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Português – 7º Ano – 1º BI – Gênero textual: Texto teatral – ______/______/______ O texto teatral ou dramático é escrito não só para ser lido, mas também (e principalmente) para ser representado. A fim de orientar a representação é que existem as rubricas. Elas indicam aos atores e ao diretor a expressão corporal, a entonação e a emoção das personagens durante a encenação. A ação dramática é composta pela sucessão dos acontecimentos vividos pelas personagens. Ela mostra o andamento dos fatos desde o início da trama até o seu desenlace (desfecho, conclusão). No texto teatral, não contamos com a presença de um narrador. O texto é construído pelas personagens e elas se expressam por meio de diálogos, monólogos e apartes. · Diálogo é a conversa entre duas ou mais personagens. · Monólogo é a fala de uma personagem sem a presença de um interlocutor (a pessoa com quem se conversa). · Aparte é o comentário que a personagem faz diretamente para o público. Geralmente, o texto teatral é dividido em atos, quadros e cenas. · Ato é cada uma das partes em que se divide uma peça teatral e corresponde a um ciclo de ação completo. Um ato separa-se dos outros por um intervalo e é subdividido em quadros e cenas. · Quadro é uma das divisões da peça teatral, menor que o ato. Geralmente apresenta uma alteração de cenário ou de ambiente. · Cena é a menor divisão de uma peça de teatro. Quando produzidos de maneira linear (ordem cronológica), os textos teatrais são divididos em: · Introdução (ou apresentação): foco na apresentação das personagens, espaço, tempo e do tema. · Complicação: é o desenvolvimento da história. · Clímax: momento de maior tensão do drama. · Desfecho: desenlace da ação dramática. O texto teatral pode utilizar-se de gírias, de regionalismos e de outras marcas linguísticas para caracterizar a idade, a situação socioeconômica ou a origem das personagens. Agora você conhecerá um exemplo desse gênero textual. Inicie lendo a segunda cena da peça “O Dragão Verde”, escrita por Maria Clara Machado. Na primeira cena, os habitantes de um reino divertem-se assistindo a um espetáculo circense quando um monstro invade a praça. O Dragão Verde 2ª Cena Corte. Pajens entram e fazem a mudança de cenário. Arrumam em cena três tronos: um maior, um médio e um menor. O Rei, a Rainha e a Princesa entram e se sentam nos tronos. Segue o Primeiro-Ministro e a Ama. Por último, entra o Bobo da Corte e senta-se próximo do Rei. O Rei está arrasado. Tira a coroa e entrega-a ao Primeiro-Ministro. REI: Não aguento mais isto, Ministro. Me pesa demais. Mande fabricar uma mais leve... MINISTRO: Pois não, Majestade. RAINHA: Aguenta, Dagoberto! Aguenta! BOBO: Aguenta, Dagoberto! Aguenta! REI: Tenho que aguentar, Fininha? RAINHA: Claro, Dagoberto. BOBO: Claro, Dagoberto. REI: Então, vamos aos assuntos do dia, Ministro. MINISTRO (desabafando): Desta vez, Majestade, ele abusou. Comeu seis damas da corte, cinco deputados federais, um vereador municipal, dois tenentes, quatro crianças inteligentíssimas e um bispo aposentado. REI (quase chorando): Não aguento mais... Pobre povo, pobre reino. Se isto continuar, acabaremos um deserto. Estou cansado de lutar... Estou velho... (Começa a chorar.). RAINHA: Pare de chorar, Dagoberto. Isto são maneiras de se comportar? REI: Temos que matar este dragão! MINISTRO: E se convocarmos o nosso exército de novo contra ele? REI: Não adianta e você sabe disto. Da última vez que convoquei a infantaria, a metade de nossos bravos soldados foi tragada numa nuvem de fogo. Um horror! MINISTRO: E a artilharia? REI: As balas pareciam bolas de gude. A casca do Dragão é intransponível! MINISTRO: Aviões? REI: Ele estraçalhou um jumbo com uma rabada só. Nada vence o Dragão! MINISTRO: Temos que encontrar um herói. REI: É isto, Ministro. Um herói! Só um herói é capaz de enfrentar este dragão. Mas onde? Onde encontrar este herói? Estão todos tão ocupados