Prévia do material em texto
TEORIA DA NORMA JURÍDICA.
O homem integra a comunidade humana, eis que, embora sendo um ser
independente, uns dos outros, o ser humano individualizado é identificável, sendo
ainda um ser gregário e um ente social.
- O homem vive na sociedade e em sociedade.
- Cada Instituição a que o homem integra se constitui com uma finalidade própria para
a qual visa atingir.
Maria Helena Diniz, em nota de número 260, ao citar Goffredo Telles da Silva Júnior
(Introdução a Ciência do Direito, fascículo 2, p. 111, que apesar das diferenças entre os
grupos humanos, existem, todavia, três notas comuns a todos eles:
1ª) A ideia a realizar – “... Há sempre uma ideia para cuja realização o grupo se
constitui; se as pessoas se agrupam é para atingir determinado fim”.
2ª) Comunhão humana: “... em razão da ideia de um bem a realizar. É com a
associação que uns suprem o que aos outros falta, realizam aquela ambiência
necessária para a realização de seus objetivos.”
3ª) Governo do Grupo: É o órgão (homem ou instituição) do poder a serviço da ideia
a realizar.
“O fundamento das normas está na exigência da natureza humana de viver em
sociedade, dispondo sobre o comportamento de seus membros.”
Maria Helena Diniz, afirma que a norma jurídica é o instrumento elaborado pelos
homens para lograr aquele fim consistente na produção da conduta desejada. A
teleologia1 social tem, portanto, um papel dinâmico e de impulsão normativa.
Celso Lafer no prefácio da obra de José Eduardo Faria (Poder e Legitimidade, São
Paulo: Ed. Perspectiva, 1978, p. 10, escreve: “No Estado contemporâneo, a gênese
das normas se prende a um complexo processo decisório, por meio do qual as
1
O que é Teleologia:
Teleologia, da palavra grega télos, que significa propósito ou fim, é o estudo dos objetivos, fins,
propósitos e destinos.
Na teleologia acredita-se que os seres humanos e outros organismos têm finalidades e objetivos que
orientam seu comportamento.
Para entender melhor, leia os exemplos abaixo:
1. Objetos, como facas e televisões, parecem ter propósitos que são colocados pelos humanos
para eles.
2. As metas e propósitos do ser humano, são aparentemente inerentes ao psicológico dos
mesmo.
Sendo assim, muitos filósofos imaginam que apenas seres conscientes e suas criações podem ter
um télos.
instituições públicas, no exercício da função hierárquica de gestão da sociedade,
convertem preferências e aspirações de grupos ou indivíduos em sociedade
públicas.”
Não é possível que uma norma se torne norma de direito positivo sem poder legítimo e
efetivo, ou seja, sem que seus detentores estejam munidos de título que justifique sua
dominação, e o exerça de conformidade com leis já estabelecidas daí sua legalidade.
E mais, sendo a Norma Jurídica constitutiva do Direito, encontram-se nela, os mesmos
elementos marcantes do Direito:
- Imperatividade.
- Heteronomia.
- Coercibilidade.
- Bilateralidade
DA NORMA JURÍDICA
I – GÊNESE da Norma Jurídica.
Cabe lembrar que as razões do surgimento das normas (gênese), estão em que as
NORMAS JURÍDICAS não são construções cerebrinas ou formas lógicas vazias, pois
seu regramento ou comando são abstraídos da realidade social, da experiência humana,
em função dos fatos que se pretendem disciplinar e dos valores que se quer consagrar.
Acertadamente, as normas jurídicas disciplina o comportamento de seus destinatários
em face da exigência da natureza humana de viver em sociedade.
Nesse sentido é que as Normas Jurídicas são retiradas da realidade fática (vida social
de seus destinatários), a partir da experiência humana (grupo para qual é destinada a
norma), ou seja, regramento da vida em sociedade, em função dos fatos que se
pretende disciplinar e dos valores que se quer consagrar.
Em resumo, do ponto de vista do Direito em elaboração, há sempre uma pressão
axiológica, relacionada com uma situação fática, que pode ser expressa por diversos
projetos de lei, ou diversas proposições normativas ou diversas normas possíveis.
Notadamente, como bem ensina Antônio Bento Betioli (Introdução ao Direito, Ed.
