Nervo Optico
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Nervo Optico


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pode não existir perda da 
acuidade, e a mudança do campo pode ser por aumento da mancha cega fisiológica. 
 
 
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O papiledema pode ser graduado pela escala de Frisén: GRAU 1 \u2013 papila óptica com mínimas 
alterações: a) borramento das bordas, b) rutura da organização da camada de fibras nervosas, c) 
dobras retinocoroidais. GRAU 2 - papila óptica levemente alterada: a) elevação do contorno 
papilar. GRAU 3 \u2013 papila óptica moderadamente alterada: a) elevação de todo o contorno, b) 
diâmetro aumentado, c) borramento de um ou mais seguimentos principais dos vasos 
sanguíneos que deixam a papila. GRAU 4 \u2013 papila óptica marcadamente alterada: a) elevação 
total, b) borramento total do contorno. GRAU 5 \u2013 papila óptica severamente alterada: a) 
projeção em forma de cúpula, b) total borramento de um seguimento de um vaso sanguíneo 
principal, c) apagamento da camada de fibras ópticas. 
Papiledema está associado com tumores cerebrais (síndrome de Foster Kennedy) e abscesso, 
meningite e encefalite, póstraumáticos, hematoma subdural, hemorragia subaracnóidea, 
aracnoidite, pseudotumor cerebral (hipertensão intracraniana benigna), trombose dos seios 
durais e hidrocefalia. Papiledema ocorre na síndrome de Guillain-Barré e em outras condições 
com acentuada elevação da proteína do LCR; anemia profunda, leucemia, enfisema, hipertensão, 
toxemia, plumbismo, hipoparatireiodismo, tumores orbitais ou pressão sobre o nervo óptico na 
órbita, glioma do nervo óptico, redução da pressão intraocular, e várias desordens sistêmicas, 
metabólicas. Mas, papiledema pode não existir em aumento da pressão intracraniana se o nervo 
óptico for atrofiado, na miopia severa ou se o espaço subaracnóide do nervo óptico for fechado 
do espaço subaracnóideo intracraniano pela presença de adesões. 
É difícil diferenciar entre papiledema e outra aparente elevação da papila, como na neurite 
óptica, e o papiledema que é visto em alguns hipermétropes. Aqui existe um borramento das 
margens do disco, mas a superfície do disco não aparece; não existe dilatação das veias, e 
nenhuma hiperemia ou aumento da mancha cega. Ramos centrais alto da artéria central da 
retina podem dar uma aparência de elevação das margens dos discos. Papiledema precisa 
também ser diferenciado de neuroretinite, que aparece na HAS e nefrite; de um próprio 
ingurgitamento à neoplasia da órbita, trombose da veia central da retina, trombose do seio 
cavernoso, aneurisma arteriovenoso, e obstrução venosa torácica; e de drusa que pode às vezes 
causar prejuízo visual. 
Fotografia do fundo de olho após injeção intravenosa de fluoresceína pode ajudar na 
diferenciação entre papiledema precoce e o pseudopapiledema. No papiledema as margens do 
 
