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See discussions, stats, and author profiles for this publication at: https://www.researchgate.net/publication/328171856 OBTENÇÃO DE CURVAS DE ESCOAMENTO PARA O AÇO DIN 16MnCr5 EMPREGADO NO FORJAMENTO A FRIO Conference Paper · October 2018 CITATIONS 0 READS 649 5 authors, including: José Carlos Krause de Verney Lutheran University of Brazil 27 PUBLICATIONS 63 CITATIONS SEE PROFILE José Lesina Cézar Lutheran University of Brazil 21 PUBLICATIONS 11 CITATIONS SEE PROFILE Leonardo Haerter dos Santos Federal University of Rio Grande do Sul 9 PUBLICATIONS 17 CITATIONS SEE PROFILE Claudia Ziulkoski 1 PUBLICATION 0 CITATIONS SEE PROFILE All content following this page was uploaded by José Carlos Krause de Verney on 09 October 2018. 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Foram realizados tratamentos térmicos e obtenção de curvas de escoamento para análise de resultados e comparação com a bibliografia existente. Apresenta também a possibilidade de empregar lubrificantes bem conhecidos, mas não tão tradicionais no processo e tratamentos térmicos em uma combinação que busca a melhoria do processo. O estudo das curvas de escoamento do material é fundamental, pois são elas que determinam os valores que são aplicados nos cálculos da força e do trabalho no processo de conformação. Ao término do estudo, e avaliando os resultados obtidos pela equação de Hollomon, pode-se identificar que para uma mesma deformação, o corpo de prova no estado esferoidizado com aplicação de teflon apresentou uma tensão de escoamento (kf) ligeiramente menor em relação aos outros corpos de prova analisados. Em contrapartida o corpo de prova que apresentou o menor coeficiente de atrito (µ) utilizando a Teoria Elementar da Plasticidade foi a amostra no estado como fornecido e fosfatizado com aplicação de MoS2. Palavras-chave: Conformação a frio; MoS2; Teflon; Curva de escoamento OBTENTION OF YIELD STRESS CURVES FOR DIN 16MnCr5 STEEL EMPLOYED IN COLD FORGING ABSTRACT In this work the behavior of DIN 16MnCr5 steel in the metal forming process, more specifically in cold forming was analyzed. Heat treating and cold flow curves will be performed in order to analyze the results and compare them with the existing bibliography. It also presents the possibility of using new types of lubricants and heat treatments in a combination that seeks the improvement of the process, the study of material flow curves is fundamental, because they are the ones that determine the values that will be applied in the calculations of the force and the work in the conformation process. They are also responsible for defining the parameters of mechanical tests that will be studied. At the end of the study and evaluating the results obtained by the Hollomon Equation we can identify that for the same deformation, the test body in the spheroidized state with teflon application showed a little lower flow stress (kf) in relation to the other test specimens analyzed. In contrast, the specimen that presentedthe lowest coefficient of friction (μ) using the Elementary Theory of Plasticity was the test specimen in the state as supplied with MoS2 application. Keywords: Cold forming; MoS2; Teflon; Flow curve. INTRODUÇÃO O forjamento é um dos processos de conformação mecânica mais difundido na indústria. Pode ser aplicado das seguintes formas: forjamento a quente, morno ou frio. Em todas as suas aplicações se objetiva o maior aproveitamento de matéria prima, resultados superiores na qualidade das superfícies, otimização de custos e peças geometricamente mais complexas de serem produzidas. Com o crescente aumento da competitividade na indústria do aço, com o surgimento de novas empresas, aumento significativo das importações, surgimento de novas tecnologias e matérias primas que visam à substituição do aço, a indústria percebe a necessidade de se reinventar. Atualmente nas grandes empresas, essa situação tem sido contornada por abatimento nos custos de produção, automatização de processos e busca por novas matérias primas, mais baratas e o corte no desperdício de recursos. Atualmente o mercado do aço no Brasil enfrenta uma grande retração, com o aumento da concorrência na indústria, diminuição no consumo de aço e o surgimento de novas tecnologias; desta forma, cada vez mais, busca-se o estudo de novos materiais para diferentes aplicações antes impensadas. Embora o desenvolvimento de novas tecnologias seja constante, o nível de complexidade nos materiais pesquisados é um fator que pode limitar essa busca. O forjamento a frio possui uma excelente vantagem quando se trata de custos, quando comparado aos outros