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FARMACOLOGIA E TERAPÊUTICA VETERINÁRIA DO SISTEMA 
NERVOSO CENTRAL 
 
 
 
 
 
 
 
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Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 
INTRODUÇÃO ................................................................................................. 4 
NEURÔNIOS ................................................................................................... 5 
CÉLULAS GLIAIS ............................................................................................ 7 
NEUROTRANSMISSÃO E NEUROTRANSMISSORES ............................... 10 
Aminoácidos............................................................................................... 12 
Aminoácidos inibitórios ........................................................................... 12 
Aminoácidos excitatórios ........................................................................... 14 
Glutamato ............................................................................................... 14 
Aspartato ................................................................................................ 16 
Aminas.................................................................................................... 16 
Peptídios opioides e outros peptídios ..................................................... 22 
CLASSIFICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS QUE ATUAM NO SISTEMA 
NERVOSO CENTRAL .............................................................................................. 23 
Depressores gerais (não seletivos) ............................................................ 25 
Estimulantes gerais (não seletivos) ............................................................ 25 
CARACTERÍSTICAS DOS EFEITOS DE MEDICAMENTO NO SISTEMA 
NERVOSO CENTRAL .............................................................................................. 27 
Analgésicos ............................................................................................ 28 
Analgésicos opióides .............................................................................. 28 
Antibióticos ............................................................................................. 31 
NEOPLASIAS INTRACRANIANAS ............................................................ 35 
REFÊRENCIAS ............................................................................................. 41 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de 
um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz 
de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua 
formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, 
técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e 
propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras 
normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de 
forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma 
base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma 
das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
Didaticamente o sistema nervoso é divido em central (SNC) e periférico. Este 
último é subdividido em sistema nervoso somático, responsável pela relação entre o 
organismo e o meio ambiente, e sistema nervoso autônomo (simpático e 
parassimpático), que apresenta uma ação integradora na homeostase. 
O SNC é constituído pelo encéfalo (envolto pela caixa craniana) e pela medula 
espinal. O encéfalo, por sua vez, pode ser subdividido em três grandes áreas: cérebro 
(constituído pelo telencéfalo e diencéfalo), tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e 
bulbo) e cerebelo. Esse sistema é considerado o mais complexo sob o ponto de vista 
funcional; é responsável pela relação com o ambiente externo por intermédio do 
sistema nervoso somático e pelo controle do ambiente interno do organismo, 
exercendo essa atividade por meio do sistema nervoso autônomo simpático e 
parassimpático (Figura 9.2). O sistema nervoso somático é formado por neurônios 
sensoriais e motores, os quais estão sujeitos ao controle consciente para gerar ações 
motoras voluntárias, resultantes da contração de músculos esqueléticos. O SNC 
detecta estímulos externos e internos,tanto físicos quanto químicos, e desencadeia 
as respostas musculares e glandulares. Assim, é responsável pela integração do 
organismo com o meio ambiente interno e externo, exercendo caráter de organização 
e controle das funções do organismo. 
As substâncias químicas com ação no SNC são conhecidas desde os tempos 
primitivos, tanto por seus efeitos benéficos quanto pelos maléficos, e representam um 
grupo de agentes farmacológicos de muita utilidade em Medicina Veterinária. Estes 
agentes são recursos valiosos sem os quais, por exemplo, os procedimentos 
 
 
 
 
 
 
 
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cirúrgicos e a abordagem clínica segura em animais selvagens não poderiam ser 
realizados. São empregados tanto na contenção química de animais selvagens como 
de domésticos, para o tratamento de convulsões, de processos dolorosos, na redução 
da febre e da êmese e em transtornos do comportamento animal e do movimento. 
Na atualidade muito se conhece sobre os mecanismos pelos quais estas 
substâncias químicas agem no SNC, dado o avanço da Ciência nas áreas de 
Farmacologia, Fisiologia, Bioquímica e outras, com contribuição de novas técnicas 
como aquelas da biologia molecular. No entanto, ainda há muitos aspectos a serem 
conhecidos sobre os mecanismos fundamentais que regulam a atividade do SNC e 
seus mecanismos nas diversas espécies animais. 
O SNC é constituído por neurônios, células da glia (ou neuróglia) e vasos 
sanguíneos. As substâncias químicas com ação no SNC agem fundamentalmente em 
neurônios, considerados a unidade anatomofuncional do SNC, modificando seu 
estado fisiológico e a comunicação entre eles. Participam desta comunicação outras 
células, como as células gliais, e diversas substâncias químicas produzidas no próprio 
SNC, bem como de origem periférica que atingem este local. 
 
NEURÔNIOS 
 
Os neurônios se interconectam de modo específico e preciso, formando os 
chamados circuitos neurais. Através desses circuitos, o organismo é capaz de 
produzir respostas estereotipadas que constituem os comportamentos fixos e 
invariáveis, como, por exemplo, os reflexos, ou então, produzir comportamentos 
variáveis em maior ou menor grau. Existem diversos tipos de neurônios, com 
diferentes funções, dependendo da sua localização e estrutura morfológica, mas em 
geral são constituídos pelos mesmos componentes básicos. 
 
 
 
 
 
 
 
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CÉLULAS GLIAIS 
 
As células gliais (ou neuróglia, glia, gliócitos) são menores e em maior número 
que os neurônios. Elas apresentam diferentes formas e funções; são responsáveis 
pela sustentação, proteção e nutrição dos neurônios, e atuam isolando os neurônios 
uns dos outros, evitando interferências na condução do impulso nervoso. As células 
gliais ainda regulama composição química dos líquidos intercelulares, removem 
excretas e fagocitam restos celulares do sistema nervoso. Há dois tipos distintos 
morfológica e funcionalmente de células gliais, de acordo com sua origem 
embriológica: a micróglia, de origem mesodérmica, e a macróglia, de origem 
ectodérmica. 
A micróglia consiste em macrófagos especializados que agem como a primeira 
e a principal forma de defesa imune ativa no SNC. Quando ocorre uma infecção ou 
 
 
 
 
 
 
 
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lesão no SNC ou em caso de doenças neurodegenerativas, a micróglia sofre algumas 
alterações, tornandose capaz de proliferar e realizar fagocitose. 
São células pequenas da glia, que apresentam corpo celular alongado e 
prolongamentos com espículas e correspondem a 10 a 15% de todas as células do 
tecido nervoso. A micróglia é bastante sensível a pequenas mudanças patológicas no 
SNC e esta sensibilidade é conseguida, em parte, pela presença de canais de 
potássio que respondem a pequenas mudanças deste íon no meio extracelular. 
Os tipos de células principais que compõem a macróglia são os 
oligodendrócitos, os astrócitos e os ependimócitos (ou células ependimárias). Os 
oligodendrócitos são responsáveis pela mielinização dos axônios no SNC, e as 
células de Schwann têm essa função no sistema nervoso periférico. Os astrócitos 
apresentam várias funções: dão sustentação mecânica ao tecido nervoso; recobrem 
a superfície externa dos vasos sanguíneos e essa interação dos astrócitos com as 
células endoteliais dos capilares constitui a barreira hematencefálica; mantêm um 
microambiente adequado às funções metabólicas dos neurônios; captam 
neurotransmissores liberados e facilitam o retorno dos precursores aos neurônios 
para sua reutilização. Os ependimócitos são responsáveis pelo revestimento dos 
ventrículos e do canal central da medula espinal, constituindo os plexos coroidais, 
que são responsáveis pela formação do líquido cefalorraquidiano. 
Vale destacar que a barreira hematencefálica tem a função de proteger o SNC 
de substâncias potencialmente neurotóxicas, que, presentes no sangue, poderiam 
prejudicar o funcionamento dos neurônios. 
Por outro lado, essa barreira impede que diversos medicamentos cheguem ao 
SNC e produzam seus efeitos. As substâncias químicas que atravessam essa barreira 
e atingem o encéfalo são: (1) as lipossolúveis, que se difundem através das 
membranas celulares; (2) aquelas transportadas através das membranas celulares 
por meio de canais iônicos (aminoácidos, como o ácido gamaaminobutírico GABA); e 
 
 
 
 
 
 
 
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(3) as que penetram no SNC por endocitose (invaginação da membrana), e assim são 
liberadas dentro do neurônio. 
 
