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Aula 17 - Filo Artrópoda 1) Sobre os artrópodas, descreva: ● Simetria: são bilaterais, metaméricos e o corpo é dividido em tagmas; possuem apêndices articulados, que podem estar modificados para funções sensoriais, obtenção de alimento, rápida locomoção, natação, etc. ● Exoesqueleto: é uma sinapomorfia dos Arthropodas Sua função é proteger eficientemente o corpo sem sacrificar a mobilidade e a agilidade do animal. Entretanto, impõe sérias restrições ao crescimento, o qual precisa ser feito através da muda. ● Sistema digestivo: Possuem tubo digestivo completo. Peças bucais formadas por apêndices modificados e adaptadas para diferentes tipos de alimentação. O tubo digestivo dos artrópodes se caracteriza pela presença de um estomodeu e de um proctodeu bem desenvolvidos, ambos de origem ectodérmica. Essas duas regiões são revestidas por uma fina camada de cutícula e constituem, respectivamente, o tubo digestivo anterior e o tubo digestivo posterior. A região intermediária, derivada do endoderma, forma o tubo digestivo médio. O tubo digestivo anterior está relacionado, principalmente, à ingestão, trituração e armazenamento dos alimentos. O tubo digestivo médio é o local da produção de enzimas, digestão e absorção dos alimentos. Todavia, em muitos artrópodes, as enzimas são enviadas para frente e a digestão se inicia no tubo digestivo anterior. Freqüentemente, a área superficial do tubo médio é ampliada devido à presença de cecos gástricos e glândulas digestivas. O tubo digestivo posterior atua na absorção de água e na formação das fezes. ● Sistema circulatório: Sistema circulatório aberto, formado por um coração dorsal contráctil e artérias que se abrem na hemocele. O coração dos artrópodes é um tubo muscular perfurado por pares de aberturas laterais chamadas óstios. Sua posição e tamanho variam dentro do filo. A contração (sístole) do coração é gerada por músculos da parede cardíaca, enquanto a expansão (diástole) e enchimento resultam da presença de fibras suspensórias elásticas e, em alguns táxons, da atividade de músculos suspensórios. Durante a diástole, o sangue, proveniente da hemocele, entra no coração através dos óstios. A sístole cardíaca faz com que o sangue se desloque para a parte anterior do corpo. Do coração, o sangue passa para artérias e, eventualmente, para a cavidade hemocélica, banhando diretamente os tecidos. Ele retorna ao coração por várias rotas através da hemocele. O sangue dos artrópodes possui vários tipos celulares e, em alguns casos, os pigmentos respiratórios hemocianina ou, menos comumente, hemoglobina. ● Sistema respiratório: Respiração efetuada pela parede corporal, brânquias, traquéias ou pulmões em livro. Muitos artrópodes terrestres possuem um sistema traqueal altamente eficiente, o qual conduz o oxigênio diretamente para os tecidos e células. Esse sistema, que tende a impor limites ao tamanho do corpo, torna possível a manutenção de elevadas taxas metabólicas. Os artrópodes aquáticos freqüentemente respiram por meio de brânquias. ● Sistema excretor: Sistema excretor formado por glândulas coxais, antenais ou maxilares ou por túbulos de Malpighi. Os túbulos de Malpighi se inserem no tubo digestivo posterior (proctodeu) e possuem a extremidade distal fechada. Eles se localizam na hemocele, estando em contato direto com o sangue. Os elementos a serem excretados passam do sangue para os túbulos e destes para o tubo digestivo, onde são eliminados juntamente com as fezes. As glândulas coxais, antenais e maxilares são projeções saculiformes, pareadas e cegas, que se localizam na hemocele e se ligam, por meio de dutos, a poros excretores. As glândulas são nomeadas de acordo com a posição de seus poros excretores, que podem ser adjacentes aos apêndices coxais, antenais ou maxilares. Essas projeções saculiformes são derivadas do celoma. Assim, os seus dutos podem representar metanefrídios que originalmente drenavam a cavidade celomática. Os elementos a serem excretados passam do sangue para as projeções saculiformes, sendo eliminados pelos poros. ● Sistema nervoso: Sistema nervoso composto por um cérebro dorsal bem desenvolvido, o qual se conecta, por meio de um par de cordões que contornam o tubo digestivo, a uma corrente dupla de gânglios ventrais . O fusionamento de gânglios é comum em várias linhagens. Os órgãos sensoriais são bem desenvolvidos. Os artrópodes apresentam um elevado grau de cefalização e desenvolvimento do cérebro. O aumento de tamanho do cérebro está relacionado à presença de órgãos sensoriais bem desenvolvidos, tais como olhos e antenas, e complexos comportamentos. O cérebro dos artrópodes apresenta três regiões distintas: protocérebro, deutocérebro e tritocérebro . O protocérebro emite nervos para os olhos e atua na integração da fotorrecepção e movimentos. Ele coordena, provavelmente, os comportamentos mais complexos dos artrópodes. O deutocérebro emite nervos para as antenas (primeiras antenas dos crustáceos). ● Sistema reprodutor: Os sexos, geralmente, são separados (espécies dióicas) e órgãos reprodutores e dutos estão presentes. A fertilização é, freqüentemente, interna. Os artrópodes são, de uma maneira geral, ovíparos ou ovovivíparos e, usualmente, apresentam algum tipo de metamorfose. A partenogênese ocorre em vários grupos. Muitos artrópodes utilizam apêndices especializados para o processo de cópula . A fertilização é interna nas formas terrestres, mas pode ser externa nas espécies aquáticas. ● 2) Descreva sucintamente a composição e a estrutura do exoesqueleto dos artrópodes. R: O exoesqueleto é composto por proteínas, lipídios, quitina e, por vezes, carbonato de cálcio. A cutícula é composta por diferentes camadas laminadas. A mais interna é espessa e chamada pró-cutícula. A mais externa e fina é denominada epícutícula. A pró-cutícula possui duas camadas: exocutícula e endocutícula. As duas contêm quitina ligada por proteínas. 3) Explique por que a muda é necessária para o crescimento desses animais. R: O exoesqueleto, por ser rígido, limita o crescimento dos tecidos moles do animal. Então, é necessária a troca periódica da cutícula, para que haja esse crescimento. 