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DOI: 10.55905/cuadv17n4-114 
 
Receipt of originals: 3/14/2025 
Acceptance for publication: 4/04/2025 
 
1 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
Uso de plantas na atenção à saúde da criança por usuárias de 
Unidades Basicas de Saúde 
 
Use of plants in child health care by users of basic health units 
 
Uso de plantas em el cuidado de la salud infantil por los 
usuarios de unidades básicas de salud 
 
Giovana Mendes de Lacerda Leite 
Mestre em Bioprospecção Molecular 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: giovanalacerda@hotmail.com 
 
Maysa de Oliveira Barbosa 
Mestre em Entnobiologia e Conservação da Natureza 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: maysabarbosa.ce@gmail.com 
 
Cícero Damon Carvalho de Alencar 
Graduado em Enfermagem 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: damon_alencar@outlook.com 
 
Brenda Belém Luna Sampaio 
Mestre em Enfermagem 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: brenda.sampaio@urca.br 
 
Bruna Silva Souto 
Graduanda em Enfermagem 
Instituição: Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) 
Endereço: Av. José de Sá Maniçoba, s/n, Centro, CEP: 56.304-917, 
Petrolina - PE 
E-mail: bruna.ssouto@discente.univasf.edu.br 
 
Jadson Galdino da Silva Costa 
Graduando em Enfermagem 
Instituição: Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) 
Endereço: Av. José de Sá Maniçoba, s/n, Centro, CEP: 56.304-917, 
Petrolina - PE 
E-mail: jadson.silva@discente.univasf.edu.br 
mailto:giovanalacerda@hotmail.com
mailto:maysabarbosa.ce@gmail.com
mailto:damon_alencar@outlook.com
mailto:brenda.sampaio@urca.br
mailto:bruna.ssouto@discente.univasf.edu.br
mailto:jadson.silva@discente.univasf.edu.br
 
 
 
 
2 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
Valéria de Sousa Alves Ferreira 
Graduanda em Farmácia 
Instituição: Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau Petrolina) 
Endereço: Avenida Cardoso de Sá, 950, Vila Eduardo, Petrolina - PE, 
CEP: 56328-020 
E-mail: valeriamed15@outlook.com 
 
Andreza Gysllaynny Delmondes Saraiva 
Graduanda em Enfermagem 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: andreza.delmondes@urca.br 
 
Paula Eloíse de Sousa Campos 
Graduada em Enfermagem 
Instituição: Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) 
Endereço: Av. José de Sá Maniçoba, s/n, Centro, CEP: 56.304-917, 
Petrolina - PE 
E-mail: paula.eloise@discente.univasf.edu.br 
 
Simone Soares Damasceno 
Mestre em Enfermagem 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: simone.damasceno@urca.br 
 
Izabel Cristina Santiago Lemos 
Doutora em Etnobiologia e Conservação da Natureza 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: izabel.lemos@urca.br 
 
Cynthia Layse Ferreira Almeida 
Doutora em Ciências Farmacêuticas 
Instituição: Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) 
Endereço: Av. José de Sá Maniçoba, s/n, Centro, Petrolina - PE, 
CEP: 56.304-917 
E-mail: cynthia.almeida@univasf.edu.br 
 
Temístocles Ítalo de Santana 
Doutor em Ciências Farmacêuticas 
Instituição: Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau Petrolina) 
Endereço: Av. Cardoso de Sá, 950, Vila Eduardo, Petrolina - PE, 
CEP: 56328-020, Petrolina - PE 
E-mail: temistoclesitalo@gmail.com 
 
 
mailto:andreza.delmondes@urca.br
mailto:paula.eloise@discente.univasf.edu.br
mailto:simone.damasceno@urca.br
mailto:izabel.lemos@urca.br
mailto:cynthia.almeida@univasf.edu.br
mailto:temistoclesitalo@gmail.com
 
 
 
 
3 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
Marta Regina Kerntopf 
Doutora em Farmacologia 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Rua Cel. Antônio Luíz, 1161, Pimenta, Crato - CE, CEP: 63105-010 
E-mail: marta.regina@urca.br 
 