 
. Doenças do sistema nervoso central de cães. Cortes transversais de encéfalos após fixação. 
(A) Amebíase cerebral primária, observam‑se ventrículos laterais preenchidos por conteúdo 
vermelho-enegrecido (setas). (B) Criptococose, espessamento das leptomeninges (setas) e 
pequenas cavitações irregulares estendendo-se ao tálamo preenchidas por material translúcido 
e gelatinoso (cabeças de setas). (C) Ependimoma, observa-se massa tumoral esbranquiçada 
entremeada por áreas avermelhadas estendendo-se do ventrículo lateral esquerdo ao núcleo 
caudado. (D) Metástase de tumor venéreo transmissível metastático, observa-se assimetria dos 
hemisférios cerebrais, com presença de massa tumoral esbranquiçada na região de tálamo. (E) 
Infarto hemorrágico, área focal vermelho-enegrecida na substância cinzenta cortical em córtex 
 
 
 
 
 
 
 
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temporal (seta). (F) Granuloma de colesterol, observa-se no hemisfério esquerdo área focal 
alaranjada no sulco do cíngulo de córtex parietal (seta). 
 
 
 
NEUROTRANSMISSÃO E NEUROTRANSMISSORES 
 
A membrana celular do neurônio tem importante papel na neurotransmissão, 
conduzindo a informação de um neurônio para outro, sempre no sentido dos dendritos 
para os terminais nervosos, passando pelo corpo celular e pelo axônio. A geração do 
impulso elétrico na membrana neuronal se dá pelo fato de encontrarse 
permanentemente polarizada, com cargas elétricas negativas predominando no meio 
interior do neurônio em relação ao meio exterior. O deslocamento seletivo de íons 
sódio (Na+), potássio (K+), cloro (Cl–) e cálcio (Ca2+) para dentro ou para fora do 
neurônio é responsável pela propagação do impulso nervoso. Inicialmente, íons 
Na+,em maior quantidade no exterior da célula, adentram o neurônio, invertendo a 
polaridade da membrana; a seguir, os canais de Na+ são inativados e a membrana é 
repolarizada pela saída de quantidade equivalente de íons K+. Quando o estímulo 
elétrico chega ao terminal nervoso há ativação de canais de Ca2+ 
voltagemdependentes,que promovem a entrada desse íon no interior do neurônio; 
isso faz com que as vesículas contendo o neurotransmissor fundam-se à membrana 
plasmática do neurônio e liberem o neurotransmissor. 
Uma vez liberado, o neurotransmissor irá atuar em receptores específicos 
presentes tanto na membrana présináptica quanto na póssináptica;a função desses 
receptores está ligada à transmissão de uma mensagem, quer de forma direta via 
canal iônico, quer indireta via um segundo mensageiro. 
 
 
 
 
 
 
 
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Posteriormente, o neurotransmissor pode ser degradado por enzimas 
presentes na fenda sináptica e seus metabólitos serem recapturados pelo próprio 
neurônio ou por células da glia, as quais podem também recapturar o 
neurotransmissor para ser reutilizado. Em geral, a ligação do neurotransmissor com 
o receptor présináptico modula a síntese e/ou liberação do neurotransmissor e a 
ligação com o receptor póssináptico desencadeia a ativação de proteínas e segundos 
mensageiros ou a abertura de canais iônicos; no caso da abertura de canais de Cl–, 
há a hiperpolarização da membrana do neurônio póssináptico, impedindo a 
transmissão da informação. 
Os neurotransmissores são moléculas quimicamente diversas sintetizadas nos 
neurônios, geralmente no terminal do axônio, a partir de precursores ali presentes. As 
enzimas de síntese destes neurotransmissores são produzidas no corpo celular do 
neurônio e transportadas até o terminal neuronal onde estes são sintetizados. 
Após a síntese, os neurotransmissores são armazenados em vesículas 
sinápticas, cujo conteúdo é liberado por exocitose pelo impulso nervoso. A membrana 
vesicular, em seguida, é recuperada por endocitose, e a vesícula reciclada é 
preenchida com neurotransmissores. 
Os neurotransmissores podem ser excitatórios (quando permitem a 
propagação da informação de um neurônio para outro) ou inibitórios (quando 
promovem a hiperpolarização da membrana póssináptica) ; a função normal do SNC 
depende do equilíbrio da liberação de neurotransmissores excitatórios e inibitórios. 
As substâncias químicas que agem no SNC produzem seus efeitos por 
interferir em alguma etapa desde a síntese do neurotransmissor até sua liberação, 
degradação, armazenamento ou recaptura na fenda sináptica. 
Os principais neurotransmissores encontrados no SNC são: 
Aminoácidos: os inibitórios são o GABA e a glicina, e os aminoácidos 
excitatórios são o glutamato e aspartato 
 
 
 
 
 
 
 
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Aminas: acetilcolina, histamina, catecolaminas (dopamina e norepinefrina) e 
serotonina 
Peptídios: opioides (encefalinas, endorfinas e dinorfinas), substância P. 
 
Aminoácidos 
 
Há aminoácidos inibitórios que bloqueiam a transmissão do impulso nervoso e 
aminoácidos que favorecem a transmissão da informação. 
 
Aminoácidos inibitórios 
 
Ácido gama-aminobutírico 
 
O ácido gamaaminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibidor do 
SNC e é sintetizado porinterneurônios. Foram descritos três tipos de receptores:GABAA, GABAB (subtipos GB1 e GB2) e GABAC. 
Os receptores GABAA são ionotrópicos e estão localizados na póssinapse. 
Os principais agonistas desse receptor são: barbitúricos, etanol, 
benzodiazepínicos, muscimol e gaboxadol (ou THIP – 4,5,6,7tetrahidroisoxazolo[5,4c] 
piridino3ol) ; os antagonistas são: picrotoxina, bicuculina, cicutoxina, oenantotoxina e 
flumazenil. 
Os receptores GABAB são metabotrópicos; os agonistas desses receptores 
são: baclofeno e gamahidroxibutirato (GHB); os antagonistas são: saclofeno e 
faclofeno. 
 
 
 
 
 
 
 
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Os receptores GABAC são ionotrópicos e são expressos principalmente na 
retina; seletivamente ativados por CAMP [ácido 
(+)cis2aminometilciclopropanocarboxílico] e bloqueados pelo TPMPA 
[ácido(1,2,5,6tetrahidropiridin4il) metilfosfínico]. 
 
