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Para Espinosa, enquanto todas as coisas que existem eram 
criadas por algo diferente delas, Deus é o motivo da própria 
existência. Todas as coisas existem porque são parte dele. 
O universo, o planeta, os seres vivos, os seres humanos... todos 
eram, segundo Espinosa, modificações de Deus, já que são, em 
última instância, causados por ele. Deus é a única coisa que não 
depende de outra. 
Porém, há um sentido em que as coisas são causadas e que 
merece destaque: a ideia herdada das conquistas da revolução 
científica: tudo possui uma causa. Como a única coisa que existe 
em si é Deus, então, em última instância, todas as coisas também 
são causadas por ele. 
 
 
 
 
Exemplo 
O pai seria a causa do filho, pois, sem ele, o filho não existiria. Por 
outro lado, o pai também não existiria sem ter um pai, que, por sua 
vez, também depende do seu pai – e assim segue até o infinito. 
 
É nesse sentido que as coisas que existem são modificações de 
Deus, mas diferenciam-se dele pela finitude que tem. 
 
 
 
 
Enquanto Deus é algo que existe sem que qualquer coisa o limite – 
pois não existe nada no universo que exista em si além dele –, as 
 
 
 
 
 
 
coisas do mundo sempre têm, diante de si, outras que as impedem 
de desenvolver completamente sua natureza. A partir dessa 
dualidade entre Deus e as coisas finitas, podemos considerar o 
problema da liberdade. 
 
Espinosa não toma a liberdade como uma vontade espontânea ou 
a capacidade de seguir seus interesses, uma vez que não existe 
nada que aconteça sem que haja uma causa que a provoque. 
 
 
 
Agir de determinada maneira e sem qualquer causa não tem lugar 
no sistema espinosano. Como tudo sempre possui uma causa, um 
ser será livre apenas quando não for determinado por coisas que 
lhe são externas. 
 
 
Para Espinosa, ser livre é conseguir exprimir sua essência sem que 
qualquer coisa o limite; ou seja, sem ser causa de si mesmo. 
Nessa disposição, apenas Deus pode ser verdadeiramente livre. 
 
 
Como os seres humanos não podem agir sem serem, em alguma 
medida, motivados por algo externo, eles estariam condenados à 
servidão. Além disso, como não são causa de si mesmo, isto é, 
como são sempre produzidos por outra coisa – e, em última 
instância, por Deus –, os indivíduos também não podem ter 
domínio sobre aquilo que lhes acontece e afeta. 
 
 
O que sobraria para os humanos? Seria possível algum tipo de liberdade do ponto de 
vista humano? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para Espinosa, a liberdade humana não se encontra na 
capacidade de os indivíduos agirem como desejam, mas de 
entenderem-se como parte de uma natureza divina que (e apenas 
ela) se desenvolve livremente. 
 
A liberdade para Espinosa é, na verdade, libertar-se das falsas 
expectativas de poder agir de maneira espontânea. Porém, isso 
também não significa que simplesmente se aceite tudo como é. 
Enquanto seres finitos, nossos desejos são sempre limitados, mas 
isso não significa que sejamos absolutamente impotentes. 
 
Para Espinosa, a vida ética passa pela correta avaliação do que 
está no nosso controle e que é preciso simplesmente aceitar como 
o curso livre do desejo divino. Parece que Espinosa entendia de 
“entrego, confio, aceito e agradeço”, não é mesmo? 
 
 
A Idade Moderna e o pensamento de Espinosa 
 
 
Confira, neste vídeo, o pensamento de Espinosa no contexto da 
Idade Moderna. 
 
 
 
 
Jean-Jacques Rousseau 
 
 
 
 
 
 
 
Na segunda metade do século XVIII, houve na Europa – e, sobretudo, na França – 
grande movimentação de intelectuais que procuraram combater inúmeras formas de 
dominação religiosa e política a partir do conhecimento como força libertadora. 
 
Conhecido como Iluminismo e composto por filósofos como Voltaire (1694-1778), 
Montesquieu (1689-1755), Diderot (1713-1784) e D'Alembert (1717-1783), esse 
momento foi uma das principais inspirações para a Revolução Francesa, que 
eclodiu em 1789. 
 
