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Tal declaração, porém, não acabou com as controvérsias e 
contradições. 
 
 
 
Segundo o historiador e jurista norte-americano Samuel Moyn, que defende 
essa onda atual de direitos humanos como uma espécie de última utopia 
humana e aponta a década de 1970 como o momento em que a Europa 
buscou uma identidade fora dos termos da Guerra Fria, que separava o 
mundo entre países alinhados aos EUA capitalistas ou à URSS comunista. 
 
Além disso, depois da desastrosa saída do Vietnã, em 1975, a política externa dos 
EUA mudou para padrões mais liberais, a fim de manter relações mais igualitárias 
com outras nações. E, principalmente, foi a década em que a aventura colonialista 
dos países europeus na África se dissolveu, ocasionando a libertação de diversos 
povos que até hoje pagam a conta dessa longa dominação. 
 
 
Isso, claro, sem contar o rescaldo dos grandes movimentos populares do fim 
da década de 1960, que sacudiram os paralelepípedos das ruas de várias 
cidades do Norte Global, de Paris a Berkeley (EUA), passando por Praga, 
capital da então república socialista tchecoslovaca. Após tais protestos e 
modificações do tabuleiro mundial, não dava mais para se crer capitalista ou 
comunista de forma inocente. 
 
Com a eleição de Margareth Thatcher no Reino Unido, em 1979, e de Ronald 
Reagan nos EUA, em 1981, os direitos humanos se transformaram em uma 
moeda imperialista. 
 
Exemplo 
Usando como desculpa o combate às ditaduras comunistas e o perigo do 
chamado avanço “vermelho”, EUA e Reino Unido intervinham diretamente na 
política interna e externa de países periféricos. Contraditoriamente, não se 
importavam com as violações dos mesmos direitos nesses mesmos países 
periféricos, que seguiam suas cartilhas subservientes e, na maioria dos 
 
 
 
 
 
 
casos, aderiam às suas políticas econômicas neoliberais. Era o caso das 
ditaduras sul-americanas do período, tais quais as implantadas no Brasil, na 
Argentina e no Chile. 
 
 
Essa política de direitos humanos também não aconteceu de forma igual nem ao 
mesmo tempo em todos os países da Europa do oeste — basta lembrar que, 
paralelamente a esse período, toda a Península Ibérica continuava sob o domínio 
de ditaduras nacionalistas até metade da década de 1970: Portugal se liberta do 
salazarismo, iniciado em 1933, somente com a Revolução dos Cravos, em 1974. Já 
a Espanha se livraria do franquismo — imposto desde o fim da Guerra Civil 
Espanhola, em 1938 — apenas com a morte do “generalíssimo” Francisco Franco, 
em 1975. 
 
 
Mas, afinal, como definir o que são os direitos humanos? 
 
 
Para começarmos a entender esse assunto, é possível citar alguns 
procedimentos dentro do escopo dos direitos humanos: o direito à liberdade 
de culto e religião; o direito a um julgamento justo, quando se é acusado de 
algum crime; o direito a não ser torturado; e o direito à educação. 
 
É nesse sentido que, atualmente, os direitos humanos: 
 
 
 
Plurais e têm como fim acabar com a escravização no mundo 
 
Destacam que todos os seres humanos nascem livres e iguais em 
dignidade e direitos, com o fim de acabar com a escravização no 
mundo e prevenir genocídios, através de direitos e liberdades 
fundamentais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Universais e inerentes a todos os seres humanos 
 
Promovem o respeito e a observância aos direitos e liberdades fundamentais 
do ser humano, como um ideal comum a ser atingido por todas as nações, 
independentemente das práticas, morais e leis específicas de seus países. 
 
 
 
Prioridades e sua violação é uma grave afronta à Justiça 
 
Esclarecem que o pleno reconhecimento e respeito aos direitos e 
liberdades fundamentais, para que toda e qualquer pessoa tenha 
direito a uma vida digna, é um requisito inerente à moral, à ordem 
pública e ao bem-estar de toda e qualquer nação democrática. 
 
 
Equiparados a estabilidade e a segurança nacional 
 
Enfatizam que o direito a uma renda justa e satisfatória, que assegure uma 
existência digna, está diretamente relacionado com a estabilidade, a 
segurança nacional, a autonomia individual e dos povos, bem como a 
prosperidade nacional e global. 
 
 
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, já em 1948, nos fornece um 
bom parâmetro para tentar entender o que são, afinal, os direitos humanos: 
são uma tentativa de criar uma moral — uma ética — compartilhada por 
“todos os membros da família humana”, como escreve a declaração das 
Nações Unidas publicada em 1948. Tais direitos são aquilo no qual todos 
deveríamos nos basear, por serem as condições fundamentais para uma vida 
digna de toda e qualquer pessoa, sem importar quem ela é ou o que ela faz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando os humanos têm direitos 
Neste vídeo, você aprofundará o termo direitos humanos em suas 
nuances. 
 
 
Fundamentação histórica dos direitos humanos 
 
Direitos humanos e iluminismo 
 
 
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São 
dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com 
espírito de fraternidade. (Art. 1º da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos) 
 
 
 
Livres, iguais e com espírito fraterno. Desde o seu primeiro artigo, a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos não esconde sua principal 
influência: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 
 
 
Redigida logo no início da Revolução Francesa, em 1789, o icônico documento — 
cujo lema principal era “liberdade, igualdade e fraternidade” — não apenas ignorava 
o rei, como toda nobreza e a Igreja, atribuindo a soberania do país ou nação ao seu 
povo. Destacando que “os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem” são 
a base de qualquer governo. 
 
 
O caráter universal dos direitos humanos também já aparecia na declaração 
de 1789, que se refere, ao longo de seu texto e de diversas formas, aos 
homens, sem fazer distinção da sua nacionalidade, com apenas uma menção 
ao povo francês. Seu artigo 1º, que ecoa no documento da ONU, quase dois 
 
 
 
 
 
 
séculos depois, já assegurava que “os homens nascem e permanecem livres 
e iguais em direitos”. 
 
Era tanta liberdade, igualdade e propunha tanta fraternidade que teóricos e 
políticos anglófilos como Richard Price e Edmund Burke, que tinham apoiado 
a independência norte-americana, em 1776, foram contrários à Revolução 
Francesa, com medo de que ela acabasse provocando o caos. 
 
Foi contra ela que Burke escreveu Reflexões sobre a Revolução na 
França, e criou as bases para o conservadorismo moderno, que até 
aceita transformações, mas acredita que as revoltas são movimentos 
extremos demais. 
 
 
Aliás, a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América é outro 
documento que historiadores, como a estadunidense Lynn Hunt, defendem como 
seminais no tema dos direitos humanos. A segunda linha do texto de 1776 já afirma: 
"Consideramos estas verdades autoevidentes: que todos os homens são criados 
iguais, dotados pelo seu Criador de certos Direitos inalienáveis, que entre estes 
estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade". 
 
 
Mesmo que haja uma menção ao Criador, o Seu trabalho termina ali. O 
governo era dos homens e para os homens. Todos os homens. 
 
 
Há uma conexão estreita entre as duas famosas declarações do século XVIII: 
Thomas Jefferson, o autor da declaração americana, estava em Paris 13 anos 
depois, meses antes da queda da prisão da Bastilha, o evento que marca o 
início da Revolução Francesa. Thomas Jefferson era amigo e muito 
provavelmente influenciou o marquês de Lafayette, que foi um dos redatores 
do documento de 1789. 
 
Todas essas declarações revolucionárias respiraram os ares críticos e científicos do 
Iluminismo, que criou as bases estruturantes para a proposta da formação de uma 
sociedade, em tese, muito menos estratificada. 
 
 
 
 
 
 
 
A expressão “direitos do homem”, que ficou bastante associada à declaração 
francesa de 1789, já aparecia na obra O contrato social ou princípios do direito 
político, de 1762, do iluminista Jean-Jacques Rousseau. 
 
Em geral, os direitos humanosé de retirar os autos de cartório para levá-los até a 
copiadora mais próxima. O direito é de obter as cópias, o que implica dizer que cada 
cartório judicial deverá disponibilizar os mecanismos adequados para garantir tal 
direito, alguns, por exemplo, possibilitam que servidores acompanhem o advogado 
até a copiadora”. 
 
 
 
 
A novidade trazida pela Lei nº 13.793/2019 foi para permitir o acesso dos 
advogados aos processos eletrônicos mesmo sem procuração, desde que eles não 
estejam sujeitos a sigilo (art. 7º, XIII, §13, do EAOAB). 
 
XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir 
investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações 
de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à 
autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou 
digital. 
 
 
 
Este inciso foi alterado pela Lei nº 13.245/2016. Antes, em seu texto original, não 
constavam as expressões “em qualquer repartição policial responsável por conduzir 
investigação” e “investigações de qualquer natureza” (constava apenas “autos de 
flagrante e de inquérito policial”), bem como a questão da obtenção de cópias por 
meio digital, como, por exemplo, a fotografia por scanner portátil ou por aparelho de 
telefone celular. 
 
 
Comentário 
Tais alterações vieram em boa hora, pois há muito tempo já se discutia o direito de 
acesso do advogado aos procedimentos investigatórios nos mais variados setores, 
e não só em sede policial (como é o caso do procedimento investigatório criminal 
feito pelo Ministério Público). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para assegurar esse direito, a Lei nº 13.245/2016 também acrescentou o §12, 
determinando que: “A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o 
fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a 
retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização 
criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso 
do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do 
direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.” 
 
 
Assim, entendemos que o mesmo direito deve ser estendido para se ter vista e 
cópia de registros de ocorrência (ou boletins de ocorrência), de termos 
circunstanciados e de qualquer procedimento anterior à instauração do inquérito 
policial, como o comumente chamado procedimento de “verificação das 
procedências das informações” (na prática penal denominada VPI), tratado no art. 
5º, §3º, do Código de Processo Penal (CPP). Afinal, se pode o mais (inquérito 
policial), pode o menos (VPI, registro de ocorrência ou boletim de ocorrência). 
 
Atenção 
É importante observar o seguinte: embora o art. 20 do CPP estabeleça que “a 
autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou 
exigido pelo interesse da sociedade”, essa sigilosidade – característica do IP 
– não alcança o advogado em virtude do que lhe é garantido pelo art. 7º, 
inciso XIV, da Lei nº 8.906/1994. 
 
 
 
Em razão disso, em fevereiro de 2009, o Supremo Tribunal Federal editou a súmula 
vinculante nº 14 com o seguinte teor: 
 
 
“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos 
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório 
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito 
ao exercício do direito de defesa”. 
Supremo Tribunal Federal - súmula vinculante nº 14 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesse sentido, a Lei nº 13.245/2016 acrescentou os §§10 e 11, que esclarecem 
mais ainda esse tema. Vejamos: 
 
 
No §10, consta o seguinte: “nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar 
procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV”. Isso ocorre 
porque, como já comentamos, o sigilo do inquérito policial não alcança o advogado. 
 
 
 
No entanto, há casos em que pode haver uma interceptação telefônica decretada 
pelo juiz ou a quebra de sigilo bancário. Assim, documentos e informações sigilosas 
são juntadas aos autos do inquérito policial. Nessa hipótese, para que o advogado 
tenha acesso, ele deverá ter procuração. 
 
 
 
Já o §11 atesta que, “no caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente 
poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a 
diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver 
risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das 
diligências”. Esse inciso esclareceu melhor o teor da aludida Súmula Vinculante 14. 
 
 
 
XV – ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer 
natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pelos prazos 
legais. 
 
XVI – retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo 
de dez dias. 
 
 
 
 
Os direitos trazidos nos incisos XV e XVI não se aplicam aos seguintes casos 
mencionados no § 1º do art. 7º: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a. quando o processo estiver sob o regime do segredo de justiça; 
 
b. quando houver nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer 
circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, 
secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, 
proferido ex officio, mediante representação ou requerimento da parte interessada; 
 
c. até o encerramento do processo ao advogado que tenha deixado de devolver os 
respectivos autos no prazo legal e só o fizer depois de intimado. 
 
 
XVII – ser publicamente desagravado quando ofendido no exercício da 
profissão ou em razão dela. 
 
 
O estatuto tratou o desagravo público como um direito do advogado, tendo o 
Regulamento Geral especificado o tema nos arts. 18 e 19. 
 
O desagravo público é um procedimento formal utilizado pela Ordem dos 
Advogados do Brasil para mostrar o repúdio e prestar uma solidariedade às ofensas 
sofridas pelo advogado no exercício da sua profissão, ou de cargo ou função nos 
órgãos da OAB, sem prejuízo das sanções penais em que incorrer o ofensor. Não 
raramente, os advogados são ofendidos por juízes, promotores de justiça ou 
delegados de polícia no desempenho de seu mister, devendo o desagravo ser 
promovido pelo conselho competente, de ofício, a requerimento do próprio 
advogado ou de qualquer outra pessoa. 
 
 
 
O desagravo público, como meio de defesa dos direitos e das prerrogativas da 
advocacia, não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, 
sendo, portanto, um critério do próprio conselho. Uma vez ocorrendo a ofensa no 
espaço territorial da subseção a que se vincule o inscrito, a sessão de desagravo 
pode ser promovida pela diretoria ou conselho da subseção, com representação do 
conselho seccional. 
 
 
 
Com razão, se o advogado foi ofendido num município distante da sede do 
Conselho Seccional, de nada adiantará a solenidade ser lá realizada. Atenderá 
 
 
 
 
 
 
melhor ao seu objetivo se ela for feita em um local mais próximo de onde ocorreu a 
ofensa. 
 
 
 
Por outro lado, competirá ao Conselho Federal promover o desagravo público nos 
casos de ofensa a conselheiro federal ou a presidente de conselho seccional, 
quando eles forem ofendidos no exercício das atribuições de seus cargos e quando 
a ofensa a advogado se revestir de relevância e grave violação às prerrogativas 
profissionais com repercussão nacional. Dessa forma, o Conselho Federal indica 
seus representantes para a sessão pública de desagravo, que será realizado na 
sede do conselho seccional, exceto no caso de ofensa a conselheiro federal, caso 
em que ela acontecerá no próprio Conselho Federal. 
 
 
 
O procedimento do desagravo público é disciplinado nos parágrafos do art. 18 do 
Regulamento Geral. 
 
● Compete ao relator, convencendo-se da existência de prova ou indício de 
ofensa relacionada ao exercício da profissão ou cargo da OAB, propor ao 
presidente que solicite informações da pessoa ou autoridade ofensora, que 
serão fornecidas no prazo de 15 dias, a não ser quehaja urgência ou 
notoriedade do fato. 
● Pode o relator propor o arquivamento do pedido se: (1) a ofensa tiver 
natureza pessoal; (2) se não estiver ligada ao exercício profissional ou às 
prerrogativas gerais do advogado; ou (3) se configurar crítica de caráter 
doutrinário, político ou religioso. 
● Sendo recebidas ou não as informações solicitadas e convencendo-se da 
procedência da ofensa, o relator emitirá um parecer, que será submetido ao 
conselho. Em caso de acolhimento do parecer, é designada a sessão de 
desagravo, que será amplamente divulgada. 
 
 
 
Na sessão do desagravo público, o presidente lê a nota a ser publicada na 
imprensa, encaminhada ao ofensor e às autoridades e registrada nos 
assentamentos do inscrito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
XVIII – usar os símbolos privativos da profissão de advogado. 
 
 
Apenas o advogado devidamente inscrito na OAB pode utilizar os símbolos 
privativos da advocacia. São anéis, adornos e outros itens relacionados à profissão. 
Compete ao Conselho Federal criar ou aprovar o seu uso (art. 10, inciso X, 
EAOAB): “Compete ao Conselho Federal: X – dispor sobre a identificação dos 
inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos privativos”. 
 
 
Não se deve confundir essa competência do Conselho Federal com o que está 
disposto no art. 58, XI, do mesmo diploma: compete ao conselho seccional 
determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados no exercício 
profissional. Um fala sobre os símbolos; o outro, sobre o traje. 
 
XIX – recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou 
deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha 
sido advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte. 
 
 
A recusa em depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deve 
funcionar, ou até mesmo sobre algum fato vinculado à pessoa de quem seja ou foi 
advogado, é um direito assegurado pelo estatuto, mas também é um dever imposto 
pelo Código de Ética e Disciplina (arts. 35 a 38 do Novo CED). 
 
 
 
XX – retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato 
judicial, após 30 minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha 
comparecido a autoridade que deva presidir a ele, mediante comunicação 
protocolizada em juízo. 
 
 
O advogado ganhou com esse inciso uma importantíssima prerrogativa. Para evitar 
abusos lamentavelmente cometidos por alguns magistrados, garantiu-lhe o Estatuto 
da Advocacia e da OAB o direito de se retirar do recinto onde está aguardando para 
a realização do ato judicial após passados 30 minutos do horário marcado e sem 
que a respectiva autoridade tenha chegado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esse direito não se aplicará quando o magistrado, já estando no local, esteja 
realizando outro ato processual, como é o caso de uma audiência designada para 
um horário anterior, mas que ainda não terminou. 
 
 
Saiba Mais 
É mister salientar que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) traz um 
prazo menor. Assim, para os advogados que atuarem perante a Justiça 
Trabalhista, o tempo de espera será de apenas 15 minutos a partir do horário 
designado (art. 815, CLT). 
 
 
Em qualquer caso, obviamente exige-se a comunicação protocolizada em juízo. 
 
XXI - assistir seus clientes investigados durante a apuração de infrações sob 
pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e 
subsequentemente de todos os elementos investigatórios e probatórios dele 
decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo inclusive no 
curso da respectiva apuração: 
 
 
a) apresentar razões e quesitos; 
 
Essa inovação trazida pela Lei nº 13.245/2016 traduz um relevante avanço para a 
Justiça e para o exercício do direito de defesa. Embora o princípio da ampla defesa 
não seja aplicado à fase da investigação policial, a presença e a participação do 
advogado evitam que se cometam abusos contra os investigados. 
 
 
Honorários advocatícios 
Neste esclarecedor vídeo, o professor Paulo Machado discorre sobre os principais 
aspectos dos honorários advocatícios, assim como sobre sua cobrança e 
prescrição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Advogar é muito mais do que defender direitos e pensar em ganhar dinheiro. 
Trata-se de entender que o advogado é um dos agentes indispensáveis à 
administração da Justiça. 
 
 
A Lei nº 8.906/1994 (EAOAB) traz uma hipótese em que o advogado trabalha 
gratuitamente. Isso ocorrerá quando ele defender outro colega em processo 
originário de ação ou omissão no exercício da profissão. 
 
 
 
Entende-se aqui que as prerrogativas da advocacia estão em debate, motivo pelo 
qual há interesse de toda a classe, e não só daquele profissional. Veja que o 
defensor dativo nomeado pela OAB faz a representação do advogado processado 
disciplinarmente por delegação da própria Ordem, constituindo um múnus (e um 
motivo) extremamente célebre. 
 
O Novo Código de Ética e Disciplina passou a tratar da advocacia pro bono no art. 
30 e seus parágrafos. No exercício da advocacia pro bono e ao atuar como defensor 
nomeado, conveniado ou dativo, o advogado empregará o zelo e a dedicação 
habituais, de modo que a parte por ele assistida se sinta amparada e confie no seu 
patrocínio. 
 
 
 
advocacia pro bono 
Considera-se advocacia pro bono a prestação gratuita, eventual e voluntária de 
serviços jurídicos em favor de instituições sociais sem fins econômicos e de seus 
assistidos sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a 
contratação de profissional 
 
 
A advocacia pro bono poderá ser exercida em favor de pessoas 
naturais que igualmente não dispuserem de recursos para, sem 
prejuízo do próprio sustento, contratar advogado. Ela não pode ser 
utilizada para fins político-partidários ou eleitorais nem beneficiar 
instituições que visem a tais objetivos, tampouco como instrumento de 
publicidade para captação de clientela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://conteudo.ensineme.com.br/hu/03194/intro?brand=estacio#
 
 
 
O Estatuto da Advocacia e da OAB apresenta três tipos de honorários 
advocatícios: 
Convencionados 
Os convencionados (como o próprio nome diz, o advogado e o cliente) combinam 
um valor fixo. Esse valor é a principal característica desse tipo de honorários e pode 
ser contratado de forma verbal ou por escrito mediante o contrato de honorários 
advocatícios. 
Recomenda-se ao advogado fazer o contrato por escrito por ele ser mais seguro, 
inclusive para fins de cobrança, como se verá adiante. 
Arbitrados judicialmente 
Na ausência de combinação entre advogado e cliente sobre o valor dos honorários, 
eles serão arbitrados pelo juiz, ou seja, fixados por arbitramento judicial, com 
remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão. Advirta-se 
que, mesmo nesse caso, o valor dos honorários não pode ser inferior ao 
estabelecido na tabela de honorários criada por cada conselho seccional da OAB. 
O art. 22, §1º, do estatuto, determina que, quando o advogado for indicado para 
atuar em causa de pessoa juridicamente necessitada, nos casos de estados que 
não tenham Defensoria Pública ou que, mesmo tendo, sua atuação, por qualquer 
motivo, esteja impossibilitada (greve, por exemplo), o profissional terá direito a 
receber honorários fixados pelo juiz e pagos pelo Estado. 
Sucumbenciais 
Os honorários sucumbenciais são aqueles pagos pela parte vencida (parte 
sucumbente) ao advogado da parte vencedora. É importante lembrar que a Lei nº 
13.467/2017, que alterou a CLT, incluiu a possibilidade de honorários sucumbenciais 
ao acrescentar o art. 791-A. 
Acrescente-se que, de acordo com o art. 14 do Regulamento Geral, os honorários 
de sucumbência, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia e só 
acidentalmente da relação de emprego, não integram o salário ou a remuneração, 
não podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas ou previdenciários. 
O parágrafo único do mesmo dispositivo complementa determinando que os 
honorários de sucumbência dos advogados empregados constituem fundo comum 
cujadestinação será decidida pelos profissionais integrantes do serviço jurídico da 
 
 
 
 
 
 
empresa ou por seus representantes. Em caso de falecimento do advogado, ou se 
ele vier a se tornar incapaz civilmente, os honorários de sucumbência, 
proporcionalmente ao trabalho por ele desenvolvido, são devidos aos seus 
sucessores ou representantes legais. 
Apesar de o art. 24, §3º, do estatuto estipular que “é nula qualquer disposição, 
cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que retire do advogado o 
direito ao recebimento dos honorários de sucumbência”, o STF, na ADI nº 1.194-4, 
declarou o aludido dispositivo inconstitucional. O Novo CED reservou um capítulo 
próprio para tratar dos honorários profissionais (Título I, Capítulo IX, arts. 48 ao 54). 
 
