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AULA 2 INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA E SOCIAL Profª Ana Lizete Farias 2 INTRODUÇÃO Foi por meio da inovação que as organizações empresariais transformaram o mundo e, agora, sob o impacto do coronavírus, isso será, mais do nunca, uma necessidade para que se possa fazer frente às consequências desse período trágico. Nesse sentido, tendo como horizonte a pandemia, vamos avançar sobre os conceitos da inovação. Inicialmente, vamos entender o ciclo de vida de uma empresa, o papel que a inovação ocupa nessa trajetória, assim como a relação com os estágios da sustentabilidade corporativa. A seguir, descreveremos os processos de inovação para então prosseguirmos em campos mais específicos, como a inovação social, a econômica e ambiental, ou seja, sob a perspectiva do tripé da sustentabilidade. Vamos continuar! TEMA 1 – CICLO DE VIDA DOS NEGÓCIOS: EVOLUÇÃO, REVOLUÇÃO E DISRUPÇÃO As empresas, para sua constituição e materialização, passam por estágios os quais, sob a perspectiva administrativa, são referidos metaforicamente como o ciclo de vida biológico: nascer, crescer, envelhecer e morrer, como está descrito em Albuquerque et al. (2004). Dizemos, dessa forma, que no âmbito empresarial, elas têm um ciclo de vida organizacional. Figura 1 – Ciclo esquemático de vida de uma empresa Entender as características de cada uma dessas etapas é fundamental para a elaboração do planejamento estratégico, seja ele de curto, médio ou longo 3 prazo e, portanto, para que as empresas possam inovar. Govindarajan (2006) contribui para esse tema afirmando que estratégia e inovação são a mesma coisa e, dessa forma, não existiria estratégia a não ser que exista a inovação. Sob essa perspectiva, examinaremos cada uma das etapas, numa adaptação da descrição de Adizes (1990): • Início: é a fase que dá início ao negócio e, por isso, inclui todas as medidas necessárias para tirar a ideia do papel e transformá-la em realidade. Envolve desde a concepção do tipo de negócio, a busca e a preparação do espaço físico, equipamentos, seleção e contratação de colaboradores, compra de matéria-prima e definição de estratégias de divulgação. Caracteriza-se por ser uma fase de grande vulnerabilidade ao fracasso. • Sobrevivência (crescimento): aqui a empresa está inserida num mercado, tentando buscar oportunidades e consolidar o seu negócio. Nesta etapa, os primeiros resultados positivos são conquistados e as finanças começam a dar sinais de equilíbrio. É necessário empenho para se manter competitiva, afirmando seu espaço no mercado e na preferência dos clientes. • Expansão: depois de passar pela fase de sobrevivência, tem uma fase vista como ponto de equilíbrio, ou seja, já consegue arcar com seus custos e dar lucros. Conta com uma cartela de clientes fidelizados, podendo inclusive ser líder em seu nicho de mercado. • Maturidade: após um período na liderança do mercado, os produtos ou serviços deixam de ser novidade para os consumidores e, então, pode começar uma fase de declínio. É nesse momento que a inovação surge como um desafio e uma oportunidade para se reinventar e reconquistar mercados ou novos nichos, utilizando soluções inovadoras para os seus processos e serviços. Em relação à sustentabilidade, ou seja, em termos socioambientais, as organizações também terão diferentes níveis de acordo com a realidade de seus negócios. Compreendê-los deve fazer parte do planejamento estratégico das empresas. Vamos diferenciar alguns desses estágios: • Estágio 1: refere-se às empresas que nunca pensaram nas questões sociais e ambientais. O planejamento deve inserir formas de sensibilização na empresa e de seus dirigentes para a inserção dos temas socioambientais na cultura organizacional. 4 • Estágio 2: são empresas que já estão sensíveis às questões sociais, com projetos sociais não estruturados. Aqui, deverá ser realizado um planejamento do investimento social provado dentro de uma visão já focada em responsabilidade social corporativa. • Estágio 3: empresas que já possuem práticas socioambientais nos diversos setores da responsabilidade social corporativa. A inovação pode contribuir na implantação, melhoria e/ou aperfeiçoamento de políticas socioambientais corporativas e na conciliação da prática em todos os setores. • Estágio 4: quando as empresas já se encontram devidamente amadurecidas na relação de práticas socioambientais e podem mudar seu modelo de negócio com base no triple bottom line. Nem sempre o ciclo de vida organizacional das empresas coincide com os estágios acima descritos, mas, sem dúvida, a inovação para a sustentabilidade poderá tornar as empresas