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Direito Contratual Prof Tartuce 12.08.2009 Direito Contratual conceito de contrato clássico e contemporâneo Clássico: contrato é o negocio jurídico bilateral ou plurilateral, que visa a criação a modificação ou a extinção de direitos e deveres com conteúdo patrimonial conceito retirado do art 1321 CC Italiano.Na doutrina Brasileira esse conceito é seguido por exemplo por Orlando Gomes e Álvaro Villaça Azevedo. Todo contrato é negocio jurídico, mas nem todo negocio jurídico é contrato. O contrato é negocio jurídico inter vivos, não se confundindo com negócios jurídicos mortis causa (exemplo: testamento) essa diferença consta do art 426 do CC, pelo qual não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. (vedação do pacto sucessório ou pacta corvina) Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. motivo de nulidade absoluta. O contrato é negocio jurídico pelo menos bilateral, pois envolve duas pessoas ou duas vontades. Todo contrato sem exceção tem essa característica, o que não se confunde com a idéia de contrato unilateral. Por envolver pelo menos duas vontades , o contrato exige a alteridade (alter duas pessoas), sendo vedada a auto contratação, porem surge duvida em relação ao artigo 117 do CC, Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos. O art 117 trata do mandato em causa própria (com clausula in rem propriam ou in rem suam) exemplo: alguém outorga poderes para outra pessoa vender imóvel, constando autorização para que o próprio mandatário compre o imóvel,. No mandato em causa própria há uma auto contratação perfeita que quebra totalmente com a alteridade--- Não, pois o mandatário continua agindo em nome do mandante, sendo o ultimo o vendedor do imóvel, residindo nesse ponto a alteridade. Esquematizando : Mandante (outorgou poderes para o mandatario par vender imóvel) Mandatário (autorização compre A idéia clássica de contrato esta relacionada a um conteúdo patrimonial, portanto por esta construção casamento não é contrato, pois o seu conteúdo é mais que patrimonial, visando a uma comunhão plena de vida. art 1511 CC Art. 1511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. Conceito contemporâneo Conceito : o contrato é uma relação intersubjetiva(entre pessoas), baseada no solidarismo constitucional e que traz efeitos existenciais e patrimoniais não somente em relação as partes contratantes, mas também em relação a terceiros. (Paulo Nalin) O conceito de Nalin é importante pelos seguintes aspectos: 1) preocupação constitucional ( direito civil constitucional) pois o contrato está fundado no principio da solidariedade social, art 3 inc I Constituição Federal Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; Isso esta em sintonia com os institutos civis a partir dos princípios constitucionais e com o reconhecimento de que as normas constitucionais, que protegem a pessao humana tenha aplicação imediata nas relações entre particulares art 5 paragrafo 1 da CF (eficácia horizontal dos direitos fundamentais) §1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Exemplo: O STF aboliu do sistema a possibilidade de prisão civil de qq depositário havendo deposito convencional atípico, (alienação fiduciária em garantia) ou judicial (Info 531 STF dez\2008) O contrato pode gerar efeitos existenciais de personalidade relativos a dignidade da pessoa humana( art 1º inc III da Constituição Federal) art 1º inc III - a dignidade da pessoa humana; Assim o contrato não pode prejudicar tais valores inerentes a proteção da pessoa humana,esse é um dos aspectos da eficácia interna (entre as partes) da função social do contrato EM 23 CJF\STJ Exemplo: È nula a clausula de não engravidar, constante em contratação de uma executiva por uma empresa (Canotilho). Essa clausula é nula, por lesão a dignidade e a função social do contrato, havendo ilicitude do objeto ( art 1 inc III da CF, art 421 CC, art 187 CC, 166 inc II do CC Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 3) O contrato pode gerar efeitos perante terceiros, ou condutas de terceiros podem repercutir no contrato , o que se denomina eficácia externa da função social do contrato, ou tutela externa do credito (EM 21CJF\STJ). Exemplo: art 608 CC Art. 608. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber durante dois anos. aquele que aliciar (Brahma) pessoas ( Zeca Pagodinho) obrigadas por contrato escrito será condenado a prestar serviços a outrem (Nova Schin), pagará a este 2 anos a prestação de serviços. Ver sentenças no site www. flaviotartuce.adv. com.br No caso a Brahma deve responder perante a nova schin por desrespeitar a existência do contrato e a sua função social. teoria do terceiro cúmplice segundo (Antonio Junqueira de Azevedo) 2) Elementos Constitutivos do Contrato Escada Ponteana Como todo contrato é negocio juridico os elementos estruturais do primeiro, são os mesmo do 2º (parte geral do CC). Alem disso o contrato tem elementos naturais ou identificadores que o diferenciam dos demais institutos (categorias jurídicas) Exemplos preço na compra e venda e aluguel na locação, Qto ao negocio jurídico , Pontes de Miranda , fez a sua divisão em três planos , primeiro plano: plano da existência , segundo plano da validade, plano da eficácia. Essa divisão gera o esquema gráfico escada Ponteana conforme desenho a seguir : art 2035 norma do momento dos efeitos plano da eficácia plano da validade (EMBUTIDO) plano da existência O esquema é perfeitamente lógico , pois para que o contrato gere efeitos deve existir e ser valido; para que seja valido deve existir. Entretanto é possível que o contrato exista, seja invalido, e esteja gerando efeitos. Exemplo contrato anulável antes da propositura da ação anulatória e do reconhecimento da anulação por sentença. Alias se a ação anulatória não for proposta no prazo decadencial previsto em lei, o contrato será convalidado. Por meio da convalidação o negocio invalido se transforma em valido. Art 170 o negocio nulo pode ser convertido em valido. Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. A) plano da existência nesse plano estão os elementos mínimos contratuais, os seus pressupostos de existência que formam o suporte fático (mínimo do mínimo), são substantivos sem adjetivos : Partes, vontade, objeto e forma. Se o contrato não apresentar tais pressupostos será inexistente (‘um nada para o direito’). O código civil de 2002 a exemplo do anterior não adotou de forma expressa e destacada o plano da existência que esta embutido entre aspas no da validade.(art 104 CC) Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei Por isso dizia Silvio Rodrigues que a teoriada inexistência seria inútil, inconveniente e inexata , já que as questões são resolvidas no plano da validade, porem vários autores são adeptos da teoria da inexistência (Caio Mario, Antonio Junqueira de Azevedo, Villaça, Venosa, Pablo e Pamplona e Simão). b) Plano da validade Nesse plano o substantivos recebem adjetivos, surgindo os requisitos de validades nos ternos do art 104 do CC, Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I - agente capaz; II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III - forma prescrita ou não defesa em lei Partes capazes, vontade livre (sem vícios) objeto licito, determinado, determinável forma prescrita ou não defesa em lei (exemplo escritura publica) Se o contrato apresentar vicio ou problema em relação a tais requisitos será invalido, ou seja, nulo (166 167 CC) anulável (art 171) parte geral C) Plano da eficácia Nesse plano estão as conseqüências contratuais , ou seja, os seus efeitos práticos caso dos seguintes elementos: condição : evento futuro e incerto, se\enquanto suspensiva\resolutiva termo evento futuro e certo , qdo Dou-lhe uma renda qdo seu pai morrer encargo ou modo , que é um ônus mais liberalidade , para que\com o fim de 13.08.2009 4) Regras de inadimplemento (resolução) Caso dos seguintes elementos:Juros ,da clausula penal e das perdas e danos. Resilição (extinção do contrato pelo exercício de um direito potestativo). Registro Imobiliário : plano da eficácia Tradição que é a entrega da coisa em regra. Como exceção nos contratos reais a entrega da coisa esta no plano da validade. Os contratos reais são aqueles que tem aperfeiçoamento coma entrega da coisa, exemplo: comodato (empréstimo de bem infungível insubstituível), mútuo (empréstimo de bem fungível) e deposito (sessão para a guarda). Em regra o contrato real é unilateral, pois após a entrega da coisa somente haverá deveres para aquele que a recebeu, de devolver a coisa, exceção deposito oneroso. OBSERVAÇÂO: a escada ponteana e o direito intertemporal art 2035 caput do CC Art. 2035. A validade dos negócios e demais atos jurídicos, constituídos antes da entrada em vigor deste Código, obedece ao disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045, mas os seus efeitos, produzidos após a vigência deste Código, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução. Parágrafo único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos. Por esse dispositivo qto ao plano da validade deve ser aplicada a norma do momento da celebração, (da constituição do ato), (mais plano da existência). Já qto ao plano da eficácia deve ser aplicada a norma do momento da produção dos efeitos, salvo se as partes preverem outra forma de execução. Exemplos: Juros estão no plano da eficácia , tendo o inicio a mora do devedor ainda na vigência do Cc 16, são devidos juros de mora de 6% ao ano, ate 10 de janeiro de 2003. A partir de 11 de janeiro de 2003, passa a incidir a regra do art 406 do CC 02 segundo entendimento majoritário é de 12% ao ano. EN 164 CJF\STJ. amplamente aplicado na jurispurdencia STJ AG REG AG 714.587\RS Multa , clausula penal , plano da eficácia , O artigo 413do CC 02 preve a redução eqüitativa da clausula penal como um dever do magistrado, se a obrigação tiver sido cumprida em parte, ou se a multa for exagerada. Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. Esse dispositivo pode ser aplicado a um contrato celebrado na vigência do cc 16, desde que o inadimplemento ocorra na vigência do cc 02. (plano da eficácia). Art 997 Cc Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. Esse dispositivo proíbe que marido e mulher casados pelos regimes da comunhão universal e da separação obrigatória celebrem contrato de sociedade (plano da validade), Essa proibição não existia na legislação anterior. Segundo entendimento majoritário essa proibição so atinge a sociedades constituídas após a entrada em vigor do CC 2002 (EN 204 SJS\STJ parecer 125\2003 DNRC). As sociedades anteriores tem direito adquirido (art 5 inc XXXVI Constituição Federal), não se aplica o art 2031. Principais classificações dos contratos Buscar a classificação do contrato significa investigar a sua natureza jurídica, de acordo com os diversos critérios legais e doutrinários (categorização jurídica). 3.1) Quanto aos direitos e deveres das partes ou quanto ao sinalagma A) contrato unilateral Aquele que traz deveres para apenas uma das partes, tendo a outra somente direitos. Exemplos: doação em regra, comodato, mutuo e deposito. B) contrato bilateral ou sinalagmatico Aquele que traz direitos e deveres para ambas as partes e de forma proporcional. Exemplos: compra e venda, locação e prestação de serviços. Esses contratos apresentam sinalagma conforme esquema a seguir: credora de direitos devedor dever P1 P2 devedora credora dever direitos O sinalagma tem um ponto de equilíbrio, que forma a base objetiva do contrato ou negocio jurídico (autor Kaul Larenz), o rompimento do sinalagma ou a sua quebra , significa que o contrato ficou desequilibrado, o que se denomina onerosidade excessiva.(efeito gangorra) c)contrato plurilateral È aquele que traz direitos e deveres para varias partes ao mesmo tempo. exemplos: contrato de consorcio , e seguro de vida em grupo. OBSERVAÇÂO a classificação acima envolve o contrato e os deveres das partes, não se confundindo com a classificação do negocio jurídico, em unilateral, bilateral e plurilateral, relativa a presença das partes. Todo contrato é negocio jurídico pelo menos bilateral. Exemplo doação : doaçoa é negocio jurídico bilateral e contrato unilateral. 3.2 quanto ao sacrifício patrimonial das partes A) contrato gratuito ou benéfico ou benévolo , traz sacrifício patrimonial para apenas uma das partes . Exemplos > doação pura, comodato e mutuo em regra. B) contrato oneroso : aquele que envolve sacrifício patrimonial de ambas as partes.(prestação mais contraprestação). exemplo: compra e venda, locação e prestação de serviços. OBSERVAÇÂO: pela estrutura dos contratos em regra o contrato unilateral é gratuito e o bilateral é oneroso. Mas há exceções exemplo mutuo feneratício, empréstimo de dinheiro a juros, contrato unilateral e oneroso. OBSERVAÇÂO: é a regra do art 114 CC Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 3.3 Classificação quanto ao momento do aperfeiçoamento do contrato A) contrato consensual Aquele que tem aperfeiçoamento com a manifestação de vontade das partes, validade e existência. Exemplos : compra e venda 482, locação e prestação de serviços Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. B) contrato real : Tem aperfeiçoamento qto a existência e a validade com a entrega da coisa, (tradição). exemplo: comodato, mutuo e deposito OBSERVAÇÂO: em regra o contrato real é unilateral, pois após a entrega, qdo o contrato é aperfeiçoado somente aquele que recebeu terá deveres. 3.4) quanto aos riscos que envolvem a prestação A) contrato comutativo É aquele em que as partes já sabem quais são as prestações. Não sendo o risco ou alhea um fator determinante do negocio . Exemplo compra e venda em regra. B) contrato alheatório O elemento risco, alhea ou sorte, é fator determinante do contrato. exemplos compra e venda como exceção e seguro na visão majoritária dos civilistas,entretanto entre os autores de direito empresarial caso de Fabio Ulhoa Coelho, tem crescido a tese de que o contrato é comutativo, pois por cálculos matemáticos complexos, o risco pode ser determinado, havendo uma obrigação de garantia. 19.08.2009 A) contrato alheatório emptio spei Quando o risco se refere a própria existência da coisa e a sua quantidade, ou seja, a coisa pode não existir. O risco é maior pois mesmo a coisa não existindo o valor do contrato deve ser pago. B) contrato alheatório emptio rei speratae O risco somente se refere a quantidade da coisa, sendo fixado um mínimo como conteúdo do contrato. O risco nesse caso é menor pois a coisa é esperada em um mínimo. 3.5) classificação quanto a previsão legal 3.5.1) contrato típico È aquele que tem uma previsão legal mínima, visando a sua regulamentação, seja no código civil ou em lei especial. Exemplos: compra e venda, doação, locação, prestação de serviço, empreitada, comissão, agencia e distribuição, transporte, seguro, mandato, etc. 3.5.2) contrato atípico Aquele que não tem uma previsão legal mínima , sendo licita a sua estipulação desde que observados os parâmetros do código Civil. art 425 Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código. Alguns autores afirmam que a expressão contratos nominados é sinônimo de contratos típicos; enquanto que o termo contratos inominados é igual a contratos atípicos. Entretanto como aponta Álvaro Villaça as expressões não são iguais. Os termos contrato nominado e inominado, devem ser utilizados qdo nome do contrato consta ou não da lei (nomem iuris), se o nome do contrato não constar da lei é inominado. Já as expressões contrato típico e atípico estão relacionadas a uma previsão legal mínima, portanto é possível que o contrato seja nominado e atípico. Exemplo contrato de garagem ou estacionamento. O nome do contrato consta do art 1 da lei 8245\91(inquilinato), entretanto não há qq outra previsão legal só fala o nome do contrato, esse contrato é nominado mas atípico. Álvaro Villaça concebeu a teoria geral dos contratos atípicos, que podem ser assim classificados: Contratos atípicos podem ser de duas ordem principais: Contratos atípicos singulares: formas totalmente novas. Exemplo : uma nova garantia contratual (licita). Contratos atípicos mistos: soma de elementos de outros contratos, elementos de um contrato típico mais típico; aluguel de garagem ou estacionamento. (garagem mais locação) contrato típico mais atípico:compra e venda pela internet (compra e venda mais digital). contrato atípico com elementos de outro contrato atípico: nova garantia contratual pela internet . 