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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UFMA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA SOSTENES FERREIRA CASTRO PROIBIDO ROUBAR NA COMUNIDADE: territorialização do crime organizado e minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar – MA São Luís 2021 SOSTENES FERREIRA CASTRO PROIBIDO ROUBAR NA COMUNIDADE: territorialização do crime organizado e minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar – MA Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Geografia, pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, para conclusão de curso. Orientador: Prof. Marcelino Silva Farias Filho São Luís 2021 Ficha gerada por meio do SIGAA/Biblioteca com dados fornecidos pelo(a) autor(a). Diretoria Integrada de Bibliotecas/UFMA Ferreira Castro, Sostenes. Proibido Roubar na Comunidade: : Territorialização do crime organizado e Minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar-MA / Sostenes Ferreira Castro. - 2021. 52 f. Orientador(a): Marcelino Silva Farias Filho. Monografia (Graduação) - Curso de Geografia, Universidade Federal do Maranhão, Virtual, 2021. 1. Bonde dos 40. 2. Crime Organizado. 3. Falta de segurança. 4. Passividade do Estado. 5. Trizidela da Maioba. I. Silva Farias Filho, Marcelino. II. Título. RESUMO O presente estudo cujo tema “Proibido roubar na comunidade: territorialização do crime organizado e minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar – MA”, tem como objetivo apresentar sobre como o Estado tem sido ausente no bairro em questão, de modo que não disponibiliza da segurança devida para os moradores que lá vivem, assim, estes precisam conviver mediante o crime existente, com a facção criminosa que atua na região, o Bonde dos 40. Como forma de contribuir de maneira significativa para o estudo, é abordado sobre a origem do crime organizado e o modo que o mesmo atua no Brasil, e sobre as facções que existem no país, bem como é retratado a atuação da facção Bonde dos 40 no Bairro Trizidela em São José de Ribamar, em que as organizações criminosas se utilizam de leis, como a do “proibido roubar” para mostrar de seu poder nos lugares o qual está instalado. A importância deste estudo consiste em mostrar o quanto o crime organizado está presente no bairro Trizidela da Maioba em detrimento do Estado que não tem dado a acessibilidade a qual os moradores do bairro necessitam, possibilitando a presença da facção Bonde dos 40. Nesta perspectiva, o estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo e quantitativo usando os métodos indutivo e dedutivo. Para a coleta de dados foi feito através de um questionário de perguntas fechadas no bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar, que tinha como intuito afirmar que a passividade do Estado contribui para que a atuação da facção Bonde dos 40 seja presente bem como a falta de segurança a qual os moradores da região estão sujeitos. Palavras-chave: Crime organizado. Bonde dos 40. Trizidela da Maioba. Passividade do Estado. Falta de segurança. ABSTRACT The present study, whose theme “Prohibited stealing in the community: territorialization of organized crime and minimization of the State in the Trizidela da Maioba neighborhood in São José de Ribamar - MA”, aims to present how the State has been absent in the neighborhood in question, from way that it does not provide due security to the residents who live there, thus, they need to live through the existing crime, with the criminal faction that operates in the region, the Bonde dos 40. As a way to contribute significantly to the study, it is addressed the origin of organized crime and the way it operates in Brazil, and the factions that exist in the country, as well as the performance of the Bonde dos 40 faction in the Trizidela neighborhood in São José de Ribamar, in which organizations criminals use laws, such as the “forbidden to steal” to show their power in the places in which it is installed. The importance of this study is to show how organized crime is present in the Trizidela da Maioba neighborhood to the detriment of the State that has not given the accessibility that the neighborhood residents need, enabling the presence of the Bonde dos 40 faction. study is a bibliographic research, of qualitative and quantitative nature using the inductive and deductive methods. Data collection was carried out through a questionnaire of closed questions in the neighborhood of Trizidela da Maioba in São José de Ribamar, which was intended to state that the passivity of the State contributes to the performance of the Bonde dos 40 faction being present as well as the lack of security to which the residents of the region are subject. Keywords: Organized crime. Bonde dos 40. Trizidela da Maioba. State passivity. Lack of security. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................7 2 METODOLOGIA ....................................................................................................9 3 O CRIME ORGANIZADO NO BRASIL.................................................................12 3.1 Origem do crime organizado........................................................................14 3.2 As organizações criminosas existentes no brasil.........................................19 4 PODERES PARALELOS, A PASSIVIDADE DO ESTADO EM FRENTE AS FACÇÕES CRIMINOSAS .......................................................................................22 5 A ATUAÇÃO DO BONDE DOS 40 NO MUNÍCIPIO DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR NO BAIRRO TRIZIDELA DA MAIOBA ................................................................................................................................ 25 6 A SEGURANÇA FRAGILIZADA NO BAIRRO TRIZIDELA DA MAIOBA.......... 30 7 RESULTADOS E DISCUSSÕES .........................................................................38 8 CONCLUSÃO.......................................................................................................42 REFERÊNCIAS.......................................................................................................44 7 1 INTRODUÇÃO O crime organizado no Brasil se apresenta de forma abrangente em vários lugares e tem sido um problema de extrema relevância, visto que essas organizações criminosas, a cada dia, têm se expandido em diversos estados e isto faz com que se tornem mais poderosas, passando a exercer seu domínio nas comunidades pobres. Diante dessa conjuntura, é preciso ressaltar o quanto o crime tem contribuído para fragilizar a segurança, que já ele avança por falha ou omissão do Estado e, desta forma, a população fica sem ter como se proteger, mediante a violência que lhes é imposta. Assim, as organizações criminosas prometem uma “segurança” para a comunidade a fim de se manterem ilesos aos problemas referentes com a polícia, mas acabam cometendo mais crimes e tornando populares reféns. As organizações criminosas possuem uma hierarquia, e operam de forma organizada. Nas suas práticas cotidianas, causam terror à sociedade, visto que, como uma demonstração do poder, fazem uso da violência ao utilizar armamentos diversos para a imposição de ordens e “leis” para a comunidade. O Estado não tem cumprido o seu papel com a sociedade, no que condiz a oferecer as devidas sanções a estes grupos que infringem as leis e causam rebeliões em seus ataques. Tal realidade faz com que a população fique descrente sobre se esta situaçãode grupos rivais e até lidar com os “criminosos comuns”, que no fim de tudo todos constituem em um perigo real. 36 Isto deixa claro a deficiência da segurança nessa região, Trizidela da Maioba, precisa de mais atenção das autoridades, o Estado precisa agir em prol da população que lá vive, pois, o crime tem agido de diversas forma e tem prejudicado o bem estar dos moradores, impactos negativos que refletem tanto uma questão de espaço no qual vivem, bem como questões psicológicas acerca das incertezas perante a falta de segurança no local. No bairro Trizidela da Maioba, em São José de Ribamar, uma mulher com o nome de Bruna Kaline Pinheiro Souza, 20 anos, foi presa em casa pela polícia, pois com a mesma foi encontrado três trouxinhas de maconha no bolso, depois a própria suspeita revelou que havia mais 25 papelotes dentro de uma xícara. (O ESTADO, 2017) É perceptível como o tráfico de drogas vem sendo importante em Trizidela da Maioba, sem que haja fiscalização por parte do Estado, que deixam os moradores deste local a própria sorte. Assim, com o domínio das facções nesta região, é inegável que a falta de segurança esteja presente, e desta forma faz com que a população precise conviver com a presença desses criminosos como se fosse algo natural. De fato, é preocupante a situação dos moradores que vivem em Trizidela da Maioba, pois, vivem em meio a tanto caos e com uma segurança fragilizada sem qualquer apoio do Estado, onde o crime impera e oprime a população. É notório perceber a forma alarmante que o poder do Estado decaiu em relação ao crime organizado, os criminosos estão possuindo mais poder do que aquele que deveria ter. A transnacionalização do crime organizado acompanhou a crescente onda da globalização da produção, dos mercados, da liberação dos fluxo de bens, dos serviços, dos fatores de produção e da firmação de áreas economicamente integradas como a União Européia e o Mercosul, entretanto a persistência de um quadro de pobreza generalizada, a perversa distribuição de renda, e o desemprego crescente, vinculados as transformações no plano da produção internacional afetam as economias de países tanto industrializados como em desenvolvimento, tudo isso aliado a exclusão social favorecendo a expansão e a diversificação do comércio de drogas. (PROCÓPIO,2003, p. 34-35) A luta contra o crime organizado não tem sido algo fácil, é um problema social e estrutural que tem se estendido ao longo dos anos, e faz-se necessário que haja medidas a fim de combater essas práticas. As dificuldades socioeconômicas fazem 37 com que ocorra a intensificação da pobreza, trazendo à tona, questões como o desemprego, o aumento da violência, onde as políticas sociais se encontram frágeis no sentido de oferecer condições melhores a vida da população. É importante ressaltar, que todos esses aspectos citados, contribuem para o crescimento do crime, pois, a falta de oportunidade para as pessoas mais humildes, no que tange a escolaridade, emprego e falta de acessibilidade do Estado, fazem com que tais pessoas se relacionem com o crime. Segundo o questionário que foi respondido pelos moradores do bairro Trizidela da Maioba, eles em sua maioria, alegam que o