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HIDROLOGIA AULA 5 Prof.ª Stéphanie Meyer Piazza 2 CONVERSA INICIAL Na hidrologia, após os eventos pluviais, a água que não infiltra escoará superficialmente. Nesta abordagem, veremos o conceito do escoamento superficial, seus componentes e fatores de influência bem como o estudo de cheias. Esse tema é de fundamental importância para o projeto de obras de engenharia, dimensionadas de modo a suportar as vazões máximas decorrentes do escoamento superficial. TEMA 1 – O ESCOAMENTO SUPERFICIAL Segundo Pinto (1976), o escoamento superficial “é o segmento do ciclo hidrológico que estuda o deslocamento das águas na superfície da Terra”. Esse estudo considera o movimento da água com base na menor porção de chuva que, caindo sobre um solo saturado de umidade ou impermeável, escoa pela sua superfície formando sucessivamente as enxurradas ou torrentes, córregos, ribeirões, rios e lagos ou reservatórios de acumulação. Conforme apresentado na Figura 1, o escoamento superficial é uma das etapas do ciclo hidrológico. Figura 1 – Subdivisões do ciclo hidrológico Crédito: Olha1981/Shutterstock. 3 Das fases do ciclo hidrológico o escoamento superficial é talvez a mais importante para os estudos de engenharia. A maioria dos estudos hidrológicos está ligada ao aproveitamento da água superficial e à proteção contra os fenômenos provocados pelo seu deslocamento (Villela; Mattos, 1975). 1.1 Formação e componentes do escoamento dos cursos de água A origem do escoamento superficial é essencialmente das precipitações. No início do escoamento superficial forma-se uma película laminar que aumenta de espessura, à medida que a precipitação prossegue até atingir um estado de equilíbrio. As trajetórias descritas pela água no seu movimento são determinadas, principalmente, pelas linhas de maior declive do terreno e são influenciadas pelos obstáculos existentes. Nesta fase temos o movimento das águas livres. À medida que as águas vão atingindo os pontos mais baixos do terreno, passam a escoar em canalículos que formam a microrrede de drenagem. Sob a ação da erosão, aumenta a dimensão desses canalículos e o escoamento processa, cada vez mais, por caminhos preferenciais. Formam-se as torrentes, cuja duração está associada, praticamente, à precipitação; a partir delas, formam-se os cursos de água propriamente ditos, com regime de escoamento dependendo da água superficial e da contribuição do lençol de água subterrâneo: são as chamadas águas sujeitas. Chama-se de rede de drenagem ao conjunto de cursos de água desde os pequenos córregos formadores até o rio principal. As águas pluviais tingem o leito de curso de água por quatro vias diversas: • Escoamento superficial; • Escoamento subsuperficial (hipodérmico); • Escoamento subterrâneo; e • Precipitação direta sobre a superfície livre. Verifica-se que o escoamento superficial começa algum tempo após o início da precipitação. O intervalo de tempo decorrido corresponde à ação da intercepção pelos vegetais e obstáculos, à saturação do solo e à acumulação nas depressões do terreno. A ação da intercepção e a da acumulação tendem a reduzir-se no tempo e a da infiltração a tornar-se constante. O escoamento subsuperficial, ocorrendo 4 nas camadas superiores do solo, é difícil de ser separado do escoamento superficial. O escoamento subterrâneo dá uma contribuição que varia lentamente com o tempo e é o responsável pela alimentação do curso de água durante a estiagem. Já a contribuição do escoamento superficial cresce com o tempo até atingir um valor sensivelmente constante à medida que a precipitação prossegue. Cessada esta, ele vai diminuindo até anular-se. TEMA 2 – GRANDEZAS CARACTERÍSTICAS E FATORES INTERVENIENTES DO ESCOAMENTO SUPERFICIAL A seguir no Quadro 1 serão apresentadas as grandezas características do escoamento superficial. Quadro 1 – Grandezas características do escoamento superficial GRANDEZA DESCRIÇÃO Bacia hidrográfica Também chamada de bacia de contribuição de uma seção de um curso de água. É a área geográfica coletora de água de chuva que, escoando pela superfície do solo, atinge a seção considerada. Vazão É o volume de água escoado na unidade de tempo em determinada seção do curso de água. É expressa em metros cúbicos por segundo ou em litros por segundo. Frequência Frequência de uma vazão Q em uma seção de um