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Agira Zeca Paulino Aires Eusébio Siline Carlitos Buana Celine Salomão Baduro Domingos Cristóvão Corogue Horácio Luciano Simone Bernardo Saugeni ARTE ROMÂNICA, (Diferenças Regionais) Universidade Rovuma Nampula 2024 Agira Zeca Paulino Aires Eusébio Siline Carlitos Buana Celine Salomão Baduro Domingos Cristóvão Corogue Horácio Luciano Simone Bernardo Saugeni ARTE ROMÂNICA, (Diferenças Regionais) Msc. Sebastião Sarmento Shinguvo Universidade Rovuma Nampula 2024 Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de Historia Universal da Arte 2 apresentado na Faculdade de Engenharias e Ciências Tecnológicas, IIº ano, curso de Licenciatura em Educação Visual, leccionada pelo docente Índice Introdução ............................................................................................................................................ 5 1. MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................................... 6 2. Objectivos: ............................................................................................................................................ 6 2.1. Geral: ............................................................................................................................................. 6 2.2. Específicos:................................................................................................................................... 6 3. ARTE ROMÂNICA CONTEXTO HISTÓRICO ........................................................................ 7 3.1. Arquitectura Românica ....................................................................................................................... 9 3.1.1. Características gerais da arquitectura românica ...................................................................... 9 3.1.2. Características mais significativas da arquitectura românica ................................................ 9 3.2. Pintura Românica .............................................................................................................................. 10 3.2.1. Características principais da pintura românica ...................................................................... 10 3.3. Escultura Românica ........................................................................................................................... 10 4. DIFERENÇAS REGIONAIS DA ARTE ROMÂNICA NA EUROPA .................................... 12 4.1. A primeira arte românica .................................................................................................................. 12 4.2. ARTE ROMÂNICA NA ITÁLIA ................................................................................................... 14 4.3. ARTE ROMÂNICA NA FRANÇA................................................................................................ 15 4.3.1. Arquitectura Românica na França ........................................................................................... 15 4.3.2. Pintura Românica na França .................................................................................................... 16 4.4. ARTE BORGONHÊS ....................................................................................................................... 16 4.5. ARTE ROMÂNICA NA ESPANHA ............................................................................................. 17 4.5.1. Arquitectura Românica na Espanha ........................................................................................ 17 4.5.2. Escultura Românica Espanhola ....................................................................................................... 18 4.5.3. Pintura Românica Espanhola ................................................................................................... 18 4.6. ARTE ROMÂNICA NA ALEMANHA ........................................................................................ 19 4.6.1. Escultura Românica Alemã ...................................................................................................... 21 4.7. ARTE ROMÂNICA NA INGLATERRA ..................................................................................... 21 4.7.1. Arquitectura Românica Inglesa ............................................................................................... 21 4.7.2. Escultura Românica Inglesa ..................................................................................................... 23 4.7.3. Pintura Românica Inglesa ......................................................................................................... 23 4.8. A ARTE NORMANDA ................................................................................................................... 23 4.9. ARTE ROMÂNICA EM PORTUGAL .......................................................................................... 24 4.9.1. Arquitectura Românica em Portugal ....................................................................................... 24 4.9.2. Pintura Românica em Portugal ................................................................................................ 25 4.9.3. Escultura Românica em Portugal ............................................................................................ 25 4.10. ARTE ROMÂNICA NA ESCANDINÁVIA ........................................................................ 26 5. Resumindo a Arte Românica em diferenças Regionais................................................................ 28 6. Conclusão ................................................................................................................................... 