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Procedimento 41.1Aspiração Delegação e colaboração O procedimento de aspiração de via respiratória artificial, no caso de vias respiratórias artificiais recém-inseridas, não pode ser delegado aos técnicos/auxiliares de enfermagem, nos Estados Unidos. Quando o enfermeiro avalia um paciente como estável, ele pode delegar a aspiração orofaríngea e de tubo de traqueostomia bem estabelecida. Observação: não delegue a aspiração orofaríngea em pacientes submetidos a cirurgia oral ou de pescoço no período pós-operatório imediato. O enfermeiro orienta os auxiliares sobre: •Quaisquer modificações no procedimento, como a necessidade de oxigênio suplementar •Os devidos limites de aspiração para aspiração nasotraqueal e para aspiração de TETs e TTs e os riscos de aplicar pressão de aspiração excessiva ou inadequada •Evitar suturas na boca, a aplicação de aspiração contra tecidos sensíveis e deslocamento de tubos no nariz ou boca do paciente •Relatar qualquer alteração no estado respiratório do paciente, sinais vitais, oximetria de pulso (SpO2), nível de dor, nível de consciência, agitação, coloração e quantidade de secreções, e tosse não resolvida e náusea •Relatar quaisquer sinais de lesão tecidual em volta da via respiratória oral (tubo endotraqueal) ou estoma traqueal e da área peristomal (tubo de traqueostomia). Quando apropriado, o enfermeiro pode colaborar com o terapeuta respiratório, já que esse profissional também está apto a realizar esse procedimento em certas instituições de saúde. Material Aspiração orofaríngea •Sonda de aspiração limpa não estéril ou ponteira de aspiração Yankauer •Luvas de procedimentos •Toalha limpa ou campo de papel •Máscara, óculos ou protetor facial, se indicados; avental, conforme exigido pelos procedimentos de isolamento (verifique a política da instituição) •Recipiente ou bacia descartável •Água potável ou solução salina normal (aproximadamente 100 mℓ) •Aparelho de aspiração ou dispositivo de aspiração de parede com regulador •Linhas de conexão (182,8 cm) •Estetoscópio •Oxímetro de pulso •Via respiratória oral (se indicado) •Toalha de rosto •Bolsa de reanimação manual autoinflável (bolsa-válvula-máscara) com linhas de conexão de oxigênio. Aspiração nasotraqueal •Sonda de aspiração estéril (12 a 16 Fr) (menor calibre que remova efetivamente as secreções) •Duas luvas estéreis ou uma luva estéril e uma luva de procedimento •Bacia ou cuba estéril (p. ex., recipiente estéril descartável) •Água estéril ou solução salina normal (aproximadamente 100 mℓ) •Toalha limpa ou campo de papel •Máscara, óculos ou protetor facial, se indicados; avental, conforme exigido pelos procedimentos de isolamento (verifique a política da instituição) •Estetoscópio •Oxímetro de pulso •Aparelho de aspiração ou dispositivo de aspiração de parede com regulador •Linhas de conexão (182,8 cm) •Bolsa de reanimação manual autoinflável (bolsa-válvula-máscara) com linhas de conexão de oxigênio. Aspiração endotraqueal ou de traqueostomia •Estetoscópio •Oxímetro de pulso (opção para aspiração de via respiratória artificial: monitor de CO2 corrente final) •Sonda de aspiração do tamanho adequado, normalmente de 12 a 16 Fr (menor calibre que remova efetivamente as secreções; preferencialmente um de no máximo metade do diâmetro interno da via respiratória artificial para minimizar quedas na PaO2) (Billington e Luckett, 2019) •Aparelho de aspiração ou dispositivo de aspiração de parede com regulador •Bacia ou cuba estéril e solução salina normal/estéril (aproximadamente 100 mℓ) •Toalha limpa ou campo estéril •Duas luvas estéreis ou uma luva estéril e outra de procedimento •Máscara, óculos ou protetor facial, se