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59 5 NEMATOIDES Mauro da C. e Castro Wellington Antônio Moreira INTRODUÇÃO (SASSER, 1989). Entretanto, no Brasil, esse tipo de informação ainda não está O primeiro relato de doenças causa- disponível. Nematoides, como Meloidogyne das por nematoides em videira foi feito spp., Pratylenchus spp., Xiphinema spp., no início do século 20, no Estado da Fló- Longidorus sp., Tylenchulus semipenetrans, rida, nos Estados Unidos. Esses registros Rotylenchulus reniformis e Mesocriconema spp., referiam-se, exclusivamente, ao nematoi- dentre outros (Tabela 1), são conhecidos de-das-galhas (Meloidogyne spp.). Até mea- como patógenos da videira no País, po- dos dos anos 1950, poucos estudos sobre rém, em muitos casos, o relato desses esses patógenos haviam sido publicados patógenos está limitado apenas a sua de- e, somente a partir de 1954, de tecção em amostras de solo analisadas. videiras foi associado a diversas espécies Dessa forma, desenvolvimento de de nematoides (Tabela 1), dentre as quais se pesquisas com patossistema videira/ destacam: Meloidogyne spp., Xiphinema spp., nematoide se torna necessário, visando Pratylenchus spp., Tylenchulus semipenetrans, contribuir para melhor entendimento Mesocriconema spp., Paratylenchus spp., da interação patógeno-hospedeiro e, Paratrichodorus spp., Trichodorus spp. e também, visando gerar informações que Longidorus spp. Esses nematoides são possam dar suporte ao desenvolvimento parasitas de raízes e se encontram mun- de estratégias efetivas e econômicas de dialmente disseminados em todas as re- controle. No Submédio do Vale do São Fran- giões onde a videira é cultivada. A dificuldade de detecção do ata- cisco, os nematoides causadores de galhas que de nematoides em videira ocorre (M. incognita, M. javanica e M. arenaria) são porque os sintomas causados em plantas aqueles mais frequentemente encontra- infectadas por esses patógenos não são dos em associação com a videira, sendo evidentes. Além das galhas incitadas por pouco comum registro de espécies per- Meloidog yne spp., nas raízes, nenhum ou- tencentes a outros gêneros de nematoides tro sintoma específico que possa auxiliar (Tabela 1). na diagnose dessas doenças ocorre nas plantas afetadas. Os nematoides atacam as raízes das plantas e algumas espécies são responsáveis pelo mau desenvolvi- Meloidogyne spp. Goeldi mento do sistema radicular, entretanto, a associação entre a presença de sinto- O primeiro relato da ocorrência de mas e envolvimento desses parasitas nematoides causadores de galhas (Meloidogyne ainda é complexa. spp.) associados ao gênero Vitis foi feito Em videira, estima-se que as perdas na Flórida, em 1911. As espécies M. médias anuais, por causa do ataque de incognita, M. javanica, M. arenaria e M. hapla nematoides, estejam em torno de 12,5% são as mais importantes e se encontram60 Uva de Mesa Fitossanidade Frutas do Brasil, 14 Tabela 1. Nematoides associados à rizosfera de videira (Vitis spp.) no Nome comum Nome científico Estado de ocorrência Nematoide-das-galhas Meloidogyne sp. PE, MG, SP, PR M. javanica MG M. incognita SP, MG M. arenaria RS M. hapla RS Nematoide-das-lesões Pratylenchus sp. SP, RS P. brachyurus MG P. jordanensis SC, RS P. thornei MG P. zege Nematoide-punhal Xiphinema sp. SP, MG (Dagger nematode) X. americanum (sin. X. brevicolle) MG X. brasiliense MG X. index PR X. krugi MG Nematoide-agulha Longidorus sp. (Needle nematode) Tylenchulus semipenetrans MG, SP, RS Nematoide-reniforme Rotylenchulus reniformis MG Nematoide-anelado Mesocriconema sp. SP M. curvata MG M. onoensis MG M. palustris MG M. sphaerocephalum MG M. xenoplax MG Hemicycliophora sp. RS H. poranga MG Discocriconemella degrissei MG D. repleta MG Nematoide-espiralado Helicotylenchus sp. MG, SP, RS H. dihystera MG Hoplolaimus galeatus RS Nematoide-charuto Trichodorus sp. RS Outros nematoides Aphelenchoides sp. RS Aphelenchoides coffege -- Aphelenchus sp. RS Aphelenchus avenae MG, PE Aorolaimus sp. (sin. Peltamigratus sp.) MG Ditylenchus sp. RS Tylenchus sp. RS T. devainei RS (1) Sem informação sobre o local de ocorrência. Fonte: adaptado de Lordello e Lordello (2003) e Naves (2005). amplamente distribuídas na maioria das soja, entretanto, porta-enxerto CV. Ru- regiões cultivadas com videira. A espécie pestris du Lot foi imune a essa espécie de M. hapla foi registrada, inicialmente, nos nematoide (CARNEIRO et al., 2003). estados de Washington e Michigan, nos Estados Unidos. No Brasil, foi detectada em videira Sintomatologia na região da Serra Gaúcha, no Estado do e epidemiologia Rio Grande do Sul (NAVES et al., 2005). Em