competitivas em seus mercados, ou mesmo as fazerem recuperar um nicho que havia sido perdido. Vários tipos de negócio que resistiram às mudanças da sua época ou não se adequaram, ainda que fossem grandes líderes de mercado, tiveram grande prejuízos ou mesmo tiveram que serem fechados. E diante dos efeitos da pandemia no âmbito econômico, esse é um momento crucial para se repensar novas abordagens e estratégias, conferindo maio valor à inovação. TEMA 2 – PROCESSOS DE INOVAÇÃO Como vimos anteriormente, as empresas têm um ciclo de vida em termos organizacionais. Ao alcançarem etapas mais evoluídas, a inovação é um passo inevitável para aquelas que desejam continuar no mercado de forma competitiva e, sobretudo, próspera. Por isso, é necessário entender quais são os processos de inovação usualmente utilizados. Para o nosso estudo, vamos utilizar a classificação definida pelo Manual de Oslo (OECD, 2005), que define quatro categorias principais: inovação de produtos, de processos, de marketing e organizacional. Vejamos cada um deles. 2.1 Inovação de produto A inovação de produto é 5 a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que concerne a suas características ou usos previstos. Incluem-se melhoramentos significativos em especificações técnicas, componentes e materiais, softwares incorporados, facilidade de uso ou outras características funcionais. (OECD, 2005, p. 57) Como exemplos de inovações de produto, citamos telhas feitas a partir de resíduos industriais, como cinzas de celulose ou mesmo bagaço de cana. 2.2 Inovação de processo Segundo a OECD (2005, p. 58-59), Uma inovação de processo é a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado. Incluem- se mudanças significativas em técnicas, equipamentos e/ou softwares. As inovações de processo podem visar reduzir custos de produção ou de distribuição, melhorar a qualidade, ou ainda produzir ou distribuir produtos novos ou significativamente melhorados. Nesse tipo de inovação, um exemplo mais comum é a implantação de sistemas de rastreamento via etiquetas eletrônicas ou códigos de barra. Olhando a história, um outro exemplo merece destaque, pois até hoje permanece como sendo uma das maiores inovações da era industrial. Refere-se à implantação da montagem de veículos em série, realizada por Henry Ford, em 1913, primeiro empresário a fazer isso. Ford modificou o tempo necessário para produzir um veículo que, naquela época era de 12 horas. Com as modificações introduzidas, esse tempo foi reduzido a 90 minutos. As consequências dessa inovação tiveram impactos ainda visíveis na nossa atualidade. 2.3 Inovação de marketing Para a OECD (2005, p. 59), “uma inovação de marketing é a implementação de um novo método com mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação de preços”. Ao implantar esse tipo de inovação, a empresa visa obter maior volume de vendas, maior fatia de mercado, mudanças de posicionamento, melhoria da marca e/ou da reputação. Um exemplo bastante conhecido é o da Máquina da Felicidade, concebida pelaCoca-Cola, em que uma máquina de refrigerantes é colocada em um lugar público, como um shopping. Na compra de uma lata da bebida, saía uma mão que presenteava as pessoas que ali passassem. Os presentes distribuídos variavam 6 entre flores, balões em forma de animais e objetos, pirulito para as crianças e claro, a lata de Coca-Cola1. 2.4 Inovação organizacional Para a OECD (2005, p. 61), “uma inovação organizacional é a implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização do seu local de trabalho ou em suas relações externas”. Um exemplo é o Amazon Prime, serviço exclusivo para assinantes da Amazon, gigante do e-commerce, fundada por Jeff Bezos. A ideia nasceu dos funcionários da empresa, desenvolvendo suas ideias e elaborando, para cada uma delas, um plano de comunicação e avaliação dos diferentes impactos nas áreas do negócio. Alguns autores ainda falam de inovação de serviços, no tocante à introdução de um serviço novo ou significativamente melhorado em suas características ou usos previstos. Esse tipo de inovação tem como objetivo aumentar a receita de vendas e reduzir custos para obter maior eficiência ou maior agilidade, além de agregar novas funções ou novos serviços visando à interação com os clientes. Um exemplo bastante conhecido é o caso da Uber, que ofertou ao mercado mundial uma nova maneira de se locomover, ao intermediar aqueles que querem ganhar dinheiro com isso e os que precisam se locomover. Sob outra perspectiva, ressaltamos os conceitos de inovação incremental, ou seja, decorrentes de melhoria significativa em algo já existente, agregando vantagem sem alterar o padrão de referência; e de novação radical, quando uma nova ideia resulta em produto ou processo totalmente novo, inexistente no mercado, surgindo uma nova referência muito superior (em qualidade, capacidade, rapidez etc.) em relação à anterior. As inovações radicais estabelecem uma ruptura estrutural e criam novos segmentos, novas indústrias e até novos mercados. É importante salientar que classificações são de ordem metodológica, pois há muitos casos em que o que acontece, na prática, é uma mistura de dois ou mais tipos. Dessa forma, mais importante do que definir com exatidão o tipo de inovação é ter clareza de que se trata realmente de inovação. 