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57 ECONOMIA Unidade II 5 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA TEORIA MICROECONÔMICA E AO FUNCIONAMENTO DOS MERCADOS A microeconomia, a mais antiga forma de produzir análise econômica, fornece um instrumental analítico que é empregado por praticamente todos os ramos do pensamento econômico dominante. O prefixo micro é derivado da palavra grega mikros, que representa “pequeno”. Dessa forma, a microeconomia estuda o comportamento de unidades econômicas muito específicas, por exemplo, um consumidor, um trabalhador, uma empresa, uma família, uma indústria, mercados específicos, dentre outros. De acordo com Vasconcellos e Oliveira (2011), os princípios que caracterizam a elaboração da Teoria Microeconômica apoiam‑se em duas condições: • pressupõe‑se que a economia seja composta por unidades tomadoras de decisão, também chamadas de agentes econômicos, entendidos estes como empresas enquanto produtoras e vendedoras de mercadorias e as famílias enquanto consumidoras das mercadorias produzidas pelas empresas; • cada um desses agentes detém um único objetivo: a maximização de seu bem‑estar, ou a maximização de seus resultados. No caso dos agentes individuais, consumidores ou famílias, seus objetivos são de melhorar seu padrão de consumo diante das oportunidades de consumo que lhes são oferecidas e diante de sua capacidade de consumo, ou seja, de sua restrição orçamentária. Ao agente econômico empresa, cabe cumprir seu objetivo de obtenção de lucro, bem como maximizá‑lo, também, diante de restrições que lhe são impostas pelo ambiente econômico. 5.1 Questionamentos centrais da Teoria Microeconômica A Teoria Microeconômica, ou análise de equilíbrio parcial, preocupa‑se em dar respostas às seguintes questões: • O que determina o preço dos diversos tipos de bens e serviços? • O que determina a remuneração de um trabalhador? • O que determina quanto de cada mercadoria será produzido? • O que determina a maneira pela qual um indivíduo gasta sua renda entre os mais diversos tipos de bens e serviços? 58 Unidade II Em sentido mais amplo, a Teoria Microeconômica, ao presumir que o sistema econômico oferece limites para a obtenção dos objetivos a serem atingidos pelos agentes econômicos, e que esses limites são relativamente determinados pela escassez de recursos, procura descobrir quais são os melhores resultados alcançados em um sistema econômico, diante das restrições que este impõe aos agentes. Para responder a esses questionamentos, construindo modelos que representem de forma simplificada a realidade, a Teoria Microeconômica lança mão de algumas técnicas empregadas na construção dos modelos, a exemplo da Teoria do Consumidor e da Teoria da Firma, bem como dos estudos das diferentes estruturas de mercado em que as mais diversas empresas estão inseridas. Passemos ao conhecimento dessas teorias e de seus desdobramentos. 5.2 Teoria do Consumidor A Teoria do Consumidor trata do estudo de como a demanda se fundamenta no comportamento dos consumidores. Essa teoria: • serve de guia para a elaboração e a interpretação de pesquisas de mercado, principalmente as relacionadas com o lançamento de novo produto; • fornece métodos para comparar a eficácia de diferentes políticas de incentivo ao consumidor; • fornece elementos à avaliação da eficiência dos sistemas econômicos. 5.2.1 Utilidade e escolha A Teoria do Consumidor divide‑se em duas outras teorias: a Teoria da Utilidade e a Teoria de Escolha. A Teoria da Utilidade pode ser entendida como uma medida de satisfação, ao explicar a diferença entre utilidade total e utilidade marginal. Para entendermos essas duas teorias, da utilidade e de escolha, vamos efetuar um simples raciocínio: se as pessoas demandam mercadorias, ou seja, se consomem determinadas mercadorias, isso ocorre porque as mercadorias são necessárias à manutenção da vida, e, portanto, o consumo deve promover algum tipo de prazer ou satisfação. Lembrete Tratamos disso na unidade anterior, com o exemplo dos sorvetes na praia, ao falarmos do consumo para o atendimento às necessidades. Como vimos em definições anteriores, necessitamos efetuar escolhas para melhor alocação de nossos esforços. Em se tratando do consumo de mercadorias, dado que nossa renda não é o bastante para consumir tudo aquilo que desejamos, o agente econômico, de forma racional, procurará empregar seus recursos limitados entre as melhores alternativas de uso possíveis. 59 ECONOMIA Abstraindo essa ideia para a noção de consumo, se devemos, agindo racionalmente e pensando na maximização de nosso bem‑estar, despender parte de nossa renda no consumo de mercadorias necessárias à manutenção de nossa vida, fica estabelecido que as mercadorias que desejamos são úteis e raras. Observação Observe que consumo de necessidade é diferente de consumo de desejo. Sabe diferenciar um do outro? Imaginando que o prazer ou a satisfação percebidos pelo consumidor ao adquirir uma mercadoria possam ser medidos, teríamos então uma medida de satisfação traduzida em utilidade. Conforme Silva e Luiz (2010), A utilidade de um bem ou de um serviço é sua capacidade de satisfazer às necessidades das pessoas. Assim, a utilidade da água é saciar a sede, de um automóvel é sua capacidade de transportar pessoas, objetos etc. Podemos dizer, então, que um consumidor, agindo racionalmente, procurará obter a maior utilidade possível a partir de sua renda, que recebe o nome de orçamento. Para obter essa utilidade, sua renda será usada na aquisição de bens e serviços, que chamamos de cesta de mercadorias. Assim sendo, é razoável pensar que, quanto maior o orçamento do consumidor, maiores serão suas possibilidades de obter maior quantidade de utilidade, ou seja, de melhor satisfazer às necessidades. Para maximizar sua utilidade, isto é, obter o maior grau possível de satisfação, o consumidor deve escolher quais bens e serviços vai adquirir e também em que quantidade, pois seu orçamento já apresenta, por si só, uma limitação (SILVA; LUIZ, 2010, p. 153‑4). Como as pessoas deveriam alocar seus recursos escassos de modo que obtenham o maior valor? Para um economista responder a tal questionamento, utilizará a análise marginal: “a análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem” (WESSELS, 2003, p.10). Um exemplo bastante simples, o paradoxo da água e do diamante, utilizado por uma grande quantidade de autores, ilustra o que estamos dizendo. Por que a água, mais necessária à vida humana, é relativamente barata, e o diamante, supérfluo, tem preço tão elevado? Ocorre que a água tem grande utilidade total, mas, como é encontrada em abundância, tem baixa utilidade marginal, enquanto o diamante, por ser escasso, tem grande utilidade marginal. Traduzindo: o que tem de muito, valoriza‑se pouco; o que tem de pouco, valoriza‑se muito. Outro exemplo, agora pensando em uma barra de chocolate e em uma criança que nunca havia experimentado tal produto. A primeira barra de chocolate apresentada a uma criança deve resultar num elevado grau de satisfação quando consumida. Portanto, terá um elevado grau de utilidade, tanto total quanto marginal. Se uma segunda barra for dada à mesma criança, o grau de satisfação também será 60 Unidade II elevado, assim como serão as utilidades totais e marginais. À medida que formos aduzindo unidades crescentes de barras de chocolate à mesma criança, chegará um momento em que o grau de satisfação já não será tão elevado quanto o da primeira, e, portanto, sua utilidade marginal será decrescente. Vejamos a curva de utilidade total e o que ela demonstra. Utilidade total Consumo Figura 11 – Curva de utilidade total Observando a curva de utilidade total, notamos que ela mostra que, à medida que aumentamos as quantidades consumidas de uma mesma mercadoria, há elevação no grau de satisfação, ou seja, em sua utilidade total, até um ponto em que acréscimos no consumo resultam em utilidades constantes e, deste ponto em diante, decrescentes. Esse fenômeno éo sinal negativo, e apresentaremos o coeficiente da seguinte forma: |Epd| = 3,6919 O uso do módulo apenas anula a importância do sinal, pois, no caso do coeficiente de elasticidade‑preço da demanda, sempre será negativo. A questão da notação acerca da elasticidade‑preço da demanda é bastante controversa na Teoria Econômica. Alguns autores preferem representar o coeficiente pela letra; outros, pelo emprego da letra, ou, ainda, por ↓p. Como se isso não bastasse, também existem diferenças entre autores quanto ao emprego do módulo. Para alguns, não há necessidade de se utilizar módulo e eliminar o sinal negativo do coeficiente. Basta entender que o sinal negativo do coeficiente é simplesmente resultado de uma 98 Unidade II operação matemática e que, pela interpretação econômica, representa relação inversa entre preço e quantidade. Assim, não se levará em consideração o sinal quando classificar o bem como de demanda elástica ou inelástica. Em contrapartida, o uso do módulo auxilia na classificação do bem. Vejamos mais um exemplo. Suponha que uma indústria de móveis para escritório tenha alterado o preço de algumas mesas de R$ 650,00 para R$ 800,00 e que, com essa alteração, o número de mesas vendidas tenha passado de 54 unidades para 50 unidades. Como medir a elasticidade‑preço da demanda nesse intervalo de preços? Primeiro, iniciaremos construindo uma escala de demanda. Tabela 12 – Escala de demanda por mesas de escritório Preço Quantidade demandada R$ 650,00 54 R$ 800,00 50 Calculando a Epd, teremos: Variação % das quantidades demandadas Epd = ________________________________________ Variação % no preço (50 – 54)/54 Epd = ________________________________________ (800,00 – 650,00)/650,00 Epd = – 0,3207 |Epd| = 0,3207 Observação Agora basta conhecermos os classificadores desse coeficiente para sabermos se um produto tem demanda elástica em relação ao preço, demanda inelástica em relação ao preço ou se é um produto de demanda unitária. Se |Epd| for maior do que 1, trata‑se de um bem com demanda elástica. Um bem de demanda elástica é aquele cujas quantidades demandadas sofrem variação mais que proporcional que variações de preços, ou seja, a demanda pelo bem é muito sensível às variações de seus preços. É o caso de produtos eletroeletrônicos, automóveis, CDs e DVDs, por exemplo, que são considerados bens normais. 99 ECONOMIA Se |Epd| for menor do que 1, trata‑se de um bem com demanda inelástica. Um bem com demanda inelástica é aquele cujas quantidades demandadas sofrem variação menos proporcional que variações de preços, ou seja, a demanda pelo bem é insensível às variações de seus preços. É o caso, por exemplo, de produtos de higiene, limpeza e também de alguns produtos alimentícios, como o sal. Por fim, se |Epd| for igual a 1, trata‑se de um bem com demanda unitária. Um bem de demanda unitária é aquele cujas quantidades demandadas sofrem variação igual à variação de preços. Alguns fatores influenciam a elasticidade‑preço da demanda de um bem ou serviço. Dentre eles podemos destacar: • a possibilidade de substituição do bem; • o grau de essencialidade do bem; • a importância relativa do bem no orçamento do consumidor; • o tempo. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Pesquise em livros de Economia de que forma cada um dos fatores citados afeta a elasticidade‑preço.Pesquise em livros de Economia de que forma cada um dos fatores citados afeta a elasticidade‑preço. A tabela a seguir ilustra alguns produtos e seus respectivos coeficientes de elasticidade‑preço da demanda. Tabela 13 – Coeficientes de elasticidade‑preço da demanda para bens selecionados Bens e serviços Coeficiente de Epd Classificação do bem Marcas específicas Pepsi‑Cola 2,08 Demanda elástica Coca‑Cola 1,71 Demanda elástica Categorias específicas Gasolina 0,20 Demanda inelástica Óleo 0,15 Demanda inelástica Ovos 0,26 Demanda inelástica Cerveja 0,26 Demanda inelástica Eletricidade 0,40 a 0,50 Demanda inelástica Cigarros 0,45 Demanda inelástica Leite 0,54 Demanda inelástica Carne de porco 0,78 Demanda inelástica 100 Unidade II Bens e serviços Coeficiente de Epd Classificação do bem Categorias amplas Transporte 0,56 Demanda inelástica Alimentação 0,67 Demanda inelástica Vestuário 0,89 Demanda inelástica Recreação 1,09 Demanda elástica Fonte: Passos; Nogami (2003, p. 197). Pois bem: o que significa, então, tal coeficiente? Vejamos na tabela o exemplo do bem específico Coca‑Cola. A tabela mostra que o coeficiente de elasticidade‑preço da demanda desse bem é de 1,71. Esse é um bem de demanda elástica ou inelástica? Pela classificação, como é maior do que 1, trata‑se de um bem de demanda elástica. Variações nas quantidades são maiores que variações no preço. Significa que as quantidades variam 1,71 vezes o preço. Se o preço subir, as quantidades demandadas diminuirão, e, se o preço baixar, as quantidades aumentarão 1,71 vezes o preço. Vejamos um exemplo: suponha que o preço da Coca‑Cola sofra elevação de 15% num determinado período. Qual será a variação das quantidades demandadas nessas condições? Lembrando o cálculo de |Epd|. ∆ % Qd Epd = _____________________ ∆ % P Onde: ∆ % Qd = variação percentual das quantidades demandadas. ∆ % P = variação percentual do preço. Aplicando, então, a fórmula na resolução do exemplo: ∆ % Qd ‑1,71 = __________________ + 15% ∆ % Qd = – 1,71 x 15% ∆ % Qd = – 25,65% Nessa situação, se o preço da Coca‑Cola aumentar em 15%, as quantidades demandadas sofrerão queda de 25,65%, o que é coerente com as definições anteriormente apresentadas. Primeiro, pela Lei Geral da Demanda: preços maiores, quantidades demandadas menores. Segundo, pela definição de bem de demanda elástica: variação no preço provoca variação mais que proporcional nas quantidades demandadas. O preço variou 15%, e as quantidades demandadas, 25,65%. 101 ECONOMIA Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Volte aos exemplos da demanda por passagens, bem como ao da indústria de móveis, e classifique o Volte aos exemplos da demanda por passagens, bem como ao da indústria de móveis, e classifique o serviço e o bem, respectivamente, conforme o coeficiente de elasticidade‑preço da demanda calculado. serviço e o bem, respectivamente, conforme o coeficiente de elasticidade‑preço da demanda calculado. Estabelecendo percentuais, suponha queda ou elevação de preços para cada um deles e veja como se Estabelecendo percentuais, suponha queda ou elevação de preços para cada um deles e veja como se comporta a variação das quantidades demandadas. Vale a pena você mesmo desenvolver esse raciocínio.comporta a variação das quantidades demandadas. Vale a pena você mesmo desenvolver esse raciocínio. 5.5.2 Elasticidade‑preço da oferta Trata‑se de um termo técnico utilizado para saber qual o impacto na variável quantidade diante de uma modificação na variável preço. A elasticidade‑preço da oferta (Epo) mede a sensibilidade das quantidades ofertadas de uma mercadoria em função da variação de seus preços. De forma parecida com a elasticidade‑preço da demanda, a elasticidade‑preço da oferta pode ser utilizada, por exemplo, para avaliar qual será a variação das quantidades ofertadas de leite, diante de uma variação de seus preços, ou seja, serve para medir o impacto da variação das quantidades ofertadas de qualquer mercadoria diante de variações em seus preços. Variação % das quantidades ofertadas Algebricamente, Epo = ________________________________________ Variação % no preço Exemplificando: suponha que o vendedor de uma mercadoria qualquer resolva alterar o preço de venda, aumentando de R$ 9,00 para R$ 10,00 a unidade, e que, com essa alteração de preços, as quantidades vendidas de suas mercadorias tenham aumentando de 140 para 160 unidades. Como podemos medir a elasticidade‑preço da oferta nesse intervalo de preços? Primeiro, iniciaremos construindo uma escala de oferta, da mesma formaque procedemos no exemplo anterior com a escala de demanda. Tabela 14 – Escala de oferta Preço Quantidade ofertada R$ 9,00 140 R$ 10,00 160 Calculando então a Epo: Variação % das quantidades ofertadas Epo = ________________________________________ Variação % no preço 102 Unidade II (160 – 140)/140 Epo = ________________________________________ (10,00 – 9,00)/9,00 20/140 Epo = ________________________________________ 1/9 Epo = (20/140) x (9/1) Epo = 1,28 Esse coeficiente de elasticidade‑preço da oferta de 1,28 mostra que as quantidades ofertadas sofrem variações mais que proporcionais às variações sofridas nos preços. Enquanto os preços apresentam variação de 11,11% (quando passam de R$ 9,00 para R$ 10,00), as quantidades ofertadas apresentam variação de 14,28% (quando sobem de 140 para 160 unidades). Observação O coeficiente de elasticidade‑preço da oferta é um número positivo. Isso lhe diz alguma coisa? Agora basta conhecermos os classificadores desse coeficiente para sabermos se um produto tem oferta elástica em relação ao preço, se tem oferta inelástica em relação ao preço ou se é um produto de oferta unitária. Se Epo for maior do que 1, trata‑se de um bem de oferta elástica. Significa que a variação percentual na quantidade ofertada será maior do que a variação nos preços. Se Epo for menor do que 1, trata‑se de um bem de oferta inelástica, quer dizer, a variação percentual na quantidade ofertada será menor do que a variação nos preços. Finalmente, se Epo for igual a 1, trata‑se de um bem com elasticidade unitária, ou seja, a variação percentual na quantidade ofertada será igual à variação nos preços. Alguns fatores influenciam a elasticidade‑preço da oferta de um bem ou serviço. Dentre eles, podemos destacar: • os insumos do bem encontram‑se em oferta elástica; • a indústria está abaixo da capacidade; • o bem é fácil de armazenar; • fator tempo. 103 ECONOMIA Saiba mais Pesquise em livros de economia de que forma cada um dos fatores citados afeta a elasticidade‑oferta. Boa opção é a consulta ao livro: MCGUIGAN, J. R.; MOYER, R. C.; HARRIS, F. H. B. Economia de empresas: aplicações, estratégia e táticas. São Paulo: Thomson, 2004. 446 p. Lembrete Quando trabalhamos com a oferta devemos ter em mente a relação direta entre preços e quantidades. Por esse motivo, o coeficiente de Epo será sempre positivo. 