condições experimentais, a cultivar Os nematoides-das-galhas, assim Niágara Rosada foi considerada boa hos- como outras espécies patogênicas à vi- pedeira de M. ethiopica, isolado de kiwi e deira, não causam sintomas específicosFrutas do Brasil, 14 Uva de Mesa Fitossanidade 61 na parte aérea das plantas. Baixa produti- cimento do sistema radicular de videiras, vidade, subdesenvolvimento da copa, sem incitar a formação de galhas, no Es- amarelecimento da folhagem e alta sensi- tado americano de Michigan. bilidade ao estresse são sintomas que po- dem ser desencadeados pela infecção da planta por esses patógenos. Porém, são Ciclo de vida e disseminação frequentemente confundidos com sinto- O ciclo de vida e disseminação de mas ocasionados por estresse hídrico ou Meloidogyne spp. em videira é semelhante deficiência nutricional. Esses patógenos que ocorre em outras plantas hos- provocam, ainda, redução do vigor e de- pedeiras desses nematoides. A fêmea de- clínio das plantas mais suscetíveis ao es- posita os ovos numa substância gelatino- tresse, interferindo na absorção de água e sa que pode conter cerca de 2 mil ovos. nutrientes e, consequentemente, afetan- Os juvenis têm corpo alongado, sofrem do a produção. ecdise ainda dentro do e emergem no O sintoma característico causado segundo estádio juvenil ou estádio migra- por esses nematoides é a formação de pe- tório, também chamado juvenil pré-para- quenos engrossamentos ou galhas em ra- sita. Esses estabelecem sítios de alimenta- ízes novas, mas pode haver surgimento ção nas raízes da planta, penetrando no de galhas maiores no caso da ocorrência córtex da raiz, onde completam seu ciclo de infecções múltiplas (Figuras 1a e 1b). de vida como endoparasitas sedentários. Quando essas estruturas são seccionadas A resposta da planta ao processo de ali- e examinadas sob lupa, verifica-se, fre- mentação desses nematoides é a produ- quentemente, a presença de corpos bran- ção de células gigantes multinucleadas. de fêmeas maduras nessas galhas. Ju- Devido à alimentação no interior da venis de segundo estádio e machos raiz, patógeno inicia, também, sua dife- podem ser visualizados apenas em exame renciação sexual. Aqueles que se diferen- ao microscópio, após serem extraídos de ciam em fêmeas sofrem três ecdises adi- solo infestado. Normalmente, sistema cionais antes de se tornarem adultos, radicular de plantas atacadas por esses quando adquirem forma de pera. O ciclo patógenos apresenta redução no desen- de vida dos machos até terceiro estádio volvimento, além de morte de raízes. é semelhante das No está- E embora a presença de galhas nas dio juvenil, os indivíduos que irão se dife- raízes das plantas seja sintoma mais ca- renciar em machos adquirem forma alon- racterístico induzido por espécies do gê- gada e delgada, permanecendo assim nero Meloidogyne, M. nataliei provocou durante quarto estádio e também na apenas rachaduras ou fendas e enfraque- forma adulta (Figura (AGRIOS, 2005). B Figura 1. Galhas causadas por Meloidogyne spp. em raízes de videira (A, B).62 Uva de Mesa Fitossanidade Frutas do Brasil, 14 3° estádio juvenil 4° estádio juvenil Final do 2° estádio juvenil. Juvenis se alimentando em ecdise células gigantes. As raizes ecdise ecdise começam a formar galhas Nematóides adultos. Os machos deixam as Galhas em varios estádios de desenvol- 2° estádio nas raizes juvenil ata- cando raízes Galhas pequenas aparecem nas recentemente infectadas Massas 2° estádio juvenil emergente de ovos do infecta raízes novas ecdise 2° estádio juvenil livre no solo 2° estádio juvenil 1° estádio juvenil Ovo Figura 2. Ciclo de vida do nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.). Fonte: adaptado de Agrios (2005). Na maioria das espécies de Meloidogyne, NEMATOIDES DO GÊNERO a reprodução é partenogenética. Dessa XIPHINEMA maneira, os machos são raros ou mesmo ausentes na população. O ciclo de vida Dagger nematode desses nematoides nas plantas, que com- preende desde a penetração do segundo Os gêneros Xiphinema, Longidorus, estádio juvenil até a diferenciação da fê- Trichodorus e Paratrichodorus pertencem à mea com a produção de ovos, depende de família Dorylaimidae. fatores externos, principalmente do hos- As espécies do gênero Xiphinema são pedeiro e da temperatura. Em videira, os principais membros dessa família, pe- torna-se completo em aproximadamente los danos diretos e indiretos que causam 25 dias, a 27 °C, podendo ocorrer a pro- em videiras, como patógenos e como ve- dução de várias gerações durante O ano. tores de vírus na cultura, respectivamen- Entretanto, em temperaturas mais bai- te. Esses nematoides são