lugar carece da assistência do Estado, como citado anteriormente no trabalho, a exemplo disso temos a figura 1 que expressa em gráfico esse dado, além do que na figura 4, a população ressalta que a permanência das facções no bairro é proveniente da ausência do Estado nessa região. O número de pessoas ligadas ao crime tem aumentado, e a violência tem sido constantemente frequente, acarretando uma série de problemas para a sociedade, o que deve ser feito para combater o crime existente não se trata apenas de medidas acerca da segurança pública, mas, também, oferecer investimentos na área social, com ênfase nas regiões mais pobres as quais são os lugares que as organizações criminosas operam. Ser cidadão, exercer a cidadania, estágio avançado do ser humano capaz e responsável, em princípio obediente aos parâmetros da ordem natural das coisas: todas as coisas devem obedecer aos princípios, às regras, às normas, de sua ordem natural. Capaz de evoluir continuamente ao longo do tempo e espaço, com naturais limitações e desvios que representam os desafios à inteligência e à produtividade dos seres humanos (DIAS, 2004, p.1) Assim sendo, como seres humanos temos o direito de ter a segurança necessária para andarmos pelas ruas sem ter o constante medo impregnado em nossas mentes. O combate à criminalidade não somente ajudará numa questão social e econômica, como também psíquica. Pois, a violência vem destruindo muitas vidas, tantas relacionadas pelo crime, quanto vítimas que são massacradas por eles. Por fim, a segurança é parte essencial da vida de qualquer pessoa que preze por ter sua própria liberdade e seus direitos garantidos. 38 7 RESULTADOS E DISCUSSÕES. O questionário foi realizado entre os dias 14 e 15 do mês de abril de 2021, sendo composto por nove perguntas que envolviam a questão da visão dos moradores do bairro acerca da assistência do Estado, da infraestrutura, do nível de periculosidade, da presença policial nas redondezas, além da presença de facções criminosas. Também se tomou como objetivo a observação acerca da percepção dos moradores sobre uma possível “segurança” oferecida pelas facções criminosas e a permanência destas devido a uma certa ausência do poder público. Para a realização deste trabalho, no sentido da busca por maiores informações e discussões futuras, optou-se pela realização de questionário para moradores do Bairro Trizidela, a fim de obtermos mais conhecimentos e possibilitar reflexões acerca do papel e presença do Estado do Maranhão, por meio da administração pública representado pelos agentes de autoridade policial em relação aos fatores como a segurança, infraestrutura e a presença de facções no referido local. Tendo em vista os objetivos do presente trabalho, que foram delimitados para a realização de reflexão e breve amostra das perspectivas acerca do Estado, como poder público, em relação à presença de facões criminosas em bairros periféricos, como é o caso do bairro Trizidela da Maioba, no Município de São José de Ribamar, foi pretendida a apresentação de como o Estado vem perdendo o seu espaço, e em contrapartida o crime organizado passou a adquirir cada vez mais poder, além das leis que são impostas pelas facções. Considerando o aumento do crime organizado em regiões, além dos altos índices de violência no Estado do Maranhão, também acerca da presença de facções criminosas na Grande Ilha de São Luís, é necessário que haja maiores ações em meio à permanência das facções nos bairros, sendo mais presentes em bairros mais distantes e periféricos, com grande concentração de habitantes, pouco espaço para todos, além da falta de infraestrutura organizacional do Estado. As ações a serem realizadas pela administração pública, no tocante à segurança pública, devem ser mais efetivas e constantes, considerando que a presença perene das forças policiais no bairro analisado com base nas respostas do questionário, pode ser considerada em meio à observação de que Estado tem perdido seu espaço, e, em contrapartida, as organizações criminosas têm se tornado 39 Fonte: Elaborado pelo autor. Figura 2 – Percepção dos entrevistados acerca da falta de infraestrutura do bairro Trizidela da Maioba mais poderosas. No decorrer do processo de aplicação de questionário compartilhado via internet, foram obtidas 15 contribuições de respostas. Quando perguntados sobre “Para você, o bairro Trizidela é assistido pelo Estado?”, o resultado obtido foi que cerca de 66,7% dos colaboradores da pesquisa responderam que “NÃO”, 26,7% responderam que “SIM”, e cerca de 6,7% optaram pela resposta“TALVEZ”. A princípio, sobre este primeiro questionamento, portanto, podemos compreender que a maioria dos entrevistados possuem a visão de que o Bairro Trizidela da Maioba carece de assistência por parte do poder público. Figura 1 – Percepção dos entrevistados acerca da assistência do Estado Fonte: elaborado pelo autor. 40 Perguntados acerca de “Para você, o bairro Trizidela sofre com a falta de infraestrutura?”, das 15 respostas, a grande maioria, mais precisamente, 93,3% dos entrevistados respondeu que “SIM”, e 6,7% que “NÃO”. Com isso, podemos verificar que a questão da infraestrutura do bairro deve ser mais observada por parte do Estado, levando em consideração a percepção por parte de determinado número de habitantes. A partir desta pergunta, podemos encontrar determinada excentricidade em relação à resposta da maioria dos participantes, na medida em que formos analisar a resposta destes com base na falta de assistência do Estado e quando analisamos os resultados quando perguntado se eles acreditam que o bairro foi tomado pelas facções criminosas, sendo que 40% responderam que “SIM”, 33,3% responderam que “NÃO”, e 26,7% “responderam que “TALVEZ”. Na figura 3, podemos observar que cerca de 66,7% dos participantes creem que o bairro não é perigoso, mas, com base nas outras perguntas feitas e respostas recolhidas, há a questão de que a presença policial por meio de um posto de polícia na região do bairro e adjacências seria positivo (vide Apêndice C), visto que a visão dos entrevistados acerca da sensação de “proteção” por parte dos criminosos não é sentida, onde, cerca de 80% destes responderam que “NÃO”, 13,3% responderam que “SIM”, e 6,7% que “TALVEZ” à pergunta: “Você se sente protegido no seu bairro pelos criminosos?”. Figura 3 – Percepção acerca do Bairro Trizidela da Maioba como bairro perigoso Fonte: elaborado pelo autor. 41 Acerca da permanência das facções criminosas no bairro Trizidela da Maioba como ausência do Estado, obteve-se resposta que 66,7% responderam que “SIM”, 26,7%, responderam que “NÃO”, e 6,7% optaram pela resposta “TALVEZ”, o que nos põe em reflexão a necessidade de uma maior presença do Estado por meio da presença policial nas adjacências e no bairro, e, sobre a consideração de que a falta da realização de programas sociais pode ser um dos fatores para o aumento do tráfico e da violência no bairro, 80% dos participantes responderam que “SIM”, 13,3% que “NÃO”, e 6,7% optaram pela resposta “TALVEZ”. Estas respostas encontram-se na parte Apêndice. Figura 4 – Percepção acerca da permanência das facções criminosas nos bairros por conta da ausência do Estado. Fonte: Elaborado pelo autor. 42 8 CONCLUSÃO A finalidade da pesquisa foi observar como o Estado tem perdido seu espaço e em contrapartida as organizações criminosas têm se tornado mais poderosas, de forma que o Estado não tem conseguido ir contra, ou mesmo se mostra indiferente a este problema, pois, não possui interesse suficiente a fim de adotar medidas para combater o crime organizado no país. Desse modo, apresentou-se sobre como o crime tem operado no país, e de que forma ele tem se estendido, também visou citar como se deu sua origem, onde primeiro deu-se pela máfia italiana, depois pelo Yakuza situado no Japão e depois abordando sobre as tríades chinesas. No Brasil a sua origem se deu pelos “cangaceiros”, mas a primeira criação de organização criminosa foi o Comando Vermelho. Assim sendo, foi relevante ressaltar a atuação das facções no Munícipio de São José de Ribamar, que é constituída principalmente pelo Bonde dos 40, que colocam leis, acerca de que não se pode roubar na comunidade, visando isso como forma de diminuir conflitos para não acarretar problemas no mercado de tráfico de drogas. Além do que, foi tratado sobre a relação do crime organizado x o Estado, com objetivo de observar, o porquê o Estado vem perdendo seu espaço e poder para as organizações criminosas, e foi compreendido acerca disso. Pois, foi possível notar, que o Estado contribui para o crescimento do crime no Brasil, porque fica inerte em meio a questão do crime e acaba por ceder o poder que o mesmo deveria ter. Assim acaba por contribuir para que as facções continuem a possuir domínios em suas respectivas regiões e exercendo seu poder para práticas ilícitas. Outro ponto a ser citado, trata-se da segurança que o Estado deixa a desejar, isto faz com que a população fique à mercê das facções, sem que haja algum meio de se proteger, tendo que conviver em meio a violência e a insegurança acerca de suas próprias vidas, porque estes lugares são perigosos devido terem rivalidades com outras facções, mesmo que as organizações ofereçam “segurança” as comunidades na qual possuem domínio, não estão livres de sofrerem retaliação por parte dos seus rivais, o que faz com que a população fique desprotegida, no meio deste combate entre facções, por isso, seria necessário que o Estado cumprisse o seu papel. 43 Mediante as informações captadas, comprovou-se que o Estado tem sido ineficaz no combate contra o crime organizado, as facções operam suas práticas ilegais e ficam impunes, pois, ao que parece o Estado finge uma indiferença e falta de vontade em cooperar para a luta contra o crime. Isto, acaba por fortalecer as organizações criminosas que passam a deter de um controle de regiões maiores, e assim se expandem sua influência para outros estados. A luta contra o crime organizado tem sido uma tarefa trabalhosa, um problema de questão social e estrutural, que se apresenta ao longo dos anos, deve- se haver medidas que combata tais práticas. Não somente medidas pertinentes a segurança pública, porém, deve-se ter investimentos na área social, visando os lugares mais pobres, que são berço onde as organizações criminosas se estabelecem. Portanto, o combate contra a criminalidade é importante no que se refere a termos o direito de segurança e a liberdade de ir e vir, sem que o medo e a insegurança nos assolem, causando preocupações que poderiam ser resolvidas caso houvesse ação por parte daqueles que tem poder. A violência tem se estendido, mas, não é tarde demais para detê-la. Espera-se que este estudo possa contribuir para compressão do tema proposto. 