5.5.3 Elasticidade‑renda da demanda Trata‑se de um termo técnico utilizado para medir qual o impacto na variável quantidade demandada de uma mercadoria qualquer diante de uma modificação na variável renda do consumidor. A elasticidade‑renda da demanda (Er) mede a sensibilidade das quantidades demandadas de uma mercadoria em função da variação da renda do consumidor. Pode ser utilizada, por exemplo, para avaliar qual será a variação das quantidades demandadas de leite diante de uma variação na renda de um consumidor ou de uma sociedade de modo geral, ou seja, serve para medir o impacto da variação das quantidades demandadas de qualquer mercadoria diante de variações na renda. Variação % das quantidades demandadas Algebricamente, Er = ________________________________________ Variação % na renda Exemplificando: suponha que com renda mensal de R$ 2.100,00 você adquira 8 CDs por mês, e, se sua renda mensal fosse de R$ 2.500,00 mensais, seu consumo de CDs seria de 13 unidades. Como podemos medir a elasticidade‑renda da demanda por CDs nesse intervalo de preços? Primeiro, iniciaremos construindo uma escala de demanda, mas agora relacionando renda e quantidades demandadas. Tabela 15 – Escala de demanda em função da renda Renda Quantidade demandada R$ 2.100,00 08 R$ 2.500,00 13 104 Unidade II Calculando a Er, teremos: Variação % das quantidades demandadas Er = ________________________________________ Variação % na renda (13 – 8)/8 Er = ________________________________________ (2.500,00 – 2.100,00)/2.100,00 5/8 Er = ________________________________________ 400,00/2.100,00 Er = (5/8) x (2.100,00/400) Er = 3,28 Esse coeficiente de elasticidade‑renda da demanda de 3,28 mostra que as quantidades demandadas sofrem variações mais que proporcionais às variações sofridas na renda. Enquanto a renda apresenta variação de 19% (quando passa de R$ 2.100,00 para R$ 2.500,00), as quantidades demandadas apresentam variação de 62,5% (quando sobem de 8 para 13 unidades). Agora basta conhecermos os classificadores desse coeficiente. Se Er for maior do que 1, trata‑se de um bem elástico à renda, ou seja, será um bem normal, como o são livros, jornais, revistas, automóveis, aparelhos eletroeletrônicos e demais bens além daqueles também chamados de supérfluos. No caso de um bem elástico à renda, a variação percentual na quantidade demanda será maior do que a variação percentual na renda. Se Er for menor do que 1, porém maior do que zero, trata‑se de um bem inelástico à renda, como o são alguns produtos considerados de baixa necessidade, por exemplo, o sal, o fósforo e alguns produtos de higiene. No caso de um bem inelástico à renda, a variação percentual na quantidade demandada será menor do que a variação percentual na renda. Se Er for igual a 1, trata‑se de um bem com elasticidade‑renda unitária, como pode ser o exemplo da procura por moradia. No caso de um bem com elasticidade‑renda unitária, a variação percentual nas quantidades demandadas será igual à variação da renda. Se Er for igual a zero, trata‑se de um bem de consumo saciado, representando que a quantidade adquirida se mantém constante, independentemente de variações na renda. Por fim, se Er for menor que zero, tratar‑se‑á de um bem inferior, como o são os alimentos de primeira necessidade, como feijão e arroz. No caso de um bem inferior, a elevação na renda provoca queda nas quantidades demandadas. 105 ECONOMIA A tabela a seguir ilustra alguns produtos e seus respectivos coeficientes de elasticidade‑renda da demanda. Tabela 16 – Coeficiente de elasticidade‑renda para bens selecionados Bens e serviços Coeficiente de Er Classificação do bem Categorias restritas Frutas frescas 1,99 Bem normal à renda Computadores 1,71 Bem normal à renda Mobília 1,48 Bem normal à renda Livros 1,44 Bem normal à renda Viagens de transatlântico 1,40 Bem normal à renda Educação 0,55 Bem inelástico à renda Cigarros 0,50 Bem inelástico à renda Frango 0,42 Bem inelástico à renda Ovos 0,37 Bem inelástico à renda Carne 0,35 Bem inelástico à renda Queijo 0,34 Bem inelástico à renda Carne de porco 0,34 Bem inelástico à renda Vegetais frescos 0,26 Bem inelástico à renda Eletricidade 0,20 Bem inelástico à renda Extração de dente ‑0,13 a 0,47 Bem inelástico ou inferior à renda Pão ‑0,42 Bem inferior à renda Batatas ‑0,81 Bem inferior à renda Categorias amplas Transportes 1,79 Bem normal à renda Recreação 1,07 Bem normal à renda Vestuário 1,02 Bem normal à renda Alimentação 0,60 a 0,85 Bem inelástico à renda Fonte: Passos; Nogami (2003, p. 199). 5.5.4 Elasticidade‑preço cruzada da demanda Trata‑se de um termo técnico utilizado para saber qual o impacto na variável quantidade demandada de uma mercadoria qualquer diante de uma modificação na variável preço de outra mercadoria. A elasticidade‑preço cruzada da demanda (Exy) mede a sensibilidade das quantidades demandadas de uma mercadoria em função da variação do preço de outra mercadoria. Pode ser utilizada, por exemplo, para avaliar qual será a variação das quantidades demandadas de leite, diante de uma variação nos preços do café, ou seja, serve para medir o impacto da variação das quantidades demandadas de qualquer mercadoria diante de variações nos preços de outra mercadoria, seja substituta, complementar ou independente. 106 Unidade II Variação % das quantidades demandadas de x Algebricamente, Exy = ________________________________________ Variação % no preço de y Exemplificando: suponha que quando o preçode um cafezinho for de R$ 1,00 você adquira dez pacotes de chá por semana. Quando o preço do mesmo cafezinho cair para R$ 0,90, suponha que você passe a adquirir oito pacotes de chá por semana. Como podemos medir a elasticidade‑preço cruzada da demanda entre chá e café nesse intervalo de preços? Primeiro, iniciaremos construindo uma escala de demanda, mas agora relacionando preços de uma mercadoria e quantidades demandadas de outra mercadoria. Tabela 17 – Escala de demanda Preço do café Pacotes de chá (quantidades) R$ 1,00 10 R$ 0,90 08 Calculando a Exy: Variação % das quantidades demandadas de x Exy = ________________________________________________ Variação % no preço de y (8 – 10)/10 Exy = ________________________________________________ (0,90 – 1,00)/1,00 — 2/10 Exy = ________________________________________________ — 0,10/1,00 Exy = – 2/10 x 1/‑ 0,10 Exy = 2 Esse coeficiente de elasticidade‑preço cruzada da demanda de 2 mostra que os dois produtos mantêm uma relação de substituição entre si, ou seja, nesse intervalo de preços, os produtos chá e café são bens substitutos. Agora basta conhecermos os classificadores desse coeficiente. Se Exy for maior que zero, os bens relacionados serão classificados como substitutos. Se Exy for menor que zero, os bens relacionados serão classificados como complementares. Se Exy for igual a zero, os bens relacionados serão independentes. 107 ECONOMIA A tabela a seguir ilustra alguns produtos e seus respectivos coeficientes de elasticidade‑preço cruzada da demanda. Tabela 18 – Coeficiente de elasticidade‑preço cruzada da demanda para bens selecionados Mudanças no preço do bem Mudanças na quantidade demandada do bem Elasticidade‑preço cruzada Coca‑Cola Pepsi‑Cola 0,80 Pepsi‑Cola Coca‑Cola 0,61 Manteiga Margarina 0,81 Margarina Manteiga 0,67 Gás natural Eletricidade 0,20 Alimentos Entretenimento ‑0,72 Fonte: Passos; Nogami (2003, p. 203). Nesta unidade continuaremos com o estudo da microeconomia, porém, agora tomando contato com a Teoria da Firma desdobrada em Teoria dos Custos e Teoria da Produção, consideradas as decisões empresariais de produção. Outro assunto, também objeto de estudo da Teoria Microeconômica, são as estruturas de mercado. Vamos lá, então. 5.6 TEORIA DA FIRMA A Teoria da Firma, modelo teórico de suporte aos questionamentos levantados pela Teoria Microeconômica, analisa o comportamento dos produtores e vendedores de mercadorias diante do processo de produção. Segundo Ferguson (1983), vários livros‑textos conceituam produção como “a criação de utilidades”, sendo utilidade a capacidade de um bem ou serviço de satisfazer uma necessidade humana. Partindo da noção de que as empresas são agentes maximizadores de resultados, a Teoria da Firma procura estudar e responder como as firmas combinam a utilização dos fatores de produção necessários à criação de “coisas úteis” e o quanto gastam para produzir bens e serviços. Desta forma, subdivide‑se em Teoria da Firma e Teoria dos Custos de Produção. Do mesmo modo, a Teoria da Firma preocupa‑se, por convenção, mais com dar explicações referentes à produção de bens materiais do que com a prestação de serviços. 5.6.1 Teoria da Produção Nas partes iniciais de nossa descoberta da Teoria Econômica, vimos que uma das funções básicas a ser desempenhada pelas empresas capitalistas está em prover a sociedade daquilo que necessita, ou seja, as empresas devem produzir mercadorias que sejam úteis e que atendam às necessidades de consumo dos indivíduos. 108 Unidade II Nestes termos, para que as empresas exerçam seu papel de produtoras de mercadorias, devem decidir em primeiro lugar que tipo de mercadoria deve ser produzida e em quais quantidades. Como se não bastasse essa decisão bastante difícil, cabe a elas ainda a decisão de como efetuar a produção das mercadorias que foram escolhidas. Lembrete Lembre‑se de que estamos retornando ao problema econômico fundamental: o que e quanto produzir, como produzir e para quem produzir, agora, pelo olhar das empresas, da oferta. Responder à parte do problema econômico fundamental em nada parece uma tarefa fácil para as empresas, principalmente em relação à forma como deve se dar a produção das mercadorias. Determinar como as mercadorias serão produzidas implica a escolha e utilização de uma técnica de produção por vezes muito específica, bem como a determinação de que tipo de fator de produção deve ser utilizado e em quais quantidades. Nestes termos, provoca problemas de escolha, já que escolher uma técnica de produção ou a utilização de algum fator de produção em um determinado período de tempo acarreta a renúncia de outras técnicas disponíveis, assim como renúncia da utilização de outros fatores. Lembrete Observe que o que expomos anteriormente remete ao custo de oportunidade já estudado. A Teoria da Produção dá suporte às análises das relações entre produzir mercadorias e a utilização dos insumos necessários à produção e, por fim, mas não menos importante, a Teoria da Firma dá suporte à análise da demanda das empresas com relação aos fatores de produção que utilizam. Nesse aspecto, as empresas desempenham duplo papel: um, de consumidores de meios de produção, e outro, de fornecedores de bens. Procedendo então algumas definições interessantes e necessárias ao perfeito entendimento da Teoria da Produção, estabeleceremos que as empresas, ou as firmas, são aquelas unidades técnicas que produzem bens, ou seja, aqueles agentes que transformam fatores de produção, bens intermediários, portanto, em bens finais de consumo durável, não durável ou até em bens de capital. Dessa forma então, se a produção, como disse Ferguson (1983), é “a criação de utilidades”, chamaremos daqui em diante de produção o ato de transformar fatores adquiridos pelas empresas em produtos para venda ao mercado. Sendo o processo de produção representado por uma técnica de combinação e utilização de meios de produção com o objetivo de fabricar um bem, então podemos designar uma função de produção: Função de produção = Q = ƒ (x1, x2, x3, x4,..., xn) 109 ECONOMIA Onde: Q = quantidade de produção. x1, x2, x3, x4,..., xn = quantidades utilizadas de cada um dos fatores de produção envolvidos. Sabendo‑se que a produção dos mais variados bens depende, em maior ou menor grau, da existência de fatores de produção fixos e de fatores de produção variáveis, podemos reescrever nossa função de produção anteriormente apresentada da seguinte forma: Função de produção = Q = ƒ (x1, x2) Onde: Q = quantidade de produção. x1 = quantidades utilizadas de um fator de produção fixo ou quantidades utilizadas de fatores de produção fixos. x2 = quantidades utilizadas de um fator de produção variável ou quantidades utilizadas de fatores de produção variáveis. Efetuadas as simplificações, devemos definir o que é fator de produção fixo e fator de produção variável. Por fatores de produção fixos entenderemos aqueles cujas quantidades utilizadas não sofrem variações decorrentes das modificações nos níveis de produção. Ou seja, independentemente da produção, eles existem. É o exemplo das máquinas e equipamentos que as empresas compram, bem como das instalações imóveis em que estão as empresas, sejam em instalações próprias ou de terceiros. Figura 39 – O maquinário de uma empresa é um fator de produção fixo 110 Unidade II Por fatores de produção variáveis entendemos aqueles cujas quantidades utilizadas sofrem variações de acordo com as modificações nos níveis de produção. Ou seja, as quantidades utilizadas modificam‑se na medida em que há variação na produção, tanto para maior quantidade produzida quanto para menor. Exemplos mais usuais para o caso de fatores de produção variáveis são as matérias‑primas, a mão de obra direta empregada na produção e a energia elétrica empregada. Figura 40 – A mão de obra é um fator de produção variável É necessário ainda diferenciar os períodos de produção.Há a produção de curto prazo, na qual, na função de produção, há pelo menos um fator de produção fixo e os demais variáveis. Também existe a produção de longo prazo, na qual, na função de produção, todos os fatores de produção tornam‑se variáveis. Realizando uma análise de produção de curto prazo, na qual na função de produção há pelo menos um fator de produção fixo, sendo os demais variáveis, se um empresário qualquer desejar aumentar sua produção, deverá fazê‑lo aumentando as quantidades utilizadas do fator de produção variável. De forma análoga, se necessitar diminuir as quantidades produzidas, deverá promover uma diminuição por meio do desemprego de fatores variáveis. Portanto, se a curto prazo as quantidades produzidas sofrem variação através dos fatores variáveis, temos que: ∆Q = ƒ (∆x2) Onde: ∆Q = variação da quantidade produzida. (∆x2) = variação da quantidade utilizada do fator de produção variável. Neste caso, a quantidade produzida, para que possa variar, depende da variação da quantidade utilizada do fator variável, já que não há variação das quantidades utilizadas do fator de produção fixo. Mais do que essa simples noção, a variação da produção, apesar da contribuição das modificações das 111 ECONOMIA quantidades dos fatores de produção variáveis, depende também da capacidade produtiva das unidades utilizadas de fatores fixos. Figura 41 – Combinação de fatores de produção: fixos e variáveis Diante disto, podemos deduzir mais algumas relações importantes para o estudo da Teoria da Produção. Tratam‑se dos conceitos de produto total, produto total do fator variável, produtividade média do fator variável e, por fim, produtividade marginal do fator variável (PASSOS; NOGAMI, 2003). • Produto total: quantidade do produto que se obtém diante da utilização de fatores de produção fixos e variáveis. • Produto total do fator variável: é a quantidade do produto que se obtém diante da utilização do fator variável, mantendo‑se fixa a quantidade dos demais fatores de produção. Pode ser representado por: ∆Q = ƒ (∆x2) Como é necessário ter em mente que existe certa proporção razoável na combinação da utilização de quantidades de fatores de produção variáveis para uma mesma quantidade de fatores de produção fixos, devemos conhecer a medida de contribuição dos fatores de produção variáveis para a produção total, e essa medida será dada pela produtividade média do fator variável. Portanto, Pme = Q/x2 Onde: Pme = produtividade média do fator variável. Q = quantidade de produto. x2 = quantidade utilizada do fator variável. 112 Unidade II Mas não basta apenas conhecer a contribuição média de cada um dos fatores de produção variáveis que são utilizados conjuntamente com os fatores fixos, pois para cada nível de produção que cresce ou decresce, ocorre inclusão ou exclusão de fatores variáveis durante a produção. Dessa forma, devemos conhecer outra medida, mais importante do que a produtividade média do fator variável. Essa nova medida é a produtividade marginal do fator variável, que será descoberta a partir de: Pmg = ∆Q/∆x2 Onde: Pmg = produtividade marginal do fator variável. ∆Q = variação do produto. ∆x2 = variação das quantidades utilizadas de fator variável. Entenderemos por Pmg a relação entre as variações do produto total e as variações da quantidade utilizada de fator variável (WESSELS, 2002). Afirmamos anteriormente que essa medida tem maior importância do que Pme por conta de um fenômeno verificado nas relações de produção e este fenômeno é explicado pela Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes. Essa lei explica que quando aumentamos a quantidade de um fator na produção mantendo constantes os demais fatores empregados, a produtividade marginal desse fator variável passa a diminuir a partir de certo ponto. Exemplo: imagine uma fábrica de roupas que possa ter sua atividade produtiva assim sistematizada: • capital: máquinas de costura; • trabalho: mão de obra empregada na fábrica (costureiras); e • sede: local onde estão reunidos capital e trabalho para produção de roupas. Observação Está claro que uma fábrica de roupas utiliza muito mais fatores do que os anteriomente selecionados. Nossa seleção busca apenas a simplificação da explicação. O capital e a sede são exemplos de fator de produção fixo, constante, enquanto a mão de obra é variável. Primeiro, vamos variar o que é mais fácil, ou seja, o trabalho, mantendo constantes o estoque de capital e o tamanho da sede. No início, cada costureira que é admitida adiciona, por meio de seu trabalho, uma produção marginalmente crescente. Por exemplo: cinco trabalhadores produzem em média mais que produzem três, pois há a possibilidade de um aperfeiçoamento da divisão técnica da produção. Mas, se procedermos uma divisão das tarefas de produção, teríamos outro resultado, conforme segue. 