processos, ele se torna mais vantajoso por possuir boa relação custo/benefício nos tópicos de produção em larga escala e desperdício de matéria prima. Este processo promove uma deformação plástica no metal sem aquecimento, onde o material quando submetido a compressão flui entre as matrizes resultando na obtenção de peças com qualidade dimensional e superficial. Desta forma, o material conformado como não é submetido a elevadas temperaturas apresenta-se encruado, o que torna o material com alto nível de resistência mecânica (CALLISTER, 2002). A deformação plástica gera um aumento no número de discordâncias, as quais, em virtude de sua interação, resultam no aumento de tensão interna na rede cristalina. O que resulta no aumento de resistência e dureza do material (VLACK, 2012). O encruamento faz com que a capacidade de deformação plástica do metal (conformabilidade) seja reduzida. A fim de verificar o comportamento do material, é possível se executar previamente um ensaio de compressão a frio (ALTAN, T.; NGAILE, G.; SHEIN, G., 2005). Neste ensaio ocorre a aplicação de uma carga compressiva uniaxial, que tende a provocar um encurtamento do corpo de prova submetido a este esforço. Conforme Teófilo (2013), a resposta fornecida deste tipo de ensaio é dada pela deformação linear obtida pela medida da distância entre as placas que comprimem o corpo de prova, em função da carga de compressão aplicada em cada instante. Conforme Schaeffer (2004), para evitar fenômenos de instabilidade durante o ensaio é necessário manter uma relação segura entre a altura e o diâmetro da amostra. Outro aspecto relevante durante o ensaio de compressão é o atrito, que está diretamente associado ao efeito de embarrilamento da amostra. Até a tensão de escoamento, o material comporta-se elasticamente, a partir daí inicia-se a deformação plástica. Com o avanço da deformação plástica o material endurece, durante o qual se verifica um aumento do diâmetro da seção transversal do corpo de prova. Dos principais cuidados que devem ser observados na realização do ensaio material, ressalta-se o dimensionamento do corpo de prova, que deve obedecer a uma relação comprimento/seção transversal adequada para resistir à flexão e à flambagem (TEÓFILO, 2013). Uma das normas técnicas mais utilizadas para o ensaio de compressão é a ASTM E9. Quando o foco da pesquisa for a otimização do processo, o estudo das curvas de escoamento do material é fundamental, pois são elas que determinam os valores que serão aplicados nos cálculos da força e do trabalho no processo de conformação. Também são elas as responsáveis pela definição precisa dos parâmetros de ensaios mecânicos que serão estudados. As curvas de escoamento são construídas a partir de ensaios mecânicos de torção, tração ou compressão. Geralmente para o processo de forjamento, utiliza-se o ensaio de compressão, pois melhor representa as condições reais do processo. Num diagrama convencional tensão (σ) x deformação relativa ( ) se observam duas zonas características, a zona elástica e a zona plástica. Para a conformação mecânica, a zona mais importante é aquela que vai do limite de escoamento (σesc) até o limite máximo (σmáx). Enquanto no diagrama convencional a força é sempre relacionada com a área inicial, no diagrama verdadeiro a força é relacionada com a área instantânea. Esta curva que relaciona a tensão verdadeira (kf) com a deformação verdadeira ( ) é denominada de curva de escoamento ou curva verdadeira (SCHAEFFER, 2004). Ao utilizar-se a lei da constância de volume pode-se determinar a área instantânea do corpo de prova e após este processo obter-se os dados para construir a curva verdadeira. É possível calcular a força de forjamento utilizando parâmetros integrais ou os parâmetros localizados. A utilização dos parâmetros integrais permite calcular a deformação média, velocidade de deformação média e a tensão de escoamento média, possibilitando encontrar de forma aproximada, a força de forjamento. À medida que mais informações são necessárias como as deformações e as tensões nas ferramentas ou a distribuição de temperatura nas principais regiões da peça deformada, deve-se usar a teoria elementar da plasticidade. (HELMAN; CETLIN, 2005) O tratamento térmico de recozimento faz parte do processo de fabricação de perfis de aço laminados a frio e consiste em um tratamento térmico que contribui para a obtenção das propriedades requeridas em suas aplicações. Pode-se dizer que o tratamento consiste em recuperação, recristalização e crescimento do grão, muito útil para metais encruados. No ferro esta energia armazenada é usualmente na faixa de 20 a 40 J/mol, ou cerca de 2% a 4% da