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R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 Desafios das parcerias público-privadas (PPPs)* Ana Elisa Périco** Daisy Aparecida do Nascimento Rebelatto*** (...) ao aquilatarem o papel apropriado do governo, procuram incorporar o entendimento das limitações tanto do governo como dos mercados (...) A visão predominante procura encontrar caminhos para governo e mercados trabalharem juntos, cada um fortalecendo o outro. Joe Stiglitz (2003) S U M Á R I O : 1. Introdução; 2. Externalização de serviços públicos no Brasil: nova gestão pública; 3. Parceria público-privada; 4. Restrições às parcerias público-pri- vadas no Brasil, 5. Experiência internacional; 6. Conclusão. S U M M A R Y : 1. Introduction; 2. Externalization of public facilities in Brazil: new public management; 3. Public-private partnerships; 4. Restrictions to public-private partnerships; 5. International experience; 6. Conclusion. P A L A V R A S - C H A V E : infra-estrutura; investimento; iniciativa privada. * Artigo recebido em set. 2004 e aceito em jul. 2005. ** Mestranda em engenharia de produção, na linha de projeto de investimento público, pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP, bacharel em administração pública pela Unesp. Endereço: Avenida Trabalhador Sancarlense, 400 — Centro — CEP 13566-590, São Carlos, SP, Brasil. E-mail: anae- lisa@prod.eesc.usp.br. *** Professora do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos. Pós-doutorada pela Universidade Complutense de Madri, Espanha; doutora e mestre pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP; bacharel em engenharia civil pela UFSCar. Endereço: Avenida Tra- balhador Sancarlense, 400 — Centro — CEP 13566-590, São Carlos, SP, Brasil. E-mail: daisy@prod.eesc.usp.br. Périco-Rebelatto.fm Page 1031 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1032 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 K E Y W O R D S : infrastructure; investment; private enterprise. A sustentação econômica é considerada importante requisito no cenário globali- zado e depende de uma série de fatores, como controle dos gastos e do déficit público e investimentos em infra-estrutura. Entretanto, o controle dos gastos públi- cos caminha na direção contrária à necessidade de investimentos em infra-estru- tura, tradicionalmente efetuados pelo Estado. Em virtude da escassez de recursos governamentais para investimentos, surge espaço para a iniciativa privada no financiamento dessas obras e serviços. A partir da análise do atual projeto de lei que institui as parcerias público-privadas (PPPs), este artigo discute o real poten- cial desse arranjo no financiamento de obras e serviços públicos no Brasil. Foram tratadas questões como a reforma do Estado e identificadas algumas modalidades de contratos entre a administração pública e a iniciativa privada, com maior ênfase nas PPPs. Por fim, pontuam-se as principais semelhanças entre os contratos de PPPs nos diferentes países, assim como os mais relevantes impactos econômico-sociais desses contratos no Brasil. Public-private partnership challenges Economic sustainability is regarded as an important requirement in the global- ized scenario, and it depends on a range of factors, such as expenditure and pub- lic deficit control, as well as investments in infrastructure. Nevertheless, public expenditure control conflicts with the need for investments in infrastructure, tra- ditionally made by the government. Due to the shortage of public resources, there is space for private enterprise to supply these works and facilities. This arti- cle discusses the real power of this arrangement for supplying public works and facilities in Brazil, based on the analysis of the current bill proposal establishing public-private partnerships (PPPs). It discusses government improvement and identifies some types of contracts between the public administration and private enterprises, emphasizing the PPPs. It also shows similarities among PPP con- tracts in different countries, as well as the most relevant economic and social impacts of these contracts in Brazil. 1. Introdução A abertura comercial, iniciada no Brasil no início dos anos 1990, exigiu inúmeras mudanças e adaptações das empresas brasileiras, para estarem aptas a participar do mercado mundial, extremamente competitivo. Essas mudanças vão desde ajustes in- ternos das empresas até alterações na forma de gestão das cadeias de produção. Além disso, outra exigência vem sendo feita para garantir a permanência das indús- trias brasileiras nos certames mundiais: a sustentação econômica. Ela depende de uma série de fatores como, por exemplo, controle dos gastos e do déficit público e in- Périco-Rebelatto.fm Page 1032 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1033 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 vestimentos em infra-estrutura, com o objetivo de aumentar a competitividade e pro- dutividade das empresas brasileiras. Infra-estrutura está intimamente relacionada ao aumento da produtividade da indústria. Entretanto, o tal controle dos gastos públi- cos caminha na direção contrária à necessidade de investimentos em infra-estrutura, tradicionalmente efetuados pelo Estado. Em virtude da escassez de recursos governamentais para investimentos, espe- cialmente em infra-estrutura, surge espaço para a iniciativa privada, no financiamen- to dessas obras e serviços. Diversos são os arranjos de contrato entre agentes privados e a administração pública, sendo o mais recente a parceria público-privada (PPP). A partir da análise do atual projeto de lei que institui as PPPs, este artigo dis- cute o real potencial desse arranjo no financiamento de obras e serviços públicos no Brasil. Inicialmente foram tratadas questões como a reforma do Estado e a nova gestão pública, temas relevantes que oficializaram a externalização dos serviços públicos no Brasil, abrindo espaço para a participação da iniciativa privada e adotando parâmetros de eficiência nos serviços públicos. Posteriormente, foram identificadas algumas mo- dalidades de contratos entre a administração pública e a iniciativa privada, com maior ênfase nas PPPs. Foram identificados, ainda, os objetivos, as características e princi- pais restrições a esse tipo de contrato no Brasil. Por fim, considerando a experiência internacional de PPP e suas diferenças em contextos externos, a discussão é encerrada, pontuando as principais semelhanças entre os contratos de PPPs nos diferentes países, assim como os mais relevantes impactos econômico-sociais desses contratos no Brasil. 