113 ECONOMIA Enquanto três trabalhadoras operam três máquinas, a quarta organiza a matéria‑prima a ser utilizada pelas operadoras das máquinas e a quinta organiza a produção daquelas três trabalhadoras. Nesse trecho, portanto, a produção total descreveria taxas crescentes pelo acréscimo de mais trabalhadoras, uma vez que a produtividade marginal delas seria crescente. A partir de um ponto, cada nova trabalhadora adicionada ao processo de produção também representaria um aumento à produção total. Contudo, essa adição passaria a ter um acréscimo marginalmente decrescente. Esta nova trabalhadora inserida no processo de trabalho aumentaria a produção total, mas um pouco menos que a trabalhadora previamente inserida. Ou seja, nessa fábrica hipotética, enquanto três costureiras operariam três máquinas, duas organizariam a matéria‑prima e outras duas passariam a organizar toda a produção. Supondo que a velocidade de produção das máquinas, caracterizadas aqui enquanto fator fixo de produção, seja menor que a capacidade de organização das trabalhadoras em empreender a entrada de matéria‑prima e saída de produção total de roupas, a adição dessas duas novas trabalhadoras ajudaria, mas essa contribuição não mais seria tão determinante quanto a contribuição das duas primeiras trabalhadoras. Nesse momento, portanto, a produção total cresceria a taxas decrescentes em decorrência do acréscimo de mais trabalhadoras, uma vez que a produtividade marginal delas seria decrescente. Por fim, o acréscimo de mais uma costureira nesse ritmo decrescente de produtividade marginal levaria a um ponto em que o ingresso de mais trabalhadoras, em vez de aumentar a produção total, a reduziria. Ainda nesse contexto, imagine que o número de empregados na entrada e na saída da produção comece a gerar um perigoso congestionamento (por falta de espaço, uma vez que a sede teria tamanho constante) e/ou ociosidade (pelo fato de o número de máquinas ser constante) responsáveis por levar à ineficácia de suas funções. Nesse contexto, portanto, a produção total decresceria a taxas crescentes pelo acréscimo de mais trabalhadores, uma vez que a produtividade marginal deles seria negativa e crescente nesses termos. Mais um exemplo. Vamos variar outro fator de produção, o capital, e manteremos constante tanto o número de costureiras, daqui em diante chamadas simplesmente de trabalhadoras, quanto o tamanho da sede. No início, cada nova máquina inserida no processo de produção adiciona, com seu trabalho, uma produção marginalmente crescente. Exemplificando, cinco máquinas produzem em média mais que duas, pois há também a possibilidade de um aperfeiçoamento da divisão técnica da produção. Poderíamos admitir que, enquanto duas máquinas produzem uma cor de tecido, outras três produzem sem precisar alternar a entrada de matéria‑prima. Nesse momento, portanto, a produção total cresceria a taxas crescentes pelo acréscimo de mais máquinas, uma vez que a produtividade marginal delas seria crescente. A partir de certo instante, cada nova máquina que entrasse no processo de produção também contribuiria com um aumentoda produção total. Contudo, essa adição passaria a ter um acréscimo marginalmente decrescente. Ou seja, ela aumentaria a produção total, mas um pouco menos que a máquina inserida antes dela. Dizendo de outra forma, se uma nova máquina exigisse que um trabalhador 114 Unidade II tivesse que se dividir entre mais de uma máquina, aumentando a chance de erros por parte desse trabalhador, a produção total cresceria a taxas decrescentes pelo acréscimo de mais máquinas, uma vez que a produtividade marginal delas seria decrescente. Por fim, o acréscimo de mais uma máquina nesse ritmo decrescente de produtividade marginal levaria a um ponto em que o ingresso de mais uma máquina, em vez de aumentar a produção total, a reduziria. Exemplificando, poderia haver um problema de espaço na sede, diminuindo ou limitando o espaço de circulação de matéria‑prima ou até mesmo sacrificando o espaço utilizado pelos próprios trabalhadores. Portanto, a produção total decresceria a taxas crescentes pelo acréscimo de mais máquinas, uma vez que a produtividade marginal delas seria negativa e crescente nesses termos. Passemos então a um novo exemplo, agora variando outro fator de produção que não é tão fácil quanto os demais, o tamanho da sede, e mantendo constantes o número de trabalhadoras e o estoque de capital. Vejamos o que ocorre nessa situação. No início, cada m² ampliado permite uma produção marginalmente crescente. Ou seja, pode haver mais espaço para armazenamento de matéria‑prima e aumento do espaço para circulação das trabalhadoras, contribuindo, assim, para a maior eficácia da divisão técnica da produção. Nesse trecho, portanto, a produção total cresceria a taxas crescentes pelo acréscimo de mais m² ao tamanho da sede, uma vez que a produtividade marginal desse espaço seria crescente. Desse ponto em diante, cada m² ampliado também adicionaria um aumento da produção total. Contudo, essa produção passaria a ter um acréscimo marginalmente decrescente. Ou seja, esse novo m² auxiliaria o aumento da produção total, mas um pouco menos que o m² inserido anteriormente. Poderíamos representar esse evento exemplificando que começaria a haver uma distância entre as máquinas, desperdiçando então m2 disponíveis para serem utilizados. A produção total cresceria a taxas decrescentes pelo acréscimo de mais m², uma vez que a produtividade marginal deles seria decrescente. Por fim, o acréscimo de mais um m² nesse ritmo decrescente de produtividade marginal levaria a um estágio em que o ingresso de mais um m², em vez de aumentar a produção total, a reduziria. Por exemplo, haveria um problema de distância na sede entre as máquinas que tornaria o tempo de produção mais lento pela demora da circulação dos insumos, entendidos como a matéria‑prima e as trabalhadoras. Portanto, a produção total decresceria a taxas crescentes pelo acréscimo de mais m², uma vez que a produtividade marginal desses m² seria negativa e crescente nesses termos. Em suma, a Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes dá conta de apresentar que fica cada vez mais difícil aumentar a produção total pelo aumento do emprego de apenas um fator de produção. Ou seja, a atividade de produzir bens e serviços – qualquer que seja o bem ou serviço – guarda uma relação de eficácia na proporção dos recursos produtivos empregados. Reafirmando, a Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes explicita que, a cada introdução de um novo fator de produção variável para uma mesma quantidade de fator de produção fixo, o último fator aduzido representará contribuição menor para a produção total do que todos os outros introduzidos antes dele. 115 ECONOMIA A partir dos exemplos, podemos sintetizar as características dos estágios de produção, conforme figura seguinte. Quadro 3 – Estágios de produção Produção total (PT) Produtividade média do fator variável (PMe) Produtividade marginal do fator variável (PMg) 1) Estágio I crescente a taxas crescentes crescente crescente 1) Estágio II crescente a taxas decrescentes decrescente decrescente 1) Estágio III decrescente a taxas crescentes decrescente é negativamente crescente Demonstrando graficamente: I I II II III III A A B B C C Pme Pmg Estágio da produção Quantidade do fator variável Quantidade do fator variável Estágio da produção Prod. média (Pme) Prod. marginal (Pmg) Produção total (PT) A ‑ ponto de inflexão da produtividade marginal, ou seja aqui a produtividade marginal é máxima! B ‑ ponto de inflexão da produtividade média, ou seja aqui a produtividade média é máxima! C ‑ ponto de inflexão da produção total, ou seja aqui a produção total é máxima! Figura 42 – Produto total, produtividade média, produtividade marginal Dado que nossa firma é racional, ou seja, é maximizadora, ela vai querer produzir no ponto em que sua produção total é máxima, ou seja, no ponto C. 116 Unidade II Utilizando um exemplo numérico sobre a Teoria da Produção proposto por Passos e Nogami (2003, p. 226) e com adaptação nossa, fixaremos melhor todos estes conceitos. Vamos a ele. Suponhamos uma fazenda produtora de trigo em uma área cultivável de 10 hectares, que utilize como fator de produção apenas a terra (fator fixo) e a mão de obra empregada (fator variável). Figura 43 – Produção de trigo Observação Nossa intenção será, então, descobrir como a produção de trigo se modifica na medida em que o número de trabalhadores varia. Determinando então uma função para esta produção, teríamos: Qt = ƒ (x1, x2) Onde: Qt = quantidade produzida de trigo. x1 = 10 hectares de terra. x2 = quantidade de mão de obra. De forma análoga, Qt = ƒ (T, L), onde T = terra e L = trabalho. Como já sabemos que no curto prazo a produção somente varia se existir variação nas quantidades utilizadas de fator de produção variável, portanto, ∆Qt = ƒ (∆L) 117 ECONOMIA Vejamos então o exemplo: Tabela 19 – Produção de trigo Produção de trigo com um fator de produção variável Situação T (em mil metros) L (em unidades) Qt (em quilos) Pme = Qt/L (em quilos) Pmg = ∆Qt/∆L (em quilos) 1 10 0 0 ‑ ‑ 2 10 1 10 10 10 3 10 2 22 11 12 4 10 3 39 13 17 5 10 4 52 13 13 6 10 5 60 12 8 7 10 6 60 10 9 8 10 7 56 8 ‑4 9 10 8 48 6 ‑8 Fonte: Passos; Nogami (2003, p. 226). Podemos verificar a partir da tabela apresentada que a primeira coluna, T, representa a quantidade de terra disponível ao cultivo, e dessa forma apresenta o mesmo valor, 10 mil metros, para cada nível de produção. Portanto, a terra é o fator fixo de produção. A segunda coluna representa a adição de mão de obra, L no processo produtivo, variando então de 0 a 8 trabalhadores. A mão de obra é fator variável de produção. Na terceira coluna, do produto total, Qt, estão listadas as possíveis quantidades de produção de trigo para cada nível de utilização de L, dado fixo T. Verifica‑se, então, que as quantidades produzidas aumentam na medida em que são aumentadas também as quantidades utilizadas de trabalho. Efetuando, então, a leitura da tabela, temos: • situação 1: nenhum trabalhador inserido no processo de produção, produção igual a zero; • situação 2: um trabalhador inserido no processo de produção de trigo, produção igual a 10 quilos de trigo; • situação 3: dois trabalhadores inseridos no processo de produção de trigo resulta numa produção de 22 quilos de trigo; • situação 4: três trabalhadores inseridos no processo, 39 quilos de produção; • situação 5: quatro trabalhadores conseguem produzir conjuntamente o total de 52 quilos de trigo. 118 Unidade II Observação Observe que: 1 está para 10; 2 está para 22; 3 está para 39; e 4 está para 52. Isso acontece por um motivo que veremos daqui uns instantes. Vamos continuar lendo a tabela concentrando a atenção nos números das colunas L e Qt. • situação 6: 5 pessoas produzem em conjunto 60 quilos de trigo; • situação 7: os mesmos 60 quilos de trigo são produzidos por 6 trabalhadores; • situação 8: 7 trabalhadoressão responsáveis pela produção de 56 quilos de trigo; • situação 9: 8 trabalhadores produzem em conjunto menos quilos de trigo do que 3 pessoas. Lembrete Lembre‑se da definição da Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes e veja se há alguma relação com a última leitura da tabela que fizemos. Mais trabalhadores, menor produção. O fato é que quando se mantém fixo um fator de produção – no caso o espaço – ao mesmo tempo em que são acrescentadas novas quantidades de fator variável – no caso, as pessoas – a produtividade dos últimos que foram inseridos decresce em relação aos anteriores. Como é possível verificar isso? Olhando para a coluna Pme e relacionando‑a com a leitura das colunas L e Qt. Vejamos. Um trabalhador consegue produzir sozinho 10 quilos de trigo. Portanto, a produção é somente fruto de seu trabalho (claro que combinado ao uso da terra, mas deixemos isso de lado). O fato é que se trabalhou a terra sozinho, foi responsável pelo produto total que, no caso, são 10 quilos de trigo. Se dividirmos o produto total pela quantidade de trabalho empregado, o resultado será a produção média do trabalho. É justamente isto que mostra a coluna da Pme: produtividade média. Vejamos quando é adicionada mais uma unidade de L. O que acontece com Qt e com Pme? T = 10 L = 2 Qt = 22 Pme = 11 119 ECONOMIA Rapidamente é possível perceber que mais pessoas trabalhando produzem quantidades maiores: duas pessoas, 22 quilos de trigo. Quanto produziu, em média, cada um? A resposta é 11 quilos, o que mostra que cada um dos trabalhadores produziu o mesmo que o outro. Em termos percentuais, a quantidade de trabalhadores variou em 100% (passou de um para dois, portanto dobrou) e a quantidade total produzida de trigo sofreu elevação de 120%, ou seja, mais que dobrou. E quanto à produtividade média? Com a inserção de mais uma unidade de trabalho, ela passou de 10 para 11, o que representa variação percentual de 10%. E quando três trabalham juntos? T = 10 L = 3 Qt = 39 Pme = 13 Com relação à situação anterior, a introdução de mais uma unidade de trabalho fez variar em 17 unidades a produção total de trigo e aumentou em duas unidades o que foi produzido em média por cada um dos trabalhadores. Isso parece interessante. Vejamos as relações percentuais, pois elas têm muito a nos dizer: a variação de L foi de 50%, a variação de Qt foi de 77,27% e a variação de Pme foi de 18,18%. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Faça aqui anotações do que compreendeu dos números que foram apresentados. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Vejamos as informações da situação 5. T = 10 L = 4 Qt = 52 Pme = 13 120 Unidade II Na situação 5, em relação à situação 4, mais uma unidade de trabalho foi inserida. Há, dessa vez, quatro pessoas trabalhando na produção de trigo. A quantidade total de trigo produzida foi de 52 quilos (13 quilos a mais do que na situação 4). A produtividade média (o que corresponde de produção a cada trabalhador) foi de 13 quilos. Em termos percentuais, houve crescimento de 33,33% na quantidade de trabalhadores e também na quantidade total de trigo produzida. Quanto à produtividade média, ela se manteve no mesmo patamar da situação 4: não há qualquer variação percentual, o que significa que a introdução do quarto trabalhador não influenciou nem positivamente nem negativamente o resultado individual. O que nos mostram as informações da situação 6? T = 10 L = 5 Qt = 60 Pme = 12 Na situação 6, com relação à situação 5, mais uma unidade de trabalho foi inserida. Agora são cinco pessoas trabalhando na produção de trigo. A quantidade total de trigo produzida foi de 60 quilos (8 quilos a mais do que na situação 5). A produtividade média, o que corresponde de produção a cada trabalhador, foi de 12 quilos. Observação Pense: mais pessoas produzem mais! Porém, em média, podem produzir menos do que produziriam se menos pessoas estivessem envolvidas no processo de produção. Isso é possível? Em termos percentuais, houve crescimento de 25% na quantidade de trabalhadores e de 15,38% na quantidade total de trigo produzida. Veja que mais pessoas produziram relativamente menos. Quanto à produtividade média, houve uma queda de 8,33%, passando de 13 quilos de trigo em média por trabalhador na situação 4 para 12 quilos de trigo em média por trabalhador na situação 5. Vejamos, por fim, a situação 7. T = 10 L = 6 Qt = 60 Pme = 10 121 ECONOMIA Em relação à situação 6, a produção mantém‑se constante em 60 quilos de trigo, mas há queda acentuada na quantidade de produção por trabalhador: 25%. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Com as situações 8 e 9 você já é capaz de fazer o mesmo que fizemos anteriormente. Mãos à obra. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Agora, vamos olhar novamente para a tabela concentrando atenção nas colunas L, Qt, Pme e Pmg. Lembrete L, Qt, Pme e Pmg correspondem, respectivamente, à quantidade de trabalho, quantidade total de quilos de trigo produzido, produtividade média e produtividade marginal. As colunas de Pme e de Pmg, se relacionadas com a coluna L, ou seja, se verificarmos o comportamento da produtividade média e da produtividade marginal dos fatores variáveis em relação à utilização das quantidades crescentes dos fatores variáveis L, perceberemos a ocorrência da lei dos rendimentos decrescentes. Saiba mais A lei dos rendimentos marginais decrescentes foiPerceba que na medida em que há elevação na quantidade produzida, o custo fixo mantém‑se constante e o custo variável se eleva. Explicamos isto quando do tratamento dos fatores de produção. 126 Unidade II Observe agora a coluna de custo total: na medida em que há crescimento das quantidades produzidas o custo total também cresce. Por qual motivo? Simplesmente pelo motivo de que maiores quantidades de produção demandam maiores quantidades de fatores de produção variáveis e, portanto, maior gasto com eles. A produção de uma única unidade gera um custo fixo de R$ 35,00 e custo variável de R$ 24,00, além de custo total de R$ 59,00. Acompanhando a leitura das colunas de quantidade, custo fixo e variável, bem como do custo total, é possível perceber que, na medida em que são elevadas as quantidades de produção, o custo total também se eleva. O custo médio, Cme, inicia sua aparição na tabela sem nenhum valor (o que está indicado com um traço). O motivo disso é que se não houve produção, não há necessidade de fator de produção variável (entendendo aqui que esse tipo de produção hipotética leva em consideração como fator variável apenas a matéria‑prima). Assim, produção igual a zero resulta em zero na utilização de fator de produção variável e, por conseguinte, não há como avaliar o custo médio. Você até pode pensar em termos de custo fixo, mas se não houve produção, não há como ratear o custo fixo em zero unidades de produção. Uma unidade de produção gera um custo médio idêntico ao seu custo total. A produção de 2 unidades gera um custo total de R$ 75,00 e um custo médio de R$ 37,50. O custo médio apresenta trajetória decrescente até a unidade 4, mantém‑se constante em R$ 30,00 na unidade 5 e apresenta crescimento da unidade de produção 6 em diante. Qual o motivo disto? É o crescimento dos custos variáveis diante do crescimento do volume de produção. A coluna de custo variável médio apresenta trajetória muito parecida à de custo médio. O custo variável médio indica quanto de custo variável há em cada unidade de produção e como o custo médio é bastante influenciado pelo custo variável; o custo variável médio acompanha a trajetória. Observe que ele inicia com um valor elevado, R$ 24,00, decresce, mantêm‑se constante, volta a crescer a taxas crescentes. Isso acontece em função da lei dos rendimentos marginais decrescentes tratada em parágrafos anteriores. O custo fixo médio, por seu turno, apresenta trajetória contrária à do custo variável médio. O fato é que o custo fixo médio reflete o quanto de custo fixo há em cada unidade de produção. Portanto, quanto maior for a quantidade de produção utilizando mesma quantidade de fatores fixos, mais haverá diluição do uso desse tipo de fator e, portanto, seu custo será menor. Observe que o custo fixo médio inicia sua contagem com um valor elevado, R$ 35,00 quando é produzida apenas uma unidade e decresce na medida em que maiores quantidades são apresentadas. A coluna de custo marginal, Cmg, apresenta informações também interessantes. O custo marginal reflete a variação do custo total diante da variação nas quantidades produzidas. Quando não há produção, não há o que se considerar quanto ao custo marginal. Uma unidade de produção gera valor idêntico ao custo variável bem como ao custo variável médio. Duas unidades de produção geram um custo marginal de R$ 16,00, ou seja, produto de uma queda. O motivo é a melhoria na performance do custo variável. Quando a produção passa para três unidades, o custo marginal cresce e, aqui, já ocorrem os rendimentos marginais decrescentes: menor contribuição dos fatores variáveis e de seus valores monetários na medida em que houve nova inserção de fatores variáveis. 