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NARRATIVAS 
JORNALÍSTICAS 
DIGITAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar os perfis de diferentes leitores, da era industrial à era digital.
 > Analisar os perfis de leitores das novas gerações.
 > Reconhecer os conteúdos digitais que mais fazem sucesso entre leitores 
atuais.
Introdução
Em 1450, aproximadamente, o artesão alemão Johann Gutenberg, da cidade de 
Mainz, inventou a prensa gráfica (BRIGGS; BURKE, 2006). Na China e no Japão, 
a impressão já era praticada desde, pelo menos, o século VIII. O método utilizado 
nesses países era o da “impressão em bloco”, que utilizava blocos de madeira para 
imprimir uma única página de um texto específico em uma folha de papel. Portanto, 
a invenção da impressão com tipos móveis, que permitia combinar rapidamente as 
letras necessárias para construir frases e páginas, foi uma verdadeira revolução.
Nesse contexto, a tentação é de comparar a revolução digital com a revolução 
da prensa de Gutenberg. Entretanto, a história do livro e da leitura é bem mais 
complexa do que rupturas extremas. Os modelos de leitores provocados pelas 
inovações tecnológicas não eliminam os modelos anteriores, mas sim se sobrepõem 
a eles. Ou seja, nem o livro, nem seu leitor, deixaram de existir após a invenção e a 
disseminação do digital. Pelo contrário, essa interação entre os tipos de leitores 
Narrativas 
jornalísticas para 
leitores digitais
Marcio Telles da Silveira
é o que cria um panorama muito mais rico e complexo, ao qual o jornalista deve 
ser capaz de se adaptar.
Neste capítulo, você conhecerá os perfis de diferentes leitores, da era 
industrial à era digital. Além disso, verá alguns exemplos de conteúdos digi-
tais que fazem sucesso e que podem ser pensados a partir da tipologia dos 
leitores atuais.
A leitura da era do livro à modernidade
Em meados da década de 1450, na Europa, só era possível copiar um texto à 
mão. Os livros eram raros, guardados em bibliotecas reais e, sobretudo, em 
mosteiros. O trabalho de cópia era realizado por uma casta especializada, 
os monges copistas. Com a invenção da prensa, o custo dos livros diminuiu, 
e o tempo de reprodução das cópias foi reduzido (CHARTIER, 1998). Contudo, 
os livros pré e pós-Gutenberg não são tão distintos quanto parece, uma vez 
que eles são baseados no códice ou codex, isto é, objetos de folhas dobradas 
por um determinado número de vezes, que determinam o formato livro. 
As folhas são organizadas em cadernos, que são costurados juntos e pro-
tegidos por uma encadernação. Instrumentos como paginação, numeração, 
índice e sumário existem desde a época do manuscrito (CHARTIER, 1998), 
assim como os usos relacionados a tamanhos diversos, como, por exemplo: 
o livro grande (in-folio), que se coloca sobre a mesa para a leitura; os livros 
médios, dos primeiros humanistas; e o livro de bolso (libellus), para preces 
e diversão. O livro manuscrito, por sua vez, não deixou de existir após a 
invenção da prensa; na verdade, ele sobreviveu até meados do século XIX.
Com a Revolução Industrial, “o incremente das técnicas de impressão e 
sua fusão com as imagens fotográficas levaram ao aparecimento e multipli-
cação dos meios impressos de massa: os jornais e as revistas” (SANTAELLA, 
2004, p. 15). Com essas técnicas, surgiram novas habilidades de percepção e 
cognição, dando vazão a novos tipos de leitores e modelos de leitura. 
A leitura é entendida de maneira ampla, incluindo o leitor de imagens e 
outras formas híbridas, como o espectador de cinema, TV e vídeo e o inter-
nauta. Conforme aponta Santaella (2004, p. 17), com os livros ilustrados e, 
mais tarde, os jornais, as revistas e as histórias em quadrinho, “o ato de ler 
passou a não se restringir apenas à decifração de letras, mas veio também 
incorporado, cada vez mais, às relações entre palavra e imagem, desenho e 
tamanho de tipos gráficos, texto e diagramação”. Ou seja, ler jornais e revistas 
não se resume à decifração das letras em sequência, mas ao engajamento 
com a linguagem jornalística, que é híbrida, aproveitando o espaço da página, 
Narrativas jornalísticas para leitores digitais2
a mistura de tipos gráficos e a combinação entre textos e imagens (SANTAELLA, 
2019). Portanto, é possível dizer que há diferentes modos de ler.
