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53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 Módulo: Imóveis Rurais 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 4 DIREITO DO AGRONEGÓCIO Patrono Regente Supervisor Acadêmico Francisco de Godoy Bueno Supervisor Acadêmico Bruno Baltieri Dario IMÓVEIS RURAIS Tema 01 História da Propriedade Rural no Brasil Tema 02 Terras Devolutas e Regularização Fundiária Tema 03 Terras Públicas e Privadas: Regime Jurídico Tema 04 Desapropriação para Fins de Reforma Agrária: Fase Administrativa, Judicial e Questões Controvertidas Tema 05 Direito Imobiliário Rural: Princípios Registrais Tema 06 Direito Imobiliário Rural: Matrícula do Imóvel Rural e Georreferenciamento Tema 07 Cadastro de Terras: SNCR, CAFIR, CNIR, CAR Tema 08 Controle da Propriedade: Fiscalização Cadastral pelo INCR Tema 09 Terras Particulares e Territórios Indígenas e Quilombolas Tema 10 Estratégias Processuais de Proteção da Posse e da Propriedade Rural 4 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 5 História da Propriedade Rural no Brasil Tema 01: Aula 01 – A Lei das Sesmarias Neste tema, abordaremos – com o fito de inaugurar nossas discussões sobre a compreensão e regramento dos imóveis rurais – os principais aspectos acerca da história da propriedade rural no Brasil. Nas quatro aulas que constituem este tema inaugural, portanto, será estudada uma série de fatos históricos e como estes fatos reverberam, atualmente, em termos práti- cos. Para essa incursão, temos que ter em mente que não é possível compreender o agro- negócio sem entender sua origem, como se deu sua formação histórica e as mudanças que ocorreram nos sistemas relativos ao domínio, à posse, aos títulos e à propriedade em si. Iniciaremos, nesta primeira aula, analisando aspectos importantes da Lei das Ses- marias de 28 de maio de 1375. A referida Lei surge no contexto da indagação do reinado português acerca de qual seria o direito a ser aplicado nas terras brasileiras recém domi- nadas. A solução encontrada por Portugal foi utilizar as normas já disponíveis no ordena- mento jurídico português, qual seja: a Lei das Sesmarias. No contexto português, a ideia por trás da Lei das Sesmarias era combater um pe- ríodo de fome. Tal período pode ser entendido como a somatória de diversos fatores, entre os quais a peste negra e as guerras de presúrias que levaram a uma crise na agricultura e à escassez de cereais, bem como ao êxodo dos trabalhadores rurais e à luta por espaço entre agricultura e pastoreios (pecuária extensiva). A Lei das Sesmarias, nessa conjuntura, obrigou os proprietários a cultivar suas terras, sob pena de ter que permitir que terceiros realizem o cultivo no solo não utilizado. Além disso, a Lei obrigava ao trabalho na agricultura todos os que fossem filhos ou netos de lavradores. Proibia a criação de gado que não fosse para trabalhos de lavoura, reduzin- do, sobremaneira, a atividade pecuária em Portugal, pelo privilegiamento da agricultura, sobretudo a cultura da cevada e do trigo. Por fim, ainda é possível dizer que a Lei das Sesmarias promoveu um aumento do número de trabalhadores rurais pela compulsão de mendigos, ociosos e vadios que pu- dessem fazer uso de sua força no campo, sob pena de sanções físicas. Tais disposições, posteriormente, foram incorporadas nas Ordenações Afonsinas, Manuelinas (1521) e Filipinas. Sendo que esta última foi a grande base da legislação apli- cada no Brasil, vigendo até a entrada em vigor do Código Civil de 1916. É importante pontuar, porém, que a Lei das Sesmarias pode ser vista sob duas 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 6 Imóveis Rurais óticas: sobre sua aplicação em Portugal, a referida Lei prestou a regular a prática de ocu- pação e cultivo de terras desaproveitadas pelos proprietários negligentes ou sem uso. Já no Brasil, a Lei serviu de instrumento de ocupação e povoamento do novo território. Tra- ta-se de uma adaptação da Lei enquanto expressão do que o estudo da história do Direito chama de “diálogo com a tradição”, isto é, a opção pela utilização dos preceitos legais já existentes em detrimento da feitura de uma lei específica. Cumpre salientar que o sistema sesmarial teve três grandes fases, intituladas: (a) fase inicial de colonização (de 1531 a 5 de outubro de 1795); (b) fase