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Direito Penal IV 
Profª. Mª. Juliana S. Garcia
Dignidade Sexual – Estupro
Art. 213, CP – Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter
conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de
18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
§ 2o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
Dignidade Sexual – Estupro
A estrutura do tipo é:
 "Constranger" mediante violência ou grave ameaça: aqui, o verbo “constranger”
possui o sentido de coagir, obrigar ou forçar alguém a fazer algo;
 Por violência: emprego da força física para imobilizar a vítima ou até mesmo de
tortura psicológica, violência psicológica;
 Grave ameaça: a grave ameaça é a promessa de um mal iminente e verossímil. Trata-
se da intimidação com o objetivo de fazer com que a vítima faça ou consinta com que
seja feito algo contra a sua vontade.
Dignidade Sexual – Estupro
O crime de estupro pode ser cometido de duas formas:
 Pela conjunção carnal: penetração do pênis na vagina, ainda que incompleta;
 Através de ato libidinoso: será considerado ato libidinoso aquele que tem a finalidade
de satisfazer a lascívia, contra a vontade da vítima e em ofensa à moralidade sexual.
Se o agente procurar satisfazer sua lascívia mediante toque no braço da vítima, este ato
não será considerado libidinoso por não ofender a moral sexual padrão, a menos que
haja juntamente a ele outros elementos que o tornem sexual.
Dignidade Sexual – Estupro
Portanto, independentemente de haver conjunção carnal ou não, haverá crime de estupro se a
vítima for constrangida mediante violência ou grave ameaça a praticar ato sexual.
Assim, não é exigido que haja contato físico entre a vítima e o agressor ou, ainda, entre terceiro, mas
exige-se que a vítima seja envolvida de forma corpórea no ato libidinoso de alguma forma.
ATUAL: Estupro virtual, que embora não seja mencionado expressamente pelo Código Penal, tem
sido aceito pela doutrina e jurisprudência.
Ele ocorre quando o agente, mediante grave ameaça e através de meios digitais, constrange a vítima
a praticar ato sexual virtual. Todavia, há quem entenda que, neste caso, não se configura o crime
de estupro por não haver proximidade física entre a vítima e o agente. Existiria, assim, o crime de
constrangimento ilegal.
Dignidade Sexual – Estupro
O BEIJO FORÇADO PODE SER CONSIDERADO ESTUPRO?
A doutrina se divide quanto à classificação de atos semelhantes ao beijo forçado:
O entendimento majoritário é que o beijo forçado não constitui crime de estupro, mas
contravenção de importunação ofensiva ao pudor, prevista no art. 61, da Lei nº
3.688/41 (Lei de Contravenções Penais).
Contudo, o beijo forçado será configurado estupro se houver violência física empregada
com a intenção de satisfazer a lascívia contra a vontade da vítima (STJ).
Dignidade Sexual – Estupro
Segundo o Superior Tribunal de Justiça (2019), o beijo forçado também pode
configurar estupro. "O beijo lascivo ingressa no rol dos atos libidinosos e, se obtido
mediante violência ou grave ameaça, importa na configuração do crime de estupro",
diz a decisão.
“Evidentemente, não são lascivos os beijos rápidos lançados na face ou mesmo nos
lábios, sendo preciso haver beijos prolongados e invasivos, com resistência da pessoa
beijada, ou então dos beijos eróticos lançados em partes impudicas do corpo da
vítima. Por conseguinte, verificar-se-á estupro mediante violência caso a conduta do
beijo invasivo busque a satisfação da lascívia, desde que haja intuito de subjugar,
humilhar, submeter a vítima à força do agente, consciente de sua superioridade
física” (STJ).
Dignidade Sexual – Estupro
CRIME HEDIONDO - Lei nº 8.072/1990
Art. 1º - São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no, consumados
ou tentados
(...)
V - estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º);
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º);
O delito de estupro, ainda que cometido em sua forma simples e mesmo com violência
presumida, é considerado crime hediondo. Precedentes do STF e desta Corte (STJ, HC
37.340).
