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NOVO CPC ANOTADO - 2015

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DA SILVA, 
Ovídio Araújo. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, vol. 1, p. 119).
Os honorários advocatícios merecem comentários à parte. As novas regras, 
festejadas como conquistas da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB (LAMA-
CHIA, Claudio Pacheco Prates. A valorização da advocacia e o fim do aviltamen-
to dos honorários no novo CPC. in O novo CPC. As Conquistas da Advocacia. 
Brasília, Editora Conselho Federal da OAB, p. 45) vem disciplinadas a partir do 
art. 85, destacando-se: (a) natureza alimentar dos honorários; (b) vedação à com-
pensação; (c) honorários sucumbenciais recursais; (d) honorários sucumbenciais à 
advocacia pública; (d) pagamento em nome da sociedade de advogados; (e) crité-
rios objetivos para fixação de honorários contra Fazenda Pública.
A sucumbência é fato objetivo da derrota na causa e suporte fático para o ar-
bitramento de honorários. Trata-se do princípio da causalidade: quem deu causa à 
demanda, sem razão, paga as despesas, nestas os honorários. Esse princípio alcan-
ça a hipótese de extinção por perda do objeto, quando os honorários devem ser ar-
bitrados em observância ao princípio da causalidade e devidos por quem deu cau-
sa ao processo. (§ 10, art. 85) (CAMARGO, Luiz Henrique Volpe in: WAMBIER, 
Teresa Arruda Alvim, DIDIER JR., Fredi, TALAMINI, Eduardo e DANTAS, Bru-
no (Coords) Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, p. 303). Nem sempre é de fácil apuração saber quem deu 
causa ao processo porque se ela foi extinta por perda do objeto, em princípio, po-
deria não ter ainda havido decisão sobre quem venceu e quem perdeu. Se o autor 
seria derrotado, seria ele o condenado; se viesse a ser vitorioso, quem teria dado 
causa ao processo teria sido o réu. Se a extinção por perda do objeto for superve-
niente à sentença, mantém-se a sucumbência nela fixada. Poder-se-á interpretar 
que a expressão “quem deu causa ao processo” seja entendida como aquele que por 
ato seu, omissivo ou comissivo, provocou a perda do objeto.
A fixação dos honorários leva em conta dois limites: quantitativo (art. 85, §2) 
e qualitativo (art. 85, §2, I a IV); mantém-se que nas ações condenatórias (obriga-
ções de dar, fazer e não fazer e pagar quantia) entre dez a vinte por cento sobre a 
condenação; nas demais causas sobre o proveito econômico obtido e, não sendo 
possível mensurá-lo, sobre o valor da causa, mas sempre naqueles limites mínimos 
entre dez e vinte por cento. Excepcionalmente, nas causas de valor inestimável, 
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proveito econômico irrisório ou cujo valor da causa é de pouca monta, o arbi-
tramento será equitativo, mas observada a regra do §2o tal como disciplina o §8o 
do mesmo artigo. Outra exceção está no §9o do art. 85 que prevê o percentual a 
incidir sobre a soma das prestações vencidas acrescida de 12 prestações vincendas. 
Claro que esta disposição só se aplica em casos de condenações de trato sucessivo, 
com periodicidade, como sói ocorrer nas indenizações acidentárias onde é fixado 
um pensionamento mensal por vários anos ou sem limite, ou ainda nos alimentos, 
até que venham a ser extintos. 
São devidos honorários também no cumprimento de sentença e execução, 
impugnados ou não, na objeção de pré-executividade, nos recursos interpostos, 
cumulativamente (art. 85, § 1). Os critérios de fixação, balizados os percentuais 
mínimos e máximos, mantêm aqueles do CPC/73, quais sejam, o grau de zelo 
profissional, o lugar da prestação dos serviços, a natureza e importância da causa, 
o trabalho do advogado (que de certa forma se confunde com o grau de zelo pro-
fissional) e o tempo exigido para o serviço. 
A nova lei deixa claro que os honorários de sucumbência, nos limites e critérios 
do §§ 2 e 3 do art. 85 (o § 3 regula o arbitramento de honorários contra a Fazenda 
Pública) se dá mesmo que a causa seja extinta sem julgamento de mérito (art. 85, §6o ).
O reconhecimento da natureza alimentar dos honorários, bem assim a 
possibilidade de serem recebidos pela sociedade de advogados (com as vanta-
gens fiscais daí decorrentes conforme o regime de tributação) (art. 85, §14 e 
15) normatizam no direito positivo, e assim estabilizam o entendimento, que 
já vinha sendo albergado pela jurisprudência do STJ (REsp 922668-SC) e do 
STF (RE 146318). A titularidade dos honorários de sucumbência é contem-
plada em favor do advogado, (art. 85, §14) reproduzindo norma já existente 
(art. 22 da Lei 8.906/94 – EOAB) e no mesmo dispositivo contemplado pleito 
antigo dos advogados no sentido de ser vedada a compensação; como o titular 
da relação jurídica material dos honorários, mesmo que fixados em processo 
judicial, é o advogado, nos casos de sucumbência parcial, que se dá entre as 
partes, não há a reunião, como exige a lei, em uma mesma pessoa, das figuras 
do credor e devedor ao ponto de legitimar a compensação.
Quem desistir, renunciar ou reconhecer o pedido deverá arcar com as des-
pesas e honorários. (art. 90), com o detalhe que incidirá a sucumbência ainda 
que quaisquer destas formas de extinção sejam parciais, proporcionalizando-se à 
parcela reconhecida, renunciada ou desistida.
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Seção IV
Da Gratuidade da Justiça
Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insufi-
ciência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários 
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.
§ 1o A gratuidade da justiça compreende:
I - as taxas ou as custas judiciais;
II - os selos postais;
III - as despesas com publicação na imprensa oficial, dispensando-se a publi-
cação em outros meios;
IV - a indenização devida à testemunha que, quando empregada, receberá do 
empregador salário integral, como se em serviço estivesse;
V - as despesas com a realização de exame de código genético – DNA e de 
outros exames considerados essenciais;
VI - os honorários do advogado e do perito e a remuneração do intérprete ou 
do tradutor nomeado para apresentação de versão em português de documento 
redigido em língua estrangeira;
VII - o custo com a elaboração de memória de cálculo, quando exigida para 
instauração da execução;
VIII - os depósitos previstos em lei para interposição de recurso, para propo-
situra de ação e para a prática de outros atos processuais inerentes ao exercício da 
ampla defesa e do contraditório;
IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores em decorrência da 
prática de registro, averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à efetiva-
ção de decisão judicial ou à continuidade de processo judicial no qual o benefício 
tenha sido concedido.
§ 2o A concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário 
pelas despesas processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua su-
cumbência.
§ 3o Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência 
ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executa-
das se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as 
certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência 
de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse 
prazo, tais obrigações do beneficiário.
§ 4o A concessão de gratuidade não afasta o dever de o beneficiário pagar, ao 
final, as multas processuais que lhe sejam impostas.
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§ 5o A gratuidade poderá ser concedida em relação a algum ou a todos os 
atos processuais, ou consistir na redução percentual de despesas processuais que o 
beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento.
§ 6o Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de des-
pesas processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento.
§ 7o Aplica-se o disposto no art. 95, §§ 3o a 5o, ao custeio dos emolumentos 
previstos no § 1o, inciso IX, do presente artigo, observada a tabela e as condições 
da lei estadual ou distrital respectiva.
§ 8o