Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ALIMENTOS DEVIDOS AO EX CONJUGE: Análise dos parâmetros para fixação à luz da jurisprudência
Nome do aluno[footnoteRef:1] [1: Graduanda do Curso de Bacharelado em Direito, Universidade Ceuma, campus Renascença, São Luís-MA. E-mail:
] 
Nome do orientador[footnoteRef:2] [2: ] 
Resumo
O presente artigo aborda o complexo de obrigações alimentares entre ex-cônjuges, analisando obrigações, princípios legais e casos práticos, visando aprofundar a compreensão desse tema e como a proteção e os princípios legais orientam as decisões judiciais nesse contexto. Como objetivo geral, tem-se de aprofundar o entendimento sobre as questões jurídicas e sociais envolvidas na fixação e na manutenção dos alimentos devidos entre ex-cônjuges. Já os objetivos específicos são investigar casos práticos e suas decisões judiciais, com o objetivo de compreender como as situações individuais das partes influenciam as decisões sobre as obrigações alimentares, avaliar a relevância das jurisprudências e dos princípios legais na orientação das decisões judiciais e na busca por justiça e equidade nas obrigações alimentares entre ex-cônjuges e analisar as normas legais que regem as obrigações alimentares entre ex-cônjuges, identificando os princípios e diretrizes que norteiam as decisões judiciais. A metodologia de pesquisa é de pesquisa bibliográfica, com uma análise sobre a legislação e normas legais que tratam da obrigação alimentar entre ex-cônjuges, com foco na identificação dos princípios e diretrizes que orientam as decisões judiciais, além de fontes teóricas, como livros, teses, artigos, entre outros, que versavam sobre a temática escolhida. As jurisprudências do STJ e TJ-MA, sobre os casos práticos destaca a importância de considerar as situações individuais das partes envolvidas, analisando-se também o binômio necessidade-possibilidade, assim contribuindo para um melhor entendimento e aplicação das normas legais e jurisdicionais relacionadas à obrigação alimentar entre ex-cônjuges, equilibrando a solidariedade com a justiça e a equidade.
Palavras-chave: Ex-cônjuge; Pensão Alimentícia; Necessidade; Possibilidade; Jurisprudência.
Abstract
This article addresses the complex of alimony obligations between ex-spouses, analyzing obligations, legal principles and practical cases, aiming to deepen the understanding of this topic and how protection and legal principles guide judicial decisions in this context. As a general objective, it is necessary to deepen the understanding of the legal and social issues involved in establishing and maintaining the alimony owed between ex-spouses. The specific objectives are to investigate practical cases and their judicial decisions, with the aim of understanding how the individual situations of the parties influence decisions on maintenance obligations, evaluating the relevance of jurisprudence and legal principles in guiding judicial decisions and in the search for justice and equity in alimony obligations between ex-spouses and analyze the legal norms that govern alimony obligations between ex-spouses, identifying the principles and guidelines that guide judicial decisions. The research methodology is bibliographical research, with an analysis of the legislation and legal standards that deal with the maintenance obligation between ex-spouses, focusing on identifying the principles and guidelines that guide judicial decisions, in addition to theoretical sources, such as books, theses, articles, among others, that dealt with the chosen theme. The jurisprudence of the STJ and TJ-MA, on practical cases, highlights the importance of considering the individual situations of the parties involved, also analyzing the binomial necessity-possibility, thus contributing to a better understanding and application of legal and jurisdictional norms related to maintenance obligation between ex-spouses, balancing solidarity with justice and equity.
Keywords: Ex-spouse; Alimony; Need; Possibility; Jurisprudence.
1 INTRODUÇÃO
A obrigação alimentar entre ex-cônjuges é um tema complexo e de grande relevância no âmbito do direito de família. Neste contexto, o presente artigo busca analisar as nuances e desafios envolvidos na fixação e na manutenção dos alimentos devidos entre ex-cônjuges, a partir da análise de seleção, princípios legais e casos práticos, considerando também que as jurisprudências, como reflexo das decisões judiciais, e os princípios legais são essenciais na orientação das decisões judiciais nessa área sensível do direito. 
Além disso, uma análise de casos práticos ilustrará a importância de considerar as circunstâncias individuais das partes envolvidas, visando-se aprofundar a compreensão das questões jurídicas e sociais que permeiam a obrigação alimentar entre ex-cônjuges, contribuindo para um melhor entendimento e aplicação das normas legais e da jurisdição nesse contexto.
Isto posto, o objetivo geral deste artigo é aprofundar o entendimento sobre as questões jurídicas e sociais envolvidas na fixação e na manutenção dos alimentos devidos entre ex-cônjuges. Já os objetivos específicos são investigar casos práticos e suas decisões judiciais, com o objetivo de compreender como as situações individuais das partes influenciam as decisões sobre as obrigações alimentares, avaliar a relevância das jurisprudências e dos princípios legais na orientação das decisões judiciais e na busca por justiça e equidade nas obrigações alimentares entre ex-cônjuges e analisar as normas legais que regem as obrigações alimentares entre ex-cônjuges, identificando os princípios e diretrizes que norteiam as decisões judiciais.
A justificativa para esta pesquisa reside na importância das questões de alimentos entre ex-cônjuges em nossa sociedade, pois, num contexto de constantes mudanças nas dinâmicas familiares e nas relações conjugais, é essencial compreender como o sistema legal lida com essas obrigações, equilibrando o princípio da solidariedade com a necessidade de justiça e equidade.