3.6) Classificação quanto as formalidades Alguns autores afirmam que forma e solenidade são expressões sinônimas (qualquer formalidade) MHD, porem outros autores apontam que há diferenças (Venosa), para esse autor forma é gênero, solenidade é espécie. Forma é qualquer formalidade, exemplo forma escrita; solenidade é ato publico exemplo escritura publica. Em regra os são informais e não solenes, art 107 CC principio da liberdade das formas, porem podem as partes convencionar que o ato é formal ou solene.(109 CC). compra e venda de Imóvel cujo valor seja maior do salário mínimo, precisa apenas de Instrumento particular pra registrar. 108 CC Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Enunciado CJF nº 289 - O valor de 30 salários mínimos constante no art. 108 do Código Civil brasileiro, em referência à forma pública ou particular dos negócios jurídicos que envolvam bens imóveis, é o atribuído pelas partes contratantes e não qualquer outro valor arbitrado pela Administração Pública com finalidade tributária. Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato. O art 108 do Cc exige escritura publica, somente para a transmissão de imóvel com valor superior a 30 salários mínimos. Portanto o contrato pode assumir as seguintes modalidades: A) contrato formal: exige qq formalidade, seja forma escrita ou escritura publica, Exemplo fiança que exige forma escrita art 819 CC Art. 819. A fiança dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva. B) contrato informal: não exige qq formalidade ou solenidade . exemplo: prestação de serviço. C) contrato solene: é aquele que exige escritura publica . exemplo: compra e venda de imóvel com valor superior a 30 salários mínimos. Se é solene é formal tb D) contrato não solene: contrato que não exige escritura publica, que ate pode ser forma, por exigir forma escrita. Exemplo fiança, compra e venda de imóvel com valor igual ou inferior a 30 salários mínimos. 3.7) Classificação quanto a negociação do conteúdo do contrato pelas partes A) contrato paritário: aquele cujo o conteúdo é plenamente negociado e estipulado pelas partes. Esse contrato é exceção no meio social, diante do fenômeno da massificação contratual. B) contrato de adesão aquele em que o estipulante impõe o conteúdo do negocio, parcial ou totalmente restando a outra parte o aderente, duas opções: aceitar ou não. Constitui regra no meio social, pois vivemos o império dos contratos modelo, ou standart (modernizados) doutrinador Enzo Roppo. O contrato de adesão mencionado nos artigos 423 e 424 do CC, não se confunde com contrato de consumo. Na pratica muitas vezes o contrato de adesão é de consumo, e vice versa, mas não necessariamente. Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. Anotação: Enunciado Aprovado na III Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF Enunciado nº 167: - Com o advento do Código Civil de 2002, houve forte aproximação principiológica entre esse Código e o Código de Defesa do Consumidor, no que respeita à regulação contratual, uma vez que ambos são incorporadores de uma nova teoria geral dos contratos. Anotação: Enunciado Aprovado na III Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF Enunciado nº 171: - O contrato de adesão, mencionado nos arts. 423 e 424 do novo Código Civil, não se confunde com o contrato de consumo. Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. Anotação: Enunciado Aprovado na III Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF Enunciado nº 167: - Com o advento do Código Civil de 2002, houve forte aproximação principiológica entre esse Código e o Código de Defesa do Consumidor, no que respeita à regulação contratual, uma vez que ambos são incorporadores de uma nova teoria geral dos contratos. Anotação: Enunciado Aprovado na III Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF Enunciado nº 172: - As cláusulas abusivas não ocorrem exclusivamente nas relações jurídicas de consumo. Dessa forma, é possível a identificação de cláusulas abusivas em contratos civis comuns, como, por exemplo, aquela estampada no art. 424 do Código Civil de 2002. Anotação: Enunciado Aprovado na IV Jornada de Direito Civil Enunciado CJF nº 364: No contrato de fiança é nula a cláusula de renúncia antecipada ao benefício de ordem quando inserida em contrato de adesão Contrato de consumo: (art 2 e 3 do CDC), contrato pelo qual um profissional que desenvolve atividade , fornece produto ou presta serviço a um destinatário final fático e econômico, denominado consumidor, mediante remuneração direta ou vantagens indiretas. (teoria finalista) Destinatário final fático significa que o consumidor é o ultimo da cadeia de consumo, destinatário finaleconômico quer dizer que o consumidor não utiliza o produto ou serviço para lucro ou repasse. Essa é a essência da teoria finalista adotada pelo CDC. O STJ também adora a Teoria maximalista, que mitiga a teoria finalista em casos de patente vulnerabilidade (taxista ou caminhoneiro): exemplo : RESP 231.208\PE, o taxista que adquire veiculo para sua atividade é consumidor (pq ele é fraco), RESP 716.877\SP, o caminhoneiro que adquire o caminha para sua atividade produtiva é consumidor. Então é perfeitamente possível que o contrato seja de adesão sem ser de consumo. Exemplo; franquia ou franchising. A grande novidade do código de 2002 é que ele protege o aderente nos art 423 e 424 Art 423: se no contrato de adesão estiverem presentes clausulas ambíguas ou contraditórias, será adotada a interpretação pro aderente. Esse dispositivo segue o exemplo do art 47 do CDC, que prevê a interpretação pro consumidor. (Claudia Lima Marques - direito consumidor) Art 424 : nos contratos de adesão serão nulas de pleno direito, as clausulas que implicam na renuncia antecipada do aderente a um direito resultante da natureza do negocio. (clausula geral). O dispositivo segue o exemplo art 51 cdc que prevê um rol exemplificativos clausulas abusivas (que são nulas). Exemplos 1) nos contratos de guarda em que a segurança é essencial, é nula a clausula de não indenizar, sendo o contrato de adesão. è o caso do contrato de estacionamento. Sumula 130 STJ SÚMULA STJ Nº 130 - A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento. (DJ 04.04.1995 p. 8294) art 1219 CC renuncia de benfeitorias locatário 2) fiador em regra não é devedor solidário pq, pois tem a seu favor o benéfico de ordem art 827 CC, porem ele pode renunciar ao beneficio de ordem art 828. Se essa renuncia ao benéfico de ordem constar em contrato de adesão será nula. Art. 827. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor. Parágrafo único. O fiador que alegar o benefício de ordem, a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito. Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente; II - se se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário; III - se o devedor for insolvente, ou falido OBSERVAÇÂO: Orlando Gomes na década de 70 diferenciava o contrato de adesão do contrato por adesão, afirmando que no contrato de adesão haveria um monopólio, e não contrato por adesão não. A diferenciação não pode ser mais utilizada pois os monopólios são raros, o que tornaria sem efeito a aplicação do Código Civil, que utiliza o termo contrato de adesão. Atualmente as expressões são tidas como sinônimas. (viola a função social do contrato). 3.8)Classificação quanto a independência Conceito de contratos coligados A) contrato principal: aquele que não depende de qq outro quanto: a existência, validade ou eficácia . Exemplo de locação em regra: B) contrato acessório : é aquele que depende de um outro em relação a existência , a validade ou a eficácia, exemplo contrato de fiança. OBSERVAÇÃO pelo principio da gravitação jurídica (o acessório segue o principal), tudo que acontece no contrato principal repercute no acessório, caso da nulidade, da anulabilidade e da prescrição. art 184 CC , porém a recíproca não é verdadeira. Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. 20.08.2009 OBSERVAÇÂO :Conceito de contratos coligados São contratos que mantém certa independência no plano da existência, mas que estão interligados por uma razão fática ou jurídica na validade ou na eficácia (contratos conexos, grupos de contratos, ou redes contratuais). Exemplos: incorporação imobiliária, contrato de plano de saúde e contratos eletrônicos. Na coligação contratual muitas vezes é possível identificar o contrato principal (contrato líder) e os contratos acessórios. Exemplo: julgado de STJ Conflito de Competência 34504 SP , Contrato de trabalho de julgador de futebol com clube conectado com uso de imagem. O contrato principal e o de trabalho e portanto a competência pra apreciar a conexão será da justiça do Trabalho 2) contrato de fornecimento de combustíveis coligado com comodato de equipamentos, celebrado entre distribuidora de combustíveis e posto revendedor. O contrato principal é o de fornecimento de combustíveis. 3.9 Classificação quanto ao momento de cumprimento de contrato A) contrato instantâneo Aquele de execução imediata Exemplo: compra e venda a vista. b) contrato de execução diferida O cumprimento ocorre de uma vez só no futuro. Exemplo: pagamento com cheque pré datado ou pós datado. c)contrato de execução continuada O cumprimento ocorre de forma periódica no tempo (contrato de trato sucessivo). Exemplo: contratos de financiamento em geral. 3.10) classificação quanto a pessoalidade A) contrato pessoal personalíssimo ou intuito personae Aquele em que a pessoa do contratante é essencial ao negocio, sendo a obrigação insubstituível. Geralmente o contrato pessoal é baseado na fidúcia (confiança), exemplo fiança e deposito. Os contratos personalíssimos são extintos pela morte do contratante o que se denomina cessação contratual (Orlando Gomes). B) chamado contrato impessoal Aquele em que a figura do contratante não é essencial ao negocio , exemplo compra e venda. 3.11 Classificação quanto a definitividade A) Contrato definitivo Aquele que não depende de qq outro quanto ao tempo no futuro, exemplo : compra e venda em regra. B) contrato preliminar Aquele que depende de um outro que ainda será celebrado no futuro, tido como definitivo. art 462 a 466 CC (contrato preliminar de compra e venda de bem móvel ou imóvel) Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. § 1º Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, marcar ou assinalar coisas, que comumente se recebem, contando, pesando, medindo ou assinalando, e que já tiverem sido postas à disposição do comprador, correrão por conta deste. § 2º Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas, se estiver em mora de as receber, quando postas à sua disposição no tempo, lugar e pelo modo ajustados. Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. A transferência da coisa móvel, se dá pela simples entrega da mesma, desde que feita pelo proprietário da coisa. Art. 494. Se a coisa for expedida para lugar diverso, por ordem do comprador, por sua conta correrão os riscos, uma vez entregue a quem haja de transportá-la, salvo se das instruções dele se afastar o vendedor. Via de regra a coisa vendida deve ser entregue no lugar e ao tempo onde se encontrava, podendo as partes convencionarem de forma diversa. Ocorrendo a última hipótese, o comprador assume a responsabilidade pelo transporte da coisa. Art. 495. Não obstante o prazo ajustado para o pagamento, se antes da tradição o comprador cair em insolvência, poderá o vendedor sobrestar na entrega da coisa, até que o comprador lhe dê caução de pagar no tempo ajustado. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Anotação: Enunciado Aprovado na III Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF Enunciado nº 177: - Por erro de tramitação, que retirou a segunda hipótese de anulação de venda entre parentes (venda de descendente para ascendente), deve ser desconsiderada a expressão"em ambos os casos", no parágrafo único do art. 496. Enunciado CJF nº 368: O prazo para anular venda de ascendente para descendente é decadencial de dois anos (art. 179 do Código Civil). Enunciado CJF nº 368: O prazo para anular venda de ascendente para descendente é decadencial de dois anos (art. 179 do Código Civil). Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. 4) Princípios contratuais do Código de 2002. O Enunciado 167 CJF dispõe que: Com o advento do cc 2002, houve forte aproximação principiológica entre esse código e o CDC, eis que ambos são incorporadores de uma nova teoria geral dos contratos. Essa aproximação principiológica se deu pelos princípios sociais contratuais: Autonomia privada; boa fé objetiva ; função social do contrato. O enunciado também traz com conteúdo a teoria do dialogo das fontes, de EriK Jayme, foi trazido ao Brasil por Claudia Lima Marques, por essa teoria deve-se buscar um sentido de complementabilidade entre o CC e o CDC que não se excluem, mas dialogam. Assim esta superada a idéia de que o CDC é o micro sistema fechado e auto suficiente. Assim não se pode mais afirmar que havendo contrato civil será aplicado somente o CC e não o CDC. E que havendo contrato de consumo será aplicado apenas o CDC e não o CC. Muitas vezes a aplicação do código civil será melhor ao consumidor do que a própria aplicação do CDC (dialogo de coerência). Exemplo: acidente da GOL, pelas provas apresentadas ate o momento há culpa exclusiva de terceiro (pilotos do Legacy), pelo CDC a GOL não responderia pois a culpa exclusiva de terceiro exclui a sua responsabilidade (art 14 paragrafo 3 CDC ), pelo código civil a Gol responde, pois culpa exclusiva de terceiro não é excludente de responsabilidade no transporte de pessoas. (dialogo das fontes permite a pesca de artigos mais benéficos_ Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. Art. 735. A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. Mais o principal dialogo é o de complementabilidade no sentido de que uma norma completa a outra, e ate ambas podem ser aplicadas ao mesmo tempo. Exemplo: 1) compra e venda de consumo , as regras básicas estão previstas no código civil (art 481 a 532), devendo ser aplicadas a luz da principiologia do CDC. 2) Se o contrato for de consumo e de adesão ao mesmo tempo o que é comum, é possível aplicar a proteção contratual do consumidor (CDC) e a proteção contratual do aderente (423e 424 CC). È o que ocorre por exemplo: no transporte e no seguro. São princípios contratuais do CC 2002: 1) principio da autonomia privada Esse principio substituiu a antiga autonomia da vontade, pelas seguintes razoes : ”autonomia não é da vontade, mas da pessoa” (Diez Picazo e Gullon). tendência de personalização do direito civil, e de uma despatrimonialização (importância da pessoa humana) 2) chamado dirigismo contratual Muitas vezes o conteúdo do contrato é imposto pela lei ou pelo Estado, o que mitiga a vontade. Exemplo: CLT, CDC, CC, 424 clausulas abusivas. 3) prevalece no mercado os contratos de adesão ou standart (Enzo Roppo) havendo uma verdadeira crise da vontade, por sua constante mitigação. Autonomia privada é o direito que a pessoa tem de regulamentar os próprios interesses e que decorre dos princípios constitucionais da liberdade e da dignidade humana. (Francisco Amaral e Daniel Sarmento). Pela proteção constitucional da liberdade as normas que restringem a autonomia privada não admitem analogia ou interpretação extensiva! Um pai quer hipotecar um imóvel a favor de um filho. Para tanto haverá necessidade de autorização dos demais filhos--- Não, pois o art 486 cc que trata de venda de ascendente para descendente não se aplica por analogia a hipoteca. Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. O art 496 do CC é norma restritiva da autonomia privada (doutrina Nesse sentido Venosa. MHD, Carlos R Gonçalves) 27.08.2009 4.2 Principio da função social do contrato Principio contratual de ordem publica, (art 2035 p.u.CC), pelo qual o contrato deve ser necessariamente interpretado e visualizado de acordo com o contexto da sociedade. Art. 2035. A validade dos negócios e demais atos jurídicos, constituídos antes da entrada em vigor deste Código, obedece ao disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045, mas os seus efeitos, produzidos após a vigência deste Código, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução. Parágrafo único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos. O principal intuito ou finalidade da função social do contato, é a mitigação da sua força obrigatório do contrato (pacta sun servanda). A função social do contrato tem o sentido de libertação contratual. Segundo Orlando Gomes função social quer dizer finalidade coletiva. Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. Segundo apontam Antonio Junqueira de Azevedo e Álvaro Villaça Azevedo, o dispositivo tem dois erros técnicos, que possivelmente serão corrigidos pelo PL 276\2007. Dois erros do art 421 CC : 1) o dispositivo fala em liberdade de contratar que é a liberdade para celebrar contrato com qq um que seja, e que em regra é ilimitada, o certo seria falar em liberdade contratual, aquela relacionada ao conteúdo essa sim limitada pela função social. 2) função social não é razão do contrato, mas limite, a razão do contrato é autonomia privada. Segundo entendimento majoritário da doutrina a função social do contrato tem tanto eficácia interna, (entre as partes contratantes) qto eficácia externa (para alem das partes contratantes). A) eficácia interna da função social do contrato: foi reconhecida 360 CJF\STJ Enunciado CJF nº 360: O princípio da função social dos contratos também pode ter eficácia interna entre as partes contratantes. A1) proteção do vulnerável contratual: a CLT protege o trabalhador , o CDc protege o consumidor, e o CC protege o aderente. art 423 e 424CC. Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente. Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. A2) A vedação da onerosidade excessiva ou desequilíbrio contratual, o que pode gerar anulação a revisão ou a resolução do contrato. arts 156, 157, 317, 413, 478. A3) Nulidade de clausulas abusivas tidas como antissociais: arts 421, 187, 166 inc II CC. Sumula 302 STJ. SÚMULA STJ Nº 302 - É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado. A4) proteção dos direitos da personalidade no contrato: EN 23 CJF – proteção da dignidade humana, caso francês arremesso de anão. Enunciado nº 23: - a função social do contrato prevista no art. 421 do novo Código Civil não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio, quando presentes interesses meta-individuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana. A5) Tendência de conservação contratual: sendo a extinçao docontrato a ultima medida EM 22 CJF. Enunciado 22 CJF/STJ - Art.421 a função social do contrato prevista no art. 421 do novo Código Civil constitui cláusula geral, que reforça o princípio de conservação do contrato, assegurando trocas úteis e justas. Eficácia externa da função social do contrato. Enunciado 24, do CJF/STJ. Enunciado 24 CJF/STJ - Art. 422: em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa. São seus aspectos: a) tutela externa do crédito: o que mitiga a relatividade dos efeitos contratuais. Por exemplo, o STJ tem admitido que a vítima de um acidente de trânsito ingresse diretamente com a demanda contra a seguradora do culpado, mesmo não havendo uma relação contratual de fato (STJ Resp. 444.716/BA). b) proteção dos direitos difusos e coletivos: o contrato não os pode prejudicar (Enunciado 23, do CJF/STJ). Por exemplo, função sócio-ambiental do contrato. Enunciado 23 CJF/STJ - Art. 421: a função social do contrato, prevista no art. 421 do novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio quando presentes interesses metaindividuais ou interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana. 4.2.2.3. Artigo 2035, do Código Civil. Na verdade o dispositivo mais importante para a função social do contrato é o artigo 2035, parágrafo único, do Código Civil, por três razões: a) função social dos contratos é preceito de ordem pública, cabendo intervenção do Ministério Público e declaração de ofício. b) o dispositivo compara a função social dos contratos e a função social da propriedade, como fazia Miguel Reale, dando fundamento constitucional à primeira (artigo 5º, XXII e XXIII, da Constituição Federal). Art. 5º CF: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; Além disso, como afirma Gustavo Tepedino, a função social do contrato está fundada na proteção da dignidade humana (artigo 1º, III, da Constituição Federal) e na solidariedade social (artigo 3º, I, da Constituição Federal). Art. 1º CF: A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (...) III - a dignidade da pessoa humana; Art. 3º CF: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; c) o dispositivo possibilita que a função social do contrato seja aplicada a um contrato celebrado na vigência do Código Civil de 1916 (retroatividade motivada). Acaba por violar o direito adquirido, mas baseado no seu fundamento constitucional. É antiga a lição de que normas de ordem pública podem retroagir para proteção da pessoa (Serpa Lopes). Por exemplo, Lei Áurea. 4.2.3. Principio da força obrigatória do contrato (pacta sunt servanda). Pelo mínimo de certeza e de segurança que se espera do direito, continua em vigor o principio pelo qual o contrato faz lei entre as partes. Porém esse principio está sendo mitigado ou relativizado pela função social e pela boa-fé objetiva, tendendo a desaparecer. 4.2.4. Principio da boa-fé objetiva. Trata-se da evolução do conceito de boa-fé, que saiu do plano intencional ou psicológico (boa-fé subjetiva) para o plano da conduta de lealdade das partes (boa-fé objetiva) A boa-fé objetiva está relacionada aos deveres anexos ou laterais de conduta (Karl Larenz), que são deveres inerentes a qualquer contrato sem a necessidade de previsão no instrumento.(deveres implícitos). São eles: a) dever de cuidado. b) dever de respeito. c) dever de informar. d) dever de colaboração ou cooperação. e) dever de transparência. f) dever de lealdade ou probidade. g) dever de confiança. h) dever de agir com razoabilidade ou boa razão. A quebra dos deveres anexos gera uma nova modalidade de inadimplemento denominada violação positiva do contrato, em que a responsabilidade é objetiva (Staub, na Alemanha, e Enunciado 24, do CJF/STJ). Enunciado 24 CJF/STJ - Art. 422: em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa. 03.09.2009 Três funções da boa fé objetiva no CC 2002 1) função de interpretação art 113 CC Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa fé e os usos do lugar da celebração. Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração Para Miguel Reali esse seria o art chave de 2002, pela menção a eticidade e a socialidade. 2) é a chamada função de controle, art 187 aquele que viola a boa fé objetiva, no exercício de um direito, inclusive de natureza contratual, comete abuso de direito, nova modalidade de ilícito. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 3) função da integração: art 422 CC, A boa fé objetiva deve integrar todas as fases contratuais: fase precontratual, fase contratual, fase pos contratual (enunciados 25 e 170 CJS\STJ) Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. Anotação: Enunciado Aprovado na Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF (11 a 15.09.2002) Enunciado nº 25: - o Art. 422 do Código Civil não inviabiliza a aplicação, pelo julgador, do princípio da boa-fé nas fases pré e pós-contratual. Anotação: Enunciado Aprovado na III Jornada de Direito Civil do - CEJ da CJF Enunciado nº 170: - A boa-fé objetiva deve ser observada pelas partes na fase de negociações preliminares e após a execução do contrato, quando tal exigência decorrer da natureza do contrato. Exemplo boa fé objetiva na fase pré contratual , caso dos tomates, TjRs, 1991 e 1992, a empresa Cica, distribuía sementes de tomate aos agricultores dando a entender que iria adquirir a produção, e sem contrato escrito e assim fazia de forma sucessiva e continuada, adquirindo os tomates, ate que certa feita a Cica distribuiu as sementes, os agricultores plantaram mas a Cica não adquiriu a produção , os agricultores ingressaram em juízo e foram indenizados pela quebra da confiança. Exemplo 2: boa fé objetiva na fase contratual: Sumula 308 STJ, a hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro não tem eficácia perante terceiros adquirentes de boa fé. SÚMULA STJ nº 308 - A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior ou posterior à celebração da promessa de compra e venda, não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel. (DJ 25.04.2005) Pelo teor da sumula a boa fé objetiva caracterizada pela pontualidade contratual vence a hipoteca , que passa a ter efeitos restritos entre o banco e a construtora. Isso pq a boa fé objetiva é preceito de ordem publica Enunciado 363. A sumula também traz como conteúdo a função social do contrato, pois entre proteger a boa fé do banco, e a boa fé dos consumidores, preferiu-se a ultima. Exemplo 3 boa fé objetiva na fase pos contratual, segundo jurisprudência o credor que não retira o nome do devedor de cadastro de inadimplentes a pos acordo ou pagamento da divida, viola a boa fé na fase pos contratual, surgindo sua responsabilidade civil, pacto finito. Conforme enunciado 26 CJF\STJ a boa fé objetiva deve ser utilizado pelo juiz, para suprir e corrigir o contrato,para tanto podem ser utilizados os conceitos parcelares,vindo do direito comparado.(Menezes Cordeiro) supressio é perda de um direito ou de uma posição jurídica pelo seu não exercício no tempo. surrectio é surgimento de um direito diante de praticas , usos e costumes, (o outro lado da moeda). Exemplo art 330 CC traz uma supressio contra a credor, e uma surrectio em relação ao devedor, qto ao local de pagamento se esse for realizado reiteradamente em local diverso daquele previsto no contrato. Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. Exemplo TJ MG, aplicou supressio e surrectio qto aos valores locatícios diante de pagamentos reiterados a menor. tu quoque é ate tu---, é o grito de dor do imperado Julio César ao seu filho adotivo Brutos, que havia participado do atentado. È a regra de ouro cristã, não faço contra o outro, o que vc não faria contra si mesmo. exceptio doli é a defesa contra o dolo alheio, exemplo: exceção de contrato não cumprido, (art 476 CC), Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Contrato bilateral , uma parte não pode exigir com a sua obrigação sem cumprir com a outra. venire contra factum proprium nom potest enunciado 362 CJF È a vedação do comportamento contraditório, ir contra um fato próprio não é permitido pela boa fé, (teoria dos atos próprios) exemplo STJ RESP 95539\SP 1996, na vigência do CC 16 um marido celebrou venda de um imóvel, sem outorga da esposa, o que era motivo de nulidade cc 16, a esposa como testemunha em uma ação, disse que concordava tacitamente com a venda, porem tempos após, ingressou ela com ação de nulidade. e diante da contradição a ação foi julgada improcedente. ver artigo a boa fé objetiva e os amendoins. OBSERVAÇÃO : duty to mitigate the loss, dever de mitigar o proprio prejuizo, que se impoe ao credor diante da boa fe objetiva.EN 69 CJF. Um banco não ingressa imediatamente com ação de cobrança em caso de inadimplemento, para que a divida cresça como bola de neve diante dos juros contratuais. Aplicando-se o conceito a divida deve ser reduzida. 768 CC agravar intencionalmente o risco. 4.5 Principio da relatividade dos efeitos contratuais. O contrato como típico instituto de direito pessoal gera efeitos interpartes, em regra, o que é consagração da máxima res inter alios , coisa intre as partes. Porem esse principio comporta as seguintes Exceção eficácia externa da função social a) estipulação em favor de terceiro, art 436 a 438 CC. As partes contratantes resolvem beneficiar um terceiro que não é parte, mas que pode exigir o cumprimento do contrato. exemplo seguro de vida. efeitos exageros. promessa de fato de terceiro art 439 a 440 Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando este o não executar. Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair sobre os seus bens. Art. 440. Nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem, se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação. 09.09.2009 Um contratante promete ao outro uma conduta alheia, que se não praticada gera os seu inadimplemento contratual. Exemplo: um promotor de eventos promete a um sindicato um show de um cantor famoso, que não comparece (efeito Tim Maia), os efeitos são de fora do contrato para dentro do contrato (efeitos endógenos). De acordo com o artigo 440, se o próprio terceiro comprometer-se pessoalmente, aquele que fez a promessa estará exonerado de responsabilidade. c) Tutela externa do credito ou eficácia externa da função social do contrato Enuncinado 21, exemplo art 608 CC. Art. 608. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber durante dois anos. 5) formação do contrato no CC 2002 A doutrina aponta 4 fases da formação do contrato, vejamos: 5.1) Fase de negociações preliminares, ou fase de puntuaçao. Essa fase não tem tratamento especifico no CC 2002, não tendo eficácia vinculativa. Nessa fase ocorre os debates prévios, ou tratativas iniciais relativas ao contrato futuro. Dois exemplos: celebração de uma carta de intenções ou trota de missivas (ante contratos) contratuais entre as partes. Não obstante a ausência de força vinculativa, pode surgir uma responsabilidade pré-contratual nessa fase, por quebra da boa fé objetiva.arts 187, 422 CC e enunciados 25 e170 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. Enunciado nº 25: - o Art. 422 do Código Civil não inviabiliza a aplicação, pelo julgador, do princípio da boa-fé nas fases pré e pós-contratual. Enunciado nº 170: - A boa-fé objetiva deve ser observada pelas partes na fase de negociações preliminares e após a execução do contrato, quando tal exigência decorrer da natureza do contrato. Essa responsabilidade é objetiva, pela quebra da boa fé. enunciados 37 24 Enunciado nº 24: - em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa. Enunciado nº 37: - a responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa, e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico. Prevalece a tese de que a quebra das tratativas gera uma responsabilidade extracontratual, (MHD, Caio Mario, Antonio Junqueira de Azevedo e Cristiano Zanetti). Exemplo: caso dos tomates. TJ\RS um gaúcho viu no jornal um carro semi novo, um carro anunciado no RJ como ‘uma jóia’ foi então convencido pelo vendedor da concessionária a se deslocar para o RJ para adquirir o veiculo com toda a sua família, chegando na concessionária constatou que o veiculo estava batido, e voltou para o Rs não adquirindo o veiculo, o gaúcho ingressou em juízo e foi indenizado pelas despesas de locomoção e estadia no RJ, e por danos morais pelo engano. 5.2) Fase de proposta ou policitação art 427 a 435 CC Trata-se de proposta formalizada que em regra vincula pela obrigatoriedade aquele que a formulou. art 427 Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso. São partes da proposta: a) proponente solicitante ou policitante: è aquele que faz a proposta estando a ela vinculado. b) oblato , solicitado ou policitado:é aquele que recebe a proposta e concordando com ela torna-se aceitante , formando-se o contrato pelo encontro da vontades OBSERVAÇÃO pelo código de 2002, o oblato pode ser determinável, pq pois o art 429 do CC, admite a oferta ao publico, que equivale a proposta se tiver os requisitos essenciais ao contrato, se não tiver, não é fase de oferta, anuncio de jornal não é fase de oferta. Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos. Parágrafo único. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. Exemplo oferta pela internet, condições gerais, tempo de uso etc. Essa oferta ao publico pode ser revogada pela mesma publicidade anterior, no mínimo, p.u art 429. Se o oblato altera substancialmente a proposta haverá nova proposta, ou contra proposta e os papeis se invertem. art 431 CC. Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações,importará nova proposta. O artigo 428 do CC prevê as hipóteses em que deixa de ser obrigatória a proposta; Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta: I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante; (Quem cala não consente). 1ª parte O nome dessa figura é contrato com declaração consecutiva. 2ª parte: o contrato eletrônico pode ser entre presentes, qdo por exemplo: se contrata por telefonia digital (skype). II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente; Essa figura é chamada de contrato com declarações intervaladas. Esse tempo suficiente é denominado prazo moral, devendo ser analisado caso a caso. III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado; Se não der a resposta dentro do prazo, a proposta deixa de ser obrigatória. IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. Portanto qto a formação do contrato, são possíveis duas modalidades, levando-se em conta a proposta a) contrato entre presentes interpraesentes, qdo um há um curto espaço de tempo no jogo (pergunta\resposta, geralemente pq as partes estão no mesmo lugar, e ou no mesmo ambiente, quer contratar comigo-- b) contrato entre ausente ou inter absents não há o curto espaço de tempo no jogo, pergunta \ resposta , exemplo; contrato epistolar (carta). A respeito desse contrato o CC 2002, adota duas teorias , a 1ª a regra e a 2ª a excessao: 1) teoria da agnição na subteoria da expedição art 434 caput , o contrato entre ausentes esta formado qdo a aceitação é expedida pelo oblato Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto: I - no caso do artigo antecedente; II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta; III - se ela não chegar no prazo convencionado. Exceção teoria da agnição na sub teoria da expedição Incisos I II III CC, o contrato entre ausentes esta formado qdo o proponente recebe a resposta. Exemplo as partes convencionaram essa teoria, há um prazo para a recepção ou havendo retratação do aceitante. Conforme enunciado 173 , essa é a conclusão de toda a doutrina. Contrato por email, Enunciado nº 173: - A formação dos contratos realizados entre pessoas ausentes, por meio eletrônico, completa-se com a recepção da aceitação pelo proponente. Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos. Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa. Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante. Por fim prevê o art 435 do Cc que o local do contrato é o local da proposta, contratos nacionais. Exceção; para os contratos internacionais, o local do contrato, é o lugar em que residir o proponente (que não necessariamente é o lugar da proposta art 9 paragrafo 2 da LICC. Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto 5.3) Fase de contrato preliminar arts 462 a 466 CC Também denominada fase de pré-contrato, não sendo obrigatória e tendo também força vinculativa. Os efeitos jurídicos são ampliados podendo gerar perdas e danos, e outras conseqüências, caso daquelas relacionadas com as arras ou sinal. 417 a 420 Prevê o art 462 CC que: Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Segundo MHD, duas são as modalidades básicas de contrato preliminar ou de compromisso de contrato: a) compromisso unilateral de contrato ou contrato de opção, As duas partes participam do compromisso, mas apenas uma delas assume o dever de celebrar o contrato definitivo, tendo a outra uma opção de celebração. Essa figura estava presente no passado no Leasing ou arrendamento mercantil, em que havia uma locação com opção de compra ao final do contrato, mediante o pagamento do VRG. Para o STJ esse valor deveria ser pago ao final da locação, não podendo ser diluído nas parcelas da locação, o que desfiguraria o contrato de leasing Sumula 263 STJ. Porem o STJ não so cancelou a sumula 263, como editou a sumula 293, prevendo o oposto, ou seja, que a antecipação do VRG, não desfigura o contrato de leasing, não havendo mais contrato de opção SÚMULA STJ Nº 293 - A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. (DJ 13.05.2004) O compromisso unilateral de contrato esta tratado no art 466 do CC, sendo exemplo típico a promessa de doação. Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor. b)compromisso bi lateral de contrato As duas partes participam do compromisso assumindo o dever de celebrar o contrato definitivo. Exemplo: compromisso de compra e venda, que pode ser de bem móvel ou imóvel. Nos casos de imóveis surgem duas figuras distintas, pois o contrato preliminar ou compromisso pode ou não ser registrado na matricula do imóvel (Cartório de Registro Imobiliário ), Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive. Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente. Quanto ao parágrafo único onde está escrito deverá ser levado ao registro, deve ser lido, poderá ser levado ao registro, pois o registro imobiliário é apenas um fator de eficácia perante terceiros. Enunciado nº 30: a disposição do parágrafo único do art. 463 do novo Código Civil deve ser interpretada como fator de eficácia perante terceiros. 17.09.2009 Portanto, surge as seguintes figuras nos casos de compromisso de compra e venda de imóvel: b1) compromisso de compra e venda de imóvel não registrado na matricula, Nesse caso, haverá um contrato preliminar com efeitos pessoais inter partes, e que geram a obrigação de fazer o contrato definitivo. Não constando do contrato preliminar clausula de arrependimento, se o promitente vendedor não celebrar o contrato definitivo, o compromissário comprador terá as seguintes opções: art 463 ingressar com ação de obrigação de fazer contra a outra parte, para a celebração do contrato definitivo, fixando o juiz um prazo para tanto. Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive. Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente. 2) Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação. Aqui o efeito é similar a adjudicação compulsória, mas entre as partes. Por isso continua tendo aplicação a sumula 239 STJ SÚMULA STJ Nº 239 - O direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis. Enunciado 95 CJF., so para dizer que a sumula tem aplicação. 3) Art. 465. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a outra parte considerá-lo desfeito, e pedir perdas e danos. B2) compromissode compra e venda de imóvel, registrado na matricula Nesse caso haverá um direito real de aquisição, a favor do compromissário comprador, (art 1225 inc VII), com efeitos reais erga omens, e que gera uma obrigação de dar a coisa. Art. 1.225. São direitos reais: I - a propriedade; II - a superfície; III - as servidões; IV - o usufruto; V - o uso; VI - a habitação; VII - o direito do promitente comprador do imóvel; VIII - o penhor; IX - a hipoteca; X - a anticrese. XI - a concessão de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) XII - a concessão de direito real de uso. (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) Se o promitente vendedor não celebrar o contrato definitivo, o compromissário comprador terá como opção a ação de adjudicação compulsória que tem eficácia real. art 1417 e 1418. Art. 1.417. Mediante promessa de compra e venda, em que se não pactuou arrependimento, celebrada por instrumento público ou particular, e registrada no Cartório de Registro de Imóveis, adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel. Art. 1.418. O promitente comprador, titular de direito real, pode exigir do promitente vendedor, ou de terceiros, a quem os direitos deste forem cedidos, a outorga da escritura definitiva de compra e venda, conforme o disposto no instrumento preliminar; e, se houver recusa, requerer ao juiz a adjudicação do imóvel. 5.4) Fase de contrato definitivo Aperfeiçoado o contrato pelo encontro das vontades, surgirá sua eficácia plena, e nos casos de descumprimento, surgirá a responsabilidade civil contratual, (art 389 390e 391) Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster. Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor. 6) Revisão judicial dos contratos Qto a revisão contratual por fato superveniente (fato novo), é preciso diferenciar a revisão constante do CC 2002, daquela prevista no CDC, pois as duas leis adotam teorias e fundamentos distintos. 6.1 Revisão contratual por fato superveniente no CC 2002 Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Qto a teoria adotada no CC 2002, surgem duas correntes: 1) Afirma a corrente majoritária adotou a teoria da imprevisão de origem francesa, e que remonta a clausula rebus sic stantibus, nesse sentido MHD, Villaça e Paulo Lobo. 2) O CC de 2002, adotou a onerosidade excessiva pois o nosso art 478, é reprodução do art 1467 do CC Italiano. nesse sentido Prof Junqueira e Judite Martins Costa. Para não adentrar nesse debate doutrinário pode se afirmar que o CC 2002, consagra a revisão contratual por fato superveniente diante de uma imprevisibilidade somada a uma onerosidade excessiva. São requisitos clássico para a revisão dos contratos civis: a) o contrato de vê ser bilateral ou sinalagmático(direitos e deveres proporcionais) em regra. Exceção : o art 480 do CC possibilita a revisão dos contratos unilaterais b) o contrato deve ser oneroso: (prestação mais contra prestação) c) o contrato deve ser comutativo: aas partes já sabem quais são as prestações. Em regra não é possível rever contrato aleatório, qto ao fator risco. Como exceção a jurisprudência tem entendido que é possível rever a parte comutativa de um contrato aleatório, Exemplo Premio do seguro saúde. d) o contrato deve ser de execução diferida ou execução continuada( 478), cumprimento periódico no tempo, trato sucessivo, e) a lei exige um motivo imprevisível art 317 ou um acontecimento imprevisível e extraordinário 478 CC. Neste ponto esta o grande problema da teoria adotada pelo CC, pq pois o fatos imprevisibilidade sempre foi analisado de forma global, o que torna praticamente impossível a revisão, pois nesse aspecto, atualmente td é previsível. Flexibilizando essa analise , parte da doutrina recomenda que o fator imprevisibilidade seja analisado pessoal ou subjetivamente, o que torna possível a revisão do contrato. Enunciado 17 e 175 Assim fatores como desemprego, inflação e crises ate podem ser previsíveis para o mercado, mas são imprevisíveis para quem contrata. f) Onerosidade excessiva Desequilíbrio contratual, ou efeito gangorra. OBSERVAÇÃO : a jurisprudência inclusive do STJ, continua discutindo a ausência de mora como requisito para revisão contratual. Existem julgados do STJ que afirmam que a cobrança de encargos abusivos impede a caracterizar da mora do devedor. enunciado 354 Porem o STJ editou a sumula 380 prevendo que a simples propositura de ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. Isso pq o autor precisa demonstrar verossimilhança das ações e depositar em juízo a parte controversa da obrigação, inclusive para retirada do seu nome do cadastro de inadimplentes. 6.2 Revisão contratual por fato superveniente no CDC art 6 inciso 5 lei 8078\90 V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; O CDc não adotou a teoria da imprevisão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Isso pq não exige o fator imprevisibilidade ,bastando um motivo superveniente, fato novo, que gera a onerosidade excessiva. O CDC adotou teoria da base objetiva do negocio jurídico, de origem alemã Karl Larenz. Também não há rigidez qto aos requisitos tradicionais de revisão dos contratos civis. Exemplo STJ revisão de contratos de leasing cuja as parcelas do financiamento estavam atreladas a variação cambial. Com a alta do dólar em janeiro de 99, esses contratos ficaram ‘ pesados demais’ para os consumidores, o que por si só motivou a revisão. Agravo regimental no RESP 374351\RS 2002. O STJ tem divido essa onerosidade excessiva de forma proporcional entre empresas de leasing e consumidores, decisão RESP 437.660\SP. Observação clausulas abusivas e revisão dos contratos de consumo. 23.09.2009 Também é possível rever o contrato de consumo, pela presença de clausulas abusivas aplicando-se o art 51 parágrafo 2 do CDC. (principio da conservação contratual), Recentemente o STJ editou a criticada sumula 381, que prevê: nos contratos bancários é vedado ao julgador conhecer de oficio da abusividade das clausulas. A sumula é amplamente criticada por violar o art 1 do CDC, que prevê que a lei 8078\90 é norma de ordem publica e interesse social. Ademias segundo o próprio STJ, os contratos bancários são contratos de consumo sumula 297. 7) Vícios Redibitórios no CC 2002. Art 441 a 446 Conceito São os vícios ocultos que atingem a coisa objeto do contrato, desvalorizando-a ou tornando-a imprópria para o uso. (vicio objetivo). Os vícios redibitórios não se confundem com os vícios do consentimento, (erro e dolo), pois enquanto os primeiros atingem a coisa, os últimos atingem a vontade. Escada Ponteana vícios redibitórios abatimento do preço ou resolução PLANO DA EFICACIA erro e dolo (negocio anulável) PLANO DA VALIDADE Plano da existência Portanto os vícios mencionados estão em postos distintos, da escada ponteana. Os vícios redibitórios estão presentes nos contratos civis, pois havendo contratos deconsumo os vícios são do produto (art 18 , 19, 20, 26 CDC). Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. § 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor. § 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial. § 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo. § 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor. § 6° São impróprios ao uso e consumo: I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam. Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - o abatimento proporcional do preço; II - complementação do peso ou medida; III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. § 1° Aplica-se a este artigo o disposto no § 4° do artigo anterior. § 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais. Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. § 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor. § 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade. Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis; II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis. § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços. § 2° Obstam a decadência: I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca; II - (Vetado). III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento. § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito. Há uma garantia legal contra os vícios redibitórios nos contratos bilaterais, onerosos e comutativos., cujo o exemplo típico é a compra e venda. Essa garantia também atinge as doações onerosas, dois casos: Doação modal ou com encargo: ônus mais liberalidade. (terreno doado com problemas de estrutura, se houver problemas, há vícios redibitórios) Doação remuneratória : prestação de serviços, art 540 Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. Exemplo de vicio red alguém compra uma casa cujo o valor é de 500.000,00 de um particular, e essa apresenta um problema de encanamento, cuja a despesa é de 50.000,00. Presente o vicio redibitório o adquirente prejudicado, poderá fazer uso das ações edilícias, (direito romano), pleiteando: 1) abatimento proporcional no preço. (Ação quanti minoris, ou intimatória) 2) resolução do contrato, com devolução das quantias pagas e havendo má fé do alienante que sabia do vicio, perdas e danos. (ação redibitória). Cuidado, se o alienante não sabia do vicio, mesmo assim caberá resolução, com a devolução das quantias pagas e indenização pelas despesas do contrato. Art 443 CC final, (escritura e registro) Art. 443. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato. OBSERVAÇÂO: diante do principio da conservação dos contratos, e de sua função social, a resolução do contrato deve ser a ultima medida (ultima ratio). Não cabe a resolução do contrato se o vicio for ínfimo, de pequena expressão, cabendo apenas abatimento no preço e não resolução. Prazos decadências para reclamação dos vícios redibitorios Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade. § 1o Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis. § 2o Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria. Os prazos são decadenciais pois as ações edilícias, são constitutivas negativas. anunciado 28. I) nos casos de vícios que podem ser percebidos imediatamente. Art445 caput cc 30 dias para bens moveis , 1 ano para imóveis. Contados da entrega efetiva (tradição real) Porem se o adquirente já estava na posse do bem, os prazos são reduzidos a metade, 15 dias e 6 meses, e contados da alienação, tradição ficta ou presumida. Exemplo; locatário que compra o imóvel. (possuía em nome alheio e agora em nome próprio, tradição de mão breve (traditio brevi mamu)). II) Nos casos de vícios que por sua natureza somente podem ser percebidos mais tarde. (art 445 paragrafo 1 do CC) Prazo 180 dias para moveis 1 ano para imóveis Contados do conhecimento do vício. Enunciado 174 OBSERVAÇÂO 1) se refere a regra do art 445 paragrafo 2 do CC, que trata da venda de animais, os prazos decadenciais em regra serão fixados por lei especifica, pode ser o CDC, prazo de 90 dias CDC, não havendo lei especifica os prazos serão os de costume (uso locais) exemplo mercado de gado (semovente prazo 180 dias), não havendo costume aplica-se o parágrafo 1 do art 445. 2) regra do art 446 do CC. Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. Não correrão os prazos do art 445, Na vigência de garantia contratual (decadência convencional), mas o adquirente deve denunciar o vicio ao alienante nos 30 dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. Essa decadência se refere a perca de qual direito--- 1)Corrente essa decadência se refere a perca da garantia contratual, iniciando-se a pos isso a garantia legal, (MHD e Claudia Lima Marques). Em dialogo das fontes pode ser citado o art 50 do CDC, pelo qual a garantia contratual é complementar a legal. Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. Parágrafo único. O termo de garantia ou equivalente deve ser padronizado e esclarecer, de maneira adequada em que consiste a mesma garantia, bem como a forma, o prazo e o lugar em que pode ser exercitada e os ônus a cargo do consumidor, devendo ser-lhe entregue, devidamente preenchido pelo fornecedor, no ato do fornecimento, acompanhado de manual de instrução, de instalação e uso do produto em linguagem didática, com ilustrações. 2) Essa decadência se refere a perda do direito de entrar com ação edilícia. 8) Evicção Art 447 a 457 CC 8.1 Conceito È a perda da coisa, objeto do contrato diante de uma decisão judicial, ou ato administrativo de apreensão, que a atribui a um terceiro. (prescinde = indispensável) Para o STJ cabe a evicção nos casos de apreensão administrativa, (exemplo detran) RESP 259.726 RJ. Existe uma garantia legal contra evicção nos contratos bilaterais(deveres e obrigações de ambas as partes), onerosos (prestação e contra-prestação) e comutativos (prestações definidas), ainda que o bem tenha sido adquirido em hasta publica. (novidade) Para Alexandre Freitas Camara, há uma responsabilidade imediata do devedor ou réu da ação, que foi o primeiro beneficiado com a arrematação. Alem disso, há uma responsabilidade subsidiaria do autor ou credor, que foi beneficiado indiretamente pela arrematação. São partes da evicção: a) alienante aquele que transmitiu a coisa viciada, b) adquirente ou evito , adquire a coisa e a perde, c) terceiro ou evictor aquele que tem a decisão ou a apreensão judicial ao seu favor. Alienante 1) adquirente Vende (transmite o bem) 2) terceiro pleiteia o bem ação reivindicatória As partes principais da evicção são alienante e adquirente 3) Denunciação da lide art 70 inc I CPC, Podem essas partes por clausula expressa, reforçar , diminuir, ou excluir a responsabilidade pela evicção. Art 448 CC Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. Não obstante, a clausula que exclui a responsabilidade pela evicção, se esta ocorrer, o evicto terá o direito de receber o preço que pagou pela coisa, se não soube do risco da evicção, ou dele informado não o assumiu. Art 449. Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu. Assim para que o evicto não tenha qq direito devem constar duas clausulas do contrato, 1º a clausula que exclui a responsabilidade do alienante pela evicção. E 2º uma clausula em que o adquirente diz ter ciência do risco ou o assume. Formulas de Washington de Barros Monteiro 1) clausula expressa de exclusão da responsabilidade pela evicção, mais ciência ou assunção do risco, pelo adquirente = alienante não responde 2) clausula expressa de exclusão da responsabilidade pela evicção, menos ciência da ou assunção do risco pelo adquirente = o alienante responde pelo preço da coisa. Não constando qq clausula de exclusão da responsabilidade, e sendo a evicção total, o adquirente poderá plreitear do alienante os seguintes valores: 1) o preço que pagou pela coisa, levando-se em conta o momento em que ela se perdeu.art 450 p.u. Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial. 2) indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir, ao terceiro evicitor art 450 inc I I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; 3) indenização pelas despesas contratuais e pelos prejuízos que diretamente resultar da evicção., inclusive danos morais. 450 inc II II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção; 4) custas judiciais e honorários do advogado. Art 450 inc III. III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído 5) benfeitorias necessárias ou úteis não abonadas pelo terceiro. Art 453 Art. 453. As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. Havendo evicção parcial, duas são as regras previstas no art 455 Art. 455. Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização. 1) se a evicção for parcial mas considerável, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato, ou indenização pela parte perdida 2) se a evicção for parcial , mas não considerável, caberá apenas indenização da parte perdida. Para a configuração da evicção parcial, deve-se analisar caso a caso, a partir da função social do contrato e da propriedade. Questões processuais relativas a evicção a) Para poder exercitar o direito que dá evicção lhe resulta, o adquirente denunciará da lide, o alienante imediato, ou qq dos anteriores, conforme determina as leis do processo. 456 caput Art. 456. Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe determinarem as leis do processo. Parágrafo único. Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de recursos. Apesar da literalidade do art 70 inc I do CPC, essa denunciação da lide, segundo o STJ não é obrigatório na evicção. Pois o preço pago pela coisa , poderá ser cobrada em ação autônoma, sob pena de enriquecimento ilícito. Resp 9552\ 132.258 RJ 30.09.2009 b) denunciação da lide por saltos Segundo a literalidade do art 456 é possível a responsabilização de qq alienante que seja responsável pelo vicio da evicção.(enunciado 29 CJF\STJ)Art. 456. Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe determinarem as leis do processo. Parágrafo único. Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de recursos. Entre os processualistas a denunciação per saltum, é admitida por alguns juristas (Candido Rangel Dinamarco), entende ser viável a denunciação por saltos. Porem outros processualistas entendem que a denunciação por saltos não é possível, pois o art 73 do CPC, possibilitaria a denunciação somente do 1º alienante. (Alexandre Freitas Câmara) Art. 73. Para os fins do disposto no artigo 70, o denunciado, por sua vez, intimará do litígio o alienante, o proprietário, o possuidor indireto ou o responsável pela indenização e, assim, sucessivamente, observando-se, quanto aos prazos, o disposto no artigo antecedente. III) Conforme o art 456 CC parágrafo Único : Parágrafo único. Não atendendo o alienante à denunciação da lide (revelia), e sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de recursos. Surge antonímia em relação ao Art 75 inc II CPC, pelo qual se o denunciado for revel , o denunciante é obrigado a seguir na sua defesa. Art. 75. Feita a denunciação pelo réu: I - se o denunciado a aceitar e contestar o pedido, o processo prosseguirá entre o autor, de um lado, e de outro, como litisconsortes, o denunciante e o denunciado; II - se o denunciado for revel, ou comparecer apenas para negar a qualidade que lhe foi atribuída, cumprirá ao denunciante prosseguir na defesa até final; Segundo os próprios processualistas a norma do código civil, deve prevalecer por ter cunho processual e ser mais especial. (Fred Didie Junior). Como afirma Humberto Teodoro Junior a norma do código civil, é uma norma heterotópica (norma de direito material e processual), 9) Extinção dos Contratos A matéria da extinção dos contratos esta nos artigo 472 a 480 CC O código de 2002 sistematizou a matéria que sempre foi confusa, e que nos constava no CC 1916, isso em prol do principio da operabilidade em um sentido de simplicidade ou facilitação do direito civil. Porem o CC 2002, não esgota o assunto, sendo necessário recorrer a doutrina (Orlando Gomes, Silvio Rodrigues, Maria Helena Diniz, Arnold Walcl, Ruy Rosário de Aguiar). A partir dessa doutrina, 4 são as formas básicas de extinção dos contratos: 9.1) Extinção normal. 9.2) Extinção por fatos anteriores a celebração. 9.3) Extinção por fatos posteriores a celebração. 9.4) Extinção por morte. Vejamos: Extinção normal Ocorre com o cumprimento, adimplemento, implemento, ou satisfação obrigacional. 9.2) extinção por fatos anteriores a celebração Ocorre em três hipóteses, relacionadas a formação do negocio ou a autonomia privada: 9.2.a) invalidade contratual : hipótese de contrato nulo, (art 166 e 167 CC), e contrato anulável (art 171) – Teoria das Nulidades que consta da parte geral do CC. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. § 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. Na invalidade contratual há um vicio de formação do contrato, que atinge o plano da validade (2 degrau da escada ponteana ) 9.2.b) Previsão de clausula de arrependimento : Previsão contratual (autonomia privada), que dá as partes um direito potestativo, a extinção do contrato. Direito potestativo é aquele que se contrapõe a um estado de sujeição, pois “ encurrala a outra parte” (não há saída), a clausula de arrependimento não se confunde com o direito de arrependimento, pois o ultimo decorre da lei. Exemplo art 49 CDC. Prazo de 7 dias a contar da assinatura do produto\serviço, para as vendas realizadas fora do estabelecimento comercial. Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. 9.2.c) Previsão de clausula resolutiva expressa: previsão contratual que relaciona a extinção do contrato a um evento futuro e incerto (condição) (plano da eficácia), prevê o art 474 do CC, que a clausula resolutiva expressa, opera de pleno direito.( de forma automática) Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. Exemplo pacto comissório contratual (clausula inserida em uma compra e venda pela qual não sendo pago o preço e entregue a coisa, até certa data, o contrato estará extinto e resolvido). O instituto constava do art 1163 de cc 1916, e atualmente se enquadra no art 474 do CC 2002. ( Venosa e Ruy Rosado de Aguiar) OBSERVAÇÂO: Não confundir com pacto comissório real, que é vedado pelo art 1428 CC. Art. 1.428. É nula a cláusula que autoriza o credor(direito real de garantia) pignoratício, anticrético ou hipotecário a ficar com o (bem) objeto da garantia, (sem leva-lo a execução) se a dívida não for paga no vencimento. Parágrafo único. Após o vencimento, poderá o devedor dar a coisa em pagamento da dívida. 9.3 ) Extinção por fatos posteriores a celebração. Ocorre em duas situações básicas; das quais decorrem as demais No direito civil contemporâneo a expressão rescisão é utilizada como gênero, do qual resolução e resilição são espécies, ou seja, recisao é = extinção do contrato por fatos posteriores. Resolução: (descumprimento , inadimplemento) Ocorre em 4 hipóteses: 9. a.1) inexecução voluntária : com dolo com culpa, nos termos do art 475 CC, a parte lesada pelo inadimplemento pode exigir o cumprimento forçado do contrato, ou a sua resolução, no dois casos com perdas e danos Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos. Enunciado 31 CJF\STJ : as perdas e danos mencionadas no art 475, dependem da imputabilidade da causa (culpa) da possível resolução. (dolo ou culpa) Nos termos do enunciado e do que consta do art 392 do CC, a responsabilidade contratual em regra é subjetiva. (depende de dolo e de culpa) Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem não favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, salvo as exceções previstas em lei. Enunciado 361 CJF\STJ (teoria do adimplemento substancial, tem relação com a boa fé objetiva e a função social do contrato), Nos casos em que o contrato tiver sido quase todo cumprido não caberá sua extinçãosendo a mora de escassa importância , mas apenas outros efeitos jurídicos. Exemplos STJ na venda com reserva de domínio , e na alienação fiduciária em garantia não caberá busca e apreensão se o inadimplemento for insignificante. (Agravo Regimental 607.406 RS e RESP 469577 SC). Há julgado no STJ aplicando a teoria para contratos administrativos. 9 a.2) Inexecução involuntária (sem dolo e sem culpa) Nesse caso haverá resolução do contrato sem perdas e danos. Exemplo: hipóteses de caso fortuito = evento totalmente imprevisível e força maior = evento previsível mais inevitável (Orlando Gomes ) Como exceção, existem hipóteses em que a parte contratual respoden por caso fortuito e força maior: 1) devedor em mora: art 399 CC Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. havendo previsão no contrato art 393.( clausula de assunção convencional ), essa clausula é nula em contrato de adesão 424 CC e consumo. 51CDC. Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio. Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: Havendo previsão na lei art 583 CC, se caindo em risco a coisa emprestada, o comodatário deixar de salvar esta para salvar coisa própria, responderá por caso fortuito ou força maior. Art. 583. Se, correndo risco o objeto do comodato juntamente com outros do comodatário, antepuser este a salvação dos seus abandonando o do comodante, responderá pelo dano ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso fortuito, ou força maior. a.3) resolução por onerosidade excessiva: art 478 CC Trata-se da extinção do contrato diante de acontecimentos imprevisíveis e extraordinários, que geram a onerosidade excessiva. Os efeitos da sentença que decreta a resolução retroagirão a data da citação na demanda Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.( norma heterotopica) Segundo a doutrina majoritária o art 478 do CC, pode ser utilizado também para revisão do contrato (enunciado 176 CJF\STJ). Também segundo a doutrina, a extrema vantagem mencionada pelo 478, é fator acidental da alteração das circunstancias não havendo necessidade de sua demonstração plena.(E 365 CJF\STJ) Na ação de resolução do contrato é possível a revisão, aplicando-se os artigos 479 e 480. O art 479 possibilita a revisão se : Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato.(mediante pedido contraposto segundo Daniel Amorim Assumpção Neves) Segundo a doutrina em observância ao principio da conservação dos contratos, essa modificação eqüitativa, prevista pelo art 479, somente é possível se ouvida a parte autora, respeitada a sua vontade, e observado o contraditório. (E.367 SJF\STJ) Por fim o art 480 CC possibilita a revisão dos contratos unilaterais e onerosos para evitar o desequilibro contratual. (exemplo: mutuo feneratício = empréstimo de dinheiro a juros) Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. 