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DIREITO DO TRABALHO I - Márcio Túlio Viana - 70 Anos de CLT - 2013

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que o Direito do Trabalho nasceu constitucional e internacional. 
264 ADAM SMITH, em A riqueza das nações.
265 Segundo pesquisa realizada pelo amigo advogado Luis Carlos Moro.
�����,QIRUPDomR�FROKLGD�HP�VLWH�GH�2�*ORER��KWWS���RJORER�JORER�FRP�LQIRJUDÀFRV�
clt-70-anos/
267 É esse o título de um livro famoso, muito antigo, de um grande jurista – Ihering
 anos de CLT Uma história de trabalhadores 
146
Vejamos primeiro o sindicato.
(P�VHX�FOiVVLFR�ÀOPH�Tempos Modernos, mistura de drama e comédia, 
&KDUOHV�&KDSOLQ�QRV�PRVWUD�²�FRP�H[DJHURV��p�FODUR�²�FRPR�YLYLDP�RV�RSHUiULRV�
na linha de montagem fordista. Mas ele também vai nos ensinando – talvez 
DWp�VHP�WHU�SHUFHELGR�²�TXH�RV�FRQÁLWRV�do trabalho têm algo de bem diferente 
GRV�FRQÁLWRV�FRPXQV��
'H� IDWR�� DR� FRQWUiULR� GR� TXH� DFRQWHFH� QDV� JXHUUDV�� SRU� H[HPSOR��
trabalhadores e empresários não costumam fabricar suas próprias armas. 
Preferem usar as do adversário. No mínimo, usam em seu favor a matéria-
prima ou a forma de organização do outro.
1XPD� GDV� FHQDV� GR� ÀOPH�� XP� EDQGR� GH� JHQWH� SHUVHJXH� R� KHUyL� ²� R�
famoso Carlitos – e ele se defende apertando o botão que fazia funcionar 
a esteira rolante. Então, eles voltam automaticamente para o trabalho, de 
tão acostumados que estavam. Em outra cena, o mesmo Carlitos, ainda 
perseguido, encontra uma lata de óleo e o esguicha no rosto do chefe.
Do mesmo modo, uma autora��� nos conta que, nas greves de 1978, no 
$%&�3DXOLVWD��RV�WUDEDOKDGRUHV�XVDYDP�PXLWDV�YH]HV�RV�EDQKHLURV�FRPR�OXJDU�
GH�UHXQL}HV��RXWUDV�YH]HV��RFXSDQGR�D�IiEULFD��UHEDWL]DYDP�OXJDUHV�FRPR�VH�
IRVVHP�GHOHV��+RXYH�XPD�SHTXHQD�SUDoD��SRU�H[HPSOR��QR�PHLR�GD� IiEULFD��
que durante os dias de ocupação eles chamavam de 1º de maio...
$OLiV��HP�WRGD�JUHYH��RV�WUDEDOKDGRUHV�VH�DSURSULDP�da própria lógica 
da empresa�����FRPR�HOD�SUHFLVD�IXQFLRQDU�VHPSUH��SDUD�SDJDU�VXDV�PiTXLQDV�
e não ter prejuízo, eles resolvem em bloco�GHL[DU�GH�WUDEDOKDU��e�FODUR�TXH��
VH�FDGD�XP�SDUDVVH�QXP�GLD��SRU�VXD�FRQWD��R�UHVXOWDGR�QmR�VHULD�R�PHVPR��
como o que eles querem, em geral – com aquele pequeno grito de liberdade 
–, é voltar ao lugar da subordinação, a greve em geral respeita, protege a 
propriedade do empregador.��� 
Do mesmo modo, além de usar suas próprias armas, a empresa procura 
LPLWDU�RX�XWLOL]DU�DV�GR�DGYHUViULR��e�R�TXH�DFRQWHFH��SRU�H[HPSOR��TXDQGR�
oferece aos trabalhadores vantagens maiores, à primeira vista, que as do 
sindicato – como colônias de férias, clubes ou festas. 
Nesse jogo de sedução, inteligência e até mesmo espertezas, trabalhadores 
e empresas vão observando, analisando, criticando e aprendendo uns com os 
268 AMNÉRIS MARONI. A estratégia da recusa. Campinas: Unicamp
269 Também nesse sentido, AMNES MARONI.
270 Sobre greve, veja o nosso artigo Da greve ao boicote.
Márcio Túlio Viana
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outros. Sem saber e mesmo sem querer, cada um oferece ao outro suas armas 
ou estratégias. 