127 ECONOMIA Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Você pode continuar o raciocínio com as demais unidades e ver as relações com o custo marginal.Você pode continuar o raciocínio com as demais unidades e ver as relações com o custo marginal. Vimos até então que o objetivo principal das empresas está centrado na maximização de seus resultados, ou seja, na maximização de seus lucros. Para tanto, é necessário minimizar os gastos com a produção. Cada empresa procede de forma diferente com relação à combinação de seus fatores de produção e também diante das despesas com eles. Da mesma forma, cada empresa adota estratégias diferentes de como determinar o preço de suas mercadorias diante de seu objetivo de maximizar resultados, ou seja, diante do objetivo de obtenção de lucro. Mas como as empresas chegam a seu lucro? Vamos efetuar uma primeira aproximação. Entenderemos por lucros a diferença entre o que a empresa recebe por suas vendas e suas despesas de produção. O que a empresa recebe por suas vendas será estabelecido pela multiplicação das quantidades de mercadorias vendidas pelos seus respectivos preços. Suas despesas de produção serão conhecidas pela soma de tudo que as empresas empregaram de fatores de produção fixos e variáveis. Por simplificação, incluiremos nestes custos fixos e variáveis alguns impostos com os quais as empresas arcam diretamente com a produção, mas não o detalharemos neste momento. Então, RT = P x Q Onde: RT = receita total de vendas. P = preço unitário do bem. Q = quantidade vendida do bem. LT = RT – CT Onde: LT = lucro total. RT = receita total de vendas. CT = custo total de produção. Se o lucro total for maior do que zero, a empresa apresentará lucro. Isso mostrará que suas receitas totais de vendas foram maiores do que seus custos totais de produção. De outra forma, se o lucro total for menor do que zero, a empresa apresentará prejuízo, pois seus custos totais de produção excedem as receitas totais de vendas. 128 Unidade II A magnitude desse lucro, ou do prejuízo, não depende somente de fatores internos às empresas, como, por exemplo, decidir que tipo de fator de produção empregar, quanto gastar com fatores de produção e quanto cobrar por seus produtos. A maximização de seus lucros depende também de em qual ambiente econômico as empresas estão estabelecidas e o quanto sua atividade produtiva é influenciada por outras empresas de um mesmo setor ou de outros setores. De outra forma, alcançar e manter lucros depende das relações internas às empresas quanto à sua produção, mas depende fundamentalmente de em qual ramo de atividade a empresa está inserida, do tipo de produto que faz e do comportamento da concorrência. Estamos, portanto, tratando das estruturas de mercado. 6 ESTRUTURAS DE MERCADO O tema “estruturas de mercado” aborda a forma como as empresas estão divididas nos diversos ramos de atividade econômica. Ele envolve analisar o tipo de produto que produzem, bem como o comportamento de seus concorrentes. Por fim, neste tópico conheceremos qual a estratégia que as empresas utilizam para determinar seus lucros. As várias formas ou estruturas de mercado em que as empresas se encontram dependem fundamentalmente de três características: • número de empresas que compõe esse mercado; • tipo de produto; • existência ou não de barreiras ao acesso de novas empresas. São basicamente quatro as estruturas de mercado predominantes: o mercado de concorrência perfeita, o de monopólio, a concorrência monopolística e o oligopólio. Vamos conhecê‑los? 6.1 Concorrência perfeita Um mercado de concorrência perfeita é um tipo de mercado em que há grande número de vendedores e de compradores, de tal sorte que cada um deles, isoladamente, detém poder insignificante, não afetando os níveis de oferta e de demanda de mercado e, consequentemente, o preço de equilíbrio. Para que um mercado seja de concorrência perfeita, algumas características devem ser reunidas, dentre elas: • grande quantidade de compradores para grande quantidade de vendedores; • produto homogêneo; • mercado transparente; 129 ECONOMIA • total liberdade de entrada e saída de agentes, tanto compradores quanto vendedores; • mercado atomizado; • empresas seguidoras de preços de mercado.Figura 45 – A feira livre é um exemplo de mercado em concorrência perfeita A feira livre é um exemplo de mercado em que se encontram aqueles que oferecem produtos e aqueles que têm a intenção de comprar produtos. É do encontro entre essas diferentes expectativas que se formam os preços. Nesse tipo de mercado, a longo prazo, não existem lucros extraordinários (receitas superando os custos), mas apenas os chamados lucros normais, que representam a remuneração implícita do empresário. Observação Do ponto de vista da Teoria Microeconômica, a estrutura de mercado de concorrência perfeita trata‑se de uma construção teórica e simplificada da realidade, por assumir que, a partir da construção de modelos simples, pode‑se explicar a realidade mais complexa. Construção teórica ou não, o fato é que uma empresa atuando como concorrente perfeita também terá o objetivo de lucro. Melhor ainda: terá como objetivo a maximização de seu lucro e, desta forma, precisará decidir quais quantidades produzidas serão necessárias para atingir o objetivo. Como se trata de um mercado em que há muitos vendedores de um mesmo produto, a margem de manobra quanto ao preço de venda da mercadoria fica bastante prejudicada, sendo desta forma o preço estabelecido pelo mercado. Vejamos: 130 Unidade II Neste tipo de mercado, a curva de demanda tem a configuração de uma reta, mostrando o preço estabelecido pelo mercado, e todas as firmas componentes desse mercado tornam‑se tomadoras de preços. Nenhuma firma isoladamente tem condições de alterar o preço ou praticar preço superior ao estabelecido pelo mercado. Contudo, a esse preço dado pelo mercado, ela poderá vender quanto puder, limitada apenas por sua estrutura de produção e custos. Q’ Q’Q D D EE O P P Cmg (b)(a) P’ Q Figura 46 – Curvas de demanda e oferta em concorrência perfeita Em concorrência perfeita, como a quantidade demandada e a quantidade ofertada do bem dão‑se por muitos compradores e por muitos vendedores, o preço é estabelecido a partir do encontro das curvas de demanda e de oferta. No gráfico (b), a curva de demanda se transforma na própria curva do preço que foi obtida no ponto de equilíbrio conforme o demonstrado no gráfico (a). Portanto, o preço do bem é estabelecido pelo mercado e a partir deste estabelecimento, as firmas seguem o preço definido. Desta forma, são também chamadas de seguidoras de preços ou tomadoras de preços. Cabe às empresas administrar sua função custo para que haja lucros normais. A função custo deste tipo de empresa é representada pela curva de custo marginal, Cmg, e o ponto de equilíbrio nesse mercado passa a ser determinado pela intersecção das curvas de demanda e de custo marginal. Assim, cabe uma pergunta: onde reside o ganho da empresa em mercado de concorrência perfeita? A resposta é: reside nas quantidades que ela consegue comercializar ou na oportunidade de oferecer alguma diferenciação naquilo que comercializa. Observação Veja que alface é um produto homogêneo. Porém, dentro da homogeneidade do bem, há algumas ramificações: alface lisa, crespa, romana, americana, mimosa, roxa. Ou seja: referem‑se ao mesmo bem, mas são diferentes. 131 ECONOMIA Figura 47 – O mercado produtor de laranjas funciona praticamente em uma estrutura de concorrência perfeita 6.2 Monopólio O mercado de monopólio apresenta condições diametralmente opostas às da concorrência perfeita. Nele, existe, de um lado, um único empresário dominando inteiramente a oferta e, de outro, todos os consumidores. Não há, portanto, concorrência nem produto substituto. Neste caso, ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor ou simplesmente deixarão de consumir o bem ou serviço. O fornecimento de energia elétrica nas cidades é um exemplo de empresa em monopólio. Para existirem monopólios, devem haver barreiras que impeçam a entrada de novas firmas no mercado. Essas barreiras podem advir de diversas situações, sendo o monopólio puro ou natural uma delas. Esse caso ocorre quando o mercado, por suas próprias características, exige a instalação de grandes plantas industriais que operam normalmente com economias de escala e custos unitários bastante baixos, possibilitando à empresa cobrar preços baixos por bem ou serviço, o que acaba praticamente inviabilizando a entrada de novos concorrentes. Podemos elencar ainda como barreiras: • elevado volume de capital requerido para montar uma indústria monopolista; • as marcas e patentes; • o controle de matéria‑prima específica; • as instituições. 132 Unidade II A legislação brasileira proíbe a existência de monopólio, permitido‑a apenas para aqueles segmentos de mercado nos quais, para o perfeito funcionamento, deveria haver apenas uma empresa. São os chamados monopólios institucionais ou estatais considerados estratégicos ou de segurança nacional, como a energia elétrica e o petróleo. Figura 48 – Cabos de alta tensão Diferentemente da concorrência perfeita, em mercados monopolizados, como existem barreiras à entrada de novas empresas, os lucros extraordinários devem persistir também a longo prazo. Vejamos a demanda do monopolista, onde: P = preço. Q = quantidade. Cmg = custo marginal. D = demanda. Rme = receita média. OM = quantidade ofertada pelo monopolista. Pm = preço cobrado pelo monopolista. Qm = quantidade demandada pelos consumidores. Pmáx = preço maximizador de lucros. Qmáx = quantidade maximizadora de lucros. 133 ECONOMIA Pm Pmáx Qmáx Qm Q D = Rme Cmg Rmg P OM E Figura 49 – Demanda do monopolista Precisamos interpretar a leitura do gráfico para bem podermos entendê‑lo. A curva de demanda do monopolista representada por D reflete o quanto o monolista necessita atender à demanda de mercado, vez que se trata da única empresa a oferecer o bem ou a prestar o serviço. Assim, a curva de demanda também reflete a receita média do monopolista, Rme, representando a receita por unidade de produto vendido. Ela é calculada pelo emprego da seguinte expressão: Rme = RT / Q Onde: Rme = receita média. RT = receita total de vendas. Q = quantidade vendida do bem ou serviço. Nessa estrutura de mercado, a curva de demanda da empresa é a própria curva de demanda do mercado como um todo e é representada pela letra D no gráfico. Como a empresa é exclusiva no mercado, não está sujeita aos preços vigentes. Isso não significa, contudo, que poderá aumentar os preços indefinidamente. 134 Unidade II A curva de custo marginal reflete as mesmas relações daquelas apresentadas para o caso da concorrência perfeita. Agora aparece mais uma curva, a receita marginal, Rmg. Ela apresenta o acréscimo de receita na medida em que são aumentadas as quantidades comercializadas e pode ser obtida pelo emprego da expressão: Rmg = ∆RT/∆Q Onde: Rmg = receita marginal. ∆RT = variação da receita total. ∆Q = variação da quantidade. Conforme o gráfico anterior, o monopolista não utiliza a igualdade entre a oferta e a demanda para determinar os preços e a quantidade de equilíbrio. A maximização dos lucros é obtida igualando‑se o custo marginal (Cmg) à receita marginal (Rmg). Essa quantidade representada por Qmáx. combina com o Pmáx. Os dois significam, respectivamente, quantidade maximizadora de lucros e preço maximizador de lucros. Nesse ponto, o lucro econômico é normal devido à igualdade entre Rmg e Cmg. O que se gasta a mais para produzir é exatamente o volume de receita auferida pela venda de unidades adicionais. Bem sabemos que uma situação como essa não deve perdurar em situação de monopólio puro, haja vista a existência de apenas uma unidade empresarial de oferta. Assim, a empresa em monopólio exercerá seu poder de influência de mercado e adotará uma política de preços mais elevados do que aquele que gera o lucro normal. Ela procurará algum ponto em que o lucro extraordinário esteja presente. Esse ponto é representado no gráfico em OM, oferta de monopólio, em que Pm, preço cobrado pelo monopolista, combina comresultado de outro conceito de satisfação: o conceito de utilidade marginal. Vejamos a curva. Utilidade marginal Consumo Figura 12 – Curva de utilidade marginal De acordo com a curva de utilidade marginal, percebemos que o grau de satisfação diminui à medida que são aumentadas as quantidades de consumo de determinada mercadoria. Isso pode refletir aquele exemplo envolvendo as barras de chocolates e a criança. Ou seja, a última unidade de chocolate oferecida para consumo acrescenta menos satisfação, produz menor utilidade marginal, portanto fazendo diminuir a utilidade total. Tome como exemplo o bem H2OH: aquele bem que nem é refrigerante, nem é água. É um misto dos dois; assim, o fabricante diz não ser refrigerante por conter menor quantidade de gases em relação aos conhecidos. Quando o bem foi lançado, a empresa efetuou grande campanha de marketing para 61 ECONOMIA fazer‑se conhecida. E o consumidor? Insatisfeito por natureza, apresenta desejo de conhecer o novo produto. Pois bem: conhece ao comprar e beber. E depois? Se gostou, volta a comprar, e assim por diante. Há como medir o grau de satisfação desse consumidor ao beber o primeiro gole do bem H2OH? E o segundo gole? Há como medir? É disso que estamos tratando ao apresentar as noções de utilidade total e utilidade marginal. Nesse exemplo, a utilidade total surgirá quando o consumidor conseguir “matar a curiosidade”, quando experimentar o bem. Depois, continuando a consumir o bem, já não é mais novidade, “vira costume”, rotina, podemos dizer, e, portanto, há um decréscimo em sua utilidade marginal: a cada nova unidade do bem que for consumido, menos satisfação terá o consumidor. Por isso as empresas devem sempre inovar, inventar coisas novas ou novas formas de fazer o consumidor sentir utilidade total novamente: troca de embalagem, mudança na formulação, campanhas publicitárias e promocionais são alguns exemplos de chamada do consumidor. Outra forma é retirar momentaneamente o bem de circulação, de forma que o consumidor “sinta falta daquele bem” e, quando este retornar, o consumidor volte a adquiri‑lo, às vezes, a preços maiores. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Se alguém está com sede, o que satisfaz à necessidade: água ou algum outro bem que possa exercer Se alguém está com sede, o que satisfaz à necessidade: água ou algum outro bem que possa exercer a função da água? O que é consumo de necessidade e o que é consumo de desejo? Procure responder: a função da água? O que é consumo de necessidade e o que é consumo de desejo? Procure responder: por qual deles pagamos mais?por qual deles pagamos mais? O entendimento tanto da utilidade total quanto da utilidade marginal nos permite compreender como a Ciência Econômica investiga o comportamento do consumidor, assumido como racional. Partindo do princípio de que o consumidor adquira somente produtos que lhe gerem satisfação combinada com seu nível de renda, é interessante inserir na análise o papel desempenhado pelos preços dos produtos. Vejamos agora como se dá o comportamento do consumidor a partir da Teoria da Demanda. 5.2.2 Teoria da Demanda A Teoria da Demanda preocupa‑se com o comportamento do consumidor em relação ao consumo de mercadorias. Entende‑se por demanda a procura de um indivíduo por um determinado bem ou serviço. Demanda refere‑se, então, à quantidade de um bem ou serviço que o consumidor está disposto e capacitado a comprar, em um determinado período de tempo. Observação A expressão demanda remete a uma condição de vontade de consumo, o que difere do ato da compra. Está ligada à necessidade ou mesmo ao desejo de consumir. 62 Unidade II A demanda, diferentemente da compra, representa uma intenção de compra, por conta, principalmente, da restrição orçamentária e de outros determinantes da demanda. Vejamos então alguns determinantes de demanda: • preço do bem ou serviço; • renda ou riqueza do consumidor; • gostos e preferências do consumidor; • preços de bens relacionados (substitutos ou complementares) na demanda; • demais determinantes. Com os determinantes da demanda, podemos obter uma função demanda: Qdx = ƒ (P, R, PBR, G, E) Onde: Qdx = quantidade demandada do bem x. P = preço do bem x. R = renda ou orçamento do consumidor. PBR = preço de bens relacionados no consumo do bem x, a exemplo dos substitutos e/ou complementares. G = gosto e preferência do consumidor. E = expectativa do consumidor sobre o mercado do bem x. Veja o seguinte: quando o preço dos televisores está mais baixo nas lojas de venda especializada nesse tipo de bem durável, o que ocorre com o comportamento do consumidor? Podemos desenhar uma função demanda para esse caso: Qdt = ƒ (Pt) Onde: Qdt = quantidade demandada de televisores. (Pt) = preço do televisor. 63 ECONOMIA Como sugerimos queda de preços, então a função pode ser representada da seguinte forma: Qdt = ƒ (↓Pt) O que ela demonstra? Que o consumidor apresenta uma tendência de demandar mais televisores quando os preços desse tipo de bem estão mais baixos. Mais: que o consumidor apresenta tendência a aumentar as quantidades demandadas de televisores. Pode ser que já exista um na residência do consumidor e que ele deseje mais um. Portanto, o que influenciou a quantidade demandada de televisores foi o preço do bem, e não a renda do consumidor, por exemplo. E se a renda fosse a grande influenciadora da demanda por televisores? Como seria a função? Qdt = ƒ (R) Onde: Qdt = quantidade demandada de televisores. (R) = renda. Pois bem: se a renda do consumidor aumentar, o que ocorrerá? E se diminuir? O efeito será o mesmo? Não poderá ser. Em caso de aumento na renda, o consumidor agora tem mais condições de adquirir mais televisores e, portanto, a demanda por televisores aumentará. Qdt = ƒ (↓R) Observação Você já é capaz de entender o efeito de diminuição de renda. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Você se lembra de como surge a renda de uma sociedade? Lembra‑se dos tipos de renda existentes?Você se lembra de como surge a renda de uma sociedade? Lembra‑se dos tipos de renda existentes? Outro determinante da demanda é o PBR: preço de bens relacionados na demanda, chamados de complementares ou substitutos. Bens complementares são tipos de bens em que o consumo de um enseja, necessariamente, o consumo de outro. Exemplos: pão e manteiga, CD players e CDs, máquinas fotográficas e cartão de memória, impressoras e papel, impressoras e cartuchos de tinta, DVD players e aparelhos de TV. Imagine que, em determinado tempo, tenha aumentado muito o preço das impressoras. Como será a função demanda por impressoras? 64 Unidade II Qdi = ƒ (Pi) Onde: Qdi = quantidade demandada de impressoras. (Pi) = preço da impressora. Qual será o efeito? Queda de demanda de impressoras, conforme função a seguir. ↓↓Qdi = ƒ (↑ Pi) Reflita um pouco: parágrafos atrás, falamos existir um bem complementar à impressora. Lembra qual é? Sim, muito bem: os cartuchos de tinta. Haverá influência no mercado de cartuchos de tinta caso haja queda de demanda por impressoras? Resposta: sim! Qual a função demanda de cartuchos de tinta em função do preço das impressoras? Qdct = ƒ (Pi) Onde: Qdct = quantidade demandada de cartuchos de impressora. (Pi) = preço da impressora. Se haverá queda na demanda por impressoras, pois seu preço está mais elevado, menor quantidade de impressoras será adquirida, de forma que menor quantidade de cartuchos de tinta também será adquirida para colocar nas impressoras. O efeito será: ↓ Qdct = ƒ (↑ Pi) Figura 13 – Automóvel e combustível: bens complementares 65 ECONOMIA Em contrapartida, bens substitutos são aqueles que o consumidor tem condições de escolher entre um ou outro. Exemplo: manteiga ou margarina, pão francês ou pão de forma, maçã ou pera, feijão‑carioca ou feijão‑preto. Os dois atendem às necessidades de consumo. Em outras palavras, o consumo de um pode substituir o consumo do outro. Se a ida ao supermercado mostratratada pela Teoria Macroeconômica. 