44 REFERÊNCIAS ADORNO, Sérgio; DIAS, Camila (2019). “Brazil: organised crime, corruption and urban violence” in Handbook of organized crime and politics, edited by Felia Allum & Stan Gilmour. Cheltenham (UK) and Nortampton (MA, USA), Edward Elgar Publishing, cap. 14. AGÊNCIA DE NOTÍCIAS. 2020. Polícia prende 19 pessoas durante operação em São José de Ribamar. Disponível em: https://www.ma.gov.br/agenciadenoticias/?p=281387. Acesso em: 25 mar. 2021. AMORIM, Carlos. CV_PCC: A irmandade do crime. 6. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2005. AMORIM, Carlos. CV-PCC: a irmandade do crime. 11 ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crime Organizado e proibição de insuficiência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil/1988. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012. ______. Lei nº 12.694/12. 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Crime organizado e as conexões com o poder público. Rio de Janeiro: Impetus, 2000. 49 APÊNDICES 50 APÊNDICE A – “Proibido roubar na comunidade, sujeito a pena de morte, B. 40”, no bairro Forquilha e Complexo Maiobão. Fonte: SILVA ,2020. Proibido roubar na comunidade, sujeito a pena de morte, ass. B. 40. Forquilha (Estrada de Ribamar: MA 201), São Luís – Maranhão, 2017. Fonte: SILVA, 2020. Proibido Roubar, centesa (sic) de morte. Ass.: B.40 Manaíra, Complexo do Maiobão - Paço do Lumiar, Periferia metropolitana da Ilha, 2017. 51 APÊNDICE B – “Proibido roubar na quebrada, B. 40”, Vila Sarney Filho e Vila Nazaré. Proibido Roubar na quebrada, B. 40. Vila Sarney Filho – Complexo do Maiobão, Paço do Lumiar, Periferia Metropolitana da Ilha, 2017. Fonte: SILVA, 2020. Fotografia retirada, com escritos “Proibido Roubar na quebrada, pena de morte”. Vila Nazaré – Complexo do Maiobão, Paço do Lumiar, Periferia Metropolitana da Ilha, 2017. Fonte: SILVA, 2020. 52 APÊNDICE C – Perguntas e Respostas retiradas no questionário aplicado. 53algum dia será resolvida, pois, o Estado tem sido ineficiente em punir os responsáveis. O presente estudo objetiva por apresentar como o Estado vem perdendo o seu espaço, e em contrapartida o crime organizado passou a adquirir cada vez mais poder, além das leis que são impostas pelas facções. O crime organizado no Brasil se apresenta de forma muito abrangente, visto que existem organizações criminosas presentes em diversos estados, como por exemplo, o Comando Vermelho que se originou no Rio de Janeiro, o PCC que teve surgimento em São Paulo, e o Bonde dos 40 que teve seu início em São Luís do Maranhão. É notório, a forma pela qual estas organizações tem se espalhado ao redor do país, estabelecendo seu império em diversos estados, não somente naqueles em que teve origem. 8 Este estudo monográfico estrutura-se em 7 (sete) seções, na qual, a primeira, trata-se da introdução, apresentando informações acerca do estudo em questão. A segunda seção constitui-se pela metodologia aplicada no trabalho e decorrer da pesquisa. A terceira seção abordará sobre o crime organizado no Brasil, a origem do crime organizado, bem como as organizações criminosas que existem no Brasil. Na quarta seção, será apresentado a relação entre os poderes paralelos entre o crime organizado e o Estado. Mudar conforme os capítulos A quinta seção serão apresentadas reflexões sobre a atuação da facção Bonde dos 40 no que se refere ao Munícipio de Ribamar no bairro Trizidela da Maioba. Na sexta seção, será relatado a forma de como a segurança tem sido prejudicada mediante a falta de ação do Estado no bairro Trizidela da Maioba. Na sexta seção, será feita uma contextualização da caracterização da pesquisa. Na sétima seção, constarão os resultados encontrados pela realização de questionário com a participação de 15 moradores do bairro. Por fim, na seção a conclusão do trabalho. Portanto, o estudo pretende realizar análise acerca de como está o crescimento do crime organizado no país, os males que causa, bem como a forma em que o Estado perde seu espaço e deixa a população desprotegida. Espera-se que este tudo possa contribuir de forma positiva para o conhecimento sobre o tema em questão. 9 2 METODOLOGIA O estudo foi realizado com a pesquisa bibliográfica de cunho qualitativa, que, segundo Minayo (1994), este tipo de pesquisa: [...] Se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 1994, p.21-22). Com isso, pretende-se também realizar abordagem acerca das facções no Brasil, com ênfase no crime organizado no Bairro Trizidela da Maioba, em São José de Ribamar, no Estado do Maranhão, com intuito de observar e analisar as facções que atuam no bairro citado, e assim abordar sobre os impactos negativos que proporcionam à sociedade. A pesquisa científica de cunho qualitativo e quantitativo, foi possível por meio de um levantamento bibliográfico com o embasamento dos autores que trazem sustentação aos tópicos e subtópicos que foram já citados bem como a utilização de um questionário com perguntas fechadas. Com intuito de oferecer informações relevantes acerca das questões que compõem o tema. Tem como finalidade, fazer com que o Estado tome medidas referentes ao combate ao crime, visando o bem estar da sociedade. Os principais teóricos que contribuíram para realização deste trabalho foram: Amorim (2005), Marques (2009) e Procópio (2003) que abordam sobre a questão do crime organizado, o Estado em sua perda de poder e sobre a segurança que se encontra fragilizada mediante o crime. A Metodologia Científica, mais do que uma disciplina, significa introduzir o discente no mundo dos procedimentos sistemáticos e racionais, base da formação tanto do estudioso quanto do profissional, pois ambos atuam, além da prática, no mundo das ideias. Podemos afirmar até: a prática nasce da concepção sobre o que deve ser realizado e qualquer tomada de decisão fundamenta-se naquilo que se afigura como mais lógico, racional, eficiente e eficaz (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 17). A metodologia científica, nos dá o embasamento necessário, para fundamentação, e para os conhecimentos que são de extrema relevância para análise da pesquisa. Com o uso dos métodos indutivo e dedutivo, em que um parte 10 do individual para chegar a questões gerais, e o outro parte da dedução de premissas visando uma terceira que seria uma conclusão, de algo considerado particular para geral, visando organizar os conhecimentos já tidos. Com enfoque em como o crime organizado atua no Munícipio de São José de Ribamar, no estado do Maranhão. Abordando assim, sobre as leis que os mesmos impõem, como a proibição do “proibido roubar”, que tem o intuito de avisar a outros, que não ousem roubar na comunidade deles, podendo ser punidos com a morte, se caso desacatarem a tal lei. A realização deste estudo é de extrema relevância, pois, consiste em esclarecer o porquê o Estado vem perdendo o seu espaço, mediante o crime organizado. Visando entender essa troca de poderes, e a forma que as organizações vêm se expandido no país e nos demais estados. Esta pesquisa consiste na validação de que o Estado tem se tornado cada vez menos ineficiente no combate ao crime organizado, e vem cedendo espaço para que os mesmos se expandam não somente em suas regiões, mas, como em outros estados, assim, contribuindo no aumento da criminalidade no país. A pesquisa bibliográfica visa captar informações sobre o que está sendo estudado, indo em busca de soluções aos problemas que são vivenciadas pela sociedade e serve para trazer a compreensão acerca do tema estudado para assim obter uma melhor percepção sobre a forma de solucionar o problema. A pesquisa em questão foi realizada através de levantamento bibliográfico, na qual se buscou informações acerca dos tópicos e sub tópicos propostos, tais como: O crime organizado no brasil, origem do crime organizado, as organizações criminosas existentes no brasil, poderes paralelos a passividade do Estado em frente ao combate das facções criminosas, a atuação do Bonde dos 40 no Munícipio de São José de Ribamar no Bairro Trizidela da Maioba, a segurança fragilizada no bairro Trizidela da Maioba. Tendo em vista abordar sobre o tema: “Proibido roubar na comunidade: Como o estado vem perdendo espaço para o crime organizado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar-MA”. Desta forma, ressaltando o modo em que as organizações tem ganhado poder que antes fora do Estado, e as mesmas utilizam leis para que protejam o espaço que por elas é utilizado, a tal lei do “proibido roubar”, que tem como intuito evitar que criminosos venham assaltar a comunidade, 11 assim impedir conflitos que venham a prejudicar o tráfico de drogas que é presente nas suas práticas ilegais. Esta pesquisa consiste na validação, de que o Estado tem se tornado cada vez menos eficiente no combate ao crime organizado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar-MA, e vem cedendo espaço para que os mesmos se expandam não somente em suas regiões, mas como em outros estados, e desta forma contribuem no aumento da criminalidade no país. A pesquisa bibliográfica visa captar informações sobre o que está sendo estudado, indo em busca de soluções aos problemas que são vivenciadas pela sociedade e serve para trazer a compreensão acerca do tema estudado, para assim obter uma melhor percepção. 