denominados xas, esse período é maior. Dagger nematodes por possuírem estilete A disseminação desses patógenos muito longo e delgado. Pelo menos 12 es- dentro do parreiral pode ocorrer por meio pécies dentro desse gênero já foram de- dos tratos culturais, como aração e capi- tectadas nas principais áreas vitícolas do nas e, nesses casos, os nematoides são mundo: X. americanum, X. index, X. italiae, transportados em partículas de solo aderi- X diversicaudatum, X. X. brevicolle, das aos implementos agrícolas. Também X. algeriense, X. vuittenezi, X. turcicum, X. podem ser disseminados pela água de irri- brasiliense, X. krugi e X. mediterraneum. gação ou enxurradas. A longas distâncias, As espécies X. index e X. italiae são como entre regiões ou países, a dissemi- eficientes vetoras do vírus da malforma- nação ocorre em mudas contaminadas. ção-infecciosa da videira (Grapevine fanleafFrutas do Brasil, 14 Uva de Mesa Fitossanidade 63 virus GFLV). Essa é uma das viroses necrosadas e O sistema radicular assume as- mais importantes da cultura em todo pecto de vassoura-de-bruxa, devido à mundo, entretanto, a sua incidência em abundância de raízes laterais. Essas são áreas produtoras das regiões Sul e Sudeste mais curtas e grossas, em decorrência do do Brasil tem sido significativamente bai- estabelecimento dos sítios de alimentação A infestação de parreirais com nema- pelos nematoides, O que ocasiona interrup- toides virulíferos produz, invariavelmen- ção no desenvolvimento dessas raízes. te, efeito devastador nas plantas, que A proliferação de células devido à hiperpla- resulta na redução da produtividade, de- sia e O aumento do tamanho das células clínio de videiras, aumento nos custos de devido à hipertrofia ocasionam, frequente- produção, inviabilizando a manutenção mente, curvatura da raiz, acompanhada econômica do parreiral. por leve engrossamento. Ataques prolon- A espécie X. index é a mais estudada gados e múltiplos desses nematoides po- por causa dos prejuízos que pode causar à dem resultar no surgimento de manchas videira. O primeiro relato da sua patogeni- necróticas ao longo da extremidade da raiz. cidade na cultura foi feito em 1955, nos Es- tados Unidos. Apesar de X. americanum também apresentar ampla distribuição em Ciclo de vida e disseminação videira, pouco se conhece sobre sua atua- Dentre os nematoides parasitas de ção como patógeno na cultura. As outras plantas, aqueles que pertencem ao gênero espécies de Xiphinema têm sido pouco estu- Xiphinema estão entre os que apresentam dadas até O momento e, em muitos casos, maior tamanho. A fêmea adulta pode che- são detectadas apenas em amostras de solo. A ocorrência de X. index é comum na gar a 5 mm de comprimento. Na maioria maioria dos parreirais da região do Medi- das espécies, os machos são raros e não terrâneo. Na Europa, essa espécie foi de- participam da reprodução, que é parteno- tectada na Alemanha, Hungria, Suíça, genética. Dependendo das condições cli- Grécia e Itália. Na África, há relatos de sua máticas, a fêmea pode produzir de 1 a 100 ocorrência na Tunísia e Argélia. No conti- ovos. De forma geral, os juvenis passam nente asiático, ocorre em parreirais do por quatro estádios de desenvolvimento e Turquia, e nas Américas, nos Estados antes de se tornarem adultos, com a pri- meira troca de cutícula ocorrendo fora do Unidos, Argentina e Chile (LORDELLO; LORDELLO, 2003). Também foi consta- ovo, diferentemente do que é observado tada no Brasil, em videiras do Estado do no gênero Meloidogyne. Essas fases podem Paraná. A espécie X. americanum também levar vários meses para se completar, de- ocorre no Quanto a X. brasiliense e X. pendendo do local e época do ano. Em krugi, apesar de terem sido identificadas algumas espécies de Xiphinema, ocorrem em parreirais brasileiros, não há informa- apenas três ecdises ou três estádios juve- ções de que sejam transmissoras de vírus. nis, como, por exemplo, em X. franci. A duração do ciclo de vida desses nematoi- des pode variar de mensal a anual, depen- Sintomatologia e epidemiologia dendo do hospedeiro, região geográfica em que se encontram, variação de tempe- Espécies de Xiphinema não causam ratura e textura do solo. A duração do ci- sintomas específicos na parte aérea das vi- clo de vida completo desses nematoides, deiras, mas afetam O desenvolvimento das de OVO a adulto, é de 22 a 27 dias, a 24 °C, plantas, resultando em enfezamento, na- na Califórnia (COHN, 1969). Entretanto, nismo e deficiência nutricional. Videiras ainda segundo esse autor, em Israel, O pe- infectadas exibem grande volume de raízes ríodo para completar uma geração pode64 Uva