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FACULDADE DE ENGENHARIA Cursos de Licenciatura em Engenharia Apostila de actividade laboratorial Unidade Curricular: Física I Ano académico: I Ano: 2025 Semestre: I CHS (hrs): 2 Laboriatório: 4 Regente: Félix Tomo, MSc Assist: S. Tinga; E. Machiana; B. Matsinhe; V. Sultane e G. Massimbe DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DA DENSIDADE DE LÍQUIDOS 1 Introdução A densidade é uma propriedade física fundamental da matéria, representando a quantidade de massa contida em um determinado volume. No caso dos líquidos, essa grandeza desempenha um papel essencial na compreensão de diversos fenômenos naturais e industriais, sendo amplamente estudada na engenharia, nas ciências ambi- entais, na indústria química e na física de fluidos. O conhecimento preciso da densidade de um fluido permite prever seu comportamento em sistemas hidráulicos, misturas e processos químicos, além de ser um parâmetro crucial em estudos sobre flutuabilidade, transporte de substâncias e dinâmica dos fluidos. Existem diversos métodos experimentais para determinar a densidade de um líquido, sendo um dos mais eficientes e acessíveis o uso do tubo em U. Esse método se baseia no Princípio de Stevin, um dos pilares da hi- drostática, que estabelece que a pressão em um fluido em equilíbrio varia conforme a profundidade e a densidade do próprio fluido. Quando dois líquidos não miscíveis são inseridos em um tubo em forma de U, suas alturas de equilíbrio refletem a relação entre suas densidades. Dessa forma, ao medir essas alturas e conhecer a densidade de um dos fluidos, é possível calcular a densidade do outro de maneira simples e precisa. 2 Objetivos da Aula • Determinar experimentalmente a densidade de líquidos utilizando o tubo em U e o Princípio de Stevin; • Verificar a relação matemática entre a altura das colunas de líquidos e suas respectivas densidades; • Comparar os valores experimentais com valores teóricos de densidade; • Avaliar as incertezas experimentais associadas às medições de altura dos líquidos; FENG - Departamento de Cadeiras Gerais Pág. 1 / 4 3 Base Teórica A densidade absoluta ou massa específica (ρ) de um fluido é determinada através de um volume (∆V ) e sua massa (∆m) equivalente a ele. Seu cálculo é obtido através da equação 1. ρ = ∆m ∆V (1) Essa grandeza é uma propriedade específica, isto é, cada substância apresenta a sua própria, que a identi- fica e a diferencia das outras a mesma temperatura. O principal equipamento utilizado para a determinação da densidade é o densímetro. Além dele, é possível utilizar um tubo em U aberto para essa medição. Neste caso, é preciso utilizar dois fluidos não miscíveis, um com a densidade conhecida e outro, a ser deter- minado. A pressão sobre ambas as aberturas é equivalente à pressão atmosférica (1,013×105 Pa). Ao adicionar os líquidos no tubo, percebe-se que as alturas dos fluidos, em ambos os lados, são diferentes, devido à diferença de densidade (figura 1). Figura 1: Tubo em U e as diferentes alturas dos fluidos, devido à diferença de densidade [?]. O tubo em U segue o princípio de Pascal, que enuncia que “uma variação da pressão aplicada em um fluido incompressível, contido em um recipiente, é transmitida integralmente a todas as partes dos fluidos e às paredes do recipiente”, conforme a equação 2. ∆P = ρg∆h (2) Sendo assim, deve-se escolher dois pontos que estejam submetidos à mesma pressão e que envolvam os dois fluidos, ou seja, o ponto de encontro dos dois fluidos e o ponto equivalente do outro lado do tubo. Sabendo que a pressão é a mesma, podemos equacionar as alturas dos fluidos em relação às suas densidades, utilizando a equação de Pascal. Agora, consideremos um sistema com dois fluidos: um com densidade conhecida (ρ1), como a água, e o outro com densidade desconhecida (ρ2), como o óleo ou petróleo. A diferença de altura (h1 e h2) nas colunas de fluido