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Teoria Psicanalítica – NP2 
 
As estruturas Tripartite do aparelho psíquico 
Composta pelas três instâncias: 
 
Id = conjunto de conteúdos de natureza pulsional 
Ego = extensão do id, possui nível consciente e inconsciente, faz a mediação entre as demandas do id e 
as exigências do superego, é o “eu” do sujeito. 
Superego = conjunto de regras, valores éticos e morais, que guiam as ações e comportamentos do 
sujeito, se opõe as demandas do id. 
 
Princípio do Prazer X Princípio da realidade 
Demandas do id e exigências do superego 
Princípio do prazer = ligados aos desejos e ao prazer, governado pelas pulsões do id, tendo raízes 
inconscientes que exercem considerável influência nas pressões com as quais o ego tem que lidar. 
Princípio da realidade = dados de realidade que se apresentam exigindo uma conformidade das 
escolhas, ações e comportamentos com as regras e leis que tal realidade comporta, é pautado em larga 
escala pelo superego. 
→ ego = concilia os dois princípios 
Homeostase = estado de equilíbrio do organismo em relação a funções e composições químicas que 
fazem parte do corpo. 
Elevação do prazer = desprazer 
Diminuição da tensão = prazer 
 
O aparelho psíquico freudiano 
É um modelo teórico para explicar o funcionamento da mente humana, tem 
dois modelos principais: 
▪ primeira tópica = inconsciente, pré-consciente e consciente 
▪ segunda tópica = id, ego e superego 
 
Ego ideal X Ideal do ego 
Ego ideal = refere-se a imagem idealizada que o sujeito tem de si mesmo – 
o eu “perfeito”. Surge através da identificação com os pais ou outras figuras de autoridade durante a 
infância. É ligado ao narcisismo primário, é como um sujeito se via ou gostaria de continuar se vendo. 
É exigente e idealizador, como uma meta a ser atingida. Quando o sujeito sente estar longe desse ideal, 
pode se sentir frustrado ou angustiado. 
Ideal do ego = relacionado ao superego, funcionando como uma instância crítica e normativa. 
Representa valores, norma e exigências morais, é aquilo que a sociedade espera do sujeito, atua como 
um juiz interno, que compara o comportamento atual com os padrões ideais. Ligado a formação do 
superego, após o complexo de Édipo. A realidade é introduzida e a mente se estrutura adequadamente 
com todas as instâncias. 
• A perda do objeto e o luto = quando um objeto amado é perdido, o sujeito não perde apenas 
ele, mas parte de si mesmo, parte do ego que se identificava com o objeto. O objeto poderia ser 
idealizado e sua perda desorganiza as instâncias. O luto implica em uma reorganização do ego, 
que após a perda, se reconstrói. 
Complexo de Édipo – introjeção de características do objeto (mãe) → ideal do ego 
Identificação com outro objeto (pai) → ideal do ego 
Atitude psíquica frente à castração 
O ego e o id (1923) – função mediadora do ego entre o mundo externo e o id 
Freud propõe que o ego atua como ponte ou mediador entre: 
 
Id= sede dos impulsos inconscientes (instâncias pulsionais) 
Mundo externo = realidade, leis, limites e exigências sociais 
 
→ o ego está no meio de dois polos com exigências diferentes 
 
Conciliar demandas tão distintas e antagônicas → o ego tem a difícil tarefa de satisfazer: 
• Prazer imediato (impulsos do id) 
• Ideias morais e proibições (normas do superego) 
• O que é possível ou permitido (mundo externo) 
Essa função pode gerar tensão constante, se o ego falha nessa mediação, surgem sintomas neuróticos 
ou psicóticos. 
 
Função que abre margens para a configuração da neurose e psicose: 
• Neurose = surge quando há conflitos entre o ego e o id, o ego tenta reprimir os desejos do id, 
mas eles retornam como sintomas 
• Psicose = surge quando há conflito entre o ego e o mundo externo, o ego rompe com a 
realidade, o sujeito pode alucinar, como forma de reorganizar o mundo psíquico 
 
* a castração é o ponto de articulação entre desejo, lei e realidade, o ego ao se constituir, tem que lidar 
com a castração e isso o obriga a mediar entre id (desejo) e o mundo externo, é um processo central 
para o desenvolvimento da estrutura psíquica (neurose, psicose e perversão) 
 