indicados; avental, conforme exigido pelos procedimentos de isolamento (verifique a política da instituição) •Adaptador Y pequeno (caso o cateter não tenha um acesso de controle de aspiração) •Bolsa de reanimação manual autoinflável (bolsa-válvula-máscara) com linhas de conexão de oxigênio •Válvula PEEP para bolsa de reanimação. Sistema de aspiração fechada ou em linha (Figura 41.12) •Sonda para sistema de aspiração fechada ou em linha •5 a 10 mℓ de solução salina normal seringada ou em frascos •Duas luvas de procedimentos •Aparelho de aspiração ou dispositivo de aspiração de parede com regulador •Linhas de conexão (182,8 cm) •Kit/materiais de aspiração oral para aspiração orofaríngea •Máscara, óculos ou protetor facial, se indicados; avental se os procedimentos de isolamento assim exigirem •Oxímetro de pulso e estetoscópio •Bolsa de reanimação manual autoinflável (bolsa-válvula-máscara) com linhas de conexão de oxigênio que, embora não necessária para o procedimento, é seguro ter em mãos. Passo Justificativa Histórico 1.Identifique o paciente utilizando pelo menos dois tipos de identificação (p. ex., nome e data de nascimento ou nome e número do prontuário) de acordo com as políticas locais. Garante que o procedimento seja realizado no paciente certo. Atende às normas de The Joint Commission e aumenta a segurança para o paciente (TJC, 2021). 2.Consulte o prontuário eletrônico do paciente para verificar se há contraindicações para a aspiração nasotraqueal: passagens nasais ocluídas; sangramento nasal; epiglotite ou crupe; cirurgia ou traumatismo craniano, facial ou cervical agudo; coagulopatia ou distúrbio hemorrágico; via respiratória irritável; laringospasmo ou broncospasmo; cirurgia gástrica com anastomose importante; infarto do miocárdio (Hockenberry et al., 2019; Wiegand, 2017). A passagem do cateter de aspiração pelas vias nasais causa traumatismo em casos de cirurgia ou traumatismo facial, aumenta o sangramento nasal ou causa grave hemorragia na presença de coagulopatia ou distúrbios hemorrágicos. Na presença de epiglotite ou crupe, laringospasmo ou via respiratória irritável, a passagem do cateter de aspiração pelo nariz causa tosse intratável, hipoxemia e broncospasmo grave, necessitando de intubação de emergência ou traqueostomia. A hipoxemia poderia piorar os danos cardíacos em casos de infarto do miocárdio (Hockenberry et al., 2019; Wiegand, 2017). 3.Reveja os dados microbiológicos do escarro no relatório laboratorial. Certas bactérias são transmitidas facilmente ou requerem isolamento devido à sua virulência ou resistência a antibióticos. 4.Revise o prontuário eletrônico do paciente: história clínica, oximetria de pulso normal e valores de CO2 na corrente final, tendências de sinais vitais, resposta anterior e tolerância ao procedimento de aspiração, e cor e quantidade de catarro. Os dados ajudam a prever ou prevenir resultados inesperados. Alterações no estado neurológico e comprometimento neuromuscular aumentam a probabilidade de que o paciente não consiga expelir secreções respiratórias. Anatomia anormal ou cirurgia/traumatismo de cabeça e pescoço e tumores na via respiratória inferior e ao redor dela reduzem a desobstrução normal de secreções na via respiratória inferior (Urden et al., 2020). 