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Fungos venosos e patogênicos
Intoxicações e doenças causadas pela ingestão de micotoxinas ou cogumelos venenosos e micoses
superficiais, cutâneas, subcutâneas e sistêmicas.
Profa. Pãmella Antunes de Macêdo Sales
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender as doenças causadas pela ingestão de micotoxinas ou de cogumelos venenosos, bem como as
doenças que os fungos causam, um importante subsídio para atuação na prevenção e no diagnóstico desses
problemas de saúde humana e animal.
Objetivos
Descrever o micetismo e a micotoxicose.
Identificar as micoses superficiais, cutâneas e subcutâneas.
Reconhecer as micoses sistêmicas e oportunistas.
Introdução
Os fungos microscópicos (filamentosos, bolores e leveduras) e os macrofungos (cogumelos) podem
apresentar diversas vantagens ecológicas e econômicas com usos variados. Entretanto, muitos deles podem
provocar perdas incalculáveis na agricultura por causa das pragas fúngicas em cultivos ou, então, gerar
grande impacto na saúde individual e coletiva com micoses cada vez mais resistentes ao tratamento.
micoses 
Infecção causada for fungos, seja na pele, cabelo ou órgãos.
As doenças fúngicas estão mais presentes no nosso dia a dia do que imaginamos. O conhecido "pé de atleta"
é uma micose, assim como o “sapinho”, que costuma aparecer na boca de bebês e crianças pequenas. As
principais manifestações clínicas e os locais acometidos pelos fungos estão intimamente ligados ao modo
como eles obtêm seus nutrientes. Como esses seres secretam suas enzimas no substrato, isso pode lesionar
os tecidos vivos quando estão parasitando animais e humanos, estimulando uma resposta imunológica diante
da agressão e presença do patógeno.
 
As micoses são divididas em grupos, de acordo com as doenças que causam e seus agentes etiológicos.
• 
• 
• 
1. O micetismo e a micotoxicose
Características gerais do micetismo
As enzimas secretadas pelos fungos durante seu metabolismo podem, em alguns casos, ser tóxicas ou até
mesmo letais para quem as ingere. A micotoxicose e o micetismo são as doenças relacionadas à ingestão das
micotoxinas secretadas (fungos filamentosos) ou presentes nas estruturas fúngicas (cogumelos),
respectivamente. A principal diferença dessas duas doenças refere-se ao agente causador, e veremos quais
são os organismos e mecanismos envolvidos em cada uma delas.
Micetismo é o termo que designa as
intoxicações casusadas pela ingestão de
cogumelos venenosos. A causa mais comum
está associada ao consumo de cogumelos
tóxicos colhidos da natureza, frequentemente
confundidos com espécies comestíveis.
Como os compostos tóxicos dos cogumelos
são resistentes às alterações físico-químicas,
não sendo destruídos pelo calor da cocção ou
do congelamento, seu poder letal continua
intacto mesmo após a preparação dos
alimentos.
preparação dos alimentos
O cozimento dos cogumelos venenosos não é suficiente para neutralizar as toxinas.
A maioria dos envenenamentos ocorre por acidente, mas parte deles também pode acontecer por ingestão
proposital de cogumelos com efeitos alucinógenos. No entanto, um erro na identificação do cogumelo
também pode ser fatal e levar a mais um caso de micetismo.
 
Os sintomas decorrentes da ingestão dos cogumelos venenosos, em alguns casos, são autolimitados, mas
outros podem ser fatais. As toxinas desses cogumelos podem apresentar propriedades psicotrópicas,
nefrotóxicas, gastrotóxicas, hemolíticas, hepatotóxicas, neurotóxicas. Em determinadas situações, podem
provocar dois ou mais efeitos adversos. Além disso, tmuitos casos resultam en letalidade, pois não existe um
tratamento padronizado ou antídoto eficaz para esse tipo deintoxicação.
 
A maioria das intoxicações por cogumelos venenosos produzirá algum desconforto gastrointestinal, que
costuma ser o primeiro sintoma relatado. Anteriormente, os médicos tentavam prever o curso do micetismo
baseados no tempo de aparecimento dos primeiros sintomas, sugerindo que o surgimento antes de seis horas
pós-ingestão mostrava um prognóstico de toxicidade limitada. Porém, aos poucos, isso vem mudando, pois se
percebeu que não existe um padrão, principalmente à medida que novos cogumelos venenosos são
conhecidos e novos casos são relatados. 
 
Confira algumas caraterísticas:
Desconforto gastrointestinal
Os primeiros sintomas do micetismo,
geralmente, são desconfortos gastrointestinais.
Prognóstico
Traça um possível desdobramento dos
sintomas baseados nas informações clínicas e
laboratoriais.
A seguir, trataremos dos tipos de micetismo de acordo com os sintomas aos quais estão relacionados, e não
com o tempo de aparecimento deles.
Micetismo gastrointestinal
Muitos cogumelos produzem toxinas que causam distúrbios gastrointestinais por possuírem compostos
irritantes para esses órgãos. Apesar de possuírem estruturas químicas distintas, essas toxinas podem causar
sintomas semelhantes. Além disso, muitos macrofungos que produzem toxicidade sistêmica severa também
podem gerar toxicidade gastrointestinal como sintomas iniciais. O tempo para o aparecimento dos primeiros
sintomas após a ingestão varia de 20 a 30 minutos, podendo acontecer até quatro horas após a ingestão.
 
Os principais sintomas podem ser:
 
Náuseas.
Cólicas.
Vômitos.
Mal-estar.
Algumas vezes, diarreia e dor abdominal.
Na maioria dos casos de micetismo gastrointestinal, o prognóstico é favorável e os sintomas desaparecem em
torno de um ou dois dias. Entretanto, a resposta individual a esse tipo de envenenamento é muito variada,
desde ligeiro desconforto e dor até casos extremos de diarreia intensa com desidratação.
 
A desidratação é a complicação mais comum nesse caso de micetismo. Por causa da perda significativa de
fluidos nos vômitos e quadros diarreicos, é necessária a reposição imediata de água e eletrólitos.
 
Apesar das manifestações clínicas serem semelhantes, várias espécies de cogumelos podem desencadear
esses sintomas; inclusive, alguns podem iniciar com esses sintomas e piorarem o quadro com outras
manifestações mais graves. Como ainda existe muito a ser descoberto, são exemplos de cogumelos já
descritos por causarem micetismo gastrointestinais:
Russula emetica
O cogumelo Russula emetica já foi descrito como causador do micetismo
gastrintestinal.
• 
• 
• 
• 
• 
Boletus satanas
O micetismo gastrointestinal pode ser causado após a ingesta do cogumelo 
Boletus satanas.
Hypholoma fasciculare
Inúmeros cogumelos Hypholoma fasciculare podem causar
micetismo gastrointestinal.
Micetismo neurotóxico
Neste caso de micetismo, as toxinas podem atuar causando sintomas diretamente ligados ao sistema nervoso
simpático ou parassimpático, ou, ainda mais precocemente, sintomas gastrointestinais. Para os sintomas
relacionados ao sistema nervoso parassimpático, o início pode ocorrer entre 15 e 30 minutos depois da
ingestão, e os primeiros sintomas são vômitos, sudorese intensa, diarreia, cólicas, salivação profusa,
lacrimejamento, podendo causar ainda convulsão, excitação nervosa, delírio e dispneia.
dispneia
Falta de ar ou dificuldade respiratória. 
Apesar de alguns casos resultarem em coma, o micetismo neurotóxico não é tão grave, e poucas vezes o
paciente vai a óbito.
 
A principal toxina responsável pelo quadro de micetismo neurotóxico do sistema nervoso parassimpático é a
muscarina. Esse composto atua diretamente no estímulo das terminações nervosas, e isso explica a maioria
dos sintomas relacionados.
terminações nervosas
As terminações nervosas parassimpáticas são os alvos da muscarina, principal toxina que causa o
micetismo neurotóxico. 
O efeito da muscarina pode ser anulado com atropina, por isso o tratamento dos pacientes intoxicados com
essa toxina é baseado em lavagem gástrica e administração da atropina.
 
A intoxicação por muscarina é comum, pois baixas doses podem promover o mesmo efeito do haxixe
(Cannabis indica ou C. sativa). Então, buscando pelo efeito recreativo, muitas pessoas acabam se intoxicando
e colocando a vida em risco. Ao contrário do que o nome possa sugerir, a muscarinadoenças em indivíduos saudáveis. No entanto,
quando há alguma alteração, como no sistema imunológico, e as condições se tornam favoráveis ao
desenvolvimento desses microrganismos, eles podem invadir os tecidos, causando doenças.
 
Os fatores que podem predispor os indivíduos a essas micoses são classificados como:
Microscopia eletrônica das células leveduriformes do
gênero Candida.
virulência
É o grau de patogenicidade de um microrganismo que impacta diretamente na gravidade da doença.
Intrínsecos
Fatores relacionados ao próprio hospedeiro, como diabetes, neoplasias,
hemopatias, AIDS e quaisquer outras doenças ou condições que possam
alterar o bom funcionamento da imunidade celular (velhice,
prematuridade, gravidez etc.).
Extrínsecos
Fatores relacionados a indivíduos em tratamento com corticoides,
antibióticos, cirurgia de transplante e em ambientes hospitalares
contaminados.
Como os fungos que causam micoses oportunistas convivem cotidianamente e, muitas vezes, estão presentes
na microbiota ou no ambiente do nosso dia a dia, o diagnóstico precisa ser muito rigoroso para confirmar que
efetivamente é um desses agentes que está ocasionando a doença e que ele não está apenas contaminando
a amostra.
 
Para atender a essa necessidade, é importante seguir critérios: verificação do fungo em exame direto da
amostra clínica, em várias coletas ou em material de biópsia; cultura seriada positiva com o mesmo
microrganismo e ausência de outro patógeno fúngico.
Candidíase
Pode ser causada por várias espécies do
gênero Candida, leveduras encontradas na
microbiota normal do trato gastrointestinal, nas
mucosas e na pele. A candidemia (candidíase
sistêmica) é a micose prevalente no mundo
todo que acomete outros órgãos, e as espécies
mais frequentemente isoladas são C. albicans, 
C. dubliniensis, C. tropicalis, C. guilliermondii, C.
parapsilosis e C. glabrata.
A infecção pode ocorrer por causa de
dispositivos médicos, como cateteres, cirurgia,
lesão da pele ou da mucosa gastrointestinal,
que favorecem a entrada dessas leveduras no
organismo. Em pacientes com o sistema
imunológico funcionando perfeitamente, as
leveduras que entram nessas situações são
eliminadas, e a candidemia pode ser transitória.
No entanto, pacientes debilitados, com comprometimento da defesa fagocítica, podem desenvolver lesões
ocultas em qualquer local do corpo, como rins, olhos, coração, meninges.
As leveduras de Candida podem filamentar quando
estão parasitando.
cateteres
Os dispositivos médicos de longa duração podem favorecer a candidemia.
Esquema apresentados as áreas e órgãos passíveis de contaminação por Candida.
A amostra clínica a ser coletada vai depender
do local que está sendo acometido, podendo
ser coletados swabs de exsudato, sangue,
biópsias, urina, líquido cerebrospinal e material
retirado de cateteres. O espécime clínico
corado pelo Gram ou outras colorações
histológicas evidenciam pseudo-hifas e células 
leveduriformes com brotamentos.
Cultura de Candida.
As colônias têm crescimento rápido, podem ser incubadas
em temperatura ambiente ou a 37°C e têm aparência
cremosa, de cor branca ou marfim.
Identificação em diferentes cores das espécies de Candida em ágar cromogênico.
É possível diferenciar as espécies de Candida utilizando um meio cromogênico em que as colônias assumirão
diferentes colorações, de acordo com a espécie. O teste do tubo germinativo serve para diferenciar a C.
albicans das Candida não albicans, pois somente essa espécie produz essa estrutura.
 
