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TEMA 02 – CONCORRÊNCIA SUCESSÓRIA DO CÔNJUGE COM OS DESCENDENTES DO FALECIDO E SEUS ASPECTOS CONTROVERTIDOS. Bloco 01 · Vamos refletir? Você sabia que a sucessão do companheiro sofreu importantes alterações a partir de julgamento proferido pelo STF? · Sucessão em geral – Noções preliminares Abertura da sucessão (art. 1.784 do CC): ocorre com a morte (princípio de saisine). Neste momento: transmite-se a herança desde logo aos herdeiros legítimos e testamentários. Lugar da sucessão: último domicílio do falecido (art. 1.785 CC). Sucessão pode decorrer (art. 1.786 CC): • Da lei. • Por disposição de última vontade. Com a morte da pessoa que não tenha testamento: transmite-se a herança aos herdeiros legítimos (aqueles previstos na lei). Herdeiro necessário X herdeiro legítimo Herdeiros necessários: descendentes, ascendentes e cônjuge (art. 1.845 do CC). Observação: companheiro – grande controvérsia sobre o assunto. · Ordem da vocação hereditária Ordem de vocação hereditária – art. 1.829 CC · Descendentes com cônjuge (a depender do regime de bens) · Ascendentes com o cônjuge · Cônjuge sobrevivente · Colaterais · Sucessão do companheiro Até 2017 - a sucessão do companheiro estava regulamentada pelo art. 1.790 do CC. Outro ponto a considerar - o companheiro não faz parte da ordem de vocação hereditária prevista no Código Civil. Bloco 02 · Concorrência do companheiro com os descendentes Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes: I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a umaquota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles. III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança. IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança. · Em 2017, o STF julgou inconstitucional o art. 1.790 do CC – isso ocorreu a partir do julgamento dos Recursos Extraordinários 646.721 e 878.694 sob o regime da repercussão geral. · A partir deste momento, então, não haveria mais que se falar em diferenciação entre cônjuges e companheiros no âmbito do direito das sucessões. · Sucessão do companheiro Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares. A partir de então, se não houver contrato escrito entre os companheiros estabelecendo regime de bens, aplicam-se as regras relativas ao regime da comunhão parcial de bens, conforme determina o art. 1.725 do CC. Bloco 03 A inconstitucionalidade do artigo 1.790 do Código Civil decorre do fato de o dispositivo estabelecer regras bastante diversas da sucessão do companheiro se comparável com a sucessão do cônjuge, o que, ao final, configura discriminação das entidades familiares formadas a partir da união estável, situação que ofende diretamente a Constituição Federal. Dessarte, o que ocorre a partir de então, é que a sucessão dos companheiros seguirá o previsto no artigo 1.829 do Código Civil. · Direitos do companheiro sobrevivente Com o julgamento, foi fixada a seguinte tese: “no sistema constitucional vigente, é inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do CC/2002”. O direito real de habitação é norma que busca assegurar a dignidade humana do cônjuge do falecido. A lei busca proteger o cônjuge sobrevivente de forma que ele não fique sem lugar para morar quando da divisão do patrimônio. Direito real de habitação: previsto nos arts. 1.414 a 1.416 do CC – busca assegurar o mínimo existencial. Direito de moradia é um direito social previsto constitucionalmente – art. 6º CF. Companheiro é herdeiro necessário? “Em suma, a minha posição é que da decisão do Supremo Tribunal Federal retira-se uma equiparação sucessória das duas entidade familiares, incluindo-se a afirmação de ser o companheiro herdeiro necessário. Porém, ao contrário do que defendem alguns, não se trata de uma equiparação total que atinge todos os fins jurídicos, caso das regras atinentes ao Direito de Família. Em outras palavras, não se pode dizer, como tem afirmado Mario Luiz Delgado, que a união estável passou a ser um casamento forçado. Em resumo, o decisum do Supremo Tribunal Federal gera decorrências de equalização apenas para o plano sucessório” (Tartuce, 2018). Neste sentido, diz o Enunciado n. 641 da VIII Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal: “A decisão do Supremo Tribunal que declarou a inconstitucionalidade do art. 1.790 do Código Civil não importa equiparação absoluta entre o casamento e a união estável. Estendem-se à união estável apenas as regras