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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UFMA 
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH 
CURSO DE LICENCIATURA EM GEOGRAFIA 
 
 
 
 
 
SOSTENES FERREIRA CASTRO 
 
 
 
 
PROIBIDO ROUBAR NA COMUNIDADE: territorialização do crime organizado e 
minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar – 
MA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Luís 
2021 
SOSTENES FERREIRA CASTRO 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROIBIDO ROUBAR NA COMUNIDADE: territorialização do crime organizado e 
minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar – 
MA 
 
Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em 
Geografia, pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA, 
para conclusão de curso. 
Orientador: Prof. Marcelino Silva Farias Filho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Luís 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficha gerada por meio do SIGAA/Biblioteca com dados fornecidos pelo(a) autor(a). 
Diretoria Integrada de Bibliotecas/UFMA 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ferreira Castro, Sostenes. Proibido Roubar na Comunidade: : 
Territorialização do crime organizado e Minimização do Estado 
no Bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar-MA / 
Sostenes Ferreira Castro. - 2021. 
 52 f. 
 Orientador(a): Marcelino Silva Farias Filho. 
 Monografia (Graduação) - Curso de Geografia, Universidade 
Federal do Maranhão, Virtual, 2021. 
 1. Bonde dos 40. 2. Crime Organizado. 3. Falta de 
segurança. 4. Passividade do Estado. 5. Trizidela da Maioba. I. 
Silva Farias Filho, Marcelino. II. Título. 
 
RESUMO 
 
O presente estudo cujo tema “Proibido roubar na comunidade: territorialização do 
crime organizado e minimização do Estado no Bairro Trizidela da Maioba em São 
José de Ribamar – MA”, tem como objetivo apresentar sobre como o Estado tem 
sido ausente no bairro em questão, de modo que não disponibiliza da segurança 
devida para os moradores que lá vivem, assim, estes precisam conviver mediante o 
crime existente, com a facção criminosa que atua na região, o Bonde dos 40. Como 
forma de contribuir de maneira significativa para o estudo, é abordado sobre a 
origem do crime organizado e o modo que o mesmo atua no Brasil, e sobre as 
facções que existem no país, bem como é retratado a atuação da facção Bonde dos 
40 no Bairro Trizidela em São José de Ribamar, em que as organizações criminosas 
se utilizam de leis, como a do “proibido roubar” para mostrar de seu poder nos 
lugares o qual está instalado. A importância deste estudo consiste em mostrar o 
quanto o crime organizado está presente no bairro Trizidela da Maioba em 
detrimento do Estado que não tem dado a acessibilidade a qual os moradores do 
bairro necessitam, possibilitando a presença da facção Bonde dos 40. Nesta 
perspectiva, o estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo e 
quantitativo usando os métodos indutivo e dedutivo. Para a coleta de dados foi feito 
através de um questionário de perguntas fechadas no bairro Trizidela da Maioba em 
São José de Ribamar, que tinha como intuito afirmar que a passividade do Estado 
contribui para que a atuação da facção Bonde dos 40 seja presente bem como a 
falta de segurança a qual os moradores da região estão sujeitos. 
 
Palavras-chave: Crime organizado. Bonde dos 40. Trizidela da Maioba. Passividade 
do Estado. Falta de segurança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The present study, whose theme “Prohibited stealing in the community: 
territorialization of organized crime and minimization of the State in the Trizidela da 
Maioba neighborhood in São José de Ribamar - MA”, aims to present how the State 
has been absent in the neighborhood in question, from way that it does not provide 
due security to the residents who live there, thus, they need to live through the 
existing crime, with the criminal faction that operates in the region, the Bonde dos 40. 
As a way to contribute significantly to the study, it is addressed the origin of 
organized crime and the way it operates in Brazil, and the factions that exist in the 
country, as well as the performance of the Bonde dos 40 faction in the Trizidela 
neighborhood in São José de Ribamar, in which organizations criminals use laws, 
such as the “forbidden to steal” to show their power in the places in which it is 
installed. The importance of this study is to show how organized crime is present in 
the Trizidela da Maioba neighborhood to the detriment of the State that has not given 
the accessibility that the neighborhood residents need, enabling the presence of the 
Bonde dos 40 faction. study is a bibliographic research, of qualitative and quantitative 
nature using the inductive and deductive methods. Data collection was carried out 
through a questionnaire of closed questions in the neighborhood of Trizidela da 
Maioba in São José de Ribamar, which was intended to state that the passivity of the 
State contributes to the performance of the Bonde dos 40 faction being present as 
well as the lack of security to which the residents of the region are subject. 
 
Keywords: Organized crime. Bonde dos 40. Trizidela da Maioba. State passivity. 
Lack of security. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................7 
2 METODOLOGIA ....................................................................................................9 
3 O CRIME ORGANIZADO NO BRASIL.................................................................12 
 3.1 Origem do crime organizado........................................................................14 
 3.2 As organizações criminosas existentes no brasil.........................................19 
4 PODERES PARALELOS, A PASSIVIDADE DO ESTADO EM FRENTE AS 
FACÇÕES CRIMINOSAS .......................................................................................22 
5 A ATUAÇÃO DO BONDE DOS 40 NO MUNÍCIPIO DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR 
NO BAIRRO TRIZIDELA DA MAIOBA 
................................................................................................................................ 25 
6 A SEGURANÇA FRAGILIZADA NO BAIRRO TRIZIDELA DA MAIOBA.......... 30 
7 RESULTADOS E DISCUSSÕES .........................................................................38 
8 CONCLUSÃO.......................................................................................................42 
 REFERÊNCIAS.......................................................................................................44 
 
 
 
 
 
7 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O crime organizado no Brasil se apresenta de forma abrangente em vários 
lugares e tem sido um problema de extrema relevância, visto que essas 
organizações criminosas, a cada dia, têm se expandido em diversos estados e isto 
faz com que se tornem mais poderosas, passando a exercer seu domínio nas 
comunidades pobres. 
Diante dessa conjuntura, é preciso ressaltar o quanto o crime tem contribuído 
para fragilizar a segurança, que já ele avança por falha ou omissão do Estado e, 
desta forma, a população fica sem ter como se proteger, mediante a violência que 
lhes é imposta. Assim, as organizações criminosas prometem uma “segurança” para 
a comunidade a fim de se manterem ilesos aos problemas referentes com a polícia, 
mas acabam cometendo mais crimes e tornando populares reféns. 
As organizações criminosas possuem uma hierarquia, e operam de forma 
organizada. Nas suas práticas cotidianas, causam terror à sociedade, visto que, 
como uma demonstração do poder, fazem uso da violência ao utilizar armamentos 
diversos para a imposição de ordens e “leis” para a comunidade. 
O Estado não tem cumprido o seu papel com a sociedade, no que condiz a 
oferecer as devidas sanções a estes grupos que infringem as leis e causam 
rebeliões em seus ataques. Tal realidade faz com que a população fique descrente 
sobre se esta situaçãode grupos 
rivais e até lidar com os “criminosos comuns”, que no fim de tudo todos constituem 
em um perigo real. 
36 
 
Isto deixa claro a deficiência da segurança nessa região, Trizidela da Maioba, 
precisa de mais atenção das autoridades, o Estado precisa agir em prol da 
população que lá vive, pois, o crime tem agido de diversas forma e tem prejudicado 
o bem estar dos moradores, impactos negativos que refletem tanto uma questão de 
espaço no qual vivem, bem como questões psicológicas acerca das incertezas 
perante a falta de segurança no local. 
No bairro Trizidela da Maioba, em São José de Ribamar, uma mulher com o 
nome de Bruna Kaline Pinheiro Souza, 20 anos, foi presa em casa pela polícia, pois 
com a mesma foi encontrado três trouxinhas de maconha no bolso, depois a própria 
suspeita revelou que havia mais 25 papelotes dentro de uma xícara. (O ESTADO, 
2017) 
É perceptível como o tráfico de drogas vem sendo importante em Trizidela da 
Maioba, sem que haja fiscalização por parte do Estado, que deixam os moradores 
deste local a própria sorte. Assim, com o domínio das facções nesta região, é 
inegável que a falta de segurança esteja presente, e desta forma faz com que a 
população precise conviver com a presença desses criminosos como se fosse algo 
natural. 
De fato, é preocupante a situação dos moradores que vivem em Trizidela da 
Maioba, pois, vivem em meio a tanto caos e com uma segurança fragilizada sem 
qualquer apoio do Estado, onde o crime impera e oprime a população. É notório 
perceber a forma alarmante que o poder do Estado decaiu em relação ao crime 
organizado, os criminosos estão possuindo mais poder do que aquele que deveria 
ter. 
 
A transnacionalização do crime organizado acompanhou a crescente onda 
da globalização da produção, dos mercados, da liberação dos fluxo de 
bens, dos serviços, dos fatores de produção e da firmação de áreas 
economicamente integradas como a União Européia e o Mercosul, 
entretanto a persistência de um quadro de pobreza generalizada, a perversa 
distribuição de renda, e o desemprego crescente, vinculados as 
transformações no plano da produção internacional afetam as economias de 
países tanto industrializados como em desenvolvimento, tudo isso aliado a 
exclusão social favorecendo a expansão e a diversificação do comércio de 
drogas. (PROCÓPIO,2003, p. 34-35) 
 
A luta contra o crime organizado não tem sido algo fácil, é um problema social 
e estrutural que tem se estendido ao longo dos anos, e faz-se necessário que haja 
medidas a fim de combater essas práticas. As dificuldades socioeconômicas fazem 
37 
 
com que ocorra a intensificação da pobreza, trazendo à tona, questões como o 
desemprego, o aumento da violência, onde as políticas sociais se encontram frágeis 
no sentido de oferecer condições melhores a vida da população. É importante 
ressaltar, que todos esses aspectos citados, contribuem para o crescimento do 
crime, pois, a falta de oportunidade para as pessoas mais humildes, no que tange a 
escolaridade, emprego e falta de acessibilidade do Estado, fazem com que tais 
pessoas se relacionem com o crime. 
Segundo o questionário que foi respondido pelos moradores do bairro 
Trizidela da Maioba, eles em sua maioria, alegam que o lugar carece da assistência 
do Estado, como citado anteriormente no trabalho, a exemplo disso temos a figura 1 
que expressa em gráfico esse dado, além do que na figura 4, a população ressalta 
que a permanência das facções no bairro é proveniente da ausência do Estado 
nessa região. 
O número de pessoas ligadas ao crime tem aumentado, e a violência tem sido 
constantemente frequente, acarretando uma série de problemas para a sociedade, o 
que deve ser feito para combater o crime existente não se trata apenas de medidas 
acerca da segurança pública, mas, também, oferecer investimentos na área social, 
com ênfase nas regiões mais pobres as quais são os lugares que as organizações 
criminosas operam. 
 