Trata-se, no fundo, de apenas repetir o que os atores sociais sempre 
À]HUDP�²�FDGD�TXDO� LPLWDQGR�R�RXWUR��RX�VH�VHUYLQGR�GHOH�RX�GR�DPELHQWH��
$VVLP��HP�YH]�GH�ÀFDU�QD�WULQFKHLUD�RX�GH�DEDQGRQi�OD��D�PHOKRU�UHVSRVWD�
seria contra-atacar, considerando as novas coisas da vida, os novos modos do 
mundo – o entorno. 
$OLiV�� HP� JUDQGH� SDUWH�� R� SUySULR� 'LUHLWR� GR� 7UDEDOKR� QDVFHX� DVVLP��
Ele surgiu da união operária, que, por sua vez, surgiu da fábrica, ou seja, do 
SUySULR�VLVWHPD��RX�PDLV�H[DWDPHQWH�GH�XP�modo de ser do sistema. 
(�TXDQGR�GL]HPRV�TXH�R�'LUHLWR�GR�7UDEDOKR�´ QDVFHXµ��WDOYH]�VHMD�SUHFLVR�
FRPSOHWDU�D�IUDVH�FRP�DV�SDODYUDV��´ D�SULPHLUD�YH]µ��3RLV�R�'LUHLWR�GR�7UDEDOKR�
QXQFD�GHL[RX�GH�VHU�IHLWR��QHVVH�VHQWLGR�continua nascendo, a cada dia. E a 
CLT mostra isso muito bem.
2� SUREOHPD� p� TXH� R� VLQGLFDWR�� FRPR� HX� UHVVDOWDYD�� HVWi� HP� FULVH�� e�
bem mais difícil hoje construir os laços, as tramas, não só por causa das 
terceirizações, mas porque os contratos de trabalho – e as próprias normas 
WUDEDOKLVWDV�²�YmR�ÀFDQGR�PHQRV�LJXDLV��DMXGDQGR�D�GHVXQLU�R�TXH�DQWHV�HUD�
unido.
$V� SUHVV}HV� TXH� KRMH� YHPRV� QDV� UXDV� VmR� SUHVV}HV� GH� PDVVDV�� PDV�
são pressões também avulsas, cada um ou cada grupo com seu protesto e 
sua pequena bandeira. De modo geral, são pressões fugazes, inconstantes, 
imprevisíveis.
Por outro lado, no entanto, elas se tornam mais aceitas, mais legitimadas. 
,VVR�OKHV�Gi�IRUoD��$OpP�GLVVR��RV�PRYLPHQWRV�SRSXODUHV�²�LQFOXVLYH�RV�VLQGLFDWRV�
²� WrP�KRMH� LQVWUXPHQWRV� QRYRV��PXLWR�PDLV� HÀFD]HV�� FRPR� D� LQWHUQHW� H� DV�
UHGHV�VRFLDLV��1HVVH�VHQWLGR��FRPR�HP�WDQWRV�RXWURV��D�JOREDOL]DomR�p�SRVLWLYD�
$VVLP�� HP�VtQWHVH�� WHPRV�XPD�&/7�PDLV�DEHUWD�� FRPR� WXGR� RX�TXDVH�
WXGR�QHVVH�QRYR� WHPSR��([DWDPHQWH�SRU� LVVR�� WHPRV�XPD�&/7�PXLWR�PDLV�
imprevisível, com possibilidades inéditas tanto para crescer como para 
diminuir. 
2�TXH�YDL�GHÀQLU�R�HTXLOtEULR�GHVVD�EDODQoD�VmR�RV�SHVRV��
Ora, se a CLT depende de pressões para crescer e ser mais efetiva e 
se essas pressões parecem diminuir, o que se pode fazer? De mais a mais, 
 anos de CLT Uma história de trabalhadores 
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diante de tantas incertezas, vale a pena, mesmo, preocupar-se com os pesos 
da balança?
'L]HU� TXH� R� IXWXUR� p�PDLV� LQFHUWR� QmR� VLJQLÀFD� TXH� R� FHUWR� VHMD� YLYHU�
DSHQDV�R�SUHVHQWH��GHL[DQGR�TXH�DV�FRLVDV�VH�UHVROYDP�SRU�VL��$R�FRQWUiULR�GR�
que a palavra indica, esperança é mais do que esperar��e�FRPR�GL]�D�FDQomR����
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
2�/HLWRU�SRGH�HQWmR�SHUJXQWDU��´PDV�FRPR�fazer a hora se a CLT precisa 
do sindicato, e o sindicato está em crise?” 