de Mesa Fitossanidade Frutas do Brasil, 14 variar de 7 a 9 meses, a temperaturas de para a importância da realização da qua- a 23 °C, ou de 3 a 5 meses, a rentena do material propagativo impor A disseminação de espécies de tado, assim como também, para a neces- Xiphinema a curtas distâncias pode ocor- sidade da realização de levantamentos das rer por meio de máquinas, implementos espécies de longidorídeos em parreirais agrícolas, ferramentas contaminadas e brasileiros. Altas infestações desses nema- água de irrigação, principalmente no sis- toides no parreiral podem resultar na re- tema de sulcos corrugados (sinuosos). dução do vigor e declínio gradual das A longas distâncias, a disseminação ocor- plantas, além de queda na produtividade, re em mudas infestadas. entre outros prejuízos. Esses nematoides são ectoparasitas Embora menos importantes que as que, geralmente, atacam as radicelas da vi- espécies de Xiphinema, Longidorus spp. deira, podendo, ocasionalmente, provocar são vetores de vírus do gênero Nepovirus deformação dessas radicelas e até a forma- em diversas espécies de plantas, incluin- ção de pequenas galhas quando a popula- do a videira. ção é elevada. Durante processo de ali- mentação em plantas doentes, O nematoide adquire vírus podendo retê-lo por um OUTROS NEMATOIDES período de até 120 dias, na ausência de ASSOCIADOS À VIDEIRA plantas hospedeiras. Os vírus podem per- sistir por vários meses em nematoides adul- Espécies do gênero Pratylenchus (ne- tos e, por períodos ainda maiores, em por- matoides-das-lesões) penetram no siste- ções de raízes das plantas que atuam como ma radicular da planta, onde se alimen- reservatórios do nematoide. Além da videi- tam e provocam lesões escuras, vivendo ra, index pode multiplicar-se, também, como endoparasitas migratórios. Várias em outras espécies de plantas como figuei- espécies de Pratylenchus têm sido identifi- ra, jasmim, álamo e cajueiro, entre outras. cadas em associação com raízes de videi- ra em parreirais de várias regiões em todo NEMATOIDES DO GÊNERO mundo. A espécie P. vulnus é a mais dis- seminada e destrutiva; foi registrada na LONGIDORUS Califórnia e Austrália. P. pratensis foi rela- tada na antiga União Soviética. No Brasil, Needle nematodes P. jordanenis, P. thornei, P. brachyurus e P. são as espécies mais comuns, com regis- Esses nematoides são muito longos e tro em parreirais dos estados de Minas delgados semelhantes a uma agulha e, Gerais e Rio Grande do Sul. P. brachyurus por isso, foram denominados Needle e P. zeae possuem ampla gama de hospe- nematodes. Pelo menos sete espécies de deiros no Brasil, e P. thornei e P. jordanensis, Longidorus foram detectadas em parreirais: ocorrem apenas em pessegueiro e maciei- L. attenuatus, L. elongatus, L. sylphus, L. ra, respectivamente, além da videira. P. diadecturus, L. iranicus, L. macrosoma e L. brachyurus já foi detectada em parreirais protae (RASKI, 1994). Dentre os sintomas do Submédio do Vale do São Francisco. causados por Longidorus spp. na cultura, Entretanto, pesquisas adicionais são ne- citam-se necrose e malformação de raízes. cessárias para se determinar a importân- No Brasil, espécies pertencentes a esse cia dessa espécie para videira na região. gênero já foram detectadas em associação As práticas empregadas para controle com raízes de videira. Essa informação desses nematoides são as mesmas reco- assim como papel desses nematoides mendadas para manejo dos nematoides- como vetores de vírus na cultura alerta das-galhas.Frutas do Brasil, 14 Uva de Mesa Fitossanidade 65 O Tylenchulus CONTROLE semipenetrans, pode reduzir vigor e afetar a resistência da planta em condições de Nenhum método, quando emprega- estresse. Esse nematoide vem sendo de- do isoladamente, é efetivo no controle de tectado em parreirais situados nas proxi- nematoides. Dessa maneira, manejo in- midades de pomares de cítrus nos Esta- dos Unidos e na Austrália. tegrado com emprego de várias estraté- No Brasil, já foi constatado em vi- gias constitui a forma mais eficaz ao con- deiras dos estados de São Paulo, Minas trole desses patógenos. A seleção dos Gerais e Rio Grande do Sul. Não são ob- métodos a serem empregados depende, servados sintomas característicos nas ra- sobretudo, dos seus custos, que devem ízes das plantas atacadas por esse nema- ser menores que os benefícios resultantes. toide, mas apenas encurvamentos e Os métodos descritos a seguir po- necrose no sistema radicular (NAVES, dem propiciar a manutenção da popula- 2005). Plantas da cultivar Rosa- ção de nematoides no solo em níveis de da apresentam enfezamento, morte de convivência econômica, quando