Glicina 
 
A glicina é um neurotransmissor inibitório no SNC, especialmente encontrado 
na medula espinal, no tronco encefálico e na retina. A glicina pode também promover 
efeito excitatório ao se ligar ao receptor NmetilDaspartato (NMDA) e, assim, aumentar 
a sensibilidade do mesmo ao glutamato. A glicina, diferentemente dos outros 
neurotransmissores aminoácidos, não é sintetizada no organismo, sendo obtida a 
partir da dieta. Foram identificadas cinco isoformas do receptor da glicina, dentre as 
quais se destacam as subunidades alfa 1GlyRs,que regula as funções sensoriais, e 
a alfa 3GlyRs que inibe a propagação do estímulo nociceptivo para regiões superiores 
do SNC e serve como substrato molecular para a sensibilização à dor pelo mediador 
inflamatório prostaglandina E2, que resulta em inibição da glicina no corno dorsal da 
medula. Propõe se que o efeito analgésico dos canabinoides em modelos animais de 
dor neuropática e inflamatória seja devido à ativação desta isoforma. 
Na medula espinal, a glicina é liberada por interneurônios inibitórios chamados 
células de Renshaw, que limitam a ativação de neurônios motores e possibilitam o 
relaxamento muscular. A estricnina é um antagonista da glicina, ligandose a seu 
receptor sem que o canal de cálcio seja aberto, gerando um estado de 
hiperexcitabilidade no neurônio; a ação tóxica da estricnina é caracterizada pela 
rigidez muscular seguida de convulsões, sendo que a morte ocorre por parada 
respiratória ou exaustão. A toxina tetânica bloqueia a exocitose de glicina, o que leva 
também a rigidez muscular. Como agonistas da glicina têm se taurina e Balanina,e 
como antagonista a estricnina. 
 
 
 
 
 
 
 
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Aminoácidos excitatórios 
Glutamato 
 
O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do SNC; é sintetizado a 
partir de glutamina, por ação da enzima glutaminase, ou também a partir do 
alfacetoglutarato, um intermediário do ciclo de Krebs, por ação da enzima GABA 
transaminase, que o converte em glutamato. Após sua atividade no receptor, o 
glutamato é retirado da fenda sináptica por proteínas transportadoras, localizadas na 
membrana de células gliais e no neurônio présináptico. 
Então, dentro da célula glial, o glutamato é convertido em glutamina (pela 
enzima glutamina sintetase) e esta é transportada para o interior do neurônio 
présináptico, sendo novamente convertida em glutamato pela enzima glutaminase e 
estocada novamente em vesículas. 
Os receptores do glutamato podem ser ionotrópicos ou metabotrópicos. Dentre 
os receptores ionotrópicos têm se: ácido αamino3hidroxi5metil4isoxazol propiônico 
(AMPA), cainato e NmetilDaspartato (NMDA). 
Os receptores cainato e AMPA medeiam a despolarização rápida na maioria 
das sinapses no cérebro e na medula espinal, associados a canais de influxo de íons 
Na+. Os receptores NMDA estão relacionados à entrada de íons Ca2+ na célula. 
Dentre todos os grupos de receptores de glutamato, o mais estudado é o NMDA, 
devido ao seu envolvimento com a neurotoxicidade. O estudo que sugeriu que o 
glutamato também poderia atuar como uma neurotoxina baseouse na observação de 
que injeções de glutamato destruíram as camadas mais internas da retina de 
camundongos. Essa constatação foi posteriormente replicada e expandida e 
propôsse o termo “excitotoxicidade”, referindose à neurodegeneração causada por 
aminoácidos excitatórios. 
 
 
 
 
 
 
 
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Os receptores metabotrópicos (acoplados à proteína G) do glutamato são 
subdivididos em três grupos, mGlu I, II e III, os quais possuem atividade mais 
expressiva na présinapse, regulando, por mecanismo de retroalimentação, a 
liberação do neurotransmissor. 
Experimentos com antagonistas de receptores glutamatérgicos foram pioneiros 
em demonstrar que o bloqueio da excitotoxicidade exerce efeito neuroprotetor, tanto 
in vitro quanto in vivo. Dentre os antagonistas de NMDA estão o MK801,a memantina 
e a gaciclidina (GK11). 
O MK801 é um antagonista não competitivo seletivo dos receptores de NMDA 
e tem efeito anticonvulsivante quatro vezes mais potente que os benzodiazepínicos, 
mas promove lesões em regiões corticolímbicas, provavelmente devido à 
superestimulação da via colinérgica, uma consequência da desinibição de múltiplos 
caminhos excitatórios convergentes. A memantina é um antagonista não competitivo 
de NMDA e seu efeito neuroprotetor é amplamente aceito por ser um medicamento 
aprovado pela Food and Drug Adminstration (FDA– agência reguladora de 
medicamentos dos EUA) desde 2003. É utilizada na tentativa de reduzir a 
deterioração cognitiva e a perda das funções diárias em pacientes com doença de 
Alzheimer em estágios moderado a grave, porém ainda não existem relatos de seu 
emprego em Medicina Veterinária. O GK11 é um antagonista não seletivo dos 
receptores de NMDA que, por ter menor afinidade por esses receptores, é um dos 
candidatos mais promissores à neuroproteção contra a excitotoxicidade. 
Alguns anestésicos, incluindo os voláteis (como halotano, sevoflurano e 
isoflurano), os barbitúricos (como tiopental e pentobarbital) e o propofol apresentam 
efeito neuroprotetor em modelos de lesão isquêmica aguda, porém não são capazes 
de manter esse efeito após muitas horas ou dias. Este efeito é atribuído à 
potencialização da neurotransmissão GABAérgica, à mediação dos receptores do tipo 
NMDA e AMPA e consequente redução do influxo de íons Ca2+. 
 
 
 
 
 
 
 
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Existem diferentes vias glutamatérgicas. Uma delas se inicia no córtex e seus 
axônios ramificam-se para a ponte e o núcleo rubro no tronco encefálico, cuja função 
é excitar os neurônios motores responsáveis por uma ampla variedade de músculos. 
Ainda no controle motor, os axônios glutamatérgicos nascem no córtex e vão para o 
neoestriado. Existe ainda uma alça excitatória entre o córtex e o tálamo, que fica ativa 
durante a atividade motora. As vias glutamatérgicas fazem conexões com o sistema 
límbico, explicando seu papel na fisiopatologia da psicose, da esquizofrenia e do uso 
abusivo de drogas. Relatase também sua participação em outros processos, em 
particular, naqueles relacionados à aprendizagem e à memória. Esta ação é 
relacionada à participação do receptor NMDA na plasticidade sináptica e na indução 
da potencialização a longo prazo (LTP) nos processos de memória, que se refere ao 
aumento prolongado (horas a dias) na magnitude de uma resposta Póssináptica a um 
estímulo présináptico. 
 
Aspartato 
 
Esse aminoácido pertence ao grupo dos aminoácidos não essenciais para os 
mamíferos. Os receptores do NmetilDaspartato (NMDA) pertencem à grande família 
de receptores ionotópicos do glutamato, estando envolvidos com funções básicas do 
SNC e com diversas doenças e transtornos neurológicos, como mencionado 
anteriormente. Sua localização preferencial é na medula espinal, formando um par 
excitatório/inibitório, respectivamente, caracterizado por aspartato/glicina, assimcomo o fazem glutamato/GABA no encéfalo. É rapidamente recapturado pela 
membrana présináptica após sua atividade excitatória sobre a célula póssináptica. 
 