Saraiva): “É no instante mesmo em que o Congresso sanciona o projeto vencedor que
uma das normas possíveis se converte em Norma Jurídica Legal.”
Com efeito, a constituição ou efetivação da Norma Jurídica, através da respectiva Casa
Legislativa, representa sempre um ato de escolha e de decisão, singular ou coletivo,
anônimo ou de um órgão determinado.
Miguel Reale entende que, a Norma Jurídica representa a forma positiva de fixação do
valor do fato social (forma axiológica), o qual reclama regulamentação num
determinado tempo e determinado espaço.
A) Para Miguel Reale, na origem de uma norma jurídica há:
A.1 – Um valor (podendo ser mais de um) que se pretende tutelar ou realizar;
A.2 – é que esse valor que se quer realizar incide sobre um FATO SOCIAL (não
isolado, mas comum um conjunto de circunstâncias);
A.3 - é que se reflete em um leque de normas possíveis, das quais apenas uma se
converterá em jurídica.
A.4 – a interferência do Poder (Legislativo, Judicante, ou Poder Difuso na
sociedade ou da autonomia da vontade) que, ao eleger uma das várias vias
normativas possíveis, converte-a em norma, armando-a de sanção, dando, assim,
origem a uma norma jurídica.
DO FATO E DO VALOR > Resulta a norma, que os integra
II - CONCEITO de Norma Jurídica
Norma Jurídica:
"Do fato e do valor resulta a norma jurídica, a qual integrará o fato social e
seu valor (ou valores).
Do Conceito de Norma Jurídica virá o estudo a partir de 2 (dois) pontos
de vista: Um material e outro formal.
Vejamos primeiro a construção do conceito de Norma Jurídica pelo ponto
de vista MATERIAL
a) Aspecto de conteúdo, ou Aspecto Material ou Aspecto Substancial.
. Matéria que expressa um comando, um dever ou imposição de
organização social, direcionando padrões obrigatórios, ou seja, a Norma
Jurídica é a expressão de um dever ser de organização ou de conduta. Portanto, a
Norma Jurídica, estipula padrões obrigatórios de conduta e de organização social.
. A Norma Jurídica também fixa direcionamentos de comportamentos
interindividuais, bem como fixa comportamento para o Estado e seus
agentes, estipulando ainda a organização do Estado e da carreira de
seus agentes.
. A norma jurídica compreende (absorve) através de seus conteúdos as
várias condutas humanas e os processos de organização social.
Ponto de vista FORMAL – Estrutural – Aspectos externos da composição
da norma.
B) Do ponto de vista formal, uma norma é uma proposição.
Estrutura da norma jurídica pelo plano formal.
A norma jurídica possui uma parte Imperativa ou Comando e uma segunda parte, em sua
estrutura, chamada de Parte Autorizante ou de Autorizamento.
B.1 – Da análise da imperatividade e do autorizamento (parte autorizante) da norma,
tem-se que há uma proposição:
Para tanto é necessário distinguir uma proposição de seu enunciado ou
dispositivo:
- Por PROPOSIÇÃO entendemos um conjunto de palavras que possuem
um significado em uma unidade
- Por ENUNCIADO ou DISPOSITIVO entende-se que é a forma gramatical e
linguística pela qual um determinado significado (sentido) é expresso (escrito)
num determinado tempo e espaço, sendo a expressão linguística e formal das
normas jurídicas.
As Normas Jurídicas, quanto à forma apresentam-se como proposições e dispositivos:
São grupos de palavras com significado próprio que prescrevem determinação própria
e/ou prescrevem um determinado comportamento ou de organização social,
reconhecendo deveres e direitos.
Robert Alexy diferencia “enunciado normativo” e “norma”, sendo:
a) “Enunciado normativo” – Expressa a norma.
b) “Norma” – O significado de um enunciado.
Humberto Ávila: Distingueo texto normativo em “texto” (ou disposição) e Normas,
pois afirma que norma não é texto, nem seu conjunto. Mas o sentido construído a partir
da interpretação sistemática de textos normativos.
Miguel Reale, estudando Bobbio afirmará que “... além da expressão do texto, as
manifestações possuem sentido e valor”.
