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DIMENSIONAMENTO DE TERRAÇOS EM
NÍVEL E EM DESNÍVEL
Aula Avançada para Estudantes de Agronomia - Cerrado
Tocantinense
SUMÁRIO
Introdução
Importância da conservação do solo no cerrado tocantinense
Erosão hídrica e seus impactos na agricultura regional
Conceitos Fundamentais sobre Terraços Agrícolas
Definição e objetivos do terraceamento
Classificação dos terraços
Componentes estruturais dos terraços
Características do Cerrado Tocantinense
Clima e regime pluviométrico
Solos predominantes e suas propriedades
Desafios específicos para conservação do solo na região
Dimensionamento de Terraços
Princípios básicos de dimensionamento
Fórmula de Bertoni e seus parâmetros
Espaçamento vertical e horizontal entre terraços
Terraços em Nível
Características e aplicações
Vantagens e limitações
Dimensionamento específico
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Terraços em Desnível (Gradiente)
Características e aplicações
Vantagens e limitações
Dimensionamento específico
Cálculo do gradiente adequado
Exemplos Práticos de Dimensionamento
Dimensionamento para diferentes tipos de solo do cerrado tocantinense
Dimensionamento para diferentes culturas e sistemas de manejo
Análise comparativa entre terraços em nível e em desnível
Implementação e Manutenção
Equipamentos e técnicas de construção
Integração com outras práticas conservacionistas
Manutenção e monitoramento
Considerações Finais
Tendências e inovações no terraceamento agrícola
Recomendações específicas para o cerrado tocantinense
Referências Bibliográficas
1. INTRODUÇÃO
A conservação do solo é um dos pilares fundamentais para a sustentabilidade da
agricultura no cerrado tocantinense. Esta região, caracterizada por um regime
pluviométrico com chuvas intensas concentradas em um período específico do ano,
apresenta alto potencial erosivo, especialmente em áreas com declives acentuados e
solos susceptíveis à erosão.
O processo erosivo no cerrado tocantinense é agravado pela combinação de fatores
como a alta intensidade das chuvas, que podem atingir valores de erosividade entre 500
e 2000 MJ·mm/ha·h nos meses mais chuvosos (dezembro a março), e a remoção da
vegetação nativa para implantação de sistemas agrícolas. A perda de solo por erosão
hídrica não apenas compromete a fertilidade e a estrutura do solo, mas também causa
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assoreamento de cursos d'água, redução da capacidade de armazenamento de água no
perfil do solo e diminuição da produtividade agrícola.
Neste contexto, o terraceamento agrícola emerge como uma prática conservacionista
essencial, capaz de reduzir significativamente as perdas de solo e água, contribuindo
para a sustentabilidade dos sistemas produtivos. O dimensionamento adequado de
terraços, considerando as especificidades do cerrado tocantinense, é fundamental para
garantir a eficiência desta prática e evitar problemas como rompimentos, que podem
agravar ainda mais os processos erosivos.
Esta aula abordará de forma detalhada os métodos e critérios para o dimensionamento
de terraços em nível e em desnível, com foco específico nas condições edafoclimáticas
do cerrado tocantinense, fornecendo aos estudantes de agronomia as ferramentas
necessárias para implementar sistemas de terraceamento eficientes e adaptados à
realidade regional.
2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS SOBRE TERRAÇOS
AGRÍCOLAS
2.1 Definição e Objetivos do Terraceamento
Terraços agrícolas são estruturas hidráulicas conservacionistas compostas por um canal
e um camalhão (dique), construídos transversalmente ao sentido do declive do terreno.
Estas estruturas têm como principais objetivos:
Interceptar o escoamento superficial da água, reduzindo seu volume e velocidade
Aumentar a infiltração de água no solo
Conduzir o excesso de água para locais adequados de descarga (no caso de
terraços em desnível)
Reduzir as perdas de solo, água, nutrientes e insumos agrícolas
Controlar a erosão hídrica e preservar a capacidade produtiva do solo
O terraceamento é particularmente importante no cerrado tocantinense devido ao
regime pluviométrico caracterizado por chuvas intensas e concentradas, que podem
causar erosão severa em solos desprotegidos.
2.2 Classificação dos Terraços
Os terraços podem ser classificados segundo diferentes critérios:
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2.2.1 Quanto à função
Terraços de retenção (em nível): Construídos em nível, têm como objetivo
principal reter a água da chuva, favorecendo sua infiltração no solo. São
recomendados para solos com boa permeabilidade, como os Latossolos que
predominam no cerrado tocantinense.
Terraços de drenagem (em desnível ou com gradiente): Construídos com uma
pequena declividade longitudinal, têm como objetivo escoar o excesso de água
para canais escoadouros protegidos. São recomendados para solos com menor
permeabilidade ou em áreas com precipitações muito intensas.
2.2.2 Quanto ao processo de construção
Tipo Nichol's ou canal: Durante a construção, a movimentação de terra é feita de
cima para baixo. É indicado para declives inferiores a 18%, com seção transversal
do canal aproximadamente triangular.
Tipo Mangum ou camalhão: Durante a construção, a movimentação de terra é
feita de baixo para cima e de cima para baixo. É adequado para áreas com declives
de até 12%, com canal mais largo e raso, e maior capacidade de armazenamento.
Terraço comum: É a combinação de um canal com camalhão construído em nível
ou com gradiente, cuja função é interceptar a enxurrada, forçando sua absorção
pelo solo ou a retirada do excesso de água. A declividade máxima para sua
construção é de 20%.
Terraço tipo patamar: Construído através da movimentação de terra com cortes e
aterros, que resultam em patamares em forma de escada. A plataforma do patamar
deve apresentar pequena inclinação com direção ao seu interior e um pequeno
dique.
Terraço tipo murundum ou leirão: Construído raspando-se o horizonte superficial
do solo por tratores com lâmina frontal, e amontoando-a para formar um
camalhão de avantajadas proporções. É recomendado para áreas com uso agrícola
intensivo com declividade máxima de 15%.