08.10.2009 9.3 a 4) clausula resolutiva tácita. Previsão legal que relaciona a extinção do contrato a uma condição e ao inadimplemento. Nos termos do art 474 do CC, a clausula resolutiva tácita depende de interpelação judicial, O exemplo de clausula resolutiva tácita é exceção de contrato não cumprido ou exceptio non adimpleti contractus (476) Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Nos contratos bilaterais se ambas as partes, não cumprirem com suas obrigações, o contrato estará extinto e resolvido, desde que isso seja alegado em inicial, ou em contestação e confirmado por sentença. Isso nos casos de descumprimento total de ambas as partes. Havendo descumprimento parcial, de uma das partes, o art 477 do CC, trata da exceptio nom rite adimplenti contractus art 477 Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la. Se um contrato bilateral, uma das partes perceber que há risco de que a outra parte, não cumpra com a sua obrigação, poderá exigir cumprimento antecipado, ou garantias de cumprimento., sob pena de resolução. (Teoria da quebra antecipada do contrato) OBSERVAÇÂO: Clausula de renuncia (clausula salve et repete), é a clausula paga e depois pede, então seria uma clausula de renuncia ao que consta dos art 476 e 477 do CC, contatos administrativos, contratos unilaterais. Segundo a doutrina a clausula solve et repet deve ser considerada nula, por abusividade nos contratos de consumo e de adesão. Nelson Nery Junior e Rosa Nery. 9.3 b Resilição (direito potestativo -vontade das partes) Existem duas modalidades B1) resilição bilateral: as duas partes de comum acordo, querem a extinção do contrato, o que se dá pelo distrato. Prevê o art 472 do CC, que o distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato. (exigência é geral e não especifica, prevalecendo o principio das liberdades das formas art 107 CC.) Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato. Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. B2) resilição unilateral Se da mediante pedido de uma das partes, nos casos previstos em lei, de forma expressa ou implícita. (473 caput CC) Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte. Resilição unilateral não é distrato. Exemplos: Denuncia vazia, ( locação e prestação de serviços), revogação (no mandato por parte do mandante), renuncia (do mandato por parte do mandatário), exoneração unilateral por parte do fiador na fiança sem prazo determinado (art 835 CC) Art. 835. O fiador poderá exonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo, sempre que lhe convier, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante sessenta dias após a notificação do credor. OBSERVAÇÂO: 473 p.u. CC, Se porem uma das partes tiver realizado investimentos consideráveis, para execução do contrato , a resilição unilateral, poderá ser postergada, de acordo com a natureza e o vulto do investimento. (controle do direito potestativo (a extinção), tendo em vista a boa fé objetiva, a função social do contrato, e a conservação negocial) 9.4 Extinção por morte Ocorre nos contratos personalíssimos, ou intuitu personae, sendo denominada por Orlando Gomes Cessação contratual, exemplo contrato de fiança, art 836 CC, a condição de fiador, não se transmite aos seusherdeiros, mas apenas as obrigações vencidas, enquanto era vivo o fiador, e ate os limites da herança. Art. 836. A obrigação do fiador passa aos herdeiros; mas a responsabilidade da fiança se limita ao tempo decorrido até a morte do fiador, e não pode ultrapassar as forças da herança Extinção dos contratos 1) Extinção normal cumprimento 2) extinção por fatos anteriores A) invalidade contratual (contrato nulo e anulável) b) clausula de arrependimento c) clausula resolutiva expressa 3) extinção por fatos posteriores Resolução (descumprimento) inexecução voluntária inexecução involuntária resolução por onerosidade excessiva clausula resolutiva tácita.(decorre da lei) Resilição(direito potestativo) resilição bilateral que é o distrato resiliçao unilateral, denuncia, revogação e denuncia e exoneração do fiador Rescisão é gênero, resolução e resilição é espécie. 4) Extinção por morte Cessação 10) Contratos em Espécie Compra e venda art 481 a 532 10.1 Conceito e natureza jurídica Pelo contrato de compra e venda, alguém o vendedor se obriga a transferir ao comprador, o domínio de certa coisa, mediante uma remuneração denominada preço. Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro. Cuidado trata-se de um contrato translativo da propriedade, que não a transmite em si, mas apenas traz o comprometimento de transmissão. A transmissão derivada da propriedade se dá em regra, pelo registro imobiliário (imóveis), e pela tradição (bens moveis). Qto a sua natureza jurídica, a compra e venda tem as seguintes características: 10.1.a) contrato bilateral ou sinalagmático, por excelência, pois traz direitos e deveres proporcionais, 10.2 b) contrato oneroso: pq tem prestação e contraprestação, (coisa e preço, preço e coisa), 10.2.C) contrato consensual pq tem aperfeiçoamento com a manifestação de vontade das partes 482 CC. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. 10.2 d) Em regra o contrato é comutativo, Exceção o contrato pode ser aleatório, assumindo duas modalidades principais, Venda da esperança (emptio spei) o risco se refere a própria existência da coisa, Venda da esperança, com coisa esperada (emptio rei sparatae) o risco se refere apenas a quantidade da coisa. Sendo fixado apenas um mínimo, 15.10.2009 e) a questão do contrato de compra e venda e as formalidades e solenidades. Compra e venda de imóvel maior que 30 salários mínimos, contrato formal, solene pela necessidade de escritura publica. Compra e venda de imóvel com valor inferior ou igual a 30 salários mínimos, contrato formal, pq precisa de forma escrita, não solene. Compra e venda de bem móvel, não há necessidade de forma escrita, informal e não solene. F) Na grande maioria das vezes a compra e venda é contrato de adesão e de consumo. Sendo contrato de consumo, deve-se buscar um dialogo de complementalidade com o CDC. 10.2 Elementos da compra e venda a) partes que são vendedor e comprador, devendo haver consenso entre elas ( consensus) As partes devem ser capazes, sob pena de invalidade da compra e venda. Alem disso as partes devem ser legitimadas, sendo a legitimação a capacidade especial para determinado negocio jurídico. Exemplo: outorga conjugal exigida para venda de imóveis, sob de pena de anulabilidade. Art 1647 1649 Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos; III - prestar fiança ou aval; IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura meação. Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada. Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. Parágrafo único. A aprovação torna válido o ato, desde que feita por instrumento público, ou particular, autenticado. B) é a coisa (res) Coisa é bem corpóreo ou tangível. A coisa como objeto do contrato, deve ser licita, possível, determinada ou determinável , sob pena de nulidade absoluta da compra e venda. )166 inc II CC. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; Além disso a coisa deve ser alienável, consuntibilidade jurídica. A analiabilidade é regra e a inaliabilidade é exceção devendo constar da lei, ou decorrer da vontade das partes. Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação. Exemplo bem de família voluntário ou convencional.1711 a 1722, inalienável por força de lei . Art. 1.711. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial. Parágrafo único. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. Art. 1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. Art. 1.713. Os valores mobiliários, destinados aos fins previstos no artigo antecedente, não poderão exceder o valor do prédio instituído em bem de família, à época de sua instituição. § 1o Deverão os valores mobiliários ser devidamente individualizados no instrumento de instituição do bem de família. § 2o Se se tratar de títulos nominativos, a sua instituição como bem de família deverá constar dos respectivos livros de registro. § 3o O instituidor poderá determinar que a administração dos valores mobiliários seja confiada a instituição financeira, bem como disciplinar a forma de pagamento da respectiva renda aos beneficiários, caso em que a responsabilidade dos administradores obedecerá às regras do contrato de depósito. Art. 1.714. O bem de família, quer instituído pelos cônjuges ou por terceiro, constitui-se pelo registro de seu título no Registro de Imóveis. Art. 1.715. O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição, salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio, ou de despesas de condomínio. Parágrafo único. No caso de execução pelas dívidas referidas neste artigo, o saldo existente será aplicado em outro prédio, como bem de família, ou em títulos da dívida pública, para sustento familiar, salvo se motivos relevantes aconselharem outra solução, a critério do juiz. Art. 1.716. A isenção de que trata o artigo antecedente durará enquanto viver um dos cônjuges, ou, na falta destes, até que os filhos completem a maioridade. Art. 1.717. O prédio e os valores mobiliários, constituídos como bem da família, não podem ter destino diverso do previsto no art. 1.712 ou serem alienados sem o consentimento dos interessados e seus representantes legais, ouvido o Ministério Público. Art. 1.718. Qualquer forma de liquidação da entidade administradora, a que se refere o § 3o do art. 1.713, não atingirá os valores a ela confiados, ordenando o juiz a sua transferênciapara outra instituição semelhante, obedecendo-se, no caso de falência, ao disposto sobre pedido de restituição. Art. 1.719. Comprovada a impossibilidade da manutenção do bem de família nas condições em que foi instituído, poderá o juiz, a requerimento dos interessados, extingui-lo ou autorizar a sub-rogação dos bens que o constituem em outros, ouvidos o instituidor e o Ministério Público. Art. 1.720. Salvo disposição em contrário do ato de instituição, a administração do bem de família compete a ambos os cônjuges, resolvendo o juiz em caso de divergência. Parágrafo único. Com o falecimento de ambos os cônjuges, a administração passará ao filho mais velho, se for maior, e, do contrário, a seu tutor. Art. 1.721. A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família. Parágrafo único. Dissolvida a sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges, o sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de família, se for o único bem do casal. Art. 1.722. Extingue-se, igualmente, o bem de família com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade dos filhos, desde que não sujeitos a curatela. A venda de bem inalienável é nula, por ilicitude do objeto ou fraude a lei imperativa, 166 inc II ou VI CC. Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura, art 483 CC. A venda de coisa futura é a venda sob encomenda, bolo, vestido, roupa etc. Art. 483. A compra e venda pode ter por objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará sem efeito o contrato se esta não vier a existir, salvo se a intenção das partes era de concluir contrato aleatório. Se a coisa futura não existir, o contrato será ineficaz, salvo se for alheatório. C) Preço (pretium) È a remuneração da compra e venda, que deve ser paga em moeda nacional corrente pelo valor nominal, pelo principio do nominalismo, que é a regra. Art 315 CC Art. 315. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal, salvo o disposto nos artigos subseqüentes. Em regra, é nula a estipulação do preço, em moeda estrangeira ou em ouro. Art 318 CC. Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial. Exceção deve ser feita para compra e venda internacional, decreto lei 857\69. Porém o preço pode ser cotado, em moeda estrangeira, desde que conste o valor correspondente em reais, pois trata-se de um índice ou parâmetro. Art 487 CC. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. (preço por cotação) Também é possível a cotação do preço, conforme taxa de mercado, ou de bolsa, em certo dia e lugar. Art 486 CC. , desde que conste essa cotação em real correspondente. Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Ainda é possível que o preço seja cotado por um terceiro, de confiança das partes. , denominado preço por arbitramento, art 485 CC. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Nos termos do art 488 do CC, convencionada a venda, sem a fixação do preço ou de critérios, deve ser obedecida a seguinte ordem: Art. 488. Convencionada a venda sem fixação de preço ou de critérios para a sua determinação, se não houver tabelamento oficial, entende-se que as partes se sujeitaram ao preço corrente nas vendas habituais do vendedor. Parágrafo único. Na falta de acordo, por ter havido diversidade de preço, prevalecerá o termo médio. será adotado eventual preço por tabelamento oficial. Segundo Paulo Lobo, eventual clausula que contraria tabelamento oficial deve ser tida como nula, por infração a ordem publica, e a função social do contrato.(art 166 inc VI CC) 2) não havendo tabelamento, valerá eventual preço costumeiro ( das vendas habituais do vendedor). 3) não havendo costume, será fixado um preço médio, havendo divergência entre as partes (pelo juiz). O art 489, veda o preço unilateral, prevendo que é nulo o contrato se o preço for deixado ao arbítrio exclusivo de uma das partes. Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço O dispositivo está afastado da atual realidade dos contratos de adesão, com imposição de preço. Para salva-lo pode-se concluir que o dispositivo veda o preço cartelizado, sendo o cartel abuso de poder econômico. Lei 8884\94. Há Cartel qdo um grupo de empresas atua de forma coordenada, afastando a concorrência, e o direito de se buscar o melhor preço. 10.3 Estrutura Sinalagmática da compra e venda Riscos e despesas contratuais. Dever=coisa dever= preço Vendedor Coisa e Preço Comprador Direito= Preço direito= coisa A questão das despesas e dos riscos, esta relacionada aos deveres das partes. Despesas Despesas de transporte (coisa) = vendedor. Art 490. Escritura\ registro tem relação com o preço= comprador Porem as partes podem convencionar em contrario, qto a tais despesas: art 490 CC. Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição. B) dos riscos Qto a coisa: corre por conta vendedor Qto ao preço: corre por conta do comprador Isso salvo estipulação em contrario pelas partes 492 Cc Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. § 1o Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, marcar ou assinalar coisas, que comumente se recebem, contando, pesando, medindo ou assinalando, e que já tiverem sido postas à disposição do comprador, correrão por conta deste. § 2o Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas, se estiver em mora de as receber, quando postas à sua disposição no tempo, lugar e pelo modo ajustados. 10.4) Limitações a compra e venda As hipóteses a seguir, constituem restrições a autonomia privada, e como tal não admitem analogia e interpretação extensiva. A) venda de ascendente para descendente art 496 CC Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória. È anulável a venda de ascendente para descendente não havendo autorização dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. Em ambos os casos, dispensa-se a autorização do cônjuge se o regime do casamento for o da separação obrigatória. A expressão em ambos os casos deve ser desprezada por erro de tramitação legislativa, pois a venda de descende para ascendente foi retirada do caput E 177 CJF\STJ O dispositivo não se aplica a união estável por analogia, por ser norma restritiva da autonomia privada. O prazo da ação anulatória, previa a antiga sumula 494 do STF, que o prazo seria prescricional de 20 anos, a contar da celebração do ato. Porem segundo doutrina e jurisprudência majoritárias, essa sumula deve ser tida cancelada, pelo art 179 CC, que prevê um prazo geral para anulação de 2 anos, a contar da celebração do ato. (na doutrina Paulo Lobo, Maria Helena Diniz, em 368 CJF\STJ., jurisprudência STJ RESP 771736- SC. 28.10.2009 B) venda entre cônjuges Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com relação a bens excluídos da comunhão. A restrição se refere aos bens quefazem parte da comunhão, , se esses bens forem vendidos, venda será nula por impossibilidade do objeto (166 inc II CC) Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; Vejamos regime por regime: 1) Regime da comunhão parcial de bens Sim é possível a venda entre cônjuges, qto aos bens anteriores ao casamento, os aquestos podem ser vendidos entres os cônjuges. 