Santaella divide essa multiplicidade em quatro tipos de leitores: con-
templativo, movente, imersivo e ubíquo. Nesta seção, serão apresentados 
os dois primeiros tipos, o leitor contemplativo e o leitor movente, os quais 
correspondem à transição da cultura livresca à modernidade da virada do 
século XX. Na seção seguinte, serão apresentados os leitores imersivo e 
ubíquo, ligados à cultura ubíqua das redes digitais.
O leitor contemplativo
Desde a Idade Média, a leitura nas bibliotecas era feita em silêncio. Com isso, 
houve uma grande mudança no processo de entendimento de um texto, pois 
a leitura passou a ser algo íntimo e pessoal. Sem o intermédio de um orador, 
a leitura dispensava as interferências externas e era feita apenas pelo mo-
vimento dos olhos e o uso da ponta dos dedos para virar as páginas. Nesse 
cenário, nascia o leitor contemplativo (SANTAELLA, 2004).
O leitor contemplativo é o leitor do texto impresso, e sua prática acompa-
nha a história do códice. A prática silenciosa de leitura cria uma intimidade 
entre o leitor e o livro. Em virtude de ser uma atividade individual e solitária, 
essa leitura exige a reclusão para alcançar certo nível de atenção dirigida e 
concentração mental. Desse modo, esse tipo de leitor se isenta das situações 
da vida cotidiana para dedicar-se à leitura concentrada, que pode ser inter-
rompida para tomar notas ou refletir. A partir dessa leitura dedicada, há a 
“oportunidade ímpar de penetrar nos sentimentos e ideias de outra pessoa” 
(SANTAELLA, 2019, p. 22–23). Por isso, o isolamento faz-se necessário para a 
absorção do conteúdo, e o leitor não tem pressa para terminar.
A leitura contemplativa possibilitou aos leitores lerem mais e lerem textos 
mais complexos. O processo de atenção dirigida e reflexão pode ser realizado 
dezenas de vezes, até que o entendimento seja alcançado do modo alme-
jado. Desse modo, é importante que os objetos de leitura sejam facilmente 
manuseáveis: livros, gravuras, mapas, partituras; ou seja, objetos imóveis, 
localizados no espaço e durantes no tempo, podendo ser revisitados conforme 
a vontade do leitor. “Embora a leitura de um livro seja sequencial, a solidez 
do objeto-livro permite idas e vindas, retornos, ressignificações” (SANTAELLA, 
2019, p. 23). Além disso, da mesma maneira que contemplam textos e refletem 
sobre eles, os leitores contemplativos podem “ler” quadros em uma galeria, 
ou admirar a arquitetura ao seu redor. 
Narrativas jornalísticas para leitores digitais 3
Para muitos estudiosos da leitura, a invenção da imprensa, no século 
XV, criou mudanças consideráveis. Isso porque, além da aparência dos im-
pressos, a sua produção em grandes quantidades e a distribuição rápida 
e fácil, houve uma diminuição do tempo mínimo para a difusão de ideias. 
Se, no início da Idade Média, o problema era a escassez de livros, no século 
XVI era o oposto. Em 1550, um escritor italiano fez uma queixa — que soa 
bastante contemporânea para nós, usuários das redes digitais — de que havia 
“tantos livros que não temos nem tempo de ler os títulos” (BRIGGS; BURKE, 
2006, p. 27). As publicações se tornaram padronizadas, e a preservação do 
conhecimento acumulado — que, até então, havia sido muito fluida, pois se 
dava por manuscritos e pela oralidade — finalmente pôde ser estabelecida 
de forma confiável. 
A imprensa também possibilitou a divulgação de visões não compatíveis 
com as das autoridades eclesiásticas que detinham o monopólio do conheci-
mento. Por isso, para alguns autores, como a historiadora Elizabeth Eisenstein, 
a Revolução Científica do século XVII e as Revoluções Francesa e Americana 
do século XVIII são consequências diretas da imprensa (EINSENSTEIN, 1980).
O leitor movente
Após a Revolução Industrial,surgiu o leitor movente. Esse leitor, criado junto 
ao cinema, à luz elétrica, ao telégrafo, aos jornais e às revistas, possuía outro 
ritmo de percepção e adaptou-se à aceleração dos centros urbanos. É um novo 
tipo de leitor, cuja atenção se torna oscilante, com distrações momentâneas 
e sensações velozes. Em meio ao burburinho dos centros urbanos, os textos 
luminosos dos estabelecimentos comerciais, os cartazes de propaganda, 
as placas de sinalização, as vitrines de lojas, os boulevards, os automóveis 
e as fachadas provocam estímulos visuais que exigem um novo regime de 
atenção do leitor. É um leitor que precisa navegar por esse mar de estímulos 
com rapidez, em um piscar de olhos. Portanto, o leitor movente é apres-
sado e de linguagem efêmera, de memória curta e ágil, atento às novidades 
(SANTAELLA, 2019).