O complexo de castração diz respeito a uma experiência psíquica vivida inconscientemente pela 
criança (cinco anos), tem peso decisivo em relação a identidade sexual (escolha de objeto de amor). A 
criança reconhece a diferença sexual, que o mundo é composto por homens e mulheres e que o corpo 
tem seus limites. Para o menino, isso significa que apesar de possuir pênis, isso não permite que realize 
seus sonhos e desejos sexuais com sua mãe, pois até então vivia na ilusão da onipotência. 
A relevância da castração transcende o que seria uma significação cronológica, na medida em 
que é uma experiência revivida (de forma inconsciente), ao longo de toda a existência 
O complexo de castração para o menino marca a saída do complexo de Édipo e a identificação 
com o pai no núcleo do superego. A consequência da constatação da diferença sexual está relacionada 
a rememoração ou atualização de ameaça de castração, quando por ocasião de atividades 
masturbatórias, e é o pai o agente desta ameaça. Tem sua implicação na ordem cultural e social na 
medida em que nele estão representadas, junto com o complexo de Édipo, questões sobre a instituição 
das leis e proibições que regulam as relações e organizações humanas. 
A perda da realidade na neurose e na psicose 
Neurose – ego suprime uma parte do id. Na neurose há um conflito ente o id (impulsos instintivos) e o 
superego (normas morais). O ego que é o mediador desse conflito, reprime os desejos inaceitáveis do 
id, impedindo-os de se manifestarem diretamente. Isso gera sintomas, como obsessões e compulsões 
(ex: lavar a mão compulsivamente0). A realidade é preservada, o sujeito reconhece o que é real, mesmo 
com comportamentos irracionais. 
Psicose – o ego a serviço do id, corta o contato com a realidade. O ego não consegue lidar com a 
pressão dos impulsos ou com a realidade, submete ao id ou se desestrutura, o que leva a uma ruptura 
coma realidade. Pode causar delírios e alucinações. Há uma perda significativa da noção do que é real. 
Percurso em duas etapas: 
• Neurose – (1) repressão – falha – (2) compensação 
Para atender ao id após falhar na repressão, cria-se uma condição em que o ego possa satisfaze-
lo 
Repressão – o ego tenta reprimir os desejos inaceitáveis do id 
Falha – o desejo retorna disfarçado 
Compensação – o ego encontra uma solução simbólica que permite aliviar o conflito sem 
romper com a realidade 
• Psicose – (1) afastamento da realidade – danos – (2) reparação 
Para reparar os danos causados pelo desligamento/afastamento da realidade, cria-se uma 
realidade alternativa. 
Afastamento da realidade – o ego entra em colapso diante do conflito com o id ou com 
exigências externas e romper com a realidade 
Danos – essa ruptura provoca sofrimento e desorganização psíquica 
Reparação – a mente cria uma realidade alternativa como tentativa de reconstruir uma ordem 
subjetiva 
 
NEUROSE PSICOSE 
Freud diz que a neurose é uma doença nervosa, seus sintomas 
representam simbolicamente um conflito psíquico recalcado, de origem 
infantil e causa sexual. Designam-se os seguintes registros freudianos: 
 - Neurose histérica = conflitos inconscientes aparecem como sintomas 
físicos (sem causa médica) e dramatizações. 
 - Neurose obsessiva = pensamentos repetitivos e compulsões; marcada 
por rigidez, culpa e controle. 
 - Neurose atual (neurose da angústia e neurastenia) = ligada ao 
presente, com sintomas físicos e ansiedade. 
 - Neurastenia: cansaço, irritação, esgotamento. 
 - Neurose da angústia: ansiedade sem motivo claro. 
- Psiconeurose (neurose de transferência e neurose narcísica) = vem 
de conflitos infantis. 
 - Transferência: conflitos revividos na terapia (histeria, obsessiva). 
 - Narcísica: foco exagerado no próprio ego (ex.: hipocondria). 
A neurose é resultante de um mecanismo de defesa contraa angústia e 
de uma formação de compromisso, entre esta defesa e a possível 
realização de um desejo. Este desejo e sua proibição se referem ao 
complexo de Édipo e o complexo de castração. Na neurose há um 
conflito entre o ego e o id, coexistindo, interna e inconscientemente, 
tanto impulsos que exigem satisfação, quanto emoções que levam em 
conta a realidade 
Freud julgava a psicose quase como 
incurável. Definiu como um distúrbio 
entre o ego e mundo externo, no 
contexto da segunda tópica e com o 
desenvolvimento do narcisismo, a 
psicose foi explicada a partir da 
reconstrução de uma realidade 
alucinatória, o sujeito fica unicamente 
voltado para si mesmo, numa 
situação sexual auto erótica em que 
toma literalmente o próprio corpo 
como objeto de amor. Aqui a 
castração, enquanto experiência 
psíquica, não pode ser experienciada. 
 
