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HEPATITE_063625

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HEPATITE 
 
 Chamamos de hepatite toda inflamação no fígado. Esta inflamação pode ter diversas 
causas, como veremos a seguir. Com a inflamação, são destruídas células do fígado 
(hepatócitos e outros), com diversas conseqüências ao organismo. 
 As hepatites podem ter várias causas. As hepatites virais são todas diferentes em 
sintomas, gravidade e tratamento. Como as mais comuns aqui no Brasil são as 
causadas por vírus de nomes semelhantes (A, B e C), muitos pensam que são 
parecidas. Mas isso foi apenas um modo de facilitar o estudo. 
A hepatite também pode ser causada por infecções generalizadas que acabam por 
atacar também o fígado, por substâncias tóxicas como o álcool, por erros do nosso 
próprio sistema imunológico, por mais de um modo diferente e através de outros 
mecanismos que ainda não conhecemos. 
Algumas causas de Hepatite: 
- Vírus -- Hepatite A, B, C, D (ou delta), E, por Citomegalovírus, por Epstein Barr, por 
outros vírus. 
- Bacterianas -- Hepatite trans-infeccioosa. 
- Distúrbios de imunidade -- Hepatites autoimunes, Síndrome mista. 
- Substâncias tóxicas -- Hepatite alcoólica. 
- Mecanismos em estudo -- Cirrose biliar, Colangite esclerosante primária. 
 A hepatite pode surgir rapidamente com sintomas mais intensos (hepatite aguda) ou 
lenta e menos sintomática (hepatite crônica). Algumas doenças, com a hepatite A, 
costumam causar apenas a hepatite aguda. Outras, como a hepatite B, podem 
apresentar um quadro agudo e depois manter uma inflamação menor por um longo 
período, tornando-se crônica. A hepatite C costuma causar apenas hepatite crônica. 
 Na hepatite aguda, os sintomas podem variar bastante. Dependendo da causa, eles 
podem não aparecer. Na maioria das vezes, a hepatite aguda surge com um quadro 
parecido a de uma gripe, com mal estar, fraqueza, febre, dores e náuseas. Quadros 
mais intensos podem vir com icterícia, que é um amarelamento da pele e dos olhos 
causado pelo acúmulo de bile no sangue. Felizmente, hepatites agudas graves, 
chamadas de fulminantes e subfulminantes, são raras. Além dos sintomas habituais, 
surgem alterações de comportamento, sonolência e confusão, sinais de que o fígado 
não está conseguindo eliminar toxinas do organismo (encefalopatia hepática). 
Na hepatite crônica, ocorre uma destruição lenta das células do fígado, que aos 
poucos vão se regenerando ou formando cicatrizes. Nessa fase, praticamente não há 
sintomas. Por esse motivo, muitas pessoas não descobrem a doença até que seja 
tarde demais. O que acontece é que a destruição das células do fígado pode chegar a 
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_a.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_a.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm
http://www.hepcentro.com.br/encefalopatia_hepatica.htm
um ponto em que a regeneração não é mais possível e o fígado pode não ser mais 
capaz de funcionar normalmente. Isso, junto com a formação de cicatrizes no fígado, é 
o que chamamos de cirrose. 
 
HEPATITE A 
O vírus da hepatite A é um vírus RNA (a sua informação genética é escrita em uma 
cadeia de RNA) transmitido por via oro-fecal, isto é, alimentos e água contaminados. O 
período de incubação (tempo para o aparecimento da doença) é de 2-6 semanas e o 
tempo em que o vírus é encontrado no sangue é pequeno (5-7 dias). Portanto, a 
transmissão parenteral (pelo sangue) é rara. Como uma infecção por via oro-fecal, sua 
transmissão esta associada a condições socioeconômicas, é mais comum em paises 
pobres e pode ocorrer em epidemias. 
