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Conteudista: Prof.ª Dra. Viviane Rodrigues Esperandim Sampaio Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Objetivo da Unidade: Reconhecer a divisão do sistema nervoso em central e periférico e seus componentes: encéfalo, tronco encefálico, cerebelo, medula espinhal, meninges e nervos. ˨ Material Teórico ˨ Material Complementar ˨ Referências Sistema Nervoso Introdução Você já parou para pensar como o Sistema Nervoso é um sistema complexo? Você consegue imaginar uma função desse sistema? Difícil, não é?! Na verdade, é quase impossível pensar em apenas uma função. O Sistema Nervoso coordena e integra todas as funções do corpo humano, além de armazenar as informações e permitir que o corpo se adapte a qualquer mudança, tanto no meio externo quanto no meio interno, relaciona-se à parte sensorial e elabora as respostas. Complexo, hein!? Vamos, então, estudar esse Sistema? Organização do Sistema Nervoso O Sistema Nervoso Central (SNC) é constituído por encéfalo e medula espinal. O encéfalo localiza-se na caixa craniana e contém cerca de 100 bilhões de neurônios, sendo formado por cérebro, cerebelo e tronco encefálico. A medula espinal localiza-se no interior do canal vertebral e contém cerca de 100 milhões de neurônios. O sistema nervoso central processa informações sensoriais, pensamentos, emoções e memórias, além de controlar a contração dos músculos e secreção de glândulas. 1 / 3 ˨ Material Teórico O Sistema Nervoso Periférico (SNP) é composto pelas estruturas nervosas fora do sistema nervoso central, os nervos (cranianos e espinais) e seus ramos, os gânglios, plexos entéricos e os receptores sensoriais. São estruturas que ligam as partes do corpo ao sistema nervoso central. Existem 12 pares de nervos cranianos e 31 pares de nervos espinais. Os nervos são feixes milhares de axônios (parte de um neurônio) revestidos por tecido conjuntivo irrigados por vasos sanguíneos, localizados fora do encéfalo e da medula espinal, que segue uma via definida e inerva uma região específica. Os gânglios são corpos dos neurônios localizados fora do sistema nervoso central. Os receptores sensoriais são estruturas que monitoram alterações que acontecem no ambiente interno e externo. O plexo entérico localiza-se na parede dos órgãos do trato gastrointestinal e ajudam na regulação do sistema digestório. Ao analisar a organização funcional do sistema nervoso, ele é dividido em três funções: sensitiva, integrativa e motora. A função sensitiva é constituída pelos receptores sensitivos que detectam estímulos internos como o aumento dos níveis de glicemia ou externos como a redução da temperatura, e esses estímulos são conduzidos por neurônios sensitivos por meio dos nervos até o sistema nervoso central. A função integrativa relaciona-se ao processamento de informações sensitivas, à análise e armazenamento, seguida por tomada de decisões para respostas, ou seja, a uma ação de integração. A ação de integração é realizada por interneurônios (neurônios que se conectam com outros neurônios dentro do sistema nervoso central). Na função motora, após a ação da integração da informação sensitiva, os neurônios motores conduzem a informação do encéfalo e da medula espinal para os músculos e glândulas, provocando contração muscular e secreção das glândulas. Figura 1 – Sistema Nervoso Fonte: Getty Images Tecido Nervoso O tecido nervoso é formado por neurônios e neuroglia (ou células da glia). O neurônio é a menor unidade funcional do sistema nervoso, sendo considerada uma célula especializada em responder um estímulo (alteração do ambiente) e convertê-lo em um impulso nervoso (potencial de ação). Os neurônios podem ser minúsculos ou mais longos (1 µm a 1 metro de comprimento), sendo formados por duas partes básicas: corpo e fibra nervosa. O corpo celular contém o núcleo