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6. Habilidades sociais assertivas Zilda Del Prette, Talita Pereira Dias e Almir Del Prette termo assertividade vem se popularizando nos últimos anos em nossa cultura. Já podemos observar seu uso nos editais de seleção para emprego, no diálogo entre profissionais de saúde e até mesmo em nossos contatos informais. Os prin- cipais estudos sobre assertividade datam do século passado, por volta dos anos 1970, nos Estados Unidos, mas depois se disseminaram, não somente no âmbito acadêmico, mas também pelo público em geral. conceito de assertividade Mas o que é assertividade? De for- ma geral, pode-se definir assertividade como o desempenho socialmente com- petente diante de situações que requerem enfrentamento, ou seja, algum risco de reação indesejável do outro. Vamos pen- sar em alguns exemplos: Alguém o incomoda e você entende que precisa interromper o que essa pessoa está fazendo. Você percebe que o colega, a quem você emprestou dinheiro, o está evitando, e decide cobrá-lo. 1 Ver Del Prette e Del Prette (1999).Habilidades sociais e competência social para uma vida melhor Um colega novamente lhe pede para você fazer um relatório, que é tarefa dele; você sabe que, se não recusar, isso poderá se tornar recorrente e comprometer relacionamento com ele. Em um grupo, a maioria está criticando injustamente al- guém ausente e você gostaria de defender colega. Sabe que todas essas situações têm em comum? Elas demandam enfrentamento e, portanto, requerem o desempenho de habilidades sociais assertivas! E são coerentes com conceito a seguir: Habilidades sociais assertivas são comportamentos sociais de enfrentamen- to de situações que envolvem risco de reação indesejável do interlocutor e implicam expressão apropriada de sentimentos, desejos e com con- trole, de um lado, da ansiedade e agressividade e, de outro, da Como você já deve ter percebido, as habilidades assertivas são requeridas principalmente em situações de defesa e am- pliação de direitos, quando estes direitos já foram violados ou para afirmar respeito e a dignidade humana. Por isso, a noção de direitos e deveres interpessoais está no cerne da assertividade. Automonitoria e autocontrole na assertividade Lidar com demandas assertivas também requer automonitoria (lembra conceito?). Precisamos escolher as habilidades sociais mais efetivas e desempenhá-las sem desrespeitar os direitos e a dignidade de nossos interlocutores. Em outras palavras, precisamos monitorar nosso desempenho enquanto ocorre, direcionando nossos comportamentos de modo a atender aos critérios de competência social. Essa automonitoria deve incluir, também, um bom autocontrole, que inclui regulação emocional, inibição da impulsividade para reagir e capacidade de postergar recompensas. Você já deve ter percebido que, quando estamos excessivamente desconfortáveis 2 Id. (2005, p. 175). 70Habilidades sociais assertivas com uma situação, podemos apresentar reações fisiológicas (gaguei- ra, tremor, sudorese etc.) que interferem negativamente sobre nossa capacidade para lidar com ela, de forma a obter os resultados de com- petência social. As emoções, tanto as que são consideradas "positivas" (alegria, sa- tisfação, afeição etc.) como as que são consideradas "negativas" (raiva, medo, desprezo, tristeza), fazem parte de nossa vida. Elas nos ativam, nos deixam alerta, nos indicam prioridades e podem nos ajudar a to- mar decisões se utilizadas para buscar o que precisamos. Identificar, aceitar, regular e expressar de forma apropriada nossas emoções e senti- mentos constituem importantes fatores de saúde psicológica e de con- vivência autêntica. É a isso que denominamos regulação emocional. A regulação emocional nas relações interpessoais não significa ne- gar, sentir culpa, esconder ou tolerar emoções ditas "negativas", mas desenvolver estratégias para lidar com elas. Implica identificar quando estamos tomados por uma emoção, lidar com os estímulos que a pro- duzem e expressá-las de forma saudável e efetiva. A falha na regulação e no autocontrole das emoções "negativas" amplia os problemas que as geraram e tem desdobramentos desfavoráveis, nem sempre reversíveis nas nossas relações. Ainda que essa vulnerabilidade possa envolver fa- tores biológicos (por exemplo, maior