5.Identifique contraindicações à aspiração nasotraqueal: passagens nasais ocluídas; sangramento nasal; epiglotite ou crupe; lesão aguda ou cirurgia craniana, facial ou cervical; coagulopatia ou distúrbio hemorrágico; via respiratória irritável; laringospasmo ou broncospasmo; cirurgia gástrica com anastomose alta; infarto do miocárdio (Hockenberry et al., 2019; Urden et al., 2020; Wiegand, 2017). A aspiração nasotraqueal é contraindicada nessas condições, pois a passagem do cateter de aspiração pelas vias nasais causa traumatismo em casos de cirurgia ou traumatismo facial, aumenta o sangramento nasal ou causa grave hemorragia na presença de coagulopatia ou distúrbios hemorrágicos. Na presença de epiglotite ou crupe, laringospasmo ou via respiratória irritável, a passagem do cateter de aspiração pelo nariz causa tosse intratável, hipoxemia e broncospasmo grave, necessitando de intubação de emergência ou traqueostomia. A hipoxemia poderia piorar os danos cardíacos em casos de infarto do miocárdio (Wiegand, 2017; Urden et al., 2020) JULGAMENTOCLÍNICO: avalie os sinais vitais, a oximetria de pulso, o CO2 na corrente final, pressões e volumes do ventilador (se estiver recebendo ventilação mecânica) e o estado respiratório do paciente antes e durante todo o procedimento (Wiegand, 2017). 6.Avalie o letramento em saúde do paciente ou familiar cuidador. Garante que o paciente ou o familiar cuidador tenha a capacidade de obter, comunicar, processar e compreender informações básicas de saúde (CDC, 2021a). 7.Higienize as mãos e calce luvas e outros equipamentos de proteção individual (EPI) se houver exposição a secreções de vias respiratórias. Previne a transmissão de microrganismos. 8.Avalie sinais e sintomas de obstrução de vias respiratórias superiores e inferiores que requeiram aspiração: frequência respiratória anormal, sons pulmonares adventícios, secreções nasais, refluxo, sialorreia, agitação, secreções gástricas ou vômito na boca, e tosse sem limpeza das secreções nas vias respiratórias e/ou melhora dos sons pulmonares adventícios. Sinais e sintomas físicos resultam de secreções nas vias respiratórias superiores e inferiores e da diminuição do oxigênio tecidual. A avaliação pré-aspiração fornece informações iniciais de referência para identificar a necessidade de aspiração e mensura a eficácia dos procedimentos de aspiração (Wiegand, 2017). 9.Ausculte os pulmões e avalie os sinais vitais e o nível de saturação de oxigênio para os sinais e sintomas associados a angústia respiratória, hipoxia e hipercapnia: queda da oximetria de pulso (SpO2), aumento do pulso e da pressão arterial, bradicardia, taquipneia, diminuição dos sons respiratórios, palidez e cianose (um sinal tardio de hipoxia). Mantenha o oxímetro de pulso no paciente para avaliação contínua de SpO2. Sinais e sintomas físicos resultantes da diminuição da oxigenação tecidual. Oferece informações de referência pré-aspiração para avaliar a tolerância do paciente à aspiração e a eficácia da aspiração nos níveis de SpO2. 10.Identifique os pacientes com maior risco de desobstrução ineficaz de via respiratória (p. ex., pacientes com nível de consciência reduzido, mobilidade prejudicada, problemas neuromusculares ou neurológicos, ou fatores anatômicos que influenciem o funcionamento das vias respiratórias superiores e inferiores, como cirurgia recente; traumatismo craniano, torácico ou cervical; tumores), com sonda de alimentação nasal, menor reflexo da tosse ou faríngeo, ou menor capacidade de deglutição. Fatores de risco podem prejudicar a capacidade de um paciente de eliminar secreções das vias respiratórias e elevar o risco de retenção de secreções. Mudanças no estado neurológico e problemas neuromusculares aumentam a probabilidade de um paciente não conseguir eliminar secreções respiratórias. Anatomia anormal ou cirurgia/traumatismo craniano e cervical e tumores na via respiratória inferior ou ao redor dela prejudicam a eliminação normal de secreções. O acúmulo de secreções pulmonares impede a capacidade de o paciente desobstruir efetivamente a via respiratória por meio do mecanismo da tosse (Urden et al., 2020). 