Ser cidadão, exercer a cidadania, estágio avançado do ser humano capaz e 
responsável, em princípio obediente aos parâmetros da ordem natural das 
coisas: todas as coisas devem obedecer aos princípios, às regras, às 
normas, de sua ordem natural. Capaz de evoluir continuamente ao longo do 
tempo e espaço, com naturais limitações e desvios que representam os 
desafios à inteligência e à produtividade dos seres humanos (DIAS, 2004, 
p.1) 
 
Assim sendo, como seres humanos temos o direito de ter a segurança 
necessária para andarmos pelas ruas sem ter o constante medo impregnado em 
nossas mentes. O combate à criminalidade não somente ajudará numa questão 
social e econômica, como também psíquica. Pois, a violência vem destruindo muitas 
vidas, tantas relacionadas pelo crime, quanto vítimas que são massacradas por eles. 
Por fim, a segurança é parte essencial da vida de qualquer pessoa que preze por ter 
sua própria liberdade e seus direitos garantidos. 
 
38 
 
7 RESULTADOS E DISCUSSÕES. 
 
O questionário foi realizado entre os dias 14 e 15 do mês de abril de 2021, 
sendo composto por nove perguntas que envolviam a questão da visão dos 
moradores do bairro acerca da assistência do Estado, da infraestrutura, do nível de 
periculosidade, da presença policial nas redondezas, além da presença de facções 
criminosas. Também se tomou como objetivo a observação acerca da percepção 
dos moradores sobre uma possível “segurança” oferecida pelas facções criminosas 
e a permanência destas devido a uma certa ausência do poder público. 
Para a realização deste trabalho, no sentido da busca por maiores 
informações e discussões futuras, optou-se pela realização de questionário para 
moradores do Bairro Trizidela, a fim de obtermos mais conhecimentos e possibilitar 
reflexões acerca do papel e presença do Estado do Maranhão, por meio da 
administração pública representado pelos agentes de autoridade policial em relação 
aos fatores como a segurança, infraestrutura e a presença de facções no referido 
local. 
Tendo em vista os objetivos do presente trabalho, que foram delimitados para 
a realização de reflexão e breve amostra das perspectivas acerca do Estado, como 
poder público, em relação à presença de facões criminosas em bairros periféricos, 
como é o caso do bairro Trizidela da Maioba, no Município de São José de Ribamar, 
foi pretendida a apresentação de como o Estado vem perdendo o seu espaço, e em 
contrapartida o crime organizado passou a adquirir cada vez mais poder, além das 
leis que são impostas pelas facções. 
Considerando o aumento do crime organizado em regiões, além dos altos 
índices de violência no Estado do Maranhão, também acerca da presença de 
facções criminosas na Grande Ilha de São Luís, é necessário que haja maiores 
ações em meio à permanência das facções nos bairros, sendo mais presentes em 
bairros mais distantes e periféricos, com grande concentração de habitantes, pouco 
espaço para todos, além da falta de infraestrutura organizacional do Estado. 
As ações a serem realizadas pela administração pública, no tocante à 
segurança pública, devem ser mais efetivas e constantes, considerando que a 
presença perene das forças policiais no bairro analisado com base nas respostas do 
questionário, pode ser considerada em meio à observação de que Estado tem 
perdido seu espaço, e, em contrapartida, as organizações criminosas têm se tornado 
39 
 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Figura 2 – Percepção dos entrevistados acerca da falta de infraestrutura do 
bairro Trizidela da Maioba 
mais poderosas. No decorrer do processo de aplicação de questionário 
compartilhado via internet, foram obtidas 15 contribuições de respostas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando perguntados sobre “Para você, o bairro Trizidela é assistido pelo 
Estado?”, o resultado obtido foi que cerca de 66,7% dos colaboradores da pesquisa 
responderam que “NÃO”, 26,7% responderam que “SIM”, e cerca de 6,7% optaram 
pela resposta“TALVEZ”. A princípio, sobre este primeiro questionamento, portanto, 
podemos compreender que a maioria dos entrevistados possuem a visão de que o 
Bairro Trizidela da Maioba carece de assistência por parte do poder público. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 – Percepção dos entrevistados acerca da assistência do Estado 
Fonte: elaborado pelo autor. 
40 
 
Perguntados acerca de “Para você, o bairro Trizidela sofre com a falta de 
infraestrutura?”, das 15 respostas, a grande maioria, mais precisamente, 93,3% dos 
entrevistados respondeu que “SIM”, e 6,7% que “NÃO”. Com isso, podemos verificar 
que a questão da infraestrutura do bairro deve ser mais observada por parte do 
Estado, levando em consideração a percepção por parte de determinado número de 
habitantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A partir desta pergunta, podemos encontrar determinada excentricidade em 
relação à resposta da maioria dos participantes, na medida em que formos analisar 
a resposta destes com base na falta de assistência do Estado e quando analisamos 
os resultados quando perguntado se eles acreditam que o bairro foi tomado pelas 
facções criminosas, sendo que 40% responderam que “SIM”, 33,3% responderam 
que “NÃO”, e 26,7% “responderam que “TALVEZ”. 
Na figura 3, podemos observar que cerca de 66,7% dos participantes creem 
que o bairro não é perigoso, mas, com base nas outras perguntas feitas e respostas 
recolhidas, há a questão de que a presença policial por meio de um posto de polícia 
na região do bairro e adjacências seria positivo (vide Apêndice C), visto que a visão 
dos entrevistados acerca da sensação de “proteção” por parte dos criminosos não é 
sentida, onde, cerca de 80% destes responderam que “NÃO”, 13,3% responderam 
que “SIM”, e 6,7% que “TALVEZ” à pergunta: “Você se sente protegido no seu bairro 
pelos criminosos?”. 
Figura 3 – Percepção acerca do Bairro Trizidela da Maioba como bairro perigoso 
Fonte: elaborado pelo autor. 
41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Acerca da permanência das facções criminosas no bairro Trizidela da Maioba 
como ausência do Estado, obteve-se resposta que 66,7% responderam que “SIM”, 
26,7%, responderam que “NÃO”, e 6,7% optaram pela resposta “TALVEZ”, o que 
nos põe em reflexão a necessidade de uma maior presença do Estado por meio da 
presença policial nas adjacências e no bairro, e, sobre a consideração de que a falta 
da realização de programas sociais pode ser um dos fatores para o aumento do 
tráfico e da violência no bairro, 80% dos participantes responderam que “SIM”, 
13,3% que “NÃO”, e 6,7% optaram pela resposta “TALVEZ”. Estas respostas 
encontram-se na parte Apêndice. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4 – Percepção acerca da permanência das facções criminosas nos bairros por 
conta da ausência do Estado. 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
42 
 
8 CONCLUSÃO 
 
A finalidade da pesquisa foi observar como o Estado tem perdido seu espaço 
e em contrapartida as organizações criminosas têm se tornado mais poderosas, de 
forma que o Estado não tem conseguido ir contra, ou mesmo se mostra indiferente a 
este problema, pois, não possui interesse suficiente a fim de adotar medidas para 
combater o crime organizado no país. 
Desse modo, apresentou-se sobre como o crime tem operado no país, e de 
que forma ele tem se estendido, também visou citar como se deu sua origem, onde 
primeiro deu-se pela máfia italiana, depois pelo Yakuza situado no Japão e depois 
abordando sobre as tríades chinesas. No Brasil a sua origem se deu pelos 
“cangaceiros”, mas a primeira criação de organização criminosa foi o Comando 
Vermelho. 
Assim sendo, foi relevante ressaltar a atuação das facções no Munícipio de 
São José de Ribamar, que é constituída principalmente pelo Bonde dos 40, que 
colocam leis, acerca de que não se pode roubar na comunidade, visando isso como 
forma de diminuir conflitos para não acarretar problemas no mercado de tráfico de 
drogas. 
Além do que, foi tratado sobre a relação do crime organizado x o Estado, com 
objetivo de observar, o porquê o Estado vem perdendo seu espaço e poder para as 
organizações criminosas, e foi compreendido acerca disso. Pois, foi possível notar, 
que o Estado contribui para o crescimento do crime no Brasil, porque fica inerte em 
meio a questão do crime e acaba por ceder o poder que o mesmo deveria ter. Assim 
acaba por contribuir para que as facções continuem a possuir domínios em suas 
respectivas regiões e exercendo seu poder para práticas ilícitas. 
Outro ponto a ser citado, trata-se da segurança que o Estado deixa a desejar, 
isto faz com que a população fique à mercê das facções, sem que haja algum meio 
de se proteger, tendo que conviver em meio a violência e a insegurança acerca de 
suas próprias vidas, porque estes lugares são perigosos devido terem rivalidades 
com outras facções, mesmo que as organizações ofereçam “segurança” as 
comunidades na qual possuem domínio, não estão livres de sofrerem retaliação por 
parte dos seus rivais, o que faz com que a população fique desprotegida, no meio 
deste combate entre facções, por isso, seria necessário que o Estado cumprisse o 
seu papel. 
43 
 
Mediante as informações captadas, comprovou-se que o Estado tem sido 
ineficaz no combate contra o crime organizado, as facções operam suas práticas 
ilegais e ficam impunes, pois, ao que parece o Estado finge uma indiferença e falta 
de vontade em cooperar para a luta contra o crime. Isto, acaba por fortalecer as 
organizações criminosas que passam a deter de um controle de regiões maiores, e 
assim se expandem sua influência para outros estados. 
A luta contra o crime organizado tem sido uma tarefa trabalhosa, um 
problema de questão social e estrutural, que se apresenta ao longo dos anos, deve-
se haver medidas que combata tais práticas. Não somente medidas pertinentes a 
segurança pública, porém, deve-se ter investimentos na área social, visando os 
lugares mais pobres, que são berço onde as organizações criminosas se 
estabelecem. 
Portanto, o combate contra a criminalidade é importante no que se refere a 
termos o direito de segurança e a liberdade de ir e vir, sem que o medo e a 
insegurança nos assolem, causando preocupações que poderiam ser resolvidas 
caso houvesse ação por parte daqueles que tem poder. A violência tem se 
estendido, mas, não é tarde demais para detê-la. Espera-se que este estudo possa 
contribuir para compressão do tema proposto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
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49 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICES 
50 
 
APÊNDICE A – “Proibido roubar na comunidade, sujeito a pena de morte, B. 40”, no 
bairro Forquilha e Complexo Maiobão. 
 
 
Fonte: SILVA ,2020. 
Proibido roubar na comunidade, sujeito a pena de morte, ass. B. 40. Forquilha (Estrada de 
Ribamar: MA 201), São Luís – Maranhão, 2017. 
 
 
 
 
Fonte: SILVA, 2020. 
Proibido Roubar, centesa (sic) de morte. Ass.: B.40 Manaíra, Complexo do Maiobão - Paço 
do Lumiar, Periferia metropolitana da Ilha, 2017. 
 
 
51 
 
APÊNDICE B – “Proibido roubar na quebrada, B. 40”, Vila Sarney Filho e Vila 
Nazaré. 
 
