Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Trabalho de Conclusão de Curso Lato sensu
Sheron Carolina Melo da Silva
	
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIDOMBOSCO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENDODONTIA 
SHERON CAROLINA MELO DA SILVA
Ozonioterapia como potencializadora no tratamento endodôntico
Curitiba - PR
2025
SHERON CAROLINA MELO DA SILVA
Ozonioterapia como potencializadora no tratamento endodôntico
Trabalho de Conclusão apresentado no Curso de especialização em Endodontia, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Endodontia.
Profº Orientador: Daniel Sponholz Farhat
REVISÃO DE LITERATURA
OZONIOTERAPIA COMO POTENCIALIZADORA NO TRATAMENTO ENDODÔNTICO
 
 
Sheron Carolina Melo da Silva[1]
Ms. Daniel Sponholz Farhat[2]
 
Resumo: A utilização do ozônio (O3) como potencializador para o sucesso no tratamento endodôntico vem ganhando espaço e vem se difundido, tem sido cada vez mais aplicado e mais estudado, devido ao seu poder antimicrobiano, anti-inflamatório, desinfetante e de possuir alta biocompatibilidade, ação de cicatrização e cura de lesões. Para sua utilização existem diversas formas de aplicação com potencial de descontaminação, através de gás, de água e de óleos ozonizados, podendo ser utilizado em conjunto ou separadamente. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi expor os resultados obtidos em estudos feitos com a utilização do ozônio associado com outros irrigantes como hipoclorito e clorexidina. A metodologia empregada teve como proposta realizar uma revisão da literatura pesquisada em bases de dados científicos, como PubMed, SciELO, Google Acadêmico, Journal of Endodontics. Concluiu-se que o índice de sucesso para a diminuição da dor pós sessões da terapia endodôntica e reparação tecidual é alcançado quando se associa ozônio à agitação ultrassônica. Em muitos estudos foram comprovados que essa associação obteve índice de sucesso igual ou superior ao ser comparado com o hipoclorito de sódio e a clorexidina, em relação a diminuição bacteriana, mas em relação à reparação tecidual o ozônio se mostrou mais eficaz.
Palavras-chave: Canal. Terapias complementares odontológicas. Ozônio.
 
Abstract: The use of ozone (O3) as a potential enhancer for success in endodontic treatment has been gaining ground and has become widespread. It has been increasingly applied and studied due to its antimicrobial, anti-inflammatory, disinfectant power and high biocompatibility, healing and wound healing action. There are several forms of application for its use with decontamination potential, through gas, water and ozonated oils, and they can be used together or separately. In this context, the objective of this study was to present the results obtained in studies using ozone associated with other irrigants such as hypochlorite and chlorhexidine. The methodology used was to conduct a review of the literature researched in scientific databases, such as PubMed, SciELO, Google Scholar, and Journal of Endodontics. It was concluded that the success rate for reducing pain after endodontic therapy sessions and tissue repair is achieved when ozone is combined with ultrasonic agitation. Many studies have shown that this combination has a success rate equal to or higher than that of sodium hypochlorite and chlorhexidine in terms of bacterial reduction, but ozone has proven to be more effective in tissue repair.
Keywords: Root canal. Complementary dental therapies. Ozone.
 
 
1 INTRODUÇÃO
 
A Odontologia está se aprimorando cada vez mais em técnicas menos invasivas, menos dolorosas e que apresentem como resultado terapias mais eficazes. A Endodontia é uma especialidade da Odontologia que visa o tratamento e o estudo de doenças que afetam o tecido pulpar e atua no tratamento e na prevenção de lesões que afetam os tecidos perirradiculares (SILVA et al., 2023)
A constante busca por substâncias que auxiliem em terapias complementares, conduziu à utilização da ozonioterapia na odontologia e na medicina como suporte no tratamento de diversas doenças crônicas e agudas (PAIXÃO et al., 2021). 
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) reconheceu e regulamentou o uso da Ozonioterapia pelo cirurgião dentista em 2015 (ALVES et al., 2022). É importante reforçar que para fazer uso do ozônio no consultório odontológico, é necessário que o dentista realize o curso de qualificação em ozonioterapia aplicada à odontologia (NESI, 2018). 