30 Referencias Bibliográficas ................................................................................................................. 31 5 Introdução Este trabalho propõe uma análise das distintas manifestações da Arte Românica na Idade Média, com foco nas diferenças regionais observadas nas expressões arquitetônicas, pictóricas e esculturais que marcaram esse movimento artístico predominante nos séculos XI e XII na Europa. Em uma época em que a leitura era um privilégio restrito e a Igreja buscava comunicar narrativas bíblicas e valores religiosos aos fiéis, a pintura e a escultura desempenhavam papéis cruciais. Na Itália, a continuidade com as tradições romanas e bizantinas, combinada ao uso frequente de mármore e estilos regionais como o Pisan Romanesque, conferiu uma expressão artística singular à região. Na França, as influências carolíngias e a presença marcante da Abadia de Cluny resultaram em uma abordagem que reverberava tradições romanas e clássicas. A Alemanha, notadamente na região da Renânia, destacou-se por uma arquitetura sólida e maciça, influenciada por elementos otônicos e bizantinos, evidenciada em igrejas ricamente decoradas. Na Espanha, a Arte Românica foi moldada por uma amalgama de influências, incluindo românicas, moçárabes e mudéjares, com traços defensivos evidentes devido ao contexto da Reconquista. Em Portugal, a influência moura, particularmente em Coimbra, introduziu características únicas como o uso de azulejos e padrões geométricos, enquanto a Abadia de Santa Maria de Alcobaça representa um notável exemplo da Arte Românica no país. Na Escandinávia, a rápida transição para o estilo gótico marcou o desenvolvimento artístico, influenciado pela presença viking. Essa pesquisa sublinha como as peculiaridades regionais na Europa durante o período românico foram influenciadas por tradições locais, contextos históricos, disponibilidade de materiais e interações culturais. Apesar das características comuns da Arte Românica,cada região a floresceu de maneira única, refletindo a riqueza da diversidade cultural e artística na Europa medieval. Este estudo oferece uma visão abrangente das nuances regionais que contribuíram para a riqueza e singularidade da Arte Românica, demonstrando como os elementos locais desempenharam um papel crucial na evolução dessa expressão artística durante a Idade Média 6 1. MATERIAL E MÉTODOS Para a elaboração do presente trabalho foram utilizados materiais como livros, artigos e a internet que auxiliaram e serviram de tamanha relevância para o desenvolvimento do tema na sua elaboração e foram utilizadas metodologias de investigação científicas, como, método Indutivo e dedutivo. 2. Objectivos: 2.1. Geral: Falar de Diferenças Regionais da Arte Românica, isto e, da Arquitectura, Pintura e Escultura. 2.2. Específicos: Descrever a Arte Românica em diferentes religiões Mencionar as principais características da Arte Românica e diferentes regiões Identificar a finalidade da Arte Românica em diferentes regiões Identificar as principais Regiões da Arte Românica 7 3. ARTE ROMÂNICA CONTEXTO HISTÓRICO A Arte Românica faz referência a um estilo que surgiu O termo “Românico” está intimamente relacionado com às influências do Império Romano, que dominou durante séculos quase toda a Europa Ocidental. A Arte Românica foi um estilo Artístico que surgiu na Europa durante a Idade Média, mais precisamente na Alta Idade Média (entre os séculos XI e XIII), e que predominou, principalmente, nas construções de igrejas católicas. O estilo pode ser visto ainda em castelos e mosteiros, além de influenciar as esculturas e outras artes decorativas, como as pinturas e tapeçarias. Esse movimento artístico desenvolveu-se em um período em que os países da Europa se recuperavam das invasões dos povos bárbaros. Os movimentos artísticos dessa época não tinham um estilo unificado, assim sendo a arte românica a primeira depois de muitos anos a conseguir obter características próprias espalhadas em varias regiões. A arte românica por mais que sofrido influências de estilos culturais de outras povos, ela contribuiu para o surgimento de várias técnicas inovadoras, principalmente na arquitectura. O termo passou a ser utilizado em 1820 por Charles de Gerville e Le Provest, mas teve mais espaço quando o arqueólogo Arcisse de Caumont passou a usá-lo. A Arte Românica nasceu quase que de forma simultânea em diferentes pontos da Europa. Alguns deles são a Itália (especialmente no norte do país), a França, a Espanha e Portugal. Figura 1 Mapa da expansão da arte Românica pela Europa Antes do advento do Românico, a arte europeia estava fragmentada em uma variedade de estilos regionais. A ruptura do controle centralizado romano levou a uma diversificação artística 8 significativa. No entanto, o movimento românico marcou uma mudança paradigmática ao introduzir elementos comuns em várias manifestações artísticas, especialmente nas construções eclesiásticas. As igrejas românicas tornaram-se verdadeiras obras-primas arquitetônicas, apresentando características distintivas, como paredes espessas, arcos semicirculares, abóbadas de berço e decoração escultórica elaborada em portais e capitéis. Este estilo unificador não apenas refletia a espiritualidade da época, mas também servia como um meio eficaz de comunicação visual para uma população predominantemente analfabeta. Nas obras arquitectónicas desse período, as construções passaram a ter grandes proporções, o que levou os artistas a procurar matérias-primas que acompanhassem esse desenvolvimento. A pedra passou a ser utilizada para levantar as grandes obras, como as catedrais e mosteiros. A ideia principal dessas grandes construções, veio acompanhada da fé do cristianismo, que nesse contexto, surgiu