 
 
Proibido Roubar na quebrada, B. 40. Vila Sarney Filho – Complexo do Maiobão, 
Paço do Lumiar, Periferia Metropolitana da Ilha, 2017. Fonte: SILVA, 2020. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fotografia retirada, com escritos “Proibido Roubar na quebrada, pena de morte”. Vila 
Nazaré – Complexo do Maiobão, Paço do Lumiar, Periferia Metropolitana da Ilha, 
2017. Fonte: SILVA, 2020. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
APÊNDICE C – Perguntas e Respostas retiradas no questionário aplicado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53algum dia será resolvida, pois, o Estado tem sido ineficiente 
em punir os responsáveis. 
O presente estudo objetiva por apresentar como o Estado vem perdendo o 
seu espaço, e em contrapartida o crime organizado passou a adquirir cada vez mais 
poder, além das leis que são impostas pelas facções. 
O crime organizado no Brasil se apresenta de forma muito abrangente, visto 
que existem organizações criminosas presentes em diversos estados, como por 
exemplo, o Comando Vermelho que se originou no Rio de Janeiro, o PCC que teve 
surgimento em São Paulo, e o Bonde dos 40 que teve seu início em São Luís do 
Maranhão. É notório, a forma pela qual estas organizações tem se espalhado ao 
redor do país, estabelecendo seu império em diversos estados, não somente 
naqueles em que teve origem. 
 
8 
 
Este estudo monográfico estrutura-se em 7 (sete) seções, na qual, a primeira, 
trata-se da introdução, apresentando informações acerca do estudo em questão. A 
segunda seção constitui-se pela metodologia aplicada no trabalho e decorrer da 
pesquisa. A terceira seção abordará sobre o crime organizado no Brasil, a origem do 
crime organizado, bem como as organizações criminosas que existem no Brasil. Na 
quarta seção, será apresentado a relação entre os poderes paralelos entre o crime 
organizado e o Estado. Mudar conforme os capítulos 
A quinta seção serão apresentadas reflexões sobre a atuação da facção 
Bonde dos 40 no que se refere ao Munícipio de Ribamar no bairro Trizidela da 
Maioba. Na sexta seção, será relatado a forma de como a segurança tem sido 
prejudicada mediante a falta de ação do Estado no bairro Trizidela da Maioba. Na 
sexta seção, será feita uma contextualização da caracterização da pesquisa. Na 
sétima seção, constarão os resultados encontrados pela realização de questionário 
com a participação de 15 moradores do bairro. Por fim, na seção a conclusão do 
trabalho. 
Portanto, o estudo pretende realizar análise acerca de como está o 
crescimento do crime organizado no país, os males que causa, bem como a forma 
em que o Estado perde seu espaço e deixa a população desprotegida. Espera-se 
que este tudo possa contribuir de forma positiva para o conhecimento sobre o tema 
em questão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
2 METODOLOGIA 
O estudo foi realizado com a pesquisa bibliográfica de cunho qualitativa, que, 
segundo Minayo (1994), este tipo de pesquisa: 
[...] Se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não 
pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, 
motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um 
espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que 
não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 1994, 
p.21-22). 
 
Com isso, pretende-se também realizar abordagem acerca das facções no 
Brasil, com ênfase no crime organizado no Bairro Trizidela da Maioba, em São José 
de Ribamar, no Estado do Maranhão, com intuito de observar e analisar as facções 
que atuam no bairro citado, e assim abordar sobre os impactos negativos que 
proporcionam à sociedade. 
A pesquisa científica de cunho qualitativo e quantitativo, foi possível por meio 
de um levantamento bibliográfico com o embasamento dos autores que trazem 
sustentação aos tópicos e subtópicos que foram já citados bem como a utilização de 
um questionário com perguntas fechadas. Com intuito de oferecer informações 
relevantes acerca das questões que compõem o tema. Tem como finalidade, fazer 
com que o Estado tome medidas referentes ao combate ao crime, visando o bem 
estar da sociedade. 
Os principais teóricos que contribuíram para realização deste trabalho foram: 
Amorim (2005), Marques (2009) e Procópio (2003) que abordam sobre a questão do 
crime organizado, o Estado em sua perda de poder e sobre a segurança que se 
encontra fragilizada mediante o crime. 
 
A Metodologia Científica, mais do que uma disciplina, significa introduzir o 
discente no mundo dos procedimentos sistemáticos e racionais, base da 
formação tanto do estudioso quanto do profissional, pois ambos atuam, 
além da prática, no mundo das ideias. Podemos afirmar até: a prática nasce 
da concepção sobre o que deve ser realizado e qualquer tomada de decisão 
fundamenta-se naquilo que se afigura como mais lógico, racional, eficiente e 
eficaz (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 17). 
 
A metodologia científica, nos dá o embasamento necessário, para 
fundamentação, e para os conhecimentos que são de extrema relevância para 
análise da pesquisa. Com o uso dos métodos indutivo e dedutivo, em que um parte 
10 
 
do individual para chegar a questões gerais, e o outro parte da dedução de 
premissas visando uma terceira que seria uma conclusão, de algo considerado 
particular para geral, visando organizar os conhecimentos já tidos. 
Com enfoque em como o crime organizado atua no Munícipio de São José de 
Ribamar, no estado do Maranhão. Abordando assim, sobre as leis que os mesmos 
impõem, como a proibição do “proibido roubar”, que tem o intuito de avisar a outros, 
que não ousem roubar na comunidade deles, podendo ser punidos com a morte, se 
caso desacatarem a tal lei. 
A realização deste estudo é de extrema relevância, pois, consiste em 
esclarecer o porquê o Estado vem perdendo o seu espaço, mediante o crime 
organizado. Visando entender essa troca de poderes, e a forma que as 
organizações vêm se expandido no país e nos demais estados. 
Esta pesquisa consiste na validação de que o Estado tem se tornado cada 
vez menos ineficiente no combate ao crime organizado, e vem cedendo espaço para 
que os mesmos se expandam não somente em suas regiões, mas, como em outros 
estados, assim, contribuindo no aumento da criminalidade no país. 
A pesquisa bibliográfica visa captar informações sobre o que está sendo 
estudado, indo em busca de soluções aos problemas que são vivenciadas pela 
sociedade e serve para trazer a compreensão acerca do tema estudado para assim 
obter uma melhor percepção sobre a forma de solucionar o problema. 
A pesquisa em questão foi realizada através de levantamento bibliográfico, na 
qual se buscou informações acerca dos tópicos e sub tópicos propostos, tais como: 
O crime organizado no brasil, origem do crime organizado, as organizações 
criminosas existentes no brasil, poderes paralelos a passividade do Estado em 
frente ao combate das facções criminosas, a atuação do Bonde dos 40 no Munícipio 
de São José de Ribamar no Bairro Trizidela da Maioba, a segurança fragilizada no 
bairro Trizidela da Maioba. 
Tendo em vista abordar sobre o tema: “Proibido roubar na comunidade: Como 
o estado vem perdendo espaço para o crime organizado no Bairro Trizidela da 
Maioba em São José de Ribamar-MA”. Desta forma, ressaltando o modo em que as 
organizações tem ganhado poder que antes fora do Estado, e as mesmas utilizam 
leis para que protejam o espaço que por elas é utilizado, a tal lei do “proibido 
roubar”, que tem como intuito evitar que criminosos venham assaltar a comunidade, 
11 
 
assim impedir conflitos que venham a prejudicar o tráfico de drogas que é presente 
nas suas práticas ilegais. 
Esta pesquisa consiste na validação, de que o Estado tem se tornado cada 
vez menos eficiente no combate ao crime organizado no Bairro Trizidela da Maioba 
em São José de Ribamar-MA, e vem cedendo espaço para que os mesmos se 
expandam não somente em suas regiões, mas como em outros estados, e desta 
forma contribuem no aumento da criminalidade no país. 
A pesquisa bibliográfica visa captar informações sobre o que está sendo 
estudado, indo em busca de soluções aos problemas que são vivenciadas pela 
sociedade e serve para trazer a compreensão acerca do tema estudado, para assim 
obter uma melhor percepção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
3 O CRIME ORGANIZADO NO BRASIL 
 
Diante da falta de segurança, direitoconstitucional da população e dever do 
Estado, o crescimento do crime organizado no Brasil aumenta a cada dia Isso 
demonstra que a gestão no País apresenta uma má administração, pois, o dever do 
Estado é oferecer segurança a toda sociedade, algo que na prática não está sendo 
feito. Em contrapartida, o crime acaba por tomar espaço e se aproveitar dessa 
deficiência do Estado em gerir o País. 
A promulgação da Lei nº 12.694/2012, no artigo 2º, define organização 
criminosa, quando há a união de 3 (três) ou mais pessoas, numa estrutura 
organizada, pela qual os indivíduos estejam incumbidos pela divisão de tarefas, em 
que estes tenham o intuito de obter certa vantagem de forma direta ou indireta. Tais 
práticas criminais tem a pena máxima podendo ser igual ou superior a 4 (quatro) 
anos, em caráter transnacional. (BRASIL, 2012) 
Dessa forma, nota-se que há uma certa dificuldade de definir com precisão o 
que seria um crime organizado, mas, é relevante citar que as organizações 
criminosas não devem ser analisadas isoladamente. Não se pode definir apenas 
como um problema contemporâneo, mas sim, como resultado de um processo 
evolutivo do crime na sociedade. 
Conforme Mingardi (1998, p. 178) “[...] o crime organizado caracteriza-se pela 
previsão de lucros, hierarquia, planejamento empresarial, divisão de trabalho, 
simbiose com o Estado, pautas de conduta estabelecida em códigos, procedimentos 
rígidos e divisão territorial”. 
Logo, é possível dizer que o crime organizado, visa obter lucros e vantagens 
por meio de atos ilícitos para com a sociedade, bem como, indo contra as leis que 
regem o País. Essas organizações criminosas visam o controle de um Estado e 
locais, em contraponto à segurança, que acaba por se tornar frágil, mediante as 
falhas de proteção adotadas pela gestão estatal. 
A natureza dos objetivos das organizações criminosas são distintos e 
diversificados, tais como: tráficos de drogas, falsificação de diversos tipos de 
produtos (alimentícios, higiene pessoal, medicamentos, entre outros); tráficos de 
pessoas e de órgãos humanos; contrabando de armas e munições, pedras 
preciosas, cargas diversas; sequestro; venda de proteção pessoal e extorsão; 
comercialização de dólares e outras moedas em casas de câmbio; roubos a bancos 
13 
 