e organelas típicas como lisossomos, mitocôndrias e complexo de Golgi. A fibra nervosa é um prolongamento a partir do corpo celular, os dendritos e o axônio. Os dendritos são as partes receptoras do neurônio, sendo altamente ramificados e curtos. O axônio é um prolongamento que conduz o impulso nervoso em direção a outro neurônio, a uma fibra muscular ou a uma célula glandular. O axônio é uma projeção cilíndrica que se une ao corpo celular por meio do segmento inicial ou zona de gatilho. O citoplasma de um axônio é o axoplasma. O axônio em sua extensão pode conter ramificações chamadas colaterais e no final as terminações do axônio. Figura 2 – Ilustração de um neurônio Fonte: Adaptada de Getty Images Além dos neurônios, o tecido nervoso também é constituído pela neuroglia ou células da glia. Essas células correspondem à metade do volume do sistema nervoso central e são assim denominadas pois representam a “cola” que mantém esse tecido unido. Essas células no sistema nervoso central têm tamanhos, funções e projeções no citoplasma que permitem a classificação em quatro tipos: astrócitos, oligodendrócitos, células da micróglia e células ependimárias. Os astrócitos são as células mais numerosas da neuroglia, tem formato de estrelas e têm muitos prolongamentos. Essas células dão suporte aos neurônios, seus prolongamentos envolvem os capilares e isolam os neurônios de substâncias nocivas ao mesmo tempo que restringem a passagem de certas substâncias entre o sangue e o líquido intersticial no sistema nervoso central. Os oligodendrócitos são células com prolongamentos, em menor quantidade que os astrócitos, responsáveis pela produção da bainha de mielina ao redor dos axônios no sistema nervoso central. A bainha de mielina está presente nos neurônios mielinizados e, devido à sua constituição lipoproteica, isola algumas regiões do axônio e aumenta a velocidade da condução do impulso nervoso. A micróglia são pequenas células com numerosas ramificações. São células do sistema imunológico que, assim, como os macrófagos,9+ fagocitam microrganismos e células danificadas no sistema nervoso. As células ependimárias se organizam em uma camada única, apresentam cílios, formam a barreira hematoencefálica e revestem os ventrículos e os espaços preenchidos pelo líquido cerebroespinal e, dessa forma, produzem e auxiliam na circulação desse líquido. Figura 3 – Células da neuroglia: Astrócitos (célula amarela); Oligodendrócitos (células azuis); Micróglia (células verdes); Células ependimárias (camada de células rosas). Fonte: Reprodução No sistema nervoso periférico, existem dois tipos de células da neuroglia: células de Schwann e as células satélites. As células de Schwann no sistema nervoso periférico, assim como os oligodendrócitos, produzem a mielina ao redor dos axônios. As células satélites são achatadas, envolvem os corpos celulares dos neurônios nos gânglios no sistema nervoso periférico e tem a função de suporte e regulação das trocas entre o líquido intersticial e os corpos celulares. Figura 4 – Ilustração da destruição da bainha de mielina na Esclerose Múltipla Fonte: Adaptado de Getty Images Saiba Mais Conforme aprendemos, alguns axônios são envolvidos pela bainha de mielina que isola o axônios e aumenta a velocidade do impulso elétrico. Os espaços na bainha de mielina são chamados de nós de Ranvier e, nessas regiões, o impulso não é isolado. Os axônios que não têm essa bainha são considerados neurônios não mielinizados. A produção de mielina é aumentada desde o nascimento até a fase adulta, porém, existe uma condição patológica em que essa mielina é destruída. Na esclerose múltipla, uma doença autoimune, ocorre a destruição das bainhas de mielina que envolvem os axônios no sistema nervoso. Os neurônios têm a função de transmissão de impulsos elétricos e, muitas vezes, essas células se juntam para esta