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Norma Juridica - Gênese, Conceito, Estrutura e Classificação(1)

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TEORIA DA NORMA JURÍDICA. 
 
 O homem integra a comunidade humana, eis que, embora sendo um ser 
independente, uns dos outros, o ser humano individualizado é identificável, sendo 
ainda um ser gregário e um ente social. 
 
- O homem vive na sociedade e em sociedade. 
- Cada Instituição a que o homem integra se constitui com uma finalidade própria para 
a qual visa atingir. 
 
Maria Helena Diniz, em nota de número 260, ao citar Goffredo Telles da Silva Júnior 
(Introdução a Ciência do Direito, fascículo 2, p. 111, que apesar das diferenças entre os 
grupos humanos, existem, todavia, três notas comuns a todos eles: 
 
1ª) A ideia a realizar – “... Há sempre uma ideia para cuja realização o grupo se 
constitui; se as pessoas se agrupam é para atingir determinado fim”. 
 
2ª) Comunhão humana: “... em razão da ideia de um bem a realizar. É com a 
associação que uns suprem o que aos outros falta, realizam aquela ambiência 
necessária para a realização de seus objetivos.” 
 
3ª) Governo do Grupo: É o órgão (homem ou instituição) do poder a serviço da ideia 
a realizar. 
 
“O fundamento das normas está na exigência da natureza humana de viver em 
sociedade, dispondo sobre o comportamento de seus membros.” 
 
Maria Helena Diniz, afirma que a norma jurídica é o instrumento elaborado pelos 
homens para lograr aquele fim consistente na produção da conduta desejada. A 
teleologia1 social tem, portanto, um papel dinâmico e de impulsão normativa. 
Celso Lafer no prefácio da obra de José Eduardo Faria (Poder e Legitimidade, São 
Paulo: Ed. Perspectiva, 1978, p. 10, escreve: “No Estado contemporâneo, a gênese 
das normas se prende a um complexo processo decisório, por meio do qual as 
 
1
O que é Teleologia: 
Teleologia, da palavra grega télos, que significa propósito ou fim, é o estudo dos objetivos, fins, 
propósitos e destinos. 
Na teleologia acredita-se que os seres humanos e outros organismos têm finalidades e objetivos que 
orientam seu comportamento. 
Para entender melhor, leia os exemplos abaixo: 
1. Objetos, como facas e televisões, parecem ter propósitos que são colocados pelos humanos 
para eles. 
2. As metas e propósitos do ser humano, são aparentemente inerentes ao psicológico dos 
mesmo. 
Sendo assim, muitos filósofos imaginam que apenas seres conscientes e suas criações podem ter 
um télos. 
instituições públicas, no exercício da função hierárquica de gestão da sociedade, 
convertem preferências e aspirações de grupos ou indivíduos em sociedade 
públicas.” 
 
Não é possível que uma norma se torne norma de direito positivo sem poder legítimo e 
efetivo, ou seja, sem que seus detentores estejam munidos de título que justifique sua 
dominação, e o exerça de conformidade com leis já estabelecidas daí sua legalidade. 
 
 
E mais, sendo a Norma Jurídica constitutiva do Direito, encontram-se nela, os mesmos 
elementos marcantes do Direito: 
 
- Imperatividade. 
 
- Heteronomia. 
 
- Coercibilidade. 
 
- Bilateralidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DA NORMA JURÍDICA 
 
I – GÊNESE da Norma Jurídica. 
 
Cabe lembrar que as razões do surgimento das normas (gênese), estão em que as 
NORMAS JURÍDICAS não são construções cerebrinas ou formas lógicas vazias, pois 
seu regramento ou comando são abstraídos da realidade social, da experiência humana, 
em função dos fatos que se pretendem disciplinar e dos valores que se quer consagrar. 
 
Acertadamente, as normas jurídicas disciplina o comportamento de seus destinatários 
em face da exigência da natureza humana de viver em sociedade. 
 
