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Exposição a Materiais Biológicos Prof. Enf. Erli Marta Reis da Silva MSc. Em Ciências da Saúde Exposição a materiais biológicos Definição: É todo caso de Acidente de Trabalho ocorrido com QUALQUER CATEGORIA PROFISSIONAL, envolvendo exposição direta ou indireta do trabalhador ao material biológico potencialmente contaminado por patógenos (vírus, bactérias, fungos, príons e protozoários), por meio de material perfurocortante ou não (Ministério da Saúde 2019). Tipos de exposição envolvendo material biológico consideradas de risco: • Exposições percutâneas: lesões provocadas por instrumentos perfurantes ou cortantes (ex.: agulhas, lâminas de bisturi, vidrarias, etc.); • Exposições de mucosas: ocorrência de respingos na face envolvendo olho, nariz ou boca; ou exposição de mucosa genital; • Exposição de pele não íntegra: contato com locais onde a pele apresenta dermatites ou feridas abertas; • Arranhaduras e/ou mordeduras: são consideradas de risco quando envolvem a presença de sangue. Acidente de trabalho com material biológico Quem? Quando? Como? Fonte? Principais causas de acidente de trabalho com exposição a material biológico • Administração de medicação endovenosa; intramuscular; subcutânea; intradérmica; • Punção venosa/arterial para coleta de sangue; • Descarte inadequado de material perfurocortante em saco de lixo; • Descarte inadequado de perfurocortante em bancada, cama, chão e etc; • Lavanderia; • Lavagem de material (CME); • Manipulação de caixa com material perfurocortante; • Procedimento cirúrgico; odontológico; laboratorial; • Dextro (controle de glicemia capilar); • Reencape de agulha Como evitar acidente com material biológico? Como evitar acidente com material biológico? Risco de Infecção por HIV, Hepatite B e Hepatite C O risco de infecção pós-exposição ocupacional é variável e depende de diversos fatores como: • Tipo de acidente; • Condições clínicas do paciente fonte e do trabalhador; • Gravidade da lesão; • Presença e volume de sangue do paciente fonte; • Conduta adequada pós-exposição; • Tempo decorrido entre exposição e início da PEP (Profilaxia pós-exposição) Medidas de Prevenção de Exposição a Material Biológico • Adotar cuidados com a biossegurança; • Uso de EPI (Equipamentos de Proteção Individual): uso de máscaras, luvas, avental, botas; • Lavar as mãos com água corrente e sabão; • Imunização para Hepatite B ( 3 doses e realização do anti HBS) Tive um acidente com perfurocortante. O que fazer? Medidas de Prevenção Pós Exposição a Material Biológico • Lavar a área contaminada com água e sabão • Não espremer a área atingida • Não esfregar • Procurar atendimento médico com Urgência (nas primeiras duas horas após o acidente, até 72horas) • Realizar teste para HIV Hepatite B e C (teste rápido) • Realizar teste para HIV Hepatite B e C no paciente fonte (quando conhecido) (teste rápido) O que fazer se ocorrer Acidente de Trabalho com Exposição a Material Biológico • Testar HIV durante janela imunológica: momento zero (ocorrência do acidente); 30 dias; 90 dias; • Testar para Hepatite C durante janela imunológica: momento zero 90 dias; 180 dias. • Testar para Hepatite B durante janela imunológica: momento zero; 90 dias; 180 dias. O que é janela imunológica? Janela imunológica é o nome dado ao período entre a infecção com o vírus HIV e o início da formação de anticorpos específicos contra ele. Então, se trata do intervalo de tempo em que a pessoa infectada se torna reagente para o vírus, isto é, o momento quando o paciente deixa o status negativo para o status positivo para o HIV. ATENÇÃO! DURANTE A JANELA IMUNOLÓGIGA, EVITAR: • Manter relações sexuais sem o uso de preservativo; • Engravidar • Amamentar; • Doar sangue, órgãos, sêmen Notificação do acidente (CAT/Sinan) • Registro do acidente em CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). • Preenchimento da ficha de notificação do Sinan (Portaria n.º 777) (BRASIL, 2004a). Termo de Consentimento Informado para o paciente-fonte, autorizando a realização dos exame Termo de Consentimento Informado (para o acidentado) Avaliação laboratorial nas exposições a material biológico Avaliação laboratorial nas exposições a material biológico Indicação de Profilaxia Pós-Exposição (PPE) Quando indicada, a PPE deverá ser iniciada o mais rápido possível, idealmente, nas primeiras duas horas após o acidente. Estudos sugerem que a quimioprofilaxia não é eficaz quando iniciada 24 a 48 horas após a exposição. Recomenda-se que o prazo máximo, para início de PPE, seja de até 72 horas após o acidente. A duração da quimioprofilaxia é de 28 dias. Atualmente, existem diferentes medicamentos anti-retrovirais potencialmente úteis, embora nem todos indicados para PPE, com atuações em diferentes fases do ciclo de replicação viral do HIV. Os esquemas preferenciais para PPE estabelecidos pelo Ministério da Saúde são: 1) Básico – ZIDOVUDINA (AZT) + LAMIVUDINA (3TC) – Preferencialmente combinados em um mesmo comprimido. 2) Expandido – AZT + 3TC + INDINAVIR OU NELFINAVIR. Doses habitualmente utilizadas na infecção pelo HIV/aids devem ser prescritas nos esquemas de PPE. O esquema padrão de AZT (zidovudina) associado à 3TC (lamivudina) está indicado para a maioria das exposições. Condutas frente à co-infecção • A instituição de saúde deve divulgar e treinar seus profissionais quanto aos procedimentos de prevenção à exposição a material biológico. A profilaxia pré-exposição da hepatite B é feita por meio da vacinação Registros • Todos os casos de acidente com material biológico devem ser comunicados ao INSS por meio da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e ao Ministério da Saúde por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme previsto na Portaria n.º 777, de 28 de abril de 2004, do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004a). Bibliografia Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Exposição a materiais biológicos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2006. 76 p.:il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Saúde do Trabalhador ; 3. Protocolos de Complexidade Diferenciada)