Quanto à metodologia adotada para esta pesquisa, foi pesquisa bibliográfica, com uma análise extensiva da legislação e das normas legais que tratam da obrigação alimentar entre ex-cônjuges, com foco na identificação dos princípios e diretrizes que orientam as decisões judiciais, além de fontes teóricas, como livros, teses, artigos, entre outros, que versavam sobre a temática escolhida.
Ao analisar a justiça, os princípios legais e os casos práticos, busca-se compreender como o sistema jurídico equilibra a solidariedade, a justiça e a equidade nesse contexto. Pretende-se com o presente artigo também contribuir para orientações no âmbito do sistema jurídico na busca por decisões justas e equitativas em casos de alimentos entre ex-cônjuges, considerando as situações individuais e as necessidades das partes envolvidas.
2 HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO DO DIREITO À ALIMENTOS 
O Direito aos Alimentos pode ser considerado como importante pilar do Direito de Família e Sucessões no território brasileiro, sendo uma garantia legal que assegura a sobrevivência e o bem-estar de indivíduos que, por razões diversas, discutem o suporte alimentar de outros, e seu histórico remonta à antiguidade, refletindo transformações sociais, culturais e legais ao longo dos séculos.
Para Sá (2014), na Antiguidade, as relações alimentares eram marcadas pela responsabilidade coletiva da comunidade para com seus membros, considerando-se que o sustento dos necessitados era uma obrigação moral e social, consolidada por práticas comunitárias e costumes locais, a família encontrava-se em uma posição e responsabilidade com base na solidariedade como um princípio básico, onde, em determinado momento, caso um casal se separasse ou o provedor viesse a falecer, era dever da família que acolheu a mulher a cuidá-la, ou mesmo a devolver para sua família de origem.
Nunes (2018, p. 2), a este respeito, evidencia que uma base do direito abarcado pela presente temática remonta também à evolução dos aspectos, princípios e ideais do Direito Romano após o século V, ao passo que haviaa concepção do chamado paterfamílias, que instituía direitos e obrigações ao homem sobre a mulher e filhos, uma vez que “[...] a mulher e os filhos ocupavam posição de inferioridade e submissão. Todos os aspectos da vida familiar eram regrados focalizando a proteção ao patrimonial”.
Dessa forma, é possível compreender que, com o advento do Direito Romano, a noção de obrigações alimentares tornou-se mais formalizada, sendo que as leis romanas já contemplavam o dever de sustento dos ascendentes em relação aos descendentes, aprimorando-se ao longo do tempo para estabelecer obrigações recíprocas entre parceiros, e essa perspectiva alimentar evoluiu e foi absorvida por outros sistemas jurídicos, influenciando o desenvolvimento posterior do Direito Civil (RAMOS, 2018).
Na Idade Média, a Igreja Católica também atuou na regulamentação dos alimentos, incorporando princípios éticos e morais aos preços legais, sendo que os cânones eclesiásticos passaram a estabelecer normas sobre as obrigações de sustento entre os membros da família e, posteriormente, o Direito Canônico serviu de base para as legislações seculares, influenciando a atualização dos códigos civis europeus, onde:
O direito Justiniano definiu com exatidão quais eram os sujeitos beneficiados ao alimentos, sendo eles a cônjuge mulher, os ascendentes, os descendentes e os irmãos. Discutiu-se a reciprocidade dos cônjuges nos alimentos, mas no direito Justiniano o entendimento foi que a mulher teria o direito a alimentos e o marido, não. O Direito Canônico, em seu instituto Codex Iuris Canonici, manteve os ideais conservadores da Igreja. Na Idade Média as relações familiares eram exclusivamente constituídas pelo casamento religioso – único conhecido. O Direito Romano influenciou a Idade Média trazendo a ideia do divórcio; mas, sendo a Igreja detentora de grande poder e respeito frente à sociedade, não recepcionou essa ideia, pois pregava o casamento como sendo indissolúvel; mas para manter o controle da sociedade, regrou algumas circunstancias em que o casamento poderia ser dissolvido. Consequentemente, a separação teve como efeito a extinção do dever de coabitação, mas entre os separados subsistiam os deveres de fornecer alimentos e de fidelidade recíproca (CASTELANI, 2004, p. 24-25, grifo nosso).
No período moderno, com o advento dos códigos civis e a consolidação do Estado de Direito, as normas relativas ao Direito de Alimentos foram codificadas e sistematizadas de forma mais abrangente e clara. As leis civis passaram a respeitar a obrigação alimentar entre direções, ascendentes e descendentes de forma mais estruturada, estabelecendo princípios para sua concessão e fixação.
Em contrapartida, Oliveira (2018) destaca que, ao longo do século XX, as transformações sociais e a evolução das concepções de família provocaram adaptações no Direito de Alimentos, onde, o reconhecimento de novas formas de família, como uniões resultantes e famílias monoparentais, gerou a necessidade de ajustes legais para contemplar as particularidades dessas relações e garantir o sustento dos membros envolvidos.
Nessa toada, Ramos (2018, p. 27) analisa que, atualmente, o Direito aos Alimentos é regulamentado por legislações específicas em cada país, adaptando-se às realidades sociais e culturais contemporâneas. No entanto, a sua essência permanece a mesma: garantir que todo indivíduo tenha acesso a condições dignas de vida, incluindo não somente alimentação adequada, “[...] mas quaisquer necessidades essenciais para a plena vida em sociedade”, por meio de uma rede de responsabilidades e deveres entre os membros da sociedade.
Na contemporaneidade, o Direito de Alimentos continua a ser uma matéria de suma importância e relevância dentro do contexto jurídico e social, na medida que há uma ampla diversificação dos desafios familiares, maior consciência dos direitos individuais e uma preocupação crescente com a garantia de uma vida digna a todos os membros da sociedade (SÁ, 2014; RAMOS, 2018).