Luto e Melancolia 
Perda de um objeto 
• Luto: processo normal - É uma resposta esperada e compreensível diante da perda. Apesar de 
causar sofrimento, o luto não é considerado uma patologia. Com o tempo, espera-se que a 
pessoa retome suas atividades e interesses. 
• Melancolia: configuração patológica - Algumas pessoas, ao invés de passarem pelo luto, 
desenvolvem melancolia. Essa condição envolve: desânimo profundo, perda de interesse pelo 
mundo externo, inibição da capacidade de amar e diminuição da autoestima. Pode levar a autor 
recriminação, auto envelhecimento e até expectativas delirantes de punição. 
Ambos têm os mesmos traços, porém com exceção de um: perturbação da autoestima. Na melancolia, 
há perturbação da autoestima, o que não ocorre no luto. 
O ego é o objeto 
→ No luto: o investimento libidinal (afetivo) vai do ego → para o objeto perdido 
→Falhas no percurso de elaboração do luto → desvio da realidade, que abre espaço para a melancolia. 
Na melancolia, a perda não é apenas concreta, mas idealizada. 
➤ O sujeito pode saber o que perdeu, mas não sabe que se perdeu naquele objeto 
Na melancolia existe uma perda com parcela significativa de retirada do inconsciente, já no luto o 
inconsciente é retirado apenas do objeto perdido. Isso acontece porque, na melancolia, há uma 
identificação do ego com o objeto perdido, resultando em o ego ser atacado como se fosse o próprio 
objeto, gerando perda do ego e não só do objeto. Surge aqui o componente narcísico da melancolia: o 
ego é ferido, e não consegue mais se separar do objeto. 
→ o componente narcísico da melancolia = libido se concentra no próprio ego, ele não visa a si próprio, 
mas sim o objeto. 
→ A libido que estava no objeto não é transferida para outro objeto, mas retorna ao ego e esse retorno 
promove uma identificação do ego com o objeto abandonado. Esse processo transforma uma perda 
externa numa crítica e ataque interno ao próprio ego, gerando sofrimento psíquico profundo. Na 
melancolia a libido se concentra no próprio ego, o que caracteriza o narcisismo patológico. 
 
→ o suicídio é descrito como ato do ego contra o objeto, mas que, por causa da identificação, se torna 
um ato contra si mesmo. O ego se ataca porque o objeto foi incorporado a ele, o ego passa a ser o 
objeto. Isso mostra a força de identificação e quanto o objeto domina o ego na melancolia. 
 
→ mania → aparece como o oposto da melancolia, nela o ego retoma o controle, dominando ou 
afastando o investimento no objeto 
 
A atitude psíquica frente a castração 
O fetichismo 
Freud introduziu o termo para se referir a uma perversão sexual, caracterizado pela substituição de 
uma parte do corpo ou objeto por um substituto do falo ausente na mulher. Essa substituição serve 
como um mecanismo de defesa contra a angústia de castração: o sujeito não aceita a ausência do falo 
na mulher e cria um fetiche como negação dessa ausência. 
 “A veneração do pé feminino e do sapato toma o pé como símbolo do membro que antes faltava na 
mulher.” (Roudinesco, 1998) 
Existe uma diferença entre o fetichismo masculino e feminino: 
- Masculino: fetichização do objeto (ex: pé, roupa, sapato). 
- Feminino: fetichização da relação (ex citado: necrofilia, onde o foco está em uma relação simbólica 
com o outro). 
 
O fetichismo é raramente percebido como sintoma ou como sofrimento, ele é egossintônico, ou seja, 
está em harmonia com o ego e não causa desconforto direto. Está diretamente relacionado a angústia 
de castração, o ego passa a rejeitar a realidade da castração, criando assim uma realidade alternativa 
com o fetiche. O fetiche serve como uma prova contra a castração, um objeto que nega 
simbolicamente a ausência do falo. 
 
 
Função do fetiche: 
• Um objeto (ou parte do corpo) torna-se fonte de satisfação sexual: 
• Evita o confronto com a ameaça da castração. 
• É mais seguro desejar um objeto parcial do que competir por um objeto total (o outro como 
sujeito completo). 
A criação do fetiche obedece a intenção de destruir a “prova” da castração. 
O Caso Schreber 
Dois pontos sobressaem: 
• A ideia de ter um papel de redentor = Schreber acredita que foi escolhido por Deus para salvar o 
mundo, transformando-se em mulher para gerar uma nova humanidade 
• Fantasia de emasculação Desejo inconsciente de ser mulher, interpretado como defesa contra 
desejos homossexuais reprimidos. Frase marcante: 
“deve ser bom ser uma mulher e submeter-se do ato da cópula” - Freud 1913 
▪ Pássaros miraculados - mensageiros divinos. 
▪ Almas impregnadas por veneno e frases sem sentido que se incorporariam à sua alma - 
manifestações da invasão psíquica e da perda de lógica. 
▪ Associação entre pássaros e mulheres = expressão da feminilização desejada 
 
Elemento dominante do caso → Complexo Paterno 
O delírio gira em torno da figura do pai e de Deus (identificados entre si). 
Divisão de Deus: 
▪ Associação entre Deus e o pai Schreber 
▪ A divisão Deus Superior - Deus Inferior 
➢ Deus Superior: abstrato e criador. 
➢ Deus Inferior: ligado ao corpo e persecutório. 
 