O ozônio é um composto alotrópico do oxigênio, formado por três átomos de oxigênio, onde cada átomo está ligado aos outros átomos por uma ligação simples, através de descargas elétricas que se quebram e formam o composto O3. (MARTIN, 2018; NESI, 2018; SILVA et al., 2023). Um composto muito instável e oxidante, o ozônio, retoma sua forma de oxigênio rapidamente. Esta capacidade oxidante é uma das razões pelas quais ele é explorado em diversas aplicações na medicina e na odontologia como um potencializador da cicatrização e da reparação de tecidos (NESI, 2018).
O precursor na descoberta do ozônio foi Martinus Van Marum, em 1785, ao submeter o oxigênio à descargas elétricas, notou um odor de material elétrico desagradável bastante específico. Anos depois, em 1848, o Dr. Christian Shonbein, um físico alemão, repetiu o mesmo experimento e nomeou o produto resultante do experimento de ozônio, proveniente do grego com significado de odorante. Christian descreveu diversas propriedades do composto ozônio.
Historicamente, o uso do ozônio com finalidades médicas existe desde 1885 com estudos realizados por Charles J. Kenworth, membro da Sociedade Médica da Flórida. Em 1929 publicou o livro “Ozone and its therapeutic actions” no qual descreveu 114 enfermidades que poderiam ser tratadas com a ozonioterapia. O ozônio era considerado um dos tratamentos mais eficazes contra as infecções bacterianas e foi utilizado em larga escala durante a I Guerra Mundial. 
Assim, foi muito utilizado no campo da medicina, no tratamento de ferimentos de soldados no século XIX (SILVA et al., 2022). Dando continuidade nas pesquisas para área médica, a Alemanha nos anos 70 desenvolveu muitos estudos na utilização do ozônio como terapias sistêmicas (MASLENNIKOV et al., 2008). 
Anos depois, em 1928, veio a descoberta da penicilina e, devido a isso, a história relata que, em 1933, o diretor da Associação Médica Americana, Dr. Simmons, solicitou ao governo americano que fosse proibido o emprego de todas as terapias que não usassem medicamentos autorizados e devidamente registrados, incluindo a ozonioterapia. Diante desses fatos, os pesquisadores persistiram em seu uso e continuaram os estudos, em detrimento da proibição do uso clínico rotineiro. 
E assim sucessivamente foram aparecendo vários autores estudando sobre o ozônio como Mariniak e Dela Rive, Mulliken e Dewar que constataram que ele é uma forma alotrópica do oxigênio. Em 1957, Warner criou tubos para indução magnética, capazes de produzir ozônio em larga escala, e assim, iniciou-se uma extensa pesquisa sobre as propriedades do ozônio (MASLENNIKOV et al., 2008; VALLERIUS et al., 2023).
Por mais de 80 anos, o ozônio vem sendo utilizado para a purificação da água. Nos dias de hoje, na cidade de Paris na França, o processo de tratamento da água é feito com ele (MASLENNIKOV et al., 2008). 
Recentemente, a Federação Internacional de Ozonioterapia (WFOTs) publicou uma revisão com centenas de trabalhos pautados na medicina baseada em evidências sobre o uso do ozônio em diversos tratamentos (KAWAHARA et al., 2020).
Atualmente, a International Ozone Association (IOA), tem sua sede nos Estados Unidos da América, onde realizam congressos mundiais a cada dois anos em vários países do mundo. Nessa organização, médicos de todo mundo compartilham resultados de seus trabalhos em conferências, workshops, anais de simpósios e mídias de informação pública (MASLENNIKOV et al., 2008).
Assim, o objetivo deste trabalho foi explorar e revisar a literatura atual sobre o uso do ozônio na endodontia e demonstrar a sua efetividade com seu uso único e associadoà agitação. 
 
2 REVISÃO DA LITERATURA
 
Este artigo consiste em uma revisão de literatura, de caráter qualitativo, baseada em uma análise de artigos científicos, trabalho de conclusões de cursos, monografias, dissertações, periódicos e livros. 
Afim de se cumprir o objetivo proposto foi realizada uma revisão bibliográfica utilizando as principais bases de dados eletrônicos como a PubMed, a SciELO, o Google Acadêmico e o Journal of Endodontics. 
Foram utilizados artigos relevantes referentes a área da ozonioterapia. A pesquisa se deu através da busca por palavras chaves como: ozônio, endodontia, terapias complementares. Para a revisão, foram utilizados materiais que se enquadrassem apenas no período de 2002 à 2024.