função. O local em que esta comunicação acontece entre dois neurônios ou entre um neurônio e uma célula efetora é denominado sinapse. Existem dois tipos de sinapses: sinapse elétrica e sinapse química. Figura 5 – Ilustração de uma sinapse química com liberação de neurotransmissores Fonte: Getty Images Na sinapse elétrica, as membranas dos neurônios estão unidas através de junções comunicantes, também chamadas “junções Gaps”. Nesse caso, o impulso elétrico é transmitido rapidamente de uma célula para a outra, como deve acontecer nas células musculares cardíacas e no músculo liso. A sinapse química ocorre na maioria dos neurônios e entre os neurônios e as células efetoras, como células glandulares e musculares. Envolve a liberação de neurotransmissores como acetilcolina, adrenalina, noradrenalina e outros. Esses neurotransmissores serão liberados no espaço entre as duas células, chamado de fenda sináptica e, depois da ligação dessas substâncias a receptores específicos, o impulso elétrico será transmitido. Quando observamos um corte do encéfalo ou da medula espinal, existem regiões que apresentam uma coloração branca e outras cinzas. A substância branca é formada por um agregado de axônios de neurônios e a substância cinzenta contêm, principalmente, corpos celulares e parece cinza, pois os corpúsculos de Nissl conferem uma cor acinzentada e há pouca ou nenhuma mielina. O encéfalo é recoberto por uma camada fina de substância cinzenta e, em sua parte mais interna, encontra-se a substância branca. Na medula espinhal, existe um cerne interno de substância cinzenta em forma de letra H, circundado pela substância branca. Figura 6 – Substância branca e cinzenta no encéfalo: a região mais clara no interior é a substância branca e a região mais externa é a substância cinzenta Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Sistema Nervoso Central Conforme estudamos, o sistema nervoso central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinal. O encéfalo está protegido pelo crânio e as meninges e a medula espinal no canal vertebral também está protegida pelas meninges. O encéfalo é formado pelo cérebro, pelo diencéfalo, pelo tronco encefálico e pelo cerebelo. O encéfalo e a medula espinal são contínuos e atravessam o forame magno do osso occipital. Agora, vamos aprofundar nossos conhecimentos em cada um dos constituintes do sistema nervoso central. Encéfalo O encéfalo é constituído de quatro partes: cérebro ou telencéfalo (maior parte do encéfalo), diencéfalo (constituído pelo tálamo, hipotálamo e epitálamo), tronco encefálico (contínuo com a medula espinal e dividido em mesencéfalo, ponte e bulbo) e cerebelo (posterior ao tronco encefálico). Figura 7 – Encéfalo Fonte: Getty Images O encéfalo é protegido pelos ossos do crânio que constituem a caixa craniana e pelas meninges. As meninges são três camadas de tecido conjuntivo que revestem o encéfalo e a medula espinal. Da camada mais externa para a mais interna, encontramos: dura-máter, aracnoide e pia-máter. A dura-máter é a camada mais externa, mais resistente e mais espessa. A aracnoide é a camada que não tem vascularização composta por arranjos de colágeno semelhante a uma teia de aranha. A pia-máter é a camada mais fina, que se encontra aderida ao encéfalo ou à medula espinal. Essa camada tem vários vasos sanguíneos que fornecem oxigênio e nutrientes para o tecido nervoso. Entre a aracnoide e a pia-máter, encontra-se o espaço subaracnoideo em que circula o líquido cerebroespinal. Figura 8 – Meninges: dura-máter, aracnoide e pia-máter Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Saiba Mais Você já ouviu falar de meningite? A meningite é uma inflamação das meninges que acabamos de estudar. Essa inflamação é uma consequência de uma infecção que pode ser provocada por uma bactéria ou um vírus e, por isso, indicamos como meningite