adota- brotações, redução da floração e, conse- dos de forma combinada. quentemente, da produção, quando in- festadas por T. semipenetrans, na região de Jundiaí, no Estado de São Paulo (NA- Exclusão VES, 2005). A introdução ou dissemina- ção desse nematoide em áreas cultivadas Em decorrência da fácil dissemina- com videiras ainda não infestadas deve ção de nematoides em uma área cultivada ser evitada, considerando a sua restrita e da sua erradicação ser praticamente im- gama de hospedeiros. possível, torna-se fundamental a adoção Outros nematoides citados na litera- de medidas preventivas, visando impedir tura, associados à videira são: Mesocriconema a entrada desses patógenos em áreas ain- spp., Paratylenchus spp., Rotylenchulus da não infestadas. reniformis, Helicotylenchus spp., Hoplolaimus A infestação do solo por nematoides spp., Rotylenchus spp., spp. e é, de forma geral, quase sempre perma- Paratrichodorus christiei, além daqueles cita- nente. Entretanto, esses patógenos não se dos na Tabela 1. Nematoides de alguns encontram homogeneamente distribuí- desses gêneros já foram detectados em dos no solo. Dessa forma, os produtores amostras de solo coletadas no Submédio devem requerer análise de solo visando do Vale do São Francisco, porém, infor- identificar as áreas infestadas e assim, to- mações acerca de sua importância econô- mica na cultura ainda não são conhecidas. mar precauções para a manutenção das Dessa maneira, há necessidade da áreas ainda livres desses patógenos. condução de pesquisas com esses patóge- A introdução e a disseminação de nos em videira, visando determinar a sua pragas e doenças em muitos países podem importância na região, e assim dar supor- ser evitadas por meio de leis regulatórias te ao estabelecimento das medidas de ou quarentenárias. Considerando que a controle a serem adotadas no seu manejo. maneira mais comum para disseminação Esses são nematoides portadores de esti- de nematoides é por meio da utilização de lete que podem fazer parte de um com- mudas infestadas, recomenda-se a aquisi- plexo patológico, e atuar, também, como ção e plantio de mudas certificadas, ou vetores de vírus na cultura. seja, livres de nematoides.66 Uva de Mesa Fitossanidade Frutas do Brasil, 14 Práticas culturais toides presentes na área. Nesses casos, é aconselhável arranquio e queima de to- O emprego de práticas culturais, iso- das as raízes da planta. Entretanto, algu- ladamente, pode não ser suficiente para mas precauções devem ser tomadas para proporcionar um controle econômico de evitar a disseminação dos nematoides nematoides devido ao fato da utilização dentro da área de plantio durante O pro- do sistema recomendado poder interferir cesso de remoção do material, O que afe- nas práticas culturais normalmente ado- taria as plantas sadias. tadas pelo agricultor, ou da rotação de culturas levar O agricultor a selecionar Rotação de culturas aquelas de baixo retorno econômico ou sem interesse comercial. Além disso, É de difícil aplicabilidade, conside- plantio de determinadas culturas visando minimizar os prejuízos causados por es- rando a capacidade polífaga de alguns ne- pécies de nematoides presentes no solo matoides, principalmente, dos nematoi- pode aumentar a população de outras es- des-das-galhas. Todavia, quando possível pécies de nematoides na área, que podem e convenientemente planejada, a rotação ser, também, prejudiciais à cultura em- de culturas pode ser eficiente no controle pregada na rotação. desses patógenos. Dessa forma, conhe- Dentre os métodos culturais mais cimento dos nematoides presentes no utilizados em áreas infestadas por nema- solo, assim como das espécies de plantas toides destacam-se alqueive, destruição suscetíveis e resistentes ao seu ataque são de plantas doentes, rotação de culturas, informações importantes para sucesso emprego de culturas armadilhas e anta- da utilização desse método, consideran- gônicas, correto manejo da matéria orgâ- do-se que a rotação de culturas requer nica, adubação e práticas culturais. Esses plantio de espécies resistentes ou imunes métodos serão descritos a seguir. aos nematoides presentes na área. Vale destacar que, no caso da videi- ra, essa prática só pode ser utilizada por Alqueive ocasião da renovação do parreiral por se tratar de cultura perene. Consiste na manutenção da área to- talmente livre de qualquer tipo de vegeta- Culturas armadilhas ção, por meio de arações, gradagens ou emprego de herbicidas. O alqueive apre- senta duplo efeito de controle, pois elimina Esse método é aplicado para os nema- a fonte de alimento dos nematoides, ex- toides sedentários do