4) Explique o processo de ecdise. R: O exoesqueleto é resistente e limita o crescimento do animal. Assim, o exoesqueleto “velho” e limitante é trocado por um “novo” e “folgado”, que permite a continuidade do crescimento. Essa troca de exoesqueleto, que pode ocorrer várias vezes durante a vida do animal, é chamada de muda e ecdise. Durante a muda, a epicutícula e a exocutícula são eliminadas, já a endocutícula é absorvida pela epiderme. A secreção da nova cutícula inicia-se antes que a antiga seja abandonada no momento da ecdise. O animal, então, sai do antigo exoesqueleto com sua nova cutícula ainda macia e flexível. Nesse momento, o artrópode absorve uma grande quantidade de água, aumentando rapidamente de tamanho. Assim, a nova cutícula, ainda flexível, acompanha o aumento de volume do corpo e enrijece-se. Essa é uma estratégia que garante que o novo exoesqueleto fique mais folgado. 5) O que o surgimento do exoesqueleto tem a ver com a redução do celoma? R: O celoma nos artrópodes está restrito à cavidade das gônadas e, às vezes, aos órgãos excretores. A redução do celoma pode estar relacionada ao surgimento do exoesqueleto. Tal surgimento pode ter tornado desnecessária a presença de uma ampla cavidade celomática preenchida por fluidos, a qual é parte de um esqueleto hidrostático interno. Aula 18, 19, 20...24 6) Um marco na evolução dos insetos neópteros foi o desenvolvimento de um processo de metamorfose denominado holometabolia. O grupo de insetos que apresenta esse tipo de desenvolvimento é denominado holometabola e representa o maior e mais diversificado grupo hexapoda. Explique esse tipo de metamorfose e o motivo mais provável do sucesso evolutivodos insetos desse grupo. R: Na holometabolia ou metamorfose completa, os ínstares imaturos são muito diferentes dos adultos e chamados larvas, passando por um estágio intermediário de grande transformação, chamado pupa. O grande sucesso dos holometábolos se deve à separação de um estágio de crescimento (larva), um de diferenciação (pupa) e um de reprodução (adulto). Cada estágio vive eficientemente sem competição intra-específica, pois habitam locais totalmente distintos e se alimentam também diferentemente. 7) Quais os caracteres morfológicos apresentados pelos insetos que os distingue de todos os outros artrópodes? R: (1) corpo dividido em três tagmas (cabeça, tórax e abdome); (2) segundas maxilas fusionadas, formando o lábio; (3) tórax com três somitos, cada um deles com um par de pernas; (4) abdome com onze somitos ou menos, sem apêndices locomotores. 8) As aranhas e os escorpiões tem em comum o fato de capturarem suas presas ou se defenderem utilizando venenos. Indique qual estrutura cada um deles utiliza para inocular o veneno e em que região do corpo desse animal essas estruturas se localizam. R: As aranhas utilizam as garras de veneno presentes nas quelíceras. Os escorpiões utilizam o aguilhão presente na extremidade do telso, o qual fica no final do metassoma. 9) Explique a reprodução das aranhas, da fecundação até a postura. R: A fecundação nas aranhas é interna e direta. O macho tece uma pequena teia, na qual deposita uma gota de esperma e a transfere para o interior de seus pedipalpos. Ele, então, procura uma fêmea, realizando ou não um ritual nupcial, dependendo da espécie, e insere seus pedipalpos na abertura genital feminina para transferir os espermatozóides. Logo, nos machos não há um pênis, o pedipalpo é que funciona como órgão de cópula e inseminação da fêmea. Após a cópula, a fêmea come ou não o macho, e tece um casulo para depositar os ovos, chamado ovisaco. Em algumas espécies, as fêmeas prendem o ovisaco na teia ou próximo a ela, enquanto que em outras, as fêmeas o carregam. 10) Que vantagens os insetos adquiriram ao longo da sua evolução que os permitiram ter esse grande sucesso evolutivo? R: O sistema traqueal é composto por uma série de túbulos ramificados que levam o oxigênio diretamente para os tecidos e células, restringindo também a perda de água. Esse sistema permite a manutenção de elevadas taxas metabólicas e possibilitou a invasão do ambiente terrestre pelos insetos. As asas são apêndices torácicos muito móveis, articulados com as regiões notal e pleural do meso e metatórax. Por possibilitarem o vôo, as asas permitiram a conquista de novos habitats e uma maior eficiência na dispersão das espécies. A metamorfose é o processo pelo qual um imaturo se transforma até chegar à forma adulta, podendo ser gradual ou abrupta. Com a metamorfose, os insetos passaram a apresentar formas imaturas muito diferentes das formas adultas. Nesses dois estágios, o mesmo inseto pode ocupar habitats diferentes e se alimentar de diversos recursos ao longo da vida, sem competição intra-específica. 11) Qual é a diferença entre os insetos paleópteros e os neópteros? R: Nos paleópteros, as asas se articulam de um modo que são incapazes de se dobrar para trás, permanecendo lateralmente ou para cima quando em repouso. Nos neópteros, as asas se dobram para trás sobre o corpo. 12) Como é organizada as castas das abelhas e como é determinado o sexo das mesmas? R: A diferenciação das castas nas abelhas é, principalmente, nutricional. As larvas destinadas a serem rainhas são alimentadas durante todo o desenvolvimento com geléia real, enquanto as de outras castas recebem geléia real apenas nos três primeiros dias e a seguir somente substância amarela hipofaringeana. Rainha: 32 cromossomas. Zangões: 16 cromossomas. Operárias: 32 cromossomas. Os óvulos fecundados (diplóides) serão femininos e os não fecundados (haplóides) serão masculinos. 13) Compare os subfilos Crustacea, Uniramia e Chelicerata. R: Os subfilos Crustacea, Uniramia e Chelicerata apresentam celoma reduzido, sendo a hemocele a maior cavidade corporal. Os Crustacea e os Uniramia são considerados grupos mais próximos entre si em relação aos Chelicerata, já tendo sido incluídos em um subfilo Mandibulata. Eles apresentam em comum um par de antenas (pelo menos), um par de mandíbulas e um par de maxilas na cabeça, estruturas ausentes nos Chelicerata. 