Gyllyandeson de Araújo Delmondes 
Doutor em Química Biológica 
Instituição: Universidade Regional do Cariri (URCA) 
Endereço: Av. José de Sá Maniçoba, s/n, Centro, Petrolina - PE, 
CEP: 56304-917 
E-mail: gyllyandeson.delmondes@univasf.edu.br 
 
RESUMO 
O uso de plantas medicinais tem se mostrado uma das práticas complementares 
mais utilizadas no cuidado à saúde humana. Assim, este trabalho teve como 
objetivo identificar as plantas e as formas de uso pelos cuidadores de crianças 
para as situações de saúde da primeira infância. Foi realizado um estudo do tipo 
descritivo-exploratório, de abordagem quantitativa com levantamento de dados 
etnobiológicos. A pesquisa foi realizada nas Unidades Básicas de Saúdes da 
zona urbana do município de Mauriti, Ceará, Brasil, entre agosto de 2017 e maio 
de 2018. Foram citadas 16 espécies utilizadas na medicina popular local no 
tratamento de situações de saúde da primeira infância. As cuidadoras 
destacaram a utilização do “coentro” (Coriandrum sativum L.) como principal 
planta utilizada no que se refere aos cuidados a saúde da criança, sendo 
utilizado, principalmente, para o tratamento de cólicas abdominais. As folhas 
foram mencionadas como a principal parte utilizada, e o chá (feito por decocção) 
foi o mais citado como forma de preparo. Este estudo mostrou-se relevante, pois 
demonstrou que na população estudada as plantas são utilizadas para situações 
de saúde da primeira infância, sendo esse conhecimento passado de geração 
para geração, porém há a necessidade de uma conscientização da população 
para evitar possíveis efeitos indesejados relacionados ao uso errado destas 
plantas. 
 
Palavras-chave: enfermagem, medicina tradicional, plantas medicinais, saúde 
da criança. 
 
ABSTRACT 
The use of medicinal plants has been indicated as one of the most used 
complementary practices in human health care. Thus, this work aimed to identify 
plants and the ways in which they are used by child caregivers for early childhood 
health situations. A descriptive-exploratory study was carried out, with a 
quantitative approach with ethnobiological data collection. The research was 
carried out in Basic Health Units in the urban area of the municipality of Mauriti, 
Ceará, Brazil, between August 2017 and May 2018. 16 species used in local folk 
medicine in the treatment of early childhood health situations were mentioned. 
The caregivers highlighted the use of “coriander” (Coriandrum sativum L.) as the 
mailto:marta.regina@urca.br
mailto:gyllyandeson.delmondes@univasf.edu.br
 
 
 
 
4 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
main plant used in child health care, being used mainly for the treatment of 
abdominal cramps. The leaves were mentioned as the main part used, and tea 
(made by decoction) was the most cited as a preparation method. This study 
proved to be relevant, as it is demonstrated that in the population studied, plants 
are used for early childhood health situations, with this knowledge being passed 
from generation to generation, however there is a need for public awareness to 
avoid possible unwanted effects related to the incorrect use of these plants. 
 
Keywords: nursing, traditional medicine, medicinal plants, child health. 
 
RESUMEN 
El uso de plantas medicinales ha sido señalado como una de las prácticas 
complementarias más utilizadas en el cuidado de la salud humana. Así, este 
trabajo tuvo como objetivo identificar las plantas y las formas en que son 
utilizadas por los cuidadores infantiles para situaciones de salud de la primera 
infancia. Se realizóun estudio descriptivo-exploratorio, con enfoque cuantitativo 
con recolección de datos etnobiológicos. La investigación se desarrolló en 
Unidades Básicas de Salud del área urbana del municipio de Mauriti, Ceará, 
Brasil, entre agosto de 2017 y mayo de 2018. Se mencionaron 16 especies 
utilizadas en la medicina popular local en el tratamiento de situaciones de salud 
de la primera infancia. Los cuidadores destacaron el uso del “cilantro” 
(Coriandrum sativum L.) como principal planta utilizada en el cuidado de la salud 
infantil, siendo utilizado principalmente para el tratamiento de los calambres 
abdominales. Las hojas se mencionaron como la parte principal utilizada, y el té 
(elaborado por decocción) fue el método de preparación más citado. Este estudio 
resultó relevante, ya que se demuestra que en la población estudiada las plantas 
son utilizadas para situaciones de salud en la primera infancia, transmitiéndose 
este conocimiento de generación en generación, sin embargo existe la 
necesidad de concientizar a la población para evitar posibles efectos no 
deseados relacionados con el uso incorrecto de estas plantas. 
 