a necessidade da transmissão de mensagens para os fiéis analfabetos. Esculturas, mosaicos, pinturas e outras formas de arte eram utilizadas na propagação das palavras bíblicas. E uma dessas grandes construções é o exemplo da "fortaleza de Deus", O estilo durou até o século XIII, quando a arte gótica a substituiu e ganhou força. Mais tarde, no século XIX, surgiu o necromântico, estilo que buscava recuperar algumas características do estilo de arte românica em construções contemporâneas. A Arte Românica não apenas consolidou elementos arquitetônicos e escultóricos, mas também incorporou pinturas murais, manuscritos iluminados e trabalhos em metal, como crucifixos e cálices. Este período de unificação artística estabeleceu as bases para o subsequente estilo gótico, mas a Arte Românica continua a ser apreciada como uma expressão única e significativa da riqueza cultural e espiritual da Europa medieval Figura 2 Igreja Notre-Dame la grande de Poitiers - França 9 Na Idade Média a arte tem suas raízes na época conhecida como Paleocristã, trazendo modificações no comportamento humano, com o Cristianismo a arte se voltou para a valorização do espírito. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus proposto pelo cristianismo é chamada de teocentrismo (teos = Deus). Deus é o centro do universo e a medida de todas as coisas. A igreja como representante de Deus na Terra, tinha poderes ilimitados. 3.1. Arquitectura Românica No final dos séculos XI e XII, na Europa, surge a arte românica cuja a estrutura era semelhante às construções dos antigos romanos. O estilo da arquitectura românica é visto principalmente nas igrejas católicas construídas após a expansão do cristianismo pela Europa, e foi o primeiro depois da queda do Império Romano a apresentar características comuns em várias regiões. Existem diferenças entre a arte executada nas diversas regiões europeias, de acordo com as influências regionais recebidas, mas existe também uma série de características comuns, que definem o estilo românico. 3.1.1. Características gerais da arquitectura românica O uso de pedras nas construções Abóbadas é usado no lugar dos telhados de madeira É privilegiada a decoração externa das igrejas, fato que antes não acontecia. As obras artísticas ganham novo simbolismo e passam a sensibilizar, interferindo com o lado sensível de quem vê. Ressurgimento da escultura em grande escala com obras feitas em pedra 3.1.2. Características mais significativas da arquitectura românica Abóbadas em substituição ao telhado das basílicas; Pilares maciços que sustentavam e das paredes espessas; Aberturas raras e estreitas usadas como janelas; Torres, que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada; e Arcos que são formados por 180 graus. A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. Elas são sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas: fortalezas de Deus. A explicação mais aceita para as formas volumosas, estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser fruto do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos, é um estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa, assim a ser encarada como uma extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade. 10 Na Itália, diferente do resto da Europa, não apresenta formas pesadas, duras e primitivas. 3.2. Pintura Românica A pintura românica é muito característica do período da Idade Média e completamente diferente de tudo o que havia sido visto antes. Ela é composta por uma seriedade e objectividade que a tornam, também, distinta dos movimentos que viriam a seguir. Temas bíblicos e religiosos marcam a pintura românica. Geralmente, essas pinturas adornavam as igrejas e catedrais da época. Era utilizada a técnica do afresco, em que a pintura era feita sobre uma parede húmida. Diversos murais, iluminuras e tapeçarias surgem com temas religiosos. Feitas em cores vivas e fortes, elas preenchiam as paredesdos templos religiosos. Isso porque na Idade Média, poucos sabiam ler e escrever e, assim, essas pinturas serviam de “alfabetização religiosa” para os mais leigos. 3.2.1. Características principais da pintura românica As principais características da pintura românica, são: a deformação e o colorismo, a saber: Deformação: para transmitir os sentimentos religiosos, as figuras nem sempre eram produzidas nas proporções certas. Assim, Jesus poderia ser retratado maior do que as outras personagens para trazer a noção de magnitude. Desenhos lineares; Ausência de perspectiva e profundidade; Formas simples e objectivas. Colorismo: aplicação de cores puras, sem meios-tons e preocupação com jogos de luz e sombra. Uso de cores fortes; Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a igreja recorria a pintura para narrar historias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fieis. A pintura românica desenvolveu-se sobretudo nas grandes decorações de murais, através da técnica de afresco, que originalmente era uma técnica de pintar em paredes húmidas. 3.3. Escultura Românica As esculturas eram construídas, em grande maioria, nas igrejas católicas. Elas eram feitas nas próprias edificações das construções, sendo utilizadas como complemento daqueles espaços. 11 Geralmente, os trabalhos de escultura tomavam todo o espaço onde eram feitas, ou seja, não seguiam moldes reais de tamanhos humanos. Uniam o divino e imagens reais, muitas vezes unidas. As imagens tinham cores vivas e muitas das obras eram colocadas nas igrejas de peregrinação. Assim como a pintura, a igreja recorria à escultura para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. A área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano, nome que recebe a parede semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta. Imitação de formas rudes, curtas ou alongadas, ausência de movimentos naturais Figura 3 Catedral de Burgos A escultura românica é caracterizada pelo acentuado apego ao alongamento das formas, por um tratamento cheio de vitalidade dos panejamentos e por um notável sentido da narração e do pitoresco. 