Outrossim, a evolução da tecnologia e da comunicação trouxe novas dinâmicas às relações familiares, muitas vezes desafiando a aplicação tradicional das leis relativas ao Direito de Alimentos, ao passo que, questões como guarda compartilhada, filiação por reprodução assistida e acordos de alimentos em casos de dissolução de uniões resultantes ou gerações passadas a demanda uma abordagem mais flexível e adaptável por parte do sistema jurídico (OLIVEIRA, 2018).
Busca-se, então, garantir que as obrigações fiscais sejam aplicadas de forma justa, levando em consideração a capacidade econômica de cada parte e o princípio da igualdade entre homens e mulheres. Contudo, persiste ainda a necessidade de combater a inadimplência alimentar, especialmente em situações em que os alimentos são devidos a crianças e adolescentes (NUNES, 2018).
Outro ponto crucial é a internacionalização das relações familiares, impulsionada pela globalização e pela migração em larga escala, onde, muitas vezes, questões relativas a alimentos tornam-se transnacionais, exigindo uma cooperação internacional eficaz e tratada que facilita o cumprimento das obrigações legais em diferentes jurisdições, sendo também preciso que os operadores do Direito possuam conhecimento sobre aspectos a este respeito (SÁ, 2014; NUNES, 2018).
É importante ressaltar que, apesar das transformações sociais e legais, o cerne do Direito a Alimentos devidos permanece ancorado na necessidade de garantir condições básicas de subsistência e bem-estar aos indivíduos mais vulneráveis no âmbito econômico e social. O Direito de Alimentos continua sendo uma ferramenta jurídica essencial para promover a justiça social e proteger os direitos humanos, alinhando-se com os princípios da dignidade da pessoa humana, da solidariedade, entre outros (SÁ, 2014).
3 PRINCÍPIOS E PRERROGATIVAS CONFORME A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 
Os princípios e prerrogativas concernentes ao direito aos alimentos e sua relação com a ex-conjugalidade, pautados na Constituição Federal de 1988 (CF/88), são de extrema relevância para a compreensão das garantias fundamentais dentro da esfera familiar. A CF/88 consagra, em seu texto, uma série de princípios que permeiam o Direito Civil, inclusive no que tange aos direitos e deveres dos parceiros em relação aos alimentos (CALDAS, 2015).
Dentre os princípios fundamentais da CF/88 que possuem influência direta no direito aos alimentos, destaca-se a dignidade da pessoa humana, sendo que esse princípio é o núcleo de grande valor e influência do ordenamento jurídico brasileiro e norteia a interpretação de todos os demais direitos e garantias, inclusive os relacionados à família. O direito aos alimentos está intrinsecamente ligado à dignidade, pois visa garantir a subsistência e o bem-estar de um indivíduo, aspectos essenciais para uma vida digna (CALDAS, 2015. SILVA, 2018).
Além disso, a igualdade e a não discriminação também são pilares da CF/88 e refletem-se no contexto dos alimentos entre ex-cônjuges, onde ambas as partes possuem os mesmos direitos e obrigações, independentemente do gênero, garantindo-se, assim, uma relação ex-conjugal equitativa no que tange às obrigações alimentares (CALDAS, 2015; DINIZ, 2022).
Outro princípio relevante é o da solidariedade, que permeia o Direito Civil, incluindo as relações familiares, pois, manifesta-se no dever de assistência recíproca entre os parceiros e ex-parceiros, sendo materializada, muitas vezes, na obrigação de prestar alimentos quando um destes necessita de apoio financeiro para a sua subsistência (RAMOS, 2018).
A proteção da família como base da sociedade é um dos alicerces da CF/88 e tem reflexo direto no direito aos alimentos, ao passo que a família é considerada uma base de sustentação social, e o dever de assistência material entre os indivíduos é um dos instrumentos que são essenciais para essa estabilidade familiar, conforme estabelece a Carta Magna (DINIZ, 2022).
Ainda assim, com base em Tartuce (2023), a CF/88 confere proteção especial à criança e ao adolescente, estabelecendo que é deverda família, da sociedade e do Estado assegurar-lhes os direitos fundamentais, dentre os quais se incluem o direito à alimentação adequada e vida digna. Esse dispositivo constitucional impõe um compromisso adicional ao envolvimento que detém a guarda de crianças e adolescentes, exigindo-lhe que providencie os meios para garantir a alimentação e o desenvolvimento saudável desses dependentes.
Conforme xxx, o direito à alimentos à ex-cônjuge possui fundamentação legal na CF/88, especificamente, no que se refere aos princípios da solidariedade e dignidade humana, considerando-se que:
[...] tanto na doutrina como no ordenamento jurídico não existe divergência em relação ao conceito substancial de alimento, comparados quanto ao conteúdo da expressão todos os doutrinadores chegam a um mesmo entendimento sem alterar o conceito da palavra alimentos. Assim, a concepção jurídica entende-se mais do que às necessidades básicas ou exclusivamente as restritas à nutrição do alimentado atende a preservação da dignidade da pessoa humana, para a proteção da vida humana, sendo interesse do ordenamento jurídico preservá-la. Não é por acaso, que o instituto dos alimentos possui como fundamentos o princípio da preservação da dignidade da pessoa humana (SANTOS, 2022, p. 3-4, grifo nosso).