Palabras clave: enfermería, medicina tradicional, plantas medicinales, salud 
infantil. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A infância refere-se a um período que demanda cuidados essenciais ao 
desenvolvimento humano (Brasil, 2016). Olhando em um cenário global é 
possível observar quão gritante são os casos de crianças que morrem ao nascer 
ou logo em seguida; e outro fator relevante é que muitas das que sobrevivem 
 
 
 
 
5 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
têm acesso restrito a atendimentos básicos, como saúde e educação (Penn, 
2002). 
Nesta perspectiva, durante as consultas de enfermagem todas as 
particularidades das crianças devem ser levadas em consideração; desde suas 
necessidades pessoais até o contexto familiar e sociocultural em que ela está 
inserida. Sendo o fortalecimento das atribuições familiares destinadas à atenção 
com a criança uma das responsabilidades da enfermagem durante as consultas 
(Mello et al., 2017). E isto se mostra muito importante, pois é este contato mais 
direto que possibilita aos profissionais de enfermagem detectarem a presença 
da utilização de práticas complementares para o cuidado com a criança. 
Dentre essas práticas, quando discutimos os cuidados com a criança, a 
utilização de produtos naturais com fins medicinais destaca-se devido ao fácil 
acesso e por se tratar de uma terapia de baixo custo (Haeffener et al., 2012; 
Borges; Bautista, 2018). Esta é uma prática milenar ainda muito presente no 
cotidiano da sociedade que, mesmo com os avanços na tecnologia, não 
desapareceu, sendo seu uso citado por diversos grupos de pessoas (Oliveira et 
al., 2017; Szerwieski et al., 2017). 
Neste sentido, levando em consideração a crescente e frequente 
utilização de plantas para finalidades medicinais; e observando a grande 
diversidade de flora e fauna que o estado do Ceará possui; e que muitas 
comunidades deste estado permanecem fincadas em conhecimentos 
tradicionais que norteiam suas práticas; este estudo buscou, por meio de uma 
pesquisa etnodirigida, obter informações dos saberes populares sobre o uso de 
plantas com fins medicinais para situações de saúde na primeira infância. 
 
2 METODOLOGIA 
 
Trata-se de um estudo do tipo descritivo-exploratório, estruturado a partir 
de uma pesquisa quantitativa, onde foi adotada a estratégia metodológica de 
levantamento de dados etnobiológicos descritivos para identificar as plantas e 
formas de uso destas pelos cuidadores de crianças. A pesquisa foi realizada no 
 
 
 