responsividade a determinados estímulos), tanto a "desregulação" como a regulação emocional são pro- cessos que podem ser aprendidos na interação com o ambiente social. Certamente você já enfrentou situações que exigiram "autocontrole emocional". O que você faz para abrandar as tensões do dia a dia e me- lhorar seu equilíbrio emocional? Música, ioga, exercícios físicos, espor- te? Você se considera uma pessoa com bom controle de emoções como raiva, decepção, tristeza etc.? Que dicas daria para outras pessoas, em ter- mos de autocontrole, para reduzirem o desgaste emocional do dia a dia? pensar assertivo Já abordamos a associação da assertividade com direitos e deveres, mas precisamos entender um pouco mais como o agir assertivo depende do pensar assertivo. O que significa isso? 71Habilidades sociais e competência social para uma vida melhor Acertou se pensou que temos de co- nhecer os deveres e os direitos de Direitos cada um no contexto social. Humano Acertou também se conside- rou legítimo reivindicar e bus- car os próprios direitos, espe- cialmente quando são violados. Acertou novamente se pensou direitos e deveres como faces de uma mesma moeda: o direi- to de alguém pode significar nosso dever. Os direitos interpessoais constituem uma interpretação, para contexto das relações interpessoais, dos direitos humanos adotados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Brasil é um dos países signatários. Os artigos 6°, 18 e 19 tratam das questões de dignidade, igualdade, li- berdade de pensamento, de expressão de crença e en- tre outros. Aplicados ao contexto da vida social, Lange e Jakubowski3 destacam os direitos interpessoais (e deveres a eles correspondentes), que foram adaptados pelos autores na forma que se segue: Direitos interpessoais Ser tratado com respeito e dignidade. Recusar pedidos (abusivos ou não) quando achar Mudar de Pedir informações. Cometer erros por ignorância e tentar reparar as faltas Ver suas necessidades consideradas tão importantes quanto as dos demais. Expressar suas ser ouvido e levado a sério. Estar só quando deseja. Fazer qualquer coisa desde que não viole os direitos de alguma outra pessoa. Defender aquele que teve o próprio direito violado. Respeitar e defender a vida e a 3 Lange e Jakubowski (1976). 72Habilidades sociais assertivas Muitas das pequenas violações aos direitos interpessoais precisam e podem ser resolvidas ou encaminhadas por meio da competência social assertiva, ou seja, do exercício de cidadania no plano das relações interpessoais. Professores em sala de aula infelizmente hoje têm con- tato com muitos problemas relacionais que ocorrem pelo desrespeito aos direitos interpessoais de pessoas consideradas diferentes, por etnia, orientação sexual, credo religioso, sotaque, condição orgânica (obesi- dade, Síndrome de Down etc.), familiar etc. Em tempos de inclusão escolar, respeito aos diferentes se torna ainda mais crucial. O exercício da cidadania depende da identificação de quais são es- ses direitos, da discriminação das situações em que eles são violados, da expressão de sentimentos de justiça e de colocar em prática as habilida- des que visam à restituição do equilíbrio nas relações entre pessoas ou grupos. E a competência social assertiva, nesses casos, requer habilidades específicas de expressar ou desagrado, fazer pedidos, protestar, solicitar mudança de comportamento do outro, lidar com críticas, falar com autoridades, entre outros. Como os direitos correspondem a de- veres, é importante lembrar que o direito de expressar implica no dever de respeitar as dos demais. Em resumo, pode-se dizer que, para um desempenho socialmente competente nas situações que demandam assertividade, é indispensável: Uma compreensão clara das no- ções de direitos e de cidadania, juntamente com os valores de SOCIAL convivência a que estão relacio- DIREITOS nados. POVO Um repertório de habilidades CIDADANIA MELHOR assertivas, incluindo a automo- nitoria, já referida em capítulos anteriores. Uma discriminação acurada da ocasião (momento, interlocu- tores, situação) em que sua ex- pressão pode levar aos resultados pretendidos, com menores riscos de consequências indesejáveis para você. 73Habilidades sociais e competência social para uma vida melhor Considerando o que foi apresentado até