Vê-se, a partir da autora supramencionada, que o ordenamento jurídico, como sistema normativo que rege a sociedade, exerce um papel fundamental na regulação das leis que, por sua vez, têm um impacto direto nas relações familiares, sendo um dos aspectos mais importantes nesse contexto a questão dos deveres de fornecimento de alimentos e do direito de ser alimentado. Estes princípios são de suprema relevância social, pois estão intrinsecamente ligados à preservação da dignidade da pessoa humana.
O direito aos alimentos é um corolário do princípio da dignidade da pessoa humana, consagrado na Constituição de muitos países e tratados internacionalmente. Este princípio estabelece que todos os indivíduos têm o direito inalienável de viver com dignidade, o que inclui o acesso às condições básicas de sobrevivência, como alimentação adequada. Portanto, a discussão social sobre o dever de prestar alimentos e o direito de ser alimentado é crucial para a manutenção da justiça e da igualdade na sociedade (DINIZ, 2022).
Conforme Madaleno (2023), essa discussão vai além do mero ordenamento jurídico e engloba elementos morais e sociais, tendo em vista que o fornecimento de alimentos é um dever que se torna evidente em situações de necessidade comprovada, como falta de trabalho, idade avançada, doença, pouca idade ou qualquer outra incapacidade que impeça a subsistência autônoma. Nesses casos, o sistema jurídico busca garantir que uma pessoa em situação de vulnerabilidade seja amparada, garantindo o seu direito a uma vida digna.
Com isso, é necessário analisar com rigor os efeitos da pensão alimentícia entre ex-cônjuges, pois, para evitar abusos e garantir que o fornecimento de alimentos seja direcionado à eficácia necessária, é importante considerar os aspectos subjetivos envolvidos. É possível que, em algumas situações, a busca por pensão alimentícia entre ex-cônjuges seja motivada por sentimento de vingança ou desavenças pessoais, em detrimento da busca pelo sustento primordial. Portanto, é imperativo que a análise desses casos leve em conta critérios objetivos que determinem uma necessidade real, evitando conflitos de caráter pessoal (DINIZ, 2022).
O papel do sistema jurídico é, assim, o de equilibrar a garantia dos direitos fundamentais dos indivíduos com a necessidade de evitar abusos, tendo como objetivo o de garantir que todos tenham a oportunidade de viver com dignidade, independentemente da sua situação familiar. É nesse contexto que o ordenamento jurídico desempenha um papel crucial na regulação das leis que afetam as relações familiares, proporcionando um alicerce para a construção de uma sociedade justa e igualitária (MADALENO, 2021; DINIZ, 2022).
O princípio da solidariedade, no contexto aqui discutido, também possui papel central, em especial, no que diz respeito ao dever de prestar alimentos e direito de ser alimentado, visto que a solidariedade é um dos pilares fundamentais de uma sociedade justa e igualitária, que busca garantir o bem-estar coletivo e a proteção dos mais vulneráveis e, no âmbito das relações familiares, a solidariedade se manifesta de maneira clara, uma vez que os membros de uma família estão intrinsecamente ligados por laços afetivos e responsabilidades compartilhadas (DINIZ, 2022; MADALENO, 2023; TARTUCE, 2023).
Nesse sentido, o dever de prestar alimentos não deve ser encarado apenas como uma obrigação legal, mas como um ato de solidariedade para com os membros mais necessitados da família e para aqueles que um dia já participaram. A solidariedade familiar implica em consideração que, em momentos de dificuldade ou vulnerabilidade, os membros da família devem apoiar-se mutuamente, garantindo que todos tenham a oportunidade de viver com dignidade.
No entanto, é importante ressaltar que a solidariedade não pode ser imposta de maneira arbitrária. Ela deve ser balizada pelo ordenamento jurídico, que estabelece princípios e diretrizes para garantir que a prestação de alimentos seja justa e equitativa, devendo-se inferir que a solidariedade não deve ser utilizada como uma desculpa para criar bônus financeiros insustentáveis ​​para aqueles que estão em situação de obrigações, mas sim como um princípio que orienta o auxílio mútuo dentro da família (PEREIRA, 2023).
Assim, o princípio da solidariedade é um elemento-chave na abordagem das questões relacionadas ao dever de prestar alimentos e ao direito de ser alimentado. Ele ressalta a importância de agir em conjunto para proteger os direitos e a dignidade da pessoa humana, especialmente nos momentos em que a necessidade se faz presente. 
Portanto, ao considerar os princípios e prerrogativas aconselhados da CF/88 no contexto do direito aos alimentos no âmbito da ex-conjugalidade, percebe-se a harmonização desses princípios com os preceitos de justiça, equidade e solidariedade, essenciais para uma convivência familiar equilibrada e em consonância com os direitos fundamentais assegurados pela Constituição.
3.1 Direitos e prerrogativas do cônjuge e ex-cônjuge perante o direito civil 
Os direitos e prerrogativas do ex-cônjuge perante o Direito Civil, especialmente no que tange ao direito aos alimentos, são refletidos na proteção e a estabilidade das relações conjugais. O Direito Civil, como ramo do direito privado que trata das relações entre os particulares, estabelece normas e dispositivos legais que regem a esfera familiar, e dentro dessa esfera, o direito aos alimentos emerge como uma importante garantia (ROSA, 2021; DINIZ, 2022).