12 4. DIFERENÇAS REGIONAIS DA ARTE ROMÂNICA NA EUROPA O desenvolvimento da arte românica experimenta variações regionais e cronológicas muito importantes. É fundamental seguir a disparidade de formas que esta arte reveste nas diferentes regiões do Ocidente. A explicação da diversidade românica baseada apenas em cortes regionais afigura-se arbitrária, já que, sendo enorme a liberdade dos artistas, muitas obras incluídas num dado âmbito geográfico escapam às linhas gerais da arte dessa região. 4.1. A primeira arte românica Esta denominação designa o conjunto de experiências e novas criações que se efectuam, a partir dos finais do século X, na Europa Ocidental. A Arquitectura: o ponto de irradiação da primeira arquitectura românica situa-se na faixa Sul do antigo Império Carolíngio, da Itália do Norte à parte setentrional de Espanha, passando pelo Sul da França. No interior desta área geográfica destacam-se os centros lombardos e catalães. Os edifícios apresentam um plano simples, de uma a três naves terminadas por uma ábside, que tende a tornar-se mais complexo no decurso do século XI. O objectivo dos arquitectos era o de cuidar o aparelho da alvenaria. A arquitectura apresenta-se, desse modo, sob a forma de pequenos edifícios, construídos em blocos regulares. Uma das preocupações dos construtores diz respeito à cobertura dos edifícios, onde se esforçam por substituir o vigamento de madeira, facilmente inflamável, pelo abobadamento de pedra. Deste modo se inicia um processo de coberturas de pedra por algumas partes do templo, como ábsides ou galilés, onde a utilização da abóbada se tornava mais fácil de realizar, ainda que, como na igreja de Saint-Martin du Canigu, na Catalunha, construtores mais audaciosos a consigam estender a todo o edifício a abóbada, formando assim tramos. Quando a abóbada é de volta inteira, os seus impulsos efectuam-se horizontalmente e, quando de berço quebrado os impulsos são descarregados na vertical para a base das paredes, sendo o sistema de equilíbrio destes impulsos a ditar a elevação do edifício 13 Capitel da abadia de Cluny A escultura renasceu no românico, depois de muitos anos esquecida escultura é sempre condicionada à arquitetura e todo trabalho é executado sem deixar espaços sem uso. As figuras entalhadas têm o tamanho do elemento onde foram esculpidas, e os trabalhos de superfície acomodam-se no lugar em que ocupam. Dessa característica parte também a ideia de esquematização. 14 4.2. ARTE ROMÂNICA NA ITÁLIA Na Itália, a arte românica revelou uma conexão profunda com as ricas tradições artísticas romanas e bizantinas, estabelecendo uma continuidade que influenciou significativamente o desenvolvimento estilístico na região. O uso prolífico de mármore emergiu como uma característica distintiva dessa expressão artística, tanto em esculturas quanto em arquitetura. A escultura românica italiana, esculpida em mármore, destacou-se por sua elegância e precisão técnica. As obras muitas vezes retratavam temas religiosos, incorporando figuras bíblicas e cenas sagradas com uma destreza artística notável. O mármore, com sua durabilidade e beleza, proporcionou uma base ideal para a criação de peças esculturais intrincadas e expressivas. Um dos sub - estilos notáveis da arte românica na Itália é o Pisan Romanesque, identificado na região da Toscana. Esse estilo específico concentrou-se em elementos decorativos geométricos, criando uma estética única e altamente reconhecível. Catedral de Pisa, com a Torre Inclinada ao fundo. As formas geométricas, como arcos e padrões repetitivos, eram utilizadas de maneira elaborada, conferindo uma sofisticação visual às obras arquitetônicas e esculturais. A ênfase no Pisan Romanesque não apenas ressaltou a maestria técnica, mas também refletiu uma abordagem estilística distinta que se destacou dentro do panorama mais amplo da arte românica. Assim, a Itália contribuiu significativamente para a diversidade regional dessa época, moldando sua expressão românica com uma fusão única de tradições clássicas e inovações estilísticas locais. Essa herança artística românica italiana continua a ser uma fonte de admiração e estudo, destacando a riqueza cultural e histórica da região durante esse período. 15 4.3. ARTE ROMÂNICA NA FRANÇA A arte românica francesa, foi influenciada pelas tradições carolíngias e pelas formas romanas clássicas, exibiu características distintas que a diferenciaram de outros estilos românicos em toda a Europa. 4.3.1. Arquitectura Românica na França Abadia de Cluny A Abadia de Cluny, fundada no final do século X, foi um importante centro artístico românico na França. Suas dimensões grandiosas e sua arquitetura elaborada destacam-se como um exemplo significativo desse estilo. Arquitetura Monumental Igrejas românicas na França eram frequentemente monumentais, com características como nave única, capelas laterais e torres altas. Uso de arcos semicirculares e colunas maciças era comum, refletindo a influência das formas romanas clássicas. Arte Cisterciense O movimento cisterciense, surgido como uma reforma monástica, influenciou a arte românica na França. Os mosteiros cistercienses, como a Abadia de Fontenay, eram conhecidos por sua simplicidade e harmonia arquitetônica. Em termos de construção, os edifícios eram feitos sempre que possível de pedra lisa e clara.Colunas, pilares e janelas caíram no mesmo nível da base e, se o reboco foi feito, foi mantido extremamente simples. Lateral da igreja da abadia Fontenay vista do claustro16 Caminho de Santiago A França desempenhou um papel importante no Caminho de Santiago, rota de peregrinação que influenciou a arte românica. Muitas igrejas ao longo dessa rota exibiam elementos distintivos em sua arquitetura e escultura. Portais Esculpidos Portais das igrejas românicas francesas eram frequentemente adornados com esculturas em relevo, representando cenas bíblicas e figuras religiosas. Tímpanos esculpidos sobre os portais eram uma característica proeminente, muitas vezes retratando o Juízo Final ou cenas da vida de Cristo. Capitéis Decorados Capitéis dos pilares eram esculpidos com complexos detalhes, apresentando motivos religiosos, vegetais e animais estilizados. 