curso de água é o número de ocorrências desta em dado intervalo do tempo. Coeficiente de deflúvio É a relação entre a quantidade total de água escoada pela seção e a quantidade total de água precipitada na bacia hidrográfica; pode referir-se a uma dada precipitação ou a todas as que ocorreram em determinado intervalo de tempo. Tempo de concentração Tempo de concentração relativo a uma seção de um curso de água é o intervalo de tempo contado a partir do início da precipitação para que toda a bacia hidrográfica correspondente passe a contribuir na seção em estudo. Corresponde à duração da trajetória da partícula de água que demore mais tempo para atingir a seção. 5 Nível de água É a altura atingida pela água na seção em relação a determinada referência. Pode ser um valor instantâneo ou a média em determinado intervalo de tempo (dia, mês, ano). Fonte: Pinto, 1976. Dentre os fatores intervenientes do escoamento superficial temos: • Fatores que presidem a quantidade de água precipitada a) Quantidade de vapor d’água presente na atmosfera – existência de grandes superfícies, nas proximidades expostas à evaporação. b) Condições meteorológicas e topográficas favoráveis à evaporação, à movimentação das massas de ar e à condensação do vapor d’água (temperatura, ventos, pressão barométrica e acidentes topográficos). • Fatores que presidem o afluxo da água à seção em estudo a) Área da bacia de contribuição; b) Conformação topográfica da bacia: declividades, depressões acumuladores e retentores de água; c) Condições da superfície do solo e constituição geológica do subsolo (existência de vegetação; vegetal natural – florestas; vegetação cultivada; capacidade de infiltração no solo; natureza e disposição das camadas geológicas; tipos de rochas presentes; condições de escoamento da água através das rochas); d) Obras de controle e utilização da água a montante da seção (irrigação ou drenagem do terreno; canalização ou retificação de cursos de água; derivação de água da bacia ou para a bacia; construção de barragens), • Influência desses fatores sobre as vazões a) A descarga anual cresce de montante para jusante à medida que cresce a área da bacia hidrográfica. b) Em dada seção, as variações das vazões instantâneas são tanto maiores quanto menor a área da bacia hidrográfica. c) As vazões máximas instantâneas em uma seção dependerão de precipitações tanto mais intensas quanto menor for a área da bacia hidrográfica; para as bacias de pequena área, as precipitações causadoras de vazões máximas têm grande intensidade e pequena 6 duração; para as bacias de área elevada, as precipitações terão menor intensidade e maior duração. d) Para uma mesma área de contribuição, as variações das vazões instantâneas serão tanto maiores e dependerão tanto mais das chuvas de alta intensidade quanto: maior for a declividade do terreno; menores forem as depressões retentoras de água; mais retilíneo for o traçado e maior a declividade do curso de água; menor for a quantidade de água infiltrada e menor for a área coberta por vegetação. e) O coeficiente de deflúvio relativo a dada precipitação será tanto maior quanto menores forem a capacidade de infiltração e os volumes de água interceptados pela vegetação e obstáculos ou retidos nas depressões do terreno. O coeficiente de deflúvio relativo a um longo intervalo de tempo depende principalmente das perdas por infiltração,evaporação e transpiração. TEMA 3 – HIDROMETRIA E MODELOS CHUVA-VAZÃO Entende-se hidrometria como a parte da hidrologia que estuda a medição de vazões de água. Os métodos de estimativa do escoamento superficial podem ser divididos em quatro grupos conforme a seguir: a) Medição do nível de água – É o mais preciso e requer vários postos fluviométricos; b) Modelo chuva-vazão calibrados – Possui boa precisão e os métodos são baseados na hidrógrafa (hidrograma unitário); c) Modelo chuva-vazão não calibrado – Média precisão e os métodos são baseados no método racional; e d) Fórmulas empíricas – Baixa precisão, exemplos: Meyer, Gregory etc. Mais especificamente sobre os modelos temos os seguintes exemplos modelos chuva-vazão calibrados (método do hidrograma e método do hidrograma unitário) e modelos chuva-vazão não calibrados (método racional e método racional modificado). De maneira geral, um hidrograma serve para estimar a quantidade de água que passa por