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Tal declaração, porém, não acabou com as controvérsias e contradições. Segundo o historiador e jurista norte-americano Samuel Moyn, que defende essa onda atual de direitos humanos como uma espécie de última utopia humana e aponta a década de 1970 como o momento em que a Europa buscou uma identidade fora dos termos da Guerra Fria, que separava o mundo entre países alinhados aos EUA capitalistas ou à URSS comunista. Além disso, depois da desastrosa saída do Vietnã, em 1975, a política externa dos EUA mudou para padrões mais liberais, a fim de manter relações mais igualitárias com outras nações. E, principalmente, foi a década em que a aventura colonialista dos países europeus na África se dissolveu, ocasionando a libertação de diversos povos que até hoje pagam a conta dessa longa dominação. Isso, claro, sem contar o rescaldo dos grandes movimentos populares do fim da década de 1960, que sacudiram os paralelepípedos das ruas de várias cidades do Norte Global, de Paris a Berkeley (EUA), passando por Praga, capital da então república socialista tchecoslovaca. Após tais protestos e modificações do tabuleiro mundial, não dava mais para se crer capitalista ou comunista de forma inocente. Com a eleição de Margareth Thatcher no Reino Unido, em 1979, e de Ronald Reagan nos EUA, em 1981, os direitos humanos se transformaram em uma moeda imperialista. Exemplo Usando como desculpa o combate às ditaduras comunistas e o perigo do chamado avanço “vermelho”, EUA e Reino Unido intervinham diretamente na política interna e externa de países periféricos. Contraditoriamente, não se importavam com as violações dos mesmos direitos nesses mesmos países periféricos, que seguiam suas cartilhas subservientes e, na maioria dos casos, aderiam às suas políticas econômicas neoliberais. Era o caso das ditaduras sul-americanas do período, tais quais as implantadas no Brasil, na Argentina e no Chile. Essa política de direitos humanos também não aconteceu de forma igual nem ao mesmo tempo em todos os países da Europa do oeste — basta lembrar que, paralelamente a esse período, toda a Península Ibérica continuava sob o domínio de ditaduras nacionalistas até metade da década de 1970: Portugal se liberta do salazarismo, iniciado em 1933, somente com a Revolução dos Cravos, em 1974. Já a Espanha se livraria do franquismo — imposto desde o fim da Guerra Civil Espanhola, em 1938 — apenas com a morte do “generalíssimo” Francisco Franco, em 1975. Mas, afinal, como definir o que são os direitos humanos? Para começarmos a entender esse assunto, é possível citar alguns procedimentos dentro do escopo dos direitos humanos: o direito à liberdade de culto e religião; o direito a um julgamento justo, quando se é acusado de algum crime; o direito a não ser torturado; e o direito à educação. É nesse sentido que, atualmente, os direitos humanos: Plurais e têm como fim acabar com a escravização no mundo Destacam que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, com o fim de acabar com a escravização no mundo e prevenir genocídios, através de direitos e liberdades fundamentais. Universais e inerentes a todos os seres humanos Promovem o respeito e a observância aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano, como um ideal comum a ser atingido por todas as nações, independentemente das práticas, morais e leis específicas de seus países. Prioridades e sua violação é uma grave afronta à Justiça Esclarecem que o pleno reconhecimento e respeito aos direitos e liberdades fundamentais, para que toda e qualquer pessoa tenha direito a uma vida digna, é um requisito inerente à moral, à ordem pública e ao bem-estar de toda e qualquer nação democrática. Equiparados a estabilidade e a segurança nacional Enfatizam que o direito a uma renda justa e satisfatória, que assegure uma existência digna, está diretamente relacionado com a estabilidade, a segurança nacional, a autonomia individual e dos povos, bem como a prosperidade nacional e global. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, já em 1948, nos fornece um bom parâmetro para tentar entender o que são, afinal, os direitos humanos: são uma tentativa de criar uma moral — uma ética — compartilhada por “todos os membros da família humana”, como escreve a declaração das Nações Unidas publicada em 1948. Tais direitos são aquilo no qual todos deveríamos nos basear, por serem as condições fundamentais para uma vida digna de toda e qualquer pessoa, sem importar quem ela é ou o que ela faz. Quando os humanos têm direitos Neste vídeo, você aprofundará o termo direitos humanos em suas nuances. Fundamentação histórica dos direitos humanos Direitos humanos e iluminismo Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. (Art. 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos) Livres, iguais e com espírito fraterno. Desde o seu primeiro artigo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos não esconde sua principal influência: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Redigida logo no início da Revolução Francesa, em 1789, o icônico documento — cujo lema principal era “liberdade, igualdade e fraternidade” — não apenas ignorava o rei, como toda nobreza e a Igreja, atribuindo a soberania do país ou nação ao seu povo. Destacando que “os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem” são a base de qualquer governo. O caráter universal dos direitos humanos também já aparecia na declaração de 1789, que se refere, ao longo de seu texto e de diversas formas, aos homens, sem fazer distinção da sua nacionalidade, com apenas uma menção ao povo francês. Seu artigo 1º, que ecoa no documento da ONU, quase dois séculos depois, já assegurava que “os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”. Era tanta liberdade, igualdade e propunha tanta fraternidade que teóricos e políticos anglófilos como Richard Price e Edmund Burke, que tinham apoiado a independência norte-americana, em 1776, foram contrários à Revolução Francesa, com medo de que ela acabasse provocando o caos. Foi contra ela que Burke escreveu Reflexões sobre a Revolução na França, e criou as bases para o conservadorismo moderno, que até aceita transformações, mas acredita que as revoltas são movimentos extremos demais. Aliás, a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América é outro documento que historiadores, como a estadunidense Lynn Hunt, defendem como seminais no tema dos direitos humanos. A segunda linha do texto de 1776 já afirma: "Consideramos estas verdades autoevidentes: que todos os homens são criados iguais, dotados pelo seu Criador de certos Direitos inalienáveis, que entre estes estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade". Mesmo que haja uma menção ao Criador, o Seu trabalho termina ali. O governo era dos homens e para os homens. Todos os homens. Há uma conexão estreita entre as duas famosas declarações do século XVIII: Thomas Jefferson, o autor da declaração americana, estava em Paris 13 anos depois, meses antes da queda da prisão da Bastilha, o evento que marca o início da Revolução Francesa. Thomas Jefferson era amigo e muito provavelmente influenciou o marquês de Lafayette, que foi um dos redatores do documento de 1789. Todas essas declarações revolucionárias respiraram os ares críticos e científicos do Iluminismo, que criou as bases estruturantes para a proposta da formação de uma sociedade, em tese, muito menos estratificada. A expressão “direitos do homem”, que ficou bastante associada à declaração francesa de 1789, já aparecia na obra O contrato social ou princípios do direito político, de 1762, do iluminista Jean-Jacques Rousseau. Em geral, os direitos humanosé de retirar os autos de cartório para levá-los até a copiadora mais próxima. O direito é de obter as cópias, o que implica dizer que cada cartório judicial deverá disponibilizar os mecanismos adequados para garantir tal direito, alguns, por exemplo, possibilitam que servidores acompanhem o advogado até a copiadora”. A novidade trazida pela Lei nº 13.793/2019 foi para permitir o acesso dos advogados aos processos eletrônicos mesmo sem procuração, desde que eles não estejam sujeitos a sigilo (art. 7º, XIII, §13, do EAOAB). XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital. Este inciso foi alterado pela Lei nº 13.245/2016. Antes, em seu texto original, não constavam as expressões “em qualquer repartição policial responsável por conduzir investigação” e “investigações de qualquer natureza” (constava apenas “autos de flagrante e de inquérito policial”), bem como a questão da obtenção de cópias por meio digital, como, por exemplo, a fotografia por scanner portátil ou por aparelho de telefone celular. Comentário Tais alterações vieram em boa hora, pois há muito tempo já se discutia o direito de acesso do advogado aos procedimentos investigatórios nos mais variados setores, e não só em sede policial (como é o caso do procedimento investigatório criminal feito pelo Ministério Público). Para assegurar esse direito, a Lei nº 13.245/2016 também acrescentou o §12, determinando que: “A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente.” Assim, entendemos que o mesmo direito deve ser estendido para se ter vista e cópia de registros de ocorrência (ou boletins de ocorrência), de termos circunstanciados e de qualquer procedimento anterior à instauração do inquérito policial, como o comumente chamado procedimento de “verificação das procedências das informações” (na prática penal denominada VPI), tratado no art. 5º, §3º, do Código de Processo Penal (CPP). Afinal, se pode o mais (inquérito policial), pode o menos (VPI, registro de ocorrência ou boletim de ocorrência). Atenção É importante observar o seguinte: embora o art. 20 do CPP estabeleça que “a autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade”, essa sigilosidade – característica do IP – não alcança o advogado em virtude do que lhe é garantido pelo art. 7º, inciso XIV, da Lei nº 8.906/1994. Em razão disso, em fevereiro de 2009, o Supremo Tribunal Federal editou a súmula vinculante nº 14 com o seguinte teor: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”. Supremo Tribunal Federal - súmula vinculante nº 14 Nesse sentido, a Lei nº 13.245/2016 acrescentou os §§10 e 11, que esclarecem mais ainda esse tema. Vejamos: No §10, consta o seguinte: “nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV”. Isso ocorre porque, como já comentamos, o sigilo do inquérito policial não alcança o advogado. No entanto, há casos em que pode haver uma interceptação telefônica decretada pelo juiz ou a quebra de sigilo bancário. Assim, documentos e informações sigilosas são juntadas aos autos do inquérito policial. Nessa hipótese, para que o advogado tenha acesso, ele deverá ter procuração. Já o §11 atesta que, “no caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências”. Esse inciso esclareceu melhor o teor da aludida Súmula Vinculante 14. XV – ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pelos prazos legais. XVI – retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias. Os direitos trazidos nos incisos XV e XVI não se aplicam aos seguintes casos mencionados no § 1º do art. 7º: a. quando o processo estiver sob o regime do segredo de justiça; b. quando houver nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido ex officio, mediante representação ou requerimento da parte interessada; c. até o encerramento do processo ao advogado que tenha deixado de devolver os respectivos autos no prazo legal e só o fizer depois de intimado. XVII – ser publicamente desagravado quando ofendido no exercício da profissão ou em razão dela. O estatuto tratou o desagravo público como um direito do advogado, tendo o Regulamento Geral especificado o tema nos arts. 18 e 19. O desagravo público é um procedimento formal utilizado pela Ordem dos Advogados do Brasil para mostrar o repúdio e prestar uma solidariedade às ofensas sofridas pelo advogado no exercício da sua profissão, ou de cargo ou função nos órgãos da OAB, sem prejuízo das sanções penais em que incorrer o ofensor. Não raramente, os advogados são ofendidos por juízes, promotores de justiça ou delegados de polícia no desempenho de seu mister, devendo o desagravo ser promovido pelo conselho competente, de ofício, a requerimento do próprio advogado ou de qualquer outra pessoa. O desagravo público, como meio de defesa dos direitos e das prerrogativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, sendo, portanto, um critério do próprio conselho. Uma vez ocorrendo a ofensa no espaço territorial da subseção a que se vincule o inscrito, a sessão de desagravo pode ser promovida pela diretoria ou conselho da subseção, com representação do conselho seccional. Com razão, se o advogado foi ofendido num município distante da sede do Conselho Seccional, de nada adiantará a solenidade ser lá realizada. Atenderá melhor ao seu objetivo se ela for feita em um local mais próximo de onde ocorreu a ofensa. Por outro lado, competirá ao Conselho Federal promover o desagravo público nos casos de ofensa a conselheiro federal ou a presidente de conselho seccional, quando eles forem ofendidos no exercício das atribuições de seus cargos e quando a ofensa a advogado se revestir de relevância e grave violação às prerrogativas profissionais com repercussão nacional. Dessa forma, o Conselho Federal indica seus representantes para a sessão pública de desagravo, que será realizado na sede do conselho seccional, exceto no caso de ofensa a conselheiro federal, caso em que ela acontecerá no próprio Conselho Federal. O procedimento do desagravo público é disciplinado nos parágrafos do art. 18 do Regulamento Geral. ● Compete ao relator, convencendo-se da existência de prova ou indício de ofensa relacionada ao exercício da profissão ou cargo da OAB, propor ao presidente que solicite informações da pessoa ou autoridade ofensora, que serão fornecidas no prazo de 15 dias, a não ser quehaja urgência ou notoriedade do fato. ● Pode o relator propor o arquivamento do pedido se: (1) a ofensa tiver natureza pessoal; (2) se não estiver ligada ao exercício profissional ou às prerrogativas gerais do advogado; ou (3) se configurar crítica de caráter doutrinário, político ou religioso. ● Sendo recebidas ou não as informações solicitadas e convencendo-se da procedência da ofensa, o relator emitirá um parecer, que será submetido ao conselho. Em caso de acolhimento do parecer, é designada a sessão de desagravo, que será amplamente divulgada. Na sessão do desagravo público, o presidente lê a nota a ser publicada na imprensa, encaminhada ao ofensor e às autoridades e registrada nos assentamentos do inscrito. XVIII – usar os símbolos privativos da profissão de advogado. Apenas o advogado devidamente inscrito na OAB pode utilizar os símbolos privativos da advocacia. São anéis, adornos e outros itens relacionados à profissão. Compete ao Conselho Federal criar ou aprovar o seu uso (art. 10, inciso X, EAOAB): “Compete ao Conselho Federal: X – dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos privativos”. Não se deve confundir essa competência do Conselho Federal com o que está disposto no art. 58, XI, do mesmo diploma: compete ao conselho seccional determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados no exercício profissional. Um fala sobre os símbolos; o outro, sobre o traje. XIX – recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha sido advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte. A recusa em depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deve funcionar, ou até mesmo sobre algum fato vinculado à pessoa de quem seja ou foi advogado, é um direito assegurado pelo estatuto, mas também é um dever imposto pelo Código de Ética e Disciplina (arts. 35 a 38 do Novo CED). XX – retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato judicial, após 30 minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir a ele, mediante comunicação protocolizada em juízo. O advogado ganhou com esse inciso uma importantíssima prerrogativa. Para evitar abusos lamentavelmente cometidos por alguns magistrados, garantiu-lhe o Estatuto da Advocacia e da OAB o direito de se retirar do recinto onde está aguardando para a realização do ato judicial após passados 30 minutos do horário marcado e sem que a respectiva autoridade tenha chegado. Esse direito não se aplicará quando o magistrado, já estando no local, esteja realizando outro ato processual, como é o caso de uma audiência designada para um horário anterior, mas que ainda não terminou. Saiba Mais É mister salientar que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) traz um prazo menor. Assim, para os advogados que atuarem perante a Justiça Trabalhista, o tempo de espera será de apenas 15 minutos a partir do horário designado (art. 815, CLT). Em qualquer caso, obviamente exige-se a comunicação protocolizada em juízo. XXI - assistir seus clientes investigados durante a apuração de infrações sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e subsequentemente de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo inclusive no curso da respectiva apuração: a) apresentar razões e quesitos; Essa inovação trazida pela Lei nº 13.245/2016 traduz um relevante avanço para a Justiça e para o exercício do direito de defesa. Embora o princípio da ampla defesa não seja aplicado à fase da investigação policial, a presença e a participação do advogado evitam que se cometam abusos contra os investigados. Honorários advocatícios Neste esclarecedor vídeo, o professor Paulo Machado discorre sobre os principais aspectos dos honorários advocatícios, assim como sobre sua cobrança e prescrição. Advogar é muito mais do que defender direitos e pensar em ganhar dinheiro. Trata-se de entender que o advogado é um dos agentes indispensáveis à administração da Justiça. A Lei nº 8.906/1994 (EAOAB) traz uma hipótese em que o advogado trabalha gratuitamente. Isso ocorrerá quando ele defender outro colega em processo originário de ação ou omissão no exercício da profissão. Entende-se aqui que as prerrogativas da advocacia estão em debate, motivo pelo qual há interesse de toda a classe, e não só daquele profissional. Veja que o defensor dativo nomeado pela OAB faz a representação do advogado processado disciplinarmente por delegação da própria Ordem, constituindo um múnus (e um motivo) extremamente célebre. O Novo Código de Ética e Disciplina passou a tratar da advocacia pro bono no art. 30 e seus parágrafos. No exercício da advocacia pro bono e ao atuar como defensor nomeado, conveniado ou dativo, o advogado empregará o zelo e a dedicação habituais, de modo que a parte por ele assistida se sinta amparada e confie no seu patrocínio. advocacia pro bono Considera-se advocacia pro bono a prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos em favor de instituições sociais sem fins econômicos e de seus assistidos sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a contratação de profissional A advocacia pro bono poderá ser exercida em favor de pessoas naturais que igualmente não dispuserem de recursos para, sem prejuízo do próprio sustento, contratar advogado. Ela não pode ser utilizada para fins político-partidários ou eleitorais nem beneficiar instituições que visem a tais objetivos, tampouco como instrumento de publicidade para captação de clientela. https://conteudo.ensineme.com.br/hu/03194/intro?brand=estacio# O Estatuto da Advocacia e da OAB apresenta três tipos de honorários advocatícios: Convencionados Os convencionados (como o próprio nome diz, o advogado e o cliente) combinam um valor fixo. Esse valor é a principal característica desse tipo de honorários e pode ser contratado de forma verbal ou por escrito mediante o contrato de honorários advocatícios. Recomenda-se ao advogado fazer o contrato por escrito por ele ser mais seguro, inclusive para fins de cobrança, como se verá adiante. Arbitrados judicialmente Na ausência de combinação entre advogado e cliente sobre o valor dos honorários, eles serão arbitrados pelo juiz, ou seja, fixados por arbitramento judicial, com remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão. Advirta-se que, mesmo nesse caso, o valor dos honorários não pode ser inferior ao estabelecido na tabela de honorários criada por cada conselho seccional da OAB. O art. 22, §1º, do estatuto, determina que, quando o advogado for indicado para atuar em causa de pessoa juridicamente necessitada, nos casos de estados que não tenham Defensoria Pública ou que, mesmo tendo, sua atuação, por qualquer motivo, esteja impossibilitada (greve, por exemplo), o profissional terá direito a receber honorários fixados pelo juiz e pagos pelo Estado. Sucumbenciais Os honorários sucumbenciais são aqueles pagos pela parte vencida (parte sucumbente) ao advogado da parte vencedora. É importante lembrar que a Lei nº 13.467/2017, que alterou a CLT, incluiu a possibilidade de honorários sucumbenciais ao acrescentar o art. 791-A. Acrescente-se que, de acordo com o art. 14 do Regulamento Geral, os honorários de sucumbência, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia e só acidentalmente da relação de