nas suas lutas particulares... íntimas... já se foi o tempo... MINISTRO: E se déssemos um prêmio ao vencedor? O senhor sabe, Rei, um pouco de incentivo não faz mal a ninguém, e o povo adora prêmios. REI: Você quer dizer incentivos fiscais? MINISTRO: Não. REI: Uma televisão a cores, carros, bicicletas... Coisas assim? (Bobo ri e bate palmas.). MINISTRO: Não. Isto já está muito gasto. Batido. Tem que ser um prêmio maior. REI: Uma viagem ao estrangeiro? (Bobo ri e bate palmas.). MINISTRO: Não. REI: Um emprego na câmara dos vereadores? (Bobo ri e bate palmas.) MINISTRO: Não. REI: Claro. Já sei. Um prêmio tão velho como o mundo! Aquele que vencer o Dragão Verde ganhará a mão de minha filha, a Princesa Filosel Aurora! (Filosel se sobressalta e fica em pé.) FILOSEL: Eu? REI: Filha, você seria capaz de se sacrificar pelo povo? FILOSEL: Como, pai? REI: Se casando com o herói que vencer o Dragão Verde. FILOSEL: É preciso, Rei-pai? REI: É. FILOSEL: Então, eu caso. (Suspiro. Filosel se abraça à Ama.) De quem é o texto? A mineira Maria Clara Machado (1921-2001) sempre esteve ligada ao teatro. Escreveu peças para crianças e adultos, foi diretora e atriz. Uma de suas principais contribuições para a arte brasileira foi a fundação, no Rio de Janeiro, em 1951, do Tablado, uma escola de teatro que existe até hoje. Sua peça mais conhecida (e também a de que mais gostava) é “Pluft, o fantasminha”. Vocabulário: Infantaria: grupo militar treinado para combater a pé. Jumbo: avião de grande porte. Incentivos fiscais: benefícios concedidos pelo governo que se caracterizam pela redução ou eliminação de impostos em troca de alguma atividade de interesse público. Sobressaltar: surpreender-se. Desvendando o texto 1) O Rei afirma não aguentar mais determinada coisa. a) A que coisa ele se refere? Por que ela o incomoda? b) O que essa coisa simboliza? c) Quem estimula o Rei a prosseguir? 2) Releia a fala a seguir: “MINISTRO (desabafando): Desta vez, Majestade, ele abusou. Comeu seis damas da corte, cinco deputados federais, um vereador municipal, dois tenentes, quatro crianças inteligentíssimas e um bispo aposentado.” a) Como se revela, nessa fala, que o ataque do Dragão na praça não foi uma novidade? b) De que maneira outros ataques contribuem para a construção do clímax da peça, que mostrará a luta do herói contra esse animal fabuloso? 3) Releia o trecho a seguir: “MINISTRO: E se déssemos um prêmio ao vencedor? O senhor sabe, Rei, um pouco de incentivo não faz mal a ninguém, e o povo adora prêmios. REI: Você quer dizer incentivos fiscais?” a) Em alguns gêneros literários tradicionais, como os contos de fadas, é comum encontrar referências a reinos e a dragões. Que contraste existe entre esses gêneros e a fala do Rei? b) Que outros elementos citados no texto não pertencem ao universo dos reinos e dragões? c) A decisão do Rei sobre o prêmio a ser dado ao herói distancia ou aproxima o texto da peça dos gêneros mais tradicionais? Que comentário feito pelo Rei prova isso? Como funciona o texto teatral? 4) Observe as rubricas, informações que aparecem entre parênteses ao longo do texto. O que elas indicam? 5) Observe as três ocorrências de “(Bobo ri e bate palmas.)” a) Qual é o tema da conversa na parte em que elas aparecem? b) Por que produzem um efeito de humor? 6) As rubricas ajudam a caracterizar a personagem Filosel. a) Quais reações e sentimentos são sugeridos pelo trecho “(Filosel se sobressalta e fica em pé.)”