O ozônio é uma molécula triatômica, composta por 3 átomos de oxigênio. É um composto muito reativo, incolor, parcialmente solúvel em água, com odor forte, penetrante e desagradável (PAIXÃO et al., 2021; SILVA et al., 2023).
Ao falar em ozonioterapia, deve-se deixar claro que consiste em uma terapia que utiliza uma mistura gasosa com 5% de ozônio (O3) e 95% de oxigênio (O2) medicinal puro. Todas as aplicabilidades a ela relacionadas no tratamento das mais variadas patologias, decorrem dos efeitos biológicos induzidos pelo gás no corpo através da estimulação no sangue, no subcutâneo, nos músculos e no lúmen intestinal, e não por uma ação direta do ozônio. 
O sangue, em função das propriedades físico-químicas do ozônio, é o melhor veículo para transmitir os benefícios gerados pelo uso deste gás (BOCCI, 2011). O ozônio aumenta as propriedades dos eritrócitos, auxiliando na distribuição de oxigênio para os tecidos do corpo, resultando em uma melhor distribuição do suprimento sanguíneo, os quais são necessários para a resposta do sistema imunológico, no processo de cicatrização e na reparação tecidual. (SILVA et al., 2022).
As propriedades terapêuticas do ozônio na odontologia são diversas, ele apresenta-se como um potente antimicrobiano, além de possuir ativação da oxigenação dos tecidos que auxiliará na regeneração tecidual e nas propriedades cicatrizantes (FERREIRA et al., 2013; MARTIN, 2018).
O ozônio é um agregador na terapia endodôntica (SILVA, 2022), além de ser extremamente seguro. Seu uso não apresenta efeitos colaterais indesejáveis, se empregado dentro protocolos preconizados (CARVALHO et al., 2023).
As terapias com o ozônio incluem três modalidades: a água ozonizada, o gás de O3 e o óleo ozonizado (RAPONE et al., 2021). 
2.1 Modalidades do ozônio
Existem 3 formas de utilização do ozônio: água ozonizada, que é utilizada para desinfecção dos canais através da irrigação; o gás ozônio propriamente dito utilizado diretamente dentro do canal em alta concentração com finalidade antimicrobiana, e fora do canal em baixa concentração nos tecidos periapicais para estimular o reparo tecidual, é possível também aplicar em alta concentração para o tratamento de abcessos, fístulas e lesões; e o óleo ozonizado utilizado entre as sessões do tratamento endodôntico como medicação intracanal (ALVES et al., 2022). 
A água ozonizada é obtida através da aplicação do gás O3 na água destilada, para estabelecer as misturas dos gases de O2 presentes na água. Os óleos vegetais ozonizados são produzidos em laboratórios semindustriais, por possuírem compostos inflamáveis, sendo necessários profissionais capacitados para sua produção. Alguns exemplos de óleos ozonizados são: óleos de girassol, óleo de oliva ou óleo de gergelim (BOCCI, 2011).
O ozônio é capaz de eliminar, de forma efetiva, os microrganismos e consegue remover dos canais radiculares detritos necróticos através das suas diferentes formas de apresentação, isto se deve ao fato de suas características bactericida e efervescente. As principais formas de utilização se dão por meio da água ozonizada e do óleo ozonizado, a água por sua vez pode se tornar mais eficaz quando associada a utilização do ultrassom para sua ativação (GOZTAS et al., 2019).
O ozônio na modalidade gás é capaz de atingir áreas inacessíveis, que são difíceis de desinfetar durante a preparação químico-mecânica padrão. Isso inclui túbulos dentinários, delta apical, anastomoses, canais laterais, canais acessórios e a região periapical. (BARCZKYK et al.,2023)
O óleo ozonizado em uma concentração de 5% a 20 % utilizado antes do preparo final do canal radicular e sua obturação, com a finalidade de lubrificar e desinfetar o canal, também pode ser utilizado como curativo intracanal (SILVA et al, 2022).
2.2 Ozonioterapia na Endodontia
A terapia endodôntica tem como objetivos a eliminação e a neutralização das toxinas endodônticas, liberadas pelos microrganismos que acometem a polpa e os tecidos perirradiculares, estas as responsáveis pelas alterações patológicas nas estruturas dentárias. Diante disso, a eliminação dos microrganismos tem relevância significativa no sucesso do tratamento endodôntico, mas nem sempre esse objetivo é alcançado (PAIXÃO et al., 2021).