determinada seção, por unidade de tempo. Logo, hidrógrafa, 7 hidrograma ou fluviograma é a representação gráfica da variação da vazão em relação ao tempo (Figura 2). Figura 2 – Hidrograma Fonte: Oliveira, 2001. Num hidrograma existe, normalmente, um único pico. O hidrograma reflete: a) precipitação direta sobre o curso d’água; b) escoamento superficial; c) escoamento subsuperficial; d) fluxo subterrâneo ou de base O uso de modelos hidrológicos permite a simulação de eventos hidrográficos para melhor avaliação dos riscos de inundação associados à impermeabilização do solo. Os modelos chuva-vazão têm por objetivo estimar o deflúvio em um sistema de drenagem qualquer, gerado por um evento de chuva. Buscam reproduzir as fases do ciclo hidrológico entre a precipitação e o escoamento no ponto de interesse. Os modelos mais simples de chuva-vazão levam em consideração apenas a chuva e a vazão; já os modelos mais complexos podem levar em 8 consideração ainda: chuva, infiltração, interceptação, água no solo, percolação, escoamento superficial, escoamento subsuperficial, escoamento em rios, evapotranspiração e o papel da vegetação. O método mais simples, ou seja, o método racional utiliza a seguinte equação para cálculo da vazão: 𝑄𝑄𝑄𝑄 = 𝐶𝐶 . 𝑖𝑖 .𝐴𝐴 3,6 Onde: Qp = vazão de pico (m³/s) C = coeficiente de escoamento do método racional i = intensidade da chuva (mm/hora) A = área da bacia (km²) Porém cabe ressaltar que é utilizado para cálculo da vazão máxima, não calculando nem o volume nem a forma do hidrograma. Também é utilizado para pequenas bacias e casos de eventos simples e para avaliações preliminares. Já os modelos chuva-vazão mais complexos têm como objetivo principal estender séries de vazão no tempo e no espaço usando dados de precipitação. Por fim temos que os modelos chuva-vazão podem ser utilizados para os seguintes casos: • Comportamento dos sistemas hidrológicos; • Análise de consistência e preenchimento de séries hidrológicas; • Previsão em tempo real; • Dimensionamento e planejamento; • Avaliação do impacto do uso do solo e modificações do sistema hídrico. TEMA 4 – ESTUDO DE CHEIAS E ESTIAGENS Os eventos de cheias são eventos naturais que ocorrem em qualquer bacia de drenagem, a qual tenha sido atingida por uma intensidade de chuva que ultrapasse a capacidade que esta tem de interceptar, evapotranspirar e infiltrar determinado volume d’água. O aumento do escoamento superficial pode ser, então, favorecido pela topografia, geomorfologia e cobertura do solo de determinada bacia. 9 Tais eventos, quando acontecem em maior intensidade e extravasam a calha principal do canal, causam grandes danos sociais, pois é comum o desenvolvimento de atividades e assentamento de pessoas em planícies de inundação. O termo enchente é empregado nesse caso, quando o evento de cheia ultrapassa a cota de inundação, limite entre a calha principal e secundária (Pinheiro, 2005). As ondas de inundação provenientes de chuvas intensas nas cabeceiras dos cursos d’água têm efeito devastador nas localidades com ocupação humana que estejam localizadas a jusante do local. As enchentes e inundações são “potencializadas pelas alterações ambientais e intervenções antrópicas nas áreas urbanas e rurais” (Tachini et al., 2010). Outro problema são cidades antigas onde não ocorreu planejamento e que apresentam obras que interferem de forma significativa sobre o regime dos cursos d’água. A Figura 3 esquematiza os leitos que compõem um curso d’água. Figura 3 – Representação dos leitos de um curso d’água Crédito: Elias Aleixo. 10 O problema social da ocupação humana em áreas sujeitas à inundação é resultado de um crescimento desordenado das cidades, o que aconteceu antes que qualquer legislação sobre tal aspecto entrasse em vigor. Segundo Carvalho, Macedo e Ogura (2007), as enchentes e inundações apresentam efeitos bastante prejudiciais à população e classificam-se em diretos e indiretos. Os danos diretos englobam mortes por afogamento, destruição de moradias, danos materiais de patrimônio público e privado, gastos com recuperação, entre outros. Já nos danos indiretos estão incluídas as doenças que são transmitidas à população por meio da água contaminada, tais como a leptospirose, a febre tifoide, a hepatite, a cólera, entre outros malefícios. Além das cheias existem os problemas relacionados com as estiagens. A estiagem é um