e empresa de segurança privada; prostituição; jogos de azar entre outros. 
(ADORNO; DIAS, 2019) 
Mediante isso, percebe-se que as organizações criminosas atuam em 
diversos campos, não somente no que tange a roubos em locais como bancos, mas 
também se utilizam de outros meios a fim de levantar mais lucros para a seu grupo 
de criminosos, não sendo apenas uma questão de falta de segurança pública, mas, 
implica em todo um processo que está interligado a diversos fatores que estão 
relacionados entre si. 
O crime no Brasil tem sido uma questão alarmante, que acaba por atrapalhar 
a sociedade como um todo, pelas restrições impostas que impedem até a livre 
circulação pelas ruas tranquilamente sem correr riscos o que aparentemente não 
deveria acontecer, já que consta que o Estado deveria oferecer tal serviço. 
Como exemplo do que foi citado anteriormente sobre roubo a bancos, em 30 
de novembro de 2020 em Criciúma, houve um assalto a banco, em que assaltantes 
queimaram um caminhão, fizeram reféns e balearam um policial. Isto reforça, o quão 
impactante vem sendo a atuação destas organizações criminosas no país, a qual 
elas possuem certo tipo de poder, que oprime a população e põe a mesma em risco. 
(G1 SANTA CATARINA, 2021) 
Conforme Paoli (2017), o tráfico de drogas é uma das principais atividades do 
crime organizado, isto é, o que agências internacionais e estudos acadêmicos 
afirmam. Se trata de uma atividade que usa uma conexão de diversas práticas 
consideradas ilegais 
Assim sendo, o tráfico de drogas consiste em um dos principais recursos que 
sustentam esse grupo criminoso, no qual contribui para o crescimento dos crimes no 
País, pois, geram uma grande soma de dinheiro para estes indivíduos, e exercem 
uma relevância significativa no que tange os lucros desta organização criminosa. 
De acordo com Baltazar Junior (2010), o crime organizado pode ser 
compreendido como uma modalidade criminosa profissional, que possui visibilidade 
para os cidadãos. O crime em massas é considerado do cotidiano, não é noticiado 
ou investigado, e como exemplo disso temos: furtos nas ruas ou em residências, 
pequenos tráficos de drogas. Dito isto, tais crimes têm o potencial de atingir 
amplamente os indivíduos e a omissão do Estado colabora para que isso aconteça, 
pela falta de punição, o que acaba por causar insegurança e dúvidas referentes ao 
funcionamento das instituições estatais. 
14 
 
É válido ressaltar que não há proteção necessária quando se trata de crimes 
que são considerados corriqueiros, como roubos nas ruas, onde o Estado deveria 
cumprir seu papel de garantir a segurança para todos, algo que na prática não 
acontece. Então, é correto afirmar, que a minimização dos crimes considerados 
‘pequenos’ por parte das autoridades tende a fazer com que se aumente a 
criminalidade existente no país. 
Segundo Amorim (2011), as atividades ilegais estão globalizadas e que o 
País é um mercado privilegiado que tende a fazer com que haja esse crescimento 
para os grupos criminosos. 
De fato, é uma verdade, pois, não temos o preparo adequado para combater 
o crescimento da criminalidade no País. O Estado deveria fornecer a segurança 
necessária para toda a sociedade, fazendo com que a polícia possua um 
treinamento, armamento e equipamentos necessários no combate ao crime, bem 
como leis mais atualizadas, que punam aqueles que a descumpram. 
O crime organizado comandado por facções no Brasil fora instalado quando o 
Comando Vermelho foi fundado nos porões do presídio da Ilha Grande, do estado 
do Rio de Janeiro. Entre os anos de 1974 e 1979, a facção foi criada, caracterizada 
pelo convívio entre presos comuns e os militantes de grupos armados, que antes 
combatiam no período do regime militar. (AMORIM, 2011) 
O Comando Vermelho marcou o surgimento do crime organizado controlado 
por facção e veio à tona por meio de pedidos de um grupo o qual se sentia oprimido 
pelo sistema carcerário que trazia o lema “Paz, Justiça e Liberdade”, porém, o 
capitalismo do tráfico de drogas instaurou o novo lema e passou a ser “tudo por 
dinheiro”. Dessa maneira, é perceptível que o crime organizado surgiu como um 
processo de uma má administração no País, e de uma péssima segurança por parte 
do Estado, o que fora responsável por fazer com que a criminalidade aumentasse. 
 
3.1 Origem do crime organizado 
 
O crime organizado consiste em um modelo de se cometer delitos, que se 
aperfeiçoou e se desenvolveu no decorrer do tempo, seguido do desenvolvimento 
socioeconômico da sociedade. Atualmente, pode-se dizer que esta vertente social 
está estruturada de forma grandiosa, nessa questão de atuar nessas atividades 
criminosas. 
15 
 
Devido à formação desses grupos de crimes, houve então uma aliança entre 
alguns países, dessa forma essa atividade entrou ainda mais em crescimento, e por 
meio disto, foram surgindo novos grupos. Logo, o surgimento desses grupos foi 
responsável para que se constituísse a essência da qual se define como crime 
organizado, seguindo de uma de suas características importantes, que já era 
presente na época, a chamada finalidade de lucro. E dessa maneira, foi-se 
expandindo o crime organizado pelo mundo, por meio dessas quadrilhas 
contrabandistas. Então, no setor internacional, pode-se citar a Máfia Italiana, a 
Yakuza e as Tríades Chinesas. (MESSA; CARNEIRO, 2012) 
 
 
O crime só pode ser reputado organizado, obviamente, quando decorre de 
uma atividade ilícita da mesma natureza. Dito de outro modo: denomina-se 
crime organizado (numa primeira aproximação) o praticado por organização 
criminosa (GOMES; CERVINI, 1997, p. 92).A máfia italiana, teve sua origem no sul da Itália, no período da Idade Média, 
e seu surgimento dá-se por meio da exploração de camponeses pelos senhores 
feudais, então houve-se uma organização de grupos destes camponeses, que de 
início tinham como objetivo obter a proteção do Estado. A forma que encontraram de 
agir, fora destruindo plantações e matando o gado. 
Foi na Itália que houve a formação de diversas máfias, entre as que mais teve 
destaque a “Cosa Nostra”, que possui uma origem siciliana, também a “Camorra”, de 
origem napolitana e a “’Ndrangheta”, situada na Cálabria. Devido à pobreza que se 
formou no sul da Itália, no fim do século XIX e início do século XX, os mafiosos 
viajaram pela Itália, na busca de melhorarem suas vidas. Aqueles que eram pobres 
e possuíam uma rejeição, organizavam-se em grupo afim de aprender sobre 
autodefesa e criminalizavam-se. Na visão da população, a máfia era simplesmente 
um grupo de camponeses que se utilizavam da violência. (LARA, 2019). 
Yakuza, uma organização criminosa que teve sua origem no Japão, na era 
feudal por volta do século XVII, era constituída pela junção de dois grupos, os 
Bakutos (jogadores profissionais) e os Tekya (vendedores de rua). Possuíam uma 
hierarquia muito rígida. A Yakusa é constituída de forma exclusiva, por indivíduos 
pertencentes ao Japão e seus componentes são do gênero masculino. (MESSA; 
CARNEIRO, 2012) 
16 
 
A máfia japonesa precisa seguir um fiel e rigoroso código de conduta, 
devendo oferecer fidelidade a todos os membros da organização e, se houver 
descumprimento de regras, podem obter punições severas, o que pode acarretar a 
expulsão do membro da organização. Desta forma, a Yakuza também é 
representada por possuírem tatuagens no corpo, que trazem à tona os valores do 
grupo, uma tradição que é mantida até os dias atuais. (IBIDEM, 2012) 
É fundamental para a Yakuza, que exista um código de leis, embasados na 
lealdade, fidelidade, fraternidade e dever para com o grupo. Os homens que 
constituem a organização e devem seguir alguns protocolos, dos quais pode-se 
citar: não esconder o dinheiro do grupo; não procurar pela polícia e não 
desobedecer a ordem de um superior. (IBIDEM, 2012) 
Com o intuito de combater as ações provenientes da Yakuza, o governo 
japonês, em 1991, foi responsável por criar a chamada “anti-boryokudan” 
(boryokudan significa grupos violentos), lei que trata do combate ao crime 
organizado no Japão e que foi incorporada na legislação penal do dito país. A lei tem 
como objetivo de reprimir as ações praticadas por estas organizações criminosas, 
como forma de proteger a sociedade e garantir a segurança para o país. (VALENTE, 
2019) 
As Tríades Chinesas, tiveram seu surgimento no ano de 1644, por meio de 
um movimento popular na dinastia Ching. Esse grupo era organizado e segue uma 
hierarquia, onde os graus estão associados aos números. O líder do grupo, é 
chamado pelos membros de “cabeça de dragão”, o número que o representa é o 
489, o adjunto pelo nº438 e o membro comum é representado pelo nº49. Possui um 
nível hierárquico muito rígido, como característica principal, e a forma violenta que 
usam para dar punição aos membros que os desacatam. (MESSA; CARNEIRO, 
2012) 
 
A atuação das Tríades Chinesas ocorreram na China, porém, devido a 
magnitude de seus negócios e o número elevado de membros que se aproxima de 
30.000, sua organização está se expandindo pelo mundo. As atividades que são 
exercidas, podem-se citar: o tráfico de entorpecentes, como por exemplo, a heroína, 
jogos de azar e contrabando de cigarros e munições. 
 
17 
 
Acompanhando a tendência oriental, assim como a Yakuza, possuem uma 
estrutura hierárquica extremamente rígida e costumam ostentar a imensa 
riqueza proveniente de seus negócios. São considerados violentos em suas 
ações e cruéis em suas punições com um grande número de mortes 
(MESSA e CARNEIRO, 2012, p. 53). 
 
No que se refere a origem das organizações criminosas no Brasil, a história 
do crime pontua-se que a origem foi dada pelo movimento chamado cangaço, que 
começou por volta do século XIX e início do século XX, como líder do movimento se 
tinha o famoso Virgulino Ferreira da Silva, chamado como “Lampião”.(FERNANDES, 
2012) 
 
 
Sobre o aludido fenômeno, é importante frisar que Virgulino Ferreira da 
Silva, o Lampião (1897-1938) manteve sob sua liderança uma organização 
criminosa hierarquizada que adotou várias práticas delituosas, entre elas: 
saques a fazendas, comerciantes e pequenos logradouros, extorsões a 
autoridades e cidadãos comuns, sequestros e homicídios (FERNANDES, 
2012, p. 460). 
 
No entanto, o modelo delituoso relatado mostrou certa visibilidade para a 
população no País, fazendo assim com que ocorresse formações de facções, dentro 
dos próprios presídios e, dessa forma, se deu surgimento do Comando Vermelho 
(CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), que são as organizações de maior 
expressão no País, que atuam dentro dos presídios de São Paulo e do Rio de 
Janeiro e que se distribuíram em outros presídios, fazendo com que outras facções 
surgissem e se aproveitassem da ausência do Estado para se promover e ganhar o 
apoio de algumas comunidades. 
Sobre o crime organizado no Brasil, Amorim (2005) aborda que: 
 
Agora não é mais uma ameaça. A sombra ganha contornos próprios. 
Porque o crime organizado no Brasil é uma realidade terrível. Atinge todas 
as estruturas da sociedade, da comunidade mais simples, onde se instala o 
traficante, aos poderes da República. Passa pela polícia, a justiça e a 
política. A atividade ilegal está globalizada e o país é um mercado 
privilegiado no tabuleiro do crime organizado (AMORIM, 2005, p. 15). 
 