2) Regime da participação final dos aquestos: Sim é possível, qto aos bens que não entram na participação. 3)Regime da comunhão universal de bens Sim, é possível qto aos bens incomunicáveis (art 1668) Exemplo, bem de uso pessoal (relógio) Art. 1.668. São excluídos da comunhão: I - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar; II - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de realizada a condição suspensiva; III - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus aprestos, ou reverterem em proveito comum; IV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade; V - Os bens referidos nos incisos V a VII do art. 1.659. 4) Regime da separação de bens Separação convencional,(pacto) Sim, é possível qto aos bens que não entram na comunhão. Separação legal (obrigatória) imposta por lei. Sempre prevaleceu a tese que havendo venda entre cônjuges na separação obrigatória, essa seria nula, por fraude ao regime de bens. (majoritário). Entretanto esse entendimento tende a mudar, pq pois em um sistema em que valoriza a boa fé, não se pode presumir a fraude. Alem disso, o código de 2002, possibilita alteração no regime de bens, mesmo na separação obrigatória. 1639 parágrafo 2º CC. Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver. § 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento. § 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. Assim, para essa corrente a venda entre cônjuges em regra é valida. Mesmo na separação obrigatória de bens. Entretanto, havendo simulação a venda será nula, (não por presunção de ma fé), havendo fraude contra credores a venda será anulável, e havendo fraude a execução a venda será ineficaz. C) Venda de bens sob administração Art 497 CC Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública: I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à sua guarda ou administração;(Vicio na aquisição por uma relação de confiança) II - pelos servidores públicos, em geral, os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem, ou que estejam sob sua administração direta ou indireta;( a venda fere a moralidade da administração publica) III - pelos juízes, secretários de tribunais, arbitradores, peritos e outros serventuários ou auxiliares da justiça, os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal, juízo ou conselho, no lugar onde servirem, ou a que se estender a sua autoridade; (Prevê o art 498 do CC, que essa proibição não se aplica nos casos de compra e venda ou sessão entre co-herdeiros, ou em pagamento de divida, ou para garantia de bens, já pertencentes a essas pessoas.) IV - pelos leiloeiros e seus prepostos, os bens de cuja venda estejam encarregados.(Vicio na relação de confiança) As restrições acima, tem relação com a moralidade e a estabilidade da ordem publica, e por isso não podem ser contrariadas pelas partes. Parágrafo único. As proibições deste artigo estendem-se à cessão de crédito.( desde que onerosas) similar a compra e venda. Cuidado: o CC de 2002, não reproduziu a restrição do mandatário, adquirir bem do mandante, que constava do art 1133 do CC 1916, e que já era abrandada pela sumula 165 STF. A norma não foi reproduzida pois o código de 2002, possibilita o mandato em causa própria, em que o mandatário adquire bem do mandante. Art 117 e 685 CC Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos. Art. 685. Conferido o mandato com a cláusula "em causa própria", a sua revogação não terá eficácia, nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, obedecidas as formalidades legais. D) Venda de coisa comum ou venda de bens em condomínio 504 Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conhecimento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estranhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência. Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver benfeitorias de maior valor e, na falta de benfeitorias, o de quinhão maior. Se as partes forem iguais, haverão a parte vendida os comproprietários, que a quiserem, depositando previamente o preço. Não pode um condômino de coisa indivisível, vender a sua parte a estranhos se o outro condômino a quiser. (Tanto por tanto = em igualdade de condições) Assim, o dispositivo consagra um direito de preferência preempção (preferência) ou prelação legal, a favor do condômino. Essa preferência somente existe no condomínio pro-indiviso, (aquele em que não é possível determinar a parte real de cada condômino) A restrição não alcança segundo entendimento majoritário, o condomínio pro-diviso, (aquele é possível determinara parte real de cada condômino) O condômino preterido, no seu direito de preferência poderá ingressar em juízo e depositar o preço da (cota), haver para si a parte vendida para terceiros. Sobre o tipo de ação, há duas correntes; Maria Helena Diniz trata-se de uma ação anulatória (constitutiva negativa) Villaça Adjudicatória (constitutiva positiva) O prazo decadencial para essa ação, é de 180 dias, qto ao inicio do prazo existem 3 correntes: Venosa, diz que o prazo decadencial, é qdo a venda é celebrada. Villaça diz que é do registro da venda. Maria Helena Diniz, diz que é da ciência da venda, qdo o condômino foi preterido. OBSERVAÇÂO essa restrição entende tanto os bens moveis, qto imóveis. Havendo pluralidade de condôminos deve ser obedecida a seguinte ordem: 1) terá preferência o condômino que tiver benfeitorias de maior valor, (vedação do enriquecimento sem causa) 2) na falta de benfeitorias terá preferência, o condômino de maior quinhão, (vedação do enriquecimento sem causa) 3) na falta de benfeitorias e sendo os quinhões iguais, terá preferência aquele que depositar previamente o preço. (boa fé) parágrafo único 504. 10.5 Regras especiais da compra e venda OBSERVAÇÂO Atenção : as regras especiais não se confundem com as clausulas especiais da compra e venda. Pois enquanto as primeiras decorrem da lei, as ultimas (as clausulas) , decorrem da vontade das partes. São regras especiais da compra e venda a) venda por amostra, protótipo ou modelo art 484 Art. 484. Se a venda se realizar à vista de amostras, protótipos ou modelos, entender-se-á que o vendedor assegura ter a coisa as qualidades que a elas correspondem. Parágrafo único. Prevalece a amostra, o protótipo ou o modelo, se houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu a coisa no contrato. Amostra: é a reprodução perfeita da coisa a ser comprada. Protótipo : é o primeiro exemplar de uma coisa inventada. Modelo: é reprodução da coisa, por foto ou gravura, acompanhada por instruções. Nas trêshipóteses, a venda funciona sob condição suspensiva, ou seja, ficará suspensa ate a entrega da coisa conforme exposição anterior. Entretanto havendo desrespeito a exposição anteiro, a amaostra, funcionara uma Clausula resolutiva tácita . P.u art 484 Havendo discrepância entre a amostra , o protótipo ou modelo, e o conteúdo do contrato, prevalece os primeiros, diante da teoria da aparência da boa fé objetiva e da função social do contrato. O dispositivo dialoga perfeitamente com o art 30 do CDC, pelo qual o meio de oferta prevalece em relação ao conteúdo do contrato, mitigando a sua força obrigatória. Art. 30 - Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. B) venda a contento (se gostar compra) , venda sujeita a prova 509 a 512 CC Atenção: tais institutos são tratados pelo CC de 2002, como clausulas especiais da compra e venda. Porem na pratica se revelam como regras especiais da compra e venda, pois são presumidas pelos costumes, na venda de alimentos, bebidas e perfumes. Nas provas de primeira fase, os institutos devem ser tratadas como clausulas especiais. Na venda a contento ou ad gustum, opera uma condição suspensiva, ou seja, a venda estará suspensa, ate a aprovação pelo comprador. Exemplo: venda de vinhos em restaurantes. A rejeição da coisa pelo comprador, funciona como uma condição resolutiva, aplicando-se a boa fé para essa rejeição. Os efeitos são os mesmo a venda sujeita a prova, com a diferença que nesta, o comprador já conhece a coisa, necessitando de uma comprovação das qualidades conhecidas. (se a pessoa esta tomando o vinho da safra pela 1 vez , venda a contento; vinho já conhecido, venda sujeito a prova) Nos dois casos, ate aprovação da coisa, as obrigações do comprador são de mero comodatário. Assim, se a venda a contento for clausulada, e o comprador não aprovar a coisa e não devolve-la, caberá ação de reintegração de posse por parte do vendedor. c) Venda por medida ou por extensão (venda ad mensuram art 500 CC) Art. 500. Se, na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de extensão, ou se determinar a respectiva área, e esta não corresponder, em qualquer dos casos, às dimensões dadas, o comprador terá o direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso possível, o de reclamar a resolução do contrato ou abatimento proporcional ao preço. § 1o Presume-se que a referência às dimensões foi simplesmente enunciativa, quando a diferença encontrada não exceder de um vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o negócio. § 2o Se em vez de falta houver excesso, e o vendedor provar que tinha motivos para ignorar a medida exata da área vendida, caberá ao comprador, à sua escolha, completar o valor correspondente ao preço ou devolver o excesso. § 3o Não haverá complemento de área, nem devolução de excesso, se o imóvel for vendido como coisa certa e discriminada, tendo sido apenas enunciativa a referência às suas dimensões, ainda que não conste, de modo expresso, ter sido a venda ad corpus. Na venda de um imóvel, podem as partes convencionar que a área do mesmo, não é simplesmente enunciativa, ou seja, é um fator determinante do negocio. Exemplo; venda de imóvel por metro quadrado. O oposto da venda ad mensuram é a venda ad corpus (por corpo inteiro), em que a área é simplesmente enunciativa, interessando a coisa em si. Exemplo: compra de um rancho, que é banhado pelas águas de um rio. Na venda por extensão, faltando área, estará presente um vicio redibitório especial, com tratamento no art 500 CC. O parágrafo 1 do dispositivo, admite em regra, uma variação tolerável, 1\20 da área, ou seja, 5%. § 1o Presume-se que a referência às dimensões foi simplesmente enunciativa, quando a diferença encontrada não exceder de um vigésimo da área total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em tais circunstâncias, não teria realizado o negócio Entretanto o STJ, já considerou que uma clausula de variação tolerável de 5%, introduzida reiteradamente, por uma construtora, é abusiva, constituindo abuso de poder econômico, e violando a boa fé objetiva e a função social do contrato. RESP 436.853DF. 2006. O julgado traz como conteúdo a teoria do dialogo das fontes, pq um instituto clássico do CC, é dimensionado (analisado) a partir da principiologia do CDC. Faltando área, o adquirente prejudicado, terá as seguintes opções: 20.11.2009 1) complementação da área : a ação pela qual se complementa a área é a ação ex empto 2) abatimento do preço: ação quanti minori 3) resolução do contrato, com a devolução das quantias pagas, e havendo má fe do alienante, perdas e danos = vicio redibitório. Ação redibitória Por outro lado, se ao invés de faltar área, houver excesso, o vendedor prejudicado poderá ingressar em juízo, tendo duas opções : exigir complemento do preço; exigir a devolução do excesso da área. As despesas de devolução diante da boa fé, serão divididas entre as partes, salvo prova de má fé. O art 501 CC preve prazo decadencial de 1 ano para todas essas ações, a contar do registro imobiliário. Art. 501. Decai do direito de propor as ações previstas no artigo antecedente o vendedor ou o comprador que não o fizer no prazo de um ano, a contar do registro do título. Parágrafo único. Se houver atraso na imissão de posse no imóvel, atribuível ao alienante, a partir dela fluirá o prazo de decadência. Esse prazo ficará suspenso ou impedido, se houver atraso na imissão de posse, no imóvel ao alienante. Parágrafo único 501. Trata-se de uma Exceção a regra de que a decadência não pode ser impedida , suspensa ou interrompida, art 207 Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. 10.6 clausulas especiais da compra e venda / ou pactos adjetos da compra e venda a) clausula de retrovenda / ou clausula de retrato art 505 a 508 Art. 505. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador, inclusive as que, durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, ou para a realização de benfeitorias necessárias. Art. 506. Se o comprador se recusar a receber as quantias a que faz jus, o vendedor, para exercer o direito de resgate, as depositará judicialmente. Parágrafo único. Verificada a insuficiência do depósito judicial, não será o vendedor restituído no domínio da coisa, até e enquanto não for integralmente pago o comprador. Art. 507. O direito de retrato, que é cessível e transmissível a herdeiros e legatários, poderá ser exercido contra o terceiro adquirente. Art. 508. Se a duas ou mais pessoas couber o direito de retrato sobre o mesmo imóvel, e só uma o exercer, poderá o comprador intimar as outras para nele acordarem, prevalecendo o pacto em favor de quem haja efetuado o depósito, contanto que seja integral. Clausula inserida na compra e venda de imóvel, pela qual o vendedor tem o direito de reaver a coisa, por meio de outra venda, no prazo máximo decadencial de 3 anos, a contar da venda original. Trata-se de um direito potestativo do vendedor , que torna a propriedade do comprador resolúvel (depende de uma condição ou de um termo, e essa propriedade é dependente de condição) Como aponta Jose Osório de Azevedo Junior, geralmente a clausula de retrovenda é utilizada de forma simulada, para esconder agiotagem e usura. Em casos tais, o STJ já concluiu pela nulidade do negocio, RESP 285 296 MT. Só pode ser aplicada clausula de retrovenda em bens imóveis. Se o comprador desrespeitar o direito do vendedor, caberá ação de resgate que tem efeitosreais (perante terceiros), devendo o vendedor depositar em juízo o valor correspondente a coisa. Art 506 Art. 506. Se o comprador se recusar a receber as quantias a que faz jus, o vendedor, para exercer o direito de resgate, as depositará judicialmente. Parágrafo único. Verificada a insuficiência do depósito judicial, não será o vendedor restituído no domínio da coisa, até e enquanto não for integralmente pago o comprador. Dispõe o art 597 do CC, que o direito de retrato é cessível e transmissível aos herdeiros do vendedor podendo ser exercido contra o terceiro adquirente (eficácia real) Art. 507. O direito de retrato, que é cessível e transmissível a herdeiros e legatários, poderá ser exercido contra o terceiro adquirente. A respeito da cessão inter vivos da clausula, surgem duas correntes: 1)Maria Helena Diniz, ao é possível a cessão intervivos, pois a clausula é personalíssima. 2) Paulo Lobo a transmissão intervivos é possível pois esta autorizada pelo artigo 507. (Ademais o que não é proibido no direito civil, é permitido.) (cessível e transmissível ) B) clausula de preempção ou preferência convencional Art 513 a 520 CC. Não confundir Preempção que é preferência, com a perempção que é a extinção da hipoteca, pelo decurso temporal de 30 anos. Art 1485 CC Art. 1.485. Mediante simples averbação, requerida por ambas as partes, poderá prorrogar-se a hipoteca, até 30 (trinta) anos da data do contrato. Desde que perfaça esse prazo, só poderá subsistir o contrato de hipoteca reconstituindo-se por novo título e novo registro; e, nesse caso, lhe será mantida a precedência, que então lhe competir. (Redação dada pela Lei nº 10.931, de 2004) Clausula Preempção inserida na venda de bens moveis ou imóveis, pela qual o comprador tem a obrigação de oferecer o bem ao vendedor originário, e igualdade de condições se pretender vende-lo a terceiro, em um determinado lapso temporal. Como decorre do contrato e não da lei, a clausula , responderá por perdas e danos. O código de 2002, prevê limites de cobertura a contar da venda original, para ecercer tal direito. Art 513 parágrafo único CC. Art. 513. A preempção, ou preferência, impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender, ou dar em pagamento, para que este use de seu direito de prelação na compra, tanto por tanto. Parágrafo único. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá exceder a cento e oitenta dias, se a coisa for móvel, ou a dois anos, se imóvel. Móvel Data da há 180 não há preferência não precisa Venda preferência dias oferecer Imóvel Data da há 2 anos não há Venda preferência preferência Observação essas prazos são máximos, podendo ser reduzidos. Esses prazos não se confundem com os prazos previstos no art 516, que são prazos para manifestação do vendedor após notificação pelo comprador, para exercício da preferência. Art. 516. Inexistindo prazo estipulado, o direito de preempção caducará, se a coisa for móvel, não se exercendo nos três dias, e, se for imóvel, não se exercendo nos sessenta dias subseqüentes à data em que o comprador tiver notificado o vendedor. Esses prazos são de 3 dias para bens moveis, e 60 dias para bens imóveis. Prazos para manifestação do vendedor qto ao seu direito de preferência. Contados da notificação. Os dois prazos (513 e 516) são complementares, diante da boa fé. O vendedor preterido ao seu direito de preferência, poderá pleitear do comprador perdas e danos. Respondendo solidariamente o terceiro adquirente de má fé. Art 518 Art. 518. Responderá por perdas e danos o comprador, se alienar a coisa sem ter dado ao vendedor ciência do preço e das vantagens que por ela lhe oferecem. Responderá solidariamente o adquirente, se tiver procedido de má-fé. Portanto os efeitos são meramente obrigacionais, não cabendo adjudicação da coisa, como na preempção legal. Resumo Preempção legal adjudicação Efeitos reais Preempção convencional perdas e danos Clausula efeitos obrigacionais Na locação existem as duas art 33. O art 519 do CC é um estranho no ninho, pois trata de direito administrativo, direito de retrocessão do expropriado. Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa. O art 520 do CC, prevê que o direito de preferência não pode ser cedido, e nem passa aos herdeiros. ( Intransmissível) Art. 520. O direito de preferência não se pode ceder nem passa aos herdeiros. Para MHD a intransmissível é intervivos e mortes causa. c) clausula de venda sobre documentos art 529 a 532 Art. 529. Na venda sobre documentos, a tradição da coisa é substituída pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato ou, no silêncio deste, pelos usos. Parágrafo único. Achando-se a documentação em ordem, não pode o comprador recusar o pagamento, a pretexto de defeito de qualidade ou do estado da coisa vendida, salvo se o defeito já houver sido comprovado. Art. 530. Não havendo estipulação em contrário, o pagamento deve ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos. Art. 531. Se entre os documentos entregues ao comprador figurar apólice de seguro que cubra os riscos do transporte, correm estes à conta do comprador, salvo se, ao ser concluído o contrato, tivesse o vendedor ciência da perda ou avaria da coisa. Art. 532. Estipulado o pagamento por intermédio de estabelecimento bancário, caberá a este efetuá-lo contra a entrega dos documentos, sem obrigação de verificar a coisa vendida, pela qual não responde. Parágrafo único. Nesse caso, somente após a recusa do estabelecimento bancário a efetuar o pagamento, poderá o vendedor pretendê-lo, diretamente do comprador. A origem vem do direito internacional privado, decorre dos costumes internacionais, da chamada lex mercatoria, também conhecida de clausula de credito documentário, ou (‘trust receipt” mercadoria recebida) Clausula inserida na compra e venda de bem móvel pela qual a entrega da coisa, é substituída pela entrega de documento correspondente a propriedade do bem. A tradição real que é a entrega efetiva, é substituída da por uma tradição simbólica, pois a coisa é colocada a disposição do comprador. (traditio longa manu- tradição de mão longa) d) clausula de venda com reserva de domínio art 521 a 528 Art. 521. Na venda de coisa móvel, pode o vendedor reservar para si a propriedade, até que o preço esteja integralmente pago. Art. 522. A cláusula de reserva de domínio será estipulada por escrito e depende de registro no domicílio do comprador para valer contra terceiros. Art. 523. Não pode ser objeto de venda com reserva de domínio a coisa insuscetível de caracterização perfeita, para estremá-la de outras congêneres. Na dúvida, decide-se a favor do terceiro adquirente de boa-fé. Art. 524. A transferência de propriedade ao comprador dá-se no momento em que o preço esteja integralmente pago. Todavia, pelos riscos da coisa responde o comprador, a partir de quando lhe foi entregue. Art. 525. O vendedor somente poderá executar a cláusula de reserva de domínio após constituir o comprador em mora, mediante protesto do título ou interpelação judicial. Art. 526. Verificada a mora do comprador, poderá o vendedor mover contra ele a competente ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o mais que lhe for devido; ou poderá recuperar a posse da coisa vendida. Art. 527. Na segunda hipótese do artigo antecedente, é facultado ao vendedor reter as prestações pagas até o necessário para cobrir a depreciação da coisa, as despesas feitas e o mais que de direito lhe for devido. O excedente será devolvido ao comprador; e o que faltar lhe será cobrado, tudo na forma da lei processual. Art. 528. Se o vendedorreceber o pagamento à vista, ou, posteriormente, mediante financiamento de instituição do mercado de capitais, a esta caberá exercer os direitos e ações decorrentes do contrato, a benefício de qualquer outro. A operação financeira e a respectiva ciência do comprador constarão do registro do contrato. Clausula inserida na venda de bens moveis e infungíveis pela qual o vendedor , mantém para si a propriedade. Tendo o comprador mera posse direta. Essa propriedade não é plena, mas sim resolúvel. Pois sendo pago o preço de forma integral, o comprador adquire a propriedade. Art 524 CC Art. 524. A transferência de propriedade ao comprador dá-se no momento em que o preço esteja integralmente pago. Todavia, pelos riscos da coisa responde o comprador, a partir de quando lhe foi entregue. Geralmente a clausula esta presente na venda de veículos, os automóveis são bens infungíveis principalmente para fins contratuais , diante do numero de chassis e do registro especial do detran. Art 523. Art. 523. Não pode ser objeto de venda com reserva de domínio a coisa insuscetível de caracterização perfeita, para estremá-la de outras congêneres. Na dúvida, decide-se a favor do terceiro adquirente de boa-fé. A clausula com reserva de domínio é formal, (escrito) e depende de registro no cartório de títulos e documentos do domicilio do comprador para valer contra terceiros. (efeitos erga omines at 522 Art. 522. A cláusula de reserva de domínio será estipulada por escrito e depende de registro no domicílio do comprador para valer contra terceiros. Havendo/inadimplemento absoluto, por parte do comprador o vendedor terá duas opções : cobrar as parcelas vencida e vincendas recuperar a posse da coisa, por meio de ação de busca e apreensão. Art 1070/ 1071 CPC. OBSERVAÇÂO: 1) para exercer tais opções, o vendedor deve constituir em mora o comprador, mediante protesto do titulo, ou interpelação judicial. 525 CC. Mora ex persona 2) Aplica-se a teoria do adimplemento substancial , se pagou muito não cabe busca , mas cobrança. Ag.Regimental 607.406 RS 3) No caso de busca e apreensão da coisa, o vendedor pode reter as parcelas pagas ate o necessário para cobrir a depreciação da coisa, e as despesas contratuais. O excedente será devolvido ao comprador e o que faltar será cobrado, na forma da lei processual. Art 527 CC . Se o contrato for de consumo, é nula a clausula de decaimento, que é a perda de todas as parcelas pagas art 53 CDC. 03.12.2009 11) Doação 538 a 564 11.1Conceito Pelo contrato de doação o doador por ato de liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens ao donatário, sem qq remuneração. Trat-se de um contrato benéfico ou benévolo. Que não admite intrepretação extensiva., regra do art 114 do CC Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. Na visão clássica encabeçada por Maria Helena Diniz a doação tem dois requisitos fundamentais a intenção de doar (aninus donandi) e a aceitação por parte do donatário. Entretanto há que entenda que aceitação do donatário não é mais requisito essencial do contrato, pois o artigo 538 do CC de 2002, não utiliza mais o termo ‘ que os aceitem’ . (Paulo Lôbo) utilizando como argumento o art 539 do CC, pela qual a aceitação pode ser tácita . Para esse autor a aceitação do donatário esta no plano da eficácia do contrato, e não no plano da validade. Art. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo. Natureza jurídica da Doaão 1) trata-se de contrato unilateral em regra, pois traz deveres apenas para o doador. Atenção: Doação modal ou com encargo (doação onerosa) Dou-lhe um terreno para que vc construa em parte dele um asilo. Surgem duas correntes 1) contrato unilateral imperfeito , pq o encargo é ônus, não é dever. MHD 2) contrato bilateral , pq o encargo é dever, nesse sentido Prof Nery Contrato gratuito: pq não há remuneração, em regra, exceção feita para a doação onerosa (doação modal). Contrato consensual, (entendimento majoritário), pois tem aperfeiçoamento com a manifestação de vontade das partes (Orlando Gomes) Contrato comutativo : pois a prestação já é conhecida. Quanto as formalidade a doação pode assumir as seguintes categorias: Art 107 ;108; 541 Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular. Parágrafo único. A doação verbal será válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno valor, se lhe seguir incontinenti a tradição. Doação de imóvel com valor superior a 30 salários mínimos, solene e formal, há necessidade de escritura publica. Doação de imóvel com valor inferior ou ate 30 salários mínimos, contrato não solene e formal, pq há necessidade de forma escrita. Doação de bem móvel, contrato não solene e formal 541 exige forma escrita. OBSERVAÇÂO: a doação verbal somente é admitida para bens moveis de pequeno valor, o nome dessa doação é (doação manual), se ocorrer logo após a tradição (incontinente) é possível a doação verbal Segundo a jurisprudência do STJ, para verificação do bem móvel de pequeno valor, deve se verificar o patrimônio do doador. RESP 155. 240/RJ. Washington B. Monteiro 11.2. Modalidades de doação e seus efeitos 11.2.1) classificação da doação qto aos elementos acidentais (Condição Termo e encargo) a) doação pura: è aquela que não tem elemento acidental, mas apenas animus donandi (intenção de doar) , mais aceitação. b) doação condicional: sua eficácia depende de evento futuro e incerto, (condição)exemplo: doação a nascituro. c) doação a termo: sua eficácia depende de evento futuro e certo, que não pode ser a morte diante da vedação da doação sucessiva. 426 Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. Entretanto é possível Doação a termo temporal MHD, WMB, exemplo: dou o bem para o donatário 1 que ficara de 2010 a 2011(propriedade resolúvel a termo) e o donatário 2 ficará de 2012 ate infinito. D) doação modal ou com encargo, a liberalidade vem acompanhada de um ônus ou de um dever. No caso de condição, com conjunção ‘se’ ou ‘enquanto ‘. No termo a condição é ‘quando’. No encargo ou modo ‘para que’ ou ‘com o fim de’. 11.2.2. Doação Remuneratória Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. Não é ato de liberalidade, havendo apenas doação na parte que exceder o serviço prestado. Exemplo: doação de um carro ao medico que salvou a vida do meu filho. Essa é importante por três aspectos: cabe alegação de vicio redibitório, art 441 parágrafo único CC Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor. Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas. não cabe revogação dessa revogação por ingratidão. 564 CC Art. 564. Não se revogam por ingratidão: I - as doações puramente remuneratórias; II - as oneradas com encargo já cumprido; III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural; IV - as feitas para determinado casamento. Há dispensa de colação no caso de serviço prestado ao ascendente. 2011 CC Art. 2.011. As doações remuneratórias de serviços feitos ao ascendente tambémnão estão sujeitas a colação. 11.2.3) doação contemplativa ou meritória Art 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. È aquela realizada em contemplação de um merecimento do donatário, constituindo ato de liberalidade. Não há qq relevância jurídica. 11.2.4. doação a nascituro art 542 CC Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal. Nascituro é aquele que foi concebido, mas ainda não nasceu, essa doação só será valida, sendo aceita pelo representante legal do nascituro. Além disso, no plano da eficácia a doação depende do nascimento com vida, (condição). Doutrina e jurisprudência admitem doação a prole eventual (MHD). 11.2.5 Doação sob forma de subvenção periódica Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado extingue-se morrendo o doador, salvo se este outra coisa dispuser, mas não poderá ultrapassar a vida do donatário. Trata-se da doação de rendas (contrato de trato sucessivo), esse contrato é personalíssimo, pois em regra extingue-se com a morte do doador. Entretanto o doador pode estipular que os herdeiros continuem na doação, ate os limites da herança, em casos tais o contrato não pode ultrapassar a vida do donatário. (contrato personalíssimo) Não confundir com o contrato de constituição de renda, que é gênero, e que pode ser gratuito ou oneroso. Art 803 a 813 CC. 11.2.6. Doação propriter nuptias Art. 546. A doação feita em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa, quer pelos nubentes entre si, quer por terceiro a um deles, a ambos, ou aos filhos que, de futuro, houverem um do outro, não pode ser impugnada por falta de aceitação, e só ficará sem efeito se o casamento não se realizar. È aquela realizada em contemplação de um casamento futuro do donatário (doação condicional). Essa doação pode ser feita por terceiro aos cônjuges, ou entre os próprios cônjuges, inclusive em caso de nascimento de filho. Não ocorrendo a condição opera uma clausula resolutiva tácita. Essa doação é anterior a declaração de casamento, não se confundindo com os presentes posteriores. 11.2.7 doação de ascendente para descendente / entre cônjuge art 544 CC Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança. Nos dois casos, não há necessidade de qq autorização, pois a doação importa em adiantamento da legitima. , sujeita a colação em regra, sob pena de sonegados. A regra não se aplica a companheiros, que não é herdeiro necessário. 1845 Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. A jurisprudência do STJ já entendeu ser nula a doação entre cônjuges, no regime da comunhão universal, por impossibilidade do objeto. AR 310/PI Alem disso o entendimento anterior era pela nulidade da doação também no regime da separação obrigatória de bens, por fraude a lei. (Venosa) Porem esse entendimento tende a mudar, diante da presunção de boa-fé, e da possibilidade de alteração do regime. Nesse sentido TJ/SP AP com revisão 546.548.4/7. 11.2.8 Doação com clausula de reversão ou retorno Art. 547. O doador pode estipular que os bens doados voltem ao seu patrimônio, se sobreviver ao donatário. Parágrafo único. Não prevalece cláusula de reversão em favor de terceiro. Pode o doador estipular que os bens voltem ao seu patrimônio se sobreviver ao donatário. Doador donatário se morrer antes do doador, portanto a propriedade é resolúvel Clausula de retorno Segundo entendimento majoritário presente a clausula sendo vendido o bem para terceiro, e morrendo o donatário o bem retorna para o doador, diante da propriedade resolúvel. Venosa MHD, Carlos Alberto Gonçalves A clausula é personalíssima, não prevalecendo em favor de terceiro, ecaso contrato haveria pacto sucessório 426 11.2.9 doação conjuntiva art 551 CC Art. 551. Salvo declaração em contrário, a doação em comum a mais de uma pessoa entende-se distribuída entre elas por igual. Parágrafo único. Se os donatários, em tal caso, forem marido e mulher, subsistirá na totalidade a doação para o cônjuge sobrevivo. Renata Di Pardi Gaya