14) Alguns autores consideram que os insetos são grupo-irmão dos miriápodes e que juntos formam um grupamento monofilético denominado subfilo unirâmia. Quais os caracteres comuns aos unirâmias que posivelmente sustenta essa hipótese? R: As características são: presença de quatro pares de apêndices cefálicos (um par de antenas, um par de mandíbulas e dois pares de maxilas), sistema respiratório com traquéias e espiráculos, excreção por túbulos de Malpighi de origem ectodérmica e ausência de carapaça. Aula 28: Filo Molusca 15) Como é o arranjo corporal básico de todos os moluscos? R: O arranjo corporal dos moluscos segue um padrão básico. Eles possuem o corpo dividido em três partes distintas: a cabeça, o pé e a massa visceral. 16) Comente sobre as características gerais dos moluscos. São protostomados, com simetria bilateral e celomados. Possuem o corpo mole e a maioria possui concha calcária. Várias espécies possuem estruturas sensoriais na cabeça como: os estatocistos, que são estruturas ligadas ao equilíbrio e tentáculos. O corpo é recoiberto por um tecido grosso e na parte interna da concha encontramos uma camada especializada chamada manto, que uma das sinapomorfias do filo. O manto produz um rígido esqueleto calcário que irá formar a concha, essa que pode ser interna ou externa, dependo da classe. A superfície ventral do corpo é achatada e muscular, forma uma sola rastejante, com a função de pé (locomoção por contração muscular). Ligados a esse pés, estão músculos retráteis, que conseguem puchar o corpo do animal para dentro da concha, como uma forma de proteção. Entre a massa visceral e a concha existe um espaço chamado de cavidade do manto, cavidade essa, revestida pelo manto. Na cavidade do manto, estão as brânquias, o ânus, os gonóporos (sistema reprodutor) e os nefridióporos (sistema excretor). Possuem o sistema digestivo completo e geralmente seu tubo digestivo possui especializações em determinadas partes, como a rádula (estrutura em forma de língua, com muitos dentes utilizada para raspar e transportar alimentos) por exemplo, que é mais uma das sinapomorfias desse grupo. Na maioria das classes está presente também o estilete cristalino , uma estrutura afilada que auxilia na trituração dos alimentos. 17) Os moluscos apresentam uma cavidade posterior À massa visceral ou ao redor da mesma, chamada cavidade do manto. Explique a quais funções essa cavidade pode estar relacionada. (AP3) R: Na cavidade do manto podem ocorrer a respiração, a alimentação e a liberação de gametas e de dejetos metabólicos e digestivos. Nela encontram-se as brânquias (ctenídeos) e as saídas dos sistemas reprodutor, excretor e digestivo. Basicamente, uma corrente de água, criada pelo batimento de cílios situados no manto, é movida para dentro da cavidade para promover as trocas gasosas nos ctenídios, trazer alimentos e levar os dejetos metabólicos e os restos alimentares. 18) Como é o celoma dos moluscos? R: Possuem o celoma bastante reduzido. Essa cavidade só aparece ao redor do coração, das gÇonadas, de parte dos nefrídios e em alguns casos, ao redor de partes do intestino. A principal cavidade do corpo dos moluscos é a hemocele. 19) Como é o desenvolvimento embrionário dos moluscos? R: Os moluscos desenvolvem uma larva do tipo trocófora, com um ou dois estágios de desenvolvimento. Em um desses estágios, forma-se uma larva típica do filo, chamada véliger. 20) Como é o sistemacirculatório dos moluscos? R: A maioria dos moluscos apresentam sistema circulatório aberto ou lacunar, exceto os cefalópodes. O sangue é impulsionado pelo coração, passa pelo interior de alguns vasos e depois alcança lacunas dispostas entre os vários tecidos, nas quais circula lentamente, sob baixa pressão, deixando nutrientes e oxigênio, e recolhendo gás carbônico e outros resíduos metabólicos. Essas lacunas compõem a hemocele. 21) Como é o sistema excretor dos moluscos? R: Na cavidade celomática abrem-se os nefrídios, as estruturas excretoras. Pela abertura interna dos nefrídios (o nefróstoma), penetram substâncias presentes no sangue e no líquido celomático. Os nefrídos irão desembocar toas essas substâncias através de um tubo que se abre para o meio externo, o nefridióporo. Em alguns moluscos, como nos cefalópodos, os nefrídios encontram-se bastante agrupados, formando um "rim" primitivo. 22) Como é o sistema nervoso dos moluscos? R: O sistema nervoso dos moluscos é ganglionar, com três partes de gânglios nervosos de onde partem nervos para as diversas partes do corpo. Os cefalópodos possuem um grande gânglio cerebróide, semelhante ao encéfalo dos vertebrados. Possuem um anel nervoso ao redor do esôfago e 2 pares de cordões nervosos: cordões pedais e viscerais. 23) Como são e para que servem as brânquias dos moluscos? R: As brânquias se localizam em lados opostos na cavidade do manto, elas se mantém nessa posição graças a uma membrana ventral e uma dorsal. Cada brânquia consiste em um eixo longo e achatado que se projeta a partir da parede interior da cavidade do manto. Essas brânquias possuem vasos sanguíneos, músculos e nervos. Em cada lado da superfície das brânquias estão presos filamentos achatados e triangulares (filamentos branquiais). As brânquias servem para a respiração do animal. A água penetra na parte de baixo da cavidade do manto, passa para cima, entre os filamentos branquiais e em seguida sai da cavidade. Eles possuem uma faixa de cílios laterais que propulcionam a água pra dentro da cavidade do manto. Os resíduos trazidos pela água ficam presos por um muco nas brânquias pra depois serem transportados para fora. 24) Comente sobre o sistema respiratório dos moluscos. R: Em quase todos os moluscos, a membrana do manto é vascularizada e permite a ocorrência de trocas gasosas entre o sangue e a água. Nos moluscos terrestres, a cavidade do manto é cheia de ar e comporta-se como um pulmão. Como se fosse uma respiração pulmonar. Nos moluscos aquáticos, existem lâminas ricamente irrigadas por vasos sangüíneos no manto, e que formam as brânquias desses animais. Portanto, entre os moluscos podemos encontrar respiração pulmonar e respiração branquial. 