1 Assista ao vídeo no canal oficial da empresa, no YouTube. Disponível em: . 7 TEMA 3 – INOVAÇÃO SOCIAL As preocupações com as questões sociais têm sido cada vez mais evidentes quanto mais observamos a grande desigualdade socioeconômica mundial. A pandemia está aí para confirmar que estamos num momento que exige conjugação e ampliação de esforços, em favor da sociedade e da natureza. Para responder à altura os desafios da nossa época, um tipo de inovação começa a despontar, denominada de inovação social. Podemos defini-la como criação e desenvolvimento de processos, modelos, métodos, serviços, produtos, programas ou técnicas capazes de transformar significativamente, de maneira positiva, um contexto com problemas sociais e/ou ambientais (Anastacio et al., 2018). O crescente interesse pelo tema não é casual, vindo ao encontro do reconhecimento da sociedade, em geral, da incapacidade do Estado de arcar com as necessidades da população, implantando políticas de investimento público voltadas apenas ao aumento da competitividade, em detrimento do desenvolvimento social. Infelizmente, essa é uma triste realidade. A inovação social pode se dar de muitas maneiras, seja na forma de estruturação de programas ou na angariação de recursos e financiamentos para a sua aplicação (DEES, 2001). Geralmente, sua ocorrência é mais comumente notada no campo comunitário. Brandão (2014 citado por Anastacio et al., 2018) aponta que há um sentimento de reciprocidade, em que os membros da comunidade fazem alguma coisa para alguém (e para a comunidade) e esperam que os outros (e a comunidade) também façam alguma coisa por eles. O autor também explica que as comunidades criativas não são movidas por intenções de caridade mas sim de maneira colaborativa, com grupos de pessoas adaptando-se às novas formas de ser e fazer. Entre eles, pode haver um líder, mas, as principais ações criativas serão sempre coletivas e colaborativas, nunca resultados das iniciativas de uma pessoa somente. Outra observação é que, para os problemas do dia a dia, as comunidades criativas propõem visões positivas sobre novas formas de viver, mesmo enraizadas em organizações sociais tradicionais, renovam-se no contexto contemporâneo. Não há impedimentos para que a inovação social tenha que ser praticada por algum tipo específico de organização, como se usualmente entende, expõe 8 ainda Anastácio et al. (2018). Pelo contrário, podem ser organizações governamentais, empresas tradicionais, movimentos sociais, coletivos, indivíduos, ou ainda por esses atores, de maneira conjunta. Anastácio et al. (2018) destacam mais um elemento a ser observado, acerca da exigência de os critérios de inovação social estarem relacionados à novidade e melhoria. No que tange à novidade, esses critérios não precisam ser necessariamente originais, ou seja, podem ser novos para um dado contexto, aplicação ou usuário. Acerca da melhoria, os autores compreendem que uma dada solução deve ser mais efetiva ou eficiente do que a existente ser justa e sustentável. Phillis et al. (2008) apontarão mais um aspecto relevante acerca de que a inovação social não deverá ter como objetivo gerar valor econômico ou financeiro, mas criar valor social ou reduzir prejuízos para aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social e ambiental e que não têm acesso à educação, à cultura, à saúde e à justiça. Muitos investidores de inovações sociais podem tender a exigir soluções inéditas, com criação de metodologias próprias, que tragam retorno financeiro, influenciem políticas públicas, tenham ampla escala de amplificação, com impacto sistêmico e, ainda, sejam propostas por pessoas jurídicas. Ao contemplarmos com mais profundidade essas exigências, veremos, no entanto, que é preciso tomar cuidado, por um lado, para que as soluções não sejam manobradas para se enquadrarem em critérios externos predefinidos. Corre-se o risco de não se escutar adequadamente as demandas reais. Além disso, em muitos casos, as soluções precisam de etapas preliminares até chegar a uma proposta de transformação generalizada. TEMA 4 – INOVAÇÃO ECONÔMICA A inovação econômica é um conteúdo de natureza complexa, que delimita outros temas dentro da teoria econômica. Vamos nos ater, então, ao setor financeiro, que a partir de 2020, decorrente da necessidade de isolamento social pelo corona vírus, teve que acelerar as suas ofertas de soluções digitais. As últimas décadas já vinham demonstrado que esse setor necessitava se reinventar, principalmente nas questões acerca da sustentabilidade. Como financia projetos de todos os tipos e tamanhos, é um setor fundamental para que o mundo cumpra seus principais objetivos ambientais e sociais. 