Segundo Pereira (2023), o casamento, então, possui eficácia nesse contexto, uma vez que 
A palavra eficácia diz respeito a capacidade de produzir efeitos ou resultados no plano jurídico, isso quer dizer que se não ocorrer nada que comprometa os caminhos da ilicitude, o casamento será válido, surtindo os efeitos pessoais e patrimoniais, como alimentos (art. 1.694 do CCB/2002), sucessões (art. 1.829, III, do CCB/2002), direito real de habitação (art. 1.831 do CCB/2002), acréscimo do sobrenome (art. 1.565, § 1º, do CCB/2002), estado civil, planejamento familiar (art. 1.565, § 2º, do CCB/2002), efeitos previdenciários, presunção de filiação dos filhos do casal (art. 1.597 do CCB/2002). O cônjuge é o primeiro legitimado a ser curador do outro que se tornou incapaz (Art. 1.775, CCB). Nos casos do casamento putativo, em que embora pressuponha um dos impedimentos, surtirá os efeitos jurídicos devido ao princípio da boa-fé com relação ao terceiro envolvido [...] (PEREIRA, 2023, p. 116, grifo nosso).
Inicialmente, cabe destacar que o direito aos alimentos é uma prerrogativa que busca garantir a subsistência de uma pessoa em virtude de sua relação de parentesco ou conjugalidade. Quando se trata de ex-cônjuge, este direito se fundamenta em uma ligação afetivae jurídica que é estabelecida pelo casamento, que é um instituto do Direito Civil para regular as relações entre pessoas heteronormativas ou do mesmo sexo (KLIPPER, 2012; SILVA, 2018).
Conforme Diniz (2023), há dentro do matrimônio, direitos e obrigações mútuas, e um desses direitos fundamentais é o de receber alimentos quando necessário, partindo do pressuposto de que esta obrigação alimentar tem um caráter de solidariedade, passando a garantir a dignidade e a subsistência daquela que necessita de suporte financeiro para manter um padrão de vida adequado.
No entanto, é necessário destacar que o direito aos alimentos está condicionado à necessidade e à possibilidade do alimentante, significando que o fato e fundamento que exige alimentos deve estar em uma situação de carência e necessidade, enquanto o alimentante obrigado a prestar os alimentos deve possuir recursos e condições para arcar com essa obrigação (ROSA, 2021).
O Código Civil, no Brasil, estabelece as condições para a fixação dos alimentos, levando em consideração não apenas as necessidades daquelas que demandam, mas também a capacidade financeira específica que deve prestar os alimentos, devendo ser de forma justa e proporcional. Outro aspecto relevante é a possibilidade de estabelecer acordos sobre alimentos de forma consensual, onde os parceiros podem pactuar de forma livre e autônoma sobre os termos dos alimentos, refletindo uma tendência de valorização da autonomia privada e da pacificação das relações familiares, conferindo maior flexibilidade ao sistema jurídico (DINIZ, 2022.
A seguir, na tabela 1, serão apresentadas doutrinas que fundamentam a obrigação de Alimentos, conforme Flávio Tartuce (2023):
Tabela 1 – Doutrinas acerca da obrigação de Alimentos
	Não discussão acerca de culpa no casamento
	Os alimentos devem ser instituídos e pautados sobre a análise de diferentes aspectos, como da possibilidade/necessidade e razoabilidade/possibilidade/necessidade (binômio e trinômio) de acordo com cada caso concreto e realidade.
	Inadmissibilidade de discussão quanto ao conteúdo, mas sim da ação de alimentos, sendo de forma autônoma
	Não foram revogados elementos do CC/2002, como art. 1.702 e 1.704, caput.
	Possibilidade de discussão sobre culpa no divórcio
	Em ação autônoma ou demanda, a partir dos critérios dos cônjuges, os alimentos, sem revogação de artigos do CC/2002 (1.702; 1.704).
Fonte: Elaborado pela autora, com base em Tartuce (2023, p. 1345).
Pode-se compreender, portanto, que obrigação/garantia reflete o equilíbrio entre os interesses dos parceiros, alicerçado na solidariedade e na responsabilidade mútua, contribuindo para a estabilidade e o bem-estar no seio da família. Além disso, a legislação que trata a respeito desta temática vêm evoluindo para incluir uma visão mais abrangente e contemporânea sobre o direito aos alimentos, considerando não apenas as necessidades básicas de subsistência, mas também a manutenção do padrão de vida ao qual a assistência foi experimentada durante o casamento, permitindo-se a compreensão do desenvolvimento de maior sensibilidade do Direito Civil em adequar-se às mudanças sociais e às novas realidades familiares (CALDAS, 2015; DINIZ, 2022; TARTURCE, 2023).
Ainda conforme Tartuce (2023, p. 1446), a respeito da extensão das classificações dos alimentos, estes podem ser civis ou côngruos, sendo que “[...] visam à manutenção do status quo ante, ou seja, a condição anterior da pessoa, tendo um conteúdo mais amplo (art. 1.694 do CC). Em regra, os alimentos são devidos dessa forma, incidindo sempre a razoabilidade”.
Convém salientar que, ao tratar dos direitos e prerrogativas no contexto do direito aos alimentos, não pode-se ignorar a igualdade de gênero. Historicamente, as normas tendem a favorecer o envolvimento masculino em termos de concessão de alimentos, refletindo uma visão cultural e patriarcal. Contudo, progressivamente, as leis foram sendo alteradas e interpretadas de maneira a promover a igualdade entre homens e mulheres, garantindo que ambos os sexos possuíssem direitos e obrigações equiparados (OLIVELIRA, 2018; SILVA, 2018).
Além do mais, é essencial abordar o tema da pensão alimentícia de forma ampla, considerando as especificidades dos diversos contextos familiares, como separações, indicadores, uniões estáveis, entre outros. A legislatura tem demonstrado uma tendência a interpretação da obrigação alimentar de forma mais flexível, levando em conta as particularidades de cada situação, para garantir que os alimentos sejam estabelecidos de maneira justa e equitativa, alinhados com as condições econômicas dos envolvidos (ROSA, 2021; TARTUCE, 2023).