25) Como é a parede do corpo dos moluscos? R: è composta externamente pela cutícula e internamente pela musculatura e no meio das duas está a epiderme. A cutícula e formada por aminoácidos e proteínas como a conchina e a quiitina. A epiderme é composta por uma única camada de células cúbicas, cilíndricas ou em forma de colunas. São células ciliadas que se encontram bem unidas. A musculatura, porção mais interna da parede corporal é formada pela musculatura circular, musculatura diagonal e musculatura longitudinal. 26) Comente sobre a cavidade do manto dos moluscos. R: É formada pelo espaço existente entre a concha e a massa visceral. Esse espaço é revestido pelo manto, que é a porção especializada da parede corporal que secreta a concha. Nessa cavidade, encontram-se as brânquias (ctenídios) e as saídas dos sistemas reprodutor, excretor e digestivo. Portanto, várias funções vitais dos moluscos estão associadas a essa cavidade, pois é nela que ocorre a respiração (trocas gasosas), a alimentação (no caso das espécies filtradoras) e a liberação de células reprodutivas (os gametas) e de dejetos metabólicos e digestivos. Uma corrente de água é movida para dentro da cavidade do manto para promover as trocas gasosas nas brânquias, trazer alimentos (que ficam retidos nas brânquias das espécies filtradoras) e levar os dejetos metabólicos (provenientes dos nefrídios) e os restos alimentares (provenientes do ânus). Essa corrente de água é criada pelo batimento de cílios situados no manto. 27) Comente sobre a concha dos moluscos. R: A concha é produzida pela porção externa do manto e é composta, basicamente, por cristais de carbonato de cálcio envolvidos por uma rede de proteínas. A variação nas quantidades de cristais de carbonato de cálcio e proteínas determina o quanto a concha será mais ou menos flexível e quebrável. Estruturalmente, a concha possui sempre três camadas: o periostraco (mais externo), a camada prismática (mais espessa e intermediária) e a camada nacarada (mais interna). O periostraco é composto por um tipo de conchina (proteína) semelhante àquela presente na cutícula. Essa é a porção mais orgânica da concha, enquanto as outras duas são formadas por minerais como o calcário. 28) Comente sobre a classe Aplacophoa. R: São marinhos, vermiformes e bilaterais. Vivem geralmente em substratos moles. Não possuem conchas, mas possuem espículas calcárias na superfície do corpo. Não possuem olhos, estatocistos, estiletes e nefrídios. Possuem cabeça pouco desenvolvida e não possuem pés. Possuem boca com rádula, intestino com saco do estilete. A ausência da concha dificultou a fossilização desses animais e consequentemente a obteção de conhecimentos sobre a sua evolução. 29) Comente sobre a classe monoplacophora. R: Possuem uma única concha e se distinguem dos outros moluscos por possuírem alguns pares de órgãos repetidos em série. Por exemplo, eles possuem uma cavidade do manto rasa situada ao redor do pé (ventral), formando um sulco lateral. Nessa cavidade, encontram-se três a seis pares de brânquias. Internamente, há também outros órgãos repetidos, como dois pares de gônadas, três a sete pares de metanefrídios e dois pares de átrios no coração. Possuem uma cabeça pequena sem olhos e com tentáculos em torno da boca, um sistema nervoso com cordões laterais e transversais, um sistema digestivo linear com rádula, estilete cristalino, estômago e ânus. 30) Comente sobre os Polyplacophoras. R: Possuem um conjunto se 8 placas articuladas, sendo que a primeira é cefálica e a última é anal. O manto forma um grosso cinturão que rodeia todo o corpo. Geralmente, a epiderme desse cinturão possui espinhos, escamas ou fragmentos calcários ou quitinosos. A cavidade do manto se forma como um sulco ao redor do corpo, Essa cavidade sustenta de seis a mais de 80 pares de ctenídios bipectinados (ou seja, com duas ramificações). Alimentam-se de pequenas algas e microorganismos.O alimento entra pelo esôfago e chega ao estômago, onde é misturando com enzimas oriundas da glândula digestiva. Do estômago, o alimento chega ao intestino, onde é compactado para ser eliminado como pellets. Eles não possuem coração, apenas uma cavidade pericárdica (coração primitivo). Contém um par de aurículas bem vascularizadas que coletam a hemolinfa oxigenada das brânquias. Essa cavidade pericárdica fica na porção posterior, nas últimas duas placas. As aurículas captam o sangue oxigenado das brânquias, levando-o para os ventrículos, de onde sai uma única aorta que irá distribuir o sangue pelo corpo. Possuem um anel nervoso próximo ao esôfago. Seu sistema nervoso é primitivo, sem gânglios, possuem apenas cordões nervosos, que são, pedais e laterais. Eles inervam os músculos pedais, o manto e os órgãos viscerais. Eles possuem estatocistos (estruturas que possuem uma série de terminações nervosas), olhos cefálicos, tentáculos e estetos (células do manto com várias terminações nervosas, capazes de perceber alterações na intensidade da luz, mas não definem cores). A maioria é dióica. O transporte de gametas ocorre por gonodutos especiais e não por nefrídios. Não há copulação. A fertilizaçãopode ser externa ou no interior da cavidade do manto da fêmea. Há a formação de uma larva trocófora e não há o estágio véliger. Aula 29: Gastropoda 31) Quais características foram responsáveis pelo sucesso evolutivo dos GASTROPHODAS ? ● Desenvolvimento de uma cabeça, sua concha serve como um escudo protetor, e a torção do corpo. ● Desenvolveram uma cabeça destacada do corpo, com dois pares de tentáculos, um par olfativo e um par com olhos na base. O par de tentáculos olfativo é chamado de antenas, possuem em suas extremidades, células quimiorreceptoras capazes de distinguir odores e substâncias químicas. ● Possuem uma concha como escudo protetor. Eles possuem uma estrutura chamada columela, que contém um tecido muscular fibroso que puxa o animal para dentro da concha. Possui também uma estrutura chamada opérculo, que é responsável por fechar a concha quando o animal contrai. ● Torção do corpo. A concha é em espiral é assimétrica. Serve de refúgio móvel. ● 32) Comente sobre a evolução da concha. R: O molusco primitivo tinha uma concha plana em forma de escudo. O molusco de hoje possui uma concha maior em forma de cone. Seus órgãos desenvolveram-se, tornando-se mais especializados. À medida que a concha, junto com o corpo foi se espiralando, a abertura da concha diminuiu, diminuindo assim, a chance do animal ser predado. Quando a concha se espiralou, o espaço para o animal ficar diminuiu, e com isso, diminuiu também o número de brânquias, de músculos, de nefrídios. 