12 3 O CRIME ORGANIZADO NO BRASIL Diante da falta de segurança, direitoconstitucional da população e dever do Estado, o crescimento do crime organizado no Brasil aumenta a cada dia Isso demonstra que a gestão no País apresenta uma má administração, pois, o dever do Estado é oferecer segurança a toda sociedade, algo que na prática não está sendo feito. Em contrapartida, o crime acaba por tomar espaço e se aproveitar dessa deficiência do Estado em gerir o País. A promulgação da Lei nº 12.694/2012, no artigo 2º, define organização criminosa, quando há a união de 3 (três) ou mais pessoas, numa estrutura organizada, pela qual os indivíduos estejam incumbidos pela divisão de tarefas, em que estes tenham o intuito de obter certa vantagem de forma direta ou indireta. Tais práticas criminais tem a pena máxima podendo ser igual ou superior a 4 (quatro) anos, em caráter transnacional. (BRASIL, 2012) Dessa forma, nota-se que há uma certa dificuldade de definir com precisão o que seria um crime organizado, mas, é relevante citar que as organizações criminosas não devem ser analisadas isoladamente. Não se pode definir apenas como um problema contemporâneo, mas sim, como resultado de um processo evolutivo do crime na sociedade. Conforme Mingardi (1998, p. 178) “[...] o crime organizado caracteriza-se pela previsão de lucros, hierarquia, planejamento empresarial, divisão de trabalho, simbiose com o Estado, pautas de conduta estabelecida em códigos, procedimentos rígidos e divisão territorial”. Logo, é possível dizer que o crime organizado, visa obter lucros e vantagens por meio de atos ilícitos para com a sociedade, bem como, indo contra as leis que regem o País. Essas organizações criminosas visam o controle de um Estado e locais, em contraponto à segurança, que acaba por se tornar frágil, mediante as falhas de proteção adotadas pela gestão estatal. A natureza dos objetivos das organizações criminosas são distintos e diversificados, tais como: tráficos de drogas, falsificação de diversos tipos de produtos (alimentícios, higiene pessoal, medicamentos, entre outros); tráficos de pessoas e de órgãos humanos; contrabando de armas e munições, pedras preciosas, cargas diversas; sequestro; venda de proteção pessoal e extorsão; comercialização de dólares e outras moedas em casas de câmbio; roubos a bancos 13 e empresa de segurança privada; prostituição; jogos de azar entre outros. (ADORNO; DIAS, 2019) Mediante isso, percebe-se que as organizações criminosas atuam em diversos campos, não somente no que tange a roubos em locais como bancos, mas também se utilizam de outros meios a fim de levantar mais lucros para a seu grupo de criminosos, não sendo apenas uma questão de falta de segurança pública, mas, implica em todo um processo que está interligado a diversos fatores que estão relacionados entre si. O crime no Brasil tem sido uma questão alarmante, que acaba por atrapalhar a sociedade como um todo, pelas restrições impostas que impedem até a livre circulação pelas ruas tranquilamente sem correr riscos o que aparentemente não deveria acontecer, já que consta que o Estado deveria oferecer tal serviço. Como exemplo do que foi citado anteriormente sobre roubo a bancos, em 30 de novembro de 2020 em Criciúma, houve um assalto a banco, em que assaltantes queimaram um caminhão, fizeram reféns e balearam um policial. Isto reforça, o quão impactante vem sendo a atuação destas organizações criminosas no país, a qual elas possuem certo tipo de poder, que oprime a população e põe a mesma em risco. (G1 SANTA CATARINA, 2021) Conforme Paoli (2017), o tráfico de drogas é uma das principais atividades do crime organizado, isto é, o que agências internacionais e estudos acadêmicos afirmam. Se trata de uma atividade que usa uma conexão de diversas práticas consideradas ilegais Assim sendo, o tráfico de drogas consiste em um dos principais recursos que sustentam esse grupo criminoso, no qual contribui para o crescimento dos crimes no País, pois, geram uma grande soma de dinheiro para estes indivíduos, e exercem uma relevância significativa no que tange os lucros desta organização criminosa. De acordo com Baltazar Junior (2010), o crime organizado pode ser compreendido como uma modalidade criminosa profissional, que possui visibilidade para os cidadãos. O crime em massas é considerado do cotidiano, não é noticiado ou investigado, e como exemplo disso temos: furtos nas ruas ou em residências, pequenos tráficos de drogas. Dito isto, tais crimes têm o potencial de atingir amplamente os indivíduos e a omissão do Estado colabora para que isso aconteça, pela falta de punição, o que acaba por causar insegurança e dúvidas referentes ao funcionamento das instituições estatais. 14 É válido ressaltar que não há proteção necessária quando se trata de crimes que são considerados corriqueiros, como roubos nas ruas, onde o Estado deveria cumprir seu papel de garantir a segurança para todos, algo que na prática não acontece. Então, é correto afirmar, que a minimização dos crimes considerados ‘pequenos’ por parte das autoridades tende a fazer com que se aumente a criminalidade existente no país. Segundo Amorim (2011), as atividades ilegais estão globalizadas e que o País é um mercado privilegiado que tende a fazer com que haja esse crescimento para os grupos criminosos. De fato, é uma verdade, pois, não temos o preparo adequado para combater o crescimento da criminalidade no País. O Estado deveria fornecer a segurança necessária para toda a sociedade, fazendo com que a polícia possua um treinamento, armamento e equipamentos necessários no combate ao crime, bem como leis mais atualizadas, que punam aqueles que a descumpram. O crime organizado comandado por facções no Brasil fora instalado quando o Comando Vermelho foi fundado nos porões do presídio da Ilha Grande, do estado do Rio de Janeiro. Entre os anos de 1974 e 1979, a facção foi criada, caracterizada pelo convívio entre presos comuns e os militantes de grupos armados, que antes combatiam no período do regime militar. (AMORIM, 2011) O Comando Vermelho marcou o surgimento do crime organizado controlado por facção e veio à tona por meio de pedidos de um grupo o qual se sentia oprimido pelo sistema carcerário que trazia o lema “Paz, Justiça e Liberdade”, porém, o capitalismo do tráfico de drogas instaurou o novo lema e passou a ser “tudo por dinheiro”. Dessa maneira, é perceptível que o crime organizado surgiu como um processo de uma má administração no País, e de uma péssima segurança por parte do Estado, o que fora responsável por fazer com que a criminalidade aumentasse. 3.1 Origem do crime organizado O crime organizado consiste em um modelo de se cometer delitos, que se aperfeiçoou e se desenvolveu no decorrer do tempo, seguido do desenvolvimento socioeconômico da sociedade. Atualmente, pode-se dizer que esta vertente social está estruturada de forma grandiosa, nessa questão de atuar nessas atividades criminosas. 15 Devido à formação desses grupos de crimes, houve então uma aliança entre alguns países, dessa forma essa atividade entrou ainda mais em crescimento, e por meio disto, foram surgindo novos grupos. Logo, o surgimento desses grupos foi responsável para que se constituísse a essência da qual se define como crime organizado, seguindo de uma de suas características importantes, que já era presente na época, a chamada finalidade de lucro. E dessa maneira, foi-se expandindo o crime organizado pelo mundo, por meio dessas quadrilhas contrabandistas. Então, no setor internacional, pode-se citar a Máfia Italiana, a Yakuza e as Tríades Chinesas. (MESSA; CARNEIRO, 2012) O crime só pode ser reputado organizado, obviamente, quando decorre de uma atividade ilícita da mesma natureza. Dito de outro modo: denomina-se crime organizado (numa primeira aproximação) o praticado por organização criminosa (GOMES; CERVINI, 1997, p. 92).A máfia italiana, teve sua origem no sul da Itália, no período da Idade Média, e seu surgimento dá-se por meio da exploração de camponeses pelos senhores feudais, então houve-se uma organização de grupos destes camponeses, que de início tinham como objetivo obter a proteção do Estado. A forma que encontraram de agir, fora destruindo plantações e matando o gado. Foi na Itália que houve a formação de diversas máfias, entre as que mais teve destaque a “Cosa Nostra”, que possui uma origem siciliana, também a “Camorra”, de origem napolitana e a “’Ndrangheta”, situada na Cálabria. Devido à pobreza que se formou no sul da Itália, no fim do século XIX e início do século XX, os mafiosos viajaram pela Itália, na busca de melhorarem suas vidas. Aqueles que eram pobres e possuíam uma rejeição, organizavam-se em grupo afim de aprender sobre autodefesa e criminalizavam-se. Na visão da população, a máfia era simplesmente um grupo de camponeses que se utilizavam da violência. (LARA, 2019). Yakuza, uma organização criminosa que teve sua origem no Japão, na era feudal por volta do século XVII, era constituída pela junção de dois grupos, os Bakutos (jogadores profissionais) e os Tekya (vendedores de rua). Possuíam uma hierarquia muito rígida. A Yakusa é constituída de forma exclusiva, por indivíduos pertencentes ao Japão e seus componentes são do gênero masculino. (MESSA; CARNEIRO, 2012) 16 A máfia japonesa precisa seguir um fiel e rigoroso código de conduta, devendo oferecer fidelidade a todos os membros da organização e, se houver descumprimento de regras, podem obter punições severas, o que pode acarretar a expulsão do membro da organização. Desta forma, a Yakuza também é representada por possuírem tatuagens no corpo, que trazem à tona os valores do grupo, uma tradição que é mantida até os dias atuais. (IBIDEM, 2012) É fundamental para a Yakuza, que exista um código de leis, embasados na lealdade, fidelidade, fraternidade e dever para com o grupo. Os homens que constituem a organização e devem seguir alguns protocolos, dos quais pode-se citar: não esconder o dinheiro do grupo; não procurar pela polícia e não desobedecer a ordem de um superior. (IBIDEM, 2012) Com o intuito de combater as ações provenientes da Yakuza, o governo japonês, em 1991, foi responsável por criar a chamada “anti-boryokudan” (boryokudan significa grupos violentos), lei que trata do combate ao crime organizado no Japão e que foi incorporada na legislação penal do dito país. A lei tem como objetivo de reprimir as ações praticadas por estas organizações criminosas, como forma de proteger a sociedade e garantir a segurança para o país. (VALENTE, 2019) As Tríades Chinesas, tiveram seu surgimento no ano de 1644, por meio de um movimento popular na dinastia Ching. Esse grupo era organizado e segue uma hierarquia, onde os graus estão associados aos números. O líder do grupo, é chamado pelos membros de “cabeça de dragão”, o número que o representa é o 489, o adjunto pelo nº438 e o membro comum é representado pelo nº49. Possui um nível hierárquico muito rígido, como característica principal, e a forma violenta que usam para dar punição aos membros que os desacatam. (MESSA; CARNEIRO, 2012) A atuação das Tríades Chinesas ocorreram na China, porém, devido a magnitude de seus negócios e o número elevado de membros que se aproxima de 30.000, sua organização está se expandindo pelo mundo. As atividades que são exercidas, podem-se citar: o tráfico de entorpecentes, como por exemplo, a heroína, jogos de azar e contrabando de cigarros e munições. 17 Acompanhando a tendência oriental, assim como a Yakuza, possuem uma estrutura hierárquica extremamente rígida e costumam ostentar a imensa riqueza proveniente de seus negócios. São considerados violentos em suas ações e cruéis em suas punições com um grande número de mortes (MESSA e CARNEIRO, 2012, p. 53). No que se refere a origem das organizações criminosas no Brasil, a história do crime pontua-se que a origem foi dada pelo movimento chamado cangaço, que começou por volta do século XIX e início do século XX, como líder do movimento se tinha o famoso Virgulino Ferreira da Silva, chamado como “Lampião”.