Mecanismo da Paranoia 
➢ Autoerotismo → escolha objetal 
➢ Etiologia situada no autoerotismo 
➢ Desejo homossexual recalcado - projetado → delírio persecutório. (Eu o amo → ele me 
persegue) 
 
Delírio relacionado ao Dr. Flechig 
➢ Eu (um homem) o amo (outro homem) 
➢ Defesas contra esse tipo de desejo → derivações 
➢ Figura central do delírio, Schreber o vê como perseguidor - defesa contra o amor homoerótico 
reprimido. 
 
Tipos de Delírio 
Delírio persecutório = Eu o amo → Eu não o amo, eu o odeio (porque ele me persegue). Aqui, o 
predicado (amo) é negado: o amor vira ódio, com uma justificativa persecutória. O sujeito projeta no 
outro a perseguição, transformando afeto em ameaça. 
Delírio erotomaníaco = Eu o amo → Eu não o amo, ele que me ama. O objeto é trocado de lugar: a 
pessoa nega seus próprios sentimentos, atribuindo ao outro o papel de apaixonado. Muito comum em 
casos onde o sujeito acredita ser amado por alguém que, na realidade, não demonstrou esse afeto. 
Delírio de ciúmes = Eu o amo → Eu não o amo, ela que o ama. Aqui, o sujeito da proposição é 
modificado: o sentimento é deslocado para um terceiro. Muito presente em situações paranoides, onde 
o sujeito imagina traições ou triangulações afetivas. 
Delírio megalomaníaco = Eu o amo → Eu só amo a mim mesmo. Rejeição da proposição como um 
todo. O sujeito se retira da relação afetiva e centra todo amor em si, exaltando-se como único digno de 
amor — traço típico de megalomania. 
A paranoia e seus mecanismos 
A paranoia é a defesa contra fantasias e desejos, logo há um mecanismo de defesa operante, a 
repressão. Isso significa que o sujeito paranoico não aceita certos conteúdos inconscientes 
(geralmente relacionados a desejos sexuais ou agressivos) e os rejeita por meio da repressão. 
Comparação com outras neuroses: 
Histeria = conteúdo e afetos são reprimidos 
Neurose obsessiva = conteúdo permanece na consciência e o afeto é reprimido 
Paranoia = repressão leva ao desligamento da libido de pessoas e objetos – mecanismo comum 
➢ Libidose vincula ao próprio ego e potencializa o crescimento do ego inflado → retorno ao 
estágio inicial do narcisismo. Ou seja, o sujeito passa a se amar de forma exagerada, como nos 
primeiros estágios do desenvolvimento psíquico infantil. Em termos clínicos, isso pode se 
manifestar como ideias de grandeza, desconfiança extrema, ou crença de ser alvo de 
conspirações. 
→ num geral a paranoia é uma resposta psíquica defensiva a desejos recalcados. Seu mecanismo 
central é a repressão, mas com uma consequência específica: a libido se desinveste do mundo externo 
e reinveste no próprio ego, o que pode resultar em delírios paranoides. Isso a diferencia de outras 
neuroses como a histérica ou a obsessiva, que lidam de forma diferente com o conflito entre desejo e 
repressão. 
Considerações sobre o objetivo e o final de uma análise 
Uma análise se inicia ao longo do tempo quando se aquele que a procura apresente uma queixa e que 
seus sintomas lhe trazem e que aspire a algum tipo de mudança. Esta mudança está quase sempre 
associada a ideia da cura, ligada ao modelo médico, do qual o analista terapeuta deve fazer um esforço 
constante no sentido de se diferenciar. 
Para a psicanálise, os sintomas são a expressão de um conflito inconsciente, uma luta entre o ego e um 
sofrimento inconsciente, por isto qualquer noção de cura que carregue a expectativa de eliminação ou 
desaparecimento dos sintomas não se justifica numa perspectiva psicanalítica. 
Através da relação transferencial, em que o analista/terapeuta será incluído como testemunha deste 
sofrimento que se pode, psicanaliticamente falando, trabalhar para que as mudanças nas relações 
subjetivas com o mundo e consigo mesmo possam ocorrer. 
O objetivo de uma análise pode ser pensado como Freud o colocou em termos de uma reorganização ou 
ampliação do ego em benefício do id, na medida em que a escuta analítica, através da relação 
transferencial, serve de palco para o jogo de forças pulsionais que não desaparecerão ao fim de uma 
análise, mas se poderá dizer de uma experiência mais abrandada de seus efeitos na vida dos sujeitos. 
• Interpretação: parte de um dado isolado. 
• Construção: envolve a história primitiva do sujeito. 
• Exemplo irônico: "Heads I win, tails you lose" (“Cara eu ganho, coroa você perde”), indica que o 
analista pode considerar a resposta do paciente como validação da hipótese, independente de 
ser positiva ou negativa. Um “não” ou uma negação não anulam automaticamente a validade 
de uma interpretação ou construção. 
• A pergunta central: Como avaliar o “sim” ou o “não” do paciente? 
 