Terraço tipo embutido: Mais difundido em áreas de plantio de cana-de-açúcar,
sua forma assemelha-se à dos murunduns, com canal de forma triangular e talude
que separa o canal do camalhão praticamente na vertical.
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2.2.3 Quanto à largura da base
Base larga: Largura entre 6 e 12 metros, recomendados para declives de 2 a 8%.
Permitem o cultivo sobre toda sua extensão.
Base média: Largura entre 4 e 6 metros, recomendados para declives de 8 a 12%.
Base estreita: Largura entre 2 e 4 metros, recomendados para declives de 12 a
18%.
Em patamar: Recomendados para declives acima de 18% até 50%.
2.3 Componentes Estruturais dos Terraços
Os principais componentes estruturais de um terraço são:
Canal: Parte escavada que tem a função de reter ou conduzir a água. Suas
dimensões variam conforme o tipo de terraço e as condições locais.
Camalhão (dique): Elevação construída com o solo removido do canal, que tem a
função de barrar o fluxo de água. Sua altura e largura dependem do tipo de terraço
e do volume de água a ser controlado.
Área de captação: Área entre dois terraços consecutivos, responsável por captar a
água da chuva que será interceptada pelo terraço inferior.
Canais escoadouros (apenas para terraços em desnível): Estruturas
dimensionadas para receber e conduzir com segurança o excesso de água
proveniente dos terraços em desnível.
3. CARACTERÍSTICAS DO CERRADO TOCANTINENSE
3.1 Clima e Regime Pluviométrico
O cerrado tocantinense apresenta clima tropical com duas estações bem definidas:
Estação chuvosa: De outubro a abril, concentrando cerca de 90% da precipitação
anual, que varia entre 1.500 e 1.800 mm.
Estação seca: De maio a setembro, com precipitações escassas e baixa umidade
relativa do ar.
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A distribuição daschuvas é caracterizada por:
Alta intensidade pluviométrica nos meses de dezembro a março, com valores
médios mensais entre 200 e 300 mm.
Ocorrência frequente de chuvas convectivas de alta intensidade e curta duração.
Erosividade das chuvas elevada, com valores entre 500 e 2000 MJ·mm/ha·h nos
meses mais chuvosos.
Esta distribuição irregular das chuvas, com concentração em um período específico do
ano e ocorrência de eventos de alta intensidade, aumenta significativamente o potencial
erosivo, tornando essencial a adoção de práticas conservacionistas como o
terraceamento.
3.2 Solos Predominantes e suas Propriedades
Os solos predominantes no cerrado tocantinense incluem:
Latossolos Vermelho-Amarelos (LVA): Ocupam aproximadamente 40% da área do
estado. São solos profundos, bem drenados, com textura média a argilosa, alta
permeabilidade e baixa fertilidade natural. Apresentam boa resistência à erosão
quando em relevo plano a suave ondulado, mas tornam-se susceptíveis em relevos
mais declivosos.
Latossolos Vermelhos (LV): Ocupam cerca de 15% da área. São solos profundos,
bem drenados, com textura argilosa a muito argilosa, alta permeabilidade e baixa
fertilidade natural. Apresentam boa resistência à erosão.
Plintossolos: Ocupam aproximadamente 12% da área, principalmente nas
planícies aluviais. São solos com drenagem restrita, presença de plintita (material
rico em ferro) e susceptibilidade à erosão moderada a alta.
Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas): Ocupam cerca de 10% da área.
São solos profundos, excessivamente drenados, com textura arenosa, baixa
fertilidade natural e alta susceptibilidade à erosão.
Cambissolos: Ocupam aproximadamente 8% da área. São solos pouco
desenvolvidos, com horizonte B incipiente, profundidade variável, drenagem
moderada a boa e alta susceptibilidade à erosão.
Argissolos (Podzólicos): Ocupam cerca de 7% da área. São solos com horizonte B
textural, profundidade variável, drenagem moderada e susceptibilidade à erosão
moderada a alta.
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3.3 Desafios Específicos para Conservação do Solo na Região
Os principais desafios para a conservação do solo no cerrado tocantinense incluem:
Regime pluviométrico: A concentração de chuvas intensas em um período
específico do ano aumenta o potencial erosivo.
Relevo: Embora predominem áreas de relevo plano a suave ondulado, existem
áreas significativas com relevo ondulado a forte ondulado, aumentando o
potencial erosivo.
Solos susceptíveis à erosão: Alguns solos, como os Neossolos Quartzarênicos e
Cambissolos, apresentam alta susceptibilidade à erosão.
Expansão agrícola: A rápida expansão da fronteira agrícola, com conversão de
áreas de vegetação nativa em áreas agrícolas, aumenta o risco de erosão.
Manejo inadequado do solo: Práticas como o preparo excessivo do solo, ausência
de cobertura vegetal e cultivo morro abaixo aumentam significativamente as
perdas de solo por erosão.
Alternância entre períodos secos e chuvosos: Esta característica climática
dificulta a manutenção de cobertura vegetal adequada durante todo o ano,
aumentando a exposição do solo à erosão no início do período chuvoso.
Diante destes desafios, o dimensionamento adequado de terraços, considerando as
especificidades locais, torna-se fundamental para a conservação do solo e a
sustentabilidade dos sistemas produtivos no cerrado tocantinense.
4. DIMENSIONAMENTO DE TERRAÇOS
4.1 Princípios Básicos de Dimensionamento
O dimensionamento adequado de terraços é fundamental para garantir sua eficiência
na conservação do solo e da água. Os princípios básicos que orientam este
dimensionamento incluem:
Cálculo da quantidade de enxurrada: O dimensionamento do sistema é feito em
função do potencial de geração de enxurradas quando da ocorrência de chuvas
intensas.
Delimitação da área de atuação: Um sistema de terraceamento deve ser locado
em um local protegido da introdução de água que não aquela efetivamente caída
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sobre o local considerado, como uma microbacia ou área protegida por divisores
de água naturais.
Consideração das características do solo: Aspectos como susceptibilidade à
erosão, capacidade de infiltração de água e propriedades físicas do solo devem ser
considerados.
Análise do relevo: A declividade e o comprimento das vertentes influenciam
diretamente o dimensionamento dos terraços.