As organizações criminosas foram responsáveis por tomar espaço e se 
ampliarem ao longo dos anos, de forma mais estruturada, com planejamentos 
minuciosos, ampliando-se no Brasil. Com a falta de segurança e proteção, pelo qual 
18 
 
o País não tem dado para o povo mais fraco, isso contribuiu para deixar a segurança 
ainda mais instável. 
Assim, o crime organizado foi se instalando, aproveitando-se das brechas 
fornecidas pelo Estado. Desse modo, o Estado começou a ficar impotente em 
combater as facções, sendo ineficaz de contribuir com a segurança pública, e 
formas eficientes de lidar contra essas organizações criminosas. 
 
O que se pode afirmar com certeza é que a criminalidade organizada 
ganhou notoriedade mundial principalmente após o advento da globalização 
da economia e dos meios de comunicação e informação, ameaçando de 
forma incisiva o Estado Constitucional Democrático. (CLEMENTINO, 2018, 
p.6). 
 
O crime organizado utiliza-se da “lei do silêncio” para fazer uso de seu poder 
de intimidação, com seus membros e com demais pessoas que tentem a se oporem 
a essas organizações que são marcadas por uma hierarquia rígida e por se utilizar 
da violência como forma de oprimir aqueles que são contrários a elas. Sobre a 
hierarquia das organizações criminosas, pode-se dizer que existe uma divisão de 
atividades para os grupos: “Ainda a estrutura piramidal das organizações criminosas 
e sua relação com a comunidade são apontadas como características do fenômeno.” 
(SILVA, 2013, p.14). 
Essas organizações criminosas possuem um modo de operação, similar à de 
empresas comuns, pois atuam como verdadeiras empresas. Entretanto, a diferença 
é que possuem objetivos criminosos, mas atuam em modelos empresariais, visando 
lucros e atuando em conjunto em prol “do coletivo”, mantendo um planejamento 
adequado e estratégico, com o objetivo de lucrar em detrimento de uma parcela da 
população, e prometem benefícios a estes, tais como: não roubando a população 
onde está localizada e dando uma “proteção” a comunidade contra outras facções 
rivais, em detrimento da liberdade destes indivíduos. 
Na América do Sul, década de 1980, existiu uma relevante influência no que 
diz respeito às organizaçõescriminosas, visto que as mesmas concentraram suas 
ações na Colômbia. Como líder de tudo isto estava Pablo Emílio Escobar Gaviria, 
líder do Cartel de Medellín, que obteve destaque pelo tráfico de cocaína em diversos 
países, principalmente nos Estados Unidos. (CAMPOS, 2018) 
19 
 
Escobar tinha bastante poder nas comunidades de Medellín, era conhecido 
como “El Patrón”, e era muito prestigiado, porque fazia o bem pela população pobre 
local, assim construía uma figura paterna de si mesmo, e desviando-se da imagem 
de um grande narcotraficante. Campos (2018, p. 1) relata a seguir: 
 
Escobar fazia obras em áreas periféricas de Medellín e dava dinheiro aos 
pobres como forma de coagir a população a não denunciá-lo. Muitos, 
inclusive, reforçavam a ideia de que ele tirava dinheiro dos ricos para 
distribuir aos pobres, sendo que esta renda provinha do crime organizado. 
 
Esse modus operandi, fazia com que parte da população o visse como o 
salvador e não como uma figura ruim, o distanciando da imagem negativa que isto 
poderia lhe agregar. Além disso, Escobar também possuía homens armados que 
eram chamados de “Sicários” e que faziam sua segurança particular. (IBIDEM, 2018) 
Através de suas ações criminosas dentro do Cartel de Medellín, Escobar 
acumulou uma grande fortuna construindo o seu império. Ele possuía também, 
controle sobre meios de comunicação e era responsável por comandar um relevante 
esquema de subornos para policiais, responsável por ser influência na política 
colombiana, em que concorreu para o cargo de deputado, em que foi eleito 
deputado suplente, no ano de 1982 (CAMPOS, 2018). 
 
3.2 As organizações criminosas existentes no brasil. 
 
O Comando Vermelho ou Falange Vermelha, obteve esse nome em 
referência a galeria do presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, a qual estavam 
aqueles que foram os responsáveis por fundar a dita organização criminosa. Tal 
nome também é conhecido na região de São Luís e São José de Ribamar, no 
Maranhão, lugar em que esta facção também possui atuação. Conforme Amorim 
(2011), o surgimento do Comando Vermelho fora no fim da década de 1970, 
aproximadamente em 1979, por meio da união de presos sob custódia no Instituto 
Penal Cândido Mendes, conhecido entre os encarcerados como “Caldeirão do 
Diabo”. “O encontro dos integrantes das organizações revolucionárias com o 
criminoso comum rendeu um fruto perigoso: o Comando Vermelho” (AMORIM, 2011, 
p. 58) 
 
20 
 
Nesta década, um grupo de criminosos assaltantes de banco, presos no 
presídio de segurança máxima de Ilha Grande, durante os anos de ditadura, 
onde os guerrilheiros eram misturados aos presos comuns, dos quais 
estavam Wiliam da Silva Lima, mais conhecido como ‘professor’, Francisco 
Viriato, conhecido como ‘japonês’ e Rogério Lengruber também conhecido 
‘bagulhão’, instaurou-se a organização Falange Vermelha (OLIVEIRA, 2007, 
p. 150). 
 
Junto aos presos, havia políticos que seguiam a esquerda, bem como 
existiam membros de grupos de guerrilhas de regiões urbanas que não 
concordavam com o Regime Militar. A junção destes presos políticos com os 
guerrilheiros, dado certo convívio, fez com outros presos comuns absorvessem uma 
série de informações, tomando para si ideais e métodos utilizados pelos políticos e 
as técnicas utilizadas pelos guerrilheiros, desta forma se originou o Comando 
Vermelho. (MADRID, 2004) 
Assim sendo, o presídio de Ilha Grande, em 1970, havia pessoas as quais 
produziam normas extraoficiais, organizações sociais de presos, tem por nome 
“falange”. As falanges eram referências sobre a localização da cela em que o preso 
ficava situado, havendo outras falanges além da LSN, dentre as quais é possível 
citar: Falange Zona Norte ou Jacaré; Falange Zona Sul; Falange da Coreia e; 
Falange dos Independentes ou Neutros. Neste período, a Falange Jacaré era a mais 
poderosa, usando de seu poder para coagir a fim de cobrar “pedágios” para os 
outros presos. 
 
A sentença de morte é irrecorrível. Alguém vai mesmo morrer. Todos os 
homens que aceitam a orientação do Comando Vermelho, dentro e fora da 
Galeria LSN, procuram a pista que leve ao delator. [...] por uma dessas 
infelicidades da vida, as melhores informações apontam na direção da 
pessoa errada. É um preso que há tempos carrega a suspeita de colaborar 
com a administração do presídio. Só para piorar: é interno do território da 
Falange Jacaré, na Galeria C. Foi assassinado a facadas no dia 13 de 
setembro de 1979. Mas não tinha nada a ver com o peixe. (AMORIM, 2004, 
p.126) 
 
O Primeiro Comando da Capital (PCC), também conhecido como Partido, 
Comando, Crime e Família, surgiu na década de 1990, fruto de uma rebelião na 
Casa de Custódia de Taubaté, na mesma época em que o CV era considerado a 
maior facção do Brasil. A princípio a organização criminosa era composta pelos 
fundadores, jogadores do mesmo time de futebol: José Marcio Felício (Geleião), 
Cezar Augusto Roriz (Cezinha), Idemir Carlos Ambrósio (Sombra), entre outros, os 
21 
 
quais tiveram por vontade criar um “partido” com intuito de fazer com que os presos 
lutassem pelos seus ideais (PORTO, 2008). 
O PCC, teve sua origem firmada em 31 de agosto de 1993, onde houvera um 
jogo de futebol entre o Comando Caipira e o Primeiro Comando da Capital, no 
Anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, dita como uma das 
instituições carcerárias mais rígidas do Brasil. Houve uma briga entre os grupos que 
acabou por resultar na morte de duas pessoas do Comando Caipira. 
Ao longo de várias reuniões da facção, os ditos fundadores do grupo estavam 
revoltados com as condições as quais lhe eram impostas na prisão “Piranhão”, 
havendo um debate acerca de quais seriam as metas dos mesmos. Aliás, estes 
indivíduos lutavam pela desativação do estabelecimento, fora que estes estavam 
abismados devido ao massacre do Carandiru, onde houve a morte de 111 presos na 
Casa de Detenção de São Paulo, em 2 de outubro de 1992 (TEIXEIRA, 2009). 
Antes das decisões pertinentes ao que se referia as organizações criminosas, 
tinham como responsável Marcos Camacho, 46, “Marcola”, depois passaram estas 
para, Rogério Jeremias de Simone, 40, “Gegê do Mangue”, pois, houvera obstáculos 
acerca da transferência de Marcola para outro presídio, no qual consistia em uma 
segurança maior, e isto acabou por dificultar a comunicação entre eles e a libertação 
do Gegê do Mangue, 2° dentro do comando. (COSTA; ADORNO, 2018) 
Amorim (2011), aborda que o Comando Vermelho fora criado no fim da 
década de 1970, ao certo 1979, em Ilha Grande, situado assim no município de 
Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro, onde fora criado no Instituto Penal 
Cândido Mendes, pela junção de presos a qual estavam naquele presídio. 
Neste livro, o autor também, relata que a ideia de se criar o CV, estava 
relacionada a uma revolta que acontecera entre os presos, os quais eram tratados 
de forma desumana e opressora. Uma vez que, a época era regime militar, em que 
os próprios militares mandavam no local. 
 
 
 
 
 
 
22 
 
4 PODERES PARALELOS, A PASSIVIDADE DO ESTADO EM FRENTE AS 
FACÇÕES CRIMINOSAS. 
 
É válido ressaltar, que é necessário que haja uma estratégia por parte do 
Estado, a fim de combater as facções, com o intuito de impedir a atuação desses 
grupos criminosos em áreas menos favorecidas, fazendo com que haja uma boa 
fiscalização a fim de prevenir e reprimir as más condutas que visam prejudicar a 
sociedade. 
 
Tamanho é o poder do crime organizado (CO) nas favelas e periferias das 
grandes cidades, que se tornou frequente atribuir-lhes o status de poder 
autônomo. De igual tamanho é a ineficiência do Estado frente a esta 
situação de aparente descontrole. Por conseguinte, o controle de territórios 
inteiros é assumido pelos criminosos, que dominam inclusive a vida social 
da população, assumindo funções que normalmente são esperadas do 3 
Estado. Apresentado desta forma, estefenômeno passou a ser associado 
ao surgimento de uma espécie de “Estado paralelo” (LEAL; ALMEIDA, 
2012, p. 2). 
 