aplicáveis ao casamento que tenham por fundamento a solidariedade familiar. Por outro lado, é constitucional a distinção entre os regimes, quando baseada na solenidade do ato jurídico que funda o casamento, ausente na união estável.” Bloco 04 · Reflita sobre a seguinte situação Considere a seguinte situação hipotética: Maria Cecília convivia em união estável com João Marcelo. Em dezembro de 2023, João Marcelo sofreu um infarto fulminante e faleceu. Durante a união estável, o casal não constituiu patrimônio e não havia contrato escrito. Porém, João Marcelo deixou valores em aplicação financeira, dois imóveis e um veículo. Seus dois filhos, Pedro e Martha, deram entrada em processo de inventário e não mencionam Maria Cecília como herdeira. Maria Cecília procura por seus serviços para que possa ingressar com medida judicial competente para defesa de seus direitos. · Norte para a resolução Aplicação do art. 1.829, I do CC à união estável: Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares. No caso em concreto seria necessário apresentar impugnação ao inventário, de forma que Maria Cecília deverá ser reconhecida como herdeira. Considerando que não há contrato de união estável e foram deixados bens particulares, prevalece a regra de que Maria Cecília fará jus a quinhão hereditário em concorrência com os descendentes. Bloco 05 · Consolidando o aprendizado Conteúdos trabalhados em aula: · Aspectos gerais do direito sucessório. · Direito sucessório do companheiro. · Mudanças na sucessão do companheiro. · Concorrência entre companheiro e descendentes. · Direito real de habitação do companheiro. · Quiz Considerando a legislação aplicável e o atual entendimento jurisprudencial, sobre a concorrência de companheiros e descendentes é correto afirmar que: A. O companheiro somente terá direitos sucessórios se não houver descendentes. B. O companheiro concorrerá com os descendentes apenas se houver contrato de união estável. C. O companheiro, na ausência de contrato de união estável, concorre com os descendentes na existência de bens particulares deixados pelo falecido. D. O companheiro, na ausência de contrato de união estável, concorre com os descendentes em relação a todos os bens deixados pelo falecido. · Leitura Fundamental · Indicação de leitura 1 O companheiro como herdeiro necessário Este artigo traz reflexões acerca da situação do companheiro no direito sucessório. Referência TARTUCE, Flávio. O companheiro como herdeiro necessário. RJLB, v. 4, n. 5, p. 865-873, 2018. · Indicação de leitura 2 Sucessão na união estável: a inconstitucionalidadedo artigo 1.790 do Código Civil. O artigo propõe uma reflexão sobre a inconstitucionalidade do art. 1.790 do Código Civil. Referência SILVANO, Estefany Laia. Sucessão na união estável: a inconstitucionalidade do artigo 1.790 do Código Civil. Revista Científica Semana Acadêmica, v. 9, n. 205, 2021. TEMA 03 – SUCESSÃO LEGÍTIMA – SUCESSÃO DOS ASCENDENTAIS. SUCESSÃO DOS COLATERAIS. Bloco 01 · Vamos refletir? Você sabia que os irmãos de uma pessoa falecida podem receber quinhão hereditário diferente uns dos outros? · Sucessão dos ascendentes · Ordem de Vocação Hereditária – art. 1.829, do Código Civil (CC). · Descendentes com cônjuge (a depender do regime de bens). · Ascendentes com o cônjuge. · Cônjuge sobrevivente. · Colaterais. • Sucessão dos ascendentes: o ascendente apenas terá direito sucessório se não houver descendentes (art. 1.836, do CC). • Conforme determina o art. 1.829 do CC: os ascendentes estão em segundo lugar na ordem de vocação hereditária. · Na sucessão dos ascendentes: · Grau mais próximo exclui o mais remoto (art. 1.836, § 1, do CC). · Não há distinção de linhas (materna e paterna). · Casos práticos: • Exemplo 1: • Pessoa falece, não deixa testamento e seus herdeiros são seus pais: metade do patrimônio é destinado à mãe, e a outra metade ao pai. • Exemplo 2: • Pessoa falece, não deixa testamento e seus herdeiros são: avô paterno, avó e avô maternos. Metade do patrimônio é destinado ao avô paterno e a outra metade à avó e aos avôs maternos. Bloco 02 · Concorrência do cônjuge ou companheiro com os ascendentes • Art. 1.837 do CC - Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau. Em resumo: · Cônjuge concorrendo com os pais do falecido: terá direito a um terço da herança. · Cônjuge concorrendo com um dos pais: terá direito à metade da herança. · Cônjuge concorrendo com ascendentes de segundo, terceiro ou de grau maior: