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Bioquímica, Biologia 
Molecular e Biotecnologia
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Bruno Cavelheiro Araujo 
Revisão Textual:
Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco
Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
• Estrutura Molecular e Função das Proteínas e Ácidos Nucleicos;
• Organização Gênica de Procariotos e Eucariotos;
• Introdução à Biotecnologia.
· Proporcionar conhecimento introdutório fundamental para melhor 
compreensão e acompanhamento da Disciplina Fundamentos da 
Biologia Molecular e Biotecnologia, principalmente relacionado 
aos elementos básicos da Biologia Molecular e sua aplicação na Bio-
tecnologia tradicional e moderna.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Introdução à Biologia Molecular 
e Biotecnologia
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
Contextualização
Considerada uma das disciplinas mais importantes na área da Biologia, 
principalmente pela sua aplicabilidade em diversos segmentos sociais, tais 
como agricultura, pecuária e saúde, Fundamentos da Biologia Molecular e 
Biotecnologia tem como objetivo principal fornecer uma visão global de como 
podemos utilizar diversas ferramentas moleculares para solucionar problemas reais 
da sociedade moderna, além de buscar otimizar diversos processos relacionados 
a esses e muitos outros segmentos. 
Assim, nesta Unidade introduziremos os principais conceitos da Biologia 
Molecular e a história da Biotecnologia tradicional e moderna, sendo estes 
pontos fundamentais para a busca do conhecimento mais específico dos 
temas abordados.
8
9
Estrutura Molecular e Função das Proteínas 
e Ácidos Nucleicos
Proteínas e Aminoácidos
As proteínas são macromoléculas complexas e, com exceção da água, são as 
moléculas mais abundantes nos seres vivos. Entre muitas funções biológicas, as 
proteínas participam de processos de replicação de DNA, determinam a forma 
e conferem estruturação celular, atuam em processos de permeabilidade das 
membranas biológicas, regulam a concentração de metabólitos celulares, controlam 
funções gênicas, catalisam reações, funções imunitárias, entre muitas outras.
Sabe-se que as proteínas são sintetizadas a partir da expressão de genes 
específicos, os quais transmitem a informação genética, desencadeando uma 
série de processos que resultam na síntese das sequências de aminoácidos. Os 
aminoácidos são as unidades básicas das proteínas, são de composição orgânica 
e geralmente compostos por um grupamento amínico (-NH2) e um grupamento 
carboxílico (-COOH), ligados ao carbono α – primeiro carbono depois do grupo 
carbóxilo (Figura 1). De forma geral, as células possuem a capacidade de sintetizar 
proteínas com funções muito diversas, como enzimas, proteínas estruturais, 
hormônios, anticorpos e proteínas ligantes – exemplo, a hemoglobina –, pela 
combinação apenas dos vinte aminoácidos existentes (Quadro 1).
Importante!
Que nós, seres humanos, somos capazes de sintetizar apenas onze dos vinte aminoácidos 
existentes? Enquanto os outros nove devem ser consumidos na dieta? E que, devido a 
isso, são denominados aminoácidos essenciais?
Você Sabia?
O carbono α, além de estar ligado aos grupamentos amínico e carboxílico, está 
ligado a uma molécula de hidrogênio e a um grupamento variável, denominado 
cadeia lateral, que é representado pela letra R. Essa cadeia lateral (R) é quem 
determina a identidade do aminoácido que, dependendo de sua composição 
química, é classificado em polar, não polar ou neutro, ácido e básico.