De acordo com Eugênio Zaffaroni et al. (2000), o responsável pelo crime 
organizado assumir tanto poder na atualidade, é o próprio Estado. Pois, a má 
gerência e corrupção acabam por ruir as estruturas do sistema e, em vez de 
colaborar em prol da sociedade, acaba agindo em prol das organizações criminosas 
e por vezes até se integram a mesma. De fato, para haver uma solução para tal, faz-
se necessário que esta realidade seja aceita, e isso será um começo para poder agir 
no combate contra o crime, fazendo com que exista estratégias que possam prevenir 
e reprimir tais ações. 
 
No plano internacional, o assunto que gira em torno do poder visível das 
empresas da economia ilícita dedicada à produção e distribuição de drogas, 
conhecidas como carteis, ganhou proporções gigantescas, a ponto de 
tornar-se pauta nas discussões sobre segurança internacional de 
organismos supranacionais, como a Organização das Nações Unidas 
(ONU). No plano nacional, a venda de drogas no varejo é a principal fonte 
de renda das organizações criminais locais. O comércio direto com os 
consumidores é sempre realizado por grupos locais que, geralmente, atuam 
nas periferias da cidade e comunidades onde habitam. Formado quase 
exclusivamente pela população urbana pauperizada, estes grupos se 
organizam nas chamadas quadrilhas, que podem estar vinculadas – ou não 
– a uma organização maior, caso frequente nas grandes metrópoles (LEAL; 
ALMEIDA, 2012, p. 1-2). 
 
23 
 
As organizações criminosas do Brasil, são conhecidas por usarem de extrema 
violência, bem como fazem uso de armas, para que se conserve o mercado de 
drogas e proteger o seu “império”. Quando a polícia, ou grupos rivais tentam ir 
contra elas, há grandes lutas de poder, nos territórios a qual estas organizações 
possuem domínio. Porém, em contrapartida estes criminosos dão um tipo de 
“assistência” garantindo que o local por eles dominados sejam seguros, e oferecem 
remédios, materiais escolares e de construção para os moradores da comunidade. 
(MINOTTO, 2008) 
Depois que o esquema de crime organizado foi constituído no Brasil, os 
fundadores buscaram por locais que iriam fornecer a eles e ao seu grupo, um lugar 
para fazer uso de suas práticas criminosas, e deste modo, escolheram favelas e 
periferias, porque elas não têm a devida atenção da polícia e do Estado. O Bonde 
dos 40 ou como é mais conhecido B.40, trata-se da facção atuante em São José de 
Ribamar e a capital São Luís, responsável pelo domínio dos bairros mais pobres dos 
municípios citados. 
 
[...] Complexas redes organizadas de grupos criminosos capazes de 
mobilizar inúmeros indivíduos, financiar serviços comunitários, realizar obras 
de saneamento, promover atividades culturais, eleger representantes de 
bairro, angariar votos para determinados parlamentares, agenciar relativa 
“segurança pública” e, além de tudo, impor suas regras a toda uma 
comunidade sujeita a punições brutais no caso de transgressão destas “leis” 
(AMORIM, 1993, p. 204 apud LEAL & ALMEIDA, 2012, p. 11). 
 
Estes grupos criminosos utilizam os bairros de São José de Ribamar, assim 
como a capital, São Luís, sem que haja a permissão do Estado para tal, e desta 
forma fica em influência o poder sobre essas regiões. Assim sendo, nota-se que 
houve uma ascensão do crime nas favelas enquanto o Estado decaiu, no sentido de 
deixar estes lugares a própria sorte. 
Conforme Marques (2009), houve uma decaída do Estado e este permitiu que 
o tráfico se instalasse, fazendo com que os criminosos, conseguissem comandar e 
administrar seus negócios nas comunidades, e assim permitiu que as mesmas 
organizações criminosas, pudessem instalar suas leis, e assim o tráfico se expandiu 
de forma inimaginável. O tráfico teve seu crescimento e veio a se fortalecer, 
ganhando mais espaço, bem como maior número de pessoas que a ele queriam se 
agregar. Dessa forma, o traficante passou a ser chamado de “rei do morro”. 
24 
 
As organizações criminosas visam ter um tipo ligação com Estado (e muitas 
vezes tem) para que assim possam ter mais liberdade para agir em lugares onde 
seus rivais estão, também tem como objetivo controlar os bairros pobres, com intuito 
de evitar que estes se tornem violentos, e assim não prejudicar o tráfico de drogas 
para que o Estado não venha intervir. Além do que, sem uma estabilidade nas 
favelas atrapalharia o funcionamento do mercado de drogas, pois, roubos e brigas 
poderiam acarretar problemas para a circulação das mesmas. 
 
Querendo ou não, o crime exerce um papel social muito grande nas 
comunidades. A UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] foi apenas uma 
ocupação policial. Tudo o que crime proporcionava às comunidades, o 
Estado tinha que ao menos repor. Por exemplo, cesta básica, remédios, 
médicos, internação das pessoas que ficam doentes. Todo o tipo de ajuda. 
O crime ocupa o vácuo deixado pelo Estado. (NEPOMUCENO apud 
COSTA & ANDRADE, 2017, p. 6) 
 
Assim, é possível notar que o Estado contribui para o crescimento da 
criminalidade nos Municípios de São José de Ribamar, São Luís, dentre outros, já 
que não adota as medidas cabíveis a fim de evitar a expansão das organizações 
criminosas, muito pelo contrário, acaba por perder espaço cedendo a elas o poder 
que o mesmo deveria ter. Desse modo, fazendo que lugares fiquem no domínio de 
facções, onde exercem seu poder e fazem tráfico de drogas e outras atividades 
ilegais. 
A segurança que deveria ser prestada pelo Estado, acaba sendo oferecida 
pelas próprias organizações criminosas, que fazem isso para evitar que haja 
concorrência em suas regiões, bem como para impedir conflitos internos que 
possam requerer a presença da polícia, o que iria acarretar problemas para o 
mercado ilícito de drogas. 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
5 A ATUAÇÃO DO BONDE DOS 40 NO MUNÍCIPIO DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR 
NO BAIRRO TRIZIDELA DA MAIOBA 
 
De acordo com o Atlas da Violência, estudo feito pelo Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), São 
José de Ribamar era o município mais violenta do Maranhão em 2015 e registrou 
159 homicídios. (G1 MARANHÃO, 2017) 
São José de Ribamar constitui uma cidade perigosa e que carece de 
segurança, já que há números tão alarmantes de assassinatos. Isto nos permite 
dizer que a criminalidade está atuante na região, visto que o número de mortes se 
apresenta alto, o que ressalta a importância de se ter conhecimento sobre isto afim 
de se minimizar estas questões. 
São José de Ribamar é considerado 3º munícipio de maior população do 
estado do Maranhão, com o total de 179.028 mil habitantes, (IBGE, 2020). 
Pertencente a região metropolitana de São Luís, o município em questão faz parte 
dos quatros que integram a ilha de Upaon-Açu. Sua localização se dá ao leste da 
ilha, em frente da Baía de São José, a uma distância entre o centro da capital do 
Maranhão de 32 quilômetros. (IBGE, 2020) 
O bairro Trizidela da Maioba, situado no munícipio de São José de Ribamar e 
atualmente é cenário para o crime organizado, com as atividades como tráfico de 
drogas que lá são operadas, a organização que é atuante na região, trata-se do 
Bonde dos 40, que também possui atuação na capital de São Luís do Maranhão. 
O Bonde dos 40 (B40) trata-se de uma organização criminosa que teve seu 
surgimento em 2007, em São Luís, Maranhão. Formou-se por meio de contatos de 
presidiários do Maranhão com demais estados, que faziam parte de outras 
organizações criminosas. Desta forma, aliaram-se ao Comando Vermelho até 2017, 
depois a aliança fora rompida e passaram a ser rivais, porém, manteve sua aliança 
com Amigos dos Amigos (ADA) e Primeiro Comando da Capital (PCC). (DIAS; 
MANSO, 2018; FELTRAN, 2018) 
 
Consta também que os oriundos de outros municípios eram rechaçados e 
violentados pelos dacapital e que, até uma rebelião ocorrida em 2002, só 
estes eram mortos dentro dos presídios maranhenses. Por isso, uniram-se e 
criaram o Primeiro Comando do Maranhão – PCM, em 08 de novembro de 
2003, primeira organização criminosa atuante no sistema prisional. A 
segunda facção criminosa no sistema penitenciário maranhense é a Bonde 
26 
 
dos 40 que surgiu após a rebelião de 2010, quando os presos do interior, já 
organizados e com apoio de comparsas da capital, mataram em maior 
número os presos rivais oriundos de São Luís que, a partir de então, 
resolvem reunir-se em outra facção contra o PCM (PACHECO, 2015, pp. 
55-56). 
 
Além disso, é responsável por ações criminosas no Estado do Maranhão, com 
as seguintes ações: sequestros, tráfico de drogas e assaltos. Nos anos de 2010 a 
2014, essa organização criminosa ficou conhecida por fazer que houvesse rebeliões 
nas cadeias em Pedrinhas, assim como agiu contra o PCM, e causou ataques pelas 
ruas, isto fez com quem mais de 100 presos morressem. A partir daí, aconteceu uma 
busca pelo poder nos bairros de palafitas (“favelas nos mangues”), isto fez com que 
houvessem mais feridos e mortes. 
No ano de 2018, o Bonde dos 40 ampliou sua abrangência e membros e 
passou a atuar nos bairros pobres em Teresina, no Piauí (depois de ter dominado 
Codó, Caxias e Timon, no Maranhão), começando a dar ordens nos bairros, 
proibições para fazer que não haja a presença de policiais, dentre elas podem-se 
citar: não roubar, matar, fumar, ingerir bebida alcoólica, uso de drogas em algumas 
áreas, além de não comprar, vender ou consumir drogas perto de crianças. 
 
O crescimento do mercado de drogas mostra que os jovens são levados a 
seguir essa trilha. Os discursos em defesa da ‘vida bandida’, como forma de 
resistência ao ‘sistema opressor’, contribuem para forjar um sentido coletivo 
e político para decisão - mesmo que, no fundo, o criminoso continue 
buscando principalmente ganhar dinheiro, com menos esforço, em benefício 
próprio (MANSO; DIAS, 2018, p. 328). 
 