Nesse sentido é que as Normas Jurídicas são retiradas da realidade fática (vida social 
de seus destinatários), a partir da experiência humana (grupo para qual é destinada a 
norma), ou seja, regramento da vida em sociedade, em função dos fatos que se 
pretende disciplinar e dos valores que se quer consagrar. 
 
Em resumo, do ponto de vista do Direito em elaboração, há sempre uma pressão 
axiológica, relacionada com uma situação fática, que pode ser expressa por diversos 
projetos de lei, ou diversas proposições normativas ou diversas normas possíveis. 
 
Notadamente, como bem ensina Antônio Bento Betioli (Introdução ao Direito, Ed. 
Saraiva): “É no instante mesmo em que o Congresso sanciona o projeto vencedor que 
uma das normas possíveis se converte em Norma Jurídica Legal.” 
 
Com efeito, a constituição ou efetivação da Norma Jurídica, através da respectiva Casa 
Legislativa, representa sempre um ato de escolha e de decisão, singular ou coletivo, 
anônimo ou de um órgão determinado. 
 
Miguel Reale entende que, a Norma Jurídica representa a forma positiva de fixação do 
valor do fato social (forma axiológica), o qual reclama regulamentação num 
determinado tempo e determinado espaço. 
 
A) Para Miguel Reale, na origem de uma norma jurídica há: 
 
A.1 – Um valor (podendo ser mais de um) que se pretende tutelar ou realizar; 
 
A.2 – é que esse valor que se quer realizar incide sobre um FATO SOCIAL (não 
isolado, mas comum um conjunto de circunstâncias); 
 
A.3 - é que se reflete em um leque de normas possíveis, das quais apenas uma se 
converterá em jurídica. 
 
A.4 – a interferência do Poder (Legislativo, Judicante, ou Poder Difuso na 
sociedade ou da autonomia da vontade) que, ao eleger uma das várias vias 
normativas possíveis, converte-a em norma, armando-a de sanção, dando, assim, 
origem a uma norma jurídica. 
 
DO FATO E DO VALOR > Resulta a norma, que os integra 
 
 
II - CONCEITO de Norma Jurídica 
 
Norma Jurídica: 
"Do fato e do valor resulta a norma jurídica, a qual integrará o fato social e 
seu valor (ou valores). 
 
Do Conceito de Norma Jurídica virá o estudo a partir de 2 (dois) pontos 
de vista: Um material e outro formal. 
 
Vejamos primeiro a construção do conceito de Norma Jurídica pelo ponto 
de vista MATERIAL 
 
 
a) Aspecto de conteúdo, ou Aspecto Material ou Aspecto Substancial. 
 
. Matéria que expressa um comando, um dever ou imposição de 
organização social, direcionando padrões obrigatórios, ou seja, a Norma 
Jurídica é a expressão de um dever ser de organização ou de conduta. Portanto, a 
Norma Jurídica, estipula padrões obrigatórios de conduta e de organização social. 
 
. A Norma Jurídica também fixa direcionamentos de comportamentos 
interindividuais, bem como fixa comportamento para o Estado e seus 
agentes, estipulando ainda a organização do Estado e da carreira de 
seus agentes. 
. A norma jurídica compreende (absorve) através de seus conteúdos as 
várias condutas humanas e os processos de organização social. 
 
 
 
 
 
 
 
Ponto de vista FORMAL – Estrutural – Aspectos externos da composição 
da norma. 
 
B) Do ponto de vista formal, uma norma é uma proposição. 
 
Estrutura da norma jurídica pelo plano formal. 
 
A norma jurídica possui uma parte Imperativa ou Comando e uma segunda parte, em sua 
estrutura, chamada de Parte Autorizante ou de Autorizamento. 
 
 B.1 – Da análise da imperatividade e do autorizamento (parte autorizante) da norma, 
tem-se que há uma proposição: 
 
 Para tanto é necessário distinguir uma proposição de seu enunciado ou 
dispositivo: 
 
- Por PROPOSIÇÃO entendemos um conjunto de palavras que possuem 
um significado em uma unidade 
 
 - Por ENUNCIADO ou DISPOSITIVO entende-se que é a forma gramatical e 
linguística pela qual um determinado significado (sentido) é expresso (escrito) 
num determinado tempo e espaço, sendo a expressão linguística e formal das 
normas jurídicas. 
 