A irrigação do canal radicular é de alta relevância, pois ela promove a desinfecção e a remoção do debridamento que muitas vezes não é eliminado. A literatura atual vem nos mostrando que a terapia endodôntica tradicional não é eficaz na remoção de todos os microrganismos do sistema de canais radiculares, apresentando uma taxa de insucesso de 40 a 60% dos casos (MECCATTI, 2023).
Diante disso, o irrigante deve ter alta capacidade antimicrobiana, capaz de dissolver os tecidos necróticos e orgânicos restantes e não ser tóxicos para os tecidos periapicais caso extravase através do ápice (HUBBEZOGLU et al., 2014). 
Não somente o irrigante é crucial para o êxito na desinfecção do canal radicular, mas a técnica de irrigação também. Dentre os irrigantes, o mais comumente utilizado é o hipoclorito de sódio (NaOCl), considerado padrão ouro para irrigação endodôntica, um agente de dissolução orgânica eficaz e que possui alto índice antibacteriano. É um oxidante químico com um potente agente proteolítico e hidrolítico. No entanto, o NaOCl demonstra toxicidade grave em altas concentrações e apresenta várias desvantagens, incluindo sabor desagradável e a citotoxicidade. 
Além disso, estudos demonstraram que o NaOCl é incapaz de penetrar mais profundamente na dentina. E a exposição prolongada a altas concentrações de hipoclorito de sódio pode ter um efeito deletério na elasticidade da dentina e na resistência à flexão, predispondo o dente a fraturas verticais (EROL et al., 2024).
Novas técnicas vêm surgindo para que se consiga a desinfecção ideal do canal radicular, umas delas é a irrigação com ozônio somada a agitação ultrassônica, sendo essa a técnica que atinge com mais eficiência os canais acessórios, tornando assim o índice de sucesso para um efeito antibacteriano melhor (HUBBEZOGLU et al., 2014; MECCATTI et al., 2023).
Além do ozônio de ser um poderoso antimicrobiano, ele promove a cicatrização óssea apical. Isso ocorre devido a remoção e a secreção de matéria orgânica, induzindo a formação de tecido de granulação e a neoangiogênese (FRANÇA & FERREIRA, 2019; SILVA, 2019). Esse processo se dá através da perfusão de íons cálcio e fosfatos regionais, causando a reparação do tecido ósseo apical, entretanto só haverá êxito se a reparação for observada em casos de lesão periapical (NOGALES & FRANSCINO, 2014). 
A propriedade anti-inflamatória dessa molécula ocorre devido a liberação dos ácidos graxos através do estresse oxidativo, que vão resultar na formação do peróxido de hidrogênio (H2O2). Tal molécula irá se difundir nas células imunes (GONÇALVES et al., 2023), o que aumentará consequentemente a produção de substância como a interleucinas-2 e o leucotrieno, responsáveis por ativar o sistema imunológico, aliviando a inflamação (BARCZKYK et al.,2023; VALLERIUS et al., 2023). 
Devido ao seu potencial imunomodulador, o uso do ozônio, promove a cicatrização da região periapical. Como ele pode ser aplicado localmente, auxilia também na redução dos sintomas do paciente por possuir propriedades analgésicas e anti-inflamatórias (NESI, 2018;MECCATTI et al., 2023). 
A água ozonizada mostra-se mais eficaz como agente irrigante quando associada com a utilização do ultrassom, através da agitação tem o poder de reduzir drasticamente a quantidade de bactérias presentes nos canais radiculares. (NOGALES & FRANSCINO, 2014; MARTINS, 2018; NESI, 2018; SILVA, 2019).
A irrigação dos canais radiculares com hipoclorito de sódio na concentração à 2%, tratados com ozônio e agitação ultrassônica apresentam menor carga bacteriana em comparação com aqueles tratados apenas com hipoclorito de sódio 2% agitado (MECCATTI, et al, 2023).
Desta forma, utilizando-se da maneira proposta, tem-se reduzida significativamente a presença de microrganismos dos canais, porém não consegue remover as toxinas endodônticas presentes. Entretanto, o óleo ozonizado tem uma ação elevada contra os microrganismos presentes nos canais radiculares, pode ser usado também como medicação intracanal, e é muito mais eficaz para a eliminação de detritos necróticos e de bactérias desde que associado a substâncias mais viscosas, tornando sua difusão ainda mais eficaz, com sua liberação gradual e moderada degradação fazendo com que seja mais fácil sua remoção do conduto (GOZTAS et al., 2019).