Aminas 
Acetilcolina 
 
 
 
 
 
 
 
 
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As funções da acetilcolina no sistema nervoso autônomo, sua síntese, 
liberação e degradação, bem como deseus receptores, agonistas e antagonistas são 
descritos em detalhes no Capítulo 6; sua atuação nas junções neuromusculares é 
apresentada no Capítulo 8. No SNC estão presentes receptores colinérgicos 
muscarínicos e nicotínicos. Os receptores muscarínicos centrais predominantes são 
do subtipo M1 localizado póssinapticamente no córtex, hipocampo e corpo estriado. 
Quanto ao subtipo M2, observasse sua presença nas terminações pré-sinápticas do 
mesencéfalo e tálamo, ocorrendo em menor densidade no córtex, hipocampo e corpo 
estriado; a sua função é controlar a liberação da acetilcolina. Os receptores M3 e M5 
ocorrem no SNC em níveis bem menores que aqueles dos tipos M1 e M2; os 
receptores M3 são encontrados no córtex e hipocampo, enquanto os M5 são 
expressos no corpo estriado. Os receptores do tipo M4 ocorrem no córtex e 
hipocampo, sendo sua maior densidade no corpo estriado, onde controlam a liberação 
de dopamina que modula a atividade motora. Além disto, os receptores muscarínicos 
estão envolvidos com os processos de atenção e cognição. 
Os receptores nicotínicos são ionotrópicos e estão localizados no encéfalo em 
áreas similares às dos receptores muscarínicos, estando envolvidos em processos 
de cogniçãoe dor e no controle da liberação de dopamina estriatal. Há evidências de 
que os receptores nicotínicos centrais participem de transtornos mentais,como 
esquizofrenia, depressão, dependência a drogas e doença de Alzheimer. 
Histamina 
 
A histamina é bastante conhecida por sua atuação nos processos alérgicos, 
proliferação celular, angiogênese, permeabilidade vascular, anafilaxia e secreção 
gástrica (para detalhes, ver Capítulos 18 e 32). No SNC, a histamina é encontrada 
principalmente no hipotálamo, e está envolvida com várias funções, como sonovigília, 
apetite, secreção hormonal, controle do sistema cardiovascular, termorregulação, 
memóriaaprendizado,entre outras. Há três tipos de receptores para histamina no 
 
 
 
 
 
 
 
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SNC: H1, H2 e H3. O bloqueio dos receptores H1 no SNC explica os efeitos colaterais 
sedativos de muitos antihistamínicos clássicos, citados no estasedação é 
consequência de sua alta lipossolubilidade, que possibilita travessia da barreira 
hematencefálica e interfere no controle sonovigília. 
Este efeito colateral dos antihistamínicos clássicos faz com que sejam 
empregados como indutores de sono. Os antihistamínicos mais modernos não 
conseguem atravessar essa barreira, não produzindo sedação. Quanto aos 
receptores H2 presentes no SNC, suas funções ainda não são bem conhecidas. Os 
receptores histaminérgicos H3 agem como autorreceptores présinápticos inibindo a 
síntese e liberação de histamina; têm também função de heterorreceptores, 
modulando a liberação de vários neurotransmissores, como, por exemplo, serotonina, 
dopamina, acetilcolina, norepinefrina e GABA. Estudos em animais de laboratório 
mostraram que os antagonistas dos receptores H3 induzem um estado de vigília e 
melhoram a atenção, e acreditase que esses efeitos sejam mediados pela 
hiperestimulação de receptores H1 corticais. Alguns antagonistas dos receptores H3 
de uso ainda experimental são a tioperamida, o ciproxifam e o proxifam. 
 
 
Norepinefrina 
 
A norepinefrina é uma catecolamina , incluindo os tipos de 
receptores,agonistas e antagonistas. A maioria dos neurônios da via noradrenérgica 
está presente no locus cerúleo, na ponte e na área tegmental lateral da formação 
reticular, desempenhando papel crucial nas reações de fugaluta, bem como no 
estresse e na vigília. A hiperatividade deste sistema induz a um estado de arousal 
acompanhado por insônia, ansiedade, irritabilidade, instabilidade emocional, paranoia 
e excitação. A hipoatividade deste sistema leva a hipersonia, respostas embotadas 
ou apatia. Sua disfunção desempenha papel importante em vários transtornos 
 
 
 
 
 
 
 
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psíquicos, tais como transtorno de ansiedade, pânico e do humor, bem como na 
esquizofrenia e na demência. 
 
Dopamina 
 
A dopamina é uma catecolamina envolvida no controle da atividade motora, 
nos mecanismos de recompensa, nas emoções e ainda em funções cognitivas e 
endócrinas. As principais vias dopaminérgicas são: 
Via nigroestriatal, com origem na substância negra mesencefálica, controla as 
zonas motoras involuntárias dos núcleos da base; deterioração das células desta 
zona dá origem à doença de Parkinson no ser humano. 
Via mesolímbica, que conecta a área tegmental ventral ao córtex préfrontal e 
ao sistema límbico através das amígdalas, do hipocampo e do núcleo accumbens. 
Essa via é responsável por modular respostas comportamentais e o sistema de 
recompensa. A ação da dopamina gera euforia, estimulando a busca por experiências 
semelhantes. Um aumento nos níveis de dopamina nessa via se associa às bases 
fisiopatogênicas da esquizofrenia no ser humano 
Via mesocortical, que liga a área tegmental ventral aos lobos frontais do córtex 
cerebral. Está relacionada ao desenvolvimento normal das funções cognitivas, 
memória, atenção, recompensa e aprendizagem. Também está envolvida na 
fisiopatogenia da esquizofrenia no ser humano, porém devido à diminuição de 
dopamina nessa via cerebral 
Via tuberoinfundibular, que tem funções na liberação de hormônios 
hipofisários, estando em íntima correlação com a atividade da prolactina e o controle 
do comportamento materno. 
 
 
 
 
 
 
 
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Os receptores dopaminérgicos são encontrados no SNC e no sistema nervoso 
periférico, bem como em diversos tecidos não neuronais. Inicialmente, foram 
reconhecidos dois tipos de receptores para a dopamina, o D1 e o D2. Atualmente, há 
pelo menos cinco subtipos de receptores de dopamina: D1, D2, D3, D4 e D5. Os 
receptores D1 e D5 são membros da família tipo D1 de receptores de dopamina, 
enquanto os receptores D2, D3 e D4 são membros da família tipo D2. Há também 
alguma evidência que sugere a existência de possíveis receptores de dopamina D6 
e D7. 
 
Serotonina 
 
A serotonina (ou 5hidrotriptamina,5HT) é uma indolamina; sua síntese, 
liberação e degradação, bem como os vários tipos de receptores serotoninérgicos, 
agonistas e antagonistas são descritos no Capítulo 18. A grande maioria dos 
neurônios serotoninérgicos originase dos núcleos da rafe e regiões superiores do 
tronco encefálico; no núcleo supraquiasmático do hipotálamo é fundamental para o 
controle do ciclo sonovigília e em outras regiões do hipotálamo regula o 
comportamento alimentar e outras funções vegetativas. No comportamento 
adaptativo, a serotonina desempenha papel na modulação do prazer. Seus neurônios 
fazem sinapses com neurônios motores, controlando os movimentos e o 
estabelecimento da força dos reflexos. Além disto, a serotonina controla a liberação 
de alguns hormônios, regula o ritmo circadiano, o sono e o apetite, a imunidade entre 
outras funções. 
Medicamentos que modulam a ação da serotonina são atualmente utilizados, 
ou estão sendo testados, em transtornos do humor e bipolar, pânico, ansiedade, 
depressão, esquizofrenia, obesidade, enxaqueca e processos dolorosos. “Drogas de 
abuso” como o ecstasy e o LSD (dietilamida do ácido lisérgico) “mimetizam” alguns 
dos efeitos da serotonina em algumas célulasalvo. 
 