Avaliação do sistema de produção: O tipo de cultura, o manejo dos restos
culturais e o preparo do solo afetam o potencial erosivo e devem ser considerados
no dimensionamento.
4.2 Fórmula de Bertoni e seus Parâmetros
A fórmula mais utilizada no Brasil para o cálculo do espaçamento vertical entre terraços
é a equação proposta por Bertoni (1978):
EV = 0,4518 · K₁ · D^0,58 · [(u + m)/2]
Onde: - EV = espaçamento vertical entre terraços, em metros - K₁ = índice de erosão,
variável para cada tipo de solo (tabelado) - D = declive do terreno, em porcentagem - u =
fator de uso do solo (tabelado) - m = fator de preparo do solo e manejo de restos
culturais (tabelado)
4.2.1 Índice de Erosão (K₁)
O índice de erosão (K₁) varia conforme o tipo de solo e suas características físicas. Para
os solos do cerrado tocantinense, os valores de K₁ são:
Grupo A (Latossolos Vermelhos, Latossolos Vermelho-Amarelos): K₁ = 1,25
Solos profundos (>2m) ou muito profundos (>1m)
Alta taxa de infiltração, bem drenados
Textura argilosa a muito argilosa
Razão textural 1,5
Grupo D (Solos Litólicos, Areias Quartzosas): K₁ = 0,75
Solos rasos (0,25-0,5m) a moderadamente profundos (0,5-1m)
Drenagem variável
4.2.2 Fator de Uso da Terra (u)
O fator de uso da terra (u) varia conforme o tipo de cultura:
Grupo 1 (Feijão, mandioca, mamona): u = 0,50
Grupo 2 (Amendoim, algodão, arroz, alho, cebola, girassol, fumo): u = 0,75
Grupo 3 (Soja, batatinha, melancia, abóbora, melão, leguminosas para adubação
verde): u = 1,00
Grupo 4 (Milho, sorgo, cana-de-açúcar, trigo, aveia, centeio, cevada, outras
culturas de inverno, frutíferas de ciclo curto): u = 1,25
Grupo 5 (Banana, café, citros, frutíferas permanentes): u = 1,50
Grupo 6 (Pastagens e/ou capineiras): u = 1,75
Grupo 7 (Reflorestamento, cacau, seringueira): u = 2,00
4.2.3 Fator de Preparo do Solo e Manejo de Restos Culturais (m)
O fator de preparo do solo e manejo de restos culturais (m) varia conforme as práticas
adotadas:
Grupo 1 (Grade pesada ou enxada rotativa + grade niveladora, restos incorporados
ou queimados): m = 0,50
Grupo 2 (Arado de discos ou aivecas + grade niveladora, restos incorporados ou
queimados): m = 0,75
Grupo 3 (Grade leve + grade niveladora, restos parcialmente incorporados com ou
sem rotação de culturas): m = 1,00
Grupo 4 (Arado escarificador + grade niveladora, restos parcialmente incorporados
com ou sem rotação de culturas): m = 1,50
Grupo 5 (Sem preparo, plantio direto, restos na superfície do terreno): m = 2,00
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4.3 Espaçamento Vertical e Horizontal entre Terraços
O espaçamento vertical (EV) entre terraços, calculado pela fórmula de Bertoni,
representa a diferença de nível entre dois terraços consecutivos. A partir do EV, pode-se
calcular o espaçamento horizontal (EH), que representa a distância em linha reta entre
dois terraços:
EH = (100 · EV) / D
Onde: - EH = espaçamento horizontal entre terraços, em metros - EV = espaçamento
vertical entre terraços, em metros - D = declive do terreno, em porcentagem
O espaçamento entre terraços deve considerar também aspectos práticos, como a
largura dos implementos agrícolas utilizados e a necessidade de manobras de
máquinas. Em geral, recomenda-se que o espaçamento horizontalseja múltiplo da
largura dos implementos, para facilitar as operações agrícolas.
5. TERRAÇOS EM NÍVEL
5.1 Características e Aplicações
Os terraços em nível, também chamados de terraços de retenção, são construídos
seguindo as curvas de nível do terreno, sem gradiente longitudinal. Suas principais
características incluem:
Seção transversal: Pode ser triangular, parabólica ou trapezoidal, dependendo do
tipo de terraço (base estreita, média ou larga).
Função principal: Reter a água da chuva, favorecendo sua infiltração no solo e
reduzindo o escoamento superficial.
Capacidade de armazenamento: Deve ser dimensionada para armazenar o
volume de enxurrada gerado por chuvas intensas com período de retorno
adequado (geralmente 10 anos).
Ausência de canais escoadouros: Como não há escoamento longitudinal, não são
necessários canais escoadouros.
Os terraços em nível são especialmente indicados para:
Solos com boa permeabilidade, como os Latossolos que predominam no cerrado
tocantinense.
Áreas com precipitações moderadas ou onde a conservação da água no solo é
prioritária.
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Declives de até 12%, sendo mais eficientes em declives menores (até 8%).
Culturas que se beneficiam da maior disponibilidade de água no solo, como soja,
milho e outras culturas anuais.
5.2 Vantagens e Limitações
Vantagens dos Terraços em Nível:
Conservação da água no solo: Ao reter a água da chuva, aumentam a
disponibilidade de água para as culturas, aspecto particularmente importante no
cerrado tocantinense, que apresenta períodos de déficit hídrico.
Não necessitam de locais para escoamento do excesso de água: Dispensam a
construção e manutenção de canais escoadouros, simplificando o sistema.
Menor complexidade de construção: São mais simples de locar e construir, pois
seguem exatamente as curvas de nível.
Recarga do lençol freático: Ao aumentar a infiltração de água no solo, contribuem
para a recarga dos aquíferos.
Limitações dos Terraços em Nível:
Maior risco de rompimento: Em eventos de chuvas muito intensas, podem
ocorrer transbordamentos e rompimentos, especialmente se não forem
adequadamente dimensionados ou mantidos.
Exigência de limpezas mais frequentes: O acúmulo de sedimentos no canal pode
reduzir sua capacidade de armazenamento, exigindo limpezas periódicas.