11.Verifique se há quantidades excessivas de secreções ou secreções visíveis na cavidade oral ou na via respiratória artificial, sinais de angústia respiratória (maior trabalho de respiração, maior frequência respiratória), presença de ronco à ausculta, tosse excessiva, aumento do pico de pressão inspiratória (se em ventilação mecânica), padrão de dente serrilhado no monitor do ventilador, ou alterações no formato de onda da capnografia (se o paciente estiver em ventilação mecânica) ou queda da oximetria de pulso do paciente (Wiegand, 2017). Realize a aspiração com base no histórico de enfermagem do paciente e não em um cronograma de rotina, como de hora em hora (Harding et al., 2020; Urden et al., 2020). 12.Avalie a perviedade do TET (se presente) com capnografia/detector de dióxido de carbono (CO2) na corrente final. O TET pode se deslocar ou ficar obstruído por secreções. A capnografia permite a detecção de secreções mediante a visualização de um padrão de dente serrilhado no monitor de capnografia (Wiegand, 2017). 13.Avalie os fatores que podem afetar o volume e a consistência das secreções. Secreções espessas ou abundantes aumentam o risco de obstrução de via respiratória. a.Equilíbrio hídrico Sobrecarga de fluidos aumenta a quantidade de secreções. Desidratação pode causar secreções mais espessas. b.Falta de umidade O meio ambiente influencia a formação de secreções e a troca de gases. Aspiração da via respiratória é necessária quando o paciente não consegue expelir as secreções efetivamente. c.Infecção (p. ex., pneumonia) Pacientes com infecções respiratórias são propensos a ter mais secreções de consistência mais espessa e às vezes mais difíceis de expectorar. 14.Para aspiração endotraqueal, avalie o pico de pressão inspiratória do paciente quando em ventilação controlada por volume ou o volume corrente quando em ventilação controlada por pressão. Remova as luvas e higienize as mãos. Aumento do pico de pressão inspiratória ou diminuição do volume corrente podem indicar obstrução de via respiratória (Urden et al., 2020; Wiegand 2017). Previne a transmissão de microrganismos. 15.Remova e descarte as luvas. Higienize as mãos. (Outros EPIs podem ser mantidos para a aspiração real.) Reduz a transmissão de microrganismos. 16.Determine a presença de apreensão, ansiedade, menor capacidade de concentração, letargia, redução do nível de consciência (principalmente aguda), aumento da fadiga, tontura, mudanças de comportamento (principalmente irritabilidade), palidez, cianose, dispneia, ou uso de músculos acessórios. Esses são sinais e sintomas comportamentais de hipoxia e/ou hipercapnia, que podem indicar necessidade de aspiração. Esses sinais também podem ajudar a identificar a capacidade de o paciente cooperar no procedimento. 17.Avalie as metas ou preferências do paciente a respeito de como a aspiração deve ser realizada. A adesão do paciente aumenta quando ele é envolvido no planejamento do cuidado. Permite que o cuidado seja individualizado. Planejamento 1.Prepare e organize os equipamentos. Coloque uma toalha sobre o peito do paciente. Reduz a transmissão de microrganismos. Garante que o enfermeiro tenha os materiais necessários para implementar todas as intervenções que devem ser realizadas no paciente. 2.Feche a porta do quarto ou puxe a cortina ao redor do leito. Proporciona privacidade. 3.Auxilie o paciente a se posicionar confortavelmente, normalmente em posição semi-Fowler ou Fowler elevada. Reduz o estímulo de reflexo faríngeo, promove conforto do paciente, drenagem de secreções e previne aspiração. 4.Se ainda não estiver presente, coloque o oxímetro de pulso no dedo do paciente. Faça a leitura e deixe o oxímetro posicionado. Verifica continuamente o valor de SpO2 para determinar a resposta do paciente à aspiração. 