 
 
 
 
 
 
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Atualmente, os receptores de 5HT estão subdivididos em sete classes (5HT1a 
5HT7), sendo identificados 14 subtipos, com açõescentrais e periféricas. Dentro da 
classe 5HT1 há os subtipos 5HT1A, 5HT1B, 5HT1D, 5HT1E e 5HT1F. 
Na classe 5HT2 há três subtipos, dois subtipos de 5HT5 e apenas um subtipo 
de 5HT3, 5HT4, 5HT6 5HT7. 
A maioria desses receptores está acoplada a proteínas G que atuam sobre a 
adenilatociclase ou da fosfolipase Cg. Os da classe dos receptores 5HT3 são canais 
iônicos.neste capítulo são enfocados os receptores da serotonina relacionados a 
ações centrais, em particular, aqueles ligados a transtornos depressivos e a 
alterações comportamentais. Assim, o receptor 5HT1A, que possui localização 
présináptica (autorreceptor) e póssináptica, controla a temperatura e sua ativação 
reduz ansiedade, estando disponível no comércio para uso clínico o agonista parcial 
buspirona. 
O receptor 5HT1B é um autorreceptor e também heterorreceptor, sendo, 
atualmente, objeto de investigação,pois os triptanos, agonistas mistos de receptores 
5HT1B/5HT2A,são clinicamente úteis no tratamento das cefaleias. 
O receptor 5HT2 e seus subtipos têm papel no comportamento alimentar, no 
tratamento da ansiedade (ansiolítico) e da esquizofrenia. Os receptores 5HT2A e 
5HT2C têm distribuição e função amplas no SNC. Os antagonistas dos receptores 
5HT2A e 5HT2C são empregados clinicamente como medicamentos antidepressivos 
e antipsicóticos. Os receptores 5HT2B têm papel importante na embriogênese e na 
periferia. 
Os receptores 5HT3 estão presentes no SNC e na periferia; os antagonistas 
desses receptores são empregados como antieméticos (ver Capítulo 32) potentes e 
também já foi relatada ação ansiolítica. 
Quanto aos receptores 5HT6, relata-se seu envolvimento com a cognição e o 
receptor 5HT7 com o sono. 
 
 
 
 
 
 
 
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Peptídios opioides e outros peptídios 
 
Os neurotransmissores peptídios estão presentes na maioria das áreas 
cerebrais e desempenham papel modulador no SNC; também estão presentes em 
outras partes do organismo, onde exercem ações específicas. 
Os peptídios opioides endógenos são as encefalinas (os pentapeptídios 
encefalina metionina, encefalina leucina etc.), as endorfinas (alfa, beta e gama) e as 
dinorfinas (A e B). Esses peptídios atuam em receptores opioides, pertencem à 
superfamília dos receptores acoplados à proteína G, e estão descritos em detalhes 
no Capítulo 15. A ligação de agonistas a esses receptores acarreta inibição da 
atividade neuronal. Os receptores e os peptídios opioides são fortemente expressos 
no SNC. Além de seu envolvimento nas vias de dor, o sistema opioide está 
largamente representado em áreas cerebrais envolvidas na resposta às substâncias 
psicoativas, como a área tegmental ventral e núcleo accumbens. Os peptídios 
opioides estão envolvidos em uma grande variedade de funções, regulando funções 
de respostas ao estresse, de alimentação, de humor, de aprendizado, de memória e 
imunes. 
Os demais peptídios, presentes em concentrações muito baixas no SNC, são 
hormônios da hipófise (corticotropina, vasopressina), hormônios circulantes 
(angiotensina, insulina etc.), os hormônios intestinais (colicistocinina, substância P 
etc.), hormônios hipotalâmicos e vários outros, como, por exemplo, a bradicinina. 
A substância P, em particular, favorece a sensação da dor relacionada aos 
seus aspectos emocionais, enquanto os opioides endógenos inibem a sensação da 
dor. A ocitocina desencadeia a lactação e promove as contrações uterinas em fêmeas 
prenhes; em termos comportamentais, influencia a formação de casais e o orgasmo 
no comportamento sexual. Relata-se que os neurotransmissores peptídios estão 
também ligados a fatores de crescimento, tendo importância no início do 
 
 
 
 
 
 
 
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desenvolvimento para divisão e crescimento hormonal e na prevenção da morte 
neuronal. 
Vale ressaltar que um mesmo neurônio pode conter vários mediadores 
químicos, podendo ser liberados conjuntamente com o advento da despolarização do 
neurônio; estas substâncias são denominadas cotransmissores. Como exemplo de 
um cotransmissor tem-se a substância P em relação à acetilcolina; ambas 
substâncias químicas são estocadas em vesículas sinápticas diferentes dentro de 
uma mesma terminação neuronal. O estímulo nervoso libera ambos 
neurotransmissores na fenda sináptica de forma independente, mas embora este 
neurônio libere preferencialmente acetilcolina, quando em baixa atividade a 
substância P também é liberada. 
 
 CLASSIFICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS QUE ATUAM 
NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 
 
Há vários critérios empregados para classificar as substâncias químicas que 
atuam no SNC. Um desses critérios considera as substâncias químicas de ação 
central empregadas com finalidade terapêutica (os medicamentos), contudo algumas 
delas podem induzir ao uso abusivo e causar toxicidade, além das chamadas “drogas 
psicoativas” de uso recreativo pelo ser humano. Essas drogas psicoativas são 
também chamadas de “drogas psicotrópicas”, por alterarem o funcionamento 
cerebral, causando modificações no estado mental, no psiquismo. 
Assim, por exemplo, na lista de substâncias contidas na 10a edição da 
Classificação Internacional de Doenças –CID10,publicação da Organização Mundial 
da Saúde (OMS), em seu capítulo V (Transtornos Mentais e de Comportamento), 
inclui: álcool, opioides (morfina, heroína, codeína, diversas substâncias sintéticas), 
canabinoides (maconha), sedativos ou hipnóticos (barbitúricos, benzodiazepínicos), 
 
 
 
 
 
 
 
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cocaína, outros estimulantes (como anfetaminas e substâncias relacionadas à 
cafeína), alucinógenos, tabaco, solventes voláteis etc. 
Em Medicina Veterinária opta-se por classificar as substâncias químicas que 
atuam no SNC pelo seu uso terapêutico mais proeminente. Assim, os medicamentos 
que atuam no SNC são classificados em depressores e estimulantes gerais ou não 
seletivos do SNC e aqueles que modificam seletivamente as funções cerebrais. Não 
são aqui abordadas as drogas psicoativas, embora nas estatísticas do Sistema 
Nacional de Informações TóxicoFarmacológicas (SINITOX) apontem casos de 
intoxicação animal causados por “drogas de abuso”. 
Deve ser salientado que quando se faz menção a medicamentos de ação geral 
ou não seletiva no SNC se refere àqueles que atuam em todo o encéfalo, porém não 
de forma homogênea, uma vez que as primeiras regiões a serem atingidas são as 
corticais e as últimas são os centros ligados ao controle cardiovascular e respiratório; 
se isso não ocorresse, essas substâncias não teriam uso terapêutico, pois afetariam 
todas as regiões de maneira similar, comprometendo o funcionamento de centros 
vitais do encéfalo. 
A Figura 9.4 ilustra a classificação dos medicamentos que atuam no SNC de 
interesse em Medicina Veterinária, bem como mostra alguns exemplos de drogas 
psicoativas. Deve ser salientado que quando se emprega um medicamento visando 
sua atuação no SNC, não se exclui a possibilidade da ocorrência de efeitos 
periféricos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 9.4 Classificação dos medicamentos que atuam no sistema nervoso central (SNC) 
de interesse em Medicina Veterinária e alguns exemplos de “drogas psicoativas”. 
Depressores gerais (não seletivos) 
 
Os medicamentos deste grupo de maior interesse em Medicina Veterinária são 
os anestésicos inalatórios e os anestésicos intravenosos e outros parenterais, como, 
por exemplo, os barbitúricos, cetamina, tiletamina e propofol. 
 