energia do trabalho a frio. Durante a recuperação, apenas as imperfeições de maior mobilidade participam do processo de recondução parcial do metal a uma estrutura menos distorcida. As lacunas e átomos intersticiais existentes nas faixas de escorregamento são eliminadas, bem como deslocações de sinais contrários. O maior efeito destas pequenas modificações estruturais é o de diminuir as tensões internas produzidas pela deformação, sendo mais pronunciado para temperaturas mais altas e tempos mais longos. (LESLIE, 1982). A esferoidização é um processo normalmente aplicado em aços ligados. Nestes aços, a perlita é envolvida por uma rede de cementita que dificulta trabalhos de usinagem e outros processos de fabricação. O tratamento consiste em aquecer e manter por um longo tempo o material em temperaturas um pouco abaixo da formação da austenita e resfriar em tempos controlados (ERDAL, 2007). O que resulta em uma estrutura globular de cementita em uma matriz de ferrita, facilitando a usinagem e outros trabalhos. Os carbonetos adquirem a forma esférica durante o coalescimento para minimizar a relação entre a energia livre de superfície e a volumétrica, reduzindo a energia total do sistema (BROOKS, 2000). Em função do ciclo térmico do processo de esferoidização pode haver variações no tamanho e distribuição dos carbonetos e no tamanho de grão ou subgrão da ferrita que podem alterar significativamente a ductilidade e, consequentemente, a conformabilidade dos aços (SHERBY; SYN, 1994). MATERIAIS E MÉTODOS Materiais Aço DIN 16MnCr5 Para a realizaçãodos ensaios mecânicos de compressão foram utilizados corpos de prova na forma cilíndrica nas dimensões de Ø10 x 15 mm, os quais foram confeccionados a partir de uma barra de aço DIN 16MnCr5 trefilada. Lubrificantes Para os ensaios deste trabalho foram utilizados como lubrificantes a graxa a base de bissulfeto de molibdênio (MoS2) e também o PTFE (politetrafluoretileno), comercialmente conhecido como teflon na forma de finas lâminas. Métodos Tratamento térmico Para o processo de tratamentos térmico de recozimento pleno as amostras foram aquecidas a uma temperatura máxima de 860 °C por 2 horas e retiradas do forno ao atingirem a temperatura ambiente. Já na esferoidização as amostras foram aquecidas até 770 °C por 4 horas, resfriadas até 690 °C e mantidas a esta temperatura por mais 6 horas, permanecendo dentro do forno até atingir a temperatura ambiente. Ensaio de compressão Com os corpos de provas (média de duas até quatro amostras de cada situação) como recebidos e após os tratamentos térmicos foi aplicado o ensaio de compressão a frio com uma velocidade de deformação de 0,01 s-1, usando uma máquina de ensaios Emic de 200 kN. Teoria elementar da plasticidade Assim como é possível calcular a força de forjamento utilizando parâmetros integrais ou os parâmetros localizados, é possível calcular o coeficiente de atrito, uma vez que se tenha a força de forjamento medida, empregando a equação 1 (HELMAN; CETLIN, 2005). Eq. 1 Onde: P(r) = força de forjamento D = diâmetro do cilindro h = altura do cilindro y = limite de escoamento do metal sob compressão simples µ = coeficiente de atrito na interface metal/matriz r = distância de um ponto do cilindro até seu eixo RESULTADOS E DISCUSSÕES Ensaio de compressão Os ensaios foram executados e obtidas as curvas de escoamento e as equações que descrevem a resistência ao escoamento (kf) como função da deformação a frio. Baseando-se na equação da reta tangente, obteve-se os dados necessários para a equação fundamental de deformação a frio (ou equação de Hollomon) a qual pode ser descrita da seguinte forma: = × . (19) Onde: kf = tensão de escoamento verdadeira C = coeficiente de resistência do material = deformação verdadeira n = coeficiente de encruamento Após obter as equações de reta tangente, foi calculado o inverso de log C e foi obtido o valor real a ser utilizado de C e o n necessário para gerar a equação de Hollomon. Com o término dos ensaios de compressão foram realizados o tratamento e análise dos dados obtidos, onde foram gerados os gráficos de forma experimental de tensão (σ) x deformação ( ), após foi calculado o logaritmo de cada um e então foi construído o gráfico log kf x log . Estes gráficos mostram os dados da deformação. A partir da linearização do gráfico, obtém-se a equação da reta tangente. As equações obtidas, conforme determina Hollomon, são apresentadas na tabela 1, para cada situação. Vale ressaltar que a tensão de escoamento kf é um dos parâmetros fundamentais para os processos de conformação mecânica. Tabela 1 - Resultados aplicados na Equação de Hollomon Atribuindo valores de deformação ( ) para