Nesse sentido, a análise das condições financeiras dos beneficiários torna-se um fator determinante na fixação dos alimentos, evitando que as obrigações alimentares caiam de forma desproporcional sobre um dos beneficiários, o que poderia gerar desequilíbrio econômico-financeiro, prejudicando a autonomia e a estabilidade da família, além da consideração de enriquecimento ilícito por parte do alimentado.
É imperativo analisar a relevância da mediação e da conciliação na resolução de conflitos relacionados aos alimentos entre parceiros, pois esses mecanismos alternativos de resolução de litígios podem propiciar um ambiente mais amistoso e menos contraditório, permitindo que as partes envolvidas encontrem soluções consensuais que atendam aos interesses de todos (DINIZ, 2022).
Dessa forma, os direitos e prerrogativas do ex-cônjuge no âmbito do Direito Civil, especificamente em relação ao direito aos alimentos, estão em constante evolução, acompanhando as transformações sociais e culturais. Busca-se, cada vez mais, a promoção da justiça, da equidade e do bem-estar das partes envolvidas, no contexto de suas relações conjugais e familiares.
4 JURISPRUDÊNCIAS E PARÂMETROS PARA A FIXAÇÃO DE ALIMENTOS DEVIDOS A EX CONJUGE 
As jurisprudências, nos mais variados temas e espaços, são essenciais na definição de parâmetros, interpretações, posicionamentos, direitos e deveres, não sendo diferente para a fixação de alimentos devido a ex-cônjuges. Ao longo do tempo, os tribunais têm publicado disposições previstas e diretrizes que ajudam a orientar as decisões judiciais nessa área sensível do direito de família, como será visto neste tópico. 
Esses precedentes não apenas foram claros e previsíveis, mas também refletem as transformações sociais e culturais que abordam as relações conjugais e familiares. Com isso, será explorado como Superior Tribunal de Justiça e, numa questão local, o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão tem moldado as abordagens legais para a fixação de alimentos a ex-cônjuges, garantindo a justiça e a equidade nesse contexto delicado.
Inicialmente, tem-se o Agravo Interno e Recurso Especial nº 2249725 - RJ (2022/0361131-0), com relator o Ministro Marco Buzzi, do STJ, com ementa a seguir:
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE ALIMENTOS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA DEMANDANTE. 1. A Corte de origem dirimiu a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à integral solução da lide, de modo que, ausente qualquer omissão, contradição ou obscuridade no aresto recorrido, não se verifica a ofensa ao artigo 1.022 do CPC/15. 2. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a prestação de alimentos entre ex-cônjuges tem caráter excepcional, devendo ser fixada, em regra, apenas pelo tempo necessário à reinserção no mercado de trabalho. Incidência da Súmula 83/STJ. 2.1. No caso, as instâncias ordinárias, considerando que a pensão alimentícia foi paga por tempo suficiente para seu restabelecimento financeiro, bem como a capacidade laboral da alimentada - que, inclusive, aufere renda -, concluíram ser devida a exoneração pleiteada. A revisão de tais conclusões encontra óbice na Súmula 7/STJ. 3. Agravo interno desprovido. 
(AgInt no AREsp n. 2.249.725/RJ, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 11/10/2023)(grifo nosso).[footnoteRef:3] [3: https://processo.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202203611310&dt_publicacao=11/10/2023] 
Pode-se verificar que, conforme posicionamento da referida Corte, no caso, o STJ, há o entendimento de que a prestação de alimentos aos ex-cônjuges somente deve ser paga até o momento em que a o(a) beneficiado(a) esteja reinserido(a) no mercado de trabalho, ou seja, quando este(a) conseguir, finalmente, se sustentar, frisando-se, ainda, o caráter excepcional, ou seja, não é obrigatório ou certo em todos os casos o pagamento desta prestação no instante ou após a separação do casal, devendo-se atentar para uma série de questões e elementos para a instituição desta obrigação e direito.
No caso acima, viu-se no inteiro teor que não havia mais a necessidade de pagamento da prestação de pensão alimentícia para a outra parte, assim, sendo cessada esta obrigação, visto que esta foi reinserida no mercado de trabalho. O Superior Tribunal de Justiça, outrossim, no Agravo Interno em Recurso Especial nº 2059009/DF, julgado também no ano de 2023, tendo como relator o Ministro Humberto Martins, reafirma este posicionamento, como visto na ementa a seguir:
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO. PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.
1. O STJ possui entendimento de que os alimentos devidos entre ex-cônjuges têm caráter excepcional e transitório, salvo quando presente a incapacidade laborativa ou a impossibilidade de inserção no mercado de trabalho, caso dos autos.
2. No caso, o Tribunal de origem concluiu pela manutenção da pensão alimentícia, ante a idade avançada da ex-cônjuge e a impossibilidade de se inserir no mercado de trabalho, justificativas que se alinham à excepcionalidade destacada na jurisprudência. Incidência da Súmula n. 83/STJ.
3. Ademais, entender que a ora agravada não comprovou a impossibilidade de prover sua própria subsistência e, consequentemente, concluir pela exoneração do dever de prestar alimentos, demandaria a incursão no acervo fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula n. 7/STJ. Agravo interno improvido.
(AgInt no AREsp n. 2.059.009/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 18/8/2023.) (grifo nosso).[footnoteRef:4] [4: https://processo.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=202200201334&dt_publicacao=18/08/2023] 
Nota-se que o STJ tem uma perspectiva clara de que a obrigação de prestar alimentos entre ex-cônjuges deve ser considerada como excepcional e transitória, a menos que haja incapacidade laborativa ou impossibilidade de inserção no mercado de trabalho, situações que justifiquem a manutenção da pensão alimentícia.