 
Os iluministas tinham como principal alvo a Igreja, pois, para eles, 
essa instituição era uma das principais responsáveis por impedir o 
desenvolvimento da razão e da consciência individual e autônoma 
nos indivíduos, que lhes permitiria conhecer o real e orientar-se 
segundo seus desejos. 
 
 
 
Partindo da ideia de que os seres humanos possuíam uma razão 
natural que deveria lhes possibilitar desfrutar de vidas plenas, os 
filósofos iluministas perguntavam por que as pessoas eram 
facilmente domináveis. 
 
Para os iluministas, os indivíduos eram impedidos de realizarem-se 
plenamente pela presença de forças na sociedade capazes de 
difundir crenças e superstições irracionais que bloqueavam as 
capacidades da razão e deixavam os humanos imersos na 
ignorância, tornando-os facilmente submissos. 
 
Para lutarem contra as forças da ignorância, os filósofos iluministas 
tomavam como tarefa a promoção do desenvolvimento da razão e 
do conhecimento como forma de libertar os seres humanos da 
submissão produzida pela ignorância. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) foi um dos principais filósofos do Iluminismo. 
Porém, diferentemente dos demais, sua obra tem uma posição mais ambígua sobre 
as capacidades da nossa razão e os efeitos da sociedade no desenvolvimento 
humano. 
 
O que vemos na obra de Rousseau é a elaboração de uma filosofia ambígua, que 
enxerga na vida social uma explicitação para as tensões que compõem a natureza 
humana. 
 
 
 
Para Rousseau, o ser humano possui duas tendências: 
 
Amor de si 
Refere-se a perseverar sua existência. Trata-se do cuidado com comida, 
moradia e formas de prover as necessidades fisiológicas mais básicas. 
Segundo o filósofo francês, o indivíduo foi criado de tal maneira que é 
capaz de satisfazer todas as suas necessidades naturais de modo 
individual. 
 
 
Compaixão 
É a parte que nos direciona para fora de nós mesmos. Se o amor de si 
nos conduz para aquilo que nos permite preservar nossa vida, a 
compaixão é a responsável por nos dirigir para outros seres (inclusive, 
os animais), desde que não ponham em risco a nossa própria 
preservação. 
 
 
 
 
A partir das disposições do humano, Rousseau escreveu o discurso 
denominado A origem da desigualdade entre os homens (2017). O filósofo 
elaborou nesse texto uma análise sobre como o ser humano teria se 
desenvolvido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção 
A origem da desigualdade entre os homens não é uma abordagem histórica. 
Trata-se, na verdade, de um recurso filosófico para tentar entender como é 
composta a nossa própria subjetividade na medida em que vivemos 
socialmente. 
 
 
De acordo com o filósofo, em seu estado solitário, os seres humanos seriam 
compostos apenas pelo amor de si e pela compaixão e, por isso, seriam 
naturalmente bons. A bondade, nesse momento, não possui nenhum 
conteúdo positivo. Ela diz respeito apenas a uma ausência de maldade. 
Rousseau argumentava que, além das tendências do amor de si e da 
compaixão, os seres humanos também possuem duas propriedades que os 
diferenciariam de animais. Confira! 
 
 
A liberdade 
É o fato de que os humanos não seriam governados apenas pelo seu 
apetite. 
 
 
A capacidade de aperfeiçoarem-se 
Significa a habilidade para encontrar meios melhores para satisfazer 
às necessidades. 
 
 
 
 
 
Trata-se, em suma, de dois elementos indicativos de uma estrutura no ser 
humano que o torna capaz de progredir e de ter uma vida cada vez mais 
plena. 
 
 
 
 
 
 
 
Porém, de acordo com Rousseau, as características que ajudam a 
desenvolver a racionalidade e a moralidade dos sujeitos também são as 
que levam as pessoas para uma vida social conturbada. 
 
A vida em sociedade, que se desenvolveria a partir dos encontros 
progressivos e casuais entre as pessoas, é caracterizada, pelo filósofo, como 
uma disputa dos indivíduos pelos mesmos bens e pela transformação de sua 
subjetividade. É daí que provém a máxima mais famosa de Rousseau: o 
homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. 
 
A corrupção tem a ver com o efeito da convivência com outras pessoas 
nas suas tendências originais.Em uma situação em que os humanos 
precisam disputar bens entre si, por exemplo, o amor de si se tornaria 
amor-próprio. Ele não é mais apenas um instinto de autopreservação, 
mas um amor que quer se preservar em detrimento dos outros, que se 
tornam adversários. 
 