cada uma das situações ensaiadas, obtém-se as curvas apresentadas na figura 1, MoS2, e figura 2, teflon. Baseado em Altan; Ngaile; Shein (2005) é possível afirmar que o método de obtenção de curvas de escoamento em todos os estados analisados foi eficaz. Visto que, na literatura utilizada como referência para o aço DIN 16MnCr5 a n C equação de Hollomon deve ser aproximadamente kf = 794,3 0,180 . Para Geier (2012) para o aço DIN 16MnCr5 no estado recozido a equação de Hollomon deve ser em torno de kf= 804,3 0,110 e no estado como fornecido a equação deve ser kf= 906,3 0,009. A fim de comparação, fez-se um gráfico incluindo estas equações junto a figura 1. Observa-se que a curva gerada com a equação proposta por Altan; Ngaile; Shein (2005) se sobrepõe as curvas no estado recozido e esferoidizado deste trabalho, validando-as. Já as curvas a partir dos dados de Geier ficaram mais dispersas. Figura 1 – Curvas de tensão x deformação conforme equações de Hollomon para MoS2. Figura 2 – Curvas de tensão x deformação conforme equações de Hollomon para teflon. Observa-se destes resultados, nas primeiras deformações, que as condições de tratamento térmico efetuadas, no caso recozido e esferoidizado, não apresentam variação, podendo ser consideradas similares. Construindo as curvas a partir dos dados coletados nos ensaios, verifica-se uma condição bem similar, figuras 3 e 4. Atribui-se a isto, mesmo que os tratamentos térmicos tenham métodos diferentes, a sua aplicação neste aço não causou muita diferença. Figura 3 – Curvas tensão x deformação verdadeiras com lubrificante MoS2. Figura 4 – Curvas tensão x deformação verdadeiras com lubrificante teflon. Coeficiente de atrito Para que o coeficiente de atrito (µ) fosse encontrado indiretamente foi aplicada a Teoria Elementar da Plasticidade (SCHAEFFER, 2007) no qual foram obtidos os resultados empregando a equação 1, e os resultados podem ser vistos na tabela 2. Tabela 2 - Coeficientes de atrito obtidos pela aplicação da Teoria Elementar da Plasticidade. O corpo de prova que apresentou o menor coeficiente de atrito (µ) utilizando a Teoria Elementar da Plasticidade foi o corpo de prova no estado como fornecido com aplicação de MoS2. Estes valores de coeficientes de atrito estão de acordo com a literatura (SCHAEFFER, 2007), que apresenta um coeficiente de atrito em torno de 0,1. De acordo com os demais resultados obtidos, conforme tabela 2, é possível afirmar que, considerando o estado do material e lubrificação utilizada, os lubrificantes mais indicados, para cada condição, são mostrados conforme tabela 3 por possuírem menor coeficiente de atrito. Tabela 3 - Lubrificante indicado para ensaio de compressão DIN 16MnCr5. Baseando-se nestes dados identifica-se que o método aplicado no decorrer deste trabalho está adequado. Vale ressaltar que a diferença entre resultados obtidos e a literatura deve-se, provavelmente, as diferentes condições em que os ensaios foram realizados, diferença entre equipamentos, composição do material e também rugosidade superficial. CONCLUSÃO Considerando os resultados obtidos nos ensaios de compressão para a obtenção das curvas de escoamento pode-se concluir que os objetivos principais deste trabalho foram alcançados, principalmente no que se refere à avaliação dos tratamentos térmicos mais indicados para o processo de forjamento a frio em combinação com o melhor lubrificante avaliado e a obtenção das curvas de escoamento e suas equações correspondentes. Este trabalho também mostrou como é possível obter curvas de escoamento por ensaio de compressão a frio. Os resultados encontrados mostraram que houve uma boa repetitividade para todos os corpos de prova ensaiados. Ao término do estudo e avaliando os resultados obtidos pela equação de Hollomon pode-se identificar que para uma mesma deformação, o corpo de prova no estado esferoidizado com aplicação de teflon apresentou uma tensão de escoamento (kf) levemente inferior em relação aos outros corpos de prova analisados. Em contrapartida o corpo de prova que apresentou o menor coeficiente de atrito (µ) aplicando a Teoria Elementar da Plasticidade foi o corpo de prova no estado como fornecido e fosfatizado com aplicação de MoS2. REFERÊNCIAS ALTAN, T.; NGAILE, G.; SHEIN, G. Cold and Hot Forging - Fundamentals and Applications. ASMInternational, 2005. ASTM E9 – 09. American Society for Testing and Materials - Standard Test Methods of Compression Testing of Metallic Materials at Room Temperature. 2009. CALLISTER, W.D. Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC - Livros Técnios e Científicos Editora S. A., 2002. CALLISTER, W.D. 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