 
 
 
Pacto quota litis 
Pacto ou cláusula quota litis é a participação do advogado no resultado ou ganho 
obtido na causa. Paulo Lôbo (2021) lembra que o direito romano e as ordenações 
filipinas condenavam essa forma de contratar - e com razão. 
 
Nesse caso, o advogado se transforma em “sócio” do cliente naquela demanda. Tal 
profissisonal, nessa situação, é “quase” parte. 
 
Entretanto, o Código de Ética e Disciplina trouxe a possibilidade de ser feito esse 
pacto, desde que estejam presentes as condições do art. 50 e seus parágrafos: 
 
 
 
Art. 50. Na hipótese da adoção de cláusula quota litis, os honorários devem 
ser necessariamente representados por pecúnia e, quando acrescidos dos 
honorários da sucumbência, não podem ser superiores às vantagens 
advindas a favor do cliente. 
§ 1º A participação do advogado em bens particulares do cliente só é 
admitida em caráter excepcional, quando esse, comprovadamente, não tiver 
condições pecuniárias de satisfazer o débito de honorários e ajustar com o 
seu patrono, em instrumento contratual, tal forma de pagamento. 
§ 2º Quando o objeto do serviço jurídico versar sobre prestações vencidas e 
vincendas, os honorários advocatícios poderão incidir sobre o valor de umas 
e outras, atendidos os requisitos da moderação e da razoabilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
(BRASIL, 2022, art. 50) 
 
 
 
 
De toda forma, apesar da permissão dada pelo Código de Ética, o advogado deve 
ter todo zelo para que não incorra em infração disciplinar. 
 
 
 
Formas judiciais de cobrança 
 
Na hipótese de o constituinte faltar com a obrigação de pagar os honorários ao 
advogado, o profissional deverá procurar ao máximo resolver a situação 
amigavelmente. Chegando ao ponto de não haver mais solução pela forma 
preliminar, surge a necessidade de se buscar a via judicial. 
 
 
Atenção 
Para isso, o advogado precisa renunciar ao patrocínio da causa e 
constituir outro advogado para fazer a cobrança, conforme dispõe o 
art. 54 do Novo Código de Ética e Disciplina. 
 
 
 
 
O art. 24 do estatuto determina que o contrato feito por escrito (contrato de 
honorários advocatícios) constitui título executivo. Desse modo, o advogado não 
precisará propor ação de conhecimento. A cobrança será feita, nesse caso, por 
meio da execução por quantia certa. 
 
 
Quando o advogado contrata de forma verbal, resta claro que não há o que 
executar, ensejando, assim, uma ação de cobrança. Quando for o caso de ele juntar 
aos autos o contrato de honorários advocatícios antes da expedição do mandado de 
levantamento ou precatório, o juiz terá de determinar que lhe sejam pagos 
diretamente, deduzindo o valor respectivo da quantia a ser recebida pelo 
constituinte, a não ser que ele comprove que já o pagou. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os honorários incluídos na condenação, seja por arbitramento, seja por 
sucumbência, pertencem ao advogado, tendo o profissional direito autônomo de 
exigir o cumprimento da sentença, podendo ainda solicitar ao juiz que o precatório 
seja expedido em seu nome, quando for o caso. 
 
O art. 24 do estatuto enfatiza que a decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e 
o contrato feito por escrito têm força de título executivo e constituem crédito 
privilegiado em falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e 
liquidação extrajudicial. 
 
 
Quando o advogado receber um substabelecimento com reserva de poderes, ele 
não poderá cobrar os honorários respectivos sem a intervenção daquele que lhe 
substabeleceu (art. 26 do EAOAB). 
 
 
Prescrição (art. 25, EAOAB) 
 
A ação de cobrança de honorários advocatícios prescreve em cinco anos, que serão 
contados a partir: 
 
a. do vencimento do contrato, quando houver; 
 
b. do trânsito em julgado da decisão que os fixar ou arbitrar; 
 
c. da finalização do serviço extrajudicial (assessoria, consultoria e direção jurídicas 
ou acompanhamento de inquérito policial); 
 
d. da desistência ou transação; 
 
f. da renúncia ou revogação de mandato. 
 
 
Saiba Mais 
Em 2009, foi acrescentado o art. 25-A, que também trouxe o prazo prescricional de 
cinco anos para a ação de prestação de contas das quantias recebidas pelo 
advogado do seu cliente ou de terceiros por conta dele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direitos do advogado 
 
 
Honorários advocatícios 
 
 
 
Considerações finais 
 
Como vimos neste conteúdo, a ética da advocacia constitui a base sólida de 
qualquer profissional. Além das regras deontológicas trazidas no Código de Ética e 
Disciplina da OAB, o advogado também precisa conhecer seus direitos, os quais, 
por sua vez, são tratados no Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994). 
Outro ponto importante para o desenvolvimento da atividade é saber os 
mandamentos acerca do advogado sócio e do advogado empregado, pois também 
existem normas a serem seguidas nessa seara. Por fim, verificamos que o estudo 
do instituto dos honorários advocatícios, em conjunto com o demais, também faz 
parte da trajetória de sucesso do profissional do Direito. 
 
 
 
 
 
Tema 4 - A Ordem Dos Advogados do Brasil 
 
 
Itens iniciais 
 
Propósito 
 
Conhecer a própria instituição da qual faz parte é imprescindível para o advogado 
não só para sua atuação como advogado em empresas privadas ou públicas ou em 
processos judiciais, mas também para o devido conhecimento do corpo interno 
(conselho e tribunal de ética) da entidade responsável pela defesa de sua classe. 
 
Preparação 
 
 
 
 
 
 
 
Para o estudo deste material, é imprescindível que você tenha em mãos 
a Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB), 
 o Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB e 
o Código de ética e disciplina da OAB para que eles possam ser 
consultados com facilidade no decorrer de sua leitura. 
 
 
Objetivos 
● Identificar a natureza jurídica e finalidades da OAB. 
● Identificar a estrutura organizacional da OAB. 
● Reconhecer os órgãos da OAB e suas competências. 
 
Introdução 
 
Em um primeiro momento, edificaremos os conhecimentos estruturais acerca da 
instituição OAB, nomeadamente de sua natureza jurídica e de seus fins precípuos, a 
fim de lhe propiciar a devida compreensão dos módulos seguintes: estrutura 
organizacional, órgãos e competências da Ordem. Também estudaremos os quatros 
órgãos que a constituem: Conselho Federal, conselhos seccionais, subseções e 
Caixa de Assistência dos Advogados. 
 
Em seguida, delinearemos o Conselho Federal da OAB e suas funções, bem como 
as atribuições dos conselhos seccionais e das subseções. Por fim, analisaremos a 
Caixa de Assistência dos Advogados, cuja finalidade é prestar assistência aos 
advogados e aos estagiários vinculados ao respectivo conselho seccional. 
 
 
Finalidades e natureza da OAB 
OAB: Finalidades e natureza 
 
Antes de iniciarmos nossos estudos, acompanhe o vídeo introdutório sobre a OAB. 
 
 
O artigo 44 do Estatuto da Advocacia e da OAB aborda as finalidades institucionais 
e corporativas da Ordem. 
 
 
 
 
 
 
 
Finalidades institucionais 
 
 
São aquelas cumpridas pela OAB externamente, ou seja, a organização, como 
instituição, age com o objetivo de alterar ou preservar algo fora do seu corpo. 
 
 
As finalidades institucionais incluem: 
 
 
 
 
Defesa 
Defender a Constituição, a ordem jurídica doEstado Democrático de 
Direito, os direitos humanos e a justiça social. 
 
Guiar 
Pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e 
pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. 
 
 
 
Finalidades corporativas 
 
São aquelas que a OAB cumpre internamente para mudar ou manter algo dentro de 
si relativamente aos seus quadros de advogados e de estagiários. 
 
Seu objetivo é, com exclusividade, promover em toda a República Federativa do 
Brasil a: 
 
 
Representação 
 
Defesa 
 
Seleção 
 
Disciplina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O artigo 11 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, por sua vez, 
determina que: 
 
 
[...] compete ao sindicato de advogados e, na sua falta, à federação ou 
confederação de advogados, a representação destes nas convenções coletivas 
celebradas com as entidades sindicais representativas dos empregadores, nos 
acordos coletivos celebrados com a empresa empregadora e nos dissídios coletivos 
perante a justiça do trabalho, aplicáveis às relações de trabalho. 
(ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 1994, art. 11) 
 
 
 
Tal conteúdo, porém, poderia ir de encontro ao disposto no artigo 44, II, do Estatuto 
da Advocacia e da OAB (EAOAB): “promover, com exclusividade, a representação”). 
Se há exclusividade da OAB, por que o Regulamento geral do Estatuto da 
Advocacia e da OAB diz que ela compete ao sindicato? Esse regulamento estaria 
contrariando a Lei nº 8.906/94? 
 
 
 
A resposta é simples. Ela, na verdade, possui duas possiblidades: 
 
 
Interesse de toda a classe dos advogados 
 
Na violação de uma prerrogativa, por exemplo, a OAB, por meio 
de seus órgãos, representa os advogados judicial e 
extrajudicialmente. 
 
 
 
Direitos dos advogados empregados 
 
 
 
 
 
 
 
No caso da violação ao salário-mínimo do advogado empregado, 
por exemplo, essa representação fica a cargo do sindicato ou, na 
falta dele, da federação ou da confederação dos advogados. 
 
 
 
Origem e natureza jurídica da OAB 
 
 
 
A Ordem dos Advogados do Brasil foi criada em 1930 pelo Decreto nº 19.408, que, 
em seu artigo 17, determinou: “Fica criada a Ordem dos Advogados Brasileiros, 
órgão de disciplina e seleção de advogados, que se regerá pelos estatutos que 
forem votados pelo Instituto dos Advogados Brasileiros com a colaboração dos 
institutos dos estados e aprovados pelo governo”. 
 
 
 
No entanto, a OAB passou a ser devidamente estruturada com o 
advento da Lei nº 4.215, de 27 de abril de 1963. Esse é o primeiro 
estatuto da OAB, que, por sua vez, foi revogado pela Lei nº 8.906, 
de 4 de abril de 1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB). 
 
Atenção 
O uso da sigla OAB é privativo da Ordem dos Advogados do 
Brasil, como preceitua o art. 44, §2º do atual estatuto. 
 
 
 
Um tema sempre polêmico – e, por isso, bastante discutido na doutrina – e 
ainda não pacificado é a questão da natureza jurídica da OAB. É possível 
encontrar divergências sobre o assunto até mesmo entre os administrativistas 
mais renomados. 
 
Longe de querer esgotar o assunto ou até mesmo de se aprofundar no tema, 
é preciso frisar, entretanto, que esse não é o objetivo deste conteúdo. 
 
 
 
 
 
 
Apresentamos a seguir uma sinopse do assunto, ficando para outro momento 
mais debates a respeito. 
 
Em linhas gerais, é preciso destacar o seguinte aspecto: para que uma 
entidade seja considerada autarquia, ela, entre outros requisitos, deverá 
integrar a Administração Pública. Como preceitua a Lei nº 8.906/1994, no 
artigo 44, §1º, a OAB não mantém nenhum vínculo funcional ou hierárquico 
com qualquer órgão da Administração Pública. 
 
 
Em razão disso, há quem entenda que a Ordem seja uma autarquia em 
regime especial. Em que pese o respeitável entendimento 
supramencionado, nos somamos à corrente que entende ser a OAB 
uma entidade sui generis, uma vez que ela é uma entidade com 
características peculiares. 
 
 
 
Saiba Mais 
Sui generis Único em seu gênero 
 
 
A OAB, afinal, é diferente das demais entidades de classe. Não existe, no 
ordenamento jurídico, nenhuma entidade do tipo, principalmente pelo fato de 
ela não manter qualquer vínculo de natureza funcional ou hierárquica com os 
órgãos da Administração Pública. 
 
O STF se pronunciou acerca do assunto na Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (ADI) nº 3.026 por intermédio de seu relator, o então 
ministro Eros Grau: 
 
2. não procede a alegação de que a oab sujeita-se aos ditames impostos à 
administração pública direta ou indireta. * 
3. a oab não é uma entidade da administração indireta da união. a ordem é 
um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das 
personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. 
 
 
 
 
 
 
 4. a oab não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem 
referido com “autarquias especiais” para pretender-se afirmar equivocada 
independência das hoje chamadas “agências”. 
(BRASIL, 2006) 
 
 
 
 
 
1. Finalidades da OAB 
 
Personalidade jurídica 
 
À exceção das subseções, todos os órgãos da OAB possuem uma 
personalidade jurídica própria. É o que se depreende da simples leitura dos 
parágrafos 1º ao 4º do artigo 45 do Estatuto da Advocacia e a Ordem dos 
Advogados do Brasil (EAOAB). 
 
 
As subseções são órgãos autônomos dos conselhos seccionais, funcionando 
como extensões e com a finalidade de descentralizar algumas atividades 
desses conselhos. Curiosamente, o artigo 44, caput, do EAOAB determina 
que a OAB também tem personalidade jurídica. 
 
Uma dúvida poderia surgir aqui: quem tem personalidade jurídica? A OAB ou 
alguns de seus órgãos? Vejamos o que Paulo Lôbo dispõe sobre tal assunto: 
 
 
Quando o art. 44 do Estatuto diz que a OAB é dotada de personalidade 
jurídica própria, remete necessariamente à especificação do art. 45. A OAB é 
a instituição (que não se confunde com pessoa jurídica), cuja personalidade 
jurídica revela-se nos “órgãos” que a compõem, designados no art. 45. Vê-se, 
pois, que a referência no caput do art. 44 à personalidade jurídica da OAB é 
uma metonímia. Não existe uma pessoa jurídica OAB, ao lado de outras 
pessoas jurídicas, mas uma instituição organizada em determinadas pessoas 
jurídicas, que são o Conselho Federal, os conselhos seccionais e as Caixas 
de Assistência. 
 
 
 
 
 
 
(LÔBO, 2009, p. 94) 
 
 
 
 
O Instituto dos Advogados Brasileiros 
 
Bem antes da criação da OAB e após a autorização para a criação dos 
primeiros cursos jurídicos no Brasil, em 11 de agosto de 1827, nas cidades de 
Olinda e São Paulo, na busca pela organização da advocacia, foi fundado o 
Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), em 1843, com vistas à criação da 
OAB. O IAB prestou uma significante contribuição para a história do país. 
 
 
Exemplo 
No auxílio ao governo para a organização legislativa e judiciária, 
posicionando-se como órgão de estudos e debates de temas legislativos e 
jurisprudenciais. 
 
 
Ainda existente, o IAB não é a entidade de classe dos advogados, porém, 
ainda assim, presta, entre outros, o relevante serviço de fomentar a cultura 
jurídica. 
 
Vem que eu te explico! 
Personalidade jurídica dos órgãos da OAB 
 
Instituto dos advogados brasileiros 
 
 
 
2 Estrutura organizacional da OAB 
 
 
Considerações iniciais sobre os órgãos da OAB 
 
 
 
 
 
 
 
A OAB é formada por quatro órgãos. O estudo deles está disciplinado tanto 
no EAOAB quanto no Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da 
OAB: 
 
Conselho Federal 
Arts. 51-55, EAOAB; arts. 62-104, regulamento. 
 
 
Conselhos seccionais 
Arts. 56-59, EAOAB; arts. 105-114, regulamento. 
 
 
Subseções 
Arts. 60-61, EAOAB; arts. 115-120, regulamento. 
 
 
Caixa de Assistência dos Advogados 
Art. 62, EAOAB; arts. 121-127, regulamento. 
 
 
 
 
Nenhum órgão da OAB pode se manifestar sobre questões de ordem 
pessoal, exceto em caso de homenagem a quem tenha prestado relevantes 
serviços à sociedade e à advocacia. As salas e as dependências de seus 
órgãos não podem receber nomes de pessoas vivas ou inscrições estranhas 
às suas finalidades, respeitando-seas situações que já existiam na data da 
publicação do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB (artigo 
151, parágrafo único). 
 
 
 
Saiba Mais 
 
 
 
 
 
 
A publicação do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB se 
deu no Diário de Justiça de 16 de novembro de 1994. 
 
 
Regras gerais para as eleições e mandatos na OAB 
 
Eleições e mandatos na OAB 
 
Acompanhe agora as principais regras relativas às eleições e aos mandatos 
na OAB. 
 
 
Eis como funcionam as eleições na OAB: 
 
 
Frequência 
As eleições na OAB são realizadas trienalmente: todos os seus mandatos 
têm a duração de três anos. As eleições dos membros de todos os órgãos se 
realizam na segunda quinzena do mês de novembro do último ano do 
mandato mediante cédula única e votação direta dos advogados 
regularmente inscritos. 
 
 
 
Obrigatoriedade 
O voto é obrigatório para todos os advogados, sob pena de multa equivalente 
a 20% do valor da anuidade, a não ser que sua ausência seja justificada por 
escrito. Já os estagiários não votam. 
 
 
 
 
 
 
Local 
O advogado com inscrição suplementar pode exercer sua opção de voto, 
comunicando ao conselho seccional no qual possui inscrição principal. Além 
disso, a votação em trânsito é vedada. Nesse caso, o advogado poderia, por 
exemplo, votar no local mais perto do seu escritório, da sua residência ou na 
comarca próximo a uma audiência. 
A OAB designa ao advogado o local onde deve votar. O candidato a membro 
da Ordem deve fazer prova dos seguintes requisitos: 
 
1. Ser advogado regularmente inscrito no respectivo conselho seccional 
(com inscrição principal ou suplementar); 
2. Estar em dia com as anuidades; 
3. Não ocupar cargos ou funções incompatíveis com a advocacia (art. 28, 
EAOAB) em caráter permanente ou temporário; 
4. Não ocupar cargos ou funções dos quais possa ser exonerável ad 
nutum (mesmo que compatíveis com a advocacia); 
5. Não ter sido condenado por qualquer infração disciplinar por decisão 
transitada em julgado, salvo se estiver reabilitado pela OAB; 
 
6. Exercer efetivamente a profissão há mais de 3 anos para ocupar 
cargos nos conselhos seccionais e nas subseções e de 5 anos para 
cargos no Conselho Federal e na Caixa de Assistência dos Advogados 
(não se conta o período de estagiário); 
 
7. Não estar em débito com a prestação de contas ao Conselho Federal 
caso seja dirigente do conselho seccional. 
 
 
 
A chapa para o conselho seccional, por sua vez, é composta dos candidatos 
a: 
 
 
Diretoria 
 
 
 
 
 
 
 
Presidente, vice-presidente, secretário-geral, secretário-geral 
adjunto e tesoureiro. 
 
Conselho 
 
Composta pelos conselheiros seccionais da OAB. 
 
Delegação do Conselho Federal 
 
Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados 
 
 
 
 
 
A eleição é conjunta. Serão considerados eleitos os candidatos integrantes da 
chapa que obtiver a maioria dos votos válidos (art. 64, EAOAB). A chapa para 
a subseção é composta com os candidatos à sua diretoria e ao conselho da 
subseção, quando houver. 
 
 
Os mandatos na OAB têm início em 1º de janeiro do ano seguinte ao da 
eleição para os todos os órgãos da OAB, com exceção para o Conselho 
Federal (os conselheiros federais eleitos na chapa iniciam os seus mandatos 
no dia 1º de fevereiro do ano seguinte ao da eleição). 
 
A extinção do mandato ocorrerá automaticamente antes de seu término 
quando: 
 
 
1. Ocorrer qualquer hipótese de cancelamento da inscrição ou de licença do 
advogado; 
2. O titular sofrer condenação disciplinar na OAB; 
3. O titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordinárias consecutivas 
de cada órgão deliberativo do conselho, da diretoria da subseção ou da caixa 
de assistência dos advogados, não podendo ser reconduzido no mesmo 
período de mandado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nos casos da extinção de qualquer mandato na OAB resultante das hipóteses 
supracitadas, caberá ao conselho seccional, no caso de não haver suplentes 
(art. 66, parágrafo único, EAOAB), escolher o substituto. Como já 
comentamos, a votação se dá de forma direta nos conselhos seccionais, 
sendo na modalidade indireta para a escolha da diretoria do Conselho 
Federal. 
 
Dispõe o art. 67 do EAOAB que: 
 
A Eleição da Diretoria do Conselho Federal, que tomará posse no dia 1º de 
fevereiro, obedecerá às seguintes regras: 
I – será admitido o registro, junto ao Conselho Federal, de candidaturas à 
presidência, desde 6 (seis) meses até 1 (um) mês antes da eleição; 
II – o requerimento de registro deverá vir acompanhado do apoio de, no 
mínimo, 6 (seis) Conselhos seccionais; 
III – até 1 (um) mês antes das eleições, deverá ser requerido o registro da 
chapa completa, sob pena de cancelamento da candidatura respectiva; 
IV – no dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, o Conselheiro 
Federal elegerá, em reunião presidida pelo conselheiro mais antigo, por voto 
secreto e para mandato de 3 (três) anos, sua diretoria, que tomará posse no 
dia seguinte; 
V – será considerada eleita a chapa que obtiver maioria simples dos votos 
dos Conselheiros Federais, presente a metade mais 1 (um) de seus 
membros. 
(BRASIL, 1994, art. 67) 
 
 
 
À exceção do candidato à Presidente do Conselho Federal, os demais 
integrantes deverão ser conselheiros federais eleitos. 
 
Vem que eu te explico! 
Considerações iniciais sobre os órgãos da OAB 
 
 
 
 
 
 
 
Extinção do mandato na OAB 
 
 
 
 
 
3 Competências dos órgãos da OAB 
 
 
 
Conselho Federal 
 
O Conselho Federal da OAB 
 
Acompanhe agora um breve comentário acerca do Conselho Federal da 
OAB, bem como sua composição e suas competências. 
 
 
 
Composição do Conselho Federal 
 
 
Órgão supremo da OAB, o Conselho Federal tem sua sede na capital do país 
(Brasília) e é composto pelos conselheiros federais, conforme o disposto no 
artigo 51 do EAOAB. São conselheiros federais: 
 
 
Os integrantes das delegações de cada unidade 
federativa. 
 