A principal preocupação a respeito das micoses causadas por Candida é o aumento nos relatos de leveduras
resistentes aos tratamentos disponíveis. Assim como em outras micoses, em que as manifestações clínicas
são variadas, na candidíase, o protocolo terapêutico varia de acordo com a localização das lesões e pode ser
baseado em monoterapia com fluconazol ou em associações com outros antifúngicos, como anfotericina B,
flucitosina, clotrimazol, entre outros.
Criptococose
Grupo de pombos em repouso.
Representação do sistema nervoso central humano.
Representação da meningoencefalite.
É a micose causada pelas leveduras 
Cryptococcus neoformans e Cryptococcus
gatii. A principal característica que diferencia
essas leveduras das demais é a presença de
uma grande cápsula polissacarídica. O C.
neoformans é cosmopolita e pode ser
encontrado na natureza, sendo facilmente
isolado de fezes secas de pombos, do solo ou
em troncos de árvores. Já o C. gatti é mais
encontrado em áreas tropicais associadas a
árvores.
A transmissão da criptococose ocorre por
inalação das células fúngicas que se dispersam
no ar com poeira e pó das fezes dos pombos.
Apesar de o pulmão ser o primeiro órgão a
entrar em contato com essas leveduras, o sistema nervoso
central é o mais afetado, pois esses fungos têm tropismo
pela rede neural, migrando para esse sistema.
Apesar de a criptococose também acometer indivíduos
imunocompetentes, essa micose é mais letal para
portadores de HIV/AIDS e outras doenças hematogênicas
ou imunossupressoras. Após a inalação das leveduras,
ocorre uma infecção primária dos pulmões, que pode ser
assintomática ou com sintomas leves, como os de
resfriados comuns com resolução espontânea.
O Cryptococcus multiplica-se nos pulmões e, depois, pode
disseminar-se para outras partes do corpo,
preferencialmente o sistema nervoso central,
provocando meningoencefalite criptocócica.
Além do sistema nervoso central, pele, olhos,
ossos e próstata podem ser acometidos, mas
apresentam reação inflamatória mínima ou
granulomatosa.
Representação de indivíduo com dor de cabeça
causada por meningite criptocócica.
Exame direto corado com tinta nanquim evidenciando
um halo ao redor da levedura.
Colônias de Cryptococcus com aparência mucoide por
causa da cápsula rica em polissacarídeos.
Na meningite crônica causada pelo Cryptococcus, as
principais queixas do paciente são dor de cabeça,
desorientação e rigidez da nuca. Em alguns casos, também
podem aparecer lesões cutâneas, pulmonares ou em outros
órgãos. O prognóstico é muito variado, porém, se o paciente
não for tratado adequadamente, pode ser fatal, mas não é
contagiosa.
O diagnóstico pode ser feito a partir de exsudatos, escarro,
sangue, urina ou líquido cerebroespinhal. O exame direto
pode ser feito utilizando-se tinta nanquim para maior
destaque da cápsula que caracteriza esse gênero fúngico.
O crescimento das colônias em meio de cultura acontece
em poucos dias (três a sete dias) e pode ser incubado à
temperatura ambiente ou a 37°C. Também é possível
realizar a investigação de antígenos fúngicos
em líquor pelo teste de aglutinação em látex.
A meningite criptocócica é a forma mais grave
dessa micose, e o êxito no tratamento depende
primordialmente de diagnóstico precoce e do
estado geral do paciente. A anfotericina B pode
ser usada sozinha ou em associação a 5-
fluorcitosina, ou, em outros casos, fluconazol
também tem sido usado.
Aspergilose
Aspergillus fumigatus, patógeno humano mais comum
causador da aspergilose.
Representação do aspergiloma, caracterizado pelo
crescimento do Aspergillus no pulmão.
É uma micose oportunista que pode causar
amplo espectro de doenças e pode ser causada
por inúmeras espécies de Aspergillus,
dependendo da localização que infectam,
podendo ser olhos, pele, ouvidos ou outros
órgãos. Esses fungos são saprófitas na
natureza e podem estar em nossas casas,
sendo encontrados no mundo, por isso há
relatos dessa doença globalmente.
 
O patógeno humano mais comum é o A.
fumigatus, mas outras espécies também já
foram descritas causando doenças em
humanos, como A. nidulans, A. niger, A. terreus
e A. flavus. A transmissão ocorre,
principalmente, por inalação dos conídios, que
são abundantes, pequenos e facilmente aerossolizados.
Representação do processo de contaminação por conídios produzidos por fungos
do gênero Aspergillus.
Em pacientes imunocomprometidos (leucêmicos,
transplantados, com uso crônico de corticosteroides etc.), o
conídio pode germinar, criando hifas que podeminvadir o
tecido pulmonar ou outros adjacentes. Quando o Aspergillus
coloniza a cavidade pulmonar, pode causar uma doença
chamada aspergiloma ou bola fúngica. Esse quadro pode
ser restrito ou evoluir para aspergilose invasiva, que
geralmente acomete pacientes que estão internados e com
importante comprometimento imunológico.
Na aspergilose, além do dano diretamente associado ao
crescimento fúngico no organismo, a alergia é um
importante mecanismo patológico. Pessoas com
predisposição a alergias, quando inalam os conídios,
comumente desenvolvem reações alérgicas severas aos
antígenos do Aspergillus, chamadas de aspergilose
broncopulmonar alérgica.
 
Devido à origem do fungo, o diagnóstico da aspergilose invasiva é um desafio para a equipe médica e
laboratorial. O exame direto do escarro, muitas vezes, pode ser negativo, e é difícil o isolamento do Aspergillus
Cabeça aspergilar verificada nohistopatológico.
Micromorfologia da cultura evidenciando os corpos
defrutificação característicos do gênero Aspergillus.
Indivíduo exibindo sinais clínicos de mucormicose rina
face.
a partir do sangue. As biópsias são as que apresentam o melhor resultado, mas sua execução pode ser
dificultada pela debilidade do paciente. Por isso, associar histórico clínico, sintomas, microscopia,
histopatologia e radiografia são essenciais para o diagnóstico da aspergilose.
A análise da amostra clínica pode evidenciar hifas hialinas,
septadas e, em alguns raros casos, é possível encontrar a
presença da cabeça aspergilar.
Na ausência da cabeça aspergilar, é necessária a realização
de cultura para confirmação do real agente causador da
doença. Outras técnicas de investigação de antígenos do 
Aspergillus ou investigação molecular por PCR podem
auxiliar no diagnóstico.
O tratamento da aspergilose depende de quais doenças
esses fungos estão causando. No caso da aspergilose
invasiva, o tratamento de escolha é com anfotericina B,
porém os resultados podem ser discretos. Na aspergilose
ocular, a pimaricina é o medicamento de
escolha, e, nas otomicoses, o fármaco
preconizado é o tolciclato. Os casos de
aspergiloma exigem procedimento de remoção
cirúrgica.
 
Os pacientes que desenvolvem a aspergilose
broncopulmonar alérgica podem ser tratados
com antifúngicos e esteroides. Devido à
natureza desse fungo, não existe uma medida
específica e eficaz de prevenção.
Mucormicose
Também chamada de zigomicose, a
mucormicose é uma doença causada por vários fungos filamentosos do filo Glomerulomytcota, que são
saprófitas de solo onipresentes e apresentam boa termotolerância. Os principais gêneros descritos por
causarem essa micose são Rhizopus, Rhizomucor, Cunninghamella, Absidia e Mucor.
Quando os esporos desses fungos são
inalados, eles podem germinar nas narinas e
invadir os vasos sanguíneos com as hifas,
causando a principal forma clínica, a
rinocerebral. A maioria dos casos de
mucormicose é rinocerebral, que é a
manifestação clínica mais grave, com altas
taxas de mortalidade.
 
Nesses fungos, por terem características
angioinvasivas, suas hifas podem causar
obstrução dos vasos sanguíneos,
consequentemente evoluindo para trombose,
infarto e necrose tecidual, também podendo
atingir os nervos faciais.
A evolução da doença pode ser rápida, com
comprometimento dos seios nasais, ossos cranianos, olhos e cérebro. Se esses esporos chegarem aos
pulmões, pode ocorrer mucormicose torácica, com invasão dos vasos pulmonares e do parênquima, com
necrose isquêmica e destruição maciça dos tecidos.
 
O grupo de risco para essa micose são pacientes com risco de acidose (particularmente associada ao
diabetes), linfoma, tratamentos prolongados com corticosteroides, leucemia, queimaduras graves,
imunodeficiências e muitos outros quadros que debilitam o estado geral de saúde do paciente.
Amostra clínica podem evidenciando hifas asseptadas e ramificações irregulares.
O diagnóstico pode ser feito por exame direto de amostras clínicas, como escarro ou secreção nasal, que,
quando clarificadas pelo KOH (10 a 20%), evidenciam a presença de hifas hialinas, largas, asseptadas e
ramificações irregulares. O histopatológico de biópsia corado por metenamina prata (Gomori) ou por ácido
periódico de Schiff também mostram essas estruturas fúngicas e alterações teciduais.
 
A cultura micológica é a forma mais adequada para a definição da espécie que está causando a mucormicose,
pois permite a observação das características macro (colônias) e micromorfológicas (corpos de frutificação).
 
O tratamento preconizado consiste em uma associação da anfotericina B com desbridamento cirúrgico
agressivo para remoção do tecido necrosado. É extremamente importante a administração precoce do
antifúngico, pois, além da alta letalidade, os pacientes também podem ficar com sequelas, como perda de um
olho ou paralisia parcial da face. Também é indicada a suspensão de medicações ou tratamentos que
debilitem o sistema imunológico. Embora existam tratamento e medidas cirúrgicas, a taxa de mortalidade
continua elevada.
Verificando o aprendizado
Questão 1
As micoses sistêmicas, também conhecidas por micoses endêmicas, apresentam
características semelhantes que possibilitam seu agrupamento. Sobre essas características é
possível afirmar que:
A
Os fungos que causam essas micoses são filamentosos, hialinos e transmitidos por contato com solo
contaminado.
B
As micoses sistêmicas ocorrem em todo o mundo e são agrupadas pelas manifestações clínicas que causam.
C
Todas as micoses sistêmicas podem ser tratadas com anfotericina B e o diagnóstico é sempre realizado por
testes sorológicos.
D
Essas micoses têm distribuição geográfica limitada e a principal forma de transmissão ocorre por inalação de
conídios.
E
A transmissão das micoses sistêmicas sempre envolve fezes de animais, principalmente de aves e morcegos.
A alternativa D está correta.
Ao contrário do visto em outras micoses, as sistêmicas são limitadas ao nicho ambiental onde esses fungos
são encontrados. A principal forma de transmissão ocorre após alguma movimentação que dispersa os
conídios e, então, eles são inalados.
Questão 2
Nas micoses oportunistas, os fungos que já fazem parte da microbiota ou que em situações
normais não causariam doenças aproveitam-se da debilidade do paciente para multiplicar-se
e invadir tecidos. Alguns fatores estão envolvidos na debilidade do paciente e podem ser
classificados em dois tipos. Quais são esses fatores e seus respectivos exemplos?
A
Fatores extrínsecos como prematuridade; fatores intrínsecos como imunidade celular.
B
Fatores intrínsecos como neoplasias; fatores extrínsecos como uso de corticosteroides.
C
Fatores ambientais como hábitat do fungo; fatores do paciente como diabetes.
D
Fatores do paciente como a idade; fatores ambientais como presença de fezes de aves e morcegos.
E
Fatores intrínsecos como virulência do fungo; fatores extrínsecos como histórico do paciente.
A alternativa B está correta.
Os fatores intrínsecos são aqueles relacionados ao próprio organismo do paciente, já os extrínsecos são
aqueles que ocorrem por interferência externa como uso de medicações ou ambiente com contaminação
excessiva.
4. Conclusão
Considerações finais
Aprendemos que os fungos podem ser nocivos à saúde humana e animal em muitos níveis e de muitas formas.
Os envenenamentos por ingestão de cogumelos tóxicos (micetismo) ou de alimentos contaminados com
micotoxinas (micotoxicose) apresentam grandes riscos para a saúde humana e animal. Já as micoses têm
amplo espectro de manifestações clínicas, que variam de apenas incômodos estéticos, como é o caso da
pitiríase versicolor, até casos fatais relacionados à meningoencefalite criptocócica.
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Referências
BROOKS, G. et al. Microbiologia médica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
 
GARCIA, J. et al. Amanita phalloides poisoning: mechanisms of toxicity and treatment. Food and Chemical
Toxicology, v. 86, p. 41–55, dez. 2015.
 