 As Normas Jurídicas, quanto à forma apresentam-se como proposições e dispositivos: 
São grupos de palavras com significado próprio que prescrevem determinação própria 
e/ou prescrevem um determinado comportamento ou de organização social, 
reconhecendo deveres e direitos. 
 
Robert Alexy diferencia “enunciado normativo” e “norma”, sendo: 
a) “Enunciado normativo” – Expressa a norma. 
b) “Norma” – O significado de um enunciado. 
 
Humberto Ávila: Distingueo texto normativo em “texto” (ou disposição) e Normas, 
pois afirma que norma não é texto, nem seu conjunto. Mas o sentido construído a partir 
da interpretação sistemática de textos normativos. 
 
Miguel Reale, estudando Bobbio afirmará que “... além da expressão do texto, as 
manifestações possuem sentido e valor”. 
 
 
B.2 – Para o jurista austríaco – Hans Kelsen (1881 – 1973) afirmava que toda norma 
jurídica se reduz a um “juízo hipotético”, ou uma “proposição hipotética”, onde se 
tem ou prevê um fato (A), o qual liga-se a uma consequência (B) em caso de 
descumprimento do fato previsto. Assim: Se for A – deve ser B. (Chamadas de JUÍZO 
HIPOTÉTICO). 
 
 
 
Todavia, Kelsen também previu a existência de um outro tipo de norma, chamado 
norma sancionadora, a qual chama de “primária”, por contraste com o enunciado da 
prestação, intitulado conjunto de normas “secundárias”. 
 
Para Miguel Reale a representatividade da estrutura lógica hipotética (“se for A deve 
ser B”), corresponde apenas às normas de conduta. Porém, existem outras estruturas de 
normas que estão relacionadas à estrutura e funcionamento de órgãos do Estado ou 
distribuem competências e atribuições (normas de organização). (Chamadas de JUÍZO 
CATEGÓRICO). 
 
Assim, as normas de organização assumem a estrutura de um “Juízo Categórico”, no 
qual nada é dito de forma condicional: “A deve ser B”. 
 
 
 
Representa uma unidade, envolvendo seu conjunto de palavras. 
 
As demais normas de controle social: Religião, a Moral e as 
Regras de Trato Social, possuem as seguintes características: 
1 - Parte Imperativa, Parte de Imperatividade ou Parte de 
Comando. 
 2 - Sanção 
 
 Por seu turno, a Norma Jurídica, possui a seguinte estrutura: 
1. Parte Imperativa, Parte de Imperatividade ou Parte de 
Comando. 
2. Sanção + condições de tornar concreta essa ameaça 
pelo descumprimento da parte imperativa (Parte 
Autorizante ou Parte do Autorizamento). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Classificação da Norma Jurídica quanto à análise de sua 
estrutura de forma global ou apenas parcial. 
 
 Notadamente, os autores variam na apresentação ou formulação das 
formas de classificação das normas jurídicas. 
 
 O fato é que a classificação pode ser feita segundo vários critérios 
 
 
I - Classificação quanto ao objeto: 
 
I.1.a) – Norma de Conduta ou de Juízos Hipotéticos. 
 
 São aquelas cujo objeto imediato é disciplinar o comportamento dos indivíduos 
ou grupos sociais: 
 
 . Constituem a maioria das normas jurídicas. 
 . São as chamadas Normas Primárias ou de Primeiro Grau - Segundo Bobbio. 
 
Normas de Condutas, impõe um modo de vida em sociedade. 
Essas normas chamadas de Juízo Hipotético tem como objeto 
imediato (próximo e urgente) disciplinar o comportamento 
dos sujeitos ou grupos sociais. 
Ex.: Normas do Direito Penal (Código Penal: Art. 121, 155 e 171). 
 