gênero Meloidogyne e pondo esses patógenos à ação do sol e do exige acompanhamento técnico para a determinação do momento exato da incor- vento e, consequentemente, ocasionando sua morte por desidratação. Deve ser utili- poração da cultura armadilha ao solo. zada antes da instalação do parreiral. Consiste no plantio de culturas altamente suscetíveis a determinada espécie de ne- matoide em solo comprovadamente infes- Destruição das plantas doentes tado com O patógeno. As plantas devem ser incorporadas ao solo antes que os ne- Essa medida é aplicada quando plan- matoides que estejam infestando a cultura tas infestadas continuam vegetando e possam atingir a maturidade. suas raízes se mantêm vivas, propiciando A limitação da utilização dessa prá- a continuidade da reprodução dos nema- tica se deve à dificuldade de acompanha-Frutas do Brasil, 14 Uva de Mesa Fitossanidade 67 mento da população do nematoide no As excreções radiculares eliminadas solo, O que é feito pela análise de amos- pelas raízes de determinadas espécies de tras em laboratório. Em Michigan, nos plantas atuam sobre os nematoides com Estados Unidos, O rabanete foi utilizado propriedades nematicidas. O exemplo mais com êxito como cultura armadilha no conhecido foi estudo do efeito do cul- controle de M. hapla em cenoura. Naque- tivo de cravo-de-defunto em solo infesta- las condições, M. hapla possui ciclo de do por nematoides dos gêneros Pratylenchus vida superior a 42 dias e O rabanete pode e Após 3 a 4 meses de ser colhido 22 dias após plantio, com cultivo, a redução da população desses sistema radicular altamente infestado nematoides foi de até 90%, devido à por nematoides, mas nas massas de ovos presença de compostos como ainda não houve tempo para a liberação nas excreções radiculares dessas plantas. de juvenis pré-parasitas. Outra espécie com efeito tóxico sobre ne- matoides é aspargo, que após engros- samento das raízes, produz um glicosídio Culturas antagônicas que possui efeito tóxico sobre determi- nadas espécies de nematoides. São culturas que permitem a pene- tração das formas juvenis pré-parasitas em suas raízes, entretanto, os nematoides Matéria orgânica não conseguem completar seu ciclo de vida nesses tipos de plantas, permane- A ação de substâncias orgânicas re- cendo em estado juvenil. Tais culturas são sulta na redução da população de certos vantajosas quando utilizadas em esquema nematoides, com benefício sobre de- de rotação, pois promovem a redução da senvolvimento das plantas. A matéria população de nematoides no solo. Os orgânica adicionada ao solo propicia exemplos mais comuns de plantas condições favoráveis à multiplicação de nicas são a mucuna (Mucuna spp.), a crota- inimigos naturais, principalmente fun- lária (Crotalaria e O amendoim (Arachis gos, resultando na redução da população hypogaea). Outras espécies como cravo- de nematoides. Além disso, alguns pro- de-defunto (Tagetes patula), Crysanthemum dutos, tais como os ácidos graxos volá- spp. e algumas cultivares de mamoneira teis resultantes da decomposição de substâncias orgânicas, como a torta de (Ricinus comunis) exercem antagonismo mamona, por exemplo, podem ser noci- sobre nematoides pela excreção de subs- vos aos nematoides, promovendo seu tâncias tóxicas pelas raízes. controle. Os efeitos do cravo-de-defunto e do amendoim na redução da população de M. incognita são conhecidos. Juvenis pré- Adubação e práticas culturais parasitas podem penetrar nas raízes des- sas plantas, sem induzir a formação de Os efeitos nocivos dos nematoides células gigantes, que são fundamentais no parreiral podem, em alguns casos, ser para a sua alimentação. Há relatos de que reduzidos por meio da utilização de adu- plantio de cravo-de-defunto ou amen- bações equilibradas, irrigação adequada e doim em canteiros infestados pode redu- proteção contra certas doenças. Dessa zir a população desse nematoide em até forma, plantas bem cuidadas normal- 97%, em apenas 4 meses, enquanto essa mente suportam maiores populações de porcentagem foi de 70% quando se utili- nematoides sem sofrer danos econômicos zou O amendoim. significativos. O desenvolvimento e a se-68 Uva de Mesa Fitossanidade Frutas do Brasil, 14 veridade de doenças causadas por nema- do ao controle dos nematoides-das-galhas. toides são mais pronunciados em plantas Dessa maneira, os porta-enxertos Dog cultivadas em solos com deficiência de Ridge e Salt Creek também conhecidos um ou mais nutrientes essenciais. Já a in- como Ramsey possuem alta resistência, festação por nematoides pode causar re- quase imunidade, a esses nematoides. dução na concentração de um ou mais Ambos