GOVORUSHKO, S. et al. Poisoning associated with the use of mushrooms: a review of the global pattern and
main characteristics. Food and Chemical Toxicology, v. 128, p. 267–279, jun. 2019.
 
LEVINSON, W. Microbiologia médica e imunologia. 10.. ed. Porto Alegre: AMGH, 2010.
 
MADIGAN, M. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
 
TAKAHASHI, J. A.; LUCAS, E. M. F. Ocorrência e diversidade estrutural de metabólitos fúngicos com atividade
antibiótica. Química Nova, v. 31, n. 7, p. 1807–1813, 2008.
 
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TEIXEIRA, M. M. et al. Comparative genomics of the major fungal agents of human and animal Sporotrichosis: 
Sporothrix schenckii and Sporothrix brasiliensis. BMC genomics, v. 15, p. 943, 2014.
 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
 
TRABULSI, L. R.; ALTERTHUM, F. (ed.). Microbiologia. 6. ed. São Paulo: Atheneu, 2015.
	Fungos venosos e patogênicos
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. O micetismo e a micotoxicose
	Características gerais do micetismo
	Desconforto gastrointestinal
	Prognóstico
	Micetismo gastrointestinal
	Russula emetica
	Boletus satanas
	Hypholoma fasciculare
	Inúmeros cogumelos Hypholoma fasciculare podem causar micetismo gastrointestinal.
	Micetismo neurotóxico
	Clitocybe rivulosa
	Inocybe erubescens
	Midríase
	Psilocybe spp.
	Panaeolus spp.
	Stropharia spp.
	Micetismo hepatotóxico
	Fase quiescente ou latência
	Fase gastrointestinal
	Remissão clínica
	Insuficiência hepática aguda
	A. phalloides
	A. rubescens
	A. verna
	A. virosa
	L. brunneoincarnata
	G. marginata
	Micetismo nefrotóxico
	Micetismo hematotóxico
	Paxillus involutus
	Gyromitra esculenta
	Micotoxicose e as micotoxinas
	Bolores
	Cereais
	Grãos
	Transporte
	Armazenamento
	Europa medieval
	1930
	Segunda Guerra Mundial
	1960
	Aflatoxina
	Arroz branco
	Amendoim
	Ocratoxina
	Ocratoxina A
	Ocratoxina B
	Ocratoxina C
	Nefrotóxico
	Café
	Citrina
	Grãos de aveia mofados
	Animais domésticos
	Penicillium citrinum: cereais contaminados
	Esterigmatocistina
	Patulina
	Tricotecenos
	Zearalenonas
	Fumonisinas
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	O micetismo ocorre após a ingestão de cogumelos venenosos produtores de toxinas, e as manifestações clínicas podem ser as mais variadas possíveis. A respeito do tratamento do micetismo, é correto afirmar:
	Micotoxicose é a intoxicação por ingestão de alimentos contaminados com micotoxinas que são produzidas por fungos filamentosos (bolores). Entre as toxinas relacionadas a seguir quais apresentam efeitos tóxicos para os humanos?
	2. Micoses superficiais, cutâneas e subcutâneas
	Micoses superficiais
	Atenção
	Conteúdo interativo
	Pitiríase versicolor
	Pano branco
	Manchas hiperpigmentadas
	Manchas hipopigmentadas
	Tinea nigra
	Piedra branca
	Piedra negra
	Micoses cutâneas
	Dermatofitose
	Tinea corporis
	Tinea pedis (pé de atleta)
	Tinea cruris (coceira do jóquei)
	Tinea capitis
	Tinea ungueal (onicomicose)
	Microsporum
	Epidermophyton
	Trichophyton
	Período de incubação
	Período de invasão radial
	Período refratário
	Micoses subcutânteas
	Esporotricose
	Doença do jardineiro
	Doença das roseiras
	O gato doméstico com esporotricose
	Animais
	Humanos
	Cromoblastomicose
	Tipo cladospório - gênero Cladosporium
	Tipo rinocladiela - gênero Rhinocladiella
	Tipo fialófora - gênero Phialophora
	Micetomas
	Grãos com pus
	Braços
	Pernas
	Pés
	Verificando o aprendizado
	A dermatofitose é uma micose que acomete a pele e os pelos de humanos e animais e não tem potencial letal, porém pode ser muito incômoda. Três gêneros fúngicos formam o grupo dos dermatófitos. Quais são eles?
	Independentemente do agente causador, as micoses subcutâneas compartilham uma característica em comum. Assinale a alternativa correta sobre as características comuns que essas micoses compartilham:
	3. Micoses sistêmicas e oportunistas
	Micoses sistêmicas
	Conteúdo interativo
	Histoplasmose
	Paracoccidioidomicose
	Coccidioidomicose
	Micoses oportunistas
	Intrínsecos
	Extrínsecos
	Candidíase
	Criptococose
	Aspergilose
	Mucormicose
	Verificando o aprendizado
	As micoses sistêmicas, também conhecidas por micoses endêmicas, apresentam características semelhantes que possibilitam seu agrupamento. Sobre essas características é possível afirmar que:
	Nas micoses oportunistas, os fungos que já fazem parte da microbiota ou que em situações normais não causariam doenças aproveitam-se da debilidade do paciente para multiplicar-se e invadir tecidos. Alguns fatores estão envolvidos na debilidade do paciente e podem ser classificados em dois tipos. Quais são esses fatores e seus respectivos exemplos?
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasnão é tão abundante no
cogumelo Amanita muscaria, sendo presente em maior quantidade em outros cogumelos, como Clitocybe
rivulosa e Inocybe erubescens. Confira!
atropina
É um alcaloide que interfere na ação da acetilcolina.
Clitocybe rivulosa
Produz um composto tóxico chamado muscarina.
Inocybe erubescens
Produz a muscarina em altas doses, e seu consumo é potencialmente
nocivo.
Na toxicidade do sistema nervoso central, os sintomas podem começar de 15 a 30 minutos após a ingestão e
podem durar até seis horas. Por atuar nesse sistema, os principais sintomas estão relacionados a alucinações
visuais e auditivas. Também há alteração da percepção de espaço-tempo e extrassensorial, hipertensão, 
midríase, arritmias, taquicardia e, em alguns casos mais graves, infarto do miocárdio. A toxina responsável por
essa alucinação é a psilocibina, presente em cogumelos como Psilocybe spp., Paneolus spp., Stropharia spp.
Midríase
É a dilatação anormal da pupila e pode estar relacionada ao micetismo
neurotóxico do sistema nervoso central.
Psilocybe spp.
São os principais produtores de psilocibina.
Panaeolus spp.
Também produzem a psilocibina, toxina alucinógena.
Stropharia spp.
Apresenta a toxina alucinógena psilocibina.
Por ainda não existir antídoto para as toxinas apresentadas, o tratamento é baseado em suporte ao paciente.
Caso ele apresente quadros de convulsão ou agitação, barbitúricos e benzodiazepínicos podem auxiliar no
controle.
Micetismo hepatotóxico
Nesse tipo de micetismo ocorre o comprometimento do fígado, sendo mais grave do que os outros tipos,
podendo desencadear hepatite ou insuficiência hepática aguda.
 
A progressão clínica, nesse caso, pode ser dividida em quatro estágios:
fígado
No micetismo hepatotóxico, o fígado é o órgão mais comprometido pelas toxinas.
Fase quiescente ou latência
É a fase assintomática, podendo durar de 6-24h antes de aparecerem os primeiros sintomas
gastrointestinais.
Fase gastrointestinal
Dura entre 1 e 2 dias e é acompanhada por gastroenterites, vômitos, diarreia e dor abdominal.
Remissão clínica
É a fase em que as enzimas hepáticas começam a aumentar dentro de 16-48h após a ingestão e
podem aumentar apesar da aparente melhora clínica.
Insuficiência hepática aguda 
Entre de 2 a 7 dias, ocorre insuficiência hepática ou de vários órgãos (falência múltipla dos órgãos),
sendo a insuficiência hepática fulminante uma manifestação de toxicidade grave.
Cerca de 4 a 16 dias depois da ingestão do cogumelo, na maioria dos casos fatais, ocorrerá o óbito do
paciente. Nos casos de envenenamento mais leves, os pacientes podem se recuperar, contudo muitos
desenvolvem hepatite crônica.
 
As toxinas envolvidas no micetismo hepatotóxico são as amatoxinas e giromitrinas. Os cogumelos contendo
amatoxina causam a maioria das fatalidades por micetismo, isso porque doses pequenas dessa toxina (0,1 mg
de amatoxina/kg de peso corporal) podem ser letais para os indivíduos adultos.
 
A intoxicação acontece principalmente devido a um equívoco na identificação dos cogumelos comestíveis,
que podem ser confundidos com os tóxicos, como os do gênero Amanita (A. phalloides, A. rubescens, A. verna
e A. virosa), Lepiota (L. brunneoincarnata) e Galerina (G. marginata).
 
Observe algumas características desses cogumelos:
A. phalloides
É um dos cogumelos mais letais registrado até o momento.
A. rubescens
Também figuram entre os cogumelos causadores de micetismo.
A. verna
Possui amatoxina presente, responsável pelo potencial tóxico desses
cogumelos.
A. virosa
Também pode provocar micetismo hepático.
L. brunneoincarnata
Também produz amatoxina.
G. marginata
É frequentemente confundido com cogumelos comestíveis e figura entre as
espécies responsáveis pela intoxicação.
Assim como para os outros casos de micetismo, não existe um antídoto para a intoxicação por esses
cogumelos, tampouco tratamentos padronizados. Então, nos casos de micetismo hepatotóxico, o tratamento
inclui cuidados de suporte intensivo, com atenção aos desequilíbrios de fluidos e eletrólitos, distúrbios de
coagulação e hipoglicemia.
Micetismo nefrotóxico
A função renal pode ser comprometida em decorrência do mau funcionamento
hepático pela intoxicação por cogumelos venenosos.
O micetismo nefrotóxico ocorre frequentemente como consequência de lesões hepáticas, que elevam a
liberação de substâncias responsáveis por sobrecarregar e intensificar a função renal. Além desse dano
indireto causado pela insuficiência hepática, algumas toxinas, como as orelaninas, danificam diretamente o
tecido renal.
 
O período de incubação da nefrotoxicidade pode ser de dias ou semanas, por isso é difícil correlacionar os
danos renais com o envenenamento por cogumelos. Inicialmente, o paciente poderá ter dores nas costas e
flancos abdominais, acompanhada de forte sede. Esse paciente pode apresentar:
 
Hematúria - presença anormal de hemácias na urina.
Leucocitúria - aumento do número de leucócitos na urina.
Proteinúria - presença anormal de proteínas na urina.
Poliúria - micção excessiva.
 
E, dependendo da gravidade, insuficiência renal progressiva. Nos casos mais raros, ocorre anúria
anúria
Baixa na produção de urina. 
O tratamento é de suporte, pois não existe um antídoto para orelaninas. Por isso, o tratamento é sintomático
e, para eliminar as toxinas causadoras da nefrotoxicidade, pode-se realizar hemodiálise. Em casos mais
graves, o transplante renal tem sido recomendado. Os principais cogumelos produtores de orelanina são dos
do gênero Cortinarius (C. speciosissimus, C. rubellus e C. orellanosus).
• 
• 
• 
• 
C. rubellus
Cogumelo produtor de orelanina, uma potente nefrotoxina.
Micetismo hematotóxico
A toxicidade para as células sanguíneas pode acontecer pela presença de toxinas com atividade hemolítica ou
então pela produção de anticorpos que deveriam atacar as toxinas do cogumelo, mas também causam 
hemólise mediada por imunocomplexos.
 