2. Externalização de serviços públicos no Brasil: nova gestão pública Historicamente, vem sendo discutida a necessidade de uma administração pública moderna e eficiente, num embate constante de duas forças opostas: a burocracia for- malista e centralizadora, caracterizada por um Estado forte e intervencionista, e as correntes modernizantes, contrárias à burocracia tradicional, caracterizadas pelas forças que defendem a descentralização do Estado e livre atuação nos mercados (Ju- cá, 2003). A prevalência de uma ou de outra se dá de forma cíclica. Em determinados períodos, diante do colapso do modelo mais rígido, surgem os defensores da moder- nização do aparelho estatal, apelando pela descentralização, autonomia e liberdade de operação por parte das organizações públicas. Algum tempo depois, o mesmo sis- tema que apareceu como resposta à ineficiência burocrática acaba por resultar na cri- ação de privilégios corporativistas, favorecimento, clientelismo e corrupção. Périco-Rebelatto.fm Page 1033 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1034 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 Razões como o enfrentamento da crise fiscal, déficits de performance e res-ponsabilidade, necessidade de ajuste do papel do Estado diante dos novos desafios impostos pela globalização, bem como a rigidez e ineficiência da máquina burocráti- ca, tornaram necessária a implantação de um novo modelo de administração públi- ca, que envolva quesitos como responsabilidade e regulação, assim como descentralização e eficiência num mesmo sistema. No Brasil, e na maior parte dos países, a nova gestão pública foi sendo imple- mentada, mesmo que em ritmos diferentes, por meio de algumas reformas no apara- to estatal. A reforma administrativa foi um dos principais eixos de uma reforma ain- da maior, a do Estado. De acordo com Rezende (2003), as reformas administrati- vas têm por princípios gerais a ênfase na eficiência e elevação da performance, a introdução de mecanismos de mercado na gestão pública, a orientação por resul- tados, a descentralização dos controles gerenciais no sentido de maior autono- mia, responsabilização e flexibilização de procedimentos, bem como uma distinção entre a formulação e implementação das políticas públicas. Kamarck (2000) em estudo comparativo sobre essas reformas, numa amostra de 123 países, revela, em termos quantitativos, as principais dimensões das refor- mas administrativas no mundo. No que se refere à condução, os dados sugerem ha- ver maior participação de diversos atores envolvidos nas reformas e a criação de novas agências. Por outro lado, a privatização e a descentralização foram os meca- nismos inovadores mais utilizados. Em 60% dos casos as reformas envolveram transferências de funções tradicionais do Estado para os mercados, e em 40% das re- formas se verificou a descentralização de funções e poderes dos governos centrais para níveis locais ou para instituições do terceiro setor. Jucá (2003) identifica, nessa nova ótica, outras funções para o Estado, redu- zindo seu papel de executor ou prestador direto de serviços, para assumir o caráter de regulador, indutor e mobilizador dos agentes econômicos e sociais, cuja principal função seria simplesmente promover a coordenação estratégica do desenvolvimen- to, da integração regional e da inserção no mercado internacional. De acordo com Pina e Torres (2003), alguns dos componentes da nova gestão pública, que se repetem com maior insistência, são: t descentralização do setor público, mediante a ruptura de unidades monolíticas e introdução de sistemas de gestão descentralizados, num entorno de competição. O objetivo é criar unidades independentes de gestão, separando a produção da provisão de serviços, de maneira a melhorar a eficiência por meio de contratos, concessões ou delegações internas e externas ao setor público; Périco-Rebelatto.fm Page 1034 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1035 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 t padrões de medição das atividades e dos resultados explícitos, mediante defini- ção de metas, objetivos e indicadores de êxito, com ênfase nos resultados em lu- gar dos procedimentos; t profissionalização da gestão no setor público, dotando-a de maior autonomia, com determinação clara de responsabilidade e eliminação de estilo e ética hierár- quicos da administração pública, em benefício de maior flexibilidade na contrata- ção e nos incentivos, por meio da introdução de técnicas e estilos de gestão do setor privado; t introdução de competição no setor público, mediante a implantação de contratos, criação de mercados internos etc. Tais fatores não estão presentes, integralmente, em todos os locais em que foram realizadas as reformas administrativas e do Estado. Nem sempre o contexto em que o país está inserido contribui para que os componentes dessa nova gestão sejam implementados rapidamente, assim como o desmonte da burocracia da má- quina estatal, na maior parte das vezes, é um lento processo. Porém, em quase todos esses países, conceitos como externalização e descen- tralização já estão sendo postos em prática ou disseminados. No contexto brasileiro e de muitos países em fase de desenvolvimento, a descentralização e externalização de serviços públicos foram impulsionadas, também, pela pressão em reduzir o déficit orçamentário e o nível de endividamento, buscando por fórmulas de gestão alternati- vas com mais flexibilidade e incremento do controle sobre a atividade, pelas entida- des públicas. A contratação externa é, hoje, parte central da modernização do setor públi- co. O desafio das administrações públicas é conseguir, por meio desta fórmula, ga- rantir a supremacia do interesse público e que os serviços sejam prestados em condições adequadas de eficiência e qualidade, assim como diminuir os custos dos mesmos. 3. Parceria público-privada (PPP) A participação privada no financiamento de obras e serviços públicos pode envolver vários arranjos institucionais, aumentando gradativamente sua participação, partindo dos contratos de prestação de serviço de curto prazo, licitações, terceirizações, conces- sões e, por fim, alcançando o grau máximo de participação, as privatizações, no caso da alienação total dos ativos. Périco-Rebelatto.fm Page 1035 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1036 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 Transitando entre os extremos mínimo e máximo de participação da iniciati- va privada, situa-se a parceria público-privada (PPP). É uma alternativa à privatiza- ção. A privatização se dá quando o Estado pode abrir mão da prestação de um serviço/obra, que será respaldado pela iniciativa privada, sem grande prejuízo para o maior interessado: a sociedade. Em casos em que o provimento de determinado ser- viço/obra deve ser exclusivamente efetuado pelo Estado, não há possibilidade de pri- vatização. São