? b) Explique o contraste entre a última fala da Princesa e a rubrica que a acompanha. c) Antes desse momento, a única referência à Filosel tinha sido feita na rubrica inicial. Como você imagina as ações da personagem entre um momento e outro? · Leia o texto abaixo e resolva às questões: UMA HISTÓRIA DE VAMPIRO Peça em um ato de: PAULO SACALDASSY VAMPIRILDO PÕE-SE A CHORAR. ENTRA FRANK, UM PEQUENO FRANKSTEIN USANDO UM ÓCULOS DE GRAU FUNDO DE GARRAFA. FRANK: - Que foi Vamp? Outra crise existencial? VAMPIRILDO: - Não enche! FRANK: - Deixa disso, vai! Vamos brincar!!! VAMPIRILDO:- Eu não quero, me deixa em paz! FRANK: - Vamos, vai! Venha me ajudar com a minha nova experiência. VAMPIRILDO: - Por que eu nasci vampiro? Eu não gosto de sangue!! AO FALAR A PALAVRA “SANGUE”, VAMPIRILDO DESMAIA. FRANK SAI DESESPERADO A PROCURA DE AJUDA. DO OUTRO LADO ENTRA UMA PEQUENA MÚMIA, USANDO UMA PERUCA E COLARES NO PESCOÇO, COMO SE ESTIVESSE DESFILANDO. MUMESKA: - Subiu na passarela! Desfilando! Pisa na barata! Parou! Voltou!... TROPEÇA EM VAMPIRILDO. MUMESKA: - Pô, Vamp! Sai do caminho, atrapalhou meu desfile! Vamp? Ei, Vamp, acorda! VAMPIRILDO: - (ACORDANDO) O que foi? Onde eu estou? MUMESKA: - Você já estava deitado aí no chão quando eu entrei. VAMPIRILDO: - Agora eu estou me lembrando!...Eu estava com o Frank... Cadê o Frank? MUMESKA: - Eu não vi o Frank hoje! Então Vampirildo, o que você achou da minha peruca nova? VAMPIRILDO: - É legal! MUMESKA: - Então Vamp, já está preparado para enfrentar Toraz? VAMPIRILDO: - Eu não aguento mais aquele assistente de mago metido! MUMESKA: - Mas, está chegando a hora em que o mestre Gorzan vai querer testar nossos conhecimentos horripilantes! VAMPIRILDO: - Se preocupe com você. Vê se me deixa em paz! MUMESKA: - Que mal humor, Vamp. Pra cima, menino! Você precisa ver o modelito fashion que estou preparando pra festa desse ano! Vou deixar até o mestre Gorzan de queixo caído! Pra cima, Vampirildo! VAMPIRILDO: - Desculpe, Mumeska, hoje eu não sou uma boa companhia! MUMESKA: - O que te aconteceu? VAMPIRILDO: - Sabe o que é? Eu não quero ser vampiro, eu não gosto da noite... MUMESKA: - Ah, Vamp, dá licença! Ninguém mais aguenta essas suas crises existenciais. Você precisa entender de uma vez por todas, você é um vampiro! 1. O texto teatral acima tem como finalidade principal: a) mostrar todas as ações que acontecerão numa cena. b) revelar como o narrador deve agir numa história contada. c) contar uma história através de uma sequência de ações reais. d) promover uma reflexão a respeito de um assunto narrado. 2. O texto teatral possui características peculiares e se distancia de outros gêneros textuais pela principal função que lhe é atribuída: a) a narração. b) a encenação. c) a linguagem. d) o discurso. 3. Que personagens participam desse diálogo? 4. É possível observar que a maioria do texto teatral é dialogado, desse modo, as marcas da oralidade se fazem presentes. Sobre a linguagem adotada nessa peça, assinale a alternativa CORRETA. a) É formal para que o leitor consiga entender de forma clara os acontecimentos. b) É informal porque recorre a expressões empregadas no cotidiano das pessoas. c) É culta, pois contém expressões direcionadas principalmente para o público leigo. d) É coloquial com a finalidade de deixar o diálogo menos compreensível ao leitor. 5. Por que Vampirildo é encontrado deitado no chão quando Mumeska entrou em cena? 6. No texto, Vampirildo confessa que não gosta de: a) altura. b) monstros. c) sangue. d) banho. 7. A utilização de vários pontos de exclamação nas falas de Vampirildo reforça a ideia de que ele está: a) sonolento. b) exaltado. c) apaixonado. d) feliz. 8. É possível perceber que Vampirildo está: a) tolerante. b) cansado. c) renitente (inconformado). d) conformado. 9. No texto há uma expressão colocada em letras maiúsculas e dentro de parênteses: “(ACORDANDO)”. Isso aconteceu para: a) separar uma opinião dos personagens. b) revelar como o personagem deve agir. c) mostrar o que o leitor precisa entender. d) apresentar um esclarecimento do narrador. 10. Assinale a alternativa que apresenta um trecho com o descontentamento de um dos personagens pelas atitudes de Vampirildo. a) “Então Vampirildo, o que você achou da minha peruca nova?” b) “Mumeska, hoje eu não sou uma boa companhia!” c) “Vamos, vai! Venha me ajudar com a minha nova experiência.” d) “Ninguém mais aguenta essas suas crises existenciais.” image1.png image2.png