Os ex-presidentes do próprio Conselho Federal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Falemos agora sobre os integrantes das delegações de cada unidade 
federativa. Cada conselho seccional elege três advogados (conselheiros 
federais) para representá-los no Conselho Federal. Esses conselheiros são 
eleitos pelo voto direto dos advogados em eleições realizadas trienalmente 
nos conselhos seccionais por meio de chapas. 
 
As chapas contêm: 
 
 
Candidatos à diretoria do conselho seccional 
 
Presidente, vice-presidente, secretário-geral, secretário-geral 
adjunto e tesoureiro. 
 
 
 
Conselheiros seccionais 
 
Composta pelos conselheiros das seções. 
 
 
 
Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados 
 
 
Delegação de conselheiros federais 
 
 
 
 
Quando o presidente do Conselho Federal, que também é o presidente 
nacional da OAB, encerra o seu mandato, passando a ser ex-presidente, ele 
continua sendo conselheiro federal, só que na qualidade de membro 
honorário vitalício. Desse modo, existem 81 conselheiros federais 
provenientes das delegações (já que, no Brasil, há 27 unidades federativas, 
contando com o Distrito Federal) mais seus ex-presidentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Votação no Conselho Federal 
Os votos no Conselho Federal são tomados por delegação. Cada uma delas 
tem direito a um voto. 
Se a delegação for composta por três conselheiros federais, o voto será 
tomado por maioria (3x0 ou 2x1). Caso haja a falta de um conselheiro e a 
ausência de um suplente, ela só poderá votar se os dois que estiverem 
presentes votarem no mesmo sentido. Caso contrário, ocorrerá um empate, e 
seu voto não será computado, isto é, será inválido. 
 
 
 
Os conselheiros federais integrantes das delegações não poderão exercer o 
direito de voto nas matérias de interesse específico da unidade federativa que 
representam, podendo, no entanto, opinar sobre o assunto, dispõe o artigo 
68, §2º, do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB. 
 
 
Exemplo 
Se estiver sendo decidido se o Conselho Federal deve ou não intervir no 
conselho seccional de São Paulo, os integrantes da delegação de SãoPaulo 
ficarão impedidos de votar. 
 
 
 
De acordo com artigo 51, §2º, do atual Estatuto da Advocacia, os 
ex-presidentes não têm mais direito a voto, como se permitia no passado, por 
ocasião da Lei nº 4.215/1963, tendo agora apenas direito de voz. Entretanto, 
o artigo 81 da Lei nº 8.906/94 determinou que essa restrição não se aplica a 
quem assumiu originariamente o cargo de presidente do Conselho Federal 
até a data da publicação dessa lei (5 de julho de 1994). 
 
 
Fica assegurado, assim, o pleno direito de voz e de voto em suas sessões. 
Nas palavras do artigo 77, §2º, do Regulamento geral do Estatuto da 
 
 
 
 
 
 
Advocacia e da OAB: “Os ex-presidentes empossados antes de julho de 1994 
têm direito de voto equivalente ao de uma delegação, em todas as matérias, 
exceto na eleição dos membros da diretoria do Conselho Federal”. 
 
O presidente do Conselho Federal tem apenas o voto de qualidade, isto 
é, o voto de minerva ou de desempate. Suas competências incluem: 
 
Exercer a representação nacional e internacional da OAB. 
Convocar, presidir e representar, ativa e passivamente, em juízo ou 
fora dele, o Conselho Federal. 
Promover a administração patrimonial. 
Dar execução às suas decisões. 
 
 
 
Diretoria do Conselho Federal 
 
Todos os órgãos da OAB possuem uma diretoria. A diretoria do Conselho 
Federal é composta por: 
 
Presidente 
Vice-presidente 
Secretário-geral 
Secretário-geral adjunto 
Tesoureiro 
 
 
 
Nas deliberações desse conselho, seus componentes votam como membros 
de suas delegações, exceto quanto ao presidente, pois somente lhe caberá o 
voto de desempate e o direito de embargar a decisão se ela não for unânime. 
 
 
Outras considerações 
 
 
 
 
 
 
 
Nas sessões do Conselho Federal, os presidentes dos conselhos seccionais 
têm lugar reservado junto à sua delegação e somente direito de voz, ou seja, 
não podem votar nas sessões do Conselho Federal. O presidente do IAB e os 
agraciados com a Medalha Rui Barbosa podem participar das sessões do 
conselho pleno do Conselho Federal, mas sofrem a mesma restrição. 
Apesar de o artigo 50 do Estatuto da Advocacia e da OAB, para o 
cumprimento de suas finalidades, possibilitar aos presidentes dos conselhos 
da Ordem e das subseções a requisição de cópias de peças de autos ou de 
outros documentos a qualquer tribunal, magistrado, cartório e órgãos da 
Administração Pública, o Supremo Tribunal Federal (STF), na ADI nº 1.127-8, 
deu interpretação a esse dispositivo. Sem redução do texto, essa 
interpretação promove o entendimento da palavra “requisitar” como 
dependente de motivação, compatibilização com as finalidades da lei e 
atendimento de custos, ficando ressalvados os documentos sigilosos. 
 
 
Competências do Conselho Federal da OAB 
 
O artigo 44 do Estatuto da Advocacia e da OAB define as finalidades 
institucionais e corporativas da Ordem. Dessa forma, é por meio de seus 
órgãos que elas serão efetivadas. 
 
As competências do Conselho Federal estão arroladas no artigo 54 do 
Estatuto de 1994: 
 
1. dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB; 
2. representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos 
advogados; 
3. velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da 
advocacia; 
4. representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e 
eventos internacionais da advocacia; 
5. editar e alterar o Regulamento geral, o Código de ética e disciplina, e os 
provimentos que julgar necessários; 
6. adotar medidas para assegurar o regular funcionamento dos conselhos 
seccionais; 
7. intervir nos conselho seccionais, onde e quando constatar grave violação 
desta lei ou do Regulamento geral; 
 
 
 
 
 
 
8. cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato, de 
órgão ou autoridade da OAB, contrário à presente lei, ao Regulamento geral, 
ao Código de ética e disciplina e aos provimentos, ouvida a autoridade ou o 
órgão em causa; 
9. julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos conselhos seccionais 
nos casos previstos neste Estatuto e no Regulamento geral; 
10. dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos 
símbolos privativos; 
11. apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua 
diretoria; 
12. homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as contas dos 
conselhos seccionais; 
13. elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o preenchimento dos 
cargos nos tribunais judiciários de âmbito nacional ou interestadual, com 
advogados que estejam em pleno exercício da profissão, vedada a inclusão 
de nome de membro do próprio Conselho ou de outro órgão da OAB; 
14. ajuizar Ação Direta de Inconstitucionalidade de normas legais e atos 
normativos, ação civil pública, mandado de segurança coletivo, mandado de 
injunção e demais ações cuja legitimação lhe seja outorgada por lei. 
 
 
Saiba Mais 
Interesses coletivos Esta competência também se dá em cumprimento às 
finalidades da OAB (art. 44, II, EAOAB). 
 
 
 
O EAOAB entrou em vigor no ano de 1994, quando a Constituição Federal 
arrolava, no artigo 103, as pessoas legitimadas a propor a ADI e, no artigo 
105, aquelas com legitimidade para a proposição da Ação Declaratória de 
Constitucionalidade (ADC). No entanto, por conta da Emenda Constitucional 
nº 45/2004, que trouxe a reforma do Judiciário, passou a ser determinado no 
artigo 103 que as mesmas pessoas legitimadas à proposição da ADI também 
pudessem propor a ADC – e o Conselho Federal da OAB lá está. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Lei nº 9.882/1999, no artigo 2º, I, prevê que os legitimados para a ADI têm 
competência para propor Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 
(ADPF), razão pela qual a OAB também pode propor a ADPF. 
 
 
 
XV - colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e opinar, 
previamente, nos pedidos apresentados aos órgãos competentes para 
criação, reconhecimento ou credenciamento desses cursos; 
XVI - autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou 
alienação de seus bens imóveis; 
XVII - participar de concursos públicos, nos casos previstos na Constituição e 
na lei, em todas as suas fases, quando tiverem abrangência nacional ou 
interestadual; 
XVIII - resolver os casos omissos neste estatuto. 
 
(BRASIL, 1994) 
 
 
 
Note que: 
 
No inciso XV, também em cumprimento às finalidades da OAB (art. 44, 
EAOAB), o Conselho Federal desempenha o relevante papel de opinar 
antecipadamente nos pedidos de criação, reconhecimento e credenciamento 
dos cursos jurídicos nos órgãos competentes. 
 
Em relação ao inciso XVI, atente-se para o quórum exigido: maioria absoluta. 
 
Já referente ao inciso XVII, é necessário saber que a OAB, por meio do 
Conselho Federal, terá de participar de forma efetiva nos concursos públicos 
de âmbito nacional ou interestadual quando houver previsão na Constituição 
Federal e nas leis, tal como nos concursos públicos para o ingresso na 
magistratura, no Ministério Público e na Advocacia Geral da União. Quando 
os concursos não tiverem abrangência nacional ou interestadual, a 
competência será dos conselhos seccionais (art. 58, X, EAOAB). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conselhos seccionais 
De acordo com o artigo 45, §2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB, os 
conselhos seccionais têm “jurisdição” sobre os respectivos estados-membros 
do Distrito Federal e dos territórios, embora se saiba que, no país, hoje em 
dia, não existem mais territórios. Os novos conselhos seccionais são criados 
mediante resolução do Conselho Federal. 
 
 
Composição e voto 
 
A composição desses conselhos é diferente da observada no Conselho 
Federal. Nos conselhos seccionais, ela é proporcional ao número de 
advogados inscritos (artigo 106 do Regulamento geral do Estatuto da 
Advocacia e da OAB com nova redação dada pela Resolução nº 2, de 2009, 
do Conselho Federal). 
 
Desse modo, se houver menos de 3.000 advogados inscritos na seccional, 
poderá ter até 30 conselheiros seccionais, podendo ser acrescentado mais 
umconselheiro a cada grupo completo de 3.000 até atingir o número máximo 
de 80 conselheiros seccionais. 
 
Integram ainda os conselhos seccionais os seus ex-presidentes, na qualidade 
de membros honorários vitalícios, valendo para eles a mesma regra do artigo 
81 do EAOAB quanto ao direito de voto. Continua com direito de voz e voto 
apenas quem tenha assumido originariamente o cargo de presidente até a 
publicação da Lei nº 8.906/1994. 
 
Os demais, de acordo com essa lei, têm apenas o direito de voz. O 
presidente do Instituto dos Advogados local é membro honorário do conselho 
seccional, tendo direito à voz em suas sessões. 
 
 
Diretoria do conselho seccional 
 
 
 
 
 
 
 
A diretoria do conselho seccional tem composição idêntica e atribuições 
equivalentes às do Conselho Federal: 
 
 
Presidente 
Vice-presidente 
Secretário-geral 
Secretário-geral adjunto 
Tesoureiro 
 
 
 
Nos termos do artigo 66 do Estatuto, o mandato será extinto automaticamente 
antes de seu término quando: 
 
I - ocorrer qualquer hipótese de cancelamento de inscrição ou de 
licenciamento do profissional; 
II - o titular sofrer condenação disciplinar; 
III - o titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordinárias 
consecutivas de cada órgão deliberativo do conselho ou da diretoria da 
subseção, ou da Caixa de Assistência dos Advogados, não podendo ser 
reconduzido no mesmo período de mandato. 
(BRASIL, 1994, art. 66) 
 
 
Competências do conselho seccional 
 
De acordo com o artigo 58 do Estatuto da Advocacia e da OAB, compete 
privativamente ao conselho seccional: 
 
I - editar seu regimento interno e resoluções; 
II - criar as subseções e a caixa de assistência dos advogados; 
III - julgar, em grau de recurso, as questões decididas por seu presidente, por 
sua diretoria, pelo tribunal de ética e disciplina, pelas diretorias das 
subseções e pela Caixa de Assistência dos Advogados. 
(BRASIL, 1994, art. 58) 
 
 
 
 
 
 
 
 
É interessante observar na passagem do inciso II que a criação das 
subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados é da competência 
exclusiva dos conselhos seccionais, não podendo ser criadas pelo Conselho 
Federal. 
 
 
O conselho seccional também funciona como tribunal de recursos. Digamos 
que, via de regra, os recursos em segunda instância na OAB são julgados por 
esse conselho. 
 
Na Ordem, algumas decisões são da competência do presidente; outras, da 
diretoria do conselho, das subseções ou da Caixa de Assistência dos 
Advogados. Já os processos disciplinares contra advogados e estagiários 
são, em regra, julgados pelo tribunal de ética e disciplina (TED). 
 
As decisões proferidas pelo presidente do conselho seccional, por aquelas 
diretorias ou pelo TED terão seus recursos encaminhados para o conselho 
seccional, não podendo ser remetidos diretamente para o Conselho Federal 
sob pena de supressão de instância, como você pode verificar a seguir: 
 
IV - fiscalizar a aplicação da receita, apreciar o relatório anual e deliberar 
sobre o balanço e as contas de sua diretoria, das diretorias das subseções e 
da Caixa de Assistência dos Advogados; 
V - fixar a tabela de honorários, válida para todo o território estadual; 
VI - realizar o Exame de Ordem; 
VII - decidir os pedidos de inscrição nos quadros de advogados e estagiários; 
VIII - manter cadastro de seus inscritos; 
(BRASIL, 1994, art. 58) 
 
 
Sobre trecho do artigo acima, valem as seguintes notas: 
 
1. Artigo IV: Sendo da competência do conselho seccional a criação das 
subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados, será também de sua 
responsabilidade a fiscalização da aplicação da receita, da apreciação do 
 
 
 
 
 
 
relatório anual e da deliberação sobre as contas e os balanços desses 
órgãos. 
2. Artigo V: Compete a cada conselho seccional determinar a tabela de 
honorários advocatícios, que terá validade para aquele estado-membro ou 
Distrito Federal. Não existe, portanto, uma tabela nacional. A tabela de 
honorários do Rio de Janeiro, por exemplo, é diferente da fixada pelo 
conselho seccional da Bahia. 
 
3. Artigo VI: O art. 58, VI, do Estatuto determina que cabe a cada conselho 
seccional realizar o exame de ordem. Entretanto, na prática, por convênio 
entre os conselhos seccionais, a competência passou a ser do Conselho 
Federal. 
 
É incumbência dos conselhos seccionais atualizar, até o dia 31 de dezembro 
de cada ano, o cadastro dos advogados inscritos, organizando, desse modo, 
a lista correspondente. Esse cadastro contém: 
 
Nome completo de cada advogado com os respectivos números de 
inscrição (principal e suplementar). 
Endereços e telefones dos locais onde exercem sua profissão. 
Nome da sociedade de que fazem parte, se for o caso. 
Lista dos cancelamentos de inscrição. 
Lista das sociedades de advogados registradas nos conselhos 
seccionais, indicando ainda os nomes dos sócios e o número do registro 
na OAB. 
 
 
 
Cada conselho seccional fica responsável por estabelecer e receber: as 
contribuições, que são as anuidades, tanto dos advogados quanto dos 
estagiários; os preços de serviços, que são os valores fixados para emissão 
de carteira e inscrição no Exame da Ordem, entre outros exemplos; e as 
multas. 
 
 
Veja: 
 
 
 
 
 
 
IX - fixar, alterar e receber contribuições obrigatórias, preços de serviços e 
multas; 
X - participar da elaboração dos concursos públicos, em todas as suas fases, 
nos casos previstos na Constituição e nas leis, no âmbito do seu território. 
(BRASIL, 1994, art. 58) 
 
Será competência do conselho seccional participar de forma efetiva nos 
concursos públicos de âmbito estadual quando houver previsão na 
Constituição e em leis específicas. 
 
 
Exemplo 
Concursos públicos para o ingresso na magistratura, no Ministério Público e 
em outras carreiras jurídicas. 
 
 
Indicado pelo conselho seccional, o representante da OAB atuará em todas 
as fases do concurso desde a etapa da elaboração do edital, fiscalizando e 
intervindo quando houver suspeita de irregularidades. Quando os concursos 
tiverem abrangência nacional ou interestadual, a competência será do 
Conselho Federal (art. 54, XVII, EAOAB). 
 
Também vale saber que é competência exclusiva dos conselhos seccionais a 
determinação dos trajes dos advogados, não podendo nem mesmo os 
magistrados interferirem nessa regulamentação. 
 
Em relação à aprovação do orçamento do ano que se segue, fica por conta 
do conselho seccional da OAB aprovar e, se necessário, modificá-lo. 
 
Já quanto ao tribunal de ética e disciplina localizado em cada conselho 
seccional: será organizado por esse conselho, recrutando seus membros, que 
podem ou não ser conselheiros seccionais. 
 
Essas informações podem ser conferidas nos artigos XI, XII e XIII do art. 58, 
conforme demonstrado a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
XI - determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados no 
exercício profissional; 
XII - aprovar e modificar seu orçamento anual; 
XIII - definir a composição e o funcionamento do Tribunal de Ética e disciplina, 
e escolher os seus membros; 
XIV - eleger as listas, constitucionalmente previstas, para preenchimento dos 
cargos nos tribunais judiciários, no âmbito de sua competência e na forma do 
provimento do Conselho Federal, vedada a inclusão de membros do próprio 
Conselho e de qualquer órgão da OAB; 
(BRASIL, 1994, art. 58) 
 
Será competência do conselho seccional elaborar a lista sêxtupla quando a 
indicação for para tribunais de abrangência estadual. Se o tribunal tiver 
abrangência nacional ou interestadual, ela ficará a cargo do Conselho Federal 
(art. 54, XIII, EAOAB). 
 
 
 
A proibição para a inclusão de membros do próprio conselho seccional ou de 
outro órgão da OAB é justa e ética, já que são os conselheiros que vão 
escolher os seis indicados para o respectivo tribunal judiciário, evitando-se, 
com isso, qualquer privilégio ou tráfico de influência. 
 
Vimos que compete ao conselho seccional criar as subseções e a Caixa de 
Assistência dos Advogados, podendo esse conselho, entretanto,intervir 
nelas. O quórum, nesse caso, é de 2/3. Por isso, não podemos confundir: 
compete ao Conselho Federal intervir nos conselhos seccionais, mas 
compete ao conselho seccional a intervenção nas subseções e na Caixa de 
Assistência dos Advogados. Além disso, o Regulamento geral do Estatuto da 
Advocacia e da OAB tem função supletiva aos casos omissos no EAOAB. 
 
Observe a aplicação através dos incisos XV e XVI, respectivamente: 
 
XV - intervir nas subseções e na Caixa de Assistência dos Advogados; 
XVI - desempenhar outras atribuições previstas no Regulamento geral. 
(BRASIL, 1994, art. 58) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Subseções 
 
Competências das subseções 
 
As subseções são partes autônomas dos conselhos seccionais, funcionando 
como extensões deles. Elas têm a função de descentralizar algumas 
atividades desses conselhos. Sua área territorial pode abranger um 
município, mais de um ou parte de um município, inclusive a capital do 
estado. 
 
Para que uma subseção seja criada pelo conselho seccional, é preciso haver 
pelo menos 15 advogados domiciliados profissionalmente na respectiva área 
de abrangência. 
 
 
Compete às subseções: 
 
1. Dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB (art. 44 do EAOAB); 
2. Velar pela dignidade, pela independência e pela valorização da 
advocacia, fazendo valer as prerrogativas da advocacia; 
3. Representar a OAB perante os poderes constituídos; 
4. Desempenhar as atribuições previstas no Regulamento geral do 
Estatuto da Advocacia e da OAB ou por delegação de competência do 
conselho seccional. 
 
Caso haja mais de 100 advogados domiciliados profissionalmente na 
respectiva área da subseção, ela poderá contar com um conselho (conselho 
da subseção), cujo número de membros será fixado pelo conselho seccional, 
competindo-lhe agora exercer as mesmas funções do conselho seccional na 
forma do regimento interno dele. 
 
Além disso, o conselho da subseção pode: 
 
1. Editar seu regimento interno a ser referendado pelo conselho seccional 
(e não pelo Conselho Federal); 
2. Editar resoluções no âmbito de sua competência; 
 
 
 
 
 
 
3. Instaurar e instruir processos disciplinares (o julgamento fica a cargo do 
TED, que se localiza em cada conselho seccional); 
4. Receber pedido de inscrição nos quadros de advogados e estagiários 
da OAB, instruindo e emitindo parecer prévio, para decisão do conselho 
seccional (perceba que, quando é criado um conselho na subseção, 
suas atribuições são bastante ampliadas). 
 
Atenção 
O artigo 60, §4º, do Estatuto da Advocacia e da OAB ressalta que os 
quantitativos acima referidos para a criação da subseção ou do conselho da 
subseção (15 e 100, respectivamente) podem ser aumentados, mas não 
diminuídos, na forma do regimento interno do conselho seccional. 
 
Diretoria da subseção 
A subseção é administrada por uma diretoria com composição e atribuições 
equivalentes às da diretoria do conselho seccional. 
 
A diretoria é composta pelo: 
 
Presidente 
Vice-presidente 
Secretário-geral 
Secretário-geral adjunto 
Tesoureiro 
 
 
 
Caixa de Assistência dos Advogados 
 
Características da Caixa de Assistência dos Advogados 
 
Como o próprio nome já diz, a Caixa de Assistência dos Advogados tem a 
finalidade de prestar assistência aos advogados e aos estagiários vinculados 
ao respectivo conselho seccional. Ela será criada pelo conselho seccional 
 
 
 
 
 
 
quando eles contarem com mais de 1.500 inscritos, adquirindo personalidade 
jurídica com a aprovação e o registro de seu estatuto, o que se faz no próprio 
conselho seccional. 
 
A assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está 
condicionada à: 
 
Anuidade 
Regularidade do pagamento da anuidade. 
 
Carência 
Carência de um ano após o deferimento da inscrição. 
Assistência 
Disponibilidade de recursos da caixa de assistência. 
 