I.1.b) – Norma de Organização ou de Juízos Categóricos. 
 
 São aquelas que visam à estruturação e ao funcionamento dos 
órgãos do Estado, ou ainda fixam e distribuem competências e 
atribuições, bem como podem disciplinar a identificação, modificação 
e aplicação de outras normas: 
 . São normas de natureza mais instrumental. 
 . São também chamadas de Normas Secundárias ou de 
Segundo Grau. 
 Ex.: Art. 1º e art. 22, ambos da Constituição Federal. 
 Art. 1.634 do Código Civil. 
 
 
 
 
 
II) Quanto à IMPERATIVIDADE, tomando-se a vontade das 
partes frente ao comando normativo: 
 
II.1 - De imperatividade absoluta ou impositiva (absolutamente 
cogentes ou de ordem pública). 
 
 Indicam, em geral, a ação, a abstenção ou o estado das pessoas, sem 
admitir qualquer alternatividade, vincula o destinatário a um único 
esquema de conduta. 
 
São aquelas cujo objeto imediato é disciplinar o comportamento dos 
indivíduos ou grupos sociais. 
 
Enfim, são normas que ordenam ou proíbem algum coisa sem qualquer 
possibilidade de flexibilização. 
 
 A imperatividade da norma absoluta ou impositiva da norma 
apresenta-se através de duas maneiras: Pela maneira afirmativa e pela 
maneira negativa. 
 
 II.1.a) Afirmativa: Quando impõe uma conduta (um 
fazer), no qual a sociedade deve-se submeter a ele (conduta 
a seguir, a fazer e a cumprir). Exemplo de Maria Helena Diniz: Art. 
1245 (CC/2002) – Em que a propriedade somente é transferida quando feito o 
registro do título translativo no Registro de Imóveis. 
 
 II.1.b) Negativa: É quando a imperatividade da norma 
nega a existência de um fenômeno jurídico, sem que ocorra 
o preenchimento de seus requisitos de existência. Exemplo de 
Maria Helena Diniz: Art. 426 (CC/2002) – Em que “... Não pode objeto de 
contrato a herança de pessoa viva”. 
 
 A imperatividade absoluta de algumas normas é fixada em razão de 
que determinados fenômenos, relações ou modo de vida em sociedade 
não são permitidos deixar a cargo dos sujeitos ou arbítrio individual. 
 
 
 
 
 
II.2) De imperatividade relativa, dispositivas ou supletivas. 
 
 Não ordenando ou proibindo de modo absoluto, limitam a 
dispor com uma parcela de liberdade. 
 
Podem ser PERMISSIVAS ou SUPLETIVAS. 
 
II.2.a) As Normas de Imperatividade Relativa de Caráter 
Permissivas: Representam aquelas normas que autorizam uma 
ação ou abstenção; Maria Helena Diniz indica um bom exemplo, 
que é a aplicação do artigo 1639 (faculdade dos nubentes 
escolherem o regime do casamento), a mesma coisa quanto à 
remuneração do contrato de depósito em que as partes podem 
estipular que seja oneroso (art. 628, todos os CC/2002). 
 
II.2.b) As Normas de Imperatividade Relativa de Caráter 
Supletivo (Supletiva): Suprem a falta de manifestação de vontade 
das partes, pois se as partes não manifestam suas vontades, a 
norma supre essa ausência de vontade das partes. 
 
Maria Helena Diniz, indica também os exemplos dos artigos do 
Código Civil 327, 1ª. Parte, em que o pagamento se realizará no 
domicílio do credor, salvo se as partes convencionarem com contrário. 
Art. 1640, se os nubentes não escolherem o regime de casamento, este 
será de comunhão parcial. 
 
II.3) Normas Preceptivas, Proibitivas e Permissivas: 
Preceptivas: São normas que determinam que se faça alguma 
coisa ou que estabeleça um status, qual seja, proteção ou destaque 
ao protegido da norma. 
Proibitivas: São aquelas normas que negam a alguém a prática de 
certos atos. 
Permissivas: Tais normas facultam fazer determinada conduta ou 
omitir algo. 
 
