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POLÍCIA MILITAR
Centro de Ensino, Formação e Aperfeiçoamento de Praças
MATO
GROSSO
DO SUL
CONCEITOS E PRINCÍPIOS
MAJ. QOPM THELSON
DIREITO PENAL
Diretriz de Ensino nº 03/DEIP/2020 
(BCG nº 047/2020)
 
Portaria nº 100/PM-1/EMG/2020 
(BCG nº 168/2020)
PROFESSOR: Thelson Takeshi Iseki Kumagai – Maj. QOPM.
ALUNOS: (Nome, idade, formação civil, com que trabalhava, 
cidade de origem). 
MATÉRIA: Noções Gerais de Direito Penal
Direito Penal
Bibliografia: 
1.Jesus, Damásio de Parte geral / Damásio de Jesus ; atualização 
André Estefam. – Direito penal vol. 1- 37. ed. – São Paulo : 
Saraiva Educação, 2020. 764 p. Bibliografia 1. Direito penal. 2. 
Direito penal – Brasil. I. Estefam, André. II. Título. 20-0054 
2.2. Martinelli, João Paulo Orsini M385 Direito penal parte geral : 
lições fundamentais / João Paulo Orsini Martinelli, Leonardo 
Schmitti de Bem. - 5. ed. – Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 
2020. 1354 p. ISBN 978-65-5059-090-1 1. Direito. 2. Direito 
Penal. I. De Bem, Leonardo Schmitti. II. Título. 
MÓDULO VII
Excludentes de Ilicitude 
Art. 23 - Não há crime quando o agente 
pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever 
legal ou no exercício regular de direito.
Estado de Necessidade 
Consiste em uma conduta lesiva praticada para afastar 
uma situação de perigo. Obviamente, não é qualquer 
situação de perigo que admite a conduta lesiva e não é 
qualquer conduta lesiva que pode ser praticada na 
situação de perigo. A situação de perigo pode ser, por 
exemplo, um fenômeno da natureza, um ataque de 
animal irracional, um ataque humano justificado (se for 
injusto, será legítima defesa). 
Consiste em uma conduta lesiva praticada para 
afastar uma situação de perigo. 
Obviamente, não é qualquer situação de perigo 
que admite a conduta lesiva e não é qualquer 
conduta lesiva que pode ser praticada na situação 
de perigo. A situação de perigo pode ser, por 
exemplo, um fenômeno da natureza, um ataque 
de animal irracional, um ataque humano justificado 
(se for injusto, será legítima defesa).
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem 
pratica o fato para salvar de perigo atual, que não 
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo 
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas 
circunstâncias, não era razoável exigir-se. 
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem 
tinha o dever legal de enfrentar o perigo. 
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do 
direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a 
dois terços. 
Das espécies do Estado de Necessidade
 
Próprio ou de terceiro: é próprio quando há o sacrifício 
de um bem jurídico para salvar outro que é do próprio 
agente. É de terceiro quando o sacrifício visa a salvar 
bem jurídico de terceiro. 
Real ou putativo: é real quando se verificam todos os 
requisitos da situação de perigo. É putativo quando não 
subsistem, de fato, todos os requisitos legais da 
situação de necessidade, mas o agente os julga 
presentes.
Defensivo ou agressivo: é defensivo quando 
há o sacrifício de bem jurídico da própria 
pessoa que criou a situação de perigo. É 
agressivo quando há o sacrifício de bem 
jurídico de terceira pessoa inocente.
Legítima Defesa 
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando 
moderadamente dos meios necessários, repele injusta 
agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
 Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no 
caput deste artigo, considera-se também em legítima 
defesa o agente de segurança pública que repele 
agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém 
durante a prática de crimes. 
Legítima Defesa x Estado de Necessidade 
Na legítima defesa temos uma ação defensiva com aspectos 
agressivos, enquanto que no estado de necessidade a ação é 
agressiva com o intuito defensivo. 