 
6 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
período de agosto de 2017 a maio de 2018, nas Unidades Básicas de Saúde 
(UBS) da zona urbana do município de Mauriti, Ceará, Brasil. 
O público-alvo do estudo compreendeu cuidadores de crianças na 
primeira infância, faixa etária de 0 a 5 anos de idade, que estavam cadastradas 
para acompanhamento pelas UBS pertencentes à zona urbana do munícipio de 
Mauriti/CE, Brasil. 
Para seleção dos cuidadores, foram estabelecidos como critérios de 
inclusão: aqueles que estavam cadastrados nos prontuários da família das UBS; 
que estavam presentes para a consulta de puericultura realizada pelos 
profissionais de saúde das referidas unidades; que compareceram a estas para 
vacinação das crianças nos dias em que foram realizadas a coleta dos dados; 
ou, também, através de uma visita em suas residências com o auxílio do Agente 
Comunitário de Saúde (ACS). 
Para coleta das informações, inicialmente, foi aplicado um questionário 
fechado para caracterização socioeconômica. E em seguida, foi utilizado um 
formulário etnodirigido, o qual buscava realizar o levantamento das plantas 
utilizadas em situações de saúde presentes na primeira infância, bem como suas 
principais partes utilizadas, formas de uso, preparo e determinação dos 
responsáveis pela transmissão do conhecimento popular. 
Para análise dos dados foi utilizado a estatística descritiva (frequência 
simples e percentual), sendo ainda calculados, também, a Importância Relativa 
(IR), o Fator de Consenso de Informante (FCI) e a Relative Frequency of Citation 
(RFC) – Frequência relativa de citação, a qual é obtida a partir da razão FC/N, 
onde FC representa o número de informantes que mencionaram o uso da 
espécie, e N o número total de informantes do estudo (Tardío; Santayana, 2008; 
Sales; Alencar, 2019). 
Para calcular a IR e o FCI, as plantas identificadas neste estudo foram 
distribuídas conforme as indicações terapêuticas, as quais podem ser atribuídas 
dentro das 16 categorias de Sistemas Corporais, descritas de acordo com 
(Albuquerque; Andrade, 2002) e (Cartaxo; Sousa; Albuquerque, 2010). As que 
surgiram no trabalho foram: (ADND) Afecções ou dores não definidas; (DMC) 
 
 
 
 
7 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
Desordens mentais e comportamentais; (TSD) Transtorno do Sistema 
Digestório; (TSR) Transtorno do Sistema Respiratório. 
O índice de IR é uma proposta fácil de ser utilizada e consiste em um 
método de estudo quantitativo desenvolvido por (Bennett; Prance, 2000) que 
leva em consideração, segundo (Silva et al. 2010, p.197) “a planta é mais 
importante quanto mais versátil, ou maior o número de indicações terapêuticas 
apresentar e quanto mais sistemas corporais pertencer” 
Nesta perspectiva, após identificação das plantas foi calculado a IR. Vale 
salientar que, o “2” é considerado o valor máximo que pode ser obtido por uma 
espécie (Silva et al. 2010; Albergaria; Silva; Silva, 2019). 
O cálculo da IR foi realizado conforme a seguinte fórmula: 
 
IR= NSC+NP (1) 
 
Onde: 
 
IR = Importância Relativa; 
NSC = número de sistemas corporais; 
NP = número de propriedades. 
 
O NSC é o número de sistemas corporais, o qual é determinado por uma 
determinada espécie (NSCE) dividido pelo número total de sistemas corporais 
tratados pela espécie mais versátil (NSCEV) e NP corresponde ao número de 
propriedades atribuídas a uma determinada espécie (NPE) dividido pelo número 
total de propriedades atribuídas a espécie mais versátil (NPEV) (Albuquerque; 
Andrade, 2002; Wilson, 2019). 
O FCI foi calculado de acordo com a técnica de Totter e Logan (1986). 
Este método identifica quais sistemas corporais apresentam maior consenso de 
conhecimento e/ou uso, e quais grupos de plantas requer estudos mais 
aprofundados (Almeida et al., 2006; Silva et al., 2010; Macêdo et al., 2018). Para 
o cálculo do FCI foi utilizada a seguinte fórmula: 
 
 
 
 
 
8 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
FCI = 
nar−na 
𝑛𝑎𝑟−1
 (2) 
 
Onde: 
 
FCI = Fator de Consenso dos Informantes; 
nar = número de citações de usos em cada categoria; 
na = número de espécies indicadasem cada categoria. 
 
Os valores de FCI variam 0 a 1, e o valor máximo ocorre quando há um 
consenso completo entre os informantes a respeito das plantas para uma dada 
categoria em particular, onde as categorias de sistemas corporais utilizadas para 
a realização dos cálculos foram as mesmas utilizadas para calcular a IR (Martins; 
Soler, 2008; Almeida et al., 2017). 
O estudo seguiu todos os aspectos éticos requisitados para pesquisas 
com seres humanos, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) 
da Universidade Regional do Cariri (URCA) sob o parecer de n.º 2.684.508. 
 