SINTOMAS 
 A maioria dos pacientes não apresenta quaisquer sintomas, particularmente as 
crianças, ou apresenta sintomas incaracterísticos que se assemelham a um quadro 
gripal. Por esse motivo, muitos adultos descobrem que já tiveram hepatite A através 
de exames de sangue e nunca souberam. Quando se apresenta clinicamente, os 
sintomas mais comuns são icterícia (pele e olhos amarelados), fadiga, falta de apetite, 
náuseas e dores articulares e musculares, ocasionalmente com febre baixa e dor no 
fígado. 
 A hepatite A nunca se torna crônica e raramente é fulminante (menos que 1%). 
Manifestações sistêmicas são incomuns e incluem crioglobulinemia, nefrite, vasculite 
leucocitoclástica e meningoencefalite. A evolução mais comum e de recuperação 
completa em 3 semanas, mas pode em poucos casos apresentar surtos mais leves até 
6 meses apos a infecção. 
FISIOPATOGENIA 
 O vírus da hepatite A se concentra principalmente no fígado, mas pode também ser 
encontrado no estomago e no intestino. O vírus não destrói as células do fígado, mas 
sim o próprio sistema imunológico do doente, que destrói as células infectadas. Na 
biopsia do fígado, pode-se encontrar alterações necroinflamatórias (inflamação e 
destruição dos hepatócitos) na região peri-portal e colestase em graus variados. 
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm
DIAGNÓSTICO 
 O diagnostico da hepatite A é feito pela detecção de anticorpos contra o vírus. Os 
anticorpos aparecem em duas variedades, IgM e IgG, sendo que o primeiro aparece 
na infecção aguda e o segundo apos a cura, permanecendo por toda a vida e 
protegendo contra novas infecções. Elevações de AST e ALT ocorrem no quadro 
agudo e podem demorar até 6 meses para normalizarem. 
TRATAMENTO 
 O tratamento é baseado em medidas de suporte, sendo orientado repouso até 
melhora da icterícia. Sugere-se ainda interromper o uso de medicações que possam 
prejudicar o fígado (incluindo álcool) e dieta hipercalórica, pois o fígado é um dos 
responsáveis por manter constante a taxa de açúcar no sangue e esta função pode 
estar prejudicada. Devem ser tomados cuidados para evitar a transmissão entre os 
familiares. Só é necessária internação em casos graves, idosos e naqueles com outras 
doenças severas. Os raros pacientes com hepatite fulminante (com aparecimento de 
encefalopatia hepática dentro de 8 semanas do inicio dos sintomas) devem ser 
encaminhados para um centro de referencia e considerada a possibilidade de 
transplante hepático. 
PREVENÇÃO 
 As medidas gerais para a prevenção da hepatite A são higiênicas (lavar as mãos, 
usar água potável, lavar os alimentos e rede de esgoto). No caso de exposição ao 
vírus, pode ser utilizada a imunoglobulina A para prevenir o aparecimento da doença, 
sendo eficaz em 85% dos casos se administrada em até 10-14 dias. 
 As vacinas com o vírus inativado se mostraram seguras e eficazes, conferindo 
proteção de 94-100% após 2-3 doses, por 5 a 20 anos. Recomenda-se (apesar de não 
fazer parte do calendário vacinal do Ministério da Saúde) a vacinação em crianças em 
comunidades endêmicas, crianças que freq6uentam creches e pacientes portadores 
de doenças crônicas do fígado. Os principais efeitos colaterais são dor no local da 
injeção, febre e eventual dor de cabeça. 
 
HEPATITE B 
http://www.hepcentro.com.br/exames.htm
http://www.hepcentro.com.br/encefalopatia_hepatica.htm
 Mais de 50% da população mundial já foi contaminada pelo vírus da hepatite B. 
Estima-se algo em torno de 2 bilhões de pessoas que já entraram em contato com o 
vírus, 350 milhões de portadores crônicos e 50 milhões de novos casos a cada ano. 
Em áreas com maior incidência, 8 a 25% das pessoas carregam o vírus e de 60 a 85% 
já foram expostas. No Brasil, 15% da população já foi contaminada e 1% é portadora 
crônica. 