(FERNANDES, 2012) Sobre o aludido fenômeno, é importante frisar que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1897-1938) manteve sob sua liderança uma organização criminosa hierarquizada que adotou várias práticas delituosas, entre elas: saques a fazendas, comerciantes e pequenos logradouros, extorsões a autoridades e cidadãos comuns, sequestros e homicídios (FERNANDES, 2012, p. 460). No entanto, o modelo delituoso relatado mostrou certa visibilidade para a população no País, fazendo assim com que ocorresse formações de facções, dentro dos próprios presídios e, dessa forma, se deu surgimento do Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), que são as organizações de maior expressão no País, que atuam dentro dos presídios de São Paulo e do Rio de Janeiro e que se distribuíram em outros presídios, fazendo com que outras facções surgissem e se aproveitassem da ausência do Estado para se promover e ganhar o apoio de algumas comunidades. Sobre o crime organizado no Brasil, Amorim (2005) aborda que: Agora não é mais uma ameaça. A sombra ganha contornos próprios. Porque o crime organizado no Brasil é uma realidade terrível. Atinge todas as estruturas da sociedade, da comunidade mais simples, onde se instala o traficante, aos poderes da República. Passa pela polícia, a justiça e a política. A atividade ilegal está globalizada e o país é um mercado privilegiado no tabuleiro do crime organizado (AMORIM, 2005, p. 15). As organizações criminosas foram responsáveis por tomar espaço e se ampliarem ao longo dos anos, de forma mais estruturada, com planejamentos minuciosos, ampliando-se no Brasil. Com a falta de segurança e proteção, pelo qual 18 o País não tem dado para o povo mais fraco, isso contribuiu para deixar a segurança ainda mais instável. Assim, o crime organizado foi se instalando, aproveitando-se das brechas fornecidas pelo Estado. Desse modo, o Estado começou a ficar impotente em combater as facções, sendo ineficaz de contribuir com a segurança pública, e formas eficientes de lidar contra essas organizações criminosas. O que se pode afirmar com certeza é que a criminalidade organizada ganhou notoriedade mundial principalmente após o advento da globalização da economia e dos meios de comunicação e informação, ameaçando de forma incisiva o Estado Constitucional Democrático. (CLEMENTINO, 2018, p.6). O crime organizado utiliza-se da “lei do silêncio” para fazer uso de seu poder de intimidação, com seus membros e com demais pessoas que tentem a se oporem a essas organizações que são marcadas por uma hierarquia rígida e por se utilizar da violência como forma de oprimir aqueles que são contrários a elas. Sobre a hierarquia das organizações criminosas, pode-se dizer que existe uma divisão de atividades para os grupos: “Ainda a estrutura piramidal das organizações criminosas e sua relação com a comunidade são apontadas como características do fenômeno.” (SILVA, 2013, p.14). Essas organizações criminosas possuem um modo de operação, similar à de empresas comuns, pois atuam como verdadeiras empresas. Entretanto, a diferença é que possuem objetivos criminosos, mas atuam em modelos empresariais, visando lucros e atuando em conjunto em prol “do coletivo”, mantendo um planejamento adequado e estratégico, com o objetivo de lucrar em detrimento de uma parcela da população, e prometem benefícios a estes, tais como: não roubando a população onde está localizada e dando uma “proteção” a comunidade contra outras facções rivais, em detrimento da liberdade destes indivíduos. Na América do Sul, década de 1980, existiu uma relevante influência no que diz respeito às organizaçõescriminosas, visto que as mesmas concentraram suas ações na Colômbia. Como líder de tudo isto estava Pablo Emílio Escobar Gaviria, líder do Cartel de Medellín, que obteve destaque pelo tráfico de cocaína em diversos países, principalmente nos Estados Unidos. (CAMPOS, 2018) 19 Escobar tinha bastante poder nas comunidades de Medellín, era conhecido como “El Patrón”, e era muito prestigiado, porque fazia o bem pela população pobre local, assim construía uma figura paterna de si mesmo, e desviando-se da imagem de um grande narcotraficante. Campos (2018, p. 1) relata a seguir: Escobar fazia obras em áreas periféricas de Medellín e dava dinheiro aos pobres como forma de coagir a população a não denunciá-lo. Muitos, inclusive, reforçavam a ideia de que ele tirava dinheiro dos ricos para distribuir aos pobres, sendo que esta renda provinha do crime organizado. Esse modus operandi, fazia com que parte da população o visse como o salvador e não como uma figura ruim, o distanciando da imagem negativa que isto poderia lhe agregar. Além disso, Escobar também possuía homens armados que eram chamados de “Sicários” e que faziam sua segurança particular. (IBIDEM, 2018) Através de suas ações criminosas dentro do Cartel de Medellín, Escobar acumulou uma grande fortuna construindo o seu império. Ele possuía também, controle sobre meios de comunicação e era responsável por comandar um relevante esquema de subornos para policiais, responsável por ser influência na política colombiana, em que concorreu para o cargo de deputado, em que foi eleito deputado suplente, no ano de 1982 (CAMPOS, 2018). 3.2 As organizações criminosas existentes no brasil. O Comando Vermelho ou Falange Vermelha, obteve esse nome em referência a galeria do presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, a qual estavam aqueles que foram os responsáveis por fundar a dita organização criminosa. Tal nome também é conhecido na região de São Luís e São José de Ribamar, no Maranhão, lugar em que esta facção também possui atuação. Conforme Amorim (2011), o surgimento do Comando Vermelho fora no fim da década de 1970, aproximadamente em 1979, por meio da união de presos sob custódia no Instituto Penal Cândido Mendes, conhecido entre os encarcerados como “Caldeirão do Diabo”. “O encontro dos integrantes das organizações revolucionárias com o criminoso comum rendeu um fruto perigoso: o Comando Vermelho” (AMORIM, 2011, p. 58) 20 Nesta década, um grupo de criminosos assaltantes de banco, presos no presídio de segurança máxima de Ilha Grande, durante os anos de ditadura, onde os guerrilheiros eram misturados aos presos comuns, dos quais estavam Wiliam da Silva Lima, mais conhecido como ‘professor’, Francisco Viriato, conhecido como ‘japonês’ e Rogério Lengruber também conhecido ‘bagulhão’, instaurou-se a organização Falange Vermelha (OLIVEIRA, 2007, p. 150). Junto aos presos, havia políticos que seguiam a esquerda, bem como existiam membros de grupos de guerrilhas de regiões urbanas que não concordavam com o Regime Militar. A junção destes presos políticos com os guerrilheiros, dado certo convívio, fez com outros presos comuns absorvessem uma série de informações, tomando para si ideais e métodos utilizados pelos políticos e as técnicas utilizadas pelos guerrilheiros, desta forma se originou o Comando Vermelho. (MADRID, 2004) Assim sendo, o presídio de Ilha Grande, em 1970, havia pessoas as quais produziam normas extraoficiais, organizações sociais de presos, tem por nome “falange”. As falanges eram referências sobre a localização da cela em que o preso ficava situado, havendo outras falanges além da LSN, dentre as quais é possível citar: Falange Zona Norte ou Jacaré; Falange Zona Sul; Falange da Coreia e; Falange dos Independentes ou Neutros. Neste período, a Falange Jacaré era a mais poderosa, usando de seu poder para coagir a fim de cobrar “pedágios” para os outros presos. A sentença de morte é irrecorrível. Alguém vai mesmo morrer. Todos os homens que aceitam a orientação do Comando Vermelho, dentro e fora da Galeria LSN, procuram a pista que leve ao delator. [...] por uma dessas infelicidades da vida, as melhores informações apontam na direção da pessoa errada. É um preso que há tempos carrega a suspeita de colaborar com a administração do presídio. Só para piorar: é interno do território da Falange Jacaré, na Galeria C. Foi assassinado a facadas no dia 13 de setembro de 1979. Mas não tinha nada a ver com o peixe. (AMORIM, 2004, p.126) O Primeiro Comando da Capital (PCC), também conhecido como Partido, Comando, Crime e Família, surgiu na década de 1990, fruto de uma rebelião na Casa de Custódia de Taubaté, na mesma época em que o CV era considerado a maior facção do Brasil. A princípio a organização criminosa era composta pelos fundadores, jogadores do mesmo time de futebol: José Marcio Felício (Geleião), Cezar Augusto Roriz (Cezinha), Idemir Carlos Ambrósio (Sombra), entre outros, os 21 quais tiveram por vontade criar um “partido” com intuito de fazer com que os presos lutassem pelos seus ideais (PORTO, 2008). O PCC, teve sua origem firmada em 31 de agosto de 1993, onde houvera um jogo de futebol entre o Comando Caipira e o Primeiro Comando da Capital, no Anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, dita como uma das instituições carcerárias mais rígidas do Brasil. Houve uma briga entre os grupos que acabou por resultar na morte de duas pessoas do Comando Caipira. Ao longo de várias reuniões da facção, os ditos fundadores do grupo estavam revoltados com as condições as quais lhe eram impostas na prisão “Piranhão”, havendo um debate acerca de quais seriam as metas dos mesmos. Aliás, estes indivíduos lutavam pela desativação do estabelecimento, fora que estes estavam abismados devido ao massacre do Carandiru, onde houve a morte de 111 presos na Casa de Detenção de São Paulo, em 2 de outubro de 1992 (TEIXEIRA, 2009). Antes das decisões pertinentes ao que se referia as organizações criminosas, tinham como responsável Marcos Camacho, 46, “Marcola”, depois passaram estas para, Rogério Jeremias de Simone, 40, “Gegê do Mangue”, pois, houvera obstáculos acerca da transferência de Marcola para outro presídio, no qual consistia em uma segurança maior, e isto acabou por dificultar a comunicação entre eles e a libertação do Gegê do Mangue, 2° dentro do comando. (COSTA; ADORNO, 2018) Amorim (2011), aborda que o Comando Vermelho fora criado no fim da década de 1970, ao certo 1979, em Ilha Grande, situado assim no município de Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro, onde fora criado no Instituto Penal Cândido Mendes, pela junção de presos a qual estavam naquele presídio. Neste livro, o autor também, relata que a ideia de se criar o CV, estava relacionada a uma revolta que acontecera entre os presos, os quais eram tratados de forma desumana e opressora. Uma vez que, a época era regime militar, em que os próprios militares mandavam no local. 