momento, como você poderia relacionar o conceito de assertividade com de cidadania? Reflita um pouco e escreva sobre isso. Padrão assertivo, passivo e agressivo A assertividade se con- Minhas necessidades trapõe a duas reações social- Necessidades do outro mente não competentes: a agressividade e a passivida- Agressivo Assertivo Passivo de. Na passividade, estamos abrindo mão de nossos di- reitos; na agressividade, estamos desrespeitando os direitos das demais pessoas. Ambas tendem a manter ou piorar a situação interpessoal que estamos vivendo. É importante, ainda, lembrar que os padrões (passivo, assertivo e agressivo) não são fixos, mas ocorrem em um contínuo, conforme a ilustração a seguir, proposta por Del Prette e Del Prette:4 Passivo Assertivo Agressivo O espaço pontilhado representa comportamentos que estão a "meio caminho" e que podem ser difíceis de classificar. Por exemplo, há pessoas que alternam entre comportamentos passivos e assertivos e também entre assertivo e o agressivo. Sem desconsiderar caráter situacional das habilidades sociais, se uma pessoa apresenta, com mais frequência, respostas agressivas, prova- velmente será caracterizada como agressiva. O mesmo vale para o assertivo e padrão passivo. O Quadro 6.1 a seguir apresenta algumas das diferenças entre esses 4 Del Prette e Del Prette (2003). 74Habilidades sociais assertivas Quadro 6.1 Diferenças entre assertivo, passivo e Passivo Assertivo Agressivo Emocionalmente inibido Emocionalmente honesto Emocionalmente honesto na expressão de sentimen- na expressão de sentimentos na expressão de sentimentos tos negativos: raramente negativos: expressa de forma negativos: expressa de forma expressa. apropriada. inapropriada. Não defende os próprios Defende os próprios direi- Defende os próprios direitos direitos, ainda que respeite tos, respeitando os direitos geralmente desrespeitando os direitos alheios. alheios. os direitos alheios. Desvaloriza-se e gera, em Valoriza-se e gera, em re- Valoriza-se, ofendendo relação a si, sentimentos de lação a si, sentimentos de outro e gerando sentimentos pena, irritação ou desprezo. respeito. de raiva e vingança. Sente-se mal consigo mes- Sente-se satisfeito consigo Pode sentir-se bem ou mal mo. mesmo. consigo mesmo. Evita contato visual, com Mantém contato visual com Mantém contato visual inti- perturbações na fala e tom interlocutor, fala em tom midador, em tom acima do "de queixa", gestos vacilan- audível, com gestos firmes e necessário, gestos ameaçado- tes ou "nervosos" e postura postura apropriada. res e postura autoritária. submissa. Talvez você possa ter identificado pessoas (ou mesmo se identifica- do) com um mais característico de um desses três aqui referidos. No entanto, é importante lembrar que esses Caracterizam comportamentos, não pessoas. Não são atributos pessoais. São aprendidos, portanto podem ser reformulados. Relacionam-se com situações específicas. Quais são as habilidades assertivas Já fizemos várias referências a diferentes habilidades assertivas. Portanto, você já deve estar familiarizado(a) com algumas delas. Agora vamos apresentar as principais classes de habilidades assertivas. 5 Id. (1999). 75Habilidades sociais e competência social para uma vida melhor Estabelecer relacionamento Interagir com afetivo e/ou sexual autoridade Encerrar Desculpar-se, relacionamento admitir falhas Expressar Fazer, aceitar e e pedir mudança recusar pedidos de comportamento Manifestar HS Lidar com concordar, discordar críticas ASSERTIVAS Figura 6.1 Subclasses de habilidades sociais Você já deve ter deduzido que cada uma dessas classes de habilida- des pode, ainda, ser desmembrada em subclasses. Apenas para exempli- ficar, a habilidade de lidar com críticas inclui pelo menos três itens: fazer críticas, aceitar críticas e rejeitar críticas. Se quiser conhecer mais deta- lhadamente as subclasses de habilidades assertivas, recomendamos a lei- tura do primeiro livro referido ao final deste capítulo (páginas 73 a 86). Na Figura 6.1 aparecem as classes de habilidades sociais assertivas que são difíceis para a maior parte das pessoas. E para você? 1. Qual ou quais dessas classes são mais difíceis para você no seu dia a dia? 2. Cite pelo menos uma que você exercitou 3. Nessa citada, você avalia que foi socialmente competente? Em que se baseia essa sua avaliação? 