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Psicologia: um conhecimento científico Psicologia: um conhecimento científico A Psicologia se constituiu como um conhecimento científico no final do século XIX tendo como marco inicial o ano de 1879, quando Wilhem Wundt (1832-1920) fundou o primeiro laboratório de Psicologia Experimental em Leipzig, na Alemanha. Psicologia: um conhecimento científico A Psicologia como um conhecimento sistematizado, objetivo e fruto de pesquisas é um fenômeno da Modernidade. Porém, muito antes já se pensava a natureza humana e as questões relativas aos aspectos não objetivos das experiências vivenciadas. No início era a Mitologia... Depois veio a Filosofia: Sócrates (480-399 a. C.), Platão (429-347 a. C.) e Aristóteles (384-322 a. C.) refletiram sobre a natureza humana. Pólis A VIDA NA PÓLIS As pólis, ou “cidades” em grego, foram uma das primeiras experiências a moldarem o conceito moderno que temos de cidade; com organização social complexa, estratificação econômica, áreas centrais e periféricas, pouco a pouco os gregos foram se afastando das aldeias, possivelmente fraternais, aos quais chamavam de genos. Embora tenham surgido ainda no século VIII a.C., foi apenas no final do século VI a.C. e começo do século V a.C. que estas fortaleceram-se e se consolidaram como as cidades helênicas que temos registro. Os primeiros sábios – essência ! PRÉ SOCRATICOS: Substância primordial e ideias sobre a alma SOFISTAS Grupo de pensadores caracterizados pela ausência de uma doutrina em comum e pelo ensino voltado a um fim instrumental. Eram vistos como habilidosos oradores pelas pessoas, reconhecendo-se a importância das palavras e do uso da lógica. Eles podem ser considerados instrutores itinerantes contratados para ensinar retórica para fins políticos. Os sofistas propõem apenas verdades relativas (Crítica de Sócrates) Protágoras, da antiga cidade grega Abdera (na região da Trácia), nasceu em 490 a.C. e é considerado o primeiro sofista. É indicado como discípulo de Demócrito e conhecido por afirmar que “o homem é a medida de todas as coisas”. Um conhecimento além das opiniões, em outras palavras, das aparências, não seria possível (base do pensamento relativista). SÓCRATES (Atenas 469-399) Estudou exclusivamente o modo de ser do homem. A principal característica humana é a razão, que separa os homens dos outros animais; A razão permite ao homem controlar seus limites; Para ele, toda e qualquer atividade humana, existe uma técnica com a qual essa atividade é realizada de um modo adequado e bom. Em outros termos, não se fazem as coisas de qualquer maneira, pois é preciso um certo conhecimento sem o qual a tarefa fracassará. Ele deu sua própria vida em nome da filosofia. Sócrates - Conhece-te a ti mesmo mesmo Todo homem, em cada uma de suas ações, busca sua felicidade é que chamamos de “princípio da eudaimonia” do pensamento socrático. A palavra grega eudaimonia significa algo como “felicidade”. A ética socrática é, assim, uma ética eudaimonista, pois parte do princípio de que todos os homens buscam a felicidade. Platão (Atenas) 432 – 347 a.C. Discípulo de Sócrates ; Definiu o lugar da razão no corpo; A morada da alma passa a ser a cabeça; A alma era separada do corpo; A medula óssea era o ponto de ligação entre a alma e o corpo; Após a morte a matéria conhecimento – Mito da caverna e “mundo das ideias” Para entender Platão Aristóteles (Atenas - 384 - 322 a.C) Alma e corpo não podem ser dissociados; Tudo o que cresce, se reproduz e morre possui uma alma. Os estudos aristotélicos influenciaram pensadores medievais da Escolástica, principalmente Tomás de Aquino. O conhecimento também é obtido por meio da prática, operando uma radical e mais completa elaboração da tese do conhecimento como fruto dos sentidos corpóreos e das experiências práticas. Aristóteles estudou lógica, metafísica, política, ética, Ciências Naturais , Retórica e Estética. Foi professor do imperador Alexandre, o Grande. Fundou a sua escola filosófica em Atenas, o Liceu. Categorias propostas por Aristóteles: Substância - seria o que se pode dizer que algo "é". Pode-se considerar a substância o que se diz de algo e isto é ele. Por exemplo: este é o homem, este é o gato, etc. Quantidade - pode-se dizer "quanto é", se é muito ou pouco. Por exemplo: um homem é pequeno ou grande, etc. Qualidade - pode-se dizer "que é". Por exemplo: é azul, bonito, etc. Relação - pode-se considerar uns seres em relação aos