Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Extinção da Punibilidade no Direito Penal Brasileiro
1. Conceito
A extinção da punibilidade consiste na supressão do jus puniendi estatal, ou seja, representa a perda do direito do Estado de aplicar sanção penal ao agente de uma infração penal. Mesmo que o fato típico e ilícito tenha efetivamente ocorrido, determinadas circunstâncias, previstas em lei, impedem o Estado de exercer a persecução penal ou de executar a pena imposta.
Trata-se, portanto, de causa extintiva da pretensão punitiva ou da pretensão executória, sem que haja, necessariamente, o reconhecimento da inexistência do fato criminoso ou da inocência do agente.
2. Previsão Legal
A extinção da punibilidade está prevista no artigo 107 do Código Penal, que elenca, de forma exemplificativa, as hipóteses em que a punibilidade se extingue:
Art. 107. Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente; 
II - pela anistia, graça ou indulto; 
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso; 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; 
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite; 
VII - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
3. Natureza Jurídica
A extinção da punibilidade possui natureza de direito material, pois atua diretamente sobre a pretensão punitiva ou executória do Estado. Apesar disso, sua declaração se dá por meio de sentença declaratória, no âmbito do direito processual penal.
4. Hipóteses Legais de Extinção da Punibilidade
4.1 Morte do agente (inciso I)
Com o falecimento do agente, extingue-se a punibilidade, tendo em vista que a pena possui caráter personalíssimo, conforme o princípio da intranscendência da pena, previsto no artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal.
4.2 Anistia, graça e indulto (inciso II)
 
São formas de clemência penal:
- Anistia: concedida por lei específica aprovada pelo Congresso Nacional, impede a instauração ou continuidade da persecução penal. Pode ser concedida antes ou depois da condenação;
- Graça: clemência individual, concedida pelo Presidente da República, após sentença condenatória transitada em julgado;
- Indulto: perdão coletivo da pena, também de competência do Presidente da República, com base no artigo 84, XII, da Constituição Federal.
4.3 Abolitio criminis (inciso III)
 
Trata-se da retroatividade da lei penal mais benéfica que revoga o tipo penal incriminador, extinguindo a punibilidade do agente. É aplicação do princípio da retroatividade da lex mitior, previsto no artigo 5º, XL, da Constituição Federal e no artigo 2º, parágrafo único, do Código Penal.
4.4 Prescrição, decadência e perempção (inciso IV)
a) Prescrição
Consiste na perda da pretensão punitiva ou da pretensão executória pelo decurso do tempo, conforme os prazos definidos nos artigos 109 a 119 do Código Penal. Pode ser:
- Prescrição da pretensão punitiva (antes do trânsito em julgado da condenação); 
- Prescrição da pretensão executória (após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória).
b) Decadência
É a perda do direito de ação penal privada, em razão do decurso do prazo de 6 meses para o oferecimento da queixa-crime, contados do conhecimento da autoria, conforme artigo 38 do Código de Processo Penal.
 c) Perempção
Ocorre quando o querelante, ou seja, o autor da queixa-crime, injustificadamente, abandona a ação penal privada, não dando andamento ao feito, o que revela desinteresse na persecução penal. Está disciplinada no artigo 60 do Código de Processo Penal.
4.5 Renúncia ao direito de queixa ou perdão aceito (inciso V)
Aplica-se aos crimes de ação penal exclusivamente privada. A renúncia ocorre antes do oferecimento da queixa, enquanto o perdão ocorre após seu oferecimento e exige aceitação expressa ou tácita do querelado. Ambas as situações tornam incabível a continuação da persecução penal.
4.6 Retratação do agente (inciso VI)
É admitida em hipóteses legais específicas, como nos crimes de falso testemunho (art. 342, §2º, CP), desde que realizada antes da sentença. A retratação deve ser espontânea e completa.
4.7 Perdão judicial (inciso VII)
Consiste na possibilidade legal de o juiz, reconhecendo a ocorrência do fato típico, ilícito e culpável, deixar de aplicar a pena diante de circunstâncias que tornem a sanção penal desnecessária. Exemplo clássico encontra-se no artigo 121, §5º, do Código Penal, que prevê o perdão judicial no caso de homicídio culposo com consequências extremamente graves para o agente.
5. Efeitos da Extinção da Punibilidade
- Extingue a pretensão punitiva ou executória;
- Não implica absolvição de mérito (exceto na anistia ou abolitio criminis);
- Não impede, necessariamente, a responsabilidade civil decorrente do fato (art. 935 do Código Civil);
- Exige, via de regra, sentença judicial declaratória, salvo nos casos de morte do agente, que pode ser reconhecida de plano.
6. Considerações Finais
A extinção da punibilidade revela-se como importante mecanismo de limitação ao poder punitivo estatal, conferindo racionalidade ao sistema penal. Sua previsão legal deve ser interpretada de forma estrita, dada a natureza taxativa das causas previstas no ordenamento jurídico. Trata-se, pois, de instituto fundamental para garantir os princípios da legalidade, da segurança jurídica e da dignidade da pessoa humana no âmbito penal.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Código Penal Brasileiro. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal – Parte Geral. Vol. 1. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Vol. 1. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal – Parte Geral. Vol. 1. 24. ed. Niterói: Impetus, 2023.
Arum - https://www.aurum.com.br/blog/extincao-da-punibilidade
Jusbrasil - https://www.jusbrasil.com.br/artigos/direito-penal-extincao-da-punibilidade/1326281881

Mais conteúdos dessa disciplina