Estimulantes gerais (não seletivos) 
 
Os estimulantes gerais (não seletivos) promovem a ativação de todo o SNC, 
podendo causar convulsões; são classificados em corticais, bulbares e medulares 
porque promovem a estimulação dessas áreas preferencialmente, mas à medida que 
se aumenta a dose perdem a sua especificidade, levando ao aparecimento dasconvulsões. 
 
 
 
 
 
 
 
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Dentre os estimulantes corticais têm-se as anfetaminas e as metilxantinas; 
ambas não têm indicação de uso em Medicina Veterinária, visando a seus efeitos no 
SNC. As anfetaminas em seres humanos foram indicadas como anorexígenos e o 
metilfenidato é indicado atualmente para o tratamento do transtorno do déficit de 
atenção e hiperatividade (TDAH). As metilxantinas são alcaloides encontrados no chá 
(teofilina), café (cafeína) e cacau (teobromina). Como a solubilidade das metilxantinas 
é baixa, tornase necessário formar complexos com outras substâncias para tornálas 
mais solúveis; é o caso da teofilina e da etilenodiamina que dá origem à aminofilina. 
As metilxantinas além de estimularem o SNC, são capazes de relaxar a musculatura 
lisa, principalmente a brônquica, e promover diurese. 
Os estimulantes bulbares, também chamados de analépticos respiratórios, 
estimulam especialmente o centro respiratório e, em um segundo momento, o centro 
vasomotor; em doses maiores causam convulsões.agem sobre o centro respiratório, 
elevando a ventilação pulmonar, sendo esse efeito maior quando ocorre depressão 
deste centro pelo uso de barbitúricos, hidrato de cloral, entre outros. Fazem parte 
desse grupo a picrotoxina, o pentilenotetrazol, a niquetamida, o amifenazol, o 
etamivam e o doxapram; apenas este último está disponível no comércio para uso 
terapêutico. 
Os estimulantes medulares estimulam de forma preponderante a medula 
espinal. O principal representante desta categoria é a estricnina, um alcaloide oriundo 
da planta Strychnus nuxvomica, que não tem indicação terapêutica devido a sua 
estreita margem de segurança. A estricnina age indiretamente, inibindo seletivamente 
a neurotransmissão inibitória (inibição da inibição), o que leva ao aumento da 
atividade neuronal e aumento exagerado da atividade sensorial de todo o SNC. É um 
bloqueador de receptores da glicina, mediador dos neurônios medulares, causando 
hiperpolarização dos motoneurônios e inibindo as células de Renshaw,responsáveis 
pela condução seletiva de impulsos excitatórios alternados para músculos 
antagônicos. Além disso, em doses elevadas, a estricnina é também um inibidor da 
liberação do GABA, que é um dos principais neurotransmissores inibitórios do SNC. 
 
 
 
 
 
 
 
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CARACTERÍSTICAS DOS EFEITOS DE MEDICAMENTO 
NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL 
 
Existe uma linha contínua entre os diferentes graus de excitabilidade do SNC 
que variam da “normalidade” para sedação, hipnose, anestesia geral e coma, de um 
lado, e para o outro, de excitação leve, moderada e intensa até a convulsão. Quando 
há necessidade da administração de um medicamento de ação no SNC é preciso 
considerar esse grau de excitabilidade para melhor ajustar a dose para não causar 
toxicidade. 
Outro aspecto importante é considerar a potência e a eficácia (ou efeito 
máximo) para um medicamento de ação central. Na maioria das vezes, não existe 
uma correlação entre potência e eficácia, mas por exemplo, em relação ao efeito 
analgésico este fato é relevante. Há diferenças de potência entre os analgésicos 
opioides, porém isso tem pouca importância ao se considerar o ajuste da dose 
terapêutica. 
Por outro lado, a eficácia considerando a analgesia produzida pelos opioides é 
muito superior àquela conseguida com os analgésicos antiinflamatórios não 
esteroidais (AINEs). 
Deve ser considerado também o efeito aditivo entre o estado fisiológico do 
animal e o efeito de medicamentos. Assim, se o animal já apresenta uma certa 
depressão do SNC, será necessária dose menor do depressor geral para se obter, 
por exemplo, a anestesia geral. O mesmo ocorre quando são empregados 
tranquilizantes como medicação préanestésica, visando reduzir a atividade do SNC 
e, consequentemente a dose de anestésico para obtenção da anestesia, o que, por 
sua vez, diminui a ocorrência de efeitos colaterais e/ou tóxicos produzidos por esses 
 
 
 
 
 
 
 
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agentes. Este efeito aditivo pode também ser a causa de efeitos indesejáveis quando 
da associação de agentes estimulantes. 
O antagonismo farmacológico (competição pelo mesmo receptor) para os 
medicamentos que atuam no SNC apresenta menor possibilidade de uso em 
situações clínicas. Assim, observa-se antagonismo farmacológico no receptor 
GABAérgico entre os benzodiazepínicos e o flumazenil; no receptor α2adrnérgico 
entre a xilazina e a ioimbina. O antagonismo fisiológico é mais frequentemente 
encontrado; neste caso os medicamentos não agem no mesmo receptor, mas agem 
em sistemas diferentes, cujos efeitos são antagônicos. 
Finalmente, quando se emprega um medicamento de ação no SNC ou 
associação desses agentes deve-se atentar às suas características farmacocinéticas, 
em particular, a meia vida, para não ser surpreendido por efeitos colaterais ou 
indesejáveis desses medicamentos, inclusive na suspensão gradativa de 
medicamentos administrados por períodos prolongados. 
 
Fármacos utilizados no tratamento das afecções neurológicas 
de cães e gatos. 
Analgésicos 
 
 A dor em pacientes neurológicos traz consequências metabólicas e 
fisiológicas indesejáveis. Frequentemente observa-se dor espinhal ou neuropática 
como resultado do envolvimento das meninges, raízes nervosas e os nervos 
periféricos. 
 