exemplos as áreas da saúde e da educação. A participação da iniciativa privada em empreendimentos de natureza públi- ca não é um fenômeno recente. De fato, essa concessão teve suas origens em experi- ências no século XIX e nas primeiras décadas do século XX. O canal de Suez, cuja concessão foi adjudicada em 30 de novembro de 1854 à Compagnie Universelle du Canal Maritime de Suez é um dos mais significativos exemplos (Martins e Campos, 2004, segundo Pina e Torres, 2003). Ao fim da II Guerra Mundial, contudo, tal es- trutura caiu em desuso, ultrapassada pela tendência de criação de empresas estatais monopolistas. A exceção ficou por conta dos EUA, onde experiências de project fi- nance foram freqüentes em áreas como energia, saneamento e construção de pontes, túneis e estradas. No entanto, em um contexto histórico mundial de crise das finan- ças públicas e de perda da capacidade de endividamento do setor público, a busca por parcerias com o setor privado tornou-se uma das alternativas à estruturação de pacotes financeiros para projetos de capital intensivo. O project finance é um arranjo de parceria no qual quem lastreia o contrato é o fluxo de caixa do projeto, não havendo uma garantia por parte do Estado. O risco fica todo por conta da iniciativa privada. Aproximadamente em 1992, no governo conservador de John Major, suces- sor de Margaret Thatcher, na Inglaterra, surge um novo arranjo de participação pri- vada nos serviços públicos, denominado parceria público-privada. Este programa concedia incentivos para que o setor privado fizesse investimentos em infra-estrutu- ra, dando algumas garantias para estimular o investimento no setor público pelo ope- rador privado. No Brasil, a PPP é um conceito ainda em formação. O interesse recente, no país, pela utilização desse arranjo foi despertado pela escassez de recursos públicos para investimento em setores importantes, como é o caso da infra-estrutura, assim como pelo reflexo de experiências internacionais bem-sucedidas, vislumbrando uma alternativa de investimento em determinados setores onde o Estado tem encontrado dificuldades. Além da ausência de recursos públicos, naliteratura são encontradas diversas justificativas para o uso das PPPs no financiamento de obras públicas, entre elas pode-se mencionar: compartilhamento de risco com o setor privado, redução do pra- zo para implantação dos empreendimentos, estímulo à introdução de inovações, mo- dernizações e melhorias por parte do setor privado, possibilidade de realização de Périco-Rebelatto.fm Page 1036 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1037 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 um número maior de projetos, a liberação de recursos públicos para outros projetos prioritários sem condições de retorno financeiro e sem capacidade de serem realiza- dos por meio das PPPs e a garantia da qualidade da operação e da manutenção dos serviços concedidos por longo prazo (Comissão das Comunidades Européias, 2003; Pasin e Borges, 2003). De acordo com o projeto de lei que institui as PPPs, o Programa de Parceria Público-Privada, no Brasil, é destinado a fomentar, coordenar, regular e fiscalizar a atividade de agentes do setor privado que, na condição de colaboradores, atuem na implementação das políticas públicas, voltadas ao desenvolvimento do Estado e ao bem-estar coletivo. Este tema vem ganhando cada vez mais notoriedade no país e diversos estu- dos estão surgindo com a intenção de melhor conceituá-lo e identificar suas vanta- gens e desvantagens. No projeto de lei, considera-se contrato de parceria público-privada o acordo firmado entre a ad- ministração pública e entes privados, que estabeleça vínculo jurídico para im- plantação ou gestão, no todo ou em parte, de serviços, empreendimentos e atividades de interesse público, em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento e pela exploração incumbem ao parceiro privado. A partir dessa definição fica evidenciado, de forma incipiente, o papel da ini- ciativa privada no contrato. Ele compreende a prestação de um serviço e o ônus do investimento, assim como a vantagem da exploração. Ao governo cabe o cumpri- mento do acordo firmado em contrato, cujo teor não é explicitado. A princípio, essa é uma das prováveis interpretações permitidas pela definição de PPP no projeto de lei. Como já mencionado, uma série de estudos vem sendo desenvolvida na tentati- va de compreender este tema. Mostra-se relevante, neste momento, apresentar algu- mas outras definições e conceituações sobre as PPPs, de forma a elucidar e proporcionar maior consistência ao assunto, assim como utilizar os conhecimentos já produzidos, identificando também questões relevantes. Pasin e Borges (2003) definiram a PPP como um contrato que estabelece vínculo obrigacional entre as partes para a implantação e gestão de serviços e atividades do interesse público em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento e pela exploração incumbem, no todo ou em parte, ao ente privado, observados os princípios de eficiência, respeito aos usuá- rios, indelegabilidade de regulação e poder de polícia, responsabilidade fiscal, Périco-Rebelatto.fm Page 1037 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1038 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 transparência, repartição de riscos e sustentabilidade econômica do projeto de parceria. Ao conceder uma obra ou serviço à iniciativa privada é natural que os proce- dimentos práticos e burocráticos para a sua execução sejam conduzidos sob a ótica da empresa privada, mesmo sendo uma obra pública. A eficiência com que as em- presas executam seus investimentos será também aplicada a esse tipo de contrato. A iniciativa privada possui interesse no desenvolvimento tecnológico e muitas das grandes empresas da área de infra-estrutura, possíveis interessadas nos contratos de PPPs, contam com tecnologias de ponta para a execução de seus projetos. Torna-se claro que, sob esse ponto de vista, os contratos de PPPs são bastante interessantes, uma vez que beneficiam a estrutura produtiva como um todo, assim como a socieda- de que usufrui obras modernas e eficientes. Há, ainda, a definição de PPP utilizada por uma importante empresa de con- sultoria, a KPMG do Brasil. A KPMG possui certo know-how na área de serviços de assessoria financeira para clientes do setor público e do setor privado e realizou um seminário para a Controladoria Geral do Município do Rio de Janeiro. De acordo com a empresa (KPMG, 2004), o contrato de PPP é de concessão de longo prazo (15, 20, 30 anos, podendo até a chegar a 35 anos), no qual o Estado transfere para um operador privado o direito e a obrigação de fazer o investimento e depois operar aquilo, enquanto o gover- no paga como