período prolongado de baixa pluviosidade, ou sua ausência, no qual a perda de umidade do solo é superior à sua reposição. Situações de secas e estiagens não são necessariamente consequências de índices pluviais abaixo do normal ou de teores de umidade de solos e ar deficientes. Ocorrem também devido ao manejo inadequado de corpos hídricos e bacias hidrográficas, como resultado da intervenção desordenada do ser humano no ambiente. A severidade e a frequência com que as vazões de estiagem prolongada ocorrem também estão relacionadas a problemas de abastecimento industrial ou agrícola, à manutenção de calados mínimos para a navegação fluvial, à redução da capacidade de autodepuração dos cursos d’água e à manutenção dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos (Naghettini, 2012). Estudos sobre as vazões mínimas, decorrentes de estiagens prolongadas, são necessários para o projeto e a operação de diversos sistemas de aproveitamento de recursos hídricos, entre os quais se destaca o abastecimento d’água por mananciais de superfície. Sendo assim, os chamados eventos extremos, cheias e estiagens prolongadas produzem sérios prejuízos econômicos e sociais; a esse respeito, as ações do homem devem presumir a coexistência inexorável da sociedade humana com os riscos de cheias e estiagens extremas e concorrer para mitigar os efeitos danosos de sua ocorrência. 11 TEMA 5 – CLASSIFICAÇÃO E PROPAGAÇÃO DE CHEIAS EM RESERVATÓRIOS E RIOS No Quadro 2 são apresentadas as classificações dos hidrogramas das cheias segundo Horton. As características de cada tipo de cheias são apresentadas resumidamente na Figura 4. Quadro 2 – Classificação das cheias segundo Horton TIPO DESCRIÇÃO Tipo 0 A intensidade da chuva P é menor do que a capacidade da infiltração f; a infiltração total F é menor do que a deficiência de umidade natural do solo D. Em consequência, não há escoamento superficial e nenhum acréscimo da água no solo. Fenômeno característico de chuvas fracas que ocorre durante a estiagem ou no fim dela, quando o solo está seco. Tipo 1 A intensidade da chuva P é menor do que a capacidade da infiltração f; a deficiência da umidade natural do solo D é também menor do que a infiltração total F. Em consequência, não há escoamento superficial. Verifica-se, entretanto, o acréscimo da água no solo acompanhado de uma variação de vazão do curso d’água.Tipo 2 A intensidade da chuva P é maior do que a capacidade da infiltração f; a deficiência da umidade natural do solo D é maior do que a infiltração total F. Em consequência, existe somente o escoamento superficial, não há acréscimo da água do solo, a depleção normal continua durante a cheia e o regime da água do solo é retomado depois de N. Tipo 3 A intensidade da chuva P supera a capacidade da infiltração f; a deficiência da umidade natural do solo D é menor do que a infiltração total F. Neste tipo, ocorrem o escoamento superficial e o acréscimo do lençol de água. Fonte: Pinto, 1976. 12 Figura 4 – Tipos de cheias Fonte: P.D., S.d. O fenômeno de propagação de cheias em reservatórios pode ser descrito pela equação da continuidade, ou seja: em que Qa e Qe = vazões afluentes e efluentes, dV/dt = variação do volume acumulado no reservatório ou trecho do rio com o tempo. Ao se propagarem para jusante, as ondas de cheias estão sujeitas a dois tipos de influências extremas e distintas: uma devida à translação pelo chamado escoamento uniformemente progressivo e outra devida à atenuação por armazenamento. Um escoamento uniformemente progressivo refere-se ao movimento de uma onda de cheia para jusante, sem alteração de sua forma original; esse tipo 13 de escoamento ocorre somente em canais prismáticos, sob condições ideais de univocidade de cotas e descargas em todos os trechos do rio. O efeito de atenuação refere-se à modificação da forma da onda devida ao armazenamento de seu volume no trecho fluvial (Naghettini, 2012). Já para a propagação de cheias em rios, o método mais simples, porém talvez o menos realista, é o que expressa o volume do trecho fluvial somente em função da defluência. Outro ponto importante a se discutir é que as medidas visando ao controle das inundações são classificadas em estruturais e não estruturais. As medidas estruturais são aquelas que modificam de alguma forma o sistema fluvial, por meio de estruturas hidráulicas, objetivando atenuar