4.3.2. Pintura Românica na França Pintura Mural Pinturas murais eram frequentemente usadas para decorar o interior das igrejas, destacando-se por sua função didática ao contar histórias bíblicas para uma população em grande parte analfabeta. Essas características ressaltam a complexidade e a riqueza da arte românica na França, onde a tradição carolíngia e a influência das formas romanas clássicas convergiram para criar um estilo distintivo e significativo durante a Idade Média. 4.4. ARTE BORGONHÊS A Borgonha constitui um dos centros mais dinâmicos no desenvolvimento da arte românica e conhece o seu apogeu na primeira parte do século XII. De uma harmonia e elegância particulares, nos fins do século XI e cuja elevação em três andares lhe confere uma enorme leveza. O Reino da Borgonha (em latim: regnum Burgundiae; em francês: royaume de Bourgogne) ou Burgúndia (em francês: Burgondie) é uma designação aplicada a sucessivas entidades de caráter nacional centradas no território histórico da Borgonha, que atualmente se encontra no sul-sudeste de França. O nome da região e do reino deve-se aos burgúndios, um povo de origem escandinavo. 17 Figura 4 Mapa do Reino Burgundio, o primeiro Reino da Borgonha, entre 443 a 476 4.5. ARTE ROMÂNICA NA ESPANHA A arte românica na Espanha, entre os séculos XI e XIII, reflete uma combinação única de influências culturais e históricas. 4.5.1. Arquitectura Românica na Espanha Influência Islâmica Devido à ocupação muçulmana na península Ibérica, a arte românica na Espanha incorporou influências islâmicas. Elementos como arcos de ferradura, azulejos e padrões geométricos foram integrados às estruturas românicas. Arquitetura Defensiva: Dada a Reconquista, um período de luta pela recuperação de territórios ocupados pelos mouros, algumas igrejas românicas na Espanha exibem características defensivas, como torres fortificadas e paredes espessas. Arte Mudejar O estilo Mudéjar, que mistura influências cristãs e muçulmanas, também teve impacto na arte românica na Espanha. É caracterizado por elementos geométricos, cerâmica colorida e ornamentação complexa. 18 Arco de Ferradura A presença de arcos de ferradura em alguns elementos arquitetônicos é uma reminiscência da arquitetura islâmica e está presente em algumas estruturas românicas na Espanha. 4.5.2. Escultura Românica Espanhola Decoração Escultórica A escultura românica na Espanha é evidente em portais, tímpanos e capitéis. As esculturas muitas vezes retratam figuras religiosas e cenas bíblicas, com uma estilização própria. Caminho de Santiago: A Espanha é famosa pelo Caminho de Santiago, uma rota de peregrinação que atraiu muitos devotos. Ao longo dessa rota, igrejas e capelas exibem elementos românicos distintos, incluindo esculturas e arquitetura ornamentada. 4.5.3. Pintura Românica Espanhola Pintura Mural Pinturas murais românicas decoravam muitas igrejas, contando histórias religiosas e proporcionando uma experiência visual rica para os fiéis. Essas características destacam a singularidade da arte românica na Espanha, evidenciando uma fusão de influências culturais e estilos arquitetônicos que surgiram de uma convivência complexa entre cristãos e muçulmanos ao longo da história. 19 4.6. ARTE ROMÂNICA NA ALEMANHA A arte românica na Alemanha, que floresceu principalmente entre os séculos XI e XIII, apresenta características distintas que a diferenciam de outras regiões europeias. A arte românica alemã caracterizou-se por uma arquitetura sólida e maciça, com influências otônicas e bizantinas. Igrejas e edifícios dessa época eram frequentemente construídos com paredes espessas, torres imponentes e uma sensação geral de solidez arquitetônica. Influências Otônicas As influências otônicas destacam a conexão com a dinastia dos Otões, que foi uma dinastia alemã importante no Sacro Império Romano-Germânico. Essas influências podem ser observadas em certas características arquitetônicas e estilísticas associadas à dinastia.A Catedral de Magdeburgo é um exemplo notável dessa influência. Catedral de Magdeburgo - Alemanha Influências Bizantinas A presença de influências bizantinas indica uma adoção de elementos arquitetônicos e estilísticos inspirados na tradição do Império Bizantino. Isso pode incluir a utilização de cúpulas, mosaicos e outros elementos característicos dessa cultura. Ornamentação e Decoração Embora o foco principal seja na solidez arquitetônica, a arte românica alemã também incorporou elementos decorativos, especialmente em detalhes esculturais em portais, capitéis e outros locais estratégicos. 