Figura 1 – Estrutura química básica de um aminoácido
Fonte: Adaptado de commons.wikimedia.org
9
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
Quadro 1 – Relação dos vinte aminoácidos essenciais e não essenciais, sua classificação 
de acordo com suas características bioquímicas e suas respectivas siglas
Não essenciais Class. Siglas Essência Class. Siglas
Ácido aspártico Ácido ASP Fenilalanina Neutro PHE
Ácido glutâmico Ácido GLU Histidina Básico HIS
Alanina Neutro ALA Isoleucina Neutro IIEU
Arginina Básico ARG Lisina Básico LYS
Asparagina Polar ASN Leucina Neutro LEU
Cisteína Polar CYS Metionina Neutro MET
Glicina Neutro GLY Treonina Polar THR
Glutamina Polar GLN Triptofano Neutro TRP
Prolina Neutro PRO Valina Neutro VAl
Serina Polar SER
Tirosina Polar TRY
A formação de uma molécula proteica se dá pela ligação entre o grupamento 
carboxílico de um aminoácido e um grupamento amínico de outro aminoácido, 
formando uma ligação peptídica e como resultado dessa ligação ocorre a perda 
de uma molécula de água (Figura 2). Com isso, a molécula formada por essa 
ligação sempre apresentará um grupamento ácido em uma de suas extremidades, 
denominado extremidade carboxiterminal, e um grupamento básico na outra 
extremidade da molécula, denominado extremidade aminoterminal. A molécula 
resultante da junção de dois aminoácidos é denominada dipeptídio, a junção de 
alguns poucos aminoácidos é denominada oligopeptídios e os polipeptídios são 
formados pela união de muitos aminoácidos – em alguns casos chegando a milhares.
Figura 2 – Ligação entre dois aminoácidos resultando em um dipeptídio e perda de uma molécula de água
Fonte: Adaptado de commons.wikimedia.org
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Organização Estrutural das Proteínas
As proteínas podem ser basicamente classificadas em dois grandes grupos com 
relação à sua solubilidade e função: proteínas fibrosas, que desempenham papel 
estrutural nas células e tecidos animais, como tecido conjuntivo e de composi-
ção da pele; proteínas globulares, que desenvolvem funções bioquímicas, como 
transporte pelas membranas celulares, catálise de reações – todas as enzimas são 
proteínas globulares – e desempenham ainda funções como moléculas mensagei-
ras – hormônios.
Com relação aos níveis de organização estrutural, as proteínas podem ainda ser 
divididas em quatro níveis (Figura 3):
· Estrutura primária: relacionada à disposição – sequência – dos aminoáci-
dos na cadeia polipeptídica, considerando também as ligações peptídicas, 
assim como as pontes de sulfeto. A conformação estrutural primária é es-
pecífica para cada proteína, geralmente sendo determinada geneticamente;
· Estrutura secundária: refere-se à organização espacial dos aminoácidos, 
ou seja, é como os aminoácidos se organizam entre si na sequência pri-
mária da proteína. Este arranjo estrutural é possíveldevido à capacidade 
de rotação das ligações do carbono α e de seus grupamentos amínico e 
carboxílico, os quais estabilizados por pontes de hidrogênio. Em alguns ca-
sos, a cadeia polipeptídica acaba por interagir consigo, formando estruturas 
globulares, entre as mais comuns estão a alfa-hélice, na qual as cadeias 
laterais dos aminoácidos estão viradas para fora; e a folha-ß, na qual os 
aminoácidos assumem a conformação de uma folha pregueada;
· Estrutura terciária: refere-se ao enovelamento da molécula de proteína, 
incluindo o seu arranjo tridimensional. Este nível estrutural é observado 
quando diferentes estruturas secundárias se dispõem entre si e são estabilizadas 
por pontes de hidrogênio, interações hidrofóbicas e ligações iônicas;
· Estrutura quaternária: caracterizada por um complexo multiproteico, 
composto por diversas moléculas proteicas enoveladas e unidas por liga-
ções não covalentes.
Figura 3 – Nível organizacional das proteínas
Fonte: Adaptado de thewhyinbiochemistry.wordpress.com
11
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
Ácidos Nucleicos
Os ácidos nucleicos são moléculas de grande importância biológica e que 
desempenham funções vitais em todos os organismos. Todos os seres vivos – 
procariontes ou eucariontes – possuem dois tipos de ácidos nucleicos: o Ácido 
Desoxirribonucleico (DNA) e o Ácido Ribonucleico (RNA). O ácido nucleico é uma 
molécula de grande extensão, constituída por unidades menores, denominadas 
nucleotídeos, que são sucessivamente conectadas umas às outras por ligações 
específicas – fosfodiéster. Os nucleotídeos são basicamente compostos por um 
açúcar – pentose: ribose ou desoxirribose –, um radical “fosfato” – ácido fosfórico 
– e uma base nitrogenada. 