Limitações em solos com baixa permeabilidade: Em solos com infiltração lenta,
pode ocorrer saturação do canal e aumento do risco de rompimento.
Menor eficiência em áreas com precipitações muito intensas: Em regiões com
chuvas de alta intensidade, como pode ocorrer no cerrado tocantinense durante o
período chuvoso, o risco de transbordamento pode ser elevado.
5.3 Dimensionamento Específico
O dimensionamento de terraços em nível envolve duas etapas principais:
5.3.1 Cálculo do Espaçamento entre Terraços
Utiliza-se a fórmula de Bertoni para calcular o espaçamento vertical (EV) e, a partir
deste, o espaçamento horizontal (EH), conforme descrito anteriormente.
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5.3.2 Dimensionamento da Seção Transversal
A seção transversal do terraço deve ser dimensionada para armazenar o volume de
enxurrada gerado por uma chuva de projeto. As dimensões recomendadas para terraços
em nível no cerrado tocantinense são:
Terraços de Base Larga (declives de 2 a 8%):
Profundidade do canal: 0,40 - 0,60 m
Largura do canal: 3,0 - 4,0 m
Altura do camalhão: 0,40 - 0,60 m
Largura do camalhão: 3,0 - 4,0 m
Volume de corte: 0,60 - 1,20 m³/m
Volume de aterro: 0,60 - 1,20 m³/m
Terraços de Base Média (declives de 8 a 12%):
Profundidade do canal: 0,60 - 0,80 m
Largura do canal: 2,0 - 3,0 m
Altura do camalhão: 0,60 - 0,80 m
Largura do camalhão: 2,0 - 3,0 m
Volume de corte: 0,60 - 1,20 m³/m
Volume de aterro: 0,60 - 1,20 m³/m
Terraços de Base Estreita (declives de 12 a 18%):
Profundidade do canal: 0,80 - 1,00 m
Largura do canal: 1,0 - 2,0 m
Altura do camalhão: 0,80 - 1,00 m
Largura do camalhão: 1,0 - 2,0 m
Volume de corte: 0,40 - 1,00 m³/m
Volume de aterro: 0,40 - 1,00 m³/m
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6. TERRAÇOS EM DESNÍVEL (GRADIENTE)
6.1 Características e Aplicações
Os terraços em desnível, também chamados de terraços de drenagem ou com gradiente,
são construídos com uma pequena declividade longitudinal, que permite o escoamento
controlado do excesso de água. Suas principais características incluem:
Seção transversal: Similar aos terraços em nível, pode ser triangular, parabólica
ou trapezoidal.
Gradiente longitudinal: Varia geralmente entre 0,1% e 0,8%, dependendo do tipo
de solo, comprimento do terraço e volume de água a ser escoado.
Função principal: Interceptar o escoamento superficial e conduzir o excesso de
água para canais escoadouros adequadamente protegidos.
Necessidade de canais escoadouros: Exigem a construção e manutenção de
estruturas para receber e conduzir com segurança a água proveniente dos terraços.
Os terraços em desnível são especialmente indicados para:
Solos com permeabilidade moderada a baixa, como alguns Argissolos e
Cambissolos presentes no cerrado tocantinense.
Áreas com precipitações intensas, onde o volume de enxurrada pode exceder a
capacidade de infiltração do solo.
Declives de até 20%, sendo mais comuns em declives entre 8% e 18%.
Situações onde o risco de rompimento de terraços em nível é elevado.
6.2 Vantagens e Limitações
Vantagens dos Terraços em Desnível:
Menor risco de rompimento: Ao permitir o escoamento controlado do excesso de
água, reduzem o risco de transbordamento e rompimento.
Maior eficiência em áreas com precipitações intensas: São mais adequados para
regiões com chuvas de alta intensidade, como ocorre no cerrado tocantinense
durante o período chuvoso.
Adaptabilidade a solos com menor permeabilidade: Funcionam bem em solos
onde a infiltração é mais lenta, pois não dependem exclusivamente da capacidade
de infiltração do solo.
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Limitações dos Terraços em Desnível:
Necessidade de canais escoadouros: Exigem a construção e manutenção de
estruturas adequadas para receber e conduzir a água, aumentando a
complexidade e o custo do sistema.
Maior dificuldade de locação: A marcação do gradiente adequado torna a locação
mais complexa que a dos terraços em nível.
Menor conservação de água no solo: Parte da água da chuva é conduzida para
fora da área, reduzindo a disponibilidade para as culturas.
Risco de erosão nos canais escoadouros: Se não forem adequadamente
dimensionados e protegidos, os canais escoadouros podem sofrer erosão,
comprometendo todo o sistema.
6.3 Dimensionamento Específico
O dimensionamento de terraços em desnível envolve três etapas principais:
6.3.1 Cálculo do Espaçamento entre Terraços
Utiliza-se a fórmula de Bertoni para calcular o espaçamento vertical (EV) e, a partir
deste, o espaçamento horizontal (EH), conforme descrito anteriormente.
6.3.2 Dimensionamento da Seção Transversal
A seção transversal é similar à dos terraços em nível, com as mesmas dimensões
recomendadas para cada faixa de declividade.
6.3.3 Cálculo do Gradiente Adequado
O gradiente longitudinal deve ser suficiente para permitir o escoamento da água sem
causar erosão no canal do terraço. Os gradientes recomendados para o cerrado
tocantinense variam conforme o tipo de solo e o comprimento do terraço:
Latossolos com textura argilosa:
Comprimento 250 m: 0,3 - 0,4%
Latossolos com textura média:
Comprimento 250 m: 0,4 - 0,5%
Argissolos (Podzólicos) com textura argilosa:
Comprimento 250 m: 0,5 - 0,6%
Argissolos (Podzólicos) com textura média:
Comprimento 250 m: 0,6 - 0,7%
Cambissolos:
Comprimento> 250 m: 0,7 - 0,8%
6.4 Dimensionamento de Canais Escoadouros
Os canais escoadouros são estruturas essenciais para os terraços em desnível, pois
recebem e conduzem o excesso de água com segurança. Seu dimensionamento deve
considerar:
Vazão máxima: Calculada com base na área de contribuição e na intensidade da
chuva de projeto.