5.Explique ao paciente como o procedimento desobstruirá suas vias respiratórias e aliviará um pouco da dificuldade de respirar. Explique que é normal tossir, espirrar, ter ânsia ou falta de ar durante o procedimento, mas que tudo isso é passageiro. Estimula a cooperação e minimiza a ansiedade e a dor do procedimento. Implementação 1.Higienize as mãos e coloque os devidos equipamentos de proteção pessoal se não tiverem sido colocados durante o histórico (máscara com protetor facial ou óculos; avental, se necessário). Reduz a transmissão de microrganismos. 2.Ajuste o leito na altura apropriada (se já não estiver na altura correta) e abaixe a grade lateral do lado em que você está. Verifique se as rodas do leito estão travadas. Minimiza tensões musculares no cuidador e previne lesões. Evita que o leito se mova. 3.Conecte uma ponta das linhas no dispositivo de aspiração de parede e coloque a outra ponta em um local conveniente, perto do paciente. Ligue o dispositivo de aspiração e coloque a pressão de aspiração no nível mais baixo possível que seja capaz de limpar efetivamente as secreções. Esse valor normalmentefica entre 80 e 150 mmHg (AARC, 2010; Urden et al., 2020; Wiegand, 2017). Garante que o equipamento esteja funcionando. Pressão negativa excessiva danifica a mucosa da traqueia e induz ainda mais hipoxia (Wiegand, 2017). 4.Prepare para a aspiração aberta. a.Higienize as mãos. Usando uma técnica asséptica, abra o kit de aspiração ou a embalagem do cateter. Se houver disponibilidade de campo estéril, coloque-o sobre o tórax do paciente ou na mesa de cabeceira. Não deixe que o cateter de aspiração toque nenhuma superfície não estéril. Observação: quando realizar somente aspiração orofaríngea, não há necessidade de usar campo estéril por se tratar de um procedimento limpo, mas não estéril. Prepara o cateter, mantém a assepsia e reduz a transmissão de microrganismos. Proporciona uma superfície estéril para o acondicionamento do cateter entre as passadas. b.Desembale ou abra a bacia ou cuba estéril e coloque-a na mesa de cabeceira. Tome cuidado para não tocar o interior da bacia ou cuba. Encha com aproximadamente 100 mℓ de solução salina normal ou água (ver ilustração). Solução salina ou água são usadas para limpar as linhas após cada passada de aspiração. c.Se estiver realizando aspiração nasotraqueal, abra o pacote de lubrificante hidrossolúvel e aplique uma pequena quantidade (cerca de 2,5 cm) ao longo da ponta do cateter. Observação: não é necessário lubrificante para aspiração de via respiratória artificial. Lubrificante hidrossolúvel evita pneumonia por aspiração de gordura. Excesso de lubrificante oclui o cateter. d.Para a aspiração orofaríngea, técnica limpa usando luvas de procedimentos é adequada. Para aspiração nasotraqueal, tubo endotraqueal ou tubo traqueal, calce luvas estéreis em cada mão ou luva não estéril na mão não dominante e luva estéril na mão dominante. Reduz a transmissão de microrganismos e mantém a esterilidade do cateter de aspiração. e.Pegue o cateter de aspiração ou o aspirador Yankauer com a mão dominante sem tocar nas superfícies estéreis. Pegue as linhas de conexão com a mão não dominante. Conecte o cateter nas linhas (ver ilustração). Mantém a esterilidade do cateter. Conecta o cateter à aspiração. f.Coloque a ponta do cateter na bacia estéril e aspire uma pequena quantidade de solução salina normal da bacia ou cuba ocluindo o respiro da aspiração. Confirma o funcionamento do equipamento. Lubrifica o interior do cateter e das linhas. PASSO 4b Solução salina sendo depositada no recipiente. PASSO 4e Conexão do cateter de aspiração às linhas de aspiração. 