Dignidade Sexual – Estupro
Sujeito ativo
Qualquer pessoa, seja homem ou mulher. Trata-se de crime comum.
Este crime admite coautoria e participação.
O coautor é aquele que emprega violência ou grave ameaça contra a vítima, sem
realizar com ela a conjunção carnal ou o ato libidinoso. Será coautor, também, aquele
que realizar, juntamente com outra pessoa, atos sexuais com a vítima.
Já o partícipe será aquele que estimular a prática do estupro, ainda que sem realizar
qualquer ato executório nesse sentido.
Dignidade Sexual – Estupro
Sujeito passivo
O sujeito passivo é qualquer pessoa maior de 14 anos, apta a discernir.
Possibilidade de estupro nas relações matrimoniais.
Inclusive, art. 226, CP: A pena é aumentada:
I - de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas;
II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer
outro título tiver autoridade sobre ela;
Dignidade Sexual – Estupro
Consumação
A consumação do crime de estupro se dá com a conjunção carnal ou a prática do ato
libidinoso diverso, como o sexo oral, anal, o toque em regiões íntimas do corpo sem
consentimento.
Tentativa
Admite-se a tentativa quando o agente emprega violência ou grave ameaça com a finalidade
de realizar ato sexual com a vítima, mas não o consuma por circunstâncias alheias à sua
vontade.
Caso não sejam exauridos todos os atos descritos no tipo, o crime não se terá dado por
inteiro e se considerará tentado.
Dignidade Sexual – Estupro
Elemento subjetivo
O elemento subjetivo é o dolo, consubstanciado na intenção de tolher a liberdade
sexual da vítima mediante violência ou grave ameaça.
Caso Mariana Ferrer: réu absolvido do crime de estupro de vulnerável que teria sido
praticado contra a vítima Mariana, em 16.12.2018, no Beach Club Café de La
Musique.
O promotor teria argumentado que o réu não teria como saber que a vítima estava em
situação de vulnerabilidade, circunstância que passou a ser tratada como estupro
culposo, acarretando a absolvição do réu, contrariando, inclusive, a tese inicial
apresentada pelo Ministério Público.
Dignidade Sexual – Estupro
Processo e julgamento do crime
Antes da Lei 12.015/2009 a ação penal prevista para os crimes sexuais era privada.
Mas, com a lei 12.015/2009, para os crimes previstos no Capítulo I, do Título VI, do Código Penal, a
ação penal passou a ser pública condicionada à representação da vítima. E para o caso de vítima
menor de 18 anos ou vulnerável, a ação penal passou a ser pública incondicionada.
Entretanto, isso mudou mais uma vez com a Lei 13.718/2018, que determinou que nos Capítulos I e
II, do Título VI do CP, a ação penal é pública incondicionada, ou seja, não depende-se mais da
representação da vítima (art. 225, CP).
INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: Precisamos falar de consentimento: uma conversa descomplicada sobre
violência sexual além do sim e do não.
Violação sexual mediante fraude
Crime popularmente conhecido como “estelionato sexual”;
Art. 215, CP – Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém,
mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de
vontade da vítima:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica,
aplica-se também multa.
Violação sexual mediante fraude
A fraude no ato sexual pode ser conceituada como qualquer manobra empregada com
a finalidade de que a vítima tenha uma percepção equivocada da realidade e
concorde com ato sexual.
Assim, mediante fraude, a vítimatem sua livre manifestação de vontade impedida ou
dificultada; ela é ludibriada.
Ex: o médico que mente para a paciente fazendo-a a acreditar na necessidade de
exame ginecológico quando, na realidade, pretende praticar ato libidinoso; ou o
gêmeo que se faz passar pelo irmão a fim de praticar atos sexuais com a esposa
deste.
Violação sexual mediante fraude
Incorre no mesmo crime quem emprega fraude para praticar conjunção carnal ou qualquer ato
libidinoso.
Sujeito ativo e Sujeito passivo
O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, tanto homem quanto mulher; é um crime comum.
O sujeito passivo pode ser qualquer pessoa maior de 14 anos e apta a discernir.