Construções em análises 
→ Freud em 1937, disse que objetivo da análise é levar o paciente a abandonar repressões e substituí-
las por reações maduras. Ela então visa completar o que foi esquecido, trazendo ao consciente o que 
foi recalcado ou reprimido, enfatizando o papel do analista em acessar conteúdos inacessíveis 
diretamente ao consciente. 
→ Freud compara a construção analítica ao trabalho de um arqueólogo que reconstrói ruínas a partir 
de fragmentos. O analista infere a história do sujeito a partir de fragmentos de lembranças, 
associações e comportamentos. 
Existem dois pressupostos fundamentais: 
➢ Determinismo psíquico → nada acontece por acaso 
➢ Processos mentais inconscientes são constantes e de grande significado para o funcionamento 
(saudável e não saudável) 
→ O conteúdo reprimido ou recalcado → aparece em lapsos, escolhas e comportamentos 
Do que se trata a construção e a reconstrução? 
Ação do analista que tem como proposito estabelecer uma conexão entre os elementos presentes no 
discurso e na vida mental do paciente com sua história de desenvolvimento. 
 
Conteúdo inconsciente → nomear → associar 
• Não é linear = ex: construção de uma casa 
• Percurso dinâmico 
• Toda construção está sujeita a equívocos e reparações 
O inconsciente se manifesta por nomes, associações. A construção não é linear, como a de uma casa, 
é um percurso dinâmico. Toda construção pode ter equívocos, mas isso não é necessariamente 
prejudicial. Freud afirma que o problema real é o paciente não reagir nem com “sim” nem com “não”, 
ou seja, a estagnação emocional. 
Efeitos de uma interpretação sobre o paciente: 
• As reações e associações subsequentes como elementos norteadores 
• Toda construção está sujeita a equívocos e reparações 
• O “sim” do paciente é ambíguo. Pode significar aceitação, mas também defesa ou 
hipocrisia. É necessário observar se o “sim” é seguido por confirmações indiretas, como 
novas lembranças ou mudanças no discurso. 
A complexidade do “não”: aspecto ainda desconhecido 
O “não” pode ser sinal de que o paciente ainda não acessou toda a verdade. As confirmações 
indiretas (associações, sintomas) são mais confiáveis do que respostas diretas. O valor nominal do 
“sim” e do “não” é limitado; devem ser analisados no contexto das defesas e da história do paciente. 
 
Freud em 1930 disse: “O trabalho psicanalítico nos mostrou que as frustrações da vida sexual são 
precisamente aquelas que as pessoas conhecidas como neuróticas não podem tolerar. O neurótico cria em 
seus sintomas satisfações substitutivas para si, e estas ou lhe causam sofrimento em si próprias, ou se lhe 
tornam fontes de sofrimento pela criação de dificuldades em seus relacionamentos com o meio ambiente e 
a sociedade a que pertence” 
▪ Explicação: O trabalho psicanalítico mostra que a repressão dos desejos, especialmente os 
sexuais e agressivos, gera sofrimento e sintomas neuróticos. As neuroses são uma expressão do 
conflito entre os desejos internos e as proibições impostas pela civilização. Soluções Propostas 
pela Cultura: A máxima “Amai ao teu próximo como a ti mesmo” surge como um ideal de 
convivência, mas é extremamente difícil, pois vai contra a inclinação agressiva natural. A 
civilização tenta propor vínculos baseados no investimento libidinal (energia psíquica voltada 
para o amor, o cuidado, a solidariedade), como alternativa à agressividade. Freud é Realista: 
Ele lembra que, embora tentemos criar sociedades pacíficas, a agressividade é estrutural no 
ser humano. Por isso a famosa citação: “Homo homini lupus” – o homem é o lobo do homem. 
O delírio e seus mecanismos 
Construções em análise → recordação → convicção 
▪ Integração à personalidade como algo real 
 