Se o leitor do livro era um observador meditativo, sem urgências, o leitor 
urbano tem pressa. Para orientar-se nos grandes centros urbanos, inchados 
após as transformações tecnológicas, econômicas e sociais provocadas pela 
Revolução Industrial, é preciso atenção para ler rapidamente as setas, seguir 
as direções e avaliar a velocidade do movimento dos outros transeuntes e 
dos automóveis. Para isso, é preciso ler em movimento: “ler formas, volumes, 
Narrativas jornalísticas para leitores digitais4
massas, interações de forças, movimentos, [...] direções, traços, cores, luzes 
que se acendem e se apagam” (SANTAELLA, 2019, p. 23–24).
Enquanto a cultura do livro tende a desenvolver um pensamento linear, 
analítico e sequencial, a exposição a conteúdos móveis (p. ex., as imagens 
audiovisuais do cinema) leva a um pensamento associativo, intuitivo e sintético 
(SANTAELLA, 2019). O movimento e a velocidade das cidades são replicados 
pelas câmeras nas imagens de cinema. A sensibilidade adapta-se às intensi-
dades fugidias de estímulos efêmeros. Nesse cenário volátil, o ser humano 
moderno passa a se preocupar mais com a vivência do que com a memória 
(SANTAELLA, 2004). O passado cede lugar à necessidade de se adaptar ao estilo 
de vida frenético, o novo modo de vida imposto pelo mercado. Surge, então, 
a publicidade, que povoa a cidade de imagens em lojas, bazares, galerias, 
vitrines. Graças à reprodutibilidade técnica (BENJAMIN, 1990), inaugurada 
pelas técnicas de impressão e fotografia, o mundo é povoado por imagens 
fugidias e hipnotizantes do cotidiano.
Assim, o ser humano vai adaptando o seu olhar ao cenário caótico de 
informações fugazes, uma instabilidade cognitiva que marca a modernidade 
por sua tensão nervosa, sua velocidade, sua efemeridade e seu imediatismo. 
Nesse contexto, surge um leitor fugaz, de memória curta, mas ágil, capaz 
de navegar com fluidez e sem tempo de reter muitas informações. O ritmo 
diário da imprensa é o seu: assim que as informações se tornam “velhas”, 
elas precisam ser esquecidas para que a atenção possa se dedicar aos novos 
estímulos. Desse modo, o leitor movente prepara a sensibilidade perceptiva 
para o surgimento de um novo tipo de leitor capaz de navegar os nós das 
redes informacionais da internet, o leitor imersivo.
O leitor imersivo e o leitor ubíquo: 
a nova geração da leitura
Graças à digitalização, qualquer tipo de signo pode ser armazenado, proces-
sado e transmitido via computador. Com a telecomunicação e a informática, 
é possível que conteúdos cruzem o oceano e sejam difundidos por todo o 
globo, em uma rede gigantesca, com pontos de acesso variados. Esses con-
teúdos estão a um toque de mouse de distância. À medida que a rede digital 
se torna cada vez mais presente no nosso dia a dia, multimídia (suporte) e 
hipermídia (linguagem) cruzam-se para criar dois novos tipos de leitores: 
o leitor imersivo e o leitor ubíquo.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais 5
O leitor imersivo
Sempre em estado de prontidão, o leitor imersivo conecta-se em redes, 
seguindo caminhos multilineares que ele mesmo ajuda a construir por meio 
da interação com textos, imagens, documentos, músicas, entre outros. 
A leitura não tem mais ordem, ou pelo menos não uma única; pois entra-se 
por qualquer ponto nela, e é possível sair por qualquer outro. Para tanto, 
é preciso estar sempre em prontidão para receber novas informações.