143 ECONOMIA Exercícios Questão 1. O conceito de elasticidade‑preço da demanda, ou somente elasticidade‑preço, diz respeito à variação da quantidade demandada de um bem X em função das variações de seu preço. Sobre a elasticidade‑preço da demanda, podemos afirmar: I − Cada produto possui sua própria sensibilidade com relação às variações dos preços e da renda. II − A elasticidade reflete o grau de reação ou sensibilidade de uma variável quando ocorrem variações em outra variável, coeteris paribus. III − O conceito de elasticidade representa uma informação bastante útil para uma empresa, que consegue dimensionar sua política de preços a partir das características de seu público‑alvo. Em relação às afirmativas acima, assinale a alternativa correta: A) Apenas as afirmativas I e II são corretas. B) Apenas as afirmativas I e III são corretas. C) Apenas as afirmativas II e III são corretas. D) Todas as afirmativas são corretas. E) Todas as afirmativas são incorretas. Resposta correta: alternativa D. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: a demanda de um produto reage de forma particular em relação ao aumento do preço. Isso quer dizer que a demanda de cada produto possui suas particularidades. II – Afirmativa correta. Justificativa: a elasticidade mede a sensibilidade de resposta de uma variável em termos da mudança em outra variável, respeitadas as condições de coeteris paribus. III – Afirmativa correta. Justificativa: a informação sobre a elasticidade‑preço da demanda é fundamental para o gestor e empresário, em especial na formulação e na execução de políticas de preços. 144 Unidade II Questão 2. A existência de muitos ofertantes e muitos demandantes caracteriza a concorrência perfeita como uma particular estrutura de mercado. Contudo, há também mercados que operam com base em uma estrutura do tipo concorrência imperfeita. O oligopólio é uma estrutura de mercado do grupo de concorrência imperfeita. Nessa estrutura: I − A quantidade de ofertantes e demandantes é imensa, o que impede a ação hegemônica no mercado de qualquer agente. II − O consumidor, na verdade, é quem estabelece o preço que irá vigorar no mercado. III − Os preços dos bens, em geral, são estabelecidos mediante acordos e associações entre os seus fabricantes. Está correto o que se afirma em: A) I. B) II. C) III. D) I e II. E) II e III. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: essa é uma característica da concorrência perfeita, e não do oligopólio. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: como os ofertantes são poucos, os consumidores têm pouca margem de ação no que diz respeito à formação do preço. III – Afirmativa correta. Justificativa: em geral, para que a concorrência não seja predatória, os poucos ofertantes do bem entram em acordo sobre uma política de preços e de divisão de mercado que não beneficie ou prejudique nenhum dos parceiros.que os preços do feijão‑carioca estão exorbitantemente mais elevados em relação aos preços do feijão‑preto, qual adquirir? Como são substitutos, o preço de cada um deles exercerá influência sobre o consumidor. Lembrando que este é tratado na microeconomia como racional: comparará os preços dos dois bens e, entendendo estar diante de bens substitutos entre si, levará aquele que estiver com preço mais baixo. Demonstrando em função, teríamos: Qdfp = ƒ (Pfc) Em que o preço do feijão‑carioca (Pfc) influencia a demanda de feijão‑preto Qdfp ou Qdfc = ƒ (Pfp) Em que o preço do feijão‑preto (Pfp) influencia a demanda de feijão‑carioca (Qdfc). Do nosso exemplo, haverá aumento na demanda de feijão‑preto em função da elevação no preço do feijão‑carioca. ↑ Qdfp = ƒ (↑ Pfc) A) B) Figura 14 – Bovinos e suínos: sua carne são bens substitutos Mas e se o consumidor não gostar de forma alguma de feijão‑preto? Mesmo com o preço mais baixo em relação ao feijão‑carioca, o consumidor não foi tocado a adquirir feijão‑preto. Não gosta desse tipo de produto! Entra em cena mais um determinante da demanda, qual seja, G, gosto e preferência do consumidor. Gosto ou preferência do consumidor apresenta‑se como um elemento subjetivo que influencia a demanda. Como medir o gosto do consumidor por feijão‑preto em relação ao feijão carioca? Se seu consumo, digamos, mensal não inclui feijão‑preto ou pouco inclui em relação ao outro, dizemos que feijão‑carioca é preferível ao feijão‑preto. Por ser preferível, coloca‑se com certa subjetividade e pode 66 Unidade II influenciar a demanda de bens. O mesmo ocorre com outros determinantes da demanda, a exemplo das expectativas de mercado. Os consumidores costumam tomar conhecimento dos preços dos bens que consomem, bem como ficar atentos às informações acerca dos setores que produzem tais bens. A formação de expectativas também influencia a demanda. Basta lembrar o período recente em que o governo federal anunciou que, por determinado período de tempo, alguns bens de consumo durável, a exemplo de automóveis e eletrodomésticos da linha branca, estariam isentos de determinados impostos. O que fez boa parte da sociedade? Na expectativa de que o governo, findo o período de isenção, não mais adotasse a mesma medida, acabou por antecipar compras, independentemente de suas formas de pagamento. Como todos os determinantes da demanda sofrem variações simultaneamente, de consumidor para consumidor, e como pode haver modificação de influenciadores da demanda para um mesmo consumidor, a Teoria Microeconômica lança mão da utilização da condição coeteris paribus. O que vem a ser tal condição? Imagine a primeira situação que colocamos anteriormente: que o preço dos televisores tenha diminuído e, ao mesmo tempo, tenha aumentado a renda da sociedade e diminuído o preço dos DVD players e aumentado o custo da energia elétrica consumida pelos lares. Quatro ocorrências acontecendo ao mesmo tempo. Como estimar a demanda de televisores diante desse quadro? A condição coeteris paribus permite à microeconomia analisar o que ocorre em um determinado mercado diante da modificação de alguma condição isolada, mantendo os demais influenciadores constantes. Exemplificando, caso queiramos saber o que ocorre com o mercado de leite diante do crescimento da renda de uma população, a Teoria Microeconômica analisa os impactos nesse mercado somente diante da modificação da renda, para, num segundo momento, analisar o que ocorrerá com esse mercado quando houver modificação em alguma outra relação da demanda. Caso desejemos saber o que ocorre no mercado de televisores, primeiro verificamos a influência que os preços exercem sobre a demanda desse tipo de bem. Depois, verificamos a influência da renda do consumidor na demanda desse produto, desconsiderando a influência do preço. Pela expressão economicamente correta, a pergunta seria: o que ocorre com o mercado de DVD player diante da elevação da renda do consumidor, coeteris paribus? Como se deve ler tal pergunta: o que ocorre com o mercado de DVD player diante elevação da renda do consumidor, permanecendo tudo o mais constante? A mesma pergunta pode ser feita desta forma: o que ocorre com o mercado de DVD player, coeteris paribus, diante da elevação na renda do consumidor? Como ler? O que ocorre com o mercado de DVD player, permanecendo tudo o mais constante, diante elevação na renda do consumidor? Vejamos outro exemplo. Considerando apenas a diminuição no preço da manteiga, qual o impacto na demanda por margarina? Utilizando a expressão: coeteris paribus, qual o comportamento do mercado de margarina diante diminuição no preço da manteiga? 67 ECONOMIA Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Sobre o exemplo anterior complete a frase. Esquecendo, ou não considerando, demais fatores,... ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ A condição coeteris paribus permite simplificar a realidade e, dessa forma, consegue dar respostas de comportamento de mercados a curto prazo. A condição coeteris paribus significa “iguais às demais coisas”, isto é, sem que haja modificação de outras características ou circunstâncias além daquelas supostas na análise. Consiste, essencialmente, em compartilhar a economia de modo que os principais efeitos de uma mudança de parâmetro num determinado minimercado possam ser ressaltados sem considerar os efeitos colaterais em outros mercados, inclusive as reações, ou o feedback destes. Saiba mais Para conhecimento da aplicação inicial da condição coeteris paribus na análise econômica, vale o contato com a obra: MARSHALL, A. Princípios de economia. São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Coleção Os Economistas). A concepção geral da obra de Marshall baseia‑se numa visão microeconômica neoclássica do regime capitalista de produção, supondo‑se uma tendência natural para o equilíbrio na qual as forças do mercado distribuíam os recursos da melhor maneira possível entre os diversos usos alternativos. Seu método de análise enfatiza as chamadas análises de equilíbrio parcial, com amplo uso da abordagem coeteris paribus, uma das mais famosas contribuições de Marshall. Na Teoria da Demanda, o comportamento do consumidor representativo é demonstrado por uma relação entre preços dos bens que esse consumidor está interessado em adquirir e suas respectivas quantidades. Tal relação é demonstrada pela curva de demanda. Esta é formada pela combinação de pontos de preços de uma mercadoria (P) no eixo vertical com suas quantidades demandadas (Q) no eixo horizontal. Demonstra a Lei Geral da Demanda. Vejamos a curva de demanda. 68 Unidade II P D Q Figura 15 – Curva de demanda A Lei Geral da Demanda diz que as quantidades demandadas de um bem qualquer caminham em sentido contrário aos preços deste. De forma análoga, a curva de demanda mostra a relação inversa entre preços e quantidades demandadas. Quando o preço de uma mercadoria é elevado, as quantidades demandadas dessa mercadoria são baixas, e quando os preços de uma mercadoria são baixos, as quantidades demandadas dessa mercadoria são elevadas. Vejamos a seguinte escala de demanda: Tabela 2 – Escala de demanda Preço Quantidade demandada Ponto 10,00 20 A 8,00 25 B 6,00 30 C 4,00 35 D Com as informações dessa escala, podemos construir a curva de demanda individual. P 10A 8 B 6 C 4 20 25 30 35 Q D Figura 16 – Curva de demanda individual 69 ECONOMIA Observação Tanto pela escala de demanda quanto pela curva de demanda é possível perceber a ocorrência da Lei Geral da Demanda. Analisando as informações da tabela, bem como da curva de demanda, percebe‑se que, à medida que o preço apresenta queda, as quantidades demandadas são maiores. Quando o preço dessa mercadoria qualquer é R$ 10,00, a quantidade demandada é de 20 unidades. Quando o preço é de R$ 8,00, a quantidade demandada é de 25 unidades. Quando o preço é de R$ 6,00, há aumento de cinco unidades na quantidade demandada, que passa a ser de 30 unidades. Por fim, quando o preço é de R$ 4,00, a quantidade demandada é de 35 unidades. Observação Observe que demanda é diferente de quantidade demandada. Demanda é intenção de compra, enquanto quantidade demandada representa, de fato, o quanto se consome a determinado nível de preço. Lembrete Como a demanda representa relação inversa entre preços e quantidades, você poderia pensar no exemplo apresentado para o caso de os preços subirem, quando as quantidades demandadas apresentariam queda. Chamamos de curva de demanda individual as combinações das quantidades de uma mesma mercadoria que um consumidor isolado está apto a adquirir, por unidade de tempo, em relação aos comportamentos dos preços dessa mercadoria. Chamaremos de curva de demanda de mercado quando uma escala de demanda apresenta as intenções de mais de um consumidor. Vejamos uma nova escala de demanda. Tabela 3 – Escala de demanda para vários consumidores Preço Consumidor 1 Consumidor 2 Consumidor 3 Consumo total Ponto 10,00 10 7 13 30 A 8,00 12 8 16 36 B 7,00 13 8 17 38 C 6,00 14 9 19 42 D 4,00 16 10 28 54 E 70 Unidade II A escala apresentada relaciona, para cada nível de preço, quantidades demandadas diferentes para cada um dos consumidores, demonstrando, dessa forma, a demanda total de mercado por um produto qualquer. Podemos proceder ao conhecimento da curva de demanda de mercado, que nada mais será do que demonstrar a relação entre os níveis de preços dessa mercadoria e suas respectivas quantidades demandadas por todos os consumidores. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Você pode construir a curva de demanda individual para cada um dos consumidores. Construa a Você pode construir a curva de demanda individual para cada um dos consumidores. Construa a curva de demanda para o consumidor 1, relacionando o preço do bem como as quantidades que ele curva de demanda para o consumidor 1, relacionando o preço do bem como as quantidades que ele demanda. Construa a curva de demanda para o consumidor 2 relacionando, agora, o preço do bem com demanda. Construa a curva de demanda para o consumidor 2 relacionando, agora, o preço do bem com as quantidades que esse consumidor demanda. Faça o mesmo com o consumidor 3.as quantidades que esse consumidor demanda. Faça o mesmo com o consumidor 3. P 10 8 7 6 4 30 36 38 42 54 Q E D C B A Figura 17 – Curva de demanda de vários consumidores Observe que a curva de demanda para vários consumidores reflete a mesma Lei Geral de Demanda, e a análise pode ser feita por meio da queda de preços ou de sua elevação. Quando o preço do bem é de R$ 10,00, preço comum para todos os consumidores, o consumidor 1 adquire 10 unidades, o consumidor 2 adquire 7 unidades e o consumidor 3 adquire 13 unidades. Assim, cada consumidor contribui um uma parcela do consumo total, que é de 30 unidades nesse nível de preços. Quando o preço cai para R$ 8,00, o que ocorre? O consumo total de mercado sobe para 36 unidades. Vejamos o comportamento de cada consumidor: o consumidor 1 adquire mais duas unidades, o Consumidor 2 adquire somente mais uma unidade e o consumidor 3 adquire mais três unidades. Mesmo que o preço seja idêntico para todos os consumidores, o comportamento de cada um deles é diferente. E quando o preço passa a ser de R$ 7,00? O consumidor 1 adquire mais uma unidade; 71 ECONOMIA agora, seu consumo individual passa a ser de 13 unidades, e o consumidor 2 não adquire unidades adicionais, permanecendo no mesmo nível de consumo de quando o preço era de R$ 8,00. Ele continua consumindo apenas 8 unidades, enquanto o consumidor 3 aumenta em mais uma unidade seu consumo, adquirindo agora 17 unidades. Você pode continuar o raciocínio quando os preços são R$ 6,00 e R$ 4,00. O que explica comportamentos diferentes de consumo de um mesmo bem a diferentes preços? Várias podem ser as respostas. Podemos pensar em algumas: • a renda do consumidor influencia o consumo; • trata‑se de um bem de consumo saciado; • o produto é novo no mercado e os consumidores o adquirirem, inicialmente, para conhecimento; alguns continuam consumindo, enquanto outros se mostram indiferentes; • pode ser um produto sazonal, a exemplo daquele consumo que acontece nos períodos de Páscoa, Natal e em outras datas comemorativas; • o bem proporciona elevado ou baixo grau de utilidade. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação As respostas anteriores correspondem à análise positiva ou à normativa? Reflita, responda e procure As respostas anteriores correspondem à análise positiva ou à normativa? Reflita, responda e procure apresentar outras hipóteses.apresentar outras hipóteses. Da mesma forma que quantidades demandadas são influenciadas pelo preço do bem, a curva de demanda também sofre influência. Nesse caso, dependendo do determinante da demanda (renda do consumidor, preço de bens relacionados, gosto ou preferência do consumidor), a curva de demanda sofre deslocamentos positivos ou negativos. Aqui, necessitamos efetuar uma distinção entre o que sejam movimentos da curva, também chamado de deslocamentos da curva, e movimentos ao longo da curva. Movimentos ao longo da curva são percebidos quando o influenciador da demanda é o preço do bem. Pense no seguinte: coeteris paribus, o que ocorre com a quantidade demandada de carne de frango diante da diminuição de seus preços? Qual sua resposta? Aumento ou diminuição nas quantidades demandadas? Aumento, muito bem. Como representar a curva de demanda por carne de frango? Mais: como representar a curva de demanda por carne de frango e o efeito das quantidades demandadas diante da diminuição de preço? Vamos lá. Suponha que o preço da carne de frango esteja em R$ 9,00 o kg e que, nesse nível de preços, os consumidores, em conjunto, adquiram 1.200 kg. O preço cai para R$ 7,20 o kg, e o consumo de mercado passa a ser de 2.200 kg. Temos aqui uma escala de demanda. 72 Unidade II Tabela 4 – Escala de demanda por carne de frango Ponto Preço (R$) Quantidade demandada (kg) A 9,00 1.200 B 7,20 2.200 Vejamos a representação da curva de demanda por carne de frango e o efeito das quantidades demandadas diante da diminuição de preço. P 9,00 A 7,20 1.200 2.200 Qdcf B D Figura 18 – Curva de demanda por carne de frango Como houve diminuição no preço (P) da carne de frango e os consumidores passaram a adquirir maior quantidade do bem (Qdcf), há um deslocamento de pontos ao longo da curva. O ponto inicial está em A, correspondendo ao preço de R$ 9,00 e à quantidade de 1.200 kg. A queda de preços para R$ 7,20 faz a quantidade demandada do bem ser de 2.200 kg, o que é representado pelo ponto B. Assim, a modificação no preço provocou movimento de pontos ao longo da curva de demanda (D). Se o preço aumentar, o efeito será o contrário: deslocamento de ponto ao longo da curva de B para A. Lembrete Você pode dizer deslocamento de pontos ao longo da curva ou simplesmente movimento ao longo da curva. De forma diferente, deslocamentos da curva de demanda ocorrerão quando a renda do consumidor, o preço de bens relacionados ou gosto ou preferência do consumidor apresentarem alteração, individual ou conjunta. 