33) Comente sobre a torção do corpo do GASTROPHODA. R: A torção inicia-se na fase de larva véliger. Ocorre uma rotação coma massa visceral e do manto-cocha com relação a cabeça e ao pé de 180 graus no sentido anti-horário. Os órgão que estavam na região posterior, vão para a região anterior, com isso, a cavidade do manto, as brânquias, o ânus e os nefridióporos passam a ficar também para parte anterior. O trato digestivo deles assume a forma de “U” e o sistema nervoso assume a forma de “8”. 34) Qual foi o significado evolutivo da torção do corpo? R: A torção foi vantajosa tanto para a larva quanto para o adulto. Aumentou a proteção, pois a cavidade do manto migrou para perto da cabeça. E a cabeça passou a retrair-se para dentro da cavidade do manto, o que proporcionou mais segurança. Antes da torção, primeiro o pé era retraído, depôs a cabeça, sendo esse animal, mais vulnerável. Uma outra vantagem é que a água que entra pela corrente inalante no corpo que sofreu a torção, entra pela frente, sendo uma água menos agitada e com menos impurezas. A torção da massa visceral também possibilitou alcançar um ponto de equilíbrio na sustentação de uma concha assimétrica e mais pesada que o próprio animal, permitindo que esse organismo a sustentasse mais facilmente durante a locomoção. 35) Quais os problemas que a torção do corpo trouxe? R: Com a espiralação da concha, houve uma redução de espaço dentro da concha, assim, diminuíram o número de brânquias, nefrídios e músculos retratores. O ânus foi para parte anterior do corpo, perto da boca. Isso gerou um problema de autopoluição. O animal poluía a mesma água que ia entrar pelas suas brânquias. Mas esse problema foi resolvido. 36) Como foi resolvido o problema da autopoluição? R: Ocorreu uma mutação vantajosa, que deu origem a fendas e orifícios na concha. Essas fendas estão na direção do fluxo exalante da cavidade do manto. Dessa forma, a água passa primeiro pelos ctenídios, depois pelo gonóporo, nefridióporo e ânus. Só depois é lançada para fora, bem longe da cabeça e dos órgãos dos sentidos. Outra solução para a auto-poluição foi o desenvolvimento de um longo sifão inalante, formado por uma dobra do manto. Ele capta água bem longe da cabeça, água essa que ele não poluiu, portanto, limpa. 37) Comente sobre a subclasse prosobrânchia. R: È a maior das 3. Composta por animais marinhos, que respiram por brânquias. A cabeça possui olhos na base dos tentáculos. Sua rádula é variável ou ausente. Possuem na parte anterior, a cavidade do manto, as brânquias e o ânus. Possuem um sifão inalante que recolhe a água do meio externo e conduz até a cavidade do manto. Sua concha é geralmente espiralada, mas também pode ser cônica ou levemente tubular. 38) Comente sobre a subclasse pulmonata. R: Cavidade do manto desses animais se transformou em um pulmão primitivo, permitindo a esses animais, viverem em ambiente terrestre. Eles possuem a conha em espiram ou ausente, um ou dois pares de tentáculos, não possuem ctenídios e também são hermafroditas. EX caramujos terrestres e lesmas. 39) Comente sobre a subclasse opistobrânchia. R: A torção da concha desses animais é para o lado direito. Cavidade do manto do lado direito ou posterior. Possuem geralmente um nefrídio e um ctenídeo. São hermafroditas. Neles ocoreu a distorção das vísceras e do sistema nervoso. Alimentam-se de cnidários. Sua concha é reduzida ou ausente.EX: lebre do mar e lesmas do mar. Em várias espécies dessa subclasse estão ausentes além da conha, a cavidade palial e as brânquias, sendo a respiração feita diretamente do tegumento. Ex: nudibranchia. 40) Como é a alimentação dos gastrópodes? R: A maioria dos gastrópodes é herbívora. Eles usam a rádula para raspar a matéria vegetal. Alguns se alimentam de plâncton e partículas em suspensão, outros são escavadores ou detritívoros, alguns são carnívoros etc. Apesar dessa variedade de hábitos, a maioria das espécies faz uso da rádula de alguma forma durante sua nutrição. 41) Comente sobre o sistema respiratório dos gastrópodes. R: A respiração dos gastrópodes é realizada pelos ctenídios ou por um “pulmão” (cavidade palial), como você viu no item anterior. A maioria possui um único nefrídio, e os sistemas nervoso e circulatório são bem desenvolvidos. 42) Comente sobre a reprodução das diferentes subclasses de gastrópodos. ● Prosobrânquios 🡪 maioria dos caramujos e caracóis marinhos. Maioria dióica, com fecundação externa. O óvulo ao ser fecundado da origem a um zigoto, que depois de formado, passará por um oviduto e serão depositados num substrato, onde assumirão o primeiro estágio larval de véliger. ● Opistobrânchia 🡪 São hermafroditas simultâneos ou protândricos. Possuem fertilização interna, o zigoto formado passa por um oviduto e é depositado em um substrato. Possui a fase véliger. ● Pulmonados 🡪 são hermafroditas simultâneos. A copulação é feita com transferência de espermatozóides. Os dois serão fecundados ao mesmo tempo e os ovos serão depositados em um substrato. O desenvolvimento do zigoto é direto, alguns não tem estágio larval. ● 43) Comente sobre o sistema nervoso dos gastropodos. Eles possuem gânglios (massa de células nervosas) de onde saem cordões nervosos que vão inervar por todo corpo. Esses animais possuem tentáculos cefálico com células táteis e quimiorreceptoras, nesses tentáculos estão os ocelos. Eles também possuem outras estruturas especializadas além do ocelo: ● Ocelo 🡪 é uma espécie de olho primitivo composto por um conjunto de células altamente inervadas. Essas inervações permitem a célula distinguir diferentes intensidades de luz. Algumas dessas células inervadas diferenciaram-se em córnea e cristalino. ● Estatocistos 🡪 são terminações táteis localizadas nos pés. São congregações de células que formam essa estrutura.. No interior dos estatocistos, eles