No processo analítico, o paciente reconstrói partes esquecidas ou reprimidas da sua história. Quando 
essas construções são integradas à personalidade, tornam-se percebidas como "reais" e geram 
convicção. 
Delírio = afastamento da realidade X realização do desejo 
▪ A realidade é invadida por uma fantasia derivada de um fragmento de memória 
Existem mecanismos que levam à deformação do conteúdo recalcado e tal como as construções em 
análise, há no delírio uma verdade sobre a história do paciente. O delírio surge como uma tentativa de 
realização de desejo, mas ao custo de um afastamento da realidade. Freud afirma que a realidade é 
invadida por uma fantasia, que tem origem em fragmentos de memória, ou seja, conteúdos recalcados 
do passado. Trata-se, então, de uma deformação do conteúdo recalcado, que volta à consciência de 
forma distorcida, mas ainda ligada à história do sujeito. 
→ Citação de Freud (1937): “ Os delírios dos pacientes parecem-me ser os equivalentes das construções 
que erguemos no discurso de um tratamento analítico – tentativas de explicação e de cura – embora seja 
verdade que essas, sob condições de uma psicose, não podem fazer mais do que substituir o fragmento de 
realidade que está sendo rejeitado no passado remoto. Será tarefa de cada investigação individual revelas 
as conexões íntimas existentes entre o material da rejeição atual e o da repressão original. Tal como nossa 
construção só é eficaz porque recupera um fragmento de experiência perdida, assim também o delírio deve 
seu poder convincente ao elemento de verdade histórica que ele insere no lugar da realidade rejeitada” 
▪ Explicação: Freud compara odelírio às construções feitas em análise: ambas tentam dar sentido 
àquilo que foi perdido ou reprimido. Mesmo que o delírio substitua a realidade rejeitada por uma 
fantasia, ainda há um fragmento de verdade histórica nesse processo. A tarefa do analista é 
identificar as conexões entre o conteúdo delirante atual e a repressão original. Isso mostra 
que o delírio não é pura loucura desconectada da realidade, mas sim uma tentativa do 
psiquismo de lidar com conteúdos reprimidos. Ambos os fenômenos (delírio e histeria) trazem 
rastros dos conteúdos recalcados, são expressões indiretas do que foi reprimido. 
 
→ Citação de Freud (1937): “Se considerarmos a humanidade como um todo e substituirmos o indivíduo 
humano isolado por ela, descobriremos que também ela desenvolveu delírios que são inacessíveis à crítica 
lógica e que contradizem a realidade. Se apesar disso, esses delírios são capazes de exercer um poder 
extraordinário sobre os homens, a investigação nos conduz à mesma explicação que no caso do indivíduo 
isolado. Eles devem seu poder ao elemento de verdade histórica que trouxeram à tona a partir da repressão 
do passado esquecido e primevo” 
▪ Explicação: Freud amplia a ideia de delírio para o plano coletivo, dizendo que a humanidade 
também cria delírios que contradizem a realidade e resistem à crítica lógica (como ideologias, 
mitos, etc.). Mesmo coletivos, esses delírios têm um poder extraordinário sobre as pessoas. 
Eles também se originam de repressões e experiências passadas esquecidas, carregando um 
elemento de verdade histórica. 
A Psicologia das massas e a análise do ego 
Ideia central: o indivíduo é inseparável do social. 
Freud em 1921 disse: “É verdade que a psicologia individual relaciona-se com o homem tomado 
individualmente e explora os caminhos pelos quais ele busca encontrar satisfação para seus impulsos 
instintuais; contudo, apenas raramente e sob certas condições excepcionais, a psicologia individual se acha 
em posição de desprezar as relações desse indivíduo com os outros. Algo mais está invariavelmente 
envolvido na vida mental do indivíduo, como um modelo, um objeto, um auxiliar, um oponente, de maneira 
que, desde o começo, a psicologia individual, nesse sentido ampliado, mas inteiramente justificável das 
palavras, é, ao mesmo tempo, também psicologia social.” 
▪ Explicação: Nesse trecho Freud quer dizer que embora psicologia individual trate o sujeito de 
forma isolada, ela sempre está relacionada ao ambiente social e que as relações com os outros 
moldam o psiquismo individual, sendo assim, a psicologia individual é, ao mesmo tempo, 
psicologia social. 
→ as relações familiares, de amizade e trabalho correspondem a fenômenos sociais = moldam o 
comportamento do indivíduo. 
O homem nos grupos 
Ideia central: alteração profunda da atividade mental quando inserido em um grupo. 
Freud em 1921 disse: “Sua submissão à emoção torna-se extraordinariamente intensificada, enquanto 
que sua capacidade intelectual é acentuadamente reduzida, com ambos os processos evidentemente, 
dirigindo-se para uma aproximação com os outros indivíduos do grupo; e esse resultado só pode ser 
alcançado pela remoção daquela inibições aos extintos que são peculiares a cada indivíduo, e pela 
resignação deste àquelas expressões de inclinações que são especialmente suas.” 
▪ Explicação: a submissão à emoção é acentuada e a capacidade intelectual é reduzida, isso 
ocorre pela remoção das inibições individuais e pela sugestão mútua entre os membros. Efeitos: 
intensificação das emoções e inibição do intelecto. 
▪ Fatores fundamentais: “Prestígio dos líderes” e “Sugestão mútua dos indivíduos” 
O amor como fator de coesão no grupo 
Freud em 1921 disse: “Primeiro, a de que um grupo é claramente mantido unido por um poder de alguma 
espécie; e a que poder poderia essa façanha ser mais bem atribuída do que a Eros, que mantém unido tudo 
o que existe no mundo? Segundo, a de que, se um indivíduo abandona sua distintividade num grupo e 
permite que seus outros membros o influenciem por sugestão, isso nos dá a impressão de que o faz por 
sentir necessidade de estar em harmonia com eles, de preferência e estar em oposição a eles, de maneira 
que, afinal das contas, talvez o faça ‘ihen zu Liebe’ (por amor a eles)” 
▪ Explicação: o amor (Eros) une os grupos. Freud afirma que a força que mantém os grupos 
unidos pode ser identificada como Eros. O indivíduo perde sua individualidade no grupo e passa 
a se identificar com os outros membros. 
▪ Grupos artificias: igreja e exército → exigem uma força externa para continuar reunidos 
▪ O líder é idealizado como a existência do grupo 
O vínculo com o líder e a limitação da liberdade 
Ideia central: o laço que une cada indivíduo ao líder (Cristo) é também a causa do laço que os une uns 
aos outros (irmãos em Cristo) 
➢ Cada indivíduo está ligado ao grupo por dois laços libidinais: um ligado ao líder e outro ligado 
aos demais membros do grupo e isso gera uma limitação da atividade mental e liberdade do 
indivíduo. 
Freud em 1921 disse: “Uma sugestão no mesmo sentido, a de que a essência de um grupo reside nos 
laços libidinais que nele existem, pode também ser encontrado no fenômeno do pânico, que se acha 
mais bem estudado nos grupos militares. Surge i pânico se um grupo desse tipo se desintegra. Suas 
características são a de que as ordens dadas pelos superiores não são mais atendidas e a de que cada 
indivíduo se preocupa apenas consigo próprio, sem qualquer consideração pelos outros. Os laços 
mútuos deixaram de existir e libera-se um medo gigantesco e insensato” 
▪ Explicação: Freud relaciona esse mecanismo a formação do pânico, onde o grupo se 
desorganiza ao perder o vínculo com o líder. 
 