No caso da toxicidade mediada pelos imunocomplexos, os sintomas podem começar menos de seis horas
após a ingestão e incluem gastroenterite e choque. Podem ocorrer nefrite intersticial e insuficiência
hepatorrenal, sendo necessária a realização de hemodiálise. Essa forma de micetismo está principalmente
associada ao cogumelo Paxillus involutus. Já para os casos de cogumelos que produzem hemolisinas, o
paciente pode apresentar hemoglobinúria transitória, icterícia e desconforto abdominal. Apesar do
prognóstico favorável, podem ocorrer óbitos. Nesse caso, a transfusão é o tratamento mais adequado. O
cogumelo Gyromitra esculenta já foi associado a esse tipo de micetismo.
hemólise 
As hemácias podem sofrer hemólise em alguns casos de micetismo, agravando ainda mais o quadro do
paciente.
Paxillus involutus 
Pode produzir toxinas com atividade hemolítica.
Gyromitra esculenta 
Pode produzir toxinas com atividade hemolítica.
Micotoxicose e as micotoxinas
A micotoxicose é a intoxicação ocasionada por ingestão das micotoxinas, que são estruturas químicas de
baixo peso molecular com grande variedade estrutural. De modo geral, quando comparadas às toxinas
bacterianas, elas são relativamente mais simples. Por causa dessa característica, muitas técnicas precisam ser
empregadas para a detecção ou remoção dessas toxinas nos alimentos. Consequentemente, seu controle
também é difícil.
 
As micotoxinas são metabólitos secundários secretados por bolores (fungos filamentosos), e sua ingestão,
inalação ou seu contato podem causar sintomas leves ou outros que podem até levar à morte do paciente.
Essas toxinas são produzidas por fungos microscópicos, que podem crescer como contaminante de vegetais,
como cereais e grãos. A contaminação pode acontecer em qualquer etapa: no cultivo, na colheita, no 
transporte ou até no armazenamento.
 
Observe mais alguns aspectos das micotoxinas:
Bolores
Os fungos filamentosos (bolores) são os responsáveis pela produção das micotoxinas.
Cereais
Os fungos filamentosos que crescem nos cereais apresentam grande risco à saúde.
GrãosO crescimento de fungos filamentosos nos grãos gera riscos à saúde por causa da produção das
micotoxinas.
Transporte
Os cereais estão expostos a uma possível contaminação por fungos produtores de micotoxinas em
todo o processo, incluindo o transporte.
Armazenamento
O armazenamento dos cereais requer controle rigoroso para impedir a contaminação por fungos
produtores de micotoxinas.
Além da bioquímica e fisiologia dos fungos produtores de micotoxinas, as condições ambientais podem
contribuir diretamente na produção dessas micotoxinas, como umidade, composição do alimento, pH,
temperatura, interação microbiana e tantos outros fatores que, quando controlados, auxiliam na redução da
contaminação. Assim como as toxinas dos cogumelos, as micotoxinas são termoestáveis e podem permanecer
no alimento mesmo depois da morte dos fungos por cozimento ou congelamento.
cozimento 
As micotoxinas são termoestáveis e não se degradam mesmo com o cozimento do grão.
O principal problema relacionado às micotoxinas são os efeitos crônicos e cumulativos que podem induzir o
aparecimento de câncer, principalmente hepático. Isso se deve ao fato de essas toxinas interferirem na
replicação do DNA, causando efeitos:
 
Teratogênicos - compostos que podem interferir no desenvolvimento fetal.
Mutagênicos - compostos que podem mudar o DNA de forma irreversível, com essas alterações sendo
posteriormente transferidas às células da próxima geração.
Historicamente, as micotoxinas vêm ocasionando grandes perdas, e não só econômicas. Desde a Idade
Média, há relatos mortes por causa de micotoxicose, sendo relevante até os tempos modernos. No esquema a
seguir, vemos a linha do tempo dos marcos históricos da micotoxinas.
micotoxinas
Associada ao consumo de pão feito com farinha de cereais contaminados com fungos.
Europa medieval
Ergotismo
Associação ao consumo de pão feito com farinha de cereais contaminados
por fungos.
• 
• 
1930
Identificação do alcaloide responsável pelo ergotismo
Claviceps purpurea
Claviceps paspali
Segunda Guerra Mundial
Episódios de intoxicação na Rússia durante a Segunda Guerra Mundial
A aleucia tóxica alimentar matou milhares de soldados na Rússia. Eles
consumiram cereais cobertos de neve e contaminados por fungos produtores
de micotoxinas.
1960
Marco histórico do reconhecimento das micotoxinas
Centenas de aves morreram em várias regiões da Inglaterra após consumires
rações contaminadas provenientes da África e do Brasil.
Aflatoxina
A aflatoxina é uma das micotoxinas mais conhecidas e estudadas. 
aflatoxina 
Apresenta grande risco para a saúde e pode estar presente em muitos grãos. 
Essas micotoxinas são altamente instáveis e provenientes de cumarínicos policíclicos insaturados,
apresentando alto poder patogênico. A aflatoxina é produzida por fungos filamentosos do gênero Aspergillus,
Aspergillus flavus crescendo em grãos de milho com a
coloração esverdeada.
sendo a principal espécie o A. flavus, que pode ser encontrada em todo o mundo, preferencialmente em
ambientes úmidos e quentes, estando distribuída na África, Austrália, Ásia tropical e América Latina.
A. flavus
O fungo filamentoso Aspergillus flavus é o principal produtor de aflatoxina. 
Atualmente, são conhecidos 17 compostos
pertencentes a essa classe de micotoxinas,
porém os mais importantes são as B1, B2, G1 e
G2, naturalmente encontradas em alimentos
feitos com milho, trigo, feijão, entre outros. As
aflatoxinas também podem ser detectadas nas
fezes, na urina, nos músculos, nos tecidos
comestíveis e no leite dos animais que se
alimentam de rações contaminadas com essas
micotoxinas.
Tanto em humanos quanto em animais, as
aflatoxinas podem causar danos hepáticos e
tumores. Podem ser ingeridas com cereais
deteriorados e são metabolizadas pelo fígado,
tornando-se um potente carcinogênico. São
facilmente absorvidas pelo intestino delgado e
duodeno por difusão passiva devido à sua
característica lipofílica e baixo peso molecular.
 
Após a absorção, essas micotoxinas seguem para o fígado pelo fluxo sanguíneo, acumulando-se nesse órgão
por causa da permeabilidade da membrana do hepatócito. É possível que a eliminação da aflatoxina ocorra,
primeiro, pela bile e, depois, pela urina; já houve detecção em menor quantidade no leite materno.
 
Já foram detectados níveis preocupantes de aflatoxinas em alimentos como a granola e o arroz branco de
todos os dias, podendo causar danos à saúde humana no longo branco. Outro alimento que é constante alvo
do ataque de fungos produtores de aflatoxina é o amendoim. Confira!
Arroz branco
Aflatoxinas podem ser encontradas no arroz por causa do crescimento
de fungos do gênero Aspergillus.
Amendoim
Os fungos do gênero Aspergillus também podem crescer em amendoim,
liberando aflatoxinas.
Por causa dos efeitos tóxicos, existe legislação própria que visa minimizar os impactos dessas micotoxinas
nos alimentos, bem como protocolos e testes de controle de qualidade para evitar ou diminuir essa
contaminação para níveis mais seguros.
Ocratoxina
Apresenta principalmente efeitos nefrotóxicos, sendo produzida por fungos do gênero Aspergillus e 
Penicillium. Em 1965, foi descrita pela primeira vez como metabólito secundário do A. ochraceu.
 
Ela se divide em três tipos distintos:
Penicillium
Fungos do gênero Penicillium podem produzir ocratoxina.
Ocratoxina A
Apresenta uma molécula de cloro em sua
composição.
Ocratoxina B
Não apresenta potencial tóxico.
Ocratoxina C
Composto por éter etílico da ocratoxina A,
sendo menos tóxica do que ela.
A ocratoxina A é a mais tóxica e a mais frequente. Além do efeito nefrotóxico, apresenta efeitos
carcinogênicos, teratogênicos e imunossupressores. Essa toxina é comumente encontrada no café, nos
cereais ou pães.
Em gestante, o principal risco da ocratoxina está nas
deformações do sistema nervoso central do feto.
Nefrotóxico
O principal efeito tóxico da ocratoxina está
relacionado aos rins.
Café
A ocratoxina pode ser encontrada em grãos de
café.
A ocratoxina é absorvida lentamente pelo trato gastrointestinal, sendo essa a principal via de contaminação.
Geralmente, ocorre uma absorção rápida no estômago por conta de sua característica ácida e mais lenta ao
longo do percurso intestinal.
Os efeitos nefrotóxicos são observados principalmente nos
mamíferos não ruminantes, causando alterações na
osmolaridade da urina, aumento dos rins e poliúria. A função
renal é afetada devido ao aumento do rim e à presença de
necrose tubular renal associada à redução da atividade
enzimática, que favorece o surgimento dos adenomas
renais e tumores. Em gestantes, a ocratoxina A pode causar
deformações no sistema nervoso do feto.
Citrina
É encontrada principalmente em pães mofados, em grãos
de aveia mofados, centeio, cevada, milho, trigo, arroz e em
tantos outros grãos e derivados de cereais. Testes
laboratoriais mostraram que a citrina tem potencial
nefrotóxico, porém, até o momento, não foram encontradas
evidências do impacto dessa toxina na saúde humana. As principais vítimas da citrina são os animais
domésticos, especialmente os suínos, quando se alimentam de rações e cereais contaminados com o fungo 
Penicillium citrinum.
 
Conheça mais alguns detalhes dos fungos de citrina e onde são encontrados:
Grãos de aveia mofados
O fungo produtor de citrina pode ser encontrado em grãos de aveia
mofados.
Animais domésticos
Os animais domésticos são os que mais sofrem os efeitos da citrina, que
pode estar presente nas rações.
Penicillium citrinum: cereais contaminados
Observe o Penicillium citrinum, produtor da toxina citrina, crescendo em
uma laranja.
Esterigmatocistina
Apresenta atividade hepatocarcinogênica. Esse grupo é composto por oito diferentes toxinas capazes de inibir
a síntese de DNA. Fungos produtores como Aspergillus versicolor, A. nidulans e A. rugulosus têm predileção
por crescer em aveia, trigo e café.
A. nidulans
Aspergillus nidulans produtor da micotoxina esterigmatocistina.
Fungo filamentoso crescendo nos grãos de trigo.
Os fungosdo gênero Trichoderma são produtores da
micotoxina tricotecenos.
Patulina
É uma micotoxina termorresistente e pode ser encontrada em produtos armazenados, onde os fungos do
gênero Aspergillus, Byssochlamys ou Penicillium (P. patulum, P. claviforme e P. expansum) podem crescer. O P.
expansum é estudado desde a década de 1940 por apresentar potencial antibiótico, porém também foi
observado que, quando ele cresce em alimentos, especialmente em frutos em deterioração, apresentam
potencial fitotóxico (tóxico para as plantas e vegetais), carcinogênico, teratogênico e pode causar lesões nos
pulmões, rins e no fígado. Por ser fitotóxico, nas plantas, essa micotoxina cliva as ligações peptídicas e a
celulose, especialmente das maçãs.
frutos em deterioração
O Penicillium expansum produdor da micotoxina patulina pode crescer em frutas em deterioração. 
A maior incidência de patulina no Brasil é no suco de maçã e nos alimentos para crianças à base dessa fruta,
porém não é observada em alimentos sólidos. Lembrando que, apesar de quase não consumirmos suco de
maçã puro, atualmente a maioria dos sucos industrializados têm suco de maçã em sua composição. A
detecção dessas toxinas em alimentos não é tão simples e necessita de técnicas complexas, como ensaios
imunoquímicos e cromatográficos.
suco de maçã 
A patulina é muito encontrada no suco de maçã.
Tricotecenos
Essa classe reúne mais de cem micotoxinas que
compartilham a mesma estrutura química e recebeu esse
nome em referência ao primeiro composto descrito, a
tricotecina. Vários fungos podem produzir a micotoxina,
como Trichoderma e Fusarium. Apesar de tantas toxinas e
gêneros que as produzem, menos de dez são de interesse
médico por contaminarem os alimentos.
A ação dessas toxinas inibe a síntese de proteínas de RNA e
DNA, acarretando efeitos hemorrágicos e
imunossupressores. Os tricotecenos são encontrados
geralmente na cevada, no milho, no centeio e no trigo.
Após a ingestão dos tricotecenos, os principais sintomas
são perda de peso e de apetite, diminuição das células
sanguíneas e diminuição do crescimento. Nos suínos, podem ocorrer múltiplos processos hemorrágicos no
estômago, esôfago ou fígado. Além disso, pode apresentar efeito imunossupressor, que impacta diretamente
a reprodução desses animais.
suínos
Os suínos são susceptíveis aos tricotecenos que podem estar presentes na ração.
Zearalenonas
Os fungos do gênero Fusarium podem produzir
zearalenonas.
O Fusarium moniliforme produz fumosinas e foi o
primeiro a ser descrito.
São formadas por uma molécula de lactona
ácida resorcílica e podem ser produzidas por
inúmeras espécies de Fusarium, como F.
culmorum e F. graminearum. 
 