 O vírus que causa a hepatite B (VHB) é um vírus DNA, transmitido por sangue 
(transfusões, agulhas contaminadas, relação sexual, após o parto, instrumentos 
cirúrgicos ou odontológicos, etc.). Não se adquire hepatite B através de talheres, 
pratos, beijo, abraço ou qualquer outro tipo de atividade social aonde não ocorra 
contato com sangue. Após a infecção, o vírus concentra-se quase que totalmente nas 
células do fígado, aonde seu DNA fará o hepatócito construirnovos vírus. 
 O vírus da hepatite B é resistente, chegando a sobreviver 7 dias no ambiente 
externo em condições normais e com risco de, se entrar em contato com sangue 
através de picada de agulha, corte ou machucados (incluindo procedimentos de 
manicure com instrumentos contaminados), levar a infecção em 5 a 40% das pessoas 
não vacinadas (o risco é maior do que o observado para o vírus da hepatite C - 3 a 
10% ou o da AIDS - 0,2-0,5%). 
Apesar de sermos capazes de produzir anticorpos contra o vírus, eles só funcionam 
quando o vírus está na corrente sangüínea. Depois que o vírus entra nos hepatócitos, 
os anticorpos não conseguem destruí-lo diretamente. Como partes do vírus são 
expressos (partes dele aparecem) na membrana que recobre o hepatócito 
(principalmente o HBcAg), o organismo reconhece estas partes e desencadeia uma 
inflamação, onde células (principalmente linfócitos T citotóxicos) destroem os 
hepatócitos infectados. Está iniciada a hepatite. 
Hepatite Aguda 
 O resultado desta hepatite depende do equilíbrio entre o comportamento do vírus e 
as defesa do hospedeiro (a "vítima"). Se a quantidade de células infectadas é pequena 
e a defesa é adequada, a hepatite B pode ser curada sozinha sem sintomas (70% dos 
casos). Se a quantidade de células infectadas é grande, a reação pode levar aos 
sintomas (30%). 
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatites.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatites.htm
 O vírus da hepatite B pode permanecer no organismo, podendo infectar outras 
pessoas, por semanas antes dos sintomas, variando de 6 semanas a 6 meses. Os 
sintomas iniciais são mal estar, dores articulares e fadiga, mas depois podem evoluir 
para dor local, icterícia (amarelão), náuseas e falta de apetite. Os sintomas 
desaparecem em 1 a 3 meses, mas algumas pessoas podem permanecer com fadiga 
mesmo depois da normalização dos exames. 
 Em alguns poucos casos (0,1-0,5%), a resposta do organismo é tão exagerada que 
há destruição maciça dos hepatócitos (hepatite fulminante), podendo ser fatal. Cerca 
de 50% dos casos de hepatite fulminante estão relacionados à infecção com hepatite 
B. O sintoma que mais sugere a hepatite fulminante é o desenvolvimento de 
alterações neurológicas (sonolência, confusão mental), além de sangramentos e 
dificuldade respiratória. 
Hepatite Crônica 
 Em cerca de 3-8% dos adultos, a defesa imunológica não consegue destruir as 
células infectadas e a inflamação (hepatite) persiste. Quando a infecção persiste por 
mais de 6 meses, definindo hepatite crônica, a chance de cura espontânea é muito 
baixa. Os sintomas mais comuns são falta de apetite, perda de peso e fadiga, apesar 
da maioria das pessoas ser assintomática. Outras manifestações extra-hepáticas, 
mais raras, incluem artralgias, artrite, poliarterite nodosa, glomerulonefrite, derrame 
pleural, púrpura de Henoch-Schölein, edema angioneurótico, pericardite, anemia 
aplástica, pancreatite, miocardite, pneumonia atípica, mielite transversa e neuropatia 
periférica. 