5.Aspire a via respiratória usando aspiração aberta. a.Aspiração orofaríngea Remove secreções orais. JULGAMENTO CLÍNICO: em pacientes que requerem aspiração estéril das vias respiratórias, a aspiração orofaríngea é realizada depois da aspiração estéril para prevenir contaminação dos cateteres de aspiração, ou das linhas, com bactérias presentes na cavidade oral (Wiegand, 2017). (1)Remova a máscara de oxigênio do paciente, se presente, mas mantenha-a perto. A cânula nasal pode permanecer no lugar. Permite acesso à boca. Reduz a chance de hipoxia. JULGAMENTO CLÍNICO: esteja preparado para reaplicar rapidamente o oxigênio suplementar caso o valor de SpO2 caia para menos de 90% ou se houver desenvolvimento de angústia respiratória ou ao fim da aspiração orofaríngea. Esteja preparado para usar a bolsa-válvula-máscara caso o paciente apresente angústia respiratória aguda grave ou uma diminuição da SpO2. JULGAMENTO CLÍNICO: se o paciente foi aspirado via traqueia antes da aspiração orofaríngea, ele pode precisar se recuperar um pouco do procedimento de aspir ação antes da realização da aspiração orofaríngea. Permita que essa recuperação aconteça reaplicando a máscara de oxigênio até exatamente antes da aspiração orofaríngea. (2)Insira o cateter na boca ao longo da linha da gengiva até a faringe. Mova o aspirador Yankauer ao redor da boca até que as secreções tenham sido eliminadas. Encoraje o paciente a tossir. Recoloque a máscara de oxigênio. Observação: se um TE estiver presente, tome cuidado ao movimentar o aspirador para não deslocá-lo. O movimento do aspirador previne que a ponteira de aspiração sugue superfícies da mucosa oral e cause traumatismo. O ato de tossir movimenta as secreções da via respiratória inferior para a boca e via respiratória superior. JULGAMENTO CLINICO: tenha cuidado ao aspirar um paciente recentemente submetido a cirurgia oral ou de cabeça/pescoço. Aspiração agressiva e tosse em excesso não devem ser utilizadas ou encorajadas em pacientes submetidos a cirurgia de garganta, como tonsilectomia. Aspiração agressiva nessas populações de pacientes pode agravar o sítio cirúrgico, aumentando o risco de hemorragia ou infecção (Urden, 2020). (3)Enxágue o cateter com água ou solução salina comum até que o tubo de conexão esteja livre de secreções. Desligue a aspiração. Coloque o cateter em uma área limpa e seca. Limpa o cateter e reduz a probabilidade de transmissão de microrganismos. Linhas de aspiração limpas aperfeiçoam a produção da pressão de aspiração que foi estabelecida. O cateter pode ser reutilizado. b.Aspiração nasofaríngea e nasotraqueal: (1)Peça que o paciente respire profundamente algumas vezes, se puder, ou aumente o volume de fluxo de oxigênio no dispositivo de oxigenação através de cânula ou máscara (se solicitado) Pode ajudar a reduzir riscos de hipoxemia. (2)Cubra levemente 6 a 8 cm distais do cateter com lubrificante hidrossolúvel. Lubrifica o cateter para facilitar a inserção. (3)Remova o dispositivo de administração de oxigênio, se aplicável, com a mão não dominante. Permite acesso às narinas e à sonda. JULGAMENTO CLÍNICO: certifique-se de inserir o cateter durante a inspiração do paciente, principalmente se for na traqueia, pois a epiglote está aberta. Não insira durante deglutição ou o cateter muito provavelmente entrará no esôfago. Nunca aplique aspiração durante a inserção. O paciente deve tossir. Se o paciente tiver ânsia ou sentir náuseas, provavelmente o cateter está no esôfago, sendo necessário removê-lo (Wiegand, 2017). (4)Nasofaríngea (sem aplicar aspiração): conforme o paciente respira profundamente, insira o cateter seguindo a anatomia natural do nariz; incline o cateter ligeiramente para baixo e avance até a parte posterior da faringe. Não