 
A disputa pelos bens e suas consequências são intensificadas pela introdução da 
propriedade privada nas relações sociais modernas. Isso não apenas tornam 
escassos certos bens materiais, como também cria estruturas de poder que deixam 
o amor-próprio ainda mais tóxico. 
 
A liberdade é ainda mais prejudicada, já que a disputa pelo reconhecimento – que 
conseguiria satisfazer as nossas necessidades – torna-se mais difícil diante do 
aumento das desigualdades. 
 
Além disso, as disputas entre relações desiguais estimulam que a capacidade de o 
indivíduo aperfeiçoar-se seja mobilizada para conseguir satisfazer ao próprio desejo 
de amor-próprio. 
 
 
Por fim, o que Rousseau observou em suas análises da sociedade moderna 
é a tendência de que os aspectos destrutivos do amor-próprio corrompam 
o que está à sua volta. A moralidade e a razão, em vez de complementarem 
 
 
 
 
 
 
nossa compaixão, seriam deslocadas e postas a serviço do impulso de 
dominar e explorar, tornando a vida em sociedade um imenso tormento 
para os humanos. 
 
 
 
O Iluminismo francês e o pensamento de Rousseau 
Entenda, neste vídeo, um pouco mais sobre o pensamento 
rousseauniano. 
 
 
Immanuel Kant 
 
 
Filósofo que revolucionou os principais campos da Filosofia. Seu principal 
impacto se deu no campo da teoria do conhecimento, área em que procurava 
investigar os limites da razão ao diferenciá-la da nossa capacidade de 
conhecer. 
Na obra Crítica da razão pura (2017), escrita em 1781, Kant realizou a 
chamada revolução copernicana ao descrever a experiência do conhecimento 
como um contato com coisas que estão fora de nós, o que se dá por 
conceitos inerentes ao sujeito que conhece. A estrutura do sujeito constitui a 
condição de possibilidade do conhecimento, o que Kant denominou como seu 
elemento transcendental: os dados da experiência, aquilo que há de empírico, 
só podem ser conhecidos à medida que são enquadrados por conceitos, 
como os de causa e efeito; ou seja, pelas condições gerais de conhecimento 
do sujeito. 
 
Veja a diferença elaborada por Kant entre pensamento e 
conhecimento para a atividade da razão e do pensamento! 
f 
 
Razão 
 
 
 
 
 
 
Sempre depende de uma referência externa construída a partir dos 
conceitos internos. 
 
VERSUS 
 
Pensamento (ou conhecimento) 
Apenas elaboraria ideias e princípios logicamente consistentes, ainda 
que sem referência com qualquer objeto exterior. 
 
 
Apenas por meio da razão não é possível entender o mundo e descrevê-lo 
adequadamente. Entretanto, existe uma função importante para a razão – e 
ela diz respeito ao campo da ética. 
 
Como só podemos conhecer aquilo que tem relação com a experiência, 
certos temas e questões não podem ser conhecidos. Para Kant, Deus, a 
liberdade e o mundo são algumas ideias que não podem ser conhecidas por 
não constituírem coisas passíveis de serem experimentadas por um sujeito. 
Isso significa que, para falar dessas coisas, não faz sentido aplicar conceitos 
existentes. 
 
 
 
Exemplo 
Como os conceitos de causa e efeito ou de unidade. 
 
Não faz sentido dizer que há “um” ou “muitos” deuses, pois, para Kant, os 
conceitos de unidade e multiplicidade só fazem sentido para as coisas que 
são objetos da experiência. Do ponto de vista da experiência, também não 
podemos afirmar se somos livres ou não, já que nossos corpos constituem 
objetos da experiência e lidam com causa e efeito, sendo sempre objetos de 
determinação causal exterior. 
 
Como a liberdade é justamente compreendida como a ausência de 
determinações causais, ela não pode ser observada e conhecida na 
experiência. O que resta é elaborar, por meio da razão, ideias e justificativas 
 
 
 
 
 
 
	Filosofia e Modernidade 
	Exemplo 
	O que sobraria para os humanos? Seria possível algum tipo de liberdade do ponto de vista humano? 
	Jean-Jacques Rousseau 
	Atenção 
	Immanuel Kant 
	Exemplo

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