Analgésicos opióides 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Os analgésicos opióides são os fármacos mais utilizados e mais efetivos no 
controle da dor em animais. Eles funcionam ativando o sistema antinociceptivo, 
inibindo a projeção da dor (BAGLEY, 2005). Os analgésicos opióides afetam o 
processamento e a transmissão dos impulsos em níveis múltiplos do encéfalo e da 
medula espinhal interagindo com receptores específicos para inibir a transmissão de 
sinais dolorosos da zona radicular dorsal para os centros superiores. 
 O tálamo e o córtex cerebral parecem ter alta densidade de receptores 
opióides. Além dos efeitos moduladores ao nível da medula espinhal, a ativação de 
receptores centrais inibe a transmissão de sinais dolorosos para centros superiores 
e, consequentemente, bloqueiam a percepção de estímulos dolorosos. 
 A morfina em cães e em gatos (baixas doses) é utilizada no tratamento da dor 
aguda e profunda e na medicação pré e pós-operatória. O efeito adverso da morfina 
em gatos é a hiperexcitabilidade que pode ser minimizada com o uso de 
tranqüilizantes ou baixas doses. Já os efeitos adversos relacionados aos cães e gatos 
são: euforia, hipotensão, prurido, depressão respiratória, edema, hemorragia 
cerebral, dificuldade de urinar, e redução da formação de urina. 
 A dose recomendada para cães é 0,5-1 mg/kg, via intramuscular (IM) ou 
subcutânea (SC); 0,05- 0,4 mg/kg, q1-4h, IV; ou 0,2-1 mg/kg, q2-6h, IM ou SC; 0,3-3 
mg/kg q4-8h, por via oral (VO) e em gatos 0,05- 0,2 mg/kg, IM, SC (com cautela) . 
Administrada pela via epidural apresenta a vantagem de que a ação analgésica terá 
duração de, aproximadamente, 24 horas (INTELIZANO, et al. 2002) A hidromorfona 
é indistinguível da morfina em efeito e duração, embora não tenha sido relatada 
liberação de histamina em seu uso (CARROLL, 2005). A dosagem utilizada em 
pacientes com doença da medula espinhal é de 0,05-0,2 mg/kg em cães e 0,01 mg/kg 
em gatos q6h, IM ou SC (BAGLEY, 2005). A oximorfona também não causa liberação 
de histamina e é apropriada contra dor moderada a intensa. Embora a oximorfona em 
cães e gatos cause sedação, taquipnéia e, às vezes, hipotermia parece que causa 
menos vômito do que a morfina ou a hidromorfona (CARROLL, 2005). 
 
 
 
 
 
 
 
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O fentanil possui ação mais rápida e potente (75-125 vezes) do que a morfina, 
porém é de curta duração (30-45 minutos). Tem sidoutilizado em anestesiologia, 
como parte de protocolo de indução anestésica, em infusão contínua controlada ou 
em patch (adesivo) para promoção de analgesia por até 72 h. O uso do adesivo de 
fentanil propicia excelente analgesia pós-operatória para pacientes que sofreram 
procedimentos neurocirúrgicos da coluna vertebral. 
Tem como efeitos adversos em cães à promoção de respiração ofegante, 
defecação e flatulências, além de através de estímulos sonoros poderem provocar 
respostas motoras. No caso de infusão em velocidade constante uma dose inicial de 
2µg/ kg, IV em cães e 1-2 µg/kg, em gatos seguida por infusão (1-6 µg/kg/h em cães 
e 1-4 µg/kg/h, sendo que a duração da analgesia corresponde à duração da infusão 
mais 30 minutos . 
 A codeína vem sendo utilizada no controle da dor para animais com 
transtornos neurológicos sendo segura e efetiva em dor severa (1 mg/kg, VO, q6h) 
em cães saudáveis recomenda 1-2 mg/kg de codeína, VO, q8h, associado a 
acetaminofen (paracetamol), porém isso não deve ser utilizado em cães com 
hepatopatias ou propensos a anemia com corpúsculo de Heinz e também é 
estritamente contra-indicada essa associação em gatos. Pode-se administrar codeína 
sem acetaminofen (1-4 mg/kg VO, q1-6h), conforme necessário. 
O butorfanol tem a vantagem de oferecer analgesia com depressão ventilatória 
mínima e doses subseqüentes não produzem depressão adicional,em cães e gatos 
geralmente é administrado em casos de dor leve a moderada, a dose recomendada 
é 0,4 –1 mg/kg, VO, q8h por 2-3 dias . 
 Buprenorfina é 30 vezes mais potente do que a morfina, sendo utilizado como 
potente analgésico, sendo a dose recomendada para cães 0,05-0,02 mg/kg, q4-8h, 
IM ou IV, sua ação tem início em aproximadamente 30 minutos com duração de 4-
8h. 
 
 
 
 
 
 
 
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Foi constatado experimentalmente que a utilização da naloxona também 
apresenta outros efeitos potencialmente importantes em Neurologia. Sendo 
demonstrado que em altas doses atuará melhorando o fluxo sanguíneo após o trauma 
medular e aumentando a recuperação da função neurológica, também podendo ser 
administrados logo após o trauma com finalidade de proteger o paciente, durante o 
transporte. 
 
 
Antibióticos 
 
O sistema nervoso central (SNC) deve ser considerado como compartimento 
à parte em nosso organismo, isolado da circulação sistêmica, cujo acesso é altamente 
restrito, já que é completamente envolvido por uma camada celular firmemente 
conectada entre si por junções oclusivas. Essa camada age como uma verdadeira 
membrana lipídica, formando duas barreiras: a barreira hematoencefálica (BHE) e a 
barreira hematoliquórica (BHL) responsáveis pela manutenção da homeostasia do 
SNC (VRIES et al., 1997). O endotélio da BHE não é fenestrado, mas possui junções 
oclusivas conectando os espaços intercelulares, restringindo a passagem de 
substâncias maiores que 10-15 A° e tem ausência quase que total de vesículas 
pinocitóticas intracitoplasmáticas, impedindo o transporte transcelular. 
A atividade bactericida de um fármaco antimicrobiano no líquido 
cerebroespinhal (LCE) depende basicamente de sua concentração local e de sua 
atividade intrínseca no fluido infectado. A penetração dos agentes antimicrobianos no 
espaço liquórico ocorre predominantemente via difusão passiva, através de um 
gradiente de concentração. O transporte desses antibióticos através das barreiras que 
cercam o SNC depende de vários fatores, dos quais se destacam características dos 
fármacos como: lipossolubilidade, peso molecular, ligação a proteínas plasmáticas, 
capacidade de ionização e carga elétrica 
 
 
 
 
 
 
 
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É importante ressaltar que, mesmo dentro do espaço liquórico, não há uma 
distribuição homogênea. Por exemplo, após a administração endovenosa de qualquer 
antibiótico capaz de penetrar no SNC, podemos encontrar concentrações máximas 
no LCE da região lombar, concentrações intermediárias na cisterna cerebelo medular, 
enquanto as concentrações ventriculares são provavelmente menores daquelas 
atingidas no LCE. 
Ao escolher um agente antibiótico específico, devemos selecionar o agente 
bactericida que seja isoladamente menos tóxico e mais efetivo. A terapia deve ser 
direcionada basicamente para o agente causal, caso este possa ser identificado. Esta 
terapia deve ser mais prolongada que o tratamento para infecção similar em qualquer 
outra parte do corpo. É desejável que o antibiótico a ser utilizado atravesse a BHE em 
concentrações terapêuticas para que essas concentrações medicamentosas possam 
ser mantidas depois que a fase aguda da inflamação foi encerrada .Os antibióticos 
podem ser administrados aos animais sob suspeita de meningite bacteriana antes da 
obtenção dos resultados da cultura e dos testes de sensibilidade. Alguns autores 
sugerem que deve ser administrada uma única injeção intravenosa de 
corticosteróides, antes da antibioticoterapia nos casos de meningite bacteriana. 
Segundo Lin e Sá (2002), não é recomendável utilizar concomitantemente fármacos 
bactericidas e bacteriostáticos, uma vez que os últimos podem antagonizar a ação 
dos primeiros. Alguns medicamentos são tóxicos quando introduzidos diretamente no 
SNC (ex. administração intratecal), podendo causar convulsões como é o caso da 
penicilina, e os agentes podem não se difundir livremente através do LCE, 
especialmente se existe bloqueio ao fluxo deste líquido 
. Os antibióticos que atravessam a barreira hematoencefálica com ótima 
penetração são o trimetoprim, o metronidazol, o cloranfenicol e as sulfonamidas; com 
intermediária penetração são as penicilinas, as ampicilinas, a oxacilina, a 
carbenecilina, o ceftriaxone, o moxalactam e as tetraciclinas, e os com baixa 
penetração são as cefalosporinas de primeira geração, os aminoglicosídeos e a 
clindamicina. Várias cefalosporinas de terceira geração atingem concentrações 
 