6 Id. (2001). 76Habilidades sociais assertivas Assertividade e empatia Em geral, utilizamos as habilidades assertivas para atender às nossas próprias Empatia necessidades. Porém, isso não nos dispen- sa considerar as necessidades do outro. Quando alguém associa assertividade e Assertivi- dade empatia, é mais provável que seja bem- -sucedido. Um bom exemplo é, ao recusar Competência Social um pedido, expressar reconhecimento da necessidade do outro (quando pedido não é abusivo ou quando você não pode ou não acha conveniente atender). Vamos fazer dois exercícios de recusa a seguir. Procure se aproveitar do que aprendeu até agora e considere essas três dicas para recusar pedidos de forma socialmente competente: Quando se trata de pedidos abusivos, a empatia pode mascarar a inadequação do pedido. Se a pessoa não consegue perceber que está "abusando", uma recusa assertiva pode ser bastante educativa. Não confunda assertividade com agressividade e lembre-se que os componentes NVP podem fazer toda a diferença! As consequências imediatas da assertividade nem sempre são po- sitivas. Mas, se você é consistente em sua assertividade e articula a resposta assertiva a outras classes complementares (especialmente gentileza e empatia), pode obter respeito e consideração em médio e longo prazo. Recusa 1 Imagine que você vem se envolvendo em diferentes setores da empresa, trabalhando bastante, contudo ainda tem algumas orientações a fazer para seus funcionários. Então, um colega solicita que você o substitua no setor dele. Você se vê em um dilema entre as duas tarefas a serem feitas simultaneamente. Deixar seus funcionários sem orientação pode acarretar problemas, mas se recusar a "quebrar o galho" de seu colega pode parecer egoísmo e ingratidão de sua parte, pois ele tem lhe ajudado 77Habilidades sociais e competência social para uma vida melhor bastante. Nessa situação, supondo que irá mesmo recusar, é saber que o efeito negativo de sua assertividade pode ser, pelo menos parte, amenizado, com você se dispondo, empaticamente, a alguém para ajudá-lo a resolver a situação. Recusa 2 Vamos fazer um breve exercício aqui. Analise a seguinte situação. colega, Marcos, com frequência tenta se livrar de tarefas no grupo de trabalho e lhe pede, mais uma vez, para você fazer a parte dele. O que você diria nessa situação? Quais as consequências prováveis de uma recu- sa assertiva? Acha que essa é uma situação que requer empatia associada à assertividade? Por quê? Como faria isso? A consolidação da aprendizagem de habilidades sociais requer tanto a análise de situações como a prática constante. Os filmes e seriados que mostram situações de relacionamento excelentes recursos para No caso de habilidades assertivas, sugerimos que veja e analise pelo me- nos um destes filmes: (1) O homem ao lado; (2) nunca (3) Tomates verdes fritos; (4) O sorriso de Monalisa. Caso já tenha assistido a todos eles, escolha um para agora rever com outro Você pode, também, recomendar a seus colegas de trabalho e discutir algum trecho em reunião de Agora, vamos exercitar a habilidade assertiva de Fique atento a situações de conversação, especialmente com pessoas amigas e, quando uma estiver dizendo algo com o que não concorda, pratique sua habi- lidade assertiva de discordar. Procure incluir, se possível, a empatia na sua Depois, complete sua tarefa anotando em seu caderno: 1. Qual a situação e tema do qual discordou? 2. Como foi seu desempenho em termos do conteúdo do que disse e como disse? 3. Quais foram as consequências do seu desempenho, considerando a reação do outro? 4. Você considera que foi assertivo(a)? Por quê? Para responder, utilize os critérios de competência social. 5. Como você se sentiu? O que aprendeu com esta interação? 