20 Planos Basilicais e Plantas Centrais A arquitetura românica na Alemanha inclui tanto igrejas basílicas, com uma nave central e laterais, quanto igrejas com plantas centrais. A influência de plantas centrais pode ser vista, por exemplo, na Catedral de Speyer. Catedral de Speyer - Renânia-Palatinado, Alemanha Fachadas Ornamentadas As fachadas das igrejas românicas alemãs muitas vezes apresentam detalhes ornamentados, como arcos cegos, arcadas e relevos esculpidos. A Igreja de São Miguel, em Hildesheim, exemplifica a riqueza ornamental da arte românica na Alemanha. Torres Ocidentais e Cúpulas Torres ocidentais imponentes e cúpulas fazem parte da paisagem arquitetônica românica alemã. Esses elementos contribuem para a verticalidade e grandiosidade das igrejas. Influência dos Cluniacenses e Cistercienses A Alemanha experimentou a influência dos cluniacenses e cistercienses, ordens monásticas que desempenharam um papel significativo na construção de abadias e mosteiros. O Mosteiro de Maulbronn, por exemplo, é um exemplo notável. Mosteiro Maulbronn em Baden-Württemberg, Alemanha 21 4.6.1. Escultura Românica Alemã Esculturas Decorativas Portais e capitéis românicos alemães são frequentemente decorados com esculturas detalhadas. As figuras esculpidas retratam frequentemente temas bíblicos e cenas da vida de Cristo, servindo tanto como elementos decorativos quanto educativos. A arte românica na Alemanha, com suas características únicas e influências específicas, contribuiu para a rica tapeçaria cultural e religiosa da região durante a Idade Média. Suas igrejas e estruturas ainda hoje testemunham a importância desse período na história artística do país. 4.7. ARTE ROMÂNICA NA INGLATERRA A presença da arte românica na Inglaterra, que floresceu durante o período entre o final do século XI e o século XII, reflete uma fase importante na história arquitetônica e artística do país.Na Inglaterra, a arte românica foi influenciada pelas tradições anglo-saxãs e normandas.Os elementos escultóricos e arquitetônicos eram muitas vezes mais simples do que em algumas partes do continente. 4.7.1. Arquitectura Românica Inglesa Fusão de Tradições Anglo-Saxãs e Normandas A influência da fusão de tradições anglo-saxãs e normandas na arte românica na Inglaterra é um elemento essencial na evolução do estilo arquitetônico do país. Após a conquista normanda em 1066, liderada por Guilherme, o Conquistador, houve uma significativa transformação nas práticas arquitetônicase artísticas. Essa mudança culminou na formação do estilo românico inglês, que apresentou características distintas e refletiu a integração das influências normandas e anglo-saxãs. A fusão de tradições trouxe consigo diferentes técnicas construtivas. Elementos arquitetônicos normandos, como arcadas e torres massivas, foram integrados com características anglo-saxãs, criando uma síntese única. Arcos Semicirculares e Colunatas O estilo românico inglês incorporou arcadas semicirculares, um traço típico do românico, mas com uma interpretação única. As colunas e capitéis frequentemente exibiam esculturas detalhadas, misturando motivos normandos e anglo-saxões. 22 Elementos Defensivos Algumas igrejas românicas inglesas incluíam elementos defensivos, como torres ocidentais maciças. Essas características podem ter sido influenciadas pela arquitetura militar normanda. Utilização de Materiais Locais A arte românica na Inglaterra frequentemente utilizava materiais locais, como pedra calcária e arenito, adaptando-os às tradições construtivas normandas. Influência Monástica A construção de igrejas e catedrais românicas foi uma característica proeminente. A Catedral de Durham, iniciada no final do século XI, é um exemplo significativo com sua arquitetura imponente e elementos românicos distintivos. Mosteiros desempenharam um papel crucial na disseminação do estilo românico. Abadias como a de Winchester e a de Durham apresentam elementos românicos distintos, influenciados pela tradição monástica. Catedral de Winchester e de Durham respectivamente – Reino Unido Evocação Religiosa e Simbolismo: A arquitetura românica na Inglaterra, além de suas influências estilísticas, continuou a evocar significados religiosos e simbolismo, com esculturas e relevos representando cenas bíblicas e figuras sagradas. 23 4.7.2. Escultura Românica Inglesa Esculturas e Relevos Esculturas decorativas e relevos esculpidos adornavam portais, tímpanos e capitéis. As representações artísticas incluíam temas religiosos, como a Última Ceia, a Crucificação e figuras de santos. 4.7.3. Pintura Românica Inglesa Frescos e Pinturas Murais: A lguns exemplos de pinturas murais românicas sobreviveram, retratando cenas bíblicas e narrativas religiosas nas paredes internas das igrejas. 4.8. A ARTE NORMANDA Se estende desde o século XI sobre a Normandia francesa, Inglaterra e a Irlanda, beneficia da estabilidade política e de um importante mecenato. A amplidão dos seus programas favorece a utilização da cobertura em madeira, que perdura pelo século XII. Os edifícios normandos apresentam, em regra, uma elevação em três andares. Na região normanda, para não sacrificar a amplidão do edifício, os arquitectos recorrem preferencialmente à abóbada de arestas e estes edifícios, sóbrios e maciços, não se abrem à escultura monumental antes do fim do século XIII. Quando recorre à cobertura de pedra, utiliza abóbadas de arestas formando cruzamentos de ogivas que prefiguram o gótico. No exterior destes edifícios predominam fachadas harmoniosas de duas torres. A vastidão desta arquitectura deixa pouco espaço à escultura e a decoração interior é constituída por moldurações ornadas de motivos singelos Da mesma forma que na pintura românica, as esculturas românicas eram produzidas para adornar os locais sagrados. Por isso, a grande temática girava em torno da religiosidade, visto que nesse período o teocentrismo (Deus como centro do mundo) foi uma forte característica. Eram esculturas antinaturalistas e normalmente representadas por figuras entalhadas nas paredes das igrejas. Alguns relevos também enfeitavam as fachadas. A Itália permanece fortemente ligada ao seu fundo cultural antigo, que imprime à sua arte um certo conservadorismo. Pela sua posição geográfica, recebe numerosas influências: do Sacro Império, ao Norte, da arte românica, a Oeste, de Bizâncio, a Este. Neste contexto, a adopção das formas românicas efectua-se com uma disparidade considerável. 