force a passagem pelas narinas. Em adultos, insira aproximadamente 16 cm do cateter; em crianças mais velhas, de 8 a 12 cm; em bebês e crianças pequenas, de 4 a 7,5 cm. A regra de ouro é inserir o cateter na distância entre a ponta do nariz (ou boca) até o ângulo da mandíbula. Garante que a ponta do cateter alcance a faringe para aspiração. JULGAMENTO CLÍNICO: se encontrar resistência durante a inserção, você pode tentar a outra narina. Não force o cateter nas narinas, pois isto causaria danos na mucosa. (5)Nasotraqueal (sem aplicar aspiração): conforme o paciente respira profundamente, coloque o cateter seguindo a anatomia natural do nariz. Avance o cateter, ligeiramente inclinado e para baixo, até exatamente acima da entrada da laringe e, então, na traqueia. Enquanto o paciente respira profundamente, insira rapidamente o cateter: em adultos, insira aproximadamente 16 a 20 cm na traqueia (ver ilustração). Enquanto o paciente respira profundamente, insira rapidamente o cateter. O paciente começará a tossir; então retraia o cateter 1 a 2 cm antes de aplicar aspiração. Observação: em crianças mais velhas, insira de 16 a 20 cm; em bebês e crianças pequenas, de 8 a 14 cm. Garante que a ponta do cateter alcance a traqueia para aspiração. JULGAMENTO CLÍNICO: quando utilizar a abordagem nasal, realize a aspiração orotraqueal antes da aspiração faríngea sempre que possível. A boca e a faringe contêm mais bactérias do que a traqueia. Se houver secreções orais em abundância antes de iniciar o procedimento, aspire primeiro a boca com um dispositivo de aspiração oral (ver Passo 5a). JULGAMENTO CLÍNICO: quando houver dificuldade para passar o cateter, peça que o paciente tussa ou que diga “aaa”, ou tenteavançar o cateter durante a inspiração. Ambas as medidas ajudam a abrir a glote para permitir a passagem do cateter até a traqueia. (a)Opção de posicionamento: em alguns casos, virar a cabeça do paciente ajuda a aspirar com mais eficiência. Se você sentir resistência após a inserção do cateter, tome cuidado; provavelmente, ele atingiu a carina. Retraia o cateter 1 a 2 cm antes de aplicar aspiração (Wiegand, 2017). Virar a cabeça do paciente para um lado eleva a passagem brônquica do lado oposto. Virar a cabeça para a direita ajuda na aspiração do brônquio principal esquerdo; virar a cabeça para a esquerda ajuda a aspirar o brônquio principal direito. Aspiração demasiadamente profunda pode causar traumatismo na mucosa traqueal. i.Aplique aspiração intermitente por, no máximo, 10 a 15 s tampando e destampando o respiro do cateter com o polegar não dominante. Retire lentamente o cateter girando-o para frente e para trás entre o polegar e o indicador. Aspiração intermitente de 10 a 15 s remove as secreções com segurança. Aspiração por mais de 15 s aumenta o risco de hipoxemia induzida por aspiração (Urden et al., 2020; Wiegand, 2017). Aspiração intermitente e rotação do cateter previnem ferimentos na mucosa traqueal. Se o cateter “agarrar” a mucosa, solte o polegar para liberar a aspiração. JULGAMENTO CLÍNICO: monitore os sinais vitais do paciente e a saturação de oxigênio durante todo o processo de aspiração. Pare de aspirar se houver uma alteração de 20 bpm (a mais ou a menos) na frequência de pulso ou se a SpO2 ficar abaixo de 90% ou cair 5% em relação ao valor inicial de referência. (6)Reaplique o dispositivo de administração de oxigênio e encoraje o paciente a respirar profundamente algumas vezes, se possível. Ajuda a diminuir o risco de hipoxia. Aumenta o conforto do paciente. (7)Enxágue o cateter e as linhas de conexão com solução salina normal ou água até que estejam limpas. Secreções que permanecem no cateter de aspiração ou nas linhas de conexão reduzem a eficiência