O uso do ozônio associado à clorexidina no processo de desinfecção, na concentração de 16 ppm com oscilação ultrassônica, diminuiu a quantidade de bactéria presente no canal radicular, tornando possível realizar esse protocolo para regenerar o tecido ósseo onde houve a reabsorção do forame apical (LUBOJANSKI, et. al, 2021). Ele possui forte ação antibacteriana, possuindo a capacidade de destruição das bactérias gram-positivas e gram-negativas (PAIXÃO et al., 2021).
Em um estudo feito com 37 canais radiculares de 23 dentes, com diagnóstico de periodontite apical crônica, obteve-se redução de 82% na colonização bacteriana, sendo 67% de bactérias aeróbias e 93% de bactérias anaeróbias. Concluiu-se que o ozônio é um ótimo redutor dos microrganismos que remanesciam mesmo após a instrumentação do canal (HALBAUER et al., 2013). 
Em outro estudo feito para o tratamento da periodontite apical, foram comparados os protocolos de irrigação com hipoclorito/clorexidina e gás ozônio. Foram utilizados 60 dentes permanentes, sendo os critérios clínicos utilizados como sintomas clínicos e tamanho da lesão, além da avaliação clínica e radiográfica. Nos 2 grupos, os canais foram irrigados e limpos com NaOCl e EDTA. Como curativo intracanal foi aplicado gás ozônio a 32g/m3 por 120 segundos e NaOCl a 3%, e deixado com hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) entre uma sessão e outra por uma semana. Para a desinfecção final, foi utilizado o gás ozônio no grupo ozônio e no outro grupo clorexidina 2% com NaOCl. Obtendo-se como resultado a semelhança entre os 2 grupos, não apresentando diferenças significativas. Demonstrou-se assim, que o gás ozônio é um ótimo agente alternativo na desinfecção do canal radicular, refletindo num melhor tratamento da periodontite apical (KIST et al., 2015).
A água ozonizada como agente irrigante complementar mostrou ser capaz de minimizar a presença de diversos agentes como Enterococcus faecalis, Streptococcus mutans, Peptostreptococcus micros, Pseudômonas aeruginosa e Cândida albicans (PAIXÃO et al., 2021).
Um dos exemplos de insucesso no tratamento endodôntico é causado pela bactéria Enterococcus faecalis, ela é gram-positiva e anaeróbia facultativa, resistente muitas vezes a terapia convencional. Entretanto com a utilização da ozonioterapia, mostrou-se eficaz na eliminação desses microrganismos (MECCATTI, 2023). 
Com a utilização de 16 ppm de ozônio aquoso e a agitação do ultrassom, obteve-se a eliminação completa da bactéria E. faecalis nos canais radiculares. O ultrassom permite através da agitação uma penetração mais profunda nos túbulos dentinários e nos canais laterais. Com base nisso, com a quantidade adequada para aplicação, somado a técnica de agitação com ultrassom fornecerá a mesma eficácia antibacteriana que 5,25% de NaOCl para desinfecção do canal radicular. Esse estudo mostra que o ozônio aquoso, quando aplicado com uma técnica ultrassônica pode ser recomendado como um agente desinfetante em tratamentos endodônticos, com o tempo de irrigação adequada tornar-se um potente bactericida (HUBBEZOGLU et al., 2014).
Devido a sua alta capacidade oxidativa, o ozônio destrói as paredes celulares e as membranas citoplasmáticas das bactérias alterando assim as suas funções, oxidando enzimas, proteínas, DNA e RNA levando a eliminação das bactérias, desencadeando a resposta dos fibroblastos e do epitélio gengival. Ele age também sobre fungos, protozoários e vírus. (FARAC et al., 2010; PAIXÃO et al., 2021).
 
2.3 Protocolo de utilização
Existem diretrizes prescritas sobre o protocolo de utilização segundo a 2° Declaração de Madri (Espanha), sobre a Ozonioterapia de 2015. As diretrizes gerais aqui citadas não pretendem substituir um treinamento completo no uso de ozônio na Odontologia (Declaration Madrid, 2015).