O conceito acerca do crime organizado e a forma como sua influência se dá 
no sistema social, são capazes de adotar uma abordagem que exprime diversas 
facetas, no que tange o desenvolvimento de práticas ilegais, na qual visam obter 
lucros maximizados, na execução de ações ilícitas que são referentes com a oferta 
de produtos que não são permitidos, ou sejam, em que há uma proibição dos 
mesmos, desta forma provem demandas para a sociedade em que está atuante. 
(NAYLOR, 2003) 
Os atiradores demonstravam muito orgulho ao dizer que faziam parte do 
Bonde dos 40, a facção que se originou no Maranhão. O nome de “justiceiros”, foi 
dado pela mídia do Estado, o que nos revela a questão da ignorância e a questão 
desses acontecimentos que estão surgindo no Estado e que são provenientes do 
27 
 
que acontece nos presídios e favelas situadas no Maranhão, que têm sido cenário 
para estas práticas violentas. 
A evolução destes grupos se deu no Maranhão, principalmente em São Luís. 
Nos anos de 2001 a 2010, fora o período que imperava a rivalidade entre os presos 
na prisão, marcado pelo crescimento das facções. O massacre que acontecera na 
rebelião de 2010, é responsável por criar duas facções opostas: O Primeiro 
Comando do Maranhão (PCM), em sua formação aqueles provenientes do interior 
do Estado, e o Bonde dos 40, formado pelos presos da capital (SILVA, 2020). As 
organizações criminosas do Maranhão percorreram, atuam de modo sistemático e 
planejado. Existe uma briga pelo poder acerca de qual facção seria a mais forte e 
aquela que iria imperar nas comunidades, obtendo domínios e melhores lucros para 
si. 
O ano de 2017 correspondeu a um momento importante em tentar suprimir os 
grupos estaduais, por meio das organizações criminosas em escala nacional. Dessa 
forma, houve o rompimento da aliança entre o Comando Vermelho, (CV) e o 
Primeiro Comando da Capital (PCC), resultando assim um conflito entre as duas 
facções as tornando rivais, isto ocorrera no segundo semestre de 2016. (DIAS; 
MANSO, 2018; FELTRAN, 2018) 
O Estado mais uma vez deixou de cumprir seu papel em proteger a 
população, isto fez com que essas organizações atingissem níveis alarmantes de 
domínio em vários âmbitos do estado do Maranhão, desta forma, as mesmas por tal 
evolução foram se expandindo para outros estados, os quais pode-se citar, o 
aparecimento do Bonde dos 40 no Estado do Piauí. 
A lei do “proibido roubar”, depende muito do modo o qual se encontra o 
domínio da organização criminosa em cada lugar. Os bairros que são considerados 
grandes, tais como: Maiobão, Cohatrac, Anjo da Guarda e Cidade Operária, são de 
difícil acesso, na questão de se pôr um devido domínio e controle do lugar em sua 
totalidade, porque estes possuem avenidas muito longas, as quais facilitam a 
entrada e saídas dos bandidos em diversas áreas, que podem até ser de 
organizações criminosas rivais e que acabam por circular com motocicletas de 
maneira muito rápida. 
Em bairros menores como Trizidela da Maioba, os impactos que o crime 
organizado vem causando, insegurança, pois, as autoridades não tenha atuação 
28 
 
efetiva e eficaz nem em questões relativas à infraestrutura e saneamento, o que 
favorece a ampliação do domínio da facção. 
É notório citar que Trizidela da Maioba tem sido uma região que está pouco 
cuidada, o que deixa margem para que os criminosos atuem nessas áreas, visto que 
é um ambiente propício para as práticas criminosas as quais estes grupos atuam. 
É válido dizer, que a lei de “proibido roubar” não veio de fora, uma vez que a 
atuação e chegada das facções no Brasil apenas contribuiu para fazer com que se 
acelerasse e se consolidasse as práticas que já haviam, no bairro Trizidela da 
Maioba e outros bairros periféricos em São José de Ribamar. 
 
A presença das chamadas gangues em sua rua é um fator que garante a 
“ordem” do lugar, “na minha rua não tem roubo... lá os meninos da gangue 
não deixam ninguém roubar nada lá não... os próprios meninos botam 
ordem...”. Essa afirmação mostra como a concepção de ordem se assenta 
em bases muito tênues (TEIXEIRA, 2007, p. 29). 
 
O funcionamento de tal “lei” não se aplicava quando os bandidos 
responsáveis pelas respectivas áreas eram presos, desta forma, não havendo quem 
os substituíssem, e assim acabando por ocorrer assaltos e roubos neste pequeno 
espaço de tempo. Mas, pela devida esquematização de tais organizações, isto 
acontece cada vez menos, pois, deixam aqueles que estão em liberdade cumprir as 
funções no que tange ficar responsável pelas comunidades. 
O bonde dos 40, deu ordens para matar tanto fora quanto dentro da prisão, e 
nessas ações já mataram 11 indivíduos, segundo a imprensa do Estado do 
Maranhão, ainda advertiram que a população fique em casa, para que não se 
envolva na retaliação entre as facções rivais, numa espécie de “quem mata mais”. 
Esse conflito teria acontecido por causa da morte de Yuri de Paula Silva, a qual 
também morreu o padrasto do mesmo, Josélio Rocha Sousa, cabo da PM, no bairro 
Trizidela da Maioba. Yuri também conhecido como o Chacal, era integrante do PCM. 
As mortes foram comemoradas pela facção Bonde dos 40. (CARTA PIAUÍ, 2017) 
Portanto, isto nos revela o quanto o crime tem sido presente no bairro 
Trizidela da Maioba, a atuação dessas facções tem sido presente não somente no 
que diz respeito ao tráfico de drogas, como também em retaliações entre facções 
rivais, que geram na população medo, sem ter como se proteger no meio de tanta 
violência. Cabe ao Estado tomar as devidas providências, fazendo com que atuação 
destes criminosos seja menos efetiva, pois, estes grupos possuem domínio das 
29 
 
regiões e fazem o que bem querem, assim impedem que as pessoas transitem no 
bairro com segurança. 
É importante citar, que a facção bonde dos 40, costuma impor no bairro 
Trizidela da Maioba, a lei chamada “proibido roubar”, com objetivode fazer com que 
a comunidade local não seja assaltada, bem como prevenir que haja circulação de 
policiais no lugar, o que pode fazer com que prejudique o negócio de tráfico de 
drogas, então é notório o fato de que a organização criminosa, tenta manter uma 
ordem na região, afim de controlar a situação para que não venha atrapalhar seus 
lucros. 
Em São José de Ribamar, um homem de 27 anos foi preso no bairro Vila 
Alcione por fazer parte de uma facção criminosa e com ele foram apreendidas 
diversas armas de fogo. De acordo com a Polícia, o indivíduo faz parte da facção 
criminosa PCM no bairro. (SSP.MA, 2020) 
A atuação de criminosos se dá em diversos bairros da região, como a Vila 
Alcione. Isto só mostra o quanto o crime organizado tem crescido e se distribuindo 
por diversos lugares, e este precisa ser combatido. 
Porém, isto precisa ser evitado, o crime organizado não deve imperar em 
nenhum lugar de São José de Ribamar, os moradores do bairro do Trizidela da 
Maioba assim como os demais, precisam ter segurança em seus bairros 
consecutivos, isso é um direito ao qual todos devem possuir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
6 A SEGURANÇA FRAGILIZADA POR MEIO DA CRIMINALIDADE 
 
São José de Ribamar, considerada como uma das principais cidades turísticas do 
Maranhão, conhecida por possuir um santuário do padroeiro do Estado que dá nome ao 
Município. Porém, apresenta sérios problemas ao que se refere à infraestrutura, por esse 
motivo nos últimos meses, houve uma quantidade significativa de protestos realizados em 
diversos bairros, os quais pediam também mais segurança, saúde e educação. (G1 
MARANHÃO, 2017). 
Segundo Martins (2007), a falta de segurança, não se trata apenas de uma 
questão social como também jurídica, e está ligada a regulamentação de condutas, 
(que são referidas ao Direito pelo Estado). O que de fato faz com que se haja a 
expressão da conduta do ser humano de agir por livre escolha. 
Existe, o medo e a insegurança sobre os perigos o qual a mídia expõe, acerca 
do que as organizações criminosas representam, o que fazem acarretar um pânico 
para a população. Sendo que abordam sobre o crime organizado sem informar ao 
certo quem o produz. 
Com o intuito de expor sobre o que seria segurança pública, Arthur Trindade 
Maranhão Costa, juntamente com Renato Sérgio de Lima, abordaram sobre as 
dificuldades para se compreender os desdobramentos que ocorrem sobre o devido 
conceito em uso nas ciências sociais, desta forma eles explanam que: 
 
(...) diferentes posições políticas e institucionais interagem para que 
segurança pública não esteja circunscrita em torno de uma única definição 
conceitual e esteja imersa num campo em disputas. Trata-se menos de um 
conceito teórico e mais de um campo empírico e organizacional que 
estrutura instituições e relações sociais em torno da forma como o Estado 
administra ordem e conflitos sociais (Costa & Lima, 2014: 482). 
 
Dentre do ranking dos países que mais prendem criminosos no mundo, o 
Brasil está entre os líderes, sendo que apenas perde para os Estados Unidos e a 
China. É necessário que a polícia investigue para que haja mais esclarecimento 
quanto aos crimes, encarcerando assim os responsáveis por crimes graves, não 
somente para punições leves, e não deixando também de punir os responsáveis 
pelo crime organizado no país, que vem se expandindo de forma grandiosa. 
No bairro Trizidela da Maioba em São José de Ribamar, foi apreendido uma 
grande quantidade de drogas e dinheiro, depois da Polícia receber denúncias 
31 
 
anônimas foi encontrada uma casa para venda de drogas e apreendeu materiais 
ilícitos, entre eles, dez porções de uma substância similar a maconha, um papelote 
de algo semelhante a crack, um celular, 3 colares dourados, um aparelho de rádio, 
caderno para contabilidade, duas carteiras de bolso e um relógio de pulso. Além 
disso também apreenderam R$ 1.424,00 (Mil quatrocentos e vinte quatro reais), 
porém ninguém foi preso durante a ação da polícia. (SSP-MA,2020) 
A partir do exemplo citado acima, isto reflete como a criminalidade tem atuado 
em diversos lugares, assim, no bairro Trizidela da Maioba não seria diferente, o 
tráfico de drogas é uma atividade recorrente no local, mesmo que a polícia apreenda 
tais materiais, isso não vai evitar a circulação da mercadoria, outro ponto 
interessante a ser ressaltado, é que somente o material foi recolhido, não houve 
nenhum indivíduo para ser preso. Os moradores do bairro Trizidela da Maioba 
precisam conviver com o crime organizado que opera na região em que vivem, 
dessa forma a segurança se encontra fragilizada, visto que não há monitoramento 
do Estado, no que tange dispor o apoio devido afim de ajudar a população. 
É relevante ressaltar, que estes tipos de crimes não podem saírem impunes, 
além de recolher a mercadoria, é ideal que se procure os responsáveis pelos tráficos 
de drogas, afim de manter o devido controle da região, assim poderá ajudar a 
diminuir a questão das vendas de drogas no bairro Trizidela da Maioba, bem como 
de outras regiões. 
O sistema penitenciário é o local onde se desenvolve as facções criminosas. 
Até mesmo nesses locais é necessária uma grande investigação, para que não haja 
mais criações dessas organizações operando de dentro das cadeias, com intuito de 
não permitir que se ocorra rebeliões e decapitações dentro das prisões. 
É necessário que se haja um controle no sistema penitenciário, pois, para 
controlar o crime organizado precisa-se que corte o mal pela raiz, desde a sua 
origem, que é exatamente dentro do sistema penitenciário. O Estado precisa tomar 
as medidas cabíveis a fim de controlar tanto de dentro das prisões, como também 
fora destas, para garantir a segurança necessária que a população precisa. Porque, 
o que se nota é que estas grandes organizações criminosas estão atuando em 
diversas regiões, sem que haja o controle delas, estas passam a imperar nas 
comunidades e a cada dia se tornam mais fortes e consequentemente mais difíceis 
de serem controladas. 
32 
 