apresentam excelente vigor em elementos nos tecidos foliares ou nas diversos tipos de solo. Entretanto, são raízes. suscetíveis ao X. index que, além de ser A aração do solo para a exposição patogênico à cultura, é vetor do vírus da das raízes ao final da estação de cultivo, da videira. Os manejo adequado da irrigação e a limpeza porta-enxertos Freedom e Harmony são de equipamentos são práticas recomenda- resistentes, mas não imunes, aos nema- das, visando a redução da população des- toides-das-galhas. ses patógenos no solo e também evitando No Brasil, cultivo de uva de mesa que sejam transportados de áreas infesta- nas condições de clima subtropical e tro- das para áreas ainda isentas. pical está baseado na utilização de porta- enxertos desenvolvidos, em sua maioria, pelo Instituto Agronômico de Campinas Variedades resistentes (IAC), São Paulo (Tabela 2). Em geral, es- ses porta-enxertos são considerados de Esse é método mais eficiente e elevada resistência às principais pragas de econômico para O controle de nematoides. solo. Entretanto, em muitas espécies vegetais, Dessa maneira, porta-enxerto Tro- as limitações associadas a sua utilização pical (IAC 313) é considerado bastante residem na escassez de material genético vigoroso e perfeitamente adaptado às que contenha genes de resistência a esses condições edafoclimáticas das regiões tro- patógenos. Em videira, por causa do ata- picais e subtropicais do Brasil. É de fácil que de nematoides e da filoxera, pesquisas enraizamento, apresentando bom com- têm sido intensificadas, nos últimos anos, portamento em áreas infestadas por ne- para a identificação de fontes de resistência matoides. Entretanto, nematoides já foram em porta-enxertos, principalmente visan- detectados em plantas desse porta-enxerto Tabela 2. Reação dos porta-enxertos de videira (Vitis sp.), mais utilizados no Brasil em uva de mesa, aos nematoides Meloidogyne spp., Xiphinema index, Tylenchulus semipenetrans e Pratylenchus spp. Porta- Meloidogyne spp. Xiphinema Tylenchulus Pratylenchus enxerto index M. javanica M. incognita M. arenaria semipenetrans spp. Harmony Resistente Resistente Suscetível Suscetível Resistente Salt Creek Resistente Resistente Resistente Suscetível Resistente SO4 Resistente Resistente Resistente Suscetível Resistente Resistente Paulsen 1103 Resistente Resistente Suscetível Resistente Resistente Resistente Resistente - - 1613 IAC 313 Modera- - - - - damente resistente IAC 572 - - - - IAC 766 - - - informação não disponível. Fonte: Campos et al. (2003), Choudhury e Soares (1993) e Lordello e Lordello (2003).Frutas do Brasil, 14 Uva de Mesa Fitossanidade 69 pelo Laboratório de Fitopatologia da Em- ganismos, tais como bactérias e fungos, brapa Semiárido, em Pernambuco, O que é no controle desses patógenos. preocupante, considerando a ampla utili- A maioria das espécies de fungos as- zação desse porta-enxerto no Submédio sociados à captura de nematoides perten- do Vale do São Francisco. Resultados ob- ce à classe dos Deuteromicetos. Atual- tidos em ensaios conduzidos em casa de mente, denominados fungos mitospóricos. vegetação indicaram que Harmony e Salt A causa da morte de nematoides em de- Creek apresentaram resistência de mode- corrência do parasitismo por esses fungos rada a alta após inoculação com M. javanica não está completamente esclarecida, po- (CHOUDHURY; SOARES, 1993). dendo ser resultante da ocorrência de in- No cultivo da videira no Submédio júrias mecânicas ou ainda de toxinas libe- do Vale do São Francisco, as cultivares de radas pelos fungos. Uma das espécies de porta-enxertos IAC 313, IAC 766 e, prin- fungos mais estudadas no controle de ne- cipalmente, IAC 572, têm sido os mais matoides é Paecilomyces lilacinus. Entretan- utilizados na produção de uvas de mesa to, apesar dos excelentes resultados obti- com sementes. Entretanto, no caso de dos em condições in vitro, ensaios uvas apirênicas, os porta-enxertos SO4, conduzidos em campo têm indicado baixa Paulsen 1103, Couderc 1613 e Harmony eficiência da atuação desse fungo no con- são os predominantes na região. As culti- trole de nematoides. vares SO4 e Couderc 1613 são considera- Entre as bactérias, são citadas como das resistentes a M. javanica, M. incognita e agentes controladores de nematoides es- M. arenaria; já Paulsen 1103 e Harmony pécies de Bacillus e Pasteuria penetrans. Ape- são resistentes a M. javanica e M. incognita, sar dos escassos resultados de pesquisa entretanto, são suscetíveis a M. arenaria. A obtidos em campo, P. penetrans tem sido resistência a nematoides como Tylenchulus considerada como agente promissor a ser semipenetrans e