se fosse um contrato de prestação de serviços, o que não deixa de ser, só que combinado com obras. E, por fim, a Comissão das Comunidades Européias (2003) publicou um im- portante documento, ressaltando a importância das PPPs, assim como diretrizes para a realização de contratos bem-sucedidos, respaldados por experiências em países em que as PPPs obtiveram êxito. Nesse documento, a comissão relata que os arranjos de PPP foram determinados pela limitação dos recursos públicos para cobrir a necessi- dade de investimentos, assim como pelos esforços para se ampliar a qualidade e efi- ciência dos serviços públicos. Agregando as informações sobre PPPs aqui apresentadas, é possível elaborar uma nova e mais completa definição: parcerias público-privadas são contratos entre a administração pública e a inicia- tiva privada, de longo prazo (entre 15 e 35 anos), que estabelecem vínculo jurídi- co para implantação ou gestão, no todo ou em parte, de serviços, obras, empreendimentos e atividades de interesse público, em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento cabem ao parceiro privado, e o governo paga Périco-Rebelatto.fm Page 1038 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1039 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 como se fosse um contrato de prestação de serviços. Nesse contrato devem ser observados os princípios de eficiência, respeito aos usuários, indelegabilidade de regulação e poder de polícia, responsabilidade fiscal, transparência, repartição de riscos e sustentabilidade econômica do projeto de parceria. De acordo com tudo que se observou até o momento, pode-se concluir que o objetivo das PPPs é a realização de empreendimentos sociais ou estrategicamente prioritários, tais como os de infra-estrutura, com retorno financeiro desconhecido ou de baixa expectativa, em um contexto de restrição à realização de gastos públicos, buscando, ainda, proporcionar certo crescimento sustentável à economia brasileira. A intenção e o objetivo das PPPs têm sido considerados, nos meios político e científico, positivos. O Brasil necessita de investimentos massivos e o Estado não tem como realizá-los. A utilização das PPPs parece uma solução viável. Esse tipo de contrato fornece a prestação do serviço por parte da iniciativa privada, as- sim como procura garantir o recebimento pelo serviço prestado. Porém, muitos pontos ainda geram dúvidas. A experiência externa não pode ser utilizada, ainda, como referência para assegurar a eficiência das PPPs para o Brasil, principalmen- te devido aos diferentes tipos de desenhos e correspondentes regulamentos, de acordo com características específicas de cada país. 4. Restrições às parcerias público-privadas no Brasil A partir de extensa pesquisa bibliográfica, foi possível identificar algumas especifi- cidades dos contratos de PPPs no país. Como ainda é um conceito novo, pouco utili- zado e pouco regulamentado, cabe o relato do que parece importante estar presente nesses contratos, assim como possíveis pontos que poderão gerar controvérsias. Delimitação de funções Partindo do pressuposto de que a principal justificativa para um contrato de PPP no Brasil seja a demandapor um serviço que o Estado não tem como realizar, seja por falta de recursos ou incapacidade gerencial, surgem duas questões que merecem dis- cussão. A primeira é sobre o que cabe à iniciativa privada e à administração pública em um contrato de PPP. No projeto de lei das PPPs consta: “regular, legislar e poli- ciar são os únicos domínios de responsabilidade governamental aos quais ficam in- terditadas as parcerias público-privadas” (inciso III do art. 2º). Diante disso, pode-se concluir que a margem para atuação da iniciativa privada dependerá dos termos de Périco-Rebelatto.fm Page 1039 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1040 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 cada contrato, o que expressamente permite delegar todas as funções, à exceção das funções de regulação, jurisdicional e do exercício de poder de polícia (Nunes, 2004). O grau de abrangência que o projeto de lei concede às PPPs abre a possibili- dade para que sejam transferidas ao setor privado as principais decisões sobre os in- vestimentos governamentais, principalmente na ausência de um sistema de planejamento governamental capaz de sinalizar seus objetivos e as prioridades de alocação de recursos no médio e longo prazos. Juruá (2004) ressalta a dificuldade em acreditar que a parceria possa ser utilizada pelo governo para direcionar o inves- timento privado. A tradição brasileira preconiza que o contrário é mais provável: as decisões de investimento ficarão por conta dos investidores privados, que os selecio- narão de acordo como seus critérios de poder de mercado e de maximização de lu- cros. Outra questão relevante, mais específica que a anterior, é a referente à defini- ção do projeto de empreendimento, objeto do contrato. Observa-se, no projeto de lei, a ausência de especificações e detalhamentos a esse respeito. As especificidades téc- nicas do empreendimento devem ser declaradas pela administração pública para que, então, a iniciativa privada desenvolva o projeto. Não há indicativos no projeto de lei que determinem que os projetos devam seguir somente essas especificidades. A difi- culdade surgirá na avaliação dos mesmos, uma vez que inúmeras empresas poderão participar do certame apresentando projetos diferenciados, com especificidades nem sempre demandadas ou desejadas. Torna-se tarefa complexa comparar projetos e selecionar a empresa adequada, uma vez que as propostas sejam diferentes. A discri- cionariedade do administrador público será fator decisivo. Captação de recursos A falta de especificação consistente sobre a quem caberá o investimento que não for feito pelo Estado constitui outro desafio. Não fica claramente limitado ao sistema fi- nanceiro privado a captação de recursos para o financiamento de PPPs. Diversos projetos, anunciados pelo Ministério do Planejamento, quando da divulgação dos contratos de PPPs, seriam financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por fundos de desenvolvimento regionais — por- tanto, por dinheiro público. Aumentando, assim, a importância dos provedores de fontes para investimentos de longo prazo, como o próprio BNDES. Identifica-se uma questão relevante e que, em um futuro próximo, pode vir a re- presentar fonte de descontentamento. Se uma empresa capta recursos do BNDES para um contrato de PPP, esses recursos estariam submetidos a juros muito abaixo dos pra- ticados no mercado financeiro. Essa empresa basear-se-ia no baixo custo do capital na “cobrança” do serviço do Estado? Ou, no caso de haver “pedágios”, cobrados da soci- edade, estariam esses pedágios vinculados