O DNA é encontrado principalmente no núcleo celular e é considerado o grande 
depósito de informação genética dos organismos, desempenhando função essencial 
na transmissão de informação para processos relacionados à síntese proteica – tais 
processos serão melhores descritos na Unidade intitulada A síntese proteica. O 
DNA é formado por quatro diferentes nucleotídeos e quatro bases nitrogenadas 
– Adenina, Timina, Guanina e Citosina, representadas pelas respectivas letras A, 
T, G e C – e toda a informação gênica de um organismo está acumulada na 
sequência dessas quatro bases nitrogenadas, de modo que se alterará de acordo 
com a disposição e quantidade das quais.
A conformação estrutural de uma molécula de DNA é de dupla hélice, ou seja, 
duas sequências de bases – nucleotídeos – em forma de fita helicoidal, formando 
pares de bases, unidos por pontes de hidrogênio. Nessa conformação, devido a 
interações químicas, a Adenina (A) só poderá parear com a Timina (T) e vice-versa 
– bases púricas –, enquanto a Guanina (G) só poderá parear com a Citosina (C) e 
vice-versa – bases pirímidicas. A orientação química das duas fitas helicoidais que 
formam a molécula de DNA é extremamente importante. Em uma das extremidades 
há um grupamento fosfato ligado ao carbono 5 do açúcar – extremidade 5’ – e na 
outra extremidade há uma hidroxila ligada ao carbono 3 do açúcar – extremidade 
3’. A estrutura dupla hélice do DNA apresenta conformação estrutural na qual as 
ligações fosfodiésters – extremidades – 3’ e 5’ estão sempre dispostas em sentidos 
opostos – regra do anteparalelismo. 
Uma breve história da molécula de DNA está disponível em: 
https://goo.gl/k85NnBEx
pl
or
O DNA nuclear é uma extensa sequência nucleotídica – que em seres humanos, 
se aberta linearmente, poderia alcançar até um metro de extensão –, contendo 
milhares de genes e, devido a isso, todos os organismos possuem um mecanismo de 
compactação do ácido nucleico. Esse processo pode ser dividido em quatro etapas: 
i) Primeiramente, a fita de DNA circunda uma proteína específica, denominada 
histona, originando a estrutura denominada nucleossomo; ii) vários nucleossomos 
12
13
se unem uns aos outros, presos pela fita de DNA, formando uma espécie de colar 
de contas, igualmente conhecido como solenoide; iii) os solenoides se compactam, 
formando uma espécie de fibra cromossômica de alta densidade – nesse estágio 
as fibras possuem aproximadamente 300 nm e podem ser visualizadas a partir de 
equipamentos específicos –; iv) por fim, ocorre a formação dos loops, dados pela 
união das fibras, constituindo uma cromátide – com, aproximadamente, 700 nm 
–, como o cromossomo metafásico possui duas cromátides, o tamanho final pode 
chegar a 1.400nm. 
Assista ao esquema visual do processo de compactação do DNA em: 
https://youtu.be/gbSIBhFwQ4sEx
pl
or
Como vimos, o DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da 
informação genética e a estrutura – ácido nucleico – que executa a função de 
converter essa informação em produto, ou seja, na determinação do fenótipo é o 
RNA. Da mesma forma que a molécula de DNA, o RNA é um ácido nucleico, no 
entanto, o açúcar que o constitui é a ribose – enquanto no DNA é a desoxirribose 
–; além disso, é formado por apenas uma cadeia de nucleotídeos – fita simples – e 
pode ser encontrado principalmente no núcleo e citoplasma celular.
Outro fator que diferencia o RNA do DNA é a substituição da base nitroge-
nada Timina (T) pela base nitrogenada Uracila (U). O RNA pode ser dividido em 
três classes principais: i) RNA mensageiro (mRNA), que contém a informação 
genética proveniente do DNA e a conduz até o citoplasma da célula; ii) RNA 
transportador (tRNA), que conduz a informação genética por meio da sequência 
de aminoácidos até os ribossomos; e iii) RNA ribossômico (rRNA), que estrutura 
o ribossomo, propiciando as condições moleculares adequadas para síntese dos 
peptídeos. Todas essas funções descritas estão intimamente relacionadas ao pro-
cesso de síntese proteica. 