outros. Por exemplo: de um ser pode se predicar que é menor do que o outro, igual a outro, etc. Lugar - pode-se ante um ser determinar onde está. Por exemplo: está lá, em Paris, etc. Tempo - pode-se predicar "quando é", quando deixa de ser, quando foi. Por exemplo: século XX, é agora, etc. Ação - pode-se dizer "aquilo que aquele ser faz". Por exemplo: ato da semente que germinar. Paixão - pode-se dizer o que ele padece, sofre. Por exemplo: o gato é morto, etc. Posição - pode-se dizer sobre a posição do ser. Por exemplo: está em pé, sentado, etc. Estado - pode-se dizer sobre o estado do ser. Por exemplo: está florescido, seco, etc. Psicologia: um conhecimento científico Pintura “A escola de Atenas”, pintada por Rafael entre 1509 e 1510. À esquerda a obra completa, à direita detalhe do centro da pintura. Psicologia: um conhecimento científico No Império Romano o Cristianismo avança pela Europa e guia a visão de mundo e de homem ao longo de toda a Idade Média. No período medieval as ideias sobre o mundo psicológico estavam ligadas ao conhecimento religioso e dois filósofos representaram o ideário da época: Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Psicologia: um conhecimento científico Santo Agostinho (354-430) Foi bispo da Igreja Católica e desenvolvia pensamentos dos mais diversos, além disso, foi muito atuante no conceito de Cristianismo. Inspirou-se em Platão e fazia distinção entre o corpo e a alma. A alma era a prova da manifestação divina no homem e também era a sede do pensamento. A alma era imortal e liga o homem à Deus. Psicologia: um conhecimento científico São Tomás de Aquino (1225-1274) Buscou em Aristóteles a distinção entre “essência” e “existência”. A busca da perfeição pelo homem seria a busca por Deus. Época que preparava a transição para o capitalismo; Com as Revoluções Francesa e Industrial a Igreja entra em crise; Só Deus seria capaz de reunir essência (alma) e existência (corpo) Agostinho de Hipona Níveis de ensino Básico – Faculdade de Artes (Bacharel em artes 3 anos; mestre 7 anos) Avançado – Faculdades de Teologia; Medicina e Direito Ex. Teologia 1 preparatório (8 anos) 2 Leitura da bíblia (2 anos) 3 Leitura de textos dogmáticos (2 anos) 4 Disputas (2 anos) 5 Realizar sermões (1 ano) Psicologia: um conhecimento científico Com o advento da Modernidade surge a necessidade de uma nova forma de pensar o mundo e o homem, influenciada pelas transformações sociais decorrentes do surgimento do capitalismo e da Revolução Industrial. Surge então a ideia de “indivíduo” que solidifica-se na contemporaneidade. RENASCIMENTO – IDADE MODERNA René Descartes: sinalizou a passagem do Renascimento para o período moderno da ciência. Idade Moderna: Iluminismo. Força da razão Preocupações voltadas para as questões da verdadeira capacidade de o homem conhecer a realidade. Fim da Sociedade Feudal O universo foi posto em movimento. O conhecimento tornou-se independente da fé A racionalidade do homem tornou-se grande possibilidade de construção do conhecimento. O conhecimento como fruto da razão Houve a necessidade da Ciência Psicologia: um conhecimento científico No desenvolvimento do pensar sobre o homem moderno destacamos o desenvolvimento do método indutivo iniciado por Galileu Galilei (1564-1642) e continuado por Francis Bacon (1596-1649). Francis Bacon Galileu Galilei Psicologia: um conhecimento científico Descartes (1596-1649)deu continuidade ao desenvolvimento deste método e é considerado o fundador do racionalismo. Ele (Descartes) analisou o homem sob dois aspectos: o do seu intelecto (racionalismo) e o dos seus órgãos do sentido (empirismo). É considerado um dos pais da Filosofia moderna. Ele dizia que algo só existe se puder ser provada sua existência. Dualismo ( matéria e o espírito) Cartesianismo discute o lado mecânico do homem e a possibilidade de olhar a mente como uma entidade independente do corpo Mecanismo (Universo / máquina); corpo desprovido de espírito (Homem/máquina); Separação mente e corpo; Os processos naturais podem ser explicados pela lei da Física. Cogito ergo sum = Penso, logo existo. Psicologia: um conhecimento científico Kant (1724-1804) integrou a relação entre sujeito eobjeto. Para ele, a percepção do objeto pelo sujeito se dá no momento em que se dá a experiência. A partir desse raciocínio surgem duas correntes filosóficas: o idealismo e o positivismo, que diferenciariam o conhecimento em intelectual e sensitivo. Psicologia: um conhecimento científico