 Dentre as pessoas com hepatite B crônica, algumas tem sistema imunológico 
"tolerante" ao vírus. Nestas, a destruição de hepatócitos é quase nula e, portanto, o 
risco a longo prazo de evolução da doença é baixo. Nestes pacientes, os níveis de 
AST e ALT, marcadores de lesão celular, são baixos, a quantidade de vírus circulando 
no sangue é pequena e a pessoa é considerada portadora sã, o que significa que essa 
pessoa dificilmente sofrerá as conseqüências da doença, mas que mesmo assim pode 
transmiti-la. Mesmo nessas pessoas, podem haver períodos de atividade ("flares") da 
doença que, se curtos, não costumam alterar o prognóstico. 
 Outras pessoas desenvolvem destruição crônica das células do fígado, com 
elevação de AST e ALT e atividade histológica constantes, ou "flares" prolongados. 
http://www.hepcentro.com.br/exames.htm
Estes portadores de hepatite crônica ativa têm um risco maior de desenvolver cirrose e 
câncer. 
 Com a destruição crônica das células, estas aos poucos vão dando lugar às 
cicatrizes, até o desenvolvimento de cirrose. Até cerca de 50% destas pessoas com 
cirrose vai desenvolver um câncer de fígado (hepatocarcinoma), mas mesmo antes da 
cirrose o hepatocarcinoma pode surgir. De fato, o risco anual de desenvolvimento de 
hepatocarcinoma é de 0,06-0,3% em portadores sãos, 0,5-0,8% na hepatite crônica 
ativa e 1,5-6,6% na cirrose. Deve-se lembrar no entanto que o uso de álcool e a co-
infecção com hepatites A, C ou D costumam piorar muito o curso da doença. 
Hepatite adquirida ao nascimento 
 No caso de crianças que entram em contato com o vírus no parto, o sistema 
imunológico é incapaz de desenvolver uma boa defesa. Isto faz com que um grande 
número de células se infectem e, com o tempo, o organismo desenvolve uma certa 
"tolerância", gerando uma hepatite crônica leve em cerca de 90% dos casos. O risco 
de hepatite crônica já diminui para 20-50% quando há infecção em crianças entre 1-5 
anos. Em adultos com déficit de imunidade, o risco é de cerca de 50%. 
 Espera-se que, neste tipo de infecção, 90% dos portadores assintomáticos ainda 
apresentem sinais de replicação do vírus (HBeAg positivo) aos 15 anos de idade, uma 
fase chamada de "tolerância imunológica", mas que essa taxa reduza gradativamente 
até apenas 10% aos 40 anos. Durante essa segunda fase, chamada de "depuração 
imunológica", o sistema imunológico tenta eliminar o vírus, levando a episódios de 
"flares" (ativações) da hepatite intercalados com períodos de ausência de atividade da 
doença. Durante essa fase, há a formação, portanto, de cicatrizes (fibrose) e pode se 
desenvolver hepatopatia crônica ou cirrose. Nos 90% que aos 40 anos não 
desenvolveram cirrose e permanecem na terceira fase (de "baixa replicação"), o 
prognóstico é bom. Os 10% que permanecem com atividade da doença tem pior 
prognóstico, com maior risco de desenvolvimento de cirrose e hepatocarcinoma. 
DIAGNÓSTICO 
 O diagnóstico da hepatite B, bem como das suas fases evolutivas, é baseado 
classicamente na coleta de sorologias, conforme tabela abaixo. No entanto, deve ser 
associado a marcadores de lesão de células (AST e ALT) e, mais recentemente, pode 
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm
http://www.hepcentro.com.br/neoplasia_hepatica.htm
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatocarcinoma.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatocarcinoma.htm
http://www.hepcentro.com.br/doenca_hepatica_pelo_alcool.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_a.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_d.htm
http://www.hepcentro.com.br/exames.htm
ser utilizado o método de PCR (polimerase chain reaction) para detectar a quantidade 
do vírus circulante no sangue. 