B.2 – Para o jurista austríaco – Hans Kelsen (1881 – 1973) afirmava que toda norma
jurídica se reduz a um “juízo hipotético”, ou uma “proposição hipotética”, onde se
tem ou prevê um fato (A), o qual liga-se a uma consequência (B) em caso de
descumprimento do fato previsto. Assim: Se for A – deve ser B. (Chamadas de JUÍZO
HIPOTÉTICO).
Todavia, Kelsen também previu a existência de um outro tipo de norma, chamado
norma sancionadora, a qual chama de “primária”, por contraste com o enunciado da
prestação, intitulado conjunto de normas “secundárias”.
Para Miguel Reale a representatividade da estrutura lógica hipotética (“se for A deve
ser B”), corresponde apenas às normas de conduta. Porém, existem outras estruturas de
normas que estão relacionadas à estrutura e funcionamento de órgãos do Estado ou
distribuem competências e atribuições (normas de organização). (Chamadas de JUÍZO
CATEGÓRICO).
Assim, as normas de organização assumem a estrutura de um “Juízo Categórico”, no
qual nada é dito de forma condicional: “A deve ser B”.
Representa uma unidade, envolvendo seu conjunto de palavras.
As demais normas de controle social: Religião, a Moral e as
Regras de Trato Social, possuem as seguintes características:
1 - Parte Imperativa, Parte de Imperatividade ou Parte de
Comando.
2 - Sanção
Por seu turno, a Norma Jurídica, possui a seguinte estrutura:
1. Parte Imperativa, Parte de Imperatividade ou Parte de
Comando.
2. Sanção + condições de tornar concreta essa ameaça
pelo descumprimento da parte imperativa (Parte
Autorizante ou Parte do Autorizamento).
Classificação da Norma Jurídica quanto à análise de sua
estrutura de forma global ou apenas parcial.
Notadamente, os autores variam na apresentação ou formulação das
formas de classificação das normas jurídicas.
O fato é que a classificação pode ser feita segundo vários critérios
I - Classificação quanto ao objeto:
I.1.a) – Norma de Conduta ou de Juízos Hipotéticos.
São aquelas cujo objeto imediato é disciplinar o comportamento dos indivíduos
ou grupos sociais:
. Constituem a maioria das normas jurídicas.
. São as chamadas Normas Primárias ou de Primeiro Grau - Segundo Bobbio.
Normas de Condutas, impõe um modo de vida em sociedade.
Essas normas chamadas de Juízo Hipotético tem como objeto
imediato (próximo e urgente) disciplinar o comportamento
dos sujeitos ou grupos sociais.
Ex.: Normas do Direito Penal (Código Penal: Art. 121, 155 e 171).
I.1.b) – Norma de Organização ou de Juízos Categóricos.
São aquelas que visam à estruturação e ao funcionamento dos
órgãos do Estado, ou ainda fixam e distribuem competências e
atribuições, bem como podem disciplinar a identificação, modificação
e aplicação de outras normas:
. São normas de natureza mais instrumental.
. São também chamadas de Normas Secundárias ou de
Segundo Grau.
Ex.: Art. 1º e art. 22, ambos da Constituição Federal.
Art. 1.634 do Código Civil.
II) Quanto à IMPERATIVIDADE, tomando-se a vontade das
partes frente ao comando normativo:
II.1 - De imperatividade absoluta ou impositiva (absolutamente
cogentes ou de ordem pública).
Indicam, em geral, a ação, a abstenção ou o estado das pessoas, sem
admitir qualquer alternatividade, vincula o destinatário a um único
esquema de conduta.
São aquelas cujo objeto imediato é disciplinar o comportamento dos
indivíduos ou grupos sociais.
Enfim, são normas que ordenam ou proíbem algum coisa sem qualquer
possibilidade de flexibilização.
A imperatividade da norma absoluta ou impositiva da norma
apresenta-se através de duas maneiras: Pela maneira afirmativa e pela
maneira negativa.
II.1.a) Afirmativa: Quando impõe uma conduta (um
fazer), no qual a sociedade deve-se submeter a ele (conduta
a seguir, a fazer e a cumprir). Exemplo de Maria Helena Diniz: Art.
1245 (CC/2002) – Em que a propriedade somente é transferida quando feito o
registro do título translativo no Registro de Imóveis.
II.1.b) Negativa: É quando a imperatividade da norma
nega a existência de um fenômeno jurídico, sem que ocorra
o preenchimento de seus requisitos de existência. Exemplo de
Maria Helena Diniz: Art. 426 (CC/2002) – Em que “... Não pode objeto de
contrato a herança de pessoa viva”.