No caso em análise, o tribunal de origem optou por manter uma pensão alimentícia, com base na idade avançada do ex-cônjuge e na sua impossibilidade de se inserir no mercado de trabalho. Essas justificativas se alinham ao entendimento do STJ em relação à excepcionalidade da pensão entre ex-cônjuges. Uma referência à Súmula n. 83/STJ indica que, quando as decisões estiverem de acordo com a jurisdição consolidada, elas deverão ser mantidas, a menos que haja razões exclusivas para modificá-las.
Além disso, a jurisprudência destacada aborda a necessidade de comprovação da impossibilidade de provar a própria subsistência, o que requer uma análise do conjunto de fatos e provas do caso específico, indo em concordância com a Súmula n. 7 da própria Corte, que estabelece que o tribunal superior não pode revisar fatos e provas em recursos, a menos que haja flagrante erro ou ilegalidade.
A jurisprudência analisada reflete a abordagem legal das questões de alimentos entre ex-cônjuges, visto que se destaca a natureza excepcional e transitória dessa obrigação, a importância de alinhar as decisões com a auditoria consolidada e a necessidade de basear as conclusões em evidências fáticas, tendo em vista que esse entendimento visa garantir que a justiça seja feita de maneira equitativa e coerente com as situações individuais de cada caso.
Já o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, por meio de apreciação e julgamento da Apelação Cível nº 0185442019, com relator o Desembargador Luiz Gonzaga Almeida Filho, julgado no dia 5 de novembro de 2020, possui posicionamento semelhante, como visto na ementa a seguir:
PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. EXONERAÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. EX-CÔNJUGE. PROVA DA NECESSIDADE. EX-CÔNJUGE QUE APRESENTA PROBLEMAS DE SAÚDE. SENTENÇA MANTIDA. I. A obrigação alimentar entre os cônjuges decorre do dever de mútua assistência, nos termo do artigo 1.566, inciso III, do Código Civil e permanece após o rompimento do vínculo conjugal. Embora as normas contidas no artigo 1.704do CC estabeleça a possibilidade do ex-cônjuge prestar alimentos ao outro, isso não exclui a análise do binômio alimentar para sua fixação. II. In casu, a pensão em favor da ex-cônjuge foi fixada no montante de 19,5% do benefício do INSS do Apelante que afirma em sua inicial não possuir mais condições de arcar com encargo vez que necessita do valor para custear seus gastos pessoais. Contudo, não demonstrou documentalmente o aumento destes gastos em relação à época da fixação da pensão, ônus que lhe cabia. De outra banda, a Apelada comprova que possui problemas de saúde desde a época do matrimônio, não recebe nenhum benefício do INSS e que não possui renda suficiente para prover o seu sustento. III. Logo, não modificadas as possibilidades do alimentante e persistindo a necessidade da alimentada, descabe a exoneração do encargo. V. Apelação conhecida e não provida.
(ApCiv 0185442019, Rel. Desembargador(a) LUIZ GONZAGA ALMEIDA FILHO, SEXTA CÂMARA CÍVEL, julgado em 05/11/2020, DJe 10/11/2020) (grifo nosso).[footnoteRef:5] [5: https://jurisconsult.tjma.jus.br/#/sg-jurisprudence-list] 
É evidenciado pela referida Corte que a obrigação alimentar entre cônjuges deriva do dever de assistência mútua, conforme previsto no artigo 1.566, inciso III, do Código Civil, uma vez que o casamento implica em um compromisso de assistência mútua, que não se extingue imediatamente após o pedido. Outrossim, o artigo 1.704 do Código Civil também é mencionado, o que prevê a possibilidade de o ex-cônjuge prestar alimentos ao outro. 
A análise do binômio necessidade-possibilidade se refere à necessidade de avaliar tanto a capacidade de quem paga quanto a necessidade de quem recebe os alimentos, a fim de determinar o valor adequado da pensão. Destaca-se também que a pensão foi incluída em 19,5% do benefício do INSS do Apelante. No entanto, o Apelante alegou que não possui mais condições de arcar com o encargo, mas não apresentou documentos que comprovassem um aumento significativo dos seus gastos em relação ao momento da fixação da pensão. 
Por outro lado, a Apelada (quem recebe pensão) declarou que possui problemas de saúde desde o período do matrimônio, não recebe benefícios do INSS e não possui renda suficiente para provar o próprio sustento. Nessa conjuntura, reflete-se a importância de apresentar provas concretas das mudanças nas situações financeiras e de saúde das partes envolvidas para ocasionar uma possível alteração na pensão alimentícia.
Isto posto, uma vez que as possibilidades financeiras do alimentar não foram alteradas e a necessidade de o alimentado persistir, não é cabível a exoneração do encargo, evidenciando a ideia de que as obrigações alimentares devem ser mantidas quando o ex-cônjuge que paga ainda possui a capacidade de arcar com ela e o ex-cônjuge que recebe ainda necessita desse suporte para manter sua subsistência.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
As discussões realizadas no presente artigo conduz a reflexões acerca da complexidade e a importância das questões relacionadas aos alimentos entre ex-cônjuges. As jurisprudências, os princípios legais e as considerações fáticas se entrelaçam para moldar a abordagem dessas obrigações, refletindo o equilíbrioentre a justiça e a equidade, visto também elementos estabelecidos pela CF/88 e CC/2002, pautando-se no princípio da dignidade da pessoa humana e solidariedade.