da aspiração. PASSO 5b(5) Distância de inserção do cateter nasotraqueal. (8)Avalie se há necessidade de repetir a aspiração. Não passe o cateter mais do que duas vezes em uma sessão. Permita que o paciente descanse pelo menos 1 min (AARC, 2010a; Wiegand, 2017). Peça ao paciente que respire profundamente e tussa. Observe se há alterações no estado cardiopulmonar. Aspiração induz hipoxemia, pulsação irregular, laringospasmo e broncospasmo. Hiperoxigenação é recomendada antes, durante e depois da aspiração para reduzir hipoxemia induzida por aspiração (Urden et al., 2020; Wiegand, 2017). c.Aspiração de via respiratória artificial: (1)Com a ajuda da terapia respiratória, quando o paciente tem uma via respiratória artificial, hiperoxigene o paciente com oxigênio a 100% por pelo menos 30 a 60 s antes da aspiração (1) apertando o botão de hiperoxigenação para aspiração no ventilador OU (2) aumentando o nível da fração de oxigênio inspirado (FIO2) inicial de referência no ventilador mecânico OU (3) desconectando o ventilador, conectando o dispositivo de bolsa-válvula de reanimação autoinflável com a mão não dominante (ou peça para o auxiliar fazer isso), e administrando 5 a 6 respirações durante 30 s (ou peça para o auxiliar fazer isso) (Wiegand, 2017). Observação: alguns ventiladores mecânicos têm um botão que, quando apertado, fornece oxigênio a 100% por alguns minutos e depois volta para a configuração anterior. Pré-oxigenação diminui o risco de queda dos níveis de oxigênio arterial enquanto a ventilação ou a oxigenação são interrompidas e o volume é perdido durante a aspiração. Alguns modelos de bolsa de reanimação não fornecem oxigênio a 100%; portanto, essa não é a melhor maneira de oxigenar o paciente (Wiegand, 2017). (2)Se o paciente estiver recebendo ventilação mecânica, abra o adaptador giratório ou, se necessário, remova o dispositivo de fornecimento de oxigênio ou umidade com a mão não dominante. Expõe a via respiratória artificial. JULGAMENTO CLÍNICO: a aspiração pode causar elevações na pressão intracraniana (PIC) em pacientes com traumatismos cranianos. Reduza esse risco por meio de hiperoxigenação pré-aspiração, o que resulta em hipocarbia que, por sua vez, induz vasoconstrição. A vasoconstrição reduz a possibilidade de aumento da PIC (Urden et al., 2020). JULGAMENTO CLÍNICO: certifique-se de inserir o cateter durante a inspiração do paciente, principalmente se estiver inserindo-o na traqueia, pois a epiglote estará aberta. Não insira durante a deglutição ou o cateter mais provavelmente entrará no esôfago. Nunca aplique aspiração durante a inserção. O paciente deve tossir. Se o paciente engasgar ou ficar nauseado, provavelmente o cateter estará no esôfago e você precisará removê-lo (Wiegand, 2017). (3)Avise o paciente que você está prestes a começar a aspiração. Sem aplicar aspiração, delicadamente, porém rapidamente, insira o cateter na via respiratória artificial usando o polegar e o indicador dominantes (é melhor tentar coincidir o momento de inserção do cateter na via respiratória artificial com o da inspiração) (ver ilustração). Avance o cateter até que o paciente tussa, que é usualmente 0,5 a 1 cm abaixo do nível do tubo; então, recue o cateter 1 cm antes de iniciar a sucção (Billington e Luckett, 2019). A aplicação de aspiração enquanto introduz o cateter na traqueia aumenta o risco de danos à mucosa da traqueia e de aumento da hipoxia. Recuar estimula a tosse e remove o cateter da parede da mucosa de forma que o cateter não fique encostado na mucosa traqueal durante a aspiração. Recomenda-se aspiração superficial para prevenir traumatismo na mucosa traqueal (Urden et al., 2020; Wiegand, 2017). PASSO 5c(3) Aspiração da traqueostomia.