bacteriana ou meningite viral. A meningite bacteriana é a mais grave, devendo ser tratada com antibióticos. Já a meningite viral regride Um adulto tem cerca de 150 ml de líquido cerebroespinal que circula lentamente pelas cavidades do encéfalo e da medula espinal pelo espaço subaracnoideo. Ele é incolor, composto, principalmente, de água e pequenas quantidades de proteínas, ureia, ácido láctico, íons e alguns leucócitos. Sua função é proteger o encéfalo e a medula espinal contra lesões físicas e químicas. No encéfalo as cavidades preenchidas pelo líquido cerebroespinal são denominados ventrículos. Os ventrículos laterais (ventrículos 1 e 2) são localizados em cada um dos hemisférios cerebrais. O terceiro ventrículo localiza-se na parte superior do hipotálamo entre as metades direita e esquerda do tálamo. Constitui-se de uma cavidade estreita ao longo da linha mediana. O quarto ventrículo, localiza- se entre o tronco encefálico e o cerebelo. espontaneamente em 1 a 2 semanas. Como saber se uma pessoa tem a meningite? Os sintomas são: febre, dor de cabeça, rigidez de nuca, sonolência, confusão, vômitos e letargia. O diagnóstico é confirmado por exames que analisam o líquido cerebroespinal. Figura 9 – Ventrículos: ventrículos laterais, terceiro ventrículo e quarto ventrículo Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Figura 10 – Ventrículos laterais Fonte: Getty Images O cérebro é a maior região do encéfalo e nos proporciona a capacidade de falar, ler, escrever, e lembrar do passado ou planejar o futuro. É a nossa “sede da inteligência”. É composto pelos hemisférios cerebrais e núcleos da base. A metade direita do cérebro é denominada hemisfério cerebral direito e a metade esquerda hemisfério cerebral esquerdo. Esses hemisférios são separados por um sulco denominado fissura longitudinal. A faixa externa dos hemisférios cerebrais é constituída por substância cinzenta, o córtex cerebral, que contém bilhões de neurônios, e a região interna por substância branca. Os hemisférios cerebrais são conectados internamente pelo corpo caloso, uma faixa larga de substância branca contendo axônios dos neurônios. Durante o desenvolvimento embrionário do encéfalo, a substância cinzenta aumenta mais rápido que a substância branca e, dessa forma, a região cortical se enrola e dobra sobre ela mesma, formando pregas denominadas giros cerebrais, separados por sulcos cerebrais. Cada hemisfério cerebral é dividido em lobos, que são nomeados conforme os lobos que revestem: lobos frontal, parietal, occipital, temporal e insular. O lobo insular ou ínsula não é visto na superfície do cérebro, sendo situado abaixo dos lobos parietal, frontal e temporal. Profundamente, em cada hemisfério, encontram-se três núcleos da base (massas de substância cinzenta) denominados núcleos da base. Figura 11 – Lobos parietais: lobo frontal (vermelho), lobo parietal (azul), lobo temporal (amarelo), lobo occipital (verde) Fonte: Getty Images O diencéfalo, também parte do encéfalo, localiza-se acima do mesencéfalo do tronco encefálico e está envolvido com processamento sensitivo e motor. É dividido em tálamo, hipotálamo e epitálamos. O tálamo representa 80% do diencéfalo e mede cerca de 3 cm de comprimento. Constitui a principal estação de retransmissão de impulsos sensitivos (exceto olfato) para áreas sensitivas primárias do córtex cerebral vindas da medula espinal, do tronco encefálico e do mesencéfalo. Contribui com funções motoras, transmitindo informações vindas do cerebelo e desempenha função na manutenção da consciência. O hipotálamo está localizado abaixo do tálamo, é uma pequena parte do diencéfalo, porém muito importante. Controla muitas atividades corporais, regula a contração do músculo liso, cardíaco, secreção de glândulas, produz hormônios, conecta-se à hipófise e regula padrões emocionais e comportamentais. Também regula