 Compreender o significado dos exames sorológicos não é fácil e é motivo de 
confusão não só entre os portadores, mas também entre os médicos que não estão 
acostumados a lidar com a hepatite B. É extremamente comum portadores com 
diagnósticos de hepatite B crônica ativa quando na verdade os exames só mostraram 
que foram vacinados contra a hepatite B. 
 O tratamento da hepatite B crônica visa suprimir a replicação viral e reduzir a lesão 
hepática, prevenindo a evolução para cirrose e carcinoma hepatocelular. São 
considerados portanto objetivos do tratamento: 
• soroconversão de HBeAg para anti-HBe; 
• desaparecimento do DNA do vírus do soro; 
• normalização do nível de ALT; 
• melhora da histologia hepática. 
 Espera-se que, com efeitos sustentados, a progressão para cirrose e 
hepatocarcinoma seja atrasado ou pare. Atualmente, há três tratamentos com eficácia 
comprovada para a hepatite B crônica em uso no Brasil: 
• interferon-alfa-1b; 
• lamivudina; 
• adefovir dipivoxil; 
• interferon peguilado, entecavir, telbivudina e outros ainda estão em estudo. 
 
HEPATITE C 
 Hepatite C é a inflamaçãodo fígado causada pela infecção pelo vírus da hepatite C 
(VHC ou HCV), transmitido através do contato com sangue contaminado. Essa 
inflamação ocorre na maioria das pessoas que adquire o vírus e, dependendo da 
intensidade e tempo de duração, pode levar a cirrose e câncer do fígado. Ao contrário 
dos demais vírus que causam hepatite, o vírus da hepatite C não gera uma resposta 
imunológica adequada no organismo, o que faz com que a infecção aguda seja menos 
sintomática, mas também com que a maioria das pessoas que se infectam se tornem 
portadores de hepatite crônica, com suas consequências a longo prazo. 
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm
http://www.hepcentro.com.br/neoplasia_hepatica.htm
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm
http://www.hepcentro.com.br/neoplasia_hepatica.htm
 Estima-se que cerca de 3% da população mundial, 170 milhões de pessoas, sejam 
portadores de hepatite C crônica. É atualmente a principal causa de transplante 
hepático em países desenvolvidos e responsável por 60% das hepatopatias crônicas. 
No Brasil, em doadores de sangue, a incidência da hepatite C é de cerca de 1,2%, 
com diferenças regionais 
Apesar dos esforços em conter a epidemia atual, especialmente com a realização de 
exames específicos em sangue doado, a hepatite C é uma epidemia crescente. 
Estima-se que a prevalência (número total de casos) só atinja o seu pico em 2040 e, à 
medida que o tempo de infecção aumenta, que a proporção de novos pacientes não 
tratados com cirrose dobre até 2020. Assim, medidas adicionais de prevenção e 
tratamento precisam ser tomadas antes disso, ou nas próximas décadas a epidemia 
de hepatite C atingirá complicações na saúde pública a níveis insustentáveis. 
SINTOMAS 
 Diferentemente das hepatites A e B, a maioria das pessoas que adquirem a hepatite 
C desenvolvem doença crônica e lenta, sendo que a maioria (90%) é assintomática ou 
apresenta sintomas muito inespecíficos, como letargia, dores musculares e articulares, 
cansaço, náuseas ou desconforto no hipocôndrio direito. Assim, o diagnóstico só 
costuma ser realizado através de exames para doação de sangue, exames de rotina 
ou quando sintomas de doença hepática surgem, já na fase avançada de cirrose. 
 Além dos sintomas relacionados diretamente à hepatite, o vírus pode desencadear o 
aparecimento de outras doenças através de estimulação do sistema imunológico. 
TRANSMISSÃO 
 A transmissão da hepatite C ocorre após o contato com sangue contaminado. 
Apesar de relatos recentes mostrando a presença do vírus em outras secreções (leite, 
saliva, urina e esperma), a quantidade do vírus parece ser pequena demais para 
causar infecção e não há dados que sugiram transmissão por essas vias. O vírus da 
hepatite C chega a sobreviver de 16 horas a 4 dias em ambientes externos. Grupos 
de maior risco incluem receptores de sangue, usuários de drogas endovenosas, 
pacientes em hemodiálise (cerca de 15-45% são infectados nos EUA) e trabalhadores 
da área de saúde. 