aos juros baixos de um empréstimo feito Périco-Rebelatto.fm Page 1040 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1041 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 por uma empresa privada, obtendo recursos de um agente público? Neste caso, contes- ta-se se a presença de um intermediário privado em transação que envolva dinheiro pú- blico em obras públicas é saudável tanto para o Estado quanto para a sociedade. A Lei de Responsabilidade Fiscal não permite o endividamento, a longo pra- zo, do agente público. Dessa forma, fica criado o obstáculo legal que impede que o BNDES financie obras públicas, diretamente com agências públicas. Considerado isso, ressalta-se a relevância que o BNDES passa a ter nos contratos de PPP. O que deve ser observado e cuidado é o fato de a iniciativa privada, a partir da obtenção do financiamento do BNDES, não repassar um custo muito elevado para o Estado e para a sociedade. Fundos Um dispositivo importante no projeto de lei das PPPs é o que “assegura” a iniciativa privada. Os agentes financeiros envolvidos nesses contratos devem fazer a classifi- cação de seu risco pela análise da credibilidade das obrigações do setor público, com o pagamento das contribuições devidas: afinal, o projeto de lei que institui as PPPs implica a garantia de pagamento pelo Estado. De acordo com o projeto de lei, esse retorno pode ser por meio de pagamento em dinheiro, cessão de créditos não-tributários, outorga de direitos sobre os bens pú- blicos e outros, admitidos em lei. Entre estes últimos, podem ser citados o pagamen- to de dividendos, vantagens fiscais ou parafiscais e ganhos na cadeia de produção do parceiro privado. A experiência internacional menciona a existência de um mercado de capitais maduro como um dos fatores de sucesso das PPPs, permitindo o uso de instrumen- tos financeiros criados sob medida, como operações de securitização dos créditos contra o setor público para a divisão do risco com investidores institucionais, e a existência de um mercado securitário sofisticado e complexo para a mitigação de ris- cos. No Brasil, esses dois instrumentos não são suficientemente desenvolvidos. Porém, a iniciativa de PPP do estado de Minas Gerais, que possui uma lei própria, foi a criação simultânea de um fundo de incentivo ao projeto de PPP. O fundo fiduci- ário de incentivo ao programa de PPP é uma novidade que só existe no Brasil, insti- tuindo garantia adicional ao contrato. Outra proposta, menos incipiente, que surgiu para solucionar a incerteza quanto à existência dos recursos, é a utilização de fundos setoriais específicos para cada projeto de PPP. É o caso da Medida Provisória nº 122, que criou o Fundo de In- vestimento Imobiliário (FII) e o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. Es- ses fundos representam uma forma de mitigar o risco da PPP para cobrir dificuldades Périco-Rebelatto.fm Page 1041 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1042 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 não-previstas na remuneração do parceiro privado, durante a fase de operação do projeto. O governo propõe, ainda, a adoção de um fundo fiduciário constituído não apenas por recursos orçamentários, mas por títulos representativos de ativos de pro- priedade coletiva e/ou nacional. O art. 8º do projeto de lei das PPPs diz: “Para o cumprimento das condições de pagamento originárias dos contratos administrativos decorrentes de PPP será admitida a vinculação de receitas e instituição ou utilização de fundos especiais...”. Vários são os artigos do projeto de lei (arts. 3º, 5º, 6º, 7º, 8º e 9º) que assegu- ram a iniciativa privada. O projeto de lei admite ainda que, no caso de concessões e permissões de serviços públicos, o governo poderá arcar, total ou parcialmente, com os custos do investimento e com a remuneração esperada pelos investidores. A tradição de “compra” de serviços (ou obras) por parte do setor público, por meio de licitações, evidencia um quadro favorável à iniciativa privada. Desde que esse tipo de transação é efetuado praticamente não há incidência de inadimplência da administração pública. O que se observa é a realização do pagamento, resultandonum maior déficit fiscal. Observa-se, no entanto, a ausência de especificações no projeto de lei quando se trata dos riscos do setor público. Não há garantias que assegurem a prevalência do interesse público diante do interesse privado, ou que pelo menos conduzam para uma relação do tipo ganha-ganha para os dois participantes do contrato. Lei de Responsabilidade Fiscal A Lei de Responsabilidade Fiscal tem sido considerada, pela maior parte dos autores, um dos mecanismos mais salutares já surgidos no ordenamento jurídico, em favor da moralidade público-administrativa, na medida em que garante o equilíbrio das contas públicas, ao mesmo tempo em que impede exageros no endividamento do Estado a longo prazo. Os arts. 15 e 16 da LRF dizem que toda despesa que não vier acompanhada de estimativas do seu impacto orçamentário-financeiro no respectivo exercício em que entre em vigor e nos dois subseqüentes, assim como aquelas que não vierem com a de- claração do ordenador da despesa de que o aumento tem respaldo e adequação orça- mentária e financeira com a Lei Orçamentária Anual, com o Plano Plurianual e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias será considerada irregular e lesiva ao patrimônio pú- blico. Quando o governo adota um contrato de PPP não faz um investimento inici- al, que passa para o setor privado. Nos anos em que a obra é implantada, não há pa- gamento. Durante esse período, a iniciativa privada efetua o investimento relativo ao Périco-Rebelatto.fm Page 1042 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1043 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 empreendimento e o administra durante o período do contrato. Esse investimento inicial é diluído em parcelas que o governo paga durante o período de operacionali- zação da obra. Dessa forma, o governo deixa de ter uma despesa financeira perma- nente (teoricamente, deixa de contrair dívida para efetuar o investimento inicial), e passa a ter uma despesa corrente continuada, pelo período estabelecido no contrato com a iniciativa privada, que pode ser entre 15 e 35 anos. Esse comprometimento de recursos de caráter continuado, do ponto de vista econômico, pode ser avaliado nas finanças públicas como algo semelhante ao endi- vidamento, ou mesmo, como tomar um empréstimo. O projeto das PPPs prevê que o Tesouro Nacional definirá os critérios para contabilizar as parcerias como gasto de natureza continuada. A falta de especifica- ções de como isso será realizado faz com que a LRF seja, ainda, considerada um obstáculo para os contratos de PPPs. Apesar disso, fica