 
 
 
III – Classificação quanto à extensão espacial. 
 
III.1) Normas de Direito Externo: 
 
- Chamas Normas de Direito Externo. - São aquelas normas que integram a 
Ordem Jurídica vigente em território distintos do território nacional. 
 
III.2) Normas de Direito Comunitário: 
 
Cada país integrante abre mão de parte de sua soberania para formação de 
blocos de direitos. (Ex. União Europeia e Mercosul). 
 
III.3) Normas de Direito Interno – Competência para a produção 
legislativa: 
 
 Normas Nacionais (para todos os brasileiros e brasileiras - Normas 
de Direito Comum). Destinam-se a totalidade dos estados da 
federal. 
 Normas Federais (Normas Direito Especial). Sãos as normas 
destinadas à União e aplicam-se a própria União, seus agentes, 
órgãos e instituições, não podendo aplicar aos estados membros e 
municípios. 
 Normas Estaduais (Normas de Direito Especial). Sãos as normas 
destinadas ao Estado membro e aplicam-se a própria Estado 
Membro, seus agentes, órgãos e instituições, não podendo 
aplicadas à União e aos municípios. 
 Normas Municipais (Normas de Direito Especial). Sãos as normas 
destinadas ao Município e aplicam-se ao próprio Município, seus 
agentes, órgãos e instituições, não podendo aplicar aos Estados 
membros e à União. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IV - Norma de Direito Geral e Direito 
Particular. 
 
Classificação que tem por ponto de referência, um único produtor 
legiferante, a partir do plano geográfico do produtor das normas 
jurídicas. 
 
Normade Direito Geral: É o direito aplicável ou com incidência 
em todo o terretório geográfico daquele agente produtor do conjunto 
normativo. 
 
Norma de Direito Particular: Tomando-se o mesmo agente 
produtor legislativo, a norma tem incidência ou aplicação apenas em 
parte deste território. 
 
Ex.: Direito Penal, Civil, Comercial – Norma de Direito Geral. 
 
 Direito particular: Analisando no plano da União a legislação 
sobre CEASA, Transposição do Rio São Francisco, Polígono das 
Secas (Ex-SUDENE), Zona Franca de Manaus – Norma de Direito 
Particular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
V – Norma de Direito Comum e Direito 
Especial. 
 
 Tal classificação, por seu turno, é elaborada a partir do critério 
de distinção, o maior ou o menor alcance sobre as relações da vida, ou 
situações específicas da vida em sociedade que reclamam ordenação. 
 
Norma de Direito Comum: É o conjunto de normas que se 
caracterizam pela atuação sobre todo um ramo do direito. Portanto o 
Direito Comum incide dentro de um ramo do direito, sobre todo um 
conjunto, não se especificando ou especializando para regular um 
específico tema dentro desse mesmo ramo do direito. Ex.: Código de 
Penal (Trata e regula sobre todos os crimes de uma forma geral); da 
mesma forma o Código Civil, o Código de Processo Civil, o Código 
de Processo Penal, etc. 
 
Norma de Direito Especial: Diante dos novos tempos e das 
complexidades que se tornam determinadas questões da vida social, 
tais específicas questões passam reclamar do direito uma 
especialização, ou melhor, adequação para melhor tratá-las, passando 
a dar tratamento e regulamentação especial ao tema. Ex.: Lei de 
Locação; Lei de Divórcio; CLT; Lei de Tóxico. – Aplicação apenas 
em parte das relações sociais reguladas por um ramo do direito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VI – Norma de Regular e Direito Singular. 
 
 Tratando-se que estamos em um Estado Democrático de Direito, 
apenas podemos admitir como parâmetro, aquele direito produzido no 
Estado Democrático de Direito, pois fora dessa condição não há 
direito. Portanto, qualquer ditadura, seja ela civil ou militar, não 
produz qualquer direito, produz qualquer outra coisa, menos direito. 
 