possuem uma congregação de carbonato de cálcio envolto por cílios, que participam de um mecanismo que permite a eles saber se estão em pé. ● Osfrádios 🡪 são células quimiorreceptoras dispersas no manto. ● 44) Qual é a importância econômica dos gastrópodes? R: Podem ser muito úteis como indicadores da qualidade da água, como por exemplo: indicando a presença de poluição ou evidenciando derrames de ácidos nos cursos d’água. A importância desses moluscos para o homemainda é subestimada, tanto como alimento quanto como fornecedor de outras matérias-primas (por exemplo, a concha). Aula 30: Bivalvia e Scaphopoda 45) Quais as principais características dos bivalves? R: Seu corpo é formado por duas conchas. Com representantes temos os mexilhões e as ostras. Habitam ambientes aquáticos, principalmente marinho. Alguns se enterram nos sedimentos, outros fixam-se sobre rochas perfuram substratos consolidados. A classe Bivalvia é formada por três subclasses: Protobranchia, Lamellibranchia e Anomalodesmata. A subclasse Protobranchia constitui o grupo mais primitivo da classe. Ela é composta por duas ordens (Nuculida e Solemyida). Os membros dessa subclasse se caracterizam por possuírem um par de ctenídios simples, que são formados por finas estruturas foliares bipectinadas, que permanecem suspensas na cavidade do manto. Esse tipo de ctenídio é considerado o mais primitivo dentre os bivalves, e é denominado protobrânquia. As espécies da subclasse Lamellibranchia possuem um par de ctenídios constituídos por estruturas finas e longas (filamentos) que se dobram para formar duas fileiras de lamelas, em um arranjo que lembra a letra "W". Esse tipo de ctenídio é conhecido como eulamelibrânquia. As espécies da subclasse Anomalodesmata possuem ctenídios modifi cados como um septo horizontal (septibrânquia) ou do tipo eulamelibrânquia. 46) Como é o arrajno do corpo de um bivalve? R: Não possuem cabeça, rádula ou olhos, e poucos possuem fotorreceptores. Como não existe a cefalização, alguns órgãos sensoriais (quando presentes) encontram-se espalhados pela massa visceral, freqüentemente na região da borda do manto (região labial). Quimiorreceptores podem ser encontrados nas bordas do sifão inalante de algumas espécies. As valvas dos bivalves são unidas por um ligamento na região dorsal do animal, que tende a mantê-las abertas. Os músculos adutores da concha desses animais são responsáveis pelo fechamento das valvas. Quando esses músculos estão relaxados, as valvas se abrem, e quando eles se contraem, as valvas se fecham. A protuberância da concha na região do ligamento é chamada umbo e localiza-se na superfície dorsal do animal. O umbo é formado pelo primeiro material calcário depositado pelo bivalve para formar a concha. Como a concha é formada continuamente a partir da borda do manto, formam-se linhas concêntricas de deposição de material calcário à medida que o animal cresce. Essas linhas são chamadas linhas de crescimento, e são úteis para estimar a idade dos animais, principalmente daqueles de regiões temperadas onde ocorre a maior deposição de concha (maior crescimento) nas estações mais favoráveis (geralmente, durante o verão). 47) Comente sobre a locomoção dos bivalves R: O pé exerce um importante papel na locomoção dos bivalves, atuando como alavanca, pois se protrai e se alarga (ancorando o animal), antes de deslocar o corpo para dentro do sedimento (ou seja, provocando o enterramento). 48) Como é o mecanismo de trocas gasosas dos bivalves? R: Ocorrem tanto no manto quanto nos ctenídios. As brânquias da maioria das espécies têm dupla função, a troca gasosa e a retenção de partículas alimentares. A água traz o oxigênio dissolvido e as partículas em suspensão. A água é impulsionada pelos cílios para dentro do sifão inalante. Ela penetra pelos poros branquiais e, através dos seios aquosos, alcança as cavidades suprabranquiais (acima dos ctenídios) antes de sair pelo sifão exalante. As trocas gasosas ocorrem na região dos ctenídios, que é fina e vascularizada. 49) Comente sobre os bivalves filtradores. Nas espécies de bivalves filtradores, há células glandulares nos ctenídios e nos palpos labiais que produzem grande quantidade de muco. O muco retém as partículas contidas na água formando uma massa alimentar mucosa. Essa massa é conduzida por cílios pelos lados externos das brânquias (ctenídios) até os sulcos alimentares, localizados na sua borda inferior. As partículas maiores e mais pesadas se desprendem do sulco alimentar pela ação da gravidade. Assim, apenas aquelas de dimensões adequadas permanecem e são conduzidas até os palpos labiais. Estes possuem vários sulcos ciliados. A massa alimentar mucosa é, então, conduzida até a boca. No assoalho do estômago das espécies filtradoras, que são a maioria, há redobramentos ciliados que selecionam as partículas capturadas pelos ctenídios e direcionadas para boca pelos palpos labiais. No estômago, o estilete cristalino gira (movido pelos cílios do saco do estilete). Essa rotação ajuda a dissolver suas camadas superficiais, liberando enzimas digestivas (principalmente amilases) e enrolando a massa alimentar mucosa. As partículas alimentares são selecionadas e direcionadas para as glândulas digestivas (que se localizam ao redor do estômago) ou são fagocitadas pelos AMEBÓCITOS. 50) Como é o sistema circulatório dos bivalves? O coração dos bivalves está localizado na cavidade pericárdia e possui duas aurículas e um ventrículo. Ele pulsa vagarosamente, impulsionando o sangue pelo corpo. A circulação ocorre da seguinte forma: parte do sangue é oxigenada no manto e retorna ao ventrículo através da aurícula. Outra parte do sangue circula através de seios e chega por uma veia aos metanefrídios, onde ocorre a retirada dos restos metabólicos. Saindo dos metanefrídios, o sangue alcança os ctenídios, onde ocorre a troca gasosa (oxigenação), e retorna para as aurículas. 