Estrito Cumprimento do Dever Legal 
Prevê a primeira parte inciso III do art. 23 do Código 
Penal que não há crime quando o agente pratica o fato 
no estrito cumprimento de um dever legal. 
O Código não cuidou de conceituar esta excludente, 
mas seus elementos caracterizadores podem ser 
extraídos pela própria expressão “estrito cumprimento 
de dever legal”. Guilherme de Souza Nucci leciona que 
se trata da ação praticada em cumprimento de um 
dever imposto por lei, penal ou extrapenal, mesmo que 
cause lesão a bem jurídico de terceiro.
Quando o cumprimento do dever produzir um fato 
típico, valemo-nos da excludente em estudo. Na 
lição de César Roberto Bitencourt, quem pratica 
uma conduta em cumprimento de um dever legal 
não comete crime, pois, embora típica, não será 
ilícita, ainda que cause lesão a um bem 
juridicamente protegido.
Exercício Regular do Direito
A causa de justificação do exercício regular de direito, 
prevista na parte final do inciso III do art. 23 do Código 
Penal não foi objeto de conceituação pelo legislador, 
cabendo esta tarefa aos doutrinadores e aos tribunais. Na 
definição de Guilherme de Souza Nucci “é o desempenho 
de uma atividade ou prática de uma conduta autorizada 
por lei, que torna lícito um fato típico”. Aquele que exerce 
um direito autorizado pelo ordenamento jurídico não 
pode ter sua conduta considerada ilícita. 
É certo que o exercício de um direito, desde que 
regular, não pode ser, ao mesmo tempo, proibido pela 
ordem jurídica. 
Seus elementos podem ser extraídos da interpretação 
da expressão “exercício regular de direito”. Esse 
“direito”, público ou privado, penal ou extrapenal, 
pode estar expresso nas regulamentações legais em 
sentido amplo, ou até mesmo nos costumes, afinal 
trata-se de excludente de ilicitude, e não de norma 
incriminadora. Regular será apenas o direito exercido 
nos limites objetivos e subjetivos, formais e materiais 
impostos pelos fins do Direito.
São exemplos de exercício regular de direito: as 
lesões advindas das práticas esportivas violentas, 
desde que os atletas cumpram as regras 
estabelecidas para a modalidade; o aborto, em 
caso de estupro, com o consentimento da 
gestante; ofensa irrogada na discussão da causa 
pela parte ou seu procurador; o tratamento 
médico e a intervenção cirúrgica; 
Culpabilidade 
A culpabilidade é o juízo de reprovação realizado sobre 
uma pessoa que pratica um fato típico e ilícito.
Imputabilidade
É a capacidade de compreender o caráter 
criminoso do fato e de se orientar de acordo 
com esse entendimento. A imputabilidade 
possui dois elementos: 
Intelectivo (capacidade de entender); 
Volitivo (capacidade de querer). 
Faltando um desses elementos, o agente não 
será imputável
É a capacidade de compreender o caráter 
criminoso do fato e de se orientar de acordo com 
esse entendimento. A imputabilidade possui dois 
elementos: 
•Intelectivo (capacidade de entender); 
•Volitivo (capacidade de querer). 
Faltando um desses elementos, o agente não 
será imputável. 
A exigibilidade de conduta diversa, como causa de 
exclusão da culpabilidade, funda-se no princípio de que 
só podem ser punidas as condutas que poderiam ser 
evitadas. 
No caso, a inevitabilidade não tem a força de excluir a 
vontade, que subsiste como força propulsora da 
conduta, mas certamente a vicia, de modo a tornar 
incabível qualquer censura ao agente. 
Em nosso ordenamento jurídico, a exigibilidade de 
conduta diversa pode ser excluída por duas causas: a 
coação moral irresistível e a obediência hierárquica. 
Se trata da consciência do agente de estar praticando 
um ato antijurídico. 
Em outras palavras, é a compreensão do indivíduo 
sobre a reprovabilidade da sua conduta, isto é, a 
noção de que pratica um injusto penal. 