 Com o surgimento de exames para detecção da hepatite C, a incidência anual vem 
caindo. Isso é mais significativo em receptores de transfusões, pois essa era a 
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_a.htm
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_b.htm
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm
principal via de transmissão e atualmente o risco de adquirir hepatite C por transfusão 
sangüínea está entre 0,01 e 0,001%. Atualmente, o maior risco é dos usuários de 
drogas, que nos EUA tem 72-90% de prevalência de infecção. Estima-se que após 6 
a 12 meses de uso de drogas endovenosas, 80% dos indivíduos estão 
infectados. 
 Em trabalhadores de saúde que se acidentam com agulhas contaminadas, há o risco 
de transmissão, mas ele é menor que 4% (menos que a hepatite B, mais que o HIV) e 
isso é responsável por menos de 1% dos casos de infecções. 
 A transmissão vertical (mãe para filho) ocorre em 0 a 35,5% dos partos de mães 
infectadas, dependendo principalmente da quantidade de vírus circulante no momento 
do parto e coinfecção com HIV. A taxa de transmissão vertical em geral está entre 4,3 
a 5,0%. Há aparente risco maior no parto normal que na cesariana e o aleitamento 
materno parece ser seguro, mas os estudos em ambos os casos são conflitantes. Não 
há até o momento nenhuma técnica para reduzir o risco de transmissão para o bebê 
durante o parto. Após o parto, deve ser realizada sorologia (anti-VHC) do bebê apenas 
após os 18 meses, pois antes disso os anticorpos detectados no sangue do bebê 
podem ser os provenientes do sangue da mãe, passados para o feto através da 
placenta. Há também a possibilidade de coleta de sangue para pesquisa do RNA VHC 
(pelo PCR) na primeira e na segunda consulta de puericultura (com o pediatra, entre 
um a dois meses de vida). 
DIAGNÓSTICO 
 O principal método diagnóstico para a hepatite C continua sendo a sorologia para 
anti-HCV pelo método ELISA, sendo que a terceira geração deste exame, o ELISA III, 
tem sensibilidade e especificidades superiores a 95% (com valor preditivo positivo 
superior a 95%). Após a infecção, o exame torna-se positivo entre 20 e 150 dias 
(média 50 dias). 
 A hepatite C aguda é assintomática em 84% dos casos, o que dificulta o diagnóstico. 
O tempo de incubação (entre o contato com o vírus até o desenvolvimento da hepatite 
aguda) é de 15 a 60 dias (média de 45 a 55 dias), mas a pessoa já pode transmitir a 
doença mesmo antes disso. Os sintomas mais comuns são icterícia, fadiga, febre, 
náusea, vômitos e desconforto em hipocôndrio direito, geralmente 2-12 semanas após 
a exposição e dura de 2 a 12 semanas. O diagnóstico da fase aguda requer a 
realização de PCR, uma vez que infecções agudas podem ser soronegativas. 
O principal fator que leva à grande importância da hepatite C é a sua alta cronicidade. 
Apenas 15 a 30% das pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C curam 
espontaneamente, enquanto 70 a 85% ficam com hepatite crônica. Persistindo a 
viremia, a progressão do dano hepático é de um estágio de atividade ou fibrose a cada 
7-10 anos. Aproximadamente 20 a 30% dos portadores de hepatite C crônica 
desenvolvem cirrose após 10 a 20 anos de infecção. 
 Observe que, apesar de ser uma doença que pode levar a um grande número de 
cirroses e cânceres por estarmos em uma epidemia, a maioria das pessoas que 
adquire a hepatite C, a maioria das pessoas infectadas não apresentará complicações 
relacionadas a essa doença durante a sua vida. 
http://www.hepcentro.com.br/cirrose.htm

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