APLICAÇÃO - sempre que existir concurso entre duas ou mais infrações penais, haverá, por conseguinte, concurso de penas. Diversos podem ser os sistemas para aplicação da sanção penal nestas hipóteses: A) Sistemas do cúmulo material: simples soma aritmética das penas dos respectivos crimes. O Juiz aplica a pena de cada uma das infrações isoladamente e então as soma, totalizando-se a pena final. Esse sistema é utilizado, no ordenamento jurídico brasileiro, para o concurso material (art. 69 do CP), para o concurso formal impróprio (art. 70, caput, 2ª parte, do CP), e para o concurso das penas de multa (art. 72 do CP). CONCURSO MATERIAL Art. 69 do CP - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido - No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. O concurso material estará presente quando o agente praticar duas ou mais condutas (comissivas ou omissivas) que deem origem a dois ou mais crimes, idênticos ou não. A consequência desta espécie de concurso é a soma das penas (sistemas do cúmulo material). §1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. §2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. O concurso material é dividido pela doutrina em concurso material homogêneo e heterogêneo. 🚔 🚔 HOMOGÊNEO - é aquele no qual as duas ou mais ações ou omissões resultam em crimes idênticos (mesmo bem jurídico). Exemplo: o agente efetua disparos de fogo contra “A” e posteriormente contra “B”, praticando, então, dois homicídios. HETEROGÊNEO - por seu turno, caracteriza-se pelo cometimento de duas ou mais ações ou omissões que deem azo a crimes distintos. Exemplo: o agente traz consigo porções de cocaína para venda e porta uma arma de fogo sem autorização legal ou regulamentar. Estará incurso, assim, nos delitos de tráfico de drogas (art. 33 da Lei 11.343/006) e porte ilegal de arma de fogo (art. 14 da Lei 10.826/2003). SOMATÓRIO - O concurso material homogêneo diferencia-se, portanto, do heterogêneo simplesmente pelo fato de que no primeiro há dois ou mais crimes da mesma natureza (mesmo tipo penal) e no segundo há dois ou mais crimes distintos (tipos penais diferentes). Contudo, a consequência de ambos é a mesma: somatório das penas previstas para as condutas delitivas. Desta forma, no primeiro exemplo (concurso material homogêneo) o agente responderá por duplo homicídio, sendo a ele aplicadas duas penas que variam de 6 a 20 anos (se o homicídio for simples) ou 12 a 30 (se for qualificado); e no segundo exemplo o Juiz aplicará o preceito secundário do delito de tráfico de drogas (5 a 15 anos de reclusão), totalizando-se, se inexistente algum redutor de pena, uma sanção de 7 a 19 anos de reclusão. CUMULAÇÃO DE RECLUSÃO E DETENÇÃO - No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e detenção, aplica-se primeiro a reclusão, depois a de detenção (art. 69, parte finaldo CP). Justifica-se fato de que a pena de reclusão é mais grave, admitindo, em tese, a fixação de regime fechado, diferentemente da pena de detenção, para qual é cabível, no máximo, regime semiaberto. Pelo mesmo motivo, havendo concurso entre crime (pena de reclusão ou detenção) e contravenção penal (pena de prisão simples), será executada primeiramente a pena do crime (art. 76 do CP). CUMULAÇÃO DE PENA DE PRISÃO E RESTRITIVAS - (art. 69, §1º do CP) e um dos crimes for aplicada pena privativa de liberdade, juiz não poderá aplicar pena restritiva de direito para o outro (ou outros), salvo se ele conceder a suspensão condicional da pena privativa de liberdade (sursis). Exceção: pena em regime aberto + penas restritivas (não há incompatibildiade). CONCURSO FORMAL Art. 70 do CP - Quando o agente, mediante uma ação ou omissão, pratica dois o mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. (Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código. 