3 RESULTADOS 
 
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA 
 
Participaram do estudo 14 cuidadoras, cujo perfil está apresentado na 
tabela a seguir (tabela 1). 
 
 
 
 
 
9 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
Tabela 1. Perfil dos informantes (cuidadores de crianças na primeira infância) da sede do 
município de Mauriti, CE. 
Local de residência Nº % 
Mauriti/CE (sede) 14 100 
Sexo 
Feminino 14 100 
Faixa Etária 
20-29 
30-39 
50-69 
 7 
4 
3 
50 
28,57 
21,43 
Estado Civil 
Solteiro(a) 
Casado(a) 
União Estável 
 04 
07 
03 
28,57 
50 
21,43 
Escolaridade 
Não-Escolarizado 
Ensino Fundamental Incompleto 
Ensino Fundamental Completo 
Ensino Médio Incompleto 
Ensino Médio Completo 
Outros 
 03 
01 
02 
- 
08 
- 
21,43 
7,14 
14,29 
- 
57,14 
- 
Profissão 
Agricultor(a) 
Agente Comunitário de Saúde 
Não trabalha 
 02 
01 
11 
14,29 
7,14 
78,57 
Tempo de Residência na Área 
Rich. 
0,2 
DMC: Desordens 
mentais e 
comportamentais 
2/3 Calmante (3) Chamomilla recutita (L.) 
Rauschert., Melissa 
officinalis L. 
0,5 
TSR: Transtorno 
do sistema 
respiratório 
¾ Gripe (3), tosse (1) Allium cepa L., Allium cepa L. 
+ Lavandula officinalis; Chaix 
& Kitt, Malva sp. 
0,33 
 
 
 
 
13 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
Figura 1. Forma como os informantes da zona urbana de Mauriti-CE (Brasil) adquiriram 
conhecimento acerca do uso de plantas para o tratamento de situações de saúde em crianças 
na primeira infância. 
 
Fonte: Autoria própria. 
 
4 DISCUSSÃO 
 
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA 
 
Observando a literatura publicada, concernente a temática de cuidados 
voltados às crianças, é possível observar que há uma semelhança entre essas 
pesquisas e o presente estudo no que diz respeito ao perfil dos cuidadores. O 
dado mais evidenciado relaciona-se à prevalência do sexo feminino entre os 
entrevistados, classificando especialmente as mães como principais cuidadoras 
de crianças. Este detalhe pode estar relacionado a construção histórica do 
cuidado, a qual é fincada na sua prática sendo desenvolvida historicamente pela 
população feminina (Martins; Soler, 2008; Santos et al., 2010; Frota et al., 2012; 
Melo, 2016; Figueiredo et al., 2017). 
Relacionado ao uso das plantas, foi possível observar no estudo de 
(Schwambach; Amador, 2007) que a maioria dos informantes (87,2%) também 
era do sexo feminino, evidenciando a apropriação que as mulheres possuem 
 
 
 
 
14 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
sobre a utilização dos produtos naturais para fins medicinais, que prontamente 
são usados para ofertar o cuidado que é tão algo intrínseco da população 
feminina (Lopes et al., 2013; Batista et al., 2019.). 
Quanto à faixa etária, observa-se que as cuidadoras entrevistadas tinham 
uma prevalência de idade entre 20 a 29 anos (50%), divergindo de algumas 
pesquisas descritas na literatura, as quais mostravam que o perfil da grande 
maioria dos cuidadores está em uma faixa etária superior a 30 anos. Entretanto, 
isto pode estar ligado ao fato da maternidade na atualidade acontecer cada vez 
mais cedo devido ao início da vida sexual também de maneira precoce 
(Schwambach; Amador, 2007; Martins; Soler, 2008; Santos et al., 2010; Frota et 
al., 2012; Queiroga et al., 2014; Lima et al., 2016; Melo, 2016; Figueiredo et al., 
2017). 
Referente à escolaridade, a maioria dos participantes (57,14%), relatou 
possuir o ensino médio completo, demonstrando algo semelhante ao que 
aconteceu na pesquisa de (Lopes et al. 2013) onde a maioria dos entrevistados 
possuíam ensino médio completo e curso técnico, e outros o ensino superior. 
Isto demonstra que a escolaridade, ou a falta dela, pode não ser regra que 
influencia em ter mais ou menos conhecimento referente ao uso de plantas com 
fins medicinais. 
Outra variável importante foi o tempo de residência na área da pesquisa, 
onde neste estudo a maioria da população (42,90%) relatou que reside entre 20 
a 30 anos no local da pesquisa, corroborando com (Lemos et al. 2017) que 
também trazem um tempo de residência superior a 20 anos em seus dados. É 
importante ainda destacar que um maior tempo de residência em uma 
determinada comunidade pode estar relacionado a um maior conhecimento 
sobre as práticas tradicionais, visto que, quanto maior o tempo de residência, 
mais laços são criados, possibilitando assim a transmissão do saber popular. 
 