Velocidade não erosiva: A velocidade da água no canal não deve exceder a
velocidade não erosiva para o tipo de revestimento utilizado.
Seção transversal: Geralmente trapezoidal, dimensionada para conduzir a vazão
máxima com segurança.
Proteção: Os canais devem ser protegidos com vegetação densa (gramíneas) ou,
em casos de maior vazão ou declividade, com estruturas físicas como pedras,
concreto ou gabiões.
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7. EXEMPLOS PRÁTICOS DE DIMENSIONAMENTO
7.1 Exemplo 1: Dimensionamento de Terraço em Nível para Cultura de
Soja
Dados do problema:
Local: Região central do Tocantins (cerrado tocantinense)
Solo: Latossolo Vermelho-Amarelo (LVa) - Grupo A (Ki = 1,25)
Declividade do terreno: 6%
Cultura: Soja (u = 1,00)
Sistema de preparo do solo: Grade leve + grade niveladora, com restos culturais
parcialmente incorporados (m = 1,00)
Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
Aplicando a fórmula de Bertoni:
EV = 0,4518 · Ki · D^0,58 · [(u + m)/2]
EV = 0,4518 · 1,25 · 6^0,58 · [(1,00 + 1,00)/2]
EV = 0,4518 · 1,25 · 2,64 · 1,00
EV = 0,4518 · 1,25 · 2,64 · 1,00
EV = 1,49 metros
Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
EH = (100 · EV) / D
EH = (100 · 1,49) / 6
EH = 149 / 6
EH = 24,83 metros
Conclusão:
Para uma área de cultivo de soja em Latossolo Vermelho-Amarelo com 6% de
declividade no cerrado tocantinense, recomenda-se a construção de terraços em nível
com espaçamento vertical de 1,49 metros e espaçamento horizontal de 24,83 metros.
Como a declividade está entre 2% e 8%, recomenda-se utilizar terraços de base larga.
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7.2 Exemplo 2: Dimensionamento de Terraço em Desnível para Cultura
de Milho
Dados do problema:
Local: Região norte do Tocantins (cerrado tocantinense)
Solo: Podzólico Vermelho-Amarelo (PV) - Grupo B (Ki = 1,10)
Declividade do terreno: 10%
Cultura: Milho (u = 1,25)
Sistema de preparo do solo: Arado de discos + grade niveladora, com restos
culturais incorporados (m = 0,75)
Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
Aplicando a fórmula de Bertoni:
EV = 0,4518 · Ki · D^0,58 · [(u + m)/2]
EV = 0,4518 · 1,10 · 10^0,58 · [(1,25 + 0,75)/2]
EV = 0,4518 · 1,10 · 3,80 · 1,00
EV = 0,4518 · 1,10 · 3,80 · 1,00
EV = 1,89 metros
Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
EH = (100 · EV) / D
EH = (100 · 1,89) / 10
EH = 189 / 10
EH = 18,9 metros
Cálculo do Gradiente:
Considerando um terraço com comprimento de 200 metros em solo Podzólico com
textura argilosa, o gradiente recomendado é de 0,4 a 0,5%. Adotando 0,5%, a diferença
de nível entre o início e o fim do terraço será:
Diferença de nível = 200 · 0,005 = 1,0 metro
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Conclusão:
Para uma área de cultivo de milho em Podzólico Vermelho-Amarelo com 10% de
declividade no cerrado tocantinense, recomenda-se a construção de terraços em
desnível com espaçamento vertical de 1,89 metros, espaçamento horizontal de 18,9
metros e gradiente de 0,5%. Como a declividade está entre 8% e 12%, recomenda-se
utilizar terraços de base média.
7.3 Exemplo 3: Dimensionamento de Terraço para Sistema de Plantio
Direto em Área de Pastagem Convertida
Dados do problema:
Local: Região sudoeste do Tocantins (cerrado tocantinense)
Solo: Latossolo Vermelho (LV) - Grupo A (Ki = 1,25)
Declividade do terreno: 4%
Cultura: Pastagem convertida para plantio direto de soja (u = 1,00)
Sistema de preparo do solo: Plantio direto, com restos culturais na superfície (m =
2,00)
Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
Aplicando a fórmula de Bertoni:
EV = 0,4518 · Ki · D^0,58 · [(u + m)/2]
EV = 0,4518 · 1,25 · 4^0,58 · [(1,00 + 2,00)/2]
EV = 0,4518 · 1,25 · 2,00 · 1,50
EV = 0,4518 · 1,25 · 2,00 · 1,50
EV = 1,69 metros
Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
EH = (100 · EV) / D
EH = (100 · 1,69) / 4
EH = 169 / 4
EH = 42,25 metros
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Conclusão:
Para uma área de pastagem convertida para plantio direto de soja em Latossolo
Vermelho com 4% de declividade no cerrado tocantinense, recomenda-se a construção
de terraços em nível com espaçamento vertical de 1,69 metros e espaçamento
horizontal de 42,25 metros. Como a declividade está entre 2% e 8%, recomenda-se
utilizar terraços de base larga.
7.4 Exemplo 4: Dimensionamento de Terraço em Área com Alta
Declividade para Fruticultura
Dados do problema:
Local: Região leste do Tocantins (cerrado tocantinense)
Solo: Cambissolo (C) - Grupo C (Ki = 0,90)
Declividade do terreno: 15%
Cultura: Banana (u = 1,50)
Sistema de preparo do solo: Arado escarificador + grade niveladora (m = 1,50)
Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
Aplicando a fórmula de Bertoni:
EV = 0,4518 · Ki · D^0,58 · [(u + m)/2]
EV = 0,4518 · 0,90 · 15^0,58 · [(1,50 + 1,50)/2]
EV = 0,4518 · 0,90 · 4,96 · 1,50
EV = 0,4518 · 0,90 · 4,96 · 1,50
EV = 3,02 metros
Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
EH = (100 · EV) / D
EH = (100 · 3,02) / 15
EH = 302 / 15
EH = 20,13 metros
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Cálculo do Gradiente:
Considerando um terraço com comprimento de 150 metros em Cambissolo, o gradiente
recomendado é de 0,6 a 0,7%. Adotando 0,6%, a diferença de nível entre o início e o fim
do terraço será:
Diferença de nível = 150 · 0,006 = 0,9 metro
Conclusão:
Para uma área de cultivo de banana em Cambissolo com 15% de declividade no cerrado
tocantinense, recomenda-se a construção de terraços em desnível com espaçamento
vertical de 3,02 metros, espaçamento horizontal de 20,13 metros e gradiente de 0,6%.