Essa micotoxina possui afinidade com o milho e
seus derivados, principalmente com grão
armazenado em local que tem excesso de
umidade e temperaturas com oscilações entre
dias quentes e noites frias. O clima do local em
que os grãos são armazenados influencia
diretamente na produção de zearalenonas.
Essa toxina não apresenta importância médica,
pois não foi comprovado nenhum dano aos
seres humanos, porém o impacto econômico
ocorre principalmente na criação de suínos por
causar impotência reprodutora. Nesses animais, a zearalenona tem função estrogênica não esteroide, sendo
conhecida por seus efeitos estrogênicos, que inclui infertilidade, atrofia testicular, desenvolvimento precoce
das mamas, redução da gravidez, entre outros, impactando o rebanho de suínos.
 
Essa micotoxina é frequentemente encontrada em produtos agrícolas, como farelo de trigo, farelo de arroz,
silagem, milho, trigo e sorgo.
zearalenona 
A reprodução dos suínos pode ser afetada quando eles ingerem a zearalenona.
Fumonisinas
Cerca de 16 toxinas fazem parte da classe das
fumonisinas, sendo B1 e B2 as primeiras a
serem descritas após isolamento de culturas de
Fusarium moniliforme. Várias espécies do
gênero Fusarium podem produzir essa toxina, e
esses fungos são normalmente encontrados no 
milho.
O milho pode ser atacado pelo Fusarium spp. e ser
contaminado com a fumosina.
Os sintomas em humanos e animais são os mais
variados, podendo apresentar diarreia,
inanição, falta de ar, anorexia, perda de tônus
muscular, encefalopatia e necroses no fígado,
podendo evoluir para quadros mais graves. A
toxina B1 não é tão bem absorvida pelo trato
gastrointestinal quanto a B2, por isso ela é
eliminada mais facilmente por excreção biliar.
Apesar do quadro clínico ser grave e inspirar
cuidados, mais de 70% dos casos de
intoxicação pela fumonisina são tratáveis.
Neste vídeo, você conhecerá um pouco sobre a
regulamentação das micotoxinas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O micetismo ocorre após a ingestão de cogumelos venenosos produtores de toxinas, e as
manifestações clínicas podem ser as mais variadas possíveis. A respeito do tratamento do
micetismo, é correto afirmar:
A
Para os pacientes que apresentam micetismo gastrointestinal, a administração de carvão ativado e lavagem
gastrointestinal é suficiente.
B
Não existe um antídoto eficaz para as toxinas, então a maioria da terapia é baseada no tratamento dos
sintomas e suporte do paciente.
C
Os casos de micetismo hepatotóxico pode ser revertido apenas com o paciente realizando hemodiálise e, em
alguns casos, transfusão de sangue.
D
O antídoto para os casos mais graves de micetismo são eficazes somente quando administrado nas primeiras
12 horas do aparecimento dos sintomas.
E
Nos casos neurotóxicos do micetismo, o paciente precisa ser imediatamente submetido a exames neurais
para verificação do dano neurológico.
A alternativa B está correta.
Devido às características químicas, estruturais e fisiológicas, não existe um antídoto eficaz para as toxinas
dos cogumelos venenosos. Então, o tratamento do paciente com micetismo é, na maioria das vezes, um
suporte dos sintomas que eles apresentam.
Questão 2
Micotoxicose é a intoxicação por ingestão de alimentos contaminados com micotoxinas que
são produzidas por fungos filamentosos (bolores). Entre as toxinas relacionadas a seguir quais
apresentam efeitos tóxicos para os humanos?
A
Citrina e patulina.
B
Aflatoxina e ocratoxina.
C
Tricoteceno e zearalenona.
D
Fumosina e citrina.
E
Zearalenona e fumosina.
A alternativa B está correta.
As aflatoxinas e ocratoxinas são duas classes de toxinas que apresentam potencial efeito tóxico para
humanos e animais, impactando a saúde e a economia.
2. Micoses superficiais, cutâneas e subcutâneas
Micoses superficiais
Os fungos podem causar doenças em praticamente qualquer organismo vivo, e a infecção em animais e
humanos gerada por esses microrganismos são chamadas de micoses. A pele é um órgão que está em
constante contato com o mundo exterior e, consequentemente, com os mais diversos microrganismos,
podendo ser parasitada pelos fungos.
 
Para entender essa classificação, precisamos revisar como é a estrutura da pele humana, pois a classificação
das micoses está diretamente relacionada à qual porção da pele elas causam doenças. 
 
A pele pode ser dividida em três camadas, observe na imagem a seguir:
Esquema representativo das três camadas da pele.
Atenção
As micoses são classificadas de acordo com o local que atingem o hospedeiro e os agentes que a
causam. 
No vídeo, podemos ver, de modo detalhado, as etapas que englobam o diagnóstico micológico, que é
extremamente importante para a definição da doença e o curso do tratamento a ser realizado.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Esquema das micoses superficiais causadas pelos
fungos que crescem na camada mais superficial da
pele.
As micoses superficiais são as mais comuns, e,
com certeza, você já teve ou terá essa doença
em algum momento da sua vida. Essas micoses
são mais incômodas do que letais, pois muitas
delas podem causar uma aparência
desagradável à pele. Os fungos causadores das
micoses superficiais atingem apenas as
camadas mais superficiais da pele. Por não
invadiremos tecidos vivos, podem não disparar
reações inflamatórias no hospedeiro.
Pitiríase versicolor
Popularmente conhecida por “pano branco” ou
“micose de praia”, é causada pelas leveduras 
lipofílicas do gênero Malassezia. Essa levedura
faz parte da microbiota normal da pele e do
couro cabeludo, mas, por causa de algum
desequilíbrio, ela começa a crescer mais do que
o normal e gera manchas hiperpigmentadas ou hipopigmentadas.
 
A seguir, conheça alguns aspectos da pitiríase versicolor:
lipofílicas 
Tem afinidade pelos lipídeos.
Pano branco
O popular “pano branco” é causado pelas leveduras do gênero Malassezia.
Manchas hiperpigmentadas
A pitiríase versicolor pode apresentar manchas hiperpigmentadas.
Manchas hipopigmentadas
As leveduras do gênero Malassezia também podem causar manchas
hipopigmentadas.
Geralmente, as manchas relacionadas à pitiríase versicolor aparecem em regiões com maior concentração ou
produção de sebo. Por isso, é comum aparecerem em tronco, tórax, pescoço, ombros. Essa micose pode ser
crônica e atinge homens e mulheres de igual forma, sendo mais frequente em adolescentes e jovens adultos.
O crescimento exacerbado da Malassezia pode interferir na produção de melanina e, quando expostas ao sol,
as manchas são evidenciadas, por isso são comumente caracterizadas como uma “doença de praia”.
 
O diagnóstico dessa micose é simples e pode ser feito coletando-se escamas dessas manchas com posterior
tratamento com hidróxido de potássio (KOH 10-20%) para visualização em microscópio. As leveduras de 
Malassezia spp. são redondas ou ovaladas, agrupadas ou isoladas, com brotamento que lembra um pino de
boliche.
 
O cultivo dessas leveduras é mais complexo devido à sua exigência nutricional por lipídeos, necessitando de
suplementação do meio de cultura com ácidos graxos de cadeia longa (exemplos: óleo de girassol, milho e
oliva).
pino de boliche
Microscopia eletrônica da estrutura das leveduras de Malassezia.
Mancha marrom na pele causada pela levedura Hortaea
werneckii.
Colônias de Hortaea werneckii.
O uso de shampoo próprio para o tratamento como - shampoo com sulfeto de
selênio (2,5%) - pode ser suficiente para tratar a pitiríase versicolor.
Geralmente, o tratamento pode ser tópico com o uso de hipossulfito de sódio (40%), shampoo com sulfeto de
selênio (2,5%) ou com derivados imidazólicos, sendo indicada administração oral de antifúngicos somente
quando as lesões são muito extensas ou em quadros com recidivas. Mesmo seguindo o tratamento
adequadamente, a coloração da pele pode demorar meses para voltar ao normal.
Tinea nigra
Trata-se de uma micose assintomática e
benigna do estrato córneo,caracterizada pelo
aparecimento de manchas marrons ou
enegrecidas, geralmente localizadas nas
palmas das mãos ou na sola dos pés. Essa
micose é causada por uma levedura melanizada
chamada Hortaea werneckii e tem predileção
por indivíduos jovens. No Brasil, essa micose foi
descrita em maior número na região Nordeste.
A condição causada pela micose conhecida
como tinea nigra não envolve nenhum grande
comprometimento fisiológico, sendo apenas
necessário o cuidado no diagnóstico diferencial
de fitotomelanose e melanoma. O diagnóstico
pode ser feito pelo exame direto das escamas
da pele clarificada com KOH 10-20% e a cultura
dessas escamas em Ágar Sabouraud dextrose,
apresentando um crescimento lento. O tratamento pode ser
feito com soluções ceratolíticas, antifúngicos ou ácido
salicílico.
Piedra branca
Diferentemente das outras micoses que atingem a camada
mais superficial da pele, a piedra branca acomete somente
os pelos ou fios de cabelos. Também é uma micose
benigna, e o principal sintoma está relacionado aos nódulos
claros que aparecem ao redor do fio. 
nódulos claros
A piedra branca pode causar nódulos brancos nos fios do cabelo, parecidos com lêndeas de piolhos. 
Essa micose é comumente confundida com lêndeas dos piolhos, por sua aparência semelhante, porém, nos
casos de pediculose, há prurido intenso e alta taxa de transmissão, o que não ocorre com a piedra branca.
 
Apesar de já haver relatos no mundo todo, essa micose é mais comum em locais de clima temperado e
tropical. O costume de prender os cabelos ainda molhados e o uso excessivo de cremes favorecem o
aparecimento dessa micose por manter a umidade por mais tempo nos fios.
 
Seu agente causador é o gêneroTrichosporon e o diagnóstico pode ser feito observando-se os nódulos ao
microscópio após a clarificação com KOH 10-20%, onde serão vistas estruturas hifas com artoconídios e
alguns blastoconídios.
 