📌 Regra: aplica-se uma só pena, mas aumentada de 1/6 até 1/2, conforme a culpabilidade, antecedentes, conduta social etc. Consoante art. 70 do CP, haverá concurso formal quando “o agente, mediante uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não”. Há conduta única, mas multiplicidade de resultados (dois ou mais crimes). O CP estabelece duas possíveis consequências para o concurso formal: o critério de exasperação das penas, ou seja, a aplicação de somente uma delas aumentada de uma fração (art. 70, caput, primeira parte); ou o critério de cumulação (art. 70, caput, parte final). A doutrina divide o concurso formal em próprio (perfeito) e impróprio (imperfeito). CONCURSO FORMAL PERFEITO - uma só conduta com dois ou mais resultados que não são almejados pelo agente. Exemplo: disparo de uma arma que atinge duas vítimas acidentalmente. Aplica-se uma só pena com aumento de 1/6 até 1/2. O concurso formal próprio pode ser homogêneo (conduta única que gera dois resultados iguais) ou heterogêneo (conduta única que acarreta em resultados e crimes distintos). Será homogêneo quando a conduta única resultar em dois ou mais crimes idênticos. Exemplo: o agente imprudentemente ultrapassa o semáforo vermelho e atropela duas pessoas, causando lesões corporais em ambas. Neste caso, responderá ele por dois delitos de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, conforme art. 303 da Lei 9.503/1997. A consequência legal será a aplicação de uma só pena, aumentada de um sexto (1/6) até metade (1/2). O concurso formal próprio será heterogêneo se os delitos forem distintos. Considere-se a mesma conduta imprudente do exemplo acima, mas que cause resultados diversos: morte de um dos pedestres e ferimentos no outro. Estaremos diante, então, de um homicídio culposo e uma lesão culposa no trânsito, respectivamente tipificados nos arts. 302 e 303 da Lei 9.503/1997. A consequência será a aplicação da pena do crime mais grave (no exemplo dado, a do homicídio culposo), aumentada de um sexto (1/6) até metade (1/2) CONCURSO FORMAL IMPEFEITO - Está previsto na parte final do art. 70, caput, do Código Penal. O concurso formal será impróprio quando a ação única do agente for dolosa e ele tiver desígnios autônomos quanto aos dois ou mais resultados, isto é, se ele tiver intenção (dolo direto) ou assumir o risco (dolo eventual) de produzir ambos. A solução, nesse caso, será o somatório das penas, tal como no concurso material. Exemplo: “A” resolve matar uma gestante para não assumir a paternidade do filho, e então dispara contra esta, ceifando a vida da mulher e também do produto da concepção. Neste caso, a conduta é única (disparo de arma de fogo), mas está evidente a duplicidade de desígnios, já que “A” queria (ou ao menos assumiu o risco) matar a mulher e ao mesmo tempo causar o aborto. Ele responderá, então, pelos crimes de homicídio (art. 121 do Código Penal) e aborto sem o consentimento da gestante (art. 125 do mesmo diploma legal) em concurso formal impróprio. As penas serão somadas. Outro exemplo: “A” coloca um explosivo num veículo, sabendo que ele transportará um casal e seus dois filhos. A bomba explode e os quatro ocupantes do veículo morrem. Há, igualmente, conduta única, com quatro resultados (quatro mortes), havendo desígnios autônomos, uma vez que “A” sabia que o veículo transportaria quatro pessoas. CONCURSO MATERIAL BENÉFICO - O art. 70, parágrafo único, do Código Penal, estabelece que a pena resultante da exasperação do concurso formal (próprio) não pode ser superior àquela cabível na soma das penas. Assim, para não se prejudicar o agente, desconsidera-se a exasperação e somam-se as penas. Exemplo: “A” dispara contra “B” para matá-lo e por erro, além de matar “B”, também atinge “C”, que sofre lesão corporal leve. Pela regra do art. 74 (aberratio criminis com resultado duplo), que determina a aplicação do 70 (concurso formal próprio), o agente responderia pelo crime mais grave (homicídio doloso) majorado de 1/6 até 1/2. Contudo, esta solução seria desfavorável ao agente, porque um sexto da pena do homicídio consumado (art. 121 do Código Penal) é maior do que a pena da lesão corporal culposa (art. 129, § 6º, do mesmo diploma legal). Por isso, aplicase o concurso material, que na hipótese torna-se mais benéfico. CRIME CONTINUADO Art. 71 do CP - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. Modalidade comum (caput) Exemplo: funcionário desvia dinheiro semanalmente da empresa. Modalidade Qualificada (parágrafo único) Exemplo: reincidência + vítimas diferentes → aumento de 1/2 a 2/3. Exige fundamentação legal. COMPARATIVO ENTRE OS TIPOS DE CONCURSO TIPO CONDUTA RESULTADO PENA Material Formal Perfeito Formal Imperfeito Continuado 2 ou + 1 1 2 ou + 2 ou + 2 ou + 2 ou + 2 ou + Soma das penas 1 pena + aumento Soma das penas