terá direito à metade da herança. Casos práticos: • Se a pessoa falece e deixa cônjuge e os pais: cada um recebe um terço da herança. • Se a pessoa falece e deixa cônjuge e avós paternos e maternos, a divisão da herança ocorre da seguinte maneira: 50% da herança para o cônjuge; 25% da herança é destinada à linha materna e 25% à linha paterna. • Observação: o mesmo ocorre, ainda que só tenhamos um dos avós na linha materna ou paterna. • Ascendente também concorrem com o companheiro: art. 1.790, do CC, foi declarado inconstitucional, pelo Superior Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n. 646.721 e do Recurso Extraordinário n. 878.694. • Tese fixada: “no sistema constitucional vigente, é inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do CC/2002”. • Em consequência, a sucessão do ascendente em concorrência com o companheiro, deverá seguir o disposto no art. 1.829, do CC. Bloco 03 · Sucessão dos colaterais Os colaterais apenas terão direitos sucessórios na inexistência de herdeiros necessários e de testamento. · Quem são os herdeiros necessários? · Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. · Caso existam herdeiros necessários: o autor da herança apenas pode dispor da metade de seus bens. · Colaterais chamados a suceder: até quarto grau. · Art. 1.839. Se não houver cônjuge sobrevivente, nas condições estabelecidas no art. 1.830, serão chamados a suceder os colaterais até o quarto grau. · Na classe dos colaterais: os mais próximos excluem os mais remotos (art. 1.840, do CC). · Exemplo: a pessoa falece e tem irmãos e sobrinhos vivos – irmãos – colaterais de segundo grau são os únicos que terão direito sucessório. · Também sobre a sucessão dos colaterais: irmãos recebem por direito próprio ou por cabeça. • Na sucessão dos irmãos: · Bilaterais recebem quinhão. · Unilaterais recebem metade do quinhão dos irmãos bilaterais. • Exemplo: se a pessoa falece e não deixa testamento, sendo seus herdeiros seus dois irmãos, um bilateral e outro unilateral, o primeiro recebe X e o segundo, metade de X. · Tios terão direito sucessório? • Embora os tios sejam parentes colaterais de terceiro grau, apenas terão direito de herança se inexistirem sobrinhos, nos termos do art. 1.843, do CC: · Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. · Direito de representação: • Art. 1.851 - Dá-se o direito de representação, quando a lei chama certos parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse. · Direito próprio # direito de representação: • No direito próprio, a herança é transmitida ao herdeiro pela ordem da vocação hereditária, também chamada de sucessão por cabeça. • No direito de representação, o herdeiro é chamado para receber a herança em lugar de outro herdeiro, que pode ser pré-morto, ausente ou excluído da sucessão. É também chamada de sucessão por estirpe. Bloco 04 · Reflita sobre a seguinte situação • Considere a seguinte situação hipotética: Jonas, solteiro, falece e não deixa testamento. Seu patrimônio é composto de dois imóveis. Seus parentes são: um sobrinho, filho de seu irmão pré-morto e que não tinha contato com a família e um primo, com quem tinha amizade. Seu primo ingressa com inventário judicial e afirma ser o único parente vivo, afirmando fazer jus integralmente à herança. Fernando, o sobrinho, procura você para representá-lo no inventário, de forma que sejam assegurados seus direitos. · Norte para a resolução • A sucessão dos colaterais, nos termos do Código Civil: Art. 1.840. Na classe dos colaterais, os mais próximos excluem os mais remotos, salvo o direito de representação concedido aos filhos de irmãos. Portanto, o primo de Jonas não tem direitos sucessórios. Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. § 1º Se concorrerem à herança somente filhos de irmãos falecidos, herdarão por cabeça. • No caso concreto: Fernando deverá apresentar contestação no inventário, requerendo que seja reconhecido seu direito sucessório ao patrimônio deixado pelo tio Jonas e também requerendo sua nomeação como inventariante. • Para que o primo tivesse direito sucessório, não poderiam haver sobrinhos ou tios (parentes colaterais de terceiro grau). • Além disso, o primo não tem legitimidade para a propositura do inventário porque não é herdeiro. • Legitimidade– art. 616, do CPC. Bloco 05 · Consolidando o aprendizado • Conteúdos trabalhados neste material: · Aspectos gerais do direito sucessório. · Sucessão dos ascendentes. · Concorrência