emprego, não integram o salário ou a remuneração, não podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas ou previdenciários. O parágrafo único do mesmo dispositivo complementa determinando que os honorários de sucumbência dos advogados empregados constituem fundo comum cujadestinação será decidida pelos profissionais integrantes do serviço jurídico da empresa ou por seus representantes. Em caso de falecimento do advogado, ou se ele vier a se tornar incapaz civilmente, os honorários de sucumbência, proporcionalmente ao trabalho por ele desenvolvido, são devidos aos seus sucessores ou representantes legais. Apesar de o art. 24, §3º, do estatuto estipular que “é nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que retire do advogado o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência”, o STF, na ADI nº 1.194-4, declarou o aludido dispositivo inconstitucional. O Novo CED reservou um capítulo próprio para tratar dos honorários profissionais (Título I, Capítulo IX, arts. 48 ao 54). Pacto quota litis Pacto ou cláusula quota litis é a participação do advogado no resultado ou ganho obtido na causa. Paulo Lôbo (2021) lembra que o direito romano e as ordenações filipinas condenavam essa forma de contratar - e com razão. Nesse caso, o advogado se transforma em “sócio” do cliente naquela demanda. Tal profissisonal, nessa situação, é “quase” parte. Entretanto, o Código de Ética e Disciplina trouxe a possibilidade de ser feito esse pacto, desde que estejam presentes as condições do art. 50 e seus parágrafos: Art. 50. Na hipótese da adoção de cláusula quota litis, os honorários devem ser necessariamente representados por pecúnia e, quando acrescidos dos honorários da sucumbência, não podem ser superiores às vantagens advindas a favor do cliente. § 1º A participação do advogado em bens particulares do cliente só é admitida em caráter excepcional, quando esse, comprovadamente, não tiver condições pecuniárias de satisfazer o débito de honorários e ajustar com o seu patrono, em instrumento contratual, tal forma de pagamento. § 2º Quando o objeto do serviço jurídico versar sobre prestações vencidas e vincendas, os honorários advocatícios poderão incidir sobre o valor de umas e outras, atendidos os requisitos da moderação e da razoabilidade. (BRASIL, 2022, art. 50) De toda forma, apesar da permissão dada pelo Código de Ética, o advogado deve ter todo zelo para que não incorra em infração disciplinar. Formas judiciais de cobrança Na hipótese de o constituinte faltar com a obrigação de pagar os honorários ao advogado, o profissional deverá procurar ao máximo resolver a situação amigavelmente. Chegando ao ponto de não haver mais solução pela forma preliminar, surge a necessidade de se buscar a via judicial. Atenção Para isso, o advogado precisa renunciar ao patrocínio da causa e constituir outro advogado para fazer a cobrança, conforme dispõe o art. 54 do Novo Código de Ética e Disciplina. O art. 24 do estatuto determina que o contrato feito por escrito (contrato de honorários advocatícios) constitui título executivo. Desse modo, o advogado não precisará propor ação de conhecimento. A cobrança será feita, nesse caso, por meio da execução por quantia certa. Quando o advogado contrata de forma verbal, resta claro que não há o que executar, ensejando, assim, uma ação de cobrança. Quando for o caso de ele juntar aos autos o contrato de honorários advocatícios antes da expedição do mandado de levantamento ou precatório, o juiz terá de determinar que lhe sejam pagos diretamente, deduzindo o valor respectivo da quantia a ser recebida pelo constituinte, a não ser que ele comprove que já o pagou. Os honorários incluídos na condenação, seja por arbitramento, seja por sucumbência, pertencem ao advogado, tendo o profissional direito autônomo de exigir o cumprimento da sentença, podendo ainda solicitar ao juiz que o precatório seja expedido em seu nome, quando for o caso. O art. 24 do estatuto enfatiza que a decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato feito por escrito têm força de título executivo e constituem crédito privilegiado em falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial. Quando o advogado receber um substabelecimento com reserva de poderes, ele não poderá cobrar os honorários respectivos sem a intervenção daquele que lhe substabeleceu (art. 26 do EAOAB). Prescrição (art. 25, EAOAB) A ação de cobrança de honorários advocatícios prescreve em cinco anos, que serão contados a partir: a. do vencimento do contrato, quando houver; b. do trânsito em julgado da decisão que os fixar ou arbitrar; c. da finalização do serviço extrajudicial (assessoria, consultoria e direção jurídicas ou acompanhamento de inquérito policial); d. da desistência ou transação; f. da renúncia ou revogação de mandato. Saiba Mais Em 2009, foi acrescentado o art. 25-A, que também trouxe o prazo prescricional de cinco anos para a ação de prestação de contas das quantias recebidas pelo advogado do seu cliente ou de terceiros por conta dele. Direitos do advogado Honorários advocatícios Considerações finais Como vimos neste conteúdo, a ética da advocacia constitui a base sólida de qualquer profissional. Além das regras deontológicas trazidas no Código de Ética e Disciplina da OAB, o advogado também precisa conhecer seus direitos, os quais, por sua vez, são tratados no Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994). Outro ponto importante para o desenvolvimento da atividade é saber os mandamentos acerca do advogado sócio e do advogado empregado, pois também existem normas a serem seguidas nessa seara. Por fim, verificamos que o estudo do instituto dos honorários advocatícios, em conjunto com o demais, também faz parte da trajetória de sucesso do profissional do Direito. Tema 4 - A Ordem Dos Advogados do Brasil Itens iniciais Propósito Conhecer a própria instituição da qual faz parte é imprescindível para o advogado não só para sua atuação como advogado em empresas privadas ou públicas ou em processos judiciais, mas também para o devido conhecimento do corpo interno (conselho e tribunal de ética) da entidade responsável pela defesa de sua classe. Preparação Para o estudo deste material, é imprescindível que você tenha em mãos a Lei nº 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB), o Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB e o Código de ética e disciplina da OAB para que eles possam ser consultados com facilidade no decorrer de sua leitura. Objetivos ● Identificar a natureza jurídica e finalidades da OAB. ● Identificar a estrutura organizacional da OAB. ● Reconhecer os órgãos da OAB e suas competências. Introdução Em um primeiro momento, edificaremos os conhecimentos estruturais acerca da instituição OAB, nomeadamente de sua natureza jurídica e de seus fins precípuos, a fim de lhe propiciar a devida compreensão dos módulos seguintes: estrutura organizacional, órgãos e competências da Ordem. Também estudaremos os quatros órgãos que a constituem: Conselho Federal, conselhos seccionais, subseções e Caixa de Assistência dos Advogados. Em seguida, delinearemos o Conselho Federal da OAB e suas funções, bem como as atribuições dos conselhos seccionais e das subseções. Por fim, analisaremos a Caixa de Assistência dos Advogados, cuja finalidade é prestar assistência aos advogados e aos estagiários vinculados ao respectivo conselho seccional. Finalidades e natureza da OAB OAB: Finalidades e natureza Antes de iniciarmos nossos estudos, acompanhe o vídeo introdutório sobre a OAB. O artigo 44 do Estatuto da Advocacia e da OAB aborda as finalidades institucionais e corporativas da Ordem. Finalidades institucionais São aquelas cumpridas pela OAB externamente, ou seja, a organização, como instituição, age com o objetivo de alterar ou preservar algo fora do seu corpo. As finalidades institucionais incluem: Defesa Defender a Constituição, a ordem jurídica doEstado Democrático de Direito, os direitos humanos e a justiça social. Guiar Pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. Finalidades corporativas São aquelas que a OAB cumpre internamente para mudar ou manter algo dentro de si relativamente aos seus quadros de advogados e de estagiários. Seu objetivo é, com exclusividade, promover em toda a República Federativa do Brasil a: Representação Defesa Seleção Disciplina O artigo 11 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, por sua vez, determina que: [...] compete ao sindicato de advogados e, na sua falta, à federação ou confederação de advogados, a representação destes nas convenções coletivas celebradas com as entidades sindicais representativas dos empregadores, nos acordos coletivos celebrados com a empresa empregadora e nos dissídios coletivos perante a justiça do trabalho, aplicáveis às relações de trabalho. (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 1994, art. 11) Tal conteúdo, porém, poderia ir de encontro ao disposto no artigo 44, II, do Estatuto da Advocacia e da OAB (EAOAB): “promover, com exclusividade, a representação”). Se há exclusividade da OAB, por que o Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB diz que ela compete ao sindicato? Esse regulamento estaria contrariando a Lei nº 8.906/94? A resposta é simples. Ela, na verdade, possui duas possiblidades: Interesse de toda a classe dos advogados Na violação de uma prerrogativa, por exemplo, a OAB, por meio de seus órgãos, representa os advogados judicial e extrajudicialmente. Direitos dos advogados empregados No caso da violação ao salário-mínimo do advogado empregado, por exemplo, essa representação fica a cargo do sindicato ou, na falta dele, da federação ou da confederação dos advogados. Origem e natureza jurídica da OAB A Ordem dos Advogados do Brasil foi criada em 1930 pelo Decreto nº 19.408, que, em seu artigo 17, determinou: “Fica criada a Ordem dos Advogados Brasileiros, órgão de disciplina e seleção de advogados, que se regerá pelos estatutos que forem votados pelo Instituto dos Advogados Brasileiros com a colaboração dos institutos dos estados e aprovados pelo governo”. No entanto, a OAB passou a ser devidamente estruturada com o advento da Lei nº 4.215, de 27 de abril de 1963. Esse é o primeiro estatuto da OAB, que, por sua vez, foi revogado pela Lei nº 8.906, de 4 de abril de 1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB). Atenção O uso da sigla OAB é privativo da Ordem dos Advogados do Brasil, como preceitua o art. 44, §2º do atual estatuto. Um tema sempre polêmico – e, por isso, bastante discutido na doutrina – e ainda não pacificado é a questão da natureza jurídica da OAB. É possível encontrar divergências sobre o assunto até mesmo entre os administrativistas mais renomados. Longe de querer esgotar o assunto ou até mesmo de se aprofundar no tema, é preciso frisar, entretanto, que esse não é o objetivo deste conteúdo. Apresentamos a seguir uma sinopse do assunto, ficando para outro momento mais debates a respeito. Em linhas gerais, é preciso destacar o seguinte aspecto: para que uma entidade seja considerada autarquia, ela, entre outros requisitos, deverá integrar a Administração Pública. Como preceitua a Lei nº 8.906/1994, no artigo 44, §1º, a OAB não mantém nenhum vínculo funcional ou hierárquico com qualquer órgão da Administração Pública. Em razão disso, há quem entenda que a Ordem seja uma autarquia em regime especial. Em que pese o respeitável entendimento supramencionado, nos somamos à corrente que entende ser a OAB uma entidade sui generis, uma vez que ela é uma entidade com características peculiares. Saiba Mais Sui generis Único em seu gênero A OAB, afinal, é diferente das demais entidades de classe. Não existe, no ordenamento jurídico, nenhuma entidade do tipo, principalmente pelo fato de ela não manter qualquer vínculo de natureza funcional ou hierárquica com os órgãos da Administração Pública. O STF se pronunciou acerca do assunto na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3.026 por intermédio de seu relator, o então ministro Eros Grau: 2. não procede a alegação de que a oab sujeita-se aos ditames impostos à administração pública direta ou indireta. * 3. a oab não é uma entidade da administração indireta da união. a ordem é um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. 4. a oab não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido com “autarquias especiais” para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas “agências”. (BRASIL, 2006) 1. Finalidades da OAB Personalidade jurídica À exceção das subseções, todos os órgãos da OAB possuem uma personalidade jurídica própria. É o que se depreende da simples leitura dos parágrafos 1º ao 4º do artigo 45 do Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (EAOAB). As subseções são órgãos autônomos dos conselhos seccionais, funcionando como extensões e com a finalidade de descentralizar algumas atividades desses conselhos. Curiosamente, o artigo 44, caput, do EAOAB determina que a OAB também tem personalidade jurídica. Uma dúvida poderia surgir aqui: quem tem personalidade jurídica? A OAB ou alguns de seus órgãos? Vejamos o que Paulo Lôbo dispõe sobre tal assunto: Quando o art. 44 do Estatuto diz que a OAB é dotada de personalidade jurídica própria, remete necessariamente à especificação do art. 45. A OAB é a instituição (que não se confunde com pessoa jurídica), cuja personalidade jurídica revela-se nos “órgãos” que a compõem, designados no art. 45. Vê-se, pois, que a referência no caput do art. 44 à personalidade jurídica da OAB é uma metonímia. Não existe uma pessoa jurídica OAB, ao lado de outras pessoas jurídicas, mas uma instituição organizada em determinadas pessoas jurídicas, que são o Conselho Federal, os conselhos seccionais e as Caixas de Assistência. (LÔBO, 2009, p. 94) O Instituto dos Advogados Brasileiros Bem antes da criação da OAB e após a autorização para a criação dos primeiros cursos jurídicos no Brasil, em 11 de agosto de 1827, nas cidades de Olinda e São Paulo, na busca pela organização da advocacia, foi fundado o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), em 1843, com vistas à criação da OAB. O IAB prestou uma significante contribuição para a história do país. Exemplo No auxílio ao governo para a organização legislativa e judiciária, posicionando-se como órgão de estudos e debates de temas legislativos e jurisprudenciais. Ainda existente, o IAB não é a entidade de classe dos advogados, porém, ainda assim, presta, entre outros, o relevante serviço de fomentar a cultura jurídica. Vem que eu te explico! Personalidade jurídica dos órgãos da OAB Instituto dos advogados brasileiros 2 Estrutura organizacional da OAB Considerações iniciais sobre os órgãos da OAB A OAB é formada por quatro órgãos. O estudo deles está disciplinado tanto no EAOAB quanto no Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB: Conselho Federal Arts. 51-55, EAOAB; arts. 62-104, regulamento. Conselhos seccionais Arts. 56-59, EAOAB; arts. 105-114, regulamento. Subseções Arts. 60-61, EAOAB; arts. 115-120, regulamento. Caixa de Assistência dos Advogados Art. 62, EAOAB; arts. 121-127, regulamento. Nenhum órgão da OAB pode se manifestar sobre questões de ordem pessoal, exceto em caso de homenagem a quem tenha prestado relevantes serviços à sociedade e à advocacia. As salas e as dependências de seus órgãos não podem receber nomes de pessoas vivas ou inscrições estranhas às suas finalidades, respeitando-seas situações que já existiam na data da publicação do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB (artigo 151, parágrafo único). Saiba Mais A publicação do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB se deu no Diário de Justiça de 16 de novembro de 1994. Regras gerais para as eleições e mandatos na OAB Eleições e mandatos na OAB Acompanhe agora as principais regras relativas às eleições e aos mandatos na OAB. Eis como funcionam as eleições na OAB: Frequência As eleições na OAB são realizadas trienalmente: todos os seus mandatos têm a duração de três anos. As eleições dos membros de todos os órgãos se realizam na segunda quinzena do mês de novembro do último ano do mandato mediante cédula única e votação direta dos advogados regularmente inscritos. Obrigatoriedade O voto é obrigatório para todos os advogados, sob pena de multa equivalente a 20% do valor da anuidade, a não ser que sua ausência seja justificada por escrito. Já os estagiários não votam. Local O advogado com inscrição suplementar pode exercer sua opção de voto, comunicando ao conselho seccional no qual possui inscrição principal. Além disso, a votação em trânsito é vedada. Nesse caso, o advogado poderia, por exemplo, votar no local mais perto do seu escritório, da sua residência ou na comarca próximo a uma audiência. A OAB designa ao advogado o local onde deve votar. O candidato a membro da Ordem deve fazer prova dos seguintes requisitos: 1. Ser advogado regularmente inscrito no respectivo conselho seccional (com inscrição principal ou suplementar); 2. Estar em dia com as anuidades; 3. Não ocupar cargos ou funções incompatíveis com a advocacia (art. 28, EAOAB) em caráter permanente ou temporário; 4. Não ocupar cargos ou funções dos quais possa ser exonerável ad nutum (mesmo que compatíveis com a advocacia); 5. Não ter sido condenado por qualquer infração disciplinar por decisão transitada em julgado, salvo se estiver reabilitado pela OAB; 6. Exercer efetivamente a profissão há mais de 3 anos para ocupar cargos nos conselhos seccionais e nas subseções e de 5 anos para cargos no Conselho Federal e na Caixa de Assistência dos Advogados (não se conta o período de estagiário); 7. Não estar em débito com a prestação de contas ao Conselho Federal caso seja dirigente do conselho seccional. A chapa para o conselho seccional, por sua vez, é composta dos candidatos a: Diretoria Presidente, vice-presidente, secretário-geral, secretário-geral adjunto e tesoureiro. Conselho Composta pelos conselheiros seccionais da OAB. Delegação do Conselho Federal Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados A eleição é conjunta. Serão considerados eleitos os candidatos integrantes da chapa que obtiver a maioria dos votos válidos (art. 64, EAOAB). A chapa para a subseção é composta com os candidatos à sua diretoria e ao conselho da subseção, quando houver. Os mandatos na OAB têm início em 1º de janeiro do ano seguinte ao da eleição para os todos os órgãos da OAB, com exceção para o Conselho Federal (os conselheiros federais eleitos na chapa iniciam os seus mandatos no dia 1º de fevereiro do ano seguinte ao da eleição). A extinção do mandato ocorrerá automaticamente antes de seu término quando: 1. Ocorrer qualquer hipótese de cancelamento da inscrição ou de licença do advogado; 2. O titular sofrer condenação disciplinar na OAB; 3. O titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordinárias consecutivas de cada órgão deliberativo do conselho, da diretoria da subseção ou da caixa de assistência dos advogados, não podendo ser reconduzido no mesmo período de mandado. Nos casos da extinção de qualquer mandato na OAB resultante das hipóteses supracitadas, caberá ao conselho seccional, no caso de não haver suplentes (art. 66, parágrafo único, EAOAB), escolher o substituto. Como já comentamos, a votação se dá de forma direta nos conselhos seccionais, sendo na modalidade indireta para a escolha da diretoria do Conselho Federal. Dispõe o art. 67 do EAOAB que: A Eleição da Diretoria do Conselho Federal, que tomará posse no dia 1º de fevereiro, obedecerá às seguintes regras: I – será admitido o registro, junto ao Conselho Federal, de candidaturas à presidência, desde 6 (seis) meses até 1 (um) mês antes da eleição; II – o requerimento de registro deverá vir acompanhado do apoio de, no mínimo, 6 (seis) Conselhos seccionais; III – até 1 (um) mês antes das eleições, deverá ser requerido o registro da chapa completa, sob pena de cancelamento da candidatura respectiva; IV – no dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, o Conselheiro Federal elegerá, em reunião presidida pelo conselheiro mais antigo, por voto secreto e para mandato de 3 (três) anos, sua diretoria, que tomará posse no dia seguinte; V – será considerada eleita a chapa que obtiver maioria simples dos votos dos Conselheiros Federais, presente a metade mais 1 (um) de seus membros. (BRASIL, 1994, art. 67) À exceção do candidato à Presidente do Conselho Federal, os demais integrantes deverão ser conselheiros federais eleitos. Vem que eu te explico! Considerações iniciais sobre os órgãos da OAB Extinção do mandato na OAB 3 Competências dos órgãos da OAB Conselho Federal O Conselho Federal da OAB Acompanhe agora um breve comentário acerca do Conselho Federal da OAB, bem como sua composição e suas competências. Composição do Conselho Federal Órgão supremo da OAB, o Conselho Federal tem sua sede na capital do país (Brasília) e é composto pelos conselheiros federais, conforme o disposto no artigo 51 do EAOAB. São conselheiros federais: Os integrantes das delegações de cada unidade federativa. Os ex-presidentes do próprio Conselho Federal. Falemos agora sobre os integrantes das delegações de cada unidade federativa. Cada conselho seccional elege três advogados (conselheiros federais) para representá-los no Conselho Federal. Esses conselheiros são eleitos pelo voto direto dos advogados em eleições realizadas trienalmente nos conselhos seccionais por meio de chapas. As chapas contêm: Candidatos à diretoria do conselho seccional Presidente, vice-presidente, secretário-geral, secretário-geral adjunto e tesoureiro. Conselheiros seccionais Composta pelos conselheiros das seções. Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados Delegação de conselheiros federais Quando o presidente do Conselho Federal, que também é o presidente nacional da OAB, encerra o seu mandato, passando a ser ex-presidente, ele continua sendo conselheiro federal, só que na qualidade de membro honorário vitalício. Desse modo, existem 81 conselheiros federais provenientes das delegações (já que, no Brasil, há 27 unidades federativas, contando com o Distrito Federal) mais seus ex-presidentes. Votação no Conselho Federal Os votos no Conselho Federal são tomados por delegação. Cada uma delas tem direito a um voto. Se a delegação for composta por três conselheiros federais, o voto será tomado por maioria (3x0 ou 2x1). Caso haja a falta de um conselheiro e a ausência de um suplente, ela só poderá votar se os dois que estiverem presentes votarem no mesmo sentido. Caso contrário, ocorrerá um empate, e seu voto não será computado, isto é, será inválido. Os conselheiros federais integrantes das delegações não poderão exercer o direito de voto nas matérias de interesse específico da unidade federativa que representam, podendo, no entanto, opinar sobre o assunto, dispõe o artigo 68, §2º, do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB. Exemplo Se estiver sendo decidido se o Conselho Federal deve ou não intervir no conselho seccional de São Paulo, os integrantes da delegação de SãoPaulo ficarão impedidos de votar. De acordo com artigo 51, §2º, do atual Estatuto da Advocacia, os ex-presidentes não têm mais direito a voto, como se permitia no passado, por ocasião da Lei nº 4.215/1963, tendo agora apenas direito de voz. Entretanto, o artigo 81 da Lei nº 8.906/94 determinou que essa restrição não se aplica a quem assumiu originariamente o cargo de presidente do Conselho Federal até a data da publicação dessa lei (5 de julho de 1994). Fica assegurado, assim, o pleno direito de voz e de voto em suas sessões. Nas palavras do artigo 77, §2º, do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB: “Os ex-presidentes empossados antes de julho de 1994 têm direito de voto equivalente ao de uma delegação, em todas as matérias, exceto na eleição dos membros da diretoria do Conselho Federal”. O presidente do Conselho Federal tem apenas o voto de qualidade, isto é, o voto de minerva ou de desempate. Suas competências incluem: Exercer a representação nacional e internacional da OAB. Convocar, presidir e representar, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, o Conselho Federal. Promover a administração patrimonial. Dar execução às suas decisões. Diretoria do Conselho Federal Todos os órgãos da OAB possuem uma diretoria. A diretoria do Conselho Federal é composta por: Presidente Vice-presidente Secretário-geral Secretário-geral adjunto Tesoureiro Nas deliberações desse conselho, seus componentes votam como membros de suas delegações, exceto quanto ao presidente, pois somente lhe caberá o voto de desempate e o direito de embargar a decisão se ela não for unânime. Outras considerações Nas sessões do Conselho Federal, os presidentes dos conselhos seccionais têm lugar reservado junto à sua delegação e somente direito de voz, ou seja, não podem votar nas sessões do Conselho Federal. O presidente do IAB e os agraciados com a Medalha Rui Barbosa podem participar das sessões do conselho pleno do Conselho Federal, mas sofrem a mesma restrição. Apesar de o artigo 50 do Estatuto da Advocacia e da OAB, para o cumprimento de suas finalidades, possibilitar aos presidentes dos conselhos da Ordem e das subseções a requisição de cópias de peças de autos ou de outros documentos a qualquer tribunal, magistrado, cartório e órgãos da Administração Pública, o Supremo Tribunal Federal (STF), na ADI nº 1.127-8, deu interpretação a esse dispositivo. Sem redução do texto, essa interpretação promove o entendimento da palavra “requisitar” como dependente de motivação, compatibilização com as finalidades da lei e atendimento de custos, ficando ressalvados os documentos sigilosos. Competências do Conselho Federal da OAB O artigo 44 do Estatuto da Advocacia e da OAB define as finalidades institucionais e corporativas da Ordem. Dessa forma, é por meio de seus órgãos que elas serão efetivadas. As competências do Conselho Federal estão arroladas no artigo 54 do Estatuto de 1994: 1. dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB; 2. representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advogados; 3. velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia; 4. representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos internacionais da advocacia; 5. editar e alterar o Regulamento geral, o Código de ética e disciplina, e os provimentos que julgar necessários; 6. adotar medidas para assegurar o regular funcionamento dos conselhos seccionais; 7. intervir nos conselho seccionais, onde e quando constatar grave violação desta lei ou do Regulamento geral; 8. cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato, de órgão ou autoridade da OAB, contrário à presente lei, ao Regulamento geral, ao Código de ética e disciplina e aos provimentos, ouvida a autoridade ou o órgão em causa; 9. julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos conselhos seccionais nos casos previstos neste Estatuto e no Regulamento geral; 10. dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos privativos; 11. apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria; 12. homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as contas dos conselhos seccionais; 13. elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários de âmbito nacional ou interestadual, com advogados que estejam em pleno exercício da profissão, vedada a inclusão de nome de membro do próprio Conselho ou de outro órgão da OAB; 14. ajuizar Ação Direta de Inconstitucionalidade de normas legais e atos normativos, ação civil pública, mandado de segurança coletivo, mandado de injunção e demais ações cuja legitimação lhe seja outorgada por lei. Saiba Mais Interesses coletivos Esta competência também se dá em cumprimento às finalidades da OAB (art. 44, II, EAOAB). O EAOAB entrou em vigor no ano de 1994, quando a Constituição Federal arrolava, no artigo 103, as pessoas legitimadas a propor a ADI e, no artigo 105, aquelas com legitimidade para a proposição da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC). No entanto, por conta da Emenda Constitucional nº 45/2004, que trouxe a reforma do Judiciário, passou a ser determinado no artigo 103 que as mesmas pessoas legitimadas à proposição da ADI também pudessem propor a ADC – e o Conselho Federal da OAB lá está. A Lei nº 9.882/1999, no artigo 2º, I, prevê que os legitimados para a ADI têm competência para propor Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), razão pela qual a OAB também pode propor a ADPF. XV - colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e opinar, previamente, nos pedidos apresentados aos órgãos competentes para criação, reconhecimento ou credenciamento desses cursos; XVI - autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou alienação de seus bens imóveis; XVII - participar de concursos públicos, nos casos previstos na Constituição e na lei, em todas as suas fases, quando tiverem abrangência nacional ou interestadual; XVIII - resolver os casos omissos neste estatuto. (BRASIL, 1994) Note que: No inciso XV, também em cumprimento às finalidades da OAB (art. 44, EAOAB), o Conselho Federal desempenha o relevante papel de opinar antecipadamente nos pedidos de criação, reconhecimento e credenciamento dos cursos jurídicos nos órgãos competentes. Em relação ao inciso XVI, atente-se para o quórum exigido: maioria absoluta. Já referente ao inciso XVII, é necessário saber que a OAB, por meio do Conselho Federal, terá de participar de forma efetiva nos concursos públicos de âmbito nacional ou interestadual quando houver previsão na Constituição Federal e nas leis, tal como nos concursos públicos para o ingresso na magistratura, no Ministério Público e na Advocacia Geral da União. Quando os concursos não tiverem abrangência nacional ou interestadual, a competência será dos conselhos seccionais (art. 58, X, EAOAB). Conselhos seccionais De acordo com o artigo 45, §2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB, os conselhos seccionais têm “jurisdição” sobre os respectivos estados-membros do Distrito Federal e dos territórios, embora se saiba que, no país, hoje em dia, não existem mais territórios. Os novos conselhos seccionais são criados mediante resolução do Conselho Federal. Composição e voto A composição desses conselhos é diferente da observada no Conselho Federal. Nos conselhos seccionais, ela é proporcional ao número de advogados inscritos (artigo 106 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB com nova redação dada pela Resolução nº 2, de 2009, do Conselho Federal). Desse modo, se houver menos de 3.000 advogados inscritos na seccional, poderá ter até 30 conselheiros seccionais, podendo ser acrescentado mais umconselheiro a cada grupo completo de 3.000 até atingir o número máximo de 80 conselheiros seccionais. Integram ainda os conselhos seccionais os seus ex-presidentes, na qualidade de membros honorários vitalícios, valendo para eles a mesma regra do artigo 81 do EAOAB quanto ao direito de voto. Continua com direito de voz e voto apenas quem tenha assumido originariamente o cargo de presidente até a publicação da Lei nº 8.906/1994. Os demais, de acordo com essa lei, têm apenas o direito de voz. O presidente do Instituto dos Advogados local é membro honorário do conselho seccional, tendo direito à voz em suas sessões. Diretoria do conselho seccional A diretoria do conselho seccional tem composição idêntica e atribuições equivalentes às do Conselho Federal: Presidente Vice-presidente Secretário-geral Secretário-geral adjunto Tesoureiro Nos termos do artigo 66 do Estatuto, o mandato será extinto automaticamente antes de seu término quando: I - ocorrer qualquer hipótese de cancelamento de inscrição ou de licenciamento do profissional; II - o titular sofrer condenação disciplinar; III - o titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordinárias consecutivas de cada órgão deliberativo do conselho ou da diretoria da subseção, ou da Caixa de Assistência dos Advogados, não podendo ser reconduzido no mesmo período de mandato. (BRASIL, 1994, art. 66) Competências do conselho seccional De acordo com o artigo 58 do Estatuto da Advocacia e da OAB, compete privativamente ao conselho seccional: I - editar seu regimento interno e resoluções; II - criar as subseções e a caixa de assistência dos advogados; III - julgar, em grau de recurso, as questões decididas por seu presidente, por sua diretoria, pelo tribunal de ética e disciplina, pelas diretorias das subseções e pela Caixa de Assistência dos Advogados. (BRASIL, 1994, art. 58) É interessante observar na passagem do inciso II que a criação das subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados é da competência exclusiva dos conselhos seccionais, não podendo ser criadas pelo Conselho Federal. O conselho seccional também funciona como tribunal de recursos. Digamos que, via de regra, os recursos em segunda instância na OAB são julgados por esse conselho. Na Ordem, algumas decisões são da competência do presidente; outras, da diretoria do conselho, das subseções ou da Caixa de Assistência dos Advogados. Já os processos disciplinares contra advogados e estagiários são, em regra, julgados pelo tribunal de ética e disciplina (TED). As decisões proferidas pelo presidente do conselho seccional, por aquelas diretorias ou pelo TED terão seus recursos encaminhados para o conselho seccional, não podendo ser remetidos diretamente para o Conselho Federal sob pena de supressão de instância, como você pode verificar a seguir: IV - fiscalizar a aplicação da receita, apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria, das diretorias das subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados; V - fixar a tabela de honorários, válida para todo o território estadual; VI - realizar o Exame de Ordem; VII - decidir os pedidos de inscrição nos quadros de advogados e estagiários; VIII - manter cadastro de seus inscritos; (BRASIL, 1994, art. 58) Sobre trecho do artigo acima, valem as seguintes notas: 1. Artigo IV: Sendo da competência do conselho seccional a criação das subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados, será também de sua responsabilidade a fiscalização da aplicação da receita, da apreciação do relatório anual e da deliberação sobre as contas e os balanços desses órgãos. 2. Artigo V: Compete a cada conselho seccional determinar a tabela de honorários advocatícios, que terá validade para aquele estado-membro ou Distrito Federal. Não existe, portanto, uma tabela nacional. A tabela de honorários do Rio de Janeiro, por exemplo, é diferente da fixada pelo conselho seccional da Bahia. 3. Artigo VI: O art. 58, VI, do Estatuto determina que cabe a cada conselho seccional realizar o exame de ordem. Entretanto, na prática, por convênio entre os conselhos seccionais, a competência passou a ser do Conselho Federal. É incumbência dos conselhos seccionais atualizar, até o dia 31 de dezembro de cada ano, o cadastro dos advogados inscritos, organizando, desse modo, a lista correspondente. Esse cadastro contém: Nome completo de cada advogado com os respectivos números de inscrição (principal e suplementar). Endereços e telefones dos locais onde exercem sua profissão. Nome da sociedade de que fazem parte, se for o caso. Lista dos cancelamentos de inscrição. Lista das sociedades de advogados registradas nos conselhos seccionais, indicando ainda os nomes dos sócios e o número do registro na OAB. Cada conselho seccional fica responsável por estabelecer e receber: as contribuições, que são as anuidades, tanto dos advogados quanto dos estagiários; os preços de serviços, que são os valores fixados para emissão de carteira e inscrição no Exame da Ordem, entre outros exemplos; e as multas. Veja: IX - fixar, alterar e receber contribuições obrigatórias, preços de serviços e multas; X - participar da elaboração dos concursos públicos, em todas as suas fases, nos casos previstos na Constituição e nas leis, no âmbito do seu território. (BRASIL, 1994, art. 58) Será competência do conselho seccional participar de forma efetiva nos concursos públicos de âmbito estadual quando houver previsão na Constituição e em leis específicas. Exemplo Concursos públicos para o ingresso na magistratura, no Ministério Público e em outras carreiras jurídicas. Indicado pelo conselho seccional, o representante da OAB atuará em todas as fases do concurso desde a etapa da elaboração do edital, fiscalizando e intervindo quando houver suspeita de irregularidades. Quando os concursos tiverem abrangência nacional ou interestadual, a competência será do Conselho Federal (art. 54, XVII, EAOAB). Também vale saber que é competência exclusiva dos conselhos seccionais a determinação dos trajes dos advogados, não podendo nem mesmo os magistrados interferirem nessa regulamentação. Em relação à aprovação do orçamento do ano que se segue, fica por conta do conselho seccional da OAB aprovar e, se necessário, modificá-lo. Já quanto ao tribunal de ética e disciplina localizado em cada conselho seccional: será organizado por esse conselho, recrutando seus membros, que podem ou não ser conselheiros seccionais. Essas informações podem ser conferidas nos artigos XI, XII e XIII do art. 58, conforme demonstrado a seguir: XI - determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados no exercício profissional; XII - aprovar e modificar seu orçamento anual; XIII - definir a composição e o funcionamento do Tribunal de Ética e disciplina, e escolher os seus membros; XIV - eleger as listas, constitucionalmente previstas, para preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários, no âmbito de sua competência e na forma do provimento do Conselho Federal, vedada a inclusão de membros do próprio Conselho e de qualquer órgão da OAB; (BRASIL, 1994, art. 58) Será competência do conselho seccional elaborar a lista sêxtupla quando a indicação for para tribunais de abrangência estadual. Se o tribunal tiver abrangência nacional ou interestadual, ela ficará a cargo do Conselho Federal (art. 54, XIII, EAOAB). A proibição para a inclusão de membros do próprio conselho seccional ou de outro órgão da OAB é justa e ética, já que são os conselheiros que vão escolher os seis indicados para o respectivo tribunal judiciário, evitando-se, com isso, qualquer privilégio ou tráfico de influência. Vimos que compete ao conselho seccional criar as subseções e a Caixa de Assistência dos Advogados, podendo esse conselho, entretanto,intervir nelas. O quórum, nesse caso, é de 2/3. Por isso, não podemos confundir: compete ao Conselho Federal intervir nos conselhos seccionais, mas compete ao conselho seccional a intervenção nas subseções e na Caixa de Assistência dos Advogados. Além disso, o Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB tem função supletiva aos casos omissos no EAOAB. Observe a aplicação através dos incisos XV e XVI, respectivamente: XV - intervir nas subseções e na Caixa de Assistência dos Advogados; XVI - desempenhar outras atribuições previstas no Regulamento geral. (BRASIL, 1994, art. 58) Subseções Competências das subseções As subseções são partes autônomas dos conselhos seccionais, funcionando como extensões deles. Elas têm a função de descentralizar algumas atividades desses conselhos. Sua área territorial pode abranger um município, mais de um ou parte de um município, inclusive a capital do estado. Para que uma subseção seja criada pelo conselho seccional, é preciso haver pelo menos 15 advogados domiciliados profissionalmente na respectiva área de abrangência. Compete às subseções: 1. Dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB (art. 44 do EAOAB); 2. Velar pela dignidade, pela independência e pela valorização da advocacia, fazendo valer as prerrogativas da advocacia; 3. Representar a OAB perante os poderes constituídos; 4. Desempenhar as atribuições previstas no Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB ou por delegação de competência do conselho seccional. Caso haja mais de 100 advogados domiciliados profissionalmente na respectiva área da subseção, ela poderá contar com um conselho (conselho da subseção), cujo número de membros será fixado pelo conselho seccional, competindo-lhe agora exercer as mesmas funções do conselho seccional na forma do regimento interno dele. Além disso, o conselho da subseção pode: 1. Editar seu regimento interno a ser referendado pelo conselho seccional (e não pelo Conselho Federal); 2. Editar resoluções no âmbito de sua competência; 3. Instaurar e instruir processos disciplinares (o julgamento fica a cargo do TED, que se localiza em cada conselho seccional); 4. Receber pedido de inscrição nos quadros de advogados e estagiários da OAB, instruindo e emitindo parecer prévio, para decisão do conselho seccional (perceba que, quando é criado um conselho na subseção, suas atribuições são bastante ampliadas). Atenção O artigo 60, §4º, do Estatuto da Advocacia e da OAB ressalta que os quantitativos acima referidos para a criação da subseção ou do conselho da subseção (15 e 100, respectivamente) podem ser aumentados, mas não diminuídos, na forma do regimento interno do conselho seccional. Diretoria da subseção A subseção é administrada por uma diretoria com composição e atribuições equivalentes às da diretoria do conselho seccional. A diretoria é composta pelo: Presidente Vice-presidente Secretário-geral Secretário-geral adjunto Tesoureiro Caixa de Assistência dos Advogados Características da Caixa de Assistência dos Advogados Como o próprio nome já diz, a Caixa de Assistência dos Advogados tem a finalidade de prestar assistência aos advogados e aos estagiários vinculados ao respectivo conselho seccional. Ela será criada pelo conselho seccional quando eles contarem com mais de 1.500 inscritos, adquirindo personalidade jurídica com a aprovação e o registro de seu estatuto, o que se faz no próprio conselho seccional. A assistência aos inscritos na OAB é definida no estatuto da Caixa e está condicionada à: Anuidade Regularidade do pagamento da anuidade. Carência Carência de um ano após o deferimento da inscrição. Assistência Disponibilidade de recursos da caixa de assistência. O artigo 123 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB ainda traz algumas informações a respeito da Caixa de Assistência dos Advogados. Veja: Dispensa da anuidade O artigo determina que em casos especiais, o estatuto da Caixa pode prever a dispensa dos requisitos de regularidade do pagamento da anuidade e de carência de um ano. A Caixa de Assistência, além disso, pode promover a seguridade complementar em benefício dos advogados na forma desse regulamento geral. Convênios de colaboração As caixas promovem entre si convênios de colaboração e execução de suas finalidades e mantêm a Coordenação Nacional das Caixas, que é composta por seus presidentes. Tal coordenação nacional é um órgão de assessoramento do Conselho Federal para a política nacional de assistência e seguridade dos advogados, tendo o seu coordenador, nas sessões, direito a voz nas matérias a elas pertinentes. Incorporação do patrimônio Caso a Caixa seja extinta ou desativada, o seu patrimônio será incorporado ao do conselho seccional que a criou. Sendo da competência do conselho seccional criar a Caixa de Assistência dos Advogados, tal conselho poderá, mediante o voto de 2/3 de seus membros, intervir nela se houver descumprimento de suas finalidades, designando para tanto uma diretoria provisória enquanto durar a intervenção (art. 58, XV, do EAOAB). A diretoria da Caixa é composta por cinco membros com atribuições definidas no seu regimento interno. Fontes de renda As fontes de renda da Caixa de Assistência dos Advogados são duas: Metade líquida das anuidades e Contribuições obrigatórias devidas pelos advogados e incidentes sobre os atos decorrentes do efetivo exercício da advocacia, que são fixadas pelo conselho seccional (art. 62, §3º, do EAOAB). Sobre a metade líquida das anuidades, faz-se necessário saber que: De acordo com o artigo 56 do Regulamento geral do Estatuto da Advocacia e da OAB e após a nova redação dada pela Resolução nº 2, de 2007, do Conselho Federal, 60% delas são descontados do valor bruto mensal das anuidades. Tal percentual tem o seguinte destino: 45% Destinada às despesas administrativas e manutenção do conselho seccional. 