22 4 PODERES PARALELOS, A PASSIVIDADE DO ESTADO EM FRENTE AS FACÇÕES CRIMINOSAS. É válido ressaltar, que é necessário que haja uma estratégia por parte do Estado, a fim de combater as facções, com o intuito de impedir a atuação desses grupos criminosos em áreas menos favorecidas, fazendo com que haja uma boa fiscalização a fim de prevenir e reprimir as más condutas que visam prejudicar a sociedade. Tamanho é o poder do crime organizado (CO) nas favelas e periferias das grandes cidades, que se tornou frequente atribuir-lhes o status de poder autônomo. De igual tamanho é a ineficiência do Estado frente a esta situação de aparente descontrole. Por conseguinte, o controle de territórios inteiros é assumido pelos criminosos, que dominam inclusive a vida social da população, assumindo funções que normalmente são esperadas do 3 Estado. Apresentado desta forma, estefenômeno passou a ser associado ao surgimento de uma espécie de “Estado paralelo” (LEAL; ALMEIDA, 2012, p. 2). De acordo com Eugênio Zaffaroni et al. (2000), o responsável pelo crime organizado assumir tanto poder na atualidade, é o próprio Estado. Pois, a má gerência e corrupção acabam por ruir as estruturas do sistema e, em vez de colaborar em prol da sociedade, acaba agindo em prol das organizações criminosas e por vezes até se integram a mesma. De fato, para haver uma solução para tal, faz- se necessário que esta realidade seja aceita, e isso será um começo para poder agir no combate contra o crime, fazendo com que exista estratégias que possam prevenir e reprimir tais ações. No plano internacional, o assunto que gira em torno do poder visível das empresas da economia ilícita dedicada à produção e distribuição de drogas, conhecidas como carteis, ganhou proporções gigantescas, a ponto de tornar-se pauta nas discussões sobre segurança internacional de organismos supranacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). No plano nacional, a venda de drogas no varejo é a principal fonte de renda das organizações criminais locais. O comércio direto com os consumidores é sempre realizado por grupos locais que, geralmente, atuam nas periferias da cidade e comunidades onde habitam. Formado quase exclusivamente pela população urbana pauperizada, estes grupos se organizam nas chamadas quadrilhas, que podem estar vinculadas – ou não – a uma organização maior, caso frequente nas grandes metrópoles (LEAL; ALMEIDA, 2012, p. 1-2). 23 As organizações criminosas do Brasil, são conhecidas por usarem de extrema violência, bem como fazem uso de armas, para que se conserve o mercado de drogas e proteger o seu “império”. Quando a polícia, ou grupos rivais tentam ir contra elas, há grandes lutas de poder, nos territórios a qual estas organizações possuem domínio. Porém, em contrapartida estes criminosos dão um tipo de “assistência” garantindo que o local por eles dominados sejam seguros, e oferecem remédios, materiais escolares e de construção para os moradores da comunidade. (MINOTTO, 2008) Depois que o esquema de crime organizado foi constituído no Brasil, os fundadores buscaram por locais que iriam fornecer a eles e ao seu grupo, um lugar para fazer uso de suas práticas criminosas, e deste modo, escolheram favelas e periferias, porque elas não têm a devida atenção da polícia e do Estado. O Bonde dos 40 ou como é mais conhecido B.40, trata-se da facção atuante em São José de Ribamar e a capital São Luís, responsável pelo domínio dos bairros mais pobres dos municípios citados. [...] Complexas redes organizadas de grupos criminosos capazes de mobilizar inúmeros indivíduos, financiar serviços comunitários, realizar obras de saneamento, promover atividades culturais, eleger representantes de bairro, angariar votos para determinados parlamentares, agenciar relativa “segurança pública” e, além de tudo, impor suas regras a toda uma comunidade sujeita a punições brutais no caso de transgressão destas “leis” (AMORIM, 1993, p. 204 apud LEAL & ALMEIDA, 2012, p. 11). Estes grupos criminosos utilizam os bairros de São José de Ribamar, assim como a capital, São Luís, sem que haja a permissão do Estado para tal, e desta forma fica em influência o poder sobre essas regiões. Assim sendo, nota-se que houve uma ascensão do crime nas favelas enquanto o Estado decaiu, no sentido de deixar estes lugares a própria sorte. Conforme Marques (2009), houve uma decaída do Estado e este permitiu que o tráfico se instalasse, fazendo com que os criminosos, conseguissem comandar e administrar seus negócios nas comunidades, e assim permitiu que as mesmas organizações criminosas, pudessem instalar suas leis, e assim o tráfico se expandiu de forma inimaginável. O tráfico teve seu crescimento e veio a se fortalecer, ganhando mais espaço, bem como maior número de pessoas que a ele queriam se agregar. Dessa forma, o traficante passou a ser chamado de “rei do morro”. 24 As organizações criminosas visam ter um tipo ligação com Estado (e muitas vezes tem) para que assim possam ter mais liberdade para agir em lugares onde seus rivais estão, também tem como objetivo controlar os bairros pobres, com intuito de evitar que estes se tornem violentos, e assim não prejudicar o tráfico de drogas para que o Estado não venha intervir. Além do que, sem uma estabilidade nas favelas atrapalharia o funcionamento do mercado de drogas, pois, roubos e brigas poderiam acarretar problemas para a circulação das mesmas. Querendo ou não, o crime exerce um papel social muito grande nas comunidades. A UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] foi apenas uma ocupação policial. Tudo o que crime proporcionava às comunidades, o Estado tinha que ao menos repor. Por exemplo, cesta básica, remédios, médicos, internação das pessoas que ficam doentes. Todo o tipo de ajuda. O crime ocupa o vácuo deixado pelo Estado. (NEPOMUCENO apud COSTA & ANDRADE, 2017, p. 6) Assim, é possível notar que o Estado contribui para o crescimento da criminalidade nos Municípios de São José de Ribamar, São Luís, dentre outros, já que não adota as medidas cabíveis a fim de evitar a expansão das organizações criminosas, muito pelo contrário, acaba por perder espaço cedendo a elas o poder que o mesmo deveria ter. Desse modo, fazendo que lugares fiquem no domínio de facções, onde exercem seu poder e fazem tráfico de drogas e outras atividades ilegais. A segurança que deveria ser prestada pelo Estado, acaba sendo oferecida pelas próprias organizações criminosas, que fazem isso para evitar que haja concorrência em suas regiões, bem como para impedir conflitos internos que possam requerer a presença da polícia, o que iria acarretar problemas para o mercado ilícito de drogas. 25 5 A ATUAÇÃO DO BONDE DOS 40 NO MUNÍCIPIO DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR NO BAIRRO TRIZIDELA DA MAIOBA De acordo com o Atlas da Violência, estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), São José de Ribamar era o município mais violenta do Maranhão em 2015 e registrou 159 homicídios. (G1 MARANHÃO, 2017) São José de Ribamar constitui uma cidade perigosa e que carece de segurança, já que há números tão alarmantes de assassinatos. Isto nos permite dizer que a criminalidade está atuante na região, visto que o número de mortes se apresenta alto, o que ressalta a importância de se ter conhecimento sobre isto afim de se minimizar estas questões. São José de Ribamar é considerado 3º munícipio de maior população do estado do Maranhão, com o total de 179.028 mil habitantes, (IBGE, 2020). Pertencente a região metropolitana de São Luís, o município em questão faz parte dos quatros que integram a ilha de Upaon-Açu. Sua localização se dá ao leste da ilha, em frente da Baía de São José, a uma distância entre o centro da capital do Maranhão de 32 quilômetros. (IBGE, 2020) O bairro Trizidela da Maioba, situado no munícipio de São José de Ribamar e atualmente é cenário para o crime organizado, com as atividades como tráfico de drogas que lá são operadas, a organização que é atuante na região, trata-se do Bonde dos 40, que também possui atuação na capital de São Luís do Maranhão. O Bonde dos 40 (B40) trata-se de uma organização criminosa que teve seu surgimento em 2007, em São Luís, Maranhão. Formou-se por meio de contatos de presidiários do Maranhão com demais estados, que faziam parte de outras organizações criminosas. Desta forma, aliaram-se ao Comando Vermelho até 2017, depois a aliança fora rompida e passaram a ser rivais, porém, manteve sua aliança com Amigos dos Amigos (ADA) e Primeiro Comando da Capital (PCC). (DIAS; MANSO, 2018; FELTRAN, 2018) Consta também que os oriundos de outros municípios eram rechaçados e violentados pelos dacapital e que, até uma rebelião ocorrida em 2002, só estes eram mortos dentro dos presídios maranhenses. Por isso, uniram-se e criaram o Primeiro Comando do Maranhão – PCM, em 08 de novembro de 2003, primeira organização criminosa atuante no sistema prisional. A segunda facção criminosa no sistema penitenciário maranhense é a Bonde 26 dos 40 que surgiu após a rebelião de 2010, quando os presos do interior, já organizados e com apoio de comparsas da capital, mataram em maior número os presos rivais oriundos de São Luís que, a partir de então, resolvem reunir-se em outra facção contra o PCM (PACHECO, 2015, pp. 55-56). Além disso, é responsável por ações criminosas no Estado do Maranhão, com as seguintes ações: sequestros, tráfico de drogas e assaltos. Nos anos de 2010 a 2014, essa organização criminosa ficou conhecida por fazer que houvesse rebeliões nas cadeias em Pedrinhas, assim como agiu contra o PCM, e causou ataques pelas ruas, isto fez com quem mais de 100 presos morressem. A partir daí, aconteceu uma busca pelo poder nos bairros de palafitas (“favelas nos mangues”), isto fez com que houvessem mais feridos e mortes. No ano de 2018, o Bonde dos 40 ampliou sua abrangência e membros e passou a atuar nos bairros pobres em Teresina, no Piauí (depois de ter dominado Codó, Caxias e Timon, no Maranhão), começando a dar ordens nos bairros, proibições para fazer que não haja a presença de policiais, dentre elas podem-se citar: não roubar, matar, fumar, ingerir bebida alcoólica, uso de drogas em algumas áreas, além de não comprar, vender ou consumir drogas perto de crianças. O crescimento do mercado de drogas mostra que os jovens são levados a seguir essa trilha. Os discursos em defesa da ‘vida bandida’, como forma de resistência ao ‘sistema opressor’, contribuem para forjar um sentido coletivo e político para decisão - mesmo que, no fundo, o criminoso continue buscando principalmente ganhar dinheiro, com menos esforço, em benefício próprio (MANSO; DIAS, 2018, p. 328). O conceito acerca do crime organizado e a forma como sua influência se