de regramento pró- prio (Alvará de 5 de outubro de 1795 até a Resolução de 17 de julho de 1822); e (c) período das posses ou período extralegal (de 17 de julho de 1922 até a Lei de Terras – Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850). A primeira fase se inicia com as capitanias hereditárias e seu escopo estava na distribuição de terras por meio das chamadas cartas das sesmarias para que portugueses viessem ao Brasil explorar as terras concedidas. A segunda fase se inicia com a expedição de uma legislação própria para aplicação no Brasil, que durou até a chamada Resolução de 17 de julho de 1822, em que ficou proibida a concessão de novas terras a título de sesma- rias (a doação de novas terras), diante da ineficácia no controle e dificuldade de registro. Diante dessa proibição, surge um terceiro período marcado pelas posses que durou até a edição da Lei de Terras (1850), o que viabilizou a criação de latifúndios pela atividade ex- tralegal do período. Assim, é possível visualizar que na formação histórica brasileira houve um grande problema sobre como realizar a regulamentação das terras, encontrando solução inicial na Lei das Sesmarias até a entrada em vigor da Lei de Terras. O regime das Sesmarias é um instituto jurídico do direito português e que foi utilizado no Brasil no período colonial, como instrumento de distribuição de terra, visando promover o povoamento e o cultivo das terras com dura- ção de aproximadamente três séculos. Esse estudo tem como objetivo pro- blematizar a relação da aplicabilidade do regime brasileiro das Sesmarias com a mentalidade jurídica de propriedade moderna no Brasil, partindo-se da publicação do Alvará de 5 de outubro de 1795 até a Resolução de 17 de julho de 1822. Como método, esse estudo se trata de um levantamento bibliográfico de cunho qualitativo. Para construção da pesquisa, tornou- -se necessário, a compreensão teórica nas obras de Kahn (1972); Reprint e Thonson (1973), Lima (1990); Faoro (2001), Alveal (2002; 2017); Diniz (2005); Gonçalves (2014); bem como as Ordenações Portuguesas, Cartas Régias, Alvarás e Cartas de Sesmarias. Considera-se nesse estudo que as cartas de Sesmarias são de fundamental importância histórica e também jurídica para a compreensão de que os títulos de sesmarias emitidos pela coroa portuguesa simbolizavam o domínio não pleno, não absoluto de pro- priedade como compreendido no direito atual, mas que na época em vigia o regime sesmarial, o dito título, tinha força jurídica para resguardar os ses- meiros de sua posse e do seu domínio sobre as terras. Visto que foi um Leitura Complementar 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 053 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 Tema 01 - Aula 01 7 instituto que contribuiu para a formação inicial da propriedade no Brasil e que ainda repercute nos dias atuais. EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REIVINDICATÓRIA - CARTA SESMARIA - NE- CESSIDADE DE REVALIDAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE POSSE ANTERIOR SOBRE A ÁREA - RE- GISTRO DE IMÓVEL - PRESUNÇÃO IURIS TANTUM RECHAÇADA POR DECISÃO DO STJ. A legitimidade da posse decorrente de Carta de Sesmaria depende de revalidação, mediante a observância dos requisitos da Lei 601/50, sendo certo que, no caso dos autos, inexiste qualquer notícia acerca de tal convalidação. Uma vez que as certidões de fls. 61 e 63 de- monstram que a matrícula do imóvel foi aberta a partir da Carta de Sesmaria passada ao de cujus e tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido que, no caso do imóvel em ques- tão, referido documento não se mostra apto à transcrição no Registro de Imóveis, deve ser desconsiderado o teor dos citados documentos. (TJ-MG - AC: 10194150085067001 MG, Relator: Marco Aurelio Ferenzini, Data de Julgamento: 07/07/0020, Data de Publicação: 13/07/2020). MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Agricultura no Brasil do século XXI. Metalivros, 2013. SOUZA, Lucas Monteiro de; RODRIGUES, Rafael Molinari. Direito Do Agronegócio - Teoria E Prática. São Paulo, LTr. 1ª ed., 2019. PARA LEITURA DO TEXTO NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI: Jurisprudência 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 Tema 01 - Aula 01 8 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0 53 88 42 64 32 0