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Apostila - Transmissão de Energia Elétrica - Curso Básico

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necessário um estudo de viabilidade técnico-econômica. 
Alguns parâmetros construtivos exigem estudos profundos. Um deles é a escolha do 
traçado da linha de transmissão, onde a técnica moderna do traçado deve levar em conta 
obstáculos naturais (morros, rios, vilas, povoados, etc.) ou vias de acesso, indispensáveis 
para a construção e principalmente para a manutenção futura. 
Isto geralmente resulta de um compromisso entre o aumento de comprimento da linha e 
número de ângulos a serem introduzidos e o maior custo de construção. 
A definição do traçado viável é baseada em levantamentos aerofotogramétricos existentes 
ou a serem realizados. Com este traçado preliminar, faz-se um levantamento topográfico 
que consiste normalmente na demarcação do eixo da linha, com medições transversais 
nas regiões onde a topografia do terreno poderia prejudicar as distâncias livres entre 
condutores e terra. 
Neste levantamento, anota-se também detalhadamente a natureza do terreno, a 
vegetação, as zonas inundáveis, os obstáculos como cercas, edificações, linhas de AT e 
BT, divisas, nomes de proprietários, estradas ou caminhos de acesso. 
Atualmente se desenvolvem técnicas de construção com aparelhos topográficos com o 
uso de raios laser, infra-vermelho e gravações em fitas de leituras. Isto permite resultados 
de alta precisão e segurança, como também, posterior processamento dos dados por 
computador. 
Após este processo e definido o traçado, inicia-se o processo construtivo da linha de 
transmissão com definição do projeto de linha (tensão, tipo de cabo, tipo de torres, etc.), 
limpeza da faixa de servidão, estradas de acesso e locação das torres. 
 
1.4 – Processos e Componentes da Construção de uma Linha de Transmissão 
 
Quando da locação das torres, é realizado no local uma sondagem do terreno, para definir 
o tipo de fundação. Após definida, é feita a demarcação das cavas, seguida das 
escavações. 
Concluídas as escavações, iniciam-se os processos de montagem das bases, 
nivelamento das mesmas e posterior complemento da montagem. 
 
1.4.1 – Estrutura ou Torre 
 
É o elemento suporte de uma linha de transmissão. 
Tem por finalidade a sustentação dos cabos condutores de energia e pára-raios. 
Os tipos usuais são: 
 
9 Entreliçada: auto-portante ou estaiada; 
9 Tubular: auto-portante; 
9 Concreto: auto-portante; 
9 Madeira: auto-portante (tensões inferiores a 88 KV). 
 
 
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Estruturas ou Torres 
 
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Sinalização das Estruturas ou Torres 
 
Tem por finalidade, chamar a atenção para possíveis obstáculos que existem na diretriz 
da linha. 
 
 
Esfera de Sinalização Aérea 
 
1.4.2 – Ferragens e Isolador 
 
Têm por finalidade a fixação do cabo pára-raios na torre com ou sem isolação. 
Os tipos usuais são: 
 
9 Suspensão; 
9 Ancoragem. 
 
1.4.3 – Cadeias de Fixação do Cabo Condutor 
 
Têm por finalidade a sustentação e isolação do cabo condutor à torre. A isolação é feita 
por isoladores entre o cabo condutor e a torre. 
Os tipos usuais são: 
 
9 Suspensão simples; 
9 Suspensão dupla; 
9 Suspensão em “V”; 
9 Ancoragem simples; 
9 Ancoragem dupla; 
9 Ancoragem em balanço. 
 
 
Cadeia de Suspensão Simples para Quatro Condutores 
 
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Cadeia de Ancoragem Dupla 
 
1.4.4 – Cabo Pára-raios; 
 
Têm por finalidade proteger a linha de transmissão contra as perturbações atmosféricas. 
Normalmente usa-se cabo de aço de 5/16’ ou 3/8’ para cabo pára-raios, lançado na parte 
superior da torre. 
O cabo pára-raios é ligado à torre através das ferragens de fixação. As eventuais 
descargas elétricas atmosféricas circulam pelo cabo de aço, pela torre e pelo sistema de 
aterramento (contrapeso). 
 