9 Nesse sentido, esse setor já tem inovado na oferta de produtos e iniciativas, como fundos sustentáveis, títulos verdes e investimentos de impacto relacionados ao meio ambiente. Mas não há dúvida de o seu maior destaque é a inovação tecnológica e o desenvolvimento de produtos financeiros, totalmente acessíveis de maneira digital. É o caso da inteligência artificial, base das tecnologias que os bancos vêm promovendo, gerando uma série de ferramentas que permitem, inclusive, maior cooperação entre as próprias instituições financeiras. Segundo a Federação Nacional dos Bancos (Febraban) descreve, vejamos no Quadro 1 uma síntese das principais tendências dos próximos anos. Quadro – Tendências Analytics e Big DataSistematização e análise de volumes gigantes de dados gerados por clientes, por operações e até por processos internos. Open Banking Sistema que muda a forma com que o usuário e as empresas abordam o uso de dados financeiros. A partir do consentimento do cliente, os bancos e prestadores de serviços deverão compartilhar seus dados e informações, seja pessoa física ou jurídica. Chatbots ou Automação Robótica de Processos (RPA, na sigla em inglês) Os robôs vão participar de conversas com os clientes e também para aumentar a eficiência operacional. Biometria Utilizado como mecanismo de proteção e segurança para transações virtuais: impressão digital, reconhecimento facial e também da voz. Computação forense Ferramentas de segurança para garantir a integridade das transações e analisar o comportamento dos próprios funcionários nos bancos e, com isso, preservar o sigilo das informações. Blockchain Sistema que permite rastrear o envio e recebimento de alguns tipos de informação pela internet. São pedaços de código gerados on-line que carregam informações conectadas — como blocos de dados que formam uma corrente — daí o nome. Cloud A adoção de computação em nuvem — ou cloud computing — pelos bancos. Internet das Coisas O próximo ano também deve impulsionar estudos sobre como a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) pode trazer novas oportunidades de produtos e serviços financeiros. Embora ainda não se saiba quando será implementado o 5G, experimentos já começaram internamente nos bancos. Do ponto de vista de análise de riscos, essa alta tecnologia afetará, sem dúvida, os padrões já existentes e, por sua vez, talvez num futuro muito próximo, os sistemas de análise de riscos socioambientais já em voga desde o final da década de 90. Caso ocorra, isso trará notórias consequências para os anos pós- 10 pandemia. Ao tornar mais precisos os riscos socioambientais das empresas, também estarão contribuindo para promover o crescimento sustentável da economia, o bem-estar social e o cuidado com o meio ambiente. TEMA 5 – INOVAÇÃO AMBIENTAL Como no caso da inovação social e econômica, vista anteriormente, definir a inovação ambiental também se torna um desafio. O tema, além de ser vasto, traz consigo uma multiplicidade de terminologias. Esse tipo de inovação desempenha um papel crítico na atualidade porque canaliza um uso adequado dos recursos naturais para melhorar o bem-estar humano. Além disso, a criação e incorporação de mudanças nos produtos e processos produtivos podem contribuir para o desenvolvimento sustentável (Leal-Millán et al., 2017). Por isso, vamos assumir como inovação ambiental todos os tipos de inovações que contribuem para a criação de produtos, serviços ou processos essenciais para reduzir os danos, o impacto e a deterioração do meio ambiente, ao mesmo tempo que otimizam o uso dos recursos naturais. O conceito de inovação ambiental é sinônimo ou construtos relacionados à inovação verde, ecoinovação, ecoeficiência, termos que têm sido frequentemente usados indistintamente na literatura. O tema tem tido destaque nas discussões internacionais sobre políticas públicas, especialmente após o lançamento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2015. Com a pandemia de Covid-19, o tema ganhou ainda mais importância, uma vez que se inseriu