claro que é possível adequar formalmente os gastos públicos de uma PPP aos parâmetros estabelecidos pela da Lei de Responsabilidade Fiscal, a contar que sejam considerados apenas como despesas correntes continuadas e não como dívidas. Portanto, podem tornar-se le- galizadas as despesas criadas em um contrato de PPP, restando a impressão de se estar “transformando” um endividamento, em longo prazo, numa transação de cará- ter continuado e, ao menos superficialmente, com menores impactos fiscais, contra- riando a essência da própria Lei de Responsabilidade Fiscal. Leis de Licitações e Contratos e de Concessão A Lei de Licitações e Contratos estabelece normas gerais sobre licitações e contra- tos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos poderes da União, dos estados, do Distrito Fe- deral e dos municípios. O art. 2º da Lei de Licitações e Contratos diz que essas obras e serviços mencionados devem ser, necessariamente, precedidos de licitação. O processo licitatório destina-se a garantir a observância do princípio consti- tucional da igualdade e a selecionar propostas mais vantajosas para a administração pública, e deve ser precedido de julgamento em conformidade com princípios de le- galidade, impessoalidade, moralidade e da probidade administrativa. O art. 3º da Lei de Licitações e Contratos defende que os agentes públicos não podem admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou con- dições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo e estabe- leçam preferências ou distinções. A Lei de Licitações e Contratos, assim como a Lei de Concessões, apresenta princípios de moralidade e ética que, se cumpridos, tornam todo e qualquer contrato Périco-Rebelatto.fm Page 1043 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1044 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 entre agente público e iniciativa privada íntegro, assegurando a prevalência do inte- resse público. Essas leis têm seu valor reconhecido por agências públicas e privadas no Bra- sil, o que não quer dizer que seus princípios sejam plenamente cumpridos e respeita- dos nos diversos tipos de arranjos de contratos entre a iniciativa pública e privada. O resultado desse não-cumprimento, de acordo com Capobianco e Abramo (2003), chega a representar mais de 30% dos custos governamentais decorrentes de proces- sos de licitação. Os processos de licitação, contratos e de concessões são, teoricamente, gover- nados por critérios objetivos. Nas três formas, há o preestabelecimento de caracterís- ticas técnicas e financeiras que o objeto do contrato deve seguir. Objetivamente, o que deveria definir as empresas que podem participar do certame são essas especifi- cações. Porém, deve-se levar em consideração que os contratos estão sujeitos à dis- cricionariedade do administrador público. O art. 17, das Disposições Finais, do projeto de lei que institui as PPPs, defen- de que no que não contrariar as leis de Licitação e Contratos e de Concessões, as PPPs são regidas por elas. Porém, nos pontos em que houver contradição entre o projeto de lei das PPPs e as demais outras, o projeto de lei das PPPs simplesmente torna inoperantes aquelas leis. Abramo (2004) defende que, entre as diversas inadequações desse projeto de lei — o qual implicará comprometimento de dezenas de bilhões de reais por perío- dos que poderão chegar a 35 anos — está o fato de permitir que a contratação de obras no âmbito de projetos de PPP seja feita sem obediência à Lei de Licitações e Contratos, empregando-se critérios de decisão subjetivos, vulneráveis à corrupção. Por exemplo, o art. 10 (inciso III, item a), não limitando as garantias exigidas dos participantes concorrentes ao contrato de parceria público-privada, dá lugar à possi- bilidade de restrições à participação no certame e, em conseqüência, ao direciona- mento da concorrência. O objetivo maior das PPPs parece representar apenas uma justificativa legal para sua execução. Neste momento, para o Brasil, o projeto de lei que institui as par- cerias público-privadas contém pontos pouco desenvolvidos, como os aqui apresen- tados, que poderão contribuir para o insucesso do que parece ser uma importante solução para a infra-estrutura brasileira. 5. Experiência internacional A Inglaterra, uma das pioneiras nos contratos entre a administração pública e a inici- ativa privada, tem sua experiência baseada em projetos desenvolvidos sob o instru- mento denominado private finance initiative (PFI). Esse tipo de arranjo possui Périco-Rebelatto.fm Page 1044 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1045 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 algumas diferenças significativas, se comparado com o projeto de lei das PPPs, apre- sentado para o Brasil. Nessa modalidade de associação, o setor público mantém a responsabilidade pela provisão de parte dos serviços, ou seja, o investimento inicial é de responsabilidade tanto da iniciativa privada, quanto da administração pública. Segundo estimativas do International Financial Services (2003), cerca de 70% do valor total dos contratos de PFI é de responsabilidade do governo central daIn- glaterra. O fluxo atual de investimentos nessa modalidade é de aproximadamente US$ 6 bilhões por ano. A participação do setor privado no financiamento de proje- tos de serviços públicos corresponde a cerca de 15% do investimento total. Este arranjo de parceria foi introduzido na Inglaterra em 1992, com objetivo de aumentar os investimentos em áreas sociais. Inicialmente esse objetivo se viu frustra- do por fatores como a falta de coordenação, priorização insuficiente e legislação inade- quada. Passado o período inicial, tradicionalmente marcado pela instabilidade por tratar-se de uma forma de contrato nova e sem jurisdição válida, os contratos de PFI passaram a obter maior credibilidade e êxito, porém não estando isentos de dificulda- des. Um fator de extrema relevância no modelo inglês foi a necessidade de regula- ção (avaliação e auditoria) desses contratos, que passaram a ser regularmente avalia- dos e auditados pelo National Audit Office, instituição independente do governo ligada ao Parlamento (CNI, 2004). Medidas como essa vieram no sentido de tornar o contrato mais seguro e transparente, tanto para a administração pública quanto para a iniciativa privada, além de proporcionar mais segurança para a sociedade. Kerr (1998) aponta alguns desdobramentos da implantação dos contratos de PFI na Inglaterra: t os requisitos para a PFI definir riscos e quantificar o custo do ciclo de vida do empreendimento implicaram elevada margem para provisão; t a transferência do risco para o setor privado constituiu, algumas vezes, ato con- tencioso e problemático na parceria, resultando em altos encargos