73 ECONOMIA Observação Em virtude da condição coeteris paribus, admite‑se que a alteração seja individual: um determinante de cada vez exercendo influência sobrea demanda. Volte ao exemplo em que a renda do consumidor influencia a demanda por televisores. Qdt = ƒ (R) Onde: Qdt = quantidade demandada de televisores. (R) = renda. Admita, coeteris paribus, crescimento da renda: o que ocorre? Você deve ter respondido que se elevará a demanda por televisores. Mais: deve ter imaginado rapidamente a função demanda para o caso proposto: ↑ Qdt = ƒ (↑ R) Qual o impacto na curva de demanda? P P A Q1 Q2 D D’ Qdt B Figura 19 – Demanda por televisores 74 Unidade II Com a elevação na renda do consumidor, será maior a demanda por televisores, coeteris paribus. Dessa forma, a curva de demanda original (D) combina o preço dos televisores com determinada quantidade (Q1) antes da alteração da renda (ponto A). Com a alteração da renda, a curva de demanda por televisores sofre deslocamento positivo e agora é chamada de D´. O ponto B demonstra novas, e maiores, quantidades demandadas de televisores (Q2) tendo o preço permanecido constante. Observação O fato de o preço ter permanecido constante deve‑se à alteração somente da função demanda influenciada pelo determinante renda. Como tudo o mais permaneceu constante, também permaneceu assim a influência da oferta e do comportamento do mercado. Outro exemplo. Estamos agora preocupados em investigar o que acontecerá com o mercado de margarina se houver uma diminuição do preço da manteiga. Em se tratando de bens substitutos, o consumidor racional tomará qual atitude? Se você está pensando que nosso agente racional demandará mais manteiga e menos margarina, acertou! Parabéns. Representação gráfica: Dmant (a) Demanda por manteiga (b) Demanda por margarina Dmarg’ Dmarg CA P1 P2 Q1 Q2 Q1 B Figura 20 – Demanda de manteiga e de margarina Em (a), temos a representação da demanda por manteiga, Dmant. Em (b), a representação da demanda por margarina, Dmarg. No início, a demanda por manteiga, Dmant, está no ponto A, em que P1 corresponde a Q1. A demanda por margarina está no ponto C. Com a queda de preço da manteiga, a nova quantidade demandada passa a ser B: P2, Q2. A diminuição no preço força a queda de demanda por margarina, e a curva de demanda desse produto sofre deslocamento negativo ou para a esquerda e agora é representada por Dmarg`. No gráfico (b), a quantidade demandada de margarina permanece constante em Q1, mas, na prática, diminuirá. Por quê? Porque no momento estamos trabalhando somente com a demanda. 75 ECONOMIA Para que o consumidor possa exercer sua demanda por bens, alguém tem de ofertá‑los. Nesse sentido, passamos a considerar a Teoria da Oferta. 5.3 Teoria da Oferta A Teoria da Oferta preocupa‑se com o comportamento dos empresários em relação à oferta de mercadorias. A oferta refere‑se à quantidade de um bem ou serviço que o produtor ou vendedor está disposto e capacitado a ofertar em determinado período de tempo. De forma análoga à da demanda, a oferta será diferente da venda, porque representa uma intenção de venda, conforme, principalmente, alguns determinantes da oferta. Vejamos alguns desses determinantes. • preço do bem ou serviço; • preço dos fatores de produção; • tecnologia; • preço de bens relacionados (substitutos ou complementares) na oferta; • clima; • demais determinantes. Com os determinantes da oferta, podemos obter uma função oferta: Qox = ƒ (P, PFP, T, PBR, C, E) Onde: Qox = quantidade ofertada do bem x. P = preço do bem x. PFP = preço dos fatores de produção (custo dos fatores). T = tecnologia de produção. PBR = preço de bens relacionados na produção do bem x, a exemplo dos substitutos e/ou complementares. C = condições climáticas e de solo. E = expectativa do ofertante sobre o mercado do bem x. 76 Unidade II Na oferta, o preço do bem impacta positivamente o crescimento de quantidades. Por qual motivo? Se um empresário qualquer percebe que o mercado está pagando um preço elevado pelo produto que vende, terá maior incentivo em aumentar a produção. Suponha um agricultor do setor de soja. Ao perceber que o consumo de soja mostra elevação, terá maior incentivo em continuar em tal produção, pois há demanda. Diante disso, pode praticar uma política de crescimento de preços, uma vez que os consumidores mostram‑se favoráveis a tal produto. Se eles continuarem consumindo após o crescimento do preço, mais incentivado estará nosso agricultor a continuar com sua produção. Entretanto, se o mercado apresentar saturação e não valorizar o bem ofertado, o empresário de qualquer setor se sentirá desmotivado e poderá procurar por outra atividade. Portanto, preços elevados influenciam positivamente quantidades ofertadas, e preços baixos influenciam negativamente essas quantidades. Utilizando os termos da função oferta: ↑ Qo = ƒ (↑ P) e ↓ Qo = ƒ (↓ P) Onde: Qo = quantidade ofertada. P = preço do bem. Acompanhe outro exemplo: suponha que em determinado momento o preço dos tecidos tenha sofrido elevação em virtude de uma queda de produção. O que deve ocorrer com a oferta de calças? Observação Estamos supondo que o tecido seja um fator de produção de calças. Se tiver ocorrido diminuição na oferta de tecidos, as indústrias produtoras de calças terão menos fator de produção à sua disposição e, portanto, deverão produzir menor quantidade de calças. Dessa forma, haverá diminuição na oferta de calças. Vejamos a função que representa tal situação. Qo = ƒ (PFP) Onde: Qo = quantidade ofertada. PFP = preço dos fatores de produção. Essa função seleciona apenas um determinante da oferta, qual seja, o preço dos fatores de produção. Aplicada ao exemplo, a função será: 77 ECONOMIA ↓ Qoc = ƒ (↑ Pt), Onde: Qoc = quantidade ofertada de calças. Pt = preço do tecido. A função representa exatamente a conclusão a que chegamos: aumento do preço do tecido em virtude da diminuição da oferta desse fator de produção impacta negativamente o mercado de calças, acarretando uma diminuição da oferta. Observação Percebeu que, novamente, para os exemplos, utilizamos um determinante da oferta de cada vez? É a condição coeteris paribus também presente na Teoria da Oferta. Outro exemplo. Vamos utilizar a tecnologia como determinante da oferta. Lembrete Lembra‑se da definição de tecnologia que utilizamos antes? Precisamos dela agora. Suponha uma indústria de bebidas que produza refrigerantes. Seu processo de produção é por esteira rolante, por onde os recipientes são transportados até o local em que receberão o líquido. Depois, o processo continua, até o recebimento da tampa de metal. Estamos pensando numa indústria que produza refrigerantes acondicionados em garrafas do tipo PET. Figura 21 – Garrafas PET 78 Unidade II Há um mecanismo específico que fecha a garrafa após esta ser completada com o líquido correspondente. Trata‑se de uma máquina que coloca a tampa e fecha a garrafa. A empresa pensa em modernizar tal mecanismo, inserindo nova tecnologia que fará tal processo em menos tempo, o que resultará em maior rapidez no fechamento de cada garrafa, de forma que maior quantidade de garrafas estará pronta em menos tempo. A função que representa a situação descrita será: Qor = ƒ (↓T), Em que: Qor = quantidade ofertada de refrigerantes. T = tecnologia. Saiba mais Você poderá obter mais conhecimento sobre a produção de refrigerantes acessando o site a seguir: AFEBRAS. Associação dos fabricantes de refrigerantes do Brasil. Produção. Guarapuava, [s.d.]. Disponível em: http://afrebras.org.br/setor/ refrigerante/producao/. Acesso em: 13 fev. 2014. Como todos os determinantes da oferta variam simultaneamente, de produtor para produtor, e como pode haver modificação no comportamento dos influenciadores da oferta para um mesmo produtor, a Teoria microeconômica, assim como a Teoria da Demanda, lança mão da condição coeteris paribus. Esta permite à Microeconomia analisar o que ocorre em um determinado mercado diante da modificação de alguma condição isolada, mantendo os demais influenciadores constantes.Exemplificando: se nosso interesse é saber o que ocorre com o mercado de alfaces diante de um clima frio extremamente rigoroso, a Teoria Microeconômica analisa os impactos nesse mercado somente diante da condição do clima, para, num segundo momento, analisar o que ocorrerá com esse mercado quando houver modificação em algum outro determinante da oferta. Observação No exemplo anterior, considerando a função oferta, o determinante utilizado foi a condição climática. 79 ECONOMIA Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Você pode investigar como os bens relacionados na oferta, os chamados substitutos ou complementares, Você pode investigar como os bens relacionados na oferta, os chamados substitutos ou complementares, são tratados na teoria. Basta olhar livros de Microeconomia para encontrar situações interessantes.são tratados na teoria. Basta olhar livros de Microeconomia para encontrar situações interessantes. Na Teoria da Oferta, o comportamento do produtor representativo é demonstrado por uma relação entre os preços dos bens que esse produtor está interessado em ofertar e suas respectivas quantidades. Tal relação é demonstrada pela curva da oferta. Esta é formada pela combinação de pontos de preços de uma mercadoria (P) no eixo vertical com suas quantidades ofertadas (Q) no eixo horizontal. Demonstra a Lei Geral da Oferta. Vejamos a curva de oferta. P Q O Figura 22 – Curva de oferta A Lei Geral da Oferta diz que as quantidades ofertadas de uma mercadoria qualquer caminham no mesmo sentido dos preços dessa mercadoria. De forma análoga, a curva de oferta mostra a relação direta entre preços e quantidades ofertadas. Quando o preço de uma mercadoria é elevado, as quantidades ofertadas dessa mercadoria são também elevadas, e quando os preços de uma mercadoria são baixos, as quantidades ofertadas dessa mercadoria são baixas. Vejamos a seguinte escala de oferta: Tabela 5 – Escala de oferta Preço Quantidade ofertada Ponto 4,00 20 A 6,00 25 B 8,00 30 C 10,00 35 D 80 Unidade II Com as informações dessa escala, podemos construir a curva de oferta individual. P 10 8 6 4 Q35302520 O Figura 23 – Curva de oferta individual Observação Tanto pela escala de oferta quanto pela curva de oferta, é possível perceber a ocorrência da Lei Geral da Oferta. Analisando as informações da tabela, bem como as da curva de oferta, percebemos que, à medida que o preço apresenta queda, as quantidades ofertadas são menores. Quando o preço dessa mercadoria qualquer é de R$ 10,00, a quantidade ofertada é de 35 unidades. Quando o preço é de R$ 8,00, a quantidade ofertada é de 30 unidades. Quando o preço é de R$ 6,00, há diminuição de cinco unidades na quantidade ofertada, que passa a ser de 25 unidades. Por fim, quando o preço é de R$ 4,00, a quantidade ofertada é de 20 unidades. Observação Oferta é diferente de quantidade ofertada. Oferta é intenção de produção ou de venda, enquanto quantidade ofertada representa, de fato, quanto se oferece a determinado nível de preços. Lembrete Como a oferta representa relação direta entre preços e quantidades, você poderia pensar no exemplo apresentado para o caso de os preços subirem. Nesse caso, as quantidades ofertadas apresentariam elevação. 81 ECONOMIA Chamamos de curva de oferta individual as combinações das quantidades de uma mesma mercadoria que um produtor está apto a ofertar por unidade de tempo, em relação aos comportamentos dos preços dessa mercadoria. Chamaremos de curva de oferta de mercado quando, em uma escala de oferta, estiverem demonstradas as informações de mais de um produtor em relação a um mesmo produto. Vejamos uma nova escala de oferta, desta vez, para vários produtores. Tabela 6 – Escala de oferta para vários produtores Preço Produtor 1 Produtor 2 Produtor 3 Oferta total Ponto 4,00 10 7 13 30 A 6,00 12 8 16 36 B 7,00 13 9 16 38 C 8,00 14 9 19 42 D 10,00 16 10 28 54 E A escala apresentada relaciona, para cada nível de preço, quantidades ofertadas diferentes para cada um dos produtores, demonstrando, dessa forma, a oferta total de mercado referente a um produto qualquer. Podemos proceder ao conhecimento da curva de oferta de mercado, que nada mais será do que demonstrar a relação entre os níveis de preços dessa mercadoria e as respectivas quantidades ofertadas por todos os produtores. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Você pode construir a curva de oferta individual para cada um dos produtores. Construa a curva de Você pode construir a curva de oferta individual para cada um dos produtores. Construa a curva de oferta para o produtor 1 relacionando o preço do bem como as quantidades que ele oferta. Construa oferta para o produtor 1 relacionando o preço do bem como as quantidades que ele oferta. Construa a curva de oferta para o produtor 2 relacionando, agora, o preço do bem com as quantidades que esse a curva de oferta para o produtor 2 relacionando, agora, o preço do bem com as quantidades que esse produtor oferece. Faça o mesmo com o produtor 3.produtor oferece. Faça o mesmo com o produtor 3. P 10 7 8 6 4 Q42 54383630 A B C D E O Figura 24 – Curva de oferta para vários produtores 82 Unidade II Observe que a curva de oferta para vários produtores reflete a mesma Lei Geral da Oferta, e a análise pode ser feita por meio da queda de preços ou de sua elevação. Quando o preço do bem é de R$ 10,00, preço comum para todos os produtores, o produtor 1 está disposto a oferecer 16 unidades, o produtor 2 oferece 10 unidades e o produtor 3 está apto a ofertar 28 unidades. Assim, cada produtor contribui com uma parcela da oferta total, que é de 54 unidades, nesse nível de preços. Quando o preço cai para R$ 8,00, o que ocorre? A produção total de mercado cai para 42 unidades. Vejamos o comportamento de cada produtor: o produtor 1 oferece duas unidades a menos, o produtor 2 diminui a oferta em uma unidade e o produtor 3 diminui em nove unidades sua oferta. Mesmo que o preço seja idêntico para todos os produtores, o comportamento de cada um deles é diferente. E quando o preço passa a ser de R$ 7,00? O produtor 1 oferta uma unidade a menos (agora sua oferta individual passa a ser de 13 unidades), e o produtor 2 não altera seu padrão de oferta, permanecendo no mesmo nível de oferta de quando o preço era de R$ 8,00. Ele continua ofertando apenas 9 unidades, enquanto o produtor 3 diminui em mais três unidades sua oferta, oferecendo agora 16 unidades, apenas. Você pode continuar o raciocínio quando os preços são de R$ 6,00 e de R$ 4,00. O que explica comportamentos diferentes de produção (oferta) de um mesmo bem a diferentes preços? Várias podem ser as respostas. Uma delas: a queda de preços não cobre os custos de produção, de forma que o produtor poderá incorrer em lucros menores. Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Para a indagação apresentada, oferecemos apenas uma provável resposta. Você poderia sugerir Para a indagação apresentada, oferecemos apenas uma provável resposta. Você poderia sugerir algumas outras?algumas outras? Saiba mais Para que bem possa efetuar o exemplo de aplicação indicado, consulte a obra: TAYLOR, J. B. Princípios de microeconomia. São Paulo: Ática, 2007. 586 p. Cap. 3. O capítulo 3 é dedicado à discussão do modelo de oferta e demanda. Da mesma forma que quantidades ofertadas são influenciadas pelo preço do bem, a curva de oferta também sofre influência. Nesse caso, dependendo do determinante da oferta (preço dos fatores de produção, preço dos bens relacionados, tecnologia, condições climáticas), a curva de oferta sofrerá deslocamentos positivos ou negativos. Aqui vale a mesma distinção apresentada quando do tratamento da Teoria da Demanda: entre o que sejam movimentos da curva, também chamados de deslocamentos da curva, e movimentos ao longo da curva. 83 ECONOMIA Movimentos ao longo da curva são percebidos quando o influenciador da oferta é o preço do bem. Pense no seguinte: coeteris paribus, o que ocorrecom a quantidade ofertada de leite diante da diminuição de seus preços? Qual sua resposta? Aumento ou diminuição nas quantidades ofertadas? Diminuição, pois se trata de relação direta entre preços e quantidades. Como representar a curva de oferta de leite? Mais: como representar a curva de oferta de leite e o efeito das quantidades ofertadas diante da diminuição de preço? Vejamos. A) B) Figura 25 – O leite e sua fonte Suponha que o preço do leite esteja em R$ 3,00 o litro e que, nesse nível de preços, os vendedores, em conjunto, ofertem 12 mil litros. O preço cai para R$ 2,80 o litro, e a oferta de mercado passa a ser de 10.700 litros. Temos aqui uma escala de oferta. Tabela 7 – Escala de oferta de leite Ponto Preço (R$) Quantidade ofertada (litros) A 3,00 12.000 B 2,80 10.700 Vejamos a representação da curva de oferta de leite e o efeito das quantidades ofertadas diante da diminuição de preço. 3,00 OP A B2,80 10.700 12.000 Qol Figura 26 – Curva de oferta de leite 84 Unidade II Como houve diminuição no preço do leite (P) e os produtores passaram a ofertar menor quantidade do bem (Qol), há um deslocamento de pontos ao longo da curva. O ponto inicial está em A, correspondendo ao preço de R$ 3,00 e à quantidade de 12 mil litros. A queda de preços para R$ 2,80 faz a quantidade ofertada do bem ser de 10.700 litros, o que é representado pelo ponto B. Assim, a modificação no preço provocou movimento de pontos ao longo da curva de oferta (O). Se o preço aumentar, o efeito será o contrário: deslocamento de ponto ao longo da curva de B para A. De forma diferente, deslocamentos da curva de oferta ocorrem quando o preço dos fatores de produção, o preço dos bens relacionados, a tecnologia ou as condições climáticas apresentam alteração, individual ou conjunta. Observação Em virtude da condição coeteris paribus, admite‑se que a alteração seja individual: um determinante de cada vez exercendo influência sobre a oferta. Volte ao exemplo da oferta de calças em função do tecido: Qoc = ƒ (PFP) Onde: Qoc = quantidade ofertada de calças. PFP = preço de fator de produção. Figura 27 – Indústria têxtil 85 ECONOMIA Admita, coeteris paribus, diminuição da oferta de tecido e, portanto, crescimento no preço desse material: o que ocorre? Você deve ter respondido que diminuirá a oferta de calças. E mais: deve ter imaginado rapidamente a função oferta para o caso proposto: ↓ Qoc = ƒ (↑ Pt) Qual o impacto na curva de oferta? P P B A Q2 Q1 Qoc O O` Figura 28 – Oferta de calças Com a queda na oferta de tecidos, será menor a oferta de calças, coeteris paribus. Dessa forma, a curva de oferta original (O) combina o preço das calças com determinada quantidade (Q1) antes da alteração do preço e da queda de oferta de tecidos (ponto A). Com a alteração no mercado de tecidos, a curva de oferta de calças sofre deslocamento negativo e agora é chamada de O´. O ponto B demonstra novas, e menores, quantidades ofertadas de calças (Q2), tendo o preço permanecido constante. Observação O fato de o preço ter permanecido constante deve‑se à alteração somente da função oferta influenciada pelo determinante preço de fatores de produção. Como tudo o mais permaneceu constante, também permaneceu assim a influência da demanda e do comportamento do mercado. Outro exemplo: analisando um agricultor, estamos agora preocupados em investigar o que acontecerá com o mercado de soja se houver uma diminuição do preço do milho. 86 Unidade II Figura 29 – Milho Em se tratando de bens substitutos na produção, o produtor racional tomará qual atitude? Se você está pensando que nosso agente racional mudará a produção para o cultivo de soja, acertou! Parabéns. Por qual motivo? Simplesmente pelo fato de a queda do preço do milho desencorajar a continuidade na produção, estimulando a mudança para o cultivo de soja. Representação gráfica: P (a) Oferta de milho (b) Oferta de soja P1 P2 B A C D Om QOmQ1 Q1Q2 Q2 QOs Os’ Os Figura 30 – Oferta de milho e de soja Em (a), temos a representação da oferta de milho, Om. Em (b), a representação da oferta de soja, Os. No início, a oferta de milho, Om, está no ponto A, em que P1 corresponde a Q1. A oferta de soja está no ponto C. Com a queda do preço do milho, a nova quantidade ofertada passa a ser B: P2, Q2. A diminuição no preço força o aumento da oferta de soja, e a curva de oferta desse produto sofre deslocamento positivo ou para a direita e agora é representada por Os`. No gráfico (b), a quantidade ofertada de soja passa a ser Q2. 