Norma de Direito Regular: Direito Regular é aquele produzido 
direito da regularidade ou ordinariedade da vida no Estado 
Democrático de Direito. Ex.: Qualquer legislação atuante no Brasil. 
 
Norma de Direito Singular: É aquele direito produzido, dentro do 
Estado Democrático de Direito, com efeitos para um período 
determinado de tempo, no objetivo de regular situação emergencial ou 
excepcional, possibilitando a continuidade da vida em sociedade. Ex.: 
Legislação que trata do mosquito de dengue; Legislação específica 
para a tragédia de Mariana; etc. 
 
Privilégio: É direito à concessão feita pelo Estado a 
determinada pessoa ou grupo de pessoas para 
execução de sua função. Vide definição na obra 
do Paulo Nader. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VII - Classificação da Normas Jurídica quanto à sanção ou 
ao análise pelos efeitos da estrutura autorizante ou de 
autorizamento: 
 
Quanto ao efeito do autorizamento ou da parte autorizante da estrutura 
normativa, alguns juristas alegam que essa classificação vem do Direito Romano, 
sustentado no Império Romano do Ocidente. Para outros juristas, essa 
classificação tem alicerce e chega até a nós, através dos expositores medievais do 
Direito Romano, a partir do Império Romano do Oriente. 
 
Vejamos: 
1. Normas mais que perfeitas "leges plus quam perfectae": São 
normas que impõem duas ou mais consequências quando violada a parte 
imperativa da norma, passando as consequências ou sanções por mais de um ramo 
do direito. Por exemplo: nulidade do ato e aplicação de uma pena, ou restrição de 
direito penal, ao infrator. 
 Chega-se à análise das Normas Mais Que Perfeitas ("leges plus quam 
perfectae"), levando em conta que todo Juízo Hipotético há de ter uma 
consequência. Entretanto, tais normas Porém, as normas (Normas Mais Que 
Perfeitas), o autorizamento traz nele embutido mais de duas consequências. 
 Portanto, nas determinadas Normas Mais Que Perfeitas, ocorrendo a 
violação da parte da estrutura normativa chamada de IMPERATIVA ou 
COMANDO, ter-se-á por consequência, a nulidade do ato e aplicação de uma 
pena, ou restrição, ao infrator. 
 Exemplo desse referido tipo de norma, encontramos quando da 
violação do art. 1.521, inciso VI, do Código Civil: 
a) Nulidade do casamento contraído quando infringido impedimento, 
conforme consta do artigo 1.548, II, CC, qual seja, é nulo o casamento que 
viola o inciso VI, do art. 1521, também do Código Civil. 
“Art. 1.521. Não podem casar: 
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; 
II - os afins em linha reta; 
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; 
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; 
V - o adotado com o filho do adotante; 
VI - as pessoas casadas; 
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra 
o seu consorte.” 
b) Contrair casamento pessoa já casada, além da nulidade do casamento 
contraído, sofrerá também a incidência da pena prevista no Direito Penal, 
no art. 235, do Código Penal (Crime de Bigamia): 
“Bigamia 
Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos.” 
2. Normas Perfeitas ("leges perfectae"). Há apenas uma 
consequência por um dos ramos do direito, ou seja, fulmina o ato de nulidade, 
sem interferência em outro ramo do direito. 
 Notadamente, a característica das Normas Perfeitas está em que elas 
limitam a consequência da infringência à imperatividade ou comando, enquanto 
uma das estruturas da norma jurídica, espelhando apenas como consequência 
uma sanção delimitada num ramo do direito, podendo contentar com a nulidade 
do ato transgressor, não implicando em outra extensão, principalmente para a 
ordem pessoal. 
 O Prof. Antônio Bento Betioli, aponta o exemplo de nulidade, a infração 
prevista no inciso I, do artigo 166, do Código Civil, em que “... um menor de 16 
anos contrata, assumindo encargos que afetam o patrimônio...”, levando por 
consequência ser tal ato considerado nulo, “... mas sem estabelecer penalidade 
ou sanção relativamente à pessoa do infrator”. 
3. Normas menos que perfeitas ("leges minus quam 
perfectae"). Limitam aplicar uma pena ou consequência restritiva. Mas não 
privam o ato de sua eficácia. 
Diferentemente das demais normas, esse tipo de norma não inviabiliza o 
ato que infringiu a parte imperativa, apenas impõe uma pena ou restringe seus 
efeitos, sem qualquer anulação de seus efeitos. 
Vide os seguintes exemplos, também apontado por Antônio Bento 
Betioli: 
a) Aquele ou aquela que tiver filho do cônjuge falecido, antes de casar 
novamente, haverá de fazer o inventário, conforme prevê o artigo 
1.523, inciso I, do Código Civil. 
b) A violação dessa norma não implica a nulidade do casamento 
contraído sem antes fazer o inventário. Mas levará que o casamento 
se realize no regime de separação de bens. 
 