Identificação como laço emocional primitivo 
Ideia central: identificação é a base dos vínculos no grupo 
→ a natureza dos laços nos grupos: identificação – forma primitiva de laço emocional 
 
Freud disse em 1921: “Já aprendemos que a identificação constitui a forma mais primitiva e original do 
laço emocional; frequentemente acontece que, sob as condições em que os sintomas são construídos, ou 
seja, onde há repressão e os mecanismos do inconsciente são dominantes, a escolha do objeto retroaja 
para a identificação: o ego assuma as características do objeto. É de notar que, essas identificações, o ego 
às vezes copia a pessoa que não é amada e, outras, a que é. Deve também causar-nos estranheza que em 
ambos os casos a identificação seja parcial e extremamente limitada, tornando emprestado apenas um 
traço isolado da pessoa que é objeto dela” 
 
→ isso ocorre com o líder e outros membros do grupo. 
 
O Mal-estar na Civilização 
Ideia central: sentimento de ligação com algo superior 
 
→ sentimento oceânico: sensação se completude e fusão com algo maior (frequentemente ligado a 
espiritualidade). Representa o desejo de superação do ego e busca conexão com o “todo”. 
Princípio do Prazer X Princípio da realidade (demandas opostas) 
Ideia central: conflito entre prazer e realidade gera sofrimento 
 
Freud em 1921 disse: “Um outro incentivo para o desengajamento do ego com relação à massa geral de 
sensações(sentimento oceânico) - isto é, para o reconhecimento de um ‘exterior’, de um mundo externo - é 
proporcionado pelas frequentes, múltiplas e inevitáveis sensações de sofrimento e desprazer, cujo 
afastamento e cuja fuga são impostos pelo princípio do prazer, no exercício de seu irrestrito domínio. Surge, 
então, uma tendência a isolar do ego tudo que pode tornar-se fonte de tal desprazer, a lançá-lo para fora e 
a criar um puro ego em busca de prazer, que sofre o confronto de um ‘exterior’ estranho e ameaçador. As 
fronteiras desse primitivo ego em busca de prazer não podem fugir a uma retificação através da 
experiência. Entretanto, algumas das coisas difíceis de serem abandonadas, por proporcionarem prazer, 
são, não ego, mas objeto, e certos sofrimentos que se procura extirparmostram se inseparáveis do ego, 
por causa de sua origem interna” 
▪ Explicação: o ego tenta fugir da dor e buscar o prazer (princípio do prazer), mas a realidade 
impõe sofrimentos inevitáveis, a dor é interna ao ego, inseparável dele. A busca por prazer, 
frequentemente, leva ao isolamento e sofrimento, revelando um mal-estar essencial da 
condição humana. 
 