Por possuir apenas uma 
fita simples, o RNA apresenta 
regiões complementares den-
tro da mesma molécula que, 
da mesma forma que o DNA, 
são unidas por pontes de 
hidrogênio, formando os pa-
res de bases Adenina e Uraci-
la (AU) e Guanina e Citosina 
(GC). As estruturas químicas 
das moléculas de DNA e 
RNA estão representadas na 
Figura 4:
Figura 4 – Estrutura química básica da dupla 
hélice do DNA e da fi ta simples de RNA
Fonte: Adaptado de mundoeducacao.bol.uol.com.br
13
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
Organização Gênica de Procariotos 
e Eucariotos
Como sabemos, algumas características diferenciam organismos procariontes 
de eucariontes. Os procariotos são organismos unicelulares caracterizados pela 
ausência de um núcleo individualizado e são representados pelas eubactérias 
e as arqueobactérias. O grupo dos eucariotos é considerado amplamente 
heterogêneo – composto por protozoários, fungos, vegetais e animais –; de 
forma geral, são mais complexos que os procariotos e formados por organismos 
dos quais a principal característica esta na presença de um núcleo bem definido 
e organizado.
Para ambos os grupos o DNA é responsável pelo armazenamento da informa-
ção genética total, de modo que o conjunto desse material é denominado genoma. 
Tanto os genes de procariotos quanto de eucariotos são as unidades básicas de um 
genoma e são definidos como a sequência nucleotídica necessária para sintetizar 
um polipeptídio específico – proteína – ou uma fita de RNA estável. Com isso, cada 
gene possui uma região codificadora composta pela sequência de nucleotídeos – 
informação genética –, a qual codificará uma sequência de aminoácidos de uma 
cadeia polipeptídica ou de uma molécula de RNA. Além disso, o gene apresenta 
uma região reguladora que determinará e controlará a transcrição gênica – síntese 
de moléculas de RNA a partir de moléculas de DNA –, a qual sempre orientada da 
região 5’ para a região 3’ da molécula de DNA. 
Organização Gênica de Procariotos
Como dito, este grupo é composto pelas eubactérias e arqueobactérias. Esses 
dois grupos basicamente diferenciam-se pela estrutura de suas paredes celulares 
– função de proteção da célula – e por algumas características do metabolismoproteico, já que as arqueobactérias possuem mecanismos de síntese de proteínas 
mais semelhantes aos dos organismos eucariontes. Comparado aos eucariotos, o 
genoma de procariotos é muito menor e menos complexo. As regiões do DNA de 
procariotos que controlam a transcrição podem ser divididas em promotor, que é 
o local da fita de DNA onde a molécula de RNA-polimerase – enzima responsável 
pela transcrição – se liga, dando início ao processo de transcrição; e terminador, 
que é a região do DNA que determina o término da leitura da molécula de RNA-
polimerase, sinalizando o término do processo de transcrição. Existem ainda outras 
regiões específicas e que agem no processo de expressão, como os operadores, que 
estão relacionados à repressão da expressão, e as Upstream Activator Sequences 
(UAS), que são sítios de ligação relacionados ao reconhecimento de proteínas 
ativadoras da transcrição. 
14
15
Em procariotos, a sequência nucleotídica de um DNA reflete exatamente na 
sequência de aminoácidos de uma proteína ou molécula de RNA – colinearidade. 
Assim, cada códon – conjunto de três nucleotídeos que sintetiza um aminoácido – 
codificará um aminoácido do peptídeo. Com isso, para codificar uma proteína, por 
exemplo, com cem aminoácidos, faz-se necessário um gene com trezentos nucle-
otídeos, ou seja, a sequência codificadora do DNA é agrupada e contínua, sem se-
quências de interferência – íntrons. Esse arranjo molecular em procariotos é deno-
minado óperons e permite que o organismo expresse apenas os genes que codifi-
cam proteínas com funções correspondentes e apenas necessários no momento, 
por exemplo, bactérias presentes em um meio contendo lactose expressarão os 
genes e, consequentemente, produzirão as enzimas necessárias apenas à utilização 
deste substrato, adaptando-se rapidamente ao meio e economizando recursos e 
energia, já que não expressarão esses genes na ausência desse produto.