A imperatividade absoluta de algumas normas é fixada em razão de
que determinados fenômenos, relações ou modo de vida em sociedade
não são permitidos deixar a cargo dos sujeitos ou arbítrio individual.
II.2) De imperatividade relativa, dispositivas ou supletivas.
Não ordenando ou proibindo de modo absoluto, limitam a
dispor com uma parcela de liberdade.
Podem ser PERMISSIVAS ou SUPLETIVAS.
II.2.a) As Normas de Imperatividade Relativa de Caráter
Permissivas: Representam aquelas normas que autorizam uma
ação ou abstenção; Maria Helena Diniz indica um bom exemplo,
que é a aplicação do artigo 1639 (faculdade dos nubentes
escolherem o regime do casamento), a mesma coisa quanto à
remuneração do contrato de depósito em que as partes podem
estipular que seja oneroso (art. 628, todos os CC/2002).
II.2.b) As Normas de Imperatividade Relativa de Caráter
Supletivo (Supletiva): Suprem a falta de manifestação de vontade
das partes, pois se as partes não manifestam suas vontades, a
norma supre essa ausência de vontade das partes.
Maria Helena Diniz, indica também os exemplos dos artigos do
Código Civil 327, 1ª. Parte, em que o pagamento se realizará no
domicílio do credor, salvo se as partes convencionarem com contrário.
Art. 1640, se os nubentes não escolherem o regime de casamento, este
será de comunhão parcial.
II.3) Normas Preceptivas, Proibitivas e Permissivas:
Preceptivas: São normas que determinam que se faça alguma
coisa ou que estabeleça um status, qual seja, proteção ou destaque
ao protegido da norma.
Proibitivas: São aquelas normas que negam a alguém a prática de
certos atos.
Permissivas: Tais normas facultam fazer determinada conduta ou
omitir algo.
III – Classificação quanto à extensão espacial.
III.1) Normas de Direito Externo:
- Chamas Normas de Direito Externo. - São aquelas normas que integram a
Ordem Jurídica vigente em território distintos do território nacional.
III.2) Normas de Direito Comunitário:
Cada país integrante abre mão de parte de sua soberania para formação de
blocos de direitos. (Ex. União Europeia e Mercosul).
III.3) Normas de Direito Interno – Competência para a produção
legislativa:
Normas Nacionais (para todos os brasileiros e brasileiras - Normas
de Direito Comum). Destinam-se a totalidade dos estados da
federal.
Normas Federais (Normas Direito Especial). Sãos as normas
destinadas à União e aplicam-se a própria União, seus agentes,
órgãos e instituições, não podendo aplicar aos estados membros e
municípios.
Normas Estaduais (Normas de Direito Especial). Sãos as normas
destinadas ao Estado membro e aplicam-se a própria Estado
Membro, seus agentes, órgãos e instituições, não podendo
aplicadas à União e aos municípios.
Normas Municipais (Normas de Direito Especial). Sãos as normas
destinadas ao Município e aplicam-se ao próprio Município, seus
agentes, órgãos e instituições, não podendo aplicar aos Estados
membros e à União.
IV - Norma de Direito Geral e Direito
Particular.
Classificação que tem por ponto de referência, um único produtor
legiferante, a partir do plano geográfico do produtor das normas
jurídicas.
Normade Direito Geral: É o direito aplicável ou com incidência
em todo o terretório geográfico daquele agente produtor do conjunto
normativo.
Norma de Direito Particular: Tomando-se o mesmo agente
produtor legislativo, a norma tem incidência ou aplicação apenas em
parte deste território.
Ex.: Direito Penal, Civil, Comercial – Norma de Direito Geral.
Direito particular: Analisando no plano da União a legislação
sobre CEASA, Transposição do Rio São Francisco, Polígono das
Secas (Ex-SUDENE), Zona Franca de Manaus – Norma de Direito
Particular.
V – Norma de Direito Comum e Direito
Especial.
Tal classificação, por seu turno, é elaborada a partir do critério
de distinção, o maior ou o menor alcance sobre as relações da vida, ou
situações específicas da vida em sociedade que reclamam ordenação.