78Habilidades sociais assertivas Quando a assertividade pode não ser a melhor opção Se uma pessoa já consegue ser bastante assertiva na maioria das situações, será que ela deve reagir assertivamente em todas as situações com demandas para isso? A melhor resposta é NÃO, ou pelo menos não necessariamente. Veja por quê! As situações não são sempre do tipo "tudo ou nada", ou seja, podem ocorrer demandas contraditórias em um mesmo epi- sódio de interação (por exemplo, para empatia e para asserti- vidade ou mesmo para se esquivar e "deixar quieto"). É importante lembrar que a base da competência social é a flexibilidade para escolher a melhor resposta, praticando automonitoria e superando o automatismo, principalmente quando a situação é ambígua ou confusa. Além disso, há situações em que a assertividade poderia ou deve- ria não ser exercitada, mesmo que você tenha o repertório para isso. Elas envolvem uma boa análise do contexto e da situação em termos de consequências desfavoráveis ao emissor, ao receptor ou às duas pessoas em interação. Há grande probabilidade de reações punitivas para o emissor, por exemplo, pedir aumento de salário em um momento de crise, em que várias pessoas estão sendo dispensadas. É incompatível com os valores e a cultura do outro, por exem- plo, explicitar uma ideia avançada para alguém mais velho, com crenças ultrapassadas e muito arraigadas. Pense em uma senhora idosa que somente admite o sexo após o casamento e se sente agredida quando ouve alguém falar abertamente sobre isso. Mesmo discordando dela e tendo habilidades as- sertivas para isso, você pode optar por não exercer sua asserti- vidade, evitando ou mudando o assunto (de qualquer forma evite concordar se isso não corresponde ao que você pensa!). A assertividade pode causar excessivo desconforto ou prejuí- para o interlocutor, por exemplo, reclamar veementemen- te ao gerente do serviço prestado por um trabalhador que 79Habilidades sociais e competência social para uma vida melhor ainda está em treinamento, que pode gerar a perda, para ele, dessa oportunidade de emprego. Cultura assertiva Há um aspecto que ainda não foi suficientemente explicitado neste texto. Como não vivemos em uma "cultura assertiva", de- sempenho assertivo pode ter con- sequências imediatas negativas e ser mal recebido pelas pessoas. Isto é ainda mais provável quando a pessoa tem um bom repertório de habilidades assertivas, mas tem dificuldade em outras habilidades, como as de ouvir o outro, elogiar, agradecer, demonstrar afeto, apresentar bom humor. Um exemplo é o da pessoa, em uma equipe de trabalho, que só discorda, critica e sistematicamente nega os pedidos que lhe são feitos (mesmo que assertivamente). Ela pode correr fortemente o risco de ser "deixada de lado" e ser considerada a pessoa chata do grupo. Outro exem- plo é o da pessoa que, ao discordar abertamente de um grupo que está cri- ticando um colega ausente, pode ser vista como "pedante". Todavia, ela não precisa se alinhar aos demais na crítica ao colega ausente, mas pode propor mudança do assunto ou introduzir sutilmente outro tema na con- versa. Pode, ainda, buscar apoio de alguém que também não participou das críticas ao colega ausente e, com isso, mudar o rumo da conversa. Você poderia pensar em mais outras situações. Porém, o ponto a ser enfatizado aqui é que, em muitas situações, reagir de forma não assertiva envolve escolha, e, portanto, a análise da situação e a automo- nitoria podem nortear a decisão e desempenho assertivo. Se você quer aprimorar suas habilidades sociais, precisa praticá- -las, em particular, suas habilidades sociais assertivas. Também é im- portante refletir sobre contexto social. Por isso, vamos a uma tarefa final, reflexiva e interativa. 80Habilidades sociais assertivas Considerando que foi apresentado neste capítulo e sua prática nas ta- refas, que relação você poderia fazer entre os conceitos de assertividade e cidadania? Escreva um parágrafo sobre isso e discuta com uma pessoa amiga que considere interessada no seu desenvolvimento pessoal (ami- go/a, cônjuge, Referências DEL PRETTE, A.; DEL PRETTE, Z. A. P. Psicologia das relações interpessoais e ha- bilidades sociais: vivências para trabalho em grupo. Petrópolis: Vozes, 2001. Treinamento assertivo: ontem e hoje. In: COSTA, C. E.; LUZIA, J. C.; H. H. N. (Org.). Primeiros passos em análise do comportamento e cognição. Santo ESETec, 2003. p. 149-160. DEL PRETTE, Z. A. P.; DEL PRETTE, A. Psicologia das habilidades tera- pia, educação e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999. . Psicologia das habilidades sociais na infância: teoria e prática. Petró- polis: Vozes, 2005. LANGE, J. L.; JAKUBOWSKI, P. Responsible assertive behavior. Champaign: Re- search Press Co., 1976. 81

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