Na web, o texto se transforma em uma “tessitura informativa formada por 
um conjunto de blocos informativos ligados através de hiperligações (links), 
ou seja, num hipertexto” (CANAVILHAS, 2014, p. 4). O conceito de hipertexto 
foi criado em 1965 pelo pesquisador norte-americano Ted Nelson, em seu 
projeto Xanadu, que, por sua vez, era baseado no Memex, desenvolvido por 
Vannevar Bush. A proliferação de estímulos e de informações que assolavam 
o leitor movente provocou Bush a criar um dispositivo capaz de disponibi-
lizar uma grande quantidade de informação de maneira rápida e eficiente, 
focando, sobretudo, nos pesquisadores universitários. A ideia de conexão 
entre assuntos mais ou menos similares inspirou Nelson a criar um conjunto 
de nós — palavras, páginas, imagens, gráficos, áudios, vídeos, documentos 
complexos — interligados por conexões. “Os itens de informação não são 
ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a 
maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular” (LÉVY, 1993, 
p. 33). Nesse modelo reticular, cada nó pode conter uma rede inteira.
Portanto, o hipertexto é “uma escrita não sequencial, um texto com várias 
opções de leitura que permite ao leitor efetuar uma escolha [...], uma série 
de blocos de texto ligados entre si por links, que formam diferentes itine-
rários para os leitores” (CANAVILHAS, 2014, p. 4–6). Ou seja, um hipertexto 
é a junção de vários blocos informativos. Nos textos de internet, além de 
parágrafos, imagens e infográficos, esses blocos devem ter sentido entre si, 
já que a entrada no texto pode se dar por cada um deles. As hiperligações 
possuem duas funções: a) documental, quando funcionam como elementos 
de contextualização; b) narrativa, quando ofertam diferentes percursos de 
leitura (CANAVILHAS, 2014).
O hipertexto é uma mudança significativa do modo linear de leitura e 
escrita de textos associado à cultura do livro, e vai além do modelo indus-
trial de leitura, ao promover uma leitura que, virtualmente, não tem fim. 
O leitor passeia por várias dimensões de conteúdos pelos nós que os unem, 
saltando entre as conexões. Portanto, não se trata mais de um leitor que 
esbarra em signos materiais, como livros ou vitrines, mas sim de um leitor 
Narrativas jornalísticas para leitores digitais6
que navega na tela, programando suas leituras, em um universo evanescente 
de informações (SANTAELLA, 2004). Para tanto, é preciso que o leitor esteja 
em permanente estado de prontidão, seguindo o roteiro multilinear que ele 
mesmo ajudou a criar. Ao navegarmos no ciberespaço, estamos acionando 
“circuitos cerebrais diferentes daqueles que se desenvolvem quando lemos 
um livro” (SANTAELLA, 2019, p. 24).
Lúcia Santaella chama esse tipo de leitor de “implodido”, pois a sua “sub-
jetividade se mescla na hipersubjetividade de infinitos textos num grande 
caleidoscópio tridimensional onde cada novo nó e nexo pode conter uma 
outra grande rede numa outra dimensão” (SANTAELLA, 2004, p. 33). Esses nós 
fazem da internet uma máquina de encontro de pessoas e signos, mudando 
a forma de propagação da informação.
Algo crucial para o leitor imersivo é a interatividade. Conforme Fragoso 
(2001, p. 83), a interatividade é um dos elementos principais “da redefinição 
das formas e processos psicológicos, cognitivos e culturais decorrentes da 
digitalização da comunicação”. Ainda que, no senso comum, a interatividade 
seja entendida como uma ação exercida mutuamente entre duas ou mais 
coisas, é preciso compreender que ela é mais um efeito da interface dos 
artefatos digitais do que uma propriedade única do meio. Ou seja, ela é a 
propriedade de plataformas específicas que permitem ao usuário desenvolver 
certas operações. Logo, a interatividadenão ocorre entre duas pessoas, mas 
sim entre o usuário e o produto. Por isso, diz-se que a interatividade é um 
efeito das narrativas, reforçando a atenção que os jornalistas precisam dar 
para criar histórias que sejam divertidas e interativas.
O engenheiro e matemático norte-americano Vannevar Bush acre-
ditava que o pensamento humano era organizado por “trilhas as-
sociativas” que ligavam informações de maneira aleatória, e não sequencial. 
Pensando nisso, ele propôs o desenvolvimento do Memex — que nunca saiu do 
papel. O Memex deveria ser uma mesa de trabalho com telas de projeção, teclado, 
botões e alavancas. O conteúdo seria armazenado em microfilme e poderia ser 
recuperado rapidamente, já que era indexado por códigos mnemônicos. Para 
navegar entre as páginas do microfilme, o usuário pressionaria a alavanca para 
trás ou para a frente, e um botão o levaria à página inicial. Também existiria uma 
plaqueta de vidro, na qual o usuário poderia fazer anotações para que fossem 
microfilmadas e armazenadas junto ao microfilme. As “trilhas associativas” 
conectariam as informações umas às outras, criando um caminho mais ou menos 
navegável entre a grande quantidade de informações que seriam armazenadas. 