 
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disco são borradas no polo superior e inferior, é hiperêmico devido ao aumento da 
permeabilidade capilar, e a fluoresceína vaza para dentro do tecido extravascular, onde 
permanece por varias horas, mas os vasos são normais. A camada das fibras do nervo é escura 
devido ao edema da retina. No pseudopapiledema a cor e o borramento do disco são regulares, 
a camada de fibras do nervo é visível, os vasos são anômalos, e devido à hiperopia das fibras 
axonais, drusa e anomalias congênitas não existem no filtrado. Pseudopapiledema tem como 
uma das causas mais comum drusa no disco óptico. São depósitos hialinos calcificados dentro do 
nervo óptico que pode elevar ou distorcer o disco. Ocorre em 2% da população e são bilaterais 
em 70% dos casos. Herdadas com dominância irregular e penetrância incompleta, ocorre quase 
exclusivamente em Caucasiano. Enquanto fibras do nervo mielinizadas se estendem além da 
margem do disco sem significado clínico. São conhecidas outras causas de pseudopapiledema 
como: permanência da artéria hialóide primitiva (papila de Bergermeister), disco óptico inclinado 
e hiperopia extrema. 
Neurite óptica ocorre mais no sexo feminino, aparece papiledema e é difícil diferenciar. É uma 
inflamação do nervo óptico e quando existe elevação do disco, os achados primários são: 
congestão, infiltração e exudato. O disco é de um vermelho vivo ou cinza com estrias vermelhas, 
as margens são borradas, a veia é dilatada e as artérias estreitadas. Existe extensiva exudação 
sobre o disco, que se estende à retina e pode haver hemorragias, alterações coróides e depósitos 
de pigmentos. Os vasos da retina estão constantemente escondidos pelo exudato. A fóvea 
central pode ser perdida ou o disco pode ser elevado, mas o edema mesmo não é proporcional 
as outras alterações. Ao contrário ao papiledema (onde o inicio é gradual, pode existir pouca 
perda visual, e a visão central é preservada até tarde), na neurite óptica existe uma acentuada 
perda da acuidade visual que é abrupta \u2013 geralmente a melhor pista para se diferenciar o 
diagnóstico \u2013 e existe uma pronunciada perda do campo central, com escotoma central e 
preservação de uma pequena quantidade do campo periférico. Neurite está associada com dor 
na região posterior do olho em 90% dos casos, dor nos movimentos dos olhos, e macio à 
pressão; ao passo que papiledema é indolor. Neurite óptica é mais unilateral, e papiledema 
bilateral. No papiledema é mais acentuado o edema, ingurgitamento e hemorragias; na neurite 
óptica raramente existe acentuada elevação do disco, o disco óptico é normal em 65% dos casos, 
mas existe mais exudato e edema de retina. Atrofia óptica é uma sequela de neurite óptica. 
 
 
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Neurite óptica pode ser a primeira manifestação da neuromielite óptica ou 
neuroencefalomielopatia aguda. As fibras maculares e a visão central sofrem mais, quer seja por 
causa do centro do nervo ser predominantemente envolvido quer seja pelo feixe papilomacular 
ser mais susceptível às alterações. O processo pode se estender à retina, causando uma 
neuroretinite. Neurite óptica pode ser uma inflamação primária do nervo óptico, em uma 
encefalite ou pode ser secundária a infecção em qualquer lugar do corpo. Tanto a perineurite 
quanto a neurite intraneural foram descritas. Na primeira o envolvimento é primariamente na 
bainha do nervo, o resultado da extensão de um processo inflamatório das meninges ou órbita. 
Neurite intraneuronal pode ser uma infecção primaria ou uma parte da neuromielite óptica ou 
pode ser secundária a doença do seio (especialmente inflamação do seio esfenoidal) ou infecção 
sistêmica como sarampo, mononucleose infecciosa e vacínia. Neurite óptica também pode 
ocorre na anemia, deficiência severa de vitamina (especialmente de B12 e complexo B), outras 
más nutrições, diabete ou outras desordens metabólicas, e podem seguir a ingestão ou 
exposição de toxinas. Neurite óptica com acuidade normal foi relatada, mas é rara; a preservação 
da visão foi explicada pelo não comprometimento do feixe papilomacular. 
Neurite óptica é comum no curso da esclerose múltipla em 75% dos casos e está presente em 
25%. Cerca de 50 a 75% dos pacientes desenvolve outras evidências de esclerose múltipla. 
Fatores que aumentam as possibilidades de esclerose múltipla em pacientes com neurite óptica 
incluem a presença do fenômeno Uhtfhoff (descompensação dos sintomas com a elevação da 
temperatura do corpo ou após exercício), positividade do HLA-DR2 e episódio recorrente. 
Neuropatia óptica isquêmica anterior (NOIA) é a síndrome mais comum de isquemia do nervo 
óptico após os 50 anos. A microangiopatia produz oclusão das artérias ciliar posteriores curtas e 
enfarte de todo ou parte do disco. A perda visual é aguda, não dolorosa e não melhora. No 
quadro clínico há acuidade visual diminuída, prejuízo da percepção de cor e defeito de campo 
altitudinal inferior e edema de papila, evoluindo para atrofia óptica. Existem