 
 
 
 
 
 
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efetivas no SNC, sendo consideradas os agentes mais adequados para tratamento 
da meningite por bactérias grampositivas. Os antibióticos de eleição para as afecções 
neurológicas bacterianas são: ampicilina, cefalosporinas de 3° geração, metronidazol, 
cloranfenicol e sulfa com trimetoprim. 
 Em geral, as tetraciclinas, agentes bacteriostáticos de amplo espectro, 
atingem apenas concentrações efetivas no SNC quando as meninges estão 
inflamadas. Entretanto as tetraciclinas mais modernas (doxiciclina e minociclina) 
penetram no SNC melhor do que outras tetraciclinas, tendo melhor atividade contra 
microorganismos anaeróbios e alguns aeróbios. A minociclina apresenta também 
efeitos neuroprotetores antiapoptóticos para o SNC descobertos recentemente. Nos 
casos de meningoencefalite riquetsial os antimicrobianos a serem empregados são a 
doxiciclina, as tetraciclinas ou o cloranfenicol (animais jovens antes da erupção dos 
dentes permanentes). Diversas afecções riquetsiais como febre maculosa das 
montanhas rochosas e erliquiose, podem produzir meningoencefalite em cães e que 
o tratamento com tetraciclinas parece ser efetivo, em termos da resolução dos sinais 
sistêmicos e neurológicos. 
O metronidazol tem utilidade no tratamento da maioria das infecções 
anaeróbicas, é bactericida, e difunde-se bem por todos os tecidos, inclusive o 
SNC,este agente terapêutico é utilizado em combinação com doses elevadas de 
penicilina, quando estão presentes microorganismos aeróbios. Quase todas as 
sulfonamidas penetram efetivamente no LCE. A sulfadiazina, ao se ligar menos às 
proteínas, em comparação com as outras sulfonamidas penetra no LCE e tecidos 
nervosos melhor que sulfametoxazol, sendo eficaz quando administrado VO. Não 
existem dados relacionados à concentração de trimetoprim no LCE de cães, porém 
geralmente a combinação de sulfadiazina com trimetoprim tem ação bactericida,e 
são efetivos no tratamento de algumas infecções bacterianas. O cloranfenicol atinge 
concentrações mais elevadas no LCE do que a maioria dos outros antibióticos; 
entretanto, este agente é bacteriostático, e foi demonstrado que muitos 
Staphylococcus são resistentes. O cloranfenicol pode ser administrado na dose de 40 
 
 
 
 
 
 
 
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mg/kg, IV, q6h, ou 50 mg/kg, VO, q8h em cães e 1-2 mg/kg, q12h em gatos, sendo 
seus efeitos adversos a gastrenterites em cães e gatos e a depressão da medula 
óssea em gatos. 
O tratamento da discoespondilite em animais sem deficiência neurológica, ou 
com deficiência neurológica leve, consiste no uso de antibiótico que seja efetivo 
contra o microorganismo, determinado por hemocultura, urocultura ou punção 
aspirativa. Os antibióticos que geralmente são efetivos para esta finalidade são as 
cefalosporinas, ou as penicilinas resistentes a beta-lactamase, como a oxacilina e a 
cloxacilina. A combinação de trimetoprim com sulfonamidas, ou cloranfenicol, é meios 
menos efetivos, mas menos dispendiosos, e podem ser efetivos em certos casos. A 
antibioticoterapia é selecionada com base nos resultados de cultura e antibiograma. 
Se não houver resultados desses exames pode-se usar combinações de trimetoprim 
com sulfadiazina (15- 30 mg/kg, q12h) ou cefalexina (30 mg/kg, q8h). Outros 
antibióticos que podem ser considerados em casos específicos são a enrofloxacina 
(5 mg/kg, VO, q12h) e ciprofloxacina (5,5-11 mg/kg, VO, q12h), devendo-se continuar 
a antibioticoterapia por 6-8 semanas. 
Nos casos de penetração do encéfalo no trauma craniano deve-se instituir 
imediatamente a antibioticoterapia de amplo espectro com o cloranfenicol ou 
sulfadiazina em associação com trimetoprim. Os antibióticos são a base para o 
tratamento dos abscessos cerebrais Nos casos de toxoplasmose pode-se usar a 
clindamicina (10 mg/kg, VO, q8h) ou sulfa associada ao trimetoprim (15 mg/kg, VO, 
q12h) com duração de 2-4 semanas, porém a associação de sulfonamidas (30 mg/kg, 
VO, q12h) e a pirimetamina (0,25- 0,5 mg/kg, VO, q12h) durante 2 semanas é mais 
efetivo do que o trimetoprim . Nos casos de polirradiculoneurite ou miosite causadas 
por infecções de Toxoplasma gondii e Neospora caninum, recomenda-se o 
tratamento precoce com sulfadiazina associado à trimetoprim na dose de 15-30 
mg/kg, VO, q12h ou ormetoprim associado à sulfadiometoxina na dose de 15 mg/kg 
VO, q12h e clindamicina 5-0 mg/kg, VO, q12h. Também pode ser utilizada a 
pirimetamina 0,5-1 mg/kg, q24h por 3 dias e depois 0,25 mg/kg q24h, por mais 14 
 
 
 
 
 
 
 
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dias em cães e gatos, porém tem sido relatado supressão de medula óssea com o 
uso desse fármaco em pequenos animais. 
O tratamento descrito para neosporose consiste na combinação de 
trimetoprim, pirimetamina, sulfonamidas e clindamicina. Contudo o grau de sucesso 
desses tratamentos é normalmente baixo, embora existam relatos de resolução 
completa dos sinais de neosporose em cão adulto com administração combinada de 
1 mg/kg, q24h de pirimetamina e 20 mg/kg de sulfadoxina durante 30 dias. A 
neosporose neonatal canina deve ser tratada com clindamicina (12,5-18,5 mg/kg, VO, 
q12h) ou com a associação de sulfadiazina (30 mg/kg) combinada com pirimetamina 
(0,25-0,5 mg/kg q24h ou q12h) por duas a quatro semanas, esta última sendo mais 
efetiva. 
 
 
 
 
 
 
 
NEOPLASIAS INTRACRANIANAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFÊRENCIAS 
 
Farmacologia Aplicada Medicina Veterinária 6° Edição Fundamentos da 
terapêutica veterinária vetarq. 
GAROSI, L.S. Neurological examination. In: PLATT, S.R; OLBY, N.J. BSAVA 
Manual of canine and feline neurology. 3rd edition. Quedgeley (United Kingdom), 2012, p.1-
23. 
Estudos complementares 
https://www.youtube.com/watch?v=nIFbtbA-lzw 
https://www.youtube.com/watch?v=e9fYHNEnSzU 
https://www.youtube.com/watch?v=IcsC2NsjpQE 
 
https://www.youtube.com/watch?v=nIFbtbA-lzw
https://www.youtube.com/watch?v=e9fYHNEnSzU
https://www.youtube.com/watch?v=IcsC2NsjpQE