 
O artigo 123 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB ainda 
traz algumas informações a respeito da Caixa de Assistência dos Advogados. 
Veja: 
 
 
Dispensa da anuidade 
O artigo determina que em casos especiais, o estatuto da Caixa pode prever 
a dispensa dos requisitos de regularidade do pagamento da anuidade e de 
carência de um ano. A Caixa de Assistência, além disso, pode promover a 
seguridade complementar em benefício dos advogados na forma desse 
regulamento geral. 
Convênios de colaboração 
As caixas promovem entre si convênios de colaboração e execução de suas 
finalidades e mantêm a Coordenação Nacional das Caixas, que é composta 
por seus presidentes. Tal coordenação nacional é um órgão de 
assessoramento do Conselho Federal para a política nacional de assistência 
 
 
 
 
 
 
e seguridade dos advogados, tendo o seu coordenador, nas sessões, direito a 
voz nas matérias a elas pertinentes. 
Incorporação do patrimônio 
Caso a Caixa seja extinta ou desativada, o seu patrimônio será incorporado 
ao do conselho seccional que a criou. Sendo da competência do conselho 
seccional criar a Caixa de Assistência dos Advogados, tal conselho poderá, 
mediante o voto de 2/3 de seus membros, intervir nela se houver 
descumprimento de suas finalidades, designando para tanto uma diretoria 
provisória enquanto durar a intervenção (art. 58, XV, do EAOAB). 
 
A diretoria da Caixa é composta por cinco membros com atribuições definidas 
no seu regimento interno. 
 
 
Fontes de renda 
 
As fontes de renda da Caixa de Assistência dos Advogados são duas: 
Metade líquida das anuidades e Contribuições obrigatórias devidas pelos 
advogados e incidentes sobre os atos decorrentes do efetivo exercício da 
advocacia, que são fixadas pelo conselho seccional (art. 62, §3º, do EAOAB). 
 
Sobre a metade líquida das anuidades, faz-se necessário saber que: 
De acordo com o artigo 56 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e 
da OAB e após a nova redação dada pela Resolução nº 2, de 2007, do 
Conselho Federal, 60% delas são descontados do valor bruto mensal das 
anuidades. 
 
Tal percentual tem o seguinte destino: 
 
45% 
Destinada às despesas administrativas e manutenção do 
conselho seccional. 
 
 
 
 
 
 
 
2% 
Destinado ao Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial 
dos Advogados (Fida). 
 
3% 
Destinado ao Fundo cultural. 
 
10% 
Destinado ao Conselho Federal. 
 
Vem que eu te explico! 
Competências do conselho seccional 
 
Características da caixa de assistência dos advogados 
 
Considerações finais 
 
Como vimos neste conteúdo, a estrutura da OAB é de suma importância para 
o aluno não só para atuar dentro dos ditames dos regramentos exigidos pela 
Ordem, mas também pelo fato de ela oferecer diversas vagas no conselho, 
no tribunal de ética, nas procuradorias internas e nas comissões. Com isso, 
tais profissionais podem participar das mais importantes atividades de sua 
casa. 
 
Por fim, destacamos que a OAB se divide em quatro órgãos, 
apontando ainda as principais características e funções de cada 
um: Conselho Federal, conselhos seccionais, subseções e Caixa de 
Assistência dos Advogados. 
 
 
 
 
 
Tema 5 - Inscrição e Registro na Oab 
 
 
 
 
 
 
 
Itens iniciais 
Propósito 
 
O conhecimento das exigências legais sobre inscrição e sociedade de 
advogados faz com que o profissional inicie sua atividade dentro da ética. 
Conhecer os trâmites que envolvem a inscrição do advogado marca o início 
da advocacia, assim como o registro de uma sociedade de advogados marca 
o começo da história da pessoa jurídica. 
 
Preparação 
 
Para o estudo deste material, é imprescindível que você tenha em 
mãos a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB, o Regulamento 
Geral do EAOAB e o Código de Ética e Disciplina), para que possam ser 
consultados com facilidade no decorrer do texto. 
 
Objetivos 
● Analisar regras de inscrição, incompatibilidade, impedimentos e 
licenciamento do advogado. 
● Identificar os requisitos de registro das sociedades de advogado. 
 
Introdução 
 
O estudo do presente conteúdo é de suma importância tanto para o 
acadêmico de Direito quanto para quem já está inscrito naOrdem dos 
Advogados do Brasil. Vamos analisar os requisitos necessários à inscrição no 
quadro de estagiários e no de advogados, bem como os casos em que o 
profissional terá que cancelar sua inscrição ou pedir licença, e, ainda, aqueles 
cargos que darão ensejo ao seu impedimento ou à sua incompatibilidade. 
 
 
 
1 - Inscrição do advogado, incompatibilidades, 
impedimentos e licenciamento 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quadros da OAB 
 
Requisitos para inscrição como advogado 
 
Principais aspectos 
 
Neste vídeo, o professor Paulo Machado discorre sobre os requisitos para a 
inscrição como advogado e seus principais aspectos. 
 
 
A OAB possui dois quadros de inscritos: o quadro de advogados e o quadro 
de estagiários. Neste primeiro momento, vamos conhecer os requisitos 
necessários para inscrição no quadro de advogados, que estão no art. 8º do 
Estatuto. 
 
Vejamos: 
 
Capacidade civil 
 
A capacidade civil aqui referida é a capacidade civil plena, que, nos termos da 
legislação civil, se adquire aos 18 anos completos (art. 5º do Código Civil). 
Essa capacidade civil pode ser comprovada com a apresentação da carteira 
de identidade. Para o preenchimento desse requisito, presume-se que a 
pessoa é civilmente capaz com a simples prova de sua maioridade. 
 
 
Comentário 
Em algumas situações, o menor pode ser emancipado, cessando sua 
incapacidade, mediante a colação de grau em curso de nível superior, nos 
termos do art. 5º, parágrafo único, IV, do Código Civil. Neste caso, o curso 
deve ser o de Direito e a comprovação se dará com o diploma. 
 
 
Diploma ou certidão de graduação em Direito obtida em instituição de ensino 
oficialmente autorizada e credenciada 
 
 
 
 
 
 
 
 
O atual Estatuto possibilitou, na falta do diploma, a apresentação de certidão 
de graduação em Direito. Isso ocorre em razão de o diploma, em 
determinadas situações, demorar a ser expedido, o que impossibilita a 
inscrição daquele que já colou grau em Direito. 
 
Além desse requisito, expresso no inciso II do art. 8º do Estatuto, o art. 23 do 
Regulamento Geral condicionou o suprimento da falta do diploma à 
apresentação da certidão de graduação em Direito, desde que acompanhada 
da cópia autenticada do histórico escolar. Assim, deve o candidato apresentar 
o diploma ou, se não o tiver, a certidão de graduação em Direito mais o 
histórico escolar devidamente autenticado. 
 
 
 
Título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro 
 
Esse requisito permaneceu no atual Estatuto. 
 
Atente-se que a redação determina que, para inscrição como advogado, é 
necessário apresentar o título de eleitor e provar a quitação do serviço militar, 
se brasileiro. A contrario sensu – e por razões óbvias – se brasileiro for, 
somente deve ser apresentado o título de eleitor; se estrangeiro, nem título de 
eleitor, nem quitação do serviço militar. 
 
Sobre a inscrição de estrangeiros e brasileiros graduados em outro país 
comentaremos à frente. 
 
 
 
Aprovação no exame da Ordem 
 
 
Conforme expressamente dito pelo art. 8º, § 1º, do Estatuto, o exame da 
Ordem será regulamentado por provimento do Conselho Federal da OAB. O 
 
 
 
 
 
 
exame já foi regulamentado por vários provimentos: 81/96, 109/05 e 136/09. 
Atualmente, o exame da Ordem é regulamentado pelo Provimento 144/11. 
 
O exame da Ordem pode ser prestado por bacharéis em Direito, inclusive por 
aqueles que exercem atividades incompatíveis com a advocacia, a exemplo 
dos policiais, dos técnicos de atividade judiciária e dos prefeitos, ficando, 
entretanto, impossibilitados de exercer a atividade de advocacia enquanto 
estiverem incompatibilizados. Neste caso, a aprovação no exame na Ordem 
tem validade por prazo indeterminado, podendo se obter a inscrição no 
quadro de advogado após a desincompatibilização. 
 
 
 
Não exercer atividade incompatível com a advocacia 
 
A expressão “atividade incompatível” está relacionada à atividade profissional 
da pessoa. O art. 28 do EAOAB traz num rol taxativo (numerus clausus) as 
atividades incompatíveis. Uma pessoa que exerça atividade incompatível com 
a advocacia pode prestar o exame da Ordem, mas, caso venha a ser 
aprovada, não poderá se inscrever no quadro de advogados enquanto estiver 
incompatibilizada. 
 
 
Idoneidade moral 
O EAOAB não define o que vem a ser idoneidade moral. Alguns autores se 
referem à condição do indivíduo honesto, probo ou escrupuloso. 
 
 
Para Paulo Lôbo (2009), os parâmetros não são subjetivos, mas decorrem da 
aferição objetiva de standards ou topoi valorativos que se captam na 
comunidade profissional, no tempo e no espaço, e que contam com o máximo 
de consenso na consciência jurídica. 
 
 
 
Saiba Mais 
 
 
 
 
 
 
Topoi é um termo latino que designa um método aristotélico de argumento. 
 
 
Como a idoneidade moral é um requisito para a inscrição na OAB, caso 
venha o advogado, futuramente, a ser considerado inidôneo moralmente, 
sofrerá a penalidade de exclusão dos quadros da OAB, somente podendo 
retornar após o deferimento do pedido de reabilitação (vide art. 41 e 
parágrafo único do Estatuto). 
 
A inidoneidade moral, antes ou depois da inscrição, pode ser suscitada por 
qualquer pessoa, sendo declarada mediante decisão que alcance, no mínimo, 
2/3 (dois terços) dos votos de todos os membros do Conselho competente, 
em procedimento que siga os trâmites do processo disciplinar. 
 
 
 
 
Prestar compromisso perante o Conselho 
 
 
Esse compromisso é o juramento que dever ser feito pelo requerente por 
ocasião do recebimento da carteira e do cartão de advogado. Trata-se de um 
requisito solene e personalíssimo, portanto, indelegável. Não se pode prestar 
o compromisso por procuração, devendo o requerente comparecer 
pessoalmente. Esse compromisso encontra-se no art. 20 do Regulamento 
Geral. 
Note que as finalidades da OAB e o compromisso ético são passados ao 
advogado neste momento: 
 
 
Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a 
ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a constituição, a 
ordem jurídica do estado democrático, os direitos humanos, a justiça social, a 
boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento 
da cultura e das instituições jurídicas. 
 
(REGULAMENTO GERAL DO ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA OAB, 
 
 
 
 
 
 
1994) 
 
 
Além dos requisitos arrolados no art. 8º do Estatuto, o art. 20, § 2º, do 
Regulamento Geral, trouxe mais uma exigência: não praticar conduta 
incompatível com a advocacia. Cabe, aqui, esclarecer a diferença entre 
atividade incompatível e conduta incompatível. 
 
 
Atividade incompatível 
Está relacionada à atividade profissional (art. 28 do EAOAB) da 
pessoa: atividade policial, cargos ou funções vinculados direta ou 
indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário, militares de 
qualquer natureza (na ativa) etc. 
 
 
VERSUS 
 
 
Conduta incompatível 
Refere-se à vida pessoal (social) do indivíduo, como, por exemplo, 
a embriaguez e a toxicomania habituais, a prática reiterada de 
jogo de azar não autorizado por lei, a incontinência pública e 
escandalosa (art. 34, parágrafo único, do EAOAB). 
 
 
 
 
A respeito disso, entendemos que somente a lei (e a lei é a 8.906/94 ‒ 
Estatuto da Advocacia e da OAB) pode determinar os requisitos necessários 
ao exercício da advocacia, pois a Constituição, no art. 5º, XIII, ao tratar do 
princípio da liberdade de profissão, assim impôs: “é livre o exercício de 
qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais 
que a lei estabelecer”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, no que pese a relevância e a obrigatoriedade do respeito ao 
Regulamento Geral por todos os advogados e membros da OAB, o RG não é 
lei, é ato normativo emanado pelo Conselho Federal da OAB. Comunga do 
mesmo posicionamento Geronimo Theml de Macedo: 
 
 
Tal acréscimo trazido pelo Regulamento Geral da OAB é ilegal, 
pois as normas regulamentadoras devem se ater aos limites das 
normas regulamentadas; no nosso caso, o Regulamento Geral 
deve setêm três condições características, devem ser: 
 
 
Naturais 
Inerentes aos seres humanos. 
 
Iguais 
Os mesmos direitos para todo mundo. 
 
Universais 
Aplicáveis por toda parte. 
 
 
 
 
Dito de outra forma: todos considerados humanos — mesmo as piores pessoas, 
mesmo os maiores genocidas, os bandidos mais detestáveis e aqueles sujeitos que 
odiamos — devem usufruir desses direitos. Por isso, merecem não serem torturados 
bem como terem um julgamento e um tratamento justo, igualitário e digno. 
 
A ironia do processo é que parcelas consideráveis da população tanto dos 
EUA quanto da França — isso para não falar de periferias como o Brasil — 
não eram incluídas nesses direitos humanos. Isso se mantém, de certa forma, 
até hoje. Quando algum grupo é excluído na hora de votar, por exemplo. 
 
Pela lei brasileira, menores de 16 anos, os considerados loucos, presos 
que têm sentença transitada em julgado, indígenas vivendo em situação 
de isolamento, jovens prestando serviço militar obrigatório e 
estrangeiros não são autorizados a participar das eleições. Todos são 
 
 
 
 
 
 
impedidos por serem considerados dependentes, portanto, podendo ser 
influenciados por outras pessoas. 
 
Ainda no século XVIII, também eram colocados fora dos direitos “universais” 
aqueles sem propriedade, os escravizados, os negros livres, certas minorias 
religiosas (como os judeus) e, por último, mas não menos importante: as 
mulheres. Aos poucos, por vezes de forma lenta demais, esses segmentos da 
sociedade foram sendo incorporados à ideia de “universal” e começaram a 
usufruir dos direitos humanos. 
 
 
 
O primeiro país a autorizar o voto feminino foi a Nova Zelândia, em 
1893. No Brasil, as mulheres conquistam o direito de votar em 1932. Na 
revolucionária França, elas só foram às urnas em 1945, depois da 
Segunda Guerra Mundial. 
 
 
A noção de quem pode ou não receber direitos vai se alargando, vai sendo 
modificada a partir das necessidades, condições e exigências da sociedade. 
O que é considerado razoável há 200, 300 anos, não é mais hoje em dia, um 
processo que tem bastante influência da moral. 
 
 
O próprio Jefferson, redator da declaração de independência norte-americana 
e terceiro presidente dos EUA, era um grande proprietário de escravos — o 
que causa um enorme constrangimento hoje em dia entre os seus 
compatriotas. Talvez no futuro tenhamos essa mesma vergonha de situações 
que hoje toleramos e, até mesmo, de certa forma, incentivamos, como a 
extrema desigualdade social. 
 
 
Direitos humanos e Grécia 
 
 
 
 
 
 
 
Essa aparente contradição para os olhos contemporâneos entre um 
discurso de universalização e uma prática que excluía certos grupos 
sociais é comum desde a época da democracia ateniense na Grécia 
Antiga, comumente considerada o berço da democracia ocidental. 
 
Foi lá que o primeiro experimento democrático digno desse nome aconteceu, 
com a população — isto é, homens adultos livres — da cidade-estado de 
Atenas participando da organização da sociedade. Escravizados, mulheres e 
estrangeiros eram excluídos de todo o processo, entretanto. Na prática, os 
participantes ativos desse sistema atingiam no máximo 20% da população de 
Atenas. 
 
De qualquer forma, há quem enxergue também na Grécia de séculos antes 
de Cristo a origem dos direitos humanos. Sofistas e estoicos já tinham, no 
mínimo implicitamente, uma ideia de igualdade entre os homens. Os 
primeiros, com a sua noção de que o homem é a medida para todas as 
coisas, e os segundos, colocando a razão para reger o mundo que, por sua 
vez, seria pensado de forma a priorizar o bem de todos. 
 
Outros teóricos enxergam ainda no poeta grego Hesíodo, que teria 
atuado entre 750 e 650 AEC, o passo inicial da caminhada que 
culminou no direito de todas as pessoas serem tratadas como 
iguais. 
 
 
 
Se Homero — outro poeta grego do século VIII AEC — ainda colocava a vingança 
como fundamento da Justiça, o que, por isso, não leva em conta o valor da vida 
humana como igual, Hesíodo inclui o homem na equação. 
 
 
Em Hesíodo, sai o guerreiro, personagem dos épicos homéricos, e entra o 
agricultor, que quer apenas viver uma vida tranquila, uma existência justa, que seja 
regida por algum tipo de direito. 
 
 
 
 
 
 
 
O homem nos poemas de Hesíodo deveria seguir as leis que 
criavam a ordem universal sob pena de receber algum castigo de 
Zeus. Eram castigos ainda muito conectados com fatos da 
natureza, mas que mostravam, de alguma forma, a preocupação 
com a vida do próprio homem. 
 
A despeito de não se ter uma certidão de nascimento que seja indiscutível — 
e nunca haverá —, o que se pode entender é que todas as vezes que se 
pensa em direitos humanos se coloca a vida humana, em toda a sua 
dignidade, no centro da questão. Os direitos humanos foram resumidos pelo 
jurista inglês do século XVIII William Blackstone, que os chamou de a 
“liberdade natural da humanidade", isto é, os "direitos absolutos do homem, 
considerado como um agente livre, dotado de discernimento para distinguir o 
bem do mal". 
 
 
 
 
Olhando a realidade pela história 
Com este vídeo, você poderá perceber como a história nos ajuda a 
entender a realidade. 
 
 
A trajetória dos direitos humanos 
 
 
Crítica aos direitos humanos 
 
Direitos humanos como alvo de críticas 
 
Embora ninguém seja, de forma aberta, contra os direitos humanos — 
apesar de haver diversas deturpações do conceito que levam certos 
 
 
 
 
 
 
políticos de extrema-direita a reclamar de um enviesamento na sua 
prática —, a maneira como tais direitos foram estabelecidos e usados 
politicamente ao longo dos séculos fez deles um alvo. A começar pelo já 
mencionado uso de propaganda parcial por políticos reacionários da 
década de 1980 que queriam desestabilizar países comunistas. 
 
É fácil dizer que um país como Cuba, por exemplo, não respeita os direitos 
humanos, quando eles abertamente perseguiram homossexuais. 
 
O mais difícil é justificar o silêncio desses mesmos políticos diante 
das torturas, prisões e assassinatos dos opositores de ditadores 
como Augusto Pinochet, no Chile. 
 
Ou o incentivo militar norte-americano ao massacre da população de El 
Salvador, que se opunha ao governo de direita. Ou o apoio do mesmo país ao 
grupo dos “Contra”, na Nicarágua, que tentava acabar com a Revolução 
Sandinista, que tinha derrubado um ditador apoiado pelos EUA. Isso só para 
ficar em exemplos que ocorreram na América Latina na década de 1980. 
 
Mas as críticas não param aí. Teóricos de tradição marxista enxergam na 
Revolução Francesa um movimento que se utilizou da força das classes mais 
baixas para destronar os chamados primeiro e segundo Estado, isto é, a 
nobreza e o clero, e instalar no poder não os pobres e necessitados, mas 
uma outra classe intocável: a burguesia. 
 
Banqueiros, grandes industriais e comerciantes assumiram as posições 
que antes eram dos nobres e dos padres. A camada mais desvalida, 
embora tenha tido participação ativa no movimento revolucionário, foi 
mais uma vez colocada para escanteio quando o processo se 
estabilizou. 
 
Há também quem associe os direitos humanos a apenas uma boa 
intenção que nunca foi concretizada de verdade, e a demora para que 
outros grupos além do segmento de sempre — os homens brancos 
ricos — participassem do jogo democrático corrobora esse tipo de 
 
 
 
 
 
 
raciocínio. Mesmo que hoje a grande maioria da população brasileira 
tenha acesso ao voto, para continuar no caso já mencionado, em outros 
temas relacionados aos direitos humanos, como a segurança, a 
liberdade e a igualdade, certos grupos — os de sempre — parecem ter 
mais direitos que outros. 
 
Para comprovar isso, basta ver a diferença de expectativa de vida entre 
brancos e negros no Brasil. Ou a cor de pele predominante na imensa maioria 
da população carcerária. Ou a gigantesca diferença de renda entre os muito 
ricos e o resto da população. Qualquer métrica social ou de direitos humanos 
que for utilizada vai mostrar esse abismo. 
 
 
 
 
Ademais, as críticasnos artigos 11 e 12. 
 
 
Licença 
A licença significa o afastamento do advogado do exercício profissional, quando 
ocorrer qualquer uma das hipóteses do art. 12 do Estatuto. Durante o prazo do 
licenciamento, caso o advogado pratique qualquer ato de advocacia, o ato será nulo 
(art. 4º e parágrafo único, EAOAB). 
 
 
 
 
 
 
 
Na licença, não será cobrada anuidade e o profissional não precisará votar (nem 
justificar porque não votou), caso haja eleição na OAB no período correspondente. 
Com a licença, o número de inscrição será mantido quando do seu retorno à 
atividade. Será licenciado o advogado que: 
 
Assim o requerer por motivo justificado 
De modo geral, os advogados preferem a licença ao cancelamento, porque o 
número continua o mesmo, sendo mais fácil e mais rápido o retorno. No 
cancelamento, deverá ser feito um novo requerimento, aguardar a confecção de 
nova carteira e o número de inscrição passa a ser outro, tendo, ainda, que prestar 
novo juramento. 
 
Para licenciar-se, o requerimento deve vir acompanhado de um motivo justificado, 
que será analisado pela OAB (viagem ao exterior para fazer um curso de extensão 
em Direito e doença grave, por exemplo). Caso não haja comprovação de justo 
motivo, a inscrição poderá ser cancelada por simples solicitação do advogado. 
 
 
 
 
Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em 
caráter temporário 
As atividades incompatíveis estão arroladas no art. 28 do Estatuto, sendo algumas 
em caráter permanente e outras em caráter temporário. É temporária, por exemplo, 
a atividade de Chefe do Poder Executivo. Assim, o advogado que for eleito 
Presidente da República, Governador ou Prefeito ficará licenciado, estando, 
portanto, impossibilitado de exercer a advocacia durante o período do mandato. 
 