dá no sistema social, são capazes de adotar uma abordagem que exprime diversas facetas, no que tange o desenvolvimento de práticas ilegais, na qual visam obter lucros maximizados, na execução de ações ilícitas que são referentes com a oferta de produtos que não são permitidos, ou sejam, em que há uma proibição dos mesmos, desta forma provem demandas para a sociedade em que está atuante. (NAYLOR, 2003) Os atiradores demonstravam muito orgulho ao dizer que faziam parte do Bonde dos 40, a facção que se originou no Maranhão. O nome de “justiceiros”, foi dado pela mídia do Estado, o que nos revela a questão da ignorância e a questão desses acontecimentos que estão surgindo no Estado e que são provenientes do 27 que acontece nos presídios e favelas situadas no Maranhão, que têm sido cenário para estas práticas violentas. A evolução destes grupos se deu no Maranhão, principalmente em São Luís. Nos anos de 2001 a 2010, fora o período que imperava a rivalidade entre os presos na prisão, marcado pelo crescimento das facções. O massacre que acontecera na rebelião de 2010, é responsável por criar duas facções opostas: O Primeiro Comando do Maranhão (PCM), em sua formação aqueles provenientes do interior do Estado, e o Bonde dos 40, formado pelos presos da capital (SILVA, 2020). As organizações criminosas do Maranhão percorreram, atuam de modo sistemático e planejado. Existe uma briga pelo poder acerca de qual facção seria a mais forte e aquela que iria imperar nas comunidades, obtendo domínios e melhores lucros para si. O ano de 2017 correspondeu a um momento importante em tentar suprimir os grupos estaduais, por meio das organizações criminosas em escala nacional. Dessa forma, houve o rompimento da aliança entre o Comando Vermelho, (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), resultando assim um conflito entre as duas facções as tornando rivais, isto ocorrera no segundo semestre de 2016. (DIAS; MANSO, 2018; FELTRAN, 2018) O Estado mais uma vez deixou de cumprir seu papel em proteger a população, isto fez com que essas organizações atingissem níveis alarmantes de domínio em vários âmbitos do estado do Maranhão, desta forma, as mesmas por tal evolução foram se expandindo para outros estados, os quais pode-se citar, o aparecimento do Bonde dos 40 no Estado do Piauí. A lei do “proibido roubar”, depende muito do modo o qual se encontra o domínio da organização criminosa em cada lugar. Os bairros que são considerados grandes, tais como: Maiobão, Cohatrac, Anjo da Guarda e Cidade Operária, são de difícil acesso, na questão de se pôr um devido domínio e controle do lugar em sua totalidade, porque estes possuem avenidas muito longas, as quais facilitam a entrada e saídas dos bandidos em diversas áreas, que podem até ser de organizações criminosas rivais e que acabam por circular com motocicletas de maneira muito rápida. Em bairros menores como Trizidela da Maioba, os impactos que o crime organizado vem causando, insegurança, pois, as autoridades não tenha atuação 28 efetiva e eficaz nem em questões relativas à infraestrutura e saneamento, o que favorece a ampliação do domínio da facção. É notório citar que Trizidela da Maioba tem sido uma região que está pouco cuidada, o que deixa margem para que os criminosos atuem nessas áreas, visto que é um ambiente propício para as práticas criminosas as quais estes grupos atuam. É válido dizer, que a lei de “proibido roubar” não veio de fora, uma vez que a atuação e chegada das facções no Brasil apenas contribuiu para fazer com que se acelerasse e se consolidasse as práticas que já haviam, no bairro Trizidela da Maioba e outros bairros periféricos em São José de Ribamar. A presença das chamadas gangues em sua rua é um fator que garante a “ordem” do lugar, “na minha rua não tem roubo... lá os meninos da gangue não deixam ninguém roubar nada lá não... os próprios meninos botam ordem...”. Essa afirmação mostra como a concepção de ordem se assenta em bases muito tênues (TEIXEIRA, 2007, p. 29). O funcionamento de tal “lei” não se aplicava quando os bandidos responsáveis pelas respectivas áreas eram presos, desta forma, não havendo quem os substituíssem, e assim acabando por ocorrer assaltos e roubos neste pequeno espaço de tempo. Mas, pela devida esquematização de tais organizações, isto acontece cada vez menos, pois, deixam aqueles que estão em liberdade cumprir as funções no que tange ficar responsável pelas comunidades. O bonde dos 40, deu ordens para matar tanto fora quanto dentro da prisão, e nessas ações já mataram 11 indivíduos, segundo a imprensa do Estado do Maranhão, ainda advertiram que a população fique em casa, para que não se envolva na retaliação entre as facções rivais, numa espécie de “quem mata mais”. Esse conflito teria acontecido por causa da morte de Yuri de Paula Silva, a qual também morreu o padrasto do mesmo, Josélio Rocha Sousa, cabo da PM, no bairro Trizidela da Maioba. Yuri também conhecido como o Chacal, era integrante do PCM. As mortes foram comemoradas pela facção Bonde dos 40. (CARTA PIAUÍ, 2017) Portanto, isto nos revela o quanto o crime tem sido presente no bairro Trizidela da Maioba, a atuação dessas facções tem sido presente não somente no que diz respeito ao tráfico de drogas, como também em retaliações entre facções rivais, que geram na população medo, sem ter como se proteger no meio de tanta violência. Cabe ao Estado tomar as devidas providências, fazendo com que atuação destes criminosos seja menos efetiva, pois, estes grupos possuem domínio das 29 regiões e fazem o que bem querem, assim impedem que as pessoas transitem no bairro com segurança. É importante citar, que a facção bonde dos 40, costuma impor no bairro Trizidela da Maioba, a lei chamada “proibido roubar”, com objetivode fazer com que a comunidade local não seja assaltada, bem como prevenir que haja circulação de policiais no lugar, o que pode fazer com que prejudique o negócio de tráfico de drogas, então é notório o fato de que a organização criminosa, tenta manter uma ordem na região, afim de controlar a situação para que não venha atrapalhar seus lucros. Em São José de Ribamar, um homem de 27 anos foi preso no bairro Vila Alcione por fazer parte de uma facção criminosa e com ele foram apreendidas diversas armas de fogo. De acordo com a Polícia, o indivíduo faz parte da facção criminosa PCM no bairro. (SSP.MA, 2020) A atuação de criminosos se dá em diversos bairros da região, como a Vila Alcione. Isto só mostra o quanto o crime organizado tem crescido e se distribuindo por diversos lugares, e este precisa ser combatido. Porém, isto precisa ser evitado, o crime organizado não deve imperar em nenhum lugar de São José de Ribamar, os moradores do bairro do Trizidela da Maioba assim como os demais, precisam ter segurança em seus bairros consecutivos, isso é um direito ao qual todos devem possuir. 30 6 A SEGURANÇA FRAGILIZADA POR MEIO DA CRIMINALIDADE São José de Ribamar, considerada como uma das principais cidades turísticas do Maranhão, conhecida por possuir um santuário do padroeiro do Estado que dá nome ao Município. Porém, apresenta sérios problemas ao que se refere à infraestrutura, por esse motivo nos últimos meses, houve uma quantidade significativa de protestos realizados em diversos bairros, os quais pediam também mais segurança, saúde e educação. (G1 MARANHÃO, 2017). Segundo Martins (2007), a falta de segurança, não se trata apenas de uma questão social como também jurídica, e está ligada a regulamentação de condutas, (que são referidas ao Direito pelo Estado). O que de fato faz com que se haja a expressão da conduta do ser humano de agir por livre escolha. Existe, o medo e a insegurança sobre os perigos o qual a mídia expõe, acerca do que as organizações criminosas representam, o que fazem acarretar um pânico para a população. Sendo que abordam sobre o crime organizado sem informar ao certo quem o produz. Com o intuito de expor sobre o que seria segurança pública, Arthur Trindade Maranhão Costa, juntamente com Renato Sérgio de Lima, abordaram sobre as dificuldades para se compreender os desdobramentos que ocorrem sobre o devido conceito em uso nas ciências sociais, desta forma eles explanam que: (...) diferentes posições políticas e institucionais interagem para que segurança pública não esteja circunscrita em torno de uma única definição conceitual e esteja imersa num campo em disputas. Trata-se menos de um conceito teórico e mais de um campo empírico e organizacional que estrutura instituições e relações sociais em torno da forma como o Estado administra ordem e conflitos sociais (Costa & Lima, 2014: 482). Dentre do ranking dos países que mais prendem criminosos no mundo, o Brasil está entre os líderes, sendo que apenas perde para os Estados Unidos e a China. É necessário que a polícia investigue para que haja mais esclarecimento quanto aos crimes, encarcerando assim os responsáveis por crimes graves, não somente para punições leves, e não deixando também de punir os responsáveis pelo crime organizado no país, que vem se expandindo de forma grandiosa. No bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar, foi apreendido uma grande quantidade de drogas e dinheiro, depois da Polícia receber denúncias 31 anônimas foi encontrada uma casa para venda de drogas e apreendeu materiais ilícitos, entre eles, dez porções de uma substância similar a maconha, um papelote de algo semelhante a crack, um celular, 3 colares dourados, um aparelho de rádio, caderno para contabilidade, duas carteiras de bolso e um relógio de pulso. Além disso também apreenderam R$ 1.424,00 (Mil quatrocentos e vinte quatro reais), porém ninguém foi preso durante a ação da polícia. (SSP-MA,2020) A partir do exemplo citado acima, isto reflete como a criminalidade tem atuado em diversos lugares, assim, no bairro Trizidela da Maioba não seria diferente, o tráfico de drogas é uma atividade recorrente no local, mesmo que a polícia apreenda tais materiais, isso não vai evitar a circulação da mercadoria, outro ponto interessante a ser ressaltado, é que somente o material foi recolhido, não houve nenhum indivíduo para ser preso. Os moradores do bairro Trizidela da Maioba precisam conviver com o crime organizado que opera na região em que vivem, dessa forma a segurança se encontra fragilizada, visto que não há monitoramento do Estado, no que tange dispor o apoio devido afim de ajudar a população. É relevante ressaltar, que estes tipos de crimes não podem saírem impunes, além de recolher a mercadoria, é ideal que se procure os responsáveis pelos tráficos de drogas, afim de manter o devido controle da região, assim poderá ajudar a diminuir a questão das vendas de drogas no bairro Trizidela da Maioba, bem como de outras regiões. O sistema penitenciário é o local onde se desenvolve as facções criminosas. Até mesmo nesses locais é necessária uma grande investigação, para que não haja mais criações dessas organizações operando de dentro das cadeias, com intuito de não permitir que se ocorra rebeliões e decapitações dentro das prisões. É necessário que se haja um controle no sistema penitenciário, pois, para controlar o crime organizado precisa-se que corte o mal pela raiz, desde a sua origem, que é exatamente dentro do sistema penitenciário. O Estado precisa tomar as medidas cabíveis a fim de controlar tanto de dentro das prisões, como também fora destas, para garantir a segurança necessária que a população precisa. Porque, o que se nota é que estas grandes organizações criminosas estão atuando em diversas regiões, sem que haja o controle delas, estas passam a imperar nas comunidades e a cada dia se tornam mais fortes e consequentemente mais difíceis de serem controladas. 