A colônia do Trichosporon cresce rapidamente em Ágar Sabouraud com coloração creme ou branca. O
principal tratamento é o corte dos fios para tirar a parte que está com os nódulos, podendo-se associar o uso
de imidazólicos tópicos, e raramente são necessários antifúngicos orais.
lêndeas dos piolhos
Os ovos dos piolhos são facilmente confundidos com piedra branca.
Piedra negra
Assim como a piedra branca, a piedra negra é uma micose assintomática, benigna, que acomete os pelos
causado o aparecimento de nódulos escuros, que são firmemente aderidos aos fios. Essa micose é
considerada endêmica na região amazônica, já que a elevada umidade relativa do ar e as altas temperaturas
favorecem o aparecimento dessa micose em ambos os sexos, preferencialmente em jovens.
Cabelo sendo cortado.
O agente causador da piedra branca é o fungo melanizado Piedraia hortae, e o exame direto do nódulo
clarificado por KOH 20-40% evidencia estruturas características desse fungo. O cultivo em meio Sabouraud
dextrose com cloranfenicol tem crescimento lento e apresenta coloração escura. O tratamento mais indicado
é o corte do cabelo parasitado com uso tópico de derivados imidazólicos.
Micoses cutâneas
Dermatofitose
É uma micose causada por fungos denominados dermatófitos. Esse grupo fúngico é composto por
microrganismos que têm afinidade com queratina. Por causa dessa exigência nutricional, os dermatófitos são
frequentemente encontrados parasitando tecidos de animais e humanos ricos em queratina, causando lesões
em pele e pelos.
 
Esses fungos não costumam parasitar tecidos mais profundos, porque não são capazes de crescer em
temperaturas mais elevadas, em torno de 37°C, e necessitam de queratina para sua sobrevivência.
 
Essa micose é uma das infecções de pele mais prevalentes do mundo, porém, apesar de serem incômodas e
muitas vezes persistentes, não são debilitantes, tampouco fatais. Também pode ser chamada de “tinha” ou
“tinea”, sua nomenclatura varia conforme a localização corporal em que ocorre, geralmente regiões úmidas e
quentes do corpo. Observe a seguir.
 
As lesões com aparência típica dessa micose apresentam borda circular inflamada, com vesículas e pápulas
que ficam ao redor da área de pele ainda não parasitada. Quando os dermatófitos atacam os pelos ou as
unhas, é possível verificar um espessamento e enfraquecimento das unhas e pelos quebradiços.
Tinea corporis 
Localização: pele glabra e lisa.
Tinea pedis (pé de atleta)
Localização: espaços entre os dedos dos pés.
Tinea cruris (coceira do jóquei) 
 Localização: virilha.
Tinea capitis
Localização: Couro cabeludo ou fios de cabelo. Endótrix: fungo dentro do fio.
Ectótrix: fungo na superfície do fio.
Tinea ungueal (onicomicose)
Localização: unhas.
O grupo dos dermatófitos engloba mais de 40 espécies que pertencem a três gêneros: Microsporum, 
Epidermophyton e Trichophyton. De acordo com o hábitat, eles podem ser classificados em zoofílicos,
geofílicos ou antropofílicos. Os animais são os hospedeiros principais dos dermatófitos zoofílicos e, quando o
humano é parasitado por esses fungos, ele geralmente adquiriu a infecção por contato direto com animal
infectado.
Cultura de Trichophyton mentragrophytes.
O M. canis é o mais encontrado parasitando gatos e cães, já o T. mentagrophytes var. mentagrophytes pode
ser encontrando causando micoses em pequenos animais, como cobaias ou bovinos. Os dermatófitos
geofílicos são encontrados vivendo no solo, e animaise os humanos infectam-se por meio de contato direto
com a área contaminada.
Cultura do dermatófito geofílico Microsporum gypseum.
No Brasil, o geofílico mais comum é o M.
gypseum. Já os antropofílicos fazem seu ciclo
apenas pela passagem humano-humano.
Geralmente, essa transmissão ocorre por
contato indireto de objetos contaminados,
como roupas, sapatos, lençóis etc.
 
Os mais comuns no Brasil são T.
mentagrophytes var. interdigitale, T. rubrum, T.
tonsurans e E. floccosum. A transmissão de
dermatófitos entre seres humanos, animais e
solo pode ocorrer por contato direto com os
fungos ou por escamas da pele e pelos
contaminados, como ilustra o diagrama a
seguir.
Esquema ilustrativo das vias de transmissão dos dermatófitos entre solo, humanos e
animais.
Os dermatófitos apresentam características macro e micromorfológicas que são capazes de distinguir seu
gênero e sua espécie. De modo geral, todos apresentam hifas hialinas e septadas, com formação de macro e
microconídios, e é por meio da observação dos macroconídios que podemos diferenciá-los.
 
Os fungos do gênero Microsporum têm macroconídios fusiformes, septados com paredes espessas e rugosas
e poucos microconídios. O gênero Epidermophyton produz macroconídios piriformes com paredes lisas e 2 a 4
células que podem estar isolados ou em forma de cachos. Os macroconídios do gênero Trichophyton são
multisseptados, cilíndricos, com paredes lisas, e seus microconídios podem ser piriformes, ovais ou redondos.
 
Observe algumas características desses fungos a seguir:
Microsporum
Apresentam macroconídios fusiformes de parede espessa e septados.
Epidermophyton
Apresenta macroconídios piriformes com parede lisas.
Trichophyton
Apresenta macroconídios multisseptados e cilíndricos.
Além das características dos conídios, outras estruturas morfológicas também auxiliam na identificação dos
fungos que não produzem macroconídios, como hifas em raquete, espirais, pectinadas, candelabro fávico e
clamidoconídios.
 
O surgimento das lesões de dermatofitose ocorre em três etapas:
Período de incubação
Após o contato do fungo com o hospedeiro, pode ocorrer um período de incubação variável, que
depende de alguns fatores, principalmente do hospedeiro.
Período de invasão radial
Ocorrem o crescimento das hifas e a produção das enzimas que degradam a queratina.
Período refratário
As hifas começam a se fragmentar, produzindo as estruturas de resistência chamadas de
“artroconídios”.
Nos pelos, esse processo é mais simples. O dermatófito invade o folículo piloso, o pelo perde o brilho e se
quebra com muita facilidade. Quando a invasão é extensa no couro cabeludo, pode haver o aparecimento de
placas de tonsura, geralmente causadas por Microsporum canis ou Trichophyton tonsurans.
Artroconídios observados entre escamas.
O diagnóstico é realizado pela análise das
escamas de pele, fios de cabelo, fragmentos de
unhas ou pelos, coletados preferencialmente
das bordas das lesões por serem a área ativa
da dermatofitose. Após o material ser
clarificado com KOH 10-30%, é possível
observar as hifas hialinas septadas e
eventualmente a presença de artroconídios
entre as escamas.
 
O crescimento das colônias em Ágar Sabouraud
com cloranfenicol e cicloheximida auxilia no
diagnóstico e na definição da espécie por meio
da análise da micromorfologia. A
macromorfologia dos dermatófitos pode
apresentar diversos aspectos, como algodonoso, aveludado ou pulverulento, e a coloração é variável.
Para alguns dermatófitos, a macromorfologia da colônia é bem típica, como nos seguintes casos:
T. rubrum, que apresenta coloração vermelho-escura.
T. rubrum
O Trichophyton rubrum produz uma coloração avermelhada típica desta espécie. 
 M. canis, com pigmentação amarelo-ouro.
 
• 
• 
A candidíase de pele pode acometer regiões quentes e
úmidas, como a região entre os dedos dos pés.
O tratamento das dermatofitoses pode ser sistêmico ou tópico, com uso de ácido salicílico ou antifúngicos,
como cetoconazol ou clotrimazol. O tratamento sistêmico é realizado por via oral com antifúngicos da classe
dos azóis, como o itraconazol e o fluconazol. Por causa da natureza dos fungos e da localização das lesões,
principalmente as onicomicoses, o tratamento, muitas vezes, pode ser demorado, levando até meses, em
alguns casos.
M. canis
O verso do cultivo do Microsporum canis apresenta pigmentação amarela característica dessa espécie. 
Além dos fungos do grupo dos dermatófitos, as
leveduras do gênero Candida também podem
causar micoses de pele, unhas ou de mucosa
em pacientes com alguma predisposição. As
leveduras deste gênero já fazem parte da
microbiota de indivíduos saudáveis, seja na
mucosa oral, seja na vaginal, seja no trato
gastrointestinal. Quando ocorre algum
desequilíbrio no hospedeiro, isso favorece o
crescimento da Candida, e elas começam a
filamentar e invadir o tecido saudável.
Assaduras em bebê causada por leveduras do gênero
Candida.
Leveduras do gênero Candida.
A Candida albicans é a espécie prevalente,
seguida por outras espécies, como C. 
parapsilosis, C. glabrata. As principais regiões
acometidas pelas lesões são os espaços entre
os dedos das mãos e dos pés, virilha e embaixo
das mamas, pois são locais que retêm maior
umidade.
 
É muito comum o aparecimento da candidíase
em crianças pequenas que usam fraldas,
decorrente de uma reação da urina em contato
com a pele, causando maior retenção de
umidade e, consequentemente, aumento da
quantidade de leveduras, sendo muito
incômodo.
Devido à presença da Candida na microbiota
normal de seres humanos, ela tem distribuição mundial, sem predileção por sexo ou idade. As micoses de
unhas causadas por essas leveduras são comuns nas mãos, principalmente de pessoas que costumam
trabalhar com as mãos molhadas o tempo todo ou em constante contato com produtos químicos abrasivos,
que podem lesionar unhas e pele.
micoses de unhas
As micoses de unhas causadas pelo gênero Candida acometem principalmente pessoas que trabalham
com as mãos ou os pés molhados por muito tempo. 
Já a candidíase oral é rara em adultos e mais comum em recém-nascidos, sendo popularmente conhecida
como “sapinho”. Em adultos, já foi muito associada a casos de HIV/AIDS. Geralmente, as lesões apresentam-se
como placas esbranquiçadas na mucosa oral, localizadas tanto no palato mole quanto na língua. Já a 
candidíase vaginal, a manifestação clínica mais comum associada às leveduras do gênero Candida, provoca
grande incômodo, corrimento esbranquiçado e prurido.
 
Estima-se que cerca de 70% das mulheres podem desenvolver essa micose na fase adulta.
candidíase vaginal
A candidíase vaginal é uma das manifestações que acomete comumente as mulheres.
Língua com placas brancas características da candidíase oral.
Colônias de Candida.
Coloração de Gram - As leveduras do gênero Candida podem filamentar em
parasitismo.
O diagnóstico baseado em exame direto de amostras clínicas pode ser feito utilizando KOH (20 ou 40%), ou 
coloração de Gram, que poderá evidenciar estruturas de pseudo-hifas, células de leveduriformes e hifas
verdadeiras. Em ágar Sabouraud dextrose, as Candidas crescem rapidamente, apresentando coloração creme
cerca de 48 horas após o cultivo.
No caso das candidíases, antes de ser feito o tratamento
com antifúngicos, é necessário equilibrar os fatores
predisponentes do paciente, afinal de contas a Candida faz
parte da microbiota normal. O tipo de tratamento e a
medicação utilizada vão depender principalmente da
manifestação clínica, podendo ser feito com uso de
nistatina, compostos de iodo ou antifúngicos azólicos.
Micoses subcutânteas
As micoses subcutâneas atingem tecidos mais profundos
da pele e, em algumas situações, podem até se disseminar
para outros locais a partir do ponto de inoculação. Os
agentes dessas micoses têm a característica em comum de
serem saprófitas de solo. Isso significa que esses fungos são principalmente encontrados no solo, associados
à matéria orgânica vegetal em decomposição.
 
Eventualmente, esses microrganismoscausam doenças quando entram em contato com o tecido subcutâneo
do hospedeiro por meio de traumas feitos principalmente por estruturas vegetais contaminadas com esses
fungos. Por causa dessa forma traumática de transmissão, essas doenças são agrupadas e podem ser
chamadas de micoses de inoculação traumática.
 