 
Sofrer doença mental considerada curável 
Não há no Estatuto um rol das doenças mentais que se enquadram nessa hipótese, 
devendo a expressão ser remetida à área médica. Para o nosso estudo, enquanto 
durar a enfermidade mental curável, o advogado ficará licenciado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cancelamento 
O cancelamento, por sua vez, enseja a saída do advogado dos quadros da OAB. 
Em outras palavras, ele passa a não mais ser advogado. Caso o advogado faça um 
novo pedido de inscrição, deve fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII 
do art. 8º do Estatuto, que são, respectivamente: 
 
I 
Capacidade civil. 
V 
Não exercer atividade incompatível com a advocacia. 
VI 
Idoneidade moral. 
VII 
Prestar compromisso perante o Conselho, não precisando prestar novo 
Exame da Ordem. 
 
 
 
O número antigo não será restaurado, ficando para dados históricos da OAB. A 
inscrição será cancelada se o advogado: 
 
Assim o requerer 
À diferença do que ocorre no requerimento de licença, não há de ser apresentado 
um motivo justificado no pedido de cancelamento. 
 
Sofrer penalidade de exclusão 
A exclusão é a sanção disciplinar mais grave aplicada pela OAB. Com a exclusão, 
ocorrerá, automaticamente, o cancelamento da inscrição. 
 
Um novo pedido de inscrição deve vir acompanhado de provas de reabilitação (art. 
41 e parágrafo único do EAOAB). 
 
 
Falecer 
 
 
 
 
 
 
Em caso de falecimento do advogado, o cancelamento será promovido ex officio 
pelo Conselho competente ou por meio de comunicação por qualquer pessoa. 
 
 
Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em 
caráter definitivo 
As atividades incompatíveis encontram-se no art. 28 do EAOAB, sendo algumas 
delas em caráter permanente, outras em caráter temporário. São de natureza 
definitiva, por exemplo, as atividades de membro do Poder Judiciário e de membro 
do Ministério Público. 
 
Assim, o advogado que for aprovado em concurso público de provas e títulos para a 
magistratura deverá cancelar sua inscrição na OAB. 
 
Esclareça-se que, embora o juiz possa voltar ao exercício da advocacia após sua 
aposentadoria ou exoneração, respeitado o prazo de três anos para o juízo ou 
tribunal do qual se afastou (art. 95, parágrafo único, V, da Constituição Federal), a 
atividade aqui referida tem natureza permanente, ensejando o cancelamento, 
diferentemente dos mandados eletivos, dos cargos em comissão e dos cargos 
exoneráveis ad nutum. 
Perder qualquer um dos requisitos necessários para a inscrição 
Tais requisitos são aqueles do art. 8º do Estatuto. Se o interessado precisa 
preenchê-los para fazer a inscrição, uma vez perdido qualquer deles, deverá a 
mesma ser cancelada. 
 
 
 
Impossibilidades de atuação 
 
 
Incompatibilidade e impedimento 
 
 
Essas nomenclaturas também são encontradas em diversos ramos do Direito, 
sendo que, em cada um deles, os conceitos e as consequências variam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Civil 
A título de exemplo, existe o impedimento para o casamento entre irmãos. 
 
Direito Processual Civil e Direito Processual Penal 
O impedimento é regra de natureza objetiva em que um juiz, por exemplo, não pode 
atuar num processo em que tenha um parentesco muito próximo com o advogado 
ou com a parte, ou o advogado que não pode ingressar nos autos de um processo 
quando já existe aquela relação de parentesco. 
 
 
Para a Deontologia Jurídica, impedimento e incompatibilidade significam outras 
coisas (art. 27 do EAOAB). Para o Estatuto da Advocacia e da OAB, impedimento é 
a proibição parcial do exercício da advocacia, ou seja, o advogado pode continuar 
exercendo a profissão, menos contra ou a favor de determinadas pessoas. No caso, 
são aquelas mencionadas no art. 30, I e II, que serão estudas a seguir. 
 
Somente para ilustrar, um agente administrativo da Prefeitura de Salvador pode 
advogar, exceto contra o município de Salvador. 
 
A incompatibilidade, por sua vez, gera a proibição total do exercício da advocacia, 
não podendo advogar em hipótese alguma, nem mesmo em causa própria. Essa 
proibição total pode ensejar: 
 
 
Cancelamento da inscrição 
Quando a atividade é incompatível em caráter definitivo: juiz, 
promotor de justiça, analista judiciário, delegado de polícia, entre 
outras. 
 
 
Apenas uma licença 
Quando a atividade incompatível tiver natureza temporária (art. 
12, II, EAOAB), como nos casos do Prefeito, do Governador ou do 
 
 
 
 
 
 
Presidente da República (Chefes do Poder Executivo: art. 28, I, 
primeira parte, do EAOAB). 
 
 
O motivo para a criação de impedimentos e de incompatibilidades é o de 
evitar que alguns advogados levem vantagens ou desvantagens em relação 
aos demais que não exerçam tais atividades, e até mesmo por implicações 
éticas, como no caso supracitado do funcionário vinculado ao município de 
Salvador se pudesse advogar contra quem o remunera. As vantagens podem 
ser em relação à captação de clientela, ao poder de influência nas decisões 
etc. Um exemplo de desvantagem seria a falta de independência dos militares 
das Forças Armadas, que, em virtude do regime próprio a que são 
subordinados, podem ficar presos no quartel, vindo a faltar uma audiência ou 
deixar de interpor um recurso tempestivamente. 
 
 
 
Resumindo 
São atividades incompatíveis aquelas que não poderão ser 
desenvolvidas concomitantemente com a advocacia. Caso a pessoa já 
exerça uma atividade incompatível, não poderá se inscrever na OAB 
(mas pode prestar o Exame da Ordem, conforme visto), pois um dos 
requisitos mencionados no art. 8º do Estatuto para ser advogado é 
“não exercer atividade incompatível com a advocacia”. 
 
Por outro lado, quem já é advogado e depois passa a exercer qualquer 
atividade incompatível deverá licenciar-se da OAB ou cancelar sua 
inscrição. No impedimento, ele continua com sua inscrição, ficando 
apenas uma anotação em sua carteira profissional de que há 
restrições para a advocacia. 
 
 
 
 
Casos de incompatibilidade 
 
O art. 28 do Estatuto traz, em oito incisos, todos os casos de atividades 
incompatíveis. Porém, o legislador não definiu quais têm natureza temporária e 
 
 
 
 
 
 
quais têm caráter definitivo, devendo ser analisadas cada uma das situações em 
conjunto com a Constituição,leis ordinárias, leis complementares, leis orgânicas etc. 
 
 
I 
Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e 
seus substitutos legais 
 
Em razão deste primeiro inciso, não podem exercer a advocacia os Prefeitos, os 
Governadores, o Presidente da República e seus substitutos legais (Chefes do 
Poder Executivo). Também são incompatíveis os membros da Mesa do Poder 
Legislativo. 
 
Observe que os membros do Poder Legislativo, conforme o art. 30, II, são 
impedidos (podem exercer a advocacia, menos contra ou a favor de determinadas 
pessoas), ao passo que os membros da Mesa não podem advogar em hipótese 
alguma. Para melhor entendimento do leitor, relembremos a composição do Poder 
Legislativo no Brasil. 
 
Na União, há o Congresso Nacional, que, por adotar o sistema do bicameralismo, é 
integrado pelo Senado Federal (que representa os Estados e o Distrito Federal) e a 
Câmara do Deputados (que representa o povo). Nos Estados, existem as Câmaras 
Legislativas; nos municípios, as Câmaras Municipais; e no Distrito Federal, a 
Câmara Distrital. Cada uma dessas Casas tem uma Mesa que a representa (Mesa 
Diretora), formada pelo Presidente, Vice-Presidente e Secretários, cuja numeração 
varia de acordo com cada Regimento Interno. 
 
Dessa forma, se o advogado for eleito Deputado Estadual, ele pode continuar 
exercendo a advocacia parcialmente, mas caso passe a ser Presidente da 
Assembleia Legislativa, deverá solicitar sua licença da OAB, por se tratar de 
atividade incompatível temporária. Aliás, todos os casos deste inciso têm caráter 
temporário, ensejando a licença. 
 
 
 
II 
 
 
 
 
 
 
Membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos 
tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça de 
paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de 
julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública 
direta ou indireta 
 
Uma primeira observação em relação a este inciso é que “membro” se difere de 
“servidor”. São membros do Poder Judiciário: os magistrados, juízes substitutos, 
juízes de Direito, desembargadores e os Ministros dos Tribunais. São membros do 
Ministério Público os promotores de justiça, procuradores de justiça, procuradores 
da República, procuradores regionais da República. 
 
Outra ressalva é a extinção dos juízes classistas, que eram os juízes que 
representavam as classe dos empregados e dos empregadores nas antigas Juntas 
de Conciliação e Julgamento (JCJ), ao lado dos juízes togados. Atualmente, temos 
as Varas do Trabalho, com juízes togados e sem juízes classistas. 
 
Em relação aos membros dos juizados especiais, não podemos deixar de 
mencionar o que dispõe o art. 7º, parágrafo único, da Lei nº 9.099/95: “Os juízes 
leigos ficarão impedidos de exercer a advocacia perante os Juizados Especiais, 
enquanto no desempenho de suas funções”. Parece-nos que, pelo fato de uma lei 
de mesma hierarquia (ordinária federal) ter tratado do mesmo assunto de modo 
diverso, é o que deve prevalecer na prática. 
 
Por fim, é mister salientar que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do 
julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.127-8, no dia 17 de maio de 
2008 (publicado no Diário Oficial da União em 26.05.2008) ratificou a liminar 
concedida e decidiu que não se incluem nessa regra os juízes eleitorais e seus 
suplentes. 
 
 
III 
Ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da 
Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas 
empresas controladas ou concessionárias de serviço público 
 
O art. 28, § 2º, do Estatuto, traz duas exceções a este tipo de incompatibilidade: 
 
 
 
 
 
 
 
● Não se incluem nessa hipótese os que não detenham poder de decisão 
relevante sobre interesses de terceiros, a juízo do Conselho competente da 
OAB, ou seja, a Ordem irá verificar se, na prática, há, ou não, poder de 
decisão relevante, para definir se haverá, ou não, a incompatibilidade. 
 
● Também não se incluem no inciso III aqueles que desempenham a 
administração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico. 
 
 
 
 
 
 
IV 
Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a 
qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais 
e de registro 
 
O legislador tratou dos membros do Poder Judiciário no inciso II, e dos servidores e 
de outros ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente ao 
Judiciário, neste inciso. Fazem parte desta incompatibilidade os técnicos de 
atividade judiciária, os analistas judiciários, os contadores judiciais, os assessores 
dos desembargadores e até mesmo aqueles ligados indiretamente a este Poder, 
bem como os psicólogos, seguranças e demais cargos auxiliares ligados ao Poder 
Judiciário. 
 
Encontram-se nessa situação incompatível os que exercem serviços notariais e de 
registro (tabeliães, notários, registradores e escreventes de cartório extrajudicial). 
 
 
 
 
 
V 
Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à 
atividade policial de qualquer natureza 
 
 
 
 
 
 
 
Da mesma forma que no inciso anterior, o Estatuto fez menção a vínculo de 
natureza direta ou indireta, só que, aqui, é em relação à atividade policial. Como 
exemplo, podemos citar os próprios policiais: policiais federais (agentes, escrivães e 
delegados), policiais civis (investigadores, comissários, delegados), policiais 
militares, policiais rodoviários (estaduais e federais), dentre outros (art. 144 da 
CRFB). São também incompatíveis os integrantes do Corpo de Bombeiro Militar. 
 
O Órgão Especial do Conselho Federal da OAB decidiu que os guardas municipais 
se enquadram nessa hipótese de incompatibilidade (processo nº 252/99, DJ 
19.10.99). 
 
O Provimento nº 62/1988, embora tenha disposto sobre a incompatibilidade que 
cuidava o inciso XII do art. 84 do antigo Estatuto (Lei nº 4.215/63), ainda nos serve, 
compreendendo-se entre os cargos incompatíveis os de perito criminal, 
papiloscopista e seus auxiliares (como o auxiliar de necropsia) e médico legista. 
 
Paulo Luiz Netto Lôbo (2009, p. 170) entende que “em virtude da crescente 
terceirização, a vedação envolve igualmente os que prestam serviços às atividades 
policiais diretas ou indiretas, mesmo que empregados de empresas privadas”. 
 
 
 
 
VI 
Militares de qualquer natureza, na ativa 
 
São os militares das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), seja qual 
for a patente e desde que estejam na ativa. 
 
 
 
 
VII 
Ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de 
lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições 
parafiscais 
 
 
 
 
 
 
 
É o caso dos fiscais e de outros servidores que tenham competência de 
lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos ou contribuições parafiscais. 
Exemplificando, temos os auditores fiscais, fiscais de receita previdenciária, fiscais 
de renda e fiscais do trabalho. 
 
 
 
 
VIII 
Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, 
inclusive privadas 
 
A última hipótese de incompatibilidade trazida pelo Estatuto é a dos diretores e 
gerentes de instituições financeiras públicas ou privadas. 
 
 
 
Afastamento temporário da atividade incompatível 
 
O § 1º do art. 28 do Estatuto determina que a incompatibilidade permanece, mesmo 
que os ocupantes de cargos e funções incompatíveis deixem de exercê-los 
temporariamente. Desse modo, os juízes não poderão advogar enquanto estiverem 
de férias ou de licença da magistratura. 
 
 
Afastamento definitivo da atividade incompatível ‒ 
desincompatibilização 
 
Apesar de apenas o art. 28, VI, do EAOAB determinar que a incompatibilidade 
ocorre somente enquanto no exercício da atividade (“na ativa”), às demais hipóteses 
deve-se dar o mesmo entendimento. Assim, ex-policiais e ex-fiscais podem advogar. 
 
Uma ressalva há de ser feita no que diz respeito aos magistrados e aos membros 
do Ministério Público aposentados ou exonerados. É que a EmendaConstitucional 
nº 45/2004 acrescentou o inciso V ao art. 95, parágrafo único, e o § 6º ao art. 128. 
Assim, é vedado a eles o exercício da advocacia no juízo ou tribunal do qual se 
 
 
 
 
 
 
afastaram, antes de decorridos três anos do afastamento de seus cargos por 
aposentadoria ou exoneração. 
 
 
 
Casos de impedimento 
I – Servidores da administração pública direta, indireta e fundacional 
São impedidos, ou seja, estão proibidos de exercer a advocacia parcialmente, os 
servidores da administração pública direta, indireta e fundacional. Neste caso, eles 
podem advogar, menos contra a Fazenda Pública que os remunere ou à qual seja 
vinculada a entidade empregadora. 
 
Exemplo 
O funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro, que só não pode 
advogar contra o município do Rio de Janeiro; o agente 
administrativo do INSS, que não pode advogar contra a União, 
por se tratar de autarquia federal; os professores de escolas 
estaduais, que não podem litigar contra o Estado etc. 
 
 
 
Exceção para advogados que sejam docentes de 
cursos jurídicos 
 
A exceção legal é para os docentes dos cursos jurídicos (art. 30, parágrafo único), 
que, apesar de serem servidores públicos, podem advogar livremente. 
 
Embora a lei, neste inciso, nada mencione, Marco Antonio Silva de Macedo Junior e 
Celso Coccaro (2009, p. 40) discorrem que “docente da Faculdade de Direito da 
Universidade de São Paulo (autarquia estadual) poderá advogar contra o Estado de 
São Paulo (“Fazenda que o remunera”), mas não deverá fazê-lo contra a própria 
Universidade, em decorrência de limitações éticas”. 
 
No entanto, Paulo Lôbo (2009, p. 178) entende que os docentes dos cursos 
jurídicos “não sofrem qualquer incompatibilidade ou impedimento para advogar. 
Esclarece, ainda, que “essa explicitação deve-se ao fato de que é importante, para a 
formação dos futuros advogados, o magistério de profissionais qualificados que 
 
 
 
 
 
 
doutra forma estariam impedidos de advogar, inclusive totalmente, se sua 
especialidade fosse o direito público”. 
 
 
 
 
 
Comentário 
Somamos a este entendimento, por se tratar de exceção legal, ousando apenas 
salientar outro motivo: se a Constituição possibilita aos magistrados e aos membros 
do Ministério Público o exercício de suas atividades cumulativamente com o 
magistério (art. 95, parágrafo único, e art. 128, § 5º, II, d, da Constituição), igual 
tratamento deve ser estendido aos advogados, mesmo em situação privada, sob o 
aspecto de que não podem ver prejudicada sua atuação no mercado por causa da 
docência em cursos jurídicos públicos. 
 
 
 
Assim como os juízes e promotores de justiça não sofrem descontos nos seus 
subsídios, não vemos motivo para o legislador vedar a advocacia integral para 
advogados. Deve haver um tratamento isonômico para os três agentes 
indispensáveis à administração da justiça. Embora se saiba que a Constituição se 
refira aos casos das exceções à acumulação de cargos públicos, externamos aqui o 
nosso posicionamento sobre o tema. 
 
Como a lei menciona apenas os docentes dos cursos jurídicos, os docentes de 
outros cursos (medicina, engenharia, letras, administração) ficam impedidos, nos 
termos do art. 30, inciso I, do Estatuto da Advocacia e da OAB. 
 
 
II – Membros do Poder Legislativo 
 
O impedimento deste inciso II é mais abrangente do que o anterior (inciso I). Aqui, o 
impedimento é maior, estendendo-se contra ou a favor de qualquer órgão da 
administração pública direta ou indireta, e não só contra quem ou remunera. 
 
É o caso dos membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis (senador, 
deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador), que podem 
advogar, menos contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito público, empresas 
 
 
 
 
 
 
públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades 
paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. 
 
 
Impedimentos especiais (ou impedimentos sui 
generis) 
Já foi dito que o Estatuto da Advocacia e da OAB determina que o impedimento é a 
proibição parcial do exercício da advocacia. No entanto, encontramos algumas 
hipóteses diferentes, nas quais a pessoa pode advogar, mas somente no âmbito do 
cargo público que ocupa ou menos no setor onde trabalha. Denominamos, aqui, 
“impedimento especial”. Essa denominação não é pela lei. 
 
Conforme disposto no art. 29 do Estatuto, os Procuradores Gerais, os Advogados 
Gerais, Defensores Gerais e dirigentes de órgãos jurídicos da Administração Pública 
direta, indireta e fundacional, são, exclusivamente, legitimados para o exercício da 
advocacia vinculada à função que exerçam, durante o período da investidura. 
 
Alertamos sobre a possibilidade de outras leis trazerem outras hipóteses de 
“impedimentos especiais”, como é o caso dos Defensores Públicos que prestaram 
concurso anteriormente à Lei Complementar nº 80/94, podendo advogar 
particularmente. Os que foram aprovados em concursos posteriores só podem 
advogar no âmbito da Defensoria Pública. 
 
 
Atenção 
Apesar de, em recente decisão, a 2ª Turma do STJ ter entendido que o Defensor 
Público está dispensado de ter inscrição nos quadros da OAB, o candidato deve ter 
todo cuidado ao realizar o Exame de Ordem, pois a pergunta da prova pode estar 
de acordo com as normas do EAOAB. 
 
 
 
 
Vem que eu te explico! 
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Tipos de inscrição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Registro das sociedades de advogado 
 
Sociedade de advogados 
 
Neste vídeo, o professor Paulo Machado explica as sociedades de advogados, 
tratando de sua natureza e seus aspectos gerais. 
 
 
Natureza jurídica 
 
Quando um advogado começa a assumir uma quantidade maior de causas, surge a 
necessidade de se unir a outro ou a outros advogados, para, juntos, dividirem as 
tarefas (e, até mesmo, as despesas) e, ao final, ratearem os ganhos obtidos. Não 
raro, audiências são marcadas para o mesmo dia, em juízos, em comarcas, em 
estados diferentes. 
 
Para o auxílio recíproco, os advogados constituem uma sociedade de advogados. 
 
 
O tema está disciplinado nos arts. 15 ao 17 do Estatuto da Advocacia e da OAB 
(que foram alterados pela Lei 13.247/16), nos arts. 37 ao 43 do Regulamento Geral 
e no Provimento nº 112/06 do Conselho Federal da OAB. De acordo com o texto 
original do art. 15 do Estatuto da Advocacia e da OAB, os advogados poderiam se 
reunir em sociedade civil de prestação de serviços de advocacia. 
 
 
Por essa redação, poderíamos dizer que a natureza jurídica de uma sociedade de 
advogados é uma sociedade civil. Acontece que o EAOAB é uma lei de 1994 (Lei nº 
8.906/94), quando ainda vigorava o Código Civil de 1916, que, por sua vez, 
classificava as sociedades em civis e mercantis. Com o advento do novo Código 
Civil (2002), a classificação passou a ser em sociedades simples e sociedades 
empresárias, razão pela qual, atualmente, sua natureza jurídica é de sociedade 
simples. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apenas com o advento da Lei 13.247/16 é que o mencionado art. 15 foi 
alterado, constando agora, que os advogados podem reunir-se em 
sociedade simples de prestação de serviços de advocacia. 
 
 
Acrescente-se que mais uma novidade veio com essa alteração da Lei 8.906/94. A 
partir de então, os advogados também podem constituir uma sociedade unipessoal 
de advocacia, como se percebe na redação destacada a seguir: 
 
 
Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de 
prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal 
de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. 
 
 
 
Personalidade jurídica 
Uma sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro 
aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB, em cuja base 
territorial tiver sede, seja esta uma sociedade simples ou uma sociedade unipessoal 
de advocacia, sendo proibido o registro nos cartórios de registro civil de pessoas 
jurídicase nas juntas comerciais. Prevê o Estatuto que não são admitidas a registro, 
e nem podem funcionar, as sociedades simples de advogados ou sociedades 
unipessoais de advocacia que apresentem formas ou características mercantis, que 
adotem denominação fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que 
incluam sócios não inscritos no quadro de advogados da OAB ou que estejam 
totalmente proibidos de advogar. 
 
 
Denominação 
 
No contrato social, que será registrado no Conselho Seccional da OAB, deve 
constar a denominação (razão social) da sociedade. No entanto, existem regras a 
serem seguidas para que o registro seja aprovado. 
 
 
Conforme dito, não se admite o uso do nome fantasia (por exemplo, “Justa Causa, 
advogados”. 
 