87 ECONOMIA Figura 31 – Soja Pois bem, até o momento, olhamos as duas teorias em separado: a da demanda, com seus determinantes e deslocamentos, e a da oferta, também com seus determinantes e deslocamentos. Passamos agora a examinar como se comportam juntas. 5.4 Funcionamento do mercado Efetuadas as apresentações, tanto da demanda quanto da oferta, devemos passar a outro ponto, que é o local em que as relações da demanda se defrontam com as da oferta. Nesse ponto, quem quer comprar uma mercadoria relaciona‑se com quem quer vendê‑la, e vice‑versa. Chamamos esse local de mercado. No mercado, por meio da determinação de preços de mercadorias e de suas respectivas quantidades, são realizadas todas as transações entre os agentes, e, dessa forma, todas as relações da demanda são postas em ação, assim como acontece com as relações da oferta. Então, se num mercado existe o encontro de demandantes de mercadorias com os ofertantes de mercadorias, podemos representá‑los da seguinte forma: P O D Q Figura 32 – Representação do funcionamento do mercado 88 Unidade II Assim, o mercado de uma mercadoria qualquer é representado posicionando‑se as curvas de demanda e de oferta num mesmo gráfico. Aqui, a curva de demanda demonstrará as quantidades demandadas de uma mercadoria em relação aos seus preços, e a curva de oferta, por sua vez, também demonstrará as quantidades ofertadas de uma mercadoria em relação ao comportamento de seus preços. Mas lembre‑se: os determinantes da demanda e da oferta também estão representados nas curvas específicas. Lembrete Nesse ponto da discussão, vale lembrar as definições efetuadas quando das teorias da demanda e da oferta. 5.4.1 Equilíbrio de mercado Segundo a Teoria da Demanda, as quantidades que os consumidores estão interessados em adquirir reagem de forma inversa aos preços, ou seja, para preços maiores, as quantidades demandadas serão menores, e também vale o inverso. Já a Teoria da Oferta demonstra que as quantidades que os produtores estão interessados em oferecer reagem de forma direta aos preços, ou seja, para preços maiores, as quantidades ofertadas serão maiores, e, para preços menores, as quantidades ofertadas também serão menores. Parece haver desencontro de interesses entre os que ofertam e os que demandam mercadorias. Esse desencontro é resolvido a partir do momento em que os demandantes passam a aceitar pagar os preços que os ofertantes desejam receber, e, de forma análoga, o desencontro também passa a ser resolvido a partir do momento em que os produtores ofertam mercadorias na real quantidade em que os consumidores desejam adquirir. Estamos aqui nos referindo a um ponto de equilíbrio. No ponto de equilíbrio, que no próximo gráfico está representado pela letra E, serão harmonizados os interesses conflitantes de demandantes e ofertantes de mercadorias. Se os ofertantes desejarem cobrar preços mais elevados do que aqueles que os demandantes aceitam pagar, haverá quantidades ofertadas a mais do que aquelas que serão consumidas. Existirá, portanto, um excesso de oferta. De outra forma, se os consumidores desejarem adquirir maiores quantidades do que aquelas ofertadas pelos produtores, haverá escassez. Representando o ponto de equilíbrio: P O D Q E Figura 33 – Representação do equilíbrio de mercado 89 ECONOMIA Vamos representar numericamente as relações do equilíbrio de mercado,recordando tanto a escala de demanda de mercado quanto a escala de oferta de mercado apresentadas nas teorias tanto da demanda quanto da oferta. A escala de demanda de mercado apresentada é a que segue: Tabela 8 – Escala de demanda para vários consumidores Preço Consumidor 1 Consumidor 2 Consumidor 3 Consumo total Ponto 10,00 10 7 13 30 A 8,00 12 8 16 36 B 7,00 13 8 17 38 C 6,00 14 9 19 42 D 4,00 16 10 28 54 E Quanto à escala de oferta de mercado, a apresentada foi a seguinte: Tabela 9 – Escala de oferta para vários produtores Preço Produtor 1 Produtor 2 Produtor 3 Oferta total Ponto 4,00 10 7 13 30 A 6,00 12 8 16 36 B 7,00 13 9 16 38 C 8,00 14 9 19 42 D 10,00 16 10 28 54 E Lembrete Como estamos tratando do assunto equilíbrio de mercado, trouxemos aqui novamente as informações acerca dos participantes do mercado: todos demandantes e todos ofertantes de um mesmo bem. A partir das duas escalas separadas é possível construir uma escala que represente, para um mesmo nível de preços, as quantidades demandadas e as quantidades ofertadas de determinada mercadoria. É o que apresenta a próxima tabela. Tabela 10 – Escala de mercado Preço Quantidades demandadas Quantidades ofertadas Ponto 4,00 54 30 A 6,00 42 36 B 7,00 38 38 C 8,00 36 42 D 10,00 30 54 E 90 Unidade II Construída a escala de mercado, que combina quantidades demandadas e quantidades ofertadas de uma mesma mercadoria para diferentes níveis de preços, poderemos representar o ponto de equilíbrio para esse mercado. Antes disso, veja os números da tabela: ao preço de R$ 4,00, quantidades demandadas e ofertadas são diferentes; ao preço de R$ 6,00, idem. O mesmo ocorre para os preços de R$ 8,00 e de R$ 10,00, mas e ao preço de R$ 7,00? As quantidades demandadas são idênticas às ofertadas. Portanto, ao preço de R$ 7,00, as quantidades demandadas e as ofertadas são de 38, e esse será o ponto de equilíbrio nesse mercado. Observação Observe o que ocorre quando o preço é superior ao de equilíbrio, bem como quando é inferior ao de equilíbrio. Precisaremos disso adiante. Lembrete Na tabela anterior estão representadas as leis gerais tanto da demanda quanto da oferta, cada uma delas com suas relações específicas: na demanda, relação inversa, e, na oferta, direta. A figura a seguir representa numericamente o equilíbrio de mercado. P O D Q E 7,00 38 Figura 34 – Equilíbrio de mercado Com a representação, vemos que ao preço de R$ 7,00 as quantidades demandadas e as ofertadas são as mesmas, ou seja, 38 unidades. Para qualquer preço superior a R$ 7,00, as quantidades ofertadas serão maiores que as quantidades demandadas, gerando excesso de oferta. De outra forma, para preços menores que R$ 7,00, as quantidades demandadas serão maiores do que as quantidades ofertadas, gerando excesso de demanda, chamada escassez. 91 ECONOMIA Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação Procure retomar as informações da Tabela 11 – Escala de mercado. Estabeleça, para cada nível de Procure retomar as informações da Tabela 11 – Escala de mercado. Estabeleça, para cada nível de preços, se há excesso de demanda ou excesso de oferta, e quais as quantidades de tais excessos.preços, se há excesso de demanda ou excesso de oferta, e quais as quantidades de tais excessos. Para não ocorrer excesso nem de oferta, nem de demanda, o comportamento dos consumidores e dos vendedores deverá ser adaptativo às condições do próprio mercado, em que um exercerá pressão sobre o comportamento do outro. Da mesma forma que o comportamento dos consumidores em relação aos preços praticados pelos vendedores modifica as relações de mercado destes, qualquer modificação em cada um daqueles influenciadores da demanda ou influenciadores da oferta também afeta o equilíbrio de mercado. Por exemplo, dada a ocorrência de elevação na renda dos consumidores, a tendência é a de que maiores quantidades de mercadorias sejam consumidas. Da mesma forma, se existir, por exemplo, uma melhoria no clima, tornando mais propícia a produção de bens agrícolas, a tendência será de existir maior oferta desses bens. Assim, as quantidades demandadas e as ofertadas de determinada mercadoria, bem como seus preços, sofrem modificações de acordo com o comportamento dos componentes da demanda e/ou da oferta. Portanto, a cada modificação da demanda ou da oferta, desloca‑se o ponto de equilíbrio. Exemplificando: vamos supor que variações na renda dos consumidores influenciem a demanda por automóveis. Se a renda dos consumidores aumentar, a procura por automóveis também deverá aumentar, e, se a renda dos consumidores diminuir, a procura por automóveis deverá caminhar na mesma direção. Observação Estamos nos utilizando da condição coeteris paribus, nesse caso, com um único bem (automóvel) e um único influenciador da demanda (renda do consumidor). Representaremos o deslocamento do ponto de equilíbrio diante de uma procura maior por automóveis. Quando há maior procura por automóveis, a curva de demanda desloca‑se para a direita, agora representada por D`, mostrando que maiores quantidades dessa mercadoria são procuradas pelos consumidores. Mantendo‑se constantes as relações de oferta, o deslocamento positivo da curva de demanda estabelece um novo ponto de equilíbrio demonstrado por E`. Nesse novo ponto de equilíbrio, percebe‑se que maiores quantidades desse bem são transacionadas, mas a preços maiores. Vejamos a representação gráfica. 92 Unidade II P O D D’ E’ Q E Figura 35 – Modificações do equilíbrio a partir de crescimento de demanda Nesse caso, o preço do bem sofre elevação, pois, já que os consumidores aumentaram a demanda na proporção de suas rendas, os ofertantes deverão aumentar as quantidades de automóveis produzidos, cobrando mais por isso. Vejamos outro exemplo. Sabemos que, para uma máquina fotográfica exercer sua função, deve ser utilizada conjuntamente a seus componentes, a exemplo de baterias ou cartões de memória. Vamos supor, por simplificação, que o uso desde tipo de aparelho – máquinas fotográficas – requeira a utilização de baterias e que os fornecedores de máquinas fotográficas tenham provocado uma elevação nos preços de venda desse tipo de produto. O que deve ocorrer com a quantidade demandada de baterias? Como já sabemos pelo estudo da Teoria da Demanda, sempre que o preço de um bem aumenta, a quantidade demandada desse bem tende a diminuir. Portanto, a resposta à nossa pergunta deverá ser que a quantidade demandada de máquinas fotográficas deverá diminuir, mas qual a relação disso com o mercado de baterias? Se menos máquinas fotográficas forem vendidas, menores quantidades de baterias serão utilizadas, diminuindo a demanda por baterias. Representando o que ocorre no mercado de baterias, teremos um deslocamento para a esquerda na curva de demanda, agora chamada de D`. O deslocamento da curva de demanda para a esquerda exercerá pressão para a queda de preços das baterias. O novo ponto de equilíbrio nesse mercado estará em E`. P O D D’ E’ Q E Figura 36 – Modificações do equilíbrio a partir de diminuição da demanda 93 ECONOMIA De outra forma, os influenciadores da oferta também alteram o equilíbrio dos diversos mercados. Vamos verificar como operam alguns desses influenciadores. Vamos supor que para a produção de pneus seja necessária a utilização da borracha enquanto fator de produção, que os vendedores de borracha estejam com uma produção muito elevada e que isso tenha diminuído o preço desse material no seu mercado. Logo, os demandantes de borracha, que nesse caso serão os produtores de pneus, desejarão consumir mais borracha para poderem produzir mais pneus e, assim, ofertar maiores quantidades de sua produção. Dessa forma, como se comporta o mercado de pneus? Vejamos graficamente antes da explicação. P O’ O D E’ Q E Figura 37 – Modificações do equilíbrio a partir do aumento da oferta Como a produção de pneus foi beneficiada pela grande quantidade de borracha, melhoraram as condiçõesde oferta e, dessa forma, maiores quantidades de pneus serão ofertadas, o que é demonstrado pelo deslocamento positivo da curva de oferta, agora representada por O`. Como nada ocorreu com relação à demanda, esta permanece constante, e um novo ponto de equilíbrio será estabelecido nesse mercado, representado agora por E`, demonstrando que maiores quantidades de pneus serão transacionadas a preços menores. Pensemos agora no mercado de beterrabas. Sabemos que as beterrabas são produtos da agricultura, que depende, dentre outros fatores, de um clima propício para a produção. Vamos supor que uma geada tenha provocado dificuldade muito grande no cultivo desse tipo de produto, ocasionando perda de produção. Dessa forma, os produtores de beterrabas ofertarão menores quantidades. Como demonstrar esse evento? Vejamos. 94 Unidade II P O’ O D E’ Q E Figura 38 – Modificações do equilíbrio a partir de queda na oferta Verificamos que, nesse caso, houve deslocamento negativo (para a esquerda) da curva de oferta, representada agora por O`, demonstrando que menores quantidades de beterrabas estão sendo oferecidas. Como em nosso exemplo não houve modificação nas relações de demanda desse produto, o deslocamento para a esquerda da curva de oferta original, de O para O`, estabelece um novo equilíbrio para esse mercado demonstrado pelo ponto E`, no qual menores quantidades de beterrabas são transacionadas a preços maiores. Nesse ponto vale destacar o que recomenda Wessels (2003): Lembre‑se: uma mudança no preço nunca elevará a curva de demanda ou de oferta. As curvas mostram todos os efeitos da mudança de preço. Use os procedimentos abaixo para evitar erros ao analisar como os eventos afetam a oferta e a demanda. [...] 1. Equilíbrio inicial. Desenhe o diagrama de oferta e demanda. Dê um nome ao preço e ao produto inicial de equilíbrio; 2. Evento e deslocamento. Algum evento ocorre. Pergunte‑se como a demanda e a oferta se alterariam se o preço não mudasse de seu nível inicial. Desenhe a nova curva de oferta ou demanda; 3. Permita que o preço mude. Ao preço antigo, uma falta ou um excesso do bem ocorreria. Uma falta resultará em um preço mais alto. Um excesso resultará em um preço mais baixo. Como uma mudança no preço nunca desloca as curvas, não desenhe nenhuma curva mais; 4. Novo equilíbrio. O novo preço e a nova quantidade de equilíbrio estarão no ponto no qual as novas curvas de oferta e demanda se cruzem (WESSELS, 2003, p. 48‑9). 95 ECONOMIA Saiba mais Para maior aprofundamento acerca dos deslocamentos das curvas de demanda e de oferta, veja a obra: PASSOS, C. R.; NOGAMI, O. Princípios de economia. 5. ed. São Paulo: Thomson Pioneira, 2005. Nesse livro há um capítulo dedicado inteiramente ao assunto e com muitos exemplos de aplicação. Não deixe de consultar. Até agora mostramos que as quantidades demandadas e ofertadas das mercadorias aumentam ou diminuem de acordo com o comportamento de cada um dos influenciadores da demanda ou da oferta. Conforme anunciamos em exemplo anterior, diante de elevação na renda do consumidor, verificamos que houve elevação na demanda por automóveis e, de outra forma, verificamos que, dada a elevação nos preços de máquinas fotográficas, houve diminuição na demanda por baterias, mas não conseguimos quantificar, ou seja, dizer de quanto será a elevação no consumo de automóveis, nem quanto cairá a demanda por baterias. Da mesma forma, não podemos dizer em quais porcentagens serão aumentadas as quantidades de pneus ofertadas, bem como qual será o percentual de queda na oferta de beterrabas. Necessitamos de uma medida dessas variações, e a essa medida damos o nome de elasticidade. 5.5 Elasticidades Elasticidade é um termo técnico utilizado pelos economistas para avaliar o quanto as mudanças numa variável provocam mudanças noutra variável. Para tanto, utilizamos quatro conceitos de elasticidade: elasticidade‑preço da demanda, elasticidade‑preço da oferta, elasticidade‑renda da demanda e elasticidade preço‑cruzada da demanda. 5.5.1 Elasticidade‑preço da demanda Trata‑se de um termo técnico utilizado para saber qual o impacto na variável quantidade diante de uma modificação na variável preço. A elasticidade‑preço da demanda (Epd) mede a sensibilidade das quantidades demandadas de uma mercadoria em função da variação de seus preços. Pode ser utilizada, por exemplo, para avaliar qual será a variação das quantidades demandadas de leite, diante de uma variação de seu preço, ou seja, serve para medir o impacto da variação das quantidades demandadas de qualquer mercadoria diante de variações em seus preços. 96 Unidade II Variação % das quantidades demandadas Algebricamente, Epd = ___________________________________ 1 Variação % no preço Conforme salientam Silva e Luiz (2010): É interessante observar que o numerador ou o denominador dessa expressão representam apenas uma porcentagem e que, portanto, a elasticidade é uma divisão, ou uma razão, entre porcentagens. Em outras palavras, é a variação percentual na quantidade dividida pela variação percentual no preço (SILVA; LUIZ, 2010, p.163). Exemplificando: suponha que a companhia de transporte Viaje Bem tenha alterado o preço de suas tarifas de R$ 1,45 para R$ 1,28 e que com essa alteração o número de passageiros passou de 30.500 para 43.700. Como podemos medir a elasticidade‑preço da demanda nesse intervalo de preços? Lembrete Na demanda, preços menores correspondem a maiores quantidades demandadas. No exemplo anterior, o preço caiu, e a quantidade de passagens aumentou. Primeiro, iniciaremos construindo uma escala de demanda. Tabela 11 – Escala de demanda por passagens Preço Quantidade demandada R$ 1,45 30.500 R$ 1,28 43.700 Calculando Epd, teremos: Variação % das quantidades demandadas Epd = ________________________________________ Variação % no preço (43.700 – 30.500)/30.500 Epd = ________________________________________ (1,28 – 1,45)/1,45 97 ECONOMIA 13.200/30.500 Epd = ________________________________________ ‑0,17/1,45 Epd = –3,6919 Esse coeficiente de elasticidade‑preço da demanda de –3,6919 mostra que as quantidades demandadas sofrem variações mais que proporcionais às sofridas nos preços. Enquanto estes apresentam variação de 13,28% (quando passam de R$ 1,45 para R$ 1,28), as quantidades demandadas apresentam variação de 43,28% (quando subiram de 30.500 para 43.700 passageiros). Observemos o seguinte: no exemplo proposto, os preços das passagens sofrem diminuição, e, em resposta aos preços, as quantidades demandadas sofrem elevação. Efetuadas as contas, chegamos ao coeficiente de Epd = –3,6919, ou seja, chegamos a um coeficiente negativo. Por quê? Para responder a essa pergunta, devemos lembrar a Lei Geral da Demanda estudada anteriormente, quando da Teoria da Demanda. A Teoria da Demanda explica as relações de comportamento dos consumidores em relação, dentre outros fatores influenciadores, aos preços das mercadorias. Vimos que, quando o preço de uma mercadoria é muito elevado ou está apresentando elevação, as quantidades demandadas dessa mercadoria são baixas ou diminuem e, quando os preços de determinada mercadoria são baixos ou estão em queda, as quantidades demandadas dessa mercadoria sobem. Pois bem: se pensarmos com um pouco mais de cuidado, verificaremos que há uma relação inversa entre as duas variáveis, preço da mercadoria e quantidades demandadas dessa mercadoria. Eis a explicação para o sinal negativo do coeficiente de elasticidade‑preço da demanda. Sempre que calcularmos elasticidade‑preço da demanda, o valor do coeficiente de Epd será negativo, indicando a relação inversa entre as duas variáveis relacionadas, ou seja, indicará a relação inversa entre o preço da mercadoria e suas quantidades demandadas. Dessa forma, como sempre o sinal de Epd será negativo, por convenção, quando demonstrarmos o coeficiente de elasticidade‑preço da demanda, será desconsideradoQmáx. O que isso significa? Significa que a empresa em monopólio oferece menores quantidades do que aquelas requeridas pela demanda cobrando um preço mais elevado do que o real necessário. Assim, a empresa em monopólio é conhecida como ditadora ou estabelecedora de preços. Conforme Silva e Luiz (2010, p. 186), O monopólio puro é um tipo extremo de mercado, em que apenas uma empresa vende um produto para o qual não existem bons substitutos. A importância dessa empresa no mercado é absoluta, pois com o encerramento de suas atividades o mercado deixaria de existir, pelo fato de o bem fabricado por ela não mais ser ofertado. O produto ofertado nesse mercado é diferenciado, não homogêneo, não havendo possibilidade de ser substituído por outros satisfatoriamente. O monopólio puro também é uma situação de mercado dificilmente encontrada no mundo real. Na iniciativa privada, esse tipo de mercado não é encontrado pelo fato de ser impossível para qualquer empresa que esteja operando nesse regime impedir a entrada 135 ECONOMIA de outra empresa no mercado ofertando um produto similar ao seu. Os únicos casos de monopólio puro são encontrados no setor público, como o abastecimento de água de uma cidade, que está a cargo do governo estadual ou da prefeitura. Nesse caso, temos realmente um monopólio puro, pois a companhia que fornece a água é a única naquele mercado, ou seja, na cidade, e a água não tem nenhum substituto próximo satisfatório. Saiba mais Sobre o monopólio ou situação de monopólio leia o texto: LASORSA, B. Cinco maneiras de se criar um monopólio. Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 7 nov. 2013. Disponível em: http://www.mises.org.br/ Article.aspx?id=1728. Acesso em: 7 fev. 2014. Vale a leitura e a visita ao site que, além dessa matéria, apresentará outros textos relacionados ao assunto. 6.3 Oligopólio O oligopólio é um tipo de estrutura caracterizada por um pequeno número de empresas que dominam a oferta de mercado. Pode caracterizar‑se como um mercado em que há pequeno número de empresas, como a indústria automobilística, ou, então, em que há grande número de empresas, mas é dominado por poucas, a exemplo da indústria de bebidas. A aviação aérea é outro exemplo de oligopólio. Figura 50 – A aviação aérea comercial é um exemplo de oligopólio 136 Unidade II Conforme Silva e Luiz (2010, p. 186), O oligopólio é um regime de mercado intermediário entre a concorrência pura e o monopólio puro. No oligopólio, temos um número de produtores pequeno o suficiente para que cada empresa seja importante, de modo que as ações de uma afetam as demais e os preços dos bens por elas produzidos. Além disso, esses bens, apesar de perfeitamente substituíveis entre si, são diferenciados, permitindo que o consumidor saiba exatamente qual empresa produziu determinado produto. No oligopólio, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços podem ser fixados entre as empresas por meio de conluios ou cartéis. Normalmente, as empresas discutem suas estruturas de custos, embora o mesmo não ocorra com relação a sua estratégia de produção e de marketing. Há uma empresa líder que, via de regra, fixa o preço, respeitando as estruturas de custos das demais e há empresas satélites que seguem as regras ditadas pelas líderes. Esse é um modelo chamado de liderança de preços. Ainda para Luiz e Silva (2010, p. 186), Esse regime de mercado [o oligopólio] talvez seja o mais comumente encontrado na vida real. Os exemplos que podem ser citados são vários, indo desde bens de consumo duráveis, como os eletrodomésticos em geral e os automóveis, até bens de consumo não duráveis, como sabão em pó e pasta de dente. O que caracteriza, à primeira vista, um caso concreto de oligopólio é a marca do produto. De fato, as geladeiras, por exemplo, são conhecidas pelo consumidor por suas marcas, que identificam sua origem e a empresa que as produziu. E embora todas as geladeiras prestem o mesmo tipo de serviço e satisfaçam às mesmas necessidades, cada consumidor individualmente prefere esta ou aquela marca. O mesmo acontece com o sabão em pó e os automóveis. Quanto aos objetivos da empresa oligopolista de maximização de lucros, a Teoria Microeconômica apresenta duas correntes: aquela oferecida pela teoria marginalista e aquela oferecida pela organização industrial (PASSOS; NOGAMI, 2003). Pela abordagem marginalista, a maximização de lucros se dá por: LT = RT – CT Onde: LT = lucro total. RT = receita total. CT = custo total. 137 ECONOMIA Observação De acordo com essa abordagem, basta então que os custos de produção sejam menores do que as receitas de vendas para que haja lucros para a empresa oligopolista. A abordagem da organização industrial não enfatiza a maximização de lucros pura e simples, mas, sim, a maximização de mark‑up. A Teoria do Mark‑up repousa na constatação empírica de que as empresas não conseguem prever adequadamente a demanda por seu produto e, portanto, suas receitas, mas conhecem seus custos. Como têm poder oligopolista, podem então fixar os preços com base nos custos. É importante notar que ela é diferente da Teoria Marginalista, que afirma que a empresa, para fixar seu preço no lucro máximo, precisa prever também as receitas, o que envolve conhecer a demanda por seu produto para igualar suas receitas marginais aos custos marginais. Para que a empresa chegue a seu preço de venda, deverá tem em mente seus custos de produção e qual será sua taxa de mark‑up. Dessa forma, o preço será composto por: p = (1 + m)c Onde: p = preço do produto. m = taxa de mark‑up, que é uma porcentagem sobre os custos diretos. c = custo direto unitário. Portanto, o mark‑up será dado pela diferença entre a receita de vendas e os custos diretos. mark‑up = RT – custos diretos Observação A taxa de mark‑up deve cobrir, além dos custos diretos, os custos fixos, e atender a certa taxa de rentabilidade desejada pela empresa oligopolista. 138 Unidade II Figura 51 – Algumas marcas de empresas que trabalham em regime de oligopólio 6.4 Concorrência monopolista Essa é uma estrutura intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas que não deve ser confundida com o oligopólio. Nessa situação, há número relativamente grande de empresas com poder concorrencial, porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados, seja por características físicas, embalagens ou prestação de serviços. Figura 52 – Restaurantes são exemplos de concorrência monopolística As empresas em concorrência monopolista detêm alguma margem de manobra para fixação dos preços, que, contudo, não é muito ampla, uma vez que existem produtos substitutos no mercado. Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto, embora o mercado seja competitivo. 139 ECONOMIA Conforme explicam Silva e Luiz (2010, p.187), A concorrência monopolística é uma situação de mercado em que há um número suficientemente grande de produtores, de modo que cada produtor individualmente não é importante. Todos eles produzem um mesmo produto, mas na mente dos consumidores cada um deles é diferente dos demais, de acordo com a empresa que o produz. Neste caso, temos um elemento da concorrência perfeita, que é o razoável número de empresas produzindo o mesmo bem, de modo que a saída de uma empresa do mercado não tem efeito sobre as demais. Temos, também, uma característica do oligopólio, que é o fato de cada produto ser diferente dos demais – pelo menos na mente do consumidor ‑, apesar de altamente substituíveis entre si. Como exemplos, temos as fábricas de roupas da moda, os produtos têxteis e a prestação de serviços em grandes cidades. O quadro a seguir sumariza as principais estruturas de mercado e suas características. Quadro 4 – Resumo das características das estruturas de mercado Estrutura Número de empresas Diferenciação do produto Condições de entrada e saída Influência sobre o preço Exemplos Concorrência perfeita Muitas Produto homogêneoFácil Nenhuma, pois são tomadoras de preços Alguns produtos agrícolas Monopólio Uma Produto único sem substituto próximo Difícil Forte Serviços de energia elétrica Concorrência monopolista Muitas Produto diferenciado Fácil Leve Comércio varejista, restaurantes, farmácias etc. Oligopólio Poucas Homogêneo ou diferenciado Difícil Considerável Homogêneo: alumínio diferenciado, automóveis Fonte: Passos; Nogami (2003). 140 Unidade II Resumo Nesta unidade tivemos contato com o estudo da Teoria Microeconômica. Iniciamos o texto descrevendo as questões centrais da teoria, sendo a principal delas que, para analisar um mercado específico, a microeconomia desenvolveu um conjunto de pressupostos que garante a aplicabilidade dos dados analisados. Isso é permitido pelo uso da hipótese coeteris paribus, em que o analista microeconômico, ou microeconomista, consegue direcionar seu foco exclusivamente ao mercado escolhido para análise. Outro pressuposto de grande importância reside no Princípio da Racionalidade, indicando que os agentes econômicos envolvidos no estudo buscarão sempre a maximização de sua função utilidade. Depois, passamos a entender a Teoria do Consumidor, quando da apresentação da Teoria da Demanda. Percebemos que esta é uma teoria que explica o comportamento racional do consumidor diante da grande variedade de bens que tem à sua disposição. Para o desenvolvimento da Teoria da Demanda, a unidade apresentou conceitos e definições do que influencia o consumo, bem como a função demanda, com seus determinantes. Vimos que o preço do bem não é o único fator que determina o consumo e que deve ser analisado, levando‑se em consideração as condições do momento. Avançamos na teoria com a apresentação da curva de demanda e da Lei Geral da Demanda. Da mesma forma fizemos com o lado dos produtores, os ofertantes. Dedicamos espaço para a apresentação da Teoria da Oferta e percebemos que tal teoria explica o comportamento do vendedor, do produtor, do ofertante, portanto, e que a análise deste difere completamente da análise do consumidor. Nesse aspecto, a Lei Geral da Oferta foi considerada, e dela obtivemos a curva de oferta. Como os conceitos de demanda e oferta pressupõem a ideia de mercado, a unidade também apresentou o funcionamento de mercado a partir das funções anteriores. Percebemos que, apesar da existência de conflitos entre as duas partes – demandantes e ofertantes –, há um ponto de satisfação entre eles, chamado ponto de equilíbrio. Percebemos também que, a curto prazo, o ponto de equilíbrio é estático, porém não permanente a longo prazo. Condições da demanda ou da oferta, ou seja, condições de mercado deslocam o ponto de equilíbrio entre preços e quantidades para mais ou para menos, dependendo da influência recebida. Para tanto, deslocamentos das curvas de demanda e de oferta foram aprendidos. 141 ECONOMIA A segunda parte da unidade foi dedicada ao conceito de elasticidade: elasticidade‑preço da demanda, elasticidade‑preço da oferta, elasticidade‑renda da demanda e elasticidade‑preço cruzada da demanda. Com os cálculos dos coeficientes de elasticidade, foi possível notar que nem todos os bens são sensíveis ao preço, ou seja, que não são todos os bens que atendem na plenitude à Lei Geral da Demanda. Até agora, nosso empenho foi em entender do que trata a Economia, bem como sua evolução ao longo dos tempos. Ademais, introduzimos em nossa trajetória como os consumidores se comportam diante das grandes modificações que o ambiente econômico promove. Passamos a entender outro lado, o das empresas, enquanto estiverem empenhadas a oferecer mercadorias para consumo. Nossa atenção esteve direcionada para o comportamento das empresas enquanto agentes da decisão do que produzir e em quais quantidades, bem como para forma pela qual exercem suas atividades. Continuamos, ainda, com assuntos relacionados ao estudo da microeconomia, porém tendo contato com a Teoria da Firma, desdobrada em Teoria dos Custos e Teoria da Produção, nas quais foram consideradas as decisões empresariais de produção. Outro assunto também abordado pelo estudo da Teoria Microeconômica foram as estruturas de mercado. O que aprendemos? Vimos que a Teoria da Firma está dividida em Teoria da Produção e Teoria dos Custos. Na Teoria da Produção, aprendemos a distinção entre produção de curto e de longo prazo bem como quais as características se fatores de produção fixos e fatores de produção variáveis. Observamos que a junção dos dois culmina na função de produção e que dela saem os conceitos de produto total, produto médio e produto marginal. Quando a unidade tratou do produto médio e marginal, descrevemos a lei dos rendimentos marginais decrescentes, da qual você não pode se esquecer. Um exemplo numérico acerca da produção de trigo foi trabalhado no intuito de reforçar o entendimento dessa lei. Por sua vez, a Teoria dos Custos apresentou a função custo total, além de outras categorias de custos. Na Teoria da Firma, trabalhamos a ideia de que para uma empresa produzir qualquer tipo de bem ela incorre em despesas de produção. Essas despesas são provenientes da aquisição de fatores de produção de que a empresa necessita. Como a empresa também é um agente econômico racional, seu intento é utilizar a menor quantidade possível de fatores de produção para que se obtenha a produção desejada. Dessa forma, ela age como maximizadora de resultados, o que requer gastos menores com as despesas de produção. Daí a importância do entendimento dos custos de produção. 142 Unidade II Dedicamos nossos estudos também às estruturas de mercado, notadamente, ao reconhecimento de como são estabelecidos os preços de mercado por diferentes empresas em diferentes situações de produção e concorrência. A concorrência perfeita foi o primeiro mercado a ser estudado, por apresentar‑se mais simples do que os demais. Vimos que o conceito refere‑se à situação de grande quantidade de empresas oferecendo o mesmo tipo de bem para grande quantidade de consumidores de forma que cada agente participe de uma pequena parcela do mercado. A principal característica desse tipo de mercado é a ausência de poder de decisão dos agentes individuais, mas forte em termos coletivos. O monopólio, estrutura de mercado extremamente diferente da concorrência perfeita, também foi considerado. Neste, o poder de mercado está nas mãos do ofertante, pois é único em seu mercado específico. Nesse sentido, sua existência é importante para a sociedade quanto à oferta do bem específico. Porém, causa ineficiência em termos de alocação de recursos pela geração do peso morto ao consumidor. O oligopólio é outra estrutura de mercado em que existem poucas grandes empresas dominando a oferta de um bem ou serviço que pode ser padronizado ou diferenciado. A concorrência acirrada entre os participantes é forte, principalmente na oferta, o que faz com que a empresa oligopolista tenha que administrar de forma eficiente sua estrutura de custos para bem poder precificar o que vende ou produz. Por fim, a concorrência monopolista – ou monopolística para alguns autores – coloca‑se entre a concorrência perfeita e o monopólio, reunindo características dos dois mercados. Até este momento, trabalhando com a Teoria Microeconômica, preocupamo‑nos com a abordagem de equilíbrio parcial, analisando determinado mercado sem considerar os efeitos que esse mercado pode ocasionar sobre os demais. A preocupação central estava em descobrir o comportamento dos preços de uma mercadoria, quantidades produzidas de outra ou a determinação de condições de lucratividade por empresas estabelecidas em diferentes mercados. Contudo, devido à grande variedade de mercadorias produzidas e à grande quantidade de consumidores dos produtos feitos por todas as empresas, devemos voltar nossa atenção para outra abordagem. Além disso, quase nada foi dito sobre governo ainda. A outra abordagem a que nos referimos étratada pela Teoria Macroeconômica. 143 ECONOMIA Exercícios Questão 1. O conceito de elasticidade‑preço da demanda, ou somente elasticidade‑preço, diz respeito à variação da quantidade demandada de um bem X em função das variações de seu preço. Sobre a elasticidade‑preço da demanda, podemos afirmar: I − Cada produto possui sua própria sensibilidade com relação às variações dos preços e da renda. II − A elasticidade reflete o grau de reação ou sensibilidade de uma variável quando ocorrem variações em outra variável, coeteris paribus. III − O conceito de elasticidade representa uma informação bastante útil para uma empresa, que consegue dimensionar sua política de preços a partir das características de seu público‑alvo. Em relação às afirmativas acima, assinale a alternativa correta: A) Apenas as afirmativas I e II são corretas. B) Apenas as afirmativas I e III são corretas. C) Apenas as afirmativas II e III são corretas. D) Todas as afirmativas são corretas. E) Todas as afirmativas são incorretas. Resposta correta: alternativa D. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: a demanda de um produto reage de forma particular em relação ao aumento do preço. Isso quer dizer que a demanda de cada produto possui suas particularidades. II – Afirmativa correta. Justificativa: a elasticidade mede a sensibilidade de resposta de uma variável em termos da mudança em outra variável, respeitadas as condições de coeteris paribus. III – Afirmativa correta. Justificativa: a informação sobre a elasticidade‑preço da demanda é fundamental para o gestor e empresário, em especial na formulação e na execução de políticas de preços. 144 Unidade II Questão 2. A existência de muitos ofertantes e muitos demandantes caracteriza a concorrência perfeita como uma particular estrutura de mercado. Contudo, há também mercados que operam com base em uma estrutura do tipo concorrência imperfeita. O oligopólio é uma estrutura de mercado do grupo de concorrência imperfeita. Nessa estrutura: I − A quantidade de ofertantes e demandantes é imensa, o que impede a ação hegemônica no mercado de qualquer agente. II − O consumidor, na verdade, é quem estabelece o preço que irá vigorar no mercado. III − Os preços dos bens, em geral, são estabelecidos mediante acordos e associações entre os seus fabricantes. Está correto o que se afirma em: A) I. B) II. C) III. D) I e II. E) II e III. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: essa é uma característica da concorrência perfeita, e não do oligopólio. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: como os ofertantes são poucos, os consumidores têm pouca margem de ação no que diz respeito à formação do preço. III – Afirmativa correta. Justificativa: em geral, para que a concorrência não seja predatória, os poucos ofertantes do bem entram em acordo sobre uma política de preços e de divisão de mercado que não beneficie ou prejudique nenhum dos parceiros.