gerada pela diferença de densidade pode ser relacionada pela seguinte equação: ρ1 ·h1 = ρ2 ·h2 (3) Esta relação é derivada da equação de Pascal e expressa o equilíbrio de pressões nos dois lados do tubo em U. Como a densidade da água (ρ1) é conhecida, podemos resolver para a densidade do fluido desconhecido (ρ2): ρ2 = ρ1 · h1 h2 (4) FENG - Departamento de Cadeiras Gerais Pág. 2 / 4 Essa equação mostra que a densidade do fluido desconhecido (ρ2) pode ser determinada pela densidade de um fluido de referência (ρ1) e a razão entre as alturas dos fluidos (h1/h2) no tubo em U. A relação entre as alturas h1 e h2 é fundamental, pois, à medida que o fluido com densidade maior for colocado em um dos lados, a altura h1 será maior, enquanto o fluido com densidade menor terá uma altura h2 maior, de acordo com a equação 3. Esse tipo de experimento é utilizado com frequência para determinar a densidade de óleos e derivados de petróleo, já que a densidade desses líquidos pode variar significativamente dependendo de sua composição e temperatura. Essa técnica de medição é particularmente útil em contextos industriais, como no controle da qualidade de petróleo, onde a densidade pode fornecer informações valiosas sobre o tipo e a qualidade do produto. A precisão na medição das alturas e a utilização de fluidos de densidade bem conhecida são fundamentais para garantir a acurácia dos resultados obtidos. 3.1 Material Necessário Para a realização da determinação de densidade de fluidos utilizando o tubo em U e o princípio de Pascal, os seguintes materiais serão necessários: 1. Tubo em U de vidro ou material adequado para suportar os líquidos a serem utilizados. 2. Três líquidos não miscíveis (por exemplo, água, óleo ou petróleo), sendo um de densidade conhecida e outro de densidade desconhecida. 3. Régua de medição ou calibrador para medir as alturas (h1 e h2) dos fluidos no tubo em U. 4. Suporte para manter o tubo em U em posição vertical durante o experimento. 5. Termômetro para controlar a temperatura, já que a densidade pode variar com a temperatura. 6. Pipetas ou buretas para adicionar os líquidos no tubo com precisão. 7. Aquecedor para aelevar a temperatura dos líquidos. 3.2 Procedimento Experimental • Posicione o tubo em U verticalmente em um suporte estável. O tubo deve estar limpo e livre de impurezas para garantir a precisão dos resultados. • Preencha ambos os lados do tubo com os dois líquidos não miscíveis. O líquido com densidade conhecida (como água) deve ser colocado de um lado, e o fluido desconhecido (como óleo ou petróleo) do outro. Use um tubo para cada líquido de densidade desconhecida. • Utilize uma régua ou calibrador para medir as alturas (h1 e h2) dos fluidos no tubo. A altura h1 é a altura do fluido com densidade conhecida, e h2 é a altura do fluido com densidade desconhecida. • Registre a temperatura dos líquidos durante o experimento. A densidade pode variar com a temperatura, então é importante manter as condições constantes ou realizar a correção para a temperatura experimental. • Repita o procedimento anterior para cada fluído em 8 medições. • Altere a temperatura da água e do óleo, aquecendo num aquecedor e repita o procedimento anterior. Anote as temperaturas dos dois fluidos para a aferição das suas densidade teóricas. FENG - Departamento de Cadeiras Gerais Pág. 3 / 4 4 Orientações para o Relatório 1. Determinar os valores médios das densidades dos líquidos; 2. Calcular as incertezas expandidas e percentuais das medições das alturas; 3. Comparar os valores experimentais com os teóricos, verificando a consistência dos resultados; 4. Incluir todos os dados experimentais acompanhados de seus respectivos desvios; 5. Analisar o efeito da alteração da temperatura nos valores da densidade. FENG - Departamento de Cadeiras Gerais Pág. 4 / 4 Introdução Objetivos da Aula Base Teórica Material Necessário Procedimento Experimental Orientações para o Relatório