a ingestão de alimentos e água pelo centro da sede, regula a temperatura corporal, os ritmos circadianos e os estados de consciência. O epitálamo é uma pequena região do diencéfalo, localizada posterior e superior ao tálamo, constituída pela glândula pineal e pelos núcleos habenulares. A glândula pineal tem o tamanho de uma pequena ervilha e constitui parte do sistema endócrino que secreta a melatonina. A melatonina induz o sono e ajuda a regular os ritmos circadianos, sendo secretada em menor quantidade durante o dia e em maior quantidade à noite. Os núcleos habenulares estão envolvidos em respostas emocionais ligadas ao olfato, como o perfume de uma pessoa querida ou a comida de mãe. O cerebelo representa um décimo da massa do encéfalo, e tem quase metade dos neurônios do encéfalo. Localiza-se posteriormente ao bulbo e à ponte e inferiormente ao cérebro. Tem superfície pregueada, como no cérebro, que aumenta a superfície de seu córtex, sendo a segunda maior parte do encéfalo. O seu formato assemelha-se a uma borboleta, na qual a área central é o verme do cerebelo e as “asas” laterais são os hemisférios do cerebelo. Os lobos posterior e anterior têm a função de controlar os aspectos subconscientes dos movimentos dos músculos esqueléticos e o lobo floculonodular contribui para a estabilização e o equilíbrio. O córtex cerebelar é constituído por substância cinzenta e várias cristas denominadas folhas do cerebelo. Abaixo da substância cinzenta, encontra-se a árvore da vida, que são tratos da substância branca parecidos com ramos de uma árvore. O cerebelo é fixado ao tronco encefálico por três pares de pedúnculos cerebelares. É a principal região do encéfalo, que regula o equilíbrio e a postura. Figura 12 – Cérebro humano: cerebelo destacado em rosa Fonte: Reprodução O tronco encefálico localiza-se entre o diencéfalo e a medula espinal, sendo constituído por bulbo, ponte e mesencéfalo. O primeiro segmento do tronco encefálico é o mesencéfalo, estende-se do diencéfalo até a ponte e mede cerca de 2,5 cm de comprimento. Na sua parte anterior, encontram-se os pedúnculos cerebrais que conduzem impulsos cerebrais para a medula espinal, para o bulbo e a ponte. Em sua parte posterior, também denominada teto, localizam-se quatro elevações arredondadas, sendo dois colículos superiores, que atuam como centros reflexos para atividades visuais e dois colículos inferiores que constituem parte da via auditiva. O mesencéfalo tem as substâncias negras direita e esquerda, que são núcleos de pigmentação escura que contêm neurônios que liberam dopamina e ajudam a controlar atividades musculares subconscientes. A perda desses neurônios está associada à doença de Parkinson. A ponte fica situada anteriormente ao cerebelo e acima do bulbo com cerca de 2,5 cm de comprimento. Conecta partes do encéfalo entre si e aloja o centro pneumotáxico que ajuda a controlar a respiração. O bulbo é uma continuação da medula espinal, sendo a parte inferior do tronco encefálico. Começa no forame magno no osso occipital e seis dos doze pares de nervos cranianos originam-se dessa região. Contém estruturas importantes como o centro respiratório bulbar que ajusta o ritmo da respiração e o centro cardiovascular, que regula a força e a frequência dos batimentos cardíacos. Medula Espinal Trocando Ideias... Você conhece alguém que teve uma lesão na medula espinal? Por que A medula espinal é uma estrutura cilíndrica localizada no canal vertebral. Os forames vertebrais, em todas as vértebras empilhadas, sobre as outras formam o canal vertebral. Estende-se do bulbo até a margem superior da segunda vértebra lombar. A medula espinal, assim como o encéfalo, também é revestida pelas três camadas de meninges que contêm o líquido cerebroespinal que proporciona flutuabilidade e proteção. Em um corte transversal, podemos observar a estrutura interna