Se o sindicato está em crise, então terá de se reinventar. Para isso, 
precisa observar o que acontece à sua volta, olhando para as outras coisas do 
mundo.
Ora, o que o mundo estará dizendo ao sindicato?
7DOYH]�HVWHMD�OKH�GL]HQGR�SDUD�VH�PH[HU�PDLV��LQRYDU�VHPSUH��ID]HU�VH�
GLIHUHQWH�D�FDGD�GLD��2EVHUYDU�FRP�DWHQomR��SRU�H[HPSOR��RV�QRYRV�PRYLPHQWRV�
de rua – como os ÁDVK�PREV�²�H�DV�H[SHULrQFLDV�GDV�UHGHV��$SUHQGHU�D�VHU�PDLV�
movimento que sindicato, talvez um pouco como eram as antigas coalizões. 
E ele terá também de descobrir como anda o trabalhador – saber quem é 
HOH��DÀQDO�²�SDUD�HQWmR�DOFDQoDU�QmR�Vy�D�VXD�LQWHOLJrQFLD��PDV�DR�VHX�FRUDomR��
pois vivemos hoje também um tempo apaixonado, de fortes sentimentos e 
emoções. 
4XDQWR� D� WRGRV� QyV�� VHULD� ERP� QmR� DFHLWDUPRV� SLDPHQWH� R� TXH� GL]� R�
comentário da revista ou o noticiário da TV. Em outras palavras, precisamos 
criticar a crítica. 
'HVVH�PRGR��WDOYH]�SRVVDPRV�FRQFOXLU��SRU�H[HPSOR��TXH��VH�*HW~OLR�QmR�
foi o pai, está longe de ter sido o padrasto�GRV�WUDEDOKDGRUHV��8VDU�D�&/7�²�
FRPR�IH]�R�(VWDGR�1RYR�²�SDUD�HQJUDQGHFHU�VXD�ÀJXUD�QmR�p�SLRU�GR�TXH�XVDU�
VXD�ÀJXUD�SDUD�FRPEDWHU�D�&/7��
'H�PDLV�D�PDLV��QHP�WRGRV�RV� IDWRV�GHL[DP�PDUFDV�QD�PHPyULD��QHP�
geram os mesmos efeitos para sempre.
271 De Geraldo Vandré.
Márcio Túlio Viana
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1DTXHOH�GLVWDQWH��ž�GH�PDLR�GH�������SRU�H[HPSOR��PXLWRV�WUDEDOKDGRUHV�
tiveram de assinar o livro de ponto antes e depois da grande festa.��� Houve 
EDQGHLUDV��KLQRV��PRoDV�YHVWLGDV�GH�EUDQFR��0DV�HX�SHUJXQWR��TXH�VHQWLGR��
hoje, para nós, coisas como essas teriam?
EP������� R�HPSUHJDGR�Rodrigo dos Santos Pita foi despedido da Cia. 
)HUURYLiULD� (VWH� %UDVLOHLUR� SRU� MXVWD� FDXVD�� SRUTXH� HVFUHYHUD� ´ELOKHWHV�
DSDL[RQDGRVµ� SDUD� D� ´HVSRVD� GR� IHLWRUµ����� (P� DJRVWR� GH� ������ GXUDQWH� D�
guerra, o povo depredou a Padaria Savassi, em Belo Horizonte, pois os donos 
HUDP� LWDOLDQRV�� HOHV� WLYHUDP�� HQWmR�� GH� IHFKDU� VXDV� SRUWDV�� GHVSHGLQGR� RV�
padeiros e ajudantes.��� 
3HUJXQWR�DLQGD�DR�/HLWRU��DWp�TXH�SRQWR�esse passado que nos parece tão 
GLIHUHQWH�GHL[D�DLQGD�PDUFDV�HP�QRVVDV�YLGDV"�4XDO�p�VXD�LPSRUWkQFLD�SDUD�D�
KRUD�H[WUD�GR�RSHUiULR��D�PXOWD�GR�ÀVFDO��R�HVWUHVVH�GR�GLJLWDGRU�RX�D�V~PXOD