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DIREITO DO AGRONEGÓCIO
 
Patrono Regente Supervisor Acadêmico 
Francisco de Godoy Bueno
Supervisor Acadêmico
Bruno Baltieri Dario
IMÓVEIS RURAIS
Tema 01 
História da Propriedade Rural no Brasil
Tema 02
Terras Devolutas e Regularização Fundiária 
Tema 03 
Terras Públicas e Privadas: Regime Jurídico
Tema 04 
Desapropriação para Fins de Reforma Agrária: Fase Administrativa, Judicial e Questões 
Controvertidas
Tema 05 
Direito Imobiliário Rural: Princípios Registrais
Tema 06 
Direito Imobiliário Rural: Matrícula do Imóvel Rural e Georreferenciamento
Tema 07 
Cadastro de Terras: SNCR, CAFIR, CNIR, CAR 
Tema 08 
Controle da Propriedade: Fiscalização Cadastral pelo INCR
Tema 09 
Terras Particulares e Territórios Indígenas e Quilombolas 
Tema 10
Estratégias Processuais de Proteção da Posse e da Propriedade Rural 
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História da Propriedade Rural no Brasil
Tema 01:
Aula 01 – A Lei das Sesmarias
Neste tema, abordaremos – com o fito de inaugurar nossas discussões sobre a 
compreensão e regramento dos imóveis rurais – os principais aspectos acerca da história 
da propriedade rural no Brasil.
Nas quatro aulas que constituem este tema inaugural, portanto, será estudada 
uma série de fatos históricos e como estes fatos reverberam, atualmente, em termos práti-
cos. Para essa incursão, temos que ter em mente que não é possível compreender o agro-
negócio sem entender sua origem, como se deu sua formação histórica e as mudanças 
que ocorreram nos sistemas relativos ao domínio, à posse, aos títulos e à propriedade em 
si.
Iniciaremos, nesta primeira aula, analisando aspectos importantes da Lei das Ses-
marias de 28 de maio de 1375. A referida Lei surge no contexto da indagação do reinado 
português acerca de qual seria o direito a ser aplicado nas terras brasileiras recém domi-
nadas. A solução encontrada por Portugal foi utilizar as normas já disponíveis no ordena-
mento jurídico português, qual seja: a Lei das Sesmarias.
No contexto português, a ideia por trás da Lei das Sesmarias era combater um pe-
ríodo de fome. Tal período pode ser entendido como a somatória de diversos fatores, entre 
os quais a peste negra e as guerras de presúrias que levaram a uma crise na agricultura 
e à escassez de cereais, bem como ao êxodo dos trabalhadores rurais e à luta por espaço 
entre agricultura e pastoreios (pecuária extensiva).
A Lei das Sesmarias, nessa conjuntura, obrigou os proprietários a cultivar suas 
terras, sob pena de ter que permitir que terceiros realizem o cultivo no solo não utilizado. 
Além disso, a Lei obrigava ao trabalho na agricultura todos os que fossem filhos ou netos 
de lavradores. Proibia a criação de gado que não fosse para trabalhos de lavoura, reduzin-
do, sobremaneira, a atividade pecuária em Portugal, pelo privilegiamento da agricultura, 
sobretudo a cultura da cevada e do trigo.
Por fim, ainda é possível dizer que a Lei das Sesmarias promoveu um aumento do 
número de trabalhadores rurais pela compulsão de mendigos, ociosos e vadios que pu-
dessem fazer uso de sua força no campo, sob pena de sanções físicas.
Tais disposições, posteriormente, foram incorporadas nas Ordenações Afonsinas, 
Manuelinas (1521) e Filipinas. Sendo que esta última foi a grande base da legislação apli-
cada no Brasil, vigendo até a entrada em vigor do Código Civil de 1916.
É importante pontuar, porém, que a Lei das Sesmarias pode ser vista sob duas 
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6 Imóveis Rurais
óticas: sobre sua aplicação em Portugal, a referida Lei prestou a regular a prática de ocu-
pação e cultivo de terras desaproveitadas pelos proprietários negligentes ou sem uso. Já 
no Brasil, a Lei serviu de instrumento de ocupação e povoamento do novo território. Tra-
ta-se de uma adaptação da Lei enquanto expressão do que o estudo da história do Direito 
chama de “diálogo com a tradição”, isto é, a opção pela utilização dos preceitos legais já 
existentes em detrimento da feitura de uma lei específica.