para o setor público. Outras dificuldades apresentadas para a realização desses contratos na Ingla- terra são referentes aos altos custos da licitação e, portanto, às dificuldades que em- presas menores encontraram para participar dos contratos; à falta de qualificação das empresas; à falta de credibilidade; além da incidência de problemas como o enrique- cimento ilícito por meio de renegociações contratuais duvidosas. Mesmo com essas dificuldades, no período de 10 anos, desde a introdução do instrumento, o governo britânico assinou 564 projetos de PFI, que totalizaram um valor de capital de US$ 54 bilhões. O governo inglês publicou, em janeiro de 2000, Périco-Rebelatto.fm Page 1045 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1046 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 um relatório que concluiu que os projetos executados sob a forma de PFI permiti- ram, em média, uma economia de 17% em relação às formas convencionais de ofer- ta de serviços públicos; 75% dos projetos foram concluídos dentro do prazo e 80% dentro do orçamento previsto (International Financial Services, 2003). Para o caso da Inglaterra, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) identi- ficou alguns fatores críticos para o sucesso das PFIs, que determinaram o êxito des- se arranjo, mesmo com dificuldades iniciais, e que podem ser apropriados para os diversos arranjos de PPPs, pois constituem pré-requisitos para o êxito de qualquer contrato dessa natureza, independentemente do contexto socioeconômico. De acor- do com a CNI, os fatores são: compromisso político, legislação adequada, expertise, priorização dos projetos e a existência de um fluxo regular e previsível de provisão dos serviços e pagamentos. A experiência inglesa evidencia, ainda, que o marco das PFIs precisa ser con- tinuamente desenvolvido e aperfeiçoado. Um exemplo é o mecanismo de solução de conflitos (arbitragem) que, mesmo preestabelecido, prova-se, freqüentemente, insu- ficiente diante dos conflitos reais. No Canadá, uma versão alternativa para o contrato entre o setor público e a ini- ciativa privada é a chamada contribuição de melhoria (benefit sharing). Este contrato constitui um mecanismo em que o setor privado complementa o investimento tradicio- nal do Estado. Dessa forma, a iniciativa privada ajuda a financiar a obra. A receita cor- rente é utilizada para pagar parte do investimento, geralmente a que cabe ao ente privado. A área beneficiada sofre encargos tributários aplicados, fazendo com que a população pague a outra parte do investimento realizado. As principais dificuldades que surgem deste modelo são a questão do valor do empreendimento, que pode ser determinado pelas empresas, e que não necessaria- mente reflete o valor real da obra, além da complexidade na verificação e monitora- mento das zonas de influência nas áreas envolvidas, para a tributação. Portugal iniciou a utilização das PPPs no início dos anos 1990, para superar as deficiências de sua malha rodoviária. Segundo Rubio (2003), as PPPs foram forte- mente utilizadas na construção de estradas. Nesse país, em diversas rodovias, lan- çou-se mão do modelo que não cobrava dos usuários pelos serviços prestados pela iniciativa privada, cabendo diretamente ao Estado o pagamento ao ente privado. Nas estradas onde se fazia uso de pedágios, mas o volume de tráfego não conferia retor- no suficiente aos projetos, a viabilidade da rodovia também era garantida pelo Esta- do. Contudo, a falta de coordenação do setor público e a subestimativa dos custos futuros resultaram em impactos fiscais imprevistos e revisão das condições em que os serviços eram oferecidos à população (como cobrança de pedágio não prevista). A experiência de Portugal constitui um exemplo interessante dos erros em que se pode incorrer. Périco-Rebelatto.fm Page 1046 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1047 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 Na África do Sul, uma subsidiária da empresa Saur, do setor de água, cele- brou um contrato de PPP com generosa cláusula de renegociação, que previa reajus- tes dos termos contratuais, nos casos em que os retornos financeiros ficassem abaixo ou acima de determinada faixa. Esta cláusula foi usada em 2001 — a empresa fez um brusco aumento de 15% nos seus preços e reduziu suas obrigações de expandir investimentos. Na Espanha, nos contratos de parcerias público-privadas (asociación público privada), a percentagem de capital privado sobre o total do investimento situa-se entre 7% e 40%, com uma importante concentração em torno de 25%. Dessa forma, como se pode observar, a maior responsabilidade do investimento fica a cargo da administra- ção pública, o que permite menor margem de atuação e autonomia à iniciativa priva- da. As razões para o êxito das PPPs na Espanha também estão relacionadas à estabilidade do marco jurídico e à clara colaboração entre os setores público e privado. Na América Latina as experiências são mais recentes. Os casos aparentemen- te mais interessantes para o Brasil são os do Chile e México. A experiência do Chile, país considerado em fase de desenvolvimento, mostra-se mais positiva. O marco re- gulatório das PPPs garante receita máxima ao parceiro privado, nesse caso, o eventu- al excesso de receita tem que ser compartilhado com o setor público. O caso chileno não apenas garante, ao menos prioritariamente, a prevalência dos interesses públi- cos ante os interesses privados, como também usufrui os aspectos positivos desse tipo de contrato: respeito ao prazo de conclusão do projeto, cumprimento do orça- mento previsto e relação preço-qualidade dos serviços prestados. No caso do Méxi- co, o contrato de PPP constituiu um fundo que pode cobrir parte dos custos de construção do projeto e do serviço da dívida, permitindo margem de segurança à ini- ciativa privada. Os exemplos internacionais de insucessos nas PPPs devem-se basicamente aos seguintes fatores: falhas legais e regulatórias, inadequado processo de seleção das em- presas privadas, má avaliação dos custos e investimentos, falta de adequados agentes regulatórios ou de controle das parcerias e menosprezo de possíveis desvantagens e riscos (por exemplo, ambientais e modificações unilaterais pelo concedente). Nãohá um modelo único de parceria público-privada. Cada país tem uma abordagem, adequada ao seu ambiente institucional e econômico. Nos países da OC- DE, as experiências são, em geral, bem-sucedidas, o que se explica pela maior esta- bilidade institucional prevalecente nesses países. 