 
 
 
 
 
Tampouco se permite a utilização do nome de algum advogado renomado já 
falecido (“Escritório de Advocacia Rui Barbosa” ou “Evandro Lins e Silva, advogados 
associados”). 
Quando se tratar de uma sociedade simples de advocacia, a denominação 
adequada deve trazer o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela 
sociedade, acompanhado de uma expressão que indique a finalidade do escritório. 
 
 
Exemplo 
Se três advogados – Pedro Meira Júnior, Flávia Vidal e Carlos Dias – resolvem 
constituir uma sociedade simples de advogados, poderão ser colocadas, entre 
outras, as seguintes denominações: “Meira e advogados”; “Flávia Vidal, advocacia”; 
“Escritório de Advocacia Carlos Dias”; “Escritório Jurídico Meira, Vidal e Dias”. Não 
importa se a expressão indicadora da finalidade vem antes ou depois do nome do 
advogado. 
 
O Regulamento Geral permite o uso do nome abreviado do advogado, o que não 
significa que serão utilizadas siglas com as iniciais de cada parte do seu nome 
completo. Por autorização do Provimento nº 112/06, pode ser utilizado o símbolo 
“&;” na denominação da sociedade de advogados (Meira &; Dias, Sociedade de 
Advogados – por exemplo). 
Quando vigorava o Código Civil de 1916, era possível constar a abreviatura “S.C.”, 
de sociedade civil no final da denominação (por exemplo: Escritório de Advocacia 
Pedro Meira S.C.), mas, pelo fato de o novo Código Civil não mais adotar esta 
classificação, hoje, não se pode utilizá-la. Advirta-se que sempre foi proibida, por 
motivo óbvio, a adoção das expressões “Ltda”, “Cia”, “S/A” e “ME”. 
Em caso de falecimento de um dos sócios, cujo nome é utilizado na denominação 
da sociedade simples de advogados, o Estatuto determina que a permanência do 
nome é condicionada à previsão no contrato social (art. 16, §1º, in fine). Quando 
houver licenciamento de um sócio para o exercício de atividade incompatível com a 
advocacia em caráter temporário, deverá tal fato ser averbado no registro da 
sociedade, não alterando sua constituição. Por outro turno, caso o advogado passe 
a exercer atividade incompatível em caráter definitivo, gerando o cancelamento da 
inscrição, será obrigatória a alteração contratual para que seja retirado o nome 
daquele sócio. Lembre-se de que a razão social deve ter o nome de pelo menos um 
advogado da sociedade. Neste caso, ele não será mais advogado em virtude do 
cancelamento da inscrição. 
Saiba Mais 
 
 
 
 
 
 
Em relação à grande novidade trazida pela Lei 13.247/16, quando se tratar de 
sociedade unipessoal de advocacia, a sua denominação deve ser obrigatoriamente 
formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão “Sociedade 
Individual de Advocacia”, como, por exemplo, “Flávia Vidal, sociedade individual de 
advocacia” ou “Flávia Vidal, sociedade individual de advocacia” (conforme art. 16, 
§4º, do EAOAB). 
 
 
Outros aspectos 
Outras considerações 
Os mandamentos do Código de Ética e Disciplina são aplicados às sociedades 
simples de advogados ou às sociedades unipessoais de advocacia, no que couber. 
A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um 
advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das 
razões que motivaram tal concentração. 
Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir 
mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, 
uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede 
ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. 
Exemplo 
Se um advogado já é sócio de um escritório de advocacia no Estado do Rio de 
Janeiro, não poderá integrar, como sócio, nenhuma outra sociedade simples de 
advogados nem constituir uma sociedade unipessoal de advogados neste Estado. 
Poderá, todavia, ser sócio de outra sociedade de advogados (simples ou 
unipessoal) no Estado de Minas Gerais, por exemplo. 
 
 
Já na hipótese de constituição de filial em outro estado, o ato de constituição deve 
ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se 
fixar, ficando os sócios obrigados à inscrição suplementar. Essa obrigação também 
é exigida para o titular da sociedade unipessoal de advocacia (art. 15, § 5º, do 
EAOAB). 
Os sócios de uma mesma sociedade simples de advogados não podem representar 
em juízo clientes com interesses opostos. 
As procurações passadas aos advogados devem ser outorgadas individualmente 
aos profissionais, mencionando a sociedade de que façam parte. As atividades de 
advocacia são exercidas pelos próprios advogados, ainda que os honorários se 
revertam à sociedade. No entanto, podem ser praticados pela sociedade, com o uso 
 
 
 
 
 
 
da razão social, os atos indispensáveis às suas finalidades, que não sejam 
privativos de advogado. 
A sociedade simples de advogados pode contemplar qualquer tipo de administração 
social, sendo permitida a existência de sócios gerentes, com indicação dos poderes 
atribuídos (art. 41 do Regulamento Geral). 
Por fim, no que diz respeito à responsabilidade civil, os advogados sócios, o titular 
da sociedade individual de advocacia e os advogados associados respondem 
subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, por dolo 
ou culpa, por ação ou omissão, no exercício da advocacia, sem prejuízo da 
responsabilidade disciplinar e penal em que possam incorrer (art. 17 do EAOAB, 
com a redação dada pela Lei 13.247/16, combinado com o art. 40 do Regulamento 
Geral). 
 
 
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Natureza jurídica 
 
 
Considerações finais 
Como vimos, o estudo dos requisitos para inscrição nos quadros da OAB, bem 
como do registro de uma sociedade de advogados, constitui fator importante para o 
início da “vida” na advocacia. 
Toda atenção aos deveres legais deve ser observada pelos profissionais, a fim de 
que não venham a ser processados pela OAB. 
 
 
 
Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 
DE JULHO DE 1994 
Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109252/estatuto-da-advocacia-e-da-oab-lei-8906-94#art-51
	Definição de direitos humanos 
	Exemplo 
	Fundamentação histórica dos direitos humanos 
	A trajetória dos direitos humanos 
	Crítica aos direitos humanos 
	Direito dos animais e especismo 
	Saiba Mais 
	Direito das máquinas 
	Direitos de diversos seres 
	Considerações finais 
	Tema 3 - Ética Jurídica: a Advocacia 
	Origem, evolução e divulgação da atividade de advogado. 
	Origem e evolução da advocacia 
	Primeiro momento 
	Segundo momento 
	Terceiro momento 
	Curiosidade 
	Divulgação e publicidade da advocacia 
	Saiba Mais 
	Atenção 
	Programa de televisão 
	Manifestação pública 
	Publicidade profissional 
	Títulos acadêmicos 
	Cartões de visitas 
	Formação de sociedade 
	Piso salarial 
	Jornada de trabalho e hora extra 
	Os honorários de sucumbência e o advogado empregado 
	Responsabilidade civil do advogado 
	Jornada de trabalho e hora extra 
	Advocacia e seus direitos 
	Comentário 
	Atenção 
	Saiba Mais 
	Comentário 
	Comentário 
	Atenção 
	Saiba Mais 
	Honorários advocatíciosConvencionados 
	Arbitrados judicialmente 
	Sucumbenciais 
	Pacto quota litis 
	Formas judiciais de cobrança 
	Atenção 
	Prescrição (art. 25, EAOAB) 
	Saiba Mais 
	Considerações finais 
	Tema 4 - A Ordem Dos Advogados do Brasil 
	Itens iniciais 
	Finalidades e natureza da OAB 
	Finalidades institucionais 
	Finalidades corporativas 
	Origem e natureza jurídica da OAB 
	Atenção 
	Saiba Mais 
	1.​Finalidades da OAB 
	Personalidade jurídica 
	O Instituto dos Advogados Brasileiros 
	Exemplo 
	Vem que eu te explico! 
	2 Estrutura organizacional da OAB 
	Saiba Mais 
	Regras gerais para as eleições e mandatos na OAB​ 
	Frequência 
	Obrigatoriedade 
	Local 
	Vem que eu te explico! 
	3 Competências dos órgãos da OAB 
	Conselho Federal 
	Votação no Conselho Federal 
	Exemplo 
	Competências do Conselho Federal da OAB 
	Saiba Mais 
	Conselhos seccionais 
	Exemplo 
	Subseções 
	Atenção 
	Diretoria da subseção 
	Caixa de Assistência dos Advogados 
	Dispensa da anuidade 
	Convênios de colaboração 
	Incorporação do patrimônio 
	Vem que eu te explico! 
	Considerações finais 
	Tema 5 - Inscrição e Registro na Oab 
	Itens iniciais 
	1 - Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento 
	Quadros da OAB 
	Requisitos para inscrição como advogado 
	Comentário 
	Saiba Mais 
	Requisitos para inscrição como estagiário 
	1.​Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento 
	Inscrição 
	Exemplo 
	Afastamento e saída do quadro da OAB 
	Licença 
	Assim o requerer por motivo justificado 
	Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário 
	Sofrer doença mental considerada curável 
	Cancelamento 
	Assim o requerer 
	Sofrer penalidade de exclusão 
	Falecer 
	Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter definitivo 
	Perder qualquer um dos requisitos necessários para a inscrição 
	Impossibilidades de atuação 
	Incompatibilidade e impedimento 
	Direito Civil 
	Direito Processual Civil e Direito Processual Penal 
	Resumindo 
	Casos de incompatibilidade​ 
	I 
	Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais 
	II 
	Membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indireta 
	III 
	Ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público 
	IV 
	Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro 
	V 
	Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de qualquer natureza 
	VI 
	Militares de qualquer natureza, na ativa 
	VII 
	Ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições parafiscais 
	VIII 
	Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive privadas 
	Afastamento temporário da atividade incompatível 
	Afastamento definitivo da atividade incompatível ‒ desincompatibilização 
	Casos de impedimento 
	Exemplo 
	Exceção para advogados que sejam docentes de cursos jurídicos 
	Comentário 
	II – Membros do Poder Legislativo 
	Impedimentos especiais (ou impedimentos sui generis) 
	Atenção 
	Vem que eu te explico! 
	2.​Registro das sociedades de advogado 
	Sociedade de advogados 
	Exemplo 
	Saiba Mais 
	Outros aspectos 
	Exemplo 
	Vem que eu te explico! 
	Considerações finais 
	Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994aos direitos humanos feitas por parte de figuras de 
extrema-direita, como se tal arcabouço fosse uma forma de proteger e 
incentivar meliantes, apenas disfarçam a tentativa de se manter esse tipo de 
distância entre quem já tem acesso a tais direitos e quem nunca teve. 
 
Ainda que seja uma árdua tarefa estabelecer valores éticos para um 
grupo tão heterogêneo quanto a espécie humana, os direitos humanos 
arriscam esse papel. 
 
O caráter universal desses direitos serve exatamente para criar o 
mínimo, aquilo que todos podem reivindicar e recorrer. A fim de 
que todas as sociedades humanas sejam mais justas e 
igualitárias. 
 
Se seguirmos os direitos humanos, podemos dizer que é ético que 
todas as pessoas nunca sejam torturadas na vida, mesmo que tenham 
cometido o pior dos crimes. É ético que ninguém seja discriminado por 
conta de sua cor de pele, sua crença, sua orientação sexual, sua 
identidade de gênero. É ético que todas as pessoas tenham as mesmas 
 
 
 
 
 
 
chances para prosperar na vida, sem importar o meio em que nasceu. É 
ético que se procure colocar em prática a liberdade, a igualdade e a 
fraternidade. 
Crítica marxista aos direitos humanos 
 
 
 
Os marxistas também reclamam do caráter individualista que estaria 
implícito nos direitos humanos, como se tal categoria judicial não 
pensasse o todo da sociedade de uma vez, mas pulverizasse cada uma 
das perspectivas. Como estabelecer, por exemplo, o limite da liberdade 
de cada um? As discussões sobre liberdade de expressão, no módulo 
anterior, mostram como essa demarcação é complicada. 
 
 
De toda forma, por um lado é justa essa crítica marxista sobre o caráter 
individualista dos direitos humanos, uma vez que, ao se dividir cada um dos 
cidadãos em indivíduos, se perde força para exigir mais participação política, 
além de criar um problema acerca da linha que separa os direitos de um 
indivíduo do seu próximo; por outro, ela ignora o âmbito mais singular em que 
os direitos atuam. 
 
 
Quando alguém é torturado, é a sociedade como um todo que está sofrendo, 
já que precisou recorrer a um procedimento vil que ataca a dignidade de um 
dos seus cidadãos. No entanto, é um sujeito único que sente dor. Alguém que 
tem uma vida pregressa, que tem sonhos e que está recebendo na pele a 
carga dessa violência. Portanto, há sempre duas alçadas sendo entrelaçadas 
ao mesmo tempo: o indivíduo e a sociedade. E ambas devem ser 
respeitadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para sabermos o quão longe estamos dessa universalização dos direitos 
humanos, podemos recorrer a um teórico socialista utópico do fim do século 
XVIII e início do XIX chamado François-Marie Charles Fourier. 
 
 
Fourier, percebendo que as propostas de liberdade, igualdade e fraternidade da 
Revolução Francesa não foram assimiladas pela sociedade como um todo, propôs 
um medidor: “o grau de emancipação da mulher numa sociedade é o barômetro 
natural pelo qual se mede a emancipação geral”. Poderíamos atualizar esse 
barômetro com a população negra e indígena, com as pessoas com deficiências, 
com as pessoas LGBTQIA+ e todos os grupos historicamente excluídos. 
 
 
 
Direitos humanos e regimes político-econômicos 
 
Neste vídeo, Ronaldo Pelli mostra, com exemplos, que o tema dos 
direitos humanos está presente nos diversos regimes 
político-econômicos existentes, mantendo-se por meio de incoerências 
internas. Confira! 
 
 
3 Os direitos dos seres não humanos 
 
 
Direito dos animais e especismo 
 
Direitos dos animais em discussão 
 
Se os direitos já são um tema complicado, cheio de interpretações e 
diferentes ângulos quando os contemplados são os humanos, imagine nas 
situações em que o “público-alvo” é formado por outros sujeitos além do 
humano? 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para começar a dificuldade, a definição de humano não é unânime entre os 
diferentes grupos sociais ao redor do globo, com suas metafísicas, valores e éticas 
diversas. Povos que não seguem a tradição ocidental, como indígenas de todas as 
partes da Terra, podem ter formas outras de categorizar o que seria o homem. E 
não é pouca gente. 
 
Segundo a ONU, há cerca de 370 a 500 milhões de indígenas no mundo, 
espalhados por 90 países, que vivem em todas as regiões geográficas e 
representam 5 mil culturas diferentes. Cada um com formas diferentes de entender 
sua posição no mundo, sua relação com outros seres, sua definição de homem, seu 
idioma. Para ter uma noção da diversidade, só na região onde está atualmente o 
estado de Rondônia, há 25 diferentes línguas, de famílias totalmente diferentes. 
Como forma de comparação, a União Europeia tem 24 línguas oficiais. 
 
Um exemplo sobre as diferentes visões do que é o humano: certos 
grupos indígenas amazônicos acreditam que animais que compartilham 
corpos semelhantes se veem como gente, enquanto os demais seres 
seriam animais. Tal perspectiva cria um jogo em que o animal que 
enxerga é “gente”, enquanto os demais, que são enxergados, são 
sempre “animais”, podendo ser o caçador ou a caça. 
 
 
Dito de outra forma: para o homem, a onça é uma ameaça, o porco, uma 
presa. Para a onça, que se vê como gente, o homem é uma presa. Para o 
porco, o homem é a ameaça, e por aí adiante. Isso é, de maneira muito 
genérica e esquemática, o que os antropólogos brasileiros Tânia Stolze Lima 
e Eduardo Viveiros de Castro conceituaram como perspectivismo ameríndio. 
 
Assim, fica demonstrada a dificuldade de se aplicar os direitos “humanos” 
indiscriminadamente para todo e qualquer grupo que consideramos 
“humanos”. No caso desses indígenas, deveríamos incluir na categoria 
“humanos” outros animais? 
 
Essa é uma questão que acompanha o pensamento filosófico há muito 
tempo. Como consequência prática, já existe um movimento antigo para criar 
 
 
 
 
 
 
direitos para seres outros que não os homens, a começar pelos animais não 
humanos. 
 
É possível afirmar que todos os humanos já tiveram ou terão algum contato 
com os animais não humanos, mas os tipos de contato variam enormemente. 
Enquanto certos animais são classificados como domésticos, criados sob o 
mesmo teto, com regalias dignas de pequenas altezas em certos casos, 
outros são considerados como matáveis, para serem transformados em 
alimento e vestimenta ou, até mesmo, por puro esporte. 
 
Cria-se, assim, uma hierarquia de importância entre os animais, uma 
hierarquia baseada em valores morais já solidificados que resvala, com 
frequência, em preconceitos. Para grande parte dos moradores de cidades 
ocidentais, é comum ver o boi e a vaca como comida, e o cachorro como um 
pet. 
 
Na Coreia, entretanto, é tradição usar cães também como alimento. E, antes que 
viremos o rosto, podemos imaginar o que os indianos hindus, que tratam vacas 
como sagradas, devem pensar sobre o nosso hábito de exterminá-las em 
matadouros industriais. 
 
Além do fato de que há outras formas de forçar uma relação de 
dominação por parte dos homens sobre os demais animais. O homem é 
chamado de animal racional, como se isso fosse um demérito para os 
outros, como se a razão fosse a única forma de inteligência possível. 
 
Um dos critérios técnicos para medir inteligência é o tamanho do cérebro, ou 
a quantidade de células nervosas versus a extensão do corpo. Por esse 
critério, polvos são considerados inteligentíssimos, já que têm a mesma 
quantidade de neurônios que cachorros e uma fração do tamanho deles. 
 
Polvos podem também usar ferramentas, como, aliás, corvos, chipanzés e 
outros animais — o que foi, durante um tempo, visto como exclusividade dos 
homens —, e são capazes de reconhecer rostos — procedimento comum a 
muitos outros animais. A lista para mostrar a inteligência de animais poderia 
continuar por longas linhas. 
 
 
 
 
 
 
 
Especismo 
 
Novamente, os exemplos são muitos. Todos demonstram que cada 
animal desenvolveu o que precisou para melhor viver em determinado 
hábitat e isso não o faz necessariamente “melhor” nem mais ou menos 
“inteligente” que indivíduos de outra espécie. 
 
 
Esse tipo de hierarquia é chamadode especismo: um conceito desenvolvido, 
ainda no século XX, pelo filósofo britânico Richard Ryder, que trata do uso 
dos animais não humanos. Tal conceito mostra como é preconceituosa certa 
autoridade reivindicada pelos homens para poder usar, da forma como lhe 
aprouver, todo e qualquer outro ser, como se todos os demais seres 
existissem única e exclusivamente para servir ao homem. 
 
 
Especismo também serve para mostrar que, em momentos específicos, 
usamos certas espécies como o parâmetro que julgamos os demais. 
Acontece com frequência com o homem, num processo antropocêntrico, em 
que ele se julga superior aos outros. Por esse tipo de argumento, todo 
sacrifício de outras espécies é válido para que o homem continue a viver. 
 
O filósofo australiano do século XX Peter Singer, famoso por suas obras sobre a 
relação ética entre humanos e animais, — seu livro, Libertação Animal é 
considerado como a obra fundadora dos Direitos dos animais — diz que o 
especismo é um preconceito de membros de uma espécie em detrimento dos 
interesses dos membros de outras espécies. 
 
Defensores dos animais não humanos tentam, há tempos, criar 
legislações para tratá-los como sujeitos de direitos, para protegê-los de 
serem meros objetos para a vontade dos homens. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Saiba Mais 
Peter Singer Como já temos apresentado até aqui, essas questões são 
sempre muito complexas. Por exemplo, é do filósofo australiano o 
pensamento: “[...] bebês humanos não nascem com a noção de si próprios, 
ou capazes de perceber sua existência; eles não são pessoas. A vida de um 
recém-nascido vale menos que a de um porco, um cão ou um chipanzé; eles 
não têm senso da própria existência ao longo do tempo. Então, matar um 
recém-nascido nunca é equivalente a matar uma pessoa, isto é, um ser que 
deseja seguir vivendo" (Editorial Gazeta do Povo, 13/12/2014). Seria esse 
posicionamento fruto apenas da necessidade de defesa dos direitos dos 
animais não humanos!? 
 
 
O tema é forte desde o início da relação do homem com os outros 
animais — ou seja, desde muito tempo. Mas ficou mais forte ainda a 
partir das primeiras declarações sobre direitos humanos, no século 
XVIII. 
 
 
“Os sofrimentos de um animal nos parecem ruins, porque, sendo 
animais como eles, protestaríamos muito se nos fizessem a mesma 
coisa”, escreve o filósofo iluminista Voltaire, num de seus muitos textos 
sobre o não consumo de carne e o sofrimento causado aos animais. 
 
 
Recentemente, a preocupação com os animais tem crescido ainda mais. 
Segundo pesquisa encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, 14% 
dos brasileiros em 2018 se declaravam vegetarianos ou parcialmente 
vegetarianos. Isso representava cerca de 30 milhões de brasileiros. Em 2012, 
esse percentual era de 8% apenas. Isto é, a questão animal está presente 
cotidianamente para uma parcela razoável da população. 
 
A alimentação é apenas um pedaço do problema. Uma das grandes preocupações 
dos defensores dos direitos dos animais não humanos é evitar ou, ao menos, criar 
parâmetros aceitáveis para o uso de cobaias em pesquisas científicas. 
 
 
 
 
 
 
 
Em instituições sérias e preocupadas com o bem-estar desses animais, 
há uma série de protocolos para utilizá-los nesses testes, mas há quem 
argumenta que todo e qualquer uso é uma violência inaceitável. Ainda 
mais porque os bichos utilizados não ganham qualquer vantagem, nem 
para a espécie, muito menos individualmente. 
 
Já foi comprovado que inúmeros animais, principalmente os que têm 
algum tipo de sistema nervoso, são sencientes: sentem dor, sensações, 
sentimentos de forma “consciente”. Então, ao matar um animal, estamos 
matando um ser que tem mais em comum conosco do que, muitas 
vezes, reparamos ou gostamos de lembrar. 
 
Quando os animais têm seus direitos 
 
Neste vídeo, você identificará os argumentos em defesa dos 
direitos dos animais. 
 