Como a declividade está entre 12% e 18%, recomenda-se utilizar terraços de base
estreita.
7.5 Exemplo 5: Comparação entre Terraços em Nível e em Desnível para
uma Mesma Área
Dados do problema:
Local: Região central do Tocantins (cerrado tocantinense)
Solo: Latossolo Vermelho-Amarelo (LVa) - Grupo A (Ki = 1,25)
Declividade do terreno: 8%
Cultura: Milho (u = 1,25)
Sistema de preparo do solo: Grade leve + grade niveladora (m = 1,00)
Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
Aplicando a fórmula de Bertoni:
EV = 0,4518 · Ki · D^0,58 · [(u + m)/2]
EV = 0,4518 · 1,25 · 8^0,58 · [(1,25 + 1,00)/2]
EV = 0,4518 · 1,25 · 3,25 · 1,125
EV = 0,4518 · 1,25 · 3,25 · 1,125
EV = 2,06 metros
Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
EH = (100 · EV) / D
EH = (100 · 2,06) / 8
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EH = 206 / 8
EH = 25,75 metros
Análise Comparativa:
Terraço em Nível: - Vantagens: Maior retenção de água no solo, beneficiando o
desenvolvimento do milho em períodos de estiagem, comuns no cerrado tocantinense. -
Desvantagens: Maior risco de rompimento em eventos de chuvas intensas, que podem
ocorrer no período chuvoso (outubro a abril). - Recomendação: Construir camalhões
mais reforçados e realizar manutenção periódica, especialmente antes do período
chuvoso.
Terraço em Desnível (com gradiente de 0,5%): - Vantagens: Menor risco de
rompimento, adequado para áreas com histórico de chuvas intensas. - Desvantagens:
Necessidade de construção de canais escoadouros adequadamente dimensionados e
protegidos. - Recomendação: Utilizar vegetação para proteção dos canais escoadouros
e construir bacias de contenção para reduzir a velocidade da água.
Conclusão:
Para esta área específica, com declividade de 8% (limite entre terraços de base larga e
média), a escolha entre terraços em nível ou em desnível dependerá principalmente do
regime pluviométrico local e da capacidade de infiltração do solo. Para solos com boa
permeabilidade, como é o caso dos Latossolos do cerrado tocantinense, e em áreas
onde não há histórico de chuvas extremamente intensas, os terraços em nível seriam
mais recomendados, pois contribuem para a conservação da água no solo, fator crítico
para a região.
8. IMPLEMENTAÇÃO E MANUTENÇÃO
8.1 Equipamentos e Técnicas de Construção
A construção de terraçosno cerrado tocantinense pode ser realizada com diferentes
equipamentos, dependendo do tipo de terraço, das condições do terreno e da
disponibilidade de maquinário:
8.1.1 Equipamentos para Construção de Terraços
Arado terraceador: Implemento específico para construção de terraços,
especialmente os de base larga e média. Permite a construção em uma única
operação ou em passadas sucessivas.
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Arado reversível: Utilizado principalmente para terraços de base estreita. Exige
várias passadas para formar o canal e o camalhão.
Motoniveladora: Adequada para terraços de base larga em áreas com declives
suaves. Permite bom controle da conformação do terraço.
Trator de esteira com lâmina frontal: Utilizado principalmente para terraços em
patamar e em áreas com declives acentuados.
Pá carregadeira: Pode ser utilizada como alternativa em pequenas áreas ou para
ajustes localizados.
8.1.2 Técnicas de Construção
Marcação das curvas de nível ou em gradiente: Utilizando equipamentos como
nível ótico, nível de mangueira ou GPS com RTK, marca-se a linha por onde passará
o centro do canal do terraço.
Construção do canal e do camalhão: A terra removida do canal é depositada para
formar o camalhão, geralmente na parte inferior do terraço.
Compactação do camalhão: Especialmente importante em terraços de base
estreita, para aumentar sua resistência.
Ajustes finais: Correção de imperfeições, garantindo a uniformidade do canal e do
camalhão.
8.1.3 Épocas Recomendadas para Construção
No cerrado tocantinense, recomenda-se a construção de terraços nos seguintes
períodos:
Final do período chuvoso (abril-maio): O solo ainda apresenta umidade
adequada para o trabalho, mas não está excessivamente úmido.
Início do período seco (maio-junho): Permite que o sistema esteja pronto antes
do início das chuvas intensas.
Evitar construção durante o período chuvoso intenso (dezembro-março): O
excesso de umidade dificulta as operações e pode comprometer a qualidade da
construção.
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8.2 Integração com Outras Práticas Conservacionistas
O terraceamento deve ser integrado a outras práticas conservacionistas para maximizar
sua eficiência:
8.2.1 Práticas Vegetativas
Plantio em contorno: Cultivo seguindo as curvas de nível, perpendicular ao
sentido do declive.
Rotação de culturas: Alternância de culturas com diferentes sistemas radiculares e
exigências nutricionais.
Plantas de cobertura: Utilização de espécies como milheto, braquiária, crotalária
e feijão-guandu para proteger o solo durante o período de entressafra.
Sistema plantio direto: Manutenção dos resíduos culturais na superfície do solo e
mínimo revolvimento.
Cultivo em faixas: Alternância de culturas em faixas seguindo as curvas de nível.
8.2.2 Práticas Edáficas
Adubação verde: Incorporação de leguminosas para melhorar a estrutura e
fertilidade do solo.
Calagem e gessagem: Correção da acidez e melhoria das condições químicas do
solo.