Pratylenchus spp. pode ser utilizado no controle de nematoides per- encontrada no porta-enxerto SO4. tencentes a vários gêneros. Esse potencial Atualmente, no Submédio do Vale é atribuído a sua habilidade em controlar do São Francisco, um dos principais pro- nematoides em diversas culturas, resistên- blemas fitossanitários da fruticultura irri- cia dos endósporos à dessecação, compa- gada está relacionado ao Meloidogyn ente- tibilidade com vários pesticidas e fertili- rolobii (sin. M. mayaguensis) em goiabeira. zantes, assim como também com práticas Entretanto, até momento, não há infor- culturais e outros microrganismos utiliza- mações da caracterização dessas cultiva- dos no controle biológico. Essa bactéria res de porta-enxerto quanto à resistência não produz substâncias tóxicas ao ho- a esse nematoide, que constitui impor- mem, plantas ou animais. Além disso, ne- tante demanda de pesquisa para a região. nhum inimigo natural dessa bactéria é conhecido. O parasitismo obrigatório de P. penetrans em nematoides e, consequente- Controle biológico mente, a impossibilidade, até momento, do cultivo da bactéria em meios de cultura A pressão da sociedade quanto à artificiais, limitam a produção massal e a busca por produtos ou técnicas ecologica- sua utilização em campo. mente mais seguras em substituição à uti- lização de agrotóxicos na agricultura tem impulsionado a pesquisa no desenvolvi- Controle químico mento de métodos alternativos para controle dos nematoides. Vários traba- Os nematicidas são utilizados, prin- lhos têm indicado a eficiência de micror- cipalmente, visando uma resposta rápida70 Uva de Mesa Fitossanidade Frutas do Brasil, 14 para redução da população de nematoides bos. Os fumigantes apresentam, como abaixo do nível de dano econômico. A se- desvantagens, elevado custo do produto e guir, são feitas algumas considerações a do equipamento de aplicação, além do respeito das características a serem obser- próprio processo de aplicação, que difi- vadas na escolha de um nematicida. culta a sua utilização. Para ser considerado um bom nema- Os nematicidas não fumigantes são ticida, produto deve propiciar a dimi- solúveis em água, difundidos no solo por nuição da população de nematoides no percolação e absorvidos pelos nematoides solo para níveis que não causem reduções através da cutícula. Os mais modernos significativas na produção; propiciar bom são sistêmicos e absorvidos pelas radice- vigor da planta e aumento na qualidade las das plantas ou via foliar. Outros pro- do produto colhido; tornar a planta mais dutos, como O Aldicarbe, por exemplo, resistente a outras doenças associadas aos possuem ação sistêmica e de contato, e nematoides e melhorar a absorção de até nematostática (inibição da atividade água e nutrientes do solo, por favorecer a da acetilcolinesterase), provocando efei- formação de um sistema radicular mais tos indiretos nos nematoides, como inibi- sadio e vigoroso. Os nematicidas devem ser tóxicos ção da eclosão dos juvenis, diminuição do movimento de juvenis no solo e inter- somente aos nematoides, além de não deixar resíduos em frutos, plantas ou ferência na evolução do ciclo biológico solo, não causar impacto nocivo ao am- desses patógenos. O sucesso na utilização biente, ser de fácil aplicação, de uso segu- desses produtos depende de uma série de ro e apresentar custo/benefício favorável. fatores, dentre os quais, modo de aplica- Entretanto, um produto que seja capaz de ção e uso de equipamentos adequados. reunir todas essas características ainda O controle químico de nematoides não está disponível no mercado. vetores de viroses somente é eficiente Os principais fatores que influen- pela fumigação do solo antes do plantio. ciam na escolha do nematicida são: sus- A aplicação de produtos sistêmicos em cetibilidade da espécie de planta cultiva- plena vegetação das plantas pode não da ao nematoide presente na área, apresentar bons resultados, considerando eficiência de controle do nematicida, va- que nematoide somente pode ser atingi- lor comercial da cultura, toxicidade do do pelo produto ao se alimentar da seiva nematicida às plantas, época e método de da planta e, consequentemente, durante aplicação e disponibilidade de equipa- esse processo, ocorre a inoculação do ví- mento para aplicação. rus antes da morte do nematoide. Com referência ao modo de ação, os Vale ressaltar que não há produtos nematicidas podem ser fumigantes e não nematicidas registrados no Ministério da fumigantes. Aqueles não fumigantes são Agricultura, Pecuária e Abastecimento produtos de contato, sistêmicos ou am- (Mapa) para uso em videiras no Brasil.