 
 
 
 
15 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, Portugal, v.17, n.4, p. 01-23, 2025 
 
4.1.1 Conhecimento tradicional: as plantas no cuidado a saúde da criança 
 
Observando a literatura, o “coentro” (C. sativum), espécie com maior RFC, 
tem ampla utilização para diversos sistemas corporais e situações de saúde há 
bastante tempo. Uma revisão da literatura feita por (Sahib et al. 2012) reuniu 
estudos que destacavam potenciais farmacológicos voltados para o tratamento 
de doenças do sistema digestivo, sistema nervoso central e respiratório. Estes 
dados apoiam outros estudos que também relatam diversas atividades para esta 
planta, como: antioxidante, efeito sedativo, atividade anti-helmintica e atividade 
hipoglicemiante; bem como potencial efeito na prevenção e diminuição de 
complicações cardiovasculares (Camargo; Scavone, 1978; Aissaoui et al., 2011; 
Marangoni; Moura, 2011; Gastón et al. 2016; Budeneck; Tolotti; Lenhard, 2018). 
Considerando o tratamento de cólicas abdominais como a principal indicação do 
C. sativum; apesar de alguns estudos apontarem atividades deste em diferentes 
distúrbios intestinais, não há evidências na literatura de sua eficácia contra 
cólicas; mostrando a necessidade da realização de pesquisas que possam 
validar sua utilização nestes problemas do trato gastrointestinal (TGI) (Sahib et 
al., 2012). 
Sobre as partes das plantas que foram mais utilizadas pela população do 
estudo, destacam-se as folhas, caule e raiz. Outras pesquisas trazem as folhas 
como uma das principais partes utilizadas para o preparo de produtos na forma 
de chá (Cavalcante; Silva, 2014; Ribeiro et al., 2014; Vásquez; Mendonça; Noda, 
2014; Motta; Lima; Vale, 2016; Santos et al., 2017; Salesse et al., 2018). No 
entanto, referente ao “coentro”, foi observado que as sementes foram as partes 
mais utilizadas para o preparo dos chás (Aissaoui et al., 2011; Ribeiro et al., 
2014; Vásquez; Mendonça; Noda, 2014; Silva; Cajaiba; Parry, 2018). Porém, 
(Sahib et al., 2012) ressaltam que todas as partes deste são, e podem ser 
utilizadas com fins medicinais, visto que esta planta é considerada segura para 
o consumo, de acordo com o conhecimento tradicional, não tendo sido atribuídos 
a ela efeitos colaterais em estudos prévios. 
 
 
 