os prejuízos provocados pelas cheias. As medidas não estruturais, por sua vez, são aquelas que objetivam uma melhor convivência da população com os riscos de cheias, não necessitando de modificações estruturais do sistema fluvial. Logo, o controle das inundações pode ser obtido por um conjunto de medidas estruturais e não estruturais. A pesquisa para a melhor combinação dessas ações constitui o objeto do planejamento do controle de cheias e de seus efeitos. NA PRÁTICA A drenagem urbana está intimamente ligada com o escoamento superficial da água, uma vez que se refere ao volume de água de chuva que não se infiltra no solo e por isso deve ser destinada de maneira a evitar casos de inundações nos centros urbanos. A drenagem superficial elimina o excesso de água acumulado na superfície do solo. Nesse caso, o excesso de água pode ser provocado por chuvas intensas e também pela baixa taxa de infiltração de água no solo. Essa técnica consiste na abertura de valas ou canais para escoamento do excesso de água. Tucci (2009) afirma que “a elaboração de plano diretor de drenagem urbana é a medida altamente recomendável e constitui estratégia essencial para diminuir riscos associados a inundações urbanas”. Outra medida é um planejamento adequado de drenagem urbana da água pluvial, que pode ser dimensionada em dois níveis: macrodrenagem e microdrenagem. 14 As inundações urbanas trazem grandes problemas à cidade como: perdas materiais, perdas de vida, impactos ambientais e problemas relacionados a epidemias. O controle de inundações pode ser realizado por medidas estruturais, envolvendo obras de engenharia, ou não estruturais como zoneamento e sistemas de alerta. Um modelo hidrográfico subsidia a implantação e escolha de tais medidas. Sendo assim, sem um plano diretor adequado que evite a urbanização indisciplinada da bacia, a frequência das enchentes aumenta significativamente. Esse aumento de enchentes pode provocar uma desvalorização das propriedades e prejuízos periódicos (Porto et al., 2009). Conclui-se que um melhor planejamento urbano faz com que a urbanização em torno das bacias hidrográficas seja feita de forma adequada para permitir maior infiltração da água no solo e consequentemente um menor escoamento superficial, diminuindo assim a tendência da bacia a infiltrações. FINALIZANDO Nesta abordagem, aprendemos que o escoamento superficial abrange desde o excesso de precipitação que ocorre logo após uma chuva intensa e se desloca livremente pela superfície do terreno, até o escoamento de um rio, que pode ser alimentado tanto pelo excesso de precipitação como pelas águas subterrâneas. Por fim, discutimos sobre a importância de um planejamento urbano que evite casos de inundações. Sendo assim, a fim de minimizar os impactos relacionados com inundações urbanas, os municípios necessitam então da adoção de medidas que são conhecidas popularmente como plano de drenagem urbana. Salientando que a drenagem urbana é o conjunto de medidas que têm por objetivo minimizar os riscos a que as populações estão sujeitas, diminuir o prejuízo causado por inundações e possibilitar o desenvolvimento urbano de forma harmônica, articulada e sustentável. 15 REFERÊNCIAS CARVALHO, C.; MACEDO, E; OGURA, A. Mapeamento de riscos em encostas e margens de rios. Brasília: Ministério das Cidades, 2007. 176 p. NAGHETTINI, M. Introdução à hidrologia aplicada. UFMG, Belo Horizonte, 2012. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2023. PINHEIRO, M. V. Avaliação técnica e histórica das enchentes em Itajubá- MG. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Energia) – Universidade Federal de Itajubá, Itajubá, p.24-26. 2005. PINTO, N. L. S. et al. Hidrologia básica. São Paulo: Edgard Blucher, 1976. PORTO, R.; ZAHEL, K.; TUCCI, C.; BIDONE, F. Drenagem urbana. In: TUCCI, C. Hidrologia: ciência e aplicação. Porto Alegre: ABRH, 2009. TACHINI, Mário et al. Avaliação de danos de inundações ocorridos em Blumenau/SC nos anos de 1983, 1984, 1992 e 2001. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE RECURSOS HÍDRICOS, 18., 2010, Blumenau. Anais... Florianópolis: SBRH, p. 1-18. 2010. TUCCI, C. E. M. Hidrologia: ciência e aplicação. 4. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, ABRH, 2009. VILLELA S. M.; MATTOS A. Hidrologia aplicada. São Paulo: McGraw-Hill, 1975. Conversa inicial Na prática FINALIZANDO