A obrigação alimentar entre ex-cônjuges é fundamentada no dever de assistência mútua, um princípio consagrado no direito de família, sendo considerada como excepcional e transitória, ressalvando situações específicas em que a incapacidade laborativa ou a impossibilidade de inserção no mercado de trabalho justificam a continuidade dos alimentos, sendo visto que esse entendimento encontra respaldo no Código Civil e na regulamentação, que estabelece disposições para a fixação e manutenção dos alimentos.
A análise do binômio necessidade-possibilidade, que consiste em avaliar tanto a capacidade de quem paga quanto a necessidade de quem recebe os alimentos, é um elemento essencial na determinação do valor da pensão alimentícia, ao passo que esse processo envolve uma análise específica das estatísticas financeiras e de saúde das partes envolvidas, seno imperativo que as partes apresentem provas documentais que justifiquem uma possível alteração na pensão alimentícia, demonstrando mudanças significativas em suas condições de vida desde a fixação inicial.
As jurisprudências tanto do Superior Tribunal de Justiça quanto do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão são cruciais na orientação das decisões judiciais relacionadas aos alimentos entre ex-cônjuges, um vez que esses tribunais estabelecem disposições precedentes e diretrizes que devem ser seguidas, a menos que haja razões específicas para modificá-los, garantindo a consistência e a previsibilidade nas decisões judiciais, bem como a conformidade com os princípios legais e os direitos fundamentais das partes envolvidas.
Demonstra-se, então, um reflexo do compromisso de uma sociedade em proteger os direitos fundamentais e garantir que, mesmo após o termo do vínculo conjugal, haja assistência mútua entre os ex-cônjuges quando necessário. A transparência contribui para um papel vital na interpretação e aplicação desses princípios, enquanto as partes envolvidas devem fornecer evidências sólidas para explicação da fixação e da manutenção dos alimentos. 
REFERÊNCIAS
CALDAS, Benno César Nogueira de. Prestação de alimentos entre ex-companheiros: Uma visão do instituto sob a ótica do binômio necessidade-possibilidade. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Universidade Federal do Maranhão-UFMA, São Luís, 2015, 61p. Disponível em: https://monografias.ufma.br/jspui/bitstream/123456789/1079/1/BennoCaldas.pdf. Acesso em: 28 set. 2023.
CASTELANI, Lilian de Souza. Da isonomia dos ex-cônjuges na obrigação alimentar. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2004, 58f. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/41959/M432.pdf?sequence=1. Acesso em: 1 out. 2023,
DINIZ, Maria H. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. v.5. Editora Saraiva, 2022. E-book. ISBN 9786555598681.
KLIPPERT, Mariana. Alimentos compensatórios: natureza, problemática e aplicabilidade no contexto social moderno. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC, Florianópolis, 2012, 72p. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/188951/TCC%20-%20Mariana%20Klippert%20-%20Vers%C3%A3o%20CD.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 28 set. 2023.
MADALENO, Rolf. Manual de Direito de Família. [Ed. Forense]: Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9786559642489.
NUNES, Bruna Carolino Rodrigues. Alimentos gravídicos: aspectos históricos e jurídicos. 2018, 33f. Disponível em: https://www.pucrs.br/direito/wp-content/uploads/sites/11/2018/09/bruna_nunes.pdf. Acesso em: 29 set. 2023.
OLIVEIRA, Valentine Borba Chiozzo de. Limites da obrigação de alimentar. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Direito, Niterói, 2018, 79f. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/10812/TCC%20II%20-%20Limites%20da%20Obriga%E7%E3o%20de%20Alimentar%20-%20Valentine%20Chiozzo%20-%20Final%20(1).pdf;jsessionid=D7D80AACDCA7B77FBABE078F6BB7D96C?sequence=1. Acesso em: 1 out. 2023.
PEREIRA, Rodrigo da C. Direito das Famílias. [Ed. Forense]: Grupo GEN, 2023. E-book. ISBN 9786559648016.
RAMOS, Júlia Gevaerd de Oliveira. O caráter transitório dos alimentos devidos ao ex-cônjuge/companheiro e os alimentos necessários para a exoneração. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis, 2018, 59p. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/ANIMA/7204/1/TCC.pdf. Acesso em: 29 set. 2023.
ROSA, Luiz ACrlos Goiabeira. A incidência da supressio na obrigação alimentar entre ex-cônjuges. RIL, Brasília, a. 58, n. 232, p. 153-166, out./dez. 2021. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/58/232/ril_v58_n232_p153.pdf. Acesso em: 25 set. 2023.
SÁ, Rodrigo Moraes. Breves considerações sobre o instituto dos alimentos. 2014, 24f. Disponível em: https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/artigo_cientifico_-_breves_consideracoes_sobre_o_instituto_dos_alimentos_2014.pdf. Acesso em: 29 set. 2023.
SANTOS, Stefanny Szeremeta. Pensão alimentícia entre os ex-cônjuges. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, 2022, 20f. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/ANIMA/28432/1/Stefanny%20Szeremeta%281%29.pdf. Acesso em: 26 out. 2023. 
SILVA, Camila Pereira da. A obrigação de prestar alimentos entre cônjuges e companheiros. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Direito) Faculdade Raízes, Anápolis-GO, 50p. Disponível em: http://repositorio.aee.edu.br/bitstream/aee/403/1/CAMILA%20PEREIRA%20DA%20SILVA.pdf. Acesso em: 26 set. 2023.
TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil - Volume Único. Grupo GEN, 2022. E-book. ISBN 9786559643134.

Mais conteúdos dessa disciplina