Embora o Memex nunca tenha sido construído, ele inspiraria o jovem pesquisador 
Ted Nelson a criar os hyperlinks vinte anos mais tarde.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais 7
O leitor ubíquo
O leitor ubíquo nasce do cruzamento entre o leitor movente e o leitor imersivo. 
É um leitor sempre atento, equilibrando-se entre o espaço físico e o espaço 
informacional. As presenças física e informacional "reinventam o corpo, 
a arquitetura, o uso do espaço urbano e as relações complexas nas formas 
de habitar" (SANTAELLA, 2019, p. 25), com repercussões em toda a sociedade, 
do entretenimento ao aprendizado.
O leitor ubíquo herda do movente a habilidade de transitar em um ambiente 
com vários estímulos sensoriais: luzes que se acendem e se apagam, volumes, 
massas, formas, movimentos, direções. O seu organismo é treinado para a 
aceleração e o nomadismo dos carros e das pessoas que circulam em alta 
velocidade na cidade. Ao mesmo tempo que perambula pelos espaços físicos 
— casa, trabalho, ruas, parques, escolas —, lendo os signos desses espaços, 
o leitor ubíquo, além de movente, também é imersivo, entrando nos espaços 
virtuais sem alterar a sua marcha. Ao toque dos dedos no celular, a qualquer 
momento, ele entra no ciberespaço, conversa com pessoas que podem estar a 
continentes de distância ou a poucos metros dele. Portanto, o que caracteriza 
o leitor ubíquo “é uma prontidão cognitiva ímpar para orientar-se entre nós 
e nexos multimídia, sem perder o controle da sua presença e do seu entorno 
no espaço físico em que está situado” (SANTAELLA, 2019, p. 25).
Santaella (2013) chama esse deslocamento no espaço físico conectado 
ao ciberespaço de hipermobilidade. A hipermobilidade, por meio do uso das 
tecnologias digitais móveis, transforma as pessoas em seres ubíquos, passíveis 
de serem encontrados a qualquer momento, em qualquer lugar. Essas pessoas 
apresentam uma forte dualidade entre presente e ausente, o que pode ter 
impacto nas suas relações pessoais e mesmo computacionais; por exemplo, 
pessoas que, em um encontro no bar com os amigos, não largam as telas de 
seus celulares. Com a popularização de wearables e a eminência de adoção 
em larga escala da tecnologia 5G, a chamada Internet das Coisas (IoT, Internet 
of Things) deverá popularizar essa navegação ubíqua. Por exemplo, em breve, 
será possível receber publicidade direcionada em vitrines eletrônicas assim 
que você passar na frente delas — o que coloca vários questionamentos 
importantes sobre a privacidade.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais8
Essas são mudanças cruciais para a leitura. A própria literatura é agora 
“expandida”, caracterizada pelo hibridismo de linguagens, a interatividade 
entre o leitor e o conteúdo e a convergência para dispositivos móveis (SAN-
TAELLA, 2013). Assim, faz-se necessário pensar digitalmente e criar tipos de 
conteúdo adaptados a essa leitura dispersa, mas, ao mesmo tempo, potente. 
É importante ressaltar que os quatro tipos de leitor — contemplativo, 
movente, imersivo e ubíquo — não são excludentes, tampouco substituem 
uns aos outros. Cada um deles desenvolve perfil cognitivo distinto, o que faz 
deles complementares. Os leitores contemplativos e moventes continuam 
existindo. Contudo, embora os quatro tipos de leitores coexistam, é notável 
que a aceleração das transformações digitais das últimas décadas tem pendido 
a balança para o quarto tipo de leitor, o ubíquo. É com esse perfil em vista 
que novas experiências narrativas têm sido criadas.