24 A Catedral de Pisa, dedicada à Virgem Maria, é um templo católico da Itália, localizado na cidade de Pisa. É a sede da Arquidiocese de Pisa e o maior exemplo do estilo Românico toscano. A arte românica atinge a sua plena maturidade no início do século XII, difundindo-se graças ao desenvolvimento do comércio e das rotas de peregrinação. 4.9. ARTE ROMÂNICA EM PORTUGAL A arte românica em Portugal foi um movimento que se centrou no desenvolvimento da Arquitectura e artes plásticas, focada nas construções religiosas e militares. Com as invasões muçulmanas deu-se a necessidade de criar fortificações, que pudessem apoiar a Reconquista dos reinos cristãos, até ao sul da Península Ibérica, que se encontrava ocupada pelos muçulmanos. Isto levou, ao mesmo tempo, a uma aposta nas construções religiosas, na tentativa de reconverter as populações, então convertidas ao Islão. No campo da arte, o seu desenvolvimento teve uma clara influência por parte dos restantes países europeus. 4.9.1. Arquitectura Românica em Portugal A Arquitectura românica no geral, e também em Portugal, tinha a função de erguer igrejas, castelos e fortificações. Os templos cristãos eram pesados, com paredes muito grossas, poucas aberturas e iluminação. A planta era normalmente em cruz latina, com três naves, duas laterais mais pequenas, e uma central mais larga; eram separadas por arcadas ou grossas colunas de pedra. A cobertura era feita em abóbada berço ou de arestas. Anexados à igreja estavam o campanário (torre sineira), o batistério e por vezes claustros fortificados, que para além de terem a sua função religiosa serviam de refúgio para os populares durante ataques à povoação. Domus Municipalis de Bragança – Portugal 25 4.9.2. Pintura Românica em Portugal A pintura românica era apenas um acrescento aos baixos relevos presentes no interior das igrejas, colorindo-os. À parte dessa pintura desenvolveram-se as iluminuras de influência francesa que ornamentavam documentos tais como: bíblias, missais, evangeliários, etc. 4.9.3. Escultura Românica em Portugal Na escultura românica nota-se mais do que na arquitetura o carácter religioso da arte da época. Os baixos relevos que ornamentavam as igrejas, tanto no interior como no exterior, relatavam vários episódios da vida dos santos e de vários mitos e histórias bíblicos. Nos pórticos eram esculpidos, tanto no tímpano como nos capitéis e nos colunelos. A escultura dividia-se em duas temáticas: Representações de motivação apotropaica, tais como cruzes e sinais mágicos Representações de teofanias ou MaiestasDomini (Cristo em Majestade) tais como os Agnus Dei (o cordeiro místico trespassado por uma cruz) ou Cristo em mandorla isolado dos profetas, anjos e tetramorfos. O Mosteiro de Paço de Sousa, pormenor dos capitéis, Penafiel A presença moura em Portugal, durante o período da arte românica, teve um impacto significativo na arquitetura e na estética, especialmente na região de Coimbra. A influência moura deixou uma marca distintiva na arte românica portuguesa, incorporando elementos arquitetônicos e decorativos que se destacam. Azulejos: A introdução e a popularização dos azulejos na arte românica portuguesa são uma contribuição marcante da influência moura. Azulejos são pequenas peças de cerâmica esmaltada, frequentemente utilizadas para criar padrões decorativos nas superfícies das construções. Padrões Geométricos: A utilização de padrões geométricos, característicos da arte islâmica, é uma expressão clara da influência moura. Esses padrões, muitas vezes intricados e simétricos, podem ser observados em azulejos, estuques e outros elementos decorativos. 26 Detalhes Arquitetônicos: Elementos arquitetônicos, como arcos de ferradura, são uma característica da arquitetura islâmica que também se integrou à arte românica portuguesa. Esses arcos podem serencontrados em igrejas e edifícios românicos, demonstrando uma fusão de estilos. Utilização de Materiais Locais: Assim como em outras regiões influenciadas pela presença moura, a arte românica em Portugal frequentemente utilizava materiais locais, como pedra calcária, adaptando-os às tradições arquitetônicas e decorativas. Influência Decorativa nas Igrejas: Igrejas românicas na região de Coimbra podem exibir influências mouras em elementos decorativos, incluindo painéis de azulejos, padrões geométricos nas paredes e outras formas de ornamentação. A interação cultural entre as comunidades cristãs e muçulmanas em Portugal durante a Idade Média deixou uma herança artística única. A presença moura contribuiu para a diversidade estilística na arte românica portuguesa, resultando em uma fusão de elementos que caracterizam essa região específica. A utilização de azulejos e padrões geométricos destaca-se como uma característica distintiva dessa influência cultural. 4.10. ARTE ROMÂNICA NA ESCANDINÁVIA A Escandinávia é uma região geográfica e histórica da Europa Setentrional, abrangendo a Dinamarca, a Suécia e a Noruega. Nesta região, a arte românica teve uma presença limitada, quando comparada com outras regiões da Europa onde esse estilo foi mais proeminente. A maior parte do desenvolvimento da arte românica ocorreu entre os séculos XI e XIII, mas na Escandinávia, esse período foi marcado por influências predominantemente pré-românicas e, posteriormente, pelo surgimento do estilo gótico. Alguns elementos da arte românica podem ser observados na Escandinávia, mas muitas vezes de maneira adaptada às tradições locais e às condições climáticas específicas da região. Aqui estão algumas características notáveis: Igrejas de Pedra Durante o período românico, houve uma transição gradual de igrejas de madeira para estruturas de pedra na Escandinávia. No entanto, as igrejas de pedra ainda exibiam características arquitetônicas mais simples se comparadas com as grandes catedrais românicas encontradas em outras partes da Europa. 