da medula espinal, que tem uma região de substância cinzenta central em forma de H ou de borboleta e, ao seu redor, encontra- se a substância branca. será que essas lesões têm efeitos tão difundidos no corpo humano? As lesões podem ser provocadas por vértebras fraturadas ou deslocadas. Dependendo da região da lesão na medula espinal, pode haver paralisia. Monoplegia é a paralisia de apenas um membro. Diplegia é a paralisia de ambos os membros superiores ou inferiores. Paraplegia é a paralisia de ambos os membros inferiores. Hemiplegia é a paralisia do membro superior, do tronco e membro inferior de um lado do corpo. Tetraplegia é a paralisia dos quatro membros. Figura 13 – Corte frontal do cérebro humano. 1. hemisfério cerebral; 2. tálamo; 3. mesencéfalo; 4. ponte; 5. bulbo; 6. Medula espinhal Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Sistema Nervoso Periférico O sistema nervoso periférico é composto por 12 pares de nervos cranianos, 31 pares de nervos espinais, gânglios (corpos dos neurônios fora do sistema nervoso central) e terminações nervosas. Os nervos são feixes de axônios e células da neuróglia envolvidos em camadas de tecido conjuntivo que ligam o sistema nervoso à parte periférica. O axônio e suas células da neuroglia formam a fibra nervosa e esta é envolvida pelo endoneuro, um revestimento de tecido conjuntivo frouxo circundado por líquido endoneural (extracelular) que nutre o neurônio e fornece o ambiente para propagação do potencial de ação. O perineuro é uma bainha mais espessa de tecido conjuntivo que mantém as fibras nervosas reunidas em feixes. Esse perineuro é formado por bainhas colágenas que atuam como barreira de difusão que mantém o ambiente osmótico e a pressão dentro do endoneuro. Para completar a estrutura do nervo, existe uma barreira de tecido conjuntivo denominada epineuro, que envolve todos os fascículos para juntos formar o nervo individual. Figura 14 – Estrutura de um nervo Fonte: Adaptada de Getty Images Nervos Cranianos Os nervos cranianos fazem parte do Sistema Nervoso Periférico e são chamados de cranianos pois atravessam vários forames no crânio. São 12 pares e cada um é identificado por um número romano que indica a ordem que se originam no encéfalo de anterior para posterior, e os seus nomes estão relacionados com as funções que desempenham. Os nervos I, II e VII são nervos sensitivos especiais, pois conduzem axônios de neurônios sensitivos especiais como visão, audição e olfação até o encéfalo. Os nervos III, IV, VI, XI e XII são classificados como nervos motores uma vez que têm apenas axônios de neurônios motores que inervam os músculos esqueléticos. Os nervos V, VII, IX e X são nervos mistos. São considerados nervos mistos que contêm axônios de neurônios sensitivos que entram no tronco encefálico e axônios de neurônios motores que deixam o tronco encefálico. Os nervos cranianos são mostrados na Figura 15. Agora, vamos conhecer um pouco sobre cada um desses nervos e suas funções: Figura 15 – Nervos cranianos Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Nervo olfatório (I): Nervo sensitivo relacionado ao sentido do olfato. Contém axônios que conduzem impulsos nervosos para a olfação. Na parte superior da cavidade nasal, encontra-se o epitélio olfatório, que tem neurônio bipolares, que são os receptores olfatórios. Feixes de axônios desses receptores atravessam forames no osso etmoide e formam os nervos olfatório direito e esquerdo que entram no encéfalo; Nervo óptico (II): Nervo sensitivo relacionado à visão. Contém axônios que conduzem impulsos para o sentido da visão. Na retina, bastonetes e cones enviam sinais para axônios de células ganglionares em cada olho, que se unem para formar um nervo. Os dois nervos se unem para formar o quiasma óptico. Os nervos oculomotor, abducente e troclear controlam os músculos que movimentam os