2% Destinado ao Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial dos Advogados (Fida). 3% Destinado ao Fundo cultural. 10% Destinado ao Conselho Federal. Vem que eu te explico! Competências do conselho seccional Características da caixa de assistência dos advogados Considerações finais Como vimos neste conteúdo, a estrutura da OAB é de suma importância para o aluno não só para atuar dentro dos ditames dos regramentos exigidos pela Ordem, mas também pelo fato de ela oferecer diversas vagas no conselho, no tribunal de ética, nas procuradorias internas e nas comissões. Com isso, tais profissionais podem participar das mais importantes atividades de sua casa. Por fim, destacamos que a OAB se divide em quatro órgãos, apontando ainda as principais características e funções de cada um: Conselho Federal, conselhos seccionais, subseções e Caixa de Assistência dos Advogados. Tema 5 - Inscrição e Registro na Oab Itens iniciais Propósito O conhecimento das exigências legais sobre inscrição e sociedade de advogados faz com que o profissional inicie sua atividade dentro da ética. Conhecer os trâmites que envolvem a inscrição do advogado marca o início da advocacia, assim como o registro de uma sociedade de advogados marca o começo da história da pessoa jurídica. Preparação Para o estudo deste material, é imprescindível que você tenha em mãos a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB, o Regulamento Geral do EAOAB e o Código de Ética e Disciplina), para que possam ser consultados com facilidade no decorrer do texto. Objetivos ● Analisar regras de inscrição, incompatibilidade, impedimentos e licenciamento do advogado. ● Identificar os requisitos de registro das sociedades de advogado. Introdução O estudo do presente conteúdo é de suma importância tanto para o acadêmico de Direito quanto para quem já está inscrito naOrdem dos Advogados do Brasil. Vamos analisar os requisitos necessários à inscrição no quadro de estagiários e no de advogados, bem como os casos em que o profissional terá que cancelar sua inscrição ou pedir licença, e, ainda, aqueles cargos que darão ensejo ao seu impedimento ou à sua incompatibilidade. 1 - Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento Quadros da OAB Requisitos para inscrição como advogado Principais aspectos Neste vídeo, o professor Paulo Machado discorre sobre os requisitos para a inscrição como advogado e seus principais aspectos. A OAB possui dois quadros de inscritos: o quadro de advogados e o quadro de estagiários. Neste primeiro momento, vamos conhecer os requisitos necessários para inscrição no quadro de advogados, que estão no art. 8º do Estatuto. Vejamos: Capacidade civil A capacidade civil aqui referida é a capacidade civil plena, que, nos termos da legislação civil, se adquire aos 18 anos completos (art. 5º do Código Civil). Essa capacidade civil pode ser comprovada com a apresentação da carteira de identidade. Para o preenchimento desse requisito, presume-se que a pessoa é civilmente capaz com a simples prova de sua maioridade. Comentário Em algumas situações, o menor pode ser emancipado, cessando sua incapacidade, mediante a colação de grau em curso de nível superior, nos termos do art. 5º, parágrafo único, IV, do Código Civil. Neste caso, o curso deve ser o de Direito e a comprovação se dará com o diploma. Diploma ou certidão de graduação em Direito obtida em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada O atual Estatuto possibilitou, na falta do diploma, a apresentação de certidão de graduação em Direito. Isso ocorre em razão de o diploma, em determinadas situações, demorar a ser expedido, o que impossibilita a inscrição daquele que já colou grau em Direito. Além desse requisito, expresso no inciso II do art. 8º do Estatuto, o art. 23 do Regulamento Geral condicionou o suprimento da falta do diploma à apresentação da certidão de graduação em Direito, desde que acompanhada da cópia autenticada do histórico escolar. Assim, deve o candidato apresentar o diploma ou, se não o tiver, a certidão de graduação em Direito mais o histórico escolar devidamente autenticado. Título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro Esse requisito permaneceu no atual Estatuto. Atente-se que a redação determina que, para inscrição como advogado, é necessário apresentar o título de eleitor e provar a quitação do serviço militar, se brasileiro. A contrario sensu – e por razões óbvias – se brasileiro for, somente deve ser apresentado o título de eleitor; se estrangeiro, nem título de eleitor, nem quitação do serviço militar. Sobre a inscrição de estrangeiros e brasileiros graduados em outro país comentaremos à frente. Aprovação no exame da Ordem Conforme expressamente dito pelo art. 8º, § 1º, do Estatuto, o exame da Ordem será regulamentado por provimento do Conselho Federal da OAB. O exame já foi regulamentado por vários provimentos: 81/96, 109/05 e 136/09. Atualmente, o exame da Ordem é regulamentado pelo Provimento 144/11. O exame da Ordem pode ser prestado por bacharéis em Direito, inclusive por aqueles que exercem atividades incompatíveis com a advocacia, a exemplo dos policiais, dos técnicos de atividade judiciária e dos prefeitos, ficando, entretanto, impossibilitados de exercer a atividade de advocacia enquanto estiverem incompatibilizados. Neste caso, a aprovação no exame na Ordem tem validade por prazo indeterminado, podendo se obter a inscrição no quadro de advogado após a desincompatibilização. Não exercer atividade incompatível com a advocacia A expressão “atividade incompatível” está relacionada à atividade profissional da pessoa. O art. 28 do EAOAB traz num rol taxativo (numerus clausus) as atividades incompatíveis. Uma pessoa que exerça atividade incompatível com a advocacia pode prestar o exame da Ordem, mas, caso venha a ser aprovada, não poderá se inscrever no quadro de advogados enquanto estiver incompatibilizada. Idoneidade moral O EAOAB não define o que vem a ser idoneidade moral. Alguns autores se referem à condição do indivíduo honesto, probo ou escrupuloso. Para Paulo Lôbo (2009), os parâmetros não são subjetivos, mas decorrem da aferição objetiva de standards ou topoi valorativos que se captam na comunidade profissional, no tempo e no espaço, e que contam com o máximo de consenso na consciência jurídica. Saiba Mais Topoi é um termo latino que designa um método aristotélico de argumento. Como a idoneidade moral é um requisito para a inscrição na OAB, caso venha o advogado, futuramente, a ser considerado inidôneo moralmente, sofrerá a penalidade de exclusão dos quadros da OAB, somente podendo retornar após o deferimento do pedido de reabilitação (vide art. 41 e parágrafo único do Estatuto). A inidoneidade moral, antes ou depois da inscrição, pode ser suscitada por qualquer pessoa, sendo declarada mediante decisão que alcance, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos votos de todos os membros do Conselho competente, em procedimento que siga os trâmites do processo disciplinar. Prestar compromisso perante o Conselho Esse compromisso é o juramento que dever ser feito pelo requerente por ocasião do recebimento da carteira e do cartão de advogado. Trata-se de um requisito solene e personalíssimo, portanto, indelegável. Não se pode prestar o compromisso por procuração, devendo o requerente comparecer pessoalmente. Esse compromisso encontra-se no art. 20 do Regulamento Geral. Note que as finalidades da OAB e o compromisso ético são passados ao advogado neste momento: Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a constituição, a ordem jurídica do estado democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. (REGULAMENTO GERAL DO ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA OAB, 1994) Além dos requisitos arrolados no art. 8º do Estatuto, o art. 20, § 2º, do Regulamento Geral, trouxe mais uma exigência: não praticar conduta incompatível com a advocacia. Cabe, aqui, esclarecer a diferença entre atividade incompatível e conduta incompatível. Atividade incompatível Está relacionada à atividade profissional (art. 28 do EAOAB) da pessoa: atividade policial, cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário, militares de qualquer natureza (na ativa) etc. VERSUS Conduta incompatível Refere-se à vida pessoal (social) do indivíduo, como, por exemplo, a embriaguez e a toxicomania habituais, a prática reiterada de jogo de azar não autorizado por lei, a incontinência pública e escandalosa (art. 34, parágrafo único, do EAOAB). A respeito disso, entendemos que somente a lei (e a lei é a 8.906/94 ‒ Estatuto da Advocacia e da OAB) pode determinar os requisitos necessários ao exercício da advocacia, pois a Constituição, no art. 5º, XIII, ao tratar do princípio da liberdade de profissão, assim impôs: “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. Assim, no que pese a relevância e a obrigatoriedade do respeito ao Regulamento Geral por todos os advogados e membros da OAB, o RG não é lei, é ato normativo emanado pelo Conselho Federal da OAB. Comunga do mesmo posicionamento Geronimo Theml de Macedo: Tal acréscimo trazido pelo Regulamento Geral da OAB é ilegal, pois as normas regulamentadoras devem se ater aos limites das normas regulamentadas; no nosso caso, o Regulamento Geral deve setêm três condições características, devem ser: Naturais Inerentes aos seres humanos. Iguais Os mesmos direitos para todo mundo. Universais Aplicáveis por toda parte. Dito de outra forma: todos considerados humanos — mesmo as piores pessoas, mesmo os maiores genocidas, os bandidos mais detestáveis e aqueles sujeitos que odiamos — devem usufruir desses direitos. Por isso, merecem não serem torturados bem como terem um julgamento e um tratamento justo, igualitário e digno. A ironia do processo é que parcelas consideráveis da população tanto dos EUA quanto da França — isso para não falar de periferias como o Brasil — não eram incluídas nesses direitos humanos. Isso se mantém, de certa forma, até hoje. Quando algum grupo é excluído na hora de votar, por exemplo. Pela lei brasileira, menores de 16 anos, os considerados loucos, presos que têm sentença transitada em julgado, indígenas vivendo em situação de isolamento, jovens prestando serviço militar obrigatório e estrangeiros não são autorizados a participar das eleições. Todos são impedidos por serem considerados dependentes, portanto, podendo ser influenciados por outras pessoas. Ainda no século XVIII, também eram colocados fora dos direitos “universais” aqueles sem propriedade, os escravizados, os negros livres, certas minorias religiosas (como os judeus) e, por último, mas não menos importante: as mulheres. Aos poucos, por vezes de forma lenta demais, esses segmentos da sociedade foram sendo incorporados à ideia de “universal” e começaram a usufruir dos direitos humanos. O primeiro país a autorizar o voto feminino foi a Nova Zelândia, em 1893. No Brasil, as mulheres conquistam o direito de votar em 1932. Na revolucionária França, elas só foram às urnas em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial. A noção de quem pode ou não receber direitos vai se alargando, vai sendo modificada a partir das necessidades, condições e exigências da sociedade. O que é considerado razoável há 200, 300 anos, não é mais hoje em dia, um processo que tem bastante influência da moral. O próprio Jefferson, redator da declaração de independência norte-americana e terceiro presidente dos EUA, era um grande proprietário de escravos — o que causa um enorme constrangimento hoje em dia entre os seus compatriotas. Talvez no futuro tenhamos essa mesma vergonha de situações que hoje toleramos e, até mesmo, de certa forma, incentivamos, como a extrema desigualdade social. Direitos humanos e Grécia Essa aparente contradição para os olhos contemporâneos entre um discurso de universalização e uma prática que excluía certos grupos sociais é comum desde a época da democracia ateniense na Grécia Antiga, comumente considerada o berço da democracia ocidental. Foi lá que o primeiro experimento democrático digno desse nome aconteceu, com a população — isto é, homens adultos livres — da cidade-estado de Atenas participando da organização da sociedade. Escravizados, mulheres e estrangeiros eram excluídos de todo o processo, entretanto. Na prática, os participantes ativos desse sistema atingiam no máximo 20% da população de Atenas. De qualquer forma, há quem enxergue também na Grécia de séculos antes de Cristo a origem dos direitos humanos. Sofistas e estoicos já tinham, no mínimo implicitamente, uma ideia de igualdade entre os homens. Os primeiros, com a sua noção de que o homem é a medida para todas as coisas, e os segundos, colocando a razão para reger o mundo que, por sua vez, seria pensado de forma a priorizar o bem de todos. Outros teóricos enxergam ainda no poeta grego Hesíodo, que teria atuado entre 750 e 650 AEC, o passo inicial da caminhada que culminou no direito de todas as pessoas serem tratadas como iguais. Se Homero — outro poeta grego do século VIII AEC — ainda colocava a vingança como fundamento da Justiça, o que, por isso, não leva em conta o valor da vida humana como igual, Hesíodo inclui o homem na equação. Em Hesíodo, sai o guerreiro, personagem dos épicos homéricos, e entra o agricultor, que quer apenas viver uma vida tranquila, uma existência justa, que seja regida por algum tipo de direito. O homem nos poemas de Hesíodo deveria seguir as leis que criavam a ordem universal sob pena de receber algum castigo de Zeus. Eram castigos ainda muito conectados com fatos da natureza, mas que mostravam, de alguma forma, a preocupação com a vida do próprio homem. A despeito de não se ter uma certidão de nascimento que seja indiscutível — e nunca haverá —, o que se pode entender é que todas as vezes que se pensa em direitos humanos se coloca a vida humana, em toda a sua dignidade, no centro da questão. Os direitos humanos foram resumidos pelo jurista inglês do século XVIII William Blackstone, que os chamou de a “liberdade natural da humanidade", isto é, os "direitos absolutos do homem, considerado como um agente livre, dotado de discernimento para distinguir o bem do mal". Olhando a realidade pela história Com este vídeo, você poderá perceber como a história nos ajuda a entender a realidade. A trajetória dos direitos humanos Crítica aos direitos humanos Direitos humanos como alvo de críticas Embora ninguém seja, de forma aberta, contra os direitos humanos — apesar de haver diversas deturpações do conceito que levam certos políticos de extrema-direita a reclamar de um enviesamento na sua prática —, a maneira como tais direitos foram estabelecidos e usados politicamente ao longo dos séculos fez deles um alvo. A começar pelo já mencionado uso de propaganda parcial por políticos reacionários da década de 1980 que queriam desestabilizar países comunistas. É fácil dizer que um país como Cuba, por exemplo, não respeita os direitos humanos, quando eles abertamente perseguiram homossexuais. O mais difícil é justificar o silêncio desses mesmos políticos diante das torturas, prisões e assassinatos dos opositores de ditadores como Augusto Pinochet, no Chile. Ou o incentivo militar norte-americano ao massacre da população de El Salvador, que se opunha ao governo de direita. Ou o apoio do mesmo país ao grupo dos “Contra”, na Nicarágua, que tentava acabar com a Revolução Sandinista, que tinha derrubado um ditador apoiado pelos EUA. Isso só para ficar em exemplos que ocorreram na América Latina na década de 1980. Mas as críticas não param aí. Teóricos de tradição marxista enxergam na Revolução Francesa um movimento que se utilizou da força das classes mais baixas para destronar os chamados primeiro e segundo Estado, isto é, a nobreza e o clero, e instalar no poder não os pobres e necessitados, mas uma outra classe intocável: a burguesia. Banqueiros, grandes industriais e comerciantes assumiram as posições que antes eram dos nobres e dos padres. A camada mais desvalida, embora tenha tido participação ativa no movimento revolucionário, foi mais uma vez colocada para escanteio quando o processo se estabilizou. Há também quem associe os direitos humanos a apenas uma boa intenção que nunca foi concretizada de verdade, e a demora para que outros grupos além do segmento de sempre — os homens brancos ricos — participassem do jogo democrático corrobora esse tipo de raciocínio. Mesmo que hoje a grande maioria da população brasileira tenha acesso ao voto, para continuar no caso já mencionado, em outros temas relacionados aos direitos humanos, como a segurança, a liberdade e a igualdade, certos grupos — os de sempre — parecem ter mais direitos que outros. Para comprovar isso, basta ver a diferença de expectativa de vida entre brancos e negros no Brasil. Ou a cor de pele predominante na imensa maioria da população carcerária. Ou a gigantesca diferença de renda entre os muito ricos e o resto da população. Qualquer métrica social ou de direitos humanos que for utilizada vai mostrar esse abismo. Ademais, as críticasnos artigos 11 e 12. Licença A licença significa o afastamento do advogado do exercício profissional, quando ocorrer qualquer uma das hipóteses do art. 12 do Estatuto. Durante o prazo do licenciamento, caso o advogado pratique qualquer ato de advocacia, o ato será nulo (art. 4º e parágrafo único, EAOAB). Na licença, não será cobrada anuidade e o profissional não precisará votar (nem justificar porque não votou), caso haja eleição na OAB no período correspondente. Com a licença, o número de inscrição será mantido quando do seu retorno à atividade. Será licenciado o advogado que: Assim o requerer por motivo justificado De modo geral, os advogados preferem a licença ao cancelamento, porque o número continua o mesmo, sendo mais fácil e mais rápido o retorno. No cancelamento, deverá ser feito um novo requerimento, aguardar a confecção de nova carteira e o número de inscrição passa a ser outro, tendo, ainda, que prestar novo juramento. Para licenciar-se, o requerimento deve vir acompanhado de um motivo justificado, que será analisado pela OAB (viagem ao exterior para fazer um curso de extensão em Direito e doença grave, por exemplo). Caso não haja comprovação de justo motivo, a inscrição poderá ser cancelada por simples solicitação do advogado. Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário As atividades incompatíveis estão arroladas no art. 28 do Estatuto, sendo algumas em caráter permanente e outras em caráter temporário. É temporária, por exemplo, a atividade de Chefe do Poder Executivo. Assim, o advogado que for eleito Presidente da República, Governador ou Prefeito ficará licenciado, estando, portanto, impossibilitado de exercer a advocacia durante o período do mandato. Sofrer doença mental considerada curável Não há no Estatuto um rol das doenças mentais que se enquadram nessa hipótese, devendo a expressão ser remetida à área médica. Para o nosso estudo, enquanto durar a enfermidade mental curável, o advogado ficará licenciado. Cancelamento O cancelamento, por sua vez, enseja a saída do advogado dos quadros da OAB. Em outras palavras, ele passa a não mais ser advogado. Caso o advogado faça um novo pedido de inscrição, deve fazer prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8º do Estatuto, que são, respectivamente: I Capacidade civil. V Não exercer atividade incompatível com a advocacia. VI Idoneidade moral. VII Prestar compromisso perante o Conselho, não precisando prestar novo Exame da Ordem. O número antigo não será restaurado, ficando para dados históricos da OAB. A inscrição será cancelada se o advogado: Assim o requerer À diferença do que ocorre no requerimento de licença, não há de ser apresentado um motivo justificado no pedido de cancelamento. Sofrer penalidade de exclusão A exclusão é a sanção disciplinar mais grave aplicada pela OAB. Com a exclusão, ocorrerá, automaticamente, o cancelamento da inscrição. Um novo pedido de inscrição deve vir acompanhado de provas de reabilitação (art. 41 e parágrafo único do EAOAB). Falecer Em caso de falecimento do advogado, o cancelamento será promovido ex officio pelo Conselho competente ou por meio de comunicação por qualquer pessoa. Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter definitivo As atividades incompatíveis encontram-se no art. 28 do EAOAB, sendo algumas delas em caráter permanente, outras em caráter temporário. São de natureza definitiva, por exemplo, as atividades de membro do Poder Judiciário e de membro do Ministério Público. Assim, o advogado que for aprovado em concurso público de provas e títulos para a magistratura deverá cancelar sua inscrição na OAB. Esclareça-se que, embora o juiz possa voltar ao exercício da advocacia após sua aposentadoria ou exoneração, respeitado o prazo de três anos para o juízo ou tribunal do qual se afastou (art. 95, parágrafo único, V, da Constituição Federal), a atividade aqui referida tem natureza permanente, ensejando o cancelamento, diferentemente dos mandados eletivos, dos cargos em comissão e dos cargos exoneráveis ad nutum. Perder qualquer um dos requisitos necessários para a inscrição Tais requisitos são aqueles do art. 8º do Estatuto. Se o interessado precisa preenchê-los para fazer a inscrição, uma vez perdido qualquer deles, deverá a mesma ser cancelada. Impossibilidades de atuação Incompatibilidade e impedimento Essas nomenclaturas também são encontradas em diversos ramos do Direito, sendo que, em cada um deles, os conceitos e as consequências variam. Direito Civil A título de exemplo, existe o impedimento para o casamento entre irmãos. Direito Processual Civil e Direito Processual Penal O impedimento é regra de natureza objetiva em que um juiz, por exemplo, não pode atuar num processo em que tenha um parentesco muito próximo com o advogado ou com a parte, ou o advogado que não pode ingressar nos autos de um processo quando já existe aquela relação de parentesco. Para a Deontologia Jurídica, impedimento e incompatibilidade significam outras coisas (art. 27 do EAOAB). Para o Estatuto da Advocacia e da OAB, impedimento é a proibição parcial do exercício da advocacia, ou seja, o advogado pode continuar exercendo a profissão, menos contra ou a favor de determinadas pessoas. No caso, são aquelas mencionadas no art. 30, I e II, que serão estudas a seguir. Somente para ilustrar, um agente administrativo da Prefeitura de Salvador pode advogar, exceto contra o município de Salvador. A incompatibilidade, por sua vez, gera a proibição total do exercício da advocacia, não podendo advogar em hipótese alguma, nem mesmo em causa própria. Essa proibição total pode ensejar: Cancelamento da inscrição Quando a atividade é incompatível em caráter definitivo: juiz, promotor de justiça, analista judiciário, delegado de polícia, entre outras. Apenas uma licença Quando a atividade incompatível tiver natureza temporária (art. 12, II, EAOAB), como nos casos do Prefeito, do Governador ou do Presidente da República (Chefes do Poder Executivo: art. 28, I, primeira parte, do EAOAB). O motivo para a criação de impedimentos e de incompatibilidades é o de evitar que alguns advogados levem vantagens ou desvantagens em relação aos demais que não exerçam tais atividades, e até mesmo por implicações éticas, como no caso supracitado do funcionário vinculado ao município de Salvador se pudesse advogar contra quem o remunera. As vantagens podem ser em relação à captação de clientela, ao poder de influência nas decisões etc. Um exemplo de desvantagem seria a falta de independência dos militares das Forças Armadas, que, em virtude do regime próprio a que são subordinados, podem ficar presos no quartel, vindo a faltar uma audiência ou deixar de interpor um recurso tempestivamente. Resumindo São atividades incompatíveis aquelas que não poderão ser desenvolvidas concomitantemente com a advocacia. Caso a pessoa já exerça uma atividade incompatível, não poderá se inscrever na OAB (mas pode prestar o Exame da Ordem, conforme visto), pois um dos requisitos mencionados no art. 8º do Estatuto para ser advogado é “não exercer atividade incompatível com a advocacia”. Por outro lado, quem já é advogado e depois passa a exercer qualquer atividade incompatível deverá licenciar-se da OAB ou cancelar sua inscrição. No impedimento, ele continua com sua inscrição, ficando apenas uma anotação em sua carteira profissional de que há restrições para a advocacia. Casos de incompatibilidade O art. 28 do Estatuto traz, em oito incisos, todos os casos de atividades incompatíveis. Porém, o legislador não definiu quais têm natureza temporária e quais têm caráter definitivo, devendo ser analisadas cada uma das situações em conjunto com a Constituição,leis ordinárias, leis complementares, leis orgânicas etc. I Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais Em razão deste primeiro inciso, não podem exercer a advocacia os Prefeitos, os Governadores, o Presidente da República e seus substitutos legais (Chefes do Poder Executivo). Também são incompatíveis os membros da Mesa do Poder Legislativo. Observe que os membros do Poder Legislativo, conforme o art. 30, II, são impedidos (podem exercer a advocacia, menos contra ou a favor de determinadas pessoas), ao passo que os membros da Mesa não podem advogar em hipótese alguma. Para melhor entendimento do leitor, relembremos a composição do Poder Legislativo no Brasil. Na União, há o Congresso Nacional, que, por adotar o sistema do bicameralismo, é integrado pelo Senado Federal (que representa os Estados e o Distrito Federal) e a Câmara do Deputados (que representa o povo). Nos Estados, existem as Câmaras Legislativas; nos municípios, as Câmaras Municipais; e no Distrito Federal, a Câmara Distrital. Cada uma dessas Casas tem uma Mesa que a representa (Mesa Diretora), formada pelo Presidente, Vice-Presidente e Secretários, cuja numeração varia de acordo com cada Regimento Interno. Dessa forma, se o advogado for eleito Deputado Estadual, ele pode continuar exercendo a advocacia parcialmente, mas caso passe a ser Presidente da Assembleia Legislativa, deverá solicitar sua licença da OAB, por se tratar de atividade incompatível temporária. Aliás, todos os casos deste inciso têm caráter temporário, ensejando a licença. II Membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indireta Uma primeira observação em relação a este inciso é que “membro” se difere de “servidor”. São membros do Poder Judiciário: os magistrados, juízes substitutos, juízes de Direito, desembargadores e os Ministros dos Tribunais. São membros do Ministério Público os promotores de justiça, procuradores de justiça, procuradores da República, procuradores regionais da República. Outra ressalva é a extinção dos juízes classistas, que eram os juízes que representavam as classe dos empregados e dos empregadores nas antigas Juntas de Conciliação e Julgamento (JCJ), ao lado dos juízes togados. Atualmente, temos as Varas do Trabalho, com juízes togados e sem juízes classistas. Em relação aos membros dos juizados especiais, não podemos deixar de mencionar o que dispõe o art. 7º, parágrafo único, da Lei nº 9.099/95: “Os juízes leigos ficarão impedidos de exercer a advocacia perante os Juizados Especiais, enquanto no desempenho de suas funções”. Parece-nos que, pelo fato de uma lei de mesma hierarquia (ordinária federal) ter tratado do mesmo assunto de modo diverso, é o que deve prevalecer na prática. Por fim, é mister salientar que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.127-8, no dia 17 de maio de 2008 (publicado no Diário Oficial da União em 26.05.2008) ratificou a liminar concedida e decidiu que não se incluem nessa regra os juízes eleitorais e seus suplentes. III Ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público O art. 28, § 2º, do Estatuto, traz duas exceções a este tipo de incompatibilidade: ● Não se incluem nessa hipótese os que não detenham poder de decisão relevante sobre interesses de terceiros, a juízo do Conselho competente da OAB, ou seja, a Ordem irá verificar se, na prática, há, ou não, poder de decisão relevante, para definir se haverá, ou não, a incompatibilidade. ● Também não se incluem no inciso III aqueles que desempenham a administração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico. IV Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro O legislador tratou dos membros do Poder Judiciário no inciso II, e dos servidores e de outros ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente ao Judiciário, neste inciso. Fazem parte desta incompatibilidade os técnicos de atividade judiciária, os analistas judiciários, os contadores judiciais, os assessores dos desembargadores e até mesmo aqueles ligados indiretamente a este Poder, bem como os psicólogos, seguranças e demais cargos auxiliares ligados ao Poder Judiciário. Encontram-se nessa situação incompatível os que exercem serviços notariais e de registro (tabeliães, notários, registradores e escreventes de cartório extrajudicial). V Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de qualquer natureza Da mesma forma que no inciso anterior, o Estatuto fez menção a vínculo de natureza direta ou indireta, só que, aqui, é em relação à atividade policial. Como exemplo, podemos citar os próprios policiais: policiais federais (agentes, escrivães e delegados), policiais civis (investigadores, comissários, delegados), policiais militares, policiais rodoviários (estaduais e federais), dentre outros (art. 144 da CRFB). São também incompatíveis os integrantes do Corpo de Bombeiro Militar. O Órgão Especial do Conselho Federal da OAB decidiu que os guardas municipais se enquadram nessa hipótese de incompatibilidade (processo nº 252/99, DJ 19.10.99). O Provimento nº 62/1988, embora tenha disposto sobre a incompatibilidade que cuidava o inciso XII do art. 84 do antigo Estatuto (Lei nº 4.215/63), ainda nos serve, compreendendo-se entre os cargos incompatíveis os de perito criminal, papiloscopista e seus auxiliares (como o auxiliar de necropsia) e médico legista. Paulo Luiz Netto Lôbo (2009, p. 170) entende que “em virtude da crescente terceirização, a vedação envolve igualmente os que prestam serviços às atividades policiais diretas ou indiretas, mesmo que empregados de empresas privadas”. VI Militares de qualquer natureza, na ativa São os militares das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), seja qual for a patente e desde que estejam na ativa. VII Ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições parafiscais É o caso dos fiscais e de outros servidores que tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos ou contribuições parafiscais. Exemplificando, temos os auditores fiscais, fiscais de receita previdenciária, fiscais de renda e fiscais do trabalho. VIII Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive privadas A última hipótese de incompatibilidade trazida pelo Estatuto é a dos diretores e gerentes de instituições financeiras públicas ou privadas. Afastamento temporário da atividade incompatível O § 1º do art. 28 do Estatuto determina que a incompatibilidade permanece, mesmo que os ocupantes de cargos e funções incompatíveis deixem de exercê-los temporariamente. Desse modo, os juízes não poderão advogar enquanto estiverem de férias ou de licença da magistratura. Afastamento definitivo da atividade incompatível ‒ desincompatibilização Apesar de apenas o art. 28, VI, do EAOAB determinar que a incompatibilidade ocorre somente enquanto no exercício da atividade (“na ativa”), às demais hipóteses deve-se dar o mesmo entendimento. Assim, ex-policiais e ex-fiscais podem advogar. Uma ressalva há de ser feita no que diz respeito aos magistrados e aos membros do Ministério Público aposentados ou exonerados. É que a EmendaConstitucional nº 45/2004 acrescentou o inciso V ao art. 95, parágrafo único, e o § 6º ao art. 128. Assim, é vedado a eles o exercício da advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastaram, antes de decorridos três anos do afastamento de seus cargos por aposentadoria ou exoneração. Casos de impedimento I – Servidores da administração pública direta, indireta e fundacional São impedidos, ou seja, estão proibidos de exercer a advocacia parcialmente, os servidores da administração pública direta, indireta e fundacional. Neste caso, eles podem advogar, menos contra a Fazenda Pública que os remunere ou à qual seja vinculada a entidade empregadora. Exemplo O funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro, que só não pode advogar contra o município do Rio de Janeiro; o agente administrativo do INSS, que não pode advogar contra a União, por se tratar de autarquia federal; os professores de escolas estaduais, que não podem litigar contra o Estado etc. Exceção para advogados que sejam docentes de cursos jurídicos A exceção legal é para os docentes dos cursos jurídicos (art. 30, parágrafo único), que, apesar de serem servidores públicos, podem advogar livremente. Embora a lei, neste inciso, nada mencione, Marco Antonio Silva de Macedo Junior e Celso Coccaro (2009, p. 40) discorrem que “docente da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (autarquia estadual) poderá advogar contra o Estado de São Paulo (“Fazenda que o remunera”), mas não deverá fazê-lo contra a própria Universidade, em decorrência de limitações éticas”. No entanto, Paulo Lôbo (2009, p. 178) entende que os docentes dos cursos jurídicos “não sofrem qualquer incompatibilidade ou impedimento para advogar. Esclarece, ainda, que “essa explicitação deve-se ao fato de que é importante, para a formação dos futuros advogados, o magistério de profissionais qualificados que doutra forma estariam impedidos de advogar, inclusive totalmente, se sua especialidade fosse o direito público”. Comentário Somamos a este entendimento, por se tratar de exceção legal, ousando apenas salientar outro motivo: se a Constituição possibilita aos magistrados e aos membros do Ministério Público o exercício de suas atividades cumulativamente com o magistério (art. 95, parágrafo único, e art. 128, § 5º, II, d, da Constituição), igual tratamento deve ser estendido aos advogados, mesmo em situação privada, sob o aspecto de que não podem ver prejudicada sua atuação no mercado por causa da docência em cursos jurídicos públicos. Assim como os juízes e promotores de justiça não sofrem descontos nos seus subsídios, não vemos motivo para o legislador vedar a advocacia integral para advogados. Deve haver um tratamento isonômico para os três agentes indispensáveis à administração da justiça. Embora se saiba que a Constituição se refira aos casos das exceções à acumulação de cargos públicos, externamos aqui o nosso posicionamento sobre o tema. Como a lei menciona apenas os docentes dos cursos jurídicos, os docentes de outros cursos (medicina, engenharia, letras, administração) ficam impedidos, nos termos do art. 30, inciso I, do Estatuto da Advocacia e da OAB. II – Membros do Poder Legislativo O impedimento deste inciso II é mais abrangente do que o anterior (inciso I). Aqui, o impedimento é maior, estendendo-se contra ou a favor de qualquer órgão da administração pública direta ou indireta, e não só contra quem ou remunera. É o caso dos membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis (senador, deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador), que podem advogar, menos contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. Impedimentos especiais (ou impedimentos sui generis) Já foi dito que o Estatuto da Advocacia e da OAB determina que o impedimento é a proibição parcial do exercício da advocacia. No entanto, encontramos algumas hipóteses diferentes, nas quais a pessoa pode advogar, mas somente no âmbito do cargo público que ocupa ou menos no setor onde trabalha. Denominamos, aqui, “impedimento especial”. Essa denominação não é pela lei. Conforme disposto no art. 29 do Estatuto, os Procuradores Gerais, os Advogados Gerais, Defensores Gerais e dirigentes de órgãos jurídicos da Administração Pública direta, indireta e fundacional, são, exclusivamente, legitimados para o exercício da advocacia vinculada à função que exerçam, durante o período da investidura. Alertamos sobre a possibilidade de outras leis trazerem outras hipóteses de “impedimentos especiais”, como é o caso dos Defensores Públicos que prestaram concurso anteriormente à Lei Complementar nº 80/94, podendo advogar particularmente. Os que foram aprovados em concursos posteriores só podem advogar no âmbito da Defensoria Pública. Atenção Apesar de, em recente decisão, a 2ª Turma do STJ ter entendido que o Defensor Público está dispensado de ter inscrição nos quadros da OAB, o candidato deve ter todo cuidado ao realizar o Exame de Ordem, pois a pergunta da prova pode estar de acordo com as normas do EAOAB. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Tipos de inscrição 2. Registro das sociedades de advogado Sociedade de advogados Neste vídeo, o professor Paulo Machado explica as sociedades de advogados, tratando de sua natureza e seus aspectos gerais. Natureza jurídica Quando um advogado começa a assumir uma quantidade maior de causas, surge a necessidade de se unir a outro ou a outros advogados, para, juntos, dividirem as tarefas (e, até mesmo, as despesas) e, ao final, ratearem os ganhos obtidos. Não raro, audiências são marcadas para o mesmo dia, em juízos, em comarcas, em estados diferentes. Para o auxílio recíproco, os advogados constituem uma sociedade de advogados. O tema está disciplinado nos arts. 15 ao 17 do Estatuto da Advocacia e da OAB (que foram alterados pela Lei 13.247/16), nos arts. 37 ao 43 do Regulamento Geral e no Provimento nº 112/06 do Conselho Federal da OAB. De acordo com o texto original do art. 15 do Estatuto da Advocacia e da OAB, os advogados poderiam se reunir em sociedade civil de prestação de serviços de advocacia. Por essa redação, poderíamos dizer que a natureza jurídica de uma sociedade de advogados é uma sociedade civil. Acontece que o EAOAB é uma lei de 1994 (Lei nº 8.906/94), quando ainda vigorava o Código Civil de 1916, que, por sua vez, classificava as sociedades em civis e mercantis. Com o advento do novo Código Civil (2002), a classificação passou a ser em sociedades simples e sociedades empresárias, razão pela qual, atualmente, sua natureza jurídica é de sociedade simples. Apenas com o advento da Lei 13.247/16 é que o mencionado art. 15 foi alterado, constando agora, que os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia. Acrescente-se que mais uma novidade veio com essa alteração da Lei 8.906/94. A partir de então, os advogados também podem constituir uma sociedade unipessoal de advocacia, como se percebe na redação destacada a seguir: Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. Personalidade jurídica Uma sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB, em cuja base territorial tiver sede, seja esta uma sociedade simples ou uma sociedade unipessoal de advocacia, sendo proibido o registro nos cartórios de registro civil de pessoas jurídicase nas juntas comerciais. Prevê o Estatuto que não são admitidas a registro, e nem podem funcionar, as sociedades simples de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia que apresentem formas ou características mercantis, que adotem denominação fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam sócios não inscritos no quadro de advogados da OAB ou que estejam totalmente proibidos de advogar. Denominação No contrato social, que será registrado no Conselho Seccional da OAB, deve constar a denominação (razão social) da sociedade. No entanto, existem regras a serem seguidas para que o registro seja aprovado. Conforme dito, não se admite o uso do nome fantasia (por exemplo, “Justa Causa, advogados”. Tampouco se permite a utilização do nome de algum advogado renomado já falecido (“Escritório de Advocacia Rui Barbosa” ou “Evandro Lins e Silva, advogados associados”). Quando se tratar de uma sociedade simples de advocacia, a denominação adequada deve trazer o nome de, pelo menos, um advogado responsável pela sociedade, acompanhado de uma expressão que indique a finalidade do escritório. Exemplo Se três advogados – Pedro Meira Júnior, Flávia Vidal e Carlos Dias – resolvem constituir uma sociedade simples de advogados, poderão ser colocadas, entre outras, as seguintes denominações: “Meira e advogados”; “Flávia Vidal, advocacia”; “Escritório de Advocacia Carlos Dias”; “Escritório Jurídico Meira, Vidal e Dias”. Não importa se a expressão indicadora da finalidade vem antes ou depois do nome do advogado. O Regulamento Geral permite o uso do nome abreviado do advogado, o que não significa que serão utilizadas siglas com as iniciais de cada parte do seu nome completo. Por autorização do Provimento nº 112/06, pode ser utilizado o símbolo “&;” na denominação da sociedade de advogados (Meira &; Dias, Sociedade de Advogados – por exemplo). Quando vigorava o Código Civil de 1916, era possível constar a abreviatura “S.C.”, de sociedade civil no final da denominação (por exemplo: Escritório de Advocacia Pedro Meira S.C.), mas, pelo fato de o novo Código Civil não mais adotar esta classificação, hoje, não se pode utilizá-la. Advirta-se que sempre foi proibida, por motivo óbvio, a adoção das expressões “Ltda”, “Cia”, “S/A” e “ME”. Em caso de falecimento de um dos sócios, cujo nome é utilizado na denominação da sociedade simples de advogados, o Estatuto determina que a permanência do nome é condicionada à previsão no contrato social (art. 16, §1º, in fine). Quando houver licenciamento de um sócio para o exercício de atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário, deverá tal fato ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua constituição. Por outro turno, caso o advogado passe a exercer atividade incompatível em caráter definitivo, gerando o cancelamento da inscrição, será obrigatória a alteração contratual para que seja retirado o nome daquele sócio. Lembre-se de que a razão social deve ter o nome de pelo menos um advogado da sociedade. Neste caso, ele não será mais advogado em virtude do cancelamento da inscrição. Saiba Mais Em relação à grande novidade trazida pela Lei 13.247/16, quando se tratar de sociedade unipessoal de advocacia, a sua denominação deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, completo ou parcial, com a expressão “Sociedade Individual de Advocacia”, como, por exemplo, “Flávia Vidal, sociedade individual de advocacia” ou “Flávia Vidal, sociedade individual de advocacia” (conforme art. 16, §4º, do EAOAB). Outros aspectos Outras considerações Os mandamentos do Código de Ética e Disciplina são aplicados às sociedades simples de advogados ou às sociedades unipessoais de advocacia, no que couber. A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concentração por um advogado das quotas de uma sociedade de advogados, independentemente das razões que motivaram tal concentração. Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. Exemplo Se um advogado já é sócio de um escritório de advocacia no Estado do Rio de Janeiro, não poderá integrar, como sócio, nenhuma outra sociedade simples de advogados nem constituir uma sociedade unipessoal de advogados neste Estado. Poderá, todavia, ser sócio de outra sociedade de advogados (simples ou unipessoal) no Estado de Minas Gerais, por exemplo. Já na hipótese de constituição de filial em outro estado, o ato de constituição deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional onde se fixar, ficando os sócios obrigados à inscrição suplementar. Essa obrigação também é exigida para o titular da sociedade unipessoal de advocacia (art. 15, § 5º, do EAOAB). Os sócios de uma mesma sociedade simples de advogados não podem representar em juízo clientes com interesses opostos. As procurações passadas aos advogados devem ser outorgadas individualmente aos profissionais, mencionando a sociedade de que façam parte. As atividades de advocacia são exercidas pelos próprios advogados, ainda que os honorários se revertam à sociedade. No entanto, podem ser praticados pela sociedade, com o uso da razão social, os atos indispensáveis às suas finalidades, que não sejam privativos de advogado. A sociedade simples de advogados pode contemplar qualquer tipo de administração social, sendo permitida a existência de sócios gerentes, com indicação dos poderes atribuídos (art. 41 do Regulamento Geral). Por fim, no que diz respeito à responsabilidade civil, os advogados sócios, o titular da sociedade individual de advocacia e os advogados associados respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, por dolo ou culpa, por ação ou omissão, no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar e penal em que possam incorrer (art. 17 do EAOAB, com a redação dada pela Lei 13.247/16, combinado com o art. 40 do Regulamento Geral). Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Natureza jurídica Considerações finais Como vimos, o estudo dos requisitos para inscrição nos quadros da OAB, bem como do registro de uma sociedade de advogados, constitui fator importante para o início da “vida” na advocacia. Toda atenção aos deveres legais deve ser observada pelos profissionais, a fim de que não venham a ser processados pela OAB. Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994 Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109252/estatuto-da-advocacia-e-da-oab-lei-8906-94#art-51 Definição de direitos humanos Exemplo Fundamentação histórica dos direitos humanos A trajetória dos direitos humanos Crítica aos direitos humanos Direito dos animais e especismo Saiba Mais Direito das máquinas Direitos de diversos seres Considerações finais Tema 3 - Ética Jurídica: a Advocacia Origem, evolução e divulgação da atividade de advogado. Origem e evolução da advocacia Primeiro momento Segundo momento Terceiro momento Curiosidade Divulgação e publicidade da advocacia Saiba Mais Atenção Programa de televisão Manifestação pública Publicidade profissional Títulos acadêmicos Cartões de visitas Formação de sociedade Piso salarial Jornada de trabalho e hora extra Os honorários de sucumbência e o advogado empregado Responsabilidade civil do advogado Jornada de trabalho e hora extra Advocacia e seus direitos Comentário Atenção Saiba Mais Comentário Comentário Atenção Saiba Mais Honorários advocatíciosConvencionados Arbitrados judicialmente Sucumbenciais Pacto quota litis Formas judiciais de cobrança Atenção Prescrição (art. 25, EAOAB) Saiba Mais Considerações finais Tema 4 - A Ordem Dos Advogados do Brasil Itens iniciais Finalidades e natureza da OAB Finalidades institucionais Finalidades corporativas Origem e natureza jurídica da OAB Atenção Saiba Mais 1.Finalidades da OAB Personalidade jurídica O Instituto dos Advogados Brasileiros Exemplo Vem que eu te explico! 2 Estrutura organizacional da OAB Saiba Mais Regras gerais para as eleições e mandatos na OAB Frequência Obrigatoriedade Local Vem que eu te explico! 3 Competências dos órgãos da OAB Conselho Federal Votação no Conselho Federal Exemplo Competências do Conselho Federal da OAB Saiba Mais Conselhos seccionais Exemplo Subseções Atenção Diretoria da subseção Caixa de Assistência dos Advogados Dispensa da anuidade Convênios de colaboração Incorporação do patrimônio Vem que eu te explico! Considerações finais Tema 5 - Inscrição e Registro na Oab Itens iniciais 1 - Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento Quadros da OAB Requisitos para inscrição como advogado Comentário Saiba Mais Requisitos para inscrição como estagiário 1.Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento Inscrição Exemplo Afastamento e saída do quadro da OAB Licença Assim o requerer por motivo justificado Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário Sofrer doença mental considerada curável Cancelamento Assim o requerer Sofrer penalidade de exclusão Falecer Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter definitivo Perder qualquer um dos requisitos necessários para a inscrição Impossibilidades de atuação Incompatibilidade e impedimento Direito Civil Direito Processual Civil e Direito Processual Penal Resumindo Casos de incompatibilidade I Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais II Membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indireta III Ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público IV Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro V Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de qualquer natureza VI Militares de qualquer natureza, na ativa VII Ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições parafiscais VIII Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive privadas Afastamento temporário da atividade incompatível Afastamento definitivo da atividade incompatível ‒ desincompatibilização Casos de impedimento Exemplo Exceção para advogados que sejam docentes de cursos jurídicos Comentário II – Membros do Poder Legislativo Impedimentos especiais (ou impedimentos sui generis) Atenção Vem que eu te explico! 2.Registro das sociedades de advogado Sociedade de advogados Exemplo Saiba Mais Outros aspectos Exemplo Vem que eu te explico! Considerações finais Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994aos direitos humanos feitas por parte de figuras de extrema-direita, como se tal arcabouço fosse uma forma de proteger e incentivar meliantes, apenas disfarçam a tentativa de se manter esse tipo de distância entre quem já tem acesso a tais direitos e quem nunca teve. Ainda que seja uma árdua tarefa estabelecer valores éticos para um grupo tão heterogêneo quanto a espécie humana, os direitos humanos arriscam esse papel. O caráter universal desses direitos serve exatamente para criar o mínimo, aquilo que todos podem reivindicar e recorrer. A fim de que todas as sociedades humanas sejam mais justas e igualitárias. Se seguirmos os direitos humanos, podemos dizer que é ético que todas as pessoas nunca sejam torturadas na vida, mesmo que tenham cometido o pior dos crimes. É ético que ninguém seja discriminado por conta de sua cor de pele, sua crença, sua orientação sexual, sua identidade de gênero. É ético que todas as pessoas tenham as mesmas chances para prosperar na vida, sem importar o meio em que nasceu. É ético que se procure colocar em prática a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Crítica marxista aos direitos humanos Os marxistas também reclamam do caráter individualista que estaria implícito nos direitos humanos, como se tal categoria judicial não pensasse o todo da sociedade de uma vez, mas pulverizasse cada uma das perspectivas. Como estabelecer, por exemplo, o limite da liberdade de cada um? As discussões sobre liberdade de expressão, no módulo anterior, mostram como essa demarcação é complicada. De toda forma, por um lado é justa essa crítica marxista sobre o caráter individualista dos direitos humanos, uma vez que, ao se dividir cada um dos cidadãos em indivíduos, se perde força para exigir mais participação política, além de criar um problema acerca da linha que separa os direitos de um indivíduo do seu próximo; por outro, ela ignora o âmbito mais singular em que os direitos atuam. Quando alguém é torturado, é a sociedade como um todo que está sofrendo, já que precisou recorrer a um procedimento vil que ataca a dignidade de um dos seus cidadãos. No entanto, é um sujeito único que sente dor. Alguém que tem uma vida pregressa, que tem sonhos e que está recebendo na pele a carga dessa violência. Portanto, há sempre duas alçadas sendo entrelaçadas ao mesmo tempo: o indivíduo e a sociedade. E ambas devem ser respeitadas. Para sabermos o quão longe estamos dessa universalização dos direitos humanos, podemos recorrer a um teórico socialista utópico do fim do século XVIII e início do XIX chamado François-Marie Charles Fourier. Fourier, percebendo que as propostas de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa não foram assimiladas pela sociedade como um todo, propôs um medidor: “o grau de emancipação da mulher numa sociedade é o barômetro natural pelo qual se mede a emancipação geral”. Poderíamos atualizar esse barômetro com a população negra e indígena, com as pessoas com deficiências, com as pessoas LGBTQIA+ e todos os grupos historicamente excluídos. Direitos humanos e regimes político-econômicos Neste vídeo, Ronaldo Pelli mostra, com exemplos, que o tema dos direitos humanos está presente nos diversos regimes político-econômicos existentes, mantendo-se por meio de incoerências internas. Confira! 3 Os direitos dos seres não humanos Direito dos animais e especismo Direitos dos animais em discussão Se os direitos já são um tema complicado, cheio de interpretações e diferentes ângulos quando os contemplados são os humanos, imagine nas situações em que o “público-alvo” é formado por outros sujeitos além do humano? Para começar a dificuldade, a definição de humano não é unânime entre os diferentes grupos sociais ao redor do globo, com suas metafísicas, valores e éticas diversas. Povos que não seguem a tradição ocidental, como indígenas de todas as partes da Terra, podem ter formas outras de categorizar o que seria o homem. E não é pouca gente. Segundo a ONU, há cerca de 370 a 500 milhões de indígenas no mundo, espalhados por 90 países, que vivem em todas as regiões geográficas e representam 5 mil culturas diferentes. Cada um com formas diferentes de entender sua posição no mundo, sua relação com outros seres, sua definição de homem, seu idioma. Para ter uma noção da diversidade, só na região onde está atualmente o estado de Rondônia, há 25 diferentes línguas, de famílias totalmente diferentes. Como forma de comparação, a União Europeia tem 24 línguas oficiais. Um exemplo sobre as diferentes visões do que é o humano: certos grupos indígenas amazônicos acreditam que animais que compartilham corpos semelhantes se veem como gente, enquanto os demais seres seriam animais. Tal perspectiva cria um jogo em que o animal que enxerga é “gente”, enquanto os demais, que são enxergados, são sempre “animais”, podendo ser o caçador ou a caça. Dito de outra forma: para o homem, a onça é uma ameaça, o porco, uma presa. Para a onça, que se vê como gente, o homem é uma presa. Para o porco, o homem é a ameaça, e por aí adiante. Isso é, de maneira muito genérica e esquemática, o que os antropólogos brasileiros Tânia Stolze Lima e Eduardo Viveiros de Castro conceituaram como perspectivismo ameríndio. Assim, fica demonstrada a dificuldade de se aplicar os direitos “humanos” indiscriminadamente para todo e qualquer grupo que consideramos “humanos”. No caso desses indígenas, deveríamos incluir na categoria “humanos” outros animais? Essa é uma questão que acompanha o pensamento filosófico há muito tempo. Como consequência prática, já existe um movimento antigo para criar direitos para seres outros que não os homens, a começar pelos animais não humanos. É possível afirmar que todos os humanos já tiveram ou terão algum contato com os animais não humanos, mas os tipos de contato variam enormemente. Enquanto certos animais são classificados como domésticos, criados sob o mesmo teto, com regalias dignas de pequenas altezas em certos casos, outros são considerados como matáveis, para serem transformados em alimento e vestimenta ou, até mesmo, por puro esporte. Cria-se, assim, uma hierarquia de importância entre os animais, uma hierarquia baseada em valores morais já solidificados que resvala, com frequência, em preconceitos. Para grande parte dos moradores de cidades ocidentais, é comum ver o boi e a vaca como comida, e o cachorro como um pet. Na Coreia, entretanto, é tradição usar cães também como alimento. E, antes que viremos o rosto, podemos imaginar o que os indianos hindus, que tratam vacas como sagradas, devem pensar sobre o nosso hábito de exterminá-las em matadouros industriais. Além do fato de que há outras formas de forçar uma relação de dominação por parte dos homens sobre os demais animais. O homem é chamado de animal racional, como se isso fosse um demérito para os outros, como se a razão fosse a única forma de inteligência possível. Um dos critérios técnicos para medir inteligência é o tamanho do cérebro, ou a quantidade de células nervosas versus a extensão do corpo. Por esse critério, polvos são considerados inteligentíssimos, já que têm a mesma quantidade de neurônios que cachorros e uma fração do tamanho deles. Polvos podem também usar ferramentas, como, aliás, corvos, chipanzés e outros animais — o que foi, durante um tempo, visto como exclusividade dos homens —, e são capazes de reconhecer rostos — procedimento comum a muitos outros animais. A lista para mostrar a inteligência de animais poderia continuar por longas linhas. Especismo Novamente, os exemplos são muitos. Todos demonstram que cada animal desenvolveu o que precisou para melhor viver em determinado hábitat e isso não o faz necessariamente “melhor” nem mais ou menos “inteligente” que indivíduos de outra espécie. Esse tipo de hierarquia é chamadode especismo: um conceito desenvolvido, ainda no século XX, pelo filósofo britânico Richard Ryder, que trata do uso dos animais não humanos. Tal conceito mostra como é preconceituosa certa autoridade reivindicada pelos homens para poder usar, da forma como lhe aprouver, todo e qualquer outro ser, como se todos os demais seres existissem única e exclusivamente para servir ao homem. Especismo também serve para mostrar que, em momentos específicos, usamos certas espécies como o parâmetro que julgamos os demais. Acontece com frequência com o homem, num processo antropocêntrico, em que ele se julga superior aos outros. Por esse tipo de argumento, todo sacrifício de outras espécies é válido para que o homem continue a viver. O filósofo australiano do século XX Peter Singer, famoso por suas obras sobre a relação ética entre humanos e animais, — seu livro, Libertação Animal é considerado como a obra fundadora dos Direitos dos animais — diz que o especismo é um preconceito de membros de uma espécie em detrimento dos interesses dos membros de outras espécies. Defensores dos animais não humanos tentam, há tempos, criar legislações para tratá-los como sujeitos de direitos, para protegê-los de serem meros objetos para a vontade dos homens. Saiba Mais Peter Singer Como já temos apresentado até aqui, essas questões são sempre muito complexas. Por exemplo, é do filósofo australiano o pensamento: “[...] bebês humanos não nascem com a noção de si próprios, ou capazes de perceber sua existência; eles não são pessoas. A vida de um recém-nascido vale menos que a de um porco, um cão ou um chipanzé; eles não têm senso da própria existência ao longo do tempo. Então, matar um recém-nascido nunca é equivalente a matar uma pessoa, isto é, um ser que deseja seguir vivendo" (Editorial Gazeta do Povo, 13/12/2014). Seria esse posicionamento fruto apenas da necessidade de defesa dos direitos dos animais não humanos!? O tema é forte desde o início da relação do homem com os outros animais — ou seja, desde muito tempo. Mas ficou mais forte ainda a partir das primeiras declarações sobre direitos humanos, no século XVIII. “Os sofrimentos de um animal nos parecem ruins, porque, sendo animais como eles, protestaríamos muito se nos fizessem a mesma coisa”, escreve o filósofo iluminista Voltaire, num de seus muitos textos sobre o não consumo de carne e o sofrimento causado aos animais. Recentemente, a preocupação com os animais tem crescido ainda mais. Segundo pesquisa encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, 14% dos brasileiros em 2018 se declaravam vegetarianos ou parcialmente vegetarianos. Isso representava cerca de 30 milhões de brasileiros. Em 2012, esse percentual era de 8% apenas. Isto é, a questão animal está presente cotidianamente para uma parcela razoável da população. A alimentação é apenas um pedaço do problema. Uma das grandes preocupações dos defensores dos direitos dos animais não humanos é evitar ou, ao menos, criar parâmetros aceitáveis para o uso de cobaias em pesquisas científicas. Em instituições sérias e preocupadas com o bem-estar desses animais, há uma série de protocolos para utilizá-los nesses testes, mas há quem argumenta que todo e qualquer uso é uma violência inaceitável. Ainda mais porque os bichos utilizados não ganham qualquer vantagem, nem para a espécie, muito menos individualmente. Já foi comprovado que inúmeros animais, principalmente os que têm algum tipo de sistema nervoso, são sencientes: sentem dor, sensações, sentimentos de forma “consciente”. Então, ao matar um animal, estamos matando um ser que tem mais em comum conosco do que, muitas vezes, reparamos ou gostamos de lembrar. Quando os animais têm seus direitos Neste vídeo, você identificará os argumentos em defesa dos direitos dos animais. Direito das máquinas Em um evento de tecnologia de 2017, na Arábia Saudita, um robô com inteligência artificial chamado Sophia, que conversou com o apresentador do evento ao vivo, recebeu, ao fim da entrevista, a cidadania do país saudita, como se fosse um ser humano. Era uma ação publicitária para divulgar uma cidade tecnológica chamada Neom. Comandada por robôs e inteligências artificiais, tal cidade está sendo construída pela Arábia Saudita no meio do deserto. Não se sabe exatamente o que essa cidadania proporcionou para Sophia — ou se ela conseguiu direitos de homens ou de mulheres, muito diferentes nesse país do Oriente Médio extremamente machista — mas tal situação nos leva a pensar sobre a legislação por trás de produtos e tecnologias. Cientistas, engenheiros, filósofos, empresários e todos que pensam sobre as tecnologias se dividem em diferentes formas de encarar os