Seu tratamento depende principalmente do agente etiológico e da localização da lesão.
Esporotricose
A esporotricose é a micose subcutânea mais prevalente da América Latina e é classicamente causada por
fungos dimórficos do gênero Sporothrix. No passado, acreditava-se que apenas o S. schenckii causava essa
micose, mas, com o avanço tecnológico, foi possível diferenciá-lo em outras espécies. Então, atualmente, as
espécies patogênicas mais importantes desse gênero são S. globosa, S. schenckii e S. brasiliensis.
 
Os fungos do gênero Sporothrix podem ser encontrados principalmente em zonas tropicais e subtropicais
associados à matéria orgânica em decomposição. O S. schenckii pode ser achado no mundo todo, já o S.
globosa é mais encontrado na Ásia, enquanto o S. brasiliensis ainda é restrito à América do Sul.
 
Como em todas as micoses subcutâneas, para a transmissão da esporotricose, é necessário um trauma
cutâneo, geralmente causado por alguma matéria orgânica vegetal contaminada com o fungo, que pode ser
um espinho, um tronco de árvore ou um galho. Por conta da transmissão clássica por matéria orgânica
vegetal, essa micose é conhecida como a “doença do jardineiro” ou a “doença das roseiras”, porque é
comumente associada a ferimentos ocasionados por essas plantas.
 
Apesar dessa via clássica de transmissão, no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, a esporotricose assumiu
caráter zoonótico, o que significa que existe um animal, o gato doméstico com esporotricose, envolvido na
transmissão dessa doença. O gato com esporotricose, ao mesmo tempo em que é um hospedeiro vítima
dessa micose, também pode transmiti-la para outros animais ou humanos a partir de mordidas e arranhões.
 
Observe mais alguns aspectos desse tipo de micose:
dimórficos 
Os fungos dimórficos são aqueles que conseguem assumir tanto a forma filamentosa com micélio quanto
a forma de levedura, dependendo da situação. No caso do Sporothrix, na natureza, ele é encontrado
como filamentoso e, quando está parasitando um animal ou humano, torna-se levedura.
Doença do jardineiro
A esporotricose é conhecida em todo o mundo como a doença do jardineiro por causa da maior
exposição desses profissionais aos fungos.
Doença das roseiras
A esporotricose foi muito associada à manipulação de roseiras, pois seus espinhos podem causar
lesões na pele que inoculam o fungo no tecido subcutâneo.
O gato doméstico com esporotricose
A briga entre os gatos é a principal forma de transmissão da doença entre esses animais.
Animais
Outros animais, como os cães, podem ser afetados pela esporotricose quando feridos por um gato
doente.
Humanos
Os gatos com esporotricose podem transmitir a doença para seus tutores, cuidadores e veterinários.
Nódulo ulcerado característico esporotricose humana.
Felino com lesões ulceradas e de difícil cicatrização.
Em humanos, a manifestação clínica mais
comum é a linfangite nodular ascedente, e, a
partir do ponto onde ocorreu o trauma de
inoculação, o fungo pode seguir os vasos
linfáticos adjacentes, causando nódulos pelo
percurso, que podem ulcerar. Também ocorrem
casos de cutânea fixa, disseminada, e muito
raramente extracutâneas (por exemplo: ossos,
pulmão).
As lesões em gatos ocorrem nas patas, na
cauda e, principalmente, na cabeça, pois são os
locais mais expostos durante as brigas que
favorecem a transmissão da esporotricose, mas
é muito comum verificar gatos com a 
esporotricose disseminada.
 
Clique na imagem.
esporotricose disseminada.
A manifestação clínica do gato está muito associada ao tempo que o tutor demora para levar esse animal
ao veterinário. 
Ao contrário do que é visto para micoses superficiais e
cutâneas, o exame direto do material da lesão dos humanos
raramente evidencia a presença das leveduras. Por isso,
nesses casos, é sugerido realizar biópsia para análise
histopatológica com ácido periódico de Schiff (PAS) ou
metenamina-prata de Gomori.
Para gatos com esporotricose, o exame direto pela citologia
por imprint com a coloração de panótico rápido é suficiente
para evidenciar muitas leveduras e auxiliar no diagnóstico.
muitas leveduras
O exame direto das lesões dos felinos apresenta abundantes leveduras. 
O cultivo de Sporothrix é feito em Ágar Sabouraud dextrose acrescido de antibióticos, para inibir o
crescimento de bactérias contaminantes. Ele tem um crescimento rápido, e as colônias podem aparecer em
torno de três a sete dias. 
colônias 
As colônias filamentosas do Sporothrix são inicialmente claras e escurecem com o tempo. 
Além da observação da micromorfologia característica com conidióforos em forma de margarida e hifas
septadas hialinas, o teste de conversão térmica é extremamente importante para a identificação desse
gênero.
 
A termoconversão pode ser feita usando um meio de cultura rico, como o BHI (Infusão de cérebro e coração
bovinos) incubados a 37°C, quando serão observados o aparecimento de colônias cremes, cerebriformes e
com micromorfologia compatível com as leveduras.
 
O tratamento de escolha da esporotricose humana e felina é a administração oral do itraconazol e pode durar
meses. Nos casos em quea resposta à terapia é insatisfatória, associa-se iodeto de potássio ou anfotericina B.
margarida 
A micromorfologia do Sporothrix apresenta estruturas em forma de margarida.
Cromoblastomicose
A cromoblastomicose ou cromomicose é uma micose subcutânea granulomatosa com evolução lenta, também
causada a partir de um trauma cutâneo. Os agentes causadores dessa micose são fungos demáceos
pertencentes aos gêneros Fonsecaea, Rhinocladiella, Cladophialophora e Phialophora.
 
A espécie Phialophora verrucosa é mais comum em regiões frias, principalmente na América do Norte. O 
Cladophialophora carrionii também já foi isolado em território brasileiro, assim como na Venezuela e na
Austrália.
 
No Brasil, a espécie predominante é a Fonsecaea pedrosoi, e os casos ocorrem principalmente no estado do
Pará. Embora diversos gêneros e espécies possam causar cromoblastomicose, os sintomas clínicos e as
estruturas parasitárias permanecem os mesmos.
 
A manifestação clínica é caracterizada pela formação de nódulos cutâneos verrucosos com desenvolvimento
lento e, depois, podem aparecer vegetações papilomatosas, que podem ulcerar ou não. Quando esses
nódulos estão em conjunto, podem ter um aspecto de couve-flor nos estágios mais avançados.
cutâneos verrucosos
A cromomicose pode apresentar placas ou nódulos que podem ulcerar ou não.
Os pacientes acometidos pela cromoblastomicose frequentemente são
trabalhadores rurais.
Geralmente, localiza-se em membros inferiores por causa do ponto de inoculação, que pode ser um trauma
causado por uma enxada durante o trabalho rural, ou até mesmo um corte ou arranhão por estruturas vegetais
contaminadas com esses fungos.
 
Por causa da natureza dos fungos envolvidos, essa doença está comumente associada a trabalhadores rurais,
lavradores e agricultores, que estão diariamente expostos aos nichos ambientais desses fungos.
 
O diagnóstico micológico direto feito a partir das crostas das escamas ou do pus pode revelar estruturas de
coloração marrom e globosas, que geralmente estão agrupadas. Essas estruturas septadas em dois planos
chamadas de corpos escleróticos ou muriforme são características dessa micose subcutânea.
Colônias de fungos causadores de cromoblastomicose.
corpos escleróticos 
O corpo esclerótico ou muriforme é um achado característico no exame direto da cromoblastomicose. 
Para o cultivo laboratorial desses fungos, é
necessário o uso do ágar Sabouraud sem
antibióticos, e eles crescem lentamente, com
aparência aveludada ou algodonosa, com
coloração que varia de esverdeada a marrom-
escura ou preta.A identificação das espécies
ocorre por meio da observação das estruturas
de reprodução microscópicas.
As estruturas de reprodução podem ser de três
tipos distintos associados aos gêneros que os
produzem:
Tipo cladospório - gênero Cladosporium
A produção dos conídios do tipo cladospório é em cadeia.
Tipo rinocladiela - gênero Rhinocladiella
Os conídios do tipo rinocladiela estão dispostos ao longo do conidióforo
em forma de escova de mamadeira.
Tipo fialófora - gênero Phialophora
Os conídios do tipo fialófora estão dispostos no topo do conidióforo
como um vaso de plantas.
Curiosamente, o gênero Fonsecaea pode apresentar os três tipos de corpos de frutificação, sendo mais
frequentes os tipos rinocladiela e cladospório.
 
O tratamento da cromomicose dependerá da forma clínica e do tempo de evolução, que, em alguns casos,
pode chegar a anos. Ao contrário de outras micoses, o tratamento apenas com antifúngicos como anfotericina
B, itraconazol ou 5-fluorocitosina não é suficiente, sendo necessária a associação com eletrocoagulação,
tratamento cirúrgico para remoção dos nódulos ou crioterapia.
Micetomas
Podem ser causadom por espécies de bactérias (Nocardia ou Actinomyces) ou por fungos de vários gêneros.
Os micetomas causados por fungos são denominados “eumicetomas” ou “micetoma eumicótico”. Os fungos
causadores do eumicetoma produzem suas hifas emaranhadas como grãos, que apresentam tamanhos
diversos e coloração que pode ser branca, amarelada a preta.
 
De modo geral, após o trauma que inocula o fungo no tecido subcutâneo, ocorre aumento da região lesionada
com posterior aparecimento de fístulas e produção dos grãos com pus. No Brasil, os números de casos são
baixos, sendo mais frequentes em países do Oeste da África (Senegal, Congo, Sudão e Madagascar) e na
Índia. Os sítios anatômicos mais acometidos são braços, pernas e pés, pois esses são os locais mais
susceptíveis aos traumas cutâneos por onde o fungo penetra.
 
Conheça um pouco mais sobre os traumas:
Grãos com pus
As lesões do eumicetoma podem ulcerar e liberar pus e os grãos característicos dessa micose.
O Pseudallescheria boydii é um dos fungos causadores
do eumicetoma.
Braços
Os membros superiores podem ser acometidos após ferimentos com matéria orgânica vegetal
contaminada.
Pernas
As pernas podem ser acometidas pelo eumicetoma por causa do ponto de inoculação.
Pés
Os pés são frequentemente acometidos por serem mais expostos aos nichos ambientais dos fungos
durante os trabalhos rurais.
Os fungos mais envolvidos nos casos de
eumicetomas são Pseudallescheria boydii
(grãos brancos), Pirenochaeta romeroi (grãos
pretos), Madurella mycetomatis (grãos pretos)
e Acremonium recifei (grãos brancos). Na
América do Sul, o agente mais encontrado é o 
Madurella grisea. Esses fungos são achados
principalmente em madeira, solos e vegetais e,
por isso, também os produtores rurais,
agricultores e lavradores são os mais
acometidos.
 
O diagnóstico pode ser confirmado pelo achado
dos grãos com diferentes texturas, tamanhos e
cores. A observação das características
macroscópicas dos grãos pode ajudar na
identificação do fungo, porém a definição exata da espécie ocorre em associação aos achados da
micromorfologia da cultura e do grão. Em alguns casos, são necessários testes complementares, como
bioquímicos, para auxiliar na identificação do fungo.
Entre as micoses subcutâneas, o tratamento do eumicetoma é o mais copmplexos, pois requer drenagem
cirúrgica, uso de antifúngicos intralesionais (anfotericina B, miconazol, cetoconazol, itraconazol, entre outros)
e, em casos mais graves, amputação do membro acometido.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A dermatofitose é uma micose que acomete a pele e os pelos de humanos e animais e não
tem potencial letal, porém pode ser muito incômoda. Três gêneros fúngicos formam o grupo
dos dermatófitos. Quais são eles?
A
Hortaea, Malassezia e Tonsurans.
B
Candida, Piedraia e Trichosporon.
C
Microsporum, Epidermophyton e Trichophyton.
D
Trichosporon, Malassezia e Epidermophyton.
E
Sporothrix, Trichosporon e Piedraia.
A alternativa C está correta.
Os fungos do grupo dos dermatófitos pertencem aos gêneros Microsporum, Epidermophyton e 
Trichophyton, responsáveis por causar dermatofitoses em humanos e animais.
Questão 2
Independentemente do agente causador, as micoses subcutâneas compartilham uma
característica em comum. Assinale a alternativa correta sobre as características comuns que
essas micoses compartilham:
A
A forma de transmissão das micoses subcutâneas ocorre por um trauma cutâneo.
B
As micoses subcutâneas são causadas por fungos demáceos melanizados.
C
O tratamento das micoses subcutâneas geralmente envolve o uso de antifúngicos e a realização de cirurgias.
D
No diagnóstico das micoses subcutâneas, o cultivo é sempre feito em ágar Sabouraud com antibióticos.
E
O exame direto sempre evidencia estruturas de hifas hialinas septadas, em alguns casos com artroconídios.
A alternativa A está correta.
A característica que une as micoses subcutâneas é a necessidade de um trauma cutâneo que inocula o
fungo na pele.
3. Micoses sistêmicas e oportunistas
Micoses sistêmicas
Assim como as micoses subcutâneas, as micoses sistêmicas são agrupadas por apresentarem várias
características em comum. Essas micoses têm distribuição geográfica limitada e, por essa característica,
também podem ser conhecidas como micoses endêmicas.
 