A seguir serão apresentadas as diretrizes gerais:
	O uso do gás ozônio intraoral é provavelmente o mais crítico entre todas as outras aplicações de ozônio na indústria e na assistência médica quando se trata de inalação inadvertida e acidental de gás ozônio.
	É fundamental que o dentista e sua equipe tomem todas as precauções necessárias durante a aplicação de gás ozônio intraoral para evitar qualquer inalação acidental.
	Deve-se utilizar água destilada para preparar água ozonizada. Água filtrada por osmose reversa pode ser usada para preparar água ozonizada, para procedimentos não cirúrgicos, e água potável para desinfecção de superfície e bancadas no consultório odontológico.
Com relação aos materiais compatíveis, as diretrizes apresentadas são as seguintes:
	Utilizar somente materiais resistentes ao ozônio, alguns exemplos como o silicone, plásticos de fluoropolímero, PTFE politetrafluoroetileno (Teflon®), PVDF polivinilideno difluoreto (Kynar®), fluorocarbono (Viton®), vidro de nível laboratorial, aço inoxidável 316, titânio.
2.4 O conceito do fator CT (2ª Declaração de Madri - 2015)
O fator CT é comumente utilizado em procedimentos de desinfecção e de esterilização, é um indicador da concentração total reagida e residual do desinfetante usado como por exemplo o ozônio, o cloro, o dióxido de cloro, entre outros.
Como o valor do fator CT se correlaciona em aplicações odontológicas, o terapeuta odontológico deve avaliar o caso clínico e levar em consideração as substâncias orgânicas que podem consumir grandes quantidades do gás ozônio aplicado ou seja, água ozonizada, e ter moléculas de ozônio residuais ou restantes suficientes para oxidar e eliminar os microrganismos. 
O fator CT também está relacionado à configuração do hardware de ozônio e à produção de ozônio. Um gerador de baixa concentração de ozônio pode precisar de mais tempo de contato para atingir resultados semelhantes do que um gerador de saída de ozônio mais alta. Isso não significa que altas concentrações de ozônio sejam sempre melhores, alguns usuários preferem tempos de contato mais longos com concentrações mais baixas ou usando taxas de fluxo mais altas.
A dose total de ozônio aplicada é dada pela relação apresentada a seguir:
A quantidade total de aplicação de ozônio deve ser adaptada à gravidade do caso clínico e então reduzida de acordo com a progressão do processo de cicatrização. A regra geral é começar com altas doses de ozônio e então reduzir de acordo com o progresso da cicatrização.
As concentrações, o tempo de contato e a vazão ou volume de gás ozônio e água ozonizada, são todos relacionados e devem ser adaptados ao caso clínico. A maioria das pesquisas sobre ozônio odontológico e estudos clínicos publicados foram feitos usando o Healozone® unidade que entrega em torno de 4 μg/NmL de gás ozônio a uma vazão de 600mL/min, e tempo de contato de 30s a 2 min. Uma versão mais nova deste gerador agora fornece até 20 μg/NmL. Alguns usuários preferem concentrações ainda maiores, entre 80 e 100 μg/NmL com vazões mais baixas.A faixa de concentração entre 4 e 20 μg/mL é usada com segurança, sem quaisquer efeitos colaterais negativos relatados. A água ozonizada é usada em todas as aplicações odontológicas, com ou sem gás ozônio, e para o enxágue bucal de rotina do paciente antes, durante e depois de um procedimento odontológico.
2.5 Protocolo para tratamento do canal radicular (Madri, 2015)
Existe um protocolo para o tratamento do canal radicular proposto na Declaração de Madri em 2015. Seguem os passos desse protocolo:
	Enxaguatório bucal com água ozonizada. 
	Acesso à cavidade – localização dos canais. 
	Lavar a cavidade com água ozonizada e aplicar gás ozônio de 20 a 60 μg/Nm por 60 segundos.
	Prossiga com sua técnica preferida de limpeza e modelagem química ou mecânica.
	Enxágue final com grandes quantidades, de 100 a 200 mL, de água ozonizada com concentração de 8 a 12 μg/mL usando agulhas apropriadas com pontas capilares Ultradent.
	Irrigue com gás ozônio de concentração de 40 a 60 μg/mL por 1 a 2 minutos em cada canal. Mantenha a ponta de entrega movendo-se livremente dentro do canal enquanto aspira o excesso de gás.