51) Como é o sistema nervoso dos bivalves? O sistema nervoso dos bivalves é formado por três pares de gânglios muito separados e conectados por fibras nervosas. Como já comentamos, os órgãos dos sentidos estão pouco desenvolvidos nos bivalves, se comparados com aqueles dos gastrópodes e cefalópodes. Eles podem apresentar um par de estatocistos no pé, células tácteis e pigmentadas no manto e um par de osfrádios (de função desconhecida) na cavidade palial. Em espécies dos gêneros Pecten, Chlamys e Lima encontra-se uma fileira de pequenos olhos na borda do manto. Cada um deles tem uma córnea, uma lente, uma retina e uma camada pigmentada. 52) Como se dá a reprodução dos bivalves? Os bivalves são, em sua maioria, dióicos, e a fertilização é externa. Seus gametas são lançados na cavidade do manto e liberados para a coluna d’água através do sifão exalante. Depois disso, o embrião se desenvolve em uma larva trocófora, seguida pelo estágio véliger até se assentar como um juvenil. Nas espécies de água doce (da família Unionidae), a fertilização é interna e um outro estágio larval ocorre (a larva gloquídio), que representa um estágio especializado da véliger. Essa larva vive como um parasita temporário por várias semanas nas brânquias e partes externas de peixes. Após esse período, os juvenis se desprendem do hospedeiro e passam a ter uma vida livre (Figura 30.8). O estágio parasitário desses bivalves auxilia na dispersão dos juvenis, visto que a locomoção nessas espécies é limitada. 53) Comente sobre os scaphopodas. Essa subclasse é formada por moluscos exclusivamente marinhos, de corpo alongado, cônico e de tamanho variado (entre 4mm e 25cm, sendo que muitas espécies estão entre 2,5 e 5cm de comprimento). Sua concha também é cônica e possui duas aberturas, uma em cada extremidade. O arranjo corporal dos escafópodes difere muito daquele arranjo típico dos moluscos, pois o manto se dobrou ao redor da massa visceral e se fundiu, formando um tubo. A cavidade do manto tornou-se alongada, seguindo o formato cônico da concha. O pé se protrai pela abertura maior da concha e é utilizado para o enterramento do animal. No entanto, a pequena abertura (oposta) permanece sempre exposta à corrente superficial. Não possuem ctenídios, portanto, as trocas gasosas ocorrem através do manto. A água entra pela pequena abertura da concha, conduzida pelo pé ou pelos cílios, e, depois de percorrer a cavidadepalial, sai pelo mesmo local. Como nas outras classes, o ânus, nefrídios e gônadas se abrem na cavidade do manto. Não há muitos órgãos sensoriais, como olhos, osfrádios ou tentáculos, como nas outras classes. Eles possuem uma cabeça rudimentar e não apresentam um coração. Os captáculos têm também uma função sensorial. São dióicos e desenvolvem uma larva trocófora. Aula 31: Cephalopoda 54) Quais as diferenças dos cephalopodes pra os demais moluscos? R: Durante a evolução dos cefalópodes, o corpo se tornou bastante alongado ao longo do eixo dorsoventral. Este se transformou no eixo ântero-posterior funcional, uma mudança associada ao modo de locomoção dos cefalópodes. O círculo de braços e tentáculos está localizado, portanto, na parte anterior funcional do corpo, e a massa visceral, na porção posterior. A cavidade do manto, primitivamente posterior, tornou-se ventral. 55) Como é a concha dos ceplalopodes? Somente as formas fósseis de cefalópodes e as quatro espécies atuais de Nautilus possuem uma concha externa completamente desenvolvida. Nas lulas e nas Sepias, a concha é reduzida e interna, enquanto nos polvos ela é rudimentar ou não está presente. A concha no gênero Nautilus é dividida por meio de septos transversais em câmaras internas. Somente a última câmara é ocupada pelo corpo do animal. De acordo com que o corpo cresce, ele se move para frente, e a parte posterior do manto secreta um novo septo. Cada septo da concha é perfurado na porção central, e através da abertura se estende um delgado tubo calcário que abriga um cordão de tecido ( sifúnculo ) proveniente da massa visceral. O sifúnculo secreta gás, através da parede porosa do tubo calcário, no interior das câmaras. O gás aumenta a capacidade de sustentação do animal na água, tornando assim, a natação mais eficiente. 56) Como o sistema atual de classificação classifica os cephalopodes de acordo com sua concha? Classifica-os em três subclasses: Nautiloidea 🡪 se caracterizam pelas conchas retas ou enroladas e com suturas simples; surgiram no período Cambriano e incluem apenas um gênero atual ( Nautilus ). Ammonoidea 🡪 eram enrolados e possuíam septos e suturas complexos. Eles surgiram no Período Siluriano e desapareceram no final do Período Cretáceo. Coleoidea 🡪 Exceto pelas quatro espécies de Nautilus , todos os cefalópodes atuais pertencem a essa subclasse. Sua concha é reduzida e interna, rudimentar ou ausente. Nas lulas, que constituem o maior grupo de cefalópodes recentes, a concha se reduziu a uma longa placa quitinosa achatada, chamada pena ou gládio. As sépias têm uma concha em forma de placa gredosa (calcária), com apenas alguns traços dos septos originais. Como você já sabe, nos polvos a concha é rudimentar ou desapareceu completamente. 57) Descreva a locomoção dos cepahlopodes. N= R: Os cefalópodes, ao contrário dos restantes moluscos , deslocam-se velozmente, devido a um sistema de propulsão a jacto, usando o seu sifão. A água é expelida rapidamente da cavidade do manto, impulsionando o animal para frente. A locomoção ocorre da seguinte forma: Durante a fase inalante da circulação hídrica, as fibras circulares relaxam e os músculos radiais se contraem. Essa ação aumenta o volume da cavidade do manto. A água, então, entra rapidamente na parte lateral entre a margem anterior do manto e a margem posterior da cabeça. Durante a fase exalante, a contração dos músculos circulares da cavidade do manto não só aumenta a pressão da água dentro da cavidade, como também fecha as bordas do manto firmemente ao redor da cabeça. Valvas fecham a cavidade ventralmente, de maneira que a água é forçada a sair pelo funil, que é um pé modificado. A força da água saindo pelo funil, que possui grande mobilidade, é responsável pelo deslocamento do animal. 