Adubação equilibrada: Fornecimento de nutrientes conforme as necessidades das
culturas e as características do solo.
8.2.3 Práticas Mecânicas Complementares
Subsolagem: Rompimento de camadas compactadas para melhorar a infiltração
de água.
Bacias de contenção (barraginhas): Pequenas bacias construídas para captar
água de enxurrada, complementando o sistema de terraceamento.
Canais divergentes: Estruturas para desviar o excesso de água de áreas críticas.
8.3 Manutenção e Monitoramento
A manutenção regular dos terraços é essencial para garantir sua eficiência e
durabilidade:
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8.3.1 Inspeções Periódicas
Antes do período chuvoso (setembro-outubro): Verificação geral do sistema,
identificação e correção de pontos críticos.
Durante o período chuvoso: Monitoramento após eventos de chuvas intensas,
identificação de possíveis rompimentos ou transbordamentos.
Após o período chuvoso: Avaliação dos danos e planejamento das manutenções
necessárias.
8.3.2 Principais Atividades de Manutenção
Desassoreamento dos canais: Remoção de sedimentos acumulados, que
reduzem a capacidade de armazenamento ou condução de água.
Reconstrução de trechos rompidos: Reparo imediato de pontos onde ocorreram
rompimentos.
Reforço do camalhão: Adição de terra em pontos onde o camalhão apresenta
altura insuficiente.
Controle de erosão em canais escoadouros: Manutenção da vegetação de
proteção e reparo de pontos com erosão.
Controle de formigueiros e tocas de animais: Eliminação de formigueiros e tocas
que podem comprometer a estrutura dos terraços.
8.3.3 Monitoramento da Eficiência
Avaliação das perdas de solo: Instalação de parcelas experimentais para
quantificar as perdas de solo e água.
Monitoramento da umidade do solo: Verificação do efeito dos terraços na
conservação da água no solo.
Avaliação da produtividade das culturas: Comparação da produtividade em
áreas com e sem terraceamento.
Análise da qualidade da água nos canais escoadouros: Verificação da turbidez e
presença de sedimentos como indicadores da eficiência do sistema.
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9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
9.1 Tendências e Inovações no Terraceamento Agrícola
O terraceamento agrícola, embora seja uma prática conservacionista tradicional,
continua evoluindo com novas abordagens e tecnologias:
9.1.1 Terraceamento de Precisão
A utilização de tecnologias de agricultura de precisão, como GPS com RTK (Real Time
Kinematic), sistemas de informações geográficas (SIG) e modelos digitais de elevação,
permite o planejamento e a construção de terraços com maior precisão, considerando a
variabilidade espacial do terreno e otimizando o sistema.
9.1.2 Integração com Sistemas Conservacionistas
A integração do terraceamento com sistemas conservacionistas como o plantio direto, a
integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e o manejo de bacias hidrográficas tem
mostrado resultados promissores, maximizando os benefícios de cada prática.
9.1.3 Terraços Ecológicos
Conceito que integra o terraceamento com a preservação de faixas de vegetação nativa,
criando corredores ecológicos e aumentando a biodiversidade, além de contribuir para
a conservação do solo e da água.
9.1.4 Monitoramento Remoto
Utilização de drones, imagens de satélite e sensores para monitorar a eficiência dos
sistemas de terraceamento, identificar pontos críticos e planejar manutenções
preventivas.
9.2 Recomendações Específicas para o Cerrado Tocantinense
Considerando as características específicas do cerrado tocantinense, algumas
recomendações adicionais são importantes:
9.2.1 Adaptação ao Regime Pluviométrico
Dimensionamento conservador: Considerando a ocorrência de chuvas intensas
concentradas no período de outubro a abril, é recomendável adotar fatores de
segurança no dimensionamento dos terraços.
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Manutenção preventiva: Realizar manutenções antes do início do período
chuvoso (setembro-outubro) para garantir a eficiência do sistema.
Combinação de terraços em nível e em desnível: Em áreas extensas ou com
variabilidade de solos, pode ser vantajoso combinar os dois tipos de terraços,
adaptando-os às condições locais.
9.2.2 Adaptação aos Solos Predominantes
Latossolos: Em áreas com Latossolos, que predominam no cerrado tocantinense e
apresentam boa permeabilidade, os terraços em nível são geralmente mais
indicados, contribuindo para a conservação da água no solo.
Plintossolos e Cambissolos: Em áreas com estes solos, que apresentam drenagem
mais restrita, os terraços em desnível podem ser mais adequados, especialmente
em declives mais acentuados.
Neossolos Quartzarênicos: Em áreas com solos arenosos, além do terraceamento,
é fundamental adotar práticas que aumentem a cobertura do solo e a matéria
orgânica, como o plantio direto e a rotação de culturas.
9.2.3 Integração com a Gestão Hídrica
Barraginhas complementares: Em pontos estratégicos, a construção de pequenas
bacias de contenção (barraginhas) pode complementar o sistema de
terraceamento, aumentando a captação e infiltração de água.
Proteçãode nascentes e cursos d'água: O terraceamento deve ser planejado
considerando a proteção de áreas sensíveis, como nascentes, veredas e cursos
d'água, comuns no cerrado tocantinense.
Aproveitamento da água armazenada: Em terraços de retenção, a água
armazenada pode ser utilizada para irrigação suplementar em períodos críticos,
através de sistemas de bombeamento.
9.2.4 Monitoramento e Adaptação Contínua
Avaliação periódica: Realizar avaliações periódicas da eficiência do sistema,
considerando aspectos como perdas de solo, conservação de água e produtividade
das culturas.
Adaptação às mudanças climáticas: Considerar cenários de intensificação de
eventos extremos (chuvas intensas e secas prolongadas) no planejamento e
dimensionamento dos sistemas de terraceamento.
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Compartilhamento de experiências: Promover o intercâmbio de experiências
entre produtores, técnicos e pesquisadores para aprimorar continuamente as
práticas de terraceamento no cerrado tocantinense.