bulbos do olho; Nervo ocolomotor (III): Nervo motor relacionado aos movimentos dos bulbos dos olhos e da pálpebra superior, constrição da pupila (miose) e ajuste da lente para visão de perto. Tem seu núcleo motor na parte anterior do mesencéfalo; Nervo troclear (IV): Nervo motor relacionado aos movimentos dos bulbos oculares. É o menor nervo craniano e o único que se origina da face posterior do mesencéfalo; Nervo trigêmeo (V): Nervo craniano misto. É o maior dos nervos cranianos e emerge da região posterolateral da ponte. Tem três ramos: oftálmico, maxilar e mandibular. Os axônios dos neurônios sensitivos conduzem impulsos nervosos relacionados com sensações de temperatura, dor e tato no couro cabeludo, na face e cavidade oral, e os axônios dos neurônios motores controlam os movimentos da mastigação; Nervo abducente (VI): Nervo motor relacionado aos movimentos dos bulbos oculares. Esse nervo é assim denominado pois os impulsos nervosos conduzidos por ele provocam rotação lateral (abdução) do bulbo do olho. Origina-se da ponte do tronco encefálico; Nervo facial (VII): Nervo craniano misto. Esse nervo inerva mais músculos que qualquer outro nervo no corpo. Os axônios dos neurônios sensitivos se estendem a partir dos botões gustatórios na língua e estão relacionados ao paladar. Também relacionado à parte sensitiva, axônios vindos da pele do meato acústico transmitem sensações de dor, temperatura e tato dessa região. Os axônios dos neurônios motores se originam de um núcleo da ponte do tronco encefálico e inervam músculos que controlam as expressões faciais e músculos na orelha média; Nervo vestibulococlear (VIII): Nervo sensitivo com dois ramos: ramo vestibular e ramos coclear. Os axônios dos neurônios sensitivos do ramo vestibular originam-se na orelha interna e terminam na ponte e cerebelo, sendo relacionados ao equilíbrio. Os axônios dos neurônios sensitivos do ramo coclear, originam-se na cóclea da orelha interna e terminam no hipotálamo, sendo relacionados à audição; Nervo glossofaríngeo (IX): Nervo misto. Os axônios dos neurônios motores originam-se nos núcleos dos bulbos e inervam os músculos que auxiliam na deglutição, e os neurônios motores autônomos estimulam a glândula parótida para produção de saliva. Os axônios dos neurônios sensitivos relacionam-se ao paladar, ao monitoramento da pressão arterial pelos barorreceptores, níveis de oxigênio e ao dióxido de carbono pelos quimiorreceptores e também sensações de tato, temperatura e dor provenientes da pele do meato acústico externo; Nervo vago (X): Nervo misto que se estende desde a cabeça e pescoço até tórax e abdome. Os axônios dos neurônios motores originam-se no bulbo, inervam músculos relacionados à vocalização, à tosse e à deglutição. Os axônios dos neurônios motores autônomos originam-se do bulbo e inervam coração, pulmões, glândulas do trato gastrointestinal, músculo liso das vias respiratórias, estômago, esôfago, vesícula biliar, intestino delgado e grosso, sendo relacionados a motilidades e secreção nos órgãos do trato gastrointestinal, diminuição da frequência cardíaca e constrição das vias respiratórias. Os axônios dos neurônios sensitivos relacionam-se a sensações provenientes dos órgãos das cavidades torácica e abdominal, monitoramento da pressão arterial e níveis de oxigênio e dióxido de carbono, paladar na epiglote e propriocepção na garganta e laringe; Nervo acessório (XI): Nervo motor. Os axônios dos neurônios motores conduzem impulsos nervosos para os músculos esternocleidomastoideo e trapézio para movimentos da cabeça e cíngulo do membro superior; Nervo hipoglosso (XII): Nervo motor. Os axônios dos neurônios motores somáticos originam-se no bulbo do tronco encefálico e conduzem impulsos nervosos para a fala e a deglutição. Nervos Espinais Os nervos espinais são os nervos associados à medula espinal, também componentes