 
 
Direito das máquinas 
 
Em um evento de tecnologia de 2017, na Arábia Saudita, um robô com 
inteligência artificial chamado Sophia, que conversou com o apresentador do 
evento ao vivo, recebeu, ao fim da entrevista, a cidadania do país saudita, 
como se fosse um ser humano. Era uma ação publicitária para divulgar uma 
cidade tecnológica chamada Neom. Comandada por robôs e inteligências 
artificiais, tal cidade está sendo construída pela Arábia Saudita no meio do 
deserto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não se sabe exatamente o que essa cidadania proporcionou para Sophia — 
ou se ela conseguiu direitos de homens ou de mulheres, muito diferentes 
nesse país do Oriente Médio extremamente machista — mas tal situação nos 
leva a pensar sobre a legislação por trás de produtos e tecnologias. 
 
Cientistas, engenheiros, filósofos, empresários e todos que pensam sobre as 
tecnologias se dividem em diferentes formas de encarar os problemas que o futuro, 
nesse âmbito, nos reserva. 
 
Há os que acreditam que vamos subir nossas consciências para computadores e 
encontrar uma espécie de vida eterna. Outros imaginam uma versão do porvir mais 
preocupante, com robôs parecidos com os saídos de filmes como O exterminador 
do futuro (direção de James Cameron, 1984). 
 
Há ainda aqueles que pensam mais cautelosamente, mas já veem vários 
problemas com o alcance da tecnologia atual. 
 
Talvez ainda esteja longe o dia em que um robô terá completa autonomia e 
não precisará de humanos para existir — e aí saberemos se a questão sobre 
seu estatuto legal será, de verdade, o nosso principal problema com as 
máquinas. 
 
Contudo, a partir de uma mirada filosófica ou ética, as inteligências artificiais 
(IA) estão, desde que apareceram, dando espaço para muitas discussões. A 
começar debates sobre quais valores serão inseridos nesses 
supercomputadores. O exemplo dos carros sem motorista é sempre 
mencionado para explicar esse paradigma. 
 
 
Em uma eventual situação de acidente, o carro sem motorista respeita 
um protocolo já estabelecido anteriormente, mas não está claro quem 
estabelece esse protocolo. É o engenheiro que programou o carro? 
Pode ser personalizado para que cada dono do carro possa escolher a 
maneira como o seu automóvel vai se comportar? 
 
 
 
 
 
 
 
Tais problemas já acontecem atualmente com casos mais simples. 
Quando aplicativos de navegação sugerem determinadas rotas, mesmo 
que mais perigosas, com muito mais curvas ou mais sinais de trânsito, 
porque, numa situação ideal, tais caminhos são os que exigem menos 
tempo para percorrer a distância, já estamos vivendo um cenário 
parecido. 
 
Há um critério anterior (menor tempo) estabelecido para se chegar do ponto A 
ao ponto B e todos os demais parâmetros são colocados em segundo plano. 
Não é considerada a preferência do motorista (um caminho com menos 
curvas, por exemplo) ou mesmo sua segurança. Muitas vezes essa 
desconsideração acontece porque tais aplicativos são internacionais e não se 
adaptam às realidades locais. Outras simplesmente por ainda não haver uma 
tecnologia tão precisa assim ou, ainda, por não haver interesse para esse 
“detalhe”. Mesmo que tais aplicativos possam ser customizados, há sempre 
limites para a influência que exercemos sobre essas tecnologias. 
 
 
 
O melhor exemplo, nesse caso, é o das redes sociais. É elucidadora a maneira 
como os algoritmos priorizam certos conteúdos — geralmente mais polêmicos, que 
geram maior engajamento, mais discussões — em detrimento da antiquada e chata 
informação correta. 
 
Se a questão das redes sociais já está afetando diretamente a 
democracia e o comportamento das pessoas, bem como dividindo a 
sociedade num eterno nós contra eles, tal pensamento pode ainda ter 
outras influências em diferentes segmentos. 
 
Se uma IA for programada para produzir o máximo possível numa 
indústria, ela o fará muitas vezes em detrimento do próprio homem. Há 
um conto do escritor americano de ficção científica Philip K. Dick que 
expõe bem esse aspecto. Autofac, publicado em 1955, mostra uma 
sociedade completamente arrasada após uma guerra nuclear. Nesse 
 
 
 
 
 
 
cenário,há uma fábrica operada por inteligências artificiais que precisa 
continuar produzindo, mesmo que não haja mais mercado consumidor. 
 
Não seria, por enquanto, possível “prever o imprevisível”. Se algo 
ocorrer fora do escopo da programação da máquina inteligente, ela não 
saberá se adaptar às novas condições. Já existem novas versões de 
computadores que são autoprogramáveis, que poderiam criar saídas 
para situações como essa — ou a propaganda quer, dessa forma, que 
nós acreditemos nas supermáquinas. Mas, nesse caso, ainda não 
teríamos uma solução para como uma inteligência artificial deveria se 
portar em relação ao humano. 
 
Teóricos sugerem que o nosso melhor “legado” para as máquinas seria 
o nosso humanismo. Pelo lado bom dessa interpretação, seria colocar o 
homem no centro das questões a ponto de impedir que uma máquina 
cause mortes por tentar atingir cegamente suas metas. Mas há diversos 
lados ruins dessa questão. 
 
A começar: que homem estaria no centro? Os habitantes de países 
pobres teriam o mesmo peso que os de países ricos? E os outros seres, 
como os animais não humanos, mencionados recentemente, 
continuariam vistos apenas como objetos para o uso humano? Por fim: 
estaríamos vivendo, atualmente, o melhor dos mundos possíveis, como 
disse certa vez o filósofo alemão do século XVII e início do XVIII G. W. 
Leibniz? 
 
Será que no momento atual, com o aquecimento global, com a feroz 
concentração de riquezas nas mãos de pouquíssimas pessoas, com o 
aparecimento de pandemias assustadoras, não seria melhor pensar em 
um outro mundo, em que o homem não estivesse tão no centro assim? 
Em que ele compartilhasse essa centralidade ou simplesmente a 
entregasse para outros seres — para o planeta, por exemplo? 
 
 
 
 
 
 
 
Isso sem falar no custo — político, social, ambiental etc. — que tais inteligências 
artificiais arrastam consigo. Logo após o golpe de Estado na Bolívia em 2020, o 
multibilionário do ramo da tecnologia Elon Musk chegou a afirmar, de forma 
parcialmente irônica e parcialmente desafiadora, que se deveria dar um golpe em 
quem precisasse para que sua empresa continuasse a prosperar. 
 
Não deve ser coincidência que grande parte da reserva mundial de lítio, um mineral 
essencial para a construção de baterias de celulares e carros elétricos (ramo de 
uma das empresas de Musk), fica na Bolívia. 
 
Se quisermos adaptar essa ideia de humanismo para outros modos, seria 
possível pensar que deveríamos determinar um código de ética para as 
máquinas, diretrizes que elas devem respeitar acima de quaisquer outros 
valores, códigos que não poderiam nunca ser quebrados. 
 
Mas quem determinaria tal constituição? Quais países teriam poder de influir 
sobre isso? As nações ricas dividiriam o poder com as pobres? E as 
empresas de tecnologia, cada vez mais poderosas e ricas, renunciariam o 
controle de suas próprias criações para deixar que um conselho plural 
determinasse como suas máquinas deveriam se comportar? E se essas 
determinações restringirem os lucros dessas empresas? 
 
É difícil acreditar nisso, considerando que nem mesmo uma regulação 
externa é bem aceita por essas empresas, que logo dizem que estão sendo 
censuradas. 
 
O possível surgimento de máquinas mais inteligentes que os humanos coloca 
a própria humanidade a se olhar no espelho. 
 
Se a razão, como vimos também, é a forma como o homem sempre quis se 
identificar, encontrar outro ser que nos ultrapassa na nossa principal 
característica nos faz pensar que talvez não seja essa a nossa principal 
característica ou, se for, há outros seres mais “humanos” que nós mesmos. 
 
As máquinas têm direitos? 
 
 
 
 
 
 
Com este vídeo, você poderá perceber as temáticas mais recentes 
sobre direitos. 
 
 
Direitos de diversos seres 
Uma das consequências diretas de se pensar o mundo colocando o homem 
no seu centro é o que está sendo chamado de Antropoceno: uma nova era 
geológica em que o principal fator de mudança (termodinâmica, 
geomorfológica, física, climática) não é mais um ente “natural”, mas o homem 
e suas criações. Uma das consequências mais imediatas é a crise ecológica 
com o aquecimento global e as drásticas deteriorações nas áreas habitáveis. 
 
Como visto, com o homem no centro do mundo, todos os demais 
entes são apenas matéria-prima para ele se utilizar. Os animais 
não humanos, já mencionados, se transformam em seres para o 
consumo, com pouco espaço para exercitarem suas vidas 
independentemente. 
 
Segundo o IBGE, em 2019, havia mais bois que homens no Brasil, todos para o 
corte ou para produção de laticínios, mas não são apenas eles que sofrem na mão 
humana. Também os minerais são tratados de maneira similar, como um estoque 
para servir a grandes empresas. 
 
As florestas são reserva de madeira e futura área de pasto. Monoculturas que 
provocam os esgotamentos nutricionais dos solos, que alimentarão outros animais, 
que, por sua vez, servirão de alimento para os humanos. Mesmo com outras 
opções, o fluxo das águas segue sendo canalizado para produzir energia. 
 
 
Nada tem espaço, menos ainda tempo, para se renovar na própria 
velocidade. São extraídos de forma violenta, retirados industrialmente 
de seus hábitats para atender o homem. 
Além disso, para alguns grupamentos humanos não ocidentais, certos 
usos do seu território são considerados um sacrilégio. Para dar um 
exemplo entre muitos: na Austrália, o povo Anangu acredita que todos 
 
 
 
 
 
 
os seres, inclusive os elementos da paisagem, foram criados por seres 
antigos, seus antepassados. Isso inclui a montanha Uluru, um monolito 
de arenito de 348 metros de altura, que é um dos pontos mais famosos 
da região. 
 
Por conta do seu aspecto particular, um morro vermelho no meio de uma vasta 
planície, Uluru foi, por muitos anos, um ponto turístico que atraiu diversos 
escaladores. Ao longo dos anos, porém, houve vários acidentes, inclusive fatais, 
muitos deles provocados pela erosão de dejetos industriais deixados pelos turistas. 
O povo Anangu — povo que vivia ali por séculos e chegou a ser impedido de habitar 
o espaço — exigia que a montanha fosse fechada. 
 
O argumento é simples no discurso, complexo no subtexto: Uluru é 
sagrada e deve permanecer intocada. O problema é que o governo 
australiano, mesmo depois de devolver a terra para os Anangu, liberava 
as escaladas. Apenas em 2019, Uluru foi fechada por completo. 
 
Há casos ainda em que outros seres não humanos se tornaram sujeitos 
de direito. O caso mais anedótico aparece na Colômbia, para onde o 
traficante de drogas Pablo Escobar transportou hipopótamos africanos 
que, após sua morte, se reproduziram sem limites e invadiram as 
florestas tropicais. Esses hipopótamos, atualmente, são considerados 
uma praga, a maior espécie invasora do mundo. Não há qualquer 
predador ou animal do mesmo porte que dispute os territórios com eles. 
O governo colombiano estava estudando liberar o abate, para diminuir o 
número de indivíduos, que está em torno da centena, entretanto, em 
2021, uma decisão judicial os considerou sujeitos de direitos, que não 
podem ser mortos. Ficou decidido, então, que serão utilizados dardos 
anticoncepcionais. 
 
Um caso mais paradigmático aconteceu em países vizinhos: Bolívia e 
Equador. Com a ascensão ao poder de presidentes ligados a 
movimentos indígenas em ambos os países, foi decidido que a 
constituição dessas nações deveria ser reescrita, para, entre outras 
 
 
 
 
 
 
questões, incluir a variedade dos povos da região. Foi o início do 
chamado novo constitucionalismo latino-americano. 
 
 
Ambos os países viraram plurinacionais, mas as intervenções judiciárias 
não pararam aí. Tanto Bolívia quanto Equador incluíram em suas 
legislações as filosofias da Mãe Terra — Pachamama — e do bom viver, 
relacionadas com diversos grupos étnico-sociais que habitam aquelas 
áreas muito antes de o primeiro espanhol pisar em terras americanas. 
 
Na Bolívia, apesar de não aparecer na Carta Magna, foi criada uma lei 
específica para reconhecer o caráterjurídico da Mãe Terra como sujeito 
coletivo de interesse público. Identifica a interculturalidade como princípio 
para o exercício dos seus direitos, reafirmando a necessidade de diálogo e 
harmonia com a natureza. Um dos artigos da lei afirma que os bolivianos e as 
bolivianas são parte da Mãe Terra, não sujeitos que centralizam e se utilizam 
de todos os demais seres. Também foi criada uma defensoria pública para os 
interesses da Mãe Terra, que tem como fim zelar pelo cumprimento dos 
direitos de Pachamama. 
 
O Equador foi além: colocou o direito de Pachamama e do bom viver dentro 
da própria constituição. Seu artigo 10 fala que a natureza terá seus direitos 
reconhecidos, como as pessoas, as comunidades, os povos, as 
nacionalidades, os coletivos. Outros artigos tratam do bom viver e garantem o 
direito humano à água e a alimentos saudáveis e nutritivos. Também é 
proibida a produção, comercialização ou importação de produtos 
geneticamente modificados por serem tanto prejudiciais à saúde humana 
como por atentar contra a soberania alimentar e os ecossistemas. 
 
 
No capítulo sobre Pachamama, o texto constitucional garante o direito da natureza 
de se reproduzir, de realizar a vida e de regenerar seus ciclos vitais. Qualquer 
pessoa poderá exigir o cumprimento desses direitos junto a autoridades públicas. 
Há ainda medidas de precaução contra a extinção de espécies, a destruição de 
ecossistemas e a alteração permanente de ciclos naturais. A constituição do 
 
 
 
 
 
 
Equador é, até o ano de 2021, a única do mundo a reconhecer todos esses direitos 
à natureza. 
 
Esse tipo de procedimento mostra uma tentativa de retirar a 
posição central do humano ao longo da história e garantir a outros 
entes, que são ou deveriam ser igualmente sujeitos de direito. 
 
Claro que, em muitos casos, certos direitos e morais entram em conflito, por 
não se saber qual é o mais importante ou quem precisa ser mais respeitado. 
O caso dos procedimentos religiosos afro-brasileiros que se utilizam de 
animais em sacrifícios entra em conflito direto com a defesa dos direitos dos 
bichos. Nesses casos, quem tem a prioridade: a liberdade religiosa ou a vida 
dos existentes? Qual deve prevalecer? 
 
Vivemos cada vez mais um conflito de mundos, de diferentes metafísicas, 
éticas e mesmo direitos. 
 
Devemos aprender, ou reaprender, a viver em comunidade, para que cada 
um — homem, outros animais, robôs, ciborgues, minerais, montanhas, 
florestas, a Terra, enfim — tenha seu espaço e seja respeitado em suas 
diferenças. 
 
Direitos da terra e a humanidade 
 
Veja agora os argumentos necessários para que você possa se 
posicionar face às questões éticas acerca da relação entre os direitos 
humanos e os direitos da Terra. Confira! 
 
 
 
 
Considerações finais 
Percebemos como a discussão sobre ética, moral e valores forçou a criação 
de um arcabouço legal que pretendeu proteger os homens de serem 
explorados ou vilipendiados por outros homens. Mesmo que os direitos 
 
 
 
 
 
 
humanos até hoje não sejam uma realidade para todas as pessoas, eles são, 
ao menos, um parâmetro de comparação. Para que todas as pessoas saibam 
o que elas podem reivindicar, como se proteger e aquilo que é o mínimo de 
dignidade. 
Os direitos humanos também serviram para que outros grupos não humanos 
também pudessem exigir, por representação, um tratamento de igualdade. Os 
direitos de animais não humanos e mesmo da própria Terra se tornam 
essenciais num mundo em que o homem, por estar sempre no centro das 
decisões, parece só se importar consigo. 
 
A ética também aparece em outras questões bem atuais, como os limites da 
liberdade de expressão e a criação de inteligências artificiais — dois temas 
que, junto com o Antropoceno, são talvez os mais urgentes dos dias de hoje. 
Isso só mostra como, mesmo sendo uma das disciplinas mais antigas da 
filosofia, a ética ainda não perdeu qualquer importância, nem parece que 
perderá. 
 
Neste vídeo, vamos aprofundar os principais conceitos de nosso conteúdo. 
 
 
 
Tema 3 - Ética Jurídica: a Advocacia 
 
 
 
Propósito 
Conhecer acerca do surgimento e do desenvolvimento da advocacia, além de 
saber como divulgar a atividade advocatícia, é essencial para a construção de 
uma carreira sólida e de sucesso. 
 
 
Preparação 
 
Tenha em mãos a Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB), o 
Regulamento Geral do EAOAB e o Código de Ética e Disciplina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Objetivos 
● Reconhecer a origem e evolução da atividade de advogado, assim 
como sua divulgação. 
● Distinguir a figura do advogado sócio do advogado empregado. 
● Analisar os direitos, prerrogativas e honorários advocatícios. 
 
 
 
Introdução 
Conhecer as bases, os princípios e as regras éticas da nossa profissão 
é essencial para um futuro promissor. 
 
A deontologia jurídica ensina que de nada adianta o advogado saber 
muito sobre determinado ramo do Direito, mas não utilizar seus 
conhecimentos de forma ética. 
 
Por conseguinte, um advogado que infringe as normas éticas pode 
colocar a história de sua carreira em risco. 
 
 
Origem, evolução e divulgação da atividade de advogado. 
 
Origem e evolução da advocacia 
Você conhece a origem da advocacia? E quanto à sua evolução? Vamos 
acompanhar o professor Paulo Machado discorrer sobre o assunto. 
 
 
Origem e evolução da advocacia 
 
Não temos como precisar quem foi o primeiro advogado do mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
Rui Barbosa dizia que o primeiro foi aquele que defendeu alguém de 
uma injustiça, de uma lesão ou de uma ameaça. 
 
Alguns historiadores tentam se ater a alguns pontos, até mesmo da Bíblia, 
para achar algum registro de quando a advocacia se tornou profissão. Isso se 
dá porque antigamente essa profissão estava entre atividades não 
especulativas, assim como médicos, professores e amas de leite. 
 
No entanto, existe um registro de quem foi o primeiro advogado no 
Brasil. Trata-se de Duarte Perez, um português degredado em 1502. 
 
Em linhas gerais, podemos organizar o surgimento e a evolução da advocacia 
em três momentos (sem nos prender a lugar e tempo). 
 
 
Primeiro momento 
Foi caracterizado pelo uso intenso da oratória, pois nessa época ainda 
não havia escrita. Esse momento se iniciou com as partes atuando em 
defesa própria, surgindo depois a possibilidade de levar um amigo 
(amicus) ao “tribunal”. 
Mais tarde, os amigos que mais se destacavam pelo dom da palavra 
evoluíram para a figura de orador, etapa em que passaram a ser 
contratados para representar alguém. Daí a expressão advogado, do 
latim AD (para junto) mais VOCATUS (chamado), aquele que é 
chamado para junto. 
Com isso, o uso intenso da palavra deu azo para o surgimento das 
falácias (falsas ideias, quando a premissa aparentemente verdadeira 
era utilizada para se chegar a conclusões equivocadas). Diante disso, 
algumas restrições passaram a ser criadas: limite do uso do tempo, 
menores de idade não puderam mais representar outras pessoas e o 
orador tinha de abandonar a causa, se ela fosse injusta. 
Segundo momento 
 
 
 
 
 
 
Tão logo a escrita foi sendo criada, iniciou-se o segundo momento da 
evolução da advocacia. Há registos de que, no Egito, o processo 
passou a ser 100% escrito (por muito tempo). Tudo isso com o objetivo 
de se evitar o abuso da oratória. 
 
 
Terceiro momento 
O terceiro momento da evolução da advocacia ocorreu com a criação 
das leis. Aqui então junta-se a figura do orador com a do jurisconsulto, 
que é a versão mais próxima dos advogados dos tempos atuais. 
 
 
Você deve estar se perguntando como isso se deu no Brasil, certo? 
 
Curiosidade 
No Brasil, os principais acontecimentos do surgimento da advocacia 
foram em 1825, mais precisamente no dia 11 de agosto, quando foi 
autorizada a criação da primeira faculdade de Direito do país, que 
acabou não acontecendo. 
 
 
Entretanto, aproveitando o ensejo, Visconde de Cachoeira criou o primeiro estatuto 
das faculdades de Direito. 
 
Em 1827, de fato, foram criadas as primeiras faculdades de Direito dopaís, 
mais precisamente em Olinda e São Paulo. 
 
 
 
 
Divulgação e publicidade da advocacia 
 
 
 
 
 
 
 
A questão da publicidade dos serviços advocatícios está abordada nos arts. 
39 a 47 do Novo Código de Ética e Disciplina, que manteve a permissão da 
publicidade, mas com algumas restrições. 
 
 
 
Saiba Mais 
Diferentemente de outros lugares (como, por exemplo, nos EUA, onde a 
publicidade pode ser feita com mais liberdade), no Brasil não se admite o uso 
de mecanismos ou de expressões que possam captar clientes nem a 
divulgação da advocacia com outra atividade. Vedam-se ainda a veiculação 
pelo rádio e pela televisão e a denominação de nome fantasia. 
 
 
A fim de alcançar todos os detalhes acerca desse relevante tema, veremos a 
seguir as regras básicas a respeito dele trazidas no Código de Ética e 
Disciplina (CED). 
 
 
Regramento da divulgação e publicidade na advocacia 
 
O art. 39 do CED determina que a publicidade profissional do advogado tem caráter 
meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não podendo 
configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão. 
 
Já o art. 40 do mesmo diploma traz as principais diretrizes acerca do tema ao 
dizer que são vedados: 
 
 
I - a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão; II - o uso de 
outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade; [...] III - as 
inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; 
IV - a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades 
ou a indicação de vínculos entre uns e outras; V - o fornecimento de dados de 
contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, 
 
 
 
 
 
 
acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual 
participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias 
pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; VI - a utilização de mala direta, 
a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de 
captação de clientela. 
 
(BRASIL, 2022, art. 39) 
 
Entretanto, exclusivamente para fins de identificação dos escritórios de advocacia, é 
permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, 
desde que respeitadas as diretrizes previstas no artigo 39. 
 
Atenção 
Outro ponto importante é o que está determinado no art. 41: as colunas que o 
advogado mantiver nos meios de comunicação social ou os textos que, por meio 
deles, divulgar não deverão induzir o leitor a litigar nem promover, dessa forma, a 
captação de clientela. 
 