O desenvolvimento nas estruturas mentais 
 
Freud em 1930 disse: “Talvez devêssemos contentar-nos em afirmar que o que se passou na vida mental 
pode ser preservado, não sendo, necessariamente, destruído. É sempre possível que, mesmo na mente, 
algo do que é antigo seja apagado ou absorvido – quer no curso normal das coisas, quer como exceção – a 
tal ponto, que não possa ser restaurado nem revivescido por meio algum, ou que a preservação em geral 
dependa de certas condições favoráveis. É possível, mas nada sabemos a esse respeito. Podemos apenas 
prender-nos ao fato de ser antes regra, e não exceção, o passado achar-se preservado na vida mental.” 
▪ Explicação: Freud discute como as experiências psíquicas nunca se perdem completamente. 
Mesmo que algo pareça esquecido ou superado, ele está apenas recalcado, adormecido, mas 
pode ser reativado sob certas circunstâncias. Isso reflete na formação da mente: as marcas do 
passado estruturam nosso funcionamento psíquico. 
▪ O desamparo e a religião: Religiare → religiar, voltar a ligar. Surge o conceito do desamparo 
humano, um estado de vulnerabilidade fundamental. A religião cumpre uma função de resposta 
a esse desamparo, funcionando como uma forma de proteção psíquica. O termo “religare” 
significa "religar, voltar a ligar", ou seja, a religião tenta religar o sujeito a uma figura protetora, 
acolhedora (como uma figura parental idealizada). 
 
 
Civilização como alvo de descontentamento e ataque → necessidade de se manter 
organizada → recursos e defesas para manter a organização 
 
Freud em 1930 disse: “A existência da inclinação para a agressão, que podemos detectar em nós mesmos 
e supor com justiça que ela está presente nos outros, constitui o fator que perturba nossos relacionamentos 
com o nosso próximo e força a civilização a um tão elevado dispêndio [de energia]. Em consequência dessa 
mútua hostilidade primária dos seres humanos, a sociedade civilizada se vê permanentemente ameaçada 
de desintegração. O interesse pelo trabalho em comum não a manteria unida; as paixões instintivas são 
mais fortes que os interesses razoáveis. A civilização tem de utilizar esforços supremos a fim de estabelecer 
limites para os instintos agressivos do homem e manter suas manifestações sob controle por formações 
psíquicas reativas” 
▪ Explicação: A civilização exige que os indivíduos reprimam seus impulsos, principalmente a 
agressividade. Isso gera um constante estado de tensão interna, pois os desejos não 
desaparecem, apenas são reprimidos. A civilização é, portanto, alvo constante de 
descontentamento e ataques (sejam simbólicos ou reais). Mecanismos de Defesa da 
Sociedade: A sociedade precisa gastar energia psíquica para manter a ordem e o controle 
sobre esses impulsos. Sem isso, a civilização ficaria ameaçada pela desintegração devido à 
agressividade humana. Há uma luta constante para equilibrar os desejos individuais e as 
exigências coletivas da vida em sociedade. 
 
Como direcionar a agressividade sem incorrer a grandes prejuízos ao grupo ou a si próprio? 
➢ Dirigindo – a para os que não pertencem ao grupo. 
 
Freud em 1930 disse: “Evidentemente, não é fácil aos homens abandonar a satisfação dessa inclinação 
para a agressão. Sem ela, eles não se sentem confortáveis. A vantagem que um grupo cultural, 
comparativamente pequeno, oferece, concedendo a esse instinto um escoadouro sob a forma de 
hostilidade contra intrusos, não é nada desprezível. É sempre possível unir um considerável número de 
pessoas no amor, enquanto sobrarem outras pessoas para receberem as manifestações de sua 
agressividade.” 
▪ Explicação: Diante da necessidade de controlar a agressividade dentro do grupo, surge uma 
solução psíquica: dirigir a agressividade para aqueles que não pertencem ao grupo. Essa 
prática preserva a coesão interna e oferece uma saída simbólica para o impulso agressivo. 
▪ O narcisismo das pequenas diferenças – forma conveniente de satisfação da agressividade = 
mesmo diferenças mínimas podem se tornar motivo de hostilidade entre grupos. Essa é uma 
forma socialmente aceita de descarregar a agressividade, mantendo o grupo interno unido 
contra um "outro" externo (estrangeiros, minorias, culturas diferentes, etc.) 
 
→ a civilização, portanto, mantém sua organização ao custo de criar inimigos externos 
 
Vida plena e livre de conflitos e tensões – busca tópica 
Freud em 1930 disse: “Se a civilização impõe sacrifícios tão grandes, não apenas à sexualidade do 
homem, mas também à sua agressividade, podemos compreender melhor porque lhe é difícil ser feliz nessa 
civilização. Na realidade, o homem primitivo se achava em situação melhor, sem conhecer restrições de 
instinto. Em contrapartida, suas perspectivas de desfrutar dessa felicidade, por qualquer período de tempo, 
eram muito tênues. O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma 
parcela de segurança.” 
▪ Explicação: Freud afirma que uma vida sem conflitos e tensões é uma busca utópica, ou seja, 
inalcançável. A civilização impõe sacrifícios intensos, tanto da vida sexual quanto da 
agressividade. O Preço da Civilização: Para viver em sociedade e obter segurança, o homem 
renuncia a parte de sua liberdade e dos prazeres. Isso gera o famoso dilema freudiano: 
"O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma 
parcela de segurança." 
 
→ a infelicidade é, em parte, um subproduto inevitável da vida civilizada.

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