Lendo os novos conteúdos digitais
Em 2016, a executiva Nicola Mendelsohn, vice-presidente do Facebook na 
Europa, no Oriente Médio e na África, previu que o site de rede social seria 
composto principalmente de vídeos no início da década de 2020. Além disso, 
seria um site cada vez mais móvel. Para ela, a aceitação de vídeos tem a ver 
com a quantidade de estímulos aos quais as pessoas estão expostas dia-
riamente. Logo, “A melhor forma de contar histórias neste mundo — no qual 
tanta informação chega até nós — é o vídeo, que ordena essa informação 
num período muito mais rápido” (ZILLMAN, 2016, documento on-line). Como 
visto, se o leitor movente aprendeu a se mover no espaço físico prestando 
atenção aos estímulos que recebia de diversas fontes, o leitor ubíquo precisa 
navegar nesse ambiente físico e no digital ao mesmo tempo. Em meio a essa 
hiperestimulação, as mídias precisam criar estratégias para chamar a atenção 
do seu público.
No contexto que estamos estudando, a leitura não se limita à decifração 
de estruturas lineares de caracteres, pois abrange a gama de signos com os 
quais interagimos diariamente. Mantendo essa definição e considerando a 
previsão de Mendelsohn, pode-se perceber como a nossa cultura contem-
porânea tem se voltado para o desenvolvimento de narrativas imagéticas 
e audiovisuais. Por exemplo, uma das plataformas digitais mais populares 
Narrativas jornalísticas para leitores digitais 9
de 2019 foi o TikTok, mídia social chinesa que permite criar e compartilhar 
vídeos de até 60 segundos. Essa rede social é o principal destino para vídeos 
móveis curtos, cuja principal característica é a criatividade inteligente. A rede 
prioriza conteúdos criativos, simples e alegres, como esquetes de humor ou 
dublagens de músicas, filmes e séries. Por isso, o TikTok tem sido utilizado 
sobretudo por jovens: segundo a própria empresa, 66% de seus usuários têm 
menos de 30 anos. Além disso, ele possui uma diversidade de efeitos visuais 
que podem ser inseridos nos vídeos pelos usuários. Outra novidade é o uso de 
inteligência artificial para organizar a “linha do tempo” do usuário, mostrando 
conteúdos mais compatíveis com o seu estilo de navegação.
Apesar do caráter interativo da web, muitos dos canais de notícias 
on-line continuam com textos estáticos, nos quais a única interação 
possível é por meio de hipertexto (links) e alguns gráficos ou vídeos inseridos 
dentro do documento. Uma alternativa a esse formato estático é o aplicativo 
Wibbitz, que colhe automaticamente os principais fatos dos artigos e os apre-
senta em vídeo, com narração, gráficos e imagens. Os vídeos, que têm no máximo 
dois minutos de duração, explicam os pontos-chave dos textos, como pessoas, 
datas, lugares, entre outros. Eles são narrados por um leitor digital, com uma voz 
bastante natural. O mote da empresa é que, com o Wibbitz, o usuário pode se 
atualizar sobre as notícias on the go, sem precisar ler textos longos no celular. 
Isso reforça a afirmação de que o leitor ubíquo é hiperestimulado pelo mundo 
físico e pelo digital, e não tem “tempo a perder” com leituras contemplativas, 
uma mudança radical desde a invenção da prensa de Gutenberg.
As características do TikTok (Figura 1) são exemplares daquilo que é chamadode cultura do remix (KRAPP; FISCHER, 2020). A partir de fragmentos de mídias 
facilmente acessíveis e operando por meio de montagem, arranjos efêmeros 
de tempos e espaços são criados a partir do compartilhamento e da veiculação 
de conteúdo. Esse é um tipo de conteúdo talhado para as pessoas mais jovens, 
que já não estão mais acostumadas à TV a cabo, pois preferem consumir mídia 
audiovisual em tablets, smartphones ou laptops. Em virtude da grande adesão, 
agências de publicidade digital têm investido no desenvolvimento de conteúdos 
para o TikTok, participando de “desafios”, usando hashtags e patrocinando 
influenciadores, tudo para se aproximar dos novos leitores ubíquos. 
Conforme Krapp e Fischer (2020), a popularidade do remix nas redes digitais 
é um desafio à compreensão comum do que é um autor e seus direitos autorais. 
Muitos desses remixes, como os vídeos do TikTok, são aquilo que Jenkins, Green 
e Ford (2014) chamam de mídia propagável, isto é, conteúdos de mídia que as 
pessoas se sentem compelidas a compartilhar com seus amigos e suas redes, 
difundido o conteúdo bem mais longe do que os criadores intentavam.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais10
Figura 1. Algumas das principais características do TikTok, bastante utilizado pelos jovens, 
são um feed personalizado e a facilidade no uso de filtros. 
Fonte: Ferguson (2019, documento on-line).