6. Conclusão A avaliação da experiência internacional das PPPs deve ser feita com algumas ressal- vas, pois, em primeiro lugar, nas economias onde o uso do instrumento é mais antigo, Périco-Rebelatto.fm Page 1047 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1048 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 como no caso da Inglaterra, o avanço do ambiente institucional, um fator crítico de su- cesso, é tamanho, que dificulta antecipar resultados para países como o Brasil. Por ou- tro lado, o uso de PPPs por países em desenvolvimento, como Chile, México e República Dominicana, é ainda muito recente para permitir uma avaliação. Na maior parte dos casos, as operações ainda estão sendo montadas ou os projetos ainda não fo- ram concluídos. Como já observado, a experiência de sucesso de alguns países não necessaria- mente garante o êxito em todos os locais de implantação das PPPs. No entanto, as di- ficuldades, principalmente no que tange ao marco regulatório e à definição de prioridades, são inerentes ao processo, em qualquer país. A utilização dos contratos entre iniciativa privada e agências públicas é mar- cada, tanto por experiências positivas quanto negativas. Uma questão relevante deve conduzir a realização desses contratos: a supremacia do interesse público. Os contratos de PPPs estão intimamente relacionados a obras de infra-estrutu- ra. É premente a necessidade de investimentos neste setor, principalmente em países em fase de desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Porém, a fragilidade do mar- co regulatório das PPPs no país pode permitir que desvios sejam realizados no ato do contrato, prejudicando uma das partes. Infra-estrutura geralmente envolve grandes investimentos e pode ser facil- mente vinculada a grandes obras. Essas obras, pela dimensão e externalidades que podem gerar, acabam por ter importância assegurada na estrutura produtiva do país. Em muitos setores a capacidade produtiva das empresas está alcançando o limite de produtividade, enquanto cresce a demanda interna, pois a economia está em expan- são, assim como crescem também as exportações. Muitos desses grandes investimentos em infra-estrutura estão correlacio-nados com a produtividade das empresas. A partir desse cenário, fica mais evidente o impacto que os investimentos priva- dos, na forma de contratos de PPPs, podem ter na economia. É estimulante saber que o potencial de crescimento brasileiro pode ser, de alguma forma, alcançado. Sob esse ponto de vista, compreende-se o interesse e empolgação do governo e de especialistas. Afinal de contas, é uma alternativa para financiar o crescimento do país e, ainda, conta com a jurisprudência da experiência bem-sucedida de alguns países. Porém, antes de decidir por qualquer tipo de alternativa de investimento, é necessário contrabalançar os retornos positivos e negativos para a economia e para a sociedade. A experiência de sucesso de alguns países nos contratos de PPPs não é garantia de sucesso para o Brasil. O ambiente institucional em que o país está inserido é bastante relevante: esta- bilidade econômica, política e social, além da existência de um marco legal e regulató- rio fortes, são essenciais para garantir a segurança, para ambas as partes, do contrato. O Brasil é novo em experiências como estabilidade econômica, política e social. O controle do déficit fiscal e as reformas administrativas são implementações recentes na administração pública brasileira e, no caso das reformas, os resultados ainda não pas- Périco-Rebelatto.fm Page 1048 Monday, February 20, 2006 2:55 PM Desa f io s da s Pa rce r i a s Púb l i co -P r ivadas (PPPs ) 1049 R A P Rio de J ane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 sam de previsões. Por outro lado, o projeto de lei, que institui e regula as PPPs, mostra- se incipiente em diversos pontos, como apresentado neste artigo, contrariando (ou des- validando) leis já instituídas, tais como as leis de Responsabilidade Fiscal, de Licita- ções e Contratos e de Concessões. A elaboração criteriosa dos contratos é fator-chave para o êxito da parceria. A coordenação dos compromissos financeiros assumidos pelo ente público como contra- partida dos investimentos privados, assim como a prevalência de controle por parte da administração pública sobre os agentes privados, de forma a evitar “abusos”, é tam- bém fator relevante. Deve-se ainda ter, de maneira bastante clara, qual a real justificativa para esse contrato de parceria, se a escassez de recursos e impossibilidade de endividamento por parte do Estado ou a melhor capacidade de gerenciamento da iniciativa privada. Tudo o que já foi apresentado aponta para o fato de que as parcerias não po- dem se dar de maneira apressada e sem critérios bem definidos, sob pena de, por um lado, comprometer a credibilidade do instrumento e pôr em risco o interesse coleti- vo e, por outro, gerar contingências fiscais que se refletirão em aumento da dívida pública, aumento da taxa de juros e piora do ambiente macroeconômico para o in- vestimento privado. Todas as dificuldades que surgiram e surgem dessa forma de contrato são relevantes para a construção de um modelo intrinsecamente brasileiro de contrato de parceria entre o público e o privado, que venha na direção das deman- das do país e, principalmente, ao encontro com as especificidades brasileiras, tanto legais quanto de contexto. Este novo modelo, que poderá surgir a partir de superações de algumas das questões aqui abordadas, e que se aprimora a partir de discussões acerca do tema, pode vir a ser uma efetiva contribuição para o crescimento do Brasil, contrariando o atual modelo de parceria público-privada proposto no país, que pode estar oferecen- do soluções mágicas e oportunas para problemas de primeira ordem, como os de in- fra-estrutura. Referências bibliográficas ABRAMO, C. W. Relações perigosas. Correio Braziliense, Brasília, 18 maio 2004. Disponível em: . Acesso em: 5 ago. 2004. BRASIL. Lei nº 8.666 — Lei de Licitações e Contratos, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da adminis- tração pública e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 22 jun. 1993. Périco-Rebelatto.fm Page 1049 Monday, February 20, 2006 2:55 PM 1050 Ana E l i s a Pé r i co e Da i sy Apa rec ida do Nasc imen to Rebe l a t t o R A P Rio de Jane i ro 39 (5 ) :1031-52 , Se t . /Ou t . 2005 ———. Lei nº 8.987 — Lei de Concessões de Serviços Públicos, de 13 de fevereiro de 1995. Dis- põe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 14 fev. 1995. ———. Lei complementar nº 101 — Lei de Responsabilidade Fiscal, de 4 de maio de 2000. Esta- belece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 5 maio 2000. ———. Projeto de Lei nº 2.546. Institui normas gerais para licitação e contratação de parceria pú- blico-privada, no âmbito da administração pública. Diário Oficial da União, Brasília, out. 2003. CAPOBIANCO, E. R.; ABRAMO, C. W. 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