Os fungos causadores das micoses sistêmicas podem ser encontrados no solo, em excremento de animais e
em matéria orgânica vegetal rica em nutrientes. A principal forma de transmissão é pela inalação dos esporos
fúngicos ou conídios, sendo o pulmão o primeiro e principal órgão acometido. Apesar disso, a maior parte das
infecções pulmonares é autolimitada e assintomática. Mesmo com alto potencial infeccioso ambiental, um
indivíduo com micose sistêmica não transmite para outros humanos ou animais.
endêmicas
São endêmicas aquelas doenças que acometem a população de uma região geográfica específica.
Representação da transmissão das micoses sistêmicas pela inalação dos conídios
dispersos no ar.
O tratamento das micoses depende principalmente do agente etiológico e da localização da lesão. Para
entender melhor quais são os antifúngicos e os mecanismos de ação de cada um deles, assista ao vídeo a
seguir.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Histoplasmose
A histoplasmose clássica é causada pelo fungo dimórfico Histoplasma capsulatum var. capsulatum e pode ser
encontrada em várias partes do mundo, sendo endêmica nos Estados Unidos (regiões leste e centrais). Na
África, principalmente nos países tropicais, a histoplasmose é causada pelo Histoplasma duboisii. Embora a
histoplasmose seja rara no Brasil, houve aumento no número de casos registrados depois do advento do HIV/
AIDS.
 
A principal característica desse fungo é que ele tem preferência por crescer em solo que é abundantemente
contaminado com fezes de aves ou morcegos. A transmissão ocorre por inalação dos conídios do 
Histoplasma, que podem ser dispersos no ar durante a limpeza de locais, como galinheiros, sótãos com
morcegos ou então quando são revirados materiais do solo dentro de cavernas.
 
Nas regiões endêmicas, é comum um aumento significativo no número de casos após a escavação do solo
para construção ou então por exploração de cavernas infestadas de morcegos.
Após a inalação do conídio, ocorre a primo-infecção pulmonar. Na maioria dos indivíduos, esse quadro inicial é
assintomático ou subclínico, passando despercebido ou sendo confundido com resfriados ou gripe. Apesar de
não apresentar sintomas claros e debilitantes, esse primeiro contato com o fungo pode deixar sequelas, como 
calcificações nodulares residuais no pulmão, parecido com o que acontece com a tuberculose.
Calcificações nodulares residuais
Radiografia torácica demonstrando infiltrado pulmonar difuso devido à histoplasmose pulmonar aguda
causada por H. capsulatum.
Radiografia torácicamostra infiltrado pulmonar difuso devido à histoplasmose
pulmonar aguda causada por H. capsulatum.
Muito raramente, mas podendo ocorrer, o H. capsulatum se dissemina e atinge outros órgãos, como rins,
fígado, baço, pâncreas, testículos e ainda ocorre a manifestação clássica com lesões na mucosa orofaríngea.
Um fator agravante para a histoplasmose é a ocorrência de coinfecção com outros agentes, como o 
Mycobacterium tuberculosis, que causa tuberculose, dificultando ainda mais o tratamento e diagnóstico.
 
Apresentação do Histoplasma capsulatum na natureza
como fungo filamentoso.
A coloração metenamina-prata de Gomori evidencia,
em tons de marrom, as células fúngicas e, em azul, as
outras estruturas do hospedeiro.
A histoplasmose disseminada pode ocorrer em indivíduos com alguma debilidade imunológica, como
pacientes submetidos a quimioterapias imunossupressoras ou então pacientes com AIDS.
Leveduras de H. capsulatum.
O H. capsulatum é dimórfico, o que significa que, ao parasitar as células do sistema retículo endotelial,
transforma-se em leveduras pequenas, ovais ou redondas. Na natureza, esse fungo cresce como filamentosos
com hifas hialinas e macroconídios mamilonados ou tuberculados, que lembram a semente de mamona.
Em laboratório, é possível observar as duas
fases, crescendo o fungo a 25°C, para verificar
sua fase filamentosa, e a 37°C, quando
observamos as leveduras. O espécime clínico
coletado para diagnóstico da histoplasmose
pode ser biópsia, escarro, raspado de lesões
superficiais, urina e aspirados de medula óssea,
nos casos de histoplasmose disseminada.
 
Os cortes histológicos podem ser corados com
metenamina-prata de Gomori, calcofluorado
branco ou ácido periódico de Schiff, quando
serão observadas estruturas compatíveis com
leveduras. O crescimento do Histoplasma em
laboratório é lento, podendo levar até quatro
semanas para o aparecimento das primeiras
colônias.
As colônias desse fungo têm aparência algodonosa e
branca, sem nenhuma característica muito peculiar que o
identificaria, por isso é muito importante realizar a
termoconversão em laboratório para verificar sua mudança
para a fase leveduriforme.
Além dos métodos clássicos de identificação pelo exame
direto e cultura, também é possível realizar testes
sorológicos, como o teste de imunodifussão, que detecta
anticorpos contra o H. capsulatum no soro dos pacientes
infectados. Quando os anticorpos contra o antígeno M
desse fungo são detectados, indicam que a histoplasmose
está ativa.
Para os casos assintomáticos ou com sintomas leves, não
há indicação de tratamento, porque a resolução da doença
ocorrerá de forma espontânea. Nos casos pulmonares mais graves, é indicado o uso de itraconazol, e, para os
casos de histoplasmose disseminada, o tratamento de escolha é anfotericina B. Não existe uma forma 100%
eficaz de prevenção, mas evitar locais onde o fungo possa crescer ou áreas endêmicas é a melhor forma de
evitar a histoplasmose.
Paracoccidioidomicose
A paracoccidioidomicose acontece em toda a América Latina.
A paracoccidioidomicose também pode ser conhecida como a blastomicose da América, pois essa doença
acontece principalmente na América Latina, estendendo-se da Argentina até o México, já sendo descritos
casos aqui no Brasil em estados como São Paulo, Paraná e Rondônia.
 
O agente causador dessa micose é o fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis, porém, como foi poucas
vezes isolado na natureza, ainda não se sabe ao certo seu hábitat natural. Embora acredite-se que ele
também está associado à matéria orgânica vegetal, pois muitos dos pacientes acometidos são trabalhadores
rurais, também já foi associado à caça ao tatu. Assim como em todas as micoses sistêmicas, a
paracoccidioidomicose não é contagiosa.
Trabalhador rural colhendo batatas.
A transmissão ocorre por inalação dos conídios do P. brasiliensis, que pode causar lesões iniciais nos pulmões.
Ao contrário do que acontece com a histoplasmose, nessa lesão inicial, o fungo pode ficar latente dentro de
um granuloma por anos ou décadas, até que possa ser reativado novamente e, enfim, causar a
paracoccidioidomicose.
Manifestação mucocutânea da paracoccidioidomicose.
As leveduras do P. brasiliensis apresentam brotamentos
ao redor da célula-mãe.
As leveduras do P. brasiliensis pode demora até 4
semanas para começar a crescer.
Por essas características, essa micose é
considerada crônica e pode disseminar-se para
outros locais no organismo a partir do pulmão,
como tecido mucocutâneo, baço, linfonodos,
fígado, glândulas suprarrenais etc. Uma
manifestação típica dessa micose são lesões
dolorosas na mucosa oral.
O diagnóstico pode ser realizado pela
observação de estruturas leveduriformes
características do P. brasiliensis em amostra de
escarro, secreções, pus etc., ou por avaliação
histopatológica de biópsias. As leveduras desse
fungo podem apresentar-se isoladas ou com
brotamentos ao redor da célula-mãe,
lembrando um timão de barcos.
O crescimento em meio de cultura pode demorar de duas a
quatro semanas. Também é possível aplicar testes
sorológicos para auxiliar no diagnóstico e acompanhamento
terapêutico da paracoccidioidomicose.
O tratamento é baseado na manifestação clínica e no
estado geral do paciente, podendo incluir uma combinação
terapêutica de sulfamidas com itraconazol, trimetoprim,
anfotericina B ou miconazol. Por ser uma micose de curso
crônico, o tratamento também é prolongado e, mesmo
depois da cura, seja ela clínica, micológica ou sorológica, é
necessário continuar com uma dose de manutenção do
antifúngico por cerca de dois anos. Confira os tipos de cura
a seguir:
Cura clínica - quando os sintomas
desaparecem.
Micológica - quando não é mais possível
evidenciar estruturas fúngicas nas
amostras coletadas ou n]ão há
crescimento no cultivo.
Sorológica - quando não há mais
detecção de anticorpos contra
antígenos do P. brasiliensis.
 
 
Coccidioidomicose
• 
• 
• 
Local de clima desértico ou semidesértico.
Os artroconídios são fragmentações das hifas com
função semelhante aos conídios.
Esférulas com paredes grossas e cheias de
endósporos.
É causada por fungos dimórficos do gênero 
Coccidioides. As espécies mais conhecidas são
C. immitis e C. posadasii. Ambas as espécies
são endêmicas nos Estados Unidos, mas
também podem ser encontradas no México, na
América Central e no Sul. No Brasil, já houve
relato de casos nos estados do Piauí, Ceará e
Maranhão.
 
Diferentemente dosfungos que têm preferência
por locais de clima úmido, esse gênero tem
predileção por crescer como saprófita de solo
de áreas semidesérticas e desérticas.
A infecção ocorre por inalação dos 
artroconídios, que são dispersos e carreados pelas
correntes aéreas. No pulmão, esse artroconídio transforma-
se em esférulas de paredes grossas, contendo muitos
endósporos irregulares ou globosos. Quando a esférula se
rompe, libera os endósporos que vão desenvolver novas
esférulas, continuando o ciclo parasitário.
Na maioria dos casos, a infecção é assintomática, porém
menos da metade dos pacientes pode desenvolver
pneumonia aguda, e uma parcela muito pequena evolui para
o quadro pulmonar crônico cavitário. Dificilmente o 
Coccidioides se dissemina por via linfo-hematogênica,
causando lesões em outros tecidos.
O diagnóstico presuntivo dessa micose pode basear-se em
sintomas clínicos, dados epidemiológicos e detecção de
anticorpos. O diagnóstico definitivo é
estabelecido quando se evidencia a presença
das esférulas com endósporos na amostra
clínica ou embiópsias, bem como pelo
isolamento do fungo em cultivo.
 
Geralmente, os pacientes que apresentam a
infecção primária pulmonar não precisam de
tratamento com antifúngicos, pois a infecção se
resolve espontaneamente. Em pacientes
imunocomprometidos, porém, é aconselhável a
administração da anfotericina B sozinha ou em
associação com itraconazol.
Micoses oportunistas
Ocorrem no mundo todo e são causadas por fungos de baixa virulência, que habitualmente convivem
pacificamente com o hospedeiro, ou então não causariam

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