Auguste Comte (1798 - 1857) Positivismo Busca de Cientificidade Fatos observáveis e indiscutíveis; Só o conhecimento científico era válido; O conhecimento derivado da metafísica e da teologia era rejeitado; Psicologia: um conhecimento científico POSITIVISMO: sistema que propõe ordenar as ciências experimentais, considerando-as o modelo por excelência do conhecimento humano, em detrimento das especulações metafísicas ou teológicas; comtismo; doutrinas caracterizadas pelo cientificismo, metodologia quantitativa e hostilidade ao idealismo. (HOUAISS, 2013) IDEALISMO: qualquer teoria filosófica em que o mundo material, objetivo, exterior só pode ser compreendido plenamente a partir de sua verdade espiritual, mental ou subjetiva. (HOUAISS, 2013) Psicologia: um conhecimento científico Esses eixos epistemológicos (positivismo e idealismo) são a base das teorias psicológicas. Então, a partir desta fundamentação filosófica podemos pensar na Psicologia enquanto ciência, enfatizando duas características do mundo moderno. Psicologia na Idade Moderna Descartes ----- Wundt Caracteriza-se pela força da razão natural No início do século XIX nasce a Psicologia como ciência. Seu status de ciência é obtido à medida que se“liberta” da Filosofia, e desta forma sob os novos padrões de produção de conhecimento se estabelecer como cientifica. Evolução Inicial IDEIAS DIFERENTES SURGIRAM IDEAL COMUM: EXPANSÃO DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA ESTADOS UNIDOS PSICOLOGIA SE DIVIDIU EM FACÇÕES 3 PRIMEIRAS ESCOLAS EM PSICOLOGIA: - FUNCIONALISMO - ESTRUTURALISMO - ASSOCIACIONISMO Psicologia: um conhecimento científico Wundt Objeto de estudo: consciência Método: introspecção Objetivo conhecer os elementos mais simples da consciência – as sensações – através introspecção controlada, que consistia em, no laboratório, observadores treinados descreverem as suas experiências conscientes acerca do tamanho, intensidade e duração de vários estímulos físicos. Estruturalismo Edward Titchner foi seguidor de Wundt, propôs o estruturalismo, o qual pretende analisar a consciência nas suas partes constituintes para assim determinar a sua estrutura. Objeto de estudo: Estrutura da consciência Método: Introspecção qualitativa que consistia em, observadores descreverem o seu estado consciente após sujeitos a um dado estímulo Funcionalismo William James investigou a utilidade/função dos processos mentais para o organismo nas suas permanentes tentativas de se adaptar ao meio ambiente. Objeto de estudo: Consciência Método: Observação Introspectiva e técnicas de obtenção de dados, como a pesquisa fisiológica, testes mentais, questionários e descrições objetivas do comportamento. ASSOCIACIONISMO Edward Thorndike, elaborou uma teoria objetiva e mecanicista da aprendizagem que se concentra no comportamento manifesto. Importante pesquisador no desenvolvimento da Psicologia Aninal. Objeto de estudo: Comportamento aprendido Método: Experimental que consistia em estabelecer conexões/associações entre situações e respostas Psicologia: um conhecimento científico Segundo Bock (2008) a Modernidade se caracteriza por: Crença no conhecimento científico como forma de compreensão do homem; Crença na existência da intimidade, do conjunto de experiências individuais, particulares, privadas, que deu origem ao conceito de SUBJETIVIDADE tal qual o compreendemos hoje. Psicologia: um conhecimento científico A noção e o sentimento de eu são construções modernas. As pessoas passaram a ser identificadas pelos seus nomes e menos pelos seus sobrenomes ou pelo local de onde provinham; em roupas de cama começaram a aparecer bordados com as iniciais dos nomes; biografias começaram a ser valorizadas e aos poucos esse sentimento vai se fortalecendo e com ele vai surgindo a privacidade e a intimidade-banheiros e quartos passam a ser espaços íntimos; surgem os diários em que segredos estão relatados. A Psicologia é também uma construção decorrente desses novos tempos. (BOCK, 2008, p. 39) Referências BOCK, A.M.B., FURTADO, O., TEIXEIRA, M.de L.T. Psicologias: Uma introdução ao estudo de Psicologia. 14ª edição. São Paulo: Saraiva,2008. CHAUÍ, M. Introdução à Filosofia. image4.jpg image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.jpg image11.jpg image12.png image13.png image14.png image15.png image16.jpg image17.jpg image18.png image19.png image20.jpg image21.jpg image22.jpg image23.png image24.jpeg image25.png image26.png image27.png image28.png image1.jpg