Diferente ao observado para eucariotos, a maioria dos procariotos apresenta 
genoma composto por apenas um cromossomo, formado por uma dupla fita de 
DNA circular fechada em suas extremidades, classificando-os como haploides. 
Como reflexo da haploidia, alterações na molécula de DNA de procariotos como, 
por exemplo, mutações gênicas, são obrigatoriamente expressas no fenótipo – 
características físicas – do organismo.
Organização Gênica em Eucariotos
Comparada aos procariotos, a organização gênica de eucariotos é, em geral, 
maior e mais complexa, com regiões reguladoras extensas contendo inúmeros 
elementos e distantes das regiões codificadoras. As sequências gênicas de eucariotos 
– e em alguns raros casos de procariotos – apresentam regiões intervenientes, 
denominadas íntrons, que dividem a sequência gênica em vários segmentos. 
Os íntrons não codificam diretamente um peptídeo, são transcritos em um tipo 
de RNA (pré-mRNA) e durante o processamento do mRNA ocorre a remoção 
destes íntrons, de modo que o agrupamento das regiões que realmente codificam 
proteínas ou RNA estável (mRNA, tRNA, rRNA) é denominado éxons.
O genoma dos eucariotos está contido principalmente no núcleo celular, 
organizado em dois ou mais cromossomos; no entanto, algumas organelas, como 
mitocôndrias e cloroplastos, apresentam genomas menores e específicos. Salvo 
algumas exceções – como algumas leveduras haploides e plantas poliploides –, 
a maioria dos eucariotos possui cromossomos homólogos, lineares e de número 
variável, os quais organizados em pares e unidos pela fusão de núcleos germinativos, 
classificando-os como organismos diploides (2n). Assim, nas células somáticas – 
que formam os tecidos e órgãos – para cada característica existem pelo menos dois 
genes, provenientes de duas células germinativas (n). Como dito, a síntese proteica 
em eucariotos é mais complexa que em procariotos e será melhor detalhada na 
unidade intitulada A síntese proteica. A Figura 5 apresenta o esquema básico de 
um gene de procarioto e eucarioto:
15
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
Figura 5 – Esquema básico da estrutura de um gene procariótico e eucariótico
Fonte: Acervo do Conteudista
Introdução à Biotecnologia
O conceito de Biotecnologia foi originalmente proposto por Eveky, em 1919. 
Segundo esse autor, o termo Biotecnologia é: “A Ciência e os métodos que 
permitem a obtenção de produtos a partir de matéria-prima, mediante a intervenção 
de organismos vivos”.
Com o passar do tempo, as definições foram se alterando e, de certa forma, 
tornando-se mais simples e aplicáveis. Em 2003, o Biotechnology Industry 
Organization (BIO) descreveu Biotecnologia como: “[...] “Bio” + “Tecnologia”, 
isto é, o uso de processos biológicos para solucionar problemas ou desenvolver 
produtos úteis”. Mas talvez a definição que mais se enquadre para os dias atuais 
seja: “A atividade que utiliza agentes biológicos no desenvolvimento e melhoria de 
produtos úteis para a sociedade” (Figura 6):
Figura 6 – Modelo esquemático do conceito e aplicações da biotecnologia
Fonte: bteduc.bio.br
16
17
Biotecnologia é uma realidade cada vez mais comum nos dias atuais e pode ser 
considerada uma atividade ampla, de grande geração de empregos e que atrai altos 
investimentos. Nos últimos anos, basicamente todos os setores sofreram algum 
tipo de inovação biotecnológica, entre os quais destacam-se: energia, indústria, 
meio ambiente, agricultura, pecuária, alimentação e saúde (Figura 7):
Biotecnologia
Produção
de fármacos
Melhoramento
genético Clonagem
Produção 
das vacinas
Análises
do DNA
Cultura 
de tecidos
e células
Controle
biológico
Transformação 
genética
Fermentações
industriais
Uso de 
microrganismos
na agricultura
Figura 7 – Aplicação da Biotecnologia em diversos setores da sociedade
Fonte: Acervo do Conteudista
De forma geral, a Biotecnologia pode ser dividida em tradicional e moderna. 