do Sistema Nervos Periférico. São feixes de axônios e células da neuroglia envolvidas por tecido conjuntivo. Conectam o sistema nervoso central aos músculos, às glândulas e aos receptores sensitivos. Existem 31 pares de nervos espinais que emergem dos forames intervertebrais, sendo divididos em 8 pares de nervos cervicais (C1 a C8), 12 pares de nervos torácicos (T1 a T12, 5 pares de nervos lombares (L1 a L8), 5 pares de nervos sacrais (S1 a S5) e 1 par de nervos coccígeos (Co1). Todos os nervos espinais contêm axônios tanto sensitivos quanto motores (são nervos mistos). Os ramos de um nervo espinal são formados por ramo posterior, ramo anterior, ramo meníngeo e ramos comunicantes. Os axônios dos ramos anteriores dos nervos espinais (exceto os nervos torácicos T2–T12) não se dirigem diretamente para as estruturas do corpo que eles inervam, eles formam uma rede de nervos adjacentes denominados plexos. A partir desses plexos, originam-se os nervos cujos nomes normalmente descrevem as regiões gerais que inervam ou o trajeto que seguem. São eles: Dermátomos: Neurônios sensitivos dos nervos espinais e o nervo trigêmeo (V) inervam segmentos constantes e específicos da pele, denominados dermátomos; Plexo cervical: Nervos do plexo cervical inervam a pele e os músculos da cabeça, do pescoço e da parte superior dos ombros, conectam-se com alguns nervos cranianos e inervam o diafragma; Os ramos anteriores dos nervos T2–T12 diferentemente dos outros nervos, não formam plexos e são denominados nervos intercostais. Esses distribuem-se diretamente para as estruturas que inervam nos espaços intercostais. Plexo braquial: Nervos do plexo braquial inervam os membros superiores e vários músculos do pescoço e do ombro; Plexo lombar: Nervos do plexo lombar inervam a parede anterolateral do abdome, os órgãos genitais externos e parte dos membros inferiores; Plexo sacral: Nervos do plexo sacral inervam as nádegas, o períneo e parte dos membros inferiores; Plexo coccígeo: Nervos do plexo coccígeo inervam a pele da região coccígea. Figura 16 – Plexo braquial em vista lateral e seus pequenos ramos Fonte: Adaptada de Wikimedia Commons Saiba mais Você já ouviu falar de herpes-zoster? Herpes-zoster é uma infecção que acontece na periférica do sistema nervoso causada pelo vírus varicela- zoster (VZV), o vírus que causa varicela, também conhecida como catapora. Depois da recuperação da varicela, o vírus localiza-se em um gânglio sensitivo e se o vírus for reativado, normalmente, o nosso sistema imunológico impede a sua disseminação. Acontece que, algumas vezes, quando o sistema imunológico do indivíduo está debilitado, o vírus abandona o gânglio e segue um trajeto ao longo dos axônios dos neurônios sensitivos da pele. Como resultado, o indivíduo sente muita dor, a pele fica pigmentada e apresenta uma linha de bolhas cutâneas que marca a distribuição do nervo sensitivo cutâneo, o dermátomo, infectado. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Sistema Nervoso: Introdução 2 / 3 ˨ Material Complementar Sistema Nervoso 1/6: Introdução | Anatomia e etc. https://www.youtube.com/watch?v=_0juQEk4sKg Anatomia dos Nervos Cranianos! Anatomia do Sistema Nervoso ANATOMIA do NERVOS CRANIANOS! | Anatomia etc Anatomia do sistema nervoso - EMBRIOLOGIA SISTEMA NERVOSO https://www.youtube.com/watch?v=Z1fjGrqXX_g https://www.youtube.com/watch?v=I8E-T3h61BM Leitura Modificações Fisiológicas Normais no Sistema Nervoso do Idoso Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo. ACESSE https://www.fonovim.com.br/arquivos/9d38584814b07ba11d4b6fe361503752-AULA-3-Modifica----es-fisiol--gicas-normais-no-sistema-nervoso-do-idoso.pdf TORTORA, G. J.; NIELSEN, M. T. Princípios de anatomia humana. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana básica. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2011. 3 / 3 ˨ Referências