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NOVO CPC ANOTADO - 2015

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da demanda, os corresponsáveis por determinada obrigação.
É faculdade processual do réu, que tem por fim a economia processual, visto 
que não seria necessário um novo processo de cognição exauriente para regular 
a corresponsabilidade. Claro que, assim entendendo, poderá o réu arcar sozinho 
com a obrigação e, posteriormente, ingressar com ação condenatória contra os 
corresponsáveis para cobrar o valor devido.
São três as possibilidades previstas no dispositivo: a primeira trata do cha-
mamento do devedor principal, na demanda em que o fiador conste sozinho no 
polo passivo; a segunda hipótese é quando existem mais fiadores do que os que 
constam no polo passivo e a terceira possibilidade trata dos demais casos onde há 
responsabilidade solidária no pagamento de determinada obrigação. Caso, que 
pode exemplificar o inciso três, seria de demanda ajuizada apenas contra um dos 
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sócios de uma sociedade em nome coletivo, que por sua natureza, prevê a respon-
sabilidade ilimitada e solidária entre sócios.
Tal intervenção de terceiro só é possível em processo de conhecimento e com 
pedido condenatório. O motivo está no fato de que haverá a construção de um título 
executivo, situação em que a ampla defesa e o contraditório precisam ser respeitados. 
O chamamento ao processo deve ser realizado pelo réu no ato da contestação, 
sob pena de preclusão. Se não realizar o pedido na contestação, em caso de sucum-
bência, terá que ajuizar nova ação contra os corresponsáveis. 
Citados os corresponsáveis tornar-se-ão parte na relação processual e estarão 
vinculados aos efeitos da coisa julgada. Forma-se, com a citação dos correspon-
sáveis, litisconsórcio passivo facultativo, que poderá ser unitário ou simples, se 
acordo com a divisibilidade do objeto. (DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; 
OLIVEIRA, Rafael. Curso de direito processual civil. Bahia: Editora Jus Podivm, 
2009, p. 378, v. 1).
Sobre o prazo para a promoção da citação, necessário analisar qual o termo 
inicial e qual é o ato que está vinculado a este prazo. O prazo é peremptório e corre 
a partir do despacho do juiz que deferir a citação dos corresponsáveis. O prazo de 
30 (trinta) dias, todavia, não é para a realização do ato em si, mas sim para que o 
réu implemente as condições necessárias a realização da citação, como pagamento 
de custas, cópias, endereços e etc. A parte não pode ser prejudicada, por certo, em 
virtude da demora do Poder Judiciário na realização de um determinado ato. 
A sentença que julgar procedente a demanda condenará todos os réus, nos 
limites de suas responsabilidades. Embora o autor tenha ajuizado demanda contra 
um ou alguns réus, haverá a ampliação do polo passivo da demanda e assim pode-
rá, ao final, exigir o crédito de qualquer um dos devedores. Serve o título executivo 
judicial para que o devedor que adimpliu a obrigação cobre a dívida do devedor 
principal ou dos corresponsáveis, de acordo com a sua responsabilidade. 
Tal conclusão retira-se do fato de que o Poder Judiciário terá que analisar 
cada responsabilidade e ao final, no dispositivo da sentença, terá que dispor sobre 
a responsabilidade de cada corréu. 
CAPÍTULO IV
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Art. 133.  O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será ins-
taurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir 
no processo.
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§ 1o  O pedido de desconsideração da personalidade jurídica observará os 
pressupostos previstos em lei.
§ 2o Aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de desconsideração inver-
sa da personalidade jurídica.
Art. 134.  O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do pro-
cesso de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em 
título executivo extrajudicial.
§ 1o A instauração do incidente será imediatamente comunicada ao distribui-
dor para as anotações devidas.
§ 2o Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da persona-
lidade jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio 
ou a pessoa jurídica.
§ 3o A instauração do incidente suspenderá o processo, salvo na hipótese do § 2o.
§ 4o O requerimento deve demonstrar o preenchimento dos pressupostos le-
gais específicos para desconsideração da personalidade jurídica.
Art. 135.  Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para 
manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias.
Art. 136.  Concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido por 
decisão interlocutória.
Parágrafo único. Se a decisão for proferida pelo relator, cabe agravo interno.
Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de 
bens, havida em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.
Anotações aos artigos 133 a 137:
Ruy Zoch Rodrigues
Doutor em Direito Processual Civil
Advogado
A desconsideração da personalidade jurídica é instituto previsto no Código 
de Defesa do Consumidor (art. 28) e no Código Civil (art. 50), que autoriza im-
putar ao patrimônio particular dos sócios, obrigações assumidas pela sociedade, 
quando – e se – a pessoa jurídica houver sido utilizada abusivamente (desvio de 
finalidade, confusão patrimonial, liquidação irregular etc). O instituto contempla, 
também, a chamada desconsideração inversa, em que se imputa ao patrimônio da 
sociedade o cumprimento de obrigações pessoais do sócio. 
O CPC/2015 regula a matéria em nível processual (art. 133, § 1º) como tema 
incidente, no capítulo destinado à intervenção de terceiros.
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Não se trata de incidente processado em autos próprios (apartados), pois 
o NCPC abdicou da técnica, comum no CPC/1973, suprimindo-a em hipóteses 
clássicas como a do incidente de falsidade documental (art. 430), por exemplo. Em 
princípio, portanto, o debate dar-se-á no ventre do processo em que debatida a 
questão principal, mas como o objetivo é a simplificação (marca do NCPC), nada 
obsta que, no caso concreto, possa o juiz deliberar pela autuação apartada, se as-
sim recomendar a organização do incidente ou se houver justificativa para que o 
processo prossiga no trato das questões principais, sobretudo se existirem outros 
pedidos, eventualmente cumulados, que não se relacionem com o tema incidental. 
A suspensão do processo prevista no art. 134, § 3º, faz sentido para a genera-
lidade dos casos, que ocorrem ao tempo da penhora na execução/cumprimento 
de sentença para cobrança de valor pecuniário, quando se revela a falta de patri-
mônio penhorável. A decisão do tema incidental se torna, aí, condição para o ato 
seguinte do processo - a penhora -, com o que não há como prosseguir a execução, 
que fatalmente ficará suspensa.
Entretanto, a desconsideração não se limita àquelas hipóteses. Por isso, e por-
que a lógica do NCPC prestigia a celeridade com menos destaque à formalidade, 
parece que a melhor exegese do § 3º do art. 134 deva ser a de que o processo em 
que tem curso a questão principal só se suspende em vista do incidente se o tema 
incidental constituir condição para o prosseguimento. Fora disso, não. E tudo re-
mete à possibilidade de autuação apartada, a fim de se garantir celeridade e me-
lhor organização procedimental. 
Ainda sobre suspensão, a parte final do § 3º do art. 134, que remete ao § 2º, 
não significa que o mero posicionamento topográfico do incidente (na inicial) seja 
o elemento-chave para definir se o processo deve ser suspenso ou não. Até porque 
o § 2º sequer trata de tema propriamente incidente, mas de hipóteses menos fre-
quentes em que a desconsideração compõe a lide principal, ainda que acessoria-
mente. Inclusive ações reais ou reipersecutórias, nas quais, ao tempo da propositu-
ra, tendo-se já claro qual é o bem (ou conjunto de bens) apto à satisfação da parte 
autora, esse patrimônio se encontra desviado (ao sócio ou à sociedade). Nessas 
hipóteses, a desconsideração da personalidade jurídica é