Assim, só será culpável o sujeito que, ao tempo da 
conduta, sabia ou ao menos tinha a possibilidade de 
saber (por isso “potencial”) que estava praticando um 
ato ilícito, pois sua ação (ou omissão) não terá a 
mesma reprovabilidade caso ele não possua o 
conhecimento da proibição. 
Causas que excluem a imputabilidade 
• Doençamental: É a perturbação mental de qualquer ordem 
(exemplos: psicose, esquizofrenia, paranoia, epilepsia 
etc.). 
A dependência patológica de substância psicotrópica 
configura doença mental. 
•Desenvolvimento mental incompleto: 
É o desenvolvimento que ainda não se concluiu. É o 
caso do menor de 18 anos e do silvícola inadaptado à 
sociedade. 
•Desenvolvimento mental retardado: 
O caso dos oligofrênicos, que se classificam em débeis 
mentais, imbecis e idiotas, dotados de reduzidíssima 
capacidade mental, e dos surdos mudos que, em 
consequência da anomalia, não têm qualquer 
capacidade de entendimento e de autodeterminação 
mental.
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por 
doença mental ou desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação 
ou da omissão, inteiramente incapaz de entender 
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de 
acordo com esse entendimento. 
Redução de pena 
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois 
terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde 
mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado não era inteiramente capaz de entender o 
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com 
esse entendimento. 
Coação moral irresistível
 Existe, na coação moral, uma ameaça, e a vontade 
do coacto não é livre, embora possa decidir pelo que 
considere para si um mal menor; por isso, trata-se de 
hipótese em que se exclui não a ação, mas a 
culpabilidade, por não lhe ser exigível comportamento 
diverso. 
No caso do diretor de uma empresa, que é obrigado por 
criminosos a entregar todos os valores que se encontram 
guardados em um cofre que apenas ele pode abrir, sob a 
ameaça de seu filho, em poder de outra pessoa ligada 
aos assaltantes, ser morto, os envolvidos são: os 
delinquentes (coatores), o diretor da empresa (coagido) e 
a própria empresa, lesada em seu patrimônio (vítima). 
Obediência Hierárquica 
A segunda causa excludente da culpabilidade do artigo 
22 refere-se a prática do crime “em estrita obediência à 
ordem, não manifestamente ilegal, de superior 
hierárquico”. 
Trata-se, segundo a doutrina, de um caso especial de 
erro de proibição. Supondo obedecer a uma ordem 
legítima do superior, o agente pratica o fato incriminado. 
Atualmente, o Superior Tribunal de Justiça sustenta que, 
além da coação moral irresistível e da obediência hierárquica 
(previstas em lei), qualquer circunstância que, no caso 
concreto, venha tornar inexigível conduta diversa, conduz à 
exclusão de culpabilidade. Argumenta-se que a exigibilidade 
de conduta diversa é um verdadeiro princípio geral da 
culpabilidade. Contraria frontalmente o pensamento finalista 
punir o inevitável. Só é culpável o agente que se comporta 
ilicitamente, podendo orientar-se de modo diverso.
Causas Supralegais de Exclusão de Culpabilidade 
São aquelas que, mesmo não estando 
expressamente previstas nos dispositivos legais, são 
aplicadas em razão dos princípios fundamentais do 
direito brasileiro, com a finalidade de alcançar a 
justiça e a verdade real. 
Não sendo a ordem manifestamente ilegal, se o agente não tem 
condições de se opor a ela em decorrência das consequências 
que podem advir no sistema de hierarquia e disciplina a que 
está submetido, inexistirá a culpabilidade pela coação moral 
irresistível, estando à ameaça implícita na ordem ilegal. Em vez 
de erro de proibição, há inexigibilidade de conduta diversa. Para 
que o subordinado cumpra a ordem e se exclua a culpabilidade, 
é necessário que aquela: 
a)Seja emanada da autoridade competente. 
b)Tenha o agente atribuições para a prática do ato. 
c)Não seja a ordem manifestamente ilegal. 
CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO 
E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS
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