problemas que o futuro, nesse âmbito, nos reserva. Há os que acreditam que vamos subir nossas consciências para computadores e encontrar uma espécie de vida eterna. Outros imaginam uma versão do porvir mais preocupante, com robôs parecidos com os saídos de filmes como O exterminador do futuro (direção de James Cameron, 1984). Há ainda aqueles que pensam mais cautelosamente, mas já veem vários problemas com o alcance da tecnologia atual. Talvez ainda esteja longe o dia em que um robô terá completa autonomia e não precisará de humanos para existir — e aí saberemos se a questão sobre seu estatuto legal será, de verdade, o nosso principal problema com as máquinas. Contudo, a partir de uma mirada filosófica ou ética, as inteligências artificiais (IA) estão, desde que apareceram, dando espaço para muitas discussões. A começar debates sobre quais valores serão inseridos nesses supercomputadores. O exemplo dos carros sem motorista é sempre mencionado para explicar esse paradigma. Em uma eventual situação de acidente, o carro sem motorista respeita um protocolo já estabelecido anteriormente, mas não está claro quem estabelece esse protocolo. É o engenheiro que programou o carro? Pode ser personalizado para que cada dono do carro possa escolher a maneira como o seu automóvel vai se comportar? Tais problemas já acontecem atualmente com casos mais simples. Quando aplicativos de navegação sugerem determinadas rotas, mesmo que mais perigosas, com muito mais curvas ou mais sinais de trânsito, porque, numa situação ideal, tais caminhos são os que exigem menos tempo para percorrer a distância, já estamos vivendo um cenário parecido. Há um critério anterior (menor tempo) estabelecido para se chegar do ponto A ao ponto B e todos os demais parâmetros são colocados em segundo plano. Não é considerada a preferência do motorista (um caminho com menos curvas, por exemplo) ou mesmo sua segurança. Muitas vezes essa desconsideração acontece porque tais aplicativos são internacionais e não se adaptam às realidades locais. Outras simplesmente por ainda não haver uma tecnologia tão precisa assim ou, ainda, por não haver interesse para esse “detalhe”. Mesmo que tais aplicativos possam ser customizados, há sempre limites para a influência que exercemos sobre essas tecnologias. O melhor exemplo, nesse caso, é o das redes sociais. É elucidadora a maneira como os algoritmos priorizam certos conteúdos — geralmente mais polêmicos, que geram maior engajamento, mais discussões — em detrimento da antiquada e chata informação correta. Se a questão das redes sociais já está afetando diretamente a democracia e o comportamento das pessoas, bem como dividindo a sociedade num eterno nós contra eles, tal pensamento pode ainda ter outras influências em diferentes segmentos. Se uma IA for programada para produzir o máximo possível numa indústria, ela o fará muitas vezes em detrimento do próprio homem. Há um conto do escritor americano de ficção científica Philip K. Dick que expõe bem esse aspecto. Autofac, publicado em 1955, mostra uma sociedade completamente arrasada após uma guerra nuclear. Nesse cenário,há uma fábrica operada por inteligências artificiais que precisa continuar produzindo, mesmo que não haja mais mercado consumidor. Não seria, por enquanto, possível “prever o imprevisível”. Se algo ocorrer fora do escopo da programação da máquina inteligente, ela não saberá se adaptar às novas condições. Já existem novas versões de computadores que são autoprogramáveis, que poderiam criar saídas para situações como essa — ou a propaganda quer, dessa forma, que nós acreditemos nas supermáquinas. Mas, nesse caso, ainda não teríamos uma solução para como uma inteligência artificial deveria se portar em relação ao humano. Teóricos sugerem que o nosso melhor “legado” para as máquinas seria o nosso humanismo. Pelo lado bom dessa interpretação, seria colocar o homem no centro das questões a ponto de impedir que uma máquina cause mortes por tentar atingir cegamente suas metas. Mas há diversos lados ruins dessa questão. A começar: que homem estaria no centro? Os habitantes de países pobres teriam o mesmo peso que os de países ricos? E os outros seres, como os animais não humanos, mencionados recentemente, continuariam vistos apenas como objetos para o uso humano? Por fim: estaríamos vivendo, atualmente, o melhor dos mundos possíveis, como disse certa vez o filósofo alemão do século XVII e início do XVIII G. W. Leibniz? Será que no momento atual, com o aquecimento global, com a feroz concentração de riquezas nas mãos de pouquíssimas pessoas, com o aparecimento de pandemias assustadoras, não seria melhor pensar em um outro mundo, em que o homem não estivesse tão no centro assim? Em que ele compartilhasse essa centralidade ou simplesmente a entregasse para outros seres — para o planeta, por exemplo? Isso sem falar no custo — político, social, ambiental etc. — que tais inteligências artificiais arrastam consigo. Logo após o golpe de Estado na Bolívia em 2020, o multibilionário do ramo da tecnologia Elon Musk chegou a afirmar, de forma parcialmente irônica e parcialmente desafiadora, que se deveria dar um golpe em quem precisasse para que sua empresa continuasse a prosperar. Não deve ser coincidência que grande parte da reserva mundial de lítio, um mineral essencial para a construção de baterias de celulares e carros elétricos (ramo de uma das empresas de Musk), fica na Bolívia. Se quisermos adaptar essa ideia de humanismo para outros modos, seria possível pensar que deveríamos determinar um código de ética para as máquinas, diretrizes que elas devem respeitar acima de quaisquer outros valores, códigos que não poderiam nunca ser quebrados. Mas quem determinaria tal constituição? Quais países teriam poder de influir sobre isso? As nações ricas dividiriam o poder com as pobres? E as empresas de tecnologia, cada vez mais poderosas e ricas, renunciariam o controle de suas próprias criações para deixar que um conselho plural determinasse como suas máquinas deveriam se comportar? E se essas determinações restringirem os lucros dessas empresas? É difícil acreditar nisso, considerando que nem mesmo uma regulação externa é bem aceita por essas empresas, que logo dizem que estão sendo censuradas. O possível surgimento de máquinas mais inteligentes que os humanos coloca a própria humanidade a se olhar no espelho. Se a razão, como vimos também, é a forma como o homem sempre quis se identificar, encontrar outro ser que nos ultrapassa na nossa principal característica nos faz pensar que talvez não seja essa a nossa principal característica ou, se for, há outros seres mais “humanos” que nós mesmos. As máquinas têm direitos? Com este vídeo, você poderá perceber as temáticas mais recentes sobre direitos. Direitos de diversos seres Uma das consequências diretas de se pensar o mundo colocando o homem no seu centro é o que está sendo chamado de Antropoceno: uma nova era geológica em que o principal fator de mudança (termodinâmica, geomorfológica, física, climática) não é mais um ente “natural”, mas o homem e suas criações. Uma das consequências mais imediatas é a crise ecológica com o aquecimento global e as drásticas deteriorações nas áreas habitáveis. Como visto, com o homem no centro do mundo, todos os demais entes são apenas matéria-prima para ele se utilizar. Os animais não humanos, já mencionados, se transformam em seres para o consumo, com pouco espaço para exercitarem suas vidas independentemente. Segundo o IBGE, em 2019, havia mais bois que homens no Brasil, todos para o corte ou para produção de laticínios, mas não são apenas eles que sofrem na mão humana. Também os minerais são tratados de maneira similar, como um estoque para servir a grandes empresas. As florestas são reserva de madeira e futura área de pasto. Monoculturas que provocam os esgotamentos nutricionais dos solos, que alimentarão outros animais, que, por sua vez, servirão de alimento para os humanos. Mesmo com outras opções, o fluxo das águas segue sendo canalizado para produzir energia. Nada tem espaço, menos ainda tempo, para se renovar na própria velocidade. São extraídos de forma violenta, retirados industrialmente de seus hábitats para atender o homem. Além disso, para alguns grupamentos humanos não ocidentais, certos usos do seu território são considerados um sacrilégio. Para dar um exemplo entre muitos: na Austrália, o povo Anangu acredita que todos os seres, inclusive os elementos da paisagem, foram criados por seres antigos, seus antepassados. Isso inclui a montanha Uluru, um monolito de arenito de 348 metros de altura, que é um dos pontos mais famosos da região. Por conta do seu aspecto particular, um morro vermelho no meio de uma vasta planície, Uluru foi, por muitos anos, um ponto turístico que atraiu diversos escaladores. Ao longo dos anos, porém, houve vários acidentes, inclusive fatais, muitos deles provocados pela erosão de dejetos industriais deixados pelos turistas. O povo Anangu — povo que vivia ali por séculos e chegou a ser impedido de habitar o espaço — exigia que a montanha fosse fechada. O argumento é simples no discurso, complexo no subtexto: Uluru é sagrada e deve permanecer intocada. O problema é que o governo australiano, mesmo depois de devolver a terra para os Anangu, liberava as escaladas. Apenas em 2019, Uluru foi fechada por completo. Há casos ainda em que outros seres não humanos se tornaram sujeitos de direito. O caso mais anedótico aparece na Colômbia, para onde o traficante de drogas Pablo Escobar transportou hipopótamos africanos que, após sua morte, se reproduziram sem limites e invadiram as florestas tropicais. Esses hipopótamos, atualmente, são considerados uma praga, a maior espécie invasora do mundo. Não há qualquer predador ou animal do mesmo porte que dispute os territórios com eles. O governo colombiano estava estudando liberar o abate, para diminuir o número de indivíduos, que está em torno da centena, entretanto, em 2021, uma decisão judicial os considerou sujeitos de direitos, que não podem ser mortos. Ficou decidido, então, que serão utilizados dardos anticoncepcionais. Um caso mais paradigmático aconteceu em países vizinhos: Bolívia e Equador. Com a ascensão ao poder de presidentes ligados a movimentos indígenas em ambos os países, foi decidido que a constituição dessas nações deveria ser reescrita, para, entre outras questões, incluir a variedade dos povos da região. Foi o início do chamado novo constitucionalismo latino-americano. Ambos os países viraram plurinacionais, mas as intervenções judiciárias não pararam aí. Tanto Bolívia quanto Equador incluíram em suas legislações as filosofias da Mãe Terra — Pachamama — e do bom viver, relacionadas com diversos grupos étnico-sociais que habitam aquelas áreas muito antes de o primeiro espanhol pisar em terras americanas. Na Bolívia, apesar de não aparecer na Carta Magna, foi criada uma lei específica para reconhecer o caráterjurídico da Mãe Terra como sujeito coletivo de interesse público. Identifica a interculturalidade como princípio para o exercício dos seus direitos, reafirmando a necessidade de diálogo e harmonia com a natureza. Um dos artigos da lei afirma que os bolivianos e as bolivianas são parte da Mãe Terra, não sujeitos que centralizam e se utilizam de todos os demais seres. Também foi criada uma defensoria pública para os interesses da Mãe Terra, que tem como fim zelar pelo cumprimento dos direitos de Pachamama. O Equador foi além: colocou o direito de Pachamama e do bom viver dentro da própria constituição. Seu artigo 10 fala que a natureza terá seus direitos reconhecidos, como as pessoas, as comunidades, os povos, as nacionalidades, os coletivos. Outros artigos tratam do bom viver e garantem o direito humano à água e a alimentos saudáveis e nutritivos. Também é proibida a produção, comercialização ou importação de produtos geneticamente modificados por serem tanto prejudiciais à saúde humana como por atentar contra a soberania alimentar e os ecossistemas. No capítulo sobre Pachamama, o texto constitucional garante o direito da natureza de se reproduzir, de realizar a vida e de regenerar seus ciclos vitais. Qualquer pessoa poderá exigir o cumprimento desses direitos junto a autoridades públicas. Há ainda medidas de precaução contra a extinção de espécies, a destruição de ecossistemas e a alteração permanente de ciclos naturais. A constituição do Equador é, até o ano de 2021, a única do mundo a reconhecer todos esses direitos à natureza. Esse tipo de procedimento mostra uma tentativa de retirar a posição central do humano ao longo da história e garantir a outros entes, que são ou deveriam ser igualmente sujeitos de direito. Claro que, em muitos casos, certos direitos e morais entram em conflito, por não se saber qual é o mais importante ou quem precisa ser mais respeitado. O caso dos procedimentos religiosos afro-brasileiros que se utilizam de animais em sacrifícios entra em conflito direto com a defesa dos direitos dos bichos. Nesses casos, quem tem a prioridade: a liberdade religiosa ou a vida dos existentes? Qual deve prevalecer? Vivemos cada vez mais um conflito de mundos, de diferentes metafísicas, éticas e mesmo direitos. Devemos aprender, ou reaprender, a viver em comunidade, para que cada um — homem, outros animais, robôs, ciborgues, minerais, montanhas, florestas, a Terra, enfim — tenha seu espaço e seja respeitado em suas diferenças. Direitos da terra e a humanidade Veja agora os argumentos necessários para que você possa se posicionar face às questões éticas acerca da relação entre os direitos humanos e os direitos da Terra. Confira! Considerações finais Percebemos como a discussão sobre ética, moral e valores forçou a criação de um arcabouço legal que pretendeu proteger os homens de serem explorados ou vilipendiados por outros homens. Mesmo que os direitos humanos até hoje não sejam uma realidade para todas as pessoas, eles são, ao menos, um parâmetro de comparação. Para que todas as pessoas saibam o que elas podem reivindicar, como se proteger e aquilo que é o mínimo de dignidade. Os direitos humanos também serviram para que outros grupos não humanos também pudessem exigir, por representação, um tratamento de igualdade. Os direitos de animais não humanos e mesmo da própria Terra se tornam essenciais num mundo em que o homem, por estar sempre no centro das decisões, parece só se importar consigo. A ética também aparece em outras questões bem atuais, como os limites da liberdade de expressão e a criação de inteligências artificiais — dois temas que, junto com o Antropoceno, são talvez os mais urgentes dos dias de hoje. Isso só mostra como, mesmo sendo uma das disciplinas mais antigas da filosofia, a ética ainda não perdeu qualquer importância, nem parece que perderá. Neste vídeo, vamos aprofundar os principais conceitos de nosso conteúdo. Tema 3 - Ética Jurídica: a Advocacia Propósito Conhecer acerca do surgimento e do desenvolvimento da advocacia, além de saber como divulgar a atividade advocatícia, é essencial para a construção de uma carreira sólida e de sucesso. Preparação Tenha em mãos a Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB), o Regulamento Geral do EAOAB e o Código de Ética e Disciplina. Objetivos ● Reconhecer a origem e evolução da atividade de advogado, assim como sua divulgação. ● Distinguir a figura do advogado sócio do advogado empregado. ● Analisar os direitos, prerrogativas e honorários advocatícios. Introdução Conhecer as bases, os princípios e as regras éticas da nossa profissão é essencial para um futuro promissor. A deontologia jurídica ensina que de nada adianta o advogado saber muito sobre determinado ramo do Direito, mas não utilizar seus conhecimentos de forma ética. Por conseguinte, um advogado que infringe as normas éticas pode colocar a história de sua carreira em risco. Origem, evolução e divulgação da atividade de advogado. Origem e evolução da advocacia Você conhece a origem da advocacia? E quanto à sua evolução? Vamos acompanhar o professor Paulo Machado discorrer sobre o assunto. Origem e evolução da advocacia Não temos como precisar quem foi o primeiro advogado do mundo. Rui Barbosa dizia que o primeiro foi aquele que defendeu alguém de uma injustiça, de uma lesão ou de uma ameaça. Alguns historiadores tentam se ater a alguns pontos, até mesmo da Bíblia, para achar algum registro de quando a advocacia se tornou profissão. Isso se dá porque antigamente essa profissão estava entre atividades não especulativas, assim como médicos, professores e amas de leite. No entanto, existe um registro de quem foi o primeiro advogado no Brasil. Trata-se de Duarte Perez, um português degredado em 1502. Em linhas gerais, podemos organizar o surgimento e a evolução da advocacia em três momentos (sem nos prender a lugar e tempo). Primeiro momento Foi caracterizado pelo uso intenso da oratória, pois nessa época ainda não havia escrita. Esse momento se iniciou com as partes atuando em defesa própria, surgindo depois a possibilidade de levar um amigo (amicus) ao “tribunal”. Mais tarde, os amigos que mais se destacavam pelo dom da palavra evoluíram para a figura de orador, etapa em que passaram a ser contratados para representar alguém. Daí a expressão advogado, do latim AD (para junto) mais VOCATUS (chamado), aquele que é chamado para junto. Com isso, o uso intenso da palavra deu azo para o surgimento das falácias (falsas ideias, quando a premissa aparentemente verdadeira era utilizada para se chegar a conclusões equivocadas). Diante disso, algumas restrições passaram a ser criadas: limite do uso do tempo, menores de idade não puderam mais representar outras pessoas e o orador tinha de abandonar a causa, se ela fosse injusta. Segundo momento Tão logo a escrita foi sendo criada, iniciou-se o segundo momento da evolução da advocacia. Há registos de que, no Egito, o processo passou a ser 100% escrito (por muito tempo). Tudo isso com o objetivo de se evitar o abuso da oratória. Terceiro momento O terceiro momento da evolução da advocacia ocorreu com a criação das leis. Aqui então junta-se a figura do orador com a do jurisconsulto, que é a versão mais próxima dos advogados dos tempos atuais. Você deve estar se perguntando como isso se deu no Brasil, certo? Curiosidade No Brasil, os principais acontecimentos do surgimento da advocacia foram em 1825, mais precisamente no dia 11 de agosto, quando foi autorizada a criação da primeira faculdade de Direito do país, que acabou não acontecendo. Entretanto, aproveitando o ensejo, Visconde de Cachoeira criou o primeiro estatuto das faculdades de Direito. Em 1827, de fato, foram criadas as primeiras faculdades de Direito dopaís, mais precisamente em Olinda e São Paulo. Divulgação e publicidade da advocacia A questão da publicidade dos serviços advocatícios está abordada nos arts. 39 a 47 do Novo Código de Ética e Disciplina, que manteve a permissão da publicidade, mas com algumas restrições. Saiba Mais Diferentemente de outros lugares (como, por exemplo, nos EUA, onde a publicidade pode ser feita com mais liberdade), no Brasil não se admite o uso de mecanismos ou de expressões que possam captar clientes nem a divulgação da advocacia com outra atividade. Vedam-se ainda a veiculação pelo rádio e pela televisão e a denominação de nome fantasia. A fim de alcançar todos os detalhes acerca desse relevante tema, veremos a seguir as regras básicas a respeito dele trazidas no Código de Ética e Disciplina (CED). Regramento da divulgação e publicidade na advocacia O art. 39 do CED determina que a publicidade profissional do advogado tem caráter meramente informativo e deve primar pela discrição e sobriedade, não podendo configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão. Já o art. 40 do mesmo diploma traz as principais diretrizes acerca do tema ao dizer que são vedados: I - a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão; II - o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade; [...] III - as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; IV - a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação de vínculos entre uns e outras; V - o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; VI - a utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela. (BRASIL, 2022, art. 39) Entretanto, exclusivamente para fins de identificação dos escritórios de advocacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas no artigo 39. Atenção Outro ponto importante é o que está determinado no art. 41: as colunas que o advogado mantiver nos meios de comunicação social ou os textos que, por meio deles, divulgar não deverão induzir o leitor a litigar nem promover, dessa forma, a captação de clientela. Ainda podemos citar como vedações ao advogado aquelas elencadas no art. 42 do CED: I. responder com habitualidade à consulta sobre matéria jurídica nos meios de comunicação social; II. debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado; III. abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o congrega; IV. divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas; V. insinuar-se para reportagens e declarações públicas. Além disso, podemos destacar outras regras: Programa de televisão O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisionada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profissional, deve visar a objetivos exclusivamente ilustrativos, educacionais e instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. Manifestação pública Quando convidado para manifestação pública por qualquer modo e forma, visando ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral, deve o advogado evitar insinuações com o sentido de promoção pessoal ou profissional, bem como o debate de caráter sensacionalista (art. 43, parágrafo único, do CED). Publicidade profissional Na publicidade profissional que o advogado vier a promover ou nos cartões e material de escritório dos quais se utilizar, ele fará constar seu nome, o nome social ou o da sociedade de advogados, o número ou os números de inscrição na OAB (art. 44 do CED). Títulos acadêmicos Poderão ser referidos apenas os títulos acadêmicos do advogado e as distinções honoríficas relacionadas à vida profissional, bem como as instituições jurídicas das quais faça parte e as especialidades às quais se dedica, o endereço, e-mail, site, página eletrônica, QR code, logotipo e a fotografia do escritório, o horário de atendimento e os idiomas em que o cliente poderá ser atendido. Cartões de visitas Nos cartões de visitas do advogado, é proibida a inclusão de fotografias pessoais ou de terceiros, bem como menção a qualquer emprego, cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou instituição, salvo o de professor universitário. Ressalte-se que o art. 45 do CED admite, como formas de publicidade, o patrocínio de eventos ou publicações de caráter científico ou cultural, assim como a divulgação de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos advogados, desde que sua circulação fique adstrita a clientes e a interessados do meio jurídico. É importante lembrar ainda que a publicidade veiculada pela internet ou por outros meios eletrônicos deverá observar as diretrizes estabelecidas no CED/OAB. A telefonia e a internet podem ser utilizadas como veículo de publicidade, inclusive para o envio de mensagens a destinatários certos, desde que isso não implique o oferecimento de serviços ou represente forma de captação de clientela. Em 2021, o Conselho Federal editou o novo provimento que trata da publicidade da advocacia (Provimento 205/2021). 