O dimensionamento adequado de terraços, considerando as especificidades do cerrado
tocantinense, é fundamental para a conservação do solo e da água, contribuindo para a
sustentabilidade dos sistemas produtivos e a preservação dos recursos naturais da
região.
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERTONI, J.; LOMBARDI NETO, F. Conservação do solo. 9. ed. São Paulo: Ícone, 2014.
355p.
EMBRAPA. Práticas de conservação de solo e água. Documentos, 85. Embrapa Cerrados,
2001.
EMBRAPA. Terraceamento agrícola. Circular Técnica, 32. Embrapa Solos, 2006.
LOMBARDI NETO, F. et al. Manual de terraceamento agrícola. Campinas: CATI, 1991.
102p.
PRUSKI, F.F. Conservação de solo e água: Práticas mecânicas para o controle da erosão
hídrica. 2. ed. Viçosa: UFV, 2009. 279p.
RESENDE, M.; CURI, N.; REZENDE, S.B.; CORRÊA, G.F. Pedologia: base para distinção de
ambientes. 5. ed. Lavras: UFLA, 2007. 322p.
SEPLAN-TO. Atlas do Tocantins: subsídios ao planejamento da gestão territorial. 6. ed.
Palmas: Seplan, 2012.
SILVA, A.M.; SCHULZ, H.E.; CAMARGO, P.B. Erosão e hidrossedimentologia em bacias
hidrográficas. 2. ed. São Carlos: RiMa, 2007. 158p.
WADT, P.G.S. et al. Práticas de conservação do solo e recuperação de áreas degradadas.
Rio Branco: Embrapa Acre, 2003. 29p.
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	DIMENSIONAMENTO DE TERRAÇOS EM NÍVEL E EM DESNÍVEL
	Aula Avançada para Estudantes de Agronomia - Cerrado Tocantinense
	SUMÁRIO
	1. INTRODUÇÃO
	2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS SOBRE TERRAÇOS AGRÍCOLAS
	2.1 Definição e Objetivos do Terraceamento
	2.2 Classificação dos Terraços
	2.2.1 Quanto à função
	2.2.2 Quanto ao processo de construção
	2.2.3 Quanto à largura da base
	2.3 Componentes Estruturais dos Terraços
	3. CARACTERÍSTICAS DO CERRADO TOCANTINENSE
	3.1 Clima e Regime Pluviométrico
	3.2 Solos Predominantes e suas Propriedades
	3.3 Desafios Específicos para Conservação do Solo na Região
	4. DIMENSIONAMENTO DE TERRAÇOS
	4.1 Princípios Básicos de Dimensionamento
	4.2 Fórmula de Bertoni e seus Parâmetros
	4.2.1 Índice de Erosão (K₁)
	4.2.2 Fator de Uso da Terra (u)
	4.2.3 Fator de Preparo do Solo e Manejo de Restos Culturais (m)
	4.3 Espaçamento Vertical e Horizontal entre Terraços
	5. TERRAÇOS EM NÍVEL
	5.1 Características e Aplicações
	5.2 Vantagens e Limitações
	Vantagens dos Terraços em Nível:
	Limitações dos Terraços em Nível:
	5.3 Dimensionamento Específico
	5.3.1 Cálculo do Espaçamento entre Terraços
	5.3.2 Dimensionamento da Seção Transversal
	6. TERRAÇOS EM DESNÍVEL (GRADIENTE)
	6.1 Características e Aplicações
	6.2 Vantagens e Limitações
	Vantagens dos Terraços em Desnível:
	Limitações dos Terraços em Desnível:
	6.3 Dimensionamento Específico
	6.3.1 Cálculo do Espaçamento entre Terraços
	6.3.2 Dimensionamento da Seção Transversal
	6.3.3 Cálculo do Gradiente Adequado
	6.4 Dimensionamento de Canais Escoadouros
	7. EXEMPLOS PRÁTICOS DE DIMENSIONAMENTO
	7.1 Exemplo 1: Dimensionamento de Terraço em Nível para Cultura de Soja
	Dados do problema:
	Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
	Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
	Conclusão:
	7.2 Exemplo 2: Dimensionamento de Terraço em Desnível para Cultura de Milho
	Dados do problema:
	Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
	Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
	Cálculo do Gradiente:
	Conclusão:
	7.3 Exemplo 3: Dimensionamento de Terraço para Sistema de Plantio Direto em Área de Pastagem Convertida
	Dados do problema:
	Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
	Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
	Conclusão:
	7.4 Exemplo 4: Dimensionamento de Terraço em Área com Alta Declividade para Fruticultura
	Dados do problema:
	Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
	Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
	Cálculo do Gradiente:
	Conclusão:
	7.5 Exemplo 5: Comparação entre Terraços em Nível e em Desnível para uma Mesma Área
	Dados do problema:
	Cálculo do Espaçamento Vertical (EV):
	Cálculo do Espaçamento Horizontal (EH):
	Análise Comparativa:
	Conclusão:
	8. IMPLEMENTAÇÃO E MANUTENÇÃO
	8.1 Equipamentos e Técnicas de Construção
	8.1.1 Equipamentos para Construção de Terraços
	8.1.2 Técnicas de Construção
	8.1.3 Épocas Recomendadas para Construção
	8.2 Integração com Outras Práticas Conservacionistas
	8.2.1 Práticas Vegetativas
	8.2.2 Práticas Edáficas
	8.2.3 Práticas Mecânicas Complementares
	8.3 Manutenção e Monitoramento
	8.3.1 Inspeções Periódicas
	8.3.2 Principais Atividades de Manutenção
	8.3.3 Monitoramento da Eficiência
	9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
	9.1 Tendências e Inovações no Terraceamento Agrícola
	9.1.1 Terraceamento de Precisão
	9.1.2 Integração com Sistemas Conservacionistas
	9.1.3 Terraços Ecológicos
	9.1.4 Monitoramento Remoto
	9.2 Recomendações Específicas para o Cerrado Tocantinense
	9.2.1 Adaptação ao Regime Pluviométrico
	9.2.2 Adaptação aos Solos Predominantes
	9.2.3 Integração com a Gestão Hídrica
	9.2.4 Monitoramento e Adaptação Contínua
	10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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