	Caso seja desejado um RCT de duas sessões, preencha o canal com seu produto provisório de escolha.
	Injetar de 1 a 2 mL com concentração de 5 a 10 μg/NmL na região periapical. Repita se necessário.
2.6 Iatrogenia
Para a utilização do ozônio a segurança é fundamental. Em concentrações baixas, de 0,2 a 0,5 ppm, pode causar dor de cabeça, visão turva e irritação ou ressecamento do nariz, da garganta e dos olhos. Em concentrações mais altas, de 1 a 10 ppm, em algumas horas podem causar danos severos como congestão pulmonar, edema, hemorragia, alterações no sangue e perda da capacidade pulmonar (MECCATTI, 2023).
Por mais que o ozônio seja eficiente e apresente grandes benefícios, se não for utilizado da forma correta, não seguir os protocolos ideais e o tempo de exposição, ele se tornará altamente tóxico, agindo diretamente nos tecidos pulmonares, podendo levar o paciente a óbito (NESI, 2018). 
Caso aconteça a aspiração do ozônio em grandes quantidades, pode ocorrer uma intoxicação, deve-se proceder com primeiros socorros colocando o paciente na posição supina e inalar oxigênio úmido. Pode-se ainda ingerir ácido ascórbico e vitamina E (MECCATTI, 2023).
2.7 Contraindicações
A terapia com o ozônio possui algumas contraindicações para os anêmicos graves, pacientes que tenham sofrido recente infarto do miocárdio, gestantes, hipertireoidismo, trombocitopenia, diabetes mellitus descompensada, deficiência de 6-fosfato desidrogenase, miastenia severa, intoxicação ao álcool aguda, quadros de hemorragia, hipoglicemia e pacientes que possuam alergia ao ozônio (NESI, 2018; FRANÇA & FERREIRA, 2019; SILVA, 2019).
3 CONCLUSÃO
Diante dos resultados relatados nos artigos em questão, o ozônio é um excelente potencializador para o sucesso do tratamento endodôntico. Seu efeito de seleção, irá atingir somente células microbianas, não afetando células humanas, além de ter boa capacidade antioxidante. Em casos de lesão periapical mostrou-se eficaz a formação de sequestro ósseo, ele aumenta a vascularização do osso subjacente e estimula a formação de tecidos de granulação. Além de outras características importantes a serem observadas nos estudos realizados foram a sua efetividade antimicrobiana, anti-inflamatória, desinfetante, além de possuir alta biocompatibilidade, ação de cicatrização e cura de lesões. 
 
4 REFERÊNCIAS
Silva, Maria Sarony Araújo, et al.; A aplicabilidade do ozônio na endodontia. Research Society and Development, v.12, n.14, 2023.
Paixão, L. D, Dietrich, L., Martins, L. H. B., & de Barros, D. V. (2021). Terapias alternativas em endodontia-ozonioterapia: Revisão de literatura. Pesquisa Sociedade e Desenvolvimento. 10 (6).
Alves, Arantes Giovana, et al; O uso da Ozonioterapia na Endodontia; v. 5 n. 1 (2002): Jornada de Odontologia de Goianésia.
Nesi, A. K. (2018). Ozonioterapia: o uso do ozônio na odontologia. TCC. Centro Universitário São Lucas, Porto Velho, Ro, Brasil.
Martins, I. V. R. (2018). Aplicação do ozônio na terapêutica do sistema de canais radiculares: revisão de literatura. TCC. Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Brasília, DF, Brasil.
Vallerius, Lucas Vinícius da Silva, et al., 2023. Aplicabilidade da ozonioterapia no tratamento endodôntico. 
Kawahara, R., Joaquim, J. G. F.; Ozonioterapia - quando a compreensão faz toda a diferença. APAMVET, v. 11, n. 2 (2020).
Bocci, V.; Zanardi, I.; Travagli, V.; Ozone: A New Therapeutic Agent in Vascular Diseases; American Journal Cardiovascular Drugs, v. 11, n. 2, p. 73–82, 2011.
Ferreira, S., Mariano, R. C., Garcia Junior , I. R., & Pellizer, E. P. (2013). Ozonioterapia no controle da infecção em cirurgia oral. Ver Odontol Araçatuba. 34(1), 36-8.