Pena + aumento Observações: Não há continuidade entre crime doloso e culposo; Crimes devem ser homogêneos para configurar crime continuado. Súmula 711 do STF, estabelece que, no caso de crime continuado e permanente, a lei penal mais grave pode ser aplicada se sua vigência for anterior à cessação da continuidade ou da permanência. Isso significa que, se a lei mais grave entrar em vigor enquanto o crime ainda estiver em curso, ela será aplicada, mesmo que seja mais gravosa. Essa excessão para crimes continuados e permanentes visa garantir que a pena seja proporcional ao resultado da conduta criminosa, mesmo que a lei mais grave tenha entrado em vigor após o início do crime, mas antes de sua conclusão. Assim, se um agente praticar, por exemplo, quatro condutas delitivas na vigência de uma nova lei, mais gravosa, esta última é que será aplicada caso reconhecida a figura do crime continuado ou permanente. É fundamental analisar a situação específica de cada caso, levando em consideração a data da prática do crime, a data de entrada em vigor das leis e a natureza do crime (se é continuado ou permanente) para determinar qual a lei a ser aplicada. PENA DE MULTA NO CONCURSO DE CRIMES Art. 72 do CP - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distintas e integralmente. Concurso material: aplica-se uma multa para cada crime, ou seja, as multas são somadas. Ocorre quando o agente,por meio de várias condutas, comete vários crimes distintos. Exemplo: alguém que rouba um carro e, em seguida, comete um furto em uma loja. Concurso forma/continuado: aplica-se só uma multa, com eventual aumento. UNIFICAÇÃO DAS PENAS NA EXECUÇÃO PENAL Art. 75 do CP - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. §1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. §2º Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena á cumprido. INCIDÊNCIA DE DUAS ESPÉCIES DE CONCURSO DE CRIMES Refere-se à combinação de concurso formal e concurso material ou real, ambos com nuances e classificações específicas. O concurso formal ocorre quando há uma única ação ou omissão gerando múltiplos resultados, enquanto o concurso material envolve múltiplas ações ou omissões, cada uma resultando em um crime distinto. Exemplo: crime continuado + roubo isolado → aplica-se aumento no continuado e soma-se o roubo (material). SURSIS E LIVRAMENTO CONDICIONAL SURSIS - trata-se de mais uma medida alternativa à pena privativa de liberdade. O principal efeito e objetivo é a suspensão da execução da pena privativa de liberdade por um determinado período de tempo, respeitadas as regras legais. SISTEMAS DE SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA: Sistema anglo-americano - o juiz reconhece a existência de provas contar o acusado, mas não o condena, submetendo-o a um período de prova. Cumpridas as condições nesse período, o juiz extingue a ação penal, mantendo o réu a sua primariedade. Sistema belgo-francês - o juiz condena o réu, mas suspense a execução da pena imposta, desde que presentes certos requisitos. SISTEMA BRASILEIRO: Adota o modelo SISTEMA BELGO-FRANCÊS, em que o sursis pressupõe a prolação de sentença condenatória. O juiz deve julgar procedente a ação penal e fixar a pena em sua integralidade, estabelecendo seu montante final de acordo com o critério trifásico e o regime prisional. Somente depois disso poderá ser aplicado o SURSIS. → é necessária a prévia fixação do montante da pena e do regime inicial, uma vez que se o acusado der causa à revogação do benefício terá que cumprir a pena originalmente imposta. ESPÉCIES DE SURSIS: SURSIS Etário (art. 77, §2º) SURSIS Humanitário (art. 77, caput) APLICAÇÃO DO SURSIS Necessidade prévia de realizar a DOSIMETRIA DA PENA, seguindo o modelo trifásico de aplicação da pena, segundo o art. 68 do CP. Atendido o critério quantitativo do art. 77 do CP, deverá o juiz analisar os requisitos para a concessão do SURSIS. Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - não seja indicada ou cabível a substituição previstas no art. 44 deste código. §1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício. §2º - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão. CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NO SURSIS Condições judiciais- são as condições determinadas pelo juiz, devendo ser adequadas ao fato, bem como à situação pessoal do condenado (art. 79 do CP); : - Condições legais - estabelecidas no art 78, §2º - Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: a) proibição de freqüentar determinados lugares; b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. Condições judiciais - Art. 79 - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado. Período de prova - Art. 78 - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas pelo juiz. §1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48). Art. 80 - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso; II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano; III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. REVOGAÇÃO FACULTATIVA § 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. PRORROGAÇÃO DO PERÍODO DE PROVA § 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. § 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se este não foi o fixado. CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES Art. 82 - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. LIVRAMENTO CONDICIONAL Requisitos: Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; - - II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; III - comprovado: a) bom comportamento durante a execução da pena; b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; de 2019) c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; 13.964, de 2019) IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir. SOMA DAS PENAS Art. 84 - As penas que correspondem a infrações diversas devem somar-se para efeito do livramento. ESPECIFICAÇÕES DAS CONDIÇÕES Art. 85 - A sentença especificará as condições a que fica subordinado o livramento. REVOGAÇÃO DO LIVRAMENTO Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença irrecorrível: I - por crime cometido durante a vigência do benefício; II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. REVOGAÇÃO FACULTATIVA Art. 87 - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade. EFEITOS DA REVOGAÇÃO Art. 88 - Revogado o livramento, nãopoderá ser novamente concedido, e, salvo quando a revogação resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na pena o tempo em que esteve solto o condenado. EXTINÇÃO Art. 89 - O juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sentença em processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento. Art. 90 - Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO Trata-se de uma possibilidade de benefício oferecido pelo MP, no qual o acusado aceita e cumpre as condições impostas pelo juiz e a punibilidade é extinta. Previsão legal: art. 89 da lei 9.099/95 Requisitos: Cabimento - para acusações de crimes com pena igual ou inferior a 1 ano; Hipótese de acordo pré-processual; O réu não admite culpa e continua primário e sem antecedentes criminais. Não há sentença penal condenatória; É ofertada no momento do oferecimento da denúncia pelo MP. Requisitos: -Não responder a outro processo ou não ter sido condenado; -Preencher os requisitos da suspensão condicional da pena (art. 77 do CP); -Não ser reincidente em crime doloso; -Ostentar bons antecedentes e conduta social e não caber a substituição por pena alternativa. TRANSAÇÃO PENAL Acordo firmado entre o MP e o acusado para antecipar a aplicação de pena alternativa (multa ou restrição de direitos) com o consequente arquivamento do processo criminal. Previsão legal: art. 76 da lei 9.099/95. ACORDO COM A VÍTIMA - AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO Possibilidade de composição civil em decorrência de atos criminais considerados de menor potencial ofensivo, com a extinção de punibilidade do agente. Cabimento - crimes com penas de até 2 anos de prisão Previsão legal: art. 72 da Lei 9.099/95 ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL - ANPP Transação oferecida pelo MP a acusados de crimes,s m violência o grave ameaça, com pena de até 4 anos. Previsão legal: Art. 28-A do CPP. Requisitos -Pena mínima inferior a 4 anos; -Confissão do crime; -Não ser cabível transação penal; -Não haver reincidência do acusado ou reiteração criminosa; -Não ter sido beneficiado com ANPP nos últimos 5 anos; -Crimes de violência doméstica ou praticados por razões de condições de gênero -Oferecimento - no momento da oferta da denúncia. i