Norma de Direito Comum: É o conjunto de normas que se
caracterizam pela atuação sobre todo um ramo do direito. Portanto o
Direito Comum incide dentro de um ramo do direito, sobre todo um
conjunto, não se especificando ou especializando para regular um
específico tema dentro desse mesmo ramo do direito. Ex.: Código de
Penal (Trata e regula sobre todos os crimes de uma forma geral); da
mesma forma o Código Civil, o Código de Processo Civil, o Código
de Processo Penal, etc.
Norma de Direito Especial: Diante dos novos tempos e das
complexidades que se tornam determinadas questões da vida social,
tais específicas questões passam reclamar do direito uma
especialização, ou melhor, adequação para melhor tratá-las, passando
a dar tratamento e regulamentação especial ao tema. Ex.: Lei de
Locação; Lei de Divórcio; CLT; Lei de Tóxico. – Aplicação apenas
em parte das relações sociais reguladas por um ramo do direito.
VI – Norma de Regular e Direito Singular.
Tratando-se que estamos em um Estado Democrático de Direito,
apenas podemos admitir como parâmetro, aquele direito produzido no
Estado Democrático de Direito, pois fora dessa condição não há
direito. Portanto, qualquer ditadura, seja ela civil ou militar, não
produz qualquer direito, produz qualquer outra coisa, menos direito.
Norma de Direito Regular: Direito Regular é aquele produzido
direito da regularidade ou ordinariedade da vida no Estado
Democrático de Direito. Ex.: Qualquer legislação atuante no Brasil.
Norma de Direito Singular: É aquele direito produzido, dentro do
Estado Democrático de Direito, com efeitos para um período
determinado de tempo, no objetivo de regular situação emergencial ou
excepcional, possibilitando a continuidade da vida em sociedade. Ex.:
Legislação que trata do mosquito de dengue; Legislação específica
para a tragédia de Mariana; etc.
Privilégio: É direito à concessão feita pelo Estado a
determinada pessoa ou grupo de pessoas para
execução de sua função. Vide definição na obra
do Paulo Nader.
VII - Classificação da Normas Jurídica quanto à sanção ou
ao análise pelos efeitos da estrutura autorizante ou de
autorizamento:
Quanto ao efeito do autorizamento ou da parte autorizante da estrutura
normativa, alguns juristas alegam que essa classificação vem do Direito Romano,
sustentado no Império Romano do Ocidente. Para outros juristas, essa
classificação tem alicerce e chega até a nós, através dos expositores medievais do
Direito Romano, a partir do Império Romano do Oriente.
Vejamos:
1. Normas mais que perfeitas "leges plus quam perfectae": São
normas que impõem duas ou mais consequências quando violada a parte
imperativa da norma, passando as consequências ou sanções por mais de um ramo
do direito. Por exemplo: nulidade do ato e aplicação de uma pena, ou restrição de
direito penal, ao infrator.
Chega-se à análise das Normas Mais Que Perfeitas ("leges plus quam
perfectae"), levando em conta que todo Juízo Hipotético há de ter uma
consequência. Entretanto, tais normas Porém, as normas (Normas Mais Que
Perfeitas), o autorizamento traz nele embutido mais de duas consequências.
Portanto, nas determinadas Normas Mais Que Perfeitas, ocorrendo a
violação da parte da estrutura normativa chamada de IMPERATIVA ou
COMANDO, ter-se-á por consequência, a nulidade do ato e aplicação de uma
pena, ou restrição, ao infrator.
Exemplo desse referido tipo de norma, encontramos quando da
violação do art. 1.521, inciso VI, do Código Civil:
a) Nulidade do casamento contraído quando infringido impedimento,
conforme consta do artigo 1.548, II, CC, qual seja, é nulo o casamento que
viola o inciso VI, do art. 1521, também do Código Civil.
“Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra
o seu consorte.”
b) Contrair casamento pessoa já casada, além da nulidade do casamento
contraído, sofrerá também a incidência da pena prevista no Direito Penal,
no art. 235, do Código Penal (Crime de Bigamia):
“Bigamia
Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.”
2. Normas Perfeitas ("leges perfectae"). Há apenas uma
consequência por um dos ramos do direito, ou seja, fulmina o ato de nulidade,
sem interferência em outro ramo do direito.