 
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As outras espécies que também obtiveram um considerável número de 
citações foram a P. anisum, P. barbatus e S. nigra. Este dado é fortalecido com 
o estudo de (Motta; Lima; Vale, 2016) onde mostrou-se que estas espécies 
também foram citadas para o tratamento voltado a doenças que podem acometer 
crianças. 
O P. anisum, conhecido popularmente como “erva-doce”, foi indicado para 
o tratamento de mal-estar, náuseas e para auxiliar na digestão, sendo também 
destacada com maior valor de IR (2,00). Em uma pesquisa feita por (Ribeiro et 
al. 2014) foi possível observar sua utilização com indicação popular para vômito, 
dor no estômago e gastura, compreendendo um dado semelhante a esta 
pesquisa. 
Levando em consideração as indicações terapêuticas, bem como o 
número de citações de uso (Tabela 3), a cólica foi à situação de saúde que mais 
teve indicações de plantas para o seu tratamento ou prevenção. Nesta 
perspectiva, vale destacar que muitas vezes a ocorrência dela consiste em um 
fenômeno que não recebe tanta importância, onde alguns profissionais pouco 
valorizam sua manifestação, não vendo necessidade de tratamento 
medicamentoso para a mesma. Isto pode levar as cuidadoras a procurarem por 
si só, métodos que minimizem ou curem os sintomas das cólicas, principalmente 
em recém-nascidos, recorrendo muitas vezes a utilização das plantas. Portanto, 
cabe ao enfermeiro se atentar não somente para a ocorrência desta condição, 
mas também que ele possa fundamentar seu cuidar em evidências científicas 
sem deixar de lado a percepção do ambiente em que o indivíduo está inserido, 
bem como suas culturas e crenças (Kosminsky; Kimura, 2004; Takemoto; 
Zarpelon; Rossetto, 2019). 
Concernente ao FCI, como destacado nos resultados, o sistema corporal 
que obteve maior consenso entre os entrevistados foi o DMC (0,5), sendo a 
camomila e a erva-cidreira as espécies usadas para este sistema. Vale ressaltar 
que as duas plantas foram destacadas como calmante, corroborando com outros 
estudos(Mattos et al., 2007; Ribeiro et al., 2014; Bortoluzzi; Schmitt; Mazur, 
2019). 
 
 
 
 
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Já quando falamos na propagação do conhecimento, é possível observar 
que a comunicação familiar continua sendo a principal fonte de transmissão 
(Cavalcante; Silva, 2014; Motta; Lima; Vale, 2016; Oliveira et al., 2016). Os pais 
seguem sendo as pessoas que mais difundem este conhecimento (Bevilácqua 
et al., 1985; Giraldi; Hanazaki, 2010; Ramos et al., 2016; Souza; Lobato; 
Menezes, 2019). 
Muitos estudos trazem que essa utilização das plantas, geralmente, é feita 
somente a partir do conhecimento popular sem que haja uma indicação de um 
profissional da saúde. As pessoas relatam utilizar por serem de fácil acesso, 
baixo custo e, também, por acreditarem não acarretar mal à saúde. Isso traz 
preocupação ao observar o desconhecimento dos possíveis efeitos tóxicos que 
aqueles produtos possam apresentar (Sevignani; Jacomassi, 2003; Tôrres et al., 
2005; Menezes et al., 2016; Szerwieski et al., 2017). 
Nesta perspectiva observa-se a necessidade da apropriação dos 
profissionais sobre o uso correto das plantas; sendo o papel do enfermeiro 
importantíssimo para o aconselhamento sobre a utilização de forma correta e 
segura (Alves; Silva, 2003; Tôrres et al., 2005; Mendes et al., 2018). 
 
5 CONCLUSÃO 
 
O uso de plantas continua sendo uma prática frequente e que vem 
ganhando ênfase a cada dia. Considerados como de fácil acesso e baixo custo, 
são recursos válidos para população em geral que detém o conhecimento sobre 
a utilização dos produtos naturais, em sua grande maioria, transmitidos de 
geração para geração. 
Vale destacar que, por continuar sendo um método muito utilizado, existe 
a necessidade de uma maior apropriação dos profissionais de saúde sobre a 
utilização segura das plantas como um recurso terapêutico; para que haja uma 
conscientização da comunidade em geral quanto ao uso com responsabilidade, 
evitando assim possíveis malefícios que a má utilização possa acarretar para 
população. 
 
 
 
 
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AGRADECIMENTOS 
 
Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), à 
Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
(FUNCAP), à Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco 
(FACEPE), à Universidade Regional do Cariri (URCA) e à Universidade Federal 
do Vale do São Francisco (UNIVASF) pelo apoio financeiro e institucional, 
essenciais para a realização deste estudo. 
 
 
 
 
 
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