Em vista disso, é fundamental citar que a criação do Sistema Nacional de 
Informações de Segurança Pública, Prisionais e sobre Drogas (Sinesp). Tal sistema, 
tinha como intuito ter informações e ficar atualizado sobre o sistema de segurança 
central, bem como, acerca das informações que ajudariam no combate referente a 
criminalidade, tráfico de drogas e o controle dos presídios. (BOMBIG; CORREA, 
2018). Infelizmente, o Sinesp não teve os resultados que se esperava, no qual fora 
introduzido a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS) e o 
Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). 
O Sistema Único de Segurança Pública tem como objetivo ser efetivo no 
combate ao crime tendo com fim a realização de serviços por meio da ação em 
conjunto e sistemática de vários órgãos, bem como, promover a troca de dados. O 
SUSP, faz com que se permita o avanço tecnológico nas investigações 
possibilitando a interação entre os estados com a União, podendo realizar práticas 
em conjunto. (HOFFMAN; FONTES, 2018) 
Desse modo, o SUSP, é fator importante no que se diz respeito ao avanço na 
legislação brasileira, para o combate ao crime, mas, deve-se ficar claro que os 
devidos órgãos que participam, necessitam de um investimento por meio do 
Governo Federal, para que possam estar acompanhando todos os avanços acerca 
do crime organizado. 
A segurança tem sido uma questão muito afetada para o bairro Trizidela da 
Maioba, a população que vive com medo e com incertezas, além da insegurança ao 
sair de casa sem saber se irá retornar com vida. As ruas estão cercadas pela 
criminalidade, podendo ocorrer desde pequenos roubos, quanto assuntos ainda 
mais sérios como: estupros, sequestros ou assassinatos. O Estado por falhar com 
seu dever em oferecer uma boa segurança, faz com que o povo fique à mercê de 
toda violência que é encontradanas ruas. 
A “lei” do “proibido roubar” vem sendo imposta nos bairros tanto de São Luís, 
quanto nos bairros de São José de Ribamar, é um modo em que os criminosos se 
utilizam de manter o domínio das regiões, para que outros não venham interferir nos 
seus negócios e atrapalharem as vendas de drogas nos bairros os quais eles 
administram as vendas da mercadoria. 
As polícias Militar e Civil fizeram uma operação para combater o crime 
organizado no Estado do Maranhão, nos bairros Parque Vitória e Parque Jair de São 
José de Ribamar. Foram feitos 20 mandados de prisão e mais de 200 policiais 
33 
 
participaram da operação contra integrantes de facção criminosa, que atua no 
Maranhão. Um suspeito chamado como ‘Torre do Parque Vitória’, há pouco tempo 
havia deixado a penitenciária de Pedrinhas, e já estava no comando do tráfico de 
drogas, crimes contra o patrimônio e homicídios e tentativas de homicídios. (G1 
MARANHÃO,2020) 
É de extrema relevância citar, que somente o trabalho da Polícia em prender 
não é efetivo para combater o crime organizado no nosso Estado, pois, o criminoso 
quando sai da cadeia volta a atuar em práticas ilícitas, como citado acima. O que 
nos remete, que é necessário ter leis que punam com eficácia estes criminosos, 
para que os mesmos não venham a cometer delitos novamente, a polícia está 
cumprindo o seu papel em prender, mas só isto não será o suficiente para garantir a 
segurança da população, é necessário que o Estado puna mais, e tenha o interesse 
em ajudar os bairros que mais sofrem com a atuação das facções. 
O bairro Trizidela da Maioba, é uma destas regiões que carece de uma ajuda 
do Estado, o crime organizado tem se estendido de forma grandiosa por esta região, 
atuando em tráficos de drogas e demais ocorrências, a segurança só é garantida 
pelas leis dos próprios criminosos, os quais possuem domínio da região, como 
exemplo delas o “proibido roubar”, que se utilizam da mesma para dizer que é uma 
proteção para comunidade, mas na verdade é só um método para camuflarem seus 
negócios ilícitos. A realidade é que nenhum criminoso se preocupa com qualquer 
comunidade, o que importa é somente o lucro que é ofertado pelos seus negócios, 
então não existe uma segurança de fato quando é proveniente deles. Desta forma, 
cabe ao Estado realizar o seu papel, e garantir aos moradores a segurança 
merecida. 
A criminalidade vem sendo atuante em diversos bairros de São José de 
Ribamar, a falta de segurança é visível em todo lugar. A polícia faz o seu papel de 
prender estes indivíduos, porém, são muitos aqueles que contribuem para o 
aumento do crime no Estado, e somente prender alguns não fará uma mudança tão 
significativa, é necessário que haja um investimento na segurança, nas áreas que 
mais necessitam. 
O crime organizado em São José de Ribamar no bairro Trizidela, tem sido de 
grande preocupação, pois, não há um cuidado adequado para com os moradores 
que lá vivem, onde estes precisam dividir espaços com criminosos que atuam nas 
mais diversas práticas ilícitas, sem que haja contra eles quaisquer punições, já que 
34 
 
os mesmos possuem “poder” na dita região, isto faz com cresça o sentimento de 
insegurança e incerteza, por meio do Estado de não oferecer a segurança 
necessária e que deveria ser dada a todos os moradores pertencentes ao bairro. 
No munícipio de São José de Ribamar, foi apreendido cerca de 3,2 toneladas 
de maconha por policiais, isto gerou cerca de 5 milhões de reais de prejuízo ao 
crime organizado. O grupo era composto de quatro criminosos que agiam no bairro 
Miritiua, a polícia civil juntamente com a Superintendência Estadual de Repressão 
ao Narcotráfico (SENARC), resultou assim em uma prisão em flagrante. (SSP-MA, 
2017) 
O tráfico de drogas é responsável por ser o combustível que move o crime 
organizado, pela quantia alarmante é compreensível saber o porquê. A atuação das 
organizações criminosas não está situada somente em um só local, estão por se 
espalhar por todos os bairros de São José de Ribamar, na Capital São Luís, assim 
como em outros munícipios e Estados. 
É por esse motivo que é importante que haja um controle por parte do Estado 
em combater essas práticas, pois, quanto mais se demora para agir, maior se 
apresenta o crescimento desses grupos por todas as regiões do Maranhão. Além do 
que, o mercado de entorpecentes tem bastante atuação no que tange o munícipio de 
São José de Ribamar, isto demostra, que há necessidade de que exista uma melhor 
fiscalização neste lugar. 
Em uma operação chamada poder paralelo, a polícia civil juntamente com a 
polícia militar, foram responsáveis por desarticularem dois grupos de criminosos 
rivais, que tinham atuação em bairros de São José de Ribamar e áreas próximas. 
Dessa forma foram presos 19 indivíduos, armas apreendidas, bem como munições e 
drogas. Os crimes atribuídos pelos membros citam-se: homicídio, tráfico de drogas e 
formação de quadrilha. (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS, 2020) 
Isto só reforça o quão fragilizada é a segurança no Munícipio de São José de 
Ribamar, e em seus bairros, pois, conta com altos índices de tráficos de drogas, e 
com diversos criminosos perigosos, que não só fazem o mercado de drogas 
circularem, como também cometem delitos de maior gravidade. O Estado não deve 
ficar alheio a isto, devendo cuidar desses locais com mais cuidado, já que é nesses 
locais menos favorecidos que se há maior atuação desses grupos criminosos, são 
os bairros mais humildes os quais eles se utilizam para a prática dos seus crimes, 
35 
 
exatamente porque sabem que não há fiscalização correta, e se aproveitam dessas 
brechas para benefício próprio. 
É necessário que haja meios melhores de se combater de forma efetiva, é 
necessário que as autoridades tenham cautela ao agir, fazendo com que a 
população venha a se sentir segura de novo, porque o crime não vem sendo um 
problema apenas no que condiz ao Estado do Maranhão, mas sim está presente em 
todo país, causando dificuldades para diversas pessoas, que não apenas tem 
objetos pessoais perdidos, bem como perdem a própria vida no processo. 
Um suspeito de envolvimento em assalto foi preso, e se encontra no Centro 
de Triagem de presos, em Pedrinhas, por nome Janes Abreu Nascimento, o 
Tchosca, de 24 anos, é um dos indivíduos que assaltaram o bar e restaurante 
Ceará, que fica situado no bairro Trizidela da Maioba. Os ladrões levaram joias, 
celulares e dinheiro dos clientes. As vítimas foram trancadas juntamente com o 
proprietário do estabelecimento em um banheiro. (O ESTADO, 2009) 
Consequentemente, o crime é um problema que está impregnado em várias 
regiões condizentes ao Maranhão, e tem sido uma tarefa árdua combatê-lo, pois, 
parece não haver fim. A segurança se encontra falha em diversos locais, não se 
pode andar nas ruas sem correr riscos, e ao que parece, nem se pode ir em 
estabelecimentos sem passar por estas situações, isso só ressalta o quanto o crime 
tem sido recorrente e se agravando cada vez mais, tornando a vida da população 
um tanto turbulenta. 
A polícia fora responsável por prender três suspeitos de assaltos na região da 
Vila Kiola e Maiobão, sendo que a prisão ocorreu na Estrada da Maioba, em 
Trizidela. Com os três indivíduos foi encontrado um revólver calibre 38, três celulares 
e outros objetos, eles estavam em um veículo branco, modelo Citroen. (MA10, 2021) 
Os crimes realizados na região do bairro Trizidela têm sido de diferentes 
formas, além do tráfico de drogas, tem a questão dos assaltos. Embora haja leis que 
são colocadas pelas próprias organizações criminosas, de que não roubem nas 
proximidades, ainda há aqueles que se atrevem a fazer tal ato, não sendo somente 
grupos de organizações rivais. Desta forma, percebe-se que a sociedade que vive 
no local, tem enfrentado diversos tipos de situações, como por exemplo, ter que 
conviver com facções agindo no local, bem como presenciar retaliações

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