Outro exemplo interessante é o Instagram, rede de compartilhamento de 
imagens e vídeos, que foi comprada pelo Facebook em 2012 e, desde então, 
tem se mostrado uma das favoritas entre os usuários, sendo uma das redes 
sociais mais populares do mundo. Entre as suas funcionalidades estão os 
stories, que permitem aos usuários produzir publicações efêmeras, com 
duração de até 15 segundos cada, que ficam disponíveis aos outros usuários 
por apenas 24 horas. A função foi lançada em 2016 como concorrência a outra 
plataforma baseada em vídeos curtos, o Snapchat. O Instagram Stories fornece 
aos usuários a possibilidade de adicionar aos vídeos e fotos filtros, efeitos, 
gifs animados e tags de geolocalização.
O jornalismo tem explorado essas experiências digitais visuais para criar 
narrativas que interessem a esses leitores hiperestimulados. Por exemplo, 
há experimentos que utilizam o Instagram para distribuir conteúdo jorna-
lístico. A duração efêmera dos stories faz os conteúdos jornalísticos nessa 
plataforma serem curtos, agregando informações complementares que podem 
ser acessadas por meio de um hyperlink. No Brasil, O Estado de S. Paulo, 
Folha de S.Paulo e O Globo são exemplos de jornais tradicionais que têm 
investido em produtos específicos para o Instagram. O Sextou, do O Globo, 
é uma espécie de “telejornal” com drops das principais notícias da semana, 
com uma linguagem descontraída e jovial.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais 11
Já no YouTube, uma plataforma interativa de compartilhamento de vídeos 
criada em 2005, o usuário pode criar, compartilhar e assistir a vídeos. Assim 
como um aparelho televisivo, a plataforma apresenta canais com temas 
diversificados, e o usuário pode “mudar de canal” com apenas um clique, 
a fim de escolher o assunto desejado. Qualquer pessoa — seja um indivíduo, 
uma empresa ou órgão de um governo — pode compartilhar conteúdo na 
plataforma.
Entre os diversos usuários que publicam material em seu canal do YouTube 
de maneira periódica, alguns se destacam por seu conteúdo e pela quantidade 
de seguidores, podendo viver da renda de seu trabalho digital. Esses são os 
youtubers se levadas em consideração as outras plataformas. Esse potencial 
de influência é maior sobre crianças e adolescentes, mas não é exclusivo a 
estes. Inspirados pelos ídolos virtuais, os influenciados imitam sinais, piadas 
e até a maneira de se comunicar daqueles que consideram interessantes, que 
podem ser desde uma influencer infantil até um guru político. Os influen-
cers se tornam referência em dado assunto, seja por meio de suas opiniões, 
ou por suas ações e estilo de vida, direcionando o seu público em termos 
de consumo e de comportamento. Hoje, eles são uma fonte valiosa para as 
marcas. Além de criarem material original, os influencers desempenham a 
importante função de organizar a quantidade gigantesca de informações 
disponíveis on-line, servindo de guia para que os usuários possam navegar 
na miríade de conteúdo. 
Uma característica central para o leitor ubíquo é a possibilidade de criar 
comunidades sobre os seus interesses. Uma plataforma que trabalha de 
maneira interessante a ligação entre leitura contemplativa, interatividade 
e ubiquidade é o Skoob, uma rede social em que os participantes podem 
partilhar as suas leituras com outros usuários (Figura 2). Embora os livros não 
sejam lidos diretamente nessa plataforma, o Skoob transforma a leitura em 
uma atividade altamente social, pois é possível que os usuários apontem os 
livros lidos ou abandonados, indiquem obras que lhes agradou ou desagra-
dou, escrevam resenhas, postem comentários, interajam com outros leitores, 
expressem suas preferências por determinados autores, citem fragmentos 
de obras, troquem livros físicos, entre outras possibilidades.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais12
Figura 2. O Skoob é uma comunidade virtual de leitores, na qual os usuários/leitores podem 
trocar impressões sobre histórias e personagens, envolver-se em debates com a comunidade 
e forjar novas amizades.