58) Como ocorrem as trocas gasosas nos cephalopodes? N= R: Á água que circula pela cavidade do manto que é usada na locomoção é a mesma utilizada nas trocas gasosas. Essa água fornece oxigênio para as brânquias. Nos cephalópodes a superfície do pigmento branquial tornou-se maior devido a dobramentos. Eles não possuem cílios, já que as correntes de água que passam pela cavidade do manto usada s na locomoção são suficientes para levar todos os sedimentos depositados nas brânquias para fora do corpo do molusco. Existem alguns cephalopodes e que as trocas gasosas ocorrem pela parede do corpo. 59) Como é a alimentação dos cephalopodes? N= São altamente adaptados para a alimentação raptorial e dieta carnívora. Possuem olhos altamente desenvolvidos. Sua cavidade bulcal possui um par de mandíbulas muito fortes na forma de bico, que irão morder e dilascerar o alimento, que logo depois sra condusido até a rádula e depois engolidos. http://www.curlygirl.no.sapo.pt/moluscos.htm Após avistarem sua presa (peixes, crustáceos ou outros cefalópodes, por exemplo) capturam-na com seus tentáculos ou braços. Nas lulas e sibas por exemplo, a superfície interna de cada braço é achatada e revestida por discos adesivos pedunculados. A margem dos discos é geralmente rígida e denteada, e a superfície interna, por vezes, é armada com ganchos. Existem ventosas apenas nas terminações espatuladas dos tentáculos, que possuem grande mobilidade e são rapidamente deslocados para a captura de presas. 60) Como é a excreção dos cephalopodes? É feita por nefrídios. A parte mais desenvolvida dos nefrídios dos cefalópodes é o grande saco renal. Cada saco se abre para a cavidade do manto através de um poro e se comunica com o pericárdio por meio do canal renopericardial. O saco renal recebe, através do canal renopericardial, o fi ltrado proveniente do pericárdio e secreções dos grandes apêndices renais. A parede que separa o celoma pericardial do coração branquial contém podócitos, através dos quais um filtrado passa para o fluido pericardial. Um processo de reabsorção seletiva ocorre dentro da cavidade celomática, mesmo antes de o fi ltrado entrar nos sacos renais. 61) Como é a circulaçãod dos cephalopodes? N= R: O sistema circulatório é fechado, ocorrendo toda a circulação sanguínea no interior de vasos. Além do habitual coração dorsal, estes animais apresentam um segundo conjunto de pequenos corações junto das brânquias, o que aumenta grandemente a velocidade de circulação sanguínea nos órgãos respiratórios e, consequentemente, a taxa metabólica. 62) Comente sobre o sistema nervoso dos cephalopodes. R: O sistema nervoso é desenvolvido, com maior tendência para a cefalização que os restantes grupos do filo Molusca . . Sua grande capacidade motora é devida a presença da cefalização e de um sistema nervoso altamente organizado, composto por fibras motoras gigantes, que determinam a ocorrência de contrações musculares fortes e sincrônicas. Possuem também, alguns órgãos sensoriais. Além dos olhos, eles possuem estatocistos e osfrádios. 63) Comente sobre a mudança de cor nos cephalopodes. N= R: A mudança na coloração desses animais ocorre devido aos cromatóforos. Esses podem ser de várias cores, dependendo da espécie, amarelo, laranja, vermelho, azul, etc. Cada cromatóforo é controlado por células musculares, por sua vez controladas por nervos ligados diretamente ao cérebro. Assim, contraindo ou relaxando essas células musculares, o cefalópode pode variar o tamanho do cromatóforo e a intensidade da cor que este revela à vista desarmada. Cada tipo de cromatóforo é controlado por diferentes nervos, pelo que o animal pode controlar cada pigmento separadamente. 64) Comente sobre as glândulas de tintas dos cephalopodes. N= R: Essas glândulas são grandes sacos que se abrem no reto do animal se ele se sentir ameaçado. Dentro desses sacos, está armazenado um líquido castanho ou preto que é rico em melanina. Quando um predador se aproxima, e esse líquido lançado, forma-se uma nuvem que fará com que o predadornão o enxergue, possibilitando sua fuga. 65) Comente sobre a luminescência dos cephalopodes. R: Muitas lulas de águas profundas são luminescentes. Isso porque fotóforos (células luminescentes) podem se distribuir de diferentes maneiras sobre o corpo, incluindo os glóbulos oculares. Em alguns grupos, como Sepiola, por exemplo, a luminescência é causada pela presença de bactérias simbiontes. Entretanto, na maior parte dos casos, ela é intrínseca aos cefalópodes. 66) Comente sobre a reprodução dos cephalopodes. R: Os cefalópodes têm os sexos separados, a fecundação é interna e formam ovos ricos em vitelo, dos quais emergem jovens por desenvolvimento directo. A fertilização pode ocorrer tanto dentro quanto fora da cavidade do manto, e em ambos os casos um processo de cópula está presente. http://curlygirl3.no.sapo.pt/nervoso.htm http://curlygirl.no.sapo.pt/moluscos.htm O acasalamento é procedido de rituais complexos, geralmente envolvendo brilhantes demonstrações de cor e luz nas espécies que são bioluminescentes. Os machos apresentam um braço especializado hectocótilo usado na transferência de um saco de esperma, o espermatóforo para o corpo da fêmea. O hectocótilo é facilmente identificado pois não tem ventosas na extremidade. Após a transferência de esperma o casal separa-se e a fêmea irá, então, fecundar os seus óvulos quando mais lhe convier. Em polvos a fêmea pode armazenar o espermatóforo no interior da cavidade paleal durante dois meses, até encontrar um local adequado para depositar os ovos. Em lulas é igualmente freqüente os progenitores morrerem imediatamente após o acasalamento, deixando os ovos envoltos em finas membranas ancorados no fundo arenosos do oceano. O desenvolvimento é direto, ou seja, as larvas trocófora e véliger não estão presentes. Entretanto, os cefalópodes podem viver no plâncton durante algum tempo após a eclosão. 67) O que se pode dizer da filogenia desses animais? R: Dados morfológicos sugerem que as classes Cephalopoda e Gastropoda são grupos-irmãos. As seguintes características são possíveis sinapomorfias da classe Cephalopoda: (1) expansão do celoma e fechamento do sistema circulatório; (2) concha septada; (3) sifúnculo; (4) mandíbulas em forma de bico; (5) pé modifi cado em braços/tentáculos e no funil (= sifão); (6) saco de tinta; (7) extenso fusionamento dos gânglios nervosos formando um cérebro.