definitivamente nas discussões relativas à recuperação da crise imposta pela doença. A inovação ambiental também está associada à gestão ambiental da empresa. O desenvolvimento de produtos verdes e a inovação de processos não apenas reduzem o impacto ambiental negativo do negócio, mas também aumentam o desempenho financeiro e social da empresa por meio de desperdício e custo redução (Weng et al., 2015). A inovação ambiental não deve ser percebida apenas como uma medida reativa para sustar pressões da comunidade ou de organizações não governamentais, confirmando o entendimento de Barbieri et al. (2010, p. 151) de que uma inovação sustentável “traz benefícios econômicos, sociais e ambientais, comparados com alternativas pertinentes”. 11 Cabe um destaque, ainda, quando falamos em inovação ambiental voltada a uma ferramenta usada na identificação de uma gama de tecnologias novas a partir de sistemas biológicos. Trata-se da biomimética, palavra originária do grego bios (vida) e mimesis (imitação), utilizada para definir a ciência que estuda os modelos da natureza e depois os imita ou inspira-se neles ou em seus processos para resolver os problemas humanos (Benyus, 1997). O Instituto Fermaniano de Negócios e Economia da Point Loma University (Wong, 2015) demonstrou que, até 2030, as inovações que se inspiram em sistemas biológicos naturais poderiam gerar US$ 1,6 trilhão no PIB de todo o mundo. É razoável afirmar, portanto, que a interconectividade eficiente com a natureza pode nos conduzir muito além da projeção de máquinas que diminuam o nosso impacto no planeta. Ou seja, podemos ter prédios, bairros, cidades e ecossistemas complexos com soluções baseadas na natureza. Mas para que tudo isso aconteça, é necessário cultura e estrutura organizacional que apoie a inovação ambiental como uma vantagem competitiva e sustentável. O Brasil é um país com vocação para a sustentabilidade, em razão de suas reservas naturais e biodiversidade, possuindo uma infraestrutura industrial e tecnológica ainda em desenvolvimento, possibilitando a adoção de novas tecnologias, portanto, de grande potencial para inovações ambientais. Há uma demanda de mercado para a ecoinovação, mas isso é algo que depende também da intervenção governamental nos níveis local, estadual e global. Podemos dizer, dessa maneira, que não se trata apenas de melhorar aspectos da ecoeficiência nos processos produtivos, mas repensar coletivamente as estratégias governamentais, empresariais e os padrões de consumo das sociedades contemporâneas. Políticas públicas orientadas para o fomento da ecoinovação deveriam coordenar melhor um sistema governamental que combine inovação e meio ambiente, como nos diz Abramovay (2012), incluindo metas de longo prazo, mudanças tecnológicas e institucionais de forma sistêmica, além de desenvolver um conjunto de medidas políticas coerentes com uma transição para o desenvolvimento sustentável. 12 REFERÊNCIAS ABRAMOVAY, R. Desigualdades e limites deveriam estar no centro da Rio+20. Estudos Avançados, São Paulo, v. 26, n. 74, p. 21-33, 2012. ALBUQUERQUE, A. M. et al. O ciclo de vida organizacional e a formulação de estratégias: caso IBEs. Administrare, Curitiba, v. 3, p. 35-53, 2004. ANASTACIO, M. R. et al. Empreendedorismo social e inovação no contexto brasileiro. Curitiba: PUCPRESS, 2018. BARBIERI, J. C. et al. Inovação e sustentabilidade: novos modelos e proposições. Revista de Administração de Empresas, v. 50, n. 2, 2010. BENYUS, J. M. Biomimética: inovação inspirada pela natureza. Pensamento- Cultrix, 1997. DEES, J. G. The Meaning of "Social Entrepreneurship". [s.l.: s.n.], 2005. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2021. DEZ tecnologias que vão decolar nos bancos em 2019. Febraban.org.br. Disponível em: . Acesso em: 30 mar 2021. KAMMERER, D. The effects of customer benefit and regulation on environmental product innovation.Empirical evidence from appliance manufactures in Germany. Ecological Economics, v. 68, p. 2285-2295, 2009. LEAL-MILLÁN, A.; LEAL-RODRÍGUEZ, A. L.; ALBORT-MORANT, G. Green Innovation. Encyclopedia of Creativity, Invention, Innovation and Entrepreneurship, p. 1-7, 2017. Disponível em:1_200021-1>. Acesso em: 28 mar 2021. PHILLIS, J. et al. Rediscovering social innovation. Stanford Social Innovation Review, 2008. Disponível em: . Acesso em: 28 mar 2021. WENG, H. H.; CHEN, J. S.; CHEN, P. C. Effects of green innovation on environmental and corporate performance: a stakeholder perspective. Sustainability, v. 7, n. 5, 4997-5026, 2015. 13 WONG, K. Biomimicry: using nature’s designs to transform agriculture. The Guardian, Londres, 30 out. 2015. Disponível em: . Acesso em: 2 mar 2021.