4. Normas Imperfeitas ("leges imperfectae"): São normas que a 
violação ao dispositivo da imperatividade não acarreta a nulidade do ato e nem 
tampouco qualquer outra penalidade. Tais normas, tem justificativa nas 
seguintes razões abaixo: 
4.1 – Razões de Ordem Social e Ética. 
 O artigo 1.551 do Código Civil prevê que casamento de menor de 16 anos 
é possível, se resultar gravidez: “Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o 
casamento de que resultou gravidez”. 
4.2– Normas que estabeleçam uma orientação pragmática que 
enunciam princípios gerais, diretrizes. 
 Caracterizam tais normas ao Poder Público direcionamentos, 
certos programação das respectivas atividades. 
 
Ex. na Constituição Federal/88, citado pelo Prof. Antônio Bento 
Betioli, na obra Introdução ao Direito, Ed. Saraiva. 12ª ed.: 
 
“Art. 196. A saúde é direitode todos e dever do Estado, garantido mediante políticas 
sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos 
e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção 
e recuperação.” 
 
“Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e 
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a 
difusão das manifestações culturais.” 
 
4.3– Obrigações naturais ou obrigação judicialmente inexigível. 
 
 Tais obrigações são chamadas de obrigações inexigíveis ou naturais para 
diferenciá-las das OBRIGAÇÕES CIVIS (Obrigações que são exigíveis), sendo 
certo que as obrigações naturais baseiam-se em dever moral ou de consciência, 
sendo reconhecidas pelo direito somente de maneira indireta. 
 
 Com efeito, as obrigações inexigíveis não imperam sua força de 
exigência ou são cobradas de maneira direta via arbitragem pública ou privada 
(Poder Judiciário – Arbitragem Pública ou na forma da Lei 9.307/96 – 
Arbitragem Privada), eis que implicam na sua exigência nos valores de honra, 
moral ou valores de reputação familiar de bons pagadores. Todavia, se o 
devedor efetuar tal pagamento, esse pagamento passa a ser justo título da 
obrigação e não permite-se que o devedor venha reaver o valor pago 
voluntariamente. 
 
 
VIII - Classificação da Normas Jurídica quanto a 
aplicabilidade: 
 
. Norma Autoaplicável: 
 Não depende de outra norma por parte do Poder Legislativo para completa-
la, bem como não necessita que venha da parte do Poder Executivo um 
regulamento para dar aplicabilidade. 
 
. Norma dependente de complementação: 
 Para que o ocorre a vigência e vigor da norma, determinados tipos de 
normas necessitam da criação de outras/novas normas legais por parte do Poder 
Legislativo, para que ocorra a complementação – Art. 7º, inciso XXI, C.F./88. 
 
. Norma dependente de regulamentação: 
 Para que ocorra o pleno vigor, ou seja, a aplicação dos efeitos da norma, 
necessita-se da regulamentação da mesma pelo Poder Executivo, definindo e 
detalhando sua aplicação – Ex.: Lei 8.036 – Lei que trata do FGTS (Fundo de 
Garantia por Tempo de Serviço), exige no art. 31, sua regulamentação.

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