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Ao consultarmos diferentes livros de História - escritos em diferentes contextos e por diferentes pessoas não é raro que nos deparemos com análises divergentes acerca de determinados eventos ou personagens. Os bandeirantes, por exemplo, são vistos por alguns como OS aventureiros desbravadores das terras do Brasil, enquanto, por outros, são encarados como um grupo de mercenários escravizadores de A dúvida que surge, então, é a seguinte: que História pode e deve ser ensinada? Sobre tal discussão, 0 Professor Jaime Pinsky escreveu um texto, em que é contundente ao defender que a que aprendemos não é uma narrativa imparcial, mas uma apropriação do passado a serviço de uma visão de mundo. Prezados colegas, pais e professores, acho importante ressaltar que, como podemos inferir a partir das ideias de Pinsky com as quais concordo a forma como a História é contada de diz mais sobre 0 presente do que sobre 0 passado. Isso ocorre porque aquele com 0 poder de narrar acontecimentos conforme seu entendimento molda seu discurso a serviço de suas vontades ou das de um grupo que almeja beneficiar. Segundo 0 escritor George Orwell, em sua obra "1984", "quem controla 0 passado, controla 0 presente". Sob esse vies, podemos concluir que a narrativa do passado à qual um é exposto tem forte influência sobre a maneira como ele se comportará em seu cotidiano, 0 que demonstra a extrema importância que a narrativa histórica tem em nosso presente. Em segunda é cabivel destacar que, tendo em vista essa potencial influência de discurso sobre as pessoas na contemporaneidade, é necessário pensar na maneira como 0 passado é contado aos jovens estudantes do pais. Que deve ser ensinada? Bom, para 0 patrono brasileiro da educação, Paulo Freire, e sua ideia de educação libertadora, é dever da escola ensinar a ler 0 mundo e a nele intervir. Porém, para verdadeiramente conhecermos a realidade em que vivemos fruto de acontecimentos e, da forma como eles são propagados -, é preciso entender as razões pelas quais a narrativa é alterada. Eu, como aluna, considero que 0 ensino de adequado para minha formação como agente na sociedade da qual sou integrante é aquele em que sou levada a entender processos que levam ao surgimento da pluralidade de interpretações de um único passado. Afinal, não é historicamente relevante entender por que Tiradentes passou a ser considerado um heroi nos tempos da Portanto, em concordância com as ideias apresentadas por Jaime Pinsky em seu texto e ansiando por uma educação libertadora, concluo que a narrativa da História não é imparcial e que a melhor maneira de entender as divergências em sua narração buscando razões para que existam diferentes interpretações. Para mim, uma visão mais ampla de tal disciplina que, de acordo com 0 autor do texto, "nos toca profunda e diretamente", é a que merecemos.