2 Advogado sócio e advogado empregado. Formação de sociedade Advogado sócio e advogado empregado Neste vídeo, o professor Paulo Machado discorre sobre a atuação do advogado como sócio e como empregado, trazendo suas principais características. Advogado sócio Quando um advogado começa a assumir uma quantidade considerável de causas, chega o momento de se unir a outro(s) advogado(s), constituindo, juntos, uma sociedade de advogados. Os sócios dividem as tarefas e rateiam os lucros auferidos. Nos termos do art. 15, §2º, da Lei nº 8.906/1994, isso se aplica à sociedade de advogados e à sociedade unipessoal de advocacia o Código de Ética e Disciplina, no que couber. Advogado empregado O advogado empregado é aquele que mantém um vínculo empregatício com uma empresa ou uma sociedade de advogados para a qual presta os seus serviços de advocacia. Ele preenche todos estes requisitos caracterizadores do mencionado vínculo: ● Habitualidade ● Onerosidade ● Pessoalidade ● Subordinação Pela primeira vez, essa forma de advocacia recebeu sua tutela legal com o advento do atual Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94) nos arts. 18 ao 21. O Regulamento Geral também tratou do assunto nos arts. 11 ao 14. A relação de emprego não retira do advogado a isenção técnica, tampouco reduz a independência profissional inerente à advocacia. O advogado empregado não está obrigado a prestar serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores fora da relação empregatícia. Vejamos alguns aspectos importantes relacionados a essa espécie de advogado: Piso salarial O salário-mínimo do advogado empregado será fixado por sentença normativa, salvo quando ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Jornada de trabalho e hora extra A jornada de trabalho do advogado empregado, quando prestar serviço para empresas, não poderá exceder a duração diária de 8 (oito) horas contínuas e a de 40 (quarenta) horas semanais. As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remuneradas com um adicional não inferiora 100 % (cem por cento) sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. Naqueles casos de dedicação exclusiva, serão remuneradas como extras as horas trabalhadas que passarem da jornada de 8 (oito) horas diárias. Considera-se como período de trabalho todo o tempo em que o advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembolsados os gastos efetuados com transporte, hospedagem e alimentação. Os honorários de sucumbência e o advogado empregado O art. 21 do estatuto e seu parágrafo único determinam que, nas causas em que o empregador (ou pessoa por ele representada) for parte, os honorários de sucumbência serão devidos aos advogados empregados. Já se o advogado for empregado de sociedade de advogados, os sucumbenciais serão partilhados entre ele e a sociedade conforme o estabelecido em acordo. Esses dispositivos, embora tenha sido objetos de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.194-4), foram declarados constitucionais pelo STF, que deu interpretação conforme, sem redução do texto. Os referidos honorários, por decorrerem precipuamente do exercício da advocacia e só acidentalmente da relação empregatícia, não integram o salário ou a remuneração do advogado empregado, não podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas. Os honorários sucumbenciais desses advogados constituem fundo comum, cuja destinação é decidida pelos profissionais integrantes do serviço jurídico da empresa ou por seus representantes. Responsabilidade civil do advogado Jornada de trabalho e hora extra 3 Direitos e prerrogativas. Honorários advocatícios. Advocacia e seus direitos Direitos do advogado O estatuto trata indistintamente as expressões “direitos” e “prerrogativas” do advogado. Desse modo, inicialmente nos cabe fazer um breve esclarecimento sobre a diferença técnica entre ambas. Direito Podemos dizer que o “direito” está relacionado a todas as pessoas. VERSUS Prerrogativa Já a “prerrogativa” é um direito exclusivo de determinada profissão para o seu pleno exercício. Desse modo, todos têm o direito à livre locomoção no território nacional em tempo de paz (art. 5º, XV, Constituição Federal), mas os advogados têm a prerrogativa visitar clientes presos, sem procuração, como determina o art. 7º, III, da Lei nº 8.906/1994. Comentário Entretanto, por questões didáticas, também empregaremos as expressões “direitos” e “prerrogativas” sem distinção, como se fossem sinônimos. Atenção O Estatuto da Advocacia e da OAB disciplina os direitos dos advogados ao longo de toda a lei, sendo que as concentra em maior número no Capítulo II do Título I (arts. 6º e 7º). Sendo a advocacia indispensável à realização da justiça – ao lado da magistratura do Ministério Público –, o art. 6º logo determina que não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratarem-se com consideração e respeito recíprocos. Para que o advogado possa exercer de maneira plena e sem embaraços a sua atividade, impõe-se às autoridades, aos servidores públicos e aos serventuários da justiça o dever de tratar os advogados, no exercício da profissão, de forma compatível com a dignidade da advocacia, inclusive com condições adequadas ao seu desempenho. Conforme o disposto no art. 7º do estatuto, são direitos do advogado: I – exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional. O advogado devidamente inscrito em um determinado conselho seccional da OAB pode exercer a profissão em todo o país. É importante apenas lembrar que tal prerrogativa permite que o profissional advogue ilimitadamente no respectivo conselho e eventualmente em qualquer outro estado. Se passar a exercer habitualmente a profissão, considerando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder as cinco causas por ano, em outro estado, ele deverá providenciar outra inscrição (inscrição suplementar - art. 10, § 2º, do EAOAB). Desse modo, é garantido o direito de advogar livremente dentro do território nacional, sendo que, em alguns casos, essa atuação é condicionada à realização de outra inscrição. II – a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia. Esta é a nova redação dada a tal inciso pela Lei nº 11.767/2008. Essa lei também acrescentou os parágrafos 6º e 7º ao art. 7º do Estatuto da Advocacia, o qual, em linhas gerais, melhor tratou do tema da inviolabilidade referida nesse inciso. A inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, não é absoluta. Uma vez presentes os indícios de autoria e materialidade da prática de crime pelo advogado, a autoridade judiciária competente poderá, em decisão motivada, decretar a quebra da inviolabilidade de que trata esse inciso, expedindo, para tanto, o devido mandado de busca e apreensão, específico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB. É de salientar que, em qualquer hipótese ‒ mesmo nesses casos ‒, é proibida a utilização dos documentos, das mídias e dos objetos que pertencem aos clientes do advogado averiguado, muito menos dos demais instrumentos de trabalho que tenham informações acerca de clientes, a não ser que algum cliente do advogado averiguado seja formalmente investigado como partícipe ou coautor pela prática do mesmo crime que deu origem à quebra da inviolabilidade. III – comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando eles se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis. A Constituição Federal garante a todo preso a assistência de advogado (art. 5º, LXIII). Ao encontro da Lei Maior, o Estatuto da Advocacia e da OAB confere ao advogado esse direito. Apenas por questão de debate, ainda que de forma bem sucinta, no que tange à incomunicabilidade do preso (tratada no art. 21 do Código de Processo Penal), acompanhamos o entendimento de renomados autores, entre eles, Fernando da Costa Tourinho Filho (2012): na atualidade, pelo fato de a Constituição Federal determinar que é vedada a incomunicabilidade do preso na vigência do estado de defesa, com mais razão tal incomunicabilidade não deve existir na ausência dele. Reforçando esse entendimento, o ilustre professor (2012) afirma que, “se por acaso, houver entendimento contrário, não se deve olvidar que a incomunicabilidade é medida perversa e que, no fundo, o seu objetivo, que é impedir a comunicação do preso com o mundo exterior, se reduz a uma nonada, em face do direito conferido ao advogado de se comunicar com o incomunicável pessoal e reservadamente”. De qualquer forma, a incomunicabilidade não alcança o advogado. IV – ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade, e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB. Este inciso foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8), proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em relação à expressão “ter a presença de representante da OAB”, que chegou a ficar suspensa desde 1994. Contudo, o STF, no julgamento do mérito, ocorrido em 17 de maio de 2006, decidiu pela integral constitucionalidade do inciso. Ressalte-se que os ministros do pretório excelso destacaram que, se a OAB não remeter um representante em tempo hábil, não haverá de se falar em invalidade da prisão em flagrante. Em complementação, o parágrafo 3º do art. 7º do estatutogarante ao advogado o direito de somente ser preso em flagrante em caso de crime inafiançável, desde que por motivo ligado ao exercício da profissão e, mesmo assim, com as observações indicadas no inciso IV. Ainda sobre o assunto: Imunidade profissional do advogado A imunidade profissional do advogado é tratada no artigo 7º, parágrafo 2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994): “O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB pelos excessos que cometer”. artigo 7º, parágrafo 2º, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/1994): Saiba Mais Acontece que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8) na qual o Supremo Tribunal Federal, em 1994, suspendeu liminarmente a eficácia da expressão “desacato”, tendo o mérito sido julgado em 17 de maio de 2006 e, nessa parte, julgado procedente, ou seja, o advogado não tem mais imunidade profissional em relação ao crime de desacato. V – não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar. Mais uma vez, a AMB insurgiu-se, por meio de ADI, contra a Lei nº 8.906/1994. Nesse caso, foi em relação à expressão “assim reconhecidas pela OAB”. O STF, confirmando a liminar antes concedida, julgou, nessa parte, procedente a ação, ou seja, declarou a inconstitucionalidade da expressão “assim reconhecidas pela OAB”. A prerrogativa de prisão domiciliar, na ausência de sala de Estado Maior, continua valendo. Esse é o entendimento do Supremo Tribunal Federal. VI – ingressar livremente: Com essas prerrogativas, o estatuto garante ao advogado o pleno exercício de sua atuação a fim de que ele possa representar os interesses de seus clientes de maneira eficaz. Qualquer impedimento a essas garantias deve ser entendido como ilegal e, nos casos de violações às alíneas a, b e c, como crime de abuso de autoridade, previsto no art. 3º, f, da Lei nº 4.898/1995. Na alínea d, encontramos um direito que, para ser exercido, exige procuração com poderes especiais. VII – permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença. Conforme o art. 6º do estatuto, não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público. Nesse mesmo sentido, esse inciso assegura ao advogado decidir a melhor maneira de ficar nos locais onde precisa estar para o exercício da advocacia, sem qualquer interferência por parte dos agentes públicos (nem mesmo das autoridades policiais e judiciárias). Importa em desprestígio para a classe - e nenhum advogado pode a isso condescender - quando o magistrado determina o local onde o advogado deve ficar com a clara intenção de menoscabo ou em atitude arbitrária. VIII – dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada. Justamente em razão de não haver hierarquia nem subordinação entre advogados e magistrados, e pelo fato de ser o advogado um dos figurantes essenciais à justiça, é assegurado o seu livre acesso aos magistrados. Entretanto, é razoável que, em razão de um ato processual estar sendo realizado, a autoridade judiciária solicite ao advogado que aguarde o término do aludido ato. O que não se admite é a restrição para atendê-lo somente em alguns dias da semana e em horários previamente estipulados. Comentário Para fins de prova (Exame de Ordem), é direito do advogado - e não do estagiário. IX – sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas sessões de julgamento, após o voto do relator, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de 15 minutos, salvo se prazo maior for concedido. O STF declarou inconstitucional todo o conteúdo desse inciso por ocasião do julgamento da ADI nº 1.127-8 proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros. Quis o legislador garantir ao advogado o direito de sustentar oralmente as razões recursais “após o voto do relator”, o que contribuiria muito para a realização da justiça, uma vez que, após ouvir o voto do relator, o advogado melhoraria sua argumentação para o melhor esclarecimento das razões para os demais julgadores do órgão colegiado. Com a declaração de inconstitucionalidade, o advogado deve prever o voto do relator e preparar uma sustentação oral a mais completa e sintetizada possível. Observe que, no Novo Código de Ética e Disciplina (art. 60, §4º), ainda consta que, no processo disciplinar na OAB, a sustentação oral do advogado será após o voto do relator! X – usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas. Aqui temos uma importantíssima prerrogativa garantida pelo estatuto aos advogados. Trata-se da utilização da expressão “pela ordem” quando se verificar a necessidade de esclarecer algum equívoco ou uma dúvida relevante que possa influir no julgamento, ou ainda como forma de defesa contra acusações ou censura que lhe forem feitas. XI – reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. Este inciso traz mais uma forma de o advogado reclamar para as autoridades contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. A diferença entre o inciso anterior e este é que, no primeiro, a intervenção deve ser sumária, de modo a evitar um prejuízo maior, enquanto, no último, pode-se esperar um momento mais oportuno para intervir. XII – falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo. O advogado tem o direito de se manifestar oralmente, sentado ou em pé, em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Legislativo ou da Administração Pública, não podendo nenhum ato normativo interno estabelecer forma diversa. XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estiverem sujeitos a sigilo ou segredo de justiça, assegurada a obtenção de cópias, com possibilidade de tomar apontamentos (Redação dada pela Lei nº 13.793, de 2019). O direito ao exame dos autos e o de vista dos autos não se confundem: Direito ao exame dos autos Tal direito nada mais é do que a simples consulta dos autos no cartório. VERSUS Direito de vista É a retirada dos autos pelo advogado mediante registro em livro de carga ou em documento que declare a saída dos autos. Por vezes, o exame dos autos é necessário para suprir uma dúvida urgente ou até mesmo para que o advogado decida se irá ou não ingressar na causa. Assim, o estatuto assegura ao advogado examiná-los em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e da Administração Pública em geral, findos ou em andamento, mesmo sem procuração, desde que não estejam submetidos a sigilo, sendo assegurada a obtenção de cópia, além de ele poder tomar apontamentos. Em relação ao direito de obtenção de cópia mesmo sem procuração explicitado nesse inciso, explica Geronimo Theml de Macedo (2009, p. 81): “aqui é fundamental ter em mente que o direito nãoConvencionados Arbitrados judicialmente Sucumbenciais Pacto quota litis Formas judiciais de cobrança Atenção Prescrição (art. 25, EAOAB) Saiba Mais Considerações finais Tema 4 - A Ordem Dos Advogados do Brasil Itens iniciais Finalidades e natureza da OAB Finalidades institucionais Finalidades corporativas Origem e natureza jurídica da OAB Atenção Saiba Mais 1.Finalidades da OAB Personalidade jurídica O Instituto dos Advogados Brasileiros Exemplo Vem que eu te explico! 2 Estrutura organizacional da OAB Saiba Mais Regras gerais para as eleições e mandatos na OAB Frequência Obrigatoriedade Local Vem que eu te explico! 3 Competências dos órgãos da OAB Conselho Federal Votação no Conselho Federal Exemplo Competências do Conselho Federal da OAB Saiba Mais Conselhos seccionais Exemplo Subseções Atenção Diretoria da subseção Caixa de Assistência dos Advogados Dispensa da anuidade Convênios de colaboração Incorporação do patrimônio Vem que eu te explico! Considerações finais Tema 5 - Inscrição e Registro na Oab Itens iniciais 1 - Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento Quadros da OAB Requisitos para inscrição como advogado Comentário Saiba Mais Requisitos para inscrição como estagiário 1.Inscrição do advogado, incompatibilidades, impedimentos e licenciamento Inscrição Exemplo Afastamento e saída do quadro da OAB Licença Assim o requerer por motivo justificado Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário Sofrer doença mental considerada curável Cancelamento Assim o requerer Sofrer penalidade de exclusão Falecer Passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em caráter definitivo Perder qualquer um dos requisitos necessários para a inscrição Impossibilidades de atuação Incompatibilidade e impedimento Direito Civil Direito Processual Civil e Direito Processual Penal Resumindo Casos de incompatibilidade I Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais II Membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pública direta ou indireta III Ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público IV Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem serviços notariais e de registro V Ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente à atividade policial de qualquer natureza VI Militares de qualquer natureza, na ativa VII Ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições parafiscais VIII Ocupantes de funções de direção e gerência em instituições financeiras, inclusive privadas Afastamento temporário da atividade incompatível Afastamento definitivo da atividade incompatível ‒ desincompatibilização Casos de impedimento Exemplo Exceção para advogados que sejam docentes de cursos jurídicos Comentário II – Membros do Poder Legislativo Impedimentos especiais (ou impedimentos sui generis) Atenção Vem que eu te explico! 2.Registro das sociedades de advogado Sociedade de advogados Exemplo Saiba Mais Outros aspectos Exemplo Vem que eu te explico! Considerações finais Estatuto da Advocacia e da Oab | LEI Nº 8.906, DE 04 DE JULHO DE 1994