27 Portais e Capitéis Esculpidos: Algumas igrejas escandinavas apresentavam portais e capitéis esculpidos, características típicas da arte românica. As esculturas muitas vezes representavam motivos religiosos e eram mais simples em comparação com regiões onde o estilo românico foi mais proeminente. Influências de Estilos Pré-Romanescos: Elementos de estilos pré-românicos, como o estilo de pedra entalhada de influência viking, continuaram a ter presença na arquitetura escandinava. Essa fusão de estilos resultou em características únicas. Influência Gótica Precoce: Na segunda metade do século XII, a Escandinávia começou a adotar características do estilo gótico, que sucedeu o românico em muitas partes da Europa. A transição para o gótico foi relativamente rápida na região. Decoração Simples: Em comparação com as elaboradas decorações e esculturas presentes em algumas igrejas românicas em outras regiões, as igrejas escandinavas muitas vezes exibiam decorações mais simples e sóbrias. É importante notar que as condições geográficas, culturais e históricas da Escandinávia influenciaram fortemente o desenvolvimento artístico da região. Embora a arte românica tenha deixado algumas marcas na Escandinávia, o estilo predominante foi o gótico, que se adaptou mais prontamente à sensibilidade artística e arquitetônica local. 28 5. RESUMINDO A ARTE ROMÂNICA EM DIFERENTES REGIÕES Itália: Influências Romanas e Bizantinas: Reflete uma continuidade com as tradições artísticas romanas e bizantinas. Uso Frequente de Mármore: Mármore é comum em esculturas e arquitetura. Pisan Romanesque: Estilo específico na Toscana, com ênfase em elementos decorativos geométricos. França: Influências Carolíngias: Inspirada pelas tradições carolíngias e formas romanas clássicas. Abadia de Cluny: Importante centro artístico românico. Alemanha: Arquitetura Sólida e Maciça: Caracteriza-se por uma arquitetura robusta, com influências otônicas e bizantinas. Região da Renânia: Conhecida por igrejas ricamente decoradas. Espanha: Influência Mista: Sofreu influências românicas, moçárabes e mudéjares. Arquitetura Defensiva: Algumas características defensivas devido à convivência com a Reconquista. Portugal: Influência Mista com o Islã: Presença moura, especialmente em Coimbra, reflete-se em azulejos e padrões geométricos. Abadia de Santa Maria de Alcobaça: Exemplo notável da arte românica em Portugal. Escandinávia: Transição para o Gótico: Transição rápida para características do estilo gótico no final do século XII. Influência Viking Menos Evidente: Arte viking não teve uma influência direta significativa na arte românica escandinava. 29 Essas breves características resumem as nuances distintas da arte românica em cada região, destacando as influências culturais, estilísticas e históricas que moldaram essa fase na história da arte europeia. 30 6. Conclusão Concluindo a pesquisa sobre a Arte Românica e suas diferenças regionais na Europa, observamos uma rica tapete cultural e estilística moldada por fatores diversos. Embora a Arte Românica compartilhasse características básicas em toda a Europa entre os séculos XI e XIII, as nuances regionais foram notáveis. Quando falamos em arquitectura, pintura ou da escultura românica, importa ter presente que os edifícios não constituem apenas um conjunto de elementos que, coordenados entre si, lhe conferem uma dada forma que se designa de “construção românica”. Estes são também, e muito, o resultado de combinações conceptuais, mas também de conjunturas históricas, económicas, políticas, sociais e religiosas específicas. Mais do que história das formas, a arquitectura, pintura e escultura, tem de serem entendidas como história dos significados. A criação de grupos regionais, reunidos sob o título de “românico”, resulta de estabilizações de diferentes soluções técnicas, formais e funcionais dominantes e, por extensão, de diferentes sentidos. A arte que se formou nos séculos XI e XII por toda a Europa ocidental, prolongando-se além destas centúrias, não mostrou sempre, nem em todo o lado, as mesmas características. Assim sendo, são o resultado da acção humana. Um estilo não é unicamente um conjunto de soluções formais que o objecto artístico e/ou arquitectónico possui em si mesmo, mas é antes uma conjugação de formas, ideias e funcionalidades. 31 Referencias Bibliográficas PIMENTAL, A. F., Grunewald, D., Debicki, J., Favre, J. F. (2010) HISTORIA DA ARTE (Arquitectura, Escultura e Pintura). MinervaCoimbra editora. Coimbra-Portugal. Janson, H. W., &Janson, A. F. (2014). História da Arte. Bookman Editora. Honour, H., & Fleming, J. (2009). História Mundial da Arte. Editora LTC. Henderson, G. (1977). História da Arquitetura. Zahar Editores. Rivoira, G. T. (2013). La Arte Cristiana en la Edad Media: Romanico, Gotico, Renacimiento. Editorial Maxtor. Wikipedia. Arquitectura Românica. Disponível em: https://www.estilosarquitetonicos.com.br/arquitetura-romanica/ Wikipedia. Romanico espanhol. Disponível em: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Rom%C3%A2nico_espanhol. Estilo Romanico na Espanha. Disponível em: https://umbrasileironaespanha.wordpress.com/2020/04/07/estilo-romanico-na-espanha/ Arte Românica. 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