 
Ainda podemos citar como vedações ao advogado aquelas elencadas no art. 42 do 
CED: 
 
I. responder com habitualidade à consulta sobre matéria jurídica nos meios de 
comunicação social; 
II. debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro 
advogado; 
III. abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição 
que o congrega; 
IV. divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas; 
V. insinuar-se para reportagens e declarações públicas. 
 
 
 
Além disso, podemos destacar outras regras: 
Programa de televisão 
O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de 
entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer 
outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente 
 
 
 
 
 
 
ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou 
profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus 
colegas de profissão. 
 
 
Manifestação pública 
Quando convidado para manifestação pública por qualquer modo e forma, visando 
ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral, deve o advogado evitar 
insinuações com o sentido de promoção pessoal ou profissional, bem como o 
debate de caráter sensacionalista (art. 43, parágrafo único, do CED). 
 
 
Publicidade profissional 
Na publicidade profissional que o advogado vier a promover ou nos cartões e 
material de escritório dos quais se utilizar, ele fará constar seu nome, o nome social 
ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB 
(art. 44 do CED). 
 
 
Títulos acadêmicos 
Poderão ser referidos apenas os títulos acadêmicos do advogado e as distinções 
honoríficas relacionadas à vida profissional, bem como as instituições jurídicas das 
quais faça parte e as especialidades às quais se dedica, o endereço, e-mail, site, 
página eletrônica, QR code, logotipo e a fotografia do escritório, o horário de 
atendimento e os idiomas em que o cliente poderá ser atendido. 
 
 
Cartões de visitas 
Nos cartões de visitas do advogado, é proibida a inclusão de fotografias pessoais ou 
de terceiros, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, 
atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, salvo o de professor 
universitário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ressalte-se que o art. 45 do CED admite, como formas de publicidade, o patrocínio 
de eventos ou publicações de caráter científico ou cultural, assim como a divulgação 
de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos 
advogados, desde que sua circulação fique adstrita a clientes e a interessados do 
meio jurídico. 
É importante lembrar ainda que a publicidade veiculada pela internet ou por outros 
meios eletrônicos deverá observar as diretrizes estabelecidas no CED/OAB. A 
telefonia e a internet podem ser utilizadas como veículo de publicidade, inclusive 
para o envio de mensagens a destinatários certos, desde que isso não implique o 
oferecimento de serviços ou represente forma de captação de clientela. 
Em 2021, o Conselho Federal editou o novo provimento que trata da publicidade da 
advocacia (Provimento 205/2021). 
 
 
2 Advogado sócio e advogado empregado. 
 
 
 
Formação de sociedade 
 
Advogado sócio e advogado empregado 
 
Neste vídeo, o professor Paulo Machado discorre sobre a atuação do advogado 
como sócio e como empregado, trazendo suas principais características. 
 
 
Advogado sócio 
 
Quando um advogado começa a assumir uma quantidade considerável de causas, 
chega o momento de se unir a outro(s) advogado(s), constituindo, juntos, uma 
sociedade de advogados. Os sócios dividem as tarefas e rateiam os lucros 
auferidos. 
 
Nos termos do art. 15, §2º, da Lei nº 8.906/1994, isso se aplica à sociedade de 
advogados e à sociedade unipessoal de advocacia o Código de Ética e Disciplina, 
no que couber. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Advogado empregado 
 
O advogado empregado é aquele que mantém um vínculo empregatício com uma 
empresa ou uma sociedade de advogados para a qual presta os seus serviços de 
advocacia. 
 
 
Ele preenche todos estes requisitos caracterizadores do mencionado vínculo: 
 
● Habitualidade 
● Onerosidade 
● Pessoalidade 
● Subordinação 
 
Pela primeira vez, essa forma de advocacia recebeu sua tutela legal com o advento 
do atual Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94) nos arts. 18 ao 21. O 
Regulamento Geral também tratou do assunto nos arts. 11 ao 14. 
 
 
A relação de emprego não retira do advogado a isenção técnica, tampouco reduz a 
independência profissional inerente à advocacia. 
 
 
O advogado empregado não está obrigado a prestar serviços profissionais de 
interesse pessoal dos empregadores fora da relação empregatícia. 
 
 
Vejamos alguns aspectos importantes relacionados a essa espécie de advogado: 
Piso salarial 
O salário-mínimo do advogado empregado será fixado por sentença normativa, 
salvo quando ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho. 
 
Jornada de trabalho e hora extra 
 
 
 
 
 
 
A jornada de trabalho do advogado empregado, quando prestar serviço para 
empresas, não poderá exceder a duração diária de 8 (oito) horas contínuas e a de 
40 (quarenta) horas semanais. 
As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remuneradas com um 
adicional não inferiora 100 % (cem por cento) sobre o valor da hora normal, mesmo 
havendo contrato escrito. Naqueles casos de dedicação exclusiva, serão 
remuneradas como extras as horas trabalhadas que passarem da jornada de 8 
(oito) horas diárias. Considera-se como período de trabalho todo o tempo em que o 
advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, 
no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsados os gastos 
efetuados com transporte, hospedagem e alimentação. 
 
Os honorários de sucumbência e o advogado empregado 
O art. 21 do estatuto e seu parágrafo único determinam que, nas causas em que o 
empregador (ou pessoa por ele representada) for parte, os honorários de 
sucumbência serão devidos aos advogados empregados. 
 
Já se o advogado for empregado de sociedade de advogados, os sucumbenciais 
serão partilhados entre ele e a sociedade conforme o estabelecido em acordo. 
Esses dispositivos, embora tenha sido objetos de Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (ADI nº 1.194-4), foram declarados constitucionais pelo STF, 
que deu interpretação conforme, sem redução do texto. 
 
Os referidos honorários, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia e 
só acidentalmente da relação empregatícia, não integram o salário ou a 
remuneração do advogado empregado, não podendo, assim, ser considerados para 
efeitos trabalhistas. 
Os honorários sucumbenciais desses advogados constituem fundo comum, cuja 
destinação é decidida pelos profissionais integrantes do serviço jurídico da empresa 
ou por seus representantes. 
 
 
Responsabilidade civil do advogado 
 
Jornada de trabalho e hora extra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 Direitos e prerrogativas. Honorários advocatícios. 
 
 
 
Advocacia e seus direitos 
 
Direitos do advogado 
 
O estatuto trata indistintamente as expressões “direitos” e “prerrogativas” do 
advogado. Desse modo, inicialmente nos cabe fazer um breve esclarecimento sobre 
a diferença técnica entre ambas. 
 
 
Direito 
Podemos dizer que o “direito” está relacionado a todas as 
pessoas. 
 
 
VERSUS 
 
Prerrogativa 
Já a “prerrogativa” é um direito exclusivo de determinada 
profissão para o seu pleno exercício. 
 
 
Desse modo, todos têm o direito à livre locomoção no território nacional em tempo 
de paz (art. 5º, XV, Constituição Federal), mas os advogados têm a prerrogativa 
visitar clientes presos, sem procuração, como determina o art. 7º, III, da Lei nº 
8.906/1994. 
 
 
 
 
 
Comentário 
 
 
 
 
 
 
Entretanto, por questões didáticas, também empregaremos as expressões “direitos” 
e “prerrogativas” sem distinção, como se fossem sinônimos. 
 
 
 
Atenção 
O Estatuto da Advocacia e da OAB disciplina os direitos dos advogados ao longo de 
toda a lei, sendo que as concentra em maior número no Capítulo II do Título I (arts. 
6º e 7º). 
 
 
 
Sendo a advocacia indispensável à realização da justiça – ao lado da magistratura 
do Ministério Público –, o art. 6º logo determina que não há hierarquia nem 
subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, 
devendo todos tratarem-se com consideração e respeito recíprocos. Para que o 
advogado possa exercer de maneira plena e sem embaraços a sua atividade, 
impõe-se às autoridades, aos servidores públicos e aos serventuários da justiça o 
dever de tratar os advogados, no exercício da profissão, de forma compatível com a 
dignidade da advocacia, inclusive com condições adequadas ao seu desempenho. 
 
 
Conforme o disposto no art. 7º do estatuto, são direitos do advogado: 
 
 
 
I – exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional. 
 
 
O advogado devidamente inscrito em um determinado conselho seccional da OAB 
pode exercer a profissão em todo o país. É importante apenas lembrar que tal 
prerrogativa permite que o profissional advogue ilimitadamente no respectivo 
conselho e eventualmente em qualquer outro estado. 
 
 
 
Se passar a exercer habitualmente a profissão, considerando-se habitualidade a 
intervenção judicial que exceder as cinco causas por ano, em outro estado, ele 
deverá providenciar outra inscrição (inscrição suplementar - art. 10, § 2º, do 
 
 
 
 
 
 
EAOAB). Desse modo, é garantido o direito de advogar livremente dentro do 
território nacional, sendo que, em alguns casos, essa atuação é condicionada à 
realização de outra inscrição. 
 
 
 
II – a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus 
instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, 
telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia. 
 
 
Esta é a nova redação dada a tal inciso pela Lei nº 11.767/2008. Essa lei também 
acrescentou os parágrafos 6º e 7º ao art. 7º do Estatuto da Advocacia, o qual, em 
linhas gerais, melhor tratou do tema da inviolabilidade referida nesse inciso. 
 
 
 
A inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como 
de seus instrumentos de trabalho, não é absoluta. 
 
 
 
Uma vez presentes os indícios de autoria e materialidade da prática de crime pelo 
advogado, a autoridade judiciária competente poderá, em decisão motivada, 
decretar a quebra da inviolabilidade de que trata esse inciso, expedindo, para tanto, 
o devido mandado de busca e apreensão, específico e pormenorizado, a ser 
cumprido na presença de representante da OAB. 
 
É de salientar que, em qualquer hipótese ‒ mesmo nesses casos ‒, é proibida a 
utilização dos documentos, das mídias e dos objetos que pertencem aos clientes do 
advogado averiguado, muito menos dos demais instrumentos de trabalho que 
tenham informações acerca de clientes, a não ser que algum cliente do advogado 
averiguado seja formalmente investigado como partícipe ou coautor pela prática do 
mesmo crime que deu origem à quebra da inviolabilidade. 
 
 
III – comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem 
procuração, quando eles se acharem presos, detidos ou recolhidos em 
estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Constituição Federal garante a todo preso a assistência de advogado (art. 5º, 
LXIII). Ao encontro da Lei Maior, o Estatuto da Advocacia e da OAB confere ao 
advogado esse direito. 
 
Apenas por questão de debate, ainda que de forma bem sucinta, no que tange à 
incomunicabilidade do preso (tratada no art. 21 do Código de Processo Penal), 
acompanhamos o entendimento de renomados autores, entre eles, Fernando da 
Costa Tourinho Filho (2012): na atualidade, pelo fato de a Constituição Federal 
determinar que é vedada a incomunicabilidade do preso na vigência do estado de 
defesa, com mais razão tal incomunicabilidade não deve existir na ausência dele. 
 
Reforçando esse entendimento, o ilustre professor (2012) afirma que, “se por acaso, 
houver entendimento contrário, não se deve olvidar que a incomunicabilidade é 
medida perversa e que, no fundo, o seu objetivo, que é impedir a comunicação do 
preso com o mundo exterior, se reduz a uma nonada, em face do direito conferido 
ao advogado de se comunicar com o incomunicável pessoal e reservadamente”. De 
qualquer forma, a incomunicabilidade não alcança o advogado. 
 
 
IV – ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por 
motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura do auto respectivo, 
sob pena de nulidade, e, nos demais casos, a comunicação expressa à 
seccional da OAB. 
 
Este inciso foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8), 
proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em relação à 
expressão “ter a presença de representante da OAB”, que chegou a ficar suspensa 
desde 1994. Contudo, o STF, no julgamento do mérito, ocorrido em 17 de maio de 
2006, decidiu pela integral constitucionalidade do inciso. 
 
 
Ressalte-se que os ministros do pretório excelso destacaram que, se a OAB não 
remeter um representante em tempo hábil, não haverá de se falar em invalidade da 
prisão em flagrante. 
 
 
Em complementação, o parágrafo 3º do art. 7º do estatutogarante ao advogado o 
direito de somente ser preso em flagrante em caso de crime inafiançável, desde que 
 
 
 
 
 
 
por motivo ligado ao exercício da profissão e, mesmo assim, com as observações 
indicadas no inciso IV. 
 
 
Ainda sobre o assunto: 
 
Imunidade profissional do advogado 
 
A imunidade profissional do advogado é tratada no artigo 7º, parágrafo 2º, do 
Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994): 
 
 
“O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, 
difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no 
exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções 
disciplinares perante a OAB pelos excessos que cometer”. 
 
artigo 7º, parágrafo 2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 
8.906/1994): 
 
 
Saiba Mais 
Acontece que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) propôs uma Ação 
Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8) na qual o Supremo Tribunal 
Federal, em 1994, suspendeu liminarmente a eficácia da expressão “desacato”, 
tendo o mérito sido julgado em 17 de maio de 2006 e, nessa parte, julgado 
procedente, ou seja, o advogado não tem mais imunidade profissional em relação 
ao crime de desacato. 
 
 
V – não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julgado, senão 
em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim 
reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar. 
 
Mais uma vez, a AMB insurgiu-se, por meio de ADI, contra a Lei nº 8.906/1994. 
Nesse caso, foi em relação à expressão “assim reconhecidas pela OAB”. O STF, 
confirmando a liminar antes concedida, julgou, nessa parte, procedente a ação, ou 
seja, declarou a inconstitucionalidade da expressão “assim reconhecidas pela OAB”. 
 
 
 
 
 
 
 
A prerrogativa de prisão domiciliar, na ausência de sala de Estado Maior, continua 
valendo. Esse é o entendimento do Supremo Tribunal Federal. 
 
VI – ingressar livremente: 
 
Com essas prerrogativas, o estatuto garante ao advogado o pleno exercício de sua 
atuação a fim de que ele possa representar os interesses de seus clientes de 
maneira eficaz. Qualquer impedimento a essas garantias deve ser entendido como 
ilegal e, nos casos de violações às alíneas a, b e c, como crime de abuso de 
autoridade, previsto no art. 3º, f, da Lei nº 4.898/1995. 
 
Na alínea d, encontramos um direito que, para ser exercido, exige procuração com 
poderes especiais. 
 
 
VII – permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados 
no inciso anterior, independentemente de licença. 
 
Conforme o art. 6º do estatuto, não há hierarquia nem subordinação entre 
advogados, magistrados e membros do Ministério Público. Nesse mesmo sentido, 
esse inciso assegura ao advogado decidir a melhor maneira de ficar nos locais onde 
precisa estar para o exercício da advocacia, sem qualquer interferência por parte 
dos agentes públicos (nem mesmo das autoridades policiais e judiciárias). 
 
Importa em desprestígio para a classe - e nenhum advogado pode a isso 
condescender - quando o magistrado determina o local onde o advogado deve ficar 
com a clara intenção de menoscabo ou em atitude arbitrária. 
 
 
VIII – dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, 
independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, 
observando-se a ordem de chegada. 
 
 
Justamente em razão de não haver hierarquia nem subordinação entre advogados e 
magistrados, e pelo fato de ser o advogado um dos figurantes essenciais à justiça, é 
assegurado o seu livre acesso aos magistrados. 
 
 
 
 
 
 
 
Entretanto, é razoável que, em razão de um ato processual estar sendo realizado, a 
autoridade judiciária solicite ao advogado que aguarde o término do aludido ato. O 
que não se admite é a restrição para atendê-lo somente em alguns dias da semana 
e em horários previamente estipulados. 
 
 
Comentário 
Para fins de prova (Exame de Ordem), é direito do advogado - e não do estagiário. 
 
 
 
IX – sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas 
sessões de julgamento, após o voto do relator, em instância judicial ou 
administrativa, pelo prazo de 15 minutos, salvo se prazo maior for concedido. 
 
 
 
O STF declarou inconstitucional todo o conteúdo desse inciso por ocasião do 
julgamento da ADI nº 1.127-8 proposta pela Associação dos Magistrados 
Brasileiros. 
 
Quis o legislador garantir ao advogado o direito de sustentar oralmente as razões 
recursais “após o voto do relator”, o que contribuiria muito para a realização da 
justiça, uma vez que, após ouvir o voto do relator, o advogado melhoraria sua 
argumentação para o melhor esclarecimento das razões para os demais julgadores 
do órgão colegiado. 
 
 
 
Com a declaração de inconstitucionalidade, o advogado deve prever o voto do 
relator e preparar uma sustentação oral a mais completa e sintetizada possível. 
 
 
 
Observe que, no Novo Código de Ética e Disciplina (art. 60, §4º), ainda 
consta que, no processo disciplinar na OAB, a sustentação oral do 
advogado será após o voto do relator! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X – usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante 
intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a 
fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para 
replicar acusação ou censura que lhe forem feitas. 
 
 
 
Aqui temos uma importantíssima prerrogativa garantida pelo estatuto aos 
advogados. Trata-se da utilização da expressão “pela ordem” quando se verificar a 
necessidade de esclarecer algum equívoco ou uma dúvida relevante que possa 
influir no julgamento, ou ainda como forma de defesa contra acusações ou censura 
que lhe forem feitas. 
 
 
 
XI – reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou 
autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou 
regimento. 
 
 
Este inciso traz mais uma forma de o advogado reclamar para as autoridades contra 
a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. A diferença entre o 
inciso anterior e este é que, no primeiro, a intervenção deve ser sumária, de modo a 
evitar um prejuízo maior, enquanto, no último, pode-se esperar um momento mais 
oportuno para intervir. 
 
 
 
XII – falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação 
coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo. 
 
 
O advogado tem o direito de se manifestar oralmente, sentado ou em pé, em 
qualquer órgão do Poder Judiciário, do Legislativo ou da Administração Pública, não 
podendo nenhum ato normativo interno estabelecer forma diversa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da 
Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, 
mesmo sem procuração, quando não estiverem sujeitos a sigilo ou segredo de 
justiça, assegurada a obtenção de cópias, com possibilidade de tomar 
apontamentos (Redação dada pela Lei nº 13.793, de 2019). 
 
 
O direito ao exame dos autos e o de vista dos autos não se confundem: 
 
 
 
 
 
Direito ao exame dos autos 
Tal direito nada mais é do que a simples consulta dos autos no cartório. 
 
VERSUS 
 
Direito de vista 
É a retirada dos autos pelo advogado mediante registro em livro de carga ou 
em documento que declare a saída dos autos. 
 
 
 
 
Por vezes, o exame dos autos é necessário para suprir uma dúvida urgente ou até 
mesmo para que o advogado decida se irá ou não ingressar na causa. 
 
 
 
Assim, o estatuto assegura ao advogado examiná-los em qualquer 
órgão do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e da Administração 
Pública em geral, findos ou em andamento, mesmo sem procuração, 
desde que não estejam submetidos a sigilo, sendo assegurada a 
obtenção de cópia, além de ele poder tomar apontamentos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em relação ao direito de obtenção de cópia mesmo sem procuração explicitado 
nesse inciso, explica Geronimo Theml de Macedo (2009, p. 81): “aqui é fundamental 
ter em mente que o direito nãoConvencionados 
	Arbitrados judicialmente 
	Sucumbenciais 
	Pacto quota litis 
	Formas judiciais de cobrança 
	Atenção 
	Prescrição (art. 25, EAOAB) 
	Saiba Mais 
	Considerações finais 
	Tema 4 - A Ordem Dos Advogados do Brasil 
	Itens iniciais 
	Finalidades e natureza da OAB 
	Finalidades institucionais 
	Finalidades corporativas 
	Origem e natureza jurídica da OAB 
	Atenção 
	Saiba Mais 
	1.​Finalidades da OAB 
	Personalidade jurídica 
	O Instituto dos Advogados Brasileiros 
	Exemplo 
	Vem que eu te explico! 
	2 Estrutura organizacional da OAB 
	Saiba Mais 
	Regras gerais para as eleições e mandatos na OAB​ 
	Frequência 
	Obrigatoriedade 
	Local 
	Vem que eu te explico! 
	3 Competências dos órgãos da OAB 
	Conselho Federal 
	Votação no Conselho Federal 
	Exemplo 
	Competências do Conselho Federal da OAB 
	Saiba Mais 
	Conselhos seccionais 
	Exemplo 
	Subseções 
	Atenção 
	Diretoria da subseção 
	Caixa de Assistência dos Advogados 
	Dispensa da anuidade 
	Convênios de colaboração 
	Incorporação do patrimônio 
	Vem que eu te explico! 
	Considerações finais 
	Tema 5 - Inscrição e Registro na Oab 
	Itens iniciais 
	1 - Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento 
	Quadros da OAB 
	Requisitos para inscrição como advogado 
	Comentário 
	Saiba Mais 
	Requisitos para inscrição como estagiário 
	1.​Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento 
	Inscrição 
	Exemplo 
	Afastamento e saída do quadro da OAB 
	Licença 
	Assim o requerer por motivo justificado 
	Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário 
	Sofrer doença mental considerada curável 
	Cancelamento 
	Assim o requerer 
	Sofrer penalidade de exclusão 
	Falecer 
	Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter definitivo 
	Perder qualquer um dos requisitos necessários para a inscrição 
	Impossibilidades de atuação 
	Incompatibilidade e impedimento 
	Direito Civil 
	Direito Processual Civil e Direito Processual Penal 
	Resumindo 
	Casos de incompatibilidade​ 
	I 
	Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais 
	II 
	Membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indireta 
	III 
	Ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público 
	IV 
	Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro 
	V 
	Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de qualquer natureza 
	VI 
	Militares de qualquer natureza, na ativa 
	VII 
	Ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições parafiscais 
	VIII 
	Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive privadas 
	Afastamento temporário da atividade incompatível 
	Afastamento definitivo da atividade incompatível ‒ desincompatibilização 
	Casos de impedimento 
	Exemplo 
	Exceção para advogados que sejam docentes de cursos jurídicos 
	Comentário 
	II – Membros do Poder Legislativo 
	Impedimentos especiais (ou impedimentos sui generis) 
	Atenção 
	Vem que eu te explico! 
	2.​Registro das sociedades de advogado 
	Sociedade de advogados 
	Exemplo 
	Saiba Mais 
	Outros aspectos 
	Exemplo 
	Vem que eu te explico! 
	Considerações finais 
	Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994

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