Cumpre salientar que o sistema sesmarial teve três grandes fases, intituladas: (a) 
fase inicial de colonização (de 1531 a 5 de outubro de 1795); (b) fase de regramento pró-
prio (Alvará de 5 de outubro de 1795 até a Resolução de 17 de julho de 1822); e (c) período 
das posses ou período extralegal (de 17 de julho de 1922 até a Lei de Terras – Lei nº 601, 
de 18 de setembro de 1850).
A primeira fase se inicia com as capitanias hereditárias e seu escopo estava na 
distribuição de terras por meio das chamadas cartas das sesmarias para que portugueses 
viessem ao Brasil explorar as terras concedidas. A segunda fase se inicia com a expedição 
de uma legislação própria para aplicação no Brasil, que durou até a chamada Resolução de 
17 de julho de 1822, em que ficou proibida a concessão de novas terras a título de sesma-
rias (a doação de novas terras), diante da ineficácia no controle e dificuldade de registro. 
Diante dessa proibição, surge um terceiro período marcado pelas posses que durou até a 
edição da Lei de Terras (1850), o que viabilizou a criação de latifúndios pela atividade ex-
tralegal do período.
Assim, é possível visualizar que na formação histórica brasileira houve um grande 
problema sobre como realizar a regulamentação das terras, encontrando solução inicial na 
Lei das Sesmarias até a entrada em vigor da Lei de Terras.
O regime das Sesmarias é um instituto jurídico do direito português e que 
foi utilizado no Brasil no período colonial, como instrumento de distribuição 
de terra, visando promover o povoamento e o cultivo das terras com dura-
ção de aproximadamente três séculos. Esse estudo tem como objetivo pro-
blematizar a relação da aplicabilidade do regime brasileiro das Sesmarias 
com a mentalidade jurídica de propriedade moderna no Brasil, partindo-se 
da publicação do Alvará de 5 de outubro de 1795 até a Resolução de 17 
de julho de 1822. Como método, esse estudo se trata de um levantamento 
bibliográfico de cunho qualitativo. Para construção da pesquisa, tornou-
-se necessário, a compreensão teórica nas obras de Kahn (1972); Reprint 
e Thonson (1973), Lima (1990); Faoro (2001), Alveal (2002; 2017); Diniz 
(2005); Gonçalves (2014); bem como as Ordenações Portuguesas, Cartas 
Régias, Alvarás e Cartas de Sesmarias. Considera-se nesse estudo que as 
cartas de Sesmarias são de fundamental importância histórica e também 
jurídica para a compreensão de que os títulos de sesmarias emitidos pela 
coroa portuguesa simbolizavam o domínio não pleno, não absoluto de pro-
priedade como compreendido no direito atual, mas que na época em vigia o 
regime sesmarial, o dito título, tinha força jurídica para resguardar os ses-
meiros de sua posse e do seu domínio sobre as terras. Visto que foi um 
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Tema 01 - Aula 01 7
instituto que contribuiu para a formação inicial da propriedade no Brasil e 
que ainda repercute nos dias atuais.
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REIVINDICATÓRIA - CARTA SESMARIA - NE-
CESSIDADE DE REVALIDAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE POSSE ANTERIOR SOBRE A ÁREA - RE-
GISTRO DE IMÓVEL - PRESUNÇÃO IURIS TANTUM RECHAÇADA POR DECISÃO DO STJ. A 
legitimidade da posse decorrente de Carta de Sesmaria depende de revalidação, mediante 
a observância dos requisitos da Lei 601/50, sendo certo que, no caso dos autos, inexiste 
qualquer notícia acerca de tal convalidação. Uma vez que as certidões de fls. 61 e 63 de-
monstram que a matrícula do imóvel foi aberta a partir da Carta de Sesmaria passada ao 
de cujus e tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido que, no caso do imóvel em ques-
tão, referido documento não se mostra apto à transcrição no Registro de Imóveis, deve ser 
desconsiderado o teor dos citados documentos. (TJ-MG - AC: 10194150085067001 MG, 
Relator: Marco Aurelio Ferenzini, Data de Julgamento: 07/07/0020, Data de Publicação: 
13/07/2020).
MIRANDA, Evaristo Eduardo de. Agricultura no Brasil do século XXI. Metalivros, 
2013.
SOUZA, Lucas Monteiro de; RODRIGUES, Rafael Molinari. Direito Do Agronegócio - 
Teoria E Prática. São Paulo, LTr. 1ª ed., 2019.
PARA LEITURA DO TEXTO
NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI:
Jurisprudência
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