Notadamente, a característica das Normas Perfeitas está em que elas
limitam a consequência da infringência à imperatividade ou comando, enquanto
uma das estruturas da norma jurídica, espelhando apenas como consequência
uma sanção delimitada num ramo do direito, podendo contentar com a nulidade
do ato transgressor, não implicando em outra extensão, principalmente para a
ordem pessoal.
O Prof. Antônio Bento Betioli, aponta o exemplo de nulidade, a infração
prevista no inciso I, do artigo 166, do Código Civil, em que “... um menor de 16
anos contrata, assumindo encargos que afetam o patrimônio...”, levando por
consequência ser tal ato considerado nulo, “... mas sem estabelecer penalidade
ou sanção relativamente à pessoa do infrator”.
3. Normas menos que perfeitas ("leges minus quam
perfectae"). Limitam aplicar uma pena ou consequência restritiva. Mas não
privam o ato de sua eficácia.
Diferentemente das demais normas, esse tipo de norma não inviabiliza o
ato que infringiu a parte imperativa, apenas impõe uma pena ou restringe seus
efeitos, sem qualquer anulação de seus efeitos.
Vide os seguintes exemplos, também apontado por Antônio Bento
Betioli:
a) Aquele ou aquela que tiver filho do cônjuge falecido, antes de casar
novamente, haverá de fazer o inventário, conforme prevê o artigo
1.523, inciso I, do Código Civil.
b) A violação dessa norma não implica a nulidade do casamento
contraído sem antes fazer o inventário. Mas levará que o casamento
se realize no regime de separação de bens.
4. Normas Imperfeitas ("leges imperfectae"): São normas que a
violação ao dispositivo da imperatividade não acarreta a nulidade do ato e nem
tampouco qualquer outra penalidade. Tais normas, tem justificativa nas
seguintes razões abaixo:
4.1 – Razões de Ordem Social e Ética.
O artigo 1.551 do Código Civil prevê que casamento de menor de 16 anos
é possível, se resultar gravidez: “Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o
casamento de que resultou gravidez”.
4.2– Normas que estabeleçam uma orientação pragmática que
enunciam princípios gerais, diretrizes.
Caracterizam tais normas ao Poder Público direcionamentos,
certos programação das respectivas atividades.
Ex. na Constituição Federal/88, citado pelo Prof. Antônio Bento
Betioli, na obra Introdução ao Direito, Ed. Saraiva. 12ª ed.:
“Art. 196. A saúde é direitode todos e dever do Estado, garantido mediante políticas
sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos
e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção
e recuperação.”
“Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a
difusão das manifestações culturais.”
4.3– Obrigações naturais ou obrigação judicialmente inexigível.
Tais obrigações são chamadas de obrigações inexigíveis ou naturais para
diferenciá-las das OBRIGAÇÕES CIVIS (Obrigações que são exigíveis), sendo
certo que as obrigações naturais baseiam-se em dever moral ou de consciência,
sendo reconhecidas pelo direito somente de maneira indireta.
Com efeito, as obrigações inexigíveis não imperam sua força de
exigência ou são cobradas de maneira direta via arbitragem pública ou privada
(Poder Judiciário – Arbitragem Pública ou na forma da Lei 9.307/96 –
Arbitragem Privada), eis que implicam na sua exigência nos valores de honra,
moral ou valores de reputação familiar de bons pagadores. Todavia, se o
devedor efetuar tal pagamento, esse pagamento passa a ser justo título da
obrigação e não permite-se que o devedor venha reaver o valor pago
voluntariamente.
VIII - Classificação da Normas Jurídica quanto a
aplicabilidade:
. Norma Autoaplicável:
Não depende de outra norma por parte do Poder Legislativo para completa-
la, bem como não necessita que venha da parte do Poder Executivo um
regulamento para dar aplicabilidade.
. Norma dependente de complementação:
Para que o ocorre a vigência e vigor da norma, determinados tipos de
normas necessitam da criação de outras/novas normas legais por parte do Poder
Legislativo, para que ocorra a complementação – Art. 7º, inciso XXI, C.F./88.
. Norma dependente de regulamentação:
Para que ocorra o pleno vigor, ou seja, a aplicação dos efeitos da norma,
necessita-se da regulamentação da mesma pelo Poder Executivo, definindo e
detalhando sua aplicação – Ex.: Lei 8.036 – Lei que trata do FGTS (Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço), exige no art. 31, sua regulamentação.