entre ascendentes e cônjuge ou companheiro. · Sucessão dos colaterais. · Direito de representação. · Quiz Em relação à sucessão dos colaterais, assinale a alternativa correta. A. Os colaterais não são herdeiros legítimos. B. Os tios não herdam em qualquer hipótese. C. Os sobrinhos não herdam em qualquer hipótese. D. Os sobrinhos podem herdar por direito de representação. Resposta correta: D) Os sobrinhos podem herdar por direito de representação. De acordo com o art. 1.840 do Código Civil, na classe dos colaterais, os mais próximos excluem os mais remotos, salvo o direito de representação concedido aos filhos de irmãos. · Leitura Fundamental · Indicação de leitura 1 O trabalho indicado traz reflexões acerca da sucessão dos ascendentes em situações de reconhecimento de multiparentalidade. Referência: CAVALCANTE, L. V. D. A multiparentalidade e os efeitos sucessórios: as repercussões do reconhecimento da multiparentalidade na sucessão pelos ascendentes. Rio Grande do Sul: UFRGS, 2019. · Indicação de leitura 2 O artigo propõe uma reflexão sobre a possível inconstitucionalidade do dispositivo do Código Civil que prevê quinhões diferentes para os irmãos bilaterais e os unilaterais. Referência: GRANDE JÚNIOR, C. A inconstitucional discriminação entre irmãosgermanos e unilaterais na sucessão dos colaterais. Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina, 2008. TEMA 04 – DA AUSÊNCIA: NOÇÕES E PROCEDIMENTOS (ARRECADAÇÃO DE BENS, SUCESSÃO PROVISÓRIA E SUCESSÃO DEFINITIVA) Bloco 01 Vamos refletir? Você sabia que quando uma pessoa desaparece de seu domicílio sem deixar notícias, será necessário um processo judicial para divisão dos seus bens? · Da ausência Conceito: constitui a situação na qual uma pessoa desaparece de seu domicílio, sem deixar notícias, nem representante ou procurador a quem caiba a administração de seus bens. Observação: possível decretar a ausência se o desaparecido tinha representante ou procurador que não queira ou possa administrar os bens do desaparecido (art. 23). · Conforme prevê o art. 22 do Código Civil (CC): presunção relativa (iuris tantum) de morte da pessoa natural. Abertura do processo de ausência: juiz nomeará um curador e determinará quais são seus poderes e obrigações. Curador legítimo do ausente: cônjuge, desde que não separado de direito ou de fato (neste caso, há dois anos antes do desaparecimento) – art. 25 do CC. Quanto ao companheiro: “no que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o companheiro, como por exemplo, na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente [art. 25, do CC].” – Enunciado n. 97 da I Jornada de Direito Civil. Bloco 02 · Arrecadação de bens • Com a abertura do processo de ausência: · Juiz mandará arrecadar os bens. · Nomeará curador. • Legitimidade para abertura do processo: · Pessoa interessada. · Ministério Público. Com a arrecadação de bens: juiz mandará publicar editais na rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a que estiver vinculado e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Objetivo dos editais: dar ciência da abertura do processo de ausência para localização da pessoa desaparecida, de forma que possa retornar e tomar posse de seus bens. Prazos dos editais: devem ser publicados por um ano, no sítio do tribunal, ou, se houver a publicação pela imprensa da comarca, devem ser publicados por um ano, sendo reproduzidos a cada dois meses. Finalizado o prazo de publicação dos editais -> será requerida a abertura da sucessão provisória. · Sucessão provisória Quem poderá requerer a abertura da sucessão – art. 27, CC: · Cônjuge não separado judicialmente. · Herdeiros presumidos legítimos ou testamentários. · Aqueles que têm direitos sobre os bens do ausente. · Credores de obrigações vencidas e não pagas. Bloco 03 · Sucessão provisória e definitiva • Sucessão provisória – Prazos: · Um ano da arrecadação dos bens do ausente: poderá ser requerida a sucessão provisória. · 180 dias após a publicação da sentença: serão produzidos efeitos, abertura de testamento (se houver) e do inventário e partilha de bens do ausente. • Na sucessão provisória: · Juiz poderá, se conveniente, ordenar a conversão de bens móveis em imóveis ou em títulos garantidos pela União, nas situações de risco de deterioração e extravio (art. 29 do CC). · Herdeiros podem ingressar na posse dos bens: devem oferecer garantias, por meio de penhoras ou hipotecas, de acordo com seus quinhões (art. 30 do