1.4.5 – Cabo Condutor 
 
Tem por finalidade transportar a energia elétrica. É formado por um conjunto de fios de 
alumínio ou cobre, em função da boa condutibilidade e existência na natureza em 
quantidades economicamente exploráveis desses materiais. 
Os cabos para terem maior resistência mecânica são fabricados com uma alma de aço, 
que é o conjunto de fios de aço que compõem a parte central do cabo. 
Usa-se como unidade de medida de cabo o AWG (American Wire Gauge) ou CM (Circular 
Mil). 
Os tipos usuais são: 
 
9 Sem alma de aço; 
9 Com alma de aço; 
9 Com alma de aço zincado. 
 
Tipos de Cabos e Bitolas 
 
São definidos em função da quantidade de energia a ser transportada, da tensão da linha, 
do efeito corona, da rádio e TV interferência, dos vãos entre torres e da quantidade de 
cabos por fase. Os fabricantes de cabos, além do tipo e bitola, caracterizam os mesmos 
por nome: Turkey, Penguin, Partridge, Linnet, Grosbeak, Rail, Falcon. 
 
 
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Formação de Cabos de Alumínio 
 
1.4.6 – Cabo Contrapeso 
 
Tem por finalidade o aterramento das torres. 
Por ele escoam as cargas elétricas oriundas de perturbações atmosféricas, indução da 
linha e da própria linha em caso de acidente como ruptura da cadeia de isoladores ou 
rompimento do cabo condutor. 
Ele é constituído por um fio, cabo de aço ou fita metálica e enterrado em média de 50 a 
70 cm longitudinalmente ao longo da faixa, no alinhamento das torres e acoplados às 
mesmas por conectores. 
Os tipos usuais são: 
 
9 Aterramento normal; 
9 Aterramento contínuo; 
9 Aterramento por hastes; 
9 Aterramento interligado; 
9 Aterramento especial. 
 
 
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Aterramento Especial 
 
1.4.7 – Espaçadores 
 
Têm por finalidade a separação dos cabos múltiplos (feixes) de cada fase. Eles podem 
ser simples (função de separar) ou espaçador-amortecedor. 
 
 
Espaçador 
 
1.4.8 – Amortecedores 
 
Têm por finalidade, eliminar as vibrações eólicas e de rotação que podem ocasionar na 
destruição da linha se não forem eliminadas. 
Para as fases de cabos múltiplos, costumam-se construir espaçadores com buchas 
elásticas, com efeito amortizante, fazendo também a função amortecedor. 
Os tipos usuais são: 
 
9 Espaçador simples; 
9 Espaçador simples com amortecedor; 
9 Amortecedor passivo; 
• Grampos poliarticulados 
• Varilhas antivibratórias 
• Pontes antivibratórias 
9 Amortecedor ativo com freqüência própria; 
• Stokbridge 
• Pneumático 
• Hidráulicos 
9 Amortecedor ativo sem freqüência própria; 
• Com molas 
• Com pesos. 
 
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Amortecedores 
 
1.4.9 – Anel Anti-Corona 
 
O problema de distribuição não uniforme dos potenciais foi considerado muito grave 
quando se iniciou o emprego de cadeias de isoladores, observando-se perfurações do 
dielétrico nos primeiros elementos da cadeia, como também correntes de escape sobre 
sua superfície. 
Procuraram-se então, meios de se evitar esse problema. Primeiramente, sugeriu-se o 
emprego de discos com maiores tensões disruptivas junto aos condutores. 
Posteriormente, foram inventados os anéis distribuidores de potencial. 
Esses anéis distribuidores de potencial têm como principal finalidade aumentar a 
capacitância entre as peças metálicas dos isoladores e condutores, a qual desprezada na 
dedução anterior. Eles não provocam a distribuição uniforme em todos os isoladores da 
cadeia, porém reduzem substancialmente o potencial a que fica submetido o isolador 
inferior. 
Os anéis de potencial, no entanto, reduzem a distância disruptiva da cadeia, 
principalmente quando associados com outros anéis ou chifres na parte superior, 
reduzindo, portanto, sua eficiência. Essa associação, originada na mesma época, tinha 
como finalidade principal evitar que um eventual arco disruptivo, ao longo da cadeia de 
isoladores, queimasse sua superfície.