Como visto, o leitor ubíquo está sempre em busca de estímulo — ou seja, 
ele é um sujeito distraído. Uma característica atual do consumo televisivo, por 
exemplo, é o uso da chamada “segunda tela” — smartphones, tablets, laptops 
com conexão com a internet, utilizados de forma simultânea à programação 
de televisão. Por meio desses dispositivos, os espectadores acrescentam 
algo ao processo de significação da experiência de assistir à televisão, ora 
de maneira espontânea (p. ex., comentando livremente nas redes sociais 
ou buscando informações na internet sobre o que se está assistindo), ora 
com estímulo da emissora. Sabendo desse costume cada vez mais popular 
entre os telespectadores, as emissoras têm incentivado explicitamente o 
uso da segunda tela. Esse incentivo pode ocorrer de duas maneiras (MÉDOLA; 
SILVA, 2015): incitando o espectador a desenvolver algumas atividades; ou 
Narrativas jornalísticas para leitores digitais 13
conduzindo-o por conteúdos simultâneos, disponibilizados para acesso em 
sites ou aplicativos de dispositivos móveis. O uso de hashtags para que os 
espectadores possam acrescentar algo ao texto da teletransmissão e interagir 
com outros espectadores é um exemplo claro da tentativa das emissoras de 
se aproveitarem da atenção dispersa do leitor ubíquo. Aplicativos como o do 
The Voice Brasil, da Rede Globo, ou o ESPN Sync, da ESPN, incentivam o uso 
da segunda tela ao promoverem elementos interativos, como quizzes, envio 
de perguntas para os apresentadores, enquetes e exibição de comentários 
dos telespectadores (MÉDOLA; SILVA, 2015).
Um exemplo interesse do uso de segunda tela é a exibição de mensagens 
dos telespectadores durante a transmissão de um programa televisivo. A exi-
bição dessas mensagens não é espontânea, pois depende de um chamamento 
da televisão, ao qual os telespectadores respondem em suas segundas telas. 
Isso desfaz a lógica que separa os emissores dos espectadores, apontando, 
também, para uma espécie de interatividade mais próxima entre esses dois 
polos. Para a mensagem aparecer na tela, há um longo percurso, que pode 
ser dividido em: convocação; anúncio dos canais; comunicação de regras de 
procedimento; atuação do público; uso dos conteúdos (VASCONCELOS; FECHINE, 
2020). Em suma, a convocação é quando os profissionais do estúdio incentivam 
o público a participar, apontando por onde essa comunicação será bem-vinda 
(anúncio dos canais). A explicação do padrão das mensagens esperados é a 
“comunicação das regras de procedimento”. Após esses avisos, o público 
participae, então, o conteúdo é utilizado na teletransmissão. O procedi-
mento mais comum é a leitura ao vivo das mensagens pelos apresentadores 
ou jornalistas. Outro modo de uso corriqueiro é a publicação no gerador de 
caracteres, no rodapé da tela. Esse uso “é uma recompensa ao empenho 
de quem aceitou o contrato, mobilizou-se, cumpriu as regras necessárias e 
decidiu se envolver” (VASCONCELOS; FECHINE, 2020, p. 125).
Todos esses exemplos se encaixam naquilo que Santaella (2019) chama de 
leitor ubíquo, embora os suportes sejam mais audiovisuais e menos textuais. 
Como visto, o leitor ubíquo é caracterizado pela prontidão cognitiva, sendo 
capaz de orientar-se nos espaços híbridos físicos e virtuais sem perder o con-
trole do seu entorno. Assim como o leitor imersivo, está sempre em prontidão 
para conferir as últimas novidades e seguir por caminhos multilineares pelas 
redes. Essas são características que os jornalistas precisam explorar para 
conquistar esse leitor que está sempre escapando pelos poros das redes.
Narrativas jornalísticas para leitores digitais14
De forma mais ampla, no jornalismo, reportagens hipermidiáticas 
(i.e., reportagens que combinam hipertexto a multimídia e multi-
linguagens) têm demonstrado a vontade dos jornalistas de explorarem novas 
possibilidades narrativas (SANTAELLA, 2004). Um exemplo brasileiro bastante 
interessante é a série de reportagens TAB, do portal brasileiro UOL. Essas repor-
tagens inovam ao trazerem recursos narrativos além do texto, como infográficos 
animados, testes e newsgames. O design dessa plataforma é pensado para 
cada um dos temas abordados, ligando o design das páginas e a tipografia ao 
conteúdo — algo que o leitor movente já estava acostumado. Em um primeiro 
momento, o portal investia na programação de designs específicos para cada 
matéria. Contudo, como esse modelo se mostrou custoso, os designs foram 
passados para templates, com locais predeterminados para a inserção de fotos, 
vídeos, textos, entre outros. Essa modularização facilitou a migração de conteúdo 
para as plataformas móveis, nas quais o portal segue investindo até hoje. 
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Leitura recomendada
CERIGATTO, M. P.; CASARIN, H. C. S. Novos leitores, novas habilidades de leitura e signifi-
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