Apesar da inovação e expansão da Biotecnologia nos dias atuais, sua aplicação 
se dá de forma tradicional desde a Antiguidade – em alguns casos, há cinco mil 
anos –, dado pelo seu emprego, por exemplo, na produção e conservação de 
alimentos fermentados como pão, queijo, vinho e vinagre. A partir da Idade Média 
(séc. XII) vários acontecimentos importantes marcaram a história da Biotecnologia 
no mundo, como a destilação do álcool (séc. XII). Na Idade Moderna podemos 
destacar a produção comercial de cerveja – que, por sinal, era bem diferente da 
nossa – e o cultivo de fungos (séc. XVII). Mas foi a partir da Idade Contemporânea, 
com o surgimento de novas áreas do conhecimento, como a Microbiologia e a 
Bioquímica, que houve maior propagação de várias técnicas biotecnológicas. Como 
exemplos, podemos citar a criação da vacina contra a varíola (1796), processos 
de pasteurização de alimentos (1863), primeiro transplante de órgão (1899), 
descoberta do Salvarsan – primeiro agente quimioterápico (1906) –, descoberta da 
penicilina por Fleming (1928), entre muitos outros episódios.
Com o avanço de tecnologias, o alto crescimento industrial e o aumento de 
pesquisas nessa área, deu-se início à Biotecnologia moderna. Sem dúvida, o grande 
marco desta Era corresponde aos experimentos realizados por Boyer e Cohen em 
17
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
1973, entre os mais significativos está a transferência de um gene de uma espécie 
de sapo para uma bactéria, sendo que esse experimento “abriu portas” para a 
criação de uma nova área do conhecimento, a Engenharia Genética. 
Recentemente, muitas técnicas moleculares são aplicadas na Biotecnologia, 
como o sequenciamento do genoma humano (2001), importante no tratamento de 
patologias genéticas; indução de pluripotencialidade celular em células somáticas 
(2006); e criação de alimentos transgênicos, como a batata (2010). Com o 
decorrer dos anos, técnicas moleculares tornaram-se mais aplicáveis e acessíveis 
à sociedade, permitindo processos antes inimagináveis como, por exemplo, o 
sequenciamento genético individual – por pessoa – de algum órgão ou tecidocom 
potencial desenvolvimento de patologias dadas pela carga genética do paciente, 
como alguns tipos de câncer. Tais técnicas, além de específicas, propiciam um 
tratamento individual e adequado para cada tipo de patologia e paciente. 
Quais produtos e serviços que utilizamos rotineiramente são provenientes de proces-
sos biotecnológicos?Ex
pl
or
18
19
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Biologia Molecular da Célula
ALBERTS, B. et al. Biologia Molecular da célula. 5. ed. Porto Alegre, RS: 
Artmed, 2010.
Entendendo a Biotecnologia
BORÉM, A.; SANTOS, F. R. Entendendo a Biotecnologia. 3. ed. Viçosa, MG: 
Universidade Federal de Viçosa, 2008.
Fundamentos de Biologia Molecular
MALACINSKI, G. M. Fundamentos de Biologia Molecular. 4. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2005.
 Vídeos
CURSO de Biologia Molecular 1/5
https://youtu.be/NX99OMztZlA
ORGANIZAÇÃO do Gene Procarioto
https://youtu.be/LMYr1_sECFg
REGULAÇÃO e Expressão Gênica em Eucariotos
https://youtu.be/zjho2fVUWBo
19
UNIDADE Introdução à Biologia Molecular e Biotecnologia
Referências
DE ROBERTS, E. M. F.; HIB, J. Base da Biologia Celular e Molecular. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
MALAJOVICH, M. A. Biotecnologia 2011. Rio de Janeiro: ORT, 2012.
ZAHA, A. Biologia Molecular básica. 3. ed. Porto Alegre, RS: Mercado 
Aberto, [20--].
ZÁRATE, C. B.; SAHAGÚN, D. O.; BORUNDA, J. S. A. Biología Molecular: 
fundamentos y aplicaciones. Desarrollo Santa Fe: McGraw-Hill, 2009.
20

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