Consumação e Tentativa
A consumação dá-se no momento da prática da conjunção carnal ou de qualquer que seja o ato
libidinoso.
A tentativa é admitida, em face do caráter plurissubsistente do delito, admitindo o fracionamento do iter
criminis. Nesse caso, o agente emprega esperteza ou malícia a fim de ludibriar a vítima, mas não
consegue realizar os atos libidinosos por circunstâncias alheias à sua vontade.
Importunação sexual 
Art. 215-A – Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo
de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave.
Este tipo penal foi acrescentado ao código pela lei nº 13.718 de 2018, apresentando
uma conduta ofensiva à dignidade sexual de teor menos grave que o estupro, mas
com semelhança nos seguintes aspectos:
O objetivo do autor é satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro (lascívia: luxúria,
libidinagem);
Importunação sexual 
Não existe a anuência ou concordância da vítima para a realização do ato libidinoso.
Não existe a conjunção carnal na conduta descrita, mas sim a prática de ato libidinoso
(de teor sexual) que não seja análogo àquela, contra a vontade da pessoa e para
satisfazer vontade própria ou de terceiro.
Ex: palpar, lamber, tocar, desnudar, masturbar-se ou ejacular em público, dentre outros.
A tipificação penal deste tipo de conduta se deu em resposta ao aumento significativo
de relatos e denúncias de casos envolvendo atitudes libidinosas que violaram de
certa forma a dignidade das vítimas e geraram grande revolta pública, mas que não
puderam ser enquadradas como estupro.
Assédio Sexual
Art. 216-A, CP – Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou
favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior
hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função."
Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
Parágrafo único. (VETADO)
§ 2º A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.
O verbo "constranger", nesse crime, possui o sentido de importunar com propostas ou
condutas de cunho sexual.
Assédio Sexual
Sujeito ativo
Aquele que ocupa posição superior na relação de trabalho com a vítima, seja homem
ou mulher. Trata-se, portanto, de crime próprio.
É exigido, pelo tipo penal, que exista superioridade hierárquica ou ascendência entre o
agente e a vítima.
Contudo, admite-se o assédio sexual entre indivíduos que estejam no mesmo nível
hierárquico desde que, por razões de influência, antiguidade ou experiência, um
desempenha ascendência sobre o outro (jurisprudência atual).
Assédio Sexual
Consumação
Quando ocorre o assédio, independentemente da concessão do favorecimento
sexual e independentemente de ter havido, de fato, qualquer ato libidinoso.
Tentativa
Admite-se tentativa na forma escrita, isto é, no caso do extravio da carta que
continha a proposta indecorosa. Recebendo a vítima a mensagem, resta o
crime já configurado.
Assédio Sexual
IMPORTANTE:
De acordo com o Código Penal, o crime de assédio sexual só existe nas relações de
trabalho. Entretanto, o STJ, no julgamento do REsp 1.759.135-SP (2019) concluiu pela
possibilidade de configuração do delito de assédio sexual, na relação professor-aluno.
Sujeito passivo
Qualquer pessoa que, explícita ou implicitamente, esteja subordinada à pessoa do
sujeito ativo.
Fonte: Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil 4ª Edição (2023)
Fonte: Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil 4ª Edição (2023)
Registro não autorizado da intimidade sexual
Art. 216-B, CP – Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo
com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem
autorização dos participantes (Incluído pela Lei nº 13.772, de 2018):
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo,
áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou
ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.
Registro não autorizado da intimidade sexual
O tipo penal nesse crime é misto alternativo, porque possui diferentes ações nucleares
que podem configurar a conduta (produzir, fotografar, filmar, registrar).
Na prática de mais de uma ação descrita, configura-se um único crime, mas qualquer
das atitudes isoladamente já pode configurá-lo. Além disso, o crime é comum e
material, porque pode ser cometido por qualquer pessoa e implica em um resultado
naturalístico. Admite-se a tentativa.
IMPORTANTE:
A divulgação do referido conteúdo configura o crime previsto no artigo 218-C do Código
Penal.

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