CC). · Observação: se não puder prestar garantia – herdeiro será excluído da posse dos bens, que ficam sob a administração de um curador ou outro herdeiro designado pelo juiz (art. 30, § 1, do CC). · Ascendentes, descendentes, cônjuge e companheiro, provada a qualidade de herdeiros, estão dispensados de apresentar a garantia e podem entrar na posse do bem (art. 30, § 2, do CC). · Venda dos bens do ausente: depende de autorização judicial (art. 31). · Observação: bens podem ser objeto de desapropriação ou hipoteca. · Direitos dos sucessores (descendentes, ascendentes ou cônjuge): farão jus aos frutos e rendimentos dos bens a que estes couberem. · Demais sucessores: podem capitalizar metade dos frutos e rendimentos – art. 33, do CPC. · Observação: dever de prestar contas, anualmente, quanto à gestão dos bens. · Se o desaparecido retorna e a ausência for voluntária e injustificada: perderá parte dos frutos e rendimentos dos bens, ficarão para o sucessor. Sucessão provisória e definitiva • Sucessão definitiva · Inicia-se dez anos após o trânsito em julgado da sentença da abertura da sucessão provisória. · Neste momento: interessados podem requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas – art. 37 do CC. · Observação: ausente tem mais de 80 anos e está há cinco anos sem dar notícias de seu paradeiro, poderá ser requerida a sucessão definitiva (art. 38, do CC). Bloco 04 · Reflita sobre a seguinte situação José Eduardo saiu de sua residência para ir até a padaria, que ficava cerca de 300 metros de sua casa. Não mais retornou. Após três meses de seu sumiço, após buscas, inclusive tendo sido lavrado boletim de ocorrência, sua família decide tomar as providências judiciais cabíveis. Ele vivia em união estável com Maria Antonieta e deixou dois filhos maiores de idade, Pedro e Joana. O patrimônio deixado pelo desaparecido foi: dois carros, um imóvel e uma aplicação financeira. Sua esposa e filhos procuram você para saber quais medidas judiciais devem ser adotadas. Norte para a resolução • Deverá ser aberto processo de declaração de ausência – art. 22, do CC. • Maria Antonieta, como companheira, terá legitimidade para requerer a abertura do processo e será nomeada curadora provisória (art. 25 e Enunciado 97 da I Jornada de Direito Civil). • Depois de um ano de arrecadação dos bens do ausente: abertura da sucessão provisória. • Os herdeiros, por serem descendentes e companheira, podem entrar na posse dos bens, não será necessário prestar nenhuma garantia (art. 30, § 2, do CC). • Durante a sucessão provisória: os bens podem ser alugados, bens móveis podem ser convertidos em imóveis ou títulos (art. 29, do CC). • Após dez anos: abertura da sucessão provisória (será possível requerer a sucessão definitiva). Bloco 05 · Consolidando o aprendizado • Conteúdos trabalhados em aula: • Aspectos gerais da ausência. • Requisitos para ingresso do processo de declaração de ausência. • Prazos para sucessão provisória. • Direitos dos sucessores. • Prazos para sucessão definitiva. · Quiz Sobre a ausência, nos termos do disposto no Código Civil, assinale a alternativa correta. A. Apenas os descendentes e cônjuge podem requerer a declaração de ausência. B. A sentença que determinar a abertura da sucessão, produz efeitos após 120 dias de sua publicação. C. Para ingressar na posse dos bens do ausente, qualquer sucessor precisa prestar caução. D. Ascendentes, descendentes e cônjuge, se comprovados serem herdeiros, podem entrar na posse dos bens sem prestar caução. Resposta correta: d) Ascendentes, descendentes e cônjuge, se comprovados serem herdeiros, podem entrar na posse dos bens sem prestar caução. Isso porque de acordo com o art. 29, § 2º do Código Civil: Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. 2º Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de herdeiros , poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens do ausente. · Leitura Fundamental · Indicação de leitura 1 O trabalho indicado traz reflexões acerca das consequências legais do retorno do ausente após a morte presumida. Referência: MENEGUELLO, L. B. A reversão da sucessão em caso de retorno do ausente dada a declaração de morte presumida. São Paulo, 2023. · Indicação de leitura 2 O artigo indicado traz informações importantes sobre a morte presumida do ausente e quais suas consequências legais. Referência: ARAUJO, G. Decretação de morte presumida do ausente e seus reflexos no direito sucessório. JusBrasil, 2021.