Carvalho, Davi Barreto Marques, et al.; Ozonioterapia na Endodontia - Aplicabilidade no tratamento de lesões periapicais. Revista Catedral, v.5, n.3, 2023.
Goztas Zeynep, Onat Halenur, Tosun Gul, et al. Antimicrobial effect of ozonated water, sodium hypochlorite and chlorhexidine gluconate in primary molar root canals. Artigo [Internet]. 2019 Sep 25 [cited 2023 Feb 22]; DOI 10.4103/1305-7456.143627. Available from: https://www.thieme connect.com/products/ejournals/abstract/10.4103/1305-7456.143627
Erol, Basak Hilal et al, 2023. O tratamento de biofilmes de canal radicular relacionados a Enterococcus faecalis com terapia fágica. https://doi.org/10.1016/j.micpath.2024.107081
França, G. R., & Ferreira, L. L. (2019). Ozonioterapia e sua aplicação na odontologia: revisão de literatura. TCC. Universidade Tiradentes, Aracaju, SE, Brasil.
Silva, L. C. (2019). Uso da Ozonioterapia na odontologia: revisão de literatura integrativa. Monografia. Faculdade Maria Milza, Governador Mangabeira, BA, Brasil.
Nogales, C., & Franscinp, A. V. (2014). Relatório técnico aplicação de ozônio na odontologia. https://www.aboz.org.br/biblioteca/relatorio-tecnico-aboz/22/
Gonçalves M. J. et. al.; Research, Society and Development, v. 12, n. 11, e18121143561, 2023 (CC BY 4.0) | ISSN 2525-3409 | DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v12i11.43561
Kist S, et al. Comparison of ozone gas and sodium hypochlorite/chlorhexidine two-visit disinfection protocols in treating apical periodontitis: a randomized controlled clinical trial. Clin Oral Invest; 2017; v 21, n 4, p 995-1005.
Farac, R.V. (2010). Avaliação do efeito bactericida do ozônio associado ao Propilenoglicol em canais radiculares contaminados com Enterococcus faecalis em diferentes períodos de tempo de armazenagem. Dissertação. Faculdade de Araraquara, SP, Brasil.
Madrid Declaration on Ozone Therapy, ISCO3, 2rd ed., 2015
Halbauer K, et al. Efficacy of ozone on microorganisms in the tooth root canal. Collegium Antropologicum; 2013; v 37, n 1, p 101-107.
Lubojanski, A. et, al, Aplicação de nanomateriais selecionados e ozônio na odontologia clínica moderna. Nanomateriais, v. 11, n. 2, págs. 1-30, 2021. 
Meccatti, V.M., de Carvalh, L.S., Oliveira, L. Y. H., & de Oliveira, L.D. (2023). Efetividade da ozonioterapia no tratamento endodôntico. ReCIMA21- Revista Científica Multidisciplinar- ISSN 2675-6218, 4(8), e483528-e483528.
Maslennikov, O. V. et, al, Terapia com Ozônio na Prática. Manual de Saúde.Ministituto de Serviçõs de saúde da Federação Russa, 2008.
Barczyk, I., Masłyk, D., Walczuk, N., Kijak, K., Skomro, P., Gronwald, H., Pawlak, M., Rusińska, A., Sadowska, N., Gronwald, B., Garstka, A. A., & Lietz Kijak, D. (2023). Potential Clinical Applications of Ozone Therapy in Dental Specialties. A Literature Review, Supported by Own Observations. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(3), 2048. https://doi.org/10.3390/ijerph20032048.
Rapone, B., Ferrara, E., Santacroce, L., Topi, S., Gnoni, A., Dipalma, G., Mancini, A., Di Domenico, M., Tartaglia, G. M., Scarano, A., & Inchingolo, F. (2022). The Gaseous Ozone Therapy as a Promising Antiseptic Adjuvant of Periodontal Treatment:A Randomized Controlled Clinical Trial. International Journal of Environmental Research and Public Health, 19(2), 985. https://doi.org/10.3390/ijerph19020985.
Hubbezoglu, I., Zan, R., Tunc, T., & Sumer, Z. (2014). Antibacterial Efficacy of Aqueous Ozone in Root Canals Infected by Enterococcus faecalis. Jundishapur Journal of Microbiology, 7(7). https://doi.org/10.5812/jjm.11411.
image1.png
image2.jpeg
image3.png
image4.png

Mais conteúdos dessa disciplina