32 Em vista disso, é fundamental citar que a criação do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp). Tal sistema, tinha como intuito ter informações e ficar atualizado sobre o sistema de segurança central, bem como, acerca das informações que ajudariam no combate referente a criminalidade, tráfico de drogas e o controle dos presídios. (BOMBIG; CORREA, 2018). Infelizmente, o Sinesp não teve os resultados que se esperava, no qual fora introduzido a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS) e o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). O Sistema Único de Segurança Pública tem como objetivo ser efetivo no combate ao crime tendo com fim a realização de serviços por meio da ação em conjunto e sistemática de vários órgãos, bem como, promover a troca de dados. O SUSP, faz com que se permita o avanço tecnológico nas investigações possibilitando a interação entre os estados com a União, podendo realizar práticas em conjunto. (HOFFMAN; FONTES, 2018) Desse modo, o SUSP, é fator importante no que se diz respeito ao avanço na legislação brasileira, para o combate ao crime, mas, deve-se ficar claro que os devidos órgãos que participam, necessitam de um investimento por meio do Governo Federal, para que possam estar acompanhando todos os avanços acerca do crime organizado. A segurança tem sido uma questão muito afetada para o bairro Trizidela da Maioba, a população que vive com medo e com incertezas, além da insegurança ao sair de casa sem saber se irá retornar com vida. As ruas estão cercadas pela criminalidade, podendo ocorrer desde pequenos roubos, quanto assuntos ainda mais sérios como: estupros, sequestros ou assassinatos. O Estado por falhar com seu dever em oferecer uma boa segurança, faz com que o povo fique à mercê de toda violência que é encontradanas ruas. A “lei” do “proibido roubar” vem sendo imposta nos bairros tanto de São Luís, quanto nos bairros de São José de Ribamar, é um modo em que os criminosos se utilizam de manter o domínio das regiões, para que outros não venham interferir nos seus negócios e atrapalharem as vendas de drogas nos bairros os quais eles administram as vendas da mercadoria. As polícias Militar e Civil fizeram uma operação para combater o crime organizado no Estado do Maranhão, nos bairros Parque Vitória e Parque Jair de São José de Ribamar. Foram feitos 20 mandados de prisão e mais de 200 policiais 33 participaram da operação contra integrantes de facção criminosa, que atua no Maranhão. Um suspeito chamado como ‘Torre do Parque Vitória’, há pouco tempo havia deixado a penitenciária de Pedrinhas, e já estava no comando do tráfico de drogas, crimes contra o patrimônio e homicídios e tentativas de homicídios. (G1 MARANHÃO,2020) É de extrema relevância citar, que somente o trabalho da Polícia em prender não é efetivo para combater o crime organizado no nosso Estado, pois, o criminoso quando sai da cadeia volta a atuar em práticas ilícitas, como citado acima. O que nos remete, que é necessário ter leis que punam com eficácia estes criminosos, para que os mesmos não venham a cometer delitos novamente, a polícia está cumprindo o seu papel em prender, mas só isto não será o suficiente para garantir a segurança da população, é necessário que o Estado puna mais, e tenha o interesse em ajudar os bairros que mais sofrem com a atuação das facções. O bairro Trizidela da Maioba, é uma destas regiões que carece de uma ajuda do Estado, o crime organizado tem se estendido de forma grandiosa por esta região, atuando em tráficos de drogas e demais ocorrências, a segurança só é garantida pelas leis dos próprios criminosos, os quais possuem domínio da região, como exemplo delas o “proibido roubar”, que se utilizam da mesma para dizer que é uma proteção para comunidade, mas na verdade é só um método para camuflarem seus negócios ilícitos. A realidade é que nenhum criminoso se preocupa com qualquer comunidade, o que importa é somente o lucro que é ofertado pelos seus negócios, então não existe uma segurança de fato quando é proveniente deles. Desta forma, cabe ao Estado realizar o seu papel, e garantir aos moradores a segurança merecida. A criminalidade vem sendo atuante em diversos bairros de São José de Ribamar, a falta de segurança é visível em todo lugar. A polícia faz o seu papel de prender estes indivíduos, porém, são muitos aqueles que contribuem para o aumento do crime no Estado, e somente prender alguns não fará uma mudança tão significativa, é necessário que haja um investimento na segurança, nas áreas que mais necessitam. O crime organizado em São José de Ribamar no bairro Trizidela, tem sido de grande preocupação, pois, não há um cuidado adequado para com os moradores que lá vivem, onde estes precisam dividir espaços com criminosos que atuam nas mais diversas práticas ilícitas, sem que haja contra eles quaisquer punições, já que 34 os mesmos possuem “poder” na dita região, isto faz com cresça o sentimento de insegurança e incerteza, por meio do Estado de não oferecer a segurança necessária e que deveria ser dada a todos os moradores pertencentes ao bairro. No munícipio de São José de Ribamar, foi apreendido cerca de 3,2 toneladas de maconha por policiais, isto gerou cerca de 5 milhões de reais de prejuízo ao crime organizado. O grupo era composto de quatro criminosos que agiam no bairro Miritiua, a polícia civil juntamente com a Superintendência Estadual de Repressão ao Narcotráfico (SENARC), resultou assim em uma prisão em flagrante. (SSP-MA, 2017) O tráfico de drogas é responsável por ser o combustível que move o crime organizado, pela quantia alarmante é compreensível saber o porquê. A atuação das organizações criminosas não está situada somente em um só local, estão por se espalhar por todos os bairros de São José de Ribamar, na Capital São Luís, assim como em outros munícipios e Estados. É por esse motivo que é importante que haja um controle por parte do Estado em combater essas práticas, pois, quanto mais se demora para agir, maior se apresenta o crescimento desses grupos por todas as regiões do Maranhão. Além do que, o mercado de entorpecentes tem bastante atuação no que tange o munícipio de São José de Ribamar, isto demostra, que há necessidade de que exista uma melhor fiscalização neste lugar. Em uma operação chamada poder paralelo, a polícia civil juntamente com a polícia militar, foram responsáveis por desarticularem dois grupos de criminosos rivais, que tinham atuação em bairros de São José de Ribamar e áreas próximas. Dessa forma foram presos 19 indivíduos, armas apreendidas, bem como munições e drogas. Os crimes atribuídos pelos membros citam-se: homicídio, tráfico de drogas e formação de quadrilha. (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS, 2020) Isto só reforça o quão fragilizada é a segurança no Munícipio de São José de Ribamar, e em seus bairros, pois, conta com altos índices de tráficos de drogas, e com diversos criminosos perigosos, que não só fazem o mercado de drogas circularem, como também cometem delitos de maior gravidade. O Estado não deve ficar alheio a isto, devendo cuidar desses locais com mais cuidado, já que é nesses locais menos favorecidos que se há maior atuação desses grupos criminosos, são os bairros mais humildes os quais eles se utilizam para a prática dos seus crimes, 35 exatamente porque sabem que não há fiscalização correta, e se aproveitam dessas brechas para benefício próprio. É necessário que haja meios melhores de se combater de forma efetiva, é necessário que as autoridades tenham cautela ao agir, fazendo com que a população venha a se sentir segura de novo, porque o crime não vem sendo um problema apenas no que condiz ao Estado do Maranhão, mas sim está presente em todo país, causando dificuldades para diversas pessoas, que não apenas tem objetos pessoais perdidos, bem como perdem a própria vida no processo. Um suspeito de envolvimento em assalto foi preso, e se encontra no Centro de Triagem de presos, em Pedrinhas, por nome Janes Abreu Nascimento, o Tchosca, de 24 anos, é um dos indivíduos que assaltaram o bar e restaurante Ceará, que fica situado no bairro Trizidela da Maioba. Os ladrões levaram joias, celulares e dinheiro dos clientes. As vítimas foram trancadas juntamente com o proprietário do estabelecimento em um banheiro. (O ESTADO, 2009) Consequentemente, o crime é um problema que está impregnado em várias regiões condizentes ao Maranhão, e tem sido uma tarefa árdua combatê-lo, pois, parece não haver fim. A segurança se encontra falha em diversos locais, não se pode andar nas ruas sem correr riscos, e ao que parece, nem se pode ir em estabelecimentos sem passar por estas situações, isso só ressalta o quanto o crime tem sido recorrente e se agravando cada vez mais, tornando a vida da população um tanto turbulenta. A polícia fora responsável por prender três suspeitos de assaltos na região da Vila Kiola e Maiobão, sendo que a prisão ocorreu na Estrada da Maioba, em Trizidela. Com os três indivíduos foi encontrado um revólver calibre 38, três celulares e outros objetos, eles estavam em um veículo branco, modelo Citroen. (MA10, 2021) Os crimes realizados na região do bairro Trizidela têm sido de diferentes formas, além do tráfico de drogas, tem a questão dos assaltos. Embora haja leis que são colocadas pelas próprias organizações criminosas, de que não roubem nas proximidades, ainda há aqueles que se